Archive | novembro 2015

Lua Cheia em Gêmeos – A solidariedade que nos salva

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A Lua é Cheia hoje, 25/11/2015, às 20h44min no horário de Brasília e às 22h44min no horário de Lisboa. A Lua Cheia é a culminação de um ciclo de 28/29 dias, o ciclo mais rápido de todos os ciclos astrológicos e que conta como os ciclos maiores se desdobram no dia a dia na Terra. A Lua Cheia, por ser a culminação do ciclo, é a colheita de tudo o que foi plantado na Lua Nova, assim, é um estágio de celebração pelas recompensas de todo o esforço empreendido no período, ou, no caso contrário, é um momento de fracasso e desolação em que se constata que as sementes não eram boas, houve pragas ou inundações que comprometeram os resultados, de modo que em lugar de celebração há choro e lamento. Como culminação, é também o começo do fim e sugere um momento de crise e polarização, de divisão e de reorientação da energia e dos objetivos. Mas e neste ciclo em específico, celebramos ou lamentamos? Olhemos para nossa própria vida e para o mundo ao redor: temos motivos para celebrar?

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Lua Nova em Escorpião – 11 de novembro de 2015, 15h47min – Brasília-DF

Este ciclo se iniciou em Escorpião, na Lua Nova do dia 11 de novembro. Uma Lua Nova sobre a qual não escrevi, porque estava “prostrada” – a Lua caiu em pontos nevrálgicos do meu mapa, simbolizando um momento de desnorteamento e debilidade. Mas resumindo muito, na Lua Nova ocorrida a 19°00 de Escorpião, Lua, Sol e Mercúrio estavam em sextil a Júpiter em Virgem e os três em quincunce a Urano, tornando-o foco de um Yod-Dedo de Deus, sugerindo um ciclo de muita instabilidade, mudanças abruptas pessoais e coletivas, rupturas em que o individuo ou grupos se rebelam e ainda traz uma qualidade fatalista, como é o característico de Yods.

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Lua Cheia em Gêmeos, 25 de novembro de 2015, 20h44min – Brasília-DF

Já o mapa da Lua Cheia, levantado para Brasília (25/11/2015, 20h44min, Brasília DF), traz a Lua a 03° de Gêmeos, em oposição ao Sol, Saturno e Mercúrio em Sagitário, todos eles em quadratura a Netuno, que é ponto focal de uma T-Square Mutável. T-Squares mutáveis sugerem muita dispersão de energia, inquietude, ansiedade, nervosismo e vacilação. Todavia, o mais dramático neste mapa é observar que a Lua Cheia acontece a menos de 12 horas antes da quadratura partil (exata) entre Saturno e Netuno, e como sabemos, lunações são momentos em que a energia fica mais volátil e potencializada e podem funcionar como gatilhos para a manifestação das configurações lentas. Leia sobre a atual configuração Saturno-Netuno.

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Oswalda Grigas – Reprodução

Além da oposição a Saturno e quadratura a Netuno, a Lua ainda faz sesqui-quadratura a Vênus e trígono a Marte em Libra, que por sua vez, está em quincunce de menos de um grau a Netuno, adicionando irritação e inconsistência a essas energias. O eixo Gêmeos-Sagitário,  como eu dizia em outro artigo de Lua em Gêmeos, é o eixo do conhecimento, aprendizado, viagens, educação, comunicação,  o micro versus o macro, análise versus intuição, a árvore versus a floresta. Em Sagitário miramos alto, apontamos para o infinito, buscando elevar nosso espírito acima dos limites humanos. Em Sagitário filosofamos, buscamos significado, voltamo-nos para o futuro e o projetamos, auspicioso e alvissareiro. Em Sagitário somos a águia da montanha que sobrevoa a amplidão e tudo vê com sua visão de longo alcance. A visão é macro, é a visão do todo.

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Sakliresim – Reprodução

Mas em Gêmeos descobrimos que precisamos integrar aquilo que antes ignorávamos ou talvez até desprezávamos: os detalhes, o “como fazer”, a realidade imediata em contraponto às projeções de futuro; em Gêmeos percebemos que a visão macro é importante, é vital, mas não funciona sozinha, pois vai deixar escapar detalhes que também são essenciais e que não são visíveis lá de cima, é preciso se estar perto para percebê-los. Gêmeos avisa a Sagitário que se não prestamos atenção aos detalhes, ao aqui-e-agora, ao “como fazer” bem feito, estamos fadados a repetir erros que podem culminar em calamidades porque escolhemos ignorar os tais detalhes que antes pareciam “insignificantes”, em função da visão maior, que no final das contas fica comprometida. Gêmeos-Sagitário também é o eixo da informação e propagação de notícias, enquanto Gêmeos coleta as informações, Sagitário as espalha/distribui. E que notícias e informações a Lua Geminiana vem coletar? Infelizmente, notícias nada alvissareiras. Essa Lua Cheia salientando a quadratura Saturno-Netuno vem enfatizar seus temas e vem nos obrigar a lidar com eles, a deixar que finalmente a “ficha caia”. A Lua Cheia vem escancarar a crise política, social, econômica e ambiental ainda mais, de modo que todos possam entrar em contato com ela e de modo que se possa refletir, no detalhe, sobre as implicações maiores do momento em que vivemos.

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Hollie Chastain – Reprodução

Um ponto de atenção é que a Lua Cheia, além de destacar Saturno-Netuno, cai em quadratura minguante à Lua do mapa do rompimento da Barragem da Vale/Samarco. Talvez muitas notícias venham à tona nos próximos dias, referentes ao desastre. Considerando-se que Mercúrio está em quadratura a Netuno, é muito difícil se ter clareza sobre o acontecido, é muito difícil saber o que é verdadeiro e o que é engôdo, mascaramento ou maquiagem dos fatos. Mercúrio é muito importante aqui, por ser o regente da Lua Cheia. E ele também joga luz extra sobre tudo isso ao fazer conjunção a Saturno e quadratura a Netuno – muitas informações vindo à tona e sendo reveladas de forma muito espalhafatosa e infame, notícias duras de assimilar e digerir. O dia, aliás, começou com notícias bombásticas sobre um senador, um banqueiro e um advogado sendo presos sob alegação de atrapalhar as investigações da Lava-Jato. Na mesma operação a Polícia Federal apreendeu documentos – também assuntos de Gêmeos/Mercúrio – diversos no Congresso Nacional em Brasília.

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Mercúrio, regente da Lua Cheia, está em oposição a ela e envolvido na mesma configuração Saturno-Netuno, indicando grande dificuldade em assimilar emocionalmente todas as informações que nos chegam, ou, ainda um problema na comunicação daquilo que sentimos, a tarefa complexa e ingrata de digerir notícias difíceis, que causam desalento. Além disso, Mercúrio está em recepção mútua com Júpiter em Virgem – Mercúrio rege Virgem e Júpiter rege Sagitário, então, ambos como que “trocaram” de casa – e Júpiter está em oposição a Quíron em Peixes, sugerindo que não temos para onde correr, para onde olharmos veremos as feridas abertas da falta de controle e de limites e da irresponsabilidade criminosa. O Sol Sagitariano olha o macro consternado por uma visão que mesmo seu mais largo otimismo não consegue superar e a Lua Geminiana lhe replica que não adianta lastimar-se sobre cuidados que não foram tomados, é preciso se ater aos fatos e detalhes, concentrar-se no aqui e agora, para evitar que outras tragédias tomem lugar e que as más notícias, as fraudes e a lama, literal ou figurativa, se propaguem ainda mais – sabe-se, por exemplo, que as barragens de Germano e Santarém, ambas sob administração da Samarco, também correm risco de rompimento e devem ser monitoradas cuidadosamente para que não tenhamos um desastre ainda maior.

azevinhoO Símbolo Sabiano do grau 04 de Gêmeos (03°20’) traz uma imagem que acena com otimismo e perspectiva e que ajuda a aliviar a atmosfera pesada: “O azevinho e o visco trazem o Espírito do Natal para uma casa”. O símbolo nos fala claramente de celebrações e festas em família, com pessoas que nos são caras e íntimas. Lynda Hill, analisando este Símbolo, diz que ele também fala “da necessidade de nos reconectarmos com entes queridos, ou, num sentido mais amplo, com a humanidade; de descobrir os pontos fortes e as alegrias que vêm dos laços culturais e religiosos que nos mantém juntos. Mesmo que vivamos nossas vidas como entidades separadas, estes laços servem para fortalecer a cada um em particular. Lembrar-se uns dos outros ajuda a manter as conexões fortes e reforçar nosso espírito de pertencimento”. O símbolo fala ainda do valor da comunidade, dos gestos simples de generosidade de uns para com os outros. Por outro lado, ela diz – como tudo tem um “outro lado”, especialmente em se tratando de Gêmeos e sua dubiedade – há o risco de se utilizar truques ou artimanhas superficiais para se atingir os objetivos ou a felicidade, além do risco da negligência para com aqueles que nos são caros e ainda o risco de resvalarmos em atitudes e mentalidade mesquinhas – olha aí de novo o potencial de “maquiagem” da verdade.

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Assim, este Símbolo vem nos lembrar que nem tudo está perdido; que em tempos difíceis ou em tragédias, precisamos fortalecer os laços afetivos, fortalecer a fé uns nos outros, buscar o apoio e o abraço que nos faça sentir que pertencemos a uma comunidade. O senso de comunidade também é salientado neste símbolo e aqui lembramos que é na dificuldade que o ser humano muitas vezes mostra o seu melhor. Assim, precisamos recorrer a esse espírito de comunidade humana e nos solidarizar com aqueles que atravessam vicissitudes, seja através de orações e vibrações de amor e compaixão, seja através de ações concretas, por menores que sejam. Por mais desoladores que sejam certos acontecimentos, não podemos deixar que eles moldem nossas perspectivas de maneira excessivamente sombria. Precisamos olhar o passado e aprender com ele, para não repetirmos os mesmo erros indefinidamente.

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E, respondendo à questão inicial, embora sempre tenhamos muito a agradecer, a começar pelo fato de estarmos vivos, temos pouco a celebrar. Podemos refletir e nos sintonizar com uma nova consciência, que com sorte, será despertada a partir dos eventos nefastos deste ciclo; e temos a agradecer a solidariedade de todos os que se prontificam a ajudar, de longe ou de perto, algo que não nos deixa perder a fé no ser humano. Em lugar de celebrações, precisamos prestar nosso apoio e solidariedade àqueles que perderam tudo, a outros que perderam entes queridos – e aqui eu falo de todas as vítimas de guerras, da Siria, da Nigéria, da violência em qualquer lugar, guerras oficiais ou não e de todas as vítimas de desmandos humanos – e prestar reverência aos que se foram e à própria Natureza devastada, porque, em tempos como estes, é a solidariedade que nos salva do abismo e do absurdo. Mais do que celebrar, a Lua Cheia sugere que meditemos profundamente sobre os acontecimentos e repercussões deste ciclo, buscando assimilar seus aprendizados.

 

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Saturno-Netuno – O Mundo em Desintegração

Saturnus_fig274 - Copia (2)Saturno ingressou em Sagitário definitivamente no dia 17 de setembro de 2015, onde permanecerá até 20 de dezembro de 2017, quando ingressa em Capricórnio. Ele já tinha feito uma incursão rápida no signo do Arqueiro de dezembro de 2014 a junho de 2015, mas então regressou a Escorpião para o último round de cobranças naquele signo, de junho a setembro.

Enquanto estiver empreendendo sua jornada por Sagitário, Saturno terá que lidar com dois velhos arqui-inimigos: Netuno, que trafega o último signo de Água e da qualidade Mutável, o último do Zodíaco, Peixes, e também Júpiter, o filho que o tirou do poder, que trafega Virgem até setembro de 2016– aliás, Saturno é o arqui-inimigo e o consequente oposto psicológico de todos os demais planetas, por ser o contra-ponto, aquele que limita o impulso natural do planeta em questão. Neste texto vamos nos concentrar apenas no ciclo Saturno-Netuno. Falaremos de Júpiter-Saturno em outro momento, não sei quando.

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Pawel Kuczynski – Reprodução

Mas por que eles são inimigos? Porque representam princípios opostos. Enquanto Saturno constrói estruturas, Netuno as fragmenta e dissolve; Saturno quer segurança, Netuno traz incerteza; Saturno busca o que é sólido, Netuno deixa fluido, inconsistente, frágil; Saturno é o princípio da realidade, Netuno o da ilusão, fantasia e imaginação; Netuno sonha, Saturno realiza; Saturno define, Netuno é indefinível; Saturno é a forma, Netuno torna tudo disforme; Saturno encara tudo de cara limpa, é sóbrio, resistente, responsável, austero, gosta da ordem  e da hierarquia, já Netuno é inconsequente, indulgente, permissivo, condescendente, caótico, dissoluto, irresponsável, anarquista, ama o caos e busca escapar da realidade através de álcool, drogas, arte, misticismo, fanatismo; Saturno representa o controle, Netuno o descontrole, a subversão, a loucura, a insanidade; Saturno é a matéria concreta, Netuno é a imaginação abstrata; Saturno enrijece, Netuno amolece; Saturno é severo e duro, Netuno é compassivo e sensível; Saturno separa o indivíduo, corta o cordão umbilical e o obriga a amadurecer, Netuno é o desejo de voltar ao útero e à unidade urobórica onde ninguém é separado e todos somos um; Saturno é a estruturação do ego, Netuno é a sua dissolução; Saturno cria fronteiras e limites para nos separar do mundo exterior – não é à toa que rege a pele, a “fronteira” que delimita e separa nosso corpo do resto do mundo – Netuno dissolve todas as fronteiras e separações; Saturno busca poder e status econômico e social e Netuno não se importa com isso, representando, entretanto o poder da arte, da criatividade, do cinema, glamorizando e criando verdadeiros mitos dentro dessas indústrias; Netuno é o ideal de perfeição etérea, de outro mundo, Saturno é a imperfeição da vida encarnada… Poderíamos ficar horas enumerando porque estes dois se contradizem, mas creio que já é suficiente.

John Roddam Spencer Stanhope_Prerrafaelita

John Roddam Spencer Stanhope Artista Prerrafaelita Reprodução

Contudo, os dois têm alguns pontos em comum: ambos representam sacrifícios, no caso de Saturno por causa da renúncia que fazemos de um prazer imediato em nome de algo mais duradouro, sacrificamos algo no agora visando ter uma recompensa melhor no futuro. Já Netuno representa nossos anseios, anseios pelo belo e inefável  e em última instância, por redenção e os sacrifícios representados por Netuno, ao contrário de Saturno, não envolvem renúncias ditadas pela disciplina, mas são, antes, o abrir mão de si mesmo e da vontade pessoal em nome de algo maior, em favor de outra pessoa ou do coletivo ou simplesmente porque o indivíduo sente-se esmagado pelas correntes da vida. Ambos também representam a crucificação, Saturno é a crucificação na matéria, na realidade, Netuno é a crucificação-sacrifício que redime a humanidade. Netuno é o Paraíso, o Jardim do Éden onde tudo é perfeito, Saturno é a Queda e a expulsão deste mesmo paraíso, com a consequente condenação de se ter que ganhar a vida “com o suor do rosto”, enfrentando o medo, “as dores do parto”, os  limites, as doenças, a velhice e no fim, a própria morte.

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Shutterstock – Reprodução

Quando, pois, colocamos os dois juntos, na quadratura mutável Sagitário-Peixes, temos sonhos transformados em realidade ou a desilusão amarga diante de fantasias irrealistas; erosão de fronteiras e limites; fragmentação e dissolvição de estruturas religiosas, políticas e econômicas; endurecimento ou desintegração de sistemas religiosos; idealização da figura do pai; regimes autoritários sendo dissolvidos ou sendo glamourizados; estruturas seguras e inquestionáveis dissolvendo-se da noite para o dia; controle no uso de drogas e álcool; medo do desconhecido; medos indefiníveis; desilusão e desencanto com a realidade;  – e assim por diante. Junte os dois princípios e podemos formular outras possibilidades. Uma imagem que ilustra de maneira muito clara a forma como estes dois planetas operam juntos é a imagem das ondas do mar batendo nos rochedos na praia. A rocha é a rocha: dura, inflexível, difícil de mover e de destruir. A princípio você olha e a paisagem é a mesma.  Mas fotografe esta paisagem e olhe para ela décadas mais tarde e perceberá que, com o tempo, o mar erodiu a rocha e mudou a paisagem. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura – é um adágio que retrata a interação de Saturno e Netuno.

"Imaginação é a única arma na guerra contra a realidade" - Alice no País das Maravilhas - tirado do Etsy, via Pinterest - Reprodução

“Imaginação é a única arma na guerra contra a realidade” – Alice no País das Maravilhas – tirado do Etsy, via Pinterest – Reprodução

Se consideramos todas as contradições que estes dois planetas representam, logo entendemos porque seus ciclos são tão desconfortáveis de se lidar, tanto no plano individual quanto em termos coletivos. E, se por um lado Netuno derruba e fragmenta tudo o que Saturno levou anos para construir, por outro, os dois são essenciais à psique e quando em aspecto no mapa natal ou quando em trânsito como agora, representam o potencial formidável de transformar sonhos em realidade, porque Netuno imagina , fantasia e sonha, mas sem Saturno jamais realiza nada, porque carece da capacidade de planejar e de lidar com a matéria concreta, com a realidade e seus prazos e custos. Por sua vez, Saturno tem grande poder de realização e concretização, mas sem Netuno torna-se estéril, excessivamente seco e funcional, sem imaginação, de modo que as coisas que cria podem mesmo ser feias, grosseiras e carecerem de alma e de vida. Não é por acaso que geralmente encontramos estes dois planetas em aspecto nos mapas de artistas e de grandes sonhadores que conseguem colocar em prática seus sonhos e ideais. Porque aqui temos a imaginação aliada à forma.

