A Semana Astrológica – Amar dá trabalho

Ziegfeld – Reprodução

SEMANA de 24 a 30 de julho – Recomeços, novas ideias e projetos, que são colocados em ação com muita garra e determinação. Re-ignição do nosso Fogo Sagrado. 

O Sol ingressou em Leão, trazendo mais calor, generosidade e magnanimidade aos corações, além, é claro da necessidade de lustrar as jubas para brilharmos sob os holofotes do palco da vida!

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Nesta semana o Sol faz conjunção a Marte e nosso propósitos ficam mais nítidos, a determinação e garra para realizá-los, mas aguçadas. Sol e Marte em Leão se aliam pelos mesmos propósitos – Como numa alcateia de leões, presidida por dois machos poderosos, responsáveis por proteger toda a família e assegurar o território – juntos são mais fortes! Mais do que nunca Marte está serviço do Sol, seu Rei! Esse par realmente colore os dias de entusiasmo, fé, nobreza, coragem e… drama, muito drama! Tudo é um caso de vida ou morte e nos empenhamos de corpo, alma e coração em tudo o que fazemos e empreendemos! Mas é preciso ter bom senso, para não cairmos na armadilha do orgulho e da arrogância, além, é claro, do autoritarismo. E lembrar também que cada um sabe o que é melhor para si e nós não precisamos perder tempo e sair “lecionando” pérolas sobre como o outro deve viver sua vida. Outro ponto importante é que Marte faz sesqui-quadratura a Saturno – junto com o Sol – colocando à prova todo o nosso entusiasmo, que pode passar por alguns testes, sem que nem nos demos conta. O quanto confiamos em nós mesmos, nossa força e nossa vontade para realizar nossos projetos? Vale ficar atentos para não abrirmos a guarda para movimentos de autossabotagem. Tirando isso, é aproveitar a vibração de otimismo e determinação!

Brooke Shaden Photography – Reprodução

Mercúrio em Leão faz trígono a Urano já na segunda e ingressa em Virgem na terça, signo regido por ele e onde ficará retrógrado a partir de 12 de agosto. Aliás, Mercúrio entra na zona sombria da retrogradação também na segunda, 24. Iniciando este ciclo de retrogradação, Mercúrio estaciona no dia 11/08 em oposição a Netuno em Peixes, pedindo bastante cuidado na comunicação, nas análises e negociações, além de assinatura de documentos durante o período. Nas próximas semanas estaremos nos preparando e já verificando o que será revisado nesta retrogradação.

Debra Heylen – Reprodução

Vênus faz oposição exata a Saturno na segunda-feira, um aspecto que nos lembra que relacionamentos, se for para darem certo, darão muito trabalho – não, não confunda com o “trabalho” que as relações doentias e de dependência dão. Relações sérias e felizes dão trabalho porque demandam maturidade, comprometimento, negociação. Exigem esforço, se for para durarem. Vênus em Gêmeos não gosta muito do compromisso, porque prefere estar livre, caso algo “melhor” apareça. A oposição a Saturno é um chamado à reflexão sobre se essa liberdade é assim tão “livre”, já que muitas vezes reclamamos de solidão; se nunca nos comprometemos, continuamos soltos, mas também não construímos nada de sólido. E às vezes, permanecer “livre” é, na verdade, uma fuga de si mesmo, fuga do confronto com as próprias inseguranças, um jeito de evitar o medo da rejeição e do abandono… Quer dizer, pode ser apenas um discurso vazio, usado para camuflar medo do abandono. E evitar, podemos evitar a vida toda, mas, seremos plenos? Depois do confronto com Saturno, Vênus conversa muito desprendidamente com Urano, mas cai no lodo de desolação de Quíron e aqui nossos medos vêm mais à tona, mesmo que tentemos camuflá-los, eles estarão muito nítidos para nós. Esses aspectos ficam exatos no fim de semana, e sugerem dias delicados nas relações, que ficam sujeitas a desencontros, incompreensão e exposição de feridas antigas. Contudo, como sempre, quando estamos dispostos a enfrentar o problema, ao invés de fugir dele, acionamos nosso potencial de curar a nós mesmos e às nossas relações. Vênus permanece em Gêmeos até 31 de julho, quando entra em Câncer.

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Vênus estimula e dá ênfase ao semi-sextil que Quíron faz a Urano no fim de semana (um, de uma série de muitos) e eu me lembro que os dois têm algumas coisas em comum. Cada um tem seus significados e simbologias próprias, mas, de formas diferentes, ambos têm a ver com o arquétipo do outsider, o forasteiro, o esquisito, e especialmente Quíron, com a dificuldade em pertencer, portanto, uma reflexão é pertinente sobre a relação entre os dois. No que tange a isso, a esse tema do outsider, a diferença entre Urano e Quíron é que Urano representa aquelas excentricidades e esquisitices das quais temos orgulho e que até ostentamos como emblema, porque nos distinguem e nos tornam “diferentes” de um modo que nos parece positivo, porque não queremos ser iguais a “todo mundo”. É “cool”! É legal!

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Quíron representa as esquisitices dolorosas, das quais nos envergonhamos e que, se pudéssemos, esconderíamos, mas elas ficam ali, sempre muito presentes. Quíron também pode representar um problema maior: a possibilidade de nos tornarmos “bode expiatório” em situações delicadas, especialmente quando está em aspecto próximo a planetas pessoais ou aos ângulos. Ambas as formas de “excentricidades” precisam ser integradas, igualmente. As “esquisitices” das quais nos orgulhamos, se não temos cuidado, podem nos alienar de outros, pois nos isolamos e nos diferenciamos em excesso a partir delas, afastando pessoas que poderiam ser significativas na nossa vida. No fundo, ostentamos tais esquisitices para lidar – mais uma vez – com alguma insegurança, do tipo, “não faço mesmo questão de pertencer a esse grupo careta”, quando talvez tenhamos nos sentido criticados e rejeitados por tal grupo lá atrás. Já no caso de Quíron, essas características que julgamos vergonhosas ou dolorosas também precisam ser integradas e aceitas, porque, além de também nos alienar de relações realmente significativas, se não integradas, nunca seremos inteiros, e conviveremos com a sensação permanente de buraco na alma, buraco que representa, exatamente, as qualidades que negamos e rejeitamos.

A órbita excêntrica de Quíron, mostrada no diagrama.

É interessante porque Quíron, que na verdade é um asteroide, tem um ciclo de 51 anos, enquanto Urano tem um ciclo de 84 anos. Ambos também são parecidos nisso, suas órbitas são excêntricas; Urano tem a atmosfera mais fria de todos os planetas e gira em um eixo tão inclinado, paralelo ao plano do sistema solar, que parece uma bola rolando numa superfície, é o único planeta que gira assim; Já Quíron, de quem se diz que não pertence realmente ao sistema solar e que pode desaparecer em algum momento, tem uma órbita excêntrica, atingindo o periélio numa área interior à de Saturno e afélio no limite interior à de Úrano, daí se diz que ele media os conteúdos e limites humanos conscientes (Saturno) com os conteúdos coletivos e inconscientes e a necessidade de mudar (Urano). Então, eles têm coisas em comum e devido ao fato de a órbita de Quíron ser tão excêntrica, os contatos entre eles podem levar anos. Este semi-sextil é o último aspecto de um ciclo que se iniciou entre 1898 e 1900, entre Escorpião e Sagitário. Entre 1952 e 1991 os dois ficaram numa dança de oposição, que ficou exata muitas e muitas vezes (entre as polaridades Câncer-Capricórnio, Leão-Aquário, Virgem-Peixes, Áries-Libra e Touro-Escorpião), marcando várias gerações, por quatro décadas, com uma assinatura peculiar: a visão da “sociedade perfeita” (Urano) é maculada pelo sofrimento e pela amargura da limitação humana (Quíron); a revolução conseguida à custa do sofrimento; os limites da natureza versus a visão do futuro. Este ciclo de Quíron-Urano finda somente em 2043, quando os dois fazem nova conjunção, em Leão. Até lá, esse semi-sextil se repetirá ainda algumas vezes, mas ainda assim, vale a reflexão sobre ele.

Johnny Depp como Edward Mãos de Tesoura, filme de Tim Burton, um filme, aliás, extremamente Quirôniano! Reprodução

As duas Luas Novas que ocorrem em Leão (23/07 e 21/08) trazem fortemente este tema, porque ambas ocorrem em aspectos com estes dois planetas – Quíron, na verdade, é um asteroide. E Vênus – que faz aspecto aos dois, ao mesmo tempo – nesta semana nos convida a refletir como isso repercute nas relações amorosas. Lidar com tudo isso não é fácil, não é fácil, não! Nunca é! Mas pode ser bonito e compensador! Teremos coragem? E você, como lida com suas “esquisitices”?

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A semana traz o colorido e a força da Lua Nova, que ocorreu em leão, no domingo, 23. A Lua entra na fase Semi-Crescente em Virgem, na quarta-feira. Ganha mais impulso relacional em Libra e oficializa o Quarto Crescente em Escorpião, no domingo. Na sua jornada de coleta de informações e impressões para o Sol, ela faz aspectos com todos os demais corpos celestes, ora harmônica, ora agressivamente. Estes movimentos simbolizam as alterações cotidianas na vida instintiva e nos humores na Terra. A Lua será Cheia no dia sete de agosto, a 15° de Aquário, lunação que será também um Eclipse Parcial da Lua.

