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A Semana Astrológica – Parindo um Novo Eu

Bob du Bois – Reprodução

Semana de Lua Nova, que sinaliza novos começos e novos projetos, além de mais um momento importante na transformação das nossas crenças, da ética e da espiritualidade.

A semana traz movimentos importantes e um dos principais é a Lua Nova, ocorrendo a 07°37’ de Áries, já na segunda-feira, indicando o início e um novo ciclo lunar, fase propícia para lançar novas ideias e intenções no mundo – lançar as ideias e intenções, começar mesmo, só lá pelo terceiro dia. É uma Lua Nova que nos convida a nascer de novo, mas nós mesmo é que nos geramos e nos parimos

N. C. Winter – Bein Art Gallery – Reprodução

Outro movimento importantíssimo é a segunda quadratura de Júpiter e Plutão, que ocorre na quinta-feira, dia de Júpiter. Esta segunda quadratura sugere um momento de reavaliar as primeiras mudanças e transformações iniciadas por volta de 24 de dezembro último, quando Júpiter fez o aspecto pela primeira vez. Agora Júpiter está retrógrado e nos convida a repensar e talvez aprofundar essas modificações. Este aspecto sugere um período em que indivíduos e sociedades precisam transformar suas crenças, sua relação com o divino e sua espiritualidade em geral. Em termos mais mundanos, também indica períodos de mudanças importantes e profundas na feitura de leis, assim como nos pede que reavaliemos nossos códigos éticos, nossa relação com o poder, o quanto talvez tenhamos comprometido essa ética, em favor de adquirir/conseguir mais poder, seja esse poder de ordem material ou de ordem mais abstrata. Júpiter está retrógrado até o dia nove de junho e fará a última quadratura a Plutão, deste ciclo, em quatro de agosto, quando então Plutão estará retrógrado.

De Es Schwertberger – Reprodução

Marte trafega Touro e ainda segue em recepção mútua com Vênus até o dia dois de abril. Esta semana Marte faz um aspecto harmônico a Netuno, sugerindo um período em que nossa ação fica mais imaginativa e criativa, em que também nos sensibilizamos mais e conseguimos nos colocar no lugar do outro, pensando que tipo de impacto a nossa ação terá sobre este outro. Como Marte também faz outro aspecto bastante inconsciente a Saturno, talvez tenhamos momentos de insegurança e dúvidas sobre nossas capacidades, as certezas e estabilidade de Touro sendo questionadas em algumas situações… O convite é para olharmos para além dos literalismos, além do mundo sensorial e ousarmos considerar outras hipóteses da esfera do não-palpável. Só porque não vemos, não quer dizer que não exista!

Adi Dekel – Reprodução

Vênus, em marcha à ré, retorna a Peixes, signo de sua exaltação… Está ainda mais introspectiva e na última fase do período de retrogradação em si. A sensibilidade fica particularmente aumentada, mas também nossa percepção sutil de como temos vivenciado nossos afetos e relações. Em Áries, percebemos que não há relação equilibrada se só pensamos no outro; que precisamos estar inteiros e seguros de nós mesmos, saber o que realmente queremos, para podermos viver relações saudáveis; em Peixes voltamos a nos lembrar do amor próprio, o saudável amor a nós mesmos nos deixa fortes e mais aptos a nos doar de maneira segura e honesta ao outro, para além das relações pessoais um-a-um. O mergulho nas próprias motivações afetivas se aprofunda e a semana propicia muitos insights importantes nesta área.

Reprodução

O Mercúrio Ariano tem uma conversa sóbria, mas inspirada com Saturno em Sagitário quarta-feira, antes de migrar para Touro, dois dias depois. É hora de assentar a cabeça e verificar as consequências concretas das revoluções, revelações e iluminações recentes, captadas quando do trânsito de Mercúrio pela T-Square Júpiter-Urano-Plutão. O que fazemos de concreto com tudo isso? O que é possível realmente? Ingressando em Touro Mercúrio sinaliza um período de maior deliberação, a mente fica mais cautelosa e quer “ver para crer”. O trânsito por Touro é mais importante porque Mercúrio fará sua próxima retrogradação neste signo, a partir de nove de abril.

O Sol está relativamente sossegado nesta semana, sem fazer aspectos a outros corpos celestes, apenas recebendo os contatos lunares… Lá pelo meio da semana começa a se opor, de longe, a Júpiter e a quadrar Plutão, aspectos que ocorrerão na semana que vem, o que sugere que a próxima, será mais uma semana de extremos e de algumas crises pipocando mundo afora.

Catrin Welz-Stein – Reprodução

A Lua abre a semana ainda na fase Balsâmica em peixes, mas se renova em Áries na noite de segunda-feira, inaugurando um novo ciclo. Fica mais fecunda em Touro e entra na fase Semi-Crescente em Gêmeos, fechando a semana já em Câncer, seu domicílio.

Reprodução – Desconheço o autor

SEGUNDA-FEIRA, 27 de março – A Lua Balsâmica, em Peixes, fez conjunção a Quíron e depois quadratura a Saturno em Sagitário, ficando vazia depois deste contato, às 07h20min. Ingressa em Áries às 11h11min e logo faz conjunção a Vênus retrógrada. A Lua se renova a 07°37’ de Áries, às 23h57min de hoje (04h57min do dia 28 para Lisboa). Marte está em sextil pleno a Netuno em Peixes e em sesqui-quadratura a Saturno. A segunda começa lentamente, demandando tempo e esforço extra para sairmos da cama e iniciarmos as atividades. Ressentimo-nos dos deveres e compromissos que nos obrigam a abandonar o mundo mágico de sonhos e o adiamento da lida com a realidade… Mas ela, a realidade, está ali, à nossa espera, ao cruzar a soleira da porta do quarto. E a manhã fica assim: meio pesada talvez até um pouco mal-humorada. De qualquer forma, não há muito o quê discutir e logo entramos num acordo com o dia e nos dispomos a fazer o que tem que ser feito – o que não tem remédio, remediado está. Pelo fim da manhã a energia muda de forma radical e nos imbuímos de novo entusiasmo e vigor, arregaçando as mangas e nos atirando às tarefas com mais ímpeto e determinação, uma determinação temperada com a percepção sutil de detalhes que antes teriam fugido aos nossos olhos e faro. Este novo ânimo deixa o dia colorido de nova disposição, uma intuição fina nos dizendo que podemos sim, modificar muitas coisas em nós que antes nos deixavam impotentes. A Lua se renova no fim da noite, quase na virada do próximo dia, tendo como único aspecto a conjunção a Vênus retrógrada – tem uma quadratura super ampla a Saturno em Sagitário. Essa Lua Nova joga ênfase extra sobre os temas de Vênus retrógrada em Áries e nos convida a ousar ser nós mesmos, ser exatamente o que nós somos, sem desculpas e sem receios; a brigar pelos nossos valores, a nos colocar em primeiro lugar, antes de ir atrás de outros. Para amar a um outro completa e genuinamente, precisamos amar visceral e integralmente a nós mesmos, com todas as nossas dificuldades, como nosso lado mais nobre e também com as facetas mais sombrias de nós mesmos. Enquanto não tivermos esse auto-amor forte e maduro, ainda não estaremos aptos a amar a um outro verdadeiramente, porque estaremos incompletos e buscando no outro preenchimento para os buracos emocionais, que só nós mesmos podemos preencher. Leia o artigo sobre a Lua Nova em Áries.

Johnson Tsang – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 28 de março – A Lua, renovada em Áries, faz hoje quadratura a Plutão e oposição a Júpiter e fecha a noite em conjunção a Urano. Marte se afasta do sextil a Netuno e vai se aproximando do trígono a Plutão, exato na semana que vem. Dia tempestuoso, sujeito a muitas altercações, pampeiros e pequenas explosões. Temos grande necessidade de independência e ação autônoma, mas estamos também impacientes e impulsivos e encaramos como desafio qualquer olhar meio torno que vemos pela frente. Ocorre que a grande necessidade de independência é exacerbada e entra em conflito com as imposições colocadas sobre nós por figuras de autoridade, mais poderosas que nós. Recusamo-nos a nos dobrar diante de tais imposições, mas ao fazer isso, invocamos sobre nós forças ainda mais potentes. Precisamos ter cautela porque toda essa insubordinação, além de nos deixar em maus lençóis e atrapalhar nossas realizações, ainda pode nos criar problemas de ordem prática, visto que não prestamos atenção a regras e nos indispomos com o jeito tradicional de fazer as coisas, ignorando detalhes importantes, deixando coisas pela metade ou feitas de qualquer jeito. No mínimo, podemos chegar ao fim do dia desgastados e deixando atrás de nós um rastro de desafetos e cacos de situações mal resolvidas pela nossa imaturidade e imprudência. Tanta irritação pode vir também do excesso de energia mal canalizada e mal aplicada, portanto, urge achar a forma adequada de usar e dispender toda essa energia de alta voltagem, assim ela poderá ser produtiva e realizar algo positivo, ao invés de criar atritos e confusões por onde passarmos. Outra coisa que pode ajudar é não levar tudo para o lado pessoal, armar-se de paciência, manter a irritação em cheque, certificar-se de concluir tudo aquilo que começar e, principalmente, como já dito acima, achar algo produtivo para fazer, de preferência, sozinho, porque o dia não está muito favorável para trabalhos em equipe.

Catrin Welz-Stein – Reptodução

QUARTA-FEIRA, 29 de março – Mercúrio em Áries está em trígono pleno a Saturno em Sagitário. A Lua, Ariana e nova, completa a conjunção a Urano e depois também faz conjunção a Mercúrio e trígono a Saturno, ficando fora de curso depois deste aspecto, às 09h08min. Ingressa em Touro às 12h49min e fica várias horas sem fazer aspectos maiores a ninguém. Ao contrário de ontem, o dia hoje traz um belo potencial de canalizarmos a energia marciana da melhor forma possível: temos muitos recursos à nossa disposição, além de uma intuição aguçada e a sincronização perfeita entre mente, corpo e movimento estratégico, de modo que nos sentimos no controle não só das nossas emoções, mas também dos pensamentos e, consequentemente, do ambiente imediato, o que nos ajuda a Avançar nas atividades e talvez até a consertar alguns dos estragos que cometemos no dia anterior. A disciplina e senso de ordem que nos faltava ontem, hoje é um recurso acessível dentro de nós, assim como a perseverança e a autoconfiança de quem sabe o que está fazendo e o faz de forma efetiva e eficaz. Talvez até, olhando em retrospecto, consigamos apreender algumas lições dos erros cometidos anteriormente, algo que chega a nós em algumas horas de reflexão e insights que podem pipocar do meio da manhã até o início da tarde. Insights que depois pensamos em como manifestar de forma prática e concreta, de modo a trazer melhorias a nós mesmos. A tarde está mais calma e nos dedicamos ao trabalho ou às tarefas com pragmatismo, sem pressa e sem correria, apenas apreciando o gosto de estar onde estamos e de fazer o que fazemos. A introspecção favorece a digestão adequada das crises, mas pode nos deixar um tanto alheados da vida ao redor, portanto, nada de visões excessivamente subjetivas das coisas e situações.

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QUINTA-FEIRA, 30 de março – Júpiter está em quadratura partil a Plutão, a segunda de uma série de três. Em Touro a Lua faz conjunção a Marte e ativa a quadratura Júpiter-Plutão ao fazer trígono a este e quincúncio àquele. Fica vazia depois do trígono a Plutão, às 20h13min. O dia e a semana trazem situações, pessoais ou sociais/coletivas, que nos ensinam mais algumas lições sobre nossas ambições e a fé que temos de realiza-las. Situações que nos fazem questionar nossa ética pessoal e a ética vivenciada no meio em que nos encontramos. Até que ponto comprometemos nossa ética e nossa verdade para realizar ambições e desejos de poder? Será que temos exercido nosso quinhão de poder de forma adequada, justa, íntegra e honesta? Ou será que apenas nos preocupamos em crescer pessoalmente, ignorando se tal crescimento se sustenta ou se promove melhorias verdadeiras, para além daquelas visíveis e materiais? Como nossas ambições materiais interferem com nosso senso de ética? Será que andam juntas ou será que se contradizem? Além de todas essas reflexões, o dia traz uma influência de deliberação vagarosa acerca de tudo o que fazemos e realizamos, tanto no plano concreto, quanto no plano mais filosófico. É propício para refletirmos sobre o impacto concreto de nossa presença no mundo, naquilo que construímos, que produzimos, que consumimos, que eliminamos. Para termos mais conforto, estabilidade e riqueza, vale passar por cima de tudo e de todos? Vale vender a alma ao diabo? Quantas almas temos para empenhar? Já não podemos fingir inocência ou ingenuidade e dizer que não sabemos onde estamos indo em nossos intentos – seremos cobrados em algum momento, portanto, precisamos nos responsabilizar pelo impacto da busca por conforto, posses, poder, controle. E para isso é preciso integridade – a quantas anda a nossa?

Brooke Shaden Photography – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 31 de março – A Lua abre o dia vazia em Touro e ingressa em Gêmeos somente às 13h41min de onde logo se afina com Vênus retrógrada em Áries. A Lua faz sesqui-quadraturas a Plutão de um lado e a Júpiter de outro, virando foco de um Martelo. A Lua Geminiana ainda faz semi-quadratura ao Sol Ariano, entrando na fase Semi-Crescente. Mercúrio ingressa em Touro às 14h31min. Dia arrastado, langoroso, em que tudo parece demorar para acontecer e decolar. Sobra preguiça, falta iniciativa. Mas iniciativa existe, só não é a hora adequada de utilizá-la, e o melhor seria nos afinarmos com o corpo vai pedindo. Ao invés de brigar contra isso, precisamos usar tais influências a nosso favor, utilizando a energia da lentidão para deliberar e refletir sobre questões profundas e para nos aplicar a coisas e situações que porventura ainda estejam pendentes ou por terminar. Atividades e tarefas que demandem paciência, resistência, concentração, pragmatismo. Não adianta se irritar se as coisas saírem diferentes do planejado, rigidez só nos deixará mais indispostos e irritados. À tarde o clima muda e fica mais dinâmico e sociável, temos um impulso para sair do casulo e nos conectar com outras pessoas, aventar e ventilar novas ideias, bater pernas na busca de sincronias mentais e até emocionais. Talvez a primeira hora da tarde traga algum desassossego, ansiedades advindas não se sabe de onde e que demandam um pouco de cuidado com o que fazemos ou dizemos, para sermos impulsivos demais. Pelo meio da tarde a mente tende a se acalmar, mas as emoções ficam na berlinda e ainda há resquícios de inquietude, uma autocobrança que nos pressiona e que pode se manifestar como atividade febril, excessos verbais, falas cortantes e letais – portanto, precisamos vigiar a língua para que nossas inseguranças internas não repercutam negativamente sobre outros. A Lua entra na fase Semi-Crescente, sinalizando o momento ideal de começar os projetos intencionados e idealizados na Lua Nova. Hoje já devemos ver o anel fino da Lua no céu, sinalizando esse momento adequado de dar o primeiro passo – A Lua Nova é o momento de lançar intenções, mas não de começar propriamente as coisas – isso porquê, quando nova, a Lua está totalmente escura e combusta, ofuscada pelo Sol, ou seja estamos muito subjetivos e não temos clareza suficiente para começar as coisas, que lá na frente podem nos trazer algumas surpresas. Portanto, o ideal é começarmos a partir do terceiro dia depois da Lua Nova.

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SÁBADO, 1° de abril – De Gêmeos a Lua faz quadratura a Netuno em Peixes, sextil ao Sol Ariano, trígono a Júpiter em Libra e quincúncio a Plutão em Capricórnio. Marte entra em orbe de quincúncio a Júpiter. O dia traz uma grande propensão à instabilidade emocional, do tipo gangorra emocional. Mudamos de humor o tempo todo, ora ficando eufóricos, ora deprimidos e sorumbáticos, confusos e perdidos nas teias das nossas próprias emoções, sentimentos, pensamentos e sensações. Não nos damos conta que sentimos não só o que é nosso, mas também captamos influência externas, tão sensíveis que estamos. Mas podemos utilizar essa sensibilidade para nos engajar em atividades criativas que fortaleçam nossos propósitos e que propiciem um melhor entendimento desses processos interiores. Ao chegar a esse entendimento, temos uma percepção mais clara de seus significados e podemos mesmo usar isso como propulsão para melhorias, crescimento e transformação pessoal, que pode até repercutir positivamente nas nossas relações. Em momentos de maior estresse e ansiedade, não podemos esquecer de respirar profundamente, para recuperar o rumo e o prumo – isso não só nos fará arejar as ideias, mas também trará o necessário centramento psíquico e emocional.

Brooke Shaden Photography – Reprodução

DOMINGO, 2 de abril – A Lua Geminiana se afina com Urano em Áries, mas faz quadratura a Quíron e oposição a Saturno, tornando Quíron foco de uma T-Square Mutável para lá de espinhosa. Fica vazia depois da oposição a Saturno, às 11h45min e ingressa em Câncer às 15h27min, de onde logo conversa, amorosa, com Mercúrio em Touro. Vênus retrógrada regressa a Peixes, às 21h26min. Embora amanheçamos com ótimas ideias e palpites inovadores para movimentar a vida e trazer soluções, a manhã está pesadona e espinhosa, porque tais ideias parecem pueris quando apresentadas a outros. Sentimo-nos criticados, julgados e expostos, feito criança pega fazendo malinação e isso repercute não só no humor, mas na produtividade, que fica comprometida, porque nossas inseguranças nos impedem de ver além das críticas, reais ou imaginárias, de modo que talvez fiquemos paralisados numa espiral de preocupações e pensamentos sombrios e lamurientos, originários da consciência aguda de nossas deficiências e mediocridades, que parecem estar mais afloradas hoje. Há um sentimento de abandono, de rejeição e de frieza, que não favorecem as interações. Sendo domingo, esse clima não beneficia muito as reuniões familiares, que ficam propensas a mal-entendidos e conflitos, do tipo em que se diz a coisa mais dolorosa, na hora mais inadequada, deixando o outro em carne viva – isso se pode se refletir particularmente na relação entre irmãos. Para que tal influência não se manifeste dessa forma nefasta, é preciso estarmos muitos cientes de que o dia está melindroso e do quanto todos estamos suscetíveis e sensíveis. Talvez tenhamos dificuldade de aceitar as limitações alheias porque não lidamos bem com nossas próprias inadequações e vê-las refletidas no comportamento do outro pode ser doloroso por demais. Se pelo menos nos damos conta de efeito espelho, ainda podemos conter nossa crítica, do contrário, aumenta a propensão aos desentendimentos. Pelo meio da tarde talvez encontremos uma via de expressão e entendimento, mas ainda precisamos ter cautela porque as sensibilidades estão mais aumentadas e se não tivermos tato, podemos até piorar as coisas. O ideal é não sermos invasivos e respeitarmos o tempo do outro e também o nosso. À noite, talvez consigamos buscar uma reaproximação e, quem sabe fazer as pazes trocando chamegos e cafunés.

Uma ótima semana para você! Que iniciemos uma nova vida e novos projetos e principalmente, plantemos mais amor, que ousemos amar mais, a nós mesmos e aos outros!