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Heather Nevay – Reprodução

Mas o que significa e quais as implicações da atual quadratura que Saturno faz a Netuno? Antes de falarmos especificamente sobre a configuração atual entre eles, vamos entender melhor a natureza deste ciclo. Isso porque, quando falamos de aspectos, sempre precisamos nos reportar à fase do aspecto  em termos do ciclo que está em vigor entre os dois planetas em questão, quer dizer, precisamo recuperar quando o ciclo foi iniciado, quando estes planetas estiveram em conjunção pela última vez. Isso é ainda mais importante e crucial quando se trata de planetas lentos, cujos ciclos têm grande impacto no coletivo, no curto e no longo, longuíssimo, prazo. Em se falando de ciclos, o mais rápido de todos eles é o da Lua, cujo ciclo em relação ao Sol é chamado de lunação e cujos ápices são a Lua Nova e a Lua Cheia e que simboliza as mudanças diárias na nossa vida.  Embora os ciclos planetários possam ser estudados em relação a todos os planetas e luminares entre si, os ciclos de maior impacto social e coletivo são os ciclos que começam a partir de Júpiter: Júpiter-Saturno, Júpiter-Urano, Júpiter-Netuno, Saturno-Urano, Saturno-Plutão, Urano-Plutão… E assim por diante. Como cada planeta tem seu próprio ritmo e velocidade, cada ciclo de um par de planetas tem um tempo muito próprio, assim como tem também significados muito específicos, que têm a ver, por sua vez, com a interação dos planetas em questão.

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O ciclo de Saturno e Netuno – Ilustração tirada do livro de Astrid Fallon, Planetary Cycles Reprodução (1)

O ciclo Saturno-Netuno é de 35,9 anos, ou seja, a cada 35,9 anos eles fazem uma nova conjunção, a uma órbita de cerca de 80 graus à frente do ponto em que a conjunção anterior ocorreu. Por exemplo, a última vez que Saturno e Netuno ficaram conjuntos foi entre 1989 e 1990, nos graus 10/11 de Capricórnio. A próxima conjunção ocorrerá em 2026, a 0° (grau zero) de Áries, isto é, 80 graus à frente do grau 10 de Capricórnio. Cada ciclo menor como este pertence a um Grande Ciclo de 323 anos e este Grande Ciclo consiste no tempo que os dois planetas levam para se encontrem de novo no mesmo signo referencial – outro exemplo: a conjunção Saturno-Netuno em Capricórnio anterior a 1989 aconteceu em 1666. Cada conjunção dura cerca de dois anos, dependendo da orbe que se usa – se usamos orbes amplas, de 8 a 10 graus, por exemplo, de fato estamos falando de um período de dois anos.

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Conforme dissemos, a última vez que Saturno e Netuno estiveram em conjunção foi entre os anos de 1989 e 1990, com as conjunções exatas acontecendo em 03/03/1989, 24/06/1989 e 13/11/1989. Ao longo dos últimos 26 anos, esta conjunção se desdobrou depois em outros aspectos,  sextil, quadratura,  e trígono crescentes, seguidos de oposição, simbolizando a fase cheia do ciclo e novamente trígono, quadratura e sextil, neste caso, minguantes.  Portanto, esta é a quadratura minguante do ciclo, que representa uma espécie de teste/prova final para as coisas iniciadas quando da conjunção. E o que estava acontecendo entre 1989 e 1990? Alguém lembra? Como não lembrar!?

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Pawel Kuczynski – Reprodução

Depois da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu-se a chamada Guerra Fria, que, resumindo muito, era basicamente uma disputa econômica, tecnológica e política entre Estados unidos e União Soviética e seus respectivos aliados, sendo que um bloco, o ocidental, tinha regime democrático-capitalista e o outro, liderado pela União Soviética, era de regime  socialista/comunista. No fim dos anos 1980, o Socialismo amarga uma grave crise e devido à conjuntura econômica, política e social, a União Soviética e outros governos comunistas e socialistas do Leste Europeu entram em colapso e a Guerra Fria finalmente chega ao fim. O símbolo maior do fim da Guerra Fria foi a queda do Muro de Berlim, que foi a culminação de um processo que envolveu muitos conflitos nos países do Leste Europeu e que durou todo o ano de 1989, seguido da dissolvição da União Soviética, que fragmentou-se em vários estados independentes. Outros acontecimentos dessa época também muito marcantes foram: a retirada do exército soviético de Cabul, depois de nove anos lutando contra rebeldes afegãos; Reagan deixa a Casa Branca após oito anos de mandato e começa a Era Bush; no Brasil, ocorre a primeira eleição direta para presidente, que elege Fernando Collor de Mello, que decreta o confisco da poupança dos brasileiros logo após sua posse em 1990; Edir Macedo começa a ganhar poder e compra a TV Record; na China a juventude se manifesta e há um banho de sangue nos conflitos da Praça da Paz Celestial – que ironia o nome dessa praça! – evento do qual todos lembram por causa da imagem de um estudante franzino enfrentando, sozinho, tanques de guerra; no Irã, o Aiatolá Khomeini coloca a prêmio a cabeça do escritor Salman Rushdie, por entender que seu livro Os Versos Satânicos ofende o Islã; Tim Berners-Lee inventa a World Wide Web – bendito seja! Já em 1990 ocorre a reunificação das duas Alemanhas, a Guerra do Kweit e a abertura econômica no Brasil, para citar só alguns dos eventos mais importantes (quem tiver curiosidade sobre outros eventos internacionais, dê uma olhada na Linha do Tempo da BBC, cujo link está ao final deste artigo).

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Durante todo este período temos a conjunção tripla de Saturno, Urano e Netuno em Capricórnio, todos eles em sextil a Plutão, que trafega Escorpião. Saturno, por ser o mais rápido, distancia-se no fim de 1990 e ingressa em Aquário em 1991, enquanto Urano e Netuno permanecem em conjunção até meados de 1997.

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V. Kazanevisky – Reprodução

Saturno segue seu caminho e o ciclo vai se desdobrando em sextil (1995), quadratura  (1998/99), trígono (2001/02), oposição (2006/07), trígono novamente (2011) e agora, a última quadratura entre 2015 e 2016, finalizando a série de aspectos maiores em 2019 com o último sextil. Sugiro que o/a leitor/a pesquise o que acontecia durante estes anos, tanto na sua vida pessoal quanto em termos sociais e coletivos, para ter uma noção mais clara do tom do aspecto atual, porque os temas estão interligados. Quem tiver tempo e curiosidade, pode também pesquisar o ciclo anterior a este: 1669, 1675, 1684, e, especialmente, os anos de 1692/93, quando ocorreu, pela última vez, essa mesma quadratura minguante atual, com Saturno em Sagitário e Netuno em Peixes. Vale a pena olharmos o passado e a História, para podermos vislumbrar o que o futuro nos reserva, porque a história se repete, porque o ser humano se repete, enfadonhamente. Só para dar um aperitivo: 1692 foi o ano do processo e julgamento das Bruxas de Salém.

Agende uma consulta e veja como este ciclo se desdobra no seu mapa natal, que planetas e casas eles trafegam e quais as implicações disso na sua vida!

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Coorlartlog – Reprodução

O que percebemos analisando este ciclo em particular, iniciado em Capricórnio, é que houve uma fragmentação de estruturas de poder que antes eram vistas como sólidas e imutáveis. Mas, especialmente, depois de décadas de Guerra Fria e do terror de uma guerra nuclear rondando o mundo, a derrubada e dissolução (Netuno) do Muro de Berlim (Saturno) – olha só que manifestação literal destes dois princípios arquetípicos! –  criou expectativas e infundiu um novo idealismo coletivo no mundo ocidental. Começou-se a sonhar que a paz era possível, que a democracia era realmente a solução para todos; idealizou-se figuras de poder, projetando-se a imagem do “salvador” em determinados governantes ou sistemas; por outro lado, sistemas tradicionais outrora descartados, ressurgiram e ganharam novo status e valor. Tendo ficado estabelecido o fracasso do comunismo e socialismo, o mundo ocidental abraçou de vez o modelo capitalista-industrial, glamorizando a livre iniciativa e neoliberalismo, que ganhou força a partir deste período.

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Johnson Tsang – Reprodução

Agora, com a quadratura minguante, como é comum à fase minguante de todo ciclo, precisamos rever tudo o que foi iniciado lá entre 1989 e 1990, especialmente o que não deu certo. Agora somos confrontados com o excesso de idealismo que projetamos sobre as transformações de então, a cegueira que escolheu não ver as consequências da industrialização sem freios; precisamos encarar a falência e dissolução de muitas estruturas que pareciam ser indissolúveis e dentro disto está esse modelo econômico de super exploração da natureza, que não se sustenta e que nos trouxe ao ponto de caos em que estamos hoje. Lá em 2006, quando ocorria a oposição de Saturno a Netuno, a ONU já declarava aquele o Ano Internacional dos Desertos e Desertificação, mas parece que não chamou suficiente atenção, porque de lá para cá a coisa só degringolou! O que vemos são regimes ditatoriais e fascistas chegando ao poder novamente, ameaçando empreender uma nova “caça às bruxas” em termos políticos e religiosos; blocos ultra-conservadores ganhando ascensão e destaque na política de vários países e também nas religiões mais tradicionais; e o jogo do empurra de autoridades no que tange às responsabilidades ambientais, sociais e morais como nunca se viu – o Ocidente reclama da tirania e fundamentalismo do Estado islâmico, mas quem foi que vendeu as armas que eles utilizam em seus ataques terroristas? Acaso EUA, França, Inglaterra e todos os outros podem se isentar desta culpa? Criaram e alimentaram uma serpente de veneno letal que está à solta e fora de controle, pronta a picar seus próprios criadores. E agora, para onde vamos a partir daqui? Continuaremos a ver muros cair, literal ou metaforicamente

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Saturno faz três quadraturas a Netuno, nas seguintes datas: 26/11/2015, 18/06/2016 e 10/09/2016. Esta primeira fica exata apenas algumas horas depois do pico da Lua Cheia de Gêmeos e por isso mesmo, é super potencializada por essa lunação e já se manifestou de forma bem nefasta, nos atentados orquestrados por grupos religiosos fundamentalistas em várias partes do mundo e, particularmente no Brasil, pela ruptura da barragem da Vale/Samarco no Rio Doce, causando um desastre ambiental sem proporções, indelével para o ambiente e para as populações afetadas. A desintegração (Netuno) dessa barragem (Saturno), cheia de resíduos tóxicos (Netuno-Plutão), é também uma manifestação bastante literal dos princípios deste ciclo. No dia em que a barragem se rompeu, dia 05/11/15, à tarde, a Lua estava em Virgem, em oposição exata – ou muito próxima, dependendo do horário, não consegui descobrir a hora exata do desastre – a Netuno em Peixes e em quadratura a Saturno em Sagitário, formando uma T-Square Mutável, com Saturno de foco. A Lua é o corpo celeste mais rápido do nosso sistema e seus trânsitos não são vistos como particularmente impactantes no longo prazo, mas ela pode ser o gatilho que detona uma situação previamente montada, especialmente no caso de “desastres esperando para acontecer”, como era o caso. Ela vem e estimula, é a faísca que dá início à explosão num ambiente que já era altamente combustível. Os outros planetas rápidos, como Vênus, Marte, Mercúrio e ainda o Sol também podem funcionar como gatilhos ao acionarem e estimularem as configurações lentas, assim como as lunações e eclipses – e aqui temos muita sorte já que não teremos nenhum eclipse estimulando essa quadratura, porque apesar de o eixo nodal estar atualmente trafegando a polaridade Virgem-Peixes, ele está no fim da polaridade, enquanto Saturno e Netuno estão ainda no primeiro decanato de Sagitário-Peixes, signos da Cruz Mutável.

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Estes desastres, que são, na verdade, tragédias anunciadas, materializam o medo e a angústia que já vínhamos sentindo há meses e explicitam nossa profunda desesperança e desencanto diante de uma realidade sombria. Esse “mar de lama e de sangue” escancara nossa desilusão com políticas e políticos nos quais projetamos tantos anseios; cristaliza nosso desapontamento diante da promessa de felicidade fácil e infinita, porém fraudulenta, do modelo consumista que nos é vendido; desnuda o profundo medo do futuro do planeta em termos de recursos naturais, devido aos desmandos e inconsequências cometidos ao longo  de décadas ou séculos; anuncia tempos sombrios de retrocesso e de redenção duvidosa para a humanidade; reflete a decepção com lideranças religiosas de instituições diversas, especialmente das mais tradicionais… E nós sentimos isso na alma, de forma muito crua e visceral. Em nível individual, estamos inseguros, receosos, incertos; sentimos a atmosfera pesada e uma desesperança que anuvia a visão e nubla nossos horizontes de nuvens cinza-chumbo; duvidamos de projetos pessoais, duvidamos de nós mesmos, duvidamos do futuro e não acreditamos mais em nada nem em ninguém. Sentimo-nos como que atolados na lama, nós mesmos, sem conseguir nos mover, porque há momentos em que pareçamos estar numa areia movediça e qualquer movimento só nos fará afundar mais. Sentimo-nos péssimos por não poder dar esperança aos mais jovens de que “tudo vai ficar bem”, porque nós mesmos não o sabemos, ou nos sentimos pior ainda, por mentir deslavadamente insistindo na falácia do tal do protagonismo, palavra da moda que instila fervor proporcional à dificuldade de sua realização em larga escala. Indivíduos com planetas ou ângulos em signos mutáveis – Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes – sentem esse peso de forma mais aguda e intensa, especialmente quando o Sol, Lua ou ASC estão envolvidos. Indivíduos nascidos na década de 70 são encurralados por essa quadratura, porque vivenciam, ao mesmo tempo, a quadratura Netuno-Netuno, um dos movimentos simbólicos da crise de meia idade – ou seja, são pegos no meio do fogo cruzado, ou melhor dizendo, no meio desse lamaçal!

Agende uma consulta e veja os significados e transformações da quadratura Saturno-Netuno no seu mapa natal e na sua vida!

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O futuro imediato traz sim, muita incerteza: Saturno permanece em quadratura a Netuno por todo o ano de 2016 e em boa parte deste período temos o “caldo engrossado” por Júpiter em Virgem, que se opõe a Netuno e quadra Saturno, significando maior retração econômica, recessão e uma possível proliferação de estados depressivos e de desencanto. Saturno trafega Sagitário, signo de expansão econômica, cultural, religiosa e espiritual, signo regido por Júpiter. Saturno em Sagitário vem cobrar a conta da expansão irresponsável e inconsequente que tomou lugar nos últimos anos e décadas. A crise de 1929, marcada pela quebra de Wall Street e que deflagrou um período longo de recessão econômica no mundo todo, ocorreu num trânsito de Saturno por Sagitário, combinado com uma quadratura de Urano em Áries a Plutão, que trafegava na época o signo de Câncer, não por acaso, oposto a Capricórnio, signo que Plutão trafega atualmente, ou seja, temos a mesma quadratura Urano-Plutão nos céus atuais, que, embora não fique mais exata, ainda permanece em orbe de 3/4 graus por quase todo o anos de 2016. Portanto, os próximos dois anos e os ciclos em questão dão seguimento às transformações e despertamentos iniciados em 2008 e nos convidam a uma reflexão e revisão profundas e viscerais dos nossos sistemas de crenças, das estruturas religiosas, dos sistemas e estruturas de poder, do paradigma cientificista e ultra-racional que explora e subjuga a Natureza indiscriminadamente e dos modelos políticos e econômicos que nos levarão à falência do planeta se não forem modificados – aliás, já atingimos um ponto em que não há retorno, o que precisamos é tentar diminuir o impacto daqui para a frente. Contudo, é melhor este estado de espírito atual, em que finalmente “caiu a ficha” do que o oba-oba consumista em que vínhamos. Como diz Sri Sri Ravi Shankar, “É bom estar desiludido. Significa que você está fora da ilusão e veio para a realidade.” E isso é, essencialmente, trabalho de Saturno-Netuno.

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Neste cenário lúgubre, líderes religiosos que se auto-intitulam redentores e salvadores da pátria, novos messias, líderes fanáticos e fundamentalistas, falsos profetas e ilusionistas, como simbolizados por Netuno em Peixes, junto com seus grupos, seitas e facções ultra-conservadores e intolerantes quanto à fé alheia, tendem a proliferar feito erva daninha, angariando legiões de fiéis que se voltam para eles sedentos por um fio de esperança que seja, por alguma certeza e segurança, num mundo em que as certezas simplesmente deixam de existir.

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Claudia Lúcia McKinney – Reprodução

Netuno representa o estágio da Solutio na Opus Alquímica. Na Solutio o Rei (Saturno) precisa morrer e é uma morte por afogamento (Netuno). O velho ego, enrijecido e podre, precisa ser dissolvido. Assim, o Rei se afoga, sob o olhar atento do alquimista, que assiste a tudo da margem, sem interferir. O alquimista é a consciência, que sabe que o ego e suas couraças precisam morrer, se dissolver, se desintegrar. Como o alquimista, precisamos deixar este Velho Rei morrer e abrir mão de tudo o que ele representa, para que possa ocorrer uma renovação verdadeira, para que se possa renascer mais limpo e purificado. E se por ocasião da conjunção, lá em 1989, Saturno estava mais forte, porque estava em seu próprio signo, Capricórnio, agora acontece o oposto, é Netuno quem está mais poderoso em Peixes e Saturno está mais enfraquecido, visto que trafega um signo alienígena à sua natureza de constrição, o expansivo Sagitário.