Daria Werbowy, para Vogue Itália – Reprodução

SEGUNDA-FEIRA, 24 de julho – A Lua está nova, ainda em Leão e na madrugada fez quncôncio a Netuno e sextil a Júpiter. Durante o dia também encrenca com Plutão e se harmoniza com Saturno e Vênus, de formas diferentes, mediando o diálogo entre eles, que está bastante tenso, já que Vênus torna exata, hoje, a oposição a Saturno. A Lua finda o dia conjunta ao Nodo Norte e a Mercúrio, já formando um Grande Trígono de Fogo com Saturno e Urano. Mercúrio também está em trígono a Urano, exato hoje. O dia está tenso para as relações, particularmente as amorosas, que parecem dar mais trabalho do que valem a pena. É como se nos dessemos conta de que a relação demanda um esforço demasiado, sacrifícios demais e parece que só nós nos empenhamos e o outro apenas cobra, critica, julga, expecta… A ponto de nos sentirmos sozinhos dentro da relação – “solidão a dois, de dia, faz calor, depois faz frio”. E nos questionamos até que ponto estamos dispostos a ir, ou por que foi mesmo que começamos isso tudo… Realmente, relacionar-se dá muito trabalho, especialmente se estamos comprometidos em crescer, em ser melhores pessoas e melhores parceiros, em construir e viver relações mais felizes e saudáveis. Não é para os fracos e imaturos. Demanda trabalho, esforço contínuo e sim, haverá dias muito difíceis. Mas, nos dias difíceis é preciso lembrar o que nos uniu, o que me encantou nessa pessoa, em primeiro lugar; vale checar se a admiração continua, se as afinidades permanecem, se os projetos em comum ainda são válidos, a despeito dos problemas cotidianos. É o caso, também, de confrontar as projeções, as fantasias que tínhamos acerca do outro – e de nós mesmos enquanto parceiros – e da própria relação e perceber que a realidade pode ser um pouco diferente. E então, temos maturidade para lidar com essa realidade, minha, do outro e da relação? Ou será que agora, que o “brinquedo” já não está reluzente de tão “novo” perdemos o tesão, qual criança que perde o interesse tão logo se acostuma? Será que o príncipe virou um chato? Será que a princesa é uma megera? Amar é fácil, difícil mesmo é se relacionar, por isso a manutenção do amor dá trabalho. Ah! Sim! amar dá muito trabalho! Mas hoje, a despeito dessas tensões, conseguimos ser otimistas e nos animar a trabalhar essa relação, a estender a mão ao outro e dar o voto de confiança de que ele vá melhorar – ou dar crédito à nossa própria confiança, de que NÓS também vamos melhorar. Podemos ser honestos quanto aos problemas e desafios e, ao mesmo tempo, visionar as saídas possíveis, se estivermos dispostos ao esforço, ao trabalho – diga-se de passagem, bastante árduo – que consiste em criar uma relação de verdade, real, bonita, com erros e acertos. De modo geral o dia nos convida a lidar com sentimentos de menos-valia, criticismos, falas infelizes, julgamentos, cobranças, solidão e sensação de isolamento… Tudo para nos desafiar a a assumir o compromisso de cuidar melhor de nós mesmos e da nossa autoestima, para sermos capazes de nos defender e de ser justos, assumindo os buracos que precisam ser consertados, mas lembrando das áreas que estão funcionando bem, para não nos desmotivarmos inteiramente. Motivação, aliás, temos bastante para lidar com tudo isso, porque acreditamos que podemos mudar! E vamos em frente!

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TERÇA-FEIRA, 25 de julho – De Leão a Lua faz trígono a Urano e, como ainda se afasta do trígono a Saturno, temos um Grande Trígono de fogo na madrugada. A Lua ainda faz quincôncio a Quíron e conjunção a Mercúrio, ficando vazia depois deste aspecto, às 06h22min. Ingressa em Virgem às 07h33min. Durante o dia faz sesqui-quadratura a Plutão e fecha a noite em orbe de oposição a Netuno. Mercúrio ingressa em Virgem às 20h41min. A noite pode ser povoada de sonhos mágicos que mensagens importantes para a vigília! Já o dia começa bem industrioso, com uma forte energia de organização e trabalho, que pode nos ajudar muito a recuperar o tempo perdido, especialmente se nos demoramos a mais no lazer recentemente. Há bastante clareza quanto às nossa prioridades e isso pode fazer o dia render mais ainda, porque traz foco e produtividade. Mercúrio ingressa em Virgem, indicando um período em que a mente tem sua capacidade analítica aumentada. Análises, estudos, pesquisas, revisões de métodos e de materiais… tudo isso fica favorecido enquanto Mercúrio estiver em Virgem (de 25 de julho a 31 de agosto e de nove a 29 de setembro), particularmente no período de retrogradação (11 de agosto a 5 de setembro).

Brooke Shaden Photography – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 26 de julho – O Sol está em conjunção a Marte, seu guerreiro e embaixador, aspecto perfeito hoje! Mais do que nunca, Marte está atualmente a serviço do Rei, trafegando Leão. A Lua Virginiana faz sesqui-quadratura a Urano, se opõe a Netuno, faz trígono a Plutão e à noite quadra Saturno e Vênus – aspecto exato na quinta – e, vira a noite formando uma Grande Cruz Mutável pra lá de melindrosa, já que envolve Saturno e Quíron! Os dois significadores do feminino e também de relacionamentos emaranhados com esses caras espinhosos… Noite complicada! Entusiasmo, ânimo, coragem, ambição e muita energia são o pano de fundo do dia. Esse entusiasmo faz com que encaremos a maior parte das atividades com alegria e vigor, e mesmo, prazer! Contudo, há tendência a uma certa arrogância e é preciso ficarmos atentos para dosarmos o entusiasmo e não o impormos a outros. Nesse contexto, a Lua virginiana vem equilibrar e trazer alguma modéstia e “pé no chão” ao cenário. Mas há também incongruências, porque se o espírito está resoluto e decidido, o corpo e os sentimentos estão divididos, em “dú-vida – duas vidas”.  Sim, a industriosidade de ontem hoje está permeada de dúvidas e macula a determinação do propósito: qual o melhor método? Qual a hora mais adequada? Deveríamos mesmo estar fazendo isso? Nada pior que a auto-duvida para confundir aquilo que já havíamos decidido! Mas a dúvida às vezes pode ser amiga, se soubermos lidar com ela – ela nos obriga a checar as questões práticas, por exemplo, por exemplo – do contrário, podemos realmente nos perder nos emaranhados detalhistas da coisa “certa” a fazer, do politicamente correto, do recipiente certo, da cor exata… e quando vemos, não fizemos nada, porque estávamos discutindo detalhes! O dia pede que finquemos o pé no chão para discernirmos entre os detalhes que são cruciais e aqueles que são insignificantes, porque se misturarmos os dois, pomos em risco a realização do projeto. Já a noite traz dilemas mais densos e complicados, que envolvem nossas relações mais próximas. O ser masculino – Sol-Marte – está forte e poderoso; já o ser feminino sente-se desvalorizado, seja pelo masculino, seja pelo outro feminino, que é visto como concorrente, rival, inimigo – já vemos que essa é uma receita de confusão! Chafurdando na areia movediça das próprias inseguranças, vemos como ameaça qualquer vislumbre de algo diferente, que não conhecemos nem compreendemos e rotulamos de nomes menos nobres, uma depreciação que é, na verdade, como uma defesa do brio combalido. Mal sabemos que “a outra” – ou outro, não importa – está tão aflita quanto nós e, se tivéssemos a chance de chorar juntas, veríamos que partilhamos das mesmas pragas: autoestima baixa, medo de rejeição, medo de abandono, insegurança. No fundo, essa “outra” pessoa é parte de mim, é uma outra face da minha humanidade e vê-la como rival é apenas cair na armadilha que separa humanos que vivem os mesmos dilemas. Portanto, vale olhar para todos os “outros” das nossas relações como pedacinhos soltos de nós mesmos, para desenvolver nossa compaixão e senso de humanidade – e quando fazemos isso, até rimos muito do ridículo que é certas competições… De modo mais direto, a noite está melindrosa, porque os humores estão suscetíveis e as inseguranças, afloradas. Portanto, vale pegar leve antes de levar para o pessoal a brincadeira “sem noção” do outro; vale pensar duas vezes antes de fazer a brincadeira “sem noção”, que pode ofender ou pegar o outro num momento delicado. Nada como primar pela educação, a gentileza, a nobreza de caráter, levando em conta o credo cristão: não faça a outro o que não gostaria que fizessem a você! Gentileza e generosidade de espírito são essenciais para navegar essa noite melindrosa!

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QUINTA-FEIRA, 27 de julho – A Lua está em virgem e entra a madrugada envolvida numa Grande Cruz Mutável ao se afastar da quadratura a Saturno, fazer quadratura a Vênus e oposição a Quíron. A madrugada fica bem complicada, particularmente para as relações afetivas. A Lua fica fora de curso depois da quadratura a Vênus, às 03h33min. Ingressa em Libra às 12h37min. À noite a Lua se harmoniza com Marte e com o Sol. Se a madrugada esteve sujeita a desencontros e confusões amorosas, a amanhã traz um sabor desconcertante, de ideias confusas e sentimentos contraditórios. Ficamos inseguros se é melhor abrir o livro e o verbo e escancarar as coisas ou manter-nos discretos e contidos, para não chamar a atenção sobre nossa “desgraça” e infortúnio. A manhã traz essa sensação de divisão até nas coisas menores: prendemo-nos demais aos detalhes e isso nos faz perder o foco e a visão maior, de modo que a produtividade fica comprometida. De qualquer forma, não há energia suficiente para realizar mundos e fundos e o ideal é ater-se ao básico e à rotina. A tarde realça dúvidas de outo tipo, mas acentua a necessidade de ação, de resolução. A noite permite um alinhamento da vontade e dos propósitos com os sentimentos e necessidades de conforto e segurança, de modo que há maior clareza sobre os caminhos e atitudes a se tomar.

