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PEIXES – A Saudade da Unidade

PEIXESA professora Edna Andrade, no site Festas Cristãs (1) quando fala sobre o signo de Peixes dentro do programa das 12 Noites Sagradas, idealizado por Rudolf Steiner, nos diz o seguinte: “A sabedoria antiga nos conta que foram as forças espirituais de Peixes que configuraram os pés humanos – regidos por Peixes. Quando observamos os pés verificamos que eles são formados em forma de uma abobada que vai propiciar, simultaneamente com a verticalização da coluna, o andar ereto, primeiro grande aprendizado da vida. Quando criança nos arrastamos, engatinhamos e finalmente nos erguemos e nos apoiamos nos nossos próprios pés superando as forças da gravidade, significando isto uma grande conquista e a condição para o desenvolvimento do pensamento, sendo o pensar o que diferencia o Humano dos outros reinos da natureza”.

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Salvador Dali – Peixes – Reprodução

Ao longo da vida seguidamente fazemos uma analogia íntima com este fato: ‘andar nos meus próprios pés, saber por onde ando, seguir os meus próprios passos, não vou andar nos passos de ninguém’. São expressões que exprimem uma correta relação com a terra e com o destino em termos de liberdade pessoal.” (1)

De Peixes recebemos “os impulsos para nos firmarmos nos próprios pés e nos erguermos, condições básicas para alcançar a liberdade individual, meta à qual nos destinamos como seres individualizados”.

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Peixes – Vitrais da Catedral de Chartres França

Em PEIXES chega-se ao fim do ciclo zodiacal e encerra-se o escopo arquetípico da experiência humana. Por isso se diz que Peixes, de certa forma, é a síntese de todos os outros signos. Por ser tão inclusivo e abarcar tanto dos outros, é muito difícil definí-lo. É um signo extremamente impessoal, em que o Ego, que levou os outros 11 signos para se definir, agora busca sua dissolução completa. Mas por ser o último, também é o primeiro, é o material e a promessa de onde nasce o novo ciclo e a Casa 12 no mapa natal, a casa natural de Peixes, é considerada a casa pré-natal, porque é a casa imediatamente anterior ao Ascendente, que marca o arquétipo do parto.

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Peixes – coleção antiga – Reprodução

Signo de ÁGUA MUTÁVEL, NEGATIVO, FEMININO, PASSIVO, YIN, Peixes absorve as influências do ambiente com facilidade, assim como a água, que se mistura a tudo o que toca e está sempre mudando de forma conforme o recipiente que a contém. Pessoas com grande ênfase em Peixes são como “ESPONJAS PSÍQUICAS”, diz Clare Martin: “Se alguém deprimido ou zangado entra na sala, o Pisciano pode facilmente começar a se sentir deprimido, zangado ou infeliz, sem saber porquê. Se essa capacidade para a fusão simbiótica é conscientemente reconhecida e aproveitada, pode ser um dom extremamente útil nas profissões de AJUDA e de CURA”. (2) Peixes não julga e sua compaixão e altruísmo imensos podem ser dirigidas a qualquer coisa ou pessoa que precise.

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Atlas Coelestis – Reprodução

Porém, quando não vivenciadas conscientemente, essas qualidades podem causar problemas, porque a pessoa tem dificuldade em estabelecer limites saudáveis entre seus conteúdos e os dos outros, ou até mesmo em separar realidade do que percebe de outras dimensões e esferas.  Ele é INCLUSIVO, porque não percebe barreiras entre as pessoas e é ABSORVENTE de tudo o que “boia” ao redor e por isso mesmo, pode ser muito influenciável pelas correntes invisíveis na atmosfera, sendo necessário que aprenda a erigir limites e barreiras que o protejam da invasão exterior ou mesmo de se misturar excessivamente com os conteúdos alheios. Peixes é famoso por sua SENSITIVIDADE e MEDIUNIDADE, e muitos, ao não entender, ou não conseguir lidar com isso, bloqueiam esse dom cedo na vida, tornando-se CÉTICOS depois – falamos deles mais abaixo.

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Birth Chart Paiting

E por que ele é tão inclusivo? Porque para Peixes não existe melhor ou pior, superior ou inferior, tudo são condições transitórias, ditadas pela impermanência e pelo estágio de evolução particular de cada um, por isso Peixes não julga nem separa e para este signo tanto faz se a pessoa é prostituta, pobre, presidente da empresa ou do país, um mendigo na rua, um adicto, um louco ou deficiente mental, uma pessoa comum, um trabalhador, uma criança ou um velho, negro ou branco… Todos são iguais, assim como todos eram iguais para o Cristo. Em sua compaixão ele não vê separação ou diferença porque, afinal, todos viemos da mesma fonte e para lá voltaremos um dia. Somo todos partes do mesmo todo, interconectados, interdependentes numa rede infinita que liga todas as formas de vida e de energia. Essa tendência a abraçar e incluir a tudo e a todos frequentemente o coloca em confusão e o torna influenciável, muitas vezes CRÉDULO e IMPRESSIONÁVEL, podendo ser uma presa fácil para espertalhões, porque toda essa inclusão o torna também muito IDEALISTA e incapaz de perceber as pessoas pelo que elas realmente são, na sua versão humana mais primitiva. Vê o mundo sob lentes cor-de-rosa e é claro, quando se é muito idealista, está-se fadado a decepções e desapontamentos.

