Lua Nova em Câncer – Inúteis mas Fundamentais

cancer11
Reprodução do Flickr

Uma Lua Nova é sempre um grande presente que nos é dado a cada 29 dias. Uma oportunidade de rever metas, intenções, de recomeçar um projeto esquecido, mas principalmente, de começar algo completamente novo e diferente. Um ciclo termina e outro começa, na espiral eterna da vida. Deixamos o que morreu no ciclo anterior ser enterrado e cuidamos do que está vivo e vicejante. Ou reciclamos. Se o que morreu ainda tem algum valor, renascerá, numa nova forma, de um novo jeito, numa nova vida – mas já não será mais o mesmo, pois terá sido completamente transformado!

A Lua Nova de Câncer de hoje (27 de junho, 05h08min, hora de Brasília) vem trazer este presente mensal, que não pode ser desperdiçado. É momento de renovar e criar novas intenções na área dos nossos relacionamentos mais íntimos, principalmente os familiares; é tempo de perceber com mais cuidado como nutrimos nossas relações, como cuidamos e como somos cuidados; como lidamos com nossas dependências e carências emocionais; diferenciar entre o que é admitir precisar do outro verdadeiramente e o que é carência infantilóide e incapacidade de andar com as próprias pernas.

disperso (1)
Reprodução

A Lua Nova faz apenas dois aspectos maiores. Primeiro, um trígono próximo a Netuno em Peixes, sugerindo que coloquemos em nossas intenções o exercício, nem sempre fácil, da compaixão pelo outro e por nós mesmos; que incluamos em nossas preces aqueles não necessariamente próximos, mas que talvez precisem mais delas do que outros mais abastados de nosso afeto e intimidade; que exerçamos nossa sensibilidade para melhorar o mundo dentro de casa e também fora dela; que sejamos mais gentis com aqueles que amamos, cujo afeto esfria um pouco na dureza do dia a dia; mas que sejamos mais gentis também com o estranho na rua, afinal, somos todos habitantes da Mãe Terra e temos mais em comum do que somente pertencer à mesma espécie.

disperso
Reprodução

O segundo aspecto maior que Sol e Lua fazem é a oposição a Plutão em Capricórnio, e apesar de mais amplo, esse aspecto exige muito de nós porque é a sombra dos nossos demônios, pessoais e familiares, olhando direto para nós. Não é possível desviar o olhar, pelo contrário, temos que ter a coragem e a ombridade de sustentá-lo.  Plutão nos obriga a definir se nossos afetos são verdadeiros ou se são apenas dependências mascaradas; se amamos de fato ou se usamos o outro para nos esconder da solidão da separação da Mãe.

Mais ainda: Plutão viajando por Capricórnio simboliza a morte de estruturas velhas, na vida pessoal e também de forma mais ampla, nas sociedades. Mas representa também a morte de muitos valores tradicionais e talvez a morte de muitos de nossos velhos e este é um dos pontos mais importantes no plano pessoal. Plutão em Capricórnio vem nos obrigar a olhar com honestidade como temos tratado nossos velhos, nossas tradições, especialmente a figura do Pai. Com Júpiter trafegando Câncer desde junho de 2013, o questionamento foi estendido para o cuidado que temos tido com a família em geral, mas especialmente com nossa ancestralidade, com aqueles que vieram antes de nós e que permitiram que chegássemos até aqui. Que lugar nossos pais, avós e bisavós têm em nossas vidas? São mananciais de sabedoria? São nossa origem por isso merecem respeito e cuidado? Ou são estorvos dos quais não vemos a hora de nos livrar? O que fazer com eles, estes inúteis? Sim, os velhos muitas vezes são inúteis, não servem para nada! São dependentes da mesma forma como nós o fomos quando bebês, mas insistimos em esquecer disso. E nesta Lua Nova, Lua e Sol se emaranham de forma inequívoca com a representação do velho: Plutão em Capricórnio – o signo do velho – e Netuno em Peixes –  o signo do fim e da volta para a Casa do Pai, ou para o útero da Grande Mãe.

248885_476553045728922_2074534863_n
Reprodução

E por falar em dependência, inutilidade e obsolescência, eu me lembro de uma palestra do Padre Fábio de Mello, de quem, diga-se de passagem, não sou particularmente fã, sobre isso. De como os velhos têm o direito de ser obsoletos e de que só descobrimos o real significado e valor de uma pessoa em nossa vida quando ela é completamente inútil, porque então descobrimos que a amamos realmente, não pelo que ela pode fazer por nós, não porque “sirva” para isto ou aquilo, mas simplesmente por ela ser quem é e vemos que de fato a amamos profundamente e não imaginamos a vida sem ela. Veja o vídeo da palestra aqui – só cinco minutos!

Graca_Morais
Graça Morais – Reprodução

Plutão em vem nos lembrar que a vida é finita, vem nos obrigar a olhar para a morte, seja num plano simbólico ou literal. Em Capricórnio nos lembra que mesmo a rocha mais forte um dia se desintegra; que nossos pais e entes queridos em geral, embora pareçam eternos, sólidos e robustos, podem desaparecer de nossas vistas a qualquer momento; e que não adianta homenagens póstumas, se não tivermos nos entregado e vivido o afeto e o amor plenamente em vida! É preciso ser inteiro agora! É preciso cuidar, acariciar, acarinhar, proteger e amar hoje, porque o amanhã é inseguro e guarda muitas surpresas. Cuidemos, sejamos presentes e amorosos hoje!

bird
Reprodução

O símbolo Sabiano para o grau seis de Câncer (5°37) traz uma bela imagem que reforça essa idéia: “Aves de Caça revestem de penas seus ninhos”. Uma ave de caça é uma ave que tem, além dos predadores naturais, o predador maior que é o homem. Precisa ser cautelosa e cuidar bem de sua prole para eles continuem após seu desaparecimento. É uma bela imagética, que traduz a idéia de calor, cuidado e proteção, além de projeção de futuro e longevidade.

cover-salgado_terra-11
Sebastião Salgado – Reprodução

Que nesta Lua Nova de Câncer possamos, pois, como estas aves de caça, forrar nossos ninhos com o mais genuíno dos nossos afetos, com nossa mais pura gratidão e gentileza por aqueles que amamos e com quem convivemos. Que resolvamos estreitar os laços não por carência emocional, mas por decisão de querer estar perto e partilhar a vida, respeitando o outro na sua singularidade, sem usá-lo para tapar o buraco da solidão. Que cuidemos mais uns dos outros, e principalmente de nós mesmos, de nossa nutrição corporal, espiritual, psíquica, emocional. E que redescubramos o valor dos nossos velhos, obsoletos, mas profundamente significativos; inúteis, mas absolutamente fundamentais para nós, simplesmente porque os amamos. Honremo-los e demonstremos nossa maior gratidão! Que vejamos nos inúmeros sulcos e rugas em seus rostos, o legado e a sabedoria de uma vida inteira e inúmeros motivos para tê-los por perto, simplesmente porque eles são quem são e porque sem eles, nossa origem, não seríamos o que somos!

