Obesidade e Repressão dos Sentimentos

Coração Vazio – Artista desconhecido

Já se discute há muito que sobrepeso e obesidade, em muitos casos, estão relacionados com auto-proteção. Inconscientemente o indivíduo defende-se de um perigo identificado no mundo, através das camadas de gordura ao redor do corpo, e às vezes, o objetivo inconsciente é mesmo tornar-se não atraente para o olhar do outro, como é comum  no caso de vítimas de abusos sexuais.

Mas acredito que em algumas situações o sobrepeso também esteja ligado à não vivencia dos sentimentos e emoções. Classicamente indivíduos que têm pouca ou nenhuma Água no mapa natal tendem a ter dificuldades em lidar com os próprios sentimentos, especialmente quando há uma ênfase acentuada no elemento Ar. Os signos de elemento Ar são sabidamente mentais e cerebrais, identificando-se mais facilmente com seu lado racional e lógico e jogando a função do Sentimento para os porões do inconsciente. Com alguma freqüência essas pessoas são mesmo acusadas por parceiros, família e amigos de serem insensíveis e frias, o que não é verdade. O que ocorre é que o reino dos sentimentos pode ser visceral e primitivo demais para essas pessoas, chegando mesmo a ser aterrador, e a sensação freqüente é de afogamento, de se estar afundando nas profundezas de um mar sem fundo. Normalmente essas pessoas ficam tempo demais reprimindo suas emoções, ou racionalizando-as, analisando-as excessivamente, sem efetivamente vivê-las, e acabam, muitas vezes, por chegarem a tal estado de dissociação dos próprios sentimentos que tornam-se anestesiadas, alienadas de si mesmas e conseqüentemente, alienando-se  daqueles com quem convivem.

Mind and heart
Open Art Group

Tenho visto em mapas em que há esse conflito Ar-Água, razão versus sentimentos, mente versus coração, que com certa freqüência a pessoa reclama de problemas com a balança e vive numa luta constante para perder peso. Acredito que esse peso excessivo relaciona-se com as emoções e sentimentos não admitidos, não vivenciados e não expressados. No caso da retenção de líquido o caso fica ainda mais evidente, pois sendo o líquido e a água os símbolos dos sentimentos, não se está retendo líquido, mas antes se está retendo emoções. Os sentimentos ficam então estaganados no corpo. Assim, o indivíduo guarda-se, economiza-se emocionalmente e isso se faz sentir no corpo, em seu peso e forma.

Rudiger Dahlke, em seu livro A Doença Como Símbolo também diz algo nesse sentido. No plano sintomático o autor relaciona a obesidade ao preenchimento e abundância exterior (corpo) ao invés de interior. “… pôr-se em pé de guerra com o princípio do gozo (…) busca de dedicação, amor e proteção; a necessidade não vivenciada de amor e gozo é posta na comida: satisfação na substituição, compensação pela comida; comer como substituição ao sentimento de unidade e a um coração transbordante”. Ele ainda acrescenta a imagem do isolar-se em seu próprio castelo de proteção e lembra que nada isola melhor do que a gordura, ou seja, “quase não se perde calor, mas também não entra nenhum”. Dahlke vai além e associa o problema com o esquivar-se da sexualidade,  e diz que na gordura o indivíduo carrega a carga não vivida em outros planos, que eu relacionaria com os sentimentos.

Ana Taut
Ana Taut – Open Art Group

Obviamente obesidade não é um tema simples, ou não seria hoje um problema de saúde pública em muitos países. Mas acredito que em muitos casos a possível solução para o sobrepeso –  quando isso é um problema para o indivíduo –  passa pela aceitação, reconhecimento e vivência da função Sentimento. Permitir que as emoções fluam, dar vazão ao amor, à compaixão, à sensibilidade. Se isso parecer ameaçador demais, a pessoa pode buscar ajuda terapêutica profissional que ofereça a contenção adequada no trabalho e enfrentamento dessas questões. E, Dahlke sugere, “aprender a proteger-se por outros caminhos, que não o do isolamento pela gordura (…) aprender a aceitar e digerir a vida”.

