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A Semana Astrológica

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Semana de 11 a 17 de setembro – Tempo de limpezas, purificações e términos; análises, avaliações e reciclagens; tempo de lidar comas próprias limitações e inseguranças, adotando atitudes que possam resolvê-las. Mas é também de buscar novos estímulos nas relações, de voltar a surpreender-se e a apaixonar-se!

Esta semana é de Lua Minguante, com esse Minguante acontecendo no dia em que o Sol quadra Saturno em Sagitário – reforço nas limpezas e finalizações. O Sol quadra Saturno na quarta-feira, sinalizando uma auditoria no nosso desenvolvimento pessoal, um autoexame minucioso sobre a estreiteza ou amplitude dos nossos propósitos e objetivos e também como equilibramos nossos deveres e obrigações sociais versus os deveres e obrigações para conosco mesmos, incluindo nos valorizarmos por aquilo que fazemos bem feito.

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Vênus é a grande vedete da semana e essa questão do auto-valor é o tema chave do movimento que ela também faz ao mesmo Saturno – um trígono – que ocorre junto com a conjunção de Vênus ao Nodo Norte em Leão. Vênus, aliás, passa a semana em formação de Pipa, fazendo primeiro um Grande Trígono em Fogo ao se harmonizar com Saturno e Urano, configuração que se torna Pipa porque Vênus também faz sextil a Júpiter, que por sua vez faz sextil a Saturno. Toda essa movimentação do planeta do amor e da beleza propicia tempos de maior harmonia nas relações em geral, especialmente nas amorosas. Em termos amplos, temos uma trégua mínima, porque essa configuração pode trazer algumas perspectivas em relação às últimas crises, uma percepção de onde e como podemos mudar o presente sombrio, para termos um futuro um pouco mais promissor e luminoso. É um período em que conseguimos conciliar nossos desejos de expansão, liberdade e independência com a necessidade da estabilidade das relações duradouras – para conseguirmos essa conciliação maturidade e autoconhecimento são fundamentais. Também há possibilidades de surpresas agradáveis, encontros inesperados, guinadas positivas nas relações.

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Se conseguirmos lidar com as pontadas eventuais de inseguranças e as lembranças dolorosas de erros passados, podemos sim ter dias de alegria, prazer e também novidades interessantes no relacionamento. Isso porque Vênus também faz quincôncio a Quíron durante alguns dias e como Júpiter faz o mesmo aspecto a este asteroide, Quíron torna-se foco de um Yod-Dedo de Deus. Faz-se ainda necessário vigiar nosso excesso de entusiasmo e expectativas exageradas em relação a pessoas e situações que talvez não estejam completamente disponíveis, ou que estejam feridas, alquebradas… Também não adianta se meter a ajudar, se o outro não está aberto a isso ou, pior: magoar o outro para aplacar a própria dor – ninguém se cura machucando o outro! No que tange aos investimentos, é um período interessante de novas e estimulantes oportunidades nos negócios em geral.

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Mercúrio ingressou em Virgem novamente, mas ainda fica na zona sombria de retrogradação até o dia 19 de setembro e faz oposição a Netuno na virada de 19 para o dia 20. Nesta semana Mercúrio faz conjunção a Marte e sugere maior rapidez mental, análises mais ágeis. Esse aspecto aumenta a necessidade de comunicação, mas também a propensão ao criticismo e à irritação, particularmente na segunda e na terça-feira, quando a Lua passa por Gêmeos fazendo aspecto a essa conjunção e depois a Saturno. São dias bons para se agilizar o que está pendente, para finalizar processos e para a resolução de problemas intrincados em geral.

Alex Ruiz – reprodução

A Lua abre a semana na fase Disseminadora, vazia em Touro. Torna-se Minguante em Gêmeos na quarta-feira e Balsâmica a partir de Leão, no sábado. Fecha a semana ainda em Leão, reforçando a Pipa junto com Vênus, Saturno, Urano e Júpiter. A Lua será nova em Virgem na quarta, 20 de setembro.

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SEGUNDA-FEIRA, 11 de setembro – A Lua entrou o dia vazia em Touro – ficou fazia depois da quadratura à dona da casa, Vênus, toda poderosa em Leão. A Lua fez quincôncio a Saturno e depois a Júpiter e ainda se harmoniza com Quíron em Peixes. Ingressa em Gêmeos somente às 16h30min e à noite arruma várias “tretas” com Mercúrio e Marte. Esqueça! Esqueça a ideia de ter um dia super-hiper-produtivo… Segunda-feira com Lua vazia em Touro, é pra pegar leve porque a energia está mais para descanso, ruminações, digestão emocional das vivências recentes. E haja preguiça!!! Mas o relógio continua seu tique-taque e o chefe não perdoa, não é mesmo? Então, concentre-se nas tarefas inacabadas e pendentes; na organização da agenda, da mesa de trabalho… No ajuste dos planos em andamento e sério, se póssivel, tire algum tempo para fazer nada e apenas pensar e refletir sobre seus projetos, onde poderia melhorar, que alterações poderiam embelezar tal projeto ou trazer mais prazer e alegria a todos os envolvidos. O dia está lento e as horas se arrastam. Em vez de reclamar, tire proveito da modorra! Não brigue com o clima, tire proveito dele! Em termos práticos o dia não está mesmo propício para começar nada novo, nem para fazer muitas estrepulias – não temos nem energia física, nem objetividade mental para isso, portanto, é melhor relaxar e fluir com a maré. No fim da tarde o clima muda radicalmente e recebemos vários estímulos: o telefone toca, o e-mail finalmente chega, a reunião sem-fim finalmente acaba, e o clima fica mais dinâmico. À noite há propensão a discussões fúteis, bate-boas e até conflitos mais sérios em que todos falam e ninguém se entende. Vale lembrar que a gente tem dois ouvidos e uma boca – ouvir o outro – DE VERDADE – antes de simplesmente retrucar pode salvar a noite – e as relações!

Jamens Jean – reprodução

TERÇA-FEIRA, 12 de setembro – Vênus em Leão está em trígono a Saturno em Sagitário. A Lua Geminiana quadra Netuno e faz quincôncio a Plutão. O Sol está bem próximo da quadratura a Saturno. Por um lado, estamos satisfeitos com aquilo que temos e com o que somos, principalmente, com as nossas relações e mesmo se houver algum problema, estamos dispostos a lidar com ele com serenidade. Entretanto, uma outra parte de nós está irrequieta, almejando outras alturas, muito além do solo debaixo dos nossos pés. Queremos perfeição, inspiração ilimitada, voar em outros ares… O que ganha em nós? A realidade! É um dia bom para confrontar o que fantasiamos e é absolutamente inalcansável e aquilo que está à nossa disposição, que é realizável, mesmo que seja imperfeito. Nossa maturidade e aceitação das coisas como são é que decidirão qual parte leva a melhor dentro de nós. O que vai ser para você? Fantasias e expectativas que nunca vão se realizar ou a possibilidade imperfeita mas, de todo modo, ao alcance das suas mãos? Às vezes, a realidade é um labirinto muito mais interessante do que as fantasias escapistas que se escoam por entre os dedos.

