Lua Cheia em Sagitário – Meio cheio ou meio vazio?

Doctor Ojiplatico - Reprodução
Doctor Ojiplatico – Reprodução

A Lua foi Cheia hoje, 20 de junho de 2016, às 08h02min no horário de Brasília (12h02min no horário de Lisboa), a 29°32’ de Sagitário, uma Lua Azul Astrológica, que é a repetição da Lua Cheia no mesmo signo que a Lua Cheia anterior. A Lua cheia, como sabemos, representa o ápice do ciclo iniciado na Lua Nova. é um momento de clímax, em que a energia, que vinha num crescendo, finalmente alcança seu apogeu e explode, ou se derrama, frutifica e se revela completamente à consciência. Como o momento do parto – cujos números, aliás, sobem vertiginosamente nesta fase da Lua – como o momento da colheita. é o apogeu, um momento de crise em que a tensão finalmente é liberada, para o melhor ou para o pior. Subimos a montanha e chegamos ao seu topo e a partir daqui começamos a descer, então o apogeu é também o começo do fim. Mas antes de falarmos sobre esta lunação, gostaria de me delongar um pouco sobre uma questão secundária e mais técnica, mas que para mim é importante.

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Esta é a segunda Lua Cheia do ano que ocorre em Sagitário, o signo dos exploradores – pois é, temos uma dobradinha! –  um fenômeno que vem “ajustar” a ordem natural dos ciclos lunares. Isso porque, desde março de 2015 essa ordem estava invertida. Explico: a Lua Nova e a Lua Cheia marcam os pontos altos do ciclo lunar e normalmente ocorrem num par de signos opostos, a Lua Nova ocorrendo em um signo e a Lua Cheia acontecendo no signo oposto 14 dias depois, nos eixos de Áries-Libra, Touro-Escorpião, Gêmeos-Sagitário, Câncer-Capricórnio, Leão-Aquário, Virgem-Peixes. Nos últimos meses esta ordem estava invertida porque a Lua Cheia acontecia antes, ao invés de termos a Lua Nova em Áries seguida pela Lua Cheia em Libra, tínhamos primeiro a Lua Cheia de Libra e 14 depois a Lua Nova de Áries, ou, dito de outra forma, os ciclos estavam desencontrados pois a Lua Nova ocorria num eixo e a Cheia avançava para o eixo seguinte, isto é, a Lua Nova acontecendo em Peixes e a Cheia se dando já em Libra, ao invés de Virgem – eu até brinquei semana passada dizendo que seria similar a comer a sobremesa antes do prato principal.

Do site astro.if.ufrgs.br - Reprodução
Do site astro.if.ufrgs.br – Reprodução

Esse fenômeno ocorre porque a Lua tem dois ciclos, o sideral e o sinódico. O ciclo sideral conta o tempo que a Lua leva para dar uma volta ao redor da Terra tendo como referência um ponto fixo e este ciclo é de 27,3 dias. Já o ciclo sinódico é o tempo que a Lua leva para fazer uma nova conjunção ao Sol e este ciclo é ligeiramente mais longo porque o Sol também está em movimento, não é um ponto fixo. Cada signo tem 30 graus, diferente do ciclo lunar sinódico (conjunção Lua-Sol) que tem em média  29 dias e 12 horas, ou seja, 29,5 graus. Essa “inversão” não é algo “tão” importante e impactante e ocorre regularmente a cada  15/16 meses aproximadamente – por exemplo, a última inversão aconteceu em fevereiro de 2015, o “ajuste” acontece agora em junho e uma nova “inversão” se dará em setembro de 2017.

Casa na Alemanha, construída de ponta-cabeça - Reprodução
Casa na Alemanha, construída de ponta-cabeça – Reprodução