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O Rei deve se afogar – Imagem Alquímica – Atalanta Fugiens – Michael Maier – século XVI – Reprodução

A quadratura Saturno-Netuno se dissipa no fim de 2016, porém Saturno faz também quadratura a Quíron e esses dois em conflito não representam muito alento também não. Além disso, em 2017 Saturno ingressa em Capricórnio. E o que tem Capricórnio? Ora, é o Retorno de Saturno de todos os eventos que ocorreram em 1989/1990, assim como para as pessoas nascidas naqueles anos, ou seja, Saturno fará conjunção à conjunção Saturno-Urano-Netuno que acontecia naquele período, enquanto Netuno faz quadratura ao mesmo ponto – quer dizer, a cobrança e o acerto de contas acerca destes modelos falidos e excessivamente idealizados continua.

yuumei deviantartO meu intuito aqui não é deixar o/a leitor/a deprimido/a ou assustado/a. É, antes, provocar uma reflexão. Eu também não tenho pretensão nenhuma de ter respostas prontas e de dizer o que vai ou não acontecer. Obviamente que estes ciclos se desdobram desde que o mundo é mundo e sobrevivemos até aqui, estamos vivos e contando a História – a diferença é que antes, o homem não tinha alcançado o poder bélico e industrial de que dispõe hoje. Voltando ao que eu dizia, não quero deixar ninguém ainda mais sem esperança, muito pelo contrário! Repito: quero provocar uma reflexão a respeito dos nossos modelos e paradigmas enrijecidos e falidos – eles precisam mesmo se desintegrar, se dissolver e ser purificados nas Águas Grandes de Netuno.  Precisamos deixar ir, porque com Netuno, é o melhor que podemos fazer, abrir mão, soltar o que não presta/serve mais para liberar-nos para o novo. Isso tudo não deve nos desanimar e fazer jogar a toalha, mas sim lavar-nos da indecência e dos pecados políticos, econômicos, sociais e ambientais que temos cometido, conscientizarmo-nos de nosso papel individual. Também quero lembrar que neste cenário soturno e nebuloso que temos diante de nós, temos a grande responsabilidade de vigiar e orar, de cuidar de nós mesmos e tentar minimizar ao máximo – perdão pelo trocadilho absurdo – nosso impacto negativo pessoal nesta conjuntura, ou, melhor dizendo, tentar contribuir qualitativamente com atitudes conscientes, de sobriedade no consumo de tudo, desde a água, a todos os recursos naturais, energia, produtos industrializados, etc; tentar melhorar nosso entorno primando pela integridade individual, para que consigamos causar, em algum momento, uma transformação na identidade cultural e coletiva neste planeta; viver de forma íntegra, correta, buscando melhorias não só para si, mas para o todo, para o mundo. Até porque, um dos motivos de chegarmos ao ponto em que chegamos é termos aberto mão de nossa responsabilidade pessoal, esperando que governos e estados tomassem conta de nós, numa fantasia de redenção absurda digna de infantes incapazes – aliás, talvez ainda sejamos infantes dependentes de um salvador que nos salve de nós mesmos! Se estamos revoltados e desalentados por Mariana, devemos nos mexer em nossas comunidades para que o mesmo não aconteça em outras barragens. Quantas centenas de barragens existem pelo Brasil afora? Nem todas são de resíduos tóxicos, mas ainda assim, estarão seguras? Porque não se começa um movimento, por exemplo, de averiguação técnica de todas as barragens no país? Vamos esperar acontecer de novo? Quantas mais são da Vale, que já se provou criminosa? São medidas práticas que precisam ser pensadas e acionadas, só para começar por um problema!

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Lairie Lipton – O quarto Cavaleiro do Apocalipse Reprodução

Em resumo, só iremos sair desse grande enrosco, dessa encrenca sem precedentes, quando nos conscientizarmos da nossa responsabilidade pessoal, quando nos dermos conta de que não há separação entre realidade e corpo físico, alma, mente e espírito – esse é o modelo da Era da Razão, que está sendo desmontado e desmantelado. Da mesma maneira, não há separação entre eu o outro, somos feitos da mesma matéria e substancia, viemos da mesma origem e para lá voltaremos. Quando nos dermos conta disso, de que eu e o universo somos um só, então teremos uma chance de transcender essa realidade bruta e limitada, teremos, finalmente, aprendido a lição!

Em termos práticos, essa configuração também sugere proliferacao descontrolada de vírus e bactérias, o que leva a epidemias e, às vezes, até mesmo pandemias.

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PARA REFLETIR – Jung, em Psicologia do Inconsciente – Foto tirada da Fanpage Despertar Coletivo – Reprodução

 

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Quem tiver curiosidade sobre os principais eventos do ano de 1989 na esfera mundial, dê uma olhada nessa Linha do Tempo da BBC: Linha do Tempo 1989

(1) Astrid Fallon – Planetary Cycles at a Glance – Booklet – Fallon AStro Graphics

A Semana Astrológica: o peso da desesperança

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Christian Schloe Digital Art – Reprodução

Semana de 23 a 29 de novembro

A vida às vezes muda de forma inexorável, à revelia da nossa vontade… Às vezes isso ocorre de forma abrupta – um piscar de olhos e tudo se altera definitivamente. Em outras situações, a mudança vai se instalando sutilmente, vagarosamente, quase que imperceptivelmente e só conseguimos nos dar conta do porte e da grandeza de tal transformação quando olhamos em retrospecto, porque enquanto estamos no momento temos apenas uma vaga noção de que algo se move, embora não saibamos definir o quê. É como estar num navio imenso em alto mar, em que a embarcação parece se mover muito lentamente, embora esteja na verdade viajando a uma velocidade considerável – a velocidade média dos navios de cruzeiro varia entre 50 e 100 Km/h. Como não temos referências de pontos fixos ou de continente, fica mais difícil perceber a real velocidade do veículo.

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Magritte – Memory – Reprodução

Vivemos um tempo em que percebemos as mudanças nestas duas formas: há tanto mudanças radicais e completamente abruptas, como há também alguns movimentos mais sutis dos quais só nos damos conta depois que se instalaram de forma definitiva. Estas semanas que vivemos até o fim de dezembro exemplificam de forma especial esses padrões. A começar por esta semana, que está muito pesada, como se carregássemos o peso do mundo inteiro sobre nossos ombros, mas mais pesada ainda é a incerteza do que nos aguarda ali à frente, a desesperança.  Essa é uma semana super importante que vê a primeira quadratura Saturno-Netuno acontecer, a primeira de uma série de três e a significadora desse peso todo que carregamos no coração. Essa primeira quadratura ganha potência porque está praticamente exata no dia da Lua Cheia, que tende a tornar tudo ainda mais dramático e intenso. Saturno ganha os aliados Sol e Mercúrio, que fazem conjunção a ele por estes dias e Netuno fica encurralado em Peixes, com Sol, Mercúrio e Saturno do lado Sagitariano e a Lua do outro, em Gêmeos. Uma Lua Cheia que pode exacerbar ainda mais o fundamentalismo de grupos religiosos, que podem, por sua vez, desencadear o caos em pontos diversos do planeta, como já estamos vendo acontecer em várias partes do mundo. Uma Lua Cheia que vem acentuar, de forma muito dolorosa, o peso da nossa desesperança. 

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Pier Toffoletti – Reprodução

Além da Lua Cheia e da primeira quadratura exata entre Saturno e Netuno, Sol e Mercúrio fazem conjunção a Saturno e depois quadratura a Netuno. Marte em Libra também faz quincunce ao mesmo Netuno, daí o fato de essa quadratura ficar tão potencializada nesta semana. Mercúrio ainda faz sextil a Marte, dando uma voz mais direta a Marte, que fica meio hesitante e cheio de dedos em Libra. Mas essa hesitação Marciana pode depois virar uma metralhadora ressentida, atirando pelos motivos errados, na hora errada, nos alvos errados.

vem cá!

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Vênus em Libra, que é toda voltada para a construção de parcerias e que poderia ajudar com suas habilidades diplomáticas, encara nesta semana a necessidade de ser independente e mais direta, necessidade representada pela oposição a Urano em Áries e a quadratura separativa a Plutão, além do quincunce a Quíron – portanto, Vênus não pode se dar ao luxo de ser conciliadora por estes dias. Nos relacionamentos esse dilema pode se constelar de forma clássica, com um dos parceiros querendo compromisso e outro pulando pela janela ainda com as calças/ou saias nas mãos. É realmente muito difícil conciliar esse conflito entre querer estabelecer relações sérias e duradouras e ainda assim manter um senso de individualidade, liberdade e independência. Urano também acorda nosso lado mais libriano e conciliador para o risco, sempre presente, de nos perdermos no outro, de tentarmos agradar em demasia só para sermos parte de um casal – de abrirmos mão de quem somos por medo da solidão e do anonimato romântico. De modo mais geral e social, esses movimentos requerem cautela nos mercados financeiros, que tendem a ficar bastante instáveis e voláteis. Socialmente também há grande instabilidade e inquietação, como uma ameça a nos rondar, como se o chão fosse ruir sob nossos pés a qualquer momento – isso nem tanto por causa de Vênus, mas por causa de todo o contexto.

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Tiia Reijonen, on Behance – Reprodução

E como se não bastasse tudo isso, ainda temos Quíron voltando ao movimento direto no domingo. Quíron estacionou em 23 de junho a 21°33’ de Peixes e estaciona novamente para retornar ao movimento direto no sábado, dia 28, a 16°56’ de Peixes. Anna Maria Costa Ribeiro diz que um planeta, quando retrógrado, tem uma tendência à dissimulação de seus princípios e necessita de esforço de integração com o mundo externo. Nestes cinco meses em que Quíron ficou retrógrado, talvez tenhamos tentado ignorar ou dissimular algumas de nossas dores mais excruciantes; talvez tenhamos postergado o enfrentamento de algumas feridas e choques psíquicos com os quais não conseguíamos lidar. Escolhemos não ver, simplesmente. Agora que Quíron começa a se mover para a frente, temos a chance, ou melhor, precisamos parar com a dissimulação e lidar com estes assuntos, até porque, só conseguiremos chegar à cura quando não precisarmos mais dissimular coisa nenhuma, sendo este um dos sinais de que se está curado do que quer que seja: a gente não precisa mais fingir, não precisa mais criar desculpas – a gente simplesmente não se importa mais, ou, pelo menos, a gente consegue olhar as coisas que antes nos machucavam sem que aquilo nos incomode tanto e talvez até consigamos compreender o porquê de tais situações nos terem “acontecido”.

A Lua abre a semana na fase Corcunda, em Áries. Consolida seus esforços em Touro e torna-se plena e Cheia em Gêmeos na quarta-feira. Fecha a semana na fase Disseminadora, em Câncer, no domingo.

Dia a dia

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Do Tumblr – Reprodução

A SEGUNDA-FEIRA começa com a Lua Vazia em Áries, depois da conjunção a Urano, ocorrida ainda no domingo. Além de vazia, ela fica muitas horas sem fazer aspecto nenhum, amanhecendo bem isolada. A Lua entra em Touro às 14h26mine logo faz quincunce ao Sol recém ingresso em Sagitário. Vênus está hoje em oposição plena a Urano e em quincunce, também exato, a Quíron. A Lua também faz sesqui-quadratura a Júpiter e quincunce a Mercúrio, virando foco de um Yod-Dedo de Deus. Como ela faz sextil a Netuno em Peixes e quincunce a Marte (aspectos exato na madrugada de terça), Marte também vira foco de outro Yod. A segunda começa meio irritadiça, estamos feito bicho enjaulado, ou feito fera selvagem com a pata ferida que não deixa ninguém se aproximar para ajudar. As coisas estão desconexas dentro de nós e consequentemente o mundo também parece estar fora de sincronia. Temos dificuldade de nomear o que sentimos e mais ainda de expressar nossas necessidades, então, o dia fica passível de pequenas explosões de irritação e rebeldia. À tarde, quando começamos a achar nosso “chão”, as coisas poderiam se encaixar e entrar nos eixos, mas se antes não identificávamos o que sentíamos, agora não só identificamos, mas o sentimos intensamente, fisicamente até. Precisamos encarar algumas verdades emocionais que estão em dissonância com nossas “boas intenções” conscientes e um dilema se instala, entre sermos práticos ou intuitivos.

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Fearlessphotography – Reprodução

Precisamos fazer a sintonia fina interna – é isso ou corremos o risco de nos auto-sabotar mais adiante, ou até hoje mesmo, porque o fim do dia fica mais tenso e nos sentimos encurralados e pressionados por forças invisíveis de um lado e por promessas que tenhamos feito anteriormente e que agora percebemos, está difícil de cumprir. Juntando o pragmatismo com o excesso de franqueza, talvez nos vejamos às voltas com situações em que voltamos atrás no que dissemos, no que planejamos ou pretendíamos, ou ainda talvez sejamos pressionados a revelar segredos ou situações iniciadas lá na Lua Nova… De um jeito ou de outro, precisamos lidar com a situação de forma prática e simples, porque não adianta chorar sobre o leite derramado, precisamos mesmo é registrar o aprendizado. Vênus em contatos tensos com Quíron e Urano, exatos hoje, demanda que despertemos para algumas dores, aborrecimentos e dissabores que insistimos em ignorar.

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Precisamos encarar a verdade dos fatos e quanto mais “deselegantes” e sórdidas forem estas verdades, mais honestos precisamos ser. Desapegar-mo-nos dos ideais “bonitinhos” e insossos de relações perfeitamente planejadas e cheias de expectativas. Se tivermos coragem de nos mostrar tal como realmente somos, com nossas verdadeiras cores e em contrapartida, de igualmente  aceitar o outro tal qual é, talvez nos surpreendamos positivamente com relações mais prazerosas e genuinamente felizes, em lugar daqueles passos e falas ensaiados, mas vazios. Lua e Vênus estão em oposição por signo, sugerindo uma cisão no lado feminino, esteja ele na psique de mulheres ou de homens. É preciso encarar também as necessidades dissonantes dos desejos, que geram conflitos atrozes, não só internamente, mas também no mundo exterior, especialmente quando não estamos plenamente conscientes dessas contradições. Ser independente e livre ou ser parte de um casal; buscar a aceitação social ou mandar tudo às favas para focar na própria individualidade; conciliar nosso lado mais selvagem e primitivo com a necessidade social por civilidade… Damos conta de mediar esse conflito sem nos partir ao meio?

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Esse climão de estrangulamento perdura pela madrugada de TERÇA-FEIRA, perturbando a tranquilidade do sono porque os Yods Mercúrio-Marte-Lua e Lua-Netuno-Marte ficam formados por algumas horas. Ao longo do dia, porém, a Lua realiza aspectos mais favoráveis: faz trígonos a Plutão e a Júpiter, formando um Grande Trígono de Terra, que vira Pipa, devido ao sextil a Quíron, super desacelerado. Entretanto, a Lua faz também quincunce a Vênus e junto com Quíron, torna-a foco de outro Yod. Saturno está a três minutos da quadratura a Netuno. A Lua fica vazia às 23h27min, depois do trígono a Júpiter. Um Grande Trígono que talvez nos ajude a encarar os problemas com pragmatismo e talvez minimizar, nem que seja por um dia, a sensação de desesperança e fadiga que tem tomado conta de nós nos últimos tempos. Apazígua, mas não resolve. Estamos diante de um abismo, ou melhor, de um lamaçal de desilusões, que é nossa condição neste planeta, em termos sociais, políticos, religiosos, ambientais… E olhamos para nós mesmos e nos percebemos completamente incapazes de mudar algo, até em nossas próprias vidas. Entre sonhos, ilusões desfeitas e a realidade nua e crua a nos apontar o dedo acusadora, talvez cedamos e nos desequilibremos momentaneamente, incapazes de lidar com tanto desajuste. Mas aqui mora o potencial de transformação porque Urano, em oposição a essa Vênus foco do Yod aponta que a saída é pela verdadeira revolução individual de cada um, enquanto não mudamos nós, não muda o mundo. Rebelar-nos contra o excesso de placidez e conciliação. Felizmente este Grande Trígono nos dá alguma sustentação de maneira que conseguimos “segurar a onda” e manter os pés no chão e a cabeça no lugar. Conseguimos olhar de forma mais prática e adotar algumas medidas objetivas que nos ajudem de alguma maneira a ser realistas, mas com temperança, com um estoicismo de quem não sabe o que o futuro traz e se prepara o melhor que pode para lidar com as coisas como elas são: sem expectativas. E, se não podemos curar o mundo todo, podemos pelo menos cuidar do nosso entorno e fazer pequenas coisas, mudar pequenas atitudes concretas que melhorem de forma prática situações pontuais.

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A Lua entra a QUARTA-FEIRA vazia em Touro. Mercúrio faz conjunção a Saturno e quadratura a Netuno, que já estão quase exatos também. A Lua ingressa em Gêmeos somente às 15h16min e é Cheia às 20h44min, a 03°20’ de Gêmeos, em quadratura a Netuno e oposição a Saturno e Mercúrio, além do Sol. A quarta-feira começa muito preguiçosa e em marcha lenta. É difícil concatenar as ideias quando o corpo está “pesadão” e querendo apenas repouso, especialmente porque a mente está incomumente pessimista e sombria hoje. Sentimos o peso da realidade massacrando nossa visão extremamente idealista da vida e do mundo. Ou talvez nos identifiquemos em demasia com o cobrador dos impostos morais e apontemos o dedo para aqueles que julgamos menos íntegros do que nós. Mas será que realmente podemos apontar o dedo para alguém, quem quer que seja?

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Hoje nos deparamos com uma realidade sombria, ainda mais sombria do que tínhamos intuído e embora talvez possamos dizer que tal realidade não é nossa “culpa” direta, não podemos, de forma alguma, nos isentar da responsabilidade moral pelo estado em que o mundo está, porque estamos neste planeta, e de um jeito ou de outro, contribuímos para a forma com que ele se apresenta – nós construímos essa realidade em que nos encontramos, direta ou indiretamente, por ação ou omissão. A Lua Cheia potencializa de forma severa e ampla os temas da quadratura SATURNO-NETUNO, Gêmeos-Sagitário é o eixo da propagação de informações, crenças, conhecimento. Então, se ainda havia alguém neste planeta inconsciente do abismo e do desastre material, ambiental, espiritual que construímos para nós mesmos ao longos dos séculos, agora não poderá mais argumentar desconhecimento, porque os ventos da Lua Cheia Geminiana espalharão essas verdades sombrias aos quatro cantos do mundo  e quem não souber via meios formais, intuirá ou sentirá no âmago do ser que algo está mesmo muito errado – precisamos lidar com as consequências da desintegração física e moral do mundo que criamos. O preço da ignorância será mais alto no futuro, portanto, não há escolha.  Mas se essas influências propagam as verdades das quais não podemos fugir, também trazem o potencial de buscarmos soluções práticas no aqui e agora, que possibilitem  uma cura, ou pelo menos uma maior consciência da interconexão da vida. Mais sobre a Lua Cheia na quarta-feira.