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SEXTA-FEIRA, 28 de julho – A Lua Libriana faz quincôncio a Netuno,  conjunção a Júpiter – preste atenção no céu noturno, a conjunção estará belíssima! – e quadratura a Plutão. Vênus está muito próxima à quadratura a Quíron e ao sextil a Urano. O dia começa confuso, possivelmente com alguma indisposição indefinida, que pode ser física ou mesmo emocional. Conforme as horas passam, a indisposição fica mais distinta. Por um lado estamos animados e entusiasmados com nossos projetos, mas por outro, há tensões que precisam ser endereçadas e das quais não podemos fugir, por mais que queiramos. Muito do nosso otimismo é gasto em lidar com algumas cobranças e pressões externas, e muita energia também é dispendida em averiguar nossas motivações mais obscuras para fazer o que fazemos e para nos envolver nos imbróglios e e crises que criamos ao nosso redor, ou no mínimo, que atraem a nossa atenção. A noite está mais sujeita a erupções e explosões do humor e a tentativas de manipulação e jogos de poder nas relações. Quem sabe ir lá fora apreciar a noite e as estrelas possam nos ajudar a espairecer e colocar as coisas em melhor perspectiva. Ao olhar a escuridão da noite – se você conseguir fugir da iluminação artificial – podemos simbolizar a escuridão da nossa própria alma, aquelas regiões do nosso coração e do inconsciente a que normalmente não temos acesso, mas das quais podemos ter vislumbres iluminadores quando nos aproximamos com a devida reverência, honestidade e cuidado. O céu noturno também oferece o belo espetáculo da conjunção Lua-Júpiter – e Júpiter também está em quadratura a Plutão, exata em 05/08. Podemos nos sintonizar com esse poder de expansão e de auto-melhoria, trazendo para mais perto de nós essa possibilidade de iluminar, com benevolência, aspectos sombrios de nós mesmos, com vistas a reconhecê-los e transformá-los. Ao olhar o céu noturno e vermos a Lua e Júpiter, podemos dirigir uma oração, um rezo ao deus agradecendo por ser quem somos e estar onde estamos (esse é um agradecimento frequente para mim), porque só assim podemos experienciar tudo o que vivemos nas nossas vidas, no que ela tem de mais belo – como este céu iluminado – e no que ela tem de mais complexo, como os paradoxos da nossa condição humana! E que Júpiter nos abençoe com a sua benevolência!

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SÁBADO, 29 de julho – Vênus quadra Quíron e faz sextil a Urano, ambos os aspectos exatos hoje. Quíron faz semi-sextil a Urano, exato também na virada de hoje para amanhã. A Lua Libriana se afina com Saturno, enquanto também ativa Quíron-Urano, ao fazer quincôncio àquele e se opor a este. A Lua fica vazia depois da oposição a Urano, às 18h32min. Ingressa em Escorpião às 21h23min. A madrugada está permeada de algumas angústias e aflições que podem atrapalhar relações íntimas; ou podem se manifestar como sonhos estranhos, que podem nos fazer relembrar algumas dores e rejeições antigas. O fato é que a atmosfera está meio carregada e isso é sentido na vigília, pois estamos inseguros e suscetíveis e, autoestima meio capenga e, por mais que haja também resiliência e afirmação de autonomia, ainda temos que lidar com a desconfortável sensação de desamparo e a dificuldade de expressar o que sentimos de forma segura e tranquila, de modo que ou nos reservamos e isolamos ou ficamos defensivos nas tentativas de interação, para nos preservar de dores e sofrimentos, que podem reverberar de experiências passadas ainda não completamente curadas. As lembranças vêm e vão e nessas idas e vindas podem causar amargor ou propiciar maior entendimento dos nossos processos relacionais, caso estejamos dispostos a sair da posição de vítima inocente – coisa que, obviamente, ninguém é. Tais lembranças podem ser iluminadas por um olhar mais arguto e maduro, com mais desprendimento e maturidade e podemos escolher deixá-las ir, dar outros significados para as vivências difíceis e aprender com elas; liberar o outro das nossas queixas e mágoas e com isso, liberar-nos do peso da cobrança e do fardo sofrido que estivemos acalentando e carregando por tanto tempo. Sim, a ferida reaberta pede para ser revista, pede por assepsia e purificação, pede por uma medicina nova: compreensão e perdão, de si para com o outro e para consigo mesmo. É isso ou então continuaremos na lenga-lenga do “ninguém-me-ama-ninguém-me-quer”, quando na verdade, nem nós talvez queríamos a nós mesmos. Precisamos ser capazes de olhar para nós mesmos com respeito, compaixão, aceitação e amor, só assim seremos capazes de oferecer isso ao outro e de reconhecer quando isso também nos for dado.

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DOMINGO, 30 de julho – Quíron está em semi-sextil pleno a Urano. De Escorpião a Lua se harmoniza com Mercúrio em Virgem, quadra Marte e oficializa o Quarto Minguante ao fazer quadratura ao Sol. Faz sesqui-quadraturas a Quíron e a Vênus e vira foco de um Martelo. Fecha a semana em trígono a Netuno em Peixes. O domingo traz uma profundidade que nos convida a interações nada banais, nada leves. Pelo contrário, as trocas hoje precisam de engajamento apaixonado, evitar as superfícies seguras e embrenharmo-nos nas trocas mais densas e significativas. Pelo meio da manhã o clima pode ficar mais tenso e, se não tivermos escolhido bem as companhias, as trocas podem descambar para intrigas e disputas por território ou por domínio de assuntos e mesmo do outro. O que nos leva ao questionamento sobre o quê nos faz sentir ameaçados, o que isso diz sobre nós e nossa história e como podemos lidar com isso para que não atrapalhe as relações – porque às vezes a sensação de ameaça pode ser infundada e queimar pontes que estávamos construindo. A Lua entra no quarto Crescente, a Partir de Escorpião e nos convida a assumir nossa ambição e nosso poder, a não ter medo de apropriar-nos dos nossos talentos e reais habilidades e colocá-los a serviço da busca pela liderança; o Crescente também convida a conter um pouco nosso orgulho, vaidade, desejo de “aparecer”, se for para nossos projetos frutificarem realmente – muitas coisas, para serem bem sucedidas, precisam ser ocultados de olhos curiosos, até para escapar na vulgaridade e da banalidade das coisas que “todo mundo viu, todo mundo sabe”. Assim, por mais que nosso ego e vaidade clamem por divulgar sobre aquele projeto “mara” no qual estamos envolvidos, enquanto a coisa não estiver de fato sólida e sacramentada, é melhor deixar que germine no escuro, longe d olhos críticos e inclementes, de torcidas contrárias – chame de paranoia de Escorpião, que seja! – e, no mínimo, salve o projeto, os desejos e intenções da dispersão desnecessária de energia. Resguardemo-nos! Quem tem confiança não precisa do aplauso do outro, por coisas que ainda nem foram de fato realizadas! Isso pode nos poupar energia e dores de cabeça!

Uma ótima semana para você!

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Barbed Wire Art – Reprodução

Lua Nova em Leão – Fogo Solar, Fogo da Consciência

Desconheço o autor – reprodução

Você anda se sentindo meio para baixo, desanimado? Anda duvidoso da vida e de si mesmo? Sente que só trabalha e lida com problemas sem ter tempo para brincar? Seus problemas acabaram! Vem aí a Lua Nova de Leão, que vem incendiar sua vida de entusiasmo, coragem, confiança, otimismo e paixão! E de quebra, ainda a/o convida a abraçar sua natureza única, seja ela aceita pelas tribos “in” ou totalmente outsider! Brincadeiras à parte, a Lua Nova que acontece em Leão neste domingo realmente vem dar uma sacudida no pessimismo e na falta de ânimo que tem nos acometido nos últimos tempos. A Lua se renova no grau 00°44’ (tecnicamente, grau 1) de Leão, conjunta a Marte, separando-se da quadratura a Urano e do trígono a Quíron, ambos os aspectos fora de signo. A lunação ocorre às 06h46min no horário de Brasília e às 09h46min no horário de Lisboa.

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Marte esteve muitas semanas em Câncer, signo que é muito desconfortável para ele e agora, em Leão, Marte se sente à vontade, na casa de um amigo, da mesma forma que o Sol, dono da casa Leonina, se sente à vontade na casa de Marte, Áries. E onde Marte chega ele aviva, atiça, anima, põe fogo e sendo Leão um signo de fogo, já vimos que os ânimos se incendeiam e, neste caso, positivamente! Portanto, uma vez que a Lua Nova ocorre em conjunção a Marte, este é um ciclo em que nossa vontade está mais firme, em que temos mais ânimo e gosto de lutar.

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Leão é o signo de Fogo Fixo, o fogo constante, da fogueira que aquece a noite toda. Ao falar sobre o Símbolo Sabiano para o grau 1 de Leão, Dane Rudhyar, um dos mais importantes astrólogos do século XX, diz que a nota-chave deste símbolo é “uma irrupção de energia bio-psíquica no campo da consciência controlada pelo ego”. Bom, vamos olhar isso com calma. O Símbolo Sabiano traz a seguinte imagem: “O sangue se precipita à cabeça de um homem enquanto energias são imobilizadas sob o estímulo da ambição”. Rudhyar nos lembra que na tradição oculta três tipos de fogo são mencionados: o elétrico, o fogo solar e o fogo por fricção e cada um deles corresponde a um dos signos de fogo do Zodíaco.  Áries corresponderia à eletricidade, o fogo que desce do espírito, pela Palavra Criativa, o Verbo. Sagitário representa o fogo por fricção porque representa processos sociais, que são baseados em relações interpessoais, em polarização, em conflito. Já Leão representa o Fogo Solar – até porque é regido pelo Sol – e Rudhyar diz que isso representa a energia de uma pessoa integrada, “seja através de radiações espontâneas de formas de energias aparentemente nucleares, ou, no nível verdadeiramente humano e consciente (e também sobre-humano em domínios transcendentes), através de emanações  conscientes (e-manações, de manas, que significa ‘mente’ em sânscrito).

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Rudhyar prossegue dizendo que o símbolo de Leão mostra uma elevação de energia do coração para a cabeça, uma mentalização, um processo que pode ser perigoso, dependendo de como é conduzido e ele se refere ao clarividente que “viu” todas as cenas simbólicas dos Símbolos Sabianos, dizendo que ele teria visto uma cena de ‘apoplexia’, ou insolação, excesso de sol na cabeça e na pele. O Sol dá a vida ou pode destruí-la, depende da relação que estabelecemos com ele. Da mesma maneira é o fogo. Rudhyar vai adiante e diz que a realização do eu espiritual depende de o ego se tornar um cristal puro, capaz de focalizar a luz cósmica, sem ser maculado pelo orgulho, vaidade e possessividade. “A transmutação da vida na mente é um processo difícil”, diz Rudhyar. Podemos ser iluminados ou incinerados – depende do quanto estamos preparados e do equilíbrio entre a confiança e a humildade. O fogo que aquece e dá vida pode facilmente se tornar destrutivo e virar um incêndio descontrolado. Uma combustão. Os processos de combustão geralmente têm subprodutos, que dependem dos elementos geradores da combustão original. Mas a combustão é geradora de energia e de onde vem essa energia e como a utilizamos, define se somos transformados ou destruídos por ela.

