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Lua Cheia em Áries – Transforma-te ou te destruo!

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Transforma-te ou te destruo é o recado de Plutão nesta Lua cheia de hoje, cinco de outubro, exata às 15h40min no horário de Brasília e às 18h40min no horário de Lisboa. Essa Lua Cheia é a culminação do ciclo iniciado na Lua Nova em Virgem, no dia 20 de setembro. Naquela Lua Nova, tivemos Lua e Sol conjuntos a 27° de Virgem, em quincôncio quase exato a Urano, oposição próxima a Quíron e quadratura ampla a Saturno, já sinalizando um ciclo em que teríamos que trabalhar dores antigas, para depurá-las, purifica-las e saná-las; necessidade também de conciliar nosso desejo e necessidade de sermos úteis e prestativos com nossa independência individual. Vênus tinha acabado de entrar em Virgem e fazia sesqui-quadratura a Plutão (desejo de transformação), enquanto se afastava do trígono a Urano (desejo de liberdade). Mercúrio, regente de Virgem, tinha acabado de completar a oposição a Netuno, sinalizando um ciclo nebuloso, de notícias falsas ou de motivações escusas, disseminadas irresponsavelmente; um ciclo em que a mente se digladia entre real e imaginário.

Lua Cheia em Áries – Brasília, 5 de outubro de 2017 – 15h40min

Agora tudo isso culmina na Lua ficando Cheia em Áries, em oposição ao Sol em Libra, o que traz esses temas para o âmbito das relações pessoais. A lunação ocorre em oposição a Mercúrio e os três, Lua, Sol e Mercúrio fazem quadratura aplicativa a Plutão em Capricórnio, tornando este foco de uma T-Square Cardinal, que exige ação resolutiva, atitude. Libra, onde está o Sol, é o signo da parceria, do “nós”. A Lua em Áries vem fazer o contraponto de que só é possível existir um “nós” se houver dois indivíduos inteiros, donos de suas escolhas, senhores de sua autonomia e individualidade, o que contradiz a ideia do amor romântico, que coloca no outro a responsabilidade pela minha felicidade.

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Isso me lembra um texto de Flávio Gikovate, no qual ele fala sobre a importância de se ficar sozinho. “A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino” (1). Essa ideia do amalgamar-se a outro para ser inteiro é destruída nessa configuração de Lua Cheia de hoje, em que a Lua em Áries se opõe ao Sol em Libra e esse impasse é resolvido em Plutão: transforma-te ou te destruo, um mote que vale não só para o indivíduo, mas, principalmente hoje, para as relações, portanto, relações resistentes às transformações cíclicas serão destruídas, eliminadas.

Um fato notável é que os dois regentes de Libra e Áries estão em conjunção plena exatamente hoje. Marte, regente da Lua Cheia, recebe a conjunção de sua amante arquetípica, Vênus, em Virgem, um signo que também nos fala de autossuficiência e inteireza, da integridade do ser. Como se a Lua Ariana já não fosse suficiente, Vênus conjunta a Marte é uma mistura explosiva. Com essa conjunção, somos capazes de matar ou morrer por aqueles que amamos e os defendemos até o inferno, se necessário for, mas, por outro lado, as coisas entre o casal não costumam ser muito pacíficas, porque exigimos muito e também temos um gosto peculiar por uma boa briga a dois. Além disso, há muita ambivalência, pois ao mesmo tempo que buscamos construir relações harmoniosas e estáveis, nos ressentimos dos laços que talvez comprometam nossa individualidade e independência. Positivamente, há muita sensualidade, atração e paixão, tornando as relações passionais e intensas. Assim, a conjunção Marte-Vênus realça o tema do relacionamento desta lunação e ainda agrega uma qualidade “guerra dos sexos”, em que o masculino e o feminino estão belicosos e predispostos a uma boa briga, seja lá em que arena for, publicamente, nas relações profissionais, pessoais ou íntimas.

Outra coisa importante é que Vênus e Marte são os regentes da atual oposição entre Júpiter em Libra e Urano em Áries, configuração que já se manifestou de várias formas nos últimos meses, tanto em desastres diversos, quanto em atentados e em modificações estapafúrdias nas leis em vários países. Essa configuração certamente adiciona tensão e estímulo, que tanto podem significar crises que geram rupturas, quanto levar a relação a um novo nível ainda não experimentado – o resultado vai depender da qualidade da relação, da honestidade que os parceiros têm tido consigo mesmos e um com o outro e até mesmo da química e cumplicidade do casal.

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Não podemos esquecer também que tanto Marte quanto Vênus estão em quadratura a Saturno e oposição a Quíron, aspectos que ficarão exatos em poucos dias e, por serem aplicativos (ainda vão acontecer), tornam-se mais potentes. Essa quadratura a Saturno, por um lado, traz alguma contenção às explosões de fúria, mas isso é uma faca de dois gumes, pois tal contenção pode gerar muita frustração e mais irritação, aumentando a fricção, tornando o resultado final, talvez mais desastroso. A oposição a Quíron aciona feridas antigas, que podem contaminar e comprometer a relação presente. Então, além de muita volatilidade, irritação e destempero, também temos inseguranças sendo desencadeadas por eventos talvez bobos, mas que nos fazem sentir inadequados, criticados, julgados, rejeitados – é uma receita desastrosa!

Como se lida com essa bomba-relógio? Com muita honestidade, consigo mesmo e com o outro – e honestidade não é sinônimo de grosseria, nem precisa ser “sincericídio” – e principalmente, muita compreensão e tolerância, porque todos estamos melindrosos e de pavio ultra-curto. É preciso estar disposto a ouvir realmente o outro, e não ficar contando os segundos até chegar sua vez de falar; a desapegar-se de si e das próprias opiniões; é preciso abrir mão de ter razão, de estar certo, em nome da verdade. E, mesmo se concluímos que a relação já não nos satisfaz, há maneiras e maneiras de terminar as coisas – terminar a relação não significa ter que “aniquilar” o outro.

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Portanto, essa é uma lunação que pode simbolizar muitos términos, muitas rupturas – não porque a Lua Cheia vá causar nada, mas porque aquilo que andava nebuloso, a sensação de confusão, de não se saber direito onde se está indo, que estava muito forte na Lua Nova, agora se clarifica… Aquilo que ficava martelando na nossa cabeça nos últimos dias agora se estampa na cara e… bingo! Como não tínhamos percebido antes? Os insights pipocam e as fichas caem, trazendo conclusões que talvez só agora estejamos realmente preparados para encarar. Tais insights e conclusões podem levar as relações a impasses. Impasses do tipo “ou vai ou racha”, do tipo já mencionado acima: transforme ou destrua. Então, voltando ao texto do Gikovate, é tempo de olharmos para nossas relações com olhar mais crítico e observarmos com muita honestidade se ainda ansiamos pela “metade da laranja”, se ainda estamos esperando que o outro nos complete, se ainda depositamos nos ombros do outro a responsabilidade – ultra-pesada – pela nossa felicidade. Porque, se ainda acalentamos tais expectativas, precisamos rever nossos conceitos relacionais e aprender a ficar sozinhos por um tempo, aprender a ser nós mesmos e a nos responsabilizar por aquilo que queremos viver e pelo nosso próprio bem-estar e felicidade – o outro não é responsável por isso!

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O Símbolo Sabiano do grau 13 de Áries (12°42’), aliás, um grau considerado crítico, traz a imagem de “uma bomba que não explodiu está agora escondida em segurança”, uma imagem que fala da necessidade de muita cautela, afinal, quem vai agir feito louco perto de uma bomba? É necessário desarmar a bomba, porque, apesar de ela não ter explodido, não se sabe porque isso não aconteceu. Então, é preciso se perguntar se realmente lidamos com o problema, se as coisas estão, de fato, seguras ou se ainda há probabilidade de explosões. Será que apenas escondemos o problema? Será que está resolvido realmente? Uma bomba logo nos traz a imagem das reações emocionais intensas “ele explodiu feito uma bomba”, o que nos sugere necessidade de contenção do gênio “explosivo”. Lynda Hill, estudiosa dos Símbolos Sabianos, nos diz que essa bomba também pode significar “a supressão de alguma verdade importante, que tem efeitos colaterais; talvez haja tempo para impedir a explosão antes que seja descoberta, trazendo alívio e liberação” (2).

Já Dane Rudhyar, grande astrólogo do século XX, nos fala mais do contexto social deste símbolo e afirma que o tom principal é “uma avaliação imatura da possibilidade de transformar de repente o status quo”. A resolução por violência, diz ele, sempre falha porque o poder do ego nesta fase é forte demais. “’O Estado’ frustra as tentativas de revolução popular, porque estas são expressões prematuras de uma consciência que não é livre, mas só podem reagir ‘de forma selvagem’ à restrição e ao poder dominante central. É, portanto, um símbolo de recusa imatura de se conformar, em nome de um desejo excessivamente idealista de harmonia e paz”. Ele finaliza dizendo que o símbolo sugere “frustração adolescente”.

Isso traz presente, além do contexto das relações pessoais, também o nosso contexto social atual, em que os indivíduos se sentem lesados e frustrados frente aos desmandos políticos e econômicos do Estado, dos governos… Mas somente idealismo cego não resolve nada; revoltas populares pobremente coordenadas, também não – Júpiter em oposição a Urano também pode simbolizar essas revoltas descoordenadas e caóticas. O que se precisa, seja no contexto das relações pessoais, seja no contexto social é de muita cautela; é olhar para as questões com frieza, sem entrar na “frustração adolescente” e verificar quais das nossas demandas são válidas – e pelas quais devemos brigar – e quais são birra ou frustração infantil. É importante também não entrar no jogo das polarizações em que parece só há dois lados, os bons e os maus – essa visão preto ou branco é sempre extremamente perigosa, porque cria os dualismos ilusórios e causa cisões, quando, na verdade, sabemos que existem muitas, centenas, milhares de nuances diferentes permeando as questões. Assim, em cenários explosivos, ao andar em campos minados, faz-se necessário, mais do que nunca, muita cautela ou a bomba vai explodir, quando se achava que tudo estava sob controle.

Concluindo, a Lua Cheia de Áries é um convite a transformar nossas relações, se queremos preservá-las. Aquelas que não se transformarem, serão destruídas, para que nossa evolução continue. É um momento de conscientização de que uma relação pode ser mais saudável quando há dois inteiros, ao invés de duas metades, então, é preciso cuidar de si e da própria individualidade, é preciso ser capaz de ser e estar só, de desenvolver competência emocional e afetiva, antes de ser casal, do contrário a relação será de dependência e não de afeto. É uma fase que também traz muitas frustrações e necessidade de muita honestidade emocional, temperada com muita tolerância e gentileza, afinal, querer terminar uma relação é uma coisa, querer destruir o outro, é outra bem diferente! Os tempos são explosivos, mas nós podemos desarmar as bombas com essa honestidade firme, mas gentil; com o enfrentamento da realidade presente, mesmo que ela não corresponda aos nossos ideais. Lidar com nossas frustrações de forma adulta, mesmo quando queremos espernear e gritar a plenos pulmões.

Feliz Lua Cheia para você! Que os insights sejam proveitosos e tragam avanços! 

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(1) Flávio Gikovate – http://flaviogikovate.com.br/sobre-estar-sozinho/

(2) Lynda Hill – Sabian Symbols – 360 degrees of Wisdom

(3) Dane Rudhyar – An Astrological Mandala

A Semana Astrológica – É de batalhas que se vive a vida

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Semana de 2 a 8 de outubro – Frutificação ou desafios nas relações, frutificação e desafios na vida!

É semana de Lua Cheia, em Áries, o signo do indivíduo, da saga do herói, da busca por autonomia, do enfrentamento das batalhas da vida, que muitas vezes, são bem solitárias, especialmente a batalha da individuação, que ninguém pode lutar por nós! Mas a Lua Cheia é o contraponto ao signo do Sol, no caso, Libra… Portanto, essa é uma semana de peso para nossas relações, principalmente porque Vênus, regente de Libra está em conjunção a Marte, regente de Áries! Eita!!! As relações pegam fogo – positiva ou negativamente! A culminação do ciclo iniciado em Virgem, no dia 20 de setembro – a necessidade de sermos úteis, de criarmos ordem no meio do caos, agora frutifica e o indivíduo age em cima desses ideais. Portanto, as promessas do ciclo agora se manifestam e dão frutos, e dão frutos a partir das relações, de como somos e como agimos dentro delas!

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Além da Lua Cheia, temos outros movimentos interessantes ocorrendo por esses dias: O Sol faz quincôncio a Netuno, indicando períodos de dúvidas a respeito de nossos ideais de civilidade, utopias difíceis de se realizarem e de serem conciliadas com a realidade presente, mas também nos fala que é em tempos mais sombrios que mais precisamos sonhar e esperançar.

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Temos novas e velhas informações sendo “descobertas”, saídas da escuridão para a luminosidade, modificando opiniões e conceitos, causando tumulto e espanto; notícias sobre assuntos tabus, temas que apaixonam as pessoas e as fazem se digladiar por essas paixões mentais e talvez obtusas; o conceito de beleza, estética, arte, sendo discutido e debatido apaixonadamente, às vezes, de forma bastante incoerente e com muita intolerância pela opinião de outros. Tudo isso simbolizado por Mercúrio Libra em desarmonia com Netuno e querela feia com Plutão. Mercúrio também faz conjunção ao Sol e fica Cazimi no domingo. Essa conjunção superior de Mercúrio ao Sol sinaliza o início da fase Epimeteu de Mercúrio, a hora de colher resultados das últimas alterações propiciadas pelas reflexões da fase de retrogradação recente, ocorrida entre Virgem e Leão, entre agosto e início de setembro.

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E como já dito, os dois regentes da lunação (eixo Áries-Libra – Marte-Vênus) sinalizam um período importante nos relacionamentos: o coração está inflamado e é tempo de avaliações e transformações nos nossos valores fundamentais, estéticos, pessoais, relacionais, assim como transformação na vontade e nas atitudes. Vênus faz trígono a Plutão e pede que transformemos nossos valores e a visão que temos de nós mesmos, a forma de expressar nossos afetos e, consequentemente, que transformemos a maneira de viver as relações, transformações que podem ser feitas harmoniosamente. Vênus também quadra Saturno e aqui já não há harmonia: situações de dor nos obrigam a lidar com nossas inseguranças, sentimentos de rejeição, abandono e solidão e também com nossos mecanismos de defesa, que afastam a outros, justamente aqueles que gostaríamos de atrair. É momento de verificar nossa falsa modéstia, nossa timidez e reserva que nos protegem daquilo pelo que tanto ansiamos. É tempo de confrontar o medo do ridículo, a constrição do conhecido, pelo pulo no escuro, o risco de abrir mão das certezas, de se sentir vulnerável, mas aberto ao crescimento. Vênus ainda fica alguns dias conjunta a Marte, seu amante arquetípico… Ao mesmo tempo que isso sinaliza um período de novas e estimulantes atrações – possivelmente o início de novas relações – tais atrações/relações são contidas, pois a conjunção ocorre em Virgem, um signo discreto e modesto e ainda em quadratura a Saturno – sabemos que nem tudo são flores e perfumes, que há limites que devem ser superados com maturidade para que a relação frutifique. Também há muita propensão a irritações e altercações nas relações, porque estamos divididos entre o impulso por nos render ao outro e nos entregar à relação e o impulso igualmente forte por independência e autonomia e se não temos ciência dessa ambivalência interna podemos criar atritos no relacionamento como forma de nos afirmarmos e nos sentirmos mais livres.  Positivamente, o aspecto a Saturno indica capacidade para o realismo, tendência a entrarmos nas histórias com o pé no chão, sem expectativas ilusórias.

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E ainda, dos movimentos e ciclos maiores, temos Urano em semi-quadratura (ângulo de 45 graus) a Netuno, o segundo aspecto (tivemos o semi-sextil, ângulo de 30 graus, em 2010) de um ciclo de 172 anos, que começou em 1993, em Capricórnio. Esta conjunção durou muitos anos, entre 1988 e 1995 – e teve a adição de Saturno entre 92 e 93 – embora só tenha ficado exata em 1993. Esses foram os anos em que o mundo mudou radicalmente: muros e países foram dissolvidos, sonhos foram fragmentados, assim como outras utopias foram sonhadas. A conjunção fala, basicamente da “idealização da mudança intelectual” (1). Agora olhamos para trás e algumas dessas utopias começam a ser questionadas. O que sonhamos lá atrás está se realizando ou se fragmentando? Faz algum sentido ou será que estamos vivendo um momento de desilusão? Será que a clareza e a racionalidade (Urano) começam a desafiar aquelas utopias sonhadas (Urano-Netuno) e agora percebemos que talvez tenhamos nos enganado, simplesmente porque ignoramos o potencial humano para a corrupção dos ideais maiores em favor do imediatismo e do favorecimento pessoal, em favor do amor ao poder? Ou talvez tenhamos ignorado que a vida é cíclica e independe da pequena vontade humana… O certo é que há uma sensação de espanto generalizada, e nos perguntamos como viemos parar aqui, o que deu errado naqueles planos tão belos… Mas sabemos que o que vemos hoje é a manifestação de uma tragédia anunciada, que vem sendo profetizada há muito por pensadores, místicos, cientistas e, mais recentemente, por qualquer pessoa minimamente informada e com algum miolo entre as orelhas. O resultado disso? O tempo dirá…

Eduardo Cambuí Figueiredo Júnior – Reprodução

E esta também é a última semana de Júpiter em Libra,  um trânsito que termina de forma estrepitosa, com Júpiter se opondo a Urano e em quincôncio a Netuno (semana passada), indicando um período em que nossa fé e crenças são colocadas em questionamento profundo, assim como a confiança nas leis e nosso otimismo em geral. Júpiter em Libra tinha promessas de maior equilíbrio, de mais justiça e bem estar social, mas não foi bem isso que vimos… Ocorre que esse trânsito a Urano, que ficou ativo durante quase todo o período de Júpiter em Libra, modifica tudo de maneiras imprevisíveis, então as coisas tendem a sair ao contrário das nossas expectativas… Daí vimos leis estapafúrdias, verdadeiros retrocessos, sendo aprovadas, como a votação de uma lei que aprova o ensino religioso nas escolas – detalhe: ensino religioso específico! Quem vai decidir QUAL religião será ensinada? Cadê a laicidade do estado? Por aí você já vê que nem todo trânsito de Júpiter é necessariamente “benéfico”. Na verdade, ao invés de representar um avanço, isso representa um retrocesso enorme, que ainda não temos condições de mensurar. Muitas dessas mudanças podem ser arbitrárias e ser impostas “goela abaixo” na maioria. Urano, o planeta libertário, pode simbolizar regimes tirânicos que impõem a sua visão como a única possível! Considerando-se que Júpiter também esteve em quincôncio a Quíron, há muitas dúvidas sobre decisões passadas no que tange à esfera espiritual e isso gera tensões e novas decisões que podem ser “capengas” e representar uma falha grave na educação e na condução dos assuntos espirituais no futuro. Júpiter ingressa em Escorpião no dia 10 de outubro.