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Yuumei, on Deviantart Reprodução

Saturno em Sagitário completa a primeira quadratura plena a Netuno em Peixes na QUINTA-FEIRA, dia portentoso, que torna mais aguda a sensação de desamparo que viemos sentindo há muitas semanas – leia sobre Saturno-Netuno. A Lua está envolvida em duas T-Squares Mutáveis, uma separativa envolvendo Sol, Mercúrio, Saturno e Netuno e a outra envolvendo Júpiter e Quíron, da qual ela, dona Lua, é o foco. Como ajuda ela faz trígono a Marte e Vênus em Libra e sextil a Urano em Áries, mas também faz quincunce a Plutão em Capricórnio. Qual o preço de uma boa vida? Qual o custo de uma vida boa? O que é uma vida boa – sob a perspectiva de quem? Será que precisamos mesmo de toda essa parafernália consumista e tecnológica que se torna obsoleta tão logo é comprada? Como é que viemos parar nesse buraco sem saída em que nos encontramos? Um buraco que é tanto econômico quanto social, moral, religioso e espiritual? Um ponto de interrogação nas nossas crenças, uma dissolvição nas verdades absolutas que acalentamos por tanto tempo, a confrontação da falácia das responsabilidades não assumidas na construção deste mundo pós-moderno. Um dia sujeito a muitas crises, em que precisamos confrontar nossa imoralidade e amoralidade no que tange aos desmandos empreendidos contra o planeta, contra a natureza e em última instância, contra o próprio ser humano. Estamos encalacrados, mental e espiritualmente, sem saída possível que não seja admitir que falhamos miseravelmente na condução deste “mundo novo” com o qual sonhamos tanto e que agora está ruindo sob nossos pés, porque não tem sustentação, porque foi baseado em mentiras, ilusões e engôdos e porque escolhemos postergar o enfrentamento das consequências como se nunca tivéssemos que encará-las. Será que podemos mesmo alegar que fomos enganados e ludibriados pela mídia, governos, políticos, conglomerados multinacionais? Ou fomos nós que escolhemos não ver para onde estávamos indo porque era mais confortável, porque não queríamos sair do conforto do rebanho? Será que é porque às vezes é melhor se sentir conduzido, para não se ter que arcar com responsabilidades? São questionamentos que calam fundo na nossa mente e também na alma e se há uma solução ou cura possível, ela passa primeira pelo enfrentamento dessas verdades duras. Estamos dispostos a olhar para nós mesmos e assumir nossa parcela de responsabilidade?

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George Underwood – Reprodução

Ainda em quadratura a Júpiter em Virgem, a Lua, Cheia em Gêmeos, abre a SEXTA-FEIRA. A Lua se harmoniza com Vênus e fica vazia depois deste contato, à 01h36min. Ingressa em Câncer somente às 17h27min. Quíron estaciona a 16°56’ de Peixes. Mercúrio, regente da Lua, está em Sagitário, separando-se da conjunção a Saturno e da quadratura a Netuno e aproximando-se outra T-Square, com Júpiter e Quíron. Um dia em que talvez precisemos calar a mente e entrar em estado meditativo, o que quer que estejamos fazendo, ao invés de nos espalhar em muitas direções. Um dia inteiro de Lua vazia, que sugere reflexão e ponderação. Por mais que tenhamos impulsos de voejar por aí, talvez seja melhor conter a inquietação ou desperdiçaremos tempo e energia porque as conexões hoje estão interrompidas temporariamente. Antes de ir lá fora é preciso encontrar a ancoragem adequada, para que a mente não fique excessivamente inflada de pensamentos fúteis, superficiais e vazios, perdida nas próprias voltas e dobraduras infinitas. Talvez seja mais útil e proveitoso repassar planos, fazer análises mais profundas acerca das pontes que devemos construir e dos acordos que precisam ser negociados. Hoje apenas se alinhava, para que o ponto e a costura definitiva sejam feitos depois. Temos muito tempo e muito estímulo mental, então, podemos nos perguntar: aonde chegamos com tanto conhecimento e tantas habilidades? Como podemos colocar tal conhecimento e habilidades a serviço da melhoria da vida? Que ideias simples mas viáveis podem  nos apontar soluções criativas para as dificuldades que estamos enfrentando? Às vezes, em momentos de descompromisso relaxamos da pressão e as ideias podem fluir melhor e mai criativamente – não desperdicemos essas oportunidades.

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Karl Persson – Reprodução

No SÁBADO a Lua Canceriana faz quincunces ao Sol, Saturno e Mercúrio em Sagitário. Faz também quadratura a Marte em Libra e a Urano em Áries, além de se opor a Plutão em Capricórnio, formando, os quatro, uma Grande Cruz Cardinal que deixa o sábado bastante tenso. A Lua ainda faz trígonos a Netuno e a Quíron em Peixes, que estaciona para voltar ao movimento direto às 04h43min. O Sol faz conjunção a Saturno, exata amanhã. Alguns dos conflitos que pipocam neste sábado podem nos lembrar de tantos outros ocorridos entre março e julho do ano passado, quando tivemos essa mesma Grande Cruz armada por muitos meses – exceto pela presença de Júpiter, que está hoje em Virgem. O sábado fica carregado com uma atmosfera reativa e inflamável. Contendas e antagonismos envolvendo questões familiares e relacionais, que sofrem com as pressões provenientes do trabalho, da vida pública e dos papéis e expectativas sociais. O indivíduo não quer ceder, pois sente que já negociou em demasia; a família faz drama e talvez recorra a chantagens e alguma manipulação; o parceiro reclama de ficar sempre em último lugar; o patrão cobra mais comprometimento… No fim, ficamos estrangulados neste curto-circuito, fechado e perigoso. É preciso tomar decisões e já; fazer escolhas que permitam que tenhamos mais desenvoltura, que criem tempo e espaço para darmos prioridade ao que de fato é prioridade. Se assim não for, podemos explodir nossa raiva e frustração, nossa agressividade passiva nos lugares errados, inclusive contra nós mesmos. Uma maneira de contornar toda essa reatividade é tentar nos colocar no lugar do outro e ter compaixão por seus dilemas, que certamente são muito parecidos com os nossos – ao invés de percebê-lo como inimigo ou opositor, tentar entender suas motivações e razões, porque ele é um reflexo da dificuldade interna que teimamos em não ver. Por outro lado, toda essa energia cardinal exige canalização e seria um grande desperdício não empregá-la em alguma atividade criativa que exija toda essa capacidade de liderança, de gestão e de execução. É preciso pois entrar em ação, pois a inatividade hoje pode ser letal ou pelo menos, perigosa. Onde podemos empregar toda essa estamina e energia de alta voltagem?

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John Roddam Spencer Stanhope – Artista Pre-rafaelita – Reprodução

O DOMINGO chega com essas e outras tensões. A Lua Canceriana faz sextil a Júpiter em Virgem e quadratura a Vênus em Libra, ficando vazia depois deste contato, às 10h47min. A Lua ainda faz sesqui-quadraturas a Saturno e ao Sol em Sagitário, tornando-se Disseminadora a partir deste aspecto com o Sol. O sol está em conjunção plena a Saturno  e em quadratura a Netuno em Peixes. Hoje o peso da cobrança simbolizada por Saturno-Netuno recai sobre nossos ombros de forma mais consciente – parece que despertamos de um sonho nebuloso para uma realidade penosa, inclemente. Talvez a pregação do padre, do pastor, do guru ou mesmo do nosso alter-ego interno seja bastante implacável, o que nos faz balançar e resvalar em culpas ancestrais. Uma sensação terrivelmente incômoda de peso, desesperança, insegurança, incerteza colore o dia de cinza. Nossos “pecados”, sejam eles pessoais, sociais ou coletivos estão escancarados dentro de nós e à nossa frente. Como pudemos nos enganar por tanto tempo?  A consciência de tais “pecados”, dívidas coletivas sejam elas materiais ou energéticas, delitos e transgressões sociais, nos faz sentir como no momento da Queda de Adão, da expulsão do paraíso, porque é assim que nos sentimos hoje: excluídos do amor do pai e sujeitos à sua fúria e olhar reprovador, um Pai que é um Javé legislador e implacável. Mas se nos conscientizamos de nossa queda e de nossa falibilidade, não é para nos prostrarmos na histeria moralista e autoflagelante, na culpa hipócrita que nada retrata, atitudes que também não trarão nenhuma solução prática. Antes, precisamos utilizar essa nova consciência para mudar o que realmente pode ser mudado: nossa atitude pessoal; primar pela integridade que nos dita para Ser o que se é, falar o que se crê, crer no que se prega, viver o que se proclama, até as últimas consequências” (Dom Pedro Casaldáliga). Assim chegamos a um senso sólido e consistente de autoridade interior que prescinde de moralismos e outros ismos fajutos e que está disposta a se comprometer para transformar, de fato, o mundo em que vivemos, a partir da fé, da visão de um mundo mais justo, do conhecimento aplicado – elementos que devem se manifestar em ações concretas e na nossa atitude mais consciente e mais responsável, e que engloba as perspectivas física, mental, sentimental e espiritual. Será que conseguimos?

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Uma semana de paz, discernimento, consciência e luz para você, onde você estiver!

Sagitário – A Busca por Significado

1SAGTDepois do mergulho profundo nas águas sombrias de Escorpião voltamos à superfície para virarmos NÔMADES e EXPLORAR o mundo, indo cada vez MAIS longe, em busca do SIGNIFICADO e do SENTIDO da Vida. Sim, chegamos ao signo de SAGITÁRIO!

Do site de Antroposofia Edna Andrade nos diz: “Sagitário não só possui um Eu como sabe que o possui e através dessa consciência intensificada ele cria uma imagem de si no exterior. Ele projeta no exterior a força de sua luta interna que é a própria luta do centauro, do ser humano emancipado por um lado na sua inteligência mas por outro lado, em luta constante para superar suas forças animalescas, seus instintos selvagens, suas forças egoísticas.” (1)

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Arcanjo Miguel – Catedral de Chartes – Reprodução

“No portal sul da Catedral de Chartres, a escultura de Micael preside as 3 hierarquias. Rudolf Steiner constantemente se refere a ele como o Regente desta nossa Época, com a missão de dominar o Dragão, o ser mítico representado pelo nosso intelecto, quando a sabedoria cósmica é apropriada através da compreensão das leis, através da ciência natural e precisa ser colocada no mundo de forma mais ampla para o bem de todos. Tanto no aspecto pessoal de construção da personalidade como neste aspecto temporal, esta luta representa um cair e levantar constantes.” (1)

 

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Sagitário – Ilustração Medieval – Reprodução

SAGITÁRIO é FOGO Mutável, Masculino, Ativo, Positivo. Traz em si toda a FÉ, o OTIMISMO e a CONFIANÇA na vida que são tão elusivos para Escorpião. AVENTUREIRO, EMPREENDEDOR, ENERGÉTICO e GENEROSO, sua fé na vida é tão grande que nada costuma derrubá-lo por muito tempo. Depois dos piores problemas, ele levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima com o mesmo sorriso confiante no rosto. As pessoas costumam invejar a sua BOA SORTE, mas não é que ele não tenha problemas como todo mundo, é simplesmente que seu grande otimismo o leva a acreditar que não importa o tamanho da confusão, no fim tudo dará certo, e por ser tão otimista, os deuses parecem de fato favorecê-lo com muitas benesses e dádivas.

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Zeus, o Deus do Raio e do Trovão – Reprodução

Claro, seu regente é nada menos que JÚPITER, Zeus para os Gregos, o poderoso Deus do Olimpo, regente de todos os outros deuses. Júpiter é chamado o Grande Benéfico. Com um regente assim, não se podia esperar nada diferente do que muita boa sorte, certo?

Sim, mas há alguns poréns: exatamente por confiar demais na boa sorte, Sagitário às vezes não se dá conta de a vida tem sim, limites, e de que algumas regras precisam ser respeitadas. Alguns de seus defeitos são a INDISCIPLINA e a FALTA DE CUIDADO, o EXAGERO, o que o leva a se meter em confusões que seriam dispensáveis.

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Símbolo de Júpiter, regente de Sagitário – Maria Eunice Sousa

A ABUNDÂNCIA parece seguí-lo e ele é abundante e generoso em sorrisos, em alegria, sendo sempre a ALMA DA FESTA com sua alegria e espírito festeiro. Da mesma forma, é extremamente popular, tendo legiões de amigos que o seguem como mariposas são atraídas para a luz.

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Sagitário by Salvador Dali – Reprodução

HONESTO, SINCERO, CÂNDIDO, ele chega a ser grosseiro tal a sua “sinceridade”, que muitas vezes é mesmo FALTA DE TATO. Também costuma ser EXAGERADO e um tanto DESASTRADO. Fisicamente costuma ter dentes grandes, para enfatizar o largo sorriso que tem permanentemente no rosto. Mas a parte do corpo que ele rege são os quadris e as coxas, e os nativos costumam tê-los bem avantajados. Corpo, aliás, que é vivenciado com desconforto, porque o corpo representa limites terrenos com os quais ele não quer lidar: o corpo precisa ser alimentado, o corpo precisa ser cuidado, asseado… O corpo precisa dormir, quando há tanta coisa para se explorar, se descobrir, se viver… mas o corpo precisa DORMIR!!! Assim, ele tenta esticar as horas do dia, tentando fazer com ele tenha 30 ou 50 horas, para viver tudo o que quer viver. Ironicamente, sem dormir adequadamente o Arqueiro vira um bicho enjaulado. É o corpo cobrando seu preço pelo maus tratos.

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Sagitário na iconografia antiga – De um livro Medieval de Astrologia – Wkimedia Commons

Ele está mesmo interessado é na visão MAIOR das coisas, na EXPANSÃO da vida. LIBERDADE, ESPAÇO, LUGARES ABERTOS e VIAGENS são essenciais para que ele se sinta confortável. Nada de rédeas ou amarras, ou ele sai antes que você se dê conta!  Ele precisa saber que todas as portas e janelas estão sempre escancaradas, mesmo que jamais vá usá-las, porque se puser tranca, ele terá um ataque de claustrofobia e jamais voltará!

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Steve Hanks – Reprodução

INTUITIVO, está sempre antenado com as possibilidades que o futuro traz, e é isso que seu símbolo, a flecha, vem nos lembrar: uma seta sempre aponta para o alto, para onde seu olhar está voltado. Por isso mesmo tem dificuldade de viver no momento presente, pois sua visão é de LONGA DISTÂNCIA e é uma visão que ele detesta ter que explicar, porque ele simplesmente “sabe” que algo é assim, então não peça para ele colocar em Palavras ou conceitos lógicos. Bah! Que coisa mais chata esse negócio de ser sempre lógico e preso a conceitos rígidos! A visão maior dispensa lógica!

As VIAGENS, especialmente de longa distancia não só estão sob sua jurisdição, como são alimento para sua alma. Ele ama viajar e correr mundo, de preferência com o mínimo de bagagem, porque gosta de andar leve, seja literal ou figurativamente. Outras viagens tão importantes quanto são as viagens empreendidas pela mente e pela imaginação. CONHECIMENTO também é seu alimento, por isso rege também o ensino superior, a FILOSOFIA, a RELIGIOSIDADE e as CRENÇAS. Está permanentemente em busca da conexão com o divino, fazendo as GRANDES PERGUNTAS da vida: Por que? Qual o sentido disso? Qual o significado? SIGNIFICADO é algo primordial, tão essencial que ele pode estar atravessando a pior das crises, mas se encontrar um sentido para tudo o que está acontecendo ele já se sente melhor. O que ele odeia mesmo é quando nada faz sentido.

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Sagitário by Oswalda Griggas – Wikimedia Commons

Uma vez que Júpiter é seu regente e Júpiter rege as leis e a justiça, estes são assuntos também muito caros ao Arqueiro, assim como a moralidade e a ética. Quando negativo, ao invés de moralidade ele descamba para o moralismo. A política também é um assunto que o apaixona porque interessa à sociedade e Sagitário é um signo SOCIAL e ele quer saber como a sociedade funciona. Aliás, ele tem uma gama de interesses tão vasta que é difícil dizer no que ele NÃO está interessado, até porque  tem uma capacidade incrível de captar com grande facilidade a essência de qualquer assunto num piscar de olhos.  Também é muito interessado na moda e costuma ditar tendências sendo o primeiro a usar coisas que os mais tímidos só ousarão depois que aparecer na Vogue. Claro, às vezes ele erra feio. De modo geral não tem medo de usar cores berrantes e contrastantes na mesma produção, especialmente se tiver estamparias grandes e exóticas que o façam se sentir à vontade, confortável, como se estivesse sempre… De férias!

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Andarilho, um dos arquétipos de Sagitário – Google Imagens

Culturas estrangeiras, países estrangeiros são coisas que o fascinam e ele tem grande facilidade para línguas também. Ele gosta de ver o diferente, de EXPLORAR novas possibilidades e de ver as soluções que outros povos encontram para certas questões comuns e universais.

Tudo muito bem, tudo lindo e maravilhoso, como Sagitário gosta. Mas será que é só isso? Será que tudo é sempre tão luminoso assim? O que dizem os mitos e as figuras arquetípicas deste signo?

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Júpiter – Beham, (Hans) Sebald (1500-1550) 1539 – Wikimedia Commons

Do livro A Astrologia do Destino, de Liz Greene, trago um resumo destes principais mitos, cujo tradução reduzida é enfatizada pelo itálico do texto: Sagitário é regido por JÚPITER, Zeus para os gregos, o poderoso soberano do Olimpo. Como sempre, olhar a figura que rege o signo pode dar pistas preciosas a respeito de sua psicologia e dinâmica. Zeus era um deus extremamente competitivo e conquistador compulsivo. Ele desbancou o pai Saturno e lhe tomou o lugar, apesar de Saturno ter tentado engolir todos os filhos para impedir isso. Ele é um deus extremamente masculino, mas seu poder vem da Mãe Terra, Mãe Rhea, embora ele tente ignorar todos os detalhes que o lembrem disso. Apesar de ter vencido os Titãs, sua vitória e ascensão ao Olimpo se deveu muito à política e a negociações envolvendo Rhea e alianças de casamento, o mais importante deles sendo com sua irmã, Hera. “Quando ele aparece como o rei vitorioso dos deuses, superando os Titãs terrosos e estabelecendo seu próprio domínio celestial, ele reflete o surgimento na consciência coletiva de um principio espiritual que é maior do que Moira, que regia o destino e a vida de deuses e mortais até então” pondera Greene – encontramos as Moiras no signo anterior, Escorpião. Com o advento da consciência o homem não está mais completamente à mercê do mundo instintual, do “fado” do destino  que lhe era dado e do qual não havia como escapar. Assim, é mais que apropriado que Sagitário venha depois de Escorpião, “porque Zeus personifica aquilo que pertence ao espírito eterno e não à carne mortal”.