O dado mais notável a respeito desse movimento “invertido” é que quando a Lua Nova e a Lua Cheia acontecem num mesmo eixo de signo – por exemplo, Lua Nova em Áries e Lua Cheia em Libra – o ciclo traz presentes os temas pertinentes àquela polaridade – neste caso, o eu x o outro, relacionamentos, equilíbrio, etc. Mas quando a Lua Nova se dá num eixo e a Lua Cheia se dá em outro, precisamos trabalhar, dentro daquele ciclo, os temas de duas polaridades diversas, buscando integrar seus diferentes significados um em relação ao outro. Por causa disso, eu tenho a nítida sensação de que os longos períodos em que ocorre essa inversão no ciclo são períodos mais tensos e que demandam muito mais estamina e consciência da nossa parte na integração das mudanças e transformações maiores que estejam acontecendo no período em questão, porque as coisas não são tão óbvias, então precisamos estar mais atentos. Quando o ciclo está perfeitamente ajustado, fluímos melhor com ele, as coisas seguem um ritmo natural. Por outro lado, quando o ciclo está invertido requerendo maior atenção de nossa parte, pode representar um tipo de desafio extra, que nos obriga a ficar vigilantes e mais despertos, ou seja, é mais tenso, exige mais esforço consciente para fazer a sintonia fina do ciclo. Mas não nos enganemos, como sempre, os testes vêm para nos fortalecer e melhorar nossa, ahn, performance… Não dizem que ler um livro/texto complicado, aprender outra língua, aprender a tocar um instrumento melhoram de um modo geral a inteligência e a performance cerebral? Até mesmo os quebra-cabeças ou a boa e velha palavra cruzada nos obrigam a exercitar melhor os neurônios, certo? Pois então, digamos que seja um princípio semelhante… Agora, a Lua Cheia de hoje marca um período de transição, porque é a culminação de um ciclo que começou em Gêmeos, ou seja, os ciclos voltam a funcionar em congruência. E é transição porque provavelmente nos próximos meses as coisas tenderão a fluir mais, de maneira mais ritmada e concatenada.

Lua Cheia em Sagitário - Brasília, 21 de maio de 2016, às 18h14min.
Lua Cheia em Sagitário – Brasília, 21 de maio de 2016, às 18h14min.

Voltando à lunação… Esta Lua Cheia vem também como uma ‘segunda chance’ de celebrarmos os temas festivos de Sagitário, já que a Lua Cheia anterior ocorrida no mesmo signo veio carregada de tensão e frustração, representadas pela conjunção a Marte retrógrado. Eu não publiquei texto aqui sobre essa Lua Cheia anterior, visto que ela se deu enquanto eu ainda estava visitando minha mãe, mas publiquei um texto enxuto na página no Facebook. Eu dizia, então: “É tempo de celebrar nossa fé, esperança e otimismo, aceitando, contudo, com humildade, nossas limitações, aprendendo a lidar com o senso de impotência e os limites impostos pela nossa condição humana. Equilibrar otimismo com realismo. Enfrentar o aqui e agora, para poder projetar um futuro que seja melhor, porém coerente, sem exageros e ilusões. É tempo ainda de de nos rejubilar pelos conhecimentos que propiciaram que chegássemos até aqui, ao mesmo tempo em que refletimos sobre crenças e filosofias e seus efeitos de longo prazo. Há maior propensão a conflitos e crises, provenientes da eclosão de dificuldades que se arrastavam mas não eram suficientemente claras. Agora ganhamos maior consciência de tais conflitos e dificuldades e temos que reconhecê-los e a partir de tal reconhecimento, tomar decisões e modificar atitudes.” Quem quiser ler o texto todo está aqui.

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A Lua Cheia em Sagitário geralmente propõe uma celebração da fé, do otimismo e da alegria simples de se estar vivo; uma celebração da liberdade e da vida nas grande amplitudes, do nosso espírito de aventura e o amor pela estrada; o desejo de expandirmos nossa consciência para além dos fatos e do aqui e agora (Gêmeos), projetando-nos no futuro, com visão e entusiasmo (Sagitário). É o convite para equilibrar a razão com a intuição, a objetividade fria com a fé. Mas será que essa Lua Cheia de hoje ajuda a cumprir essas promessas? Como já disse, a Lua Cheia anterior sugeria exatamente a frustração de tais promessas e a necessidade de desenvolvermos o dom da paciência e da humildade, coisas difíceis para o jovem arqueiro.

Anne T. Boleyn - Reprodução
Anne T. Boleyn – Reprodução

Mas e agora, o que temos? Certamente temos uma lunação menos tensa. Embora Sol e Lua ainda estejam em orbe de quadratura a Quíron, esta é uma quadratura separativa e sugere que talvez estejamos mais conscientes das nossas vulnerabilidades e impossibilidades. E mais importante do que isso é o fato de a Lua Cheia se dar a poucas horas do Solstício de Inverno (Verão no Hemisfério Norte), um momento limiar, de transição, em que o Sol atingiu o limite máximo de distância ao Norte do Equador, e agora começa a retroceder. Os solstícios, assim como os equinócios, simbolizam momentos especiais de mudança na direção da energia e da consciência que, se estivermos atentos, podemos “usar” a nosso favor, alinhando-nos com eles e aproveitando para mudar, também nós, reajustando nossa direção na vida e no mundo. O Sol ingressa em Câncer às 19h34min, ou seja, pouco menos de 12 horas depois da Lua Cheia. Então, temos dois momentos importantes de transição na direção e na forma de manifestação da energia  – não podemos ignorar isso! O Sol também está em conjunção fora de signo a Vênus e, obviamente, a Lua está em oposição a esta Vênus, sugerindo a imprescindibilidade de negociação e conciliação entre nossa necessidade de liberdade (Lua Sagitário) e o desejo e impulso para a vinculação emocional e o comprometimento.

Lua Cheia em Sagitário - Brasília, 20 de junho de 2016, 08h02min
Lua Cheia em Sagitário – Brasília, 20 de junho de 2016, 08h02min

A Lua Nova de Gêmeos, que ocorreu à 00h00min do dia quatro de junho, com Lua e Sol em oposição a Saturno, quadratura a Júpiter e a Netuno, simbolizava um momento delicado de novos começos que poderiam ser ilusórios e fantasiosos, confusos e inseguros, em que precisaríamos lidar com nossos medos e também com nossos excessos. Agora, a Lua Cheia representa o apogeu desse ciclo iniciado lá. Nas configurações de hoje, o dispositor da Lua, Júpiter, está envolvido na mesma Grande Cruz Mutável da Lua Nova, junto com Saturno, Netuno e agora também, Mercúrio, regente do Sol. Então, subjacente aos temas de Sagitário temos um sub-tom Virginiano indicando que é preciso pragmatismo e um certo controle, indicação que fica mais forte dada a configuração mencionada. Júpiter, o princípio da expansão, precisa ser cauteloso quanto às suas visões magníficas de crescimento que, em Virgem, não são tão magníficas assim, ao contrário, são mais sensatas e comedidas; a quadratura a Saturno reforça a necessidade de realismo e de nos ajustarmos aos nossos limites, de termos disciplina e bom senso para não darmos o passo maior que a perna, especialmente porque este Júpiter também está em oposição a Netuno – então, há grande demanda de prudência e moderação no que tange a essas visões e desejos de expansão, porque no momento é difícil distinguir entre realidade e ilusão, entre possibilidades reais e desejos fantasiosos. Como se não bastasse, Mercúrio está neste redemoinho, simbolizando que é muito fácil a mente se perder nos muitos meandros e intricados que colorem o que atualmente chamamos de “real”. Entretanto, algo que pode ajudar é o fato de Mercúrio estar em conjunção ao asteroide Vesta, que simboliza contenção, introspecção, tradição, religiosidade e piedade. Embora a própria Vesta também esteja envolvida na configuração, suas qualidades certamente ajudam a acalmar o caos em que Mercúrio se encontra.

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Contudo, do mesmo modo que todos estes aspectos sugerem cautela e uma possível não realização, eles também podem indicar uma moderação nos exageros e a prudência aplicada que reverte os prognósticos de desastres – tudo depende de como vivenciamos tais influências, de como lidamos com elas no nosso dia a dia ou, dito de outra forma, se estamos vendo o copo meio cheio ou meio vazio. Quando lembramos que a segunda quadratura Saturno-Netuno se deu há poucos dias – no último sábado, mais precisamente – e que também envolvia Júpiter, essa metáfora do copo adquire um tom mais extremista, então não é nem questão de ver o copo meio cheio ou meio vazio, mas sim de perceber que há uma propensão a ver o copo (totalmente) vazio ou cheio. Isso porque Saturno é o extremo do realismo (leia-se, pessimismo) e com ele tendemos a ver tudo sob lentes muito sombrias, quer dizer, copo vazio, sem dúvida; Já Netuno é o suprassumo da fantasia e do delírio que, conjugado com Júpiter, fala de um otimismo completamente irreal e enganoso, ou seja, vemos um copo transbordando quando talvez nem exista copo nenhum à nossa frente. Então, mais do que nunca precisamos ter um equilíbrio interno afiado para contermos esses extremos dentro de nós nas próximas duas semanas. Outra forma de ver isso pode ser nos darmos conta de que muitas vicissitudes pelas quais passamos, ou mesmo fracassos, mais tarde se revelam bênçãos, porque então nos damos conta de que a vida foi mais sábia e estamos melhor sem ter conseguido aquilo que nos parecia tão importante naquele momento, mas que descobrimos depois, era apenas uma ilusão.

Loui Jover - Everyday Zen - Reprodução
Loui Jover – Everyday Zen – Reprodução

Júpiter, regente da Lua, já realizou todos os aspectos exatos dos respectivos ciclos com Saturno e Netuno, quer dizer, está atualmente se afastando da oposição a Netuno e da quadratura a Saturno e isso nos lembra que este é um Júpiter menos afoito, mais sábio e ponderado, estando estes aspectos tensos provavelmente mais integrados e menos inconscientes, portanto, estamos menos propensos a extravagâncias e deslizes, embora o potencial para tal ainda exista. Assim, a Lua Cheia nos permite celebrar esta fé mais consciente, este otimismo mais comedido que não ignora riscos nem limites, mas que os leva no bojo dos planejamentos que tornam-se mais meticulosos e menos pretensiosos.

Arcano 5 - O Sacerdote“O Papa abençoando os fiéis” é o Símbolo Sabiano para o grau 30 de Sagitário (29°00 a 29°59’), que nos fala da capacidade de responder àqueles que buscam por nós e retribuir-lhes a fé e a confiança. O Papa é uma figura que representa uma autoridade espiritual e religiosa. Para os católicos ele é um representante direto de Deus na Terra, tendo sido Pedro o primeiro papa da história da Igreja, que teria sido ordenado para pelo próprio Cristo, ao dizer-lhe que apascentasse suas ovelhas e que tudo o que ele conectasse na Terra, seria conectado no céu. A figura do Papa aqui sugere que busquemos formas elevados de fazer as conexões internas e espirituais que nos permitam acessar o divino em nós, usando também nossa intuição. O símbolo nos lembra ainda o arcano O Sacerdote do Tarô e nos sugere a necessidade de buscar orientação espiritual quando sentimos que estamos a ponto de sucumbir e também de estarmos abertos a receber as dádivas e bênçãos que estão por vir – muitas vezes nos perdemos em nossas reclamações mesquinhas e deixamos de perceber as dádivas ao nosso dispor. Independentemente de sermos católicos ou religiosos, este símbolo nos admoesta a buscarmos uma autoridade que nos oriente e abençoe com sabedoria e cuidado, como um pai faria. Este guia pode estar fora, na figura de uma autoridade real, mas também pode ser o guia interno, ao qual chegamos em meditação, e que pode instilar confiança, fé e nos “abençoar” para avançarmos para o próximo passo na concretização (Capricórnio, o signo seguinte) de nossas visões (Sagitário).

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Então, este é o desafio das próximas duas semanas: celebrar a fé e a esperança que nos mantém de pé, mantendo a atitude de gratidão, mesmo diante de cenários adversos e sombrios, porque sempre temos muito a agradecer e se nos percebermos sucumbindo à desolação e à desesperança, voltarmo-nos para aqueles que nos instilem otimismo e a renovação de nossas forças, que nos “abençoem” com sua mera presença forte, gentil e sábia. Sendo esta a segunda Lua Cheia no signo da fé e da expansão, temos a chance de fazer essa sintonia fina entre o realismo e o otimismo. E claro, não esqueçamos de aproveitar o momento de transição para transmutar comportamentos e atitudes – como sabe o surfista, o momento de pegar a onda é único e ele precisa estar atento pois se ele perder o timing, terá que esperar a próxima e isso pode durar algum tempo e mesmo quando vem, nunca mais será a mesma onda! Ah! E cuidado com o que você deseja – pode se realizar!

Feliz Lua Cheia para você!

Que todas as coisas boas venham em dobro, assim como a Lunação de Sagitário! 

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