Archive | outubro 2014

A Origem do Halloween

jackolanternO Halloween, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma festa americana. A cultura americana se apropriou da festa, especialmente da parte vendível. Halloween vem de “All Hallows’ Eve” ou a noite de todos os Santos, que inicia o tríduo Hallowmas, a celebração  dos santos e mortos. A data atual de Hallowmas, ou Dia de Todos os Santos, teria sido estabelecida pelo Papa Geregório III. Alguns estudiosos e pesquisadores, porém, afirmam que o festival de Hallowmas ou Halloween é uma apropriação cristã da festa pagã de Samhaim, uma festa de origem Celta. Os Celtas acreditavam que nesta data os mortos podiam andar entre os vivos e que os vivos poderiam visitar seus mortos.

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Samhaim, que significa “sem luz” ou “fim do verão”, era considerada uma Noite Sagrada e marcava o fim de um ano e o começo do outro, o fim das colheitas e o inicio do outono/inverno no Hemisfério Norte, o período de dias mais curtos, período de escuridão e repouso da Terra, associado com a morte e a esterilidade. Todo o mês de novembro era dedicado aos mortos. Dinheiro era coletado e guardado para ser dado aos mortos, assim como comidas diversas eram deixadas nas encruzilhadas para que os falecidos pudessem vir buscá-las. Havia fogueiras, que tinham a intenção de ajudar a alumiar o caminho dos mortos até o Outro Mundo e de afastar os espíritos maus.

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A festa era associada com maçãs, nozes e árvores de avelãs; isso porque as avelãs eram símbolo de sabedoria e continham todas as artes e ciências. A aveleira era uma das sete árvores sagradas dos irlandeses, assim como a macieira, que era considerada a árvore da imortalidade. Da macieira dizia-se que levava as almas à terra dos imortais, que se alimentavam com o fruto da vida e da infinita felicidade. As festividades de Samhaim aconteciam em pomares de maçãs e aveleiras.

Os Druidas sacrificavam uma ovelha negra e ofereciam libações àqueles que haviam morrido durante o ano. As foices e ferramentas de colheitas eram guardadas. Novembro era também um mês de morte e sacrifícios para os Anglos e os Teutônicos, que faziam sacrifícios de animais.

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No dia 31 de outubro os mortos levantavam-se, então, e vagavam pela terra. Lorde Samhaim, o Senhor da Escuridão chegava em busca dos espíritos para levá-los para o Mundo inferior. As pessoas usavam máscaras para espantar para longe os maus espíritos e esculpiam nabos para colocar velas acesas dentro. Os imigrantes descobriram na América que abóboras eram mais práticas de se esculpir do que os nabos, daí o surgimento do “Jack O’ Lantern”, a abóbora esculpida com uma lanterna dentro.

Neste período de transição, dizia-se que as fronteiras entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos tornavam-se muito tênue e estes dias eram considerados especiais e de energia poderosa. Por isso mesmo, para as bruxas, é um período em que os véus que separam mundos tornam-se extraordinariamente finos e é possível aprender os mistérios dos Reinos de Hécate, já que este é seu festival.

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A tradição de se vestir e fantasiar neste dia talvez remonte ao período em que as pessoas se disfarçavam e usavam máscaras para sair pedindo comida de porta em porta, diz o folclorista John Santino. O folclorista diz ainda que foram os Irlandeses que trouxeram o festival para os Estados unidos.

“Ao longo dos séculos várias entidades sobrenaturais – incluindo bruxas e fadas – foram sendo associadas com o Halloween e mais de um século atrás, na Irlanda, dizia-se que o evento era um período em que os espíritos dos mortos podiam retornar aos seus velhos locais de assombração. Então vestir-se e fantasiar-se de fantasma e bruxa virou moda e tornou-se mais comercial.”

Praticantes de Wicca, bruxas, círculos de mulheres e místicos em geral celebram o Festival de Samhaim e fazem rituais diversos.

Feliz Samhaim, Hallowmas, Halloween! Feliz Dia das Bruxas!

Feliz Dia de Todos os Santos!

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Fontes:
1 – Elisabeth Brooke, A Woman’s book of Shadows
2 – livescience.com
3 – Wikipedia

Vênus Cazimi – No Coração do Sol

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Stanisław Wyspiański – Eos, Phosphoros, Hesperos, Helios, black-coloured pencil drawing, The National Museum in Warsaw, 1897 – Reprodução do Wikipedia

VÊNUS CAZIMI

Vênus teve neste sábado a Conjunção Superior exata com o Sol (a conjunção Superior se dá com Vênus em movimento direto, quando o Sol está entre Vênus e a Terra), mas ela está no coração do Sol desde a madrugada de sexta-feira e permanece aí até a manhã de domingo, tendo sua expressão realçada pelo poder e pela luz do Sol, assim como influencia e fortalece a consciência solar. William Lily dizia que um planeta em conjunção CAZIMI (até 17 minutos de distância do Sol, de qualquer dos lados) é “um conselheiro confiável do Rei e tomado em seus círculos mais íntimos e na sua mais profunda confiança”(1).

Com Vênus Cazimi é tempo de renovar a confiança em nossos objetivos e propósitos, como simbolizados pelo Sol. Neste período há maior possibilidade de atrações magnéticas acontecerem, de encontrarmos benfeitores que ajudam nossas causas, de encontramos amor, especialmente o amor próprio, renovando nossa auto-estima. A beleza e o amor são iluminados pela luz do Sol e seus raios podem dar vida nova a desejos longamente acalentados.

Como sempre, há o potencial de dificuldades, e estando tão próxima do Sol, em Escorpião, algumas das possibilidades é um aumento significativo no ciúme, possessividade, desejo de poder e controle. Aumento e intensificação também do desejo sexual e das paixões com uma carga obsessivo-compulsiva.

Muitos autores consideram que é na Conjunção Superior que tem início o ciclo sinodico de Vênus, um ciclo que ao longo de oito anos forma o desenho de uma estrela de cinco pontas, um pentagrama. Por estar tão próxima ao Sol, Vênus fica “invisível” no céu por cerca de cinqüenta dias, tendo desaparecido do céu matinal por volta do dia 19 de setembro. Até então ela era Vênus Phosphoros, a Estrela da manhã. Daqui a algumas semanas ela se tornará Hesperos, a Estrela Vespertina. Mas enquanto permanece em conjunção com o Sol, ela está na sua posição considerada “superior”, porque esta conjunção é a mais distante da Terra. Nesta posição, diz-se “que ela está mais próxima às energias refinadas das esferas celestiais” (1).