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Jupiter e Juno (Zeus e Hera) by Anibal Carracci – Domínio Público

Zeus surge pois da dominação da Grande Mãe e assume o poder no Olimpo. Ele não pertence à terra, mas sim ao éter. É o Deus do Trovão e do Relâmpago; é o Grande Pai, o Grande Rei, oferecendo a luz do espírito, que agora pode almejar libertar-se das garras da Necessidade, uma das três Moiras, também chamada Ananke, aquela que tecia o Fio do Destino.

Zeus representa pois, o espírito indomável, livre, solto, sempre conquistando, sempre em busca do próximo alvo. Deitava-se com deusas, mortais, ninfas, semi-deusas, solteiras, casadas, quisessem elas ou não. Nas suas conquistas transformava-se em tudo quanto era forma para seduzir sua presa: cisne, garanhão, chuva e isso indica a grande mutabilidade do signo, sempre mudando de forma, de idéias, de projetos… Não havia limites para seu poder de sedução. Promíscuo como era, sua prole era numerosíssima e isso simboliza a infinita fertilidade do deus e do espírito, que pode imaginar e visualizar tudo em sua intuição rica e sem limites.

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Mas ele não era tão livre assim, pois estava casado com Hera, com quem vivia em brigas perpétuas, algo como nosso moderno “entre tapas e beijos”. O motivo principal, claro, era a sua infidelidade e promiscuidade flagrantes. E ela, como boa esposa ciumenta, espionava, perseguia, investigava e infernizava a vida não só das “outras”, como também da sua prole ilegítima – lembra o que ela fez com Hércules e Dionísio? Greene diz que Hera representa um espinho eterno no seu lado divino. “Esse contrato de casamento, porque há sempre um contrato, é uma obrigação e um laço permanente que o liga eternamente ao mundo feminino da forma” queira ele ou não. Sendo o Rei dos Deuses, ele não poderia simplesmente largar Hera e se livrar de suas queixas? Não, ele não poderia, especialmente porque ela era não só esposa, como irmã e eles são iguais. Eles não conseguem e jamais se livrarão um do outro. “Esses dois permanecem eternamente fechados numa batalha e eternamente casados, uma imagem do espírito-criador fogoso ligado ao mundo da forma, ao mundo dos laços e compromissos humanos, o mundo da moralidade, da “decência” e das responsabilidades mundanas, que é tanto parte da natureza de Sagitário quanto a  promiscuidade selvagem da qual Zeus é o emblema”.

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Zeus e Sêmele – Gustave Moreau – Reprodução

Esse é o padrão básico de desenvolvimento de Sagitário: sendo um espírito livre e indomável, cedo na vida cai na armadilha da qual ele tanto corre: as obrigações do casamento e da vida mundana. Ou porque ele ou ela engravidaram, ou porque são presas de artimanhas – sim, ele é muito ingênuo às vezes – o fato é que esse “contrato” vira um laço que é sentido como uma espécie de armadilha que o obriga a levar uma vida “decente”. Claro, há muitos que evitam essas coisas como o diabo foge da cruz, e seguem feito andarilhos, mundo afora, de montanha em montanha, de trilha em trilha, sem lenço e sem documento, felizes por não carregar as tais bagagens pesadas. Mas mesmo estes uma hora se deparam com o seu “destino” e precisam descer à terra e cumprir certas obrigações.

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Io e Zeus by Giovanni Ambrogio Figino – Domínio Público

Como diz Greene, “Sem Hera, Zeus não seria nada. A maior parte de seu poder ele deve a ela e na verdade, é a própria tensão causada pelo laço do casamento que o faz ser infiel. É esse laço que o mantém vivo e vital. Sem esta fricção ele se tornaria preguiçoso e displicente, qualidades que demonstra em várias de suas estórias e é duvidoso se ele perseguiria tantas amantes com tamanho entusiasmo se elas não fossem proibidas a ele.”. 

O que é o espírito, o talento, a criatividade, a imaginação se não forem manifestadas no mundo concreto? É isso o que Hera representa, a necessidade de obedecer a regras e limites quando se quer chegar a algum lugar. A fertilidade, o talento não chegam sozinhos a lugar nenhum. Se não houver grandes doses de trabalho, transpiração, COMPROMETIMENTO, ficaremos somente nos sonhos, nos ideais, nas imagens fabulosas da imaginação, sem nunca realizar nada.

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Zeus e Hera – Desenho de baixo relevo de um altar romano – Domínio Público

Por isso, assim como Gêmeos, seu oposto complementar, Sagitário está relacionado também ao arquétipo do Puer Aeternus, a Criança Divina que não quer crescer e que representa os potenciais infinitos e ilimitados do espírito humano. O mundo está cheio de Puer Aeternus e Peter Pans, especialmente o mundo das artes e do entretenimento. Aquele grupo sombrio de artistas que morreram aos 27 anos de forma trágica é povoado por eles. Jimmi Hendrix, Janis Joplin, James Dean, Amy Whinehouse, só para citar alguns. Sem Hera, sem Wendy, Zeus e Peter Pan viram uma anomalia na Terra do Nunca, cheios de possibilidades e potenciais nunca realizados, nunca concretizados, seja por preguiça, por receio ou por terror de falhar.

Assim, por pior que a “armadilha” pareça, o corpo, o casamento, o trabalho, a carreira, o filho… Ainda é isso o que faz o Centauro crescer e mobilizar seu espírito criativo em algo tangível e palpável.

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Quíron – Reprodução

Um outro mito que não pode deixar de ser mencionado é o mito do Centauro Quíron.  O mito de Quíron tem várias versões diferentes. Às vezes ele é retratado como ancestral dos centauros, criaturas que eram metade cavalo e metade humanos. Em algumas versões os centauros descendiam de Centaurus, filho de Apolo e Estilbe, ou de Ixion e Nephele, uma nuvem feita à semelhança de Hera. Os centauros habitavam o Monte Pelion, na Tessália, região da Grécia. Na versão mais conhecida do mito, Quíron era filho de Cronos (Saturno) e da ninfa Filira, filha de Oceano e Tétis. Cronos viu Filira pela primeira vez quando procurava por Zeus, que tinha sido escondido por sua esposa Rhea. Filira tentou fugir de Cronos transformando-se numa égua. Ele perseguiu-a ainda mais e enganou-a transformando-se também num cavalo, conseguindo assim consumar a união, da qual nasceu Quíron, que tinha pernas e corpo de cavalo e torso e cabeça de homem. Quando ele nasceu, Filira ficou tão enojada e desgostosa que implorou aos deuses para ser transformada em algo diferente do que ela era. Os deuses atenderam seu pedido transformando-a na árvore Tília. Liz Greene fala que não importa a versão do mito, o que importa é que ele é um filho da terra, por um Titã ou um mortal, ele não é do Olimpo.

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Saturno e Filira – Reprodução

Quíron foi abandonado e encontrado depois por Apolo, que se tornou seu pai adotivo. Ele cresceu forte e saudável e Apolo ensinou-lhe muitas artes. Era muito inteligente e tornou-se um professor muito sábio e respeitado, a quem todos os heróis gregos, filhos de reis e de deuses eram enviados para com ele estudar. Era musicista, profeta e um médico e curador potente, também grande herbalista e filósofo brilhante. Além disso, era correto, nobre e íntegro. Ele foi o mentor de muitos heróis gregos famosos, como Jasão, Aquiles, Hércules e Asclépio, ou Esculápio, o deus da medicina. Mesmo assim, Quíron trazia consigo o dilema intrínseco da dualidade: não era nem cavalo nem homem. Seus iguais, centauros, eram criaturas extremamente primitivas, devassas, desregradas e grosseiras. Já Quíron tinha uma natureza benigna e pacífica, portanto não se sentia à vontade entre os seus. Como não era humano, também não se sentiam completamente confortável entre os homens. “Ele era uma deidade ctônica e pertence àquele grupo de meio-animais fálicos que eram tutores dos deuses, simbolizando a sabedoria da terra e do próprio corpo”. Diz Liz Greene

Uranographia by Johannes Hevelius. The view is mirrored following the tradition of celestial globes, showing the celestial sphere in a view from ouside

Uranografia by Johannes Hevelius – Wikimedia Commons

Ele se tornou o Rei dos Centauros. Mas um dia, Quíron se feriu numa das flechas que Hércules tinha molhado no veneno letal da Hidra de Lerna, aquela que encontramos em Escorpião. Numa versão do mito ele teria se ferido durante uma briga entre os centauros e Hércules. Em outra ele teria se ferido por acidente. O veneno da Hidra era letal e matava instantaneamente; porém, por ser filho de um Deus, Quíron era imortal. Assim, criou-se um dilema sem solução e o resultado foi uma ferida hedionda que doía de forma excruciante, para a qual não havia cura possível. Assim, ele está aprisionado, sendo o próprio corpo a sua armadilha. Ele se fere na coxa ou no joelho, a parte do corpo que nos sustenta, sobre a qual nos mantemos de pé e também um sinal de que a ferida é na sua natureza animal. Greene diz que Quíron é apenas um de uma longa lista de deuses ou semi-deuses, imortais, que são feridos fisicamente, geralmente nos pés ou pernas, tornando-se aleijados, uma ferida na sua relação com a realidade física. Uma mistura irônica de luz e de sombra. “Meu sentimento é de que essa tristeza e essa ferida são parte integral de Sagitário e formam um tipo de depressão ou desespero abaixo da superfície otimista e luminosa do signo. Acredito que é por isso que Sagitarianos podem ser tão maníacos nos seus esforços extremos para ser feliz e divertido. Zeus pode criar relâmpagos e trovões nos céus e não há signo mais positivo ou resiliente. Mas escondido na caverna está o Centauro sofredor, que pode curar e dar conselhos sábios a todos os males dos homens menos para o próprio, que é envenenado pela colisão de sua natureza benigna com a escuridão e o veneno do mundo”.

Quíron retratado mosaico encontrado em Edessa, do sec Vou VI

Quíron retratado em mosaico encontrado em Edessa, do sec V ou VI – Wikimedia Commons

Possivelmente, por causa dessa mesma ferida e dessa mesma tristeza, Sagitário seja capaz de oferecer esperança aos outros e não apesar dela. O que fica claro a partir da estória de Quíron e de Zeus é que este signo não fica confortável no corpo, porque o corpo é a prisão que o tolhe e causa sofrimento. E o corpo representa também os limites da realidade, da experiência de ser humano. Por isso, às vezes o vemos tornar-se catequizador, fanático, um verdadeiro pregador da fé e do otimismo, tornando-se o dono  da verdade, tentando a convencer a todos do seu credo, para esconder as profundas dúvidas internas a respeito daquilo que tão enfaticamente prega; e mesmo sendo um signo incrivelmente honesto e direto, pode aos poucos ir fazendo uso da hipocrisia, novamente para mascarar essas dúvidas, que ele não ousa admitir nem para si mesmo. Para ele é muito difícil admitir que seu otimismo exuberante não consegue vencer todas e que há um lado sombrio na vida, que não faz sentido, que não tem explicação filosófica ou metafísica que justifique. O Palhaço é uma das figuras arquetípicas deste signo, exatamente porque configura aquele que faz rir de forma histérica, colocando uma máscara sorridente e espalhafatosa, quando às vezes, por dentro, ele está afundando na tristeza. Se se encara isso, esse buraco negro da dúvida, pode ser desesperador demais, então ele prefere sorrir. Alguém já disse que não é uma boa idéia tirar a fé de um homem, porque às vezes, isso é tudo o que ele tem.

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O Palhaço, um dos arquétipos de Sagitário – Reprodução

Liz lembra que Zeus preside Sagitário, como seu regente, mas Quíron está ali, uma presença incômoda e desconfortável, a lembrar a esse otimista Todo-Poderoso que ele ainda tem que lidar um lado humano e falho e que há coisas que ele não vence com seu otimismo inabalável. O corpo, sendo sentido como um alienígena, pode ser esse lado da vida que é desconfortável, complicado de entender e honrar. A ferida, diz Liz, “aponta para cima e para a eterna vida do espírito; também aponta para baixo, para a igualmente divina vida do corpo que deve suportar tal alma de fogo e sofrer de acordo com ela. Como o magnun miraculum do Corpus Hermeticum, Sagitário é uma criatura de dignidade e honra, parte daimon e parte deus, parte animal e parte imortal, que volta seus olhos para a parte imortal de si mesmo e que deve pagar o preço necessário de cuidar do corpo sofrido que ele ignorou por tanto tempo. 

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Sagitário by Johfra Bosschart

Figuras Arquetípicas de Sagitário

Zeus e Hera; O Pai Divino; O Puer Aeternus; Peter Pan; A Criança Divina; Quíron, o Centauro; O Viajante Aventureiro; O Cigano Andarilho; O Explorador de Novos Mundos; O Filósofo; O Professor; O Padre; O Pastor; O Missionário-Evangelizador; O Palhaço;  O Jogador

O Oposto de Sagitário é Gêmeos. Os dois se preocupam com juntar e distribuir informações e conhecimento, com educação e viagens. Mas enquanto Gêmeos volta-se para os detalhes e com os fatos, Sagitário olha para o todo e para o significado das coisas. Gêmeos quer saber como as coisas funcionam, Sagitário quer uma filosofia e uma visão geral de tudo. Por isso os dois sempre sentirão uma fricção ao se encontrarem, positiva ou negativa, porque um é a sombra do outro.

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles

(Richard Bach)

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O Templo de Zeus em Atenas – Foto: Maria Eunice Sousa

Um dos principais aspectos da sombra de Sagitário é a necessidade de pertencer ao grupo “certo” e conhecer as pessoas certas, de “grandes nomes”. Se as pessoas não são “úteis”, elas não existem para ele. Ele pode se tornar também um prometedor volúvel, que promete tudo, mas nunca cumpre nada, pois mutável como é, simplesmente esquece daquilo que prometeu. Isso tem a ver com a dificuldade em lidar com a realidade e as limitações do aqui e agora, já que vive constantemente no futuro, num mundo fantasioso, onde tudo é possível e tudo sempre dá certo. No fundo é um grande imaturo, uma criança que se recusa a crescer. Outro aspecto é ainda o pregador moralista, o catequizador, o fanático, que acha que só sua verdade é válida. Ele pode ainda se tornar superficial e fofoqueiro, tornar-se excessivamente lógico e racional, firmando-se em evidências, mas perdendo a visão maior e o significado das coisas. “ele perde sua integridade duramente conquistada ao se tornar um moralista arrogante e hipócrita, aquele que se orgulha do nome que carrega, tirando vantagens do status social”.

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Símbolo de Sagitário na Sinagoga de Mosav Zkenim – Wikimedia Commons

Meditação para Sagitário

Sagitário é o signo da Alegria, então, nesta meditação vamos trabalhar a nossa capacidade ou não para a Alegria.

Este exercício é tirado do oráculo do Osho. Se sentir que precisa, pode fazer mais de uma vez. Faça  exercício sempre sentado, palmas das mãos apoiadas nas pernas, olhos fechados. Respire profunda e calmamente, até relaxar completamente. Pense que a intenção deste exercício é incluir você no mundo.

E ouça, no isolamento do seu quarto interno, muitas crianças cantando uma cantiga de roda. Abra a janela e veja que elas estão de mãos dadas girando ao redor de uma fogueira. Sinta a música, o calor e a alegria desta roda. Vá até ela encontrando um espaço para também dar as mãos às crianças, cantar e rodar com elas ao redor do fogo.

Olhe bem para este fogo e, mentalmente, atire para dentro dele todos os sentimentos que impedem você de fazer parte da alegria e da celebração da vida. Então, livre-se dos impedimentos, sinta-se completamente integrado nesta mandala viva de seres felizes. Então, respire e abra os olhos. Se desejar, escreva ou expresse-se conforme o seu coração mandar.

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Reprodução

Música para Sagitário

A Semana Astrológica – De olho no futuro…

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Lua Crescente nascendo no mar Reprodução – Desconheço o autor

Semana de 16 a 22 de novembro 

“O tempo passa e engraxa a gastura dos sapatos, na pressa a gente não nota que a Lua muda de formato…” Por aqui a gente nota sim, e nesta semana a Lua vai mudando seu formato para o Crescente, enchendo até oficializar o Primeiro Quarto, depois a fase Corcunda – nesta fase temos revigorada a vontade e nos empenhamos na obtenção de nossos objetivos, por isso essa fase lunar sugere uma semana dinâmica e produtiva, apesar dos muitos desafios. Mas o tempo passa vertiginosamente mesmo. Espiritualistas ligados à Grande Fraternidade Branca dizem que, quanticamente, o dia atualmente tem apenas 16 horas e não 24, confirmando que nossa impressão sobre o tempo passar mais rápido está correta. Os dias correm, as horas voam e quando vemos estamos cheios de cabelos brancos, vincos na pele e lembranças esmaecidas na memória. Tudo isso é representado/simbolizado também pelo arco que os planetas vão traçando nos céus…

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Epimeteus – Desconheço o Autor Reprodução

Nesta semana Mercúrio entra em Sagitário, signo de seu detrimento – detrimento porque Mercúrio gosta de detalhes, do aqui e agora, mas Sagitário é dado a amplitudes e a visões de futuro. Contudo, Mercúrio é o mais versátil dos planetas, adaptando-se com facilidade aonde quer que chegue, assim, em Sagitário ele torna-se ainda mais falante e tenta converter a todos ao seu modo de ver o mundo e a vida. Um catequizador que busca evangelizar, apaixonado que está por sua própria visão da verdade. Tanto que, se não se toma cuidado, ele se torna um fanático fundamentalista, ou, no mínimo, um chato – tudo depende dos contatos que vai fazendo ao longo do seu percurso. Esse tom evangelizador talvez seja especialmente sentido neste trânsito, uma vez que Mercúrio entra na fase “Epimeteus” a partir da conjunção superior que Mercúrio faz ao Sol, na terça-feira, dia 17, a fase em que colhemos os resultados de toda a introspecção simbolizada pela retrogradação. Se na fase Prometeica (da conjunção inferior em 30/09 até a conjunção superior em 17/11) estamos mais aventureiros e dispostos a correr riscos diversos, ousando na busca de novos paradigmas, a fase seguinte, da conjunção superior à inferior (17/11/2015 – 14/01/2016) é o tempo de aplicar esses novos paradigmas e  colher os resultados. Assim, Mercúrio fica mais reflexivo porque a reflexão é necessário na percepção de resultados. No fim deste ciclo, com Mercúrio já retrógrado (05 – 14/01/2016), o tom é particularmente introspectivo. Por outro lado, a conjunção Mercúrio-Sol indica um período de uma comunicação mais fluida, grande atividade mental e muitas ideias inovadoras surgindo a respeito de curas, medicina, pesquisas, e outras áreas Escorpiônicas. O primeiro contato que ele faz em Sagitário é exatamente com Saturno, sugerindo um enrijecimento de ideias e visões. Mas isso fica para a semana que vem.

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Salvador Dali – Sagitário – Reprodução

Saindo das águas escuras de Escorpião e da esfera da Grande Mãe, representada pelas Moiras e pelo Destino, o Sol também ingressa em Sagitário, o signo do Espírito, do Pai Celestial, no domingo, dia 22. Sagitário simboliza a capacidade humana de se elevar acima do destino ditado pelas Moiras e elevar-se em direção à esfera espiritual, acima da carne e da matéria. A capacidade de simbolizar e atribuir significado e olhar para o futuro e suas inúmeras possibilidades. O trânsito do Sol por Sagitário ganha portento já que Saturno, o de Chumbo, trafega por este signo atualmente. O Signo do Espírito e do Pai Celestial tem que lidar de forma bem realista com o reino da matéria tal qual ele é.

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Reprodução – Desconheço o autor

Vênus, esplendorosa em seus domínios Librianos, faz quadratura a Plutão nesta semana e fica bem próxima da oposição a Urano em Libra e do quincunce a Quíron em Peixes. Momento de reavivar e revitalizar as relações ou eliminá-las de vez. Um chacoalhão nos nossos valores e um confronto sobre a importância que damos às coisas – continuam válidas? Ou será que apenas cumprem a função social das aparências aceitáveis? Pelo quê queremos ser amados e admirados? Só porque somos “aceitáveis”, adequados, esteticamente agradáveis, socialmente apropriados? E a nossa essência verdadeira, não entra na equação? Questionamentos antigos, mas sempre atuais que não podemos deixar de nos fazer nestes tempos de amores e relações líquidas, como diz aquele filósofo famoso. Em termos de finanças e investimentos este trânsito requer cuidados e muita cautela para que não haja perdas irreparáveis nessa área.

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Reprodução

Netuno retorna ao movimento direto na quarta-feira, dia 18, sinalizando que muitas coisas que estavam paradas e estagnadas voltam a ser movimentadas, especialmente na área das artes, do cinema, da indústria de combustíveis e drogas em geral, lícitas ou ilícitas. Saturno nesta semana já fica a menos de um grau da primeira quadratura exata a Netuno, que se dá já na semana que vem. Talvez tenhamos maior habilidade de manifestar essa quadratura Saturno-Netuno de forma mais criativa e menos desesperada – sim, porque o tom que vemos no mundo como pano de fundo dessa quadratura é de desesperança e  desânimo, uma sensação de desencanto profundo com o mundo que vemos diante de nós, como se tivéssemos saído do escuro do cinema, do idílio de uma comédia romântica, direto para a realidade enlameada de um pós-tsunami. Desolador. Mas precisamos sobreviver, sem nos endurecer em demasia. Particularmente, estou muito triste e desolada com todos os acontecimentos dos últimos 10 dias. “O mundo está ao contrário e ninguém reparou?”. É mais desolador ainda ver as pessoas se perderem discutindo qual tragédia é mais importante, se ataques terroristas na França, se uma barragem arrebentada em Minas… Não importa. A origem destes problemas é o mesmo: a vontade de poder, seja de grupos fundamentalistas, seja de multinacionais mineradoras. Não se pode medir quais lágrimas são mais dolorosas e quais olhos vertem mais, se mineiros ou franceses. Chora a alma humana, chora a natureza, chora a vida diante deste caos em que chegamos e de onde não podemos voltar, infelizmente – mas não esqueçamos que no caos está o mais rico dos potenciais! Não tenho conclusões sobre isto, só estou profundamente desolada. Mas sei que o mundo não se resume à violência e ao abuso e que a grande maioria das pessoas é boa – essa grande maioria só precisa sair da inércia, porque não basta ser bom por si mesmo e se omitir nas demais questões. Se nos omitimos, o mal ganha soberania – tema longo que estou colocando aqui de forma muito simplista.

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Almagnus – Reprodução

A Lua abre a semana na fase Crescente em Capricórnio. Oficializa o Primeiro Quarto em Aquário, flui e infla mais em Peixes e se torna Corcunda em Áries, já no domingo. Vai inflando lentamente captando e distribuindo conteúdos ao longo de sua jornada ao fazer contato com todos os demais corpos celestes.

Dia a dia

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Breton-la-cosecha-de-papas – Reprodução

A SEGUNDA-FEIRA abre a semana com força total, com a Lua em Capricórnio em conjunção a Plutão e quadratura a Urano em Áries, formando uma T-Square Cardinal, já que ela ainda está em quadratura a Vênus em Libra. A Lua ainda faz sextil a Quíron em Peixes e trígono a Júpiter em Virgem e também sextil ao Sol Escorpiano, ficando vazia depois deste contato, às 18h54min. Um dia que pode ser sentido como pesado ou muito produtivo, dependendo da perspectiva que se olhe. É deveras intenso, especialmente do ponto de vista emocional, o que favorece a auto-análise ou mesmo uma conversa séria para além do trivial com algum amigo ou companhia que esteja disposta a cavar fundo conosco esse buraco chamado compreensão da vida. Para os mais práticos o dia sugere energia extra que deve ser usada em trabalhos pesados ou tarefas que requeiram concentração. De qualquer forma, ainda precisamos balancear as disparidades internas, a necessidade de olhar para dentro versus as demandas do mundo lá fora. Talvez fiquemos momentaneamente paralisados, mas é preciso achar o prumo para que a parede tenha o alinhamento certo dentro de nós, ou o edifício poderá ruir mais à frente. A energia extra ajuda a começar bem a semana, com boa produtividade, organização e estímulo. Relembramos também do senso de propósito do nosso trabalho, que ajuda a nos empenhar um pouco mais.

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Andy Prokh – Girl and Her Cat – Reprodução

A TERÇA-FEIRA encontra a Lua vazia em Capricórnio, ingressando em Aquário às 05h25min. Faz trígno a Marte e depois a Vênus em Libra e ainda sextil a Saturno em Sagitário. Mercúrio está em conjunção Cazimi ao Sol, uma Conjunção Superior que sinaliza a fase Epimeteus, uma fase mais reflexiva de Mercúrio. Netuno estaciona a 07°01’ de Peixes. Como é bom quando as horas de Lua vazia combinam com as horas de sono, domingo, feriado… perfeito! A terça está muito sociável e mentalmente vibrante. A Lua Aquariana, cheia de entusiasmo juvenil, simboliza um dia em que também estamos mais sociáveis e abertos a experimentações. Há uma capacidade de elucidar com clareza aquilo que queremos e de enunciar isso também de forma objetiva e clara. As coisas fluem e tendem a dar certo, embora no plano geral ainda enfrentemos as questões maiores que carecem de resolução. A conjunção Mercúrio-Sol marca uma nova fase no ciclo Mercurial e mental. A partir de agora começamos a observar os resultados gerados pelas novas ideias, experimentações e ousadias empreendidas desde que Mercúrio fez a conjunção inferior, em 30 de setembro. Como percebemos nossa atividade mental nas últimas semanas? Conseguimos implantar alguns dos novos métodos ou paradigmas que descobrimos? Tivemos muitas ideias mas deixamo-las passar em brancas nuvens? Netuno fica estacionário por 48 horas (de 14h30min do dia 17 até 14h30min do dia 19) e ativa nossa imaginação sobremaneira, de formas que podem ser extremamente positivas ou negativas, dependendo dos contatos que ele faz no mapa natal de cada um. De toda forma, é útil observar em nós mesmos movimentos escapistas, anseios inexplicáveis, fantasias urubóricas que vêm do nada ou mesmo rompantes de criatividade, que podem ser muito úteis! O dia traz novos insights e talvez seja bom tomar nota desta vez!

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Bob Guccione – Reprodução

Dona Lua, toda sociável em Aquário, pode se ver em alguma situação embaraçosa na QUARTA-FEIRA. Isso porque ela faz sesqui-quadratura a Marte em Libra e quincunce a Júpiter em Virgem. Mas a Lua também se alinha a Urano em Áries, o que lhe fornece algum apoio. Vênus está muito próxima do embate aberto a Plutão e Saturno, regente da Lua, está cada vez mais próximo da quadratura a Netuno, que fica direto às 13h31min. Um dia bastante cerebral em que tentamos nos mover de forma leve, fazendo contatos, procurando novidades e estímulos que nos conduzam a outras experimentações e outras formas de como renovar a vida. Mas ignoramos sentimentos esparsos de alguma insatisfação escondida lá nas profundezas da alma. Dizemos que está tudo bem, mas algo nos incomoda, a confrontação onipresente dos nossos ideais e sonhos acalentados por tanto tempo e que agora se despedaçam diante de nós; a constatação de que não conseguimos realizar tudo o que almejávamos. Contudo, Urano, outro visionário, nos acena no dia de hoje sugerindo que sempre se pode recomeçar, nem que seja do zero – aliás, com Urano geralmente se recomeça do zero! Essa inquietação ainda vai nos acompanhar por algum tempo, até que tenhamos aceitado nossas desilusões e partido para encarar a realidade de cara limpa, sem subterfúgios.

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Aja – Apa Soura – Reprodução

A Lua Aquariana formaliza o Primeiro Quarto ao fazer quadratura ao Sol na QUINTA-FEIRA. Faz quadratura ainda a Mercúrio e sesqui-quadratura a Vênus, ficando vazia depois do contato com Mercúrio, às 06h20min. Ingressa em Peixes às 10h21min e faz, à noite, quadratura a Saturno e conjunção a Netuno, além de quincunce a Marte em Libra. O Primeiro Quarto ocorrendo em Aquário sugere que sejamos inovadores e inventivos neste ciclo e nos esforços para concretizar nossos planos. Aquário indica ainda a necessidade de uma perspectiva desapegada e impessoal, em contraponto à visão intimista e apaixonada de Escorpião. O dia começa bastante reflexivo e temos mesmo uma abordagem distanciada dos assuntos que se apresentam diante de nós. Mas conforme as horas passam, uma sensibilidade hiper-porosa toma conta de nós e misturamo-nos a outras sensibilidades ao nosso redor. De quem é a dor que estou sentindo, é minha mesmo ou peguei emprestada de você? De onde vem esse desamparo debilitante, que me deixa tão suscetível e com vontade de chorar rios de lágrimas lamacentas? Insegurança, suscetibilidade e sensação de se estar perdido colorem o resto do dia e a noite e nos faz melindrosos a críticas, julgamentos ou até mesmo ao olhar que julgamos indiferente e que esperávamos, fosse mais compreensivo. Sobretudo, sentimos o peso da desolação que esteve sobre nós como uma nuvem escura e que agora se abre e deságua pesadamente para fora de nós. É bom pegar leve consigo e com os outros porque se estamos assim “desmilinguidos”, é provável que os outros estejam também. Cair no vitimismo não vai ajudar em nada, porque este cenário vale para todos e, se por um lado precisamos aceitar que algumas coisas não podem ser mudadas, por outro, podemos e devemos identificar aquelas que são passíveis de transformação e aqui entra nossa compaixão, a forma mais positiva de toda essa sensibilidade – o que podemos fazer para mudar o cenário desolador à nossa frente?

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Reprodução

A SEXTA-FEIRA está ultra-sensível, como tem sido nas últimas semanas. A Lua está em Peixes ainda conjunta a Netuno e em quincunce a Vênus em Libra. Faz também sextil a Plutão em Capricórnio, oposição a Júpiter e conjunção a Quíron. Sexta também é dia de Vênus, que está hoje desafiando Plutão por uma quadratura, numa T-Square super dinâmica e tensa, que envolve também a oposição Vênus-Urano. Mercúrio ingressa em Sagitário às 17h44min. “Quando a relação amorosa  se torna eminentemente destrutiva e não há mais espaço para crescimento, perdão e liberdade, é preciso ter coragem de parar e tirar umas férias. É preciso ter coragem para olhar de frente para a situação e assumir que, desse jeito, você está cavando a sua própria cova. Só você pode fazer algo por você. Tenha coragem de ir além do medo da solidão. Você tem pavor de ficar consigo mesmo. Você não se suporta, mas acha que o outro tem obrigação de suportar você. Você não se ama de forma alguma, mas acha que o outro tem obrigação de te amar. Isso não é amor, é carência.”

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Rodney Wood – Reprodução

Essas são palavras de Sri Prem Baba, que vêm bem a calhar para trânsitos difíceis a Vênus, especialmente de Saturno e de Plutão. Vênus está hoje encalacrada nesse imbróglio com Plutão e somos obrigados a olhar esse nosso lado pegajoso e hiper-carente da aprovação e do olhar do outro, talvez porque não consigamos prover, por nós mesmos, o olhar aprovador, porque no fundo, nem mesmo nós nos aceitamos e conseguimos conviver com nossos dilemas asfixiantes. Asfixiar o outro não vai trazer resultados, só vai afastá-los de nós mais rápido. Assim, neste dia de exageros emocionais e sentimentais, vale a pena parar e confrontar o espelho antes de confrontar o outro na relação. As queixas que temos do outro, será que não as temos de nós mesmos? E as queixas que o outro tem em relação a nós, conseguimos ouví-las verdadeiramente? Essa relação está vivendo uma fase Fênix para renascer mais vigorosa e renovada, ou é hora de cavar a cova e enterrá-la de vez ao invés de nos enterrarmos nela?

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Marcos Borges – Reprodução

De Peixes a Lua faz um trígono ao Sol Escorpiano no SÁBADO. Fica vazia por um curto espaço de tempo e entra em Áries às 13h13min, já se opondo a Marte em Libra e se alinhando a Mercúrio e Saturno em Sagitário. Ao contrário da sexta-feira, o sábado fica super dinâmico e mais animado, talvez animado até demais. A Lua Ariana exige que nos engajemos com atividades físicas que requeiram grande gasto calórico e grande dispêndio de energia, especialmente quando a Lua se opõe a Marte. É isso ou ficamos propensos a bate-bocas acalorados e intempestivos. Podemos virar os “donos da verdade” e querer que nos escutem de qualquer jeito, de forma muito arrogante, levando para o lado pessoal qualquer recusa alheia. Por outro lado, se encontramos o canal certo para essa influência, podemos ter um sábado cheio de vitalidade, em que conseguimos expressar nossos sentimentos, pensamentos e opiniões de forma bastante direta e honesta, ventilando antigas rusgas que precisavam ser postas em pratos limpos. Mas aqui é necessário uma sutileza que talvez a Lua Ariana tenha dificuldade de manifestar, porque a linha entre honestidade e grosseria às vezes pode ser muito tênue e uma conversa que tinha tudo para ser uma clarificação de mal entendidos pode descambar para conflitos abertos. É preciso cautela, muita cautela. A Lua em Áries também tende a ser estabanada e desastrada, especialmente em oposição a Marte, portanto, cautela redobrada!

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Reprodução

O Sol ingressa em Sagitário às 13h26min do DOMINGO. A Lua fecha a semana super belicosa: faz quadratura a Plutão em Capricórnio, opõe-se a Vênus em Libra e une forças a Urano. A Lua fica vazia depois da conjunção a Urano, mas ainda se irrita com Júpiter em Virgem. Domingo conflituoso no plano emocional, especialmente nas relações afetivas. Há uma atmosfera de “ou tudo ou nada”, “ou vai ou racha”. Ciúme, competitividade, rivalidade deixam o dia bastante incendiário e beligerante. O impulso gregário de Vênus está desafiado por Urano-Plutão, indicando que temos grande dificuldade em conciliar nossas disparidades internas; a Lua, normalmente gregária também, está hoje super independente e avessa a conciliações, mais disposta a focar em si mesma – a oposição pode se constelar em oposições reais no mundo exterior e podemos nos ver disputando algo ou alguém ardorosamente, ou, talvez fiquemos roendo as unhas pelos cantos, caso não tenhamos coragem de ir para o confronto. O Sol entra em Sagitário e tenta desanuviar o ambiente com sua perspectiva festiva e alto astral – mas a Lua faz ainda sesqui-quadratura a ele e a Mercúrio – torna-se Corcunda! – indicando que as falas podem ficar ainda mais exaltadas e fora de limites.

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Reprodução

Antes de nos atirarmos com paixão em tais discussões é bom nos perguntar pelo quê estamos brigando, o quê estamos defendendo e se vale mesmo a pena tal empenho – qual é a donzela em perigo que precisa ser salva? Será que há mesmo uma donzela em perigo ou apenas nosso orgulho e ego que correm o risco de sair meio arranhados? Este é um momento crucial de se achar um equilíbrio verdadeiro nas relações, entre o dar e o receber, entre a liberdade e a vinculação, entre a intimidade e a privacidade. É isso que está em jogo, mas podemos perder o fio da meada e ficar brigando por muitas horas para saber quem manda em quem, quem controla quem, quem traiu quem, etc, etc, etc… Conversa de adulto ou birra de crianças grandes? Temos uma escolha. Sempre temos. Quando achamos que não temos escolha, ainda somos crianças emocionalmente, porque somente crianças não podem escolher.

Linda semana para você!

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Desconheço o autor – Reprodução

A Semana Astrológica: Renovação

christian schloe auuuSemana de 09 a 15 de novembro 

Semana de Lua Nova, a Lua Nova de Escorpião, Lua de transformação, morte e renascimento. Transmutação da matéria inferior em ouro alquímico espiritual.

