Lua Nova em Aquário – Viva e Deixe Viver!

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Reprodução de Google Imagens

Depois do último ciclo focando em questões mais práticas e materiais, temos hoje a segunda  lua nova de janeiro, a 10°55’ do idealista e progressista signo de Aquário (30 de janeiro de 2014, 19:38, Horário Brasileiro de Verão, Brasília). Depois de ter ordenado a casa, as finanças, as metas do ano, é hora de desapegar-nos de tudo que identificamos como ultrapassado.

O excêntrico signo de Aquário nos convida a desafiar o lugar comum e o nosso apego ao status quo e à segurança tão valorizada por Capricórnio. É hora mesmo de contrapor o pragmatismo de Capricórnio e o idealismo de Aquário. Um signo sempre é a antítese do signo anterior, então, enquanto Capricórnio quer ser aceito e integrado socialmente, Aquário rebela-se contra as regras estabelecidas; enquanto Capricórnio preza segurança material, tradição e hierarquia, Aquário tem a liberdade como seu valor máximo, rebelando-se contra hierarquias e mandando a tal da segurança e da tradição às favas… E assim as diferenças entre os dois signos continuam… No momento os valores aquarianos se sobressaem porque além de Sol, Lua e Mercúrio em Aquário, Urano, seu co-regente, faz um aspecto harmônico com Sol e Lua e é o ponto focal daquela tão falada Cruz T Cardinal, enfatizando a necessidade de inovar e de ousar ser diferente.

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Reprodução – Autor desconhecido

Mas hoje eu queria focar no aspecto mais social deste signo, aquele lado que associa Aquário com a amizade e a camaradagem. E para isso, acho interessante notar que essa Lua Nova ocorre um dia antes de Vênus voltar ao movimento direto, estando ela já estacionária, depois de cerca de seis semanas no mundo inferior, sinalizando um período de reavaliação em nossos valores e relacionamentos (mais sobre Vênus retrógrada).

Durante as últimas semanas, enquanto Vênus esteve retrógrada, parecia que algumas de nossas relações mais próximas tinham entrado no modo stand by, funcionando meio no automático, porque sob a superfície, muitas transformações ocorriam, mas não estavam aptas ainda a serem implementadas em cheio… Em outros casos, relações desintegraram-se completamente porque não suportaram o escrutínio da avaliação necessária. E em muitas situações o ponto crucial dos conflitos eram os valores divergentes. E daí vem a pergunta: é possível manter uma relação, seja amorosa ou de amizade, quando há grande divergência de valores? O que você acha? Dá para fazer uma tal separação?

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Reprodução – Autor desconhecido

Desconsiderando os desvios graves de caráter, percebo que quando nos deparamos com pessoas de valores muito diferentes dos nossos, somos obrigados a pensar sobre eles e o quanto eles são importantes, nem que seja para ratificar e reiterar esses valores, no caso de a relação não ir adiante… Mas com Aquário é possível abraçar as diferenças e respeitar o modo de vida dos outros, assim como seus valores, mesmo quando não concordamos com eles, no melhor estilo “viva e deixe viver”. É possível também flertar com o excêntrico, com o incomum, permitindo que um confronto saudável entre minha visão de mundo e a do outro ocorra, sem que isso signifique dividir o mundo entre os “maus” e os “bons”, como quereriam os muito imaturos e ingênuos. Em Aquário também percebemos que quando buscamos somente aquilo que parece conosco, estamos fadados à mesmice e ao tédio, perdendo em riqueza e em crescimento. E, indo mais além, percebemos que o pano de fundo disso pode ser uma grande insegurança arraigada a respeito de quem somos, que talvez não suportaria ser confrontada por um “outro” muito diverso, e assim, é muito mais confortável e seguro relacionar-se apenas com gente da mesma idade, credo, classe social, ideais, valores, etc., que nos ajudem a manter a idéia que temos de nós mesmos.

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Reprodução da Fanpage Photobox

Aproveitemos então esta Lua Nova de Aquário para inaugurar um jeito novo de ver e de viver as relações de amizade, afetivas e sociais em geral. Ajudados pelo retorno de Vênus, renascida e transformada, possamos estabelecer amizades mais respeitosas com a diversidade e singularidade dos outros e também com a nossa. Celebremos a dádiva da Amizade, essa troca afetiva tão essencial  na vida, e que acontece de forma tão misteriosa, quanto temos coragem de ignorar os rótulos e abrir-nos à possibilidade de encantamento diante do outro ser humano à nossa frente, em toda a sua diversidade e riqueza! Sim, inauguremos novas amizades e reiteremos as antigas que valem a pena e que sobreviveram ao escrutínio das últimas semanas! E vivamos! E deixemos viver!

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Dima Dimtriev – Reprodução
Lua Nova em Aquário 2014
Lua Nova em Aquário – 30 de janeiro de 2014, 19:38, Horário Brasileiro de Verão, Brasília

O que você vai fazer com o seu 2014??