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O Louco – Arcano do Tarô

Peixes é o signo menos “mundano” de todos e aquele que tem o senso mais frágil de “self”, de si mesmo e até de ego, porque em primeiro lugar, ele nem mesmo queria estar encarnado! A experiência da encarnação na matéria é extremamente dura e difícil para Peixes, mais do que para qualquer outro signo. Ele é de outro mundo, de outra dimensão, de outra galáxia. Ele vem de um mundo onde tudo é perfeito, onde não há separação, doença, morte, onde tudo é belo, tudo é unidade e amor, onde o universo respira em uníssono. E quando se vem de um tal mundo perfeito, a experiência humana é realmente dolorosa e sem muito sentido, por isso Peixes odeia a sordidez e a mesquinhez da vida mundana, das contas a pagar, do emprego, da competição desenfreada, da miséria e escassez de amor que muitas vezes personifica a vida na terra. Estar encarnado num corpo para Peixes é pesado demais e por isso mesmo é um dos signos que mais tem propensão para adicções porque através delas ele tentar voltar para o Paraíso Perdido do Éden, da Unidade com o Pai e a Fonte da Vida.

ce47a332af018b21f585d2a1860376b2Dizem que o rio sente saudades do mar, assim como a alma sente saudades de Deus, da Unidade. E Peixes é o signo onde essa saudade é mais aguda e mais doída. Essa nostalgia e essa saudade de algo indefinido e inominável é a saudade do Inefável, mas que Peixes leva uma vida inteira para reconhecer. Neste anseio e nesta fome, ele vai pela vida tentando encontrar o objeto da sua saudade em coisas, pessoas, situações, em vão. Daí desenvolvem-se as adicções de todo o tipo. Outros talvez busquem em caminhos menos tortuosos, pela arte ou pelo misticismo. Outros ainda, sem um ego forte o bastante que suporte e contenha as forças do Inconsciente, simplesmente sucumbem a ele e entram em estados de psicose. E ainda tem os que, ao perceber o mundo de imperfeição em que caíram, emprestam seus dons para ajudar e curar, porque sua grande compaixão e altruísmo demandam que façam algo concreto para minimizar o sofrimento e essa imperfeição que vêem no mundo, são os curadores e os servidores. Assim, o drogado, o alcoólatra o louco, o místico, o artista, o curador… Todos estão buscando a mesma coisa, só que de formas diferentes: todos estão tentando ESCAPAR da miséria humana, todos buscam voltar a Deus, retornar à fonte, mas alguns o fazem de maneira muito destrutiva. Isabel Hickey, astróloga americana dizia a respeito de indivíduos com fortes posicionamentos em Peixes ou na casa 12: “Ou sirva ou sofra!”. E assim é. Peixes é o grande mártir do Zodíaco, porque capta o sofrimento de toda a humanidade e os vivencia, tornando-se, muitas vezes, o paciente identificado, a vítima ou a ovelha sacrificial. Ou ele se identifica com o salvador ou com a vítima, ou com o Redentor ou com o redimido.

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Reprodução

Mas claro, há o Peixes cético. Aquele que, ao ser confrontado com os limites tênues da “realidade” e perceber outras realidades espirituais, algumas delas absurdamente assustadoras, erigiu defesas extremamente eficientes contra os poderes do inconsciente, contra as forças irracionais e incompreensíveis que ele não controlava e foi para o extremo oposto da ultra-racionalidade, negando suas percepções e dons, abafando-os completamente até que eles se extinguiram ou viraram apenas uma lembrança borrada de um passado distante. Esse tipo de Peixes costuma se dar muito bem nos meios acadêmicos que endeusam a lógica e a razão, ele se sobressai nos mercados financeiros, porque inconscientemente usa seu feeling para intuir o caminho certo. Mas ele não acredita em nada. Ele nega veementemente que sinta coisas diferentes. E costuma ter insônia. E se dorme, jamais sonha. Tudo como parte de um elaborado e super eficiente sistema de defesa. Mas um dia ele terá que se render. O Inconsciente encontrará maneiras de minar essa barragem e então o dilúvio e a inundação virão. É quando o indivíduo se encontra muito infeliz na sua vida super ajustada, mas completamente árida e sem sentido – então ele terá que voltar aos braços da Grande Mãe e fazer as pazes com ela e com tudo o que ela representa.