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A Lua abriu a semana na fase Crescente, em Aquário. Entrou na fase Corcunda ainda em Aquário. Infla-se ainda mais em Peixes e por fim, fica plena em Áries, na Lua Cheia de Áries, na quinta-feira. Finda a semana já em Gêmeos, prestes a entrar na fase Disseminadora. Faz aspectos e trava conversas e com todos os demais corpos celestes, conversas que ora são tensas, ora são fluidas, simbolizando as mudanças de humores aqui na Terra.

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SEGUNDA-FEIRA, 2 de outubro – A Lua abriu o dia em Aquário e fez sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Corcunda. Fez ainda sextil a Urano e trígono a Júpiter, ficando vazia depois deste aspecto, às 08h14min. Ingressou em Peixes às 11h27min, de onde se desentende com Mercúrio. Marte começa a se afastar do trígono a Plutão, mas o aspecto ainda se faz sentir por alguns dias. Vênus fará o mesmo aspecto a Plutão amanhã. Depois de uma manhã sem muita objetividade – o que prejudica o andamento da segundona – entramos pela tarde muito sensíveis, meio tristes e melancólicos. Um humor que se altera devido às nuances pesarosas do dia – quantas notícias trágicas, terríveis! – e captamos dores e tristezas que nem são nossos, mas que se misturam aos nossos próprios problemas e nos fazem tentar evadir-nos, sem muito sucesso – afinal, é dia “útil” e precisamos “render”. A noite traz incongruências que adicionam irritação à melancolia, deixando-nos um pouco mais sorumbáticos e macambúzios. Uma sopinha leve, música calma, meditação, ou simplesmente ficar na sua pode ajudar a filtrar e a digerir todas essas emoções e sentimentos incontidos, derramados na atmosfera, embora invisíveis. A oração, seja qual for o seu deus, pode acalmar e permitir uma conexão profunda consigo mesmo e com a divindade, uma percepção da nossa pequenez diante da vastidão do mistério da vida, algo que pode ajudar a serenar a alma. Orar por aqueles que sofrem e que lhe tocaram a alma também pode ajudar a elevar a vibração nesse planeta que anda tão devastado de dor e medo.

Roberto Ferri, artista italiano – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 3 de outubro – Vênus está em trígono pleno a Plutão. Em Peixes a Lua faz quincôncio ao Sol Libriano, conjunção a Netuno, oposição a Vênus-Marte e quadratura (não exata) a Saturno, tornando este foco de uma T-Square mutável na virada de terça para quarta. Dias de intensidade emocional, em que os desejos são viscerais e comandam forte impulso de realização – mas a alma pergunta: realizar o quê, nesse caos emocional, individual e coletivo em que estamos? Dias em que experimentamos mais de perto o poder do inconsciente, mostrando-se no impulso por mais vivacidade, mais paixão e entrega à vida e àquilo com que estamos envolvidos – temos preguiça de “pegar leve”, porque ou agarramos as coisas de corpo e alma, ou nem mesmo as notamos. Há impulso também por mais controle e muitos poderão tirar proveito disso, manipulando as aspirações ingênuas e românticas de outros – inclusive da massa, carente de mitos e gurus. Para quem vem de períodos de desânimo, essa nova força é bem vinda e até nos prepara para os próximos embates – daqui a pouco Marte e Vênus confrontarão a Saturno – mas também podemos exagerar na dose ou na aplicação, talvez até como forma de compensação. Pode ser um bom momento para cavarmos dentro de nós em busca de auto sustentação, de transformar os processos internos, para que a realidade externa também se modifique e seja mais condizente com nossas aspirações; de salvar-nos a nós mesmos, em lugar de esperar que outros o façam, o que muitas vezes nos expõe à má fé alheia; de transformar nossos valores e, a partir deles, também transformar nossas atitudes no mundo: queremos mais amor e paz? Sejamos mais amor e paz, ao invés de reverberar a incompreensão, a crítica, a hostilidade, o julgamento leviano; queremos mais entendimento e compaixão? Sejamos isso para o outro, antes de revidar precipitadamente; queremos mais apoio e conciliação? Sejamos apoio, busquemos nós mesmos a conciliação. São horas também de prover por nós mesmos, a segurança, a força, a admiração e o respaldo de que tanto precisamos, sem esperar que circunstâncias ou outros forneçam isso para nós. Estando Vênus e Marte conjuntos, em aspecto a Plutão, temos também a chance de transformar nossas relações, de perceber seus altos e baixos, as dinâmicas de poder e controle, a fluidez – ou bloqueio – no afeto, o medo da entrega, o medo da vulnerabilidade, o medo de perder; as contradições internas entre entregar-se ou afirmar-se para preservar a própria vontade. E, ao olhar para tudo isso, podemos lidar com tais medos sem crises, apreendendo maneiras sutis de provocar as mudanças necessárias. O mundo se transformará quando um número suficiente de indivíduos tiver se transformado – é de dentro para fora, não é de fora para dentro! Daí o nosso compromisso e responsabilidade em visionar com clareza o mundo em que queremos viver e agir a partir dessa visão, até atingirmos massa crítica. A Lua em Peixes, conjunta a Netuno e depois oposta a Vênus-Marte colore o dia de muita sensibilidade e suscetibilidades – também há muitas irritações nascidas das contradições internas, da oscilação entre lutar ou fugir, conquistar ou desistir, obstinar ou ceder. Ideal mesmo é fazer uma salada dessas contradições e perceber que elas juntas, apesar de não facilitarem, agregam mais sabor e cor à vida! Só acessamos nossa verdadeira força, quando encaramos nossa fragilidade!

Amanda Cass – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 4 de outubro – O Sol está em quincôncio a Netuno. A Lua Pisciana faz quadratura a Saturno, que é foco de uma T-Square mutável, já que logo receberá as quadraturas de Vênus e Marte. A Lua fica vazia depois deste aspecto, às 04h21min e ainda faz conjunção a Quíron e quincôncio a Júpiter. Ingressa em Áries somente às 17h40min, portanto, temos o dia todo de Lua fora de curso. Oscilações e dúvidas sobre nós mesmos, nossos objetivos e capacidades, intercalados com arroubos de idealismos, utopias de mundos perfeitos e justos… Se apenas nós… Conjecturas que se provam infrutíferas diante dos cenários “reais” diante de nós. Mas, independentemente da nossa dificuldade em conciliar a utopia com a realidade, é necessário insistir em sonhar, em não se prostrar paralisado pelo caos, pelo terror no mundo. Temos um dia inteiro para meditar e contemplar sobre o terror real que vivemos, nascido, muitas vezes, do fundamentalismo, do pensamento tacanho, da imposição da visão de um sobre os demais. E meditando sobre esse terror e suas implicações, percebemos que mais do que nunca é necessário sonhar, esperançar, dar pequenos passos na direção de alguma mudança que, com sorte, crescerá lá na frente. Em termos práticos, é dia para atividades discretas, para cuidar da subjetividade, para deixar as atividades objetivas em repouso ou, pelo menos, para não esperar muito delas e fluir com a maré. A Lua está vazia em Peixes e nós oscilamos com essas marés – se lutamos contra, nos afogamos, se fluímos, podemos descobrir novas baías, novas praias e belas paisagens! À noite recebemos uma descarga nova de energia que nos faz querer sair do casulo e realizar aquelas coisas para as quais não tivemos ânimo durante o dia. Mas vale ficar atentos a impulsividade e precipitações – não vamos salvar o mundo do dragão da maldade numa única noite!

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QUINTA-FEIRA, 5 de outubro – Vênus está em conjunção a Marte e o Sol segue em quincôncio a Netuno. Enquanto isso, a Lua Ariana faz oposição a Mercúrio e depois ao Sol, culminado o ciclo iniciado em Virgem na Lua Cheia de Áries, aos 12°42’ deste signo. A Lua ainda faz quadratura a Plutão. É dia de crises, pequenas ou grandes, nos relacionamentos. Crises que podem levar a rupturas ou a um comprometimento mais intenso e verdadeiro. A Lua nos convida a nos afirmar com mais clareza e transparência dentro das nossas relações de todo tipo mas, principalmente, nas relações afetivas. Não é hora de ficar em cima do muro, de botar panos quentes em nada. É hora de se posicionar, de buscar autonomia; de equilibrar nossa necessidade de relacionamentos com uma imprescindível dose de independência, só assim as relações podem se manter saudavelmente. A simbiose, seja emocional ou social, leva à anulação individual, e sem indivíduo, quem está realmente vivendo a relação? Com quem estamos nos relacionando se o outro é apenas um carbono do que sou (ou se eu sou apenas carbono do outro)? A lunação se dá em quadratura a Plutão, que é foco de uma T-Square Cardinal, como já aconteceu tantas vezes desde que Plutão ingressou em Capricórnio em 2008. É necessário achar esse equilíbrio mencionado para que as relações sejam vividas de forma madura e para que sejam úteis à transformação social – é muito fácil ser feliz na bolha simbiótica, isolados do mundo, perdidos no olhar mútuo narcisístico, difícil mesmo é viver as relações enfrentando os desafios mundanos diários que ameaçam aniquilar a ordem e a própria existência humana. Por isso, o amor precisa ser transformador; as relações precisam nos transformar, nos levar a dar o melhor de nós mesmos, não só ao outro que é parceiro, mas à própria existência e à vida como um todo.

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SEXTA-FEIRA, 6 de outubro – Mercúrio faz quincôncio a Netuno. A Lua Ariana faz quincôncios a Marte e a Vênus em Virgem, trígono a Saturno, conjunção a Urano e oposição a Júpiter, ficando vazia depois desta disputa, às 19h39min. Ingressa em Touro às 20h56min. O dia está assim, meio desconjuntado e desconjuntados estamos nós também, como alguém que tenta caber a todo custo numa roupa de número muito maior/menor do que o seu, ou, como diria Clarissa Pinkola Estés, como tentar ficar elegante numa roupa mal-feita – ou ainda, tentar ficar no salto que dilacera os pés. Sentimos como se tudo estivesse fora do lugar, nossos desejos e impulso realizador em contraste com as necessidades mais prementes, de modo que ficamos indo e vindo, sem decidir realmente que direção tomar. A mente está enevoada, seguindo palpites errôneos, embora fascinantes, o que nos deixa confusos sobre a qualidade e credibilidade dos pensamentos. Mas aqui, a sabedoria é observar essa mente sem se apegar aos pensamentos, sem lhes imputar valor ou expectativas, apenas observá-los, sem agir imediatamente em cima deles, deixar primeiro que se assentem para provarmos a que vieram… Alguns podem ser válidos e preciosos, outros podem ser completamente vãos. Divertir-se com as inúmeras e ensandecidas elucubrações mentais é o que de mais sábio podemos fazer. Quanto à sensação de desmantelo interna, convém olhar para isso com genuína curiosidade, para ver o que o desmantelo e desconforto vêm nos mostrar sobre nós mesmos e nossos problemas correntes; também não apegar-se a essas sensações, porque elas também vão passar, mas enquanto são vigentes, têm muito a nos ensinar. O ego, se for forte e saudável, terá capacidade para conter a irritação, de modo a não deixar que respingue sobre outros sob forma de criticismos mesquinhos e tóxicos, e perceberá a atitude certa a ser adotada, fortalecendo-se para, mais tarde, romper com o que tiver que se romper e manter o que deve ser mantido.

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SÁBADO, 7 de outubro – Urano está em semi-quadratura a Netuno, aspecto exato hoje. De Touro a Lua faz sesqui-quadraturas a Marte e a Vênus em Virgem e também a Saturno em Sagitário, virando foco de um Martelo. A Lua faz ainda sextil a Netuno e quincôncios a Mercúrio e ao Sol e fecha a noite em harmonia com Plutão. Vênus, regente da Lua, está em quadratura a Saturno – exata amanhã. As dúvidas e perguntas que não conseguimos responder são jogadas hoje para o fundo do porão, porque queremos lidar com coisas reais e concretas, com aquilo que podemos tocar e ver e de preferência, que reafirmem nossas parcas certezas – quem quer saber de ideais quando eles estão estraçalhados e só nos causam desapontamentos? Mas o fato de escolhermos ignorar algo não significa que tal coisa deixe de existir – as dúvidas vão continuar lá, no fundo do coração, e irão pipocar mais tarde de formas disfarçadas, na ansiedade, na inquietação que não vai embora, no comer ou beber compulsivo para aplacar sedes ou inseguranças emocionais, na busca desenfreada por um prazer imediato que nos faça sentir que estamos vivos, vivinhos-da-silva, apesar do tédio e da sensação de anestesia – é exatamente para fugir da anestesia que mergulhamos nos sentidos, nos prazeres, para nos provarmos vivos e operantes, apesar dos pesares. E, de fato, é bom nos darmos ao luxo de usufruirmos dos prazeres simples de uma boa comida, um abraço apertado, um cheiro pungente, uma visão de beleza, para encantar nossos sentidos, para apreciar a graça efêmera da vida, desde que, paradoxalmente, não estejamos usando isso como forma de nos amortecer – novamente – contra aquilo de que temos que ter muita ciência e consciência, mais do que nunca. Podemos sim, nos reabastecer na beleza e no prazer, mas como forma de recarregar as baterias e as forças para os próximos embates, não como fuga da vida consciente. Em termos práticos o dia está bom para o descanso e os prazeres simples: uma boa mesa, um cochilo sossegado, um meditar tranquilo nas coisas básicas da vida que nos ajudem a entender nossos medos e inseguranças. As relações estão sujeitas a algumas dificuldades, armadas por sensação de inadequação, inseguranças, receios e dúvidas entre o que queremos e o que realmente precisamos. Não é um período favorável para DR’s e a compreensão e empatia deverá ser o prato principal do fim de semana, se for para contornarmos as crises que possivelmente surjam.

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DOMINGO, 8 de outubro – Vênus está em quadratura plena a Saturno e Mercúrio está em conjunção Cazimi ao Sol em Libra, signo regido por Vênus. A Lua está em Touro – também regido por Vênus – e faz trígono a Plutão e a Marte-Vênus em Virgem, formando um Grande Trígono de Terra. A Lua fica vazia depois do trígono a Vênus, às 10h47min. Faz ainda sextil a Quíron e quincôncio a Júpiter, antes de entrar em Gêmeos, às 22h45min. É um domingo que pode ser muito melindroso e crítico ou muito propício ao auto-entendimento, depende de como lidamos com nossos sentimentos e de como reagimos aos acontecimentos ao nosso redor. Primeiro, estamos sujeitos ao auto-criticismo duro, a nos sentirmos inadequados e falhos, deixando a desejar em áreas que para nós são cruciais para termos um sentido de valor, de auto-respeito. Talvez relembramos erros do passado e isso nos deixa para baixo, meio insossos e com receio de olhar as cartas de que dispomos, porque já antevemos que são ruins, mesmo sem ter olhado para elas… Assim, duvidando do nosso próprio valor, duvidamos daqueles que se aproximam e já os descartamos ou mandamos embora, com receio de nós mesmos sermos descartados como inúteis e desnecessários. Assim criamos uma profecia auto-realizada e de fato acabamos por nos isolar e afastar pessoas as quais ansiamos por estar perto, mesmo que não admitamos. Contudo, temos a chance de refletir antes das reações automáticas e ponderar nas coisas com algum bom senso, vendo defeitos e qualidades sob uma lente mais prática e menos exagerada. E, em lugar de nos sentirmos como o pano de chão imprestável, podemos enumerar nossas boas qualidades, de modo a contrabalançar a autoestima minimamente. Temos bastante Terra, que nos ajuda a ser práticos e resilientes diante dos problemas, de modo a vê-los como desafios que podem ser superados com esforço e empenho sincero no auto-melhoramento. E da mesma forma como olhamos para nós e nossas falhas, podemos ter empatia para olhar para outros e suas dificuldades, dando uma palavra de incentivo e estímulo, ao invés de jogar terra sobre alguém que já está afundando. Nas relações é preciso cautela nos diálogos, na forma como nos exprimimos, nas escolhas que fazemos entre expressar ou não o que sentimos; entre revelar nosso afeto, a despeito do terror da rejeição ou guardá-lo para nós mesmos, pelos mesmos receios. É necessário compreensão, empatia e sobretudo, muito amor no coração para acolher o outro e a si mesmo, mesmo quando o outro (ou eu) parece não merecer – tem aquela frase, que nos tempos de internet é difícil saber o autor verdadeiro: “é preciso amar as pessoas quando elas menos merecem, porque talvez seja quando elas mais precisam”. A mente hoje se embebe dos propósitos conscientes de buscar novas parcerias, de ser ponte e mediar conflitos, ao invés de fomentá-los – é tempo de refletir se nossos pensamentos estão alinhados com os propósitos maiores do centro da nossa consciência. Se não estão, vamos alinhá-los!