Um vídeo que mostra um homem fazendo experimentos com uma “lente” gigante (uma tela de TV descartada) sobre a qual é projetada a luz do Sol.

Essa imagem do fogo solar nos lembra o processo em que o fogo é gerado quando a luz do sol é projetada sobre algum tipo de lente. Esse é literalmente o Fogo Solar – pode salvar ou destruir vidas, dependendo de como é utilizado. Essa lente, como diz Rudhyar, é o ego. Se o ego é forte e saudável, ciente de suas limitações e de que está a serviço do espírito e da alma, ele será um transmissor, um transmutador da luz solar num fogo criativo que transforma e liberta; ao contrário, se o ego é fraco, logo se infla e se enche de auto importância, levando a situações desastrosas, porque é frágil, inseguro e vai usar símbolos exteriores de poder para camuflar essa insegurança. Essa é uma diferença básica entre o Leão positivo e o negativo e esse é um tema básico do Leão – um tema que está bastante realçado na Lua Nova e, por conseguinte, no ciclo todo. É essencial, pois sabermos, qual é o fogo que nos move, se é o fogo que cria ou o fogo que destrói; se é o fogo da criatividade e da alegria ou o fogo do orgulho e da vaidade vazios. Se este fogo está a serviço do espírito e da vida ou apenas a serviço de um ego oco e inflado.

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Vigiar o ego e suas escorregadelas é essencial neste ciclo, iniciado por Lua e Sol conjuntos a Marte, planeta do “eu primeiro, segundo eu, terceiro, eu de novo!”. Sim, é importante darmos prioridade a nós mesmos, porque, afinal, somos a pessoa mais importante de nossas vidas, como diz a canção popular, “sem mim, eu não sou ninguém”. Mas quando isso sai de proporção, perdemos a noção da convivência e da civilidade, porque esquecemos que há outros ao nosso redor e o fogo que deveria trazer um calro agradável torna-se asfixiante e destrutivo.

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Rudhyar diz que essa é a nona cena da primeira etapa da vigésima-quinta sequencia de símbolos, cujo tema e discurso é a ‘combustão’ e cujo nível é o da ação. Combustão dispensa interpretações, mas tomando-a por base, a palavra-chave para este grau de Leão é CONFLAGRAÇÃO. Ou seja, fala das “energias dos impulsos biológicos à medida que irrompem, de forma mais ou menos agressiva, no campo da consciência”. Então, a combustão pode levar a uma conflagração, que é uma tomada de consciência, a posição e consequente ação do eu (fogo) sobre a matéria para transformá-la positivamente. Ou pode, simplesmente, destruir, no seu ímpeto desvairado, como quando o conflito-conflagração desconhece os limites e o sujeito fica possuído, tomado pelo ego, identificado demais com os poderes do espírito, acreditando que são seus, sem perceber que ele é apenas um vaso, um receptáculo de tais forças. O fogo pode, ainda, simplesmente extinguir-se, ser desperdiçado, sem criar ou transformar nada. O que nos leva à pergunta: que tipo de lente nós somos sob este Fogo Solar? Como estamos utilizando o fogo sagrado em nós? Ele é faísca criadora de vida? É labareda da pira sagrada que calcina e purifica nossa matéria mais bruta e inferior? É chama transmutadora de processos e de consciência? Ou é apenas fogo de oba-oba de quem solta fogos de artifícios para “se mostrar” e fazer ruído? Pois então, o fogo ganha vigor e força neste ciclo e depende de nós utilizá-lo criativa e positivamente. E não é qualquer fogo, é o Fogo Solar, trazedor de consciência, para aqueles que estiverem atentos e disponíveis.

Voltando ao mapa da Lua Nova, lembramos que a conjunção a Marte vem ressaltar esse fogo da paixão, do entusiasmo, do fervor. O que nos leva a outras perguntas: pelo quê ou por quem estamos apaixonados? Essa paixão nos transforma positivamente? Marte também traz ímpeto, dinamismo, coragem, garra e vigor, tudo isso temperado com nobreza, portanto, podemos esperar um ciclo mais dramático, mais vivo, mas possivelmente, também mais justo.

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Leão, como já disse em outros artigos, é o signo da criança – assim como é um dos signos do Pai – da espontaneidade, da alegria de viver, de viver pelas verdades do coração. E o que isso diz do ciclo? Que é hora, justamente, de recuperar ou reviver esses valores. De viver com mais autenticidade, com mais honra e também mais alegria. Como? Dando-se conta do que nos alegra no dia a dia, desde as coisas mais simples, às coisas mais significativas e, percebendo isso, dar um jeito de trazer isso para nossa vida. Leão também é signo generoso e leal e vem nos conclamar a viver esses valores também.

Outro ponto digno de nota é que Mercúrio faz um Grande Trígono de Fogo, ao fazer trígono a Saturno em Sagitário e a Urano em Áries, ou seja, constrói uma ponte de imaginação e inspiração entre duas forças opostas, atualmente dispostas a dialogar: o velho e o novo, a tradição e a inovação, a estabilidade e o progresso. E a mente (Mercúrio) é a ponte para tal diálogo. Temos, pois, oportunidade de costurar e conciliar esses conceitos e princípios que parecem tão díspares e a partir de tal conciliação, alterar a vida sem grandes e terríveis turbulências. As oportunidades estão aí, depende de nós agarrá-las ou não.

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Vemos também que a Lua se afasta da quadratura a Urano e do trígono a Quíron. Ambos, Urano e Quíron, de formas diferentes, representam o “outsider”, o forasteiro, o esquisito, o estranho. Urano faz questão e se compraz em ser estranho, porque adora chocar; já Quíron, resigna-se nesse papel, afinal, ele não o escolheu. De qualquer forma, ambos representam a originalidade, os caminhos diferentes, muitas vezes dolorosos, porque podem ser ou parecer “inaceitáveis” para as correntes convencionais. Para Leão, que precisa tanto da admiração de seus pares, é necessário algum trabalho para aceitar as peculiaridades que o coloquem como muito diferente do seu meio, especialmente quando essa diferença o faz vítima de algum preconceito ou segregação. Por fora ele pode esbanjar confiança, mas internamente pode ser afligido pela insegurança. Assim, a Lua Nova sinaliza um tempo de grande potencial de integração das nossas diferenças e inseguranças; um tempo, de abraçar nossas esquisitices, reconhecê-las e integrá-las à nossa identidade, aceitá-las e, consequentemente, aceitar-nos mais integralmente. E quando estamos inteiros, temos mais chances de realizar nossos potenciais e ao realiza-los, transformar e iluminar o mundo à nossa volta. Portanto, a Lua vem sinalizar um tempo de nos darmos conta e tomarmos posse do nosso Fogo Interior, do Fogo Solar que nos sustenta e sustenta nosso espírito, dando ignição para a consciência realizar-se no mundo. É tempo de ficar atentos ao que move nosso coração, figurativa e literalmente: o que faz seu coração bater mais rápido? Isso pode nos dar muitas pistas sobre aquilo que nos incendeia e motiva e também sobre os potenciais latentes e ainda não expressos, esperando a “lente” certa, através da qual serão despertos ou acesos. Aproveite o ciclo de Leão e se observe, observe o que traz alegria o que faz o coração parar ou acelerar! É tempo, pois, de viver a alegria e a espontaneidade da nossa criança, segura, confiante, alegre e feliz!

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É importante lembrar que vamos viver dois ciclos seguidos de Leão. Sim! Temos esta Lua Nova ocorrendo domingo, a zero de Leão, culminando no eclipse e Lua Cheia de Aquário no dia sete de agosto; depois teremos outras Lua Nova em Leão, a 28°52’ deste signo, lunação que é um Eclipse Total do Sol – que aliás, cai em conjunção exata ao ASC e marte do presidente americano Donald Trump e que passa sobre os EUA, dividindo-o ao meio, de Leste a Oeste, prometendo muitas reviravoltas na política americana! Este segundo ciclo Leonino culmina na Lua Cheia de Peixes, no dia seis de setembro. Quer dizer, é uma baita ênfase na energia de Leão, certo? Quer recado mais potente do que esse? Portanto, é hora de nos apossarmos desse Fogo e permitir que ele queime o que precisa ser queimado e que gere nova vida, que incendeie nosso espírito de vigor, coragem e confiança. Além de alegria!

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Leão é o signo que rege o coração, figurativa e literalmente. Tendo dois ciclos seguidos regidos por esse signo, e ainda, considerando-se que teremos um eclipse bastante tenso ocorrendo aqui, as pessoas que têm qualquer problema ou propensão a problemas de coração precisam ficar muito atentas e ter cuidados dobrados com a saúde – é um tempo de emoções intensas e o coração fica mais “excitado” e pode ser exigido demais, portanto, vamos cuidar do nosso coração, também no plano físico!

Para este ciclo, vale se perguntar: com qual fogo você está alinhado? Quais “esquisitices” você carrega que ainda precisam ser integradas? Que paixões positivas podem trazer mais vigor e gozo ao seu dia a dia? Que tipo de lente o seu ego propicia ao fogo sagrado do espírito? Esse fogo que você carrega, vai aquecer ou vai destruir?

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Eu desejo a você um maravilhoso ciclo de Leão! Que possamos ter coragem para expressar o fogo dos nossos potenciais criativos e a audácia de viver a alegria, pelos valores do nosso coração!

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Feliz Lua Nova para você!

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Lua Cheia em Capricórnio – Cresça e Apareça!

Estamos no ápice do ciclo de Câncer, e este ápice se dá na Lua Cheia de Capricórnio, ocorrendo neste domingo, dia nove de julho, à 00h06min no horário de Brasília e às 04h06min no horário de Lisboa.

Câncer-Capricórnio é o eixo parental, o eixo dos arquétipos da mãe e do pai, da família e da sociedade. Fala de dependência e autossuficiência, das nossas origens e passado e das nossas metas de futuro; da necessidade de criarmos vínculos que nos sustentam, sem deixar que eles impeçam nosso crescimento.