Mais do que perguntar o que o futuro lhe reserva, trata-se de de averiguar quais as transformações que sua alma busca e atrai para sua vida. Não trabalho com “previsões” como ainda se atribui à Astrologia, mas antes com prespectivas e tendências, que podem nos ajudar a criar espaço para as mudanças que precisam ocorrer e que nos empoderam para tomar decisões melhores e mais conscientes.
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Lua Cheia em Câncer – Apaixone-se por seus objetivos!

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A Lua Nova super terrosa em Capricórnio do dia 1° de Janeiro prometia um terreno firme e sólido para fazermos nossos planejamentos e plantarmos as sementes dos projetos que farão diferença em nossa vida em 2014. A Lua Cheia de amanhã (16 de janeiro, 2:53, Horário Brasileiro de Verão, Brasília), vem nos perguntar se de fato aproveitamos essa oportunidade e exigir uma conclusão. A esta altura, já deveríamos ter um delineamento bem claro da “viagem” que será 2014 e que caminhos iremos trilhar para chegar aos nossos objetivos. Que estratégias serão necessárias para termos um período de crescimento continuado em direção à nossa própria inteireza.

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Na Lua Nova em Capricórnio dizíamos que era hora de estar plenamente no presente, observando nossas condições e circunstancias para podermos traçar com praticidade nosso planejamento estratégico para o futuro. Agora na Lua Cheia em Câncer, a Lua polariza-se com o Sol em Capricórnio, e vem checar a sobriedade desses planos, mas também exigir ou propiciar um burilamento nos detalhes, um refinamento, o acabamento final. A polaridade Câncer-Capricórnio pede que não esqueçamos de achar um perfeito equilíbrio entre a vida privada e a vida social, lembrando que não adianta focar unicamente no sucesso profissional e material, se a vida familiar e emocional for árida e estéril. É preciso deixar as águas de Câncer fertilizar a aridez de Capricórnio. Outro lembrete importante que as águas Cancerianas nos trazem é que qualquer planejamento pode ser inócuo se não levarmos em conta nossas origens, de onde estamos vindo. Como dizia o espanhol Jorge Santayana, “quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo”(1). É preciso honrar e reconhecer a validade das experiências passadas (Câncer), se quisermos dar um salto de crescimento em direção aos objetivos futuros (Capricórnio), ou nos limitaremos a repetir padrões negativos de relacionamentos e permanecer na mesmice do que já foi excessivamente testado. A Lua Canceriana lembra ainda ao Sol Capricorniano que, por mais práticos e objetivos que queiramos ser, estaremos cometendo um grande equívoco se não colocarmos nossos sentimentos nesta equação, pois mais à frente podemos desistir de nossas metas simplesmente porque não nos sentimos de fato afetados por elas, não há afeto envolvido, elas não refletem de fato os desejos de nossa alma, não nos alimentam de forma significativa, mas antes, são apenas vontades do ego calculista, faminto por reconhecimento social  per se,  sem nenhum estofo ou substância internos que os legitimem. É preciso, pois, honrar nossos afetos, deixar-nos afetar pela vida e pela força poderosa dos sentimentos. É preciso honrar os sentimentos, sem cair na afetação vazia, nem na pieguice ou dependência doentios(Câncer), mas tendo-os como combustíveis que nos motivam a agir no mundo real de forma concreta (Capricórnio), verdadeira e apaixonada(Câncer).

Ondina Sonhando. Gonzalo Juliani.
Ondina Sonhando, Gonzalo Juliani – Reprodução

Outro aspecto muito importante na configuração dessa Lua Cheia é que ela ocorre em oposição ampla a Vênus retrógrada, que além de estar em quadratura com Marte em Libra, é também o ponto médio de conjunção de Sol e Plutão. Embora Sol-Lua não façam aspectos a Plutão neste mapa, esse fator é muito importante porque a Lua Nova do dia 1° ocorreu em conjunção exata a Plutão, regida por Saturno em Escorpião. Ou seja, essa Lua cheia, apesar de reservada e tímida, é com certeza movida por paixões profundas, viscerais e intensas e nos lembra que toda vez que ativamos um querer, uma paixão, ativamos junto a possibilidade da frustração desse querer, dessa paixão. Como me lembrava uma colega acerca da posição de Plutão na Lua Nova, Plutão tende a negar os desejos, a frustrar a vontade, mesmo a mais férrea delas. Com Plutão a pessoa é desafiada sucessivamente no seu instinto de sobrevivência e na sua determinação.  Voltando a Vênus como ponto médio, a vontade e destino de transformação profunda como representados por Sol e Lua conjuntos a Plutão no mapa do dia 1° encontram agora uma “mediadora”, ou melhor, um canal de expressão e frutificação em Vênus. Segundo Ebertin (2), Vênus como ponto médio entre Sol e Plutão representa “Força e Poder Criativos, chateações emocionais, amor trágico”. Considerando o posicionamento de Vênus em Capricórnio, que já fica naturalmente tímida e reservada, e mais o fato de ela estar retrógrada, diríamos que a possibilidade de termos que lidar com “frustrações” em nossas metas criativas é mais que real e demandará muita paciência e sobriedade na forma de lidarmos com elas. Exigirá cautela e desapego para não nos deixarmos derrubar pelas “chateações emocionais”, para que nossas intenções “apaixonadas” não se tornem “trágicas”. Demandará ainda um senso perfeito de timing, de quando avançar e de quando recuar. Acho pertinente lembrar de novo de Raduan Nassar, em Lavoura Arcaica: “e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas”(3) (Mais sobre Vênus retrógrada em Capricórnio aqui)