Para saber em que área da sua vida o poder magnético da conjunção Cazimi de Vênus tem efeito, verifique em que casa do seu mapa natal você tem Escorpião. A conjunção se dá entre os graus 0 e 3 deste signo.

Aproveite as boas vibrações!

(1) Vênus Cazimi, de Mary Plumb, em The Mountain Astrologer

Nota: Escrevi um artigo sobre o ciclo de Vênus em janeiro último, quando Vênus estava retrógrada. Você pode ver este artigo aqui:
http://mariaeunicesousa.com/2014/01/12/venus-retrogrado-em-capricornio-o-tempo-como-tesouro/

Mercúrio Direto: Avante!

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Mercúrio estacionou ontem às 17h17min e voltou ao movimento direto hoje às 17h17min. Na verdade, tecnicamente, Mercúrio está estacionário até amanhã às 17h17min, e nestas 24 horas sua ação é extremamente potencializada. Richard Idemon dizia que um planeta estacionário é similar a colocar a mão sobre o fogo de uma vela e retê-la ali. Se você apenas passa a mão sobre o fogo, sentirá um calor, mas não se queimará, mas se demorar a mão sobre ele, o calor pode ser insuportável e você pode sim, se queimar. Assim é um planeta estacionário, um calor e uma ação intensa. Portanto, podemos esperar coisas extraordinárias em termos de informações, comunicação, insights, nas próximas 24 horas.

Interessante termos essa movimentação justamente no dia das eleições no Brasil. O mensageiro dos deuses estará a postos, e esperamos que vigilante. Esperamos ainda que o Grande Trickster não resolva pregar das suas traquinagens neste processo eleitoral, e traga apenas a verdade à tona. Até o dia 10 de novembro Mercúrio ainda trafega na zona de retrogradação, e somente então estará em sua plena forma – para nós significará acordar de um longo sono e esse acordar pode ser bastante decepcionante, dependendo de decisões que tenhamos tomado nestas últimas semanas. Até lá, ainda convém manter pensamentos e palavras em cheque.

Geminianos e Virginianos podem comemorar e literalmente, respirar um pouco melhor, já que, sendo regidos por Mercúrio, tendem a sentir de forma mais aguda a retrogradação deste planeta. Já as pessoas que têm Mercúrio retrógrado natalmente podem também voltar à superfície depois de mais este mergulho – acredito que quem tem Mercúrio Rx no mapa natal é menos afetado por “eventos” externos e muito mais pelas alterações de humor e introspecção durante os períodos em que Mercúrio viaja em marcha à ré.

Avante!

Imagem: maria Eunice Sousa

Lua Nova e Eclipse Solar em Escorpião: a vontade e o destino

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Birth Chart Painting – Reprodução

O grau zero de um signo, assim como o último grau, é considerado um grau crítico porque contém a essência pura e extrema do signo em questão. É a introdução do estudo, do livro, da fala, que sumariza o objetivo do livro inteiro. O grau zero do signo mostra a que ele veio. É uma energia extrema e concentrada, que quer ser vista, reconhecida e endossada. Imagine então termos uma Lua Nova que é também um eclipse solar com três planetas conjuntos no grau zero de Escorpião, o signo por excelência da concentração de energia? Pois assim se dá esta Lua Nova super potente de hoje (23 de outubro de 2014, Lua Nova a 19h56min e Eclipse Solar a 19h46min – Horário Brasileiro de Verão, Brasília), Lua Nova que é também o último eclipse do ano de 2014, e o último eclipse em Escorpião com Saturno ainda neste signo, o que vem destacar todo o trabalho empreendido por Saturno nos últimos dois anos na área da intimidade, dos sentimentos, da sexualidade, dos tabus, etc.

E o que simboliza Escorpião? Escorpião é o signo da morte e do renascimento. Da regeneração, da reciclagem, da consciência dos ciclos de vida e morte. É também o signo onde, depois de termos encontrado um parceiro em Libra, vamos ao quarto de dormir para “conhecer” este parceiro mais intimamente – podemos até usar o verbo “conhecer” no sentido bíblico. É pois, o signo do sexo, no sentido em que é a maneira mais íntima de se conhecer alguém – isso se se permite a entrega absoluta, claro. Se é um parceiro de negócios, em Escorpião partilhamos com ele os bens, o dinheiro, a conta bancária – não é por acaso que dinheiro e sexo  são tão intimamente associados, pois é em Escorpião que eles se encontram. Escorpião é ainda o signo do sobrevivente, daquele que não sucumbe e que morre muitas vezes numa mesma vida, para renascer outras tantas, completamente regenerado e pronto para outro ciclo de atividade intensa. É, assim, o signo dos fins e dos recomeços, entre muitas outras coisas. Escorpião tem uma noção tão clara dos ciclos e da finitude da vida, que se sente que uma situação se estagnou, ele próprio provoca sua destruição e seu fim, mesmo que isso signifique sua própria morte e aniquilação. Por isso, o inseto escorpião é quem o nomeia, além de ter também a serpente como um de seus símbolos. Isso é Escorpião, uma energia de morte tão poderosa quanto é a da vida.

Christian Schloe The siren

Christian Schloe Digital Art – The siren – Reprodução

Indo além e analisando o mapa da Lua Nova e Eclipse Solar, vemos que há uma grande ênfase no elemento Água, o elemento dos sentimentos, da intimidade, da subjetividade. Isso porque, depois de várias semanas com ênfase em Ar, três planetas ingressaram hoje em Escorpião: o Sol, às 09h58min; Vênus às 18h52min e a Lua, que ingressa às 19h10min, além de Saturno que já está neste signo há dois anos e de Netuno e Quíron em Peixes. Toda essa Água, especialmente a água escorpiônica, fala de um momento denso, de transformação visceral, nos níveis mais profundos da psique, de nossos sentimentos e vivências, na forma como experimentamos o mundo e como sobrevivemos nele. Temos no momento apenas Mercúrio em Ar, e ainda debilitado, retrógrado, prestes a estacionar para voltar ao movimento direto, o que torna as energias ainda mais densas, ainda mais que Mercúrio está enredado numa Cruz T com Urano e Plutão. Falta objetividade, lucidez, clareza, enquanto sobra subjetividade, passionalidade, instinto. Falta ainda realismo e pé no chão, já que Plutão em Capricórnio é o único planeta em Terra. A Mercúrio, como único tom em Ar, cabe a função da reflexão introspectiva, cabe maturar, mediando os reinos conscientes e inconscientes da vivencia na vigília, e a ponderação cuidadosa das escolhas já feitas e daquelas que estamos ensaiando. Porém, estando Mercúrio tão pressionado, há dúvidas quanto à “quantidade” de racionalidade de temos à nossa disposição, por assim dizer.