OBS: Obesidade é um tema complexo e não tenho a pretensão de colocar que suas únicas causas são as relacionadas acima. Minha intenção é provocar uma reflexão a partir das observações que faço no meu trabalho com Astrologia.

Citações tiradas do livro A Doença como Símbolo, de Rudiger Dahlke, Ed. Cultrix.

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Lua Cheia e Eclipse Lunar em Sagitário: Onde está sua devoção?

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25 de maio 2013

Um pouco mais sobre a Lua Cheia em Sagitario de hoje…

A Lua Cheia de hoje acontece no eixo Gêmeos-Sagitário, pensamento, entendimento, comunicação, educação. A mente lógica, racional versus a intuição, a visão e a fé. Qual desses opostos tem supremacia dentro de nós? Seguimos a razão ou a intuição? Luas Cheias nos pedem que achemos um equilíbrio dentro de nós a respeito dos assuntos da polaridade em que ocorrem. Que acomodemos e conciliemos dentro de nós valores que à primeira vista parecem completamente díspares, e nesse caso os valores aparentemente divergentes são os de Gêmeos-Sagitário.

A situação fica bem nebulosa porque temos Sol e Lua em oposição um ao outro e também em quadratura com Netuno, em Peixes, adicionando a dúvida sobre o que é real e o que é ilusão e carregando-nos para um caleidoscópio borrado em que não sabemos mais se pensamos ou se intuímos, e na dúvida decidimos apenas ir com a maré e simplesmente sentir. O problema é que sabidamente, Netuno não é o melhor dos mediadores de conflitos, nem o melhor dos conselheiros. Na verdade, ele piora situações já difíceis pois faltam clareza, objetividade e transparência. Por outro lado, sobram imaginação, idealismo, sensibilidade, sensitividade e devoção. E, claro, ilusão.

Colocando tudo junto, é preciso ter cuidado para não nos iludirmos e nos deixarmos enganar, ou criarmos falsas expectativas que nos levarão a grandes decepções. Gêmeos e Sagitário são signos geralmente muito otimistas e entusiasmados que nem sempre gostam de encarar a realidade nua e crua, e podemos “querer” e resolver acreditar em algo que talvez mereceria análise mais cuidadosa e acurada. É preciso ficar atento para não sermos vítimas (palavra comum quando Netuno está envolvido) em esquemas ilusórios ou para nós mesmos não dourarmos a pílula que enganará a outros, mesmo que seja com a melhor das intenções.
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Principalmente, essa Lua Cheia desafia a DEVOÇÃO que dedicamos a pessoas, crenças, causas ou ideais e nos pergunta se o objeto de nossa devoção realmente merece tal empenho e dedicação. Será que estivemos devotados a um santo de pés de barro? E é melhor não se enganar, porque se há um enganador é porque há um enganado que ignorou sinais de alerta diversos. Não dá pra bancar a vítima aqui e a melhor coisa é sempre assumir a responsabilidade por ter se colocado no caminho de quem o passou para trás.

A solução é buscar a presteza e qualidade discriminatória de Virgem, onde cai a perna vazia dessa configuração, e através do escrúpulo e da integridade interior achar um sentido de ordem dentro do caos, e principalmente recuperar a capacidade de julgar de forma acertada e justa a situação diante de nós.

Fique atento ao quê ou a quem você se devota.

Será que merecem mesmo sua devoção?

Maria Eunice Sousa

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Sagitário: Deixe ir

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Temos na madrugada deste sábado (25 de Maio, 01:24, hora de Brasília) o terceiro eclipse desta estação, da Série Saros 15 S, a 4 de Sagitário. Porém, ao contrário dos dois eclipses anteriores que ocorreram em 25 de abril e 9 de maio no eixo Touro-Escorpião, o de hoje, um Eclipse Penumbral Lunar, acontece na polaridade Gêmeos-Sagitário.