Amanda Cass – Reprodução
Catrin Welz-Stein – Reptodução

Lua Nova em Áries – Semeando Independência e Autonomia

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A Lua se renova a 07°37’ de Áries nesta segunda, dia 27 de março, às 23h57min no horário de Brasilia – 04h57min do dia 28 de março para Lisboa. Áries é o primeiro signo do Zodíaco, é o Fogo Cardinal, da iniciativa impetuosa e pioneira, assim, a primeira Lua Nova do Ano Astrológico sinaliza um tempo de novos começos e darmos o pontapé inicial em projetos frescos, inéditos e pioneiros. Sinaliza uma forte energia de lançar sementes e intenções pioneiras, de nos sintonizarmos com a audácia e a coragem mais puras dentro de nós. Áries traz presente a energia do parto, a luta de vida ou morte, da mãe para dar à luz, e da criança para nascer. Por mais confortável que seja o útero, ela tem que sair de lá e abrir um novo caminho, e ousar avançar para a nova etapa do seu processo de desenvolvimento, senão, morrerá. Então, Áries nos convida a nascer de novo, a recomeçar, a sacudir a poeira, as teias de aranha que foram se acumulando durante a hibernação Pisciana e dar o grito estridente do bebê que respira sozinho pela primeira vez. Podemos nos alinhar com a experiência arquetípica dessa primeira vez, dessa primeira respiração e começar. De novo.

“Seres humanos não nascem de uma vez por todas no dia em que suas mães lhes dão à luz… A vida os obriga de novo e de novo a parirem novamente a si mesmos”                                                                  Gabriel García Márquez 

Lua Nova em Áries – Brasília, 27 de março de 2017, 23h57min.

Essa lunação acontece em conjunção a Vênus retrógrada e este é o único aspecto próximo. Há uma quadratura de quase dez graus a Saturno, mas como é separativa (já aconteceu), já não a consideramos. Isso joga uma ênfase grande sobre os temas da retrogradação de Vênus por Áries, particularmente porque Vênus está em recepção mútua com Marte, regente da Lua Nova – a recepção mútua acontece quando dois planetas ocupam signos regidos um pelo outro, exemplo, Vênus trafega Áries que é regido por Marte, que está em Touro que é regido por Vênus. Na recepção mútua os dois planetas estão numa dança cooperativa e neste caso, isso diminui um pouco os efeitos “negativos” do detrimento/queda dos posicionamentos – no caso, Vênus está em detrimento em Áries.

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O ciclo de retrogradação de Vênus é o mais especial e raro de todos e tem uma simbologia e psicologia peculiares, como já falei em outros artigos. Em Áries Vênus está em detrimento exatamente porque a natureza deste planeta é gregária, é diplomática, é de construir relações e de negociar, mas em Áries, Vênus prima pela independência, pela autonomia e não irá comprometer estes valores facilmente em função de ser parte de um casal, de estar num relacionamento. Quando retrógrada neste signo, sinaliza exatamente a necessidade de nos voltarmos para nós mesmos, de sermos mais independentes, corajosos e pioneiros nas nossas buscas pessoais; de cuidarmos primeiro de nós, antes de nos voltarmos para outros.

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A Lua Nova vem enfatizar isso mais um pouco, como se não tivéssemos escapatória, como se tivéssemos que lidar com isso, queiramos ou não. Essa Lua Nova nos convida a ousar ser nós mesmos, ser exatamente o que nós somos, sem desculpas e sem receios; a brigar pelos nossos valores, a nos colocar em primeiro lugar, antes de ir atrás de outros. Para amar a um outro completa e genuinamente, precisamos amar visceral e integralmente a nós mesmos, com todas as nossas dificuldades, como nosso lado mais nobre e também com as facetas mais sombrias de nós mesmos. Enquanto não tivermos esse auto amor forte e maduro, ainda não estaremos aptos a amar a um outro verdadeiramente, porque estaremos incompletos e buscando no outro preenchimento para os buracos emocionais, que só nós mesmos podemos preencher… Então, é tempo de dizer, verdadeiramente: EU ME AMO!

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O destaque para esse tema da independência é amplificado e repetido diversas vezes. Primeiro pela supremacia do elemento Fogo nesta lunação; ao todo temos quatro planetas em fogo, além dos luminares, Sol e Lua, totalizando seis corpos celestes neste elemento – o destaque é o grande stelium em Áries: Vênus, Sol, Lua, Urano e Mercúrio. Isso também sugere a possibilidade de estarmos muito afoitos, impulsivos e, portanto, precisamos ter ponderação antes de correr certos riscos. Para isso, a posição de Marte em Touro, longe de ser problema, vem ser algo positivo, porque traz exatamente essa ponderação, essa deliberação que a afoiteza de Áries precisa ter para não dar cabeçadas à toa. Mais, Marte está em aspecto positivo com Netuno em Peixes, aspecto exato hoje, o que traz grande empatia e sensibilidade e também ajuda a moderar o famoso “egoísmo” Ariano. Marte também faz trígono amplo a Plutão, que ajuda a equilibrar a placidez de Touro, porque adiciona estamina e vigor, fortalecendo a vontade e a determinação. Marte ainda faz uma sesqui-quadratura a Saturno que, ao mesmo tempo que pode significar inseguranças inconscientes, também pode trazer disciplina e a capacidade de usarmos nossa força e talentos de maneira sábia. O aspecto a Saturno alerta que nosso pior inimigo pode ser nós mesmos e que precisamos ficar atentos ao sabotador interno.

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Mas um dado que salienta muito o tema da independência, liberdade e autonomia, é o destaque que Urano tem neste mapa. Vênus está em paralelo a ele, com distância de quatro minutos, por declinação. O aspecto paralelo funciona de forma semelhante a uma conjunção, o que torna a Vênus retrógrada Ariana mais destemida, audaz, autônoma, insubmissa e livre. Urano também está destacado de outras formas, porque está no Ponto Médio entre o Sol e a Lua Nova e Marte, seu regente, Marte, sugerindo novamente a necessidade de sermos independentes e livres, mas também sermos inovadores, criativos e progressistas em nossos objetivos e novos propósitos. Negativamente, esse aspecto indica irritação, raivas que irrompem abruptamente, tendência à precipitação e atitudes impulsivas e imaturas, requerendo de nós muito pé no chão e centramento para não deixarmos que tais influências nos tirem do nosso eixo. Especialmente para as mulheres, indica experiências abruptas que podem significar mudanças radicais no comportamento e na vida emocional. E, claro, Se Sol e Lua estão conjuntos a Vênus, Urano também está no Ponto Médio entre Vênus e Marte, só que num orbe bem mais apertado, de apenas 22 minutos. Para Ebertin, Urano = Vênus/Marte (Urano no Ponto Médio de Vênus e Marte), indica “desejo apaixonado expressão excessiva de amor. Um despertar repentino de paixão física, uma força irresistível de desejo e talvez até agressão sexual”. (1). A meu ver, essa posição de Urano, além de sugerir essa paixão intensa, como diz Ebertin, também sugere a necessidade de preservarmos nossa individualidade e autonomia, se for para tal paixão prosperar, do contrário, aquilo que nos unia pode nos separar depois, como é típico das paixões significadas por Urano. Mas em termos mais gerais, como disse antes, creio que enfatiza duas necessidades: primeiro a de independência emocional e segundo, a de arrojo e originalidade.

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Mercúrio, por sua vez, também está conjunto a Urano e ainda na configuração de T-Square entre Júpiter-Urano-Plutão, movimentando e mudando pensamentos, opiniões e crenças. Se está conjunto a Urano, obviamente, também está no Ponto Médio entre A Lua Nova/Sol e seu regente Marte, só que muito mais próximo, simbolizando a necessidade de pensar muito antes de lançarmos nossas iniciativas, mas também sugerindo disposição para a ação, a capacidade de planejar, o lutador estratégico e a possibilidade de alinharmos propósitos, necessidades e a nossa ação executiva através do planejamento lúcido e estratégico. Mercúrio nesta posição ajuda, de certa forma, contrabalançar o fato de termos pouco Ar ativado nessa lunação, sendo Júpiter singleton neste elemento. Isso, aliás, dá grande destaque a Júpiter, que também puxa a Locomotiva que é esse mapa. Assim, Júpiter nos diz que precisamos ser otimistas, a despeito dos cenários difíceis. Otimistas cautelosos e ponderados, é claro, uma vez que Júpiter está retrógrado e que a Lua está também em quadratura ao Ponto Médio entre Júpiter e Quíron, ou seja, precisa ser um otimismo que leva em conta as limitações e as impossibilidades, mas não se deixa abater por elas. Marte, aliás, também faz quadratura ao Ponto Médio entre Saturno e Quíron e aqui há o risco de sucumbirmos diante dessas limitações e do peso de fracassos anteriores, de nos paralisarmos pelo medo de vermos reabertas antigas feridas, de modo que Júpiter ganha ainda mais importância. E Vênus, que está tão destacada, também está no Ponto Médio entre Urano e Netuno, sugerindo alta sensibilidade e um tipo muito peculiar e específico de amor, de acordo com Ebertin (1). Visto que Vênus está retrógrada em Áries, eu diria que esse tipo peculiar de amor é o amor a si mesmo, não o narcisismo – que aliás, nem é amor realmente – mas o amor genuíno de quem se entende e se aceita como é, e se defende e respeita, se gosta, se admira, a despeito de todas as imperfeições. Vamos repetir, como mantra: EU ME AMO!

DailyMail – reprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 8 de Áries (07°37’) traz uma imagem interessante e feminina: “Um grande chapéu de mulher, com flâmulas, soprado pelo vento leste”. Este símbolo também nos reporta à atual posição de Vênus: é um símbolo que traz uma imagem feminina, mas usando um chapéu, um adereço tipicamente Ariano, visto que é usado para proteger a cabeça, contra o Sol, chuva ou frio, cabeça que é regida por Áries, signo masculino. Este símbolo pertence ao primeiro hemiciclo, que trata do processo de individualização, e também pertence ao que Dane Rudhyar (2) chama de Ato de Diferenciação, no nível da ação. Ele, ao analisar este símbolo nos lembra que “neste nível cultural-emocional, os processos mentais ainda estão subdesenvolvidos” – alô Mercúrio, olha a importância do pequeno aqui! – “assim, eles precisam de proteção contra as forças elementais da vida”. Rudhyar continua: “uma abertura grande demais a essas energias oferece o risco de alguma obsessão. A imagem simbólica sugere um vento muito forte, sobrenatural e, especialmente, forças psíquicas. Tal vento é originário no Leste tradicionalmente visto como o local das influências criativo-transformadoras de espiritualização. As flâmulas do chapéu indicam tanto a reação ao vento como também sua origem. Em outras palavras, o símbolo sugere um estágio de desenvolvimento da consciência no qual os poderes nascentes da mente são protegidos, ao mesmo tempo em que são influenciados pelas energias de origem espiritual. Isso também indica um estágio probatório no processo de individualização. Sob uma orientação protetora uma pessoa ainda muito receptiva (uma mulher) é influenciada por uma força espiritual. Esse símbolo propõe ainda resultados sequenciais que requerem proteção e sensibilidade”. O tom do símbolo é a “proteção e orientação espiritual no desenvolvimento da consciência”. Assim, a Lua Nova ocorrendo neste grau, que tem este símbolo, nos sugere um ciclo e um momento de grandes potenciais de desenvolvimento do processo de individuação e de termos acesso a informações privilegiadas, que podem tanto vir do alto, quando de dentro de nós mesmos, se nos sintonizarmos com nossos mentores e guias espirituais, informações que podem iluminar e propiciar nosso crescimento e maturação.

Reprodução

Concluindo, a Lua Nova inaugura um tempo de lançarmos novas sementes e intenções, não somente para o ciclo lunar, mas para todo o ano e até mesmo para a vida; de desbravarmos novos territórios, de nos colocarmos na vanguarda da nossa própria vida, ao invés de esperarmos passivamente que as coisas se resolvam para nós e, para isso, precisamos ter clareza de propósitos e determinação constante, porque, como diz Sêneca, “nossos planos são abortados porque não temos uma intenção clara. Quando você não sabe para que porto está indo, nenhum vento será o vento certo”. É um convite a nos tornarmos mais independentes e autônomos, a fortalecermos nossa autoestima e o amor próprio, a confiarmos na nossa própria luz e orientação interna, porque só assim teremos segurança e confiança para buscarmos relações mais saudáveis, porque estaremos inteiros em nós mesmos, buscando um outro também inteiro. Inteiro não significa perfeito, mas completo, característica da pessoa que se conhece profundamente e se aceita no que tem de melhor e de pior, porque o inteiro supõe a integração do negativo e positivo, da sombra e da luz. Semeemos pois, essas novas intenções e projetos, com autonomia, independência, audácia, arrojo e inovação! Devemos isso a nós mesmos, a ninguém mais!

Uma ótima Lua Nova de Áries e um ótimo ciclo para você!

Reprodução

(1) Reinhold Ebertin – The Combination of Stellar Influences – AFA

(2) An Astrological Mandala – Dane Rudhyar

2017: Um Ano Revolucionário!

O ano de 2016 nos deixou zonzos, sem saber direito qual foi o trem que nos atropelou. Mas esse trem tinha nome: Saturno-Netuno! E todos têm receio de que 2017 seja uma repetição do que vivenciamos em 2016 ou que o abismo se aprofunde – ele já mostrou a que veio! Só em janeiro e fevereiro já vimos coisas inimagináveis acontecendo… E daqui em diante? Não, não vai ser igual a 2016, mas não quer dizer que seja necessariamente muito melhor. Pelo menos tem ação e dinamismo! Vamos analisar juntos?

Para analisar como o ano vai se desdobrar eu utilizo vários fatores, os principais deles sendo o mapa de ingressão do Sol em Áries, que é quando o ano começa para a Astrologia; as configurações e trânsitos dos planetas lentos, a partir de Júpiter; os eclipses e trânsito dos Nódulos Lunares; As retrogradações de planetas pessoais, Mercúrio, Vênus e Marte – Marte não ficará retrógrado neste ano, apenas Mercúrio e Vênus; e por último, também considero a regência do ano, não como um fator determinante de como vai ser o ano, mas apenas como pano de fundo geral de todos os demais eventos astrológicos.

Estrela de 7 pontas que representa a Ordem Caldeica – Reprodução

Começamos com a regência do ano, que dá o pano de fundo energético. Pela sequência que vínhamos seguindo, este ano deveria ser regido por Vênus, de acordo com a ordem caldeica da estrela de 7 pontas. Mas 2016 finaliza um ciclo de 36 anos. Explico. Temos 12 signos, com três decanatos cada, totalizando 36 decanatos – cada decanato, como o nome diz, tem 10 graus, de modo que 10 x 36 = 360 graus do círculo perfeito – cada um deles sendo regido por um planeta pertencente àquela triplicidade – por exemplo, o signo de Áries tem seus três decanatos regidos por Marte, Sol e Júpiter, os três planetas regentes dos signos de Fogo. Não se sabe como se chegou, um dia, a essa regência anual, mas supõe-se que tenha a ver com essa divisão do Zodíaco em decanatos, que corresponderiam às regências anuais, totalizando ciclos longos de 36 anos, que por sua vez, também estariam sob uma regência. Assim, temos ciclos longos de 36 anos, regidos por um determinado planeta, de acordo com sua sequência na ordem caldeica e, dentro deste ciclo longo de 36 anos, teríamos os ciclos anuais. Como disse, 2016 encerra um ciclo longo de 36 anos, regido pelo Sol e 2017 inicia outro ciclo longo, regido por Saturno, o planeta da austeridade. O primeiro e o último anos do ciclo longo de 36 anos devem ser regidos pelo planeta regente deste ciclo maior. Então, ao invés de termos Vênus regendo 2017, temos Saturno, inaugurando este período de 36 anos, um período que tende a ser de contenção, severidade, disciplina e responsabilidade. Temos então que o pano de fundo de 2017 será de austeridade, cobrança, maturidade, limites, retrocessos, conservadorismo, com grande foco nos deveres e obrigações, nas demandas sociais ou familiares, mais do que no prazer, no indivíduo ou nas questões pessoais como era com a regência do Sol. É um tempo de aprendizado e sobriedade – as contas chegam para ser pagas e não adianta reclamar porque o cobrador pode decidir aumentar os juros em função dos lamentos! O tempo de holofotes sobre o indivíduo e o ego (regência do Sol) dá lugar às obrigações e responsabilidades sociais.

Saturno – Maria Eunice Sousa

Então, de um modo geral, é tempo de ser realistas e é o que Saturno, o Senhor do Tempo, requer de nós. Saturno é conservador e exige realismo, disciplina, responsabilidade. É o cobrador daquelas contas que viemos postergando achando que nunca teríamos que pagar. Essa regência sinaliza um ano de austeridade, de se voltar às coisas básicas e se respeitar os limites. É ano de ser realista e encarar os desafios de cara limpa, porque não dá para fugir deles. Ano de gerir os recursos com sobriedade, porque talvez estejam escassos. E, sendo bastante realistas, já sabemos que não é possível mudar o cenário atual da noite para o dia, magicamente, só porque mudamos o ano. Os desafios que enfrentamos hoje continuam e agora temos que recomeçar, a despeito de todas as dificuldades. Mas, recomeçar por onde, quando estamos tão confusos e incertos? Essa incerteza ainda permeia todo o ano e quando há insegurança, a tendência é uma volta ao conservadorismo, porque acredita-se que voltar ao que era vá consertar o que está errado atualmente e isso não necessariamente é verdade, portanto, este é um movimento que requer cautela. No mapa do Brasil, Saturno trafega atualmente a casa das estruturas básicas da sociedade, o governo federal, assim como as classes dominantes. É possível que ainda haja muitos desapontamentos, tumultos e reviravoltas políticas ao longo de 2017, não necessariamente atendendo ao desejo do povo – como também apontam outros fatores nesta análise – e isso pode trazer bastante insatisfação, que por sua vez pode levar a revoltas populares. Mudanças drásticas ocorrem da noite para o dia, a exemplo de 2016, e outros aspectos ainda sugerem que muitas decisões governamentais são ocultadas e que os verdadeiros governantes, aqueles que realmente mandam, podem também estar ocultos. Mas essa regência de Saturno NÃO É A COISA MAIS IMPORTANTE! Muito pelo contrário! Existem outros fatores mais gritantes e graves para se levar em conta. Como diz o título deste artigo, este é um ANO REVOLUCIONÁRIO e definitivamente, um ano Saturnino NÃO É um ano revolucionário, portanto, Urano e Plutão é que dão o tom principal deste ano, e não Saturno!

Trânsitos lentos e configurações 

Júpiter – Maria Eunice Sousa

Dos planetas lentos, o mais ativo neste ano é Júpiter. Em parte porque, obviamente, ele é o mais rápido e fará mais aspectos, mas principalmente por causa da oposição que faz a Urano e da quadratura a Plutão. Júpiter ingressou em Libra em setembro de 2016 e permanece neste signo até 10 de outubro de 2017, quando ingressa em Escorpião. Júpiter é um planeta associado com o conhecimento mais elevado, expansão, crescimento, riqueza, significado, espiritualidade e também leis, não a sua aplicação – isso é com Saturno, que aliás, está em Sagitário, regido por Júpiter – mas a feitura das leis, a busca por justiça. Em Libra, o signo da equidade, do equilíbrio, da harmonia e da conciliação, Júpiter busca crescer e se expandir através da cooperação e da diplomacia, procurando chegar à paz e à justiça para todos os lados envolvidos. Trata-se da busca pelo mútuo desenvolvimento, para mim e para você. Ele poderia ser cordato por demais, exceto pelo fato de ficar, boa parte do ano, em oposição a Urano e quadratura a Plutão, dois planetas que ainda estão em quadratura, embora não façam mais o aspecto exato. Podemos então esperar mudanças abruptas nas leis que têm a ver com riquezas, impostos, crescimento e desenvolvimento social. Não, as configurações não representam somente coisas boas, às vezes, é bem ao contrário, elas simbolizam coisas bastante desagradáveis. Além dessa configuração, que é a mais importante, Júpiter ainda fará quincunce a Quíron (fevereiro e março e depois setembro) e a Netuno (maio a julho), sextil a Saturno (agosto) e trígono a Netuno (a partir de novembro, já em Escorpião). Os aspectos tensos a Netuno e a Quíron nos alertam que nem todas as leis e alterações na legislação serão bonitinhas e agradáveis sendo, muitas delas, bastante ilusórias ou descaradamente desfavoráveis ao povo.