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E crescimento é a palavra-chave dessa Lua Cheia! A Lua está em Capricórnio, fazendo contraponto ao Sol Canceriano e sinalizando que, apesar de ser vital valorizar nossa família, origens e nossos vínculos afetivos, isso não pode ser desculpa para não realizarmos nossas ambições e projetos pessoais e não darmos nossa contribuição à sociedade na qual estamos inseridos – afinal de contas, Capricórnio é regido por Saturno! Cresça e apareça – é o mote dessa Lua! Cresça e se emancipe das dependências e apareça usando adequada e criativamente seu próprio poder! Aliás, crescer nem é uma escolha aqui, é mandatório! Ou fluímos ou vamos na marra mesmo. A vantagem é que quando crescemos, ninguém pode tirar isso de nós!

Lua Cheia em Capricórnio: Brasília, 9 de julho de 2017, 00h06min.

Além de Capricórnio ser o signo que nos obriga a crescer e amadurecer – nem que seja na marra, como já disse –  a Lua Cheia de hoje eleva isso à máxima potência, porque ocorre em conjunção a Plutão e oposição a Marte – além, é claro, da oposição ao Sol. Quer dizer, ou crescemos, ou somos estraçalhados no processo. É um momento em que a matéria de que somos feitos é posta à prova – o quanto conseguimos aguentar na luta insana da sobrevivência? Por que essa luta precisa ser insana? Porque estamos apegados demais às nossas expectativas pueris. apegados, o que é muito diferente de apaixonados ou de amar! Ter uma postura mais adulta e menos dependente – seja de pessoas, coisas ou posses – ajuda muito nesse processo.

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A Lua está conjunta a Plutão e oposta à conjunção Sol-Marte em Câncer e os quatro fazem quadraturas a Júpiter em Libra – no caso de Lua, Sol e Marte, são quadraturas separativas. Quer dizer nossos ideais civilizados de crescimento e evolução (Júpiter em Libra, que estes planetas encontraram antes), precisam enfrentar muitos desafios e nós precisamos confrontar nossa sombra e nossos medos, se for para atingirmos nossas metas mais caras! Também precisamos encarar nossas infantilidades, dependências, birras e desejos regressivos de permanecer protegidos e submersos no útero sustentador (Câncer), se for para sermos “alguém”, se for para sermos donos de nós mesmos e do nosso destino e futuro (Capricórnio). Somos da turma da reclamação? Da vitimação? Do mimimi? Então seremos esmagados pela realidade dura e crua!

Steve de la Mare – reprodução

Vivemos tempos de transformação aguda, que acontece no dia a dia, seja numa iluminação e transformação individuais, seja numa medida sócio-econômico-política que nos afeta, queiramos ou não, direta ou indiretamente. E já estamos cansados de saber: quanto mais dispostos estamos a mudar e transformar em nós, aquilo que é necessário, tanto mais fácil será navegar os tempos turbulentos que vivemos. A Lua Cheia vem descascar mais uma camadinha dessa cebola ardida de lacrimar os olhos!

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Esta é uma lunação muito potente, porque Sol e Marte estão sob a égide da Lua. Contudo, a Lua, por sua vez, está desprotegida, pois está em detrimento, num signo que não lhe é favorável e ainda em conjunção a Plutão. Aqui nós fazemos da fraqueza a força, como é típico de Capricórnio! Por mais frágeis que nos sintamos, colocamos nossa máscara mais fria e dura, arreganhamos os dentes e vamos à luta, com um sorriso glacial e sofisticado nos lábios! E provamos competência, talento, habilidade, disciplina, perseverança, maestria! À custa, muitas vezes, do nosso próprio coração – mas Capricórnio aprendeu a lição: ou endurece ou morre. Como se diz no ditado: a vida é dura para quem é mole! Nesse caso, Capricórnio escolhe desenvolver a casca dura, para proteger suas vulnerabilidades, que em Câncer, estão mais à vista. Portanto, ou encaramos nosso próprio poder e o assumimos e junto encaramos nosso desejo de controlar o ambiente e de transformar a vida; ou nos tornamos impotentes e ficamos à mercê do poder de outros, que não hesitarão em nos esmagar feitos pequenos insetos insignificantes. Mas não, não precisamos esmagar nem petrificar nosso coração no processo. Depois que aprendemos as lições – que já sabemos de cor, como diz na canção – compreendemos que autopreservação não significa isolar-se de tudo e negar-se tudo. É apenas aprender a medida exata das coisas.

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A Lua está em conjunção a Plutão nesta lunação e isso nos traz presente os mitos associados a Plutão: Perséfone, Medusa, Inanna e Erishkigal. Todos são mitos que, entre outros temas, falam de assumir nosso próprio poder, nosso próprio desejo de poder, mas Plutão nunca dá colher de chá. Erishkigal, ao receber a irmã Inanna no Mundo Inferior – que não tinha sido convidada e que se apresenta completamente nua e desprovida de qualquer adereço mundano que a identifica como Rainha dos Céus, Deusa do amor e da Fertilidade – sapeca-lhe na cara, direta e cortante: “você acha que irei lhe poupar, só por ser minha irmã? Enganou-se! Aqui no Mundo Inferior, só entra quem já morreu”. E assim, Erishkigal mata a irmã e a pendura num gancho de açougue para apodrecer. E Inanna é obrigada a confrontar seus piores medos: desvestir-se de tudo o que a identificava como rainha poderosa, o anonimato e esquecimento e, em última instância a morte e a total impotência, ficar à mercê da vontade de outrem. Mas ela tinha um plano B, pois não era tão ingênua. E quando a ajuda chega e ela finalmente é trazida de volta à vida e liberada, já não é a mesma. Foi completamente transformada no confronto consigo mesma – Erishkigal é parte dela mesma, sua Sombra – e agora se conhece mais profundamente e já não teme a escuridão, nem a própria fraqueza, menos ainda, o próprio poder!

Catrin Welz-Stein – reprodução

O poder de que falamos aqui pode ser mundano, mas ele é, essencialmente, o poder espiritual do conhecimento de si mesmo e aquele, não se sustentará sem este! Este poder é exercido e executado de forma prática por Marte, o guerreiro que está a serviço da consciência solar. Ocorre que, nesta lunação ambos, Sol e Marte, como já pontuado, respondem à Lua, pois estão em Câncer, assim, Marte está a serviço da Lua, dos instintos, da emotividade. Negativamente, ficamos à mercê de nossas reações infantis belicosas, dos caprichos e criancices de quem não teve sua vontade forjada no fogo das frustrações e limitações da vida – aqueles que foram excessivamente protegidos, já entram perdendo! Contudo, positivamente, temos a chance de imbuir nossa ação de imaginação, criatividade, espírito, alma, amor! É quando a ação é movida pela própria alma, pelos sentimentos mais puros, lapidados na navalha das frustrações, das negações e limitações que enfrentamos vida afora e que, a despeito de tudo o que nos fizeram sofrer, brindaram-nos com a maturidade precoce, com resiliência e a capacidade de dar o próximo passo, de andar a próxima milha, com amor e perseverança. Porque é necessário!

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Saturno, regente da Lua Cheia, está em retrógrado em Sagitário, fazendo trígono a Urano e quadratura a Quíron. Talvez nos sintamos incapazes de fazer as coisas que precisamos fazer para melhorar a vida, para dar alento aos que estão à nossa volta, mas ainda assim, precisamos insistir, acreditar que é possível transformar o enredo e o cenário, mesmo que vagarosamente. Saturno está retrógrado sugerindo que as mudanças e metas nas quais trabalhamos talvez demorem a ser concretizadas. Entretanto, precisamos continuar firmes. A espera também é parte do processo de aprendizado e talvez faça o sucesso ser mais saboroso.

No mapa levantado para Brasília, além de Lua-Plutão e Sol-Marte estarem no eixo das casas 3 e 9, implicando mudanças na comunicação, pensamento, sistemas de crenças e leis e justiça, Urano está “sentado” no Ascendente do mapa, sugerindo que muitas mudanças são bruscas, radicais e irreversíveis. Temos pela frente algumas semanas de ansiedade, inquietude e eventos inusitados – o que mais pode acontecer nesse Brasil?

Mia Araujo – reprodução

Algo que não podemos esquecer é que essa lunação precede a próxima a temporada de eclipses, que começa no dia 07 de agosto, com a Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário. Então, temos pela frente algumas semanas de transformações intensas, de forjarmos nossa vontade e determinação no fogo das dificuldades e frustrações, para estarmos aptos e enfrentar quaisquer demônios que porventura cruzem nosso caminho.  Assim, é preciso deixar os cueiros, fraldas, chupetas e mamadeiras para trás, para sermos adultos em nosso próprio direito, capazes de assumir nossas responsabilidades, no que elas têm de mais terrível e de mais belo. Junto, deixar as imagens e identificações que não correspondem àquilo que somos verdadeiramente.  Enxugar o rosto, recuperar a compostura, preservar a dignidade; proteger nossos limites, conquistados a duras penas. Indivíduos que porventura insistam em se manter na inconsciência e na imaturidade, sendo irresponsáveis e inconsequentes com sentimentos alheios ou com sua alma mais profunda, para privilegiar apenas seu próprio ego narcisista infantil, poderão se deparar com tempos muito difíceis, em que seu egoísmo imaturo, disfarçado de indecisão será desmascarado duramente.

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Outro ponto importante, é que Capricórnio é um signo relacionado com o poder social e governamental, com o status quo. A Lua Cheia se dá em conjunção a Plutão e indica que tudo aquilo que não é autêntico deverá ser destruído. Cada vez que a Lua passa por Capricórnio, todo mês, e faz conjunção a Plutão, somos lembrados disso de novo. A mesma coisa ocorre com os trânsitos dos outros planetas. De 2008 a fevereiro de 2024 (quando Plutão sai de Capricórnio definitivamente) vivenciamos isso todos os meses, de forma mais ou menos intensa, e o fazemos individual e coletivamente. Então, além de nos desafiar a crescer individualmente, a Lua Cheia nos desafia a crescer como cidadãos, a ser mais realistas, abandonar as esperanças tolas e vãs e fazer o checklist objetivo do que podemos mudar na nossa atitude social – afinal, não estamos numa bolha e não podemos fingir que não é conosco (veja o vídeo ao final do texto).