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Júpiter, regente tradicional de Peixes – Maria Eunice Sousa

Devido a tudo isso Peixes geralmente evita se comprometer. São indivíduos extremamente ELUSIVOS, como elusivo é Netuno, seu co-regente. São INDEFINÍVEIS, como indefinível é o grande mar. Sue Tompkins cita Richard Idemon em seu livro The Astrologer’s Handbook, que dá uma definição sobre Peixes: “Não eu, Não aqui, Não agora” (3). Não é perfeito? Ele não quer ser, nem quer estar, não está aqui, nem lá. Quando? Não sei, um dia, talvez…

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Reprodução

E quais os mitos de Peixes? São muitos, mas invariavelmente envolvem uma mãe e seu filho redentor. Os parágrafos a seguir são uma tradução livre e resumida de parte do texto sobre Peixes, do livro A Astrologia do Dsstino, de Liz Greene, no capítulo Mith and Zodiac (4), que coloco em itálico para destacar a fonte:

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O Infante Tammuz – Reprodução

Como ocorre com os demais signos, há muitos mitos, antigos e variados, relacionados a Peixes, alguns deles bem mais antigos do que os mitos gregos. Invariavelmente esses mitos nos levam ao arquétipo da Grande Mãe, de onde tudo nasce e para onde tudo retorna. Há muitas versões, em culturas diferentes, da estória de dois peixes celestiais, associados com o culto da deusa Atargatis, que também está conectada ao signo de Virgem, oposto complementar de Peixes. Seus templos tinham piscinas onde nadavam peixes sagrados, que só podiam ser tocados ou comidos ritualisticamente. Atagartis tinha um filho chamado Ichtis, que era, ele mesmo, um peixe e que depois evoluiu para Ea, a cabra-peixe que encontramos em Capricórnio. Outras versões desse par são Ishtar e Tamuz, Cibele e Átis, Afrodite e Adônis. O mito babilônico conta que um ovo gigante foi encontrado no Eufrates por dois peixes, que o empurraram para a terra, onde uma pomba pousou sobre ele. Deste ovo surgiu Atagartis, que honrou os peixes colocando-os nos céus. Na versão grega do mito, Afrodite e seu filho Eros fugiam do monstro Tifão disfarçados como peixes, ou teriam sido salvos por eles e foram também honrados pela gentileza sendo colocados nos céus como constelação. Os peixes geralmente aparecem amarrados juntos e jamais se separam, embora aparentemente pareçam nadar em direções opostas. Um dos peixes é a Grande Mãe, a deusa da fertilidade que representa a origem de toda a vida. “Ela é devoradora, lasciva e destrutiva, o mundo primordial dos instintos. Ele é o Redentor, ichtis, o Cristo. Estão unidos pra sempre e não podem fugir um do outro. Ele é tanto o filho como o amante, e deve ser sacrificado ritualisticamente, ano a ano. O filho é desmembrado e morto pela própria mãe ou por um dos seus animais totens: um lobo, uma serpente monstro, um javali. Depois ressuscita. As sereias são associações consequentes dessas deusas-peixe, e assim como a Grande Mãe-Amante, seu apelo e canto são irresistíveis, porque não são desse mundo, falam de imagens etéreas e oníricas. No capítulo sobre Peixes Liz Greene cita Jung:

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The awakenig of Adonis – John William Waterhouse Reprodução

“As Grandes Mães mitológicas são geralmente um grande perigo para seus filhos. Jeremias menciona a representação de um peixe numa lâmpada cristã, que traz um peixe devorando outro. O nome da maior estrela da constelação conhecida como Peixes do Sul, Formalhaut, que é ‘a boca do peixe’ – pode ser interpretada neste sentido, justamente como no simbolismo, toda forma de concupiscência devoradora é atribuída aos peixes, que são tidos como ‘ambiciosos, libidinosos, vorazes, lascivos, avaros – em suma, um emblema da vaidade do mundo e dos prazeres terrenos (voluptas terrena). Eles devem essas más qualidades ao relacionamento com a mãe e deusa do amor, Ishtar, Atagartis e Afrodite. Não por acaso, Vênus tem sua exaltação em Peixes.” (4)

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O Peixe como Símbolo Cristão

A associação chega à era Cristã e temos a Virgem Mãe e o Cristo, que tem o peixe como um de seus símbolos principais e que disse aos discípulos que os faria “pescadores de homens”, enquanto os Evangelhos estão cheios de referências a peixes e pescadores. O próprio Cristo é desmembrado e ritualisticamente comido na Eucaristia, seu sangue bebido pelos fiéis. O tema da vítima e do redentor é muito caro a Peixes, que pode vivenciá-lo num extremo ou outro da polaridade, já que são duas face da mesma moeda. Nenhum outro signo se presta tanto ao papel de vítima sofredora e perdida, como também nenhum outro é tão genuinamente altruísta e compassivo pelo sofrimento alheio.