E, para entendermos esse eclipse em particular, volto aos princípios básicos do significado de eclipses na Astrologia. Eclipses ocorrem nas lunações, ou seja, ou na Lua Nova (eclipse solar) ou na Lua Cheia (eclipse lunar). As lunações são nada mais nada menos que os pontos altos no relacionamento da Lua com o Sol, e são momentos em que a energia está concentrada, por isso são sempre potentes e costumam precipitar ou resolver crises que já estavam em andamento. Luas Novas são usadas para plantar, iniciar coisas enquanto que na Lua Cheia você colhe os frutos daquilo plantado na Lua Nova. Um eclipse é então uma lunação elevada à máxima potência, que geralmente traz no seu encalço profundas transformações, tanto individuais (dependendo dos aspectos que faz no mapa natal) quanto coletivas.

Muita gente tem pavor de eclipses, tanto por causa das superstições antigas que associavam eclipses a desgraças e pestes, quanto porque instintivamente as pessoas sabem que os eclipses em geral precipitam crises, algumas delas realmente difíceis e dolorosas. E você se obrigada a lidar com o problema de um jeito ou de outro. Mas eclipses não são necessariamente ruins e muitos na verdade têm efeitos muito positivos. Por isso não é preciso temê-los, mas antes, verificar qual área da sua vida está carecendo de mudanças para que você não seja pego de surpresa, e ao contrário, favoreça estas modificações pedidas pela vida.eclipses

Os eclipses vêm nos obrigar a mudar aquilo que estivemos adiando. E como nós seres humanos, somos criaturas de hábitos, nós nos apegamos às circunstâncias e normalmente ficamos apavorados ante a mera idéia de mudar, mesmo quando estamos cientes de que a mudança é para melhor.

Outro ponto muito importante a se considerar é que lunações e eclipses tratam especificamente do tema relacionamentos, especialmente os eclipses lunares, já que as lunações contam a estória da relação entre o Sol (Masculino) e a Lua (Feminino). Porém isso não se dá somente no âmbito das relações afetivas, ou relações homem-mulher, mas em todo tipo de relacionamento humano em que há um EU e um TU. Dependendo de onde o eclipse cai no seu mapa, você vai sentir sua influência por exemplo no eixo vida privada x vida profissional; ou na área dos meus valores x os valores dos outros; ou sua expressão individual  x a inserção nos grupos; e pode mesmo cair no eixo específico dos relacionamentos, a primeira e sétima casas.

Como eu tinha dito no post da Lua Nova e Eclipe solar em Touro, que houve em 09 de maio, a astróloga inglesa Bernadette Brady diz que esses três eclipses desta temporada têm a ver com “a liberação de tensão. Situações que vinham se arrastando finalmente se resolvem mas na resolução temos um sentimento de perda e dor, não exatamente pessoal, mas antes uma dor coletiva”. Ora, tensão é o que mais tenho sentido nas últimas semanas. E sinto que ela tem se acumulado, que vem num crescendo, mas além do que o que eu tenho sentido pessoalmente, eu tenho ouvido o mesmo de clientes, amigos e conhecidos, que relatam precisamente esse estado permanente de tensão, de quando se está pronto para a guerra, mesmo que não se saiba exatamente de que guerra se trata. Muitos falam da dor, da sensação de despedida, da necessidade de purgação e depuração, da urgência de abandonar o velho, de livrar-se do que não serve mais. As pessoas sentem e sabem intuitivamente quando é chegada a hora de fazer as alterações necessárias. Nem por isso essas alterações são menos dolorosas em muitos casos. Porém, quando se entende a necessidade, a dor adquire um novo sentido, um novo significado e somos capazes de aceitar ela faz parte do nosso crescimento.

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O último eclipse dessa Série Saros aconteceu em abril de 1995. Então, se você está sentindo os eclipses desta temporada de forma particularmente intensa, seria bom viajar no tempo e tentar lembrar o que acontecia na sua vida naquele período. Muito provavelmente os temas são os mesmos, talvez refinados, mas relacionados às mesmas questões. Essa é mais uma oportunidade para trabalhar esses assuntos dentro de você.

Porém, além de fazer parte da Série Saros 15S, que começou em 1472, esse eclipse também é o último da série que acontece no eixo Gêmeos-Sagitário e que começou em 21 de dezembro de 2010, com o eclipse lunar no grau 29 de Gêmeos. Nesses dois anos e meio houve seis eclipses lunares e dois solares em Gêmeos-Sagitário (houve também outros eclipses da série anterior em Câncer-Capricórnio e da série seguinte, em Touro-Escorpião).