Lua Nova e eclipse solar Escorpião 2014

Lua Nova e Eclipse Solar em Escorpião – 23 de outubro de 2014, Lua Nova a 19h56min e Eclipse Solar a 19h46min – Horário Brasileiro de Verão, Brasília

Essa Água toda é ainda realçada pelos dois únicos aspectos maiores que a Lua Nova faz. Um é a conjunção com Vênus, que está apenas alguns minutos atrás do Sol e da Lua – embora Vênus seja considerada um planeta benéfico, em Escorpião ela também não está na sua melhor forma, tendo ação mais sombria e introspectiva. O outro aspecto é um trígono a Netuno em Peixes, e este trígono, mesmo sendo um aspecto visto como “harmonioso”, não muda a natureza de Netuno, que sensibiliza, confunde, nubla, ilude. E, claro, conforme falamo no início, há três planetas no grau zero de Escorpião, tornando as qualidades representadas por este signo muito importantes aqui.

Outro ponto preocupante é que Marte, o regente primeiro de Escorpião, está “fora de limites” por declinação, viajando a 24°55’ ao Sul. Um planeta está “fora de limites” quando cruza o limite máximo do caminho do Sol, seja ao Norte ou ao Sul. No seu caminho anual, o Sol se desloca até 23°26 graus ao Norte ou ao sul do Equador, voltando na direção contrária ao atingir este limite. A maioria dos planetas do sistema solar mantém-se dentro destes limites a maior parte do tempo, mas eventualmente algum deles ultrapassa essa fronteira, e é então chamado de “fora dos limites”. O que significa isso? Ora, a expressão fala por si mesma! Sem limites! Explico: o Sol é considerado a autoridade máxima num mapa astrológico, isso porque representa a consciência, o senso de propósito; é um centro controlador e norteador de toda a personalidade. É como o Rei e o reino está sob seu domínio e jurisdição, arquétipo, aliás, associado ao Sol. Se um planeta vai além dos limites do Sol, significa que está fora do seu controle, fora dos limites da autoridade máxima, que “deixa o caminho bem trilhado controlado pela autoridade central (o Sol) e desaparece na floresta sombria” (2), fazendo o que lhe der na telha, tendo ação extremada, voluntariosa, selvagem, quebrando todas as regras e agindo somente a partir de si mesmo. Agora, se lembrarmos que Marte já é instinto puro e que já é impulsivo e precipitado sob a condução do Sol, imagine então se estiver “fora dos limites”! Torna-se um fora da lei, o que significa resultados imprevisíveis na ação durante o período em questão. A meu ver, o fato de Marte estar fora de limites aumenta a subjetividade dessa Lua Nova. O que nos remete ao eclipse em si.

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Geometria de um eclipse solar – Wikipedia – Reprodução

E que é um eclipse solar? Num eclipse solar a Lua interpõe-se entre a Terra e o Sol, bloqueando e “ocultando” a luz solar sobre a Terra. Como dissemos acima, o Sol representa a consciência, o centro regulador da personalidade, assim, num eclipse solar temos diminuída a objetividade e a consciência solar e aumentadas a subjetividade e a sensibilidade lunares.

O que quero dizer com tudo isso? Que este é um eclipse difícil de se prever os efeitos e os resultados, pois nos guiamos mais pelo instinto e pelas paixões, tendo pouca objetividade e consciência do que estamos fazendo; tem uma qualidade compulsiva e extremada neste eclipse, sinalizada de várias formas, aumentando a intensidade com que é sentido.

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Série Saros 17 New North

Referindo-me aos estudos da Dra. Bernadette Brady (1) sobre eclipses, encontro que este eclipse pertence à Série Saros 17 new North, a mesma série do eclipse de duas semanas atrás. Como eu dizia no post de então, analisando o mapa inicial desta Série Saros, percebe-se que o tema do desejo e da paixão é intrínseco a esta família de eclipses.  O mapa inicial desta série, que se inicia em 28 de julho de 1870, às 11h18min (GMT) mostra “Vênus conjunta a Marte enquanto o Nodo ocupa o Ponto Médio entre a Lua Nova e Vênus e entre a Lua Nova e Marte, assim como o Ponto Médio entre Mercúrio e Vênus”, diz Brady. Sua interpretação é a seguinte: “Esta série traz uma energia impulsiva aos eventos. As socializações se tornam agitadas emergem questões que motivam o indivíduo. Esta motivação pode ser relacionada a projetos financeiros ou a questões de relacionamentos. Qualquer que seja a motivação, ela é impulsiva, passional e excitante” (1). Havendo uma conjunção Vênus-Marte, aumenta-se a passionalidade e a impulsividade. Neste mapa de hoje, Marte e Vênus estão em sextil próximo, mas fora de signo (fora de signo porque Escorpião, signo em que Vênus está, faz sextil natural com Capricórnio e não com Sagitário, onde Marte atualmente trafega). De qualquer forma, em Escorpião Vênus está submetida a Marte e é profundamente visceral e intensa.

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Blissnow – Reprodução

Tudo isso vem significar para mim que muitas das transformações que ocorrem na psique e ao nosso redor, talvez aconteçam à nossa revelia, à revelia da consciência solar, obedecendo mais ao ritmo do inconsciente, a um “se deixar levar, se deixar ser guiado”. Isso não quer dizer que podemos simplesmente relaxar e fazer nada. Muito pelo contrário! Aqui é que precisamos ficar mais atentos e vigilantes, para não sermos tomados por impulsos instintivos e talvez até destrutivos. As energias intensas deste eclipse obscurecem a lógica, a lucidez, a objetividade, demandando que entremos em meditação, que estejamos ancorados e tentemos alcançar um centro de serenidade, para que estejamos prontos a entregar o que nos for pedido, seja lá o que isso for, evitando, ao mesmo tempo, atuar por impulsos irracionais e paixões cegas. É preciso alcançar um equilíbrio delicado entre o estado de presença e inteireza de quando estamos plenamente conscientes do que somos e do que fazemos e o estado de rendição e humildade de quem se permite ser trabalhado e ser transformado – exatamente como um Escorpião positivo, que é, ora catalizador de transformação, ora submetido a ela de forma inexorável. Há coisas que precisamos deixar para trás, abrir mão, permitir que sejam eliminadas e extintas, até mesmo eliminado-as de forma ativa e consciente; e há outras coisas que talvez sejam tiradas e eliminadas de nossa vida à nossa revelia e tudo o que podemos fazer é concordar com o novo, confiando que a Consciência Maior sabe o que faz. Ativamente precisamos limpar as gavetas, os quartos, os porões, os quintais, sabendo que haverá coisas que não conseguiremos jogar fora, por um motivo ou outro, e que, se tais coisas forem arrancadas de nós, devemos deixá-las ir, sem perder a cabeça, o tino, a razão, estando leves, com pouca bagagem, prontos e dispostos a embarcar numa nova viagem, numa nova aventura quando ela bater à nossa porta.

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Desconheço o autor – Reprodução

Falando em aventura, o Símbolo Sabiano para o grau zero de Escorpião onde ocorre o eclipse e onde temos os três planetas em conjunção exata (Vênus, Lua, Sol) tem a seguinte imagem: “um ônibus de passeio repleto de turistas”.  Lynda Hill diz que este símbolo fala “de tomar o mundo através dos sentidos: visão, paladar, tato, olfato… Observando-se e entrando em contato com o que está acontecendo; pode haver uma sensação de saber o próprio destino, de se ter um mapa ou guia, mas sem saber qual é o destino realmente; de se sentir guiado e protegido, mas há o sentimento de ser um mero observador e às vezes, de ser observado. Há também a sensação de se estar separado do que está acontecendo em volta. Provavelmente levaremos souvenirs e tiraremos fotos da viagem. A dica deste grau é jogar-se na vida, alcançar todos os tipos de aventuras, e, acima de tudo, aproveitar o passeio. Observar a vida. Ver como as pessoas vivem. Timing. Ser pontual. Assistir de longe. A estada não tentada e não trilhada, ou o mesmo caminho. OVNIS e extraterrestres”. Hill ainda alerta para tomarmos cuidado com “sentimentos de ingenuidade e credulidade; sentir-se alienígena mesmo no ambiente familiar; sair da própria profundidade; ansiedade de separação; incapacidade de concentração”. (3)

Como vemos, é questão de concentrar a energia; de equilibrar a vontade e a escolha pessoal sem deixar de aproveitar o passeio, jogando-se na vida com ímpeto e confiança, sem nos tornarmos crédulos e ingênuos. Experimentar o mundo e a vida a partir das próprias sensações, da própria subjetividade, sim, mas sem deixar de ter um distanciamento mínimo, sem se identificar demasiadamente com o que experimentamos e sentimos. Por fim, somos confrontados com a escolha entre a estrada não experimentada, ainda não tentada ou seguir pelo mesmo caminho – o que não quer dizer que seja ruim só por ser conhecido.

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Christian Schloe Digital Art – I am a bird now – Reprodução

Para termos esse senso de timing, de estarmos prontos quando a vida nos requer, é preciso estar inteiro, completamente presente, aproveitando o que há ao nosso redor, sem, no entanto julgar, nem nos identificar com nada, exatamente como nos estados meditativos profundos. Um raro e delicado equilíbrio entre a subjetividade, vontade e intenção consciente e a Vontade maior chamada Destino. Este estado meditativo ajuda também a conter e lidar com a ansiedade e a intensidade do momento sem que isso cause estragos desnecessários.

Se conseguimos este delicado equilíbrio, temos chance de ver descortinada à nossa frente uma vida nova, transformada, regenerada, renovada, de novas e mais autênticas intenções. Assim, é, escolher o trajeto e aproveitar o passeio, estando inteiro no momento presente.

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Christian Schloe Digital Art – New Born – Reprodução

NOTA: Pessoas com planetas nos últimos graus, ou nos últimos dias dos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra, Capricórnio) e nos primeiros graus e primeiros dias dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) sentem as energias deste eclipse de forma mais intensa.

(1) Bernadette Brady – The Eagle and The Lark – Predictive Astrology

(2) Lunarium – The out of bounds planets

(3) Linda Hill – Sabian Oracle

A Semana Astrológica – Regeneração à vista!

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Rosto em escultura Bliss Now – Reprodução

Semana de 20 a 26 de outubro 

Semana super especial começando, de muitas movimentações astrológicas importantes e do round final das eleições 2014. Temos a Lua Nova e um eclipse parcial do Sol no grau zero de Escorpião na quinta, 23 – para nós o eclipse ocorre à noite, portanto, não é visível no Brasil. Este eclipse certamente afetará os resultados das eleições, que ainda são impactados pela mudança de movimento de Mercúrio, que fica direto no domingo – olha só que “coincidência”!

Três planetas mudam de signo esta semana: Sol e Vênus entram em Escorpião – no dia do eclipse – e Marte entra em Capricórnio, signo de sua exaltação, no domingo, quando Mercúrio finalmente volta ao movimento direto.

Como se não bastasse tudo isso, acontece no sábado conjunção superior do Sol e de Vênus e Mercúrio, em movimento retrógrado, passa a semana em conjunção com o Nodo Norte da Lua, além de voltar a formar uma Cruz T Com Urano-Plutão, e de fazer sextil com Júpiter em Leão. Realmente, semana extremamente passional, de emoções e acontecimentos intensos, críticos e vitais!

Sol e Vênus conversam pacífica e animadamente com Marte em Sagitário, sinalizando uma semana boa para alinhavar objetivos e ação, além de ser favorável para se buscar novas parcerias.

A Lua abre a semana na fase Balsâmica e é Nova na quinta, 23. Viaja então por Virgem, Libra, Escorpião e Sagitário e faz aspectos diversos com os demais astros.

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Christian Schloe – Into the Night – Reprodução

Depois de um domingo bem modorrento e nostálgico, a SEGUNDA-FEIRA começa com a Lua totalmente escura e Balsâmica em Virgem, opondo-se a Quíron em Peixes na primeira hora da madrugada. Faz ainda um quincunce a Urano e à noite se aproxima de uma quadratura a Marte. Tudo isso faz da segunda uma forma meio ingrata de começar a semana. Temos o ímpeto inicial de ser diligentes, prestativos e produtivos, mas fica aquela sensação de desencaixe, de coisa que emperra atrapalhando o andamento das outras atividades. É bom nos armarmos de paciência e mesmo retraídos, tentarmos olhar as coisas com bom humor, ou no mínimo, com serenidade. Ficar reclamando e bodejando só vai minar ainda mais a energia e a disposição, criando uma aura malévola e azeda ao nosso redor. Serenar a vida e a alma, é a pedida do dia.

Na TERÇA-FEIRA, 21, o clima está um pouco mais tenso, pois a Lua Balsâmica, escura em Virgem, é obrigada a sair de seu casulo para um embate com Marte em Sagitário, ficando vazia muitas horas, da 01h32min da manhã,até as 09h12min quando entra em Libra. Os sonhos ficam tumultuados e o sono não surte seu efeito regenerador. Durante o dia, já em Libra, a Lua se envolve numa Cruz T com Urano-Plutão, que fica exata somente no dia seguinte, mas cuja tensão se faz sentir de forma inequívoca desde a terça. Para atrapalhar um pouco mais, a Lua faz ainda quincunce a Netuno em Peixes. Dia puxado e um tanto exaustivo, mas excelente para dar cabo do que quer que estejamos postergando.

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Christian Schloe Digital Art – Lost in Dreams – Reprodução

QUARTA-FEIRA a Lua digladia de vez na Grande Cruz com urano e Plutão. A Lua cutuca Quíron em Peixes e ainda acena para Júpiter em Leão, enquanto cochicha com Mercúrio retrógrado, com ares de conspiração. Com uma ferocidade insuspeita para Libra, resolvemos peitar os problemas e lidar com eles de frente, dando arremates finais e tiros de misericórdia em situações arquejantes que precisam ser definitivamente aniquiladas e sem direito a retornar para nos assombrar depois. Dia perfeito para tirar uns minutinhos para meditar e tentar escutar as ultimas descobertas e reflexões mercuriais sussurradas pelo Trickester.

A QUINTA-FEIRA começa intensa com a entrada do Sol em Escorpião às 9:58 e essa tensão vai crescendo durante o dia, adquirindo magnetismo, força e calibre com a entrada de Vênus também neste signo, e culminando com a Lua Nova e Eclipse Solar em Escorpião, às 19:56.  Um eclipse em Escorpião coloca os relacionamentos novamente na berlinda, desta vez de outra perspectiva, a dos valores compartilhados e a da intimidade. Um eclipse sempre traz a oportunidade de transmutação de formas antigas de vida, especialmente quando se dá em Escorpião. Purgação, eliminação e regeneração estão na ordem do ciclo que se inicia.  

Nova e ainda em Escorpião, a Lua sai para sua próxima viagem, para coletar informações para seu Senhor Sol. Na SEXTA-FEIRA ela faz trígono com Netuno em Peixes, sextil a Plutão em Capricórnio e quincunce a Urano em Áries. Sol e Vênus, juntinhos, começam também um trígono a Netuno. Um dia de grande introspecção, em que nossa sensibilidade ainda está bastante aflorada. Argutos, sagazes, preparamos nossas estratégias do ciclo. Dia para matutar sobre as coisas, no segredo do coração, sem se espalhar. O Segredo é a alma do negócio!

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Brooke Shaden Photography – Reprodução

No SÁBADO acontece a Conjunção Superior de Vênus com o Sol, conjunção que remonta à última, Inferior, que ocorreu ainda na fase retrógrada de Vênus, em janeiro deste ano. Com Vênus em conjunção ao Sol um novo ciclo relacional se inicia e ela começa a ascender para se tornar a estrela vespertina, e brilhar, fulgorosa, no céu noturno – desde janeiro Vênus vinha se mostrando como a Estrela da manhã, a Estrela Dalva. A Lua faz pareia com Saturno em Escorpião e se entrincheira contra Júpiter em Leão, enquanto Mercúrio estaciona em Libra, ainda oposto a Urano em Áries e quadrando Plutão em Capricórnio. Dia decisivo na corrida eleitoral e muitas revelações de última hora são jogadas no ventilador. Se elas são verdadeiras ou mera demagogia para manipular a opinião de votantes, isso lá é outra estória.

Mercúrio retrógrado desde sexta-feira, volta, finalmente a se mover para a frente no DOMINGO! A Lua Nova entra em Sagitário e quadra Netuno em Peixes, enquanto Marte torna-se mais uma peça fundamental a influenciar o resultado das eleições ao entrar em Capricórnio. Chega o grande dia tão ansiosamente esperado há tantas semanas, seja porque acompanhamos, engajados, o desenrolar das campanhas e o desempenho de nossos candidatos, seja porque estamos fartos do lixo eleitoreiro que se imiscuiu em nossas vidas, relações, amizades, afeições. Considerando-se a influencia Netuniana de novo, é recomendável fazer uma meditação ou pelo menos assentar a cabeça antes de pegar o título de eleitor para ir votar. Lucidez e clareza, é o que devemos pedir aos deuses, não só para nós mesmos, mas para todo o povo brasileiro. Que cada um faça sua parte e exerça seu direito democrático, lembrando de respeitar o direito do outro. E o resultado? Que seja feita a Vossa Vontade, a Vontade do Inefável, que sabe sempre o que é melhor para todos.

Linda semana de muita regeneração para você!

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Imgfave – Pinterest/Flickr – Reprodução

Mercúrio retrógrado e a desestabilização de nossas certezas

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Hermes-Mercúrio – Givanni Tiepolo – Domínio Público

AVISO: Este artigo foi escrito por Adam Elenbaas, astrólogo norte-americano, fundador da escola Nightlight Astrology. O artigo foi orginalmente publicado em sua página no Facebook, em 04/10/2014, dia em que Mercúrio ficou retrógrado em Escorpião. Supreendentemente para muitos, o Sr. Elenbaas casou-se no dia 11/10/2014, sob retrogradação de Mercúrio e discute este assunto no presente artigo. A tradução e postagem neste blog foi gentilmente autorizada pelo Sr. Elenbaas. As observações entre parêntesis são minhas. Caso queira ler o artigo original, em inglês, o leitor o encontrará aqui, na página do Sr. Adam Elenbaas, no Facebook

Abaixo segue o artigo de Adam Elenbaas:

Mercúrio fica retrógrado em Escorpião hoje. É um ótimo momento para discutir a mitologia de Hermes e eliminar algumas das campanhas negativas que circundam os períodos de retrogradação de Mercúrio.

Uma das primeiras coisas a notar a respeito de Hermes na mitologia grega é que, mais do que um viajante, ele é um “jornadeador”, um viandante. Enquanto um viajante tem um objetivo, uma missão, ou um ato heróico a executar, um “jornadeador” ou viandante é alguém para quem o movimento é uma constante, e objetivos, não importa quão nobres ou elevados, são freqüentemente rejeitados por causa de sua natureza limitadora. Mercúrio representa a mudança súbita de enredo que proporciona uma saída estranha de uma linha de história determinista, ou uma abrupta abundancia de oportunidades em contraste com um sentido demasiado restritivo de fado ou destino que esteja possuindo nossa consciência.

É tão fácil para nós planejar o futuro e viver o presente de acordo com idéias preexistentes! Muitas vezes nos sentimos obrigados a um certo destino ou curso de ação e esquecemos que há pastos verdes nos circundando por todos os lados, se apenas conseguirmos abrir nossos olhos.