Lua Nova em Cancer 2014

A Semana Astrológica – Sol em Câncer: Aberta a Temporada da Sensibilidade

By Tomek Setowski_
Tomek Setowski – Reprodução

Semana de 16 a 22 de junho

Semana importante começando. A entrada do sol em Câncer sinaliza o Solstício de Inverno no Hemisfério sul, quando temos a noite mais longa do ano, e no Hemisfério é o Solstício de Verão e o dia mais longo do ano. A semana sugere ainda surpresas e imprevistos que pedem que tenhamos feeling para agir no momento adequado, casando a intuição e o racional. A Lua viaja por Aquário, Peixes, Áries e Touro, oficializando o quarto minguante na quinta-feira.

A segunda começa de forma animada com a Lua sociável e desapegada em Aquário, faz sextil com Urano, o que a estimula ainda mais à abertura e nos incita à ação e mudança, mas pelo fim do dia ela tem um encontro frio e desconcertante com Saturno em Escorpião e à noite ela também tromba com Vênus em Touro. Nossa efusividade e leveza ganha um balde de água fria e talvez sejamos cobrados uma certa responsabilidade e prudência. Esse imbróglio entra pela terça-feira e a Lua vira foco de uma Cruz T Fixa, com Saturno e Vênus. Haja pressão! Queremos ficar livres e desimpedidos, mas somos encurralados para compromissos inadiáveis. Na terça ainda Mercúrio regressa aos ares familiares de Gêmeos, claro, em marcha à ré.

Na quarta-feira, o tempo fica mais “chuvoso” com a Lua entrando em Peixes e unindo-se a Netuno, entrando mais uma vez na Participation Mystique do Grande Trígono em Água. Dia mais romântico, de empatia e sensibilidades afloradas, mas com um tom positivo, otimista e benevolente, promovidos pela harmonia entre Vênus e Júpiter . À noite talvez o clima fique meio choroso e melindroso com a conjunção da Lua e Quíron, mexendo com dores antigas.

Na Quinta-feira a Lua Pisciana quadra o Sol em Gêmeos, oficializando o último Quarto e a fase Minguante. Entramos de novo numa fase mais introspectiva, interiorizando experiências, apesar da conjunção Sol-Mercúrio. Não esqueçamos, Mercúrio está retrógrado, o que promove um retraimento incomum e um tempo mais longo para que as interações aconteçam a contento. O Sol encontrando Mercúrio estimula ainda mais os temas da retrogradação: acalmar a mente, diminuir as vozes mentais incessantes e ruidosas.

 

alex alemany11
Alex Alemany – Reprodução

Sexta-feira a Lua entra em Áries e põe fogo na roupa, no coração e no mundo. Junta-se a Urano e solta um grito de liberdade e independência ao confrontar Marte em Libra e também Plutão em Capricórnio. Dia intenso e estimulante que pede movimento e atividade, mas é bom evitar precipitações!

Sábado vemos o Rei Sol despedir-se dos Ares secos e frios de Gêmeos para entrar nas Águas frias e úmidas de Câncer às 07h52min. A temporada de sensibilidade fica oficialmente aberta, e nos tornamos também mais chegados aos temas e laços familiares, e bate uma saudade da mãe e do tempo de criança. Domingo a Lua está em Touro, e temos pela primeira vez em muitas semanas, um domingo calmo, tranqüilo e favorável às reuniões familiares domingueiras, regadas a boa comida, descanso e muito cafuné!

Linda semana para você!

alexander saidov
Alexander Saidov – Reprodução

Lua Cheia em Sagitário – Eleve-se!

alegria
Reprodução

A Lua Cheia em Sagitário vem nos convidar a recuperar a faculdade da intuição e da Alegria, que andam meio enferrujada nas últimas semanas por causa do pouco Fogo ativado atualmente. Vem ainda nos estimular a nos expandir além das fronteiras do eu conhecido. Uma Lua futurista que vem acordar nosso gosto por aventura e por explorar o novo e o inusitado. Vem estimular também nossa necessidade de independência e diversão. A Lua Cheia desta madrugada (sexta-feira 13 de junho, 01h11min, Brasília), acontece ainda na euforia da abertura dos jogos da Copa do Mundo no Brasil. Lua Cheia a 22°05’ de Sagitário, com o Sol a 22°05 de Gêmeos.

Mas precisamos ficar atentos porque essa eufórica Lua Sagitariana parece desconfortável com suas intuições, parece não confiar nelas inteiramente. Depois do Sol, o aspecto mais próximo que a Lua faz é um quincunce Júpiter em Câncer e apesar de estarem recepção mútua, (Júpiter rege Sagitário e Lua rege Câncer), parece haver uma tentativa de manipulação da intuição – sabe como quando você se questiona sobre isso ou aquilo, de forma tendenciosa, já querendo uma resposta específica? Talvez consideremos apenas as intuições que favoreçam os desejos do ego, o que implica uma auto-ilusão, um pecado terrível contra o dom de nos projetar no futuro que é a intuição. Mais ainda, Lua e Sol fazem uma Cruz T com Quíron em Peixes de ponto focal. É como se nossa mente, inferior e superior entrassem em choque direto e duvidássemos até mesmo de nossa sanidade em certas situações. Estamos vendo coisas? Como se houvesse uma grande dificuldade em conciliar nossa visão mais ampla com os detalhes necessários para implementá-la. Mas por mais contraditório que pareça, este é exatamente o caminho. Com a Lua Cheia envolvida nessa Cruz T Mutável, o convite é claro: colocar o melhor da mente inferior, nossas faculdades de uso diário (Gêmeos), e da mente mais elevada, aquela que usamos para transpor as barreiras do conhecido e dominado (Sagitário), para promover mudanças de pensamento, crenças e perspectivas de longo prazo, colocar nossas melhores faculdades, razão e intuição, a serviço da cura do mundo, da cura universal (Quíron em Peixes).