Além da Lua Nova há outros movimentos muito importantes ocorrendo esta semana. O principal deles é a ingressão dos Nodos Lunares no eixo Virgem-Peixes, depois de terem ficado mais de 20 meses no eixo Libra-Áries. Agora a ênfase recai sobre a área do trabalho, do serviço, altruísmo, sacrifícios. Somos convidados a canalizar o forte potencial imaginativo e espiritual de Peixes em práticas diárias e concretas, de forma organizada, ordenando o caos primordial Pisciano de onde viemos. Nada de se isolar na montanha e meditar para obter a iluminação. Não. A iluminação é obtida no serviço, no dia a dia, do trabalho feito sagrado, nos rituais cotidianos, no cuidado consigo mesmo, o próprio corpo. Quem tem os nodos neste eixo no mapa natal estará vivenciando um retorno nodal (Nodo Norte em Virgem e Nodo Sul em Peixes) ou um retorno nodal reverso (Nodo Norte em Peixes e Nodo Sul em Virgem). Tempo de se realinhar com o próprio destino e caminho; tempo de escolher de novo para onde queremos ir; tempo de ser confrontado com o passado e com o futuro e fazer uma escolha consciente em direção à própria evolução. Os nodos fazem esta migração na quarta-feira, dia 11.

Marte entra em Libra na quinta-feira, um signo esquisito para ele, que tem que aprender a socializar, a ser mais civilizado, a pensar no outro antes de entrar de cabeça nas coisas, antes de ir lá e pegar o que quer. Posição de detrimento, não necessariamente precisa ser ruim, dependendo do mapa como um todo. Marte em Libra aprende a ser diplomático e a negociar, em vez de ir à guerra de cara. Se por um lado isso pode acarretar muita frustração ao Deus da Guerra que costuma ser muito direto, por outro, pode discipliná-lo e agregar verniz e sofisticação ao brutamontes selvagem de sangue quente. Em Libra ele é um guerreiro civilizado, que aprende a arte da estratégia e aprende que às vezes se ganha mais numa batalha de palavras e negociação do que no embate físico e impulsivo. Em Libra marte é associado à deusa Athena, sua irmã, a Deusa da Estratégia e uma de suas piores inimigas. Athena era fria e calculista, ganhava suas batalhas porque as planejava cuidadosamente, enquanto Marte saía descabeceado com fúria cega. Assim, pode ser um posicionamento desconfortável, mas uma vez que se aprenda a tirar o melhor dele, pode-se sim, ser afirmativo e assertivo. Com muita elegância e finesse. Marte fica em Libra de 12 de novembro até 03 de janeiro de 2016.

O Sol nesta semana se envolve numa armação delicada. Faz sextil a Júpiter e os dois juntos fazem quincunces a Urano em Áries, formando um Yod-Dedo de Deus. Muito da nossa sede de liberdade e independência que porventura tenha ficado reprimida em função de questões de trabalho, responsabilidades ou ainda por causa de do cinismo e falta de entusiasmo, pode vir à tona de forma abrupta e explosiva, portanto, é bom ficarmos atentos às frustrações engarrafadas que temos vindo carregando.

Mercúrio também está super ativo nesta semana em Escorpião. Faz sextil ao seu dispositor, Plutão e a Júpiter, além de juntar forças ao Sol e a Júpiter no Yod contra Urano. As tais explosões podem se manifestar de forma verbal e letal – e com este aspecto é bom ficar atentos ao trânsito, locomoções em geral e ainda à relação com irmãos e vizinhos.

Vênus conversa com Saturno e torna-se mais sábia e sóbria em Libra. Procura relações duradouras, entre iguais, com quem ela possa admirar e respeitar e que também possa ser uma referência de segurança e solidez. Depois Vênus se desentende com Netuno em Peixes, trazendo à tona algumas discrepâncias entre os ideais civilizados que lhe são tão caros, as relações baseadas em respeito mútuo, mas muito desapegadas, versus o desejo e o impulso de se fundir e se perder no outro até perder a noção de si mesma. Sensação de empurra-e-puxa, porque oscilamos entre as duas coisas tendo grande dificuldade de conciliar isso dentro de nós. Isso pode trazer alguma tensão para os relacionamentos e podemos nos sentir sufocados pelo parceiro excessivamente “grudento” e dependente ou talvez nos ressintamos do outro que parece frio, distante e desapegado em demasia. O que queremos, afinal?

A Lua começa a semana ainda Balsâmica em Libra. Torna-se Nova em Escorpião, pega a estrada em Sagitário e finda o domingo já em Capricórnio. Simboliza nossas mudanças de humor ao longo da semana ao fazer contatos diversos com todos os demais corpos celestes.

Dia a dia

A Lua abre a semana ainda na fase Balsâmica em Libra, em oposição a Urano em Áries, na SEGUNDA-FEIRA. Fica vazia à 00h43min e passa todo o dia vazia. Ingressa em Escorpião somente na terça-feira, mas antes disso ela se irrita de forma bem inconsciente com Quíron em peixes. Vênus em Libra vai se aproximando de Saturno cautelosamente, enquanto o Sol hoje faz trígono a Quíron e quincunce exato a Urano. Modorra, modorra, que dia é esse? Devagar quase parando! Dia inteiro de Lua vazia para deixar a segundona ainda mais parada e ressaqueada. Se pudéssemos colocaríamos tudo em standby e inventaríamos mais um dia entre o domingo e a segunda. É mais do que preguiça, é enfado e ressentimento com tantas obrigações e tarefas para as quais temos pouca energia física. A segunda fica propícia a arrumarmos a escrivaninha e a papelada acumulada, buscando organizar e planejar a semana com bastante cuidado e estratégia. Saturno acabou de atingir o grau seis de Sagitário (05° – 05°59’). O Símbolo Sabiano deste grau traz a imagem “um jogo de críquete”. O críquete é um jogo que tem muitas regras complicadas. Este símbolo alerta para a necessidade de se jogar o jogo da vida conforme as regras, independente do nosso desejo de burlá-las inventar regras novas . Saturno aqui nos orienta a ser mais disciplinados e cientes destas regras, porque elas têm alguma razão de ser. Não se trata do jogo em si, mas de como estamos jogando. E como estamos jogando? Com integridade, ou de qualquer jeito, apensa interessados no resultado final? Estamos realmente aproveitando ou só estamos “matando o tempo”? O tempo não volta e uma jogada errada ou mal planejada pode nos deixar a lidar com as consequências por muito tempo… Melhor refletir como estamos jogando “o jogo da vida”.

A Lua abriu a TERÇA-FEIRA ainda Balsâmica e vazia em Libra. Ingressou em Escorpião às 02h02min e fica algumas horas bastante circunspecta, preparando-se para ser nova amanhã. Conversa com Netuno lá pelo meio da tarde. O Sol está em quincunce a Urano e junto com Júpiter continua a pressionar Urano no beco sem saída de um Yod. Mercúrio faz sextil pleno a Plutão. Dia denso, mas bastante produtivo. A introspecção nos ajuda a processar os restolhos do ciclo que se finda. Vamos limpando e finalizando coisas, deixando o terreno preparado para a próxima safra. A profundidade de Escorpião nos ajuda a confrontar nossos receios e inseguranças e nos faz tomar providências quanto a eles. Contudo, perdura um clima de instabilidade e inquietude proveniente do Yod Sol-Júpiter-Urano. A Lua Escorpiônica mais esse Yod trazem uma qualidade meio selvagem ao dia, algo muito rebelde, intransigente, por vezes explosivo e letal. Ainda precisamos estar cientes da fera tirânica dentro de nós, não para reprimí-la (isso seria ainda mais desastroso), mas para reconhecê-la e fazer as pazes com ela, perguntar o que ela quer e até onde podemos chegar a um consenso com ela e essa faceta anarquista interior. Ela se sente encurralada/nós nos sentimos encurralados pela falta de expressão de desejos individuais que talvez tenham ficados espremidos por tantas outras demandas. Cabe aqui achar uma conciliação possível que possibilite a liberação dessa tensão – mas ainda temos que lidar com essa qualidade fatalista, de algo que pode sair do controle a qualquer momento e ser liberado à revelia da nossa vontade, de forma intempestiva e catártica, possivelmente destrutiva, mas ainda assim, causando o alívio tão almejado. Urge ter cautela em nossas ações para que não precipitemos tais eventualidades desastrosas – inclusive contra nós mesmos, de forma inconsciente. Mercúrio em contato com Plutão pode nos ajudar a perscrutar a alma com olhar de lince e investigar isso de forma demorada e eficaz, de modo que possamos desatar os nós e descobrir saídas possíveis e não destrutivas. Lua-Netuno ajudam a ter sensibilidade para lidar com essas crises de forma amorosa, mas resolutiva, na medida certa.

A Lua é Nova na QUARTA-FEIRA, a 19° de Escorpião, o signo da morte, renascimento e transformação. O novo ciclo é inaugurado com Lua e Sol em conjunção a Mercúrio, os três em sextil a Júpiter e quincunce a Urano, tornando este foco de um Yod-Dedo de Deus. Marte e Plutão, regentes da Lua Nova, estão em Terra, respectivamente em Virgem e Capricórnio. O eixo nodal migra de Libra-Áries para a polaridade Virgem-Peixes às 23h03min. Um novo tempo, de plantar novas sementes de regeneração. O período do ano em que precisamos olhar para o fundo de nossa alma e encarar nossa verdade mais obscura e perceber onde estamos estagnados, onde paramos de crescer e evoluir, onde precisamos morrer para poder renascer. TRANSFORMAÇÃO. Neste mapa de Lua Nova existe uma pressão fenomenal em cima de Urano em Áries. Há um Yod explosivo de manifestação duplamente imprevisível, por se tratar de um Yod e de Urano. Isto indica que temos pela frente um ciclo de muita instabilidade. Andamos como se o chão fosse ruir sob nossos pés em muitos momentos. Por outro lado, estamos mais que preparados para lidar com as crises e terremotos que porventura aconteçam. Em Escorpião reconhecemos que um ciclo se finda e precisamos finalizá-lo, por bem ou por mal. E o fazemos, doendo ou não. O Símbolo Sabiano para o grau 20 de Escorpião (19°-19°59’) traz uma imagem que aponta para novos caminhos: “Uma mulher descerra duas cortinas escuras que fechavam a entrada de um caminho sagrado”. Este símbolo fala de se ter coragem de abrir as janelas da alma, de descerrar as cortinas que impediam que víssemos as novas possibilidades à nossa frente; ter coragem de trilhar um caminho novo e deixar o passado e o luto cinza para trás. Se ousarmos olhar, veremos que há muitas possibilidades e que este caminho pode levar ao encontro sagrado conosco mesmos  e com nosso destino. Como faremos isso? Urano aponta para uma exasperação que chega ao ponto limite – seremos capazes de tomar este novo caminho e abrir essas cortinas com tranquilidade ou será necessário arrebentarmos as correntes invisíveis da inércia pessoal, ou romper com os ditames de pseudo verdades auto-impostas? Lynda Hill fala deste símbolo: “Você pode sentir a necessidade de se aventurar por novos ‘Caminhos’ ou para investigar novas possibilidades. Você vai ter que reunir a fé e a intuição e superar todos os medos, a fim de entrar realmente nestes novos domínios. Ter ou mostrar coragem, ser curioso e expressar desejos fortes também podem ser pré-requisitos para o sucesso nesta nova arena de experiência. Sua esfera de ação e operação são susceptíveis de se tornarem amplamente expandidas com as novas perspectivas que se abrem para você. Todos os tipos de novas possibilidades e oportunidades estão diante de você. Estas podem ser sentidas em nível físico,em planos mais místicas, ou de uma forma sexual. ‘Puxar as cortinas’ para revelar o que precisa ser mostrado levará a respostas a esta pergunta: Olhe para a sua situação, o que exatamente é esse ‘Sagrado Caminho’ e onde está levando você? É um lugar que foi sonhado por algum tempo, mas até agora não houve um guia ou um companheiro de viagem para mostrar o caminho ou para compartilhar a viagem? Seja qual for o caso, parece que a ajuda aparecerá em breve para o ajudar resolver o mistério que está diante de você. Seja receptivo, seja amoroso e dê o passo rumo ao desconhecido”. Urano em Áries, em foco neste mapa reafirma esta mensagem de se tomar este caminho novo, desconhecido. A ajuda virá, desde que estejamos no lugar certo, desde que nos ponhamos a caminho. Qual é a jornada que precisamos fazer? Pra fora? Para dentro? Qualquer que seja ela, é como entrar pelo buraco do coelho de Alice: seremos para sempre transformados, jamais seremos os mesmos. Ousamos ou queremos isso?

A Lua, renovada e transformada, ainda em Escorpião, faz sextil a Marte no último grau de Virgem na QUINTA-FEIRA. A Lua ingressa em Sagitário às 13h13min e faz conjunção a Saturno e sextil a Vênus. Mercúrio está hoje em trígono a Quíron e quincunce a Urano, ambos aspectos exatos. Marte ingressa em Libra às 19h41min. A manhã continua bastante densa, com a Lua ainda em Escorpião, sugerindo um dia favorável para se concentrar naquilo que nos apaixona, para atacar os problemas com destreza e vigor. Introspectivo sim, mas também bastante produtivo. À tarde o clima se alumia um pouco com a Lua entrando em Sagitário. Contudo, a companhia de Saturno demanda que continuemos focados no trabalho de forma comprometida. Mercúrio sugere descompassos na comunicação, entre ser econômico e ser direto, talvez nos tornemos abrasivos por demais, causando consternação por onde passamos. Por outro lado, Se estamos conscientes, podemos, na verdade, usar o poder da palavra e o toque, para curar, para aliviar a dor e o sofrimento do outro. A profundidade da percepção e a grande sensibilidade podem trazer à tona um lado mais compreensivoque escuta ao invés de julgar e a escuta, à vezes, é tudo o que se tem ou se pode oferecer, mas às vezes também, é tudo o que o outro precisa.

A SEXTA-FEIRA traz aquele dilema já comum que coloca a Lua Sagitariana em quadratura a Netuno em Peixes, e já que a Lua ainda está em orbe de conjunção a Saturno, a tensão é maior. A Lua plenifica o sextil a Vênus, mas forma uma T-Square ao fazer quadraturas a seu regente Júpiter, em Virgem, e a Quíron, em Peixes. Um dia de ficarmos meio perdidos nas estradas da vida ou do nosso coração. Não sabemos direito se vamos ou se ficamos, se queremos asas, raízes ou nadadeiras. Uma saudade de outros mundos e outras realidades invade o peito e temos mesmo o desejo de pôr o pé na estrada e nos livrar das obrigações, aventurar-nos mundo afora, sem satisfações a dar, sem lenço e sem documento.Viver como andarilho-cigano é um grande apelo, mas será que damos conta? Do que queremos fugir? Pode-se fugir de tudo: do chefe, do trabalho, da família, de todos, menos de si mesmo. Evadir-nos para quê, só para nos deparar ali na frente com a dor e o peso que nos perseguiam? Talvez seja mais sábio parar um pouco e tentar buscar o sentido de tudo isso, porque fugir não vai adiantar pouco ou nada. Se descobrimos o significado e a origem desse anseio errático e meio irresponsável, talvez descubramos uma criança brincalhona que ainda tem ojeriza do mundo enfadonho dos adultos, sem diversão nem brincadeiras… Mas quem disse que precisa ser sem diversão? Perspectiva, tudo é uma questão de perspectiva. E tudo ainda pode ser sim, uma grande brincadeira, se olharmos o mundo com olhos de criança.

A Lua fecha a quadratura a Júpiter na primeira hora da madrugada de SÁBADO e os efeitos da T-Square Lua-Júpiter-Quíron ainda podem ser sentidos por muitas horas madrugada adentro – cuidado com os exageros na balada de sexta para sábado! A Lua fica vazia depois do contato a Júpiter, à 01h19min. Fica o dia todo fora de curso e só entra em Capricórnio às 22h20min. Vênus está em quincunce pleno a Netuno. O desejo de evasão e fuga continua no sábado e talvez seja útil achar atividades esportivas, trilhas na natureza, papos filosóficos que nos ajudem a suprir, pelo menos em parte e de forma saudável, esse desejo escapista. O dia fica favorável a passeios ao ar livre, a encontros e festas espontâneos,  e a se refletir sobre o sentido da vida. Uma nostalgia cega e surda ainda nos acomete e enche o peito de uma saudade longínqua. Talvez, em função de estarmos t]ao sensíveis e suscetíveis, resvalemos numa sessão flash-back com alguém do passado, na ânsia de agarrar esse momento mágico que se esvaiu. Talvez nem precise ser ninguém do passado, mas o efeito pode ser o mesmo: desapontamento. Ninguém será capaz de corresponder a esse anseio/expectativa que carregamos em nós e, ou escolhemos nos relacionar com a pessoa de carne e osso, ou não podemos reclamar depois quando nos sentirmos lesados e ludibriados.

A Lua Capricorniana faz quadratura a Marte em Libra na madrugada de DOMINGO e pela manhã também quadra Vênus. Fica Crescente ao fazer semi-quadratura ao Sol e fecha a noite já em conjunção a Plutão. O domingo começa tenso, a começar pelo sono, que pode ser cheio de pesadelos. Durante o dia, apesar de estarmos meio austeros e já preocupados com o trabalho da semana que vai iniciar, o clima fica mais ameno e talvez até sejamos capazes de nos abrir para alguma socialização. Contudo, a noite pede programas mais sérios e compenetrados, talvez algo que nos propicie uma catarse das emoções represadas durante todo o dia, como uma peça de teatro ou um filme trágico, dramático. Algo que nos coloque em contato com nossa frustração e raiva de forma a podermos senti-las verdadeiramente e finalmente liberá-las. Os encontros são, pois, intensos e profundos e potencialmente transformadores. Neste sentido, também é possível cenários de manipulação e brigas de poder nos relacionamentos.

Que sua semana seja linda e produtiva.

OBS: Pessoal, desculpe, não vou conseguir publicar um texto em separado sobre a Lua Nova de Escorpião.

A Semana Astrológica-Limpezas necessárias

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Lua na fase Disseminadora – Reprodução

Semana de 02 a 08 de novembro 

A Lua fica Minguante nesta semana, colorindo este período de um tom avaliativo e analítico. É hora de rever o que fizemos ou deixamos de fazer no ciclo que finaliza. Hora da limpeza providencial e necessária: física, mental, emocional e em tantos outros níveis – limpar a casa e o coração do entulho para dar lugar ao novo. Ao invés de Vênus, nesta semana temos Júpiter como motor da locomotiva astrológica, sugerindo que nossas análises e avaliações devem estar a serviço de uma maior expansão pessoal e coletiva e considerando os contextos sociais em que estamos inseridos, a expansão de consciência e espiritual precisam vir primeiro, para propiciar lastro e estofo à expansão material que almejamos, pois assim teremos mais responsabilidade na gestão dos recursos de que dispomos, que aliás, estão cada dia mais limitados, exigindo que sua administração seja cada vez mais criteriosa e rigorosa.