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Vênus Marinha – Theodore Chasseriau – Reprodução

A posição de Vênus torna-se importante também porque ela rege Marte em Libra, que vai ser um elemento crucial na Grande Cruz Cardinal que estará ativa nos próximos meses, e que adiciona peso à questão das frustrações com que nossa vontade certamente se deparará e que testará os limites de nossa determinação e paciência em várias frentes. Até julho, Marte estará a serviço de Vênus, Vênus desejando e aspirando e Marte executando – o problema é que quando ele estiver retrógrado, essa “execução” poderá encontrar obstáculos diversos, daí a frustração. Por fim, Vênus retrógada aqui aponta para a necessidade de equilibrar ação e inação, vontade e amor, busca de poder (Sol-Plutão) e ascensão social (Capricórnio), sem comprometer os ideais de justiça e equidade e sem deixar que a paixão atrapalhe, mas antes seja um motor por trás da ação (quadratura com Marte em Libra).

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Saturno rege o Sol e Vênus e está em recepção mútua com Plutão (*), reforçando , no aspecto negativo a possibilidade de negação no campo do desejo, ou no mínimo uma contenção, e no aspecto mais positivo, enfatizando a necessidade de honestidade emocional e paciência, além da resistência e capacidade de reconstrução, qualidades muito necessárias para navegarmos 2014 com desenvoltura.

Concluindo, se fez seus planejamentos como sugerido pela Lua Nova de Capricórnio, burile-os agora, embeba-os em seus sentimentos, inclua seus afetos e adicione “planos B”, pois provavelmente você terá que fazer ajustes ao longo do caminho; se não fez ainda, você ainda tem chance, portanto não perca mais tempo! Foque nas metas objetivas e mundanas (Capricórnio), mas não esqueça, que como humano, tem necessidades de afeto e de estabelecer vínculos que dêem sentido ao tempo de existir e de realizar no mundo lá fora (Câncer). E se havia alguma questão inacabada, que não fechava, permita que as águas da Lua Cheia resolvam o dilema para você, abra-se às possibilidades que as marés oferecem e fique atento aos próprios sentimentos e às mensagens nutritivas da Grande Mãe.

E, sobretudo, apaixone-se por suas metas!

Dima Dmitriev Open Art
Dima Dmitriev – Repodução de Open Art Group
Lua cheia em Cancer 2014
Lua cheia em Cãncer, 16 de Janeiro de 2014, 1:53, Cuiabá

(*) Diz-se que dois planetas estão em recepção mútua quando um está no signo do outro, por exemplo, Saturno atualmente trafega Escorpião, que é regido por Plutão e Plutão está trafegando Capricórnio, que é regido por Saturno.

(1) Jorge Santayna – filósofo espanhol

(2) The Combination of Stellar Influences – Reinhold Ebertin

(3) Lavoura Arcaica – Raduan Nassar

Vênus Retrógrado – Síndrome do Patinho Feio

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O Nascimento de Vênus – Boticelli – Reprodução

O planeta Vênus está retrógrado em Capricórnio desde o dia 21 de dezembro de 2013. Estacionou a 28°57’ de Capricórnio no dia 20 e no dia 21 iniciou sua longa descida ao mundo inferior, onde ficará até o dia 31 de janeiro, alcançando o grau 13 do mesmo signo. (Para entender o que é retrogradação, veja os princípios básicos ao final do artigo)

E o que significa isso? Qual o impacto em nossa vida diária?

Vários impactos são possíveis quando Vênus está retrógrada mas antes vamos entender o ciclo de retrogradação de Vênus e sua mitologia. RETROGRADAÇÃO é um movimento em que, do ponto de vista da Terra, o planeta parece se mover para trás. Na verdade, o planeta em questão não se move para trás, isso é uma ilusão de ótica causada pela posição do planeta em relação ao Sol. Cada planeta tem um ciclo de retrogradação diferente, que depende de sua distância do Sol. Como é um fenômeno que se dá diretamente por causa da relação dos planetas com o Sol, seus efeitos implicam questões que o ego precisa trabalhar no longo caminho em direção à inteireza e completude. No caso de Vênus essas questões têm a ver com amor, relacionamentos, sexualidade, valores, auto-estima, prazer,  beleza, arte, senso estético, gostos…

Gostaria de ressaltar que este texto é baseado principalmente no livro Retrograde Planets, de Erin Sullivan(1), um dos melhores e mais completos textos já publicados sobre o assunto, e também nas minhas observações com clientes.