Desejo a você uma ótima semana, de luz e proteção!

Aqui neste vídeo você vê o Horóscopo de outubro para todos os signos, em parceria com o Horóscopo Virtual:

(1) Astrid Fallon – Planetary Cycles at a Glance – Fallon Astro Graphics – UK

 

A Semana Astrológica – Parindo um Novo Eu

Bob du Bois – Reprodução

Semana de Lua Nova, que sinaliza novos começos e novos projetos, além de mais um momento importante na transformação das nossas crenças, da ética e da espiritualidade.

A semana traz movimentos importantes e um dos principais é a Lua Nova, ocorrendo a 07°37’ de Áries, já na segunda-feira, indicando o início e um novo ciclo lunar, fase propícia para lançar novas ideias e intenções no mundo – lançar as ideias e intenções, começar mesmo, só lá pelo terceiro dia. É uma Lua Nova que nos convida a nascer de novo, mas nós mesmo é que nos geramos e nos parimos

N. C. Winter – Bein Art Gallery – Reprodução

Outro movimento importantíssimo é a segunda quadratura de Júpiter e Plutão, que ocorre na quinta-feira, dia de Júpiter. Esta segunda quadratura sugere um momento de reavaliar as primeiras mudanças e transformações iniciadas por volta de 24 de dezembro último, quando Júpiter fez o aspecto pela primeira vez. Agora Júpiter está retrógrado e nos convida a repensar e talvez aprofundar essas modificações. Este aspecto sugere um período em que indivíduos e sociedades precisam transformar suas crenças, sua relação com o divino e sua espiritualidade em geral. Em termos mais mundanos, também indica períodos de mudanças importantes e profundas na feitura de leis, assim como nos pede que reavaliemos nossos códigos éticos, nossa relação com o poder, o quanto talvez tenhamos comprometido essa ética, em favor de adquirir/conseguir mais poder, seja esse poder de ordem material ou de ordem mais abstrata. Júpiter está retrógrado até o dia nove de junho e fará a última quadratura a Plutão, deste ciclo, em quatro de agosto, quando então Plutão estará retrógrado.

De Es Schwertberger – Reprodução

Marte trafega Touro e ainda segue em recepção mútua com Vênus até o dia dois de abril. Esta semana Marte faz um aspecto harmônico a Netuno, sugerindo um período em que nossa ação fica mais imaginativa e criativa, em que também nos sensibilizamos mais e conseguimos nos colocar no lugar do outro, pensando que tipo de impacto a nossa ação terá sobre este outro. Como Marte também faz outro aspecto bastante inconsciente a Saturno, talvez tenhamos momentos de insegurança e dúvidas sobre nossas capacidades, as certezas e estabilidade de Touro sendo questionadas em algumas situações… O convite é para olharmos para além dos literalismos, além do mundo sensorial e ousarmos considerar outras hipóteses da esfera do não-palpável. Só porque não vemos, não quer dizer que não exista!

Adi Dekel – Reprodução

Vênus, em marcha à ré, retorna a Peixes, signo de sua exaltação… Está ainda mais introspectiva e na última fase do período de retrogradação em si. A sensibilidade fica particularmente aumentada, mas também nossa percepção sutil de como temos vivenciado nossos afetos e relações. Em Áries, percebemos que não há relação equilibrada se só pensamos no outro; que precisamos estar inteiros e seguros de nós mesmos, saber o que realmente queremos, para podermos viver relações saudáveis; em Peixes voltamos a nos lembrar do amor próprio, o saudável amor a nós mesmos nos deixa fortes e mais aptos a nos doar de maneira segura e honesta ao outro, para além das relações pessoais um-a-um. O mergulho nas próprias motivações afetivas se aprofunda e a semana propicia muitos insights importantes nesta área.

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O Mercúrio Ariano tem uma conversa sóbria, mas inspirada com Saturno em Sagitário quarta-feira, antes de migrar para Touro, dois dias depois. É hora de assentar a cabeça e verificar as consequências concretas das revoluções, revelações e iluminações recentes, captadas quando do trânsito de Mercúrio pela T-Square Júpiter-Urano-Plutão. O que fazemos de concreto com tudo isso? O que é possível realmente? Ingressando em Touro Mercúrio sinaliza um período de maior deliberação, a mente fica mais cautelosa e quer “ver para crer”. O trânsito por Touro é mais importante porque Mercúrio fará sua próxima retrogradação neste signo, a partir de nove de abril.

O Sol está relativamente sossegado nesta semana, sem fazer aspectos a outros corpos celestes, apenas recebendo os contatos lunares… Lá pelo meio da semana começa a se opor, de longe, a Júpiter e a quadrar Plutão, aspectos que ocorrerão na semana que vem, o que sugere que a próxima, será mais uma semana de extremos e de algumas crises pipocando mundo afora.

Catrin Welz-Stein – Reprodução

A Lua abre a semana ainda na fase Balsâmica em peixes, mas se renova em Áries na noite de segunda-feira, inaugurando um novo ciclo. Fica mais fecunda em Touro e entra na fase Semi-Crescente em Gêmeos, fechando a semana já em Câncer, seu domicílio.

Reprodução – Desconheço o autor

SEGUNDA-FEIRA, 27 de março – A Lua Balsâmica, em Peixes, fez conjunção a Quíron e depois quadratura a Saturno em Sagitário, ficando vazia depois deste contato, às 07h20min. Ingressa em Áries às 11h11min e logo faz conjunção a Vênus retrógrada. A Lua se renova a 07°37’ de Áries, às 23h57min de hoje (04h57min do dia 28 para Lisboa). Marte está em sextil pleno a Netuno em Peixes e em sesqui-quadratura a Saturno. A segunda começa lentamente, demandando tempo e esforço extra para sairmos da cama e iniciarmos as atividades. Ressentimo-nos dos deveres e compromissos que nos obrigam a abandonar o mundo mágico de sonhos e o adiamento da lida com a realidade… Mas ela, a realidade, está ali, à nossa espera, ao cruzar a soleira da porta do quarto. E a manhã fica assim: meio pesada talvez até um pouco mal-humorada. De qualquer forma, não há muito o quê discutir e logo entramos num acordo com o dia e nos dispomos a fazer o que tem que ser feito – o que não tem remédio, remediado está. Pelo fim da manhã a energia muda de forma radical e nos imbuímos de novo entusiasmo e vigor, arregaçando as mangas e nos atirando às tarefas com mais ímpeto e determinação, uma determinação temperada com a percepção sutil de detalhes que antes teriam fugido aos nossos olhos e faro. Este novo ânimo deixa o dia colorido de nova disposição, uma intuição fina nos dizendo que podemos sim, modificar muitas coisas em nós que antes nos deixavam impotentes. A Lua se renova no fim da noite, quase na virada do próximo dia, tendo como único aspecto a conjunção a Vênus retrógrada – tem uma quadratura super ampla a Saturno em Sagitário. Essa Lua Nova joga ênfase extra sobre os temas de Vênus retrógrada em Áries e nos convida a ousar ser nós mesmos, ser exatamente o que nós somos, sem desculpas e sem receios; a brigar pelos nossos valores, a nos colocar em primeiro lugar, antes de ir atrás de outros. Para amar a um outro completa e genuinamente, precisamos amar visceral e integralmente a nós mesmos, com todas as nossas dificuldades, como nosso lado mais nobre e também com as facetas mais sombrias de nós mesmos. Enquanto não tivermos esse auto-amor forte e maduro, ainda não estaremos aptos a amar a um outro verdadeiramente, porque estaremos incompletos e buscando no outro preenchimento para os buracos emocionais, que só nós mesmos podemos preencher. Leia o artigo sobre a Lua Nova em Áries.

Johnson Tsang – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 28 de março – A Lua, renovada em Áries, faz hoje quadratura a Plutão e oposição a Júpiter e fecha a noite em conjunção a Urano. Marte se afasta do sextil a Netuno e vai se aproximando do trígono a Plutão, exato na semana que vem. Dia tempestuoso, sujeito a muitas altercações, pampeiros e pequenas explosões. Temos grande necessidade de independência e ação autônoma, mas estamos também impacientes e impulsivos e encaramos como desafio qualquer olhar meio torno que vemos pela frente. Ocorre que a grande necessidade de independência é exacerbada e entra em conflito com as imposições colocadas sobre nós por figuras de autoridade, mais poderosas que nós. Recusamo-nos a nos dobrar diante de tais imposições, mas ao fazer isso, invocamos sobre nós forças ainda mais potentes. Precisamos ter cautela porque toda essa insubordinação, além de nos deixar em maus lençóis e atrapalhar nossas realizações, ainda pode nos criar problemas de ordem prática, visto que não prestamos atenção a regras e nos indispomos com o jeito tradicional de fazer as coisas, ignorando detalhes importantes, deixando coisas pela metade ou feitas de qualquer jeito. No mínimo, podemos chegar ao fim do dia desgastados e deixando atrás de nós um rastro de desafetos e cacos de situações mal resolvidas pela nossa imaturidade e imprudência. Tanta irritação pode vir também do excesso de energia mal canalizada e mal aplicada, portanto, urge achar a forma adequada de usar e dispender toda essa energia de alta voltagem, assim ela poderá ser produtiva e realizar algo positivo, ao invés de criar atritos e confusões por onde passarmos. Outra coisa que pode ajudar é não levar tudo para o lado pessoal, armar-se de paciência, manter a irritação em cheque, certificar-se de concluir tudo aquilo que começar e, principalmente, como já dito acima, achar algo produtivo para fazer, de preferência, sozinho, porque o dia não está muito favorável para trabalhos em equipe.

Catrin Welz-Stein – Reptodução

QUARTA-FEIRA, 29 de março – Mercúrio em Áries está em trígono pleno a Saturno em Sagitário. A Lua, Ariana e nova, completa a conjunção a Urano e depois também faz conjunção a Mercúrio e trígono a Saturno, ficando fora de curso depois deste aspecto, às 09h08min. Ingressa em Touro às 12h49min e fica várias horas sem fazer aspectos maiores a ninguém. Ao contrário de ontem, o dia hoje traz um belo potencial de canalizarmos a energia marciana da melhor forma possível: temos muitos recursos à nossa disposição, além de uma intuição aguçada e a sincronização perfeita entre mente, corpo e movimento estratégico, de modo que nos sentimos no controle não só das nossas emoções, mas também dos pensamentos e, consequentemente, do ambiente imediato, o que nos ajuda a Avançar nas atividades e talvez até a consertar alguns dos estragos que cometemos no dia anterior. A disciplina e senso de ordem que nos faltava ontem, hoje é um recurso acessível dentro de nós, assim como a perseverança e a autoconfiança de quem sabe o que está fazendo e o faz de forma efetiva e eficaz. Talvez até, olhando em retrospecto, consigamos apreender algumas lições dos erros cometidos anteriormente, algo que chega a nós em algumas horas de reflexão e insights que podem pipocar do meio da manhã até o início da tarde. Insights que depois pensamos em como manifestar de forma prática e concreta, de modo a trazer melhorias a nós mesmos. A tarde está mais calma e nos dedicamos ao trabalho ou às tarefas com pragmatismo, sem pressa e sem correria, apenas apreciando o gosto de estar onde estamos e de fazer o que fazemos. A introspecção favorece a digestão adequada das crises, mas pode nos deixar um tanto alheados da vida ao redor, portanto, nada de visões excessivamente subjetivas das coisas e situações.

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QUINTA-FEIRA, 30 de março – Júpiter está em quadratura partil a Plutão, a segunda de uma série de três. Em Touro a Lua faz conjunção a Marte e ativa a quadratura Júpiter-Plutão ao fazer trígono a este e quincúncio àquele. Fica vazia depois do trígono a Plutão, às 20h13min. O dia e a semana trazem situações, pessoais ou sociais/coletivas, que nos ensinam mais algumas lições sobre nossas ambições e a fé que temos de realiza-las. Situações que nos fazem questionar nossa ética pessoal e a ética vivenciada no meio em que nos encontramos. Até que ponto comprometemos nossa ética e nossa verdade para realizar ambições e desejos de poder? Será que temos exercido nosso quinhão de poder de forma adequada, justa, íntegra e honesta? Ou será que apenas nos preocupamos em crescer pessoalmente, ignorando se tal crescimento se sustenta ou se promove melhorias verdadeiras, para além daquelas visíveis e materiais? Como nossas ambições materiais interferem com nosso senso de ética? Será que andam juntas ou será que se contradizem? Além de todas essas reflexões, o dia traz uma influência de deliberação vagarosa acerca de tudo o que fazemos e realizamos, tanto no plano concreto, quanto no plano mais filosófico. É propício para refletirmos sobre o impacto concreto de nossa presença no mundo, naquilo que construímos, que produzimos, que consumimos, que eliminamos. Para termos mais conforto, estabilidade e riqueza, vale passar por cima de tudo e de todos? Vale vender a alma ao diabo? Quantas almas temos para empenhar? Já não podemos fingir inocência ou ingenuidade e dizer que não sabemos onde estamos indo em nossos intentos – seremos cobrados em algum momento, portanto, precisamos nos responsabilizar pelo impacto da busca por conforto, posses, poder, controle. E para isso é preciso integridade – a quantas anda a nossa?

Brooke Shaden Photography – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 31 de março – A Lua abre o dia vazia em Touro e ingressa em Gêmeos somente às 13h41min de onde logo se afina com Vênus retrógrada em Áries. A Lua faz sesqui-quadraturas a Plutão de um lado e a Júpiter de outro, virando foco de um Martelo. A Lua Geminiana ainda faz semi-quadratura ao Sol Ariano, entrando na fase Semi-Crescente. Mercúrio ingressa em Touro às 14h31min. Dia arrastado, langoroso, em que tudo parece demorar para acontecer e decolar. Sobra preguiça, falta iniciativa. Mas iniciativa existe, só não é a hora adequada de utilizá-la, e o melhor seria nos afinarmos com o corpo vai pedindo. Ao invés de brigar contra isso, precisamos usar tais influências a nosso favor, utilizando a energia da lentidão para deliberar e refletir sobre questões profundas e para nos aplicar a coisas e situações que porventura ainda estejam pendentes ou por terminar. Atividades e tarefas que demandem paciência, resistência, concentração, pragmatismo. Não adianta se irritar se as coisas saírem diferentes do planejado, rigidez só nos deixará mais indispostos e irritados. À tarde o clima muda e fica mais dinâmico e sociável, temos um impulso para sair do casulo e nos conectar com outras pessoas, aventar e ventilar novas ideias, bater pernas na busca de sincronias mentais e até emocionais. Talvez a primeira hora da tarde traga algum desassossego, ansiedades advindas não se sabe de onde e que demandam um pouco de cuidado com o que fazemos ou dizemos, para sermos impulsivos demais. Pelo meio da tarde a mente tende a se acalmar, mas as emoções ficam na berlinda e ainda há resquícios de inquietude, uma autocobrança que nos pressiona e que pode se manifestar como atividade febril, excessos verbais, falas cortantes e letais – portanto, precisamos vigiar a língua para que nossas inseguranças internas não repercutam negativamente sobre outros. A Lua entra na fase Semi-Crescente, sinalizando o momento ideal de começar os projetos intencionados e idealizados na Lua Nova. Hoje já devemos ver o anel fino da Lua no céu, sinalizando esse momento adequado de dar o primeiro passo – A Lua Nova é o momento de lançar intenções, mas não de começar propriamente as coisas – isso porquê, quando nova, a Lua está totalmente escura e combusta, ofuscada pelo Sol, ou seja estamos muito subjetivos e não temos clareza suficiente para começar as coisas, que lá na frente podem nos trazer algumas surpresas. Portanto, o ideal é começarmos a partir do terceiro dia depois da Lua Nova.

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SÁBADO, 1° de abril – De Gêmeos a Lua faz quadratura a Netuno em Peixes, sextil ao Sol Ariano, trígono a Júpiter em Libra e quincúncio a Plutão em Capricórnio. Marte entra em orbe de quincúncio a Júpiter. O dia traz uma grande propensão à instabilidade emocional, do tipo gangorra emocional. Mudamos de humor o tempo todo, ora ficando eufóricos, ora deprimidos e sorumbáticos, confusos e perdidos nas teias das nossas próprias emoções, sentimentos, pensamentos e sensações. Não nos damos conta que sentimos não só o que é nosso, mas também captamos influência externas, tão sensíveis que estamos. Mas podemos utilizar essa sensibilidade para nos engajar em atividades criativas que fortaleçam nossos propósitos e que propiciem um melhor entendimento desses processos interiores. Ao chegar a esse entendimento, temos uma percepção mais clara de seus significados e podemos mesmo usar isso como propulsão para melhorias, crescimento e transformação pessoal, que pode até repercutir positivamente nas nossas relações. Em momentos de maior estresse e ansiedade, não podemos esquecer de respirar profundamente, para recuperar o rumo e o prumo – isso não só nos fará arejar as ideias, mas também trará o necessário centramento psíquico e emocional.