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Reprodução

Outra figura mítica associada com Peixes é Dionísio, o deus da dissolução, do vinho e dos cultos orgiásticos. Dionísio aparece como filho de Demeter, outras vezes como filho de Perséfone. Mas a versão mais comum é que era filho de Zeus com Semele, filha do Rei Cadmos de Tebas. Hera, ciumenta ao extremo, aparece para a jovem ingênua disfarçada de velha e a convence a exigir que Zeus aparecesse para ela em toda a sua força e glória. Sem perceber que isso a destruiria, Semele faz Zeus prometer que atenderia a qualquer um de seus pedidos e preso pela promessa, é obrigada a aparecer para ela tal qual era, como Raio e Trovão, no que a jovem é instantaneamente fulminada. Semele estava grávida de Dionísio e Hermes conseguiu salvá-lo e costurou-o na coxa de Zeus, por isso ele era chamado “nascido duas vezes”.

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Dionísio – Reprodução

Ele era um macho nascido de outro macho, mas era um deus extremamente feminino, um deus das mulheres, geralmente retratado com feições femininas e jovens. Hera o odiava, como fazia com todos os filhos bastardos de seu marido. Hera o perseguia constantemente e ordenou que os Titãs o pegassem e rasgassem em pedaços, que foram cozidos num caldeirão. Uma árvore de romã nasceu no lugar onde seu sangue caiu. Porém sua avó, Rhea, o salvou e o trouxe de volta à vida. Ele cresceu escondido, mas de novo Hera o encontrou e o tornou louco. Louco, ele saiu pelo mundo acompanhado pelo seu tutor Silenos (um sátiro) e pelo séquito de selvagens mênades. Era um deus dissoluto e onde ele passava as mulheres enlouqueciam e o seguiam. Um dia ele chegou a Tebas, a terra de sua mãe. O então Rei de Tebas, Penteus, não gostou nada da idéia de ter aquele deus dissoluto em suas terras e mandou prendê-lo e a seus acompanhantes. Dionísio fez o rei ficar louco e achou que tinha prendido um boi ao invés do deus. As mênades escaparam e desapareceram nas montanhas, onde rasgavam animais e destruíam tudo o que viam pela frente. A própria mãe do Rei Penteus liderava o grupo de mênades, completamente enlouquecida, e, quando o rei tentou pará-las, elas o desmembraram totalmente, empalando sua cabeça e fixando-a nas montanhas. A grande ironia é que o rei teve o mesmo fim trágico do deus que ele se recusou a receber.

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O suplício de Penteo – Reprodução

Esse é um mundo muito próximo para os piscianos: o êxtase orgiástico, a loucura mística que pode ser encontrada tanto no mosteiro, quando através das drogas ou da própria insanidade. O impulso que faz o artista compor verdadeiras obras-primas, seja na música ou nas belas artes é o mesmo que torna outros terrivelmente autodestrutivos, a se afundarem na dissolução das drogas ou do álcool; outros podem, de fato, sucumbir ao poderio imenso do inconsciente e resvalar na loucura, enquanto outros ainda vão vivenciar isso numa religiosidade profunda e mística, como foi a vida de muitos santos, uma entrega completa ao divino e à Grande Mãe. Não é à toa que vemos tantos Piscianos se refugiarem num intelectualismo estéril, porém seguro, encastelando-se na mente o no mundo racional, uma tentativa de fugir desse impulso primitivo de vida, mas que pode ser muito destrutivo. Nos mitos, cada figura representa uma faceta do mesmo tema, assim, Peixes é, a um só tempo, Dionísio, as mênades, Zeus, Hera, e até o próprio Rei Penteus, que o rejeita.

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Símbolo de Netuno – Regente de Peixes Maria Eunice Sousa