Agora precisamos analisar o significado dessa polaridade Gêmeos – Sagitário. Esse eixo está relacionado com a mente inferior, com o conhecimento, educação fundamental, conexões, conectividade, mobilidade, idéias, como nos relacionamos com o mundo imediatamente à nossa volta, com o nosso ambiente (Gêmeos) e também se associa à consciência superior, aos ideais, às crenças, religião, moral, à expansão da consciência e dos horizontes, ao sentido esignificado das coisas, à intuição e à busca do divino.

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Então, nos últimos dois anos, essas áreas todas da nossa vida foram chacoalhadas para que repensássemos nossos conceitos a respeito de tudo isso. Com certeza muita poeira foi espanada, e se você olhar com cuidado verá que houve mudança significativa na sua vida no que tange a todas essas questões. Como já disse acima, quando se sabe em que eixo de casas você tem esses signos no seu mapa natal, fica mais fácil identificar onde o impacto foi maior, onde você teve e está tendo que reavaliar suas crenças e conceitos. É importante lembrar também que os efeitos de um eclipse podem durar muitos meses, e mudanças iniciadas no começo de uma série como essa em Gêmeos-Sagitário só são concluídas realmente quando o último eclipse acontece.

Por último, não podemos deixar de lembrar que os últimos quatro anos trouxeram transformações radicais em termos coletivos e individuais, desde que Plutão migrou para Capricórnio, Urano entrou em Áries e Netuno em Peixes. Esses três planetas significam as mudanças maiores que acontecem no mundo exterior e que traçam o pano de fundo coletivo e histórico no qual estamos inseridos. Vivemos, simultaneamente, vários ciclos, desdobrando-se infinitamente nessa odisséia chamada Vida e que nos desafia a sermos cada dia melhores, a mostrarmos a que viemos, a deixar nossa marca única e pessoal naquele período de tempo específico em que ficamos nessa terra, naquela comunidade em particular em que atuamos. Quando colocamos tudo isso em perspectiva, é possível ver que por mais que o momento atual, o dia de hoje, seja doloroso, ele faz parte de um plano maior, de um propósito que vai além de nós como indivíduos isolados. E você,em que ponto você se acha nessa estória?Imagem

TOURO – O Minotauro e a Besta Interior

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O Sol se despede de Touro, mas ainda dá tempo de fazermos mais uma reflexão a respeito desse signo que pode até parecer simples, mas que na verdade é muito complexo.

O mito associado com Touro é o mito do Minotauro, aquela fera híbrida horrenda que se alimentava de carne humana, nascida do cruzamento entre uma mulher e um touro.

A estória começa quando o Rei Minos, de Creta, numa contenda com seus irmãos pelo trono de Creta, argumentava que o trono era seu por direito divino. Para comprovar isso, orou ao deus Poseidon que fizesse sair do mar um belo touro branco, que seria prontamente sacrificado como agradecimento e oferenda ao deus, após sua conquista do trono. Poseidon concordou e logo fez aparecer o touro mais belo que já se tinha visto e toda a população aquiesceu, assim como os irmãos de Minos, a que ele tomasse posse do trono. Acontece que ao ver tão belo animal, o rei Minos mudou de ideia e resolveu juntá-lo ao seu rebanho ao invés de sacrificá-lo ao deus conforme havia prometido. Ele achou que seria um desperdício sacrificar uma tão admirável e majestosa besta e que beleza que seria conservá-la para si. Assim, ele a substituiu pelo melhor touro de seu rebanho, achando que Poseidon não se importaria e nem mesmo notaria a troca. Porém Poseidon não só não gostou da troca como resolveu retaliar. Convocou Afrodite, a Vênus grega, deusa do amor e da luxúria, (não por acaso, regente de Touro) a infligir em Parsifae, a mulher do rei Minos, uma paixão compulsiva e ingovernável pelo touro saído do mar. Em sua paixão tresloucada, Parsifae recorreu a Dédalus, o melhor artesão do reino, para que construísse uma vaca de madeira, oca, que permitisse que ela se escondesse em seu interior recebesse o tão desejado touro em intercurso sexual. E assim se deu. Dessa união nasceu então o Minotauro, uma besta horrenda que tinha corpo de homem e cabeça de touro e que se alimentava de carne humana. A população de Creta obviamente condenou a rainha, mas o rei Minos sabia que não podia julgá-la pois tinha sido ele quem havia causado todo aquele imbróglio. Em seu medo e vergonha profunda Minos convocou Dédalos, o mesmo artesão, para que construísse um labirinto no qual a odiosa criatura pudesse ser escondida. Nesse labirinto eram deixados grupos de jovens, rapazes e moças, que tornavam-se alimento para o monstro. A estória termina quando Theseu, herói ateniense, se oferece para entrar no labirinto e matar o minotauro. Theseu efetivamente mata a besta e consegue sair do labirinto com ajuda de Ariadne, também filha do rei Minos, que tinha lhe dado um novelo, cuja ponta do fio ele amarrou na entrada do labirinto, para que não se perdesse dentro dele. download (3)

De quem é a falta principal dessa estória tão fabulosa? Da rainha Parsifae que atua seu desejo bestial de forma tão crua? Claro que não. Parsifae apenas sofre as consequências da ambição cega de seu marido Minos. Liz Greene (1), ao analisar esse mito, cita o mitólogo Joseph Campbell para explicar porque o pecado de Minos foi tão grave: “a falha primária não foi a da rainha Parsifae, mas a do rei; e ele realmente não a poderia condenar, pois sabia o que ele próprio havia feito: convertera um evento público em proveito próprio quando todo o sentido de sua investidura como rei implicava que ele deixasse de ser pessoa privada. O retorno do touro deveria ter simbolizado sua submissão absoluta e impessoal às funções do cargo. O fato de ele ter mantido o touro em seu poder representava então um impulso de auto engrandecimento egocêntrico. E assim o rei, ‘pela graça de Deus’ tornou-se o perigoso tirano Gancho, aquele que reivindica tudo para si. Assim como os rituais de passagem tradicionais costumavam ensinar ao indivíduo que morresse para o passado e renascesse para o futuro, as grandes cerimônias de posse o privavam de seu caráter de pessoa comum e o vestiam com o manto da sua vocação. Esse era o ideal, fosse o homem um artesão ou um rei. Cometendo o sacrilégio de recusar o ritual, todavia, o indivíduo deixava de fazer parte, como unidade, da unidade mais amplas formada pela comunidade como um todo; e, assim, o Uno tornou-se muitos, passando esses últimos a lutar entre si – cada um por si – tornando-se governáveis, tão somente, pela força.” (2)

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A figura desse monstro-tirano aparece em muitas fábulas, mitos e contos de fadas, simbolizando aquele que se apossa de algo que deveria ser usado para o bem comum. O monstro que só consegue pensar em “meu e para mim”. Esse geralmente é o grande dilema do Touro, a posse, seja de riqueza material, de propriedades, de poder, ou mesmo de pessoas. O esquecer que o Poder e a riqueza, em última instância, têm que estar a serviço de um Bem Maior, e não apenas de seu usufruto pessoal.

Liz Greene analisa que o dilema mais pertinente colocado por essa estória, e com o qual os taurinos têm que lidar, vida afora, é A QUE DEUS VOCÊ SERVE, aos seus instintos ou a um Bem Maior? Você é um escravo dos seus instintos ou coloca-os a serviço de uma vida íntegra e abundante?
E ela conclui dizendo que o touro, como símbolo dos instintos primitivos humanos, em si mesmo não é mau, mas se nos permitirmos ser regidos por ele, seremos levados à destruição, pois estaremos à mercê unicamente de nossos desejos. O ego, como parte consciente da psique, deve então aprender a dançar com esse touro, cada um respeitando o outro, pois simplesmente reprimir esses instintos, como fez o rei Minos ao trancafiar o Minotauro no labirinto também não é uma boa solução, pois ele se alimentará de nossa energia vital, tornando-se cada vez mais poderoso e ameaçador, até o ponto em que poderá irromper de forma descontrolada e destrutiva.