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QUARTA-FEIRA, 13 de setembro – O Sol Virginiano hoje está em quadratura plena a Saturno em Sagitário. Por sua vez, a Lua Geminiana faz quadratura ao Sol (entra na fase Minguante) se opõe a Saturno e também quadra Quíron, formando uma Grande Cruz Mutável pesada. Como ajuda para desanuviar um pouco o clima a Lua se afina com Vênus, harmoniza-se com Júpiter e ainda  com Urano, ficando vazia depois deste aspecto, às 15h36min. A Lua ingressa em Câncer às 19h13min e fecha a noite em harmonia com Mercúrio. O dia traz alguns questionamentos complicados de serem elucidados, porque embora tendamos a imputar a outros o peso de tais questões, no fundo sabemos que a responsabilidade é nossa. O quanto nos empenhamos para nossa realização profissional, o quanto focamos no trabalho e na obrigação de “vencer na vida” e o quanto isso nos tira de nós mesmos? O quanto comprometemos de nossa vida pessoal e interior, de nossas relações, de nossa espiritualidade em função de corresponder às expectativas sociais, materiais ou quaisquer outras que não nascem verdadeiramente do nosso coração? E o quanto isso nos faz sentir mutilados, alienados de nós mesmos, de nossos sentimentos e vida interior? Conseguimos cuidar adequadamente da saúde, do lazer, das relações? Temos alegria? Ou estamos tão automatizados que já nem nos perguntamos tais coisas? Há objetivos mundanos e materiais importantes, é claro, mas muitas vezes a balança está desequilibrada e quando vemos, a vida carece de sentido, está vazia e árida. Esses questionamentos ficam bem agudos nesta semana e mais fortes hoje. O que adiciona ênfase a tais questões é que estamos num momento em percebemos a necessidade de focar mais nas relações significativas da nossa vida – aquelas que nos preenchem e nos ajudam a nos fortalecer como pessoas – de levá-las mais a sério, de solidificá-las também. Então, é tempo de ser honestos quanto a esse equilíbrio ou falta de, ao invés de simplesmente reclamar das chefias, do excesso de trabalho, das cobranças, do peso das responsabilidades. A gente só faz o que funciona, então, se continuamos a fazer o que fazemos, apesar de reclamar, é porque estamos ganhando alguma coisa com isso, mesmo que inconscientemente. De modo geral o dia pode trazer grande sensação de insegurança, consciência aguda as nossas limitações, sentimentos de crítica e julgamento por parte de outros e também vitalidade baixa. Isso vai passar, mas vale prestar atenção aos questionamentos suscitados! O Minguante sugere que abramos mão da informação excessiva e inútil que entope a cabeça e o coração e nos concentremos naquilo que é essencial!

Reprodução – Desconheço o autor

QUINTA-FEIRA, 14 de setembro – O Sol ainda está em quadratura a Saturno na virada da quarta para a quinta. A Lua está em Câncer, sua casa, e troca afagos com Mercúrio e Marte em Virgem e ainda se sensibiliza profundamente com Netuno em Peixes, mas arma uma contenda séria com Plutão em Capricórnio. Vênus está conjunta ao Nodo Norte, Cabeça do Dragão. A exemplo de ontem, o dia hoje também traz um peso que sobrecarrega os ombros e o coração, além de nos fazer duvidar de nossa capacidade de carregá-lo. De qualquer forma, a alma busca ajuda pela manhã e encontra estamina emocional e, ao alinhar-se com a mente e o corpo, consegue também algum centramento e a perspectiva da impermanência e temporalidade de tudo, incluindo nossos dilemas. Até conseguimos sair do nosso umbigo e perceber que outros também travam suas batalhas internas e tentam não sucumbir diante das dificuldades. À noite, porém, a atmosfera volta a ficar carregada e nos sentimos prensados por nossas emoções turbulentas, nossas carências, inseguranças, vulnerabilidades… Queremos colo! E se não achamos, de nada adianta culpar os céus, anjos ou demônios. Ainda temos a nossa própria companhia, que deveria ser a melhor de todas, sempre, portanto, nada ficar emburrados e chorosos! Se estamos cercados de quem amamos, que sejamos inteiros e verdadeiros com essas pessoas; se estamos a sós, sejamos verdadeiros e carinhosos conosco mesmo, nutrindo nossa alma e reafirmando nossa autoestima, assim conseguimos estabilidade emocional. De qualquer forma, há muitas possibilidades de encontros, programados ou fortuitos, que podem nos ajudar a elevar nosso humor, que podem acender nossa alegria e generosidade, desde que ousemos sair da nossa concha e dos nossos probleminhas e olhemos em volta, para além do nosso umbigo infantil.

Catrin Welz-Stein – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 15 de setembro – Vênus está em sextil exato com Júpiter e ainda em trígono a Saturno e a Urano, tornando Júpiter foco de uma Pipa. A Lua se separa da oposição a Plutão irrita-se muito com Saturno, caça confusão com Júpiter, se harmoniza com o Sol e com Quíron, mas encrenca de vez com Urano, e fica vazia depois dessa briga, às 18h24min. Ingressa em Leão às 22h09min. O dia está propenso a muitos altos e baixos, a viradas e guinadas inesperadas de acontecimentos e, principalmente a mudanças súbitas de humor e das emoções. Ora estamos super animados, entusiasmo rasgado e desmesurado; ora ficamos hiper-sensíveis e irritados, reclamando de tudo e de todos e quando, finalmente, sentimos que o coração acalma e se alinha com as outras partes, situações abruptas voltam a ocorrer e nos tiram de novo do eixo, deixando-nos de novo irritadiços… além disso, sentimo-nos divididos entre o desejo de proximidade e intimidade e o impulso por soltura… Mas é possível conciliar essas disparidades, desde que primeiro as aceitemos, desde que primeiro olhemos com carinho para nossas contradições e as admitamos serenamente – só então podemos costurar o que foi ao que vai ser, e poderemos então integrar a paixão ardente à necessidade de longevidade e estabilidade; poderemos nos permitir ser inteiros, mesmo que tenhamos muitas facetas diferentes e inteiros, podemos nos expandir, expandir nossa autoestima, nosso senso de valor e atrairemos relações de valor para nossas vidas. E poderemos também, nos responsabilizar por nossa alegria, nosso prazer e nossa própria felicidade, sem esperar que ela nos seja dada por outros – os outros virão apenas compartilhá-la! E serão bem vindos!

Scott Seymour – reprodução

SÁBADO, 16 de setembro – Mercúrio está conjunto a Marte. De Leão a Lua faz sesqui-quadratura a Saturno e depois a Quíron. Desentende-se com Netuno e fecha a noite também irritada com Plutão. Hoje temos à nossa disposição muita energia mental e intelectual, que pode bem ser utilizada para acelerar projetos que demandem agilidade, presença de espírito, rapidez de raciocínio. Mas é possível também que estejamos muito irritados e, ao invés de colocar essa estamina mental em bom uso, acabemos por nos envolver em discussões, debates, conflitos desnecessários nascidos de criticismo, seja nós criticando a outros ou nos sentindo criticados e reagindo defensivamente – e o estopim, que já está curto, pode ser aceso pela palavra impensada. Mas, será que realmente precisamos nos defender? Será que há motivos para a defensividade e a irritação? Vale ficarmos alertas, porque parte de tudo isso pode muito bem nascer da sensação, inconsciente, de inadequação e desencaixe que sentimos em relação aos nossos pares ou às situações em que estamos envolvidos. Se formos honestos o suficiente, conseguiremos analisar as coisas com arguteza e acertar no alvo daquilo que originou a insegurança e que estimulou os conflitos. Dirimidos tais conflitos ou mesmo a irritação, podemos nos concentrar naquilo que precisa ser planejado e executado com presteza e acuracidade e teremos então, um dia realmente produtivo. Cautela no trânsito e nas interações, porque a tendência também a impaciência, intolerância e a incompreensão quanto às falhas alheias.