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Reprodução

Nesta semana temos duas ingressões importantes: Mercúrio e Vênus deixam definitivamente os signos de suas últimas retrogradações, sugerindo que recuperam sua forma plena, especialmente Vênus, que volta para casa, onde pode se refazer da longa descida ao Mundo Inferior (Vênus ficou retrógrada de 25 de julho a 6 de setembro, entre os signos de Leão e Virgem). Antes porém, Vênus tem um encontro amoroso tórrido com seu grande par, Marte, na discrição da alcova Virginiana. Vênus está em conjunção a Marte já há alguns dias e fica ainda por quase toda a semana, conjunção exata já na segunda-feira. A paixão sôfrega destes dois se expressa com certa contenção em Virgem, o que não é necessariamente ruim. Vênus tende a suavizar um Marte abrasivo e Marte estimula Vênus, arrancando-a de sua comodidade excessiva. Juntos, em boas condições, um equilibra o outro, mas pode haver uma certa competitividade nas relações amorosas, que se manifesta, neste caso, como um desejo de controle ou como virtuosismo e criticismo. Se estamos atentos para a tendência ao criticismo e a certos comportamentos fastidiosos e obsessivos – só faço amor sob as condições certas, se ele estiver com as unhas devidamente aparadas, se ela tiver acabado de tomar banho, se os lençóis estiverem imaculados, etc – podemos tirar grande proveito desta união, que beneficia especialmente aos namorados e casais em geral.

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Yoguy108.Deviantart – Reprodução

Já em Libra, Vênus é a própria diplomata em missão de paz. É sofisticada e ultra-civilizada, dominando com maestria toda a sorte de traquejos sociais, que lhe abrem portas e a ajudam a costurar alianças. Mas em Libra, Vênus não está exatamente interessada em “amor”, primeiro ela busca parcerias, parcerias entre iguais, porque o senso de equilíbrio e justiça é de suma importância – não é que o amor esteja excluído da equação, apenas não é a motivação primeira. A busca pela equidade nas relações faz com que ela trabalhe no sentido da harmonia, de buscar a justa medida das coisas. Mas é uma jornada longa até se chegar a isso. Vindo do seu oposto, Áries, que foca apenas em si mesmo ao ser muito individualista, primeiro, ela talvez se perca no impulso de ceder e acomodar o outro em nome dessa harmonia, na tentativa de compensar o egoísmo ariano; talvez deixe de ser ela mesma para favorecer e agradar ao outro. Até se dar conta de que isso também não é equidade – a balança continua pendendo para um lado. É, pois, um árduo aprendizado encontrar esse ponto de equilíbrio, visto que a maior parte do tempo a pessoa sente que anda sobre bases nada sólidas, até mesmo, periclitantes – mas devagar se chega lá. Vênus em Libra também é amante da beleza e patrona das artes. Com grande senso de estética e de simetria, seu gosto é apurado e refinado, tendo olhar clínico para identificar coisas de valor e qualidade. O posicionamento de Vênus no mapa e nos trânsitos conta como se ganha dinheiro (junto com outros pontos natais) como manifestação palpável do nosso senso de valor próprio e dos talentos e habilidades que temos, assim, em Libra Vênus favorece a arquitetos, decoradores, trabalhos com arte, advogados, conselheiros, casamenteiros, vendedores, etc. Todas as profissões que lidam com negociação de algum tipo, com a beleza em todas as suas esferas e também com a arte.

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Mercúrio deixa Libra para mergulhar no lago escuro de Escorpião. Sendo signo de água, a princípio, Escorpião não é muito confortável para ele, um planeta fugidio e malandro – a água é mais densa que o ar, não dá para sair batendo aquelas sandálias aladas logo de cara! Por outro lado, Escorpião agrega profundidade e concentração a Mercúrio, que em algumas situações pode se tornar superficial. Mercúrio em Escorpião fala, então, de uma mente arguta e muito sagaz, com grande capacidade de penetração nos assuntos mais densos e misteriosos da vida; favorece a pesquisas, investigação, estudo concentrado e a qualquer área que requeira um olhar perscrutador, profundo e honesto. As interações e a comunicação em geral tendem a ficar mais econômicas e mais verdadeiras, talvez um pouco ácidas, já que Escorpião não está interessado em “alisar” ninguém. Em Escorpião, Mercúrio também vai ao fundo das coisas, ao fundo de rios, lagos e mares, trazendo à tona materiais que estavam escondidos por muito tempo, assim, favorece a revelação de informações e questões que haviam sido suprimidas do conhecimento público. De Escorpião Mercúrio faz trígono a Netuno em Peixes, um aspecto que agrega sensibilidade a essa mente letal e, por vezes, destrutiva e paranoica. Dessa forma, temos aumentadas não só nossa capacidade de olhar para dentro de nós, mas também a habilidade de intuir o que se passa com outros, com a natureza e com a própria vida, pois nos sentimos conectados a ela, podendo colocar a seu serviço nossa grande capacidade de cura e regeneração, seja através da vibração e atitude mentais, seja através da fala e do foco que escolhemos trabalhar.

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O Sol Escorpiano faz sextil a seu dispositor Plutão, que está em Capricórnio. Oportunidade de olhar para nós mesmos e nossas motivações, se estão de acordo com nossa auto-expressão. Podemos também fazer alterações positivas em nós mesmos e em nossas atitudes, para estarmos mais alinhados com nosso Dharma, com aquilo que viemos ser nesta vida e ainda equilibrarmos  nossa vontade e desejo pessoal com aquilo que a vida espera de nós. Mas a oportunidade está aí, podemos agarrá-la ou não, como um ônibus que passa por nós e escolhemos simplesmente não entrar nele.

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Desconheço o autor – Reprodução

E Júpiter também está em quincunce a Urano, aspecto que fica exato por três vezes, devido à retrogradação de Júpiter, que ocorre a partir de 08 de janeiro de 2016. Este aspecto sugere grande exagero na necessidade de liberdade e dificuldade de administrar isso na vida, queremos nos expandir, mas ao mesmo tempo hesitamos em nos comprometer com os esforços necessários para isso; podemos nos tornar revolucionários só em palavras, inflamados e apaixonados pelas ideias, mas incapazes de entrar em ação de fato, potenciais agitadores, pregando filosofias anarquistas, mas permanecendo atados ao status quo, talvez por conveniência. Assim, boas oportunidades de crescimento surgem, mas deixamos passar porque queremos permanecer livres e desimpedidos, correndo o risco de virarmos uma expressão negativa do Peter Pan, que nunca cresce, nem realiza nada, porque estamos sempre alegando que elas nos impediriam vôos mais altos. É preciso ficarmos atentos às nossas próprias ambiguidades, às discrepâncias entre a formulação de ideias, o discurso e a prática. Mesmo o mais indômito dos pioneiros e exploradores precisa de um mínimo de ordem e planejamento nas suas empreitadas, sem isso, não chega a lugar nenhum e se contenta em trilhar os caminhos já percorridos, por mera comodidade. Numa expressão mais positiva, a imensa inquietação gerado pelo aspecto pode nos colocar numa busca por fórmulas que unam o desejo de liberdade com reformas reais, mas para isso, é preciso primeiro se lidar com a enorme tensão interna e os inúmeros conflitos interiores. Júpiter faz quincunce a Urano em 05 de novembro de 2015, 06 de março e 13 de agosto de 2016.

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Christian Schloe – Reprodução

A Lua viaja na fase Disseminadora por Câncer, torna-se Minguante em Leão na terça-feira e Balsâmica no último grau de Virgem, no sábado, fechando a semana em Libra. Dialoga com todos os demais planetas e vai perdendo luz e aprontando-se para um novo ciclo, que é inaugurado na semana que vem, dia 11, com a Lua Nova de Escorpião. Esses movimentos lunares simbolizam as mudanças em nosso humor e disposição no desdobrar e construção dos dias.

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A semana é inaugurada com a Lua ainda em Câncer na SEGUNDA-FEIRA, afastando-se da T-Square cardinal com Urano-Plutão e indo ao encontro de Vênus e Marte, numa conversa harmoniosa que favorece o bom sono. A Lua fica vazia depois do contato com Marte, à 01h36min e ingressa em Leão às 13h48min, já se afinando com Saturno em Sagitário, mas fazendo quadratura a Mercúrio, que entrou em Escorpião às 05h07. Vênus está em conjunção partil a Marte exatamente das 23  às 23h22min. A segunda começa meio langorosa, bem adequada para um feriado prolongado. Podemos nos dar ao luxo de acordar mais tarde e permanecer sob os lençóis mais um pouco, quem sabe, namorando sem pressa. À tarde a atmosfera fica mais dinâmica e estamos mais dispostos a sair do casulo. Sendo Dia de Finados, o contato Lua-Saturno favorece a reflexão sobre os limites e finitude da vida, além da consciência de que é preciso fazer nosso melhor com o tempo que nos é dado. Também precisamos dirimir alguns conflitos mentais e pendengas internas. O racional está pesadamente colorido por emoções passionais e temos dificuldade em ter um distanciamento saudável dos posicionamentos, talvez levando a sério demais alguma opinião contrária à nossa. De toda forma, temos necessidade de fazer contatos intensos que propiciem uma apaixonada troca de ideias, e isso, com a adequada dose de respeito, pode ser bastante frutífero. Considerando que a Lua está na fase disseminadora, precisamos cuidar que a mensagem que transmitimos corresponda àquilo em que acreditemos de fato e para isso é preciso chegar a um acordo interno antes de nos pronunciarmos no mundo.

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Reprodução – Desconheço o autor

A Lua fica Minguante na TERÇA-FEIRA, ao fazer quadratura ao Sol em Escorpião, às 10h25min. A Lua Leonina também vira foco de um Yod-Dedo de Deus ao fazer quincunces simultâneos a Plutão em Capricórnio e a Quíron em Peixes. Como ajuda, ela busca o apoio de Urano em Áries, através de um trígono, ficando vazia depois deste aspecto, às 23h48min. Mercúrio faz sesqui-quadratura a Quíron e até que Vênus entre em Libra no domingo, estamos sem nenhum planeta no elemento AR. Um dia mais tenso e sujeito a conflitos internos e externos, especialmente entre as energias feminina e masculina, ou entre nossa expressão consciente e os impulsos inconscientes. Há falta de clareza e objetividade tanto nas nossas atitudes quando naquilo que queremos e tal confusão provoca tensão e irritação, talvez empesteando a atmosfera de um clima pesado, em que nos sentimos cobrados e vigiados, sem conseguir identificar exatamente por quem ou pelo quê. A sensação de premonições nefastas deixa-nos ainda mais arreliados e inquietos, agindo de forma imprevisível e abrupta, espantando a nós mesmos e àqueles no nosso convívio. Já que a razão não é confiável por estes dias, a opção é nos deixarmos guiar por nossos instintos e intuição, seguir o sentimento que vem das entranhas, para não correr o risco de errar. A Lua ficando minguante em Leão pede que nos desfaçamos do orgulho besta e da vaidade tola que nos impedem de contatos reais e profundos com os outros e até conosco mesmos. O poder verdadeiro dispensa demonstrações grandiloquentes, é tão natural que não precisa ser imposto, visto que é prontamente reconhecido como legítimo.

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Rafael Olbinski – Reprodução

A QUARTA-FEIRA pede que façamos uma pausa estratégica nas atividades mais objetivas, para focarmos na subjetividade ou em atividades menos decisivas em termos mundanos. A Lua está vazia em Leão e fica muitas horas sem fazer contato com ninguém, relativamente isolada, apenas fazendo sesqui-quadratura a Plutão em Capricórnio. A Lua entra em Virgem somente na quinta-feira. Dia de desacelerar a vida, de olhar menos para fora e mais para dentro, de trazer à tona a criança interior e deixar que ela se expresse plenamente, de forma original e livre. No trabalho, é aconselhável apenas dar continuidade a tarefas já iniciadas, sem começar projetos completamente novos. Quando a Lua está vazia, ou fora de curso, diz-se que está vazia de propósitos, está em repouso, descansando. É como entrar num período sabático, tirar o fone do gancho, desligar o celular, trancar a porta e isolar-se para um merecido descanso. Se não há propósito definido na atividade, seus resultados são imprevisíveis, podendo mesmo dar em nada, daí a recomendação de não se começar nada nem fazer grandes investimentos em projetos novos. Portanto, a “pegada” do dia é apenas deixar fluir, seguir com a maré, sem muitas expectativas, se possível, deitando as ferramentas de trabalho para um repouso da objetividade.

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Brooke Shaden Photography – Reprodução

QUINTA-FEIRA é dia de JÚPITER, que hoje faz quincunce pleno a Urano em Áries. A Lua ingressa em Virgem à 00h22min e logo se harmoniza com Mercúrio em Escorpião, mas também arma uma fastidiosa T-Square Mutável ao fazer quadratura a Saturno em Sagitário e oposição a Netuno em Peixes. Temos um poderoso stelium em Virgem, com Lua, Júpiter, Marte e Vênus neste signo. Dia de muita inquietação e talvez preocupações excessivas. Há grande incongruência e descompasso porque ao mesmo tempo em que temos perfeita noção de nossas responsabilidades e obrigações, sentimo-nos esmagados por elas, que ameaçam fugir de nossos precioso controle, deixando-nos numa corda bamba. Há ímpetos e impulsos de chutar o balde em vários momentos, deixando-nos exasperados com nossa própria incapacidade de chegar a um consenso conosco mesmos. Contudo, essas energias super voláteis e tensas, propiciam que confrontemos nosso idealismo e perfeccionismo com a realidade tal qual ela é, com limites e imperfeições. Propicia ainda que nos demos conta da nossa irresponsabilidade e inconsequência inconscientes diante dos objetivos conscientes de desenvolvimento. O que é mais importante, permanecer solto pulando de galho em galho de forma irrefletida ou ater-se a sonhos realistas que demandam algum sacrifício e grandes esforços? Ambas as opções oferecem vantagens e desvantagens e nossos valores é que nortearão o que é prioridade.

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A SEXTA-FEIRA chega trazendo alguma trégua, com a Lua Virginiana em trígono a Plutão, que por sua vez, recebe sextil do Sol, exato hoje. A Lua faz conjunção a Júpiter, oposição a Quíron e quincunce a Urano. Mercúrio está em trígono exato a Netuno. O dia ainda traz energias desafiadoras e a sensação de gangorra emocional é bem nítida, mas temos uma resiliência melhorada, de forma que damos conta de muitas tarefas ao mesmo tempo e ainda conseguimos assoviar e chupar cana. Contudo, é preciso atenção para não afundar demasiadamente no trabalho como fuga de possíveis dificuldades relacionais. Lua-Sol-Plutão formam um trio super alinhado que ajudam a ter clareza sobre nossos propósitos mais essenciais e do quanto eles nos alimentam emocionalmente, propiciando contenção e centramento para lidar com quaisquer adversidades que surjam pelo caminho e especialmente propiciando a construção de pontes e conciliação entre as facetas díspares da personalidade. Além de tudo, temos realçada a sensibilidade na forma como interagimos com o mundo, acessando e percebendo de forma intuitiva o que precisamos dissolver em nossas atitudes para permitir um contato mais genuíno e uma assimilação mais completa das informações do mundo que nos cerca –  como aprender por osmose.

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Marte e Vênus, que andam bem isolados no fim de Virgem, recebem a visita da Lua no SÁBADO. A Lua fica vazia, às 10h50min, depois da conjunção a Vênus e torna-se Balsâmica ao fazer semi-quadratura ao Sol. Ingressa em Libra às 13h14min, de onde conversa sobriamente com Saturno em Sagitário. O Sol está em orbe de sextil a Júpiter e de quincunce a Urano, tornando este foco de um Yod que dura alguns dias. Sábado industrioso, em que nos ocupamos com muitas tarefas pela casa, pelo quintal ou mesmo pelo comércio, visto que este pode ser um clássico sábado de resolver problemas domésticos, de levar o carro na oficina ou se envolver com tarefas do tipo “faça você mesmo”. Faxinas literais ou figurativas estão mais que favorecidas, assim como a purificação do corpo, da alma e da casa. É tempo de voltar-se mais para dentro do que para o exterior. Aliás, até temos dificuldade em expressar adequadamente sentimentos e afetos, então, talvez seja o caso de calar temporariamente, até que tenhamos uma compreensão mais acurada e fidedigna de nós mesmos.

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O DOMINGO encontra a Lua às voltas com o imbróglio Urano-Plutão, indicando um domingo sujeito a conflitos que nos obrigam a um confronto honesto conosco mesmos e com o outro à nossa frente. Estamos divididos entre favorecer a nós mesmos ou ceder à pressão externa. O que escolhemos? Vênus ingressa em Libra às 13h30min, sugerindo um olhar ainda mais desapegado e conciliador das diferenças, sejam elas de que natureza forem – somos obrigados a achar o equilíbrio justo. A Lua ainda faz quincunce a Netuno em Peixes enquanto Urano segue espremido por Sol-Júpiter. Precisamos nos entender com nossos ideais excessivamente elevados para não terminarmos frustrados de forma irreparável. Sol em Escorpião e Júpiter em Virgem chegam ao consenso de que precisam crescer de forma continuada, planejada, controlada, um passo de cada vez, de forma obstinada, precisa e determinadamente – a pressão recai sobre Urano, indicando que precisamos conter os impulsos destrutivos por liberdade e revolução a qualquer preço; precisamos educar amorosamente esse menino interno imaturo e turrão que tem muito vigor  e idealismo, mas cujo fanatismo iconoclasta pode pôr tudo a perder. Será que damos conta de domar essa fera selvagem e tirânica? Está por nossa conta e risco se o domamos amorosamente ou se o deixamos correr solto a seu bel prazer – de um jeito ou de outro, somos nós que arcaremos com as consequências benéficas ou nefastas. O que vai ser?

Feliz semana para você! Que seja cheia de equilíbrio, luz e de bênçãos!

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Walter Stack – Reprodução

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