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Nesse mito, cada uma das personagens é uma faceta diferente do signo de Touro: o deus Poseidon, em sua face magnânima e também vingativa; o ganancioso Rei Minos; a Rainha Parsifae cheia de luxúria; o brilhante artesão Dédalus; o próprio Minotauro como face mais sombria do nosso lado instintivo; o herói Theseu, que vem redimir o reino; e até mesmo Ariadne, que nos dá o fio providencial para sairmos do labirinto.

 

E você, quem é você nessa estória? O Rei Minos? a Rainha Parsifae? O Herói Theseu? E como você vem lidando com o seu Minotauro interior?
1 – Liz Greene – A Astrologia do Destino
2 – Joseph Campbell – O Heróri de Mil Faces

Insônia

Netuno

INSÔNIA, à vezes, pode ser um poderoso mecanismo de defesa contra o grande poder dos sonhos de Netuno. Quando dormindo, estamos desprotegidos, vulneráveis, completamente indefesos contra perigos no ambiente, contra outras pessoas, e, especialmente, contra o poder de nosso próprio inconsciente e suas mensagens e imagens, a um só tempo, terríveis e magníficas, trazidas através dos sonhos. Assim, para personalidades muito controladoras e defensivas, às vezes, cair no sono – e nas mãos de Netuno – abrir mao do controle, pode ser uma experiência aterradora, daí aparece a insônia.
Obviamente esse é um processo inconsciente e paradoxicalmente, pode ser uma grande surpresa para o indivíduo acostumado a ter tudo fluindo de acordo com sua vontade, sob seu controle, não conseguir dormir.

O que é pedido a essas pessoas é que abram mão do controle, que permitam-se ser e sentir-se vulneráveis, que permitam-se realmente sentir suas emoções e sentimentos esmagadores, sentimentos esses que junto com outras partes sombrias da personalidade, muitas vezes nao são aprovados pelo ego na clara luz do dia.
Entao, dê as boas vindas a Netuno e durma!

Eclipse Solar em Touro – No limite da Tensão

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Eclipses não ocorrem de forma isolada. Eles fazem parte de séries, chamadas Séries Saros, que têm início, meio e fim e que duram aproximadamente 1.300 anos, sendo que cada Série Saros produz um eclipse a cada 18 anos mais 9 a 11 dias. Como há duas estações de eclipses a cada ano, é fácil deduzir que há várias Séries Saros atuando simultaneamente.

Os eclipses desta estação (25 de abril, 9 de maio e 25 de maio) pertencem a uma série iniciada em 6 de Junho de 1472 e de acordo com a interpretação de Bernadete Brady, uma astróloga inglesa bastante conhecida e respeitada, essa série fala especificamente de liberação de tensão. Situações que vinham se arrastando finalmente se resolvem mas na resolução temos um sentimento de perda e dor, não exatamente pessoal, mas antes uma dor coletiva.

Esse eclipse de hoje então tem a ver com o Eclipse solar ocorrido em 29 de abril de 1995, a 8 de Touro. Se você rememorar verá que a tensão do momento atual relaciona-se com os mesmos assuntos, ou com questões muito similares às que você estava enfrentando naquela época.

O eixo é Touro-Escorpião: construir ou destruir, guardar ou eliminar, os meu e os seus valores.

Maria Eunice Sousa

Lua Nova e Eclipse Solar em Touro – Em Obras

daliA Lua Nova em Touro e Eclipse solar Parcial de hoje (09 de maio, 21:28 hora de Brasília) nos propõe a contemplação de alguns paradoxos interessantes. Como se fala sempre, eclipses são períodos de encerramentos e finalizações, apropriados para nos livrarmos daquilo que não nos serve mais, daquilo que está com o prazo de validade vencido. Momento de limpar, depurar, liberar para que o novo possa ser implantado, pois quando um ciclo se finda logo outro se inicia, por isso luas novas e eclipses solares são também momentos propícios ao plantio de novas sementes e novos projetos.