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Então, neste ano Júpiter sugere algumas mudanças radicais nas leis, que vêm demolir o senso de segurança e estabilidade social, ou que transformam profundamente a maneira de se governar no mundo ou a relação entre as classes dominantes e as dominadas. Algumas dessas mudanças podem ser benéficas, outras podem ser chocantemente desagradáveis – do tipo “presente de grego”. Mas esses movimentos Jupiterianos indicam principalmente a necessidade de reformarmos nossas crenças, nossa visão de mundo, a forma como encaramos e percebemos a ideia da justiça e a maneira pela qual nos expandimos.

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A oposição a Júpiter-Urano é o ápice de um ciclo de cerca de 13,8 anos que começou entre 2010 e 2011, com os dois planetas em Peixes e o ciclo desses dois planetas tem a ver com a relação entre as mudanças intelectuais e as expectativas das sociedades. Assim, essa oposição a Urano simboliza grande potencial de expansão da criatividade e da originalidade, de novos avanços tecnológicos, que ampliam a interação e a socialização entre os indivíduos – fique atento para inovações tecnológicas que transformarão os relacionamentos afetivos! É provável que seja um ano em que mais e mais relacionamentos poderão começar através das redes sociais, à distância. Júpiter em aspecto tenso a Urano também aponta para acidentes graves relacionado às grandes viagens/distâncias, como na navegação ou aviação – aliás, já vimos alguns eventos graves acontecendo de 2016 para cá.

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Já o ciclo de Júpiter-Plutão é um ciclo de cerca de 12,5 anos e fala de uma transformação profunda nas expectativas das sociedades e tem enorme influência nas questões de justiça e legislação no coletivo. A presente quadratura é minguante e vai finalizando um ciclo iniciado em dezembro de 2007, a 28° de Sagitário. Um ciclo de transformação na reformulação das leis, mas que fala também de poder imenso e grandes fortunas e é um sinônimo para as plutocracias, sistemas políticos onde o poder é exercido, necessariamente, pelos mais ricos, pela elite econômica, o que leva a grandes desigualdades sociais. Para termos ideia do que estava acontecendo entre outubro e dezembro de 2007, quando os dois planetas estavam em orbe de conjunção, foi neste período que foi descoberto o Pré-Sal, que foi “dado” recentemente ao estrangeiro, assim como será dado, provavelmente, o Aquífero Guarani – Vênus está retro na casa 12 no mapa de ingressão! Agora este ciclo está se fechando e termina de vez em 2020, quando Júpiter se juntar a Saturno e a Plutão em Capricórnio. Nessa quadratura minguante entra em pauta algumas leis importantes: taxação de grandes fortunas ou aumentos de impostos para a classe média.

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No mapa do Brasil essa quadratura se dá entre as casas 8 (Júpiter) e 11 (Plutão) o que sugere mudanças importantes das leis que regem as finanças internacionais e investimentos de países estrangeiros. Esse aspecto pode representar mortes no judiciário, simbólica ou literalmente. Algumas mudanças nas leis podem representar aumento (Júpiter) no número de mortes (Plutão/casa 8) relacionadas às instituições públicas (casa 11) ou mudanças importantes nas leis que regem o serviço público e as instituições públicas, assim como os investimentos nessas instituições. Então, não nos enganemos! Só porque Júpiter é um planeta de boa sorte, não quer dizer que ele às vezes não represente problemas também. Até porque um mesmo aspecto pode representar tanto coisas positivas quanto negativas, dependendo do contexto e dos envolvidos. Mas podemos esperar desmantelos no poder, mais sujeiras vindo à tona acerca do Poder Judiciário, transformações no âmbito da Justiça e justiça sendo feito no âmbito do poder. E podemos dizer também: justiça seja feita, doa a quem doer! E se tem algo que se precisa em abundância nesse país é justiça e até mesmo uma transformação na Justiça e no Poder Judiciário. Contudo, a quadratura Saturno-Quíron alerta que essa justiça pode ser aplicada de forma capenga em muitas situações, podendo mesmo ser omissa! Júpiter ficará retrógrado de 06 de fevereiro a 09 de junho e por isso, a maioria dos aspectos ocorre pelo menos duas vezes – já tendo ocorrido os primeiros eventos em 2016.

Reprodução – Desconheço o Autor

E por falar em Júpiter, lembramos de Sagitário, signo regido por ele e por onde Saturno trafega atualmente, também fazendo uma revisão geral nessa área da justiça e das crenças. Saturno agora trafega o terceiro decanato de Sagitário, regido pelo Sol. É um grande alívio que já não tenhamos a quadratura Saturno-Netuno para lidar, uma configuração que simbolizou toda a depressão coletiva, a apatia, a fragmentação de muitos sonhos, a morte de muita gente no mundo das artes e entretenimento em 2016… Mas temos pela frente Saturno-Quíron, tão dolorosa e difícil quanto. Embora muitos astrólogos não utilizem Quíron em suas leituras, não há dúvidas de sua “influência” astrológica e certamente essa quadratura se fará sentir.

Daunhaus.Deviantart – Reprodução

Essa quadratura a Quíron é um espinho venenoso enfiado na carne, que infecciona e dói excruciantemente! Um aspecto bastante difícil de se lidar, porque estamos falando de dois princípios pesados, significadores de inseguranças, bloqueios, medos, incertezas, feridas, dificuldades… Numa conversa tensa e deveras conflituosa… Extremamente espinhoso. Defensivo. Desagradável. Doloroso. É preciso ter muita coragem e serenidade para olhar as profundezas da própria alma dispostos a enfrentar nossos piores pesadelos e fragilidades de cabeça erguida, com dignidade, para poder usar isso como mola de crescimento. O mais provável é que sintamos de maneira muito crua que todo esse sofrimento é inútil e sem sentido e nos sintamos amargos e cínicos, com uma sensação de futilidade a nos assombrar dia após dia. Olhamos para o nosso abismo pessoal, social e coletivo e ele olha de volta para nós, mais fundo e obscuro do que ousaríamos pensar.

Magritte – Reprodução

Uma reação possível dos mecanismos de defesa é recorrer a verdades prontas, frases feitas, crenças bonitas mas inócuas ou rígidas e excessivamente severas, para nos dar algum senso de segurança ou de sentido. Nosso alter-ego, aquele severo guardião moral que diz o que é certo e errado, aponta o dedo para o nosso lado mais frouxo e desmazelado, aquela parte de nós mais desamparada e vulnerável, que então se encolhe e se amiúda, querendo desaparecer. Desnecessário dizer o quanto isso é difícil e paralisante, além de possibilitar reações instintivas de animal ferido mortalmente que, para se defender vai revidar da pior maneira… É claro que isso é um extremo. Sempre podemos tirar proveito desses momentos de fragilidade para nos conhecer melhor, recorrer a alguma prática terapêutica, a alguém em quem se confia para propiciar um olhar externo e apaziguador de tal sofrimento. Não precisamos resvalar nos extremos! A manifestação desse aspecto é muito provável de se dar nas relações mais próximas, particularmente relações que envolvam figuras paternas ou de poder, como a relação com o próprio pai, chefes, professores, ou outros tipos de autoridades, inclusive religiosas, acadêmicas etc. É preciso compreensão, sensibilidade, compaixão e doçura para consigo mesmo e para com o outro que porventura percebamos estar lidando com esse tipo de dilema.

Salvador Dali – Reprodução

Peixes é o signo que fala da desintegração da forma e do ego. Quíron trafegando este signo nos diz que essa desintegração é dolorosa e que temos que abrir mão do anseio por redenção, porque não há redenção à vista. A quadratura de Saturno nos fala que as figuras de autoridade e poder estão feridas, vulneráveis, fracas. Essa vulnerabilidade tanto pode ser moral e psicológica, quanto física e concreta, ou seja, pode implicar reputações avariadas ou perda da saúde ou ainda morte. Ou nos sentimos órfãos porque tais autoridades são incapazes de continuar a nos dar suporte, ou porque nos desapontamos terrivelmente com elas.

Em termos mundanos, podemos bem associar essa quadratura com todas essas reformas em andamento no Brasil. Novas leis (Saturno em Sagitário) que versam sobre a saúde coletiva, aposentadoria, etc (Quíron em Peixes). E como vimos, a aprovação das tais leis não favorece nem um pouco ao povo e à maioria. É possível também vermos figuras eclesiásticas e religiosas em geral – de todas as religiões – tendo suas fraquezas e vulnerabilidades expostas, sendo julgadas socialmente, seus pés de barro esfacelando-se debaixo do seu peso de ferro e ouro… A mesma coisa se aplica a autoridades acadêmicas e altos postos universitários. A exposição dessa vulnerabilidade pode ser no sentido moral, mas também físico, ou seja, pode implicar questões de saúde ou mesmo de morte nesses meios mencionados. Se Saturno-Netuno simboliza a morte e o desaparecimento de figuras importantes nas artes em geral, Saturno-Quíron sugere a mesma coisa para figuras importantes dos meios acadêmicos, religiosos, filosóficos ou mesmo da saúde, já que Quíron também tem a ver com a cura. A implicação dos meios eclesiásticos e religiosos tem a ver com o trânsito de Saturno por Sagitário.

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Saturno faz também aspecto positivo a Urano, um trígono. Esses dois planetas em contato simbolizam a implementação das mudanças intelectuais, aquelas que são pensadas na configuração Júpiter-Urano. Este aspecto indica a possibilidade de conciliarmos o velho e o novo, a tradição com a inovação, tirando o melhor dos dois mundos. Indica que temos recursos para fazer algumas mudanças estruturais e cruciais com uma certa segurança, de forma responsável, planejadamente. É um tempo favorável para as ciências, as áreas de pesquisa e do conhecimento em geral. Novas ideias (Urano) ganham forma (Saturno), harmoniosamente. Assuntos antigos (Saturno) ressurgem com novas roupagens ou abordagens (Urano). Urano estará bastante ativado, o que sugere um ano cheio de surpresas, de eventos inesperados, reviravoltas, rebeldia, revolução e subversão. Sempre que Urano está envolvido diz-se “espere o inesperado”, o que é uma contradição em si mesmo, mas esse dizer é para enfatizar a natureza imprevisível e abrupta deste planeta. Saturno ingressa em Capricórnio em 20 de dezembro.

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Ingressão do sol em Áries – 20 de março

Ingressão do Sol para Brasília

Um dos meios mais efetivos de vermos como vai ser o ano é analisando o mapa da ingressão do sol em Áries, que se dará em 20 de março, às 07h28min no horário de Brasília e às 10h28min no horário de Lisboa. Esse mapa grita alto, altíssimo! Primeiro, o Sol está na casa 12, a casa das coisas ocultas, junto com Vênus retrógrada e Mercúrio. Isso nos diz que o poder no Brasil continuará a ser exercido de forma obscura. A casa 12 no mapa astrológico classicamente é tida como a casa dos “inimigos não declarados” – sendo o Sol a autoridade máxima e representando o presidente/chefe de estado, teremos então inimigos não declarados no poder? O inimigo comanda o show dos bastidores! Em Astrologia Mundana/Mundial essa casa é a dos movimentos subversivos, dos movimentos e eventos secretos, clandestinos, subterrâneos. E é também a casa das instituições de isolamento: hospitais, mosteiros, prisões. Considerando-se tudo o que temos visto até no que tange às rebeliões no sistema carcerário, podemos dizer que essa tendência de conflitos deve continuar ano adentro.

Ramiro Furquim – Sul 21 – reprodução

O Sol se afasta de uma quadratura a Saturno-Lua e conjunção a Quíron, ambos os aspectos fora de signo. Sugere que ainda amargamos desapontamentos passados, ainda estamos a digerir muito dos recentes acontecimentos desagradáveis. O choque de realidade continua a reverberar. Sem falar que a quadratura Lua-Sol deixa claro que os interesses do governo não coincidem com os da massa – longe disso, conflitam terrivelmente. O próximo aspecto que o Sol fará é a conjunção a Vênus retrógrada. Baigeant, Campion e Harvey (1), no livro Mundane Astrology, dizem que Vênus representa a cola que mantém o povo da nação unido, as coisas prazerosas, artes, harmonia, entretenimento. “Traz a paz, embora, devido à sua natureza passional, também tem associações com a guerra”. Os Maias e os Astecas eram grandes estudiosos do ciclo de Vênus e para eles, Vênus retrógrada, como já disse em outros textos, era associada às guerras, por causa da qualidade subversiva e guerreira que Vênus adquire quando muda de direção. De diplomática e conciliadora, torna-se uma guerreira obstinada a destruir o inimigo. Assim, essa posição de Vênus Rx alerta que os conflitos civis, as revoltas populares devem ficar mais inflamadas neste ano, especialmente porque Vênus está em Áries, um signo de guerra. As pessoas em geral têm grande dificuldade de concordar entre si e o tom animoso sai das redes sociais e pode ganhar as ruas. Vênus também está associada ao arquétipo feminino e aos recursos do país, devido à regência de Touro. Os recursos do país ficam escassos, particularmente porque essa Vênus rege a casa 2 deste mapa. E na casa 12 aponta para as falcatruas e negociatas feitas por trás das costas do povo – adeus, Aquífero Guarani e tantos outros tesouros nacionais!!! E a economia, ao invés de crescer, tende à retração – portanto, o crescimento é deveras duvidoso!

Pixabay.com – Reprodução

Urano está na casa 1 deste mapa, a casa que representa a nação como um todo, sua autoimagem. Urano está em quadratura a Plutão que está conjunto ao MC e ainda recebe a oposição de Júpiter no DC, que também quadra Plutão. É um ano revolucionário, não se sabe se as revoluções são para melhor ou para pior, mas a sombra coletiva desse país vai para os holofotes e muitas coisas secretas com as quais não lidamos até aqui vão para o palco central, de modo que precisamos olhar com os olhos bem abertos e transformar o que tiver que ser transformado.

Shutterstock – Reprodução

Júpiter está retrógrado na casa 7/DC e sugere esse anseio de buscarmos a ajuda de algum parceiro “benfeitor”, mas esse Júpiter está retrógrado, de modo que é provável que não consigamos e ainda sejamos objeto de ridículo. Júpiter também está destacado, visto que puxa essa mapa todo numa formação de Locomotiva – mais uma vez, a despeito de todas as vicissitudes, precisamos ter fé de que estamos mudando para melhor. Não uma fé cega ou alienada, mas uma fé clara, arguta, como mostram os aspectos a Urano e Plutão.

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Mercúrio está conjunto ao Ascendente em Áries e é instrumental na fomentação dos conflitos – alô, grande mídia! – visto que está também em oposição ampla a Júpiter e quadratura a Plutão no MC. Mercúrio rege as comunicações de todo o tipo, a educação, as mensagens do governo ao povo, os movimentos intelectuais e pensamento da nação. E este pensamento está nervoso, incendiário, disposto a demolir muitas verdades, crenças e leis inócuas, disposto a botar a boca no trombone, mas também pode estar inflexível e egocentrista. A quadratura a Plutão sugere novamente, que muitos podres virão à tona tanto no que tange aos meios políticos e econômicos (Plutão em Capricórnio), quanto aos meios judiciários e eclesiásticos (Júpiter em Libra), podendo também representar alguns incidentes diplomáticos.

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A Lua está conjunta a Saturno na casa 9, em Sagitário e repete algo parecido já apontado por Mercúrio-Júpiter-Plutão: verdades sombrias acerca dos meios religiosos e da justiça precisam ser encaradas sem escapismos. A Lua representa o povo, as massas, que neste caso estão fanáticas e apaixonadas por ideologias rígidas, moralismos vazios. Talvez essas massas exijam punição e justiça contra os desmandos, mas têm que lidar com realidades decepcionantes, já que a Lua também quadra Quíron. A casa 9 também é a casa das publicações, das instituições acadêmicas e dos sistemas das leis, de maneira que essa posição aponta para leis rígidas que repercutem negativamente nas instituições públicas e sociais (Quíron na 11), na educação, universidades e na produção das ciências. Positivamente, a conjunção Lua-Saturno sugere que o povo está mais realista, mais forte e resiliente, menos propenso a esperar por milagres.

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A Lua também é um planeta feminino e está conjunta a Saturno. Somando isso à posição de Vênus, retrógrada em Áries na casa 12, temos que este não é um ano particularmente favorável para o feminino, para as mulheres, que podem se sentir amordaçadas e cerceadas nas suas conquistas e liberdades e na forma como são tratadas pelas leis e pelos aplicadores das leis. Pode haver um recrudescimento da violência contra a mulher. Contudo, esse feminino coloca uma resistência formidável e está disposto a brigar ferrenhamente por suas bandeiras. E essa retrogradação pode significar uma reformulação, uma reavaliação de como a mulher e o feminino têm sido vestidos nos últimos tempos.

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Marte está em Touro, na casa 1, isolado, sem aspectos. Poderíamos considerar um trígono de quase 10 graus que vai receber da Lua, mas ainda é muito distante. Marte está em recepção mútua com Vênus retrógrada. Em Touro ele está mais calmo e paciente e delibera antes de entrar em ação, o que por um lado, ajuda bastante em momentos de ebulição e conflito. Entretanto, um planeta sem aspectos tende a se manifestar de forma extremista, super-compensando os momentos de pouca atividade com outros de atividade exagerada, inflexível, radical, sugerindo muitos riscos. Marte é o planeta da liberação da energia executiva, da paixão e da violência, e quando sem aspectos, sugere que essa energia é liberada de forma irregular, errática. Pode ser grosseiro, rude, truculento, particularmente em Touro e como também representa o poderio militar, essa posição inspira cuidados. Pode agir de forma a gerar divisões, violência, rebeliões (particularmente no sistema prisional, já que a regente, Vênus, está na casa 12) e tumultos na ordem social.

O único aspecto positivo nesse mapa é o trígono Saturno-Urano, que pode sim, dar alguma sustentação em momentos de caos, mas, de modo geral, esse mapa diz que esse é um ano bastante conturbado para o Brasil – e também para o mundo, de formas diferentes. É bem diferente de 2016, porque 2016 tinha aquela sensação de depressão, de desesperança, de coisas arrastadas… Já 2017 traz energia de ação, é dinâmica, embora seja conflituosa. Este é um ano de revolução –  embora, com Marte em Touro (regente de Áries, Sol, Vênus, Mercúrio e Urano), essa revolução aconteça meio a passo de tartaruga e talvez seja meio preguiçosa… meio na marra, talvez porque fiquemos com medo de perder algumas “comodidades”. Urano em Áries, contudo, sempre sugere que a mais importante revolução de todas, a principal e fundamental, é a revolução individual – é no indivíduo e a partir do indivíduo que a revolução pode realmente acontecer – principalmente porque Urano e Marte estão na casa 1.

Eclipses

O eixo nodal permanece por cerca de 19 noves numa polaridade de signos. Esse eixo ingressou na polaridade Virgem-Peixes em novembro de 2015, onde permanece até maio de 2017, quando ingressa, então, no eixo Leão-Aquário. Nos últimos dois anos tivemos eclipses acontecendo entre as polaridades de Áries-Libra e de Virgem-Peixes – leia e entenda melhor a mecânica dos eclipses. Agora os eclipses se deslocam para Leão-Aquário e mesmo os de fevereiro já ocorrem neste par de signos, porque para haver um eclipse, é preciso que Sol e Lua estejam distantes até 18 graus do eixo nodal.

Tabela de eclipses de 2017: significados e área de influência por signo. Veja o signo do seu ASCENDENTE!

Então, teremos dois eclipses lunares, os dois parciais/penumbrais, o de fevereiro visível em quase todo o Brasil e o de agosto visível na África, Ásia e Oceania – leia sobre o Eclipse Lunar em Leão de fevereiro. Já os eclipses solares serão totais, o de fevereiro sendo visível da região central ao Sul do Brasil e o de agosto sendo visível na América do Norte e parcialmente no Norte do Brasil – leia sobre o Eclipse total do Sol em Peixes de fevereiro. De modo geral, esses quatro eclipses que acontecem em 2017 aumentam a possibilidade de coisas imprevisíveis e inesperadas ocorrerem ao longo do ano, podendo se manifestar como cataclismos naturais, como terremotos e tsunamis, e também como violência social em que o indivíduo se coloca contra os grupos e o povo se volta contra governos e poderes estabelecidos – isto no Brasil e no mundo. Esses eclipses enfatizam o papel e a atuação do indivíduo na comunidade, conclamando as pessoas a serem mais participativas e a se responsabilizarem mais pelas mudanças que querem ver acontecendo na sociedade.

Você sabe onde os eclipses caem no seu mapa e o que eles acionam? E Vênus retrógrada, o que vem significar para você neste momento? Agende uma consulta e descubra: psicologica.astrologia@gmail.com

Pawel Kuczynski – Reprodução

Mercúrio ficará retrógrado quatro vezes, nos signos de Capricórnio/Sagitário (janeiro), Touro/Áries (abril a maio), Virgem/Leão (agosto a setembro) e Sagitário (dezembro). Os períodos de Mercúrio retrógrado, como sabemos, propiciam que façamos revisões importantes sobre nossas formas de pensa e nos comunicar e, considerando-se a posição de Mercúrio neste mapa, os períodos de retrogradação serão cruciais para a avaliação do quanto as revoluções são benéficas ou maléficas para o Brasil.

 

Datas de Mercúrio retrógrado:

19/12/2016 a 08/01/2017 – retrograda de 15° de Capricórnio a 28° de Sagitário

09/04 a 03/05 – retrograda de 4° de Touro a 24° Áries

13/08 a 05/09 – retrograda de 11° de Virgem a 28° de Leão

03/12 a 22/12 – retrograda de 29° a 13° de Sagitário

Arcano XIII – A Morte – Tarô de Nei Naiff

Assim, transformações profundas continuam a ocorrer nas grandes instituições econômicas, nas estruturas governamentais, nos sistemas bancários, no Poder e poderes em geral. O que não for mudado por bem, será transformado à revelia da nossa vontade na grande conjunção de Júpiter-Saturno-Plutão em 2020, um ano de grande turbulência econômica, política e social, em termos globais – nada comparado com o que estamos vendo agora. A Terra vai parar e mundo não será mais o mesmo depois de 2020!

Shutterstock – Reprodução

Em resumo, em 2017 temos a continuidade de um ciclo de mudanças iniciado lá em 2008 e que se estende até 2020, quando outros ciclos importantes começam, mudando drasticamente o cenário geopolítico mundo afora. Apesar de haver um aumento no conservadorismo, 2017 é um ano de muitas reviravoltas políticas, econômicas e sociais, assim como um ano de mudanças significativas e repentinas nas leis e no exercício dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por um lado, ainda temos muitos desapontamentos e desilusões, especialmente com autoridades e figuras públicas dos campos da política, do judiciário e das religiões. Por outro lado, o povo já não fica tão passivo, está mais resiliente e levanta resistência, usando esse desapontamento como combustível para brigar contra desmandos e injustiças e ir atrás de mudanças reais. O perigo é que aqueles que detém o poder vão tentar defendê-lo a todo custo e isso pode gerar revoltas e conflitos violentos, nas ruas e dentro de instituições, tanto no Brasil quanto no mundo.

Embora tudo isso pareça assustador, não devemos ficar assustador e com medo, porque já vivemos isso atualmente e as coisas tendem apenas a se intensificar. O movimento de transformação nos convida a permanecer conscientes e a voluntariamente contribuir e cooperar com essa transformação. E por mais que tudo pareça estar piorando, isso não é verdade. Recorro a um texto de Sathya Sai Baba para nos lembrar disso, que fala sobre esse período de transição que atravessamos:

“Não há mais maldade, o que há é mais luz, e é sobre isso que falo agora. Imagine que você tem um quarto, ou uma despensa, onde guarda suas coisas, iluminado por uma lâmpada de 40W. Se trocar para uma lâmpada de 100W, verá desordem e um tipo de sujeira que você nem imaginava que havia no local.

A sociedade está mais iluminada. Isto é o que está acontecendo. E isto faz com que muitas pessoas que leem estas afirmações as considerem loucura.

Percebem que hoje em dia as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender a forma como a vida se organiza.

A nova vibração do planeta tem tornado as pessoas nervosas, depressivas e doentes. Isto porque, para poder receber mais luz, as pessoas precisam mudar física e mentalmente. Devem organizar seus quartos de despejo, porque sua consciência cada dia receberá mais luz. E por mais que desejem evitar, precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira.

Esta mudança provoca dores físicas nos ossos, que os médicos não conseguem resolver, já que não veem uma doença que possa ser diagnosticada. Dirão que é causado pelo estresse. Porém isto não é real. São apenas emoções negativas acumuladas, medos e angústias, todo o pó e sujeira de anos que agora está sendo visto para ser limpo.

Algumas noites as pessoas acordarão e não conseguirão dormir por algum tempo. Não se preocupem. Leiam um livro, meditem, reze. Não imagine que algo errado ocorre. Você apenas está assimilando a nova vibração planetária.

Se não entender este processo, pode ser que as dores se tornem mais intensas e você acabe com um diagnóstico de fibromialgia, um nome que a medicina deu para o tipo de dores que não tem causa visível. Para isto não existe tratamento específico – apenas antidepressivos, que farão com que você perca a oportunidade de mudar sua vida.

Uma vez mais, cada um de nós precisa escolher que tipo de realidade deseja experimentar, porém sabendo que desta vez os dramas serão sentidos com mais intensidade; assim como o amor. Quando aumentamos a intensidade da luz, também aumentamos a intensidade da escuridão, o que explica o aumento de violência irracional nos últimos anos.

Estamos vivendo a melhor época da humanidade desde todos os tempos. Seremos testemunhas e agentes da maior transformação de consciência jamais imaginada.

Informe-se, desperte sua vontade de conhecer estas questões. A ciência sabe que algo está acontecendo, você sabe que algo está acontecendo. Seja um participante ativo. Que estes acontecimentos não o deixem assustado, por não saber do que se trata.” (SATHYA SAI BABA)

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Como fica para os signos (Sol, Lua e Ascendente)?

Os signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) continuam a lidar com as transformações exigidas por Plutão (segundo decanato), são chamados a despertar radicalmente por Urano (terceiro decanato) e ainda precisam buscar equilíbrio no crescimento, conforme aponta o trânsito de Júpiter por Libra (segundo e terceiro decanatos). Assim, os signos cardinais continuam a ser desafiados de forma crítica.

Os signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário estavam passando por uma trégua relativa nos últimos dois anos, desde que Saturno finalmente saiu de Escorpião. Em outubro Júpiter ingressa em Escorpião, onde ficará até oito de novembro de 2018. Júpiter vai agitar e animar um bocado a vida dos signos fixos, mas para Touro, Leão e Aquário é preciso ter alguma cautela, porque Júpiter tende aos exageros. Os signos fixos também serão afetados pela migração do eixo nodal para Leão-Aquário, já que os eclipses passam a acontecer nessa polaridade de signos.

Já os signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes), são dos mais desafiados, visto que lidam com o trânsito de Saturno por Sagitário (terceiro decanato dos signos mutáveis) e de Netuno por Peixes (segundo decanato) e Quíron (terceiro decanato), também por Peixes. Os signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) tiveram que lidar com algo parecido lá pelos idos de 1999, quando Saturno trafegava Touro e Netuno passeava por Aquário. A diferença é que os signos fixos são signos de controle, e precisam abrir mão de tal controle. Os signos mutáveis, por outro lado, são signos mais fluidos e estão sendo testados e cobrados severamente no seu senso de ordem e de estrutura, no seu senso de funcionamento efetivo no mundo. Precisam fazer o exercício de abrir mão do paraíso da infância (Netuno) e encarar a realidade, se estruturando e amadurecendo mais um pouco (Saturno).

Então, 2017 nos pergunta: quais revoluções precisam acontecer na sua vida?

Descubra isso e muito mais agendando uma consulta: psicologica.astrologia@gmail.com

 

Datas importantes

06 de fevereiro – Júpiter retrógrado em Libra

11 de fevereiro – Eclipse Penumbral da Lua em Leão

26 de fevereiro – Eclipse Anular do Sol em Peixes

03 de março – Júpiter Rx em oposição a Urano

04 de março – Vênus fica retrógrada a 13° de Áries

20 de março – Ingressão do Sol em Áries

30 de março – Júpiter Rx em quadratura a Plutão

06 de abril – Saturno retrógrado em Sagitário

09 de abril – Mercúrio retrógrado em Touro

15 de abril – Vênus direta em Peixes

20 de abril – Plutão retrógrado em Capricórnio

03 de maio – Mercúrio direto em Áries

17 de maio – Júpiter Rx em quincúncio a Netuno

19 de maio – Saturno Rx em trígono a Urano

09 de junho – Júpiter direto em Libra

16 de junho – Netuno retrógrado em Peixes

05 de julho – Júpiter direto em quincúncio a Netuno

03 de agosto – Urano retrógrado em Áries

4 de agosto – Júpiter direto em quadratura a Plutão

11 de agosto – Urano Rx em semi-quadratura a Netuno

13 de agosto – Mercúrio retrógrado em Virgem

25 de agosto – Saturno volta ao movimento direto em Sagitário

27 de de agosto – Júpiter direto em sextil a Saturno

05 de setembro Mercúrio volta ao movimento direto em Leão

27 de setembro – Júpiter em sesqui-quadratura a Netuno

28 de setembro – Júpiter em oposição a Urano

28 de setembro – Plutão volta ao movimento direto em Capricórnio

07 de outubro – Urano Rx em semi-quadratura a Netuno

10 de outubro – Júpiter ingressa em Escorpião

11 de novembro – Saturno em trígono a Urano

22 de novembro – Netuno direto em Peixes

2 de dezembro – Júpiter em Escorpião em trígono a Netuno

3 de dezembro – Mercúrio retrógrado em Sagitário

20 de dezembro – Saturno ingressa em Capricórnio

22 de dezembro – Júpiter em semi-quadratura a Saturno

23 de dezembro – Mercúrio volta ao movimento direto em Sagitário

(1) – Michael Baigent, Nicholas Campio, Charles Harvey – Mundane Astrology – Thorsons UK

A Semana Astrológica – Devagar e sempre… Chegaremos lá!

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Semana de 18 a 24 de abril 

Semana de Lua Cheia, que indica um período de culminância, de frutificação e colheita de tudo o que andamos empreendendo e daquilo onde colocamos nossos esforços e investimentos energéticos, emocionais, materiais e objetivos. A Lua Nova de Áries culmina na Lua Cheia de Escorpião. E é uma semana deveras potente, com dois planetas importantes entrando em retrogradação e o Sol ingressando em Touro. É tempo de avançar, mesmo que seja a passos cautelosos de tartaruga. Devagar e sempre

Laurie Kaplowitz - Reprodução
Laurie Kaplowitz – Reprodução

Marte Plutão entram em retrogradação num período de menos de 24 horas entre um episódio e outro. Dois planetas super importantes, diretamente relacionados ao tema da sobrevivência (Marte=sobrevivência do indivíduo; Plutão=sobrevivência da espécie) mudando de direção, nos faz pensar e nos obriga a reavaliar o modo como estamos vivenciando seus temas, como sobrevivemos no mundo, pessoal e coletivamente; como lidamos com a agressividade em nós, com nossa raiva pessoal e consciente e também com a raiva global, primitiva, primal, ligada aos tabus reprimidos e jogados no inconsciente, transformados em sombra e em terror. Requer muita reflexão! No caso específico de Plutão, sua retrogradação  simboliza que precisamos parar um pouco para digerir todas as grandes transformações que aconteceram dentro de nós e no mundo ao nosso redor nos últimos meses. Períodos de retrogradação são providenciais para que “internalizemos e incorporemos as experiências externas e as questões conscientes”* na esfera regida por aquele planeta. Assim, de 18 de abril a 26 de setembro estaremos internalizando e absorvendo mais profundamente os resultados das grandes revoluções e tormentas existenciais que vivenciamos conscientemente desde setembro passado – é, Plutão fica mais de seis meses retrógrado. Assim, é período de digestão – lenta, gradual e profunda! A descida ao Mundo Inferior avança para um novo nível de abismo! Mais: temos atualmente retrógrados nos céus Marte, Júpiter, Saturno e Plutão, com Mercúrio também já na zona de retrogradação – fica retrógrado dia 28 de abril – quer dizer, as coisas ficam mais morosas, em modo de assimilação e digestão, de recepção e maior passividade e não de ação direta e objetiva. Um grande desafio para os apressadinhos de plantão!

Rhed Fawell - Reprodução
Rhed Fawell – Reprodução

Neste cenário moroso Vênus em Áries faz trígono a Saturno, aspecto favorável à solidificação nas relações, comprometimento e seriedade. Contudo, no dia seguinte a mesma Vênus faz quadratura a Plutão em Capricórnio e conjunção a Urano na sexta. Na verdade, precisamos nos alinhar com nossos valores mais sólidos e substanciais para irmos para o enfrentamento que demanda que nos  livremos daquilo que não é tão importante assim  perceber o que é uma real estabilidade e o que é estagnação; diferenciar entre aquilo que nos dá segurança verdadeira nas relações, daquilo que é mera fachada e que prende nosso potencial afetivo e criativo – tema super realçado pela Lua Cheia de Escorpião. E, é claro, encarar nossas ambiguidades dentro das relações, assumir que gravitamos prazerosamente em direção ao outro, ao mesmo tempo em que nos ressentimos disso e desejaríamos cortar todos os cordões que nos prendem a ele. Tendo executado estas tarefas, poderemos ser realmente livres e inovar na expressão dos nossos valores, abrirmo-nos a novas experiências e vivências neste campo. Em termos materiais, estes aspectos feitos por Vênus sugerem que ordenemos e organizemos nossa vida financeira, a gestão dos negócios e dos recursos em geral, para empreendermos as transformações que se fizerem necessárias nesta área de vida. A quadratura a Plutão e a conjunção a Urano requerem muita cautela na gestão financeira, sugerindo que se aguarde momentos mais propícios para contratos e investimentos de risco.

Ruth Cadden - Reprodução
Ruth Cadden – Reprodução

O Sol ingressa em Touro na terça-feira, às 12h30min no horário de Brasília e às 16h30min no horário de Lisboa, indicando uma fase do ano em que focamos mais na segurança material, na sustentação dos nossos projetos de longo prazo e também em buscar uma vida de maior conforto e tranquilidade. Touro é o primeiro signo de Terra, a Terra mais primitiva, Terra Fixa. É profundamente pragmático, convencional, o signo do bom senso. Precisa ver, tocar, ouvir, cheirar, sentir para crer, para poder concordar com alguma mudança – é, ele detesta mudar! Touro não se joga em nada que não tenha lastro, aliás, ele NÃO se joga, isso é coisa de Áries. Ele se aproxima de tudo vagarosa e cautelosamente, testando, experimentando, averiguando, até que sinta um solo firme e seguro sob os pés. É muito sensorial, o signo que rege os sentidos corporais, do ver, ouvir, cheirar, degustar e tocar, por isso ele é muito focado no conforto e no prazer, além de esbanjar sensualidade. Parabéns a todos os Taurinos!

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Pixfaus – Reprodução

A Lua abre a semana na fase Corcunda, em Virgem. Equilibra-se e se arrendonda mais em Libra e é Cheia em Escorpião na sexta-feira. Fecha o período já em Sagitário, onde adquire uma qualidade catequética e fervorosa!

Dean Herlihy Art - Reprodução
Dean Herlihy Art – Reprodução

Plutão entra em retrogradação na SEGUNDA-FEIRA. Vênus está em trígono exato a Saturno. A Lua abre o dia em conjunção exata a Júpiter em Virgem e os dois fizeram um belíssimo par nos céus da madrugada. A Lua ainda faz quadratura a Saturno e oposição a Quíron, formando uma T-Square mutável. Também faz quincunce a Vênus e a Urano e trígono a Plutão e Mercúrio, formando um Grande Trígono de Terra e ficando vazia logo depois, às 09h30min. A Lua só ingressa em Libra na terça de manhã, portanto, temos quase 24 horas de Lua vazia. O dia até que começa industrioso, mas logo entramos na retranca e tudo parece parar ou ficar em standby. E não adianta nem esquentar a cabeça porque o dia fica meio pasmacento, indo no seu próprio ritmo e não no nosso ou naquele que gostaríamos. O ideal é tirarmos o dia para organizar a agenda, cuidar dos afazeres rotineiros, colocar a casa, a mesa ou o escritório em ordem, ordenar a vida! Vigiar para não perdermos tempo e energia imersos em preocupações inúteis ou tentando controlar o incontrolável – isso somente nos levará a muita dispersão, desperdício de energia e frustração. É mais inteligente fluir e permanecer abertos e flexíveis para as surpresas do dia – algumas delas podem ser até agradáveis! Vênus em trígono a Saturno sugere um dia de estabilidade nas relações, contudo, tal estabilidade seria melhor utilizada para fazermos um exame de nossos valores mais profundos, aqueles que nos sustentam, para nos prepararmos os grandes enfrentamentos que nos aguardam nos próximos dias.

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Vênus está em quadratura plena a Plutão na TERÇA-FEIRA. A Lua abre o dia fora de curso em Virgem, de onde faz quincunce ao Sol ainda em Áries. A Lua ingressa em Libra somente às 08h24min e faz sesqui-quadratura a Mercúrio em Touro.  O Sol ingressa em TOURO às 12h30min. Estamos meio fora de sincronia conosco mesmos e nossas necessidades básicas. Mordazes, cuspimos fora o veneno que nos corrói por dentro, tentando parecer civilizados, inutilmente porque a baba viperina nos escorre pelo queixo – o que não atentamos é que talvez nossa selvageria tenha razão de ser e possivelmente surja dos longos períodos em que, em nome da estabilidade, tentamos fingir que estava tudo bem, que tudo estava “em ordem”. Pois bem, acordamos e parece que está tudo fora do lugar – café sem açúcar, dança sem par – para desgosto de nossa alma que almeja por equilíbrio e finesse. Vênus, regente da Lua e do Sol, está em quadratura a Plutão e demanda que reconheçamos as muitas mudanças por que passaram nossas relações e interações recentemente, apesar de querermos estabilidade a qualquer custo. É isso ou uma ruptura real e dolorosa poderá recair sobre nós, caso resolvamos ignorar os apelos de nossa alma e a verdade das nossas relações.

Brooke Shaden Photography - Reprodução
Brooke Shaden Photography – Reprodução

Estes conflitos estão mais agudos na QUARTA-FEIRA. A Lua Libriana até que começa o dia em harmonia: faz sextil a Marte e a Saturno, mas também se indispõe com Netuno e, principalmente, arma uma grande crise dramática ao quadrar Plutão e se opor a Vênus-Urano, que também estão em quadratura a Plutão, formando uma T-Square Cardinal explosiva, cujo impacto maior é nos relacionamentos. O Sol Taurino está em sesqui-quadratura a Saturno. Dia de grandes conflitos, internos e externos. Entre insistir nos nossos quereres e reconhecer a necessidade do outro em nossa vida, optamos pela ambiguidade e esticamos o elástico a mais não poder, tentando ganhar tempo e adiar as escolhas vitais. Mas quanto mais ficamos em cima do muro, mais tensão acumulamos e mais esticada fica a corda entre desejo e necessidade. O resultado é que ficamos irritadiços e melindrosos, suscetíveis a críticas e sujeitos a atitudes abruptas que contradiz o discurso conciliador que tentávamos manter. Em algum momento, algo tem que ceder dentro de nós, assim como alguma das partes nos conflitos externos. É fundamental achar o ponto de convergência, onde tais desejos e necessidades discrepantes se encontram: o ponto da honestidade consigo mesmo e com os outros, da maturidade e integridade emocional. Reconhecer nossas muitas disparidades, olhá-las de frente; negociar para integrá-las, achar o caminho do meio que ajude a conter a tensão, ao invés de externá-la desenfreada e destrutivamente – é o que nos é pedido.

Brooke Shaden Photography - Reprodução
Brooke Shaden Photography – Reprodução

A Lua Libriana faz oposição a Urano em Áries nas primeiras horas da QUINTA-FEIRA. Faz também quincunce a Mercúrio em Touro e a Quíron em Peixes, virando foco de um Yod por algumas horas. A Lua ainda faz sesqui-quadratura a Netuno e fica vazia depois do contato com Urano, às 03h14min, ficando vazia o dia inteiro, pois só entra em Escorpião às 21h18min. Vênus, regente da Lua, está conjunta, conjunção quase exata, a Urano. É, o sono fica agitado e sujeito a interrupções ou pesadelos nesta madrugada. Talvez a mente esteja inquieta demais de modo que o corpo não consegue relaxar completamente? E já que é feriado, talvez possamos adiar a hora de levantar da cama e quem sabe rememorar, com vagar, os sonhos e as mensagens que recebemos enquanto estávamos nos braços de Orfeu… Ah! Que maravilha – eu sempre digo – quando o calendário oficial combina com o estelar! Pois é, porque as horas de vigília ficam mais pesadas e continuamos um tanto inquietos, com questionamentos pululando lá no segundo plano da mente e do coração… E se chutássemos o pau da barraca, o que aconteceria? E se ousássemos pular aquela cerca do previsível e do estável? Como seria abraçar nossa porção selvagem para variar, em detrimento do nosso lado mais civilizado e contido? Elucubrações de uma Lua Vazia em Libra. O dia traz um estado de expectativa latente, embora não saibamos definir com clareza a origem de tais expectativas. Mas é momento mais que oportuno de uma profunda reflexão acerca da nossa necessidade de estabilidade e segurança, especialmente no que tange aos relacionamentos, versus o reconhecimento da necessidade de virar a mesa e eliminar comportamentos e atitudes congelados e rígido que têm nos impedido de amar verdadeiramente as pessoas, ao invés de tentar possuí-las e controlá-las. Em termos práticos, o dia sugere uma busca de equilíbrio e harmonia nas interações com as outras pessoas; negociações civilizadas na ocupação dos espaços diários, literais ou figurativos e pede para pegarmos leve, pois muita coisa pode mudar no espaço de horas. A objetividade dá lugar à subjetividade, portanto, estejamos abertos àqueles palpites que aparecem do nada e que podem se revelar preciosos. Estejamos abertos, principalmente ao imponderável, com quem podemos dar de cara bem ali, ao virar da esquina!

Carrie Ann Baade - Reprodução
Carrie Ann Baade – Reprodução

A Lua é Cheia a 02°31’ de Escorpião às 02h24min (06h24min para Lisboa) da SEXTA-FEIRA e durante o dia faz trígono a Netuno e sextil a Júpiter já à noite. Vênus está em conjunção plena a Urano e ainda em quadratura a Plutão. A Lua cheia de Escorpião exacerba a intensidade da culminação do ciclo, que já é intenso por si só. Nesta Lunação, Sol e Lua estão praticamente em dueto, pois a Lua faz apenas um trígono distante a Netuno, além da oposição ao Sol – isso enfatiza o extremismo da configuração da oposição Lua-Sol. É hora de reciclar e se não der mais para reciclar, eliminar de vez, transformar. O convite é para passarmos do plano do meramente físico e material às camadas mais profundas da vida e da psique, desenterrando tabus e cadáveres que assombram ainda nossa vida, para purgá-los, redimi-los e deixá-los ir – só assim estaremos liberados para nos comprometer profundamente com nossa transformação e das nossas relações. É momento de perscrutar, dentro de nós, que atitudes se tornaram por demais egoístas e individualistas (Lua Nova de Áries) e nos afastam da criação de vínculos verdadeiros e transformadores (Lua Cheia de Escorpião) e eliminar tais atitudes de nosso comportamento e alma. No plano positivo, os projetos iniciados solitária e pioneiramente em Áries, agora precisam ser compartilhados com nossos pares mais próximos, de modo que nos demos conta de que o lobo solitário ainda precisa pertencer a uma matilha, a uma comunidade. O fato de os dois dispositores da Lua Cheia terem ficado retrógrados praticamente no mesmo dia requer reflexão mais profunda no que tange às eliminações que precisamos fazer e aqui, eu lembro uma expressão idiomática maravilhosa da língua inglesa que ilustra esse tema: “to throw the baby with the bathwater” que, em tradução livre quer dizer “não jogue fora o bebê junto com a água do banho”, ou seja, não jogue fora o que é essencial, a coisa mais importante, só porque tem que jogar aquilo que não serve mais. Touro precisa aprender a possuir as coisas sem deixar que elas o possuam e é isso que Escorpião vem ensinar a ele; já Escorpião precisa aprender que possuir e controlar alguém não é sinônimo de amar.

Martin Stranka - Reprodução
Martin Stranka – Reprodução

O SÁBADO chega igualmente intenso, ainda na esteira da Lua Cheia. A Lua faz sextil a Júpiter e a Plutão, quincunce a Vênus e Urano em Áries, trígono a Quíron em Peixes e oposição a Mercúrio, ficando fora de curso logo depois, às 18h47min. Um dia para processar e digerir a intensidade dos últimos insights que nos pegaram de assalto e podem ter surpreendido até a nós mesmos, com a violência de sua veemência. Estamos introspectivos, sondando a própria alma para ter maior clareza daquilo com que estamos lidando. Entretanto, há incongruências demandando ajustes; desconfortos exigindo adaptação. No meio de tanta introspecção e necessidade de solitude, um outro lado pede para ousarmos e nos rebelarmos contra este isolamento. Em ultima instância é outro daqueles dias em que sentimentos e pensamentos estão em dissonância e precisaremos ter paciência conosco mesmos, para não enxergarmos conflitos onde não existem no mundo lá fora. Tal atrito interno pode gerar tensão nas nossas interações, com propensão a bate-bocas cáusticos e azedos, o sarcasmo correndo livre e acerado. O dia oferece chances de pararmos e analisarmos nosso humor azedo e suas origens, aceitando nosso azedume poderemos fazer as pazes com ele e transformá-lo. Não temos obrigação de estar sempre lindos risonhos, mas precisamos lembrar que os outros também não têm obrigação de tolerar nosso mau humor gratuito. Assim, talvez o melhor seja sinalizar para o mundo nosso estado de espírito, antes que outros corram o risco de se espetar, inadvertidamente nos nossos espinhos pontiagudos – todo mundo tem seus dias meio intratáveis, nós também. Só precisamos estar cientes que o outro não é responsável pelo modo como nos sentimos e então cuidar de nossa higiene psíquica.

Vi.sualise.us - Reprodução
Vi.sualise.us – Reprodução

A Lua Cheia ingressa em Sagitário às 09h47min do DOMINGO, de onde faz quincunce ao Sol em Touro. Fecha a noite e a semana em conjunção a Marte retrógrado e também a Saturno, em orbe ampla. O dia está venturoso e dinâmico e pede que saiamos de casa para explorar novos caminhos e atividades, que talvez ajudem a expandir nossa visão do cotidiano. Aventurar-se, dispor-se a ser surpreendido e a ver o mundo sob uma visão mais ampla do que a que estamos acostumados. Estão favorecidas as atividades esportivas e campestres, que nos coloquem em contato com a natureza, com animais e propiciem talvez, uma diversão extravagante mas inofensiva. Por outro lado, também estão beneficiados os encontros filosóficos e as conversas espirituais com grupos de orientação diversa – desde que, que fique bem claro, tenhamos maturidade para respeitar os pontos de vistas e crenças alheios, encarando nossos interlocutores com mente aberta e disposta a aprender. É bom darmos um jeito de realmente descansar, relaxar e espairecer porque a segunda-feira nos espera logo ali, cheia de afazeres, dilemas e desafios – precisaremos estar prontos para eles! Talvez seja possível ver Lua-Marte-Saturno em conjunção tripla à noite e na madrugada de domingo para segunda. Marte, uma estrela de brilho avermelhado e Saturno um brilho mais branco-amarelado. É fácil diferenciar entre planetas e estrelas porque os planetas têm brilhos constante, enquanto as estrelas piscam de forma intermitente.

Eu desejo a você uma semana de plenitude e inteireza! Que seus projetos frutifiquem maravilhosamente!

Abaixo as sugestões da terapeuta de florais, Patrícia Vilela para nos ajudar a lidar com as tensões e desafios desta semana.

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Tansy – Reprodução

Em uma semana com tantos movimentos expressivos, e com tantas possibilidades de dispersão, as primeiras sugestões de essências florais são para nos auxiliar a manter o foco e não procrastinar aquilo que deve ser feito. A primeira essência faz parte dos florais da Califórnia, é o Tansy, o padrão de desequilíbrio que ele vem auxiliar é o da letargia, procrastinação, incapacidade de agir de modo direto, e quando ainda temos hábitos que minam ou subvertem a verdadeira intenção do Eu. As qualidades que essa essência nos auxilia a mobilizar é a da ação deliberada e cheia de propósito, o auto direcionamento, o de uma pessoa decidida e orientada por metas.

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Hornbean – Reprodução

A segunda essência pertence ao sistema de Bach é o Hornbeam, ela vem trazer o entusiasmo, a alegria e o nosso envolvimento e comprometimento com nossas tarefas diárias. É uma essência maravilhosa quando estamos saturados da rotina – e porque não deixar para amanhã o que podemos fazer depois de amanhã, não é mesmo? A essência floral Hornbeam, vem nutrir a alma com força e vitalidade renovadas, para que ela possa viver no mundo de forma alegre e eficaz.

Chuva de ouro - Reprodução
Chuva de ouro – Reprodução

Nesta terça-feira o Sol ingressa no signo de Touro, signo regido por Vênus. Em tempos tão difíceis, a sugestão é um bálsamo para esta Vênus que atualmente encontra-se com aspectos tão tensos. E a essência floral é a Chuva de Ouro do Sistema Filhas de Gaia. “Ajuda–nos a manter o foco na abundância do Amor que se expressa através da beleza da vida que nos envolve, em cada situação ou momento de nossas vidas. Favorece ao processo de reaprender a nutrir–se deste Amor que emana da beleza de uma flor, do canto de um pássaro, do movimento das nuvens, do sorriso de uma criança. Facilita o discernimento e clareza sobre a real qualidade das emoções com as quais nos nutrimos, muitas vezes, de uma maneira inconsciente. Este movimento favorece nossa libertação do vício de nutrição emocional e mental negativa. Nutrir–se na abundancia do Amor que sustenta a Vida que nos cerca, para libertar–se do vício de nutrir–se de medo, carência, pena, hostilidade, dificuldades econômicas, auto piedade, tristeza, adrenalina e tantos outros sentimentos ou pensamentos mal qualificados que nos mantém alienados de nossa Verdade.”

Scarlet Monkey Flower - Reprodução
Scarlet Monkey Flower – Reprodução

E para a Lua Cheia em Escorpião a essência sugerida faz parte do Sistema da Califórnia, e a Scarlet Monkeyflower, ela vem nos auxiliar a lidar com o medo de sentimentos intensos, ou com a repressão das emoções fortes, bem como a incapacidade de resolver as questões relacionadas à raiva e à impotência. Ela nos auxilia na honestidade emocional e na comunicação clara e direta dos sentimentos profundos, assim como na “integração” da nossa “sombra” emocional.

 

Patrícia Vaz Vilela
Terapeuta Floral – ASTERFLOR/MS 43
Rua Dourtor Arthur Jorge, 2455
Bairro Monte Castelo
Cep 79010-210
(67) 9245-6604
Campo Grande – MS

 

Rhed Fawell - Reprodução
Rhed Fawell – Reprodução

Lua Nova em Áries – Morrer para Renascer

Frank Mara - Reprodução
Frank Mara – Reprodução

A Lua foi nova hoje, 07 de abril, às 08h23min no horário de Brasília e às 11h23min no horário de Lisboa. A Lua Nova de Áries marca o começo definitivo deste ano astrológico, que foi iniciado com a ingressão do Sol em Áries, mas ainda no ciclo de Peixes. Portanto, se estávamos precisando de energia, impulso ou mesmo um “empurrão” para acordar e renascer, o momento é agora! Esta é a nossa deixa para sair da coxia, passar pelo doloroso canal do parto e entrar no palco central da vida, berrando e esperneando. Ruidosamente, desabridamente, começar de vez este ano que até agora parece ter apenas se arrastado!

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Áries é o signo da iniciação, que traz presente o arquétipo do parto, o momento primeiro da nossa entrada na encarnação, nesta experiência humana, terrena e material. Flávio Gikovate diz que o parto é uma “evolução para pior”, porque no útero já estávamos naquele estado de felicidade urobórica, em perfeita unidade com a mãe-vida-Deus, no êxtase e beatitude da unidade com o Todo. E então a gente é expulso desse Paraíso! “Vá nascer!”, “Cabô moleza!”. À semelhança do mito da criação, somos expulsos do Paraíso e jogados neste Vale de Lágrimas. “Com o suor da fronte comerás o pão, até que voltes à terra, porque dela te tiraram; pois és pó e ao pó voltarás”. E Adão foi povoar o mundo junto com Eva, lutando permanentemente contra o impulso de morte e contra o desejo de retornar ao Paraíso, que no fundo são a mesma coisa. E lá vamos nós, nascer na vida, no Vale de Lágrimas!

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Áries nasce das Águas Ulteriores de Peixes que, exatamente por serem as Derradeiras, voltam a ser as Águas Primordiais, de onde surge toda a Vida. Para renascermos em Áries, precisamos morrer em Peixes e assim a Roda da Vida segue seu ciclo, a exemplo da grande serpente Uroboros, eternamente engolindo a própria cauda, na autofagia que leva ao renascimento e ao novo ciclo. Assim, Áries encerra em si esse grande paradoxo: ele surge da Fonte Divina da vida, surge da Unidade, para se diferenciar e individualizar na experiência terrena, individualização que começa pela luta de vida e morte do parto e que se consubstancia no corte do cordão umbilical, a cisão que que corresponde ao click da chave sendo girada no portão do paraíso que acabou de ser cerrado às nossas costas. Agora estamos por nossa conta e risco! Temos a grande missão de ser, de nos individuar. Conseguiremos? A vida dirá!

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Este dilema do nascer-morrer-renascer surge, agudo e potente, nesta Lua Nova de hoje. Ser expulsos do Paraíso para uma realidade que é qualquer coisa, menos paradisíaca e ainda assim, recuperar essa memória primordial da perfeição dos mundos, para tentar criar um paraíso na terra, forjado a cutelo, à força do nosso braço, trabalho e suor, abrindo picadas na selva bravia do mundo manifesto, mero reflexo da selva ainda mais selvagem e inescrutável que é a  nossa alma densa.

Lua Nova em Áries - Brasília, 07 de abril de 2016, 08h23min
Lua Nova em Áries – Brasília, 07 de abril de 2016, 08h23min

A Lua Nova ocorre a 18°04’ de Áries, em conjunção aplicativa a Urano e em quadratura separativa a Plutão em Capricórnio. Sol e Lua ainda fazem um trígono separativo a Saturno, o Senhor da Separação por excelência. Urano é o Grande Despertador Cósmico, aquele raio que cai abruptamente, estrepitosamente diante de nós, aluminado tudo em volta, às vezes ao ponto de nos cegar temporariamente, tal a potência e fulgor dessa luz. Essa luz tem o poder iluminar a mente e a realidade, de modo que a percebemos de uma maneira inteiramente nova, como jamais a tínhamos enxergado, mesmo que ela tenha estado diante de nosso nariz por muito tempo. Assim, essa luz traz uma “revelação”. Mas para captarmos e assimilarmos tal “revelação” precisamos estar abertos a ela. Quem tem olhos para ver que veja, quem tem ouvidos para ouvir, que ouça. Urano também sugere que o corte do cordão umbilical é ainda mais rápido, a tesoura de aço inoxidável é também inexorável: a separação, o despertar da névoa e das brumas em que estivemos envoltos precisa ocorrer para já, para ontem! A quadratura a Plutão indica que já morremos muitas vezes antes, que enfrentamos muitos de nossos medos e demônios, já sabemos que eles irão conosco aonde formos porque são parte de nós e agora, de posse da força gerada por este enfrentamento, precisamos renascer, reviver, reinventar-nos completamente. Despertar para a nova realidade, sem anseios regressivos de uma salvação trazida por outrem, mas dispostos a sermos, nós mesmos, os únicos protagonistas da saga heroica que é a nossa história, mesmo que essa seja uma história anônima e comum, longe de holofotes e pós mágicos de celebritismos instantâneos – isso porque, em última instância, essa saga mítica que é nossa, esse mito pessoal, interessa somente a nós mesmos e não deve ser produção em série para ser vendida a troco da validação do olhar alheio. Despertar para nosso mito pessoal e vivê-lo verdadeiramente, com audácia, coragem, vigor e autenticidade, é o chamado dessa Lua Nova!

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Contudo, as brumas que deixamos para trás teimam em nos seguir e alcançar. O regente da Lua Nova, Marte, está irremediavelmente engolfado nessas brumas. Marte está em Sagitário, numa conjunção ampla a Saturno, ambos em quadratura a Netuno de um lado e a Júpiter de outro. Temos aqui o planeta da vontade e da individualidade envolvido com companhias complicadas. Dois destes planetas negam, de formas diferentes, os intentos de Marte. Netuno nega pela dissolvição da vontade e das certezas, portanto, precisamos lidar com nosso próprio desânimo e letargia, nossa própria insegurança e falta de rumo representados por Netuno. Muito esforço é requerido para termos uma noção clara das nossas reais possibilidades, já que envolvido com Júpiter-Netuno, este Marte Sagitariano torna-se mais inflado (já é meio inflado em Sagitário) e pode ser apenas um balão de gás, vazio de substância real. Neste contexto, Saturno torna-se um grande amigo, a âncora da realidade no mar bravio dos excessos Jupiterianos e da ilusão Netuniana. Saturno nega porque representa limites e restringe o anseio desse Marte desabrido de “abraçar o mundo com as pernas”, dizendo-lhe que ele poderá até conseguir realizar tais intentos, mas somente à custa de muito trabalho e esforço, de renúncia, estoicismo, disciplina, perseverança. A situação fica um pouco mais complicada: Marte está a exatos nove dias de estacionar para entrar em movimento retrógrado e já trafega o grau em que estacionará. Hesitação. Vacilação. “Estou perdido. Vou, fico ou retorno? A névoa me impede de ver a direção certa. Perdi algo lá atrás, mas não sei direito o que foi, preciso voltar e recuperar… Acho que foi minha vontade que perdi, a conexão com o que realmente sou e quero, o desejo de ser e de me diferenciar. Mas não tenho certeza, porque também perdi todas as certezas. No caminho do regresso, ao encontrar o que foi perdido, saberei do que se trata”. Sem certezas. Assim vamos nós.

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A situação de Marte indica que há muita ambivalência no nosso renascimento, que já não temos muita certeza se queremos, de fato, renascer – seria tão fácil desistir e nos deixar arrastar pela correnteza, tão mais simples e menos dispendioso… Para quê tanto esforço? Marte hesita. Hesitamos nós. Para lá ou para cá? Marte, como dispositor e regente da Lua Nova sugere o desejo regressivo de voltar ao Paraíso Perdido, como se o bebê hesitasse em tomar o canal do parto e se delongasse no útero, adiando a cisão, adiando o nascimento; ou como nosso despertar de manhã cedo, em que dizemos “só mais cinco minutinhos e eu levanto”. Mas sabemos aonde a hesitação do bebê nos leva: à morte! De fato, precisamos lidar conscientemente com este impulso de morte, o desejo de desistir, de parar a luta, o desejo de não ser, que está presente neste ciclo, indireto, mas insidioso. Conscientemente marchamos na infantaria, peito aberto, aparentemente dispostos à luta e a fazer o que for necessário para nos mantermos vivos. Mas lá na frente, quando já divisamos o inimigo diante de nós, tememos e trememos e, ao invés de lutar, ansiamos por simplesmente nos render, porque temos dúvidas se tal luta valerá o esforço, se valerá a pena todo o sacrifício, se temos qualquer chance de ganhar. Será? Contudo, Marte envolvido com Netuno e Júpiter também pode representar prodígios e benesses, se soubermos tirar proveito do posicionamento e ficarmos atentos às suas armadilhas: Marte-Netuno-Júpiter, que são os aspectos mais próximos aqui, indicam grande sensibilidade, imaginação rica e ilimitada e uma vontade que se move pela compaixão e pela fé mais do que pelo desejo egoísta de realização individual. Então, é claro que este Marte também traz potenciais de poesia e rica sensibilidade.

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Nota rápida: é interessante que, falando particularmente da situação do Brasil, quando olhamos o mapa levantado para Brasília, vemos que A Lua Nova cai na cúspide da Casa 12, apontando, de novo, para esse paradoxo Peixes-Áries, dissolver-se ou diferenciar-se; morrer ou renascer; render nossa vontade, render-nos nos braços de um “salvador”, ou assumir nossa responsabilidade pelo que queremos realizar. O que isso diz sobre o momento do Brasil? Deduza você!

Desconheço o autor - Reprodução
Desconheço o autor – Reprodução

Há outras dificuldades inerentes a este ciclo, simbolizados pela falta de Ar neste mapa. Tudo aqui é Fogo e Terra. Há apenas Netuno e Quíron em Água e nada em Ar. Mercúrio, o planeta da mente e do raciocínio, está em Touro e praticamente sem aspectos, a não ser por uma sesqui-quadratura muito ampla a Saturno. Uma mente literal e obtusa, que só vê o que quer ver. Rigidez e fixação de ideias e pontos de vista. De modo geral, há dificuldade em planejar, em projetar adequadamente a  ação e em nos distanciar para ter uma visão ampla daquilo que tentamos construir. É como imaginar e idealizar algo (Fogo) e SEM se dar ao trabalho de planejar ou ponderar sobre sua viabilidade, já nos lançarmos à sua execução e concretização. Todo mundo que já tentou realizar algo desta maneira teve que parar no meio da história porque faltou material, tempo, dinheiro ou qualquer outro recurso ou porque simplesmente surgiram toda a sorte de problemas não cogitados. Falta de planejamento e elucubração. Falta de Ar.  Mercúrio sem aspectos demanda cautela para não nos tornarmos obsessivos e obtusos em nossas ideias, sem dar ouvidos a ninguém. Este é um dos grandes riscos do ciclo: falta de planejamento adequado naquilo em que nos lançamos e desejamos realizar. E sem planejamento, ficamos presos entre uma visão grandiosa (Fogo) e as muitas limitações para realizar tal visão (Terra). A Terra, que simboliza a capacidade de realização e concretização, pode tornar-se apenas símbolo de limites e de imperfeição. E voltamos ao dilema da expulsão do Paraíso.

É engraçado que eu não tinha analisado o Símbolo Sabiano previamente, antes de construir minha linha de raciocínio para este artigo. Às vezes eu faço isso de propósito, para me deixar surpreender ou para me desafiar a encontrar maneiras de “costurar” o Símbolo dentro da minha argumentação. Ele confirma ou contradiz a minha análise? Este símbolo é uma grata surpresa: “Um tapete mágico paira sobre a realidade depressiva do cotidiano numa área industrial”.

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Um tapete mágico é algo que permeia nossas fantasias e que sugere a ideia de escapar para terras também mágicas, onde tudo é possível. Este tapete, símbolo da capacidade de escapar pela magia e imaginação, paira sobre uma área industrial depressiva, símbolo da competição humana e do desenvolvimento industrial com suas consequências nefastas de depredação e obsolescência da vida como um todo, ou da “vida baseada na produção e consumo material, com a resultante poluição”* . O tapete representa a capacidade de nos distanciarmos e observarmos as situações de fora, refletindo sobre elas mais impessoalmente, sem nos deixar contaminar por elas, sem nos envolver demasiadamente – talvez este símbolo enfatize com isso a necessidade de analisarmos as coisas de fora e nos reporta à falta de Ar desta Lua Nova, já analisada acima.

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O tapete pairando sobre esta realidade sombria de uma área devastada pela ação humana, em nome do “progresso”, remete-nos novamente, para o tema do nascimento e enfrentamento da realidade em que nos encontramos (Sol-Lua em Áries-Saturno + Lua-Plutão) versus os apelos regressivos e escapistas representados pela situação “grudenta” e capciosa de Marte-Júpiter-Netuno… Obviamente esta é uma leitura negativa deste Símbolo. Entretanto, o Símbolo, como tudo na Astrologia e na vida, também tem uma interpretação auspiciosa: o tapete vem simbolizar que, não importa quão depressiva e feia esteja a situação, ainda podemos nos elevar acima de tal realidade e transcendê-la.

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Faço questão de trazer na íntegra o texto de Lynda Hill* sobre este símbolo: “’Um Tapete Mágico’ talvez seja o que é necessário agora. Ao nos elevar acima das ‘realidades depressivas’ ao nosso redor, podemos ter uma melhor perspectiva sobre as questões mais difíceis da nossa vida. O ‘Tapete Mágico’ é, na verdade, um veículo para a imaginação e usar a imaginação pode elevar nosso entendimento, consciência e existência às místicas, às vezes fantásticas esferas. Há uma mensagem clara de que você tem a habilidade de se elevar acima de ou mesmo transcender, preocupações e contendas. As coisas serão reveladas a você se você permitir que as verdades espirituais e criativas aflorem à sua consciência. é preciso cautela para não subestimar o poder em potencial nas coisas mais prosaicas e mundanas, porque pode haver sinas ‘mágicos’ nelas. Talvez você esteja sendo escapista ou sonhando com o impossível. Você está tentando usar o ‘Tapete Mágico’ para ver uma Verdade Maior? Quais novas ideias você pode materializar na sua vida para se elevar acima de onde você está agora? Palavras-chave: Visões e perspectivas elevadas. Achar um veículo para a transcendência. Elevar-se acima dos problemas. Meditação. Pensamento lateral e criativo. RISCOS: incapacidade de lidar com a realidade. Escapismo. Anseio por se perder. Perder-se completamente em fantasias irreais. Drogas e álcool para escapar da realidade. Poluição. Sentir-se estagnado”. Sim, o símbolo é mágico e magicamente confirma os temas da Lua Nova.

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Como vemos, a Lua Nova aponta em duas direções básicas: escapar, desistir e morrer, abrir mão da vontade e dissolver-se no caos por não conseguir enfrentar a dureza e a imperfeição da realidade; ou renascer corajosamente e abrir-se à revelação que será instrumental para o nosso despertamento pessoal. E há, ainda, uma terceira via: enfrentar a visão sombria dessa realidade fumacenta e elevar-se acima dela, não para escapar, mas para transformá-la. Nascer nessa realidade para transformá-la e buscar a transcendência. Usar os insights e revelações gerados pela rica imaginação e pelos flashes Uranianos para criar uma outra realidade, de maior consciência e verdade. Como respondemos a este desafio? Renascemos ou nos deixamos perecer?

Chechetta - Reprodução
Chechetta – Reprodução

*Lynda Hill é uma astróloga australiana que se dedica ao estudo dos Símbolos Sabianos e escreveu um livro sobre sua interpretação: Sabian Symbols – 360 degrees of Wisdom

 

Frank Mara - Reprodução
Frank Mara – Reprodução

As 12 Noites Sagradas – LIBRA, a igualdade nas relações

Libra-TattoosHoje é o dia e a Noite Sagrada de Libra e eu me encontro dividida entre várias coisas, querendo fazer todas elas, sem poder. Tenho que escolher, mas como?  Na verdade, isso não é algo que me ocorre só hoje. Com a Lua em Libra e Sol na casa sete, casa natural de Libra, isso é uma constante na minha vida (para entender o que são As 12 Noites Sagradas clique aqui).

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Libra – De um Livro Medieval de Astrologia Domínio Público/Wkimedia Commons

Do site de Antroposofia Edna Andrade nos fala sobre a Noite de Libra: “Nesta décima Noite Santa, através do portal da Balança – Libra, recebemos dos Dynamis, ou Virtudes, os impulsos espirituais para desenvolver o equilíbrio interior e conseguir conter as forças de dispersão para que tenhamos uma vida coerente e harmoniosa.” 

“Nesta noite reconheça quais os pontos de equilíbrio de sua vida. Da região de Libra, os Dynamis, Espíritos do Movimento, trazem a você a capacidade para equilibrar na alma as forças de dispersão e ter uma vida coerente e harmoniosa.” (1)

LIBRA é AR CARDINAL. É Masculino, Ativo, Positivo. Seu símbolo é uma representação gráfica da balança, que, aliás, é como o signo era chamado na antiguidade. Uma peculiaridade sobre este símbolo já nos diz muito sobre a sua natureza: é o único signo do Zodíaco cujo símbolo é inanimado, ou seja, não é um animal, nem criatura de sangue frio, nem criatura humana… Isso nos fala de um signo bastante desapegado do ponto de vista emocional e sentimental; ele tem um distanciamento emocional bastante pronunciado, se diria mesmo, totalmente afastado do Reino dos Instintos. Sim, é o signo dos relacionamentos por excelência, mas isso do ponto de vista racional, até porque ele é signo de Ar. Esse símbolo inanimado, sem associação com animais também nos diz que este é o signo mais civilizado do Zodíaco, e como diz Sue Tompkins (2), isso é a bênção e a maldição de Libra, porque civilidade é algo mais que necessário para se viver em sociedade, por outro lado, o excesso faz com que nos removamos da esfera dos sentimentos humanos, tornando-nos até mesmo, frios.

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Fonte Zodiacal – Jaffa, Israel Wikimedia Commons

A balança tem um simbolismo imediato: a necessidade de EQUILÍBRIO, que é a grande tarefa que este signo precisa desenvolver. A balança também é o grande símbolo da JUSTIÇA, e era um dos símbolos da deusa Atena, uma versão mais racional de Afrodite. A balança era usada pelos egípcios para simbolizar o JULGAMENTO  a que todas as almas eram submetidas diante de Osiris no Mundo Subterrâneo. Quando alguém morria, sua alma era guiada da Terra dos Vivos para a Terra dos Mortos pelo deus Anubis, uma contraparte do deus grego Hermes. A alma era submetida então a um rito de passagem diante de Osiris. Havia uma balança gigantesca, havia Maat, a deusa da Verdade que pesaria o coração do morto e havia Amemait, o Devorador (um monstro que era parte leão, parte hipopótamo e parte crocodilo), aguardando para devorar o coração dos injustos. Havia ainda várias outras personagens no salão, alguns com cabeça de animal, outros com cabeças humanas, a quem o morto deveria responder quando perguntado sobre ações negativas que teria empreendido enquanto vivo. Então a alma do morto era pesada, colocando-se em um dos pratos da balança o coração do morto e no outro prato a própria deusa Maat ou a sua pena da verdade. Se os dois pratos ficassem em equilíbrio significava que os pecados daquela alma não suplantavam o peso da Verdade, então os juízes emitiam um veredicto favorável. Quando porém o coração pesava mais, ele era atirado ao monstro Amemait, simbolizando a condenação da alma do morto. A Deusa Maat personificava a lei, a verdade e a ordem social, diz Liz Greene (3). Ela era uma espécie de Moira (Deusa do Destino) civilizada, em que o instinto da vingança se transforma na necessidade de justiça e de se seguir códigos éticos e morais. Os temas da Justiça, da Ética e da Moral são, pois, temas muito caros a Libra e não é por acaso que Saturno está exaltado aqui, já que estes assuntos também lhe são preciosos.

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Libra – Johfra Bosschart Reprodução

A balança nos fala, então, da necessidade de pesar as coisas, de avaliar cada lado de uma situação e tentar chegar  uma CONCILIAÇÃO. Porque assim como Gêmeos, Libra precisa aprender a construir pontes, a mediar conflitos e tentar achar um caminho do meio. ACORDO e AJUSTE são outras palavras associadas a este signo, que tenta sempre ser DIPLOMÁTICO e agradável, sempre achando algo positivo para dizer sobre qualquer situação ou pessoa. É também o signo da persuasão e da estratégia, sabendo como ninguém como lidar com pessoas nas mais diversas situações, daí a se tornar manipulador, pode ser um pulo também. Ele tem uma capacidade incrível de persuadir você a fazer o que ele quer, fazendo você achar que é o que VOCÊ quer. Por isso, ele se sai muito bem nas profissões que trabalham na busca de conciliação ou de justiça, como é o caso dos profissionais da lei: advogados, juízes, promotores. Outro meio em que eles podem se sobressair é nas profissões de aconselhamento, por sua incrível capacidade de perceber os diversos ângulos de uma questão e ver as situações de fora.

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Libra – Balança – Guido Bonetti – Liber Astronomiae Wikimedia Commons

Libra é o signo oposto complementar de Áries e isso nos diz da sua busca por igualdade nos relacionamentos, pois ele tenta consertar o desequilíbrio criado por Áries, que só pensa em si. Em Libra o Eu encontra um Tu e precisa aprender a ceder, a negociar a própria vontade com a vontade do OUTRO. Eu + Tu = NÓS. Libra vê o OUTRO como um igual e é o primeiro signo a fazer isso, diz Tompkins.  Assim, Libra precisa de RELACIONAMENTOS, de todos os tipos: afetivos, de amizades, sociais… Sem o outro, Libra se sente vazio e a vida fica sem sentido. O Outro é seu ESPELHO, do qual ele precisa para aprender sobre si mesmo, pra aprender a se reconhecer. O problema é quando esse espelho se torna mais importante do que o eu, quando só vivo a partir do reflexo que vejo no outro, ou seja, vivendo exclusivamente a partir da projeção ou eternamente dependendo da aprovação e aceitação do outro para me sentir reassegurado e funcionar no mundo.

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Harmonia é a sua grande busca, mas por incrível que pareça, ele está sempre metido em grandes conflitos e imbróglios espinhosos, sem entender porque, quando tudo o que ele queria era estar em paz com todos. Ora, Libra é o grande PACIFICADOR, e qual a função de um pacificador? Pacificar! Então, ele vai sempre ser atraído para a guerra e o CONFLITO, para que possa fazer o que faz de melhor. Tanto que, se as coisas estão “certinhas” demais, agradáveis demais, ele pode criar crises medonhas só para se sentir necessário, ou seja, cria um conflito para ele mesmo resolver. Isso é algo que tem a ver também com a necessidade de equilíbrio de que falamos acima: o equilíbrio é algo tão importante, que mesmo sendo associado com a harmonia, Libra pode agir de forma exatamente contrário quando chega num ambiente em que tudo está “agradável” demais. Ironicamente, ele sente a necessidade de criar alguma desavença para que o equilíbrio se estabeleça, paradoxal como possa parecer.

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O Nascimento de Vênus – Boticelli – Foto: Maria Eunice

Libra é regido por Vênus, uma versão mais civilizada e racional de Vênus, não aquela mesma que rege Touro, que é mais terrosa. A Vênus que rege Libra é associada também a Urânia e a Atena, a deusa da estratégia e do pensamento racional. É a Vênus que nasceu do sêmen dos genitais de Urano, jogados ao mar por Saturno. Ou seja, daí apreendemos novamente uma qualidade desapegada e mental deste signo.

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Amanda Charchian – Reprodução

Espere aí! Mas Libra não é “o signo do amor”? Quem falou, Cara Pálida? Claro que não! Libra é o signo do RELACIONAMENTO. Amor é outra história bem diferente! Libra realmente não é sobre amor, porque amor tem a ver com sentimento também e sentimentos são coisas primitivas e tumultuadas, com os quais os signos de Ar têm grande dificuldade de lidar. Libra está interessado em RECIPROCIDADE, mutualidade, unidade, acordos, e, em última análise,  CASAMENTO,  PARCERIA. Amor? Não necessariamente.

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Símbolo de Vênus – Acrilíco – Maria Eunice Sousa

Sendo regido por Vênus, Libra é, pois, um signo de grande apuro estético, de gosto refinado, charmoso, cortês, elegante e gracioso. Ele sempre sabe como agir de forma conciliatória e educada em todas as situações – a não ser que esteja vivendo a partir da sombra de Áries, ou se tiver ênfase grande em outros signos. De qualquer forma, aqui estamos falando do arquétipo puro e ninguém é um arquétipo. Libra também é um signo que tem senso de simetria e proporção, daí seu gosto pela Beleza, no sentido mais amplo do termo, o que nos leva às artes e ao conceito de Ordem, Estética e Plasticidade, que dá a ele um olho clínico para apreciar coisas de valor  – daí vem também sua grande criatividade, da sintonia com a harmonia e se ele mesmo não for artístico, certamente terá gosto estético apurado ou poderá ajudar a promover as artes de forma indireta, sendo marchand, trabalhando em museus ou galerias de arte. Da mesma forma, ele detesta coisas e situações grosseiras, sórdidas, feias e quando precisa fazer algo que “suje suas mãos” ele vai dar um jeito de persuadir alguém a fazer o trabalho sujo por ele.

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Libra – Ornamento da igreja de Saint-Austremonius of Issoire (Século XII) Auvergne, França – Domínio Público – Wikimedia Commons

Assim como Touro, Libra não gosta muito de chutar o balde, porque não é muito afeito a mudanças. Às vezes ele vai se anular, se tornar um capacho, uma maria-vai-com-as-outras para tentar agradar e ser aceito e aprovado; fará qualquer coisa para manter a paz, muitas vezes varrendo a sujeira e o descontentamento para debaixo do tapete, para não ter que lidar com o lado desagradável da vida – mas Escorpião logo em seguida vai levantar esse tapete e mostrar a sujeira que Libra tão arduamente tentou esconder. É que ele realmente não gosta de “estragar” as coisas e assim como Capricórnio, investe muito em manter o status quo, especialmente porque precisa mostrar uma imagem agradável, bonita, correta, simétrica para a sociedade. Está sempre preocupado com “o que os outros vão pensar”, por causa da sua necessidade imensa de aceitação e aprovação. Assim, de certa forma, pode ser um signo bastante conservador.

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Constelação de Libra – Reprodução

Uma de suas grandes fraquezas, a INDECISÃO, nasce exatamente da necessidade de harmonia e justiça. Como está sempre pesando as coisas e as situações, ele pode ficar paralisado, incapaz de escolher, porque consegue ver o lado bom e as vantagens de todas as alternativas. Isso também o faz evitar todo tipo de CONFRONTAÇÃO, o que enerva terrivelmente as pessoas com quem ele convive, assim como sua mania de querer agradar a todos, o que só o levar a desagradar a um monte de gente. Por causa disso, Libra é acusado de ser falso, e ele pode mesmo ser, pois morre de medo de ser rejeitado se falar a verdade e o que realmente pensa. Na verdade, diz Tompkins, ele já sabe o que ele quer: e o que ele quer é não ter que escolher, não ter que decidir nada e assim, muitas vezes, deixará a decisão e a escolha a cargo do outro, que vai escolher conforme lhe aprouver, só para ouvir depois de Libra: “mas não era isso que eu queria”. Quem vai entender?

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Ricardo Falero – Reprodução de Wikimedia Commons

No corpo Libra rege os rins, que a medicina chinesa associa ao medo, medo que é associado com Saturno, que não por acaso está exaltado em Libra. Os rins também nos lembram, de novo, da idéia do equilíbrio, porque são dois iguais, trabalhando lado a lado, como os pratos da balança. “A função dos rins é purificar o organismo das toxinas e substancias nocivas. Quando os relacionamentos se tornam a tal ponto envenenados que você acaba perdendo a cabeça por outra pessoa, é muito provável ocorrer um mau funcionamento dos rins. Quando um intenso desejo de encontrar um parceiro ou companheiro não se realiza num nível externo, manifesta-se, geralmente, uma profunda gulodice por doces, que conseqüentemente estimula o diabetes, doença governada por Libra” (4) A-há!

Essa questão de aprender a escolher nos leva ao principal mito relacionado a Libra: o mito de Páris e Helena, também chamado a Escolha de Páris, do qual trago um resumo e a interpretação de Liz Greene, e que para enfatizar isso, coloco em itálico.

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A Escolha de Páris – Deconheço o autor   Reprodução

Páris teve que fazer uma escolha que o deixou embrulhado em muitas complicações, que é algo típico do padrão de desenvolvimento de Libra. Páris era filho do Rei Príamo e da Rainha Hécuba de Tróia. Antes de ele nascer, foi profetizado por um oráculo que ele causaria a destruição de Tróia. Então o bebê foi deixado no Monte Ida para morrer, mas ele foi salvo e alimentado por uma ursa e posteriormente criado por um pastor da região do Ida. Ele cresceu para se tornar um jovem inteligente , forte e particularmente bonito e por causa de suas proezas com as mulheres e sua superior capacidade de julgamento, ele foi convocado por Zeus para fazer uma escolha ingrata, pra lá de espinhosa. Ocorre que os deus resolveram dar uma grande festa no Olimpo e chamaram todos os deuses, menos uma, Eris, a Deusa da Discórdia e do Caos, por razões mais do que obvias. Mas ela não se fez de rogada e foi mesmo assim e no meio da festa ela jogou uma maça dourada sobre a mesa do banquete, com os dizeres: “Para a mais bela de todas as deusas”. Hera, Atena e Afrodite se engalfinharam pela maçã, cada uma querendo-a para si.

Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender livra
Libra – Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender

Nenhum dos deuses era tolo o suficiente para querer arbitrar tal escolha difícil. Então, chamaram Páris, que estava tranquilamente apascentado seu rebanho no Ida. Hermes apareceu diante dele, acompanhado de Hera, Atena e Afrodite e lhe entregou a bendita maçã, solicitando que ele fizesse a fatídica escolha. Ora, Páris não era nenhum idiota e de cara percebeu a confusão em que tinha se metido, sabendo de antemão que escolher uma incorreria na fúria das outras duas. Como bom Libriano, político e charmoso, ele sugeriu dividir a maça entre as três. Zeus, porém não permitiu que ele se evadisse da questão, demandando uma decisão. Ele implorou a elas que não se zangasse com ele depois da decisão e claro, todas prometeram não se vingar, independente do resultado da disputa.

 

Jacques Louis David 1748-1825 The Courtship of Paris and Helen Oil on canvas
O namoro de Paris e Helena – Jacques Louis David (1748-1825) Óleo sobre Tela Reprodução

Todas se despiram e então Hera ofereceu a Paris o governo de toda a Ásia e prometeu fazê-lo o homem mais rico do mundo se ele a escolhesse. Porém Paris, sendo Libra, não estava interessado em riqueza e poder, menos ainda na responsabilidade que isso implicava. Atena lhe prometeu vitórias em inúmeras batalhas e que ele se tornaria um guerreiro muito respeitado e honrado em todo o mundo. Mas isso era outra coisa que não o interessava, já que ele não era Áries, mas sim Libra. Então Afrodite, tendo percebido o que o motivava, prometeu-lhe a mulher mais bela do mundo para esposa, que era Helena, filha de Zeus e Leda, que já encontramos no mito de Gêmeos, e que era, por acaso, esposa de Menelau, rei de Mikenai. Páris objetou que ela já era casada, mas Afrodite lhe garantiu que isso não seria problema e que ela daria um jeito de helena ficar livre para ele. O tolo acreditou, seduzido que já estava pela beleza de Helena e deu a Afrodite a maçã dourada sem pensar duas vezes. As outras deusas ficaram zangadíssimas, que renegando sua promessa anterior, juraram vingança e se aliaram para planejar a destruição de Tróia. Quando Páris encontrou Helena, no palácio do seu marido, os dois se apaixonaram instantaneamente e fugiram para Tróia, o que provocou uma guerra de dez anos, já que os gregos queriam se vingar do insulto e da humilhação de perder sua rainha para Páris. Nesta guerra, Tróia foi, de fato destruída, e não apenas Páris foi morto, mas também seu seus três filhos com Helena e seu irmão Heitor, que era valoroso guerreiro. Helena foi no fim devolvida a seu marido, já que era semi-divina e estava sem culpa, pois tinha sido apenas um peão nas armadilhas de Afrodite.

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Arcano VI Os Enamorados Tarô de Nei Naiff

Esse mito nos fala da coisa mais difícil para Libra: a necessidade de se fazer escolhas e de se arcar com as conseqüências. Dizer não é dizer sim, dizer sim é dizer não, diz a canção. Quando escolhemos algo, temos que renunciar às outras opções, mas a escolha precisa ser feita e o preço por ela precisa ser pago, é o que a escolha de Páris representa. O fato de sua escolha ter terminado mal e de ter se desenrolado uma verdadeira e longa tragédia, não implica que esse seja o destino de Libra. Claro que não – embora as escolhas deste signo muitas vezes o levem a muita confusão e conflito. A outra coisa que essa estória vem salientar, é o padrão de triângulos amorosos que Libra costuma repetir vida afora. Porque ele simplesmente não consegue escolher entre os parceiros, já que um tem certos atributos e vantagens que o cativam sobremaneira, enquanto o outro também o preenche de forma inegável. Assim, ele vai buscar em duas pessoas diferentes (às vezes mais), a completude que lhe falta. Quanta confusão, heim, Librianos?

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Tirésias mata a serpente fêmea – Autor desconhecido Reprodução

Liz Greene traz presente ainda outro mito pertinente a Libra: A Escolha de Tirésias. Tirésias era um homem comum, que um dia estava caminhando pelo Monte Kilene quando viu duas serpentes copulando. As duas serpentes o atacaram e ele se defendeu com seu cajado, matando a fêmea. Imediatamente ele foi transformado numa mulher e passou sete anos vivendo como uma prostituta celebrada e famosa. Sete anos depois ele viu a mesma cena das serpentes copulando e desta vez matou o macho, tendo sua masculinidade restaurada, transformando-se em homem novamente. Assim, ele teve uma experiência peculiar e por causa disso, foi convocado por Zeus para dirimir uma querela entre ele e sua esposa Hera. Zeus, na sua grande malandragem, tentava justificar suas infidelidades dizendo que a mulher tinha muito mais prazer no ato sexual do que o homem, então ele precisava ter mais experiências. Hera, obviamente discordava disso – ela lá iria concordar com a promiscuidade flagrante do marido? Tirésias soube também de imediato que estava em maus lençóis, mas fazer o quê, tinha que emitir seu julgamento. Então ele se pronunciou dizendo se as partes do prazer do amor forem contadas como dez, três vezes três vão para a mulher e só uma para o homem. Hera ficou tão odiada com sua resposta que o tornou cego na hora. Zeus, compadecido, lhe deu o dom da visão interior e a capacidade de entender a linguagem dos pássaros. Ele também teve sua vida alongada em muitas gerações e mesmo depois de morrer seus dons seguiram com ele no Mundo Inferior. Ele aparece depois na estória de Édipo, como um vidente cego de grande insight e julgamento.

Krauss, Johann Ulrich, 1645-1719 - Yale Beinecke Rare Book and Manuscript Library
Tirésias, como mulher, mata a serpente macho – Johann Ulrich Krauss (1645 – 1719) Yale Beinecke Rare Book and manuscrit Library – Wikimedia Commons

Fazer escolhas é o destino de Libra, pois como dizem os ingleses, não dá para comer o bolo e ao mesmo tempo guardá-lo. Se fosse uma mulher a fazer a escolha, o imbróglio seria o mesmo, pois a escolha está lá antes da pessoa, simbolizando a eterna disputa dos deuses na psique humana. No fim, o que precisamos apreender é que a escolha de Páris reflete seus valores mais profundos e preciosos. Ele não escolhe poder, nem riqueza, nem glória. Ele escolhe sua anima, o relacionamento. E Liz diz que “a indecisão de Libra não nasce da incapacidade de fazer escolhas, mas do medo das conseqüências implicadas, porque qualquer decisão feita pelo ego implica necessariamente que outros conteúdos da psique serão reprimidos ou excluídos, o que gera uma grande ambivalência”, um atributo libriano que costuma invocar a exasperação daqueles com quem ele convive.

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Reprodução de Google Imagens

A estória de Tirésias também remete à dificuldade que Libra tem com o mundo dos instintos. A serpente é um símbolo da vida instintiva e da origem da vida, algo que encontramos em todos os signos de Água e que o Ar tem tanta dificuldade de lidar. As serpentes lembram a uroboros, que encontramos em Câncer. As serpentes também aparecem na Alquimia, macho e fêmea, formando a Unidade. Tirésias, assim, espionou um segredo da natureza e a Natureza é ciumenta de seus segredos, como também já vimos em Aquário. Ao matar a serpente fêmea, Tirésias inconsciente está fugindo de sua natureza instintiva, outra característica que todos os signos de Ar compartilham: o desgosto diante das funções orgânicas e biológicas do corpo, assim como da natureza em si mesma, com seus fluidos, odores, necessidades fisiológicas desagradáveis. Quer coisa mais deselegante do que uma diarréia? Ou mesmo um simples resfriado em que a pessoa fica espirrando, assoando o nariz a todo momento? Librianos a essa altura devem estar torcendo o nariz… Desculpem, Librianos. O que dizer então do ato sexual e a troca de fluidos, suor, ruídos, às vezes, bestiais? Para Libra o sexo é algo que precisa ocorrer sob as condições adequadas, de preferência com ar condicionado no último, sob lençóis de seda ou cetim, num cenário harmonioso e agradável. Sexo selvagem em lugares improvisados? Não, obrigado, Libra passa essa para Escorpião!

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Signo de Libra em pinel de mármore branco adornando um dos lados da Linha Solar Meridiana da Basílica de Santa Maria dos Anjos e do Martírio em Roma – Construída por Francesco Bianchini (1702) Wikimedia Commons

Tirésias é punido com a cegueira, mas essa cegueira significa que ele não pode mais ser seduzido pela beleza mundana das aparências, como Paris foi. Ele ganha o dom de olhar para dentro, para o Self e refletir. Greene opina que Páris seria Libra quando jovem e Tirésias seria Libra mais velho e mais sábio. Os dois são requeridos a resolver um dilema que os próprios deuses não conseguem e ao fazer isso, ambos são transformados, tanto o humano quanto o deus. A questão da escolha não é entre as opções que se têm diante de si; trata-se na verdade de decidir quais são nossos valores mais profundos, porque em ultima analise, é isso que motivará nossa decisão final. E quando se tem claros os valores, a decisão é conseqüência. A propósito, Vênus em Astrologia significa, entre outras coisas, nossos valores mais caros. Greene vai em frente dizendo que essas estórias talvez venham nos dizer que afinal, os deuses talvez não sejam tão justos quanto o homem. “Se Libra puder aceitar isso, então seu papel como promotor da civilização e reflexão torna-se genuíno e dignifica a nobreza do espírito humano.” (3) (Todas as citações de Liz Greene são do livro acima mencionado).

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Alegoria da Justiça – Antonio Canova – Artgate Fundazione Cariplo – Wikimedia Commons

Como já mencionamos, a Sombra de Libra é seu oposto, Áries. Libra, quando negativo, pode se achar vivendo de forma caótica, criando conflito aonde quer que vá, para se sentir necessário. “Quando ansioso e inseguro, Libra separa pessoas, ao invés de conciliá-las, mantendo-as para si mesmo para assegurar sua posição de domínio. Assim, ele se torna intolerante, parcial, criador de problemas e cisões, agindo de forma rude, deselegante, vivendo para provocar. Pode tornar-se manipulativo, preguiçoso e vaidoso, vivendo para buscar admiração e o endosso de suas ações” (5). Ou seja, pode se tornar mais tirânico e egoísta do que o pior dos Arianos, assim como Áries negativo pode ser indeciso  e capacho dos outros. Libra precisa então, aprender com Áries como ser assertivo e direto e Áries precisa aprender com Libra como acomodar o outro em suas decisões, como ter consideração pelas outras pessoas e buscar o equilíbrio entre sua vontade e a vontade dos seus iguais.

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Libra – Salvador Dali – Reprodução

 Meditação para Libra 

Observação: caso sinta qualquer mal estar, desconforto ou receio durante o exercício, interrompa-o imediatamente e abra os olhos. Esta meditação de hoje é inspirada numa meditação do Oráculo do Osho: “Sentado, tenha os pés apoiados no chão e as mãos apoiadas nas pernas. Afrouxe qualquer peça de roupa apertada e faça-se confortável. Feche os olhos e respire profundamente até sentir muita calma e pense na intenção do exercício: ver as pessoas e as situações como elas realmente são.

E veja, sinta, perceba ou imagine-se olhando para um espelho. Qual o tamanho, a forma, a cor deste espelho? O que você vê nele? Está límpido ou obscuro? Preste atenção a todas as imagens que aparecem sem se apegar a elas. Deixe-as vir e deixe-as ir. Agora, veja no espelho sua própria imagem. Perceba que sua imagem está distorcida, embaçada, pouco nítida. Esta visão turva sobre si mesmo representa sua dificuldade de saber quem realmente é, por isso está confundida numa bruma de ilusões. Respire uma vez e imagine que seu terceiro olho (entre suas sobrancelhas) se abre e imediatamente a visão que tem de si no espelho se torna clara e límpida, sendo assim ajudada por seu Ser Superior a encontrar a verdadeira pessoa que é. Focalize nesta visão nítida que agora aparece no espelho. Olhe-a nos olhos e deixe-a calar fundo na sua alma. Guarde essa imagem e lembre-se dela todas as vezes que se sentir confuso sobre suas escolhas e sobre o peso do outro na sua vida. Então, respire e abra os olhos.

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Vitrais da Catedral de Chartres – Chartres, França Wikimedia Commons

Música para Libra

 

Fontes pesquisadas

(1) Edna Andrade, Festas Cristãs

(2) Sue Tompkins – The Astrologer’s Handbook – Flare Puclications

(3) Liz Greene – A Astrologia do Destino – Weiser (Versão Inglesa)

(4) Joanna Wickenburg – Um Guia do Mapa Astral – Pensamento

(5) Frank Clifford – Getting to the Heart of Your Chart – Flare Publications

As 12 Noites Sagradas – ÁRIES, o Cavaleiro na Armadura Brilhante

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Reprodução

Hoje dedicamos o dia e a noite a ÁRIES

(Aproveito, já que estamos falando do signo da impaciência, para alertar aos leitores do blog, acostumados a uma ou duas publicações semanais, que as publicações diárias seguirão somente até o dia 06/01, período em que acaba a jornada das 12 Noites Sagradas. Agradeço a compreensão).

“Por que o Ariano atravessou a rua? Para bater boca com alguém lá do outro lado” – Acho que todo mundo já ouviu essa piada, não? Mas será que é justa à personalidade de Áries? Digam vocês, Arianos!

 

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Carneiro montanhês – Reprodução

Brincadeiras à parte, hoje é o dia de ÁRIES e eu já comecei com uma provocação. O dia foi corrido, cheio de atividades, e eu chego aqui meio “esbaforida” para publicar este texto com atraso. Esbaforido geralmente é o Ariano, tentando fazer tudo com pressa, tentando acabar antes de todo mundo, tanto que muitas deixa as coisas pela metade, ou faz tudo de qualquer jeito, porque para ele, o importante é ser o primeiro. Então Ariano, uma das tarefas é também aprender as coisas até o fim e cuidar para que fiquem bem feitas, Ok? E no seu dia, algo especial aconteceu?

Para Áries, Rudolf Steiner visualiza: “Este é o portal por onde o filho de Deus, o Eu cósmico adentrou da esfera macrocósmica, da esfera do Brama, Javé, de Alá, da esfera do divino para a nossa existência. Através deste portal ressoa no nosso cosmos vindo das regiões macrocósmicas além do zodíaco a voz do Pai”

“Este é o meu filho muito amado, hoje eu o engendrei.”

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Manuscrito conhecido como Kitab al-bulhan ou Livro das Maravilhas, mantido na Livraria Bodelian – Wikimedia Commons

Áries é o arquétipo da INICIAÇÃO, porque representa o arquétipo do parto, uma luta de vida e morte. O bebê está em êxtase na simbiose perfeita com a mãe no útero (PEIXES) e lá ele seria feliz para sempre, mas o tempo acabou e é hora de nascer, se não nascer morre. E ainda mata a mãe. É hora de deixar o paraíso e encarnar na experiência terrena da vida. Áries é esse bebê e a hora do parto. Da mesma forma, regido por Marte, o mais masculino dos planetas, ele é o poder fálico e inseminador por excelência, estejamos nós falando de homem ou mulher. Onde temos Áries no mapa natal é onde devemos ousar ser nós mesmos, ser pioneiros e nos colocar em primeiro lugar, sem pedir desculpas a ninguém. Aliás, aproveito para esclarecer uma coisa. algumas pessoas me reportam que quando leem sobre seu signo solar elas não se reconhecem, não conseguem perceber as qualidades do signo em si mesmas. Esse é um equívoco comum na Astrologia, gerado, em parte, pelas colunas de horóscopo. Acontece que o signo do Sol, o signo solar representa as qualidades que a pessoa veio desenvolver nesta vida, através do esforço consciente e empenhado. Então essas qualidades NÃO lhe foram dadas de graça. O que lhe é dado de graça é o signo da Lua, que representa as suas reações instintivas, automáticas. A Lua é fácil de reconhecer, mas o Sol… Isso é trabalho consistente, comprometido permanente. A Lua é o passado, o que você já trouxe na bagagem. O Sol é o futuro, aquilo que você veio se tornar e está se tornando. Então, quando a pessoa tem vários planetas nos signo solar, além do Sol, essa tarefa é, digamos, facilitada, mas quando só tem o Sol e tem um monte de outros pontos em outros signos, realmente vai demandar mais esforço. Tendo esclarecido isso, quero lembrar aos Arianos que ter o Sol em Áries significa que vocês vieram SE TORNAR Arianos, vieram trabalhar com afinco para desenvolver as qualidades da CORAGEM, PIONEIRISMO, AUDÁCIA!

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Carneiros em época de acasalamento – Reprodução

Áries é o FOGO CARDINAL, ATIVO, POSITIVO e MASCULINO, o fogo mais primitivo e mais puro. Tem energia de impulso, de AÇÃO, de ir para a frente. Vai “com a cabeça”, assim como o bebê tem que forçar a cabeça pelo canal do parto para nascer. O CARNEIRO é seu animal e símbolo, um animal que dá “cabeçadas” competindo com outros machos pela fêmea na época do acasalamento. Obviamente Áries rege a cabeça. O símbolo do signo lembra exatamente os chifres do carneiro, ou ainda as sobrancelhas carregadas do Ariano.

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Marte, regente de Áries – Maria Eunice Sousa

Para irmos direto ao ponto, já que ninguém aqui tem paciência para muita conversa nem para perder tempo, relaciono algumas palavras chaves que traduzem a alma do carneiro: enérgico, direto, honesto, imediato, rápido, ágil, impulsivo, instintivo, imaturo, ativo, decidido, heroico, corajoso, impaciente, ansioso, irritado, precipitado, imprudente, brusco, rude, agressivo… Sim, senhoras e senhores, ele é SELVAGEM! A lista é enorme e você pode acrescentar aqui os predicados que já lhe ocorreram nas interações com o Carneiro – muitas vezes almas mais delicadas saem com sérios arranhões das interações com este moço ou moça esquentado. “Parece que ele patrola os sentimentos alheios sem nem mesmo notar, mas não há nada de desonesto ou malicioso neste signo, que é primal e espontâneo demais para isso”, diz Clare Martin (2). Tanto que se lhe contarem que machucou alguém ele ficará mortificado, sem nem saber quando se deu isso e explode zangado muitas vezes, mas é mesmo o “arroto” de um dragão, explode e logo passa, sem ficar nem mágoa nem rancor. O que sobra de honestidade e franqueza, falta em sutileza e tato, mas seu coração é bom, inocente e altaneiro. Ocorre que Áries, como impulso primitivo de vida, nasce para ser o primeiro, para buscar o que quer sem se desculpar por isso.

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Constelação de Áries – Reprodução

Aliás, ele tem o coração dos grandes heróis e HEROICA é sua jornada. Áries tem necessidade de defender e lutar por uma causa, se for uma donzela em perigo que precisa ser salva de um dragão mau, melhor ainda. Há a necessidade, como todos os signos de fogo, de se sentir vivendo um mito, uma estória épica e grandiosa, porque o fogo é dramático, precisa estar no centro do palco, precisa ser o grande protagonista do seu mito pessoal. E sim, como signo de FOGO, ele é um grande romântico, um inocente que acredita na boa fé das pessoas, que vive boa parte da sua vida nesse mito pessoal que se descortina dentro da sua cabeça, como num cenário medieval, de cortes, reis, princesas e cavaleiros. Áries também precisa dessa perspectiva de ter uma donzela em perigo para ser salva, uma causa para defender. Pois ele tem um grande senso de justiça e sempre se coloca ao lados do mais fraco.

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Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender – Wikimedia Commons

Ele tem PAIXÃO e impulso e seu caráter é forjado na BATALHA, sejam elas verbais ou físicas, assim, o pequeno carneiro desde cedo pode se envolver em brigas na escola, porque não gosta de levar desaforo para casa. COMPETITIVO,  ele geralmente se sai bem em atividades físicas e esportes em geral porque Marte, o regente de Áries é um planeta que se expressa essencialmente no corpo, sendo o planeta que rege os glóbulos vermelhos e o próprio sangue, então a energia e a estamina físicas são uma característica marcantes do Ariano que costuma ter corpo de musculatura definida e rija e com tanta energia para gastar, ele precisa mesmo se engajar em algum tipo de esporte afinal, é melhor isso do que se engalfinhar por aí e sair trocando sopapos pelas ruas, certo? E não se engane, além de estamina física, ele também tem grande poder intelectual e grande visão espiritual e parte da sua jornada é buscar a iluminação, porque a luta mais importante de todas, é consigo mesmo. O guerreiro mais forte e mais valente é aquele que venceu os próprios medos, aquele que venceu a si mesmo! O guerreiro, o herói não nasce pronto, ele deve se lançar numa jornada que de autoconhecimento e provações que o transformarão, que o obrigarão ao auto-confronto, que o levarão a descobrir quem ele sempre foi, mas não sabia.

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Iconografia Medieval – Reprodução

Mas por que ele se envolve em tantas brigas? Por que tantas bravatas? No fundo, é porque ele precisa se provar. No fundo, o Ariano é um medroso, mas é um medo que precisa ser masterizado, então, por isso ele se coloca à prova, para vencer este medo e a covardia. O fato de se jogar de cabeça não quer dizer que não tenha inseguranças – embora ele jamais vá confessar isso para você! – quer dizer apenas que ele não vai se deixar dominar por ela. Ele também se joga de cabeça nessas situações de perigo e de lutas absurdas porque precisa provar sua masculinidade, um tema que lhe é muito caro. E é claro, ele detesta dor e detesta mais ainda ficar doente – vira uma manteiga derretida se tiver que ficar de cama. E sim, tudo isso se aplica tanto ao homem quanto à mulher de Áries!

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Aries – Jantar Mantar, Jaipur, India. Século XVIII DC

Quando negativo ou exagerado, pode ser um déspota que sai pisando nos calos de todo mundo. Grosseiro, alienado, de mente estreita, visão curta, desastrado, inconsequente, ineficiente e ineficaz, ele pode se tornar persona non grata num raio de muitos quilômetros de distancia, se não aprende a dominar o próprio gênio. Por outro lado, outra expressão negativa é quando vira um capacho incapaz de se afirmar ou de bancar a própria vontade, se desculpando a todo mundo só pelo fato de existir – aqui é necessário olhar o posicionamento e os aspectos de Marte.

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Áries, o Carneiro – Guido Bonatti Liber Astronomiae

Os mitos e heróis relacionados a Áries são muitos, podemos citar, só para começar, Aquiles, o herói grego, Joana D’Arc, Robin Hood ou qualquer outro herói intrépido que se coloca em defesa dos oprimidos. Áries também está associado ao Deus Javé da Bíblia, o Deus criador de todas as coisas, um Deus enérgico e por vezes cruel quando desobedecido. Eu também o associo à estória da Rapunzel, porque essa estória tem todos os elementos de Áries: a princesa presa numa torre que precisa ser salva de uma bruxa malvada; os cabelos longos e todos os demais detalhes. Podemos relacioná-lo ainda a Hércules, Heracles para os Gregos, outro herói grego, embora Hércules tenha desempenhado 12 tarefas, cada uma delas associada a um signo. A tarefa relacionada a Áries foi capturar os cavalos de Diomedes, animais que se alimentavam de carne humana e que semeavam o terror na região. O próprio Diomedes, rei da raça guerreira chamada Bistones, os alimentava assim. Hércules foi encarregado de capturar os quatro cavalos e levá-los para Micenas. E mais uma vez Hércules provou sua força, coragem e valentia.

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O Velo de Ouro carregando Prixus e Helle – Reprodução

Mas o mito mais conhecido é o de Jasão e o Velocino de Ouro, que, em suma, é o encontro com o Pai Terrível, um dos temas mais importantes da vida de Áries. Havia um carneiro sobrenatural que foi enviado por Zeus para salvar Prixus e Helle de sua madrasta malvada e que os carregou nas costas até Colchis. Helle caiu e se afogou no mar, mas Phrixus chegou são e salvo e tornou-se protegido do Rei Aetes, um mago que era filho do Deus. Helio Phrixus sacrificou o carneiro e pendurou sua pele numa caverna sagrada guardada por um dragão, onde virou ouro. Foi a mesma pele, chamada de velocino, que Jasão foi atrás sob grandes perigos. Jasão era o herdeiro do trono de Iolkos, na Tessália, mas seu tio Pelias usurpou o poder colocando a criança em risco. Ele foi enviado então para ser criado e educado por Quíron, o Centauro sábio. Quando Jasão cresceu e chegou à idade de lutar, ele voltou à terra natal disposto a retomar seu lugar de direito. Na viagem ele perdeu uma sandália enquanto ajudava uma velha senhora (Hera disfarçada). Seu tio malvado havia sido avisado para tomar cuidado com um estranho que aparecesse calçado com uma única sandália. Quando confrontado pelo sobrinho, Pelias se fez de desentendido e reconheceu o sobrinho como herdeiro legítimo, mas o enviou numa missão para recuperar o velocino de ouro, para que o espírito de Phrixus pudesse descansar em paz. Claro que ele sabia dos perigos e enviava o sobrinho de propósito. Jasão arregimentou famosa tripulação de Argonautas e seguiu viagem, ajudados por Atena, Poseidon e Hera ruma para a corte do Rei Aetes. Lá, ajudado por sua filha Medeia, uma sacerdotisa e feiticeira,  ele matou o dragão, roubou o velocino e voltou para casa, livrou-se de seu tio Pelias e finalmente tornou-se rei.

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Jasão e Medeia – Girolamo Macchietti – Reprodução

A estória de Jasão é emblemática do herói, pois há todos os elementos: a criança em perigo que é criada em segredo e se torna um guerreiro e luta para reaver seu trono e poder, no processo superando a si mesmo e suas limitações; e o tio maldoso, que encarna o arquétipo do Pai Terrível. O tio o envia na jornada perigosa certo de que o herói não volta. Esse tio/pai terrível representa o velho sistema que precisa morrer para que o novo surja, o novo sendo representado por Jasão. Liz Greene fala desse mito (3): “O impulso de se lançar contra perigos terríveis para provar a própria potência e coragem é outro tema de Áries, tanto do homem quanto da mulher. O velocino é um emblema desse conjunto interior de valores espirituais, que em ultima instancia é o deus ‘escondido’ em si mesmo”. E parece “destino” de Áries lutar contra esse Pai Terrível vida afora, seja na figura do pai biológico, tios, de professores, de chefes ou outras figuras de autoridade – no caso das mulheres, também contra o marido. Esse padrão de desenvolvimento implica a luta, a competição, e não é necessariamente patológico, é apenas o padrão de Áries.

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Áries – Salvador Dali – Reprodução

Tudo acabaria bem, não fosse Jasão ter sido ingrato com Medeia, que foi instrumental na sua conquista, utilizando seus poderes de feiticeira pra ajudá-lo. Ele tinha se casado com ela e tiveram dois filhos. Mas quando voltou pra Iolkos, anos depois, ele tinha se entediado com ela, o casamento tinha perdido a graça e ele cortejou a filha do Rei de Corinto, Glaucia. E ele desiste de Medeia, que personificava, na verdade a relação com sua anima, com o feminino interior – que aliás o ajuda a estória inteira, na forma de muitas mulheres. Agora, além de uma boa mulher, ele queria poder e fama. Problema básico de Áries, que quer sempre MAIS, a hubris, o desejo de poder. Assim, Medeia ficou muito zangada e ela não era uma mulher qualquer. Para se vingar, Medeia matou Glaucia e os próprios filhos que tinha tido com Jasão, fugindo numa carruagem puxada por dragões alados e amaldiçoando Jasão. Jasão desceu ladeira abaixo depois disso, envelheceu e ficou impotente e morreu com uma paulada na cabeça causada por um pedaço de seu navio podre. No fim, Jasão se tornou, ele mesmo, uma versão do Pai Terrível – e é assim que normalmente se dá, depois que chega ao poder, o herói não quer mais abrir mão dele, nem mesmo quando é evidente que seu tempo já passou e que ele deveria ceder lugar ao novo.

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Vitrais da Catedral de Chartes – Reprodução

Outro mito concernente a Áries é o mito de Édipo. Neste mito, o Reio Laios assumiu o reino depois da morte do Rei Amphiom e se casou com a filha de Menoceu, Jocasta. Laios foi alertado por um oráculo para não ter filhos, pois se o fizesse, seu filho seu o mataria e se casaria depois com a própria mãe. mas um dia ele estava muito bêbado e teve relações com Jocasta, que acabou ficando grávida e dando à luz depois a um menino. Laios abandonou o filho no Monte Citara, mas ele foi encontrado por um pastor que levou a criança à Rainha Periboia, de Corinto e por ela ele foi criado. O menino cresceu e se tornou mais forte do que aqueles da sua idade, sendo vítima de ciúmes e inveja e sendo chamado de “falso” filho. Isso o levou a procurar o Oráculo de Delfos onde perguntou quem eram seus verdadeiros pais e o deus lhe disse para não retornar à sua terra natal, pois se o fizesse ele mataria seu próprio pai. Acreditando que o Rei Polibos, de Corinto era seu pai, ele para lá não voltou. Mas, viajando pela região de Phocis em sua carruagem, ele se deparou com o Rei Laios, que também dirigia uma carruagem, num caminho muito estreito. O criado de Laios ordenou a Édipo que desse passagem e quando ele demorou a obedecer, o criado matou um de seus cavalos. Édipo se enfureceu e matou a ambos, o criado e ao Rei Laios. Laios foi enterrado pelo Rei da Plataea e o Creonte o sucedeu.

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Gustave Moreau – Édipo e a Esfinge – Reprodução

Durante este reinado Tebas foi acometida de grande desastre porque Hera enviou a Esfinge, que tinha a face de uma mulher, o peito, os pés e a cauda de um leão e asas de pássaro. A esfinge tinha um enigma que desafia o povo de Tebas: “o que é que tem uma única voz e que tem quatro pés, depois dois e depois três pés?”. O povo só livraria da Esfinge quando o enigma fosse resolvido e a Esfinge seguia devorando os homens. Até que Creonte anunciou que daria tanto o reino quanto a viúva de Laios ao homem que resolvesse o enigma, tal a destruição causada pela Esfinge. Édipo ouviu isso e se interessou e de fato, resolveu o enigma, dizendo que a resposta era o homem, que ao nascer engatinha e tinha como que quatro pés; firmava-se em dois pés quando adulto e na velhice adquiria um terceiro pé na forma de uma bengala. Assim, ele ganhou o trono, e, sem perceberu, casou-se com sua mãe, com quem teve dois filhos e duas filhas. Quando a verdade foi descoberta, Jocasta se enforcou e Édipo furou os próprios olhos e foi escorraçado de Tebas amaldiçoando os próprios filhos, que o viram ir embora sem poder ajudá-lo. Édipo levou consigo apenas sua filha, Antígona e morreu no Santuário de Eumenides, não muito tempo depois de lá chegar (4). Liz Greene diz que, ao contrário da análise de Freud sobre este mito, o pecado de Édipo não foi o desejo pela própria mãe que teria gerado o famoso complexo de Édipo – afinal, ele matou o pai muito antes de conhecer a mãe. Seu grande pecado é na verdade, o pecado da ira, da fúria que o dominou. Ele ficou enfurecido porque o Rei quis passar primeiro no estreito caminho. Aqui também nos defrontamos com o Rei que se recusa a ouvir o Oráculo de Apolo e acredita que pode contorná-lo apenas com a própria vontade. A estória trata, na verdade, não de uma competição para ver quem fica com o prêmio, ou a mulher, no caso Jocasta. ocorre que Laios havia cometido um pecado, que deu origem à maldição que caiu sobre sua casa: Laios havia estuprado o filho do Rei Pelops, enquanto os dois eram hóspedes em sua casa, assim, ele violou duas leis sagradas para os gregos: a lei do anfitrião e do hóspede e  também a lei do próprio sexo, uma lei masculina, ao estuprar o filho de seu amigo. Por causa disso Laios foi amaldiçoado e também sua descendência, então, antes de ser um pecado de Édipo, este é novamente, um pecado do pai, e essa é não uma estória a respeito de incesto ou de desejo pela própria mãe, mas uma estória de Pai e Filho.

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Damon Hellandbrand Aries – Reprodução

Para finalizar, falemos da Sombra de Áries, que, como você já imaginou, está ligada ao signo oposto, Libra. Quando muito negativo, Áries pode se revelar um verdadeiro capacho, incapaz de tomar as próprias decisões, vivendo emburrando, com inveja de todos os outros que conseguem se expressar como ele não o faz.  Outra faceta desta sombra tem a ver com a dificuldade de lidar com o lado material da vida e isso ele compartilha com os outros signos de fogo. Como é um idealista, ele espera que as coisas tomem conta de si mesmas sozinhas, então, não me venha falar de contas a pagar, do uniforme das crianças quando eu tenho tantas coisas “mais importantes” para resolver… então, ele pode se tornar um grande de um folgado, que espera que os outros paguem as contas, afinal, ele é o Grande Cavaleiro na armadura reluzente e do cavalo branco, certo? Sim, ele tem um sonho secreto de achar alguém que patrocine seus sonhos de grandeza, com todas as honras… Ele está tão encantado com sua própria visão e sonho que espera, candidamente, que outras almas menos criativas ou luminosas deveriam lhe dar o suporte necessário, financeiro, claro! Enquanto ele espera esse patrocinador fabuloso, ele senta no sofá em frente à TV e faz nada e os outros estão na corrida, bem à frente dele. Sim, ele pode ser um grande trabalhador, ele gosta de trabalhar! mas uma criatura valente e talentosa como ele não pode trabalhar em qualquer coisa, entende? Isso seria um desperdício indesculpável! A sombra dele também pode ser melindrosa e mesquinha. Ele pode se perder em ninharias, se desgastar em coisas pequenas, usando essas coisas menores como verdadeiras bandeiras de mudanças no mundo, tudo para ter um senso de importância, para se sentir numa grande cruzada contra o mal, ou contra o dragão da maldade. Segundo Liz, Dom Quixote é uma figura emblemática da Sombra de Áries, combatendo seus moinhos de vento: Essa característica peculiar do Cavaleiro na Armadura Brilhante é muito desconcertante, uma vez que Áries normalmente é grande em tudo: no coração, na carteira, na visão. Contudo, ele pode explodir por causa de ninharias. As ninharias são geralmente coisas mundanas, detalhes pequenos e triviais que faria os signos de Terra rirem simplesmente e seguir em frente”, diz Liz. É, Ariano, nada é perfeito neste mundo, nem mesmo o Herói do Cavalo Branco na Armadura Brilhante…

Figuras e temas arquetípicos de Áries:

O Pioneiro, O Guerreiro, O Caçador, O Empreendedor, O bebê, O Parto, A Iniciação, Novos Começos, O Bombeiro, O Soldado, O Militar, O Lutador, O Esportista

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Reprodução

Meditação para Áries:

Áries não tem muita paciência para ficar meditando da forma tradicional. precisa de ação e dinamismo. Então pensei em uma meditação diferente, ativa. Marte, regente de Áries era o deus da dança. “Dançar é lutar com seu anjo”, alguém já disse. Então sugiro que você coloque uma música de sua preferência, se for dinâmica, melhor. Afaste as cadeiras da sala, feche os olhos e comece a se balançar, sem sair do lugar. Sinta que alguém entrou na sala, sinta a presença forte. Visualize uma figura alta e forte, decidida e vigorosa. Este é o seu anjo. Olhe direto nos olhos dele, perceba, sinta o que eles transmitem. Ele lhe convida para dançar. Aceite, sem desviar o olhos dos olhos dele. Engaje-se nessa dança e esqueça o mundo ao redor. Concentre-se na vivência e dance apaixonadamente, vigorosamente. Escute se ele lhe diz alguma coisa enquanto vocês dançam. Que rítmo é a música? Que sentimentos ela lhe passa? Dance, dance, dance. Seu anjo tem uma lição a lhe ensinar através destes movimentos. Qual é a lição? Aos poucos sinta a música ir diminuindo o ritmo e o volume. Olhe nos olhos do seu anjo. Perceba se ele quer lhe dizer algo, agradeça e deixe-o ir. Abra os olhos e escreva sobre sua experiência.

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Johfra Bosschart – Áries – Reprodução

MÚSICA PARA ÁRIES

 

Amanhã é o dia de Touro, energia completamente diferente. Observe como seu dia se desenrola.

26/12 – Capricórnio

27/12 – Aquário

28/12 – Peixes

29/12 – Áries

30/12 – Touro

31/12 – Gêmeos

01/01 – Câncer

02/01 – Leão

03/01 – Virgem

04/01 – Libra

05/01 – Escorpião

06/01 – Sagitário

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Reprodução

Fontes:

(1) Edna Andrade, em Festas Cristãs 

(2) Clare Martin – Mapping the Psyche

(3) Liz Greene – A AStrologia do Destino

(4) APOLLODORUS – The Library of Greek Mithology