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Alguém já disse que nossa mãe nos pariu uma vez, quando nascemos e que, ao longo da vida, somos obrigados, muitas e muitas vezes, a parir a nós mesmos, no eterno processo de crescimento e aprendizagem que viemos empreender aqui. A Lua Cheia de Capricórnio de hoje sinaliza mais um parto. Que não seja a fórceps, porque se a trilha e o caminho são abertos por nós mesmos, a jornada será sempre mais prazerosa! que tenhamos a coragem de demolir o que precisa ser demolido e arregaçar as mangas para construir o novo edifício da nossa vida!

Em termos práticos, essa lunação deixa os ânimos bastante alterados e explosivos, portanto, é bom pegar leve, consigo e com os outros. Pessoas com planetas ou ângulos entre os graus 12 e 22 dos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) sentem de forma mais intensa essa lunação.

Feliz Lua Cheia para você!

O vídeo a que me refiro acima (desculpem, estava na correria ontem e acabei não postando o link do vídeo!) é este de um discurso de  J. K. Rowling na abertura de uma formatura em Harvard, em 2008. Vale muito a pena ver, porque traz reflexões profundas pertinentes a essa Lua Cheia e à nossa vida em geral!

 

 

A Semana Astrológica – Do que você tem medo?

Semana estendida de 30 de junho a 09 de julho

Não consegui publicar a semana corrente na data certa, então, aproveito e já publico o período estendido até a semana que vem – estou em viagem, no interior do Maranhão, com acesso limitado à internet – por isso também o post sai com imagens limitadas.

Este período está bastante catártico, com crises atuais ressuscitando dores e mágoas antigas e que podem tanto nos endurecer e amargar um pouco mais, ou nos libertar dos ranços e bolores emocionais para uma vida mais doce e serena. Nossos medos também ficam aflorados e nos fazem questionar o que é realmente essencial para nós.  Estou falando dos trânsitos correntes do Sol, Marte e Mercúrio por Câncer, todos em confronto com Plutão em Capricórnio crises que atingem seu apogeu na Lua Cheia de Capricórnio que ocorre no dia 09 de julho, domingo da semana que vem.

Marte, já neste fim de semana, enfrenta o poder de Plutão e como Plutão é a oitava mais elevada de Marte, é sempre formidável um embate entre os dois, representando momentos de grave tensão, propensão à violência, tanto nas relações pessoais, quanto nas interações impessoais e sociais. Há conflitos de poder, tentativas de controle e as consequentes insurreições, que tendem a derrocar em agressividade explícita e física, caso não se consiga contornar as beligerâncias. Se não estamos cientes de nossa própria agressividade não expressa e preferimos nos identificar com a ovelha mansa e dócil, podemos cair direto nas garras de lobos famintos, que ficarão felizes em nos dar uma lição de sobrevivência e de até onde está disposto a ir quando isto está em jogo. Marte-Plutão sempre nos questionam como temos usado nosso poder, se o usamos sabiamente, sem desculpas, ou se o delegamos a outros, por medo de suas implicações, por medo de nos rendermos a ele; também nos incita a olhar se não abusamos desse mesmo poder, intimidando, agredindo, violando a outros ou a seus recursos, por não entendermos que devamos respeitar os limites alheios. Tudo isso, dependendo do quanto temos trabalhado nossa sombra e essas questões dentro de nós. Marte também faz quincôncio a Saturno, sugerindo inseguranças recalcitrantes que voltam a nos afligir e que vão demandar autocompaixão e tolerância conosco mesmos.

Antes de Marte, Mercúrio fez o mesmo percurso, digladiando nos mesmo desafios, fazendo primeiro quadratura a Júpiter e depois oposição a Plutão, de modo que de quinta a domingo desta semana, as coisas ficam deveras tensas e carregadas. Estouros podem ocorrer e os canos que jaziam entupidos de muitos detritos antigos, sangram agora, alagando os arredores com nossa raiva antes represada, que agora jorra aos borbotões, espantando a muitos, inclusive a nós mesmos. Tais inundações da raiva não ocorreriam, se mantivéssemos nossos canos limpos de tais resíduos. Como fazer isso? É um exercício permanente, diário, de se vigiar, de gerenciar a própria raiva, irritação e frustrações, de saber colocar e respeitar os próprios limites, de saber dizer não quando se quer e se precisa dizer não, de saber ser honesto consigo e com o outro, ao invés de engolir os impropérios e mariná-los para depois. Não, não é o caso de explodir todos os dias e proferir os impropérios, mas pelos menos de reconhecer quando se sente invadido, quando não se está satisfeito e pontuar isso, de forma firme e adequada – assim, não será necessário explodir ou implodir mais à frente, quando o copo encher ou quando os canos entupirem. A nosso favor temos o fato de Marte já ter voltado aos limites do Sol, estando menos selvagem e descontrolado. Mercúrio, por outro lado ainda está nessa condição até dia 01/07, requerendo cautela, porque as línguas ficam mais do que ferinas, potencialmente letais.

Na semana que vem o Sol fará os mesmos movimentos. Faz quadratura a Júpiter (05/07) e depois oposição a Plutão (09/07) e é a vez de a consciência ser inundada pelos conteúdos sombrios do inconsciente, nossas dependências infantis, desejos de onipotência e controle através de artimanhas sutis, mas muito efetivas. Precisamos mesmo recorrer a tais artimanhas? É mais um momento de confronto com nosso senso de (im)potência. No mundo exterior isso se manifesta como conflitos intensos de  busca de domínio sobre terceiros, já que talvez não conseguimos dominar nossas próprias inseguranças internas. O desejo de controle geralmente nasce da insegurança profunda, do medo de ser controlado e de ficar à mercê do que quer que seja: pessoas, situações, eventos, então, predomina a máxima: antes ele do que eu, e para não me sentir dominado e controlado, eu controlo e domino. Estes são dias ótimos para perscrutarmos nossa alma e verificarmos quando controlamos e quando nos sentimos controlados e como agimos ou reagimos diante disso. O Sol também fará trígono a Netuno, o que provavelmente nos ajuda a lidar com todos esses dilemas com mais serenidade e auto compreensão – se não temos compaixão por nós mesmos, quem terá?

Depois de ter feito a Conjunção Superior ao Sol e de lidar com todos esses desafios, Mercúrio deixa as águas de Câncer e ingressa em Leão e começa a se afastar do Sol, preparando-se para seu próximo ciclo de retrogradação, que começa em 12 de agosto, em Virgem. Em Leão Mercúrio se comunica de forma magnânima, mas também dramática! Há um grande interesse nas artes em geral e o auto interesse também é acentuado. Caso não esteja aflito, há o entusiasmo e a alegria de um coração jovem, coisa que é reconhecida pelas crianças, com quem costuma de relacionar bem. Mercúrio fica em Leão de 5 a 25 de julho, quando então ingressa em Virgem.

Quem também muda de cenário é Vênus, que sai dos campos bucólicos de Touro e torna-se mais urbana e sofisticada em Gêmeos. Nesta semana que termina Vênus fez quincôncio a Saturno, movimento que pode ter significado alguns estremecimentos nas relações em geral, motivados por inseguranças ou incompatibilidades de valores e interesses. Talvez o posterior sextil a Quíron nos ajude a ter mais compreensão das dificuldades alheias, assim como das nossas próprias, o que pode nos ajudar a encontrar algum caminho de conciliação. Vênus entra em Gêmeos no dia quatro de julho, onde fica até o dia 31, quando ingressa em Câncer.

Quíron estaciona na sexta, dia 30, para entrar em retrogradação no sábado. Esse movimento de Quíron nos convida a reavaliarmos como temos lidado com o tema das feridas incuráveis na nossa vida, da bisca ou oferta de ajuda e a cura proveniente de tal atitude. Quíron fica retrógrado de 1° de julho até 06 de dezembro e como Saturno volta ao movimento direto em agosto, os dois ainda se batem uma vez mais na quadratura atualmente em curso. Este é um aspecto bastante difícil e quem sente de forma mais contundente e pesada são os signos mutáveis, particularmente Gêmeos e Sagitário, mas também Virgem e Peixes. Nos próximos meses estaremos refletindo sobre nossas fragilidades sem conserto, nossa tendência ao vitimismo ou à amargura, nossa abnegação e a busca do bálsamo da cura, através da ajuda ao outro.

E, finalmente, nos próximos dias também vemos ocorrer o terceiro e último quincôncio de Júpiter a Netuno, precisamente na virada de terça (dia 04) para quarta. Expectativas exageradas, seguidas de experiências de desencanto são sugeridas por este aspecto, particularmente no que tange a figuras eclesiásticas e religiosas em geral, como também em relação a juízes e e a leis. Engodos podem se dar, sob o disfarce da benevolência aos oprimidos e desvalidos; há dificuldade em ater-se aos limites, sejam os pessoais ou sociais; há propensão aos exageros no otimismo, nos planos de crescimento, na busca por melhoria. Se conseguimos controlar tais rasgos doudivanas, podemos tirar proveito de um aumento da criatividade, mas é preciso ter muito pé no chão para não nos deixarmos levar por planos mirabolantes que talvez deem em nada! Cautela, mais uma vez, como promessas feitas ou ouvidas – elas podem nos levar à nau dos insensatos, que está fada a naufragar. Esse último quincôncio entre Júpiter e Netuno ocorre com a Lua vazia, em Escorpião, sugerindo que é ainda mais difícil ter clareza de nossas expectativas fantasiosas, e que não devemos mesmo nos apegar a elas, pois nada está determinado ou preciso e os resultados tendem a nos surpreender, a sair muito diferentes da nossa esperança – provavelmente de forma negativa.

A Lua fecha esta semana em Escorpião, na fase Crescente. Fica Corcunda ainda em Escorpião na terça-feira, dia quatro. Engorda e arredonda-se mais um pouco em Sagitário e, plenamente prenhe, dá à luz em Capricórnio, no apogeu do ciclo, no domingo, dia nove de julho. Nesta jornada cheia de altos e baixos, a Lua conversa, sussurra, briga e interage de formas diversas com todos os demais planetas, sinalizando as mudanças de humores aqui na Terra.

SEXTA-FEIRA, 30 de junho – Vazia em Virgem, a Lua faz oposição a Quíron. Ingressa em Libra às 03h02min, de onde entra na fase Crescente, às 20h52min. Quíron estaciona às 03h10min. Dia de focar no equilíbrio, na harmonia e na civilidade, sem deixar de ser assertivos quando se fizer necessário. A Lua fica Crescente em Libra, em quadratura ao Sol em Câncer e sinaliza que para avançarmos na direção da maturidade, é preciso deixar muita coisa para trás. Para se formar uma nova família, ser parte de um casal (Libra), é preciso deixar para trás a família de origem e o passado (Câncer) para poder olhar para o futuro e fundar o novo núcleo. Libra também convida a viver as relações de forma equilibrada, como é o caso das relações laterais. Já não nos relacionamos nas bases da hierarquia e da dependência das relações parentais, mas de igual para igual, em que as pessoas envolvidas da relação têm obrigações e direitos iguais dentro do arranjo, precisam dar e receber igualmente, para que a parceria se sustente e tenha futuro.

SÁBADO, 1° de julho – Quíron entra em movimento retrógrado na madrugada. A Lua Libriana, já na fase Crescente, faz conjunção a Júpiter, quincôncio a Netuno em Peixes, quadratura a Plutão em Capricórnio e a Marte e Mercúrio em Câncer, formando uma poderosa T-Square, da qual ela mesma é o foco, junto com Júpiter. A Lua faz ainda sextil a Saturno. A princípio o dia começa com otimismo e nos sentimos magnânimos, expansivos e generosos, querendo a companhia de outras pessoas para socializar e interagir. Mas conforme as horas passam, a propensão à indecisão aumenta grandemente, porque sentimentos, pensamentos, atitudes e necessidades estão todos em contradição e assim nos sentimos extremamente irritadiços e intolerantes, com o estopim curto, devido à frustração conosco mesmos, por não conseguirmos nos alinhar internamente. As explosões trazem o alívio catártico, mas por outro lado, deixam-nos sentindo vexados e constrangidos por não conseguirmos conter nosso mau humor e insatisfação. Antes de mais nada precisamos reconhecer essas contradições interiores e admitir que precisamos fazer algumas escolhas chatas, abrindo mão de algo que gostaríamos, em favor de algo mais importante, do qual precisamos – precisar sempre é mais forte que querer! Delegar a escolha e a decisão para outros é o pior que podemos fazer hoje, porque o resultado final pode ser desastroso, tanto porque não nos agradará, quando porque poderá piorar os atritos já existentes. Sejamos honestos e banquemos nossas decisões, porque somente nós podemos ser responsáveis se elas se revelarem acertadas ou equivocadas. Entregar nosso poder ao outro, pode não só diminuir nosso respeito próprio, como nos colocar em situações arriscadas de vulnerabilidade diante de pessoas que talvez não devêssemos confiar tanto assim. Para ter a paz e o equilíbrio que tanto buscamos, precisamos abrir mão da imagem de imparcialidade que gostamos de cultivar. É preciso tomar partido, é preciso escolher, é preciso assumir os próprios desejos e necessidades, é preciso assumir o próprio poder. A não ser que queiramos ser apenas uma sombra de nós mesmos!

DOMINGO, 2 de julho – Marte está em oposição exata a Plutão e Mercúrio está em quincôncio pleno a Saturno! Por seu turno, a Lua faz quincôncio à sua senhoria, Vênus em Touro, e também a Quíron, virando foco de um Yod-Dedo de Deus, já que Vênus está em sextil a Quíron. A Lua Libriana ainda se opõe a Urano em Áries, ficando vazia depois desta briga, às 09h18min. Ingressa em Escorpião às 13h em ponto, onde se retrai para se recuperar de todos esses embates. O domingo está cáustico, violento, propenso a chuvas, trovoadas, tempestades e furacões, acionados por energias que foram represadas e reprimidas e que agora borbulham, fazendo ferver o sangue, levando as pessoas a agirem no calor do momento e na impulsividade. Marte é o instinto de sobrevivência individual, é o impulso da agressividade que, em si mesmo, é neutro e pode e deve ser usado de forma positiva, ajudando-nos a ser assertivos e a brigar por nossos objetivos. Mas Marte em Câncer não direciona bem essa agressividade – já tentaram mover uma faca na água? E a agressividade tende a ser expressa de forma indireta, isso quando não fica fervendo por dentro, engarrafada. Plutão é o instinto de sobrevivência da espécie, o poder e o controle, o princípio da destruição de tudo que vai contra a essência da psique, a demolição de tudo o que é falso, errado, fajuto, disfarçado, para que o conteúdo possa ser transformado. Assim, um confronto entre Marte e Plutão, neste eixo Câncer-Capricórnio, obrigando o individuo a lidar com suas queixas pueris, com aquilo do que vem fugindo, esgueirando-se pelas esquinas de si mesmo. Mas chega uma hora que não esquinas suficientes para nos escondermos de nós mesmos, nossa raiva, nossa birra, expectativas frustradas, fugas da própria sede de poder. É encarar a sombra que se projeta da outra rua e preparar-nos para o confronto necessário. Se insistimos em fugir, vamos encontrar o bicho-papão em formas menos prosaicas e mais violentas e sujas. O palco principal dessas tempestades são as relações afetivas e a família, principalmente, mas podem ocorrer também em outros cenários. Portanto, fiquemos de sobreaviso e vigiemos nossa própria reatividade, nossa raiva encalacrada – e todos nós temos algum resquício dela dentro de nós – porque ela pode explodir hoje, atiçada por alguma coisa boba, alguma ameaça – talvez até infundada – ao nosso ego e à sobrevivência! Até onde somos capazes de ir quando estamos acuados, verdadeiramente? E o que tem o poder de nos acuar? O que nos faz borrar as calças? Será que nos conhecemos tão bem? O problema é que muitas vezes, confundimos as coisas e nos sentimos tão inseguros que nos sentimos acuados por coisas menores e então explodimos na hora errada, com as pessoas erradas. Para evitar que tais energias se expressem através de nós de forma destrutiva, o ideal é nos confrontarmos de uma vez, encontrarmos formas de extravasar nossa raiva, nossa frustração, de maneira construtiva e positiva, assim, não precisaremos despejá-la sobre aqueles que nada têm a ver com nossas dificuldades.

SEGUNDA-FEIRA, 3 de julho – De Escorpião a Lua faz trígono ao Sol e a Netuno, formando um Grande Trígono em Água por todo o dia, que à noite vira uma Pipa, com Plutão de foco. Vênus está em sextil a Quíron, aspecto exato, enquanto Marte começa a se afastar da oposição a Plutão. Lua e Marte estão em recepção mútua. O dia traz um manancial imenso de sensibilidade e emotividade, que nos puxa para as profundezas de nós mesmos e de nossos sentimentos mais viscerais e misteriosos. Tal profundidade propicia a elaboração e depuração das explosões e conflitos recentes, favorecendo também que nos conheçamos um pouco mais. No mundo exterior, também nos sentimos mais conectados com os outros e mesmo inclinados a ser um pouquinho – só um pouquinho – mais tolerantes em relação àquilo que parece desajustado e fora de ordem – Netuno propicia essa compreensão, essa inclusão do todo, mesmo daquilo que parece trôpego e estranho e então, julgamos menos. Em termos práticos, o dia pede mais introspecção, um voltar-se para si mesmo. As investigações densas, sejam internas ou externas, também ficam favorecidas pela energia penetrante de Escorpião e as situações têm mais chances de serem transformadas positivamente.

TERÇA-FEIRA, 4 de julho – Mercúrio está em quadratura exata a Urano. De Escorpião a Lua se harmoniza, de formas diferentes, com seus dois dispositores, Marte e Plutão – aliás, Lua e Marte estão em recepção mútua. A Lua faz ainda quincôncio a Urano e trígono a seu regido Mercúrio e a Quíron em Peixes, formando outro Grande Trígono em Água. Fica vazia depois da conversa com Mercúrio, às 21h36min. A Lua ainda faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Corcunda. Vênus ingressa em Gêmeos às 20h12min e Júpiter vira a noite em quincôncio exato a Netuno. A despeito de termos hoje pensamentos e sentimentos alinhados e de conseguirmos ser suficientemente assertivos e motivados a lutar por nossos interesses, há dentro de nós um alvoroço, um desejo intenso de mudanças e novidade, que nos empurra na direção de coisas e situações extravagantes, que nos permitam sair do lugar comum, do previsível. A intensidade emocional fica maior e mais pujante e nos vemos agindo impulsivamente, na busca por emoção e estímulo. É essencial perceber que os estímulos não estão necessariamente lá fora. Antes, precisamos analisar as alterações que devem ser feitas nos nossos pensamentos, visões, planos, formas de pensar e, consequentemente, no nosso cotidiano, onde tudo isso tem efeito e é vivenciado. Felizmente, temos suficiente sustentação emocional e estamina interior para perceber todas essas nuances e adotar as atitudes cabíveis, se realmente quisermos. Do contrário, se insistirmos em modificar apenas o ambiente imediato, achando que o problema reside aí, podemos nos deparar com situações conturbadas que perturbam nossa rotina de forma irritante e contraproducente. De todo modo, é sempre bom permanecer flexíveis e abertos aos imprevistos, porque hoje eles são o recheio do dia – e têm muito a nos ensinar!

QUARTA-FEIRA, 5 de julho – Júpiter está em quincôncio pleno a Netuno nas primeiras horas da madrugada de terça para quarta – o aspecto partil dura cinco horas e meia. O Sol estimula e potencializa este atrito, pois está em aspecto a esses dois planetas, fazendo quadratura a Júpiter e trígono a Netuno. A Lua entra o dia vazia em Escorpião e ingressa em Sagitário à 01h08min, de onde logo se opõe à Vênus Geminiana. Mercúrio hoje faz trígono a Quíron e ingressa em Leão às 20h20min. Achar o equilíbrio necessário entre nossos anseios e a realidade é um dos desafios do período; outro desafio é perceber quando podemos e devemos ajudar e quando devemos respeitar os limites nossos e do outro – nem sempre podemos fazer tudo, por mais que queiramos! O dia pede cautela com as expectativas não racionais acerca do futuro e de figuras que admiramos e em quem projetamos nossas esperanças. Talvez estejamos excessivamente otimistas e idealistas, de modo que não enxergamos direito até onde podemos ir, podendo nos exceder nos nossos cuidados ou cobranças e expectativas em relação a outros. Para isso, precisaremos exercer uma grande dose de autodisciplina e autocontrole, para não perdermos as estribeiras e o prumo do que que quer que estejamos realizando. Há o risco de nos sentirmos super-poderosos e tentar dar o passo maior que a perna, para perceber o erro apenas quando é tarde demais. Portanto, usemos o otimismo para nos animar e motivar, mas mantenhamos em cheque a disciplina e o bom senso!