Catrin Welz-Stein – Reprodução

DOMINGO, 17 de setembro – Vênus em Leão está em trígono exato a Urano em Áries. A Lua Leonina desafina-se com Plutão, mas depois junta-se à festa com Vênus e Urano e as duas ainda convidam o sisudo Saturno. Vênus se chateia no meio da estória por causa de Quíron. O domingo traz uma atmosfera animada, elétrica e queremos sair da rotina completamente, fazer coisas ousadas, inusitadas; trilhar caminhos insólitos, mas nos quais nos sentimos seguros, porque seguimos o impulso do nosso coração, que hoje se alegra, se diverte, se regozija na novidade, nos encontros inesperados, nas possibilidades de novo se descortinando à nossa frente. Nas relações fazemos questão de adicionar elementos não convencionais, que tragam frescor e estímulo onde faltava surpresa e admiração – estas agora são renovadas! O certo é que é um dia para fazer e buscar coisas e experiências incomuns, seja sozinho, a dois ou em bando – aliás, dificilmente estaremos sozinhos, porque simplesmente sentimos a urgência da diversão com almas afins, ou mesmo com almas completamente diversas de nós mesmos. Há muito estímulo, inquietude, empolgação e coisas inesperadas podem acontecer, mas ao invés de isso nos incomodar, adiciona mais vigor e expectativa ao que nos espera ao virar da esquina. Quem puder que aproveite, porque, de fato, o dia está propício à diversão e a sair para o mundo aproveitando as boas vibrações e as companhias inusitadas e vibrantes que encontrarmos pelo caminho. Para os amantes, o dia está ótimo para experimentações, para se surpreenderem mutuamente e reacenderem a chama da paixão na relação que andava meio morna e previsível.

Ótima semana para você!

Lua Nova em Câncer – Fazendo as pazes com o passado

A Lua se renova em Câncer hoje, às 23h31min no horário de Brasília e às 02h31min no horário de Liboa. A lunação se dá no grau 02°47′ de Câncer, em conjunção a Mercúrio e a Marte, que estão, ambos, “Forasteiros” ou “Fora dos Limites do Sol”.

Câncer é o signo dos cuidados, dos sentimentos profundos, da nutrição, do passado, das raízes e origens; o signo que nos lembra que nascemos numa família, de uma mãe que nos nutriu, literal e figurativamente, e de um pai que nos empurra para o mundo e para o futuro. Assim, o ciclo de Câncer sinaliza um tempo de honrar tudo isso em nossa vida: nossa família, origens, passado e história; a sentir e viver nossos sentimentos, a estreitar os laços que nos sustentam e a deixar a família de origem para trás, para ser capazes de criar nosso próprio núcleo, nosso próprio ninho e dar continuidade à semente que herdamos daqueles que vieram antes.

A Lua Nova de hoje nos chama, com amor e devoção, a voltar a essas origens, a honrar essa história que é nossa, no que  ela tem de bom e de ruim, porque, afinal, tudo contribuiu para sermos o que somos hoje, o bom e o ruim. Tudo foi adubo e fermento, tudo o que vivemos. Tudo, absolutamente tudo, fortifica nossas raízes, para que galhos, folhas, flores e frutos sejam fortes, vigorosos e belos (Capricórnio, o signo oposto).

Em Câncer, entramos em contato com o viço que gera a vida, a seiva nutritiva que alimenta o corpo, a alma, a própria vida. É onde nos nutrimos e abastecemos e, abastecidos, nutrimos também a outros, cuidando, protegendo, amando.

O mapa da Lua Nova traz uma enormidade de Água ativada e apenas Júpiter como singleton em Ar, ou seja, as comportas de tudo quanto foi represado são abertas, os conteúdos liberados e não temos alternativa, senão sentir, profunda e visceralmente. Portanto, estamos mais sensíveis, emotivos e carentes e isso nos leva a uma pergunta: como temos feito nossa própria maternagem?  Câncer nos lembra da interdependência, de que precisamos uns dos outros, de que a família é nossa base, é o marco zero da nossa vida. Como estão nossas relações familiares? São saudáveis? Pestilentas e rancorosas? Cheias de mágoas e ressentimentos? Cheias de histórias e recordações bonitas ou segredos espúrios obscuros, dos quais não queremos lembrar? Não seria hora de curar tudo isso? Deixar esse passado pesado para trás?

A Lua Nova acontece em conjunção a Mercúrio e a Marte e Marte, opondo-se a Plutão, é a base de uma T-Square que tem Júpiter em Libra como foco. Isso pede que mantenhamos em cheque a criança birrenta e zangada dentro de nós, que diluamos raivas, mágoas e rancores, nas grandes águas Cancerianas. Júpiter, como foco dessa T-Square, sugere que devemos equilibrar as influências parentais dentro de nós, o Pai e a Mãe, para que possamos ter relações felizes e autênticas e não meras repetições dos erros dos nossos pais – os quais tanto criticamos e dos quais tanto fugimos. Para que possamos ter relações felizes, justas e equilibradas, que nos impulsionem e contribuam para sermos pessoas melhores, precisamos confrontar esses medos e expectativas infantis, a raiva primal da criança insatisfeita, que ainda espera que mamãe vá resolver todos os nossos problemas mesquinhos – ou graves – com seu olhar e palavras doces.

É hora de plantar novas sementes, novos sentimentos e relações. Mas tais sementes só prosperarão se tivermos coragem de purificar o solo, livrando-o das nossas mágoas, do nosso passado tóxico, das nossas expectativas infantis, tanto em relação às figuras parentais, quanto em relação aos nossos parceiros. Do contrário, estamos condenando nossa vida afetiva e o futuro em geral a ser uma repetição de tudo aquilo que desaprovamos na nossa família.

Em lugar de nos sentir vitimizados pelo que quer que tenha acontencido na nossa família e no nosso passado, precisamos soltar e deixar isso para trás; confrontar nossos medos, nossos demônios e assim amadurecer e nos fortalecer, para encontrarmos nosso equilíbrio interno, o fiel da balança da nossa alma. Se queremos nos livrar de um passado triste e doloroso, precisamos abrir mão dele, realmente, não apenas no discurso, mas principalmente na atitude. Parar de bancar as vítimas do sistema familiar e perceber que todos temos nossa parcela de responsabilidade por estar onde estamos e que, mais do que nunca, precisamos nos responsabilizar pelas escolhas e decisões que nos levarão a ser a pessoa que queremos nos tornar. Para isso, é preciso abrir mão também do anseio por ser cuidado, indefinidamente; o anseio por não ter que escolher, não ter que se responsabilizar…

E sobre o passado, as mágoas e dores? Podemos purificar tudo isso! Para cada mágoa ou memória negativa, medite na prece do Hoponopono: “Eu sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grata/o”. Podemos fazer essa prece para todas as situações dolorosas da nossa vida, inclusive para perdoar a nós mesmos, até que nos sintamos mais leves, purificados, amparados pela nossa Mãe Arquetípica – interna – que cuidará para que não precisemos despejar nossas carências infinitas sobre outros, nem nossas mágoas e amargor. Assim, poderemos voltar a apreciar o doce da vida, literal e figurativamente.

Faça as pazes com seu passado, sua família, com você mesmo. Não precisamos repetir enredos! Se estivermos conscientes e despertos, não estaremos fadados a isso, E assim, poderemos plantar novas sementes de amor genuino, de sentimentos verdadeiros, de vínculos fortes, baseados no respeito e na honestidade e não nas dependências e jogos emocionais.

Uma linda Lua Nova Nova para você! E um ótimo ciclo, de nutrição, perdão e amor. Sempre é tempo de recomeçar nossa história!

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Lua Cheia em Virgem – Curando a Natureza Selvagem

Reprodução – Desconheço o autor

Perdão. Cura. Limpeza. Eliminação. Regeneração. Nutrição. Corpo. Organização. Serviço. Ajuda.