Lua Cheia em Sagitário 2014
Lua Cheia em Sagitário para Cuiabá-MT, 13 de junho de 2014, 00h11min.

Outra coisa importante a respeito dessa Lua Cheia é que no dia seguinte, dia 14 de junho, Marte em Libra faz a terceira quadratura exata a Plutão (a primeira foi em dezembro, direto e a segunda em abril, retrógrado) e no dia 25 a terceira oposição exata a Urano, simbolizando que ainda temos chances de fazer as alterações e mudanças que não conseguimos nos últimos meses, na área de relacionamentos, de decisões, no equilíbrio entre vontade pessoal e as forças coletivas. Essa oposição a Urano acontece apenas dois dias antes da Lua Nova em Câncer, indicando um belo fechamento para o ciclo iniciado na Lua Nova de Gêmeos. A partir daí Marte acelera e gradativamente desfaz a Cruz T Cardinal, restando somente a quadratura Urano-Plutão.

 

consc_expansao-1D
Reprodução

Também importante é o fato de Vênus estar em oposição exata a Saturno, sugerindo que por mais inspirados e eufóricos que nos tornemos, temos a nosso favor uma boa dose de sobriedade que não se deixa contaminar por excessos. Há um questionamento permanente a respeito dos valores e dos desejos, como se estivéssemos permanentemente nos colocando em cheque, o que traz contenção, responsabilidade, e uma saudável porção de realismo para a visão idealista da Lua Sagitariana. Vênus é foco de uma Pipa, e pode conter excessos e funcionar como canal de manifestação concreta para a empatia e a compaixão sugeridas pelo Grande Trígono em Água.

Por fim, o Símbolo Sabian para o grau da Lua Cheia traz a seguinte imagem: “Imigrantes entrando num novo país”. A imagem não poderia ser mais adequada, visto que Sagitário é o signo das viagens longas e de tudo o que estrangeiro. Quando alguém deixa seu país, traz consigo tudo o que ele representa, de bom e de ruim. Mas, qualquer que seja o motivo de mudança para o novo país, nada dará certo se não se estiver aberto ao novo, à nova cultura e aos novos costumes. É preciso olhar para frente, com olhos cheios de curiosidade, aberto a se deixar encantar e fascinar pelo diferente, pelo outro tipo humano, pela outra cultura, sem suposições de comparações, de melhor ou pior, apenas permitir-se ser envolto pela nova atmosfera, sem julgamentos. Se assim não for, viveremos o novo país pela metade, sem apreciar-lhe suas melhores qualidades e talvez acabemos nos concentrando apenas na falta e na comparação negativa com o lugar de onde viemos. É preciso, portanto, permitir que nossa mente, formas antigas de pensamento, visões ultrapassadas e estreitaas da vida sejam completamente transformadas para nos deixarmos fascinar pelo novo diante de nós.

alma borboleta
Reprodução

Assim, nessa Lua Cheia, perguntemo-nos onde, em nossa vida, precisamos nos abrir e deixar fascinar pelo novo; onde precisamos ser mais intuitivos e inspirados; onde precisamos usar melhor nossa mente mais elevada; onde nos deixamos limitar por detalhes restritivos e pela inquietação que nada termina; em que esfera nossa vida precisa de expansão; onde precisamos ter fé e NOS elevar, indo além das crenças que repetimos cegamente na feitura dos nossos dias. Onde precisamos unir Conhecimento e Sabedoria. Então, conectemo-nos com nossa Intuição, e busquemos elevação, inspiração, abertura. Assim nos colocamos de forma mais inteira a serviço do todo, do universal.

Angel by Wojciech Paliwoda, Musetouch.
Angel – Wojciech Paliwoda – Reprodução

Copa do Mundo – O Que Diz o Mapa de Abertura?

bola copaO Brasil sedia uma Copa do Mundo pela segunda vez. Os jogos acontecem em meio a uma grande crise política e administrativa, em que parece haver um racha na alma do povo, tanto em termos de quem é a favor ou contra a Copa, quanto em termos de governo e oposição. Muitas das obras de infra-estrutura não ficaram prontas e provavelmente levarão ainda alguns anos para que tudo seja entregue às populações de algumas cidades que sediam os jogos. Cuiabá, por exemplo, continua um grande canteiro de obras. A obra do VLT tem previsão de entrega agora para 2017, SE o próximo governo que assumir resolver terminá-la, do contrário, sabe Deus! Isso para citar somente um das muitas obras inacabadas espalhadas pela cidade. A Copa é tida como a mais cara do mundo quando comparada com mundiais realizados em outros países. Mas isso porque muitas das obras de infra-estrutura que foram e estão sendo construídas já eram necessárias há muito tempo. Se todas as obras forem de fato concluídas, a Copa deixará um belo legado para o Brasil. Precisamos torcer a favor e não contra.

Mas e quanto ao evento em si, o que podemos esperar? 

world cup1

  O mapa da abertura dos jogos (12 de junho, 17h São Paulo SP), como todo mapa astral, mostra potenciais positivos e negativos. É um mapa de Lua Cheia, um momento de crise, de eclosão, do ápice de algo que vinha sendo construído ou cultivado. O Ascendente e Lua em Sagitário apontam para grandes festividades, para uma festa grandiosa de muita diversão e alegria, mas pode indicar também um populismo desmesurado, otimismo exagerado e euforia que pode sair de controle. A Lua em Sagitário faz uma quadratura exata a Quíron em Peixes, indicando que a alegria fica um pouco embotada, incompleta, frustrada. Júpiter, regente do Ascendente e da Lua encontra-se em Câncer, em recepção mútua com a Lua, na casa 8, sinalizando que apesar dos pesares e de todas as polêmicas, o evento pode ser financeiramente compensador para o país, SE o temperamento cordato do brasileiro levar a melhor, porque Júpiter está em quadratura com Urano na casa 5, sugerindo destemperos, inquietude e situações abruptas de resultados imprevisíveis, exatamente na área de jogos e diversão. bola no campo Falando em Urano, Marte em Libra está em oposição a ele e em quadratura exata a Plutão, a Cruz T que originou-se da Grande Cruz Cardinal, sinalizando um grande potencial para mais destempero, para a violência e conflitos extremistas, dentro ou fora de campo; essa Cruz T também sinaliza situações fora de controle, que ocorrem em momentos inesperados. Esta configuração é mais preocupante ainda considerando-se o contexto político atual do Brasil, com grupos radicais organizando manifestações de protesto em várias cidades-sede. Saturno em quincunce a Urano piora um pouco as coisas porque sugere grande dificuldade de conciliar o poder controlador (a polícia) e os extremistas. O Sol está em Gêmeos, em oposição à Lua e ainda separando-se de uma quadratura a Quíron. O regente do Sol, Mercúrio, está retrógrado em Câncer, uma situação bem desconfortável e ainda recebe oposição fora de signo da Lua. Podemos ter problemas diversos com transportes, comunicação, deslocamentos em geral e até mesmo com a desinformação da mídia. Atrasos poderão ser corriqueiros e atrapalhar a chegada aos estádios. cabeça na areiaa Netuno, também retrógrado desde segunda-feira 9 e conjunto ao Fundo do Céu, acena com o potencial de decepções dentro de casa – possibilidade de a princípio sermos contaminados com um espírito ufanista, deixarmo-nos levar pela euforia e esquecermos todo o resto que precisa ser cobrado no pós-copa. No mínimo, esse posicionamento de Netuno indica uma incapacidade de vermos a realidade tal qual ela é, de vermos a nós mesmos como somos. Uma tendência a enfiar a cabeça na areia para não encarar a realidade. Netuno fala ainda da fama ao contrário, ou seja da má fama ampliada e disseminada sem limites – se algo der errado podemos também ser motivo de chacota mundo afora. Ganhamos ou não ganhamos a Copa? Passamos no teste de anfitriões do maior evento esportivo do mundo? Conseguimos entregar o que prometemos? O tempo dirá. Vênus opõe-se a Saturno, aspecto exato – nossa auto-estima pode sofrer bastante com este evento, e podemos nos achar no velho papel da colônia “invadida” pelo estrangeiro mais evoluído, mais rico, mais sofisticado, que olha de cima para a nação tupiniquim. A alegria e a receptividade naturais do brasileiro podem ser rechaçadas pelo estrangeiro ou mesmo ser abusada – não esqueçamos que o Brasil é famoso destino de turismo sexual. Por outro lado, a sobriedade dessa oposição Vênus-Saturno pode ser muito bem vinda para acalmar ânimos alterados. Vênus é na verdade foco de uma Pipa Água-Terra, nascida do Grande Trígono Júpiter-Saturno-Quíron. No fim, talvez caiba a essa Vênus “pé no chão” a responsabilidade de mostrarmos nosso melhor, e de, testados sob grande pressão, sairmos com nossa auto-estima mais robusta. Tirando a oposição a Saturno, Vênus está relativamente confortável, dignificada em seu próprio signo, em harmonia com Júpiter em Câncer e Quíron em Peixes. Recebe um quincunce da Lua Sagitariana, e embora quincunces sejam irritantes por sua própria natureza, como Vênus está em Touro, talvez isso ajude a conter um pouco o excesso de Sagitário. Na casa 6, ela pode simbolizar ainda a geração de emprego e renda promovidos pelo evento. Uma coisa boa é que aparentemente acidentes são pouco prováveis. Sue Tompkins, astróloga inglesa, diz que em mapas de acidentes geralmente há uma profusão de trígonos (aspecto harmônico, 120 graus) e muitas sesqui-quadraturas (desarmônico, 135 graus), porém há ausência de quadraturas, que normalmente funciona como bloqueio para a energia que flui livre com os trígonos. Este mapa mostra sim, grande profusão de trígonos, mas sua energia não flui tão tranquilamente porque da mesma forma, há também muitas quadraturas importantes. E há somente uma sesqui-quadratura, entre Júpiter e Netuno (1) copaa Outro ponto positivo é o Grande Trígono de que Júpiter faz parte. Júpiter é muito importante neste mapa porque é o regente do mapa e da Lua. Está exaltado em Câncer, na casa 8 e bem aspectado. Seu efeito de excesso e exagero que poderia influenciar negativamente o Ascendente (o evento) e a Lua (o Povo), fica diminuído pela influência de contenção e controle de Saturno em Escorpião. E Vênus em Touro funciona como canal de desembocadura de contenção e manifestação dessa energia toda, uma Vênus enraizada, sóbria e bem estruturada. Para finalizar, em minha opinião, torcer contra um evento dentro da própria casa, depois de todo o gasto e investimento feito, depois de todos os convidados chegarem, é no mínimo, falta de inteligência e falta de educação para com quem vem prestigiar o evento. Os visitantes não têm nada a ver com nossos problemas locais e internos e roupa suja se lava em casa, neste caso, se resolve nos debates, na fiscalização da prestação de contas e em última instância, nas urnas. Há energias desfavoráveis sim, mas há potencial também para sairmos fortalecidos de tudo isso. E nós, o povo, concordemos ou não com a Copa, precisamos agora vibrar paz, fraternidade, espírito de equipe e amor universal como manifestação positiva desse Netuno conjunto ao Fundo do Céu. Qualquer que seja o vencedor, torçamos para que seja um evento pacífico, ordeiro e bem realizado!

copa   (1) TOMPKINS, Sue – Aspects in Astrology

A Semana Astrológica – Vai ser ou tá difícil?

copaa
Reprodução

A SEMANA ASTROLÓGICA de 9 a 15 de junho

Nesta semana temos eventos grandiosos acontecendo, na astrologia e no mundo lá fora. A Copa do Mundo das polêmicas finalmente tem seu início no dia 12, dia que é também dos namorados aqui no Brasil, seguido da Lua Cheia em Sagitário. Por falar em Dia dos Namorados, mais uma vez a energia astral não vai estar muito favorável para o romance. Mais tensa ainda está para se iniciar um evento portentoso com é uma Copa do Mundo. Como pano de fundo de tudo isso, a Lua enche viajando por Escorpião, Sagitário, Capricórnio e já na tarde de domingo entra em Aquário. Mercúrio segue retrógrado em Câncer, já provocando caos pelo país com greves no transporte, e em outros setores. O que é pedido destes vários setores e categorias é que REvejam  acordos e negociações firmados anteriormente. Acordo bom é acordo que beneficia aas duas partes, certo Mercúrio? 

Snake
Reprodução

A segunda-feira começa venenosa, com a Lua em Escorpião fazendo um Grande Trígono com Mercúrio Rx em Câncer e Netuno em Peixes. Saturno ainda é foco de um Yod recebendo quincunces de Sol e Urano. Um dia propício para nos perguntarmos sobre os venenos diários que andamos tomando e por que não conseguimos parar de nos envenenar. 

Na terça a Lua junta-se a Saturno na oposição a Vênus. Sentimos o olhar da Mãe severa e Terrível a julgar e condenar nosso prazer de viver, de amar e de nos deleitar. A auto estima sofre e nossa auto-imagem depaupera-se nesse confronto sombrio e constrangedor.

Quarta-feira, dia de Mercúrio, vê o próprio retrógrado e afogado, indispondo-se com Dona Lua em Sagitário, que aliás, apesar de otimista, arruma confusão ainda com Netuno e Urano. Dia que inspira cuidados na comunicação porque tudo pode dar errado, dizemos e fazemos o que não queríamos, ou pior ainda, cometemos os famigerados “atos falhos”, sabe quando a gente diz, por equívoco algo que realmente pensamos? Preferiríamos morder a língua, mas quando vemos já é tarde. Maus auspícios como prelúdio para o Dia do Romance.

Lovers-picasso 1900
Amantes – Picasso – Reprodução

Quinta-feira, dia dos Namorados, dia de abertura DA Copa do Mundo, quase Lua Cheia. Dia cheio realmente, intenso, e não muito favorável ao romance, que pode ter chegado a um impasse: “Vai ser, ou ta difícil?” Saturno pergunta à nossa indolência se estamos dispostos a nos comprometer, do contrário, tchau! Já a Copa, isso demanda mais atenção e cuidado. Post especial sobre isso durante a semana. Na quinta temos ainda um Retângulo Místico em Terra e Água, que ficará nos céus por três dias, indicando a possibilidade de ancorarmos os sentimentos e criatividade acionados pelo Grande Trígono em Água.

Sexta-feira temos a Lua Cheia em Sagitário abrindo a madrugada, à 1h11min (Brasília). A Lua Cheia em Sagitário vem reclamar o uso da intuição que talvez ande meio embotada com o pouco Fogo que temos ativado no momento. Vem ainda desafiar nossa visão, nossas crenças, nossa fé e esperança, além de exigir que levantemos a cabeça dos detalhes menores para olharmos para o céu e para a amplidão da vida, só para variar um pouquinho.

No fim de semana, como tem sido costume, a Lua ativa a Cruz T Cardinal. Junto a Plutão em Capricórnio, está encurralada por Marte em Libra e Urano em Áries. Armas em riste, é hora de mais um round!

IRINA KARKABI
Irina Karkabi – Reprodução

Uma ótima e animada semana para você!

Quíron e a Dor de Ser Humano

Chiron_instructs_young_Achilles_-_Ancient_Roman_fresco
Quíron instruindo o jovem Aquiles – Antigo Afresco Romano – Reprodução

Quíron é uma figura bastante controversa na Astrologia. Nem todos os astrológos ou correntes o utilizam e muitos outros vão ao ponto de sugerir que isso indicaria mesmo uma dificuldade de tais astrológos de lidarem com os temas sugeridos por este corpo celeste. Quíron viaja atualmente por Peixes e no momento recebe quadratura do Sol em Gêmeos, além de estar inserido no Trígono Aquático com Júpiter e Saturno. Aproveitando este momento delicado, escrevo sobre Quíron, sua astronomia, mitologia e significado no mapa astrológico, bebendo principalmente dos ensinamentos de Melanie Reinhart, atualmente a maior autoridade no assunto (3).

Astronomia

chiron's orbit
A excêntrica órbita de Quíron – Wiki files – Reprodução

Quíron não é um planeta. Foi descoberto em 1° de novembro de 1977, por volta de 10 da manhã, em Pasadena, Califórnia, por Charles T. Kowal. A princípio os astrônomos não sabiam como classificá-lo e já foi definido como asteróide, cometa, planetóide. Até hoje tem uma classificação dupla, como o Cometa 95P e como o Planeta Menor 2060. Ele desafiava descrições e foge a categorizações. Nos anos 90 uma nova classe de corpos celestes foi descoberta, os Centauros, dos quais Quíron é hoje o mais famoso, mas as antigas nomenclaturas permanecem. Quíron Orbita entre Saturno e Urano, mas sua órbita é elíptica e tão excêntrica que às vezes ele se encontra mais perto do Sol do que Saturno, e em outras mais longe do que Urano. Tem uma cauda de cometa que chega a alcançar 300 mil quilômetros de comprimento e que parece “ligar” e “desligar”, ou seja, às vezes pode ser vista, às vezes não. Depois de sua descoberta, ele foi identificado em registros fotográficos datados de até 1895. Estava lá, mas ninguém tinha notado (1). É o fenômeno da sincronicidade operando novamente: quando estamos prontos, finalmente somos capazes de enxergar algo que esteve sempre na nossa frente, mas com o qual não éramos capazes de lidar ainda. Foi assim com Urano, Netuno e Plutão. E mais recentemente com Quíron e os Centauros.

Outsider

É dito que Quíron não pertence realmente ao Sistema Solar, que é um estrangeiro, forasteiro, e que poderia desaparecer a qualquer momento, algo que “coincide” com sua mitologia. No horóscopo, dizemos que onde está Quíron é onde nos sentimos também forasteiros, estranhos, diferentes, onde não nos encaixamos: por exemplo, na casa 4 não nos encaixamos na família de origem; na 11 não nos encaixamos nos grupos e associações; na 6 e 10 não nos encaixamos em ambientes de trabalho considerados tradicionais, e é uma assinatura das profissões de cura…

Mitologia

Mas antes de entrarmos na Astrologia de Quíron, vejamos seu mito e suas implicações.

saturn and philira
Saturno e Filira – Desconheço o Autor Reprodução

O mito de Quíron tem várias versões diferentes. Às vezes ele é retratado como ancestral dos centauros, criaturas que eram metade cavalo e metade humanos. Em algumas versões os centauros descendiam de Centaurus, filho de Apolo e Estilbe, ou de Ixion e Nephele, uma nuvem feita à semelhança de Hera. Os centauros habitavam o Monte Pelion, na Tessália, região da Grécia. Na versão mais conhecida do mito, Quíron era filho de Cronos (Saturno) e da ninfa Filira, filha de Oceano e Tétis. Cronos viu Filira pela primeira vez quando procurava por Zeus, que tinha sido escondido por sua esposa Rhea. Filira tentou fugir de Cronos transformando-se numa égua. Ele perseguiu-a ainda mais e enganou-a transformando-se também num cavalo, conseguindo assim consumar a união, da qual nasceu Quíron, que tinha pernas e corpo de cavalo e torso e cabeça de homem. Quando ele nasceu, Filira ficou tão enojada e desgostosa que implorou aos deuses para ser transformada em algo diferente do que ela era. Os deuses atenderam seu pedido transformando-a na árvore Tília. Quíron foi abandonado e encontrado depois por Apolo, que se tornou seu pai adotivo. Ele cresceu forte e saudável e Apolo ensinou-lhe muitas artes. Era muito inteligente e tornou-se um professor muito sábio e respeitado, a quem todos os heróis gregos, filhos de reis e de deuses eram enviados para com ele estudar. Era musicista, profeta e um médico e curador potente, também grande herbalista e filósofo brilhante. Além disso, era correto, nobre e íntegro. Ele foi o mentor de muitos heróis gregos famosos, como Jasão, Aquiles, Hércules e Asclépio, ou Esculápio, o deus da medicina. Mesmo assim, Quíron trazia consigo o dilema intrínseco da dualidade: não era nem cavalo nem homem. Seus iguais, centauros, eram criaturas extremamente primitivas, devassas, desregradas e grosseiras. Já Quíron tinha uma natureza benigna e pacífica, portanto não se sentia à vontade entre os seus. Como não era humano, também não se sentiam completamente confortável entre os homens. Assim, sentia-se um estranho, um diferente onde quer que fosse, não conseguindo se encaixar em nenhum grupo.

Education-of-Achilles-by-Chiron-1746Um dia, Quíron se feriu numa das flechas que Hércules tinha molhado no veneno letal da Hidra de Lerna. Numa versão do mito ele teria se ferido durante uma briga entre os centauros e Hércules. Em outra ele teria se ferido por acidente. O veneno da Hidra era letal e matava instantaneamente; porém, por ser filho de um Deus, Quíron era imortal. Assim, criou-se um dilema sem solução e o resultado foi uma ferida hedionda que doía de forma excruciante, para a qual não havia cura possível. A ironia das ironias é que Quíron era um grande curador, que não conseguia curar a si mesmo, mas na sua busca por tratamento, sua habilidade em ajudar os outros aumentava – um tema comum na vida de pessoas que trabalham nas profissões de cura e ajuda – daí o título “o Curador Ferido”. Para apaziguar seu sofrimento, Quíron recolheu-se à sua caverna em busca de um mínimo de sossego.

Centaur-With-Cello
Centauro com violoncelo – Odilon Redon – Reprodução

Depois de um longo tempo sofrendo, Quíron foi finalmente liberado de seu pesadelo, sendo trocado por Prometeu, que tinha sido condenado a um destino não menos cruel por roubar o fogo dos deuses. Prometeu tinha sido acorrentado a uma rocha no Tártaro. Todos os dias um grifo, uma imensa ave de rapina – em outras versões, uma águia, o pássaro de Zeus – vinha lhe comer o fígado; à noite o fígado se regenerava e no dia seguinte a ave lá estava novamente, num processo de tortura contínuo e sem fim. Zeus havia decretado que Prometeu só seria libertado se um outro imortal concordasse em tomar seu lugar no Tártaro. Hércules, sentindo-se parcialmente culpado pela ferida de Quíron, implorou a Zeus que o deixasse morrer, trocando-o por Prometeu e Zeus acabou concordando. Assim, tanto Quíron quanto Prometeu puderam finalmente ser liberados de seus tormentos. Prometeu teve que abrir mão de sua imortalidade e usar para sempre uma coroa de salgueiro na cabeça e aliança no dedo, para lembrá-lo de seus feitos e de seu destino.

Quíron, filho de Cronos-Saturno

Marek Zyga
Marek Zyga – Reprodução

A origem de Quíron já nos diz muito a respeito de seu significado no horóscopo. Era filho de um estupro; tendo nascido de seres em mutação, era uma anomalia; tão logo nasceu, foi rejeitado pela mãe, que preferiu ser aprisionada na forma de árvore a tê-lo como filho; provavelmente nunca conheceu o pai; não se sentia pertencente a nenhum grupo.

O fato de ser filho de Cronos-Saturno também nos diz muito. Cronos-Saturno era um titã, a segunda geração de deuses, filho de Urano e Rhéa. Os titãs eram criaturas terrosas, ctônicas, primitivas, ainda cheios de falhas e limites. Assim também era Quíron: mesmo sendo metade deus, não pertencia ao Olimpo, era um Filho da Terra, e como tal, tinha uma natureza ctônica. Como diz Liz Greene, sua sabedoria era a sabedoria da Natureza e da Terra e do próprio corpo (2).Também em Astrologia, Saturno e Quíron partilham algumas similaridades. Ambos representam limites, inseguranças, sensação de inadequação e fracasso na área de vida representada pela casa e signo. A diferença entre eles é que no caso de Saturno, essas inseguranças e limites podem – e devem – ser trabalhados; eles representam áreas que viemos desenvolver e masterizar e com tempo, esforço e trabalho árduo podemos de fato nos tornar mestres e autoridades naquele assunto. Já com Quíron, isso não é possível. Somos constantemente confrontados com mazelas e dificuldades que parecem que só pioram. Quanto mais se tenta melhorar, mas a ferida se inflama e infecciona.

Centaure-lisant
Centauro Lisante – Odilon Redon – Reprodução

Metade besta, metade deus

Mesmo quando saudável, Quíron já vivia um dilema interno permanente: a dualidade inerente à sua espécie. Era metade besta e metade humano. Isso simboliza a dualidade do homem: um espírito ilimitado e imortal, aprisionado num corpo imperfeito e falho, regido por instintos e necessidades que limitam e cerceiam na sua capacidade de realização.

No mito, Quíron se fere na coxa ou no joelho e a simbologia dessa ferida é contundente: a ferida é no nosso lado animal, nosso lado mais instintivo, mais baixo e menos evoluído. Liz Greene diz: “a ferida se encontra no aspecto animal do centauro, e é na perna – a parte do corpo sobre a qual devemos nos sustentar, ou tomar posição, no mundo material. Quíron é apenas  um de uma longa lista de deuses aleijados que foram feridos nos pés, ou, em outras palavras, na sua relação com a realidade física. Toda a sua sabedoria não pode ajudá-lo, porque o veneno da Hidra é o veneno incurável do lado sombrio da vida. ”(2)

A Ferida que não Sara

Hesther-van-Doornum-Holanda__Open ArtGroup
Hesther Van Doornum Holanda – Reprodução

No Mapa Natal Quíron representa a ferida que não tem cura, não importa o que façamos para tratá-la. Quanto mais mexemos, mais dolorosa ela se torna. Representa também, como já disse acima, a área de vida onde sentimos que não nos encaixamos, onde não pertencemos e vagamos procurando “nossa turma” sem nunca conseguir encontrá-la. Pessoas que têm Quíron proeminente no mapa, conjunto a um ângulo, em aspecto com os planetas interiores – o Sol, a Lua, Mercúrio, Vênus ou Marte – são pessoas em que essa ferida é mais evidente e sentida de forma mais intensa, da qual são mais cruamente conscientes e exatamente por causa disso, elas empreendem uma busca,muitas vezes solitária, da cura para si mesmas. Incapazes de se curarem, acabam por enveredar pelas profissões de cura e de ajuda, e é assim que finalmente encontram algum alívio para suas dores, de forma indireta, através de outros com quem partilham dores parecidas. Como diz Melanie Reinhart, a maior pesquisadora em Astrologia sobre Quíron, sobre cuja pesquisa e conhecimento se baseia a maior parte do que aprendi deste assunto, “freqüentemente Quíron simboliza coisas que podemos fazer pelos outros, mas que não podemos fazer por nós mesmos. O paralelo mitológico para isso é claro, já que Quíron não podia curar a si mesmo, apesar de ser capaz de curar a outros. Por exemplo, às vezes, indivíduos com Quíron em aspecto com Mercúrio são capazes de trazer ordem e clareza a qualquer situação, exceto suas próprias vidas ou seus próprios processos mentais.” (3). Em aspecto com Vênus a ferida é nos valores, na capacidade de a pessoa se valorizar e se perceber digna de afeto e amor, uma ferida nos relacionamentos. Com o Sol “há uma ferida no senso de individualidade e propósito. Nosso senso de estar no centro criativo de nosso próprio mundo talvez seja danificado e talvez façamos outra pessoa o centro de nosso universo” (3). Em aspecto com a Lua, Quíron aponta para dificuldades com o corpo, com a nutrição, com os próprios sentimentos e com a figura materna. É muito frequente em casos de nascimentos prematuros, em que a criança foi privada do contato direto com a mãe por questões alheias à vontade desta. Marte em contato com Quíron, aponta para uma ferida na vontade e no senso de auto-defesa, talvez tenhamos sido vítimas de violência doméstica e há uma luta constante para se afirmar na vida; especialmente para os homens, há uma ferida na questão da virilidade. Estas são interpretações rápidas e genéricas de contatos com os planetas pessoais, e uma análise mais apronfundada merece um post específico para o contato entre Quíron e cada um dos planetas.

A dor e a ferida de ser Humano

guayasamin
Oswaldo Guayasamin – Reprodução

Quíron é desconfortável porque nos lembra de nossas fraquezas, de nosso lado aleijado, subdesenvolvido, nosso lado mais falível, nossa condição mais humana. Mas Quíron é sumamente necessário porque nos humaniza e nos lembra de que não importa quanto tenhamos nos aprimorado, sempre haverá algo que não tem conserto, e está certo, porque do contrário, seríamos onipotentes, invencíveis e certamente já não precisaríamos estar andando nesta terra. Quíron nos faz humanos e nos mantém humildes.

Alguns dizem que Quíron faz parte daqueles 5% de caos na tessitura da vida, aquilo que não faz nem tem sentido, não importa o quanto tentemos explicar ou fazer associações filosóficas. E nós humanos, gostamos da sensação de ordem e de sentido, porque nos faz sentir seguros. Até que façamos as pazes com Quíron e seus significados no horóscopo, podemos vagar por aí indefinidamente, defensivos, com a sensação de que a vida nos puxou o tapete por um capricho mordaz e mesquinho; gritamos que a vida é injusta e sangramos nossa energia vital tentando entender “porque” somos daquela forma, porque tal tragédia nos aconteceu. Feridos, caímos no niilismo e no desespero e resolvemos ferir também. Muitos vão vida afora seguindo este padrão venenoso, infligindo a outros o terror que eles mesmos sentem. Outros tentam fugir desse terror do niilismo, da falta de sentido com que a vida se apresenta às vezes de formas diversas. Mas a chaga continua lá, e qualquer raspão acorda toda a sorte de dores e lembranças amargas dos fracassos anteriores. Por isso, mais do que fugir desse terror e fingir que não o sentimos, mais do que tentar tapar o grande buraco da falta de sentido, é melhor trazê-lo para perto e reconhecê-lo, admitindo o potencial de loucura e de caos que a vida traz intrínseca em si. É preciso fazer as pazes com a ferida, aceitar e nos permitir ser meio toscos, meio desajeitados, abraçar nossas imperfeições e admitir que há coisas que simplesmente não fazem sentido, mas que isso TAMBÉM é parte da vida e precisa ser visto, aceito, vivenciado. Quando aceitamos a ferida, ela dói menos. Quanto mais a negamos, mais ela se inflama e cria prurido, por isso, a melhor maneira de lidar com esta chaga, é aceitá-la como parte da vida. Não podemos fazer por nós mesmos, mas podemos fazer por outros.

abraço
Tomaz Alen Kopera – Reprodução

Isso me lembra uma estória citada por Howard Sasportas em seu livro As Doze Casas: um homem tem permissão para visitar o inferno e o céu. No inferno ele vê uma mesa fartamente posta, com comidas deliciosas e suculentas, mas os comensais ao seu redor estão pobres, famintos e esquálidos e parecem desesperados, porque os talheres são demasiado longos, maiores que seus braços, de modo que é impossível comer com eles. Ao chegar ao céu, o homem vê a mesma mesa fartamente posta, mas lá as pessoas estão nutridas, satisfeitas e felizes, porque descobriram que não era possível usar os talheres para alimentar a si mesmas, mas que podiam alimentar umas às outras, assim, ninguém passa fome porque todos se ajudam mutuamente (4). Outra fábula similar é aquela sobre os seres humanos serem anjos de uma asa só, que só conseguem voar ao unir-se a outro. Assim é com Quíron, não podemos fazer por nós, mas podemos fazer por outros, e quem sabe, lá à frente nos beneficiaremos também do que estes outros têm a oferecer.