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Mercure – Odilon Redon – Reprodução

Hermes, não coincidentemente, regia o sono, encantamento, sonhos e o súbito estalar de dedos que nos acorda.

Então, quando falamos, durante períodos de Mercúrio retrógrado, de planos de viagens cancelados ou atrasados, ou colapsos na comunicação ou no fluir de eventos e atividades planejados, nós estamos errando o alvo. De fato, estamos tentando permanecer adormecidos com estas explicações. Pois em todos estes eventos, o gesto de Mercúrio sempre aponta em direção à multiplicidade ilimitada e transbordante de opções das quais, por quaisquer razões, estamos nos esquecendo. Portanto, é importante que não lamentemos, reclamemos ou discursemos contra Mercúrio quando as coisas colapsam nesses períodos. Ao contrário, devemos voltar nossos olhos para o deus de pés alados e aprender a prestar atenção às alternativas interessantes e à imediata liberdade que ele traz.

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Mercúrio – Museu Britânico – Reprodução

Entretanto, isso não quer dizer que Hermes era sempre benéfico ou gentil com os gregos. Hermes era um deus que levava as pessoas para passeios, apreciava enganos, trapaças e mentiras, que tinham o propósito de serem lições; ele adorava pegar as pessoas com as calças arriadas, por assim dizer. O que nos parece um infortúnio, em outras palavras, pode parecer algo mais para Mercúrio. Por exemplo, quando Hermes se depara com uma tartaruga fora da caverna em que nasceu, ele conversa com a tartaruga e se encanta em saber que seu maior benefício está na sua morte (que é quando ele mata a tartaruga e inventa a lira).

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Maria Eunice Sousa

Durante a retrogradação de Mercúrio, às vezes há uma sensação de que alguém com um senso de humor doentio está tentando estragar tudo para nós. Mas se nós aprendermos a apreciar comédia de humor negro de Mercúrio, então a morte metafórica ou as avarias que vivenciamos tornam-se a elaboração simultânea de um instrumento mágico. Hermes está sempre nos dando presentes ao tirar de nós coisas que nos são caras ou que mantemos conosco por causa da mais teimosa e idiota ignorância. Ele é como a flatulência na aula de yoga que vem da pessoa mais metida à besta, que é totalmente fútil e que arruína tudo para todos. E se ele consegue lhe convencer, então você vai rir junto com ele na próxima vez que a pessoa for você!

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Loggia di Psiche – Raffael – Reprodução

A estória de como Hermes foi criado também é importante porque Hermes nasceu de um romance entre Zeus e uma ninfa, escondida numa caverna secreta. Hermes é, portanto, um deus de segredos. De certa forma, ele é o deus mais simbolicamente gerado a partir da hipocrisia de Zeus.

A hipocrisia de Zeus representa a tirania do monoteísmo. O orgulhoso, singular, unificador, todo-importante, orientado por objetivos, heróico, alpinista e solar elitista espiritual. Assim, Hermes se torna um inoportuno tanto para seu pai Zeus, quanto para seu irmão solar, Apolo. De fato, em uma de suas estórias mais conhecidas, Hermes rouba o rebanho de gado de seu irmão Apolo. Apolo é o deus da clareza, da integridade, da boa pontaria, da racionalidade, da adivinhação, e da arqueria. Claro que é Apolo que é dono do gado… Num sentido em que o gado é, até certo ponto, os dóceis, os férteis e as massas de gente submissa. Aqueles que são facilmente conquistados pelas alegações finais de Apolo são representados pelo gado. O roubo do gado de Apolo por Hermes fala, portanto, da desestabilização das certezas e do pensamento absolutista em geral. O roubo do gado de Apolo executado por Hermes e levado para a caverna onde sua mãe ninfa ainda habita, relaciona-se com o herético, o agitador da ralé, a deusa versus o deus e o expor da hipocrisia da “elite racional”.

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Hermes, o Psicompompo guia Myrrhine ao Hades – ca 430-420 AC – Museu Arqueológico Nacional de Athenas – Reprodução

Não é nenhuma surpresa que Hermes seja chamado de o mago, o malandro, o herege, aquele que se move contra as figuras sacerdotais ou régias pré-estabelecidas. Durante períodos retrógrados, muitas vezes encontramos falhas de vários tipos, porque o trabalho de Mercúrio é quase sempre expor nossa hipocrisia, trazer à tona a ambigüidade, e confundir-nos onde nossa certezas são mais duvidosas.

Como o guia das almas, o psicopompo, Hermes tem fácil acesso para entrar e sair do Hades. Como o Príncipe dos Ladrões, Hermes também se relaciona com as descobertas súbitas, os achados e os saques.

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Loggia di Psiche – Raffael – Villa Farnesina, Roma – Reprodução

Muitas vezes, quando Mercúrio está retrógrado, coisas que haviam desaparecido reaparecem, de volta do submundo. Perdemos umas coisas e achamos outras, assim, do nada. Somos guiados por um período de escuridão e incerteza, e mesmo assim, nos sentimos misteriosamente confiantes porque podemos sentir a invisibilidade de pés alados do guia de nossa alma logo ali na esquina.

Uma vez que estarei me casando em uma semana, sob uma retrogradação de Mercúrio, recebi inúmeros emails me perguntado por que escolhemos esta data. Não seria melhor escolher uma data diferente?

Primeiro, não sou muito bom em escolher datas astrológicas perfeitas para as coisas. Mercúrio está sempre frustrando nossos planos, principalmente quando nos tornamos demasiado controladores e apolíneos sobre as coisas. Minha experiência até agora, tendo fortes assinaturas de Mercúrio no meu mapa natal, tem sido de que Mercúrio parece bagunçar as coisas em qualquer ponto ou momento em que você se ache muito confiante sobre estar “no direito” sobre alguma coisa.

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Mercúrio – Evelyn de Morgan – 1870-1873 – Reprodução

Segundo, e talvez mais importante, na mitologia grega Hermes tem um relacionamento bonito com juramentos do qual vale a pena falar. Vale a pena falar porque um dos conselhos clássicos é “cuidado com os contratos assinados, ou juramentos, ou promessas ou acordos feitos sob Mercúrio retrógrado”. Quando se trata de juramentos, promessas e votos sagrados, temos que nos perguntar, quem mais valoriza estas coisas? Na estória em que Hermes rouba o gado de Apolo, ele acaba sendo questionado por Zeus e Apolo, quando então jura e oferece juramentos de inocência – que são mentiras. Porém, por mais que estes juramentos pareçam mentiras, Hermes é esperto e humorista demais para ser um simples charlatão. Temos que nos perguntar: por que ele escolheria os juramentos e votos como enganos diante de Zeus e de Apolo? E, claro, a resposta é que juramentos e votos sagrados são exatamente o tipo de coisa altamente egóica e moralizadora que Zeus e Apolo amam. Um juramento foi também justamente o que Zeus quebrou quando ele teve seu caso amoroso com a mãe de Hermes na caverna. Então, quando Hermes usa um “voto” ou um “juramento” para tentar trapacear e enganar Apolo e Zeus, ele está essencialmente apontando sua hipocrisia, num tipo de evasão bem humorada de suas acusações.

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Mercúrio, Deus do Comércio – Apotheosis of Washington – Domínio Público – Reprodução

O ponto é que, em muitos aspectos, juramentos são como os enredos pré-escritos pelos quais tentamos viver, que podem se tornar grandes alvos em nossas costas insuspeitas. Não é que Mercúrio retrógrado seja ruim para juramentos nem que juramentos sejam  ruins em si mesmos. É que juramentos feitos sob retrogradações de Mercúrio são mais naturalmente inclusivos das dúvidas e incertezas com os quais juramentos e votos têm relacionamento sagrado – assim como Mercúrio é o filho inevitável de Zeus… Nascido de um juramento quebrado de Zeus.

Quando Ashley e eu nos encontramos, durante nossos primeiros meses de planejamento e lançamento do Sky House Yoga (estúdio de Yoga de Ashley, então noiva de Elenbaas, que funciona à base de doações), Mercúrio estava retrógrado. Quando eu comecei Nightlight (escola de Astrologia fundada por Adam Elembaas), Mercúrio estava retrógrado. Quando assinamos o financiamento do nosso segundo estúdio, Mercúrio estava retrógrado. Em cada uma dessas circunstancias houve a sensação de um juramento ou compromisso que era completamente inclusivo do desconhecido, do potencial de colapso e da ambigüidade de um futuro sobre o qual estávamos ambos incertos na época. Ainda assim, descobrimos que essa estranha incerteza é um componente crítico de como essas coisas evoluíram, incluindo nosso próprio relacionamento romântico.

Em nosso mapa composto Ashley e eu temos também uma conjunção Sol/Vênus em Gêmeos (regido por Mercúrio). Nós nos casaremos sob uma conjunção Sol/Vênus em Libra, oposta a urano em Áries, enquanto Mercúrio está retrógrado. Nós elegemos o mapa com um astrólogo amigo meu, especializado em Eletiva (ramo da Astrologia que busca eleger o melhor momento para uma determinada atividade). O mais importante para nós era trazer à tona na data do nosso casamento, as mais duradouras tensões no coração do nosso relacionamento; o tema da ambição independente versus a unidade do casal, o profundo respeito e amor de um pelo outro e a presença dos votos, ao mesmo tempo honrando a ambigüidade do futuro e nossa suspeita inerente de votos em geral. O padre celebrante é um Episcopal, mas nosso altar é pagão. Nós amamos esse tipo de contradição!

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Autor Desconhecido – Reprodução

Tem sido nossa experiência e é meu conselho astrológico do dia (ou do período): abraçar compromissos, compras, juramentos e viagens durante retrogradações de Mercúrio, se assim se fizer necessário. Porque não são estas coisas em si mesmas que Mercúrio gosta de avariar ou estragar. Não. isso faz parte da nossa superstição e nossa fala preguiçosa. Mercúrio simplesmente quer que nós abracemos o desconhecido e as incertezas que podem entrar em qualquer “plano” ou “futuro imaginado”, em qualquer ponto do tempo. Mercúrio é o “sim, eu faria tudo de novo, do mesmo jeito”, mesmo quando algo quebra ou colapsa ou não acontece como você esperava que acontecesse. Mercúrio é a incerteza do início, que cria consciência intensificada, um tipo de abertura que conduz ao encontro de tesouros inesperados. Mercúrio é a simpatia e a ambigüidade que dizem “estou aqui para ser guiado e eu sei que só posso controlar até certo ponto”.

Oração: Faça-me parar de tentar interpretar cada pequena coisa, controlar cada pequena gota de certeza do meu futuro. Deixe-me abraçar a mais profunda ambigüidade dos meus mais sagrados votos e deixe-me rir junto com Mercúrio, se e quando ele consiguir “o melhor” de mim.

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Hermes alquímico – Ilustração do Symbolicarvm qvaestionvm de vniuerso genere, 1574, de Achille Bocchi, com a imagem de Hermes como o intérprete do conhecimento universal – Reprodução

Nota: Gostaria de agradecer profusamente ao Sr. Elenbaas por autorizar a tradução e reprodução deste artigo tão rico e tão necessário sobre Hermes-Mercúrio. Que possamos honrar sempre este deus das brincadeiras, das troças e também da comunicação, das viagens, das jornadas, do sono, das mentiras e dos engodos. Antes de reclamar e lastimar, demos as boas vindas e recebamos a este deus com o mesmo humor com que ele nos brinda vida afora. 

Visite o site, em inglês, do Sr. Elenbaas: http://www.nightlightastrology.com/

A Semana Astrológica – A calmaria do olho do furacão

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Christian Schloe Digital Art – A bluebird song – Reprodução

Semana de 13 a 19 de outubro Esta semana oferece um pouco de calmaria aparente, ensanduichada entre dois eclipses super potentes, o do dia 08 de outubro e o do dia 23. É um pouquinho de descanso na intensidade pauleira que temos vivido, a calmaria do olho do furacão. O Minguante da Lua oferece, junto com Mercúrio retrógrado, a possibilidade de reflexão e interiorização dos processos e acontecimentos. Semana boa para análises diversas, estudos e introspecção.

Mercúrio continua retrógrado até o dia 24, quando fica estacionário, retornando ao movimento direto no dia 25, e nesta semana faz sua conjunção inferior com o Sol, ficando Cazimi (de 0 a 17 minutos da conjunção com o Sol), quando se diz que a verdadeira genialidade acontece. O Grande Trígono em Fogo formado por Marte em Sagitário, Júpiter em Leão e urano em Áries vai se desfazendo, depois de ter restaurado muito da nossa fé, entusiasmo e espírito de aventura, para continuar enfrentando as dificuldades que se apresentam diante de nós. Marte entra em Capricórnio no dia 26 de outubro.