A Lua Cheia deste ciclo aconteceu neste domingo, 12 de março, no grau 22°13 do signo de Virgem, às 11h55min no horário de Brasília e às 14h55min no horário de Lisboa. Essa é uma Lua Cheia que vem falar de cura, limpezas físicas, psíquicas e energéticas, regeneração, serviço, perdão. De verificarmos que área da nossa vida precisa de mais organização, ordem, método e controle. Onde podemos ser mais criativos e prestativos.

Lua Cheia em Virgem – Brasília, 12 de março de 2017, 11h55min.

Além da oposição ao Sol, a Lua também se opõe a Quíron, e a Mercúrio, seu dispositor, que está no grau 27° de Peixes. A Lua ainda faz um quincúncio próximo a Urano em Áries, se afasta de um trígono a Plutão em Capricórnio e faz quadratura aplicativa a Saturno em Sagitário. É uma Lua deveras dinâmica e “ocupada”, cheia de afazeres e atribuições, que nos convida a ordenar e organizar o caos da mente criativa, a estruturar a manifestação dos infinitos potenciais da nossa imaginação ilimitada.

Do Buzzfeed – Reprodução

O ciclo presente nos convida a trabalhar os arquétipos e temas Piscianos, como simbolizados pelo trânsito do Sol neste signo. A Lua cheia em Virgem vem fazer o contraponto de que, a despeito da busca pela transcendência representada por Peixes, não podemos esquecer que ainda estamos encarnados nesta vida, no aqui e agora e que ainda temos coisas práticas a fazer; que é no dia a dia, a partir das pequenas coisas que a transformação e os resultados de tal transcendência se mostram. Contudo Mercúrio, regente da Lua Cheia, está também em Peixes e alerta que não podemos nos fixar somente nas racionalizações frias de Virgem, com seu espírito crítico, organizador e discriminante, que tenta a tudo enquadrar, classificar e entender racionalmente. É preciso confiar também no invisível, no não explicável, não mensurável, não palpável. Há coisas que ocorrem na esfera do invisível e do imaterial que são tão reais quanto aquelas outras que podemos ver e tocar. Assim, a proposta é basearmos nossa atuação concreta no mundo na fé e nos valores imateriais, na percepção não sensorial de que “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.

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A oposição Lua-Mercúrio também nos lembra que muitas das doenças que desenvolvemos, nascem dos conflitos internos, da não aceitação das nossas próprias contradições, da dificuldade de observar nosso ritmo interno e orgânico e respeitá-lo. Fala de como os pensamentos podem ser venenosos. Como diz o iogue indiano,  Sadhguru, se sua mão de repente agredir você, dando-lhe um soco no rosto, batendo e machucando você, definitivamente você está doente! Então, diz ele, se seus pensamentos e emoções estão constantemente cutucando você, sufocando e torturando você, todos os dias, você não está doente também? Então, este estado de pensamentos tóxicos leva às doenças, emocionais e físicas. É preciso pois, ficar atentos aos conflitos mentais, aos pensamentos insidiosos e tóxicos, que nos torturam e deixam doentes, mental, anímica e fisicamente. Cuidar da mente e também do corpo, como diz aquela frase em latim: mens sana in corpore sano.

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Essa toxicidade mental e anímica é potencializada pela quadratura que a Lua e Mercúrio fazem a Saturno, que é foco de uma T-Square, o que nos diz que precisamos vigiar a culpa – provavelmente o pior torturador da alma – e seus efeitos sobre a psique, o corpo, o bem-estar e o quanto ela impacta negativamente na nossa serenidade e alegria de viver. Liberarmo-nos da culpa é passo essencial para chegarmos à cura. Jesus, sempre que curava alguém, primeiro perguntava se a pessoa tinha fé. Em seguida ele dizia “teus pecados são perdoados” e concluía: “Vai em paz. Tua fé te salvou”. Quando nos sentimos culpados por alguma coisa, nos tornamos algozes de nós mesmos e então nos sabotamos de várias maneiras, porque não nos sentimos autorizados a usufruir das coisas boas, não nos sentimos merecedores do “Reino de Deus” e suas infinitas benesses e seu infinito amor e misericórdia. A culpa nos faz querer nos esconder “das vistas de Deus”, que é o mesmo que se esconder do Self, do Eu Superior. E então a culpa nos leva a desenvolver inúmeros problemas, de saúde, materiais, e qualquer outro com que a autossabotagem possa nos “premiar”. Ao pronunciar tais palavras, Jesus deixa claro como a serenidade interior é fundamental para o processo de cura; como o auto perdão é crucial para nos liberarmos da doença ou de quaisquer outros processos destrutivos. Porque o perdão nos faz sentir novos, limpos e puros, novamente merecedores do “amor e misericórdia de Deus”. E o mesmo vale para aqueles que não creem, com a diferença de que com o perdão se sentem novamente merecedores do amor/respeito/cuidados daquele outro que acharam que ofenderam de alguma maneira – porque embora não achem que ofenderam a “Deus”, já que não creem, infringiram a ética humana. Com o perdão, sentimo-nos novamente merecedores de participar da comunidade humana, em pé de igualdade, porque já não somos párias excluídos, criaturas abjetas ou vis, indignas do amor do outro e até do nosso próprio amor. Assim, o perdão cura e obviamente que aqui não estamos falando, necessariamente, do conceito cristão de pecado, mas de toda a infração ou delito que a alma sente que cometeu, que a tornou “impura” aos seus próprios olhos e aos olhos daqueles que lhe são importantes. Então, é preciso exercer o perdão, primeiramente para conosco mesmos e mesmo quando achamos que temos que perdoar ao outro, precisamos antes perdoar a nós mesmos, por nos termos colocado vulneráveis a ponto de nos permitirmos ferir pelo outro – muitas vezes, é mais difícil perdoar a si próprio do que ao outro.

Culpa

Culpa, como já falei em outros textos, é muito diferente de remorso. O remorso é o sentimento de quem está consciente que magoou o outro, mas está disposto a reparar o dano. No remorso, nos responsabilizamos pelos nossos feitos e não tentamos nos justificar ou apresentar desculpas esfarrapadas. O remorso é maduro, a culpa é infantil. No remoroso temos vergonha, porque nos damos conta de que erramos; estamos arrependidos, mas comprometidos a mudar, a melhorar. E tal comprometimento elimina a tortura da culpa e da auto-flagelação. Às vezes sentimos os dois sentimentos juntos: culpa e remorso; às vezes sentimos somente o remorso e às vezes, somente a culpa. O problema da culpa é que apesar de nos torturar, ela não leva a mudança nenhuma, é um tipo de masturbação perversa, em que nos autoflagelamos e torturamos, derivando um tipo de gozo narcisístico ao contrário: “olha como eu sou terrível!, olha como sou mau!”, mas de fato nada fazemos para remediar nosso “crime/pecado” ou para mudar nossa atitude. Uma frase de Oscar Wilde retrata bem a dinâmica circular da culpa. Ele diz que “a culpa é o preço que pagamos, de bom grado, por algo que faríamos de qualquer jeito”. E segundo ele, isso nos isenta do julgamento alheio, porque “quando culpamos a nós mesmos, sentimos que ninguém mais tem o direito de fazê-lo”, o que novamente enfatiza como o remorso é diferente da culpa. A Lua Cheia de Virgem nos convida, pois, a abrir mão das culpas compulsivas e narcisistas, a nos abrir  ao auto-perdão, para que possamos nos sentir merecedores da cura, do amor e das infinitas benesses da vida e do universo.

Rachel Levit – Reprodução

A Lua se opõe a Quíron enquanto culmina este ciclo. Quíron é um asteroide que simboliza nossas feridas, velhas e novas, que simboliza o lado obscuro e sem conserto da natureza humana, inadequações e vulnerabilidades. E para alcançarmos as dádivas da cura, precisamos primeira enfrentar essas fragilidades e inadequações, as inseguranças mais profundas, os conceitos evasivos e a falta de comprometimento conosco mesmos, além da destrutividade em potencial que espreita a mente e o coração, minando a autoconfiança, a segurança em si mesmo, a aposta no próprio poder e capacidade. Essa lunação nos deixa, então, em carne viva e é preciso cautela porque a via de escape para muitos será a ajuda indiscriminada ao outro, para fugir da própria dor e do próprio desespero. Para outros, esse escape pode se dar pelas tentativas de controle do entorno, qualquer coisa que faça passar a ansiedade e o desconforto com o corpo e os sentimentos… mas nada disso funciona por muito tempo e só conseguimos superar quando acalmamos a ansiedade e aninhamos em nosso coração as dores não admitidas, os medos não expressos do caos, do amanhã, da nossa própria irracionalidade. Mas Quíron também representa um manancial de imensa sabedoria e compaixão; representa onde precisamos aceitar essas inadequações para chegar à serenidade da cura; significa onde podemos ensinar a outros, movidos pela empatia que nosso próprio sofrimento nos obrigou a desenvolver; e é um símbolo potente de cura e inclusão. Então a Lua pede que reconheçamos todas essas dificuldades e demos um lugar para elas em nosso coração; sugere um período potente de limpeza psíquica e energética.

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E sim, a Lua Cheia também traz um tempo propício a nos doarmos e nos dispormos ao serviço ao outro, de coração aberto e humilde. Contudo, essa ajuda precisa ser feita de forma muito respeitosa e delicada; tem que ser genuína e não mera fuga da própria dor, como já dissemos acima. é legítimo que nossa dor nos leve a ajudar o outro, mas isso precisa ser feito conscientemente. A Lua em Virgem tem grande necessidade de se sentir útil e prestativa, de ajudar e resolver os problemas alheios. Mas se tal ajuda não foi pedida e nem aceita claramente, corremos o risco de ser invasivos, desrespeitosos e, de quebra, de ainda coletarmos para nós, problemas que não são nossos e que podem, de fato, nos prejudicar e bloquear o nosso crescimento pessoal em várias esferas, além de potencialmente nos adoecer. Considerando que Vênus está retrógrada em Áries, precisamos nos lembrar que, antes de cuidar do bem estar do outro, precisamos primeiro cuidar do nosso próprio bem estar, precisamos nos certificar de que estamos bem, até porque só podemos cuidar do outro se nós mesmos estivermos inteiros.

Naoto Hitori – Reprodução

E nessa ajuda precisamos olhar para o outro como sendo capaz e tendo o poder de curar-se sozinho, sendo nós apenas uma ferramenta, um meio que propicie que o outro entre em contato com os recursos de que ele já dispõe em si mesmo, mas dos quais estava desconectado por razões diversas. Então, para que a ajuda seja efetiva, é preciso que acreditemos e confiemos que o outro é capaz de se cuidar e de resolver os próprios problemas, que o outro dá conta de conduzir a própria vida, do seu jeito e nós seremos apenas apoio e suporte, quando ele precisar. Não podemos nos arvorar de “salvadores”. Podemos e devemos nos ajudar mutuamente, mas cada um só dá conta de salvar a si mesmo. Portanto, é preciso “empoderar” esse outro que tanto queremos ajudar, olhando para ele e vendo seus melhores potenciais, reconhecendo que ele já tem todos os recursos de que precisa dentro de si. Assim, a relação com o outro fica equilibrada, não se torna uma relação de poder em que eu sou mais forte e melhor e o outro é fraco e depende de mim para ser. Podemos então nos conscientizar dos momentos em que fomos invasivos ao tentar “ajudar” a outros. Podemos nos liberar dos fardos alheios que carregamos desnecessariamente, mas que nos trazem o gozo equivocado de que estamos “ajudando”, mesmo que o outro não tenha pedido essa ajuda. E poderemos então amar com mais leveza e com mais respeito.

Reprodução

A Lua também faz trígono a Plutão, indicando o grande poder que temos à nossa disposição. Poder de eliminação do lixo e do entulho emocional que talvez ainda carreguemos; de calcinar essas culpas e pensamentos torturantes que nos fazem sentir inferiores e não merecedores da abundância do universo; poder de extinguir ou transformar os comportamentos e hábitos doentios, tanto em nível físico, quanto mental e psíquico; poder nos regenerar, de renascer e de nos tornarmos mais fortalecidos e inteiros.

Reprodução

O símbolo Sabiano do grau 23 de Virgem (22°13’) traz uma imagem que desdobra esses temas em outros níveis: “Um domador de Leões corre sem medo para o centro da arena do circo”. Um domador de leões ou de quaisquer outros animais selvagens é alguém que precisa estar em contato profundo com sua própria natureza instintiva, para poder se conectar verdadeiramente com o animal selvagem, seduzindo-o e convencendo-a a confiar nele e a dar o melhor de si, obedecendo-lhe o comando. Mas há domadores e domadores. Há os domadores que domam a partir da violência e do medo; batem e machucam o animal, para quebrantar-lhe o espírito, a ponto de ele não mais confiar na sua própria força e simplesmente desistir de resistir e de se rebelar contra o jugo. É domar pela tortura, pela violência, que, em última instância, não é domar verdadeiramente, é dominar com ferramentas de dor e de medo. Há outros domadores, porém, que trabalham com sutileza e maestria, conhecendo e se acercando da natureza selvagem com respeito, cuidado, sutileza. Busca conhecer o animal que doma, mas principalmente, se deixa conhecer por ele, de modo que o animal entenda que nada há a temer. Mais do que domadores, são “encantadores” da natureza selvagem e instintiva e seu sucesso está diretamente relacionado ao respeito com que se relacionam com o animal, não subestimando-o, mas antes dando-lhe o direito de ser e de preservar seu instinto e espírito altivo e nobre, inerente a toda criatura e espécie. Assim, não se estabelece uma relação de domínio sobre a natureza instintiva, mas antes, é uma relação de colaboração, uma parceria baseada na confiança.

Reprodução

Este símbolo deixa claro onde nascem muitos dos nossos problemas: da relação equivocada que às vezes estabelecemos com nossa natureza instintiva e selvagem, buscando domesticá-la e domá-la pela violência, pelo jugo, pelo menosprezo às suas qualidades naturais e selvagens… Assim fazemos com nosso corpo, com os instintos, por serem desconfortáveis, indomáveis, selvagens… Uma outra representação de Quíron. O símbolo nos diz que não devemos temer os instintos e nossa natureza selvagem, mesmo que nossa razão teime em desconfiar deles e queira lhe impor seu jugo racional. Precisamos, na verdade, ganhar a confiança dessa natureza selvagem, respeitar-lhes a força, o vigor, sua qualidade selvagem; ganhar-lhe a confiança, respeitando-a, seduzindo-a no melhor sentido, construindo uma relação de colaboração, de sincronia, de conciliação, de ajuda mútua, de integração e integridade. Quando conseguirmos olhar para o corpo e seus processos dessa maneira, assim como para nossos instintos e natureza selvagem, já não precisaremos nos sentir à mercê deles e das doenças que ás vezes se manifestam como a puxar o tapete de debaixo dos nossos pés.

Arcano 11 do Tarô – A força

Este símbolo é parecido com o símbolo do grau 23 de Leão, onde aconteceu a Lua cheia e Eclipse Lunar de Leão, em fevereiro. Trazia presente a habilidade de uma amazona cavalgando sem sela, o cavalo sendo símbolo da libido e também da natureza instintiva. Eu associava aquele símbolo, em fevereiro, ao Arcano XI do Tarô, A Força e creio que o simbolo da Lua Cheia de hoje traz um tema parecido. Essa repetição vem nos dizer o quanto é importante prestarmos atenção a essa natureza e fazermos as pazes com ela. é um tema que continua a exigir reflexão e elaboração da nossa parte.

Reprodução – Desconheço o autor

Esta é uma Lua Cheia para nos conscientizarmos profundamente, de como temos lidado com o corpo, esse templo sagrado da alma, da consciência e do espírito; como temos cuidado ou deixado de cuidar dele; como temos cuidado de nossa nutrição física e emocional; de como temos lidado com os pensamentos tóxicos e o quanto temos permitido que conduzam nossas decisões, nosso amor próprio, nossa vida. É tempo de melhorar a relação com o corpo e a mente, mas também com a nossa natureza selvagem, que tem estado há muito tempo sob o jugo do medo e da nossa própria incompreensão. É tempo de abrir mão de mágoas e dores; de perdoar a si e ao outro; porque é do perdão e da liberação das culpas rançosas, da autoaceitação amorosa que vem a cura para o corpo, porque o corpo é curado com consequência da cura da alma.

O que podemos fazer, em termos práticos, para ter acesso a esse potencial de cura profunda?

  • Identificar e eliminar os pensamentos tóxicos e torturantes que minam nossa autoestima e senso de valor e amor próprio;
  • Identificar e se comprometer com a eliminação de maus hábitos cotidianos que minam nossa vitalidade e nossa saúde, sejam esses hábitos alimentares, de sono, de palavras (já percebeu como minamos a nós mesmos com discursos autodepreciadores?), rotinas caóticas, bagunça generalizada na casa que nos faz sentir perdidos no caos internamente;
  • Identificar onde precisamos estabelecer uma melhor organização, um melhor sentido de ordem na nossa vida, de modo a termos mais serenidade e menos preocupações tolas;
  • Identificar que alimentos, hábitos e costumes são mais saudáveis e trazem alegria à nossa alma, à nossa vida; o que repõe nossa vitalidade e energia; que pequenas coisas podemos alterar/adotar na nossa rotina, que nos tragam mais qualidade de vida, que sejam mais respeitosos e amorosos para com nossa saúde, nosso corpo e nossa alma;
  • identificar as situações em que somos invasivos na ajuda ao outro e tentar ser mais suaves e leves, esperando o outro pedir a ajuda, antes de impô-la a ele
  • … Acrescente aqui outras atitudes que você ache que vai melhorar seu dia a dia e trazer mais paz, cura, amor e serenidade para sua vida!

Então, perdoe-se! Libere-se da toxicidade de pensamentos culposos. Elimine os hábitos perniciosos que refletem o desamor e o ódio a você mesmo! Perdoe-se. Ame-se. Cure-se! Celebre sua natureza selvagem e seu corpo sagrado, morada provisória mas sagrada da alma eterna!

Uma ótima Lua Cheia para você!

Reprodução

Lua Cheia em Capricórnio: celebrando a vida, o amor e a compaixão!

Cheia terra
Do Pinterest – Desconheço o Autor – Reprodução

Chegamos ao ápice de mais um ciclo, num mês para lá de especial, visto que teremos DUAS Luas Cheias – a segunda chamada de LUA AZUL, no dia 31 de julho, em Aquário. O fenômeno da Lua Azul não se refere à coloração da Lua, mas à repetição da fase cheia no mesmo mês do calendário oficial, então, como o ciclo de lunação é de 29,5 dias, sempre que uma Lua Cheia ocorre no dia 1° ou dois de um mês, é muito provável que haja outra Lua Cheia ao final do mesmo mês (fevereiro está obviamente excluído do fenômeno). A Lua Azul ocorre em média a cada três anos.

Tailtiu - Irish goddess of midsummer goddes of earth and wheat
Tailtiu – Deusa Irlandesa da Terra e do Trigo – Reprodução

Voltando à Lua Cheia de hoje, ela ocorre às 23h19min no horário de Brasília, e às 03h19min no horário de Lisboa, a 09°55’ de Capricórnio, em conjunção a Plutão, oposição a Sol-Marte em Câncer, sextil quase exato a Netuno em Peixes e, principalmente, forma uma Grande Cruz Cardinal ao fazer quadratura ao eixo nodal da Lua. Uma Lua Cheia deveras poderosa e de grandes implicações! Mas antes de olharmos os aspectos, algo que chama a atenção é que esse mapa traz grande presença do elemento Água, cinco pontos no total (Sol, Marte, Saturno, Netuno e Quíron) e apenas Mercúrio em Ar, em seus domínios Geminianos. Isso aponta para uma Lua Cheia que tende a ser bastante emotiva, até mesmo para Capricórnio, visto que o regente da Lua Cheia, Saturno, está em Escorpião. A fase cheia já é naturalmente dramática, pois indica um momento crítico no ciclo, um pico na experiência da busca dos objetivos do período.

500px com
500px.com – Reprodução

Toda essa água também sugere a necessidade de sermos mais amorosos e compassivos, de exercitarmos maior empatia, de olharmos para além do nosso próprio umbigo e estendermos as mãos para outros que porventura precisem de nós, seja o próximo mais próximo, ou mesmo em escalas comunitárias maiores. Nem que seja orando à distancia pelos que sofrem. O que me remete imediatamente ao aspecto mais próximo que Lua e Sol fazem neste mapa: Netuno. A Lua faz sextil e o Sol faz trígono, os dois a apenas 12 minutos de distância da exatidão do aspecto (minuto aqui é a fração de grau). É preciso trazer à luz da consciência (Sol) e também ao coração e ao sentir (Lua), a percepção da interconexão que nos une a todos na teia da vida, seja energia animal, vegetal, mineral – obviamente se isso está para além da espécie, está mais além ainda de identificações políticas, sociais, raciais ou religiosas. Tudo isso de forma muito prática e pé no chão, como requer o signo da Cabra. Até porque em Capricórnio adquirimos a consciência social, o conhecimento de que fazemos parte de uma comunidade, na qual está inserida também nossa família de origem (Câncer), e, portanto, devemos trabalhar não só pelos nossos objetivos e ambições pessoais, mas também pelo melhoramento dessa sociedade em questão.

Norman Duenas , artista americano
Norman Duenas, artista americano – Reprodução

Mas essa Lua Cheia fala mais, muito mais… Como a maior parte das Luas Cheias nos signos Cardinais dos últimos anos, essa novamente ocorre envolvendo Plutão – e por pouco não envolve Urano também! Lembretes ruidosos da necessidade de transformação profunda em nossas vidas, em todos os níveis: pessoal, familiar, profissional, social… Lembretes que são repetidos infinitamente; necessidade de levarmos vidas mais autênticas e mais condizentes com os limites da realidade em que vivemos. Sim, com Capricórnio sempre somos chamados a encarar a realidade como ela é e se Plutão é o par nessa dança, não há escapatória possível.

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Do site Makr.com, via Pinterest Reprodução

Capricórnio também evoca nossa capacidade indubitável para a auto-suficiência, a despeito de nossas cultivadas dependências e apegos. Responsabilidade, deveres, sobriedade, disciplina, paciência, temperança também são atributos deste signo que ficam mais que realçados quando dá lugar a uma lunação.  Contudo, a Lua Cheia convida também a buscarmos equilíbrio nos assuntos representados pelo eixo em que acontece, neste caso Câncer-Capricórnio. Aqui, uma frase que resume bem este eixo é a citação famosa de Che Guevara (que tinha Plutão em Câncer): “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamas”, ou em português claro: “é preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais”.

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Lua Cheia em Capricórnio – 1° de julho de 2015, 23h19min, Brasília-DF

A Lua Capricorniana, além de estar conjunta a Plutão, está em oposição a Marte em Câncer. Uma Lua que não tem medo de nada, que faz da coragem seu lema diário; que encara de perigos atrozes às durezas e obrigações do dia a dia. Mas é preciso vigiar para não se endurecer em demasia e para isso o sextil a Netuno vem bem a calhar, adicionando sensibilidade e compaixão, além de uma percepção onipresente dos sofrimentos do mundo lá fora. pinterestttA oposição Sol-Lua também faz aspecto, como já mencionei, com o eixo Nodal, formando uma Grande Cruz Cardinal (este quadrado vermelho que você vê no centro do mapa), mais poderosamente enfatizada porque hoje Marte está em quadratura exata a este eixo, neste mapa, a apenas três minutos de distância da plenitude do aspecto. De imediato essa Grande Cruz vem salientar, de novo, a necessidade de encontrarmos o equilíbrio entre as várias esferas de vida, doméstica, relacional, profissional, comunitária, como também já sugeri acima. Entretanto, mais do que isso, ela vem nos falar de destino. Sempre que o eixo nodal está envolvido, evoca-se uma qualidade fatalista, de inevitabilidade. E eu pergunto: estamos dispostos a abraçar nosso destino (Nodos lunares) – sim, ele existe, gostemos ou não – e fazer o que tem que ser feito, sem reclamações, sem birras ou tantruns (Sol-Marte em Câncer), assumindo nossas obrigações e deveres com honestidade, responsabilidade, realismo e ainda, sem perder a graça (Lua-Plutão em Capricórnio)?

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As Moiras, Cloto, Lachesis e Átropos, que teciam (Cloto), enrolavam (Lachesis) e cortavam (Átropos) o Fio do Destino – Alegoria de Strudwick 1885 – Reprodução do Wikipedia.

O que é livre arbítrio? O que é o destino? Existe mesmo essa coisa de destino? Eu diria que sim. Pense você: quantas coisas na sua vida aconteceram à revelia da sua vontade “consciente”? Se desconsiderarmos, nesta reflexão, a idéia de reencarnação ou de vida pré-vida, temos que concluir que não escolhemos a família em que nascemos, a cor dos nossos olhos ou pele ou cabelos; a forma do nosso corpo, as condições sociais  ou geográficas em que nascemos e tantos outros “detalhes” que moldaram nosso caráter e nossa experiência terrena… Em Astrologia nós dizemos que isso é Destino. Foi-lhe dado. Ponto. Igual ao seu mapa natal, que lhe foi dado e que representa seus desafios e dons nesta presente vida. É claro que de uma perspectiva espiritual dizemos que tudo isso foi escolhido pela nossa alma em função de nossa evolução, mas essa conjectura é apenas um exercício proposto para refletirmos sobre a dicotomia Destino-Livre arbítrio. Para resumir tal reflexão recorro a Jung, que tem uma das mais brilhantes e certeiras (pelo menos para mim) respostas para este dilema. Ele diz: “Livre arbítrio é capacidade de fazer com alegria aquilo que eu tenho que fazer”. É a isto que a Lua Cheia de hoje nos convida, ou melhor, nos convoca, a fazer com alegria aquilo que temos que fazer, seja isso o que for. Com honestidade, verdade, graça e alegria. E também a perceber que faz parte do nosso “destino”, ter nascido nesta Terra, neste tempo e ser parte dessa grande rede energética de vida. Mesmo que queiramos, não podemos nos desconectar dela.

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Do site magicalnaturetour.com Reprodução

O mapa ainda traz a conjunção Vênus-Júpiter em Leão, exata horas antes da Lua Cheia, lembrando-nos de novo, de como é importante nos sintonizarmos com a alegria e os estados de gratidão, para nos percebermos merecedores das grandes benesses da vida. Que é preciso sonhar grande e que o fato cumprirmos nossas obrigações e comprometimentos não significa, necessariamente, abrir mão de tais sonhos; que é perfeitamente possível conciliar realismo e esperança, otimismo e pé no chão, autoconfiança e sobriedade… Mercúrio, único ponto em Ar, está em sextil muito próximo tanto a Urano em Áries quanto à conjunção Vênus-Júpiter, indicando é possível também ser objetivo, lúcido e otimista, sem deixar de ser compassivo e sensível, como indica o restante do mapa.

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Do site Thebluebirdpatch.com – via Pinterest – Deconheço o autor – Reprodução

Por fim, como sempre, finalizo com o Símbolo Sabiano, que para o grau 09° de Capricórnio traz a seguinte imagem: “Um albatroz comendo da mão de um marinheiro”. Dane Rudhyar em seu livro Uma Mandala Astrológica diz que este grau pertence ao segundo Hemiciclo, que trata do Processo de Coletivização e ainda ao Quarto Ato, o da Capitalização. Ele diz que este símbolo nos fala da superação do medo e suas recompensas. “o homem que irradia perfeita inofensividade pode atrair para si as mais selvagens criaturas e estabelecer com elas uma parceria baseada no respeito e compreensão mútuos. Cada entidade viva tem um papel no ritual da existência no mundo; para além destes papeis específicos, que muito freqüentemente separam uma entidade vida da outra, a comunhão do amor e da compaixão pode aproximar vidas as mais completamente diferentes”, diz Rudhyar. A imagem traz a idéia de nos percebermos, de fato, como parte de uma grande rede energética que inclui todas as formas de vida, com o entendimento implícito de que nenhuma é mais – ou menos – importante do que a outra e que todas estão unidas pela origem em comum: a fonte divina de vida. “Somos apresentados com uma imagem em que o ideal da paz e da felicidade através da cultura, de forma que agora inclui todos os organismos vivos do planeta. O poder de tal cultura inofensividade e compaixão gera CONFIANÇA em todo lugar”, conclui ele.

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Irmão protege a irmã menor nos escombros do terremoto do Nepal – the Guardian Reprodução

Linda Hill expande o tema dizendo que este símbolo sugere a superação de medos, superstições e pensamentos limitantes. E que uma maneira eficiente de superar nossos medos (Capricórnio) é através da gentileza e da disposição em baixar nossa guarda, permitindo que outros possam se aproximar e interagir conosco, sejam humano ou animal. Erguer barreiras entre nós e os outros, tema comum para Capricórnio, pode levar à alienação, não só emocional, mas também em outros níveis da convivência terrena. É importante, pois, largar as preocupações e medos de lado e dar uma chance à aproximação com outros – dar uma “chance à paz”, como diria a frase clichê. Neste cenário, não se vê o marinheiro tentando agarrar o albatroz, o que nos diz de imediato que a relação é livre de dependências, posse ou controle, temas também importantes para o eixo Câncer-Capricórnio.

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Durante a explosão de uma fábrica na Chica, um macaco salva um filhote de cachorro carregando-o do lugar – Themetapicture.com – Reprodução

Concluindo, a Lua Cheia nos chama a assumir e abraçar nosso “Destino” com alegria, com tudo o que ele implica, com responsabilidade e honestidade; a superar dependências emocionais e caminhar na direção da independência e auto-suficiência; sobretudo, a Lua nos conclama a abrir-nos à vida, a celebrar o amor e a compaixão de forma irrestrita, implantando em nosso ambiente e em nosso cotidiano a cultura da paz e da unidade. Feliz Lua Cheia para você! Onde você estiver, com quem estiver, abra-se para a vida, o amor e a compaixão!

Nota: Em termos práticos, a Lua Cheia de Capricórnio favorece o trabalho e a materialização dos objetivos, especialmente favorece as questões financeiras e as ambições profissionais e empresariais. Sugere ainda uma ênfase nos assuntos da casa do mapa em que temos Capricórnio.

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Lifesrecipeforarichsoul.com – Via Pinterest – Reprodução

Vênus em Câncer: parteira e mediadora.

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Arnold Böcklin – Venus Anadyomene Venus   elevando-se do mar Reprodução

Assim como em Virgem, Câncer é outro posicionamento de Vênus pouco explorado e sujeito a clichês e frases feitas: boa cozinheira, grudada na mãe, sensível e cuidadora, sentimental, etc., etc. Mas será que é só isso? Confesso que tendo eu mesma Vênus em Câncer – e eu adoro minha Vênus! – essas definições sempre me frustraram. Não porque não sejam verdadeiras – olha, pode apostar que eu sou uma excelente cozinheira, algumas das minhas especialidades são famosas aqui pelas bandas de Cuiabá, quem provou que o diga – mas porque acho que são superficiais, só contam parte da história.

Câncer é sim, um signo romântico, sensível e compassivo, de natureza introspectiva e de sentimentos profundos. Vênus aqui busca vínculos duradouros, expressa afeto cuidando e nutrindo de formas diversas, fazendo o outro sentir que pertence, seja ao redor de uma mesa abundante, seja ao oferecer compreensão e colo num momento difícil ou mesmo através do riso compartilhado – sim, ela tem humor! E você já viu coisa que favoreça mais o criar laços do que o riso compartilhado? Rir junto das mesmas coisas definitivamente une as pessoas, às vezes mais do que compartilhar momentos tristes ou lágrimas (1).

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Erika Craig – Reprodução

Tímida, quando atraída por alguém, vai “comer pelas beiradas” e dificilmente usará a abordagem direta – a não ser que haja outros posicionamentos no mapa indicando o contrário – por receio de se machucar. Sim, pode ser um posicionamento defensivo e o receio de se entregar existe porque o indivíduo sabe que uma vez entregue, não tem volta: a entrega é profunda, por inteiro, corpo e alma – daí a necessidade de se preservar, porque da mesma maneira, se a entrega é tão profunda, as marcas serão indeléveis e caso a relação dê errado, será muito difícil se desvincular e superar a perda. Não existe estar “mais ou menos envolvido com alguém”, ou se envolve ou não – algo muito diferente da Vênus Geminiana. Vulnerável, vai fazer muito para esconder o que realmente sente para não se expor e só se revelará realmente se se sentir em águas seguras.

homem e mulher
Reprodução

Segurança emocional, vínculos duradouros, pertencimento, compaixão, intimidade profunda são certamente valores desta Vênus tão tenaz quanto sensível. Mas para além dos vínculos afetivos e dos sentimentos profundos, o que mais expressa e significa essa Vênus? Vênus em Câncer, diz Liz Greene (2), é uma parteira, uma mediadora que se conecta com os reinos oceânicos da imaginação e que busca trazer à luz e dar forma a essa riqueza oceânica de imensa e infinita criatividade. Ela tem uma conexão profunda com esses tesouros ancestrais e oceânicos e quer ser amada de maneiras várias que a ajudem a manter essa conexão, a trazer toda essa fecundidade à luz, que a ajudem a ser essa parteira que dá vida a esses elementos incorpóreos, a mediar os reinos invisíveis para o reino do visível. Dar forma à incomensurável criatividade e imaginação. Esse é o seu valor mais profundo: a fecundidade da natureza e da vida, por isso seu instinto de proteção é tão aguçado.

Robert Hagan, Australia
Robert Hagan, artista australiano – Reprodução

Câncer é regido pela Lua e Lua e Vênus têm muitas afinidades: as duas querem vinculação, as duas são gregárias, portanto, não é à toa que a Lua está exaltada em Touro. A Lua é o luminar que representa tanto os sentimentos quanto o corpo, e em Câncer, Vênus conecta-se de forma visceral, tanto a partir do sentimento quanto a partir do contato físico, do corpo – daí sua sensualidade também enorme, embora não tão explícita quando em Touro – porque o corpo é o templo do sentir e através do qual, sendo ela parteira, tantos “filhos” e criações são paridos, sejam filhos de carne e osso, sejam eles poemas derramados, canções enlevadas ou telas carregadas de sentimentos, não importa, o importante é que serão conteúdos que tocam o cerne da alma das pessoas de uma forma difícil de definir – como indefinível e misteriosa pode ser também essa Vênus.

Reprodução
Reprodução

Câncer é o signo também da memória e aqui Vênus guarda lembranças preciosas de todas as relações. Gosta de guardar objetos de valor sentimental e às vezes pode ser difícil se desfazer deles, assim como pode ser difícil esquecer os amores. Há grande dificuldade de se desapegar dessas recordações palpáveis, como cartas, presentes, bilhetes, uma flor, um artefato qualquer que lembre aquele encontro ou aquele dia especial… E como tal, vai ter dificuldade de dizer adeus, apegada a todas essas lembranças. Às vezes, Vênus em Câncer luta para esquecer um amor que não deu certo, uma relação desfeita, mas sabota a si mesma porque apega-se ao próprio sofrimento, porque paradoxalmente sente que depois de tudo terminado, o sofrimento que restou é a única coisa que a liga ao bem amado, agora fora do seu alcance… Até que ela perceba que se apega ao sofrimento como forma de manter viva a memória do amor perdido, chorará rios de lágrimas, delongando, desnecessariamente, sua dor. É, definitivamente desapego não é o seu forte (2).

Reprodução
Reprodução

Dependência emocional pode ser um problema, mas apenas se o indivíduo não descobriu e solidificou um senso de valor e auto-estima próprios; se a parteira não está de fato trazendo `à luz vida nova, se não é a medium, o canal que contribui de uma forma toda sua com a beleza no mundo. É necessário manifestar o potencial criativo, sentir-se fecunda e doadora de vida, sentir que tem valor em si mesma, independente do outro estar ou não na sua vida. Porque dependência emocional e apego estão diretamente relacionados com falta de autoconfiança e de auto-estima sólida e saudável. A dependência também é equilibrada caso haja Fogo e Ar suficientes no mapa ou um Saturno ou Urano fortes para contrabalançar uma possível necessidade excessiva de vinculação, se for o caso – para traçar um retrato completo de Vênus, ou de qualquer outro planeta, sempre é preciso levar em conta signo, casa e os aspectos. Vênus em Câncer ligada a Urano dá uma coloração bem diferente, assim como aspectos a Plutão ou a Saturno, e assim sucessivamente.

Christian Schloe voyage
Christian Schloe – Voyagem – Reprodução

Em termos práticos, Vênus em Câncer costuma gastar dinheiro criando um lar aconchegante, agradável, um verdadeiro ninho, já que tem talento de sobra para tanto e se outros aspectos no mapa concordarem, pode até dispensar o decorador. Pode ser sim, ótima cozinheira e cuida dos outros nutrindo-os literal ou figurativamente, mas isso também vai ser expressão dessa conexão com a natureza profunda das coisas, um ato criativo que se disfarça de prosaico. Segurança financeira é importante, tanto quanto a emocional e dependendo do resto do mapa, também pode ser ótima poupadora, tendo um feeling admirável para saber a hora de investir e a hora de esperar.

Vênus trafegando por Câncer favorece especialmente aos Cancerianos de Sol, Lua ou Ascendente. É um período propício para dar uma repaginada no visual, para encontrar amigos e ganhar presentes; para embelezar o lar e fortalecer os laços amorosos.

E você, que tem Vênus em Câncer, se reconheceu nesta descrição? Deixe aqui seus comentários!  E viva essa Vênus romântica, mas também extremamente rica, possuidora de grandes tesouros escondidos, inescrutáveis e inefáveis!

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Reprodução de Journeytothegoddess

Fontes:

(1) Sue Tompkins – The Astrologers Handbook – Flare Publications

(2) Liz Greene – Venusian Mysteries – Seminário proferido no CPA, no Outono de 2009, Londres, UK

(3) Stephen Arroyo – Chart Interpretation – ACRCS Publications