Mas, como já dissemos, acontece que Peixes não é desse mundo. Ele está ainda muito próximo à fonte divina, onde tudo é uno, onde tudo é Unidade. Para lá ele almeja voltar e por isso essa destrutividade e o impulso de morte. Há uma saudade indefinida e um desgosto pela realidade da carne e das contas a pagar no dia a dia, porque ele preferia estar em outra dimensão menos densa e menos pesada. Por isso é constantemente acusado de ser aéreo e distraído. “A carne pode ser uma prisão e uma devoradora do espírito, mas o espírito, da mesma forma, é não só o redentor, mas um devorador da carne”. Em Peixes é onde essa dicotomia corpo-espírito é mais desconfortável e a adicção a drogas e substancias é nada mais que uma tentativa de desmembrar esse corpo-prisão e voltar para os braços da Grande-Mãe-Amante. Porem, o destino de Peixes é mediar esse mundo, sem sucumbir a ele de forma destrutiva e sem repudiá-lo, o que é igualmente perigoso. Muitos grandes artistas – e cientistas, como Einstein! – conseguiram e no processo premiaram a humanidade com obras-primas magistrais – o que não quer dizer que tenha sido fácil para eles, ou simples – que o diga Bach, que tinha quatro planetas em Peixes, incluindo a Lua conjunta a Netuno. A proximidade com este mundo aquático é perigosa, mas muito frutífera, já que dá acesso a conteúdos universais e a uma infinita criatividade só igualável com a própria fecundidade da vida. Mas para isso é preciso ter um ego forte e bem estruturado que possa ser capaz de mediar imagens e conteúdos tão poderosos sem se destruir no processo. Isso pode ser feito por diversos canais: música, artes, profissões de cura e ajuda, religiosidade, serviço… Também há que se permanecer atento à tentação da identificação messiânica, de ser redentor ou vítima; de oferecer-se em libação ou de recusar a vivência dos sentimentos e a intermediação desses conteúdos de uma vez. Achar o caminho do meio nunca é fácil, mas é o que precisa ser feito.

As figuras arquetípicas ligadas a Peixes são:

O Salvador, O Redentor, A Vítima, O Curador, O Sonhador, O Artista, O Místico, O Religioso, O Santo, O Dissoluto, O Alcóolatra, O Louco, O Adicto

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As Mênades – Gustav Doré – Reprodução

Peixes, como já foi dito, tem grande sensitividade e habilidade psíquica. Mas às vezes é difícil lidar com estes dons, especialmente na primeira parte da vida, quando os conteúdos podem ser assombrosos. Para mediar e nos ajudar a lidar com tal dom, podemos invocar nosso Guia Interior, e a ele que vamos encontrar na meditação de hoje, que pego emprestada de Elizabeth Broke, do livro A Woman’s Book of Shadows (4):

MEDITAÇÃO PARA PEIXES

Primeiro, concentre-se nas imagens simbólicas de Peixes. Deixe que conversem com você! Observe-as sem pressa. Em seguida, contemple o sentido desta frase: Eu deixo a casa do Pai e, voltando atrás, eu salvo. E a Palavra disse: Ide encarnar na matéria. (5)

Deite-se no chão; faça-se confortável e solte qualquer peça de roupa que esteja apertada ou incomodando. Deixe que o chão segure seu peso e respire fundo algumas vezes para liberar tensões no corpo… Imagine que está num prado verdejante, num dia quente de verão, Olhe as plantas crescendo ao seu redor, sinta a brisa suave na sua pele. Ali perto há um portão. Caminhe para o portão e passe pra o outro lado… Do outro lado há um caminho. Olhe para o caminho e decida se você quer seguí-lo. Se você decidir seguir o caminho, comece a caminhar. Ele vai subindo gentilmente, contornando uma montanha. Enquanto caminha observe o que há ao seu redor: plantas, árvores, animais, como é o ar e a atmosfera… Conforme você sobre o sol ainda brilha, caminhe no seu próprio ritmo. Conforme avança, você percebe que o ar fica mais claro, mais refinado e que há, ao longe, um eco de música… Quanto mais avança, mais alta a música se torna, é como o gotejar de água numa fonte… finalmente você chega ao cume. Você passa sob um arco e chega ao pátio de um templo, que tem uma fonte ao centro. Você pára para descansar na fonte… Quando faz isso, você se torna consciente de uma figura que vem em sua direção… Este é o seu guia. Saúde-o e escute o que ele tem a lhe dizer. Você pode perguntar a ele/ela qualquer pergunta que queira… Leve o tempo que for necessário para conhecê-lo/a… (permita que a imagem evolua e se desenvolva sem esforço mental da sua parte). Então perceba que é hora de ir embora… Seu guia lhe dará um presente de despedida e confirmará que você pode voltar quando quiser… Devagar, faça o caminho de volta descendo a montanha, trazendo seu presente, volte ao prado inicial. Então abra os olhos e volte pra onde estava inicialmente. Escreva sua experiência. Você pode optar por ouvir música, tocar um instrumento (se for o caso), escrever poesia… Guarde o presente com você, ele será um talismã que lhe dará conforto quando você se sentir desenraizado/a na vida. Este guia é um Mestre Interior que poderá ser consultado sempre que você precisar de ajuda ou clareza sobre qualquer assunto ou questão. Quanto mais você o/a visitar, mais profunda será a relação com ele/ela, Ele/ela poderá lhe ajudar com questões práticas ou com assuntos espirituais profundos e esotéricos.

Música para Peixes:

Osvaldo Montenegro – Aos Filhos de Peixes

 

Zeca Baleiro – Brigitte Bardot

Peixes Voadores – Álcool, Carne e Rock’Roll

Zeca Baleiro – Minha casa

Mariana Aydar – Peixes

Daft Punk – Lose Yourself to Dance

Cat Power – Sea of Love

Mika – One foot boy

Guillemots – Sea out

Faça suas sugestões! que músicas você acha que traduzem Peixes?