QUINTA-FEIRA, 6 de julho – O Sol está em trígono a Netuno e quadratura a Júpiter, ambos os aspectos exatos hoje! Por sua vez, a Lua Sagitariana faz quadratura a Netuno, sextil a Júpiter e quincôncio ao Sol e potencializa este corrente aspecto entre Sol-Júpiter-Netuno, ao conversar com todos eles. A Lua faz também conjunção a Lilith, quincôncio a seu regido, Marte e conjunção a Saturno. Embora isso não seja uma configuração astrológica formal, temos hoje uma imagem bem interessante formada nos céus, mostrando um trapézio que tem o sextil por base e o trígono no topo – ou vice-versa; as quadraturas são as laterais e os quincôncios se cruzam ao meio, destes dois aspectos criando tensão e o trígono e o sextil conciliando. O que tudo isso quer dizer? É dia de nos conscientizarmos de nossos idealismos ingênuos, de nossas crendices tolas e otimismos vazios, que não vão nos levar a nada, a não ser a decepções. Falta-nos terra para exercer nossa compaixão adequadamente, realisticamente, assim como nos falta terra e bom senso para olhar para o futuro com fé, mas também com pragmatismo. O dia fica como uma faca de dois gumes: podemos nos perder num oba-oba de esperanças vãs e auspícios infundados; ou podemos agarrar a oportunidade de nos observar mais de perto e perceber por que precisamos tanto “acreditar” em certas “verdades” fantasiosas, por que nos deixamos seduzir pelas palavras doces que escondem intenções amargas. Assim, essa oportunidade pode ser também de nos abrirmos para novas visões, para o entusiasmo bem fundamentado e sem os vícios do imediatismo e das soluções fáceis, apelativas e mágicas que são tão comuns ao nosso tempo. Saturno hoje vem sem a âncora que nos faz assentar devidamente o coração, a intuição, a alma, e nos faz ponderar com vagar, sabedoria e quem sabe até, com graça, sobre nossas reais possibilidades, julgando-as com a justa medida, nem pessimista nem otimista, apenas vendo-as pelo que realmente são: possibilidades, que podem ser concretizadas, dependendo do nosso esforço, empenho e comprometimento e não apenas de truques fantásticos para iludir aqueles que não querem pagar o preço da conquista real e verdadeira. Todos esses aspectos também estimulam a criatividade e os dons artísticos, favorecendo a todas as atividades nessa área. Também ficam potencializados nosso altruísmo e empatia, mas aqui há que se ter cautela para se ter certeza de que o outro realmente quer – e precisa – da nossa ajuda, do contrário, podemos ser invasivos e desrespeitosos ou simplesmente ser vítimas da má fé alheia.

SEXTA-FEIRA, 7 de julho – Vênus está em sesqui-quadratura a Plutão. De Sagitário, a Lua se harmoniza com Urano e fica vazia logo depois, às 10h14min. Faz ainda quadratura a Quíron e ingressa em Capricórnio às 13h45min, de onde faz quincôncio a Vênus em Gêmeos e a Mercúrio em Leão, que estão em sextil pleno hoje – assim, a Lua vira foco de um Yod. A manhã tem um tom agridoce, de busca de liberdade e uma aguda consciência das nossas restrições e impedimentos. Mas isso não deve nos baquear, mas sim ser motivo de reflexão que nos serena e acalma, por nos entendermos humanos, de alma infinita num invólucro limitado – se não entendemos e aceitamos isso, o tom pode ser de amargor e ressentimento, contra a própria vida ou, para os muito inconscientes, contra os incautos que porventura cruzarem seu caminho hoje. A tarde traz dilemas diferentes, mas que ressoam e aprofundam os conflitos da manhã: há apelos lá fora, que nos instigam a brincar, nos soltar, divertir, como se não houvesse amanhã, como se não houvesse problemas ou mesmo a pilha de trabalho à nossa frente. Mas o velho ranzinza dentro de nós se recusa a atender aos convites da leveza – ou talvez seja o “velhos ranzinza” fora de nós, na pessoa do chefe ou quem quer que seja – e prefere pregar contra eles, ressentidamente, julgando imorais àqueles que não seguem a cartilha da dureza e da contenção. Tudo bem se queremos nos negar certos prazeres para provar algo a nós mesmos – problema nosso! – mas, querer interferir nas escolhas de outros ou ser seu exemplo, é outra história, bem diferente! Assim, a tarde e anoite pedem contenção, autossuficiência, trabalho, disciplina, mas não precisamos levar tudo a ferro e fogo, ou podemos nos tornar doentes! Também deixemos que cada um faça o que for adequado para si, afinal não precisamos carregar o peso – mais esse! – de ser os juízes do mundo!

SÁBADO, 8 de julho – A Lua Capricorniana, Corcunda, faz sextil a Netuno e quadratura a Júpiter e prepara-se para ser Cheia, nos primeiros minutos da madrugada de domingo. Temos a sensação de expectativa, de algo grande, prestes a acontecer – ou explodir! – e isso nos deixa um tanto inquietos e, para nos precaver, recorremos ao bom e velho controle, mecanismo de defesa por excelência! E assim, nos armamos de argumentos para nos defender das pequenas alegrias ao nosso redor e quando vemos, deixamos de aproveitar boas oportunidades de convivência e de festejar com outros, pelo medo de relaxarmos em demasia e pela preocupação com “obrigações e deveres”, com a ordem com o que é “adequado”. Talvez tenhamos mesmo que escolher com qual “culpa” ficamos: a culpa de “gazear” obrigações e perambular por aí; ou a culpa de não nos permitir gozar os prazeres que nos cabem e que se nos apresentam – por amor a algo que julgamos mais importante: trabalho, carreira, deveres, etc. De qualquer forma, podemos nos render às alegrias simples e buscar o equilíbrio entre a estrita disciplina e as pequenas indulgências que tornam um dia mais prazeroso e agradável. O fim da tarde e à noite trazem desconfortos e contradições entre as emoções – que vão escalando e se intensificando proporcionalmente à tentativa que fazemos de controlá-las – e os desejos e intenções do ego. Essas discordâncias ficam mais evidentes nas relações entre o masculino e o feminino, que são as forças em desacordo e se acumulam, atingindo o ápice na madrugada, possivelmente com algumas crises e conflitos que demandam resolução imediata! Mas por mais imediatas que sejam as soluções, seus efeitos são duradouros e as decisões não devem ser tomadas de forma impulsiva ou precipitada, por mais instigados que nos sintamos. A tentação de detonar o estopim e implodir tudo é grande, mas é preciso pensar, sentir e agir com calma, com alma, com brandura, com amor, qualquer que seja a decisão difícil que se tenha que tomar!

DOMINGO, 9 de julho – De Capricórnio, Lua atinge o apogeu do ciclo à 00h07min da madrugada de domingo (04h007min no horário de Lisboa), ao opor-se ao Sol Canceriano. A Lua Cheia se dá numa configuração bastante tensa, conjunta a Plutão – que recebe também a oposição do Sol – e em oposição a Marte e quadratura a Júpiter. À noite a Lua ainda faz quadratura a Urano em Áries e fica vazia às 22h14min. Também faz sextil a Quíron em Peixes. Marte está em quincôncio exato a Saturno. O ciclo de Câncer vem nos lembrar que somos seres dependentes uns dos outros, já que nascemos completamente vulneráveis e indefesos, totalmente dependentes de uma mãe – e de um pai e família – para o sucesso da grande empreitada que e nossa vida. Assim, o arquétipo da mãe está fortemente presente neste signo, assim como a presença da família e a ideia de um passado e uma ancestralidade. Câncer também é a nutrição, física e emocional e os laços que construímos ao longo da nossa jornada vida afora. Contudo, muitas vezes delongamos a dependência dos pais – e dos pais postiços, vistos na figura de parceiros, chefes, amigos, e até filhos – por mais tempo do que o necessário e do que deveríamos, desenvolvendo dependências e comportamentos que atrapalham nosso pleno desenvolvimento como adultos autônomos no mundo exterior e também na nossa subjetividade. Para nos darmos conta de tais anomalias, vivenciamos a Lua Cheia em Capricórnio, que nos lembra que, a despeito das interdependências necessárias à nutrição emocional de todos nós, não devemos delegar a outros aquilo que é atribuição nossa no processo de nossa sobrevivência e ocupação de nosso lugar no mundo, o mundo de Saturno, que não afaga nem alisa, mas que nos obriga a ser adultos e responsáveis.

Se Câncer é o signo da Mãe, que protege, cuida e mantém infantil, Capricórnio é a esfera do Pai, que nos obriga a amadurecer, a encarar o mundo com suas obrigações e responsabilidades, individuais e sociais e a fazer de nós alguém mais, além do “filhinho da mamãe”. Essa Lua Cheia torna esse confronto mais do que agudo, porque traz presente a necessidade de nos libertarmos dos emaranhamentos familiares e até ancestrais, que nos conduzem nesses enredos de relacionamentos destrutivos, cheios de cobranças, culpas, lealdades negativas e manipulações. É tempo de crescer, de assumir nosso próprio poder, e não relegá-lo a outros, pode receio de perdermos seu amor e proteção. Já passamos da fase de equiparar o amor da mamãe com sobrevivência e agora, se nos indispusermos com alguém, se perdermos o afeto do outro, mesmo que soframos, não corremos mais o risco do aniquilamento e é esse medo que precisamos enfrentar se queremos nos livrar das dependências mórbidas que nos paralisam e nos impedem de sermos nós mesmos e assumirmos nossos próprios desejos sem medo de ferir os brios de quem quer que seja. Esta é uma lunação bastante desafiadora, que nos obriga a lidar com nossas carências e inseguranças de cara limpa, sem disfarces, sem desculpas. Tanto mais que é a lunação que precede a próxima temporada de eclipses e que nos pede crescimento e enfrentamento da realidade.

Uma ótima semana para você, onde você estiver! 

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