Brooke Shaden Photography – Reprodução

DOMINGO, 2 de abril – A Lua Geminiana se afina com Urano em Áries, mas faz quadratura a Quíron e oposição a Saturno, tornando Quíron foco de uma T-Square Mutável para lá de espinhosa. Fica vazia depois da oposição a Saturno, às 11h45min e ingressa em Câncer às 15h27min, de onde logo conversa, amorosa, com Mercúrio em Touro. Vênus retrógrada regressa a Peixes, às 21h26min. Embora amanheçamos com ótimas ideias e palpites inovadores para movimentar a vida e trazer soluções, a manhã está pesadona e espinhosa, porque tais ideias parecem pueris quando apresentadas a outros. Sentimo-nos criticados, julgados e expostos, feito criança pega fazendo malinação e isso repercute não só no humor, mas na produtividade, que fica comprometida, porque nossas inseguranças nos impedem de ver além das críticas, reais ou imaginárias, de modo que talvez fiquemos paralisados numa espiral de preocupações e pensamentos sombrios e lamurientos, originários da consciência aguda de nossas deficiências e mediocridades, que parecem estar mais afloradas hoje. Há um sentimento de abandono, de rejeição e de frieza, que não favorecem as interações. Sendo domingo, esse clima não beneficia muito as reuniões familiares, que ficam propensas a mal-entendidos e conflitos, do tipo em que se diz a coisa mais dolorosa, na hora mais inadequada, deixando o outro em carne viva – isso se pode se refletir particularmente na relação entre irmãos. Para que tal influência não se manifeste dessa forma nefasta, é preciso estarmos muitos cientes de que o dia está melindroso e do quanto todos estamos suscetíveis e sensíveis. Talvez tenhamos dificuldade de aceitar as limitações alheias porque não lidamos bem com nossas próprias inadequações e vê-las refletidas no comportamento do outro pode ser doloroso por demais. Se pelo menos nos damos conta de efeito espelho, ainda podemos conter nossa crítica, do contrário, aumenta a propensão aos desentendimentos. Pelo meio da tarde talvez encontremos uma via de expressão e entendimento, mas ainda precisamos ter cautela porque as sensibilidades estão mais aumentadas e se não tivermos tato, podemos até piorar as coisas. O ideal é não sermos invasivos e respeitarmos o tempo do outro e também o nosso. À noite, talvez consigamos buscar uma reaproximação e, quem sabe fazer as pazes trocando chamegos e cafunés.

Uma ótima semana para você! Que iniciemos uma nova vida e novos projetos e principalmente, plantemos mais amor, que ousemos amar mais, a nós mesmos e aos outros!

Amanda Cass – Reprodução
Catrin Welz-Stein – Reptodução

Lua Nova em Áries – Semeando Independência e Autonomia

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A Lua se renova a 07°37’ de Áries nesta segunda, dia 27 de março, às 23h57min no horário de Brasilia – 04h57min do dia 28 de março para Lisboa. Áries é o primeiro signo do Zodíaco, é o Fogo Cardinal, da iniciativa impetuosa e pioneira, assim, a primeira Lua Nova do Ano Astrológico sinaliza um tempo de novos começos e darmos o pontapé inicial em projetos frescos, inéditos e pioneiros. Sinaliza uma forte energia de lançar sementes e intenções pioneiras, de nos sintonizarmos com a audácia e a coragem mais puras dentro de nós. Áries traz presente a energia do parto, a luta de vida ou morte, da mãe para dar à luz, e da criança para nascer. Por mais confortável que seja o útero, ela tem que sair de lá e abrir um novo caminho, e ousar avançar para a nova etapa do seu processo de desenvolvimento, senão, morrerá. Então, Áries nos convida a nascer de novo, a recomeçar, a sacudir a poeira, as teias de aranha que foram se acumulando durante a hibernação Pisciana e dar o grito estridente do bebê que respira sozinho pela primeira vez. Podemos nos alinhar com a experiência arquetípica dessa primeira vez, dessa primeira respiração e começar. De novo.

“Seres humanos não nascem de uma vez por todas no dia em que suas mães lhes dão à luz… A vida os obriga de novo e de novo a parirem novamente a si mesmos”                                                                  Gabriel García Márquez 

Lua Nova em Áries – Brasília, 27 de março de 2017, 23h57min.

Essa lunação acontece em conjunção a Vênus retrógrada e este é o único aspecto próximo. Há uma quadratura de quase dez graus a Saturno, mas como é separativa (já aconteceu), já não a consideramos. Isso joga uma ênfase grande sobre os temas da retrogradação de Vênus por Áries, particularmente porque Vênus está em recepção mútua com Marte, regente da Lua Nova – a recepção mútua acontece quando dois planetas ocupam signos regidos um pelo outro, exemplo, Vênus trafega Áries que é regido por Marte, que está em Touro que é regido por Vênus. Na recepção mútua os dois planetas estão numa dança cooperativa e neste caso, isso diminui um pouco os efeitos “negativos” do detrimento/queda dos posicionamentos – no caso, Vênus está em detrimento em Áries.

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O ciclo de retrogradação de Vênus é o mais especial e raro de todos e tem uma simbologia e psicologia peculiares, como já falei em outros artigos. Em Áries Vênus está em detrimento exatamente porque a natureza deste planeta é gregária, é diplomática, é de construir relações e de negociar, mas em Áries, Vênus prima pela independência, pela autonomia e não irá comprometer estes valores facilmente em função de ser parte de um casal, de estar num relacionamento. Quando retrógrada neste signo, sinaliza exatamente a necessidade de nos voltarmos para nós mesmos, de sermos mais independentes, corajosos e pioneiros nas nossas buscas pessoais; de cuidarmos primeiro de nós, antes de nos voltarmos para outros.

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A Lua Nova vem enfatizar isso mais um pouco, como se não tivéssemos escapatória, como se tivéssemos que lidar com isso, queiramos ou não. Essa Lua Nova nos convida a ousar ser nós mesmos, ser exatamente o que nós somos, sem desculpas e sem receios; a brigar pelos nossos valores, a nos colocar em primeiro lugar, antes de ir atrás de outros. Para amar a um outro completa e genuinamente, precisamos amar visceral e integralmente a nós mesmos, com todas as nossas dificuldades, como nosso lado mais nobre e também com as facetas mais sombrias de nós mesmos. Enquanto não tivermos esse auto amor forte e maduro, ainda não estaremos aptos a amar a um outro verdadeiramente, porque estaremos incompletos e buscando no outro preenchimento para os buracos emocionais, que só nós mesmos podemos preencher… Então, é tempo de dizer, verdadeiramente: EU ME AMO!

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O destaque para esse tema da independência é amplificado e repetido diversas vezes. Primeiro pela supremacia do elemento Fogo nesta lunação; ao todo temos quatro planetas em fogo, além dos luminares, Sol e Lua, totalizando seis corpos celestes neste elemento – o destaque é o grande stelium em Áries: Vênus, Sol, Lua, Urano e Mercúrio. Isso também sugere a possibilidade de estarmos muito afoitos, impulsivos e, portanto, precisamos ter ponderação antes de correr certos riscos. Para isso, a posição de Marte em Touro, longe de ser problema, vem ser algo positivo, porque traz exatamente essa ponderação, essa deliberação que a afoiteza de Áries precisa ter para não dar cabeçadas à toa. Mais, Marte está em aspecto positivo com Netuno em Peixes, aspecto exato hoje, o que traz grande empatia e sensibilidade e também ajuda a moderar o famoso “egoísmo” Ariano. Marte também faz trígono amplo a Plutão, que ajuda a equilibrar a placidez de Touro, porque adiciona estamina e vigor, fortalecendo a vontade e a determinação. Marte ainda faz uma sesqui-quadratura a Saturno que, ao mesmo tempo que pode significar inseguranças inconscientes, também pode trazer disciplina e a capacidade de usarmos nossa força e talentos de maneira sábia. O aspecto a Saturno alerta que nosso pior inimigo pode ser nós mesmos e que precisamos ficar atentos ao sabotador interno.

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Mas um dado que salienta muito o tema da independência, liberdade e autonomia, é o destaque que Urano tem neste mapa. Vênus está em paralelo a ele, com distância de quatro minutos, por declinação. O aspecto paralelo funciona de forma semelhante a uma conjunção, o que torna a Vênus retrógrada Ariana mais destemida, audaz, autônoma, insubmissa e livre. Urano também está destacado de outras formas, porque está no Ponto Médio entre o Sol e a Lua Nova e Marte, seu regente, Marte, sugerindo novamente a necessidade de sermos independentes e livres, mas também sermos inovadores, criativos e progressistas em nossos objetivos e novos propósitos. Negativamente, esse aspecto indica irritação, raivas que irrompem abruptamente, tendência à precipitação e atitudes impulsivas e imaturas, requerendo de nós muito pé no chão e centramento para não deixarmos que tais influências nos tirem do nosso eixo. Especialmente para as mulheres, indica experiências abruptas que podem significar mudanças radicais no comportamento e na vida emocional. E, claro, Se Sol e Lua estão conjuntos a Vênus, Urano também está no Ponto Médio entre Vênus e Marte, só que num orbe bem mais apertado, de apenas 22 minutos. Para Ebertin, Urano = Vênus/Marte (Urano no Ponto Médio de Vênus e Marte), indica “desejo apaixonado expressão excessiva de amor. Um despertar repentino de paixão física, uma força irresistível de desejo e talvez até agressão sexual”. (1). A meu ver, essa posição de Urano, além de sugerir essa paixão intensa, como diz Ebertin, também sugere a necessidade de preservarmos nossa individualidade e autonomia, se for para tal paixão prosperar, do contrário, aquilo que nos unia pode nos separar depois, como é típico das paixões significadas por Urano. Mas em termos mais gerais, como disse antes, creio que enfatiza duas necessidades: primeiro a de independência emocional e segundo, a de arrojo e originalidade.

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Mercúrio, por sua vez, também está conjunto a Urano e ainda na configuração de T-Square entre Júpiter-Urano-Plutão, movimentando e mudando pensamentos, opiniões e crenças. Se está conjunto a Urano, obviamente, também está no Ponto Médio entre A Lua Nova/Sol e seu regente Marte, só que muito mais próximo, simbolizando a necessidade de pensar muito antes de lançarmos nossas iniciativas, mas também sugerindo disposição para a ação, a capacidade de planejar, o lutador estratégico e a possibilidade de alinharmos propósitos, necessidades e a nossa ação executiva através do planejamento lúcido e estratégico. Mercúrio nesta posição ajuda, de certa forma, contrabalançar o fato de termos pouco Ar ativado nessa lunação, sendo Júpiter singleton neste elemento. Isso, aliás, dá grande destaque a Júpiter, que também puxa a Locomotiva que é esse mapa. Assim, Júpiter nos diz que precisamos ser otimistas, a despeito dos cenários difíceis. Otimistas cautelosos e ponderados, é claro, uma vez que Júpiter está retrógrado e que a Lua está também em quadratura ao Ponto Médio entre Júpiter e Quíron, ou seja, precisa ser um otimismo que leva em conta as limitações e as impossibilidades, mas não se deixa abater por elas. Marte, aliás, também faz quadratura ao Ponto Médio entre Saturno e Quíron e aqui há o risco de sucumbirmos diante dessas limitações e do peso de fracassos anteriores, de nos paralisarmos pelo medo de vermos reabertas antigas feridas, de modo que Júpiter ganha ainda mais importância. E Vênus, que está tão destacada, também está no Ponto Médio entre Urano e Netuno, sugerindo alta sensibilidade e um tipo muito peculiar e específico de amor, de acordo com Ebertin (1). Visto que Vênus está retrógrada em Áries, eu diria que esse tipo peculiar de amor é o amor a si mesmo, não o narcisismo – que aliás, nem é amor realmente – mas o amor genuíno de quem se entende e se aceita como é, e se defende e respeita, se gosta, se admira, a despeito de todas as imperfeições. Vamos repetir, como mantra: EU ME AMO!

DailyMail – reprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 8 de Áries (07°37’) traz uma imagem interessante e feminina: “Um grande chapéu de mulher, com flâmulas, soprado pelo vento leste”. Este símbolo também nos reporta à atual posição de Vênus: é um símbolo que traz uma imagem feminina, mas usando um chapéu, um adereço tipicamente Ariano, visto que é usado para proteger a cabeça, contra o Sol, chuva ou frio, cabeça que é regida por Áries, signo masculino. Este símbolo pertence ao primeiro hemiciclo, que trata do processo de individualização, e também pertence ao que Dane Rudhyar (2) chama de Ato de Diferenciação, no nível da ação. Ele, ao analisar este símbolo nos lembra que “neste nível cultural-emocional, os processos mentais ainda estão subdesenvolvidos” – alô Mercúrio, olha a importância do pequeno aqui! – “assim, eles precisam de proteção contra as forças elementais da vida”. Rudhyar continua: “uma abertura grande demais a essas energias oferece o risco de alguma obsessão. A imagem simbólica sugere um vento muito forte, sobrenatural e, especialmente, forças psíquicas. Tal vento é originário no Leste tradicionalmente visto como o local das influências criativo-transformadoras de espiritualização. As flâmulas do chapéu indicam tanto a reação ao vento como também sua origem. Em outras palavras, o símbolo sugere um estágio de desenvolvimento da consciência no qual os poderes nascentes da mente são protegidos, ao mesmo tempo em que são influenciados pelas energias de origem espiritual. Isso também indica um estágio probatório no processo de individualização. Sob uma orientação protetora uma pessoa ainda muito receptiva (uma mulher) é influenciada por uma força espiritual. Esse símbolo propõe ainda resultados sequenciais que requerem proteção e sensibilidade”. O tom do símbolo é a “proteção e orientação espiritual no desenvolvimento da consciência”. Assim, a Lua Nova ocorrendo neste grau, que tem este símbolo, nos sugere um ciclo e um momento de grandes potenciais de desenvolvimento do processo de individuação e de termos acesso a informações privilegiadas, que podem tanto vir do alto, quando de dentro de nós mesmos, se nos sintonizarmos com nossos mentores e guias espirituais, informações que podem iluminar e propiciar nosso crescimento e maturação.

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Concluindo, a Lua Nova inaugura um tempo de lançarmos novas sementes e intenções, não somente para o ciclo lunar, mas para todo o ano e até mesmo para a vida; de desbravarmos novos territórios, de nos colocarmos na vanguarda da nossa própria vida, ao invés de esperarmos passivamente que as coisas se resolvam para nós e, para isso, precisamos ter clareza de propósitos e determinação constante, porque, como diz Sêneca, “nossos planos são abortados porque não temos uma intenção clara. Quando você não sabe para que porto está indo, nenhum vento será o vento certo”. É um convite a nos tornarmos mais independentes e autônomos, a fortalecermos nossa autoestima e o amor próprio, a confiarmos na nossa própria luz e orientação interna, porque só assim teremos segurança e confiança para buscarmos relações mais saudáveis, porque estaremos inteiros em nós mesmos, buscando um outro também inteiro. Inteiro não significa perfeito, mas completo, característica da pessoa que se conhece profundamente e se aceita no que tem de melhor e de pior, porque o inteiro supõe a integração do negativo e positivo, da sombra e da luz. Semeemos pois, essas novas intenções e projetos, com autonomia, independência, audácia, arrojo e inovação! Devemos isso a nós mesmos, a ninguém mais!

Uma ótima Lua Nova de Áries e um ótimo ciclo para você!

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(1) Reinhold Ebertin – The Combination of Stellar Influences – AFA

(2) An Astrological Mandala – Dane Rudhyar

2017: Um Ano Revolucionário!

O ano de 2016 nos deixou zonzos, sem saber direito qual foi o trem que nos atropelou. Mas esse trem tinha nome: Saturno-Netuno! E todos têm receio de que 2017 seja uma repetição do que vivenciamos em 2016 ou que o abismo se aprofunde – ele já mostrou a que veio! Só em janeiro e fevereiro já vimos coisas inimagináveis acontecendo… E daqui em diante? Não, não vai ser igual a 2016, mas não quer dizer que seja necessariamente muito melhor. Pelo menos tem ação e dinamismo! Vamos analisar juntos?

Para analisar como o ano vai se desdobrar eu utilizo vários fatores, os principais deles sendo o mapa de ingressão do Sol em Áries, que é quando o ano começa para a Astrologia; as configurações e trânsitos dos planetas lentos, a partir de Júpiter; os eclipses e trânsito dos Nódulos Lunares; As retrogradações de planetas pessoais, Mercúrio, Vênus e Marte – Marte não ficará retrógrado neste ano, apenas Mercúrio e Vênus; e por último, também considero a regência do ano, não como um fator determinante de como vai ser o ano, mas apenas como pano de fundo geral de todos os demais eventos astrológicos.

Estrela de 7 pontas que representa a Ordem Caldeica – Reprodução

Começamos com a regência do ano, que dá o pano de fundo energético. Pela sequência que vínhamos seguindo, este ano deveria ser regido por Vênus, de acordo com a ordem caldeica da estrela de 7 pontas. Mas 2016 finaliza um ciclo de 36 anos. Explico. Temos 12 signos, com três decanatos cada, totalizando 36 decanatos – cada decanato, como o nome diz, tem 10 graus, de modo que 10 x 36 = 360 graus do círculo perfeito – cada um deles sendo regido por um planeta pertencente àquela triplicidade – por exemplo, o signo de Áries tem seus três decanatos regidos por Marte, Sol e Júpiter, os três planetas regentes dos signos de Fogo. Não se sabe como se chegou, um dia, a essa regência anual, mas supõe-se que tenha a ver com essa divisão do Zodíaco em decanatos, que corresponderiam às regências anuais, totalizando ciclos longos de 36 anos, que por sua vez, também estariam sob uma regência. Assim, temos ciclos longos de 36 anos, regidos por um determinado planeta, de acordo com sua sequência na ordem caldeica e, dentro deste ciclo longo de 36 anos, teríamos os ciclos anuais. Como disse, 2016 encerra um ciclo longo de 36 anos, regido pelo Sol e 2017 inicia outro ciclo longo, regido por Saturno, o planeta da austeridade. O primeiro e o último anos do ciclo longo de 36 anos devem ser regidos pelo planeta regente deste ciclo maior. Então, ao invés de termos Vênus regendo 2017, temos Saturno, inaugurando este período de 36 anos, um período que tende a ser de contenção, severidade, disciplina e responsabilidade. Temos então que o pano de fundo de 2017 será de austeridade, cobrança, maturidade, limites, retrocessos, conservadorismo, com grande foco nos deveres e obrigações, nas demandas sociais ou familiares, mais do que no prazer, no indivíduo ou nas questões pessoais como era com a regência do Sol. É um tempo de aprendizado e sobriedade – as contas chegam para ser pagas e não adianta reclamar porque o cobrador pode decidir aumentar os juros em função dos lamentos! O tempo de holofotes sobre o indivíduo e o ego (regência do Sol) dá lugar às obrigações e responsabilidades sociais.

Saturno – Maria Eunice Sousa

Então, de um modo geral, é tempo de ser realistas e é o que Saturno, o Senhor do Tempo, requer de nós. Saturno é conservador e exige realismo, disciplina, responsabilidade. É o cobrador daquelas contas que viemos postergando achando que nunca teríamos que pagar. Essa regência sinaliza um ano de austeridade, de se voltar às coisas básicas e se respeitar os limites. É ano de ser realista e encarar os desafios de cara limpa, porque não dá para fugir deles. Ano de gerir os recursos com sobriedade, porque talvez estejam escassos. E, sendo bastante realistas, já sabemos que não é possível mudar o cenário atual da noite para o dia, magicamente, só porque mudamos o ano. Os desafios que enfrentamos hoje continuam e agora temos que recomeçar, a despeito de todas as dificuldades. Mas, recomeçar por onde, quando estamos tão confusos e incertos? Essa incerteza ainda permeia todo o ano e quando há insegurança, a tendência é uma volta ao conservadorismo, porque acredita-se que voltar ao que era vá consertar o que está errado atualmente e isso não necessariamente é verdade, portanto, este é um movimento que requer cautela. No mapa do Brasil, Saturno trafega atualmente a casa das estruturas básicas da sociedade, o governo federal, assim como as classes dominantes. É possível que ainda haja muitos desapontamentos, tumultos e reviravoltas políticas ao longo de 2017, não necessariamente atendendo ao desejo do povo – como também apontam outros fatores nesta análise – e isso pode trazer bastante insatisfação, que por sua vez pode levar a revoltas populares. Mudanças drásticas ocorrem da noite para o dia, a exemplo de 2016, e outros aspectos ainda sugerem que muitas decisões governamentais são ocultadas e que os verdadeiros governantes, aqueles que realmente mandam, podem também estar ocultos. Mas essa regência de Saturno NÃO É A COISA MAIS IMPORTANTE! Muito pelo contrário! Existem outros fatores mais gritantes e graves para se levar em conta. Como diz o título deste artigo, este é um ANO REVOLUCIONÁRIO e definitivamente, um ano Saturnino NÃO É um ano revolucionário, portanto, Urano e Plutão é que dão o tom principal deste ano, e não Saturno!

Trânsitos lentos e configurações 

Júpiter – Maria Eunice Sousa

Dos planetas lentos, o mais ativo neste ano é Júpiter. Em parte porque, obviamente, ele é o mais rápido e fará mais aspectos, mas principalmente por causa da oposição que faz a Urano e da quadratura a Plutão. Júpiter ingressou em Libra em setembro de 2016 e permanece neste signo até 10 de outubro de 2017, quando ingressa em Escorpião. Júpiter é um planeta associado com o conhecimento mais elevado, expansão, crescimento, riqueza, significado, espiritualidade e também leis, não a sua aplicação – isso é com Saturno, que aliás, está em Sagitário, regido por Júpiter – mas a feitura das leis, a busca por justiça. Em Libra, o signo da equidade, do equilíbrio, da harmonia e da conciliação, Júpiter busca crescer e se expandir através da cooperação e da diplomacia, procurando chegar à paz e à justiça para todos os lados envolvidos. Trata-se da busca pelo mútuo desenvolvimento, para mim e para você. Ele poderia ser cordato por demais, exceto pelo fato de ficar, boa parte do ano, em oposição a Urano e quadratura a Plutão, dois planetas que ainda estão em quadratura, embora não façam mais o aspecto exato. Podemos então esperar mudanças abruptas nas leis que têm a ver com riquezas, impostos, crescimento e desenvolvimento social. Não, as configurações não representam somente coisas boas, às vezes, é bem ao contrário, elas simbolizam coisas bastante desagradáveis. Além dessa configuração, que é a mais importante, Júpiter ainda fará quincunce a Quíron (fevereiro e março e depois setembro) e a Netuno (maio a julho), sextil a Saturno (agosto) e trígono a Netuno (a partir de novembro, já em Escorpião). Os aspectos tensos a Netuno e a Quíron nos alertam que nem todas as leis e alterações na legislação serão bonitinhas e agradáveis sendo, muitas delas, bastante ilusórias ou descaradamente desfavoráveis ao povo.

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Então, neste ano Júpiter sugere algumas mudanças radicais nas leis, que vêm demolir o senso de segurança e estabilidade social, ou que transformam profundamente a maneira de se governar no mundo ou a relação entre as classes dominantes e as dominadas. Algumas dessas mudanças podem ser benéficas, outras podem ser chocantemente desagradáveis – do tipo “presente de grego”. Mas esses movimentos Jupiterianos indicam principalmente a necessidade de reformarmos nossas crenças, nossa visão de mundo, a forma como encaramos e percebemos a ideia da justiça e a maneira pela qual nos expandimos.

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A oposição a Júpiter-Urano é o ápice de um ciclo de cerca de 13,8 anos que começou entre 2010 e 2011, com os dois planetas em Peixes e o ciclo desses dois planetas tem a ver com a relação entre as mudanças intelectuais e as expectativas das sociedades. Assim, essa oposição a Urano simboliza grande potencial de expansão da criatividade e da originalidade, de novos avanços tecnológicos, que ampliam a interação e a socialização entre os indivíduos – fique atento para inovações tecnológicas que transformarão os relacionamentos afetivos! É provável que seja um ano em que mais e mais relacionamentos poderão começar através das redes sociais, à distância. Júpiter em aspecto tenso a Urano também aponta para acidentes graves relacionado às grandes viagens/distâncias, como na navegação ou aviação – aliás, já vimos alguns eventos graves acontecendo de 2016 para cá.

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Já o ciclo de Júpiter-Plutão é um ciclo de cerca de 12,5 anos e fala de uma transformação profunda nas expectativas das sociedades e tem enorme influência nas questões de justiça e legislação no coletivo. A presente quadratura é minguante e vai finalizando um ciclo iniciado em dezembro de 2007, a 28° de Sagitário. Um ciclo de transformação na reformulação das leis, mas que fala também de poder imenso e grandes fortunas e é um sinônimo para as plutocracias, sistemas políticos onde o poder é exercido, necessariamente, pelos mais ricos, pela elite econômica, o que leva a grandes desigualdades sociais. Para termos ideia do que estava acontecendo entre outubro e dezembro de 2007, quando os dois planetas estavam em orbe de conjunção, foi neste período que foi descoberto o Pré-Sal, que foi “dado” recentemente ao estrangeiro, assim como será dado, provavelmente, o Aquífero Guarani – Vênus está retro na casa 12 no mapa de ingressão! Agora este ciclo está se fechando e termina de vez em 2020, quando Júpiter se juntar a Saturno e a Plutão em Capricórnio. Nessa quadratura minguante entra em pauta algumas leis importantes: taxação de grandes fortunas ou aumentos de impostos para a classe média.

Veja o que Júpiter-Urano-Plutão estão “aprontando” no seu mapa natal! Agende uma consulta comigo através do e-mail: psicologica.astrologia@gmail.com

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No mapa do Brasil essa quadratura se dá entre as casas 8 (Júpiter) e 11 (Plutão) o que sugere mudanças importantes das leis que regem as finanças internacionais e investimentos de países estrangeiros. Esse aspecto pode representar mortes no judiciário, simbólica ou literalmente. Algumas mudanças nas leis podem representar aumento (Júpiter) no número de mortes (Plutão/casa 8) relacionadas às instituições públicas (casa 11) ou mudanças importantes nas leis que regem o serviço público e as instituições públicas, assim como os investimentos nessas instituições. Então, não nos enganemos! Só porque Júpiter é um planeta de boa sorte, não quer dizer que ele às vezes não represente problemas também. Até porque um mesmo aspecto pode representar tanto coisas positivas quanto negativas, dependendo do contexto e dos envolvidos. Mas podemos esperar desmantelos no poder, mais sujeiras vindo à tona acerca do Poder Judiciário, transformações no âmbito da Justiça e justiça sendo feito no âmbito do poder. E podemos dizer também: justiça seja feita, doa a quem doer! E se tem algo que se precisa em abundância nesse país é justiça e até mesmo uma transformação na Justiça e no Poder Judiciário. Contudo, a quadratura Saturno-Quíron alerta que essa justiça pode ser aplicada de forma capenga em muitas situações, podendo mesmo ser omissa! Júpiter ficará retrógrado de 06 de fevereiro a 09 de junho e por isso, a maioria dos aspectos ocorre pelo menos duas vezes – já tendo ocorrido os primeiros eventos em 2016.

Reprodução – Desconheço o Autor

E por falar em Júpiter, lembramos de Sagitário, signo regido por ele e por onde Saturno trafega atualmente, também fazendo uma revisão geral nessa área da justiça e das crenças. Saturno agora trafega o terceiro decanato de Sagitário, regido pelo Sol. É um grande alívio que já não tenhamos a quadratura Saturno-Netuno para lidar, uma configuração que simbolizou toda a depressão coletiva, a apatia, a fragmentação de muitos sonhos, a morte de muita gente no mundo das artes e entretenimento em 2016… Mas temos pela frente Saturno-Quíron, tão dolorosa e difícil quanto. Embora muitos astrólogos não utilizem Quíron em suas leituras, não há dúvidas de sua “influência” astrológica e certamente essa quadratura se fará sentir.

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Essa quadratura a Quíron é um espinho venenoso enfiado na carne, que infecciona e dói excruciantemente! Um aspecto bastante difícil de se lidar, porque estamos falando de dois princípios pesados, significadores de inseguranças, bloqueios, medos, incertezas, feridas, dificuldades… Numa conversa tensa e deveras conflituosa… Extremamente espinhoso. Defensivo. Desagradável. Doloroso. É preciso ter muita coragem e serenidade para olhar as profundezas da própria alma dispostos a enfrentar nossos piores pesadelos e fragilidades de cabeça erguida, com dignidade, para poder usar isso como mola de crescimento. O mais provável é que sintamos de maneira muito crua que todo esse sofrimento é inútil e sem sentido e nos sintamos amargos e cínicos, com uma sensação de futilidade a nos assombrar dia após dia. Olhamos para o nosso abismo pessoal, social e coletivo e ele olha de volta para nós, mais fundo e obscuro do que ousaríamos pensar.

Magritte – Reprodução

Uma reação possível dos mecanismos de defesa é recorrer a verdades prontas, frases feitas, crenças bonitas mas inócuas ou rígidas e excessivamente severas, para nos dar algum senso de segurança ou de sentido. Nosso alter-ego, aquele severo guardião moral que diz o que é certo e errado, aponta o dedo para o nosso lado mais frouxo e desmazelado, aquela parte de nós mais desamparada e vulnerável, que então se encolhe e se amiúda, querendo desaparecer. Desnecessário dizer o quanto isso é difícil e paralisante, além de possibilitar reações instintivas de animal ferido mortalmente que, para se defender vai revidar da pior maneira… É claro que isso é um extremo. Sempre podemos tirar proveito desses momentos de fragilidade para nos conhecer melhor, recorrer a alguma prática terapêutica, a alguém em quem se confia para propiciar um olhar externo e apaziguador de tal sofrimento. Não precisamos resvalar nos extremos! A manifestação desse aspecto é muito provável de se dar nas relações mais próximas, particularmente relações que envolvam figuras paternas ou de poder, como a relação com o próprio pai, chefes, professores, ou outros tipos de autoridades, inclusive religiosas, acadêmicas etc. É preciso compreensão, sensibilidade, compaixão e doçura para consigo mesmo e para com o outro que porventura percebamos estar lidando com esse tipo de dilema.

Salvador Dali – Reprodução

Peixes é o signo que fala da desintegração da forma e do ego. Quíron trafegando este signo nos diz que essa desintegração é dolorosa e que temos que abrir mão do anseio por redenção, porque não há redenção à vista. A quadratura de Saturno nos fala que as figuras de autoridade e poder estão feridas, vulneráveis, fracas. Essa vulnerabilidade tanto pode ser moral e psicológica, quanto física e concreta, ou seja, pode implicar reputações avariadas ou perda da saúde ou ainda morte. Ou nos sentimos órfãos porque tais autoridades são incapazes de continuar a nos dar suporte, ou porque nos desapontamos terrivelmente com elas.

Em termos mundanos, podemos bem associar essa quadratura com todas essas reformas em andamento no Brasil. Novas leis (Saturno em Sagitário) que versam sobre a saúde coletiva, aposentadoria, etc (Quíron em Peixes). E como vimos, a aprovação das tais leis não favorece nem um pouco ao povo e à maioria. É possível também vermos figuras eclesiásticas e religiosas em geral – de todas as religiões – tendo suas fraquezas e vulnerabilidades expostas, sendo julgadas socialmente, seus pés de barro esfacelando-se debaixo do seu peso de ferro e ouro… A mesma coisa se aplica a autoridades acadêmicas e altos postos universitários. A exposição dessa vulnerabilidade pode ser no sentido moral, mas também físico, ou seja, pode implicar questões de saúde ou mesmo de morte nesses meios mencionados. Se Saturno-Netuno simboliza a morte e o desaparecimento de figuras importantes nas artes em geral, Saturno-Quíron sugere a mesma coisa para figuras importantes dos meios acadêmicos, religiosos, filosóficos ou mesmo da saúde, já que Quíron também tem a ver com a cura. A implicação dos meios eclesiásticos e religiosos tem a ver com o trânsito de Saturno por Sagitário.

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Saturno faz também aspecto positivo a Urano, um trígono. Esses dois planetas em contato simbolizam a implementação das mudanças intelectuais, aquelas que são pensadas na configuração Júpiter-Urano. Este aspecto indica a possibilidade de conciliarmos o velho e o novo, a tradição com a inovação, tirando o melhor dos dois mundos. Indica que temos recursos para fazer algumas mudanças estruturais e cruciais com uma certa segurança, de forma responsável, planejadamente. É um tempo favorável para as ciências, as áreas de pesquisa e do conhecimento em geral. Novas ideias (Urano) ganham forma (Saturno), harmoniosamente. Assuntos antigos (Saturno) ressurgem com novas roupagens ou abordagens (Urano). Urano estará bastante ativado, o que sugere um ano cheio de surpresas, de eventos inesperados, reviravoltas, rebeldia, revolução e subversão. Sempre que Urano está envolvido diz-se “espere o inesperado”, o que é uma contradição em si mesmo, mas esse dizer é para enfatizar a natureza imprevisível e abrupta deste planeta. Saturno ingressa em Capricórnio em 20 de dezembro.

Veja onde acontece esse aspecto muito positivo de Saturno e Urano no seu mapa natal, agendando uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com

Ingressão do sol em Áries – 20 de março

Ingressão do Sol para Brasília

Um dos meios mais efetivos de vermos como vai ser o ano é analisando o mapa da ingressão do sol em Áries, que se dará em 20 de março, às 07h28min no horário de Brasília e às 10h28min no horário de Lisboa. Esse mapa grita alto, altíssimo! Primeiro, o Sol está na casa 12, a casa das coisas ocultas, junto com Vênus retrógrada e Mercúrio. Isso nos diz que o poder no Brasil continuará a ser exercido de forma obscura. A casa 12 no mapa astrológico classicamente é tida como a casa dos “inimigos não declarados” – sendo o Sol a autoridade máxima e representando o presidente/chefe de estado, teremos então inimigos não declarados no poder? O inimigo comanda o show dos bastidores! Em Astrologia Mundana/Mundial essa casa é a dos movimentos subversivos, dos movimentos e eventos secretos, clandestinos, subterrâneos. E é também a casa das instituições de isolamento: hospitais, mosteiros, prisões. Considerando-se tudo o que temos visto até no que tange às rebeliões no sistema carcerário, podemos dizer que essa tendência de conflitos deve continuar ano adentro.

Ramiro Furquim – Sul 21 – reprodução

O Sol se afasta de uma quadratura a Saturno-Lua e conjunção a Quíron, ambos os aspectos fora de signo. Sugere que ainda amargamos desapontamentos passados, ainda estamos a digerir muito dos recentes acontecimentos desagradáveis. O choque de realidade continua a reverberar. Sem falar que a quadratura Lua-Sol deixa claro que os interesses do governo não coincidem com os da massa – longe disso, conflitam terrivelmente. O próximo aspecto que o Sol fará é a conjunção a Vênus retrógrada. Baigeant, Campion e Harvey (1), no livro Mundane Astrology, dizem que Vênus representa a cola que mantém o povo da nação unido, as coisas prazerosas, artes, harmonia, entretenimento. “Traz a paz, embora, devido à sua natureza passional, também tem associações com a guerra”. Os Maias e os Astecas eram grandes estudiosos do ciclo de Vênus e para eles, Vênus retrógrada, como já disse em outros textos, era associada às guerras, por causa da qualidade subversiva e guerreira que Vênus adquire quando muda de direção. De diplomática e conciliadora, torna-se uma guerreira obstinada a destruir o inimigo. Assim, essa posição de Vênus Rx alerta que os conflitos civis, as revoltas populares devem ficar mais inflamadas neste ano, especialmente porque Vênus está em Áries, um signo de guerra. As pessoas em geral têm grande dificuldade de concordar entre si e o tom animoso sai das redes sociais e pode ganhar as ruas. Vênus também está associada ao arquétipo feminino e aos recursos do país, devido à regência de Touro. Os recursos do país ficam escassos, particularmente porque essa Vênus rege a casa 2 deste mapa. E na casa 12 aponta para as falcatruas e negociatas feitas por trás das costas do povo – adeus, Aquífero Guarani e tantos outros tesouros nacionais!!! E a economia, ao invés de crescer, tende à retração – portanto, o crescimento é deveras duvidoso!