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Com um eclipse e uma lunação ocorrendo em um signo nossa atenção se volta, consciente ou inconscientemente, para os assuntos relacionados a este signo. Neste ciclo de eclipses o eixo zodiacal enfatizado é TOURO-ESCORPIÃO. Construir ou destruir, guardar ou eliminar, os meus e os seus valores, etc. Nessa Lua Nova voltamo-nos para nossas necessidades de segurança, seja física e financeira (Touro) ou emocional (Escorpião). Não queremos saber de salvar donzelas em perigo ou de construir castelos no ar. As questões relativas às posses, valores e recursos tornam-se urgentes e somos chamados a ponderar sobre como temos gerido esses recursos. Temos sido relapsos e irresponsáveis com nossos recursos e posses? Como ganhamos, gastamos e investimos nosso dinheiro? Somos perdulários ou avarentos? Acumulamos em demasia? Apegamo-nos excessivamente ao mundo material esquecendo das riquezas outras tão importantes na vida? Precisamos ser mais controlados quanto ao uso da matéria ou precisamos jogar fora coisas inúteis que temos acumulado e que nos dão um falso senso de segurança? Estamos estagnados numa situação por medo de deixar o terreno já conhecido? Ou agimos irresponsavelmente quanto à dimensão material da vida esperando que a Providência Divina venha sempre nos salvar do caos em que nos colocamos? Temos o hábito de nos apossar de pessoas, amigos, companheiros, filhos, como se fossem nossas propriedades particulares? Qual é a nossa atitude para com os recursos individuais, familiares e coletivos?

A tensão acerca dessas questões é grande, seja coletiva ou individualmente e ganha momentum por ocasião do eclipse, chegando a um pico e a uma consequente liberação. Se estamos conscientes sobre as atitudes que precisam ser mudadas em nós meno male, mas se não estamos, as mudanças ocorrem à nossa revelia. eclipse-solar

O perigo trazido por Touro é o de nos deixarmos enganar pelo mais palpável e mais visível e acharmos que os únicos valores que importam são os materiais e daí derivarmos nossa identidade daquilo que possuímos, seja dinheiro, propriedades, bens, jóias, e até mesmo beleza física. Ou de acharmos que o problema é apenas a má gestão dos bens materiais quando na verdade a gestão acurada dos bens imateriais e invisíveis é tão ou mais importantes que os valores da dimensão do tangível. Saturno em Escorpião nos obriga a encarar o perigo da má gestão desses recursos, pois Saturno não tolera desperdícios.

Esse é o momento então de botar os pés no chão e ser realistas quanto a esses valores. Esse é o momento de examinar onde está o nosso coração e nossa atenção e identificar o que de fato tem valor e é essencial para nós, aquilo que nos sustenta e alimenta nossa alma e que deve ser mantido e cultivado. Já aquilo que mantemos em nossa vida apenas por apego ou sentimento de posse, aquilo que percebemos que perdeu a utilidade, ou o significado e simbolismo e se tornou mero entulho, deve ir embora, doado, jogado fora. Inclui-se aí objetos, coisas, relacionamentos, sentimentos, atitudes, hábitos, etc.

Tendo limpado a área, o coração e a alma, estamos prontos então para refazer as sólidas fundações da construção mais importante de todas, aquilo que está em permanentemente “em obras”: nós mesmos.

O paradoxo de que eu falava no início aparece então aqui pois a Lua Nova que representa a reconstrução de uma nova vida sobre bases mais sólidas e verdadeiras, acontece junto ao Nodo Lunar Sul ou Cauda do Dragão, um ponto que simboliza o passado e aquilo que deve ser superado e deixado para trás. O desafio é então integrar essa polaridade origem (Nodo sul) e direção (Nodo Norte), ou seja, respeitar a tradição de onde viemos, valorizá-la, mas não ficar preso a ela nem permitir que se torne motivo de estagnação e de apego a estruturas e atitudes obsoletas. Utilizar o melhor do antigo Eu na construção do novo Eu, sem recorrer a esse antigo Eu como saída fácil para os desafios futuros que surgirão.
Maria Eunice SousaLua Nova e Eclipe em Touro 2013