Mitologia

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Urânia e Calíope – Simon Vouet – Reprodução

Sullivan começa o capítulo relacionado a Vênus chamando a atenção para a dualidade de Vênus, e lembra o mito em que Afrodite nasce de Zeus e Dione, como duas deusas: Afrodite Urania, celestial, inteligente, espiritual, filha do pai e Afrodite Pandemos, das pessoas comuns, preocupada com a sensualidade e com a sexualidade, a filha da mãe. Poderíamos relacionar Afrodite Pandemos com o terroso signo de Touro, pelas suas características instintuais, alinhadas com o corpo, a fisicalidade, e os cinco sentidos; já Afrodite Urania rege Libra e seus ideais estéticos, civilidade e racionalidade. Ela menciona esse mito porque ele é extremamente relevante para os períodos de retrogradação deste planeta, especialmente para a Conjunção Inferior.

A Proporção Áurea

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O Pentagrama formado pelo ciclo de retrogradação de Vênus

Vênus tem grandes ciclos de 8 e 243/251 anos. O seu ciclo menor é de cerca de 18/19 meses, ou seja, a cada 18/19 meses ele desaparece no céu para aparecer somente por volta de 45 dias depois. O seu ciclo de retrogradação é um dos mais raros, tanto que apenas cerca de cinco por cento de mapas natais apresentam Vênus retrógrado. Durante oito anos o planeta fica retrógrado apenas cinco vezes, cada vez num signo diferente, até voltar ao signo inicial. Quando traçamos e unimos as linhas através destes signos, um desenho se forma: uma estrela de cinco pontas, um pentagrama. O número cinco e o pentagrama têm uma simbologia que é, em si mesma, extremamente rica e tão antiga quanto o surgimento dos primeiros números. O número cinco é relacionado com a Proporção de Ouro, Número Áureo ou Número de Ouro, uma proporção muito usada na arte e arquitetura e que é relacionada à letra grega PHI. Este número é extraído da Seqüência de Fibonacci, uma sequência de números naturais, na qual os primeiros dois termos são 1 e 1, e cada termo subsequente corresponde à soma dos dois precedentes: 0,1,2,3,5,8,13,21… Representa crescimento constante, estando envolvido com a natureza do crescimento em espiral geométrica perfeita, uma espiral encontrada exaustivamente na Natureza, como por exemplo no padrão de crescimento das conchas marinhas.

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Reprodução de Google Imagens

O número cinco relaciona-se também com o número de dedos das mãos e pés humanos, simbolizando a capacidade de entendimento e a  subseqüente capacidade de criação e realização a partir desta compreensão. Os estudos esotéricos associam o número cinco com a inteireza do mundo material. Sullivan diz que o padrão criado pelo ciclo de retrogradação de Vênus forma a base da Proporção de Ouro e esse número de ouro é ativado durante os períodos em que o planeta estaciona, direto ou retrógrado, a intervalos de 72 graus, que é a divisão exata de 360 graus do círculo perfeito. Quando se traça esse ciclo em detalhes minuciosos, ele forma uma imagem ainda mais bela: uma mandala que é a imagem de uma flor de lótus. Só isso já nos deixa extasiados com a simbologia e numinosidade deste ciclo. Mas ainda tem mais.

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Cinco Conjunções Inferiores repetidas formam um pentagrama
Domínio Público – Ficheiros do Google

O ciclo mágico de Vênus retrata sua dança cósmica com Sol e Terra. Vênus nunca fica mais do que 48 graus distante do Sol. Quando atinge 45-48 graus à frente do Sol está no ponto máximo de elongação Leste, e aparece linda e fulgurante no Céu noturno, como Hésperos, a estrela Vespertina, filho de Eos, deusa da alvorada. Então ele diminui velocidade e o Sol parece chegar mais próximo, até que estaciona a não de mais que 30° à frente do Sol. Este é o ponto estacionário-retrógrado SRx, e lentamente ele começa a mover-se para trás, ou assim nos parece, até que se encontra com o Sol, quando se dá a Conjunção Inferior ou Conjunção Baixa. Essa conjunção é chamada de “inferior” exatamente porque está na mesma longitude do Sol, entre este e a Terra.

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O ciclo de Vênus – Domínio Público – Ficheiros do Google

Diz-se então que toma lugar um Casamento Sagrado, uma conjunção alquímica, entre o Sol, Vênus e a Terra, completamente oculto de nossas vistas, pois, estando tão próximo do sol, o brilho de Vênus desaparece e ele torna-se invisível para nós. Erin Sullivan olha para as culturas Asteca e Maia para explicar o que ocorre aqui, porque segundo ela, de acordo com todas as evidências, essas culturas Mesoamericanas entendiam verdadeiramente a retrogradação de Vênus, tanto em movimento quanto em simbolismo.  Ela menciona os estudos de Bruce Scofield sobre os painéis de El Tajin (México) que começam com Vênus como a Estrela da Noite. Ele diz que na fase retrógrada Vênus “toma a forma de um homem e anda pela Terra”(2). Então ele (Vênus) encontra a deusa do amor Xochiquetzal e a faz quebrar suas promessas de pureza… A partir daí as noites de Vênus são regadas a música, dança, bebida e amor e ele se casa com a deusa. Dessa união surge um monstro e o jogo passa a ser no mundo inferior, jogo que Vênus perde e por causa disso ela/ele deve ser morta pelo Sol. Ele/Ela é de fato sacrificada pelo Sol, mas renasce depois como Estrela da Manhã, na forma feminina.

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Xochiquetzal – Repodução de Google Imagens

Depois dessa união cósmica, certamente ela, Vênus, não será mais a mesma. Depois da Conjunção Inferior, o planeta vai ficando para trás do Sol, até que quando chega a aproximadamente 10 graus atrás do sol, alguns dias depois da conjunção, ele finalmente começa a aparecer no céu novamente, como a Estrela Dalva, a Estrela da manhã. Ao atingir cerca de 30 graus atrás do Sol, estaciona novamente e retorna ao movimento direto. Apesar do movimento direto, Vênus ainda está lento e após um mês ele atinge o ponto máximo de elongação oriental ou oeste, atrás do Sol cerca de 45 a 48 graus, neste ponto ele é associado a Eósforo (Fósforo), também filho da deusa da Alvorada e irmão de Héspero. Pouco mais de nove meses depois, metade do ciclo de 18-19 meses, ocorre a Conjunção Superior, chamada assim porque desta vez, é o Sol que fica no meio entre a Terra e Vênus.

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O “Dresden Codex” maia, que calcula as aparições de Vénus. Domínio Público – Ficheiros do Google

Vênus Retrógrado no Mapa Natal

A simbologia de todo este ciclo é muito rica e profunda. Vênus representa nossa capacidade e necessidade de socialização e de dar e receber afeto, nossos valores, auto-estima…  Assim, uma das características mais recorrentes quando o indivíduo tem Vênus retrógrado no mapa natal é a androginia psicológica. Isso é simbolizado pela a Conjunção Inferior, quando Vênus funde-se tanto com o Sol quanto com a Terra, incorporando as qualidades celestiais de Urania (Sol) e as qualidades terrosas e instintuais de Pandemos (Terra), qualidades femininas e masculinas; é simbolizado ainda no mito Mesoamericano, quando Vênus se torna masculino enquanto dança com a deusa Xochiquetzal.

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Conjunção Inferior de 11 de janeiro de 2014, em Capricórnio
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Vênus – Reprodução de Google Imagens

Isso quer dizer que a pessoa tem um senso de completude e inteireza, sendo emocionalmente independente e livre, com um corpo de valores morais e estéticos muito próprios e completamente independente dos valores sociais vigentes. Mas isso é algo que só vem com o tempo, porque até que a pessoa aceite e viva a partir desse código próprio e aceite a si mesma como diferente, ela passa por muita confusão e senso de inadequação e estranheza. Obviamente, sua relação com o corpo também é muito particular e Sullivan ressalta que essas pessoas “freqüentemente têm dificuldade de separar suas próprias necessidades daquilo que é esperado delas, então elas se retraem, seja numa negação ascética das necessidades corporais e demandas viscerais, seja nos aspectos sensuais da vida (…) As manifestações possíveis são inúmeras mas variam de relacionamentos múltiplos a praticamente celibato. A forma de expressar afeto é diferente dos modelos vigentes, e a pessoa tende a ser emocionalmente mais reservada.

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A Flor de Lótus, padrão formado por sucessivos ciclos de retrogradação de Vênus – Reprodução de Google Imagens

Outro dom de Vênus retrógrada é a criatividade infinita, relacionada desta vez com a simbologia do número cinco e do Número Áureo. Nascer com Vênus retrógrada ou estacionário, diz Sullivan, “significa uma conexão poderosa com este Número de Ouro. A natureza introvertida e contemplativa desses indivíduos é altamente imaginativa e deve achar maneiras de externar o metafísico através do físico”.  Essas pessoas vivem normalmente à frente do seu tempo, ou num tempo diferente de sua época, e seu senso estético pode ser totalmente avant-garde, lançando moda e ditando tendências, ou completamente incompreendido. De um  jeito ou de outro, eles precisam achar canais de expressão para toda essa imaginação e criatividade e assim, o mundo das artes está cheio deles.

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Reprodução de Google Imagens

Particularmente, relaciono Vênus retrógrado no mapa natal com o que chamo de a “Síndrome do Patinho Feio”. A pessoa normalmente se acha e se percebe muito diferente da família de origem, tendo dificuldade de abraçar seus valores e tradições. Sua relação com o corpo também pode ser complicada e a pessoa pode se achar feia ou sem atrativos, pode ser vítima de bulling na família e na escola por ser tão diferente e “estranha”. A pessoa pode também se sentir não amada, ou sentir que por algum motivo não é digna de amor. Assim como o patinho feio, ela pode sentir-se uma estranha no ninho, e clientes já confirmaram em consulta que chegavam a suspeitar terem sido adotados, tal o nível de diferenciação. A sexualidade  também é outra questão que pode ser tabu no início da vida, quando o indivíduo ainda não consegue pensar por si mesmo e não consegue compreender a si próprio e às suas emoções e formas de sentir, tão diferentes do que é considerado “aceitável” no meio em que vive. E há ainda relatos de abusos sexuais, embora isso não seja regra. Mas como todos sabemos, a estória do patinho feio termina bem. O patinho não é um patinho, é um cisne, cujo ovo foi perdido pela mãe-cisne e adotado pela mãe-pata. Ao crescer torna-se um cisne belíssimo e vai em busca de sua própria “turma”. Gradativamente o indivíduo vai percebendo que apesar de se sentir “diferente” isso não necessariamente quer dizer “errado” e se estiver no ambiente adequado, pode aprender a se aceitar como é, manifestando seus melhores potenciais. Se este ambiente não é tão favorável, mesmo assim, funciona como motivador e catalizador para que a pessoa parta numa busca ou saga de auto-entendimento fora dali. O caminho dessas pessoas nunca é fácil, mas certamente é muito rico e profundo, assim como a simbologia do ciclo Venusiano.

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Dimitar Voinov – Reprodução de Open Art Group

Vênus Retrógrado em Trânsito

Quando Vênus fica retrógrada em trânsito, como está agora até dia 31 de janeiro, “algo misterioso toma lugar, uma reformulação da ordem natural, um retorno a um lugar ideal onde tudo o que é manifesto pode parecer com uma replicação simplificada da perfeição cósmica”(3). Assim como o planeta desaparece de nossas vistas, recolhendo-se para um lugar desconhecido e misterioso, que nossa limitada percepção não consegue alcançar, assim também, de certa forma nos recolhemos. Nesse tempo de introspecção sutil – sim, porque precisamos continuar funcionando no mundo – ocorre uma reavaliação interna dos nossos valores; dos nossos relacionamentos e da reciprocidade existente ou não neles; de nossa auto-estima. Porém, como a retrogradação de Vênus é uma das mais inconscientes, é possível que nem percebamos o que ocorre, e então, nos pegamos rompendo relacionamentos amorosos ou de amizade, sentimo-nos isolados, diferentes. Como em tudo o que é cíclico, não há começo ou fim, apenas uma espiral evolucionária, em que a cada vez em que o ciclo é ativado, ele ressoa a partir de todos os outros, pois são inseparáveis e falam dos mesmos temas, seja no passado ou no futuro. É útil então olhar para os ciclos anteriores e recordar o que ocorria no período. Neste caso específico, a última vez que Vênus ficou retrógrada em Capricórnio foi no fim de 2005 início de 2006 (24 de dezembro 2005 a 02 de fevereiro de 2006). Vale a pena refletir sobre o que era importante para você naquela época, quais eram seus valores, a quantas andava sua auto-estima, como estavam seus relacionamentos, como estavam suas finanças… Essas perguntas adquirem mais significado se você souber em que área do seu mapa natal esse trânsito ocorre e se a conjunção Inferior (dia 11 de janeiro, a 21 de Capricórnio) faz aspecto com algum planeta no mapa (para ver um desenho do seu mapa natal e descobrir onde você tem Capricórnio, clique aqui).

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Kairos – Francesco Salviati – Wikimedia – Reprodução

Gary Caton, astrólogo americano, relaciona este ciclo específico de retrogradação em Capricórnio com a utilização do Tempo. Ele lembra que Chronos é a palavra grega para tempo no sentido de quantidade, de quanto tempo temos e que Kairos é tempo em termos de qualidade, ou de tempo sagrado, especial e de como empregamos este tempo (4). Então é pertinente refletir sobre o uso do nosso tempo, se a forma como “investimos” o tempo reflete nossos valores internos e aquilo que é importante para nós ou se apenas fazemos o que é esperado de nós. Ou ainda se o tempo é um algoz contra o qual corremos freneticamente, ou se precisa ser morto, como quando precisamos “matar o tempo” porque nada é suficientemente interessante ou significativo na vida.

Em termos práticos, de modo geral, quando Vênus está retrógrada, é aconselhável um retiro estratégico, uma desaceleração da vida social para que as condições para as mudanças sutis que precisam ocorrer sejam favoráveis e para que nos sintonizemos com nosso mundo interior. Assim, ao invés de reclamar de solidão, dê-lhe boas vindas e faça aquelas atividades para as quais nunca tem tempo por causa do frenesi da vida diária; procure a Natureza e contemple-a em meditação passiva (parado) ou ativa (com movimento). Medite sobre a qualidade dos seus relacionamentos; reveja seus valores – eles continuam a refletir quem você é ou quem está se tornando? Reveja sua relação com o mundo e com seus recursos materiais; reveja sua relação com os assuntos da casa em que Vênus trafega atualmente (* veja relação básica abaixo). E particularmente em Capricórnio, reveja sua relação com o Tempo.

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Reprodução de Google Imagens

Finalmente, em honra a Capricórnio, termino com um texto extraído do livro Lavoura Arcaica, de Raduam Nassar. Parte deste texto é declamado belíssimamente por Raul Cortez no filme do mesmo nome:

“O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; o tempo está em tudo.
Rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é;  pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas. (5)

(*)Vênus retrógrada em trânsito leva a questionamentos nos assuntos da casa em que trafega. Veja os significados básicos das casas do mapa natal:

Casa 1 – O Eu, a forma como você vê a vida em geral, como é visto  pelas outras pessoas, sua identidade

Casa 2 – Valores, recursos materiais e imateriais, talentos, dinheiro, como você ganha e como gasta dinheiro

Casa 3 – Comunicação, educação, irmãos, ambiente imediato, viagens curtas

Casa 4 – Família, o clã, o Pai, o lar, a casa, o passado familiar, as origens

Casa 5 – Criatividade, auto-expressão, artes, recreação, lazer, romances, jogos, como você relaxa

Casa 6 – Trabalho cotidiano, emprego, serviço, corpo, saúde, rituais diários, animais de estimação

Casa 7 – O outro, relacionamentos, casamento, parcerias afetivas ou profissionais, litígios,

Casa 8 – Transformação, renascimento, sexualidade, o que se partilha na intimidade, os valores e o dinheiro dos outros

Casa 9 – Educação Superior, filosofia de vida, fé, religião, viagens longas, outras culturas

Casa 10 – Imagem Social, seu papel no mundo, vocação, carreira, a mãe.

Casa 11 – Amigos, networking, projetos de longo prazo, associações diversas.

Casa 12 – O inconsciente pessoal e coletivo, Carma, motivações escondidas, redenção

Princípios Básicos do Funcionamento da Retrogradação

a)      Sol e Lua nunca ficam retrógrados;

b)      o movimento de retrogradação é uma ilusão de ótica que nos faz perceber o planeta deslocando-se para trás e isso acontece devido ao relacionamento do planeta em questão com o Sol, e devido às diferentes velocidades de rotação da Terra e dos demais planetas, assim, para os planetas interiores, Mercúrio e Vênus, a retrogradação ocorre em períodos próximos à conjunção inferior com o Sol, enquanto que no caso dos planetas exteriores (posicionados depois da Terra no sistema solar), a partir de Marte, o ciclo retrógrado está diretamente relacionado àoposição com o Sol;

c)       os planetas exteriores Urano, Netuno e Plutão, devido à lentidão de seu movimento e à distância do Sol, passam boa parte do tempo em movimento retrógrado e seu impacto no mapa natal é menos perceptível, a não ser que estejam próximos do ponto estacionário, quando adquirem ênfase especial, pois além de ter sua ação e significado realçados, provavelmente mudarão de direção nas progressões secundárias. Com Júpiter e Saturno não é muito diferente – aliás, de Júpiter em diante a retrogradação tem impacto mais definido em Astrologia Mundial e em Astrologia Horária e Eletiva;

d)      assim, os planetas cujo ciclo de retrogradação é mais perceptível em Astrologia Natal são Marte, Vênus e Mercúrio e considerando que Mercúrio fica 20% do tempo retrógrado (três vezes ao ano, em períodos de aproximadamente três semanas), isso não chega a ser tão traumático, com exceção de situações específicas em áreas regidas pelo planeta – o impacto também é menor porque certamente Mercúrio mudará de direção nas Progressões Secundárias. De forma que em Astrologia Natal os planetas cuja ação é alterada de forma significativa quando retrógrados são Vênus e Marte, dois planetas relacionados ao simbolismo do masculino e feminino. Vênus fica retrógrado cerca de 40 a 45 dias a cada 18 meses e Marte parece mover-se para trás de 60 a 80 dias, a cada 2,13 anos (Leia sobre Marte Retrógrado)

Referências bibliográficas

(1), (2), (3) – Retrograde Planets – Traversing the Inner Landscape – Erin sullivan – Samuel Weiser, 2000.

(4) – The 2014 Conjunction of  the Sun and Venus in Capricorn – Gary P. Caton -em artigo para a revista The Mountain Astrologer

(5) – Lavoura Arcaica – Raduan Nassar

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Lua Nova em Capricórnio – Ensaio para 2014

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Lua e Sol no Polo Norte by Inga Nielsen – Reprodução

A Lua Nova de hoje (01/01/2014, 9:14, Horário Brasileiro de Verão, Brasília) ocorreu no grau 10°57’ do signo de Capricórnio, conjunta a Plutão e Mercúrio, oposta a Júpiter e em quadratura com Marte em Libra e Urano em Áries, ou seja, no meio do fogo cruzado da Grande Cruz Cardinal que vai ficar terrivelmente ativa durante boa parte do ano, especialmente por todo o primeiro semestre. Uma Lua Nova tão poderosa como essa ocorrendo já no primeiro dia do ano parece estar nos preparando para o que nos aguarda nos próximos meses. E faz isso de maneira magistral, porque provê toda a ancoragem necessária para nos prepararmos para os desafios à nossa frente. Além de Sol e Lua, temos ainda Plutão, Mercúrio e Vênus (retrógrada) em Capricórnio, o mais terroso dos signos de Terra. Durante os próximos 15 dias, até a Lua Cheia, teremos terreno propício para sentir essas energias poderosas, centrarmo-nos e percebermos a melhor forma de lidar com elas, porque temos segurança, porque temos terra firme sob nossos pés.

Nathalie Mulero Fougeras
Nathalie Mulero Fougeras – Reprodução

É uma Lua Nova que se comunica com quase todos os pontos do mapa, direta ou indiretamente, colocando-nos em contato com praticamente todas as energias em ebulição no momento, fazendo-nos muito conscientes de todas as mudanças que ocorrem ou que estão por ocorrer – Podemos até fingir que não estamos vendo, mas se formos honestos, intuiremos que tudo está diferente. É como se os deuses estivessem nos presenteando com uma grande oportunidade de preparar o terreno da alma para as mudanças que precisam ser feitas. Como numa amostra do que será este ano, temos a oportunidade de ensaiar nossos papéis no grande  drama que se desenrolará em 2014. Já disse aqui, no ano passado, que não é à toa que a Lua Nova de Capricórnio ocorra no primeiro mês do ano, no calor das “resoluções de início de ano” (ver este post aqui). Capricórnio é o signo do planejamento estratégico por excelência, do planejamento de longo prazo. Então, esse é momento mais do que adequado para fazer isso, mas fazer isso de verdade. Planejar, tomar decisões e comprometer-se com elas. De Verdade. Não se trata de fazer as batidas “resoluções de fim/início de ano” só para satisfazer a sua auto-estima combalida e alimentar a compulsão pelas listas. Trata-se de olhar com seriedade para o estado de coisas em que se encontra sua trajetória, sua vida, e se não estiver satisfeito com o que vê, tomar atitudes precisas para mudar. Sem um monte de desculpas esfarrapadas, sem justificativas “meia-boca”. Sem auto-enganação. Somente honestidade consigo mesmo. Ponto.

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Hécate, artista desconhecido – Reprodução de Google Imagens

Com Plutão conjunto a essa Lua Nova, ser honesto consigo mesmo não é uma opção, é a única alternativa. Hades-Plutão, o Senhor dos Infernos e do Mundo Inferior, puxa-nos para baixo, abduzindo-nos como fez com Perséfone, para nos obrigar a olhar para nossa verdadeira face, para nos levar a um auto-confronto necessário, se quisermos assumir a responsabilidade por nós mesmos e o nosso verdadeiro Poder, que vem de dentro, de quem trilhou o Caminho e não fugiu aos confrontos da Vida.  O Poder de quem se conhece realmente, de quem sabe do que é capaz, tanto no melhor, quanto no pior sentido. Plutão em Capricórnio exige que admitamos nossa vontade de poder, de dinheiro, de sucesso, de segurança, de prestígio social, o que quer que isso signifique pra nós. Que admitamos até onde estamos dispostos a ir, o que estamos dispostos a comprometer para atingir esses objetivos. Plutão em Capricórnio exige que nos preparemos com seriedade, que NOS olhemos com seriedade.

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Saturno, Senhor do Tempo – artista desconhecido – Reprodução

Então, aproveite que Capricórnio é um signo mais que sério e econômico, e trace seus objetivos de forma séria, realista, concisa e econômica também… Nada de “viajar na maionese” e traçar planos mirabolantes só para daqui a dois meses perceber a total nulidade de tais projetos, caindo na armadilha da falta de auto-respeito. Usando a disciplina, a sabedoria e a capacidade estratégica de Capricórnio, trace metas realistas, objetivas, práticas e alcançáveis, e comprometa-se com elas, fazendo algo todo dia para torná-las mais palpáveis. Além de estratégia, é necessário Foco, então foque naquilo que é essencial.

O regente de toda essa “galera” que está em Capricórnio sugerindo esses planejamentos, Saturno, o Senhor do Tempo, encontra-se em Escorpião, quase inaspectado, dizendo-nos também que para realizar coisas novas é preciso finalizar as velhas, e é preciso cuidar do expurgo. Então, aproveite os dias de férias, recesso, folga, feriado, para fazer uma limpeza nas gavetas, nos armários, especialmente nos papéis, mas fundamentalmente na alma, e crie espaço para que a mudança possa ocorrer de forma menos traumática. Porque este ano não é uma questão de “se” teremos que lidar com mudanças, mas sim, “quando”, portanto, é melhor estar pronto para elas conscientizando-se desde já quais são as áreas que são fontes de insatisfação.

Paul Kuczynski
Paul Kuczynski – reprodução

Por último, um exercício muito útil para viver de forma mais autêntica e genuína sugerido Plutão e por Saturno em Escorpião é perguntar-se todos os dias: “e se eu soubesse que hoje é o último dia da minha vida, como aproveitaria o dia de hoje?”. É óbvio que não estou falando de “chutar o pau da barraca” todos os dias esquivando-se de responsabilidades em nome de uma pseudo liberdade. Ao contrário, trata-se de viver cada dia com responsabilidade, fazendo o que realmente importa, e claro que dentro disso há obrigações e deveres – feliz ou infelizmente ainda vivemos numa dimensão em que precisamos comer, ter um teto, pagar contas, etc. Mas o pulo do gato é fazer isso com alegria, com prazer, percebendo a necessidade de sua execução. E se constatar que tais obrigações e deveres são completamente sem sentido, tomar as medidas necessárias para mudar isso também, seja mudando de emprego, de relacionamento, ou outras circunstâncias quaisquer que “entulham” sua vida. Simplificando a vida, olhando para o essencial. Para ilustrar isso, termino com uma frase preciosa do Jung que diz: “livre arbítrio é a capacidade de fazer com alegria aquilo que eu devo fazer”. Então, o que, na sua vida, deve ser feito e feito com alegria?

Lua Nova Capricornio 2014
Lua Nova em Capricórnio 01/01/2014, 8:14, Cuiabá-MT