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Urano está na casa 1 deste mapa, a casa que representa a nação como um todo, sua autoimagem. Urano está em quadratura a Plutão que está conjunto ao MC e ainda recebe a oposição de Júpiter no DC, que também quadra Plutão. É um ano revolucionário, não se sabe se as revoluções são para melhor ou para pior, mas a sombra coletiva desse país vai para os holofotes e muitas coisas secretas com as quais não lidamos até aqui vão para o palco central, de modo que precisamos olhar com os olhos bem abertos e transformar o que tiver que ser transformado.

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Júpiter está retrógrado na casa 7/DC e sugere esse anseio de buscarmos a ajuda de algum parceiro “benfeitor”, mas esse Júpiter está retrógrado, de modo que é provável que não consigamos e ainda sejamos objeto de ridículo. Júpiter também está destacado, visto que puxa essa mapa todo numa formação de Locomotiva – mais uma vez, a despeito de todas as vicissitudes, precisamos ter fé de que estamos mudando para melhor. Não uma fé cega ou alienada, mas uma fé clara, arguta, como mostram os aspectos a Urano e Plutão.

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Mercúrio está conjunto ao Ascendente em Áries e é instrumental na fomentação dos conflitos – alô, grande mídia! – visto que está também em oposição ampla a Júpiter e quadratura a Plutão no MC. Mercúrio rege as comunicações de todo o tipo, a educação, as mensagens do governo ao povo, os movimentos intelectuais e pensamento da nação. E este pensamento está nervoso, incendiário, disposto a demolir muitas verdades, crenças e leis inócuas, disposto a botar a boca no trombone, mas também pode estar inflexível e egocentrista. A quadratura a Plutão sugere novamente, que muitos podres virão à tona tanto no que tange aos meios políticos e econômicos (Plutão em Capricórnio), quanto aos meios judiciários e eclesiásticos (Júpiter em Libra), podendo também representar alguns incidentes diplomáticos.

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A Lua está conjunta a Saturno na casa 9, em Sagitário e repete algo parecido já apontado por Mercúrio-Júpiter-Plutão: verdades sombrias acerca dos meios religiosos e da justiça precisam ser encaradas sem escapismos. A Lua representa o povo, as massas, que neste caso estão fanáticas e apaixonadas por ideologias rígidas, moralismos vazios. Talvez essas massas exijam punição e justiça contra os desmandos, mas têm que lidar com realidades decepcionantes, já que a Lua também quadra Quíron. A casa 9 também é a casa das publicações, das instituições acadêmicas e dos sistemas das leis, de maneira que essa posição aponta para leis rígidas que repercutem negativamente nas instituições públicas e sociais (Quíron na 11), na educação, universidades e na produção das ciências. Positivamente, a conjunção Lua-Saturno sugere que o povo está mais realista, mais forte e resiliente, menos propenso a esperar por milagres.

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A Lua também é um planeta feminino e está conjunta a Saturno. Somando isso à posição de Vênus, retrógrada em Áries na casa 12, temos que este não é um ano particularmente favorável para o feminino, para as mulheres, que podem se sentir amordaçadas e cerceadas nas suas conquistas e liberdades e na forma como são tratadas pelas leis e pelos aplicadores das leis. Pode haver um recrudescimento da violência contra a mulher. Contudo, esse feminino coloca uma resistência formidável e está disposto a brigar ferrenhamente por suas bandeiras. E essa retrogradação pode significar uma reformulação, uma reavaliação de como a mulher e o feminino têm sido vestidos nos últimos tempos.

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Marte está em Touro, na casa 1, isolado, sem aspectos. Poderíamos considerar um trígono de quase 10 graus que vai receber da Lua, mas ainda é muito distante. Marte está em recepção mútua com Vênus retrógrada. Em Touro ele está mais calmo e paciente e delibera antes de entrar em ação, o que por um lado, ajuda bastante em momentos de ebulição e conflito. Entretanto, um planeta sem aspectos tende a se manifestar de forma extremista, super-compensando os momentos de pouca atividade com outros de atividade exagerada, inflexível, radical, sugerindo muitos riscos. Marte é o planeta da liberação da energia executiva, da paixão e da violência, e quando sem aspectos, sugere que essa energia é liberada de forma irregular, errática. Pode ser grosseiro, rude, truculento, particularmente em Touro e como também representa o poderio militar, essa posição inspira cuidados. Pode agir de forma a gerar divisões, violência, rebeliões (particularmente no sistema prisional, já que a regente, Vênus, está na casa 12) e tumultos na ordem social.

O único aspecto positivo nesse mapa é o trígono Saturno-Urano, que pode sim, dar alguma sustentação em momentos de caos, mas, de modo geral, esse mapa diz que esse é um ano bastante conturbado para o Brasil – e também para o mundo, de formas diferentes. É bem diferente de 2016, porque 2016 tinha aquela sensação de depressão, de desesperança, de coisas arrastadas… Já 2017 traz energia de ação, é dinâmica, embora seja conflituosa. Este é um ano de revolução –  embora, com Marte em Touro (regente de Áries, Sol, Vênus, Mercúrio e Urano), essa revolução aconteça meio a passo de tartaruga e talvez seja meio preguiçosa… meio na marra, talvez porque fiquemos com medo de perder algumas “comodidades”. Urano em Áries, contudo, sempre sugere que a mais importante revolução de todas, a principal e fundamental, é a revolução individual – é no indivíduo e a partir do indivíduo que a revolução pode realmente acontecer – principalmente porque Urano e Marte estão na casa 1.

Eclipses

O eixo nodal permanece por cerca de 19 noves numa polaridade de signos. Esse eixo ingressou na polaridade Virgem-Peixes em novembro de 2015, onde permanece até maio de 2017, quando ingressa, então, no eixo Leão-Aquário. Nos últimos dois anos tivemos eclipses acontecendo entre as polaridades de Áries-Libra e de Virgem-Peixes – leia e entenda melhor a mecânica dos eclipses. Agora os eclipses se deslocam para Leão-Aquário e mesmo os de fevereiro já ocorrem neste par de signos, porque para haver um eclipse, é preciso que Sol e Lua estejam distantes até 18 graus do eixo nodal.

Tabela de eclipses de 2017: significados e área de influência por signo. Veja o signo do seu ASCENDENTE!

Então, teremos dois eclipses lunares, os dois parciais/penumbrais, o de fevereiro visível em quase todo o Brasil e o de agosto visível na África, Ásia e Oceania – leia sobre o Eclipse Lunar em Leão de fevereiro. Já os eclipses solares serão totais, o de fevereiro sendo visível da região central ao Sul do Brasil e o de agosto sendo visível na América do Norte e parcialmente no Norte do Brasil – leia sobre o Eclipse total do Sol em Peixes de fevereiro. De modo geral, esses quatro eclipses que acontecem em 2017 aumentam a possibilidade de coisas imprevisíveis e inesperadas ocorrerem ao longo do ano, podendo se manifestar como cataclismos naturais, como terremotos e tsunamis, e também como violência social em que o indivíduo se coloca contra os grupos e o povo se volta contra governos e poderes estabelecidos – isto no Brasil e no mundo. Esses eclipses enfatizam o papel e a atuação do indivíduo na comunidade, conclamando as pessoas a serem mais participativas e a se responsabilizarem mais pelas mudanças que querem ver acontecendo na sociedade.

Você sabe onde os eclipses caem no seu mapa e o que eles acionam? E Vênus retrógrada, o que vem significar para você neste momento? Agende uma consulta e descubra: psicologica.astrologia@gmail.com

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Mercúrio ficará retrógrado quatro vezes, nos signos de Capricórnio/Sagitário (janeiro), Touro/Áries (abril a maio), Virgem/Leão (agosto a setembro) e Sagitário (dezembro). Os períodos de Mercúrio retrógrado, como sabemos, propiciam que façamos revisões importantes sobre nossas formas de pensa e nos comunicar e, considerando-se a posição de Mercúrio neste mapa, os períodos de retrogradação serão cruciais para a avaliação do quanto as revoluções são benéficas ou maléficas para o Brasil.

 

Datas de Mercúrio retrógrado:

19/12/2016 a 08/01/2017 – retrograda de 15° de Capricórnio a 28° de Sagitário

09/04 a 03/05 – retrograda de 4° de Touro a 24° Áries

13/08 a 05/09 – retrograda de 11° de Virgem a 28° de Leão

03/12 a 22/12 – retrograda de 29° a 13° de Sagitário

Arcano XIII – A Morte – Tarô de Nei Naiff

Assim, transformações profundas continuam a ocorrer nas grandes instituições econômicas, nas estruturas governamentais, nos sistemas bancários, no Poder e poderes em geral. O que não for mudado por bem, será transformado à revelia da nossa vontade na grande conjunção de Júpiter-Saturno-Plutão em 2020, um ano de grande turbulência econômica, política e social, em termos globais – nada comparado com o que estamos vendo agora. A Terra vai parar e mundo não será mais o mesmo depois de 2020!

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Em resumo, em 2017 temos a continuidade de um ciclo de mudanças iniciado lá em 2008 e que se estende até 2020, quando outros ciclos importantes começam, mudando drasticamente o cenário geopolítico mundo afora. Apesar de haver um aumento no conservadorismo, 2017 é um ano de muitas reviravoltas políticas, econômicas e sociais, assim como um ano de mudanças significativas e repentinas nas leis e no exercício dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por um lado, ainda temos muitos desapontamentos e desilusões, especialmente com autoridades e figuras públicas dos campos da política, do judiciário e das religiões. Por outro lado, o povo já não fica tão passivo, está mais resiliente e levanta resistência, usando esse desapontamento como combustível para brigar contra desmandos e injustiças e ir atrás de mudanças reais. O perigo é que aqueles que detém o poder vão tentar defendê-lo a todo custo e isso pode gerar revoltas e conflitos violentos, nas ruas e dentro de instituições, tanto no Brasil quanto no mundo.

Embora tudo isso pareça assustador, não devemos ficar assustador e com medo, porque já vivemos isso atualmente e as coisas tendem apenas a se intensificar. O movimento de transformação nos convida a permanecer conscientes e a voluntariamente contribuir e cooperar com essa transformação. E por mais que tudo pareça estar piorando, isso não é verdade. Recorro a um texto de Sathya Sai Baba para nos lembrar disso, que fala sobre esse período de transição que atravessamos:

“Não há mais maldade, o que há é mais luz, e é sobre isso que falo agora. Imagine que você tem um quarto, ou uma despensa, onde guarda suas coisas, iluminado por uma lâmpada de 40W. Se trocar para uma lâmpada de 100W, verá desordem e um tipo de sujeira que você nem imaginava que havia no local.

A sociedade está mais iluminada. Isto é o que está acontecendo. E isto faz com que muitas pessoas que leem estas afirmações as considerem loucura.

Percebem que hoje em dia as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender a forma como a vida se organiza.

A nova vibração do planeta tem tornado as pessoas nervosas, depressivas e doentes. Isto porque, para poder receber mais luz, as pessoas precisam mudar física e mentalmente. Devem organizar seus quartos de despejo, porque sua consciência cada dia receberá mais luz. E por mais que desejem evitar, precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira.

Esta mudança provoca dores físicas nos ossos, que os médicos não conseguem resolver, já que não veem uma doença que possa ser diagnosticada. Dirão que é causado pelo estresse. Porém isto não é real. São apenas emoções negativas acumuladas, medos e angústias, todo o pó e sujeira de anos que agora está sendo visto para ser limpo.

Algumas noites as pessoas acordarão e não conseguirão dormir por algum tempo. Não se preocupem. Leiam um livro, meditem, reze. Não imagine que algo errado ocorre. Você apenas está assimilando a nova vibração planetária.

Se não entender este processo, pode ser que as dores se tornem mais intensas e você acabe com um diagnóstico de fibromialgia, um nome que a medicina deu para o tipo de dores que não tem causa visível. Para isto não existe tratamento específico – apenas antidepressivos, que farão com que você perca a oportunidade de mudar sua vida.

Uma vez mais, cada um de nós precisa escolher que tipo de realidade deseja experimentar, porém sabendo que desta vez os dramas serão sentidos com mais intensidade; assim como o amor. Quando aumentamos a intensidade da luz, também aumentamos a intensidade da escuridão, o que explica o aumento de violência irracional nos últimos anos.

Estamos vivendo a melhor época da humanidade desde todos os tempos. Seremos testemunhas e agentes da maior transformação de consciência jamais imaginada.

Informe-se, desperte sua vontade de conhecer estas questões. A ciência sabe que algo está acontecendo, você sabe que algo está acontecendo. Seja um participante ativo. Que estes acontecimentos não o deixem assustado, por não saber do que se trata.” (SATHYA SAI BABA)

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Como fica para os signos (Sol, Lua e Ascendente)?

Os signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) continuam a lidar com as transformações exigidas por Plutão (segundo decanato), são chamados a despertar radicalmente por Urano (terceiro decanato) e ainda precisam buscar equilíbrio no crescimento, conforme aponta o trânsito de Júpiter por Libra (segundo e terceiro decanatos). Assim, os signos cardinais continuam a ser desafiados de forma crítica.

Os signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário estavam passando por uma trégua relativa nos últimos dois anos, desde que Saturno finalmente saiu de Escorpião. Em outubro Júpiter ingressa em Escorpião, onde ficará até oito de novembro de 2018. Júpiter vai agitar e animar um bocado a vida dos signos fixos, mas para Touro, Leão e Aquário é preciso ter alguma cautela, porque Júpiter tende aos exageros. Os signos fixos também serão afetados pela migração do eixo nodal para Leão-Aquário, já que os eclipses passam a acontecer nessa polaridade de signos.

Já os signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes), são dos mais desafiados, visto que lidam com o trânsito de Saturno por Sagitário (terceiro decanato dos signos mutáveis) e de Netuno por Peixes (segundo decanato) e Quíron (terceiro decanato), também por Peixes. Os signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) tiveram que lidar com algo parecido lá pelos idos de 1999, quando Saturno trafegava Touro e Netuno passeava por Aquário. A diferença é que os signos fixos são signos de controle, e precisam abrir mão de tal controle. Os signos mutáveis, por outro lado, são signos mais fluidos e estão sendo testados e cobrados severamente no seu senso de ordem e de estrutura, no seu senso de funcionamento efetivo no mundo. Precisam fazer o exercício de abrir mão do paraíso da infância (Netuno) e encarar a realidade, se estruturando e amadurecendo mais um pouco (Saturno).

Então, 2017 nos pergunta: quais revoluções precisam acontecer na sua vida?

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Datas importantes

06 de fevereiro – Júpiter retrógrado em Libra

11 de fevereiro – Eclipse Penumbral da Lua em Leão

26 de fevereiro – Eclipse Anular do Sol em Peixes

03 de março – Júpiter Rx em oposição a Urano

04 de março – Vênus fica retrógrada a 13° de Áries

20 de março – Ingressão do Sol em Áries

30 de março – Júpiter Rx em quadratura a Plutão

06 de abril – Saturno retrógrado em Sagitário

09 de abril – Mercúrio retrógrado em Touro

15 de abril – Vênus direta em Peixes

20 de abril – Plutão retrógrado em Capricórnio

03 de maio – Mercúrio direto em Áries

17 de maio – Júpiter Rx em quincúncio a Netuno

19 de maio – Saturno Rx em trígono a Urano

09 de junho – Júpiter direto em Libra

16 de junho – Netuno retrógrado em Peixes

05 de julho – Júpiter direto em quincúncio a Netuno

03 de agosto – Urano retrógrado em Áries

4 de agosto – Júpiter direto em quadratura a Plutão

11 de agosto – Urano Rx em semi-quadratura a Netuno

13 de agosto – Mercúrio retrógrado em Virgem

25 de agosto – Saturno volta ao movimento direto em Sagitário

27 de de agosto – Júpiter direto em sextil a Saturno

05 de setembro Mercúrio volta ao movimento direto em Leão

27 de setembro – Júpiter em sesqui-quadratura a Netuno

28 de setembro – Júpiter em oposição a Urano

28 de setembro – Plutão volta ao movimento direto em Capricórnio

07 de outubro – Urano Rx em semi-quadratura a Netuno

10 de outubro – Júpiter ingressa em Escorpião

11 de novembro – Saturno em trígono a Urano

22 de novembro – Netuno direto em Peixes

2 de dezembro – Júpiter em Escorpião em trígono a Netuno

3 de dezembro – Mercúrio retrógrado em Sagitário

20 de dezembro – Saturno ingressa em Capricórnio

22 de dezembro – Júpiter em semi-quadratura a Saturno

23 de dezembro – Mercúrio volta ao movimento direto em Sagitário

(1) – Michael Baigent, Nicholas Campio, Charles Harvey – Mundane Astrology – Thorsons UK

A Semana Astrológica – Devagar e sempre… Chegaremos lá!

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Semana de 18 a 24 de abril 

Semana de Lua Cheia, que indica um período de culminância, de frutificação e colheita de tudo o que andamos empreendendo e daquilo onde colocamos nossos esforços e investimentos energéticos, emocionais, materiais e objetivos. A Lua Nova de Áries culmina na Lua Cheia de Escorpião. E é uma semana deveras potente, com dois planetas importantes entrando em retrogradação e o Sol ingressando em Touro. É tempo de avançar, mesmo que seja a passos cautelosos de tartaruga. Devagar e sempre

Laurie Kaplowitz - Reprodução
Laurie Kaplowitz – Reprodução

Marte Plutão entram em retrogradação num período de menos de 24 horas entre um episódio e outro. Dois planetas super importantes, diretamente relacionados ao tema da sobrevivência (Marte=sobrevivência do indivíduo; Plutão=sobrevivência da espécie) mudando de direção, nos faz pensar e nos obriga a reavaliar o modo como estamos vivenciando seus temas, como sobrevivemos no mundo, pessoal e coletivamente; como lidamos com a agressividade em nós, com nossa raiva pessoal e consciente e também com a raiva global, primitiva, primal, ligada aos tabus reprimidos e jogados no inconsciente, transformados em sombra e em terror. Requer muita reflexão! No caso específico de Plutão, sua retrogradação  simboliza que precisamos parar um pouco para digerir todas as grandes transformações que aconteceram dentro de nós e no mundo ao nosso redor nos últimos meses. Períodos de retrogradação são providenciais para que “internalizemos e incorporemos as experiências externas e as questões conscientes”* na esfera regida por aquele planeta. Assim, de 18 de abril a 26 de setembro estaremos internalizando e absorvendo mais profundamente os resultados das grandes revoluções e tormentas existenciais que vivenciamos conscientemente desde setembro passado – é, Plutão fica mais de seis meses retrógrado. Assim, é período de digestão – lenta, gradual e profunda! A descida ao Mundo Inferior avança para um novo nível de abismo! Mais: temos atualmente retrógrados nos céus Marte, Júpiter, Saturno e Plutão, com Mercúrio também já na zona de retrogradação – fica retrógrado dia 28 de abril – quer dizer, as coisas ficam mais morosas, em modo de assimilação e digestão, de recepção e maior passividade e não de ação direta e objetiva. Um grande desafio para os apressadinhos de plantão!

Rhed Fawell - Reprodução
Rhed Fawell – Reprodução

Neste cenário moroso Vênus em Áries faz trígono a Saturno, aspecto favorável à solidificação nas relações, comprometimento e seriedade. Contudo, no dia seguinte a mesma Vênus faz quadratura a Plutão em Capricórnio e conjunção a Urano na sexta. Na verdade, precisamos nos alinhar com nossos valores mais sólidos e substanciais para irmos para o enfrentamento que demanda que nos  livremos daquilo que não é tão importante assim  perceber o que é uma real estabilidade e o que é estagnação; diferenciar entre aquilo que nos dá segurança verdadeira nas relações, daquilo que é mera fachada e que prende nosso potencial afetivo e criativo – tema super realçado pela Lua Cheia de Escorpião. E, é claro, encarar nossas ambiguidades dentro das relações, assumir que gravitamos prazerosamente em direção ao outro, ao mesmo tempo em que nos ressentimos disso e desejaríamos cortar todos os cordões que nos prendem a ele. Tendo executado estas tarefas, poderemos ser realmente livres e inovar na expressão dos nossos valores, abrirmo-nos a novas experiências e vivências neste campo. Em termos materiais, estes aspectos feitos por Vênus sugerem que ordenemos e organizemos nossa vida financeira, a gestão dos negócios e dos recursos em geral, para empreendermos as transformações que se fizerem necessárias nesta área de vida. A quadratura a Plutão e a conjunção a Urano requerem muita cautela na gestão financeira, sugerindo que se aguarde momentos mais propícios para contratos e investimentos de risco.

Ruth Cadden - Reprodução
Ruth Cadden – Reprodução

O Sol ingressa em Touro na terça-feira, às 12h30min no horário de Brasília e às 16h30min no horário de Lisboa, indicando uma fase do ano em que focamos mais na segurança material, na sustentação dos nossos projetos de longo prazo e também em buscar uma vida de maior conforto e tranquilidade. Touro é o primeiro signo de Terra, a Terra mais primitiva, Terra Fixa. É profundamente pragmático, convencional, o signo do bom senso. Precisa ver, tocar, ouvir, cheirar, sentir para crer, para poder concordar com alguma mudança – é, ele detesta mudar! Touro não se joga em nada que não tenha lastro, aliás, ele NÃO se joga, isso é coisa de Áries. Ele se aproxima de tudo vagarosa e cautelosamente, testando, experimentando, averiguando, até que sinta um solo firme e seguro sob os pés. É muito sensorial, o signo que rege os sentidos corporais, do ver, ouvir, cheirar, degustar e tocar, por isso ele é muito focado no conforto e no prazer, além de esbanjar sensualidade. Parabéns a todos os Taurinos!

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Pixfaus – Reprodução

A Lua abre a semana na fase Corcunda, em Virgem. Equilibra-se e se arrendonda mais em Libra e é Cheia em Escorpião na sexta-feira. Fecha o período já em Sagitário, onde adquire uma qualidade catequética e fervorosa!

Dean Herlihy Art - Reprodução
Dean Herlihy Art – Reprodução

Plutão entra em retrogradação na SEGUNDA-FEIRA. Vênus está em trígono exato a Saturno. A Lua abre o dia em conjunção exata a Júpiter em Virgem e os dois fizeram um belíssimo par nos céus da madrugada. A Lua ainda faz quadratura a Saturno e oposição a Quíron, formando uma T-Square mutável. Também faz quincunce a Vênus e a Urano e trígono a Plutão e Mercúrio, formando um Grande Trígono de Terra e ficando vazia logo depois, às 09h30min. A Lua só ingressa em Libra na terça de manhã, portanto, temos quase 24 horas de Lua vazia. O dia até que começa industrioso, mas logo entramos na retranca e tudo parece parar ou ficar em standby. E não adianta nem esquentar a cabeça porque o dia fica meio pasmacento, indo no seu próprio ritmo e não no nosso ou naquele que gostaríamos. O ideal é tirarmos o dia para organizar a agenda, cuidar dos afazeres rotineiros, colocar a casa, a mesa ou o escritório em ordem, ordenar a vida! Vigiar para não perdermos tempo e energia imersos em preocupações inúteis ou tentando controlar o incontrolável – isso somente nos levará a muita dispersão, desperdício de energia e frustração. É mais inteligente fluir e permanecer abertos e flexíveis para as surpresas do dia – algumas delas podem ser até agradáveis! Vênus em trígono a Saturno sugere um dia de estabilidade nas relações, contudo, tal estabilidade seria melhor utilizada para fazermos um exame de nossos valores mais profundos, aqueles que nos sustentam, para nos prepararmos os grandes enfrentamentos que nos aguardam nos próximos dias.

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Vênus está em quadratura plena a Plutão na TERÇA-FEIRA. A Lua abre o dia fora de curso em Virgem, de onde faz quincunce ao Sol ainda em Áries. A Lua ingressa em Libra somente às 08h24min e faz sesqui-quadratura a Mercúrio em Touro.  O Sol ingressa em TOURO às 12h30min. Estamos meio fora de sincronia conosco mesmos e nossas necessidades básicas. Mordazes, cuspimos fora o veneno que nos corrói por dentro, tentando parecer civilizados, inutilmente porque a baba viperina nos escorre pelo queixo – o que não atentamos é que talvez nossa selvageria tenha razão de ser e possivelmente surja dos longos períodos em que, em nome da estabilidade, tentamos fingir que estava tudo bem, que tudo estava “em ordem”. Pois bem, acordamos e parece que está tudo fora do lugar – café sem açúcar, dança sem par – para desgosto de nossa alma que almeja por equilíbrio e finesse. Vênus, regente da Lua e do Sol, está em quadratura a Plutão e demanda que reconheçamos as muitas mudanças por que passaram nossas relações e interações recentemente, apesar de querermos estabilidade a qualquer custo. É isso ou uma ruptura real e dolorosa poderá recair sobre nós, caso resolvamos ignorar os apelos de nossa alma e a verdade das nossas relações.

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Brooke Shaden Photography – Reprodução

Estes conflitos estão mais agudos na QUARTA-FEIRA. A Lua Libriana até que começa o dia em harmonia: faz sextil a Marte e a Saturno, mas também se indispõe com Netuno e, principalmente, arma uma grande crise dramática ao quadrar Plutão e se opor a Vênus-Urano, que também estão em quadratura a Plutão, formando uma T-Square Cardinal explosiva, cujo impacto maior é nos relacionamentos. O Sol Taurino está em sesqui-quadratura a Saturno. Dia de grandes conflitos, internos e externos. Entre insistir nos nossos quereres e reconhecer a necessidade do outro em nossa vida, optamos pela ambiguidade e esticamos o elástico a mais não poder, tentando ganhar tempo e adiar as escolhas vitais. Mas quanto mais ficamos em cima do muro, mais tensão acumulamos e mais esticada fica a corda entre desejo e necessidade. O resultado é que ficamos irritadiços e melindrosos, suscetíveis a críticas e sujeitos a atitudes abruptas que contradiz o discurso conciliador que tentávamos manter. Em algum momento, algo tem que ceder dentro de nós, assim como alguma das partes nos conflitos externos. É fundamental achar o ponto de convergência, onde tais desejos e necessidades discrepantes se encontram: o ponto da honestidade consigo mesmo e com os outros, da maturidade e integridade emocional. Reconhecer nossas muitas disparidades, olhá-las de frente; negociar para integrá-las, achar o caminho do meio que ajude a conter a tensão, ao invés de externá-la desenfreada e destrutivamente – é o que nos é pedido.

Brooke Shaden Photography - Reprodução
Brooke Shaden Photography – Reprodução

A Lua Libriana faz oposição a Urano em Áries nas primeiras horas da QUINTA-FEIRA. Faz também quincunce a Mercúrio em Touro e a Quíron em Peixes, virando foco de um Yod por algumas horas. A Lua ainda faz sesqui-quadratura a Netuno e fica vazia depois do contato com Urano, às 03h14min, ficando vazia o dia inteiro, pois só entra em Escorpião às 21h18min. Vênus, regente da Lua, está conjunta, conjunção quase exata, a Urano. É, o sono fica agitado e sujeito a interrupções ou pesadelos nesta madrugada. Talvez a mente esteja inquieta demais de modo que o corpo não consegue relaxar completamente? E já que é feriado, talvez possamos adiar a hora de levantar da cama e quem sabe rememorar, com vagar, os sonhos e as mensagens que recebemos enquanto estávamos nos braços de Orfeu… Ah! Que maravilha – eu sempre digo – quando o calendário oficial combina com o estelar! Pois é, porque as horas de vigília ficam mais pesadas e continuamos um tanto inquietos, com questionamentos pululando lá no segundo plano da mente e do coração… E se chutássemos o pau da barraca, o que aconteceria? E se ousássemos pular aquela cerca do previsível e do estável? Como seria abraçar nossa porção selvagem para variar, em detrimento do nosso lado mais civilizado e contido? Elucubrações de uma Lua Vazia em Libra. O dia traz um estado de expectativa latente, embora não saibamos definir com clareza a origem de tais expectativas. Mas é momento mais que oportuno de uma profunda reflexão acerca da nossa necessidade de estabilidade e segurança, especialmente no que tange aos relacionamentos, versus o reconhecimento da necessidade de virar a mesa e eliminar comportamentos e atitudes congelados e rígido que têm nos impedido de amar verdadeiramente as pessoas, ao invés de tentar possuí-las e controlá-las. Em termos práticos, o dia sugere uma busca de equilíbrio e harmonia nas interações com as outras pessoas; negociações civilizadas na ocupação dos espaços diários, literais ou figurativos e pede para pegarmos leve, pois muita coisa pode mudar no espaço de horas. A objetividade dá lugar à subjetividade, portanto, estejamos abertos àqueles palpites que aparecem do nada e que podem se revelar preciosos. Estejamos abertos, principalmente ao imponderável, com quem podemos dar de cara bem ali, ao virar da esquina!

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Carrie Ann Baade – Reprodução

A Lua é Cheia a 02°31’ de Escorpião às 02h24min (06h24min para Lisboa) da SEXTA-FEIRA e durante o dia faz trígono a Netuno e sextil a Júpiter já à noite. Vênus está em conjunção plena a Urano e ainda em quadratura a Plutão. A Lua cheia de Escorpião exacerba a intensidade da culminação do ciclo, que já é intenso por si só. Nesta Lunação, Sol e Lua estão praticamente em dueto, pois a Lua faz apenas um trígono distante a Netuno, além da oposição ao Sol – isso enfatiza o extremismo da configuração da oposição Lua-Sol. É hora de reciclar e se não der mais para reciclar, eliminar de vez, transformar. O convite é para passarmos do plano do meramente físico e material às camadas mais profundas da vida e da psique, desenterrando tabus e cadáveres que assombram ainda nossa vida, para purgá-los, redimi-los e deixá-los ir – só assim estaremos liberados para nos comprometer profundamente com nossa transformação e das nossas relações. É momento de perscrutar, dentro de nós, que atitudes se tornaram por demais egoístas e individualistas (Lua Nova de Áries) e nos afastam da criação de vínculos verdadeiros e transformadores (Lua Cheia de Escorpião) e eliminar tais atitudes de nosso comportamento e alma. No plano positivo, os projetos iniciados solitária e pioneiramente em Áries, agora precisam ser compartilhados com nossos pares mais próximos, de modo que nos demos conta de que o lobo solitário ainda precisa pertencer a uma matilha, a uma comunidade. O fato de os dois dispositores da Lua Cheia terem ficado retrógrados praticamente no mesmo dia requer reflexão mais profunda no que tange às eliminações que precisamos fazer e aqui, eu lembro uma expressão idiomática maravilhosa da língua inglesa que ilustra esse tema: “to throw the baby with the bathwater” que, em tradução livre quer dizer “não jogue fora o bebê junto com a água do banho”, ou seja, não jogue fora o que é essencial, a coisa mais importante, só porque tem que jogar aquilo que não serve mais. Touro precisa aprender a possuir as coisas sem deixar que elas o possuam e é isso que Escorpião vem ensinar a ele; já Escorpião precisa aprender que possuir e controlar alguém não é sinônimo de amar.

Martin Stranka - Reprodução
Martin Stranka – Reprodução

O SÁBADO chega igualmente intenso, ainda na esteira da Lua Cheia. A Lua faz sextil a Júpiter e a Plutão, quincunce a Vênus e Urano em Áries, trígono a Quíron em Peixes e oposição a Mercúrio, ficando fora de curso logo depois, às 18h47min. Um dia para processar e digerir a intensidade dos últimos insights que nos pegaram de assalto e podem ter surpreendido até a nós mesmos, com a violência de sua veemência. Estamos introspectivos, sondando a própria alma para ter maior clareza daquilo com que estamos lidando. Entretanto, há incongruências demandando ajustes; desconfortos exigindo adaptação. No meio de tanta introspecção e necessidade de solitude, um outro lado pede para ousarmos e nos rebelarmos contra este isolamento. Em ultima instância é outro daqueles dias em que sentimentos e pensamentos estão em dissonância e precisaremos ter paciência conosco mesmos, para não enxergarmos conflitos onde não existem no mundo lá fora. Tal atrito interno pode gerar tensão nas nossas interações, com propensão a bate-bocas cáusticos e azedos, o sarcasmo correndo livre e acerado. O dia oferece chances de pararmos e analisarmos nosso humor azedo e suas origens, aceitando nosso azedume poderemos fazer as pazes com ele e transformá-lo. Não temos obrigação de estar sempre lindos risonhos, mas precisamos lembrar que os outros também não têm obrigação de tolerar nosso mau humor gratuito. Assim, talvez o melhor seja sinalizar para o mundo nosso estado de espírito, antes que outros corram o risco de se espetar, inadvertidamente nos nossos espinhos pontiagudos – todo mundo tem seus dias meio intratáveis, nós também. Só precisamos estar cientes que o outro não é responsável pelo modo como nos sentimos e então cuidar de nossa higiene psíquica.

Vi.sualise.us - Reprodução
Vi.sualise.us – Reprodução

A Lua Cheia ingressa em Sagitário às 09h47min do DOMINGO, de onde faz quincunce ao Sol em Touro. Fecha a noite e a semana em conjunção a Marte retrógrado e também a Saturno, em orbe ampla. O dia está venturoso e dinâmico e pede que saiamos de casa para explorar novos caminhos e atividades, que talvez ajudem a expandir nossa visão do cotidiano. Aventurar-se, dispor-se a ser surpreendido e a ver o mundo sob uma visão mais ampla do que a que estamos acostumados. Estão favorecidas as atividades esportivas e campestres, que nos coloquem em contato com a natureza, com animais e propiciem talvez, uma diversão extravagante mas inofensiva. Por outro lado, também estão beneficiados os encontros filosóficos e as conversas espirituais com grupos de orientação diversa – desde que, que fique bem claro, tenhamos maturidade para respeitar os pontos de vistas e crenças alheios, encarando nossos interlocutores com mente aberta e disposta a aprender. É bom darmos um jeito de realmente descansar, relaxar e espairecer porque a segunda-feira nos espera logo ali, cheia de afazeres, dilemas e desafios – precisaremos estar prontos para eles! Talvez seja possível ver Lua-Marte-Saturno em conjunção tripla à noite e na madrugada de domingo para segunda. Marte, uma estrela de brilho avermelhado e Saturno um brilho mais branco-amarelado. É fácil diferenciar entre planetas e estrelas porque os planetas têm brilhos constante, enquanto as estrelas piscam de forma intermitente.

Eu desejo a você uma semana de plenitude e inteireza! Que seus projetos frutifiquem maravilhosamente!

Abaixo as sugestões da terapeuta de florais, Patrícia Vilela para nos ajudar a lidar com as tensões e desafios desta semana.

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Tansy – Reprodução

Em uma semana com tantos movimentos expressivos, e com tantas possibilidades de dispersão, as primeiras sugestões de essências florais são para nos auxiliar a manter o foco e não procrastinar aquilo que deve ser feito. A primeira essência faz parte dos florais da Califórnia, é o Tansy, o padrão de desequilíbrio que ele vem auxiliar é o da letargia, procrastinação, incapacidade de agir de modo direto, e quando ainda temos hábitos que minam ou subvertem a verdadeira intenção do Eu. As qualidades que essa essência nos auxilia a mobilizar é a da ação deliberada e cheia de propósito, o auto direcionamento, o de uma pessoa decidida e orientada por metas.

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Hornbean – Reprodução

A segunda essência pertence ao sistema de Bach é o Hornbeam, ela vem trazer o entusiasmo, a alegria e o nosso envolvimento e comprometimento com nossas tarefas diárias. É uma essência maravilhosa quando estamos saturados da rotina – e porque não deixar para amanhã o que podemos fazer depois de amanhã, não é mesmo? A essência floral Hornbeam, vem nutrir a alma com força e vitalidade renovadas, para que ela possa viver no mundo de forma alegre e eficaz.

Chuva de ouro - Reprodução
Chuva de ouro – Reprodução

Nesta terça-feira o Sol ingressa no signo de Touro, signo regido por Vênus. Em tempos tão difíceis, a sugestão é um bálsamo para esta Vênus que atualmente encontra-se com aspectos tão tensos. E a essência floral é a Chuva de Ouro do Sistema Filhas de Gaia. “Ajuda–nos a manter o foco na abundância do Amor que se expressa através da beleza da vida que nos envolve, em cada situação ou momento de nossas vidas. Favorece ao processo de reaprender a nutrir–se deste Amor que emana da beleza de uma flor, do canto de um pássaro, do movimento das nuvens, do sorriso de uma criança. Facilita o discernimento e clareza sobre a real qualidade das emoções com as quais nos nutrimos, muitas vezes, de uma maneira inconsciente. Este movimento favorece nossa libertação do vício de nutrição emocional e mental negativa. Nutrir–se na abundancia do Amor que sustenta a Vida que nos cerca, para libertar–se do vício de nutrir–se de medo, carência, pena, hostilidade, dificuldades econômicas, auto piedade, tristeza, adrenalina e tantos outros sentimentos ou pensamentos mal qualificados que nos mantém alienados de nossa Verdade.”

Scarlet Monkey Flower - Reprodução
Scarlet Monkey Flower – Reprodução

E para a Lua Cheia em Escorpião a essência sugerida faz parte do Sistema da Califórnia, e a Scarlet Monkeyflower, ela vem nos auxiliar a lidar com o medo de sentimentos intensos, ou com a repressão das emoções fortes, bem como a incapacidade de resolver as questões relacionadas à raiva e à impotência. Ela nos auxilia na honestidade emocional e na comunicação clara e direta dos sentimentos profundos, assim como na “integração” da nossa “sombra” emocional.

 

Patrícia Vaz Vilela
Terapeuta Floral – ASTERFLOR/MS 43
Rua Dourtor Arthur Jorge, 2455
Bairro Monte Castelo
Cep 79010-210
(67) 9245-6604
Campo Grande – MS

 

Rhed Fawell - Reprodução
Rhed Fawell – Reprodução

Lua Nova em Áries – Morrer para Renascer

Frank Mara - Reprodução
Frank Mara – Reprodução

A Lua foi nova hoje, 07 de abril, às 08h23min no horário de Brasília e às 11h23min no horário de Lisboa. A Lua Nova de Áries marca o começo definitivo deste ano astrológico, que foi iniciado com a ingressão do Sol em Áries, mas ainda no ciclo de Peixes. Portanto, se estávamos precisando de energia, impulso ou mesmo um “empurrão” para acordar e renascer, o momento é agora! Esta é a nossa deixa para sair da coxia, passar pelo doloroso canal do parto e entrar no palco central da vida, berrando e esperneando. Ruidosamente, desabridamente, começar de vez este ano que até agora parece ter apenas se arrastado!

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Áries é o signo da iniciação, que traz presente o arquétipo do parto, o momento primeiro da nossa entrada na encarnação, nesta experiência humana, terrena e material. Flávio Gikovate diz que o parto é uma “evolução para pior”, porque no útero já estávamos naquele estado de felicidade urobórica, em perfeita unidade com a mãe-vida-Deus, no êxtase e beatitude da unidade com o Todo. E então a gente é expulso desse Paraíso! “Vá nascer!”, “Cabô moleza!”. À semelhança do mito da criação, somos expulsos do Paraíso e jogados neste Vale de Lágrimas. “Com o suor da fronte comerás o pão, até que voltes à terra, porque dela te tiraram; pois és pó e ao pó voltarás”. E Adão foi povoar o mundo junto com Eva, lutando permanentemente contra o impulso de morte e contra o desejo de retornar ao Paraíso, que no fundo são a mesma coisa. E lá vamos nós, nascer na vida, no Vale de Lágrimas!

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Áries nasce das Águas Ulteriores de Peixes que, exatamente por serem as Derradeiras, voltam a ser as Águas Primordiais, de onde surge toda a Vida. Para renascermos em Áries, precisamos morrer em Peixes e assim a Roda da Vida segue seu ciclo, a exemplo da grande serpente Uroboros, eternamente engolindo a própria cauda, na autofagia que leva ao renascimento e ao novo ciclo. Assim, Áries encerra em si esse grande paradoxo: ele surge da Fonte Divina da vida, surge da Unidade, para se diferenciar e individualizar na experiência terrena, individualização que começa pela luta de vida e morte do parto e que se consubstancia no corte do cordão umbilical, a cisão que que corresponde ao click da chave sendo girada no portão do paraíso que acabou de ser cerrado às nossas costas. Agora estamos por nossa conta e risco! Temos a grande missão de ser, de nos individuar. Conseguiremos? A vida dirá!

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Este dilema do nascer-morrer-renascer surge, agudo e potente, nesta Lua Nova de hoje. Ser expulsos do Paraíso para uma realidade que é qualquer coisa, menos paradisíaca e ainda assim, recuperar essa memória primordial da perfeição dos mundos, para tentar criar um paraíso na terra, forjado a cutelo, à força do nosso braço, trabalho e suor, abrindo picadas na selva bravia do mundo manifesto, mero reflexo da selva ainda mais selvagem e inescrutável que é a  nossa alma densa.

Lua Nova em Áries - Brasília, 07 de abril de 2016, 08h23min
Lua Nova em Áries – Brasília, 07 de abril de 2016, 08h23min

A Lua Nova ocorre a 18°04’ de Áries, em conjunção aplicativa a Urano e em quadratura separativa a Plutão em Capricórnio. Sol e Lua ainda fazem um trígono separativo a Saturno, o Senhor da Separação por excelência. Urano é o Grande Despertador Cósmico, aquele raio que cai abruptamente, estrepitosamente diante de nós, aluminado tudo em volta, às vezes ao ponto de nos cegar temporariamente, tal a potência e fulgor dessa luz. Essa luz tem o poder iluminar a mente e a realidade, de modo que a percebemos de uma maneira inteiramente nova, como jamais a tínhamos enxergado, mesmo que ela tenha estado diante de nosso nariz por muito tempo. Assim, essa luz traz uma “revelação”. Mas para captarmos e assimilarmos tal “revelação” precisamos estar abertos a ela. Quem tem olhos para ver que veja, quem tem ouvidos para ouvir, que ouça. Urano também sugere que o corte do cordão umbilical é ainda mais rápido, a tesoura de aço inoxidável é também inexorável: a separação, o despertar da névoa e das brumas em que estivemos envoltos precisa ocorrer para já, para ontem! A quadratura a Plutão indica que já morremos muitas vezes antes, que enfrentamos muitos de nossos medos e demônios, já sabemos que eles irão conosco aonde formos porque são parte de nós e agora, de posse da força gerada por este enfrentamento, precisamos renascer, reviver, reinventar-nos completamente. Despertar para a nova realidade, sem anseios regressivos de uma salvação trazida por outrem, mas dispostos a sermos, nós mesmos, os únicos protagonistas da saga heroica que é a nossa história, mesmo que essa seja uma história anônima e comum, longe de holofotes e pós mágicos de celebritismos instantâneos – isso porque, em última instância, essa saga mítica que é nossa, esse mito pessoal, interessa somente a nós mesmos e não deve ser produção em série para ser vendida a troco da validação do olhar alheio. Despertar para nosso mito pessoal e vivê-lo verdadeiramente, com audácia, coragem, vigor e autenticidade, é o chamado dessa Lua Nova!

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Contudo, as brumas que deixamos para trás teimam em nos seguir e alcançar. O regente da Lua Nova, Marte, está irremediavelmente engolfado nessas brumas. Marte está em Sagitário, numa conjunção ampla a Saturno, ambos em quadratura a Netuno de um lado e a Júpiter de outro. Temos aqui o planeta da vontade e da individualidade envolvido com companhias complicadas. Dois destes planetas negam, de formas diferentes, os intentos de Marte. Netuno nega pela dissolvição da vontade e das certezas, portanto, precisamos lidar com nosso próprio desânimo e letargia, nossa própria insegurança e falta de rumo representados por Netuno. Muito esforço é requerido para termos uma noção clara das nossas reais possibilidades, já que envolvido com Júpiter-Netuno, este Marte Sagitariano torna-se mais inflado (já é meio inflado em Sagitário) e pode ser apenas um balão de gás, vazio de substância real. Neste contexto, Saturno torna-se um grande amigo, a âncora da realidade no mar bravio dos excessos Jupiterianos e da ilusão Netuniana. Saturno nega porque representa limites e restringe o anseio desse Marte desabrido de “abraçar o mundo com as pernas”, dizendo-lhe que ele poderá até conseguir realizar tais intentos, mas somente à custa de muito trabalho e esforço, de renúncia, estoicismo, disciplina, perseverança. A situação fica um pouco mais complicada: Marte está a exatos nove dias de estacionar para entrar em movimento retrógrado e já trafega o grau em que estacionará. Hesitação. Vacilação. “Estou perdido. Vou, fico ou retorno? A névoa me impede de ver a direção certa. Perdi algo lá atrás, mas não sei direito o que foi, preciso voltar e recuperar… Acho que foi minha vontade que perdi, a conexão com o que realmente sou e quero, o desejo de ser e de me diferenciar. Mas não tenho certeza, porque também perdi todas as certezas. No caminho do regresso, ao encontrar o que foi perdido, saberei do que se trata”. Sem certezas. Assim vamos nós.

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A situação de Marte indica que há muita ambivalência no nosso renascimento, que já não temos muita certeza se queremos, de fato, renascer – seria tão fácil desistir e nos deixar arrastar pela correnteza, tão mais simples e menos dispendioso… Para quê tanto esforço? Marte hesita. Hesitamos nós. Para lá ou para cá? Marte, como dispositor e regente da Lua Nova sugere o desejo regressivo de voltar ao Paraíso Perdido, como se o bebê hesitasse em tomar o canal do parto e se delongasse no útero, adiando a cisão, adiando o nascimento; ou como nosso despertar de manhã cedo, em que dizemos “só mais cinco minutinhos e eu levanto”. Mas sabemos aonde a hesitação do bebê nos leva: à morte! De fato, precisamos lidar conscientemente com este impulso de morte, o desejo de desistir, de parar a luta, o desejo de não ser, que está presente neste ciclo, indireto, mas insidioso. Conscientemente marchamos na infantaria, peito aberto, aparentemente dispostos à luta e a fazer o que for necessário para nos mantermos vivos. Mas lá na frente, quando já divisamos o inimigo diante de nós, tememos e trememos e, ao invés de lutar, ansiamos por simplesmente nos render, porque temos dúvidas se tal luta valerá o esforço, se valerá a pena todo o sacrifício, se temos qualquer chance de ganhar. Será? Contudo, Marte envolvido com Netuno e Júpiter também pode representar prodígios e benesses, se soubermos tirar proveito do posicionamento e ficarmos atentos às suas armadilhas: Marte-Netuno-Júpiter, que são os aspectos mais próximos aqui, indicam grande sensibilidade, imaginação rica e ilimitada e uma vontade que se move pela compaixão e pela fé mais do que pelo desejo egoísta de realização individual. Então, é claro que este Marte também traz potenciais de poesia e rica sensibilidade.

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Nota rápida: é interessante que, falando particularmente da situação do Brasil, quando olhamos o mapa levantado para Brasília, vemos que A Lua Nova cai na cúspide da Casa 12, apontando, de novo, para esse paradoxo Peixes-Áries, dissolver-se ou diferenciar-se; morrer ou renascer; render nossa vontade, render-nos nos braços de um “salvador”, ou assumir nossa responsabilidade pelo que queremos realizar. O que isso diz sobre o momento do Brasil? Deduza você!

Desconheço o autor - Reprodução
Desconheço o autor – Reprodução

Há outras dificuldades inerentes a este ciclo, simbolizados pela falta de Ar neste mapa. Tudo aqui é Fogo e Terra. Há apenas Netuno e Quíron em Água e nada em Ar. Mercúrio, o planeta da mente e do raciocínio, está em Touro e praticamente sem aspectos, a não ser por uma sesqui-quadratura muito ampla a Saturno. Uma mente literal e obtusa, que só vê o que quer ver. Rigidez e fixação de ideias e pontos de vista. De modo geral, há dificuldade em planejar, em projetar adequadamente a  ação e em nos distanciar para ter uma visão ampla daquilo que tentamos construir. É como imaginar e idealizar algo (Fogo) e SEM se dar ao trabalho de planejar ou ponderar sobre sua viabilidade, já nos lançarmos à sua execução e concretização. Todo mundo que já tentou realizar algo desta maneira teve que parar no meio da história porque faltou material, tempo, dinheiro ou qualquer outro recurso ou porque simplesmente surgiram toda a sorte de problemas não cogitados. Falta de planejamento e elucubração. Falta de Ar.  Mercúrio sem aspectos demanda cautela para não nos tornarmos obsessivos e obtusos em nossas ideias, sem dar ouvidos a ninguém. Este é um dos grandes riscos do ciclo: falta de planejamento adequado naquilo em que nos lançamos e desejamos realizar. E sem planejamento, ficamos presos entre uma visão grandiosa (Fogo) e as muitas limitações para realizar tal visão (Terra). A Terra, que simboliza a capacidade de realização e concretização, pode tornar-se apenas símbolo de limites e de imperfeição. E voltamos ao dilema da expulsão do Paraíso.

É engraçado que eu não tinha analisado o Símbolo Sabiano previamente, antes de construir minha linha de raciocínio para este artigo. Às vezes eu faço isso de propósito, para me deixar surpreender ou para me desafiar a encontrar maneiras de “costurar” o Símbolo dentro da minha argumentação. Ele confirma ou contradiz a minha análise? Este símbolo é uma grata surpresa: “Um tapete mágico paira sobre a realidade depressiva do cotidiano numa área industrial”.

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Um tapete mágico é algo que permeia nossas fantasias e que sugere a ideia de escapar para terras também mágicas, onde tudo é possível. Este tapete, símbolo da capacidade de escapar pela magia e imaginação, paira sobre uma área industrial depressiva, símbolo da competição humana e do desenvolvimento industrial com suas consequências nefastas de depredação e obsolescência da vida como um todo, ou da “vida baseada na produção e consumo material, com a resultante poluição”* . O tapete representa a capacidade de nos distanciarmos e observarmos as situações de fora, refletindo sobre elas mais impessoalmente, sem nos deixar contaminar por elas, sem nos envolver demasiadamente – talvez este símbolo enfatize com isso a necessidade de analisarmos as coisas de fora e nos reporta à falta de Ar desta Lua Nova, já analisada acima.

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O tapete pairando sobre esta realidade sombria de uma área devastada pela ação humana, em nome do “progresso”, remete-nos novamente, para o tema do nascimento e enfrentamento da realidade em que nos encontramos (Sol-Lua em Áries-Saturno + Lua-Plutão) versus os apelos regressivos e escapistas representados pela situação “grudenta” e capciosa de Marte-Júpiter-Netuno… Obviamente esta é uma leitura negativa deste Símbolo. Entretanto, o Símbolo, como tudo na Astrologia e na vida, também tem uma interpretação auspiciosa: o tapete vem simbolizar que, não importa quão depressiva e feia esteja a situação, ainda podemos nos elevar acima de tal realidade e transcendê-la.

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Faço questão de trazer na íntegra o texto de Lynda Hill* sobre este símbolo: “’Um Tapete Mágico’ talvez seja o que é necessário agora. Ao nos elevar acima das ‘realidades depressivas’ ao nosso redor, podemos ter uma melhor perspectiva sobre as questões mais difíceis da nossa vida. O ‘Tapete Mágico’ é, na verdade, um veículo para a imaginação e usar a imaginação pode elevar nosso entendimento, consciência e existência às místicas, às vezes fantásticas esferas. Há uma mensagem clara de que você tem a habilidade de se elevar acima de ou mesmo transcender, preocupações e contendas. As coisas serão reveladas a você se você permitir que as verdades espirituais e criativas aflorem à sua consciência. é preciso cautela para não subestimar o poder em potencial nas coisas mais prosaicas e mundanas, porque pode haver sinas ‘mágicos’ nelas. Talvez você esteja sendo escapista ou sonhando com o impossível. Você está tentando usar o ‘Tapete Mágico’ para ver uma Verdade Maior? Quais novas ideias você pode materializar na sua vida para se elevar acima de onde você está agora? Palavras-chave: Visões e perspectivas elevadas. Achar um veículo para a transcendência. Elevar-se acima dos problemas. Meditação. Pensamento lateral e criativo. RISCOS: incapacidade de lidar com a realidade. Escapismo. Anseio por se perder. Perder-se completamente em fantasias irreais. Drogas e álcool para escapar da realidade. Poluição. Sentir-se estagnado”. Sim, o símbolo é mágico e magicamente confirma os temas da Lua Nova.

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Como vemos, a Lua Nova aponta em duas direções básicas: escapar, desistir e morrer, abrir mão da vontade e dissolver-se no caos por não conseguir enfrentar a dureza e a imperfeição da realidade; ou renascer corajosamente e abrir-se à revelação que será instrumental para o nosso despertamento pessoal. E há, ainda, uma terceira via: enfrentar a visão sombria dessa realidade fumacenta e elevar-se acima dela, não para escapar, mas para transformá-la. Nascer nessa realidade para transformá-la e buscar a transcendência. Usar os insights e revelações gerados pela rica imaginação e pelos flashes Uranianos para criar uma outra realidade, de maior consciência e verdade. Como respondemos a este desafio? Renascemos ou nos deixamos perecer?

Chechetta - Reprodução
Chechetta – Reprodução

*Lynda Hill é uma astróloga australiana que se dedica ao estudo dos Símbolos Sabianos e escreveu um livro sobre sua interpretação: Sabian Symbols – 360 degrees of Wisdom

 

Frank Mara - Reprodução
Frank Mara – Reprodução