Tomasz Alen Kopera
Tomaz Alen Kopera – Reprodução

Quíron por signo e casa no Mapa Natal

Silvana Barbedo, astróloga de São Paulo, escreveu de forma aprofundada sobre Quíron e seu significado na Astrologia. Em seu blog você pode ver o significado de Quíron por signo e casa no mapa natal.

 

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA 

(1)    TOMPKINS, Sue – Tradução livre e resumida de um parágrafo de The Astrologer’s Handbook

(2)    GREENE, Liz – The Astrology of Fate – Cap. Myth and the Zodiac

(3)    REINHART, Melanie – Chiron and the Healing Journey

(4)    SASPORTAS, Howard – As doze Casas

(5)     GREENE, Liz – the Art of Stealing Fire – Uranus in the Horoscope.

 

A Semana Astrológica – Integramos ou Dispersamos?

Fabio Simone Sebastiano
Fabio Simone Sebastiano Reprodução

Semana de 2 a 8 de junho

A semana já está ficando meio velha – e peço desculpas aos leitores pelo atraso na postagem – mas ainda é tempo de atualizar a previsão do clima. Semana de grande potencial de  integração, em que, além de uma boa distribuição de elementos, todos os planetas parecem se comunicar entre si, direta ou indiretamente. Mas há também boas chances de confusão e dispersão. O céu está cheio de riscados diversos. Mas harmônicos ou desarmônicos, o que importa é o contato e a integração da psique. Um aspecto chamado difícil ainda é melhor do que aspecto nenhum!

Em Astrologuês: o Sol separa-se da quadratura a Netuno e agora quadra Quíron, enquanto faz sextil a Urano, quincunce a Plutão e trígono a Marte, que por sua vez, faz uma T-Square com Urano-Plutão e ainda quincunce a Netuno. Netuno é só paz e amor no sextil a Vênus, recebendo uma sesqui-quadratura do Sol e trígono de Mercúrio, que prepara-se para estacionar dia 6 e que também quadra Marte em Libra; Vênus, além de harmonizar-se com Netuno, também está de boa com Plutão em Capricórnio; Júpiter acelera pelo terceiro decanato de Câncer, ainda no Grande Trígono em Água com Quíron e Saturno; e por falar em Saturno, este troca cutucões desagradáveis com seu velho inimigo, Urano. No meio disso tudo, a Lua vai enchendo através dos signos de Leão, Virgem e Libra, conversando, de bons ou maus bofes, com toda a galera celestial. Emaranhamento pouco é bobagem!

fios
Reprodução

Desculpe o excesso de astrologuês no parágrafo acima, mas queria deixar claro como os planetas estão todos emaranhados, enlinhados uns com os outros, propiciando grandes oportunidades de integrarmos mente (Ar), corpo (Terra), espírito (Fogo) e coração (Água), além de vislumbrarmos a possibilidade de integrarmos ainda nossas necessidades, planos, propósitos, anseios, desejos com deveres e demandas de seres encarnados no aqui e agora. Razão e sensibilidade. Corpo e espírito. Mente e corpo. Intuição e Sentimento. 

Na segunda-feira a Lua Crescente em Leão desentendeu-se feio com Vênus em Touro, e embora este desentendimento não seja dos mais graves, leva ao excesso de indulgências, à indolência e à teimosia.

criança triste
Reprodução

Já na terça, tivemos um dia quase inteiro com a Lua ficando vazia por quase 24 horas em Leão, depois da quadratura com Saturno em Escorpião, sinalizando um dia melancólico em que nos recolhemos para lamber velhas feridas reabertas por um senso de desaprovação e desautorização vindas da figura paterna. 

delicadeza
Reprodução

Quarta a Lua entra em Virgem, e apesar da oposição a Netuno, conta com o apoio amigável da recepção mútua e do sextil com Mercúrio em Câncer, harmoniza-se também com  Vênus em Touro, com Saturno em Escorpião e ainda com Plutão em Capricórnio. Um dia propício a manifestar criatividade e beleza de forma bem concreta e talvez consigamos um saldo final positivo, em que conseguimos ativar nossa criatividade, imaginação, compaixão e capacidade de nos colocar a serviço do Todo. Tempo de gentileza e delicadeza. 

A quinta-feira fica ainda mais movimentada: a Lua forma um Grande Trígono em Terra com Vênus e Plutão e ao opor-se a Netuno temos uma configuração em Pipa com o Grande Trígono em Água. A quinta também traz dois Yods (Dedos de Deus), formados por Lua-Saturno-Urano, e Sol-Urano-Saturno. Ficamos “espalhados” em vários direções e várias ocupações e assuntos diversos demandam nossa atenção e energia. Ao mesmo tempo que há potencial para integração, há também para dispersão e desperdício, pois podemos nos quedar paralisados com tantas demandas práticas, emocionais, relacionais, etc. É preciso sair de casa bastante centrado para aproveitar o melhor destas influências – aliás, aproveite a quarta e a sexta para recuperar-se da pasmaceira do início da semana e produzier, porque depois que Mercúrio ficar retrógrado, demora um pouco para adaptar-se ao novo modus operandi e podemos voltar à pasmaceira por mais alguns dias.

fios 2
Reprodução

Na sexta temos outro dia inteiro de Lua vazia no fim de Virgem, além dos dois Yods e ainda Mercúrio estacionando em Câncer já às 08h57min, tornando a sexta um dia ainda mais atípico, em que vários imprevistos podem acontecer. Dica útil: faça back-ups dos sistemas e computadores com antecedência! 

No sábado Mercúrio entra oficialmente em retrogradação às 08h56min voltando ao movimento direto somente no dia dois de julho. Fios e linhas cruzados, mal entendidos na comunicação, atrasos diversos, entraves, mas acima de tudo a proposta de REvisar, REver, REanalisar, REavaliar tudo com o que estivemos envolvidos e todas as atividades desde fevereiro… Tudo requerendo de nós muita paciência e serenidade!

De modo geral o fim de semana tende a ser um tanto tumultuado, com  a Lua em Libra unindo-se a Marte e movimentando a T-Square Urano-Marte-Plutão, além dos dois quincunces já mencionados, e da exatidão da dolorosa quadratura Sol-Quíron, que pode ressuscitar melindres e inseguranças no sábado e domingo. Um fim de semana que pede calma e compreensão mútua, do contrário, mútuas serão as mágoas. 

Uma ótima semana para você!

Eugene de Blaas, 1843-1932
Eugene de Blaas, 1843-1932 Reprodução