A Lua começa a semana na fase da Disseminação, uma subdivisão da fase cheia. A Disseminação é marcada pela necessidade de se divulgar o que se aprendeu e conquistou durante todo o ciclo, aprendizado que culminou na Lua Cheia. Agora é hora de ir para o mundo levar os benefícios de tais aprendizados. Mas vale lembrar, a boca fala do que o coração está cheio, portanto, é preciso serenidade para que esta disseminação não repercuta contra nós. A Lua fica minguante na quarta-feira, 15 e nesta semana viaja pelos signos de Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem, fazendo aspectos diversos aos demais corpos celestes.

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Desconheço o autor – Reprodução

Segunda – A Lua entra a segunda-feira na fase da Disseminação, em Gêmeos, regida por Mercúrio retrógrado e em trígono com ele. Dia favorável para recapitular a verborragia e os excessos mentais do fim de semana, e para se propor um bem vindo voto de silencio que acalme a mente, a boca e o coração. Essa é a proposta da tarde de segunda: em vez de virar um boquirroto como efeito da ansiosa inquietude mental, fazer um voto de silencio de algumas horas pode ajudar a colocar tudo de volta ao caminho certo: pensamentos, decisões, agenda, compromissos, palavra e ação… Pode ainda nos dar a oportunidade de julgar o tamanho dos estragos verbais que andamos causando, inadvertidamente ou não.  Assim, não se engane, ao contrário de voejar por aí sem compromissos, a borboleta hoje ganha mais se pousar numa única flor e apreciar, meditativa e observadora, essa mente que flana e mente. É preciso ficar atento ao que vamos estar disseminando por aí afora. Para disseminar a paz, é preciso se estar em paz.

A terça-feira talvez seja o dia mais tenso da semana, com a Lua em Câncer formando uma Grande Cruz ao se opor a Plutão em Capricórnio e quadrar Urano em Áries e Vênus em Libra. Dia complicado especialmente para o feminino, com a Lua e Vênus sob tanta pressão. Na terça Vênus está ainda em sextil com Júpiter em Leão e faz conjunção ao Nodo Norte da Lua – conjunção que fica exata na madrugada de quarta. Apesar da pressão, e talvez exatamente por causa dela, é um dia em que somos lembrados de novo da necessidade de equilíbrio nos relacionamentos, exatamente porque atraímos crises e dificuldades nas nossas interações, que nos obrigam a sair do lugar comum e a refletir de forma mais profunda sobre o papel fundamental do outro em nossas vidas. É um dia em que podemos ainda ser beneficiados por encontros do acaso, que podem representar oportunidades de encontrarmos pessoas que sinalizam ou nos fazer re-significar algumas destas crises pelas quais passamos.

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Alberto Pancorbo – Reprodução

Além da exatidão da conjunção Vênus-Nodo Norte, na quarta-feira temos ainda a quadratura Lua-Sol, que oficializa o Quarto Minguante. A Lua faz ainda trígono a Saturno em Escorpião e quadratura a Mercúrio retrógrado, ficando vazia logo depois. Vênus em Libra faz uma sesqui-quadratura a Netuno em Peixes. Dia em que sentimentos não concordam com os pensamentos ou quando não conseguimos expressar o que sentimos, criando mal-entendidos, ao invés de harmonia e alianças. O idealismo inconsciente parece puxar nosso tapete deixando-nos com a sensação esquisita de peças que não se encaixam, mas que não conseguimos entender por que. Desacelerar o coração, além da mente são a pedida para o resto da semana.

Já na quinta-feira temos a Conjunção Inferior de Mercúrio com o Sol. Inferior porque Mercúrio está entre a Terra e o Sol, conjunção que ocorre quando Mercúrio está retrógrado. Quando Mercúrio (ou qualquer outro planeta) está a menos de 17 minutos de conjunção com o Sol, em qualquer dos lados, diz-se que está “no coração do Sol”. Tradicionalmente um planeta nesta situação é fortalecido, ao contrário da posição “combusta”, que é a conjunção que ocorre entre 17 minutos e oito graus e meio do Sol e que se afirma ser uma posição de debilidade, pois se acredita que o planeta em questão é “queimado” e seu poder diminuído. A posição CAZIMI confere genialidade nos assuntos relativos ao planeta envolvido nesta conjunção. No caso de Mercúrio, talvez seja este o momento em que alcançamos os insights mais poderosos propiciados pela fase da retrogradação em curso. A Lua, viajando por Leão na quinta-feira fica praticamente sem aspectos por muitas horas, simbolizando que a luz solar fica ainda mais enfatizada, e a consciência pode ter acesso a inúmeros insights e intuições preciosos.

Estes insights continuam favorecidos na sexta-feira, quando a Lua, ainda em leão, faz conjunção a Júpiter e trígono a Urano em Áries, entrando em órbita de quadratura a Saturno à noite. A Lua é ainda foco de um Yod, fazendo quincunces a Plutão em Capricórnio e a Quíron em peixes, que, por sua vez, estão em sextil. Um gosto agridoce domina o dia e no mesmo espaço de horas vivenciamos as experiências mais sublimes e felizes e também algumas dolorosas, sombrias e irritantes, tornando este um dia pungente que nos lembra que a vida tem na sua composição todos uma grande infinidade de sabores, o doce, o amargo, o azedo, o salgado… E que se estamos dispostos a ser verdadeiros com nossos próprios sentimentos, ela pode ser tudo, menos insossa e sem sabor.

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Christian Schloe – The Heartache – Reprodução

No sábado a Lua quadra Saturno nas primeiras horas da madrugada, fazendo também sextil ao trio Libriano, Mercúrio, Vênus e Sol, além de trígono a Marte em Sagitário. À noite a Lua entra em Virgem, opondo-se a Netuno e a Quíron no domingo, levando-nos a outro fim de semana em que somos confrontados com anseios regressivos de amor incondicional e desejos escapistas que nos liberem das responsabilidades chatas ou dos desapontamentos diários. Assim, os fins de semana vão ficando favoráveis às buscas espirituais, à meditação, à oração e reflexão, influência que, neste fim de semana em específico, fica ainda mais marcante com a entrada da Lua na fase Balsâmica às 20h12min da noite de domingo. Nestes fins de semana de Lua Mutável (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes) que teremos até o fim de dezembro é recomendável que evitemos o consumo de álcool e outras drogas e substancias que alteram a consciência, pois nosso senso de limites e de controle está enfraquecido, o que obviamente pode causar muita confusão e dissabores, quando poderíamos descansar e relaxar para encarar os desafios da semana seguinte. Convém nos perguntarmos do que estamos tentando fugir, ou que amarguras e tristezas tentamos afogar na bebida ou em outras drogas de nossa preferência.

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Christian Schloe – The Great Escape – Reprodução

 Uma boa semana, tranqüila e serena para você!

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