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Peixes – Johfra Bosschart – Reprodução

Amanhã será o dia/noite de Áries. Conecte-se com essa energia desde cedo e observe como o seu dia se desdobra.

Programação das 12 Noites Sagradas:

 

26/12 – Capricórnio

27/12 – Aquário

28/12 – Peixes

29/12 – Áries

30/12 – Touro

31/12 – Gêmeos

01/01 – Câncer

02/01 – Leão

03/01 – Virgem

04/01 – Libra

05/01 – Escorpião

06/01 – Sagitário

(1) Edna Andrade, Festas Cristãs 

(2) Clare Martin – Mapping the Psyche

(3) Sue Tompkins – The Astrologer’s handbook

(4) Liz Greene – A Astrologia do Destino

(5) Elizabeth Broke – A woman’s Book of Shadows

(6) Alice Bailey ‘Esoteric Astrology’, Lucis Press 1951, p. 653

 

As 12 Noites Sagradas:SAGITÁRIO e a busca por significado

1SAGTChegamos ao fim da nossa Jornada das 12 Noites Sagradas! E Sagitário é o signo perfeito para terminarmos, porque nos deixa com um olhar no futuro e no que está por vir. Aproveito para agradecer profundamente a você que nos acompanhou nesta jornada, assim como a todos os autores consultados que dividiram seu conhecimento conosco.

Do site de Antroposofia Edna Andrade (1) nos diz: “Nesta última Noite Santa recebemos através do Portal do Sagitário os impulsos espirituais dos Arqueus, também chamados de Principados, para o fortalecimento da personalidade, de forma que tenhamos forças de estabelecer e sustentar impulsos mais abrangentes na nossa vida que nos orientem para o futuro e que contenham metas espirituais para a nossa existência.”

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Sagitário “Gzhu”, no Zodíaco Tibetano – Wikimedia Commons

“Atravessamos mais um dia, cai a noite e uma nova luz brilha no céu irradiando da Constelação de Sagitário, de onde emanam as forças espirituais dos Arqueus, os Seres da Personalidade, também chamados de Principados. Isto significa que eles não só possuem um Eu como sabem que o possuem e através dessa consciência intensificada eles criam uma imagem de si no exterior. Eles projetam no exterior a força de sua luta interna que é a própria luta do centauro, do ser humano emancipado por um lado na sua inteligência mas por outro lado, em luta constante para superar suas forças animalescas, seus instintos selvagens, suas forças egoísticas.”

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Arcanjo Miguel – Catedral de Chartes Reprodução

Os Arqueus são considerados os Espíritos do Tempo porque essa luta é a própria luta do desenvolvimento humano no nosso tempo, abrangendo algo que ultrapassa todas as etnias e se torna uma influência cultural na nossa civilização. Aqui a tarefa anterior dos Arcanjos, que era proteger a sabedoria cósmica das intenções egoístas é ampliada pelos Arqueus, estando expressa no desafio da nossa civilização moderna na luta entre o materialismo exacerbado e a preservação dos recursos naturais.”

“No portal sul da Catedral de Chartres, a escultura de Micael preside as 3 hierarquias. Rudolf Steiner constantemente se refere a ele como o Regente desta nossa Época, com a missão de dominar o Dragão, o ser mítico representado pelo nosso intelecto, quando a sabedoria cósmica é apropriada através da compreensão das leis, através da ciência natural e precisa ser colocada no mundo de forma mais ampla para o bem de todos. Tanto no aspecto pessoal de construção da personalidade como neste aspecto temporal, esta luta representa um cair e levantar constantes.”

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Sagitário – Ilustração Medieval – Reprodução

“Nesta décima segunda Noite Santa recebemos através do Portal do Sagitário os impulsos espirituais dos Arqueus, também chamados de Principados, para o fortalecimento da personalidade, de forma que tenhamos forças de estabelecer e sustentar impulsos mais abrangentes na nossa vida que nos orientem para o futuro e que contenham metas espirituais para a nossa existência.”

“Nesta noite reavalie as suas qualidades pessoais. Da região de Sagitário, os Arqueus, Espíritos da Personalidade, lhe trarão as forças da inteligência que erguem você, que sustentam você, e apontam a direção do futuro. Eles injetam clareza no seu pensar para que você perceba e assuma o compromisso com o que há de melhor em você.”

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Sagitário – Vitrais da Catedral de Chartres, Chartres, França – wikimedia Commons

Depois do mergulho profundo nas águas sombrias de Escorpião voltamos à superfície para virarmos NÔMADES e EXPLORAR o mundo, indo cada vez MAIS longe, em busca do SIGNIFICADO e do SENTIDO da Vida. SAGITÁRIO é FOGO Mutável, Masculino, Ativo, Positivo. Traz em si toda a FÉ, o OTIMISMO e a CONFIANÇA na vida que são tão elusivos para Escorpião. AVENTUREIRO, EMPREENDEDOR, ENERGÉTICO e GENEROSO, sua fé na vida é tão grande que nada costuma derrubá-lo por muito tempo. Depois dos piores problemas, ele levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima com o mesmo sorriso confiante no rosto. As pessoas costumam invejar a sua BOA SORTE, mas não é que ele não tenha problemas como todo mundo, é simplesmente que seu grande otimismo o leva a acreditar que não importa o tamanho da confusão, no fim tudo dará certo, e por ser tão otimista, os deuses parecem de fato favorecê-lo com muitas benesses e dádivas.

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Zeus, o Deus do Raio e do Trovão – Reprodução

Claro, seu regente é nada menos que JÚPITER, Zeus para os Gregos, o poderoso Deus do Olimpo, regente de todos os outros deuses. Júpiter é chamado o Grande Benéfico. Com um regente assim, não se podia esperar nada diferente do que muita boa sorte, certo?

Sim, mas há alguns poréns: exatamente por confiar demais na boa sorte, Sagitário às vezes não se dá conta de a vida tem sim, limites, e de que algumas regras precisam ser respeitadas. Alguns de seus defeitos são a INDISCIPLINA e a FALTA DE CUIDADO, o EXAGERO, o que o leva a se meter em confusões que seriam dispensáveis.

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Símbolo de Júpiter, regente de Sagitário – Maria Eunice Sousa

A ABUNDÂNCIA parece seguí-lo e ele é abundante e generoso em sorrisos, em alegria, sendo sempre a ALMA DA FESTA com sua alegria e espírito festeiro. Da mesma forma, é extremamente popular, tendo legiões de amigos que o seguem como mariposas são atraídas para a luz.

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Sagitário by Salvador Dali – Reprodução

HONESTO, SINCERO, CÂNDIDO, ele chega a ser grosseiro tal a sua “sinceridade”, que muitas vezes é mesmo FALTA DE TATO. Também costuma ser EXAGERADO e um tanto DESASTRADO. Fisicamente costuma ter dentes grandes, para enfatizar o largo sorriso que tem permanentemente no rosto. Mas a parte do corpo que ele rege são os quadris e as coxas, e os nativos costumam tê-los bem avantajados. Corpo, aliás, que é vivenciado com desconforto, porque o corpo representa limites terrenos com os quais ele não quer lidar: o corpo precisa ser alimentado, o corpo precisa ser cuidado, asseado… O corpo precisa dormir, quando há tanta coisa para se explorar, se descobrir, se viver… mas o corpo precisa DORMIR!!! Assim, ele tenta esticar as horas do dia, tentando fazer com ele tenha 30 ou 50 horas, para viver tudo o que quer viver. Ironicamente, sem dormir adequadamente o Arqueiro vira um bicho enjaulado. É o corpo cobrando seu preço pelo maus tratos.

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Sagitário na iconografia antiga – De um livro Medieval de Astrologia – Wkimedia Commons

Ele está mesmo interessado é na visão MAIOR das coisas, na EXPANSÃO da vida. LIBERDADE, ESPAÇO, LUGARES ABERTOS e VIAGENS são essenciais para que ele se sinta confortável. Nada de rédeas ou amarras, ou ele sai antes que você se dê conta!  Ele precisa saber que todas as portas e janelas estão sempre escancaradas, mesmo que jamais vá usá-las, porque se puser tranca, ele terá um ataque de claustrofobia e jamais voltará!

INTUITIVO, está sempre antenado com as possibilidades que o futuro traz, e é isso que seu símbolo, a flecha, vem nos lembrar: uma seta sempre aponta para o alto, para onde seu olhar está voltado. Por isso mesmo tem dificuldade de viver no momento presente, pois sua visão é de LONGA DISTÂNCIA e é uma visão que ele detesta ter que explicar, porque ele simplesmente “sabe” que algo é assim, então não peça para ele colocar em Palavras ou conceitos lógicos. Bah! Que coisa mais chata esse negócio de ser sempre lógico e preso a conceitos rígidos! A visão maior dispensa lógica!

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Steve Hanks – Reprodução

As VIAGENS, especialmente de longa distancia não só estão sob sua jurisdição, como são alimento para sua alma. Ele ama viajar e correr mundo, de preferência com o mínimo de bagagem, porque gosta de andar leve, seja literal ou figurativamente. Outras viagens tão importantes quanto são as viagens empreendidas pela mente e pela imaginação. CONHECIMENTO também é seu alimento, por isso rege também o ensino superior, a FILOSOFIA, a RELIGIOSIDADE e as CRENÇAS. Está permanentemente em busca da conexão com o divino, fazendo as GRANDES PERGUNTAS da vida: Por que? Qual o sentido disso? Qual o significado? SIGNIFICADO é algo primordial, tão essencial que ele pode estar atravessando a pior das crises, mas se encontrar um sentido para tudo o que está acontecendo ele já se sente melhor. O que ele odeia mesmo é quando nada faz sentido.

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Sagitário by Oswalda Griggas – Wikimedia Commons

Uma vez que Júpiter é seu regente e Júpiter rege as leis e a justiça, estes são assuntos também muito caros ao Arqueiro, assim como a moralidade e a ética. Quando negativo, ao invés de moralidade ele descamba para o moralismo. A política também é um assunto que o apaixona porque interessa à sociedade e Sagitário é um signo SOCIAL e ele quer saber como a sociedade funciona. Aliás, ele tem uma gama de interesses tão vasta que é difícil dizer no que ele NÃO está interessado, até porque  tem uma capacidade incrível de captar com grande facilidade a essência de qualquer assunto num piscar de olhos.  Também é muito interessado na moda e costuma ditar tendências sendo o primeiro a usar coisas que os mais tímidos só ousarão depois que aparecer na Vogue. Claro, às vezes ele erra feio. De modo geral não tem medo de usar cores berrantes e contrastantes na mesma produção, especialmente se tiver estamparias grandes e exóticas que o façam se sentir à vontade, confortável, como se estivesse sempre… De férias!

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Andarilho, um dos arquétipos de Sagitário – Google Imagens

Culturas estrangeiras, países estrangeiros são coisas que o fascinam e ele tem grande facilidade para línguas também. Ele gosta de ver o diferente, de EXPLORAR novas possibilidades e de ver as soluções que outros povos encontram para certas questões comuns e universais.

Tudo muito bem, tudo lindo e maravilhoso, como Sagitário gosta. Mas será que é só isso? Será que tudo é sempre tão luminoso assim? O que dizem os mitos e as figuras arquetípicas deste signo?

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Júpiter – Beham, (Hans) Sebald (1500-1550) 1539 – Wikimedia Commons

Do livro A Astrologia do Destino, de Liz Greene (2), trago uma tradução livre e resumida destes principais mitos, o texto é destacado em itálico para enfatizar os créditos e a fonte. Sagitário é regido por JÚPITER, Zeus para os gregos, o poderoso soberano do Olimpo. Como sempre, olhar a figura que rege o signo pode dar pistas preciosas a respeito de sua psicologia e dinâmica. Zeus era um deus extremamente competitivo e conquistador compulsivo. Ele desbancou o pai Saturno e lhe tomou o lugar, apesar de Saturno ter tentado engolir todos os filhos para impedir isso. Ele é um deus extremamente masculino, mas seu poder vem da Mãe Terra, Mãe Rhea, embora ele tente ignorar todos os detalhes que o lembrem disso. Apesar de ter vencido os Titãs, sua vitória e ascensão ao Olimpo se deveu muito a política e a negociações envolvendo Rhea e alianças de casamento, o mais importante deles sendo com sua irmã, Hera. “Quando ele aparece como o rei vitorioso dos deuses, superando os Titãs terrosos e estabelecendo seu próprio domínio celestial, ele reflete o surgimento na consciência coletiva de um principio espiritual que é maior do que Moira, que regia o destino e a vida de deuses e mortais até então” pondera Greene. Com o advento da consciência o homem não está mais completamente à mercê do mundo instintual, do “fado” do destino  que lhe era dado e do qual não havia como escapar. Assim, é mais que apropriado que Sagitário venha depois de Escorpião, “porque Zeus personifica aquilo que pertence ao espírito eterno e não à carne mortal”.

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Jupiter e Juno (Zeus e Hera) by Anibal Carracci – Domínio Público

Zeus surge pois da dominação da Grande Mãe e assume o poder no Olimpo. Ele não pertence à terra, mas sim ao éter. É o Deus do Trovão e do Relâmpago; é o Grande Pai, o Grande Rei, oferecendo a luz do espírito, que agora pode almejar libertar-se das garras da Necessidade, uma das três Moiras, também chamada Ananke, aquela que tecia o Fio do Destino.

Zeus representa pois, o espírito indomável, livre, solto, sempre conquistando, sempre em busca do próximo alvo. Deitava-se com deusas, mortais, ninfas, semi-deusas, solteiras, casadas, quisessem elas ou não. Nas suas conquistas transformava-se em tudo quanto era forma para seduzir sua presa: cisne, garanhão, chuva e isso indica a grande mutabilidade do signo, sempre mudando de forma, de idéias, de projetos… Não havia limites para seu poder de sedução. Promíscuo como era, sua prole era numerosíssima e isso simboliza a infinita fertilidade do deus e do espírito, que pode imaginar e visualizar tudo em sua intuição rica e sem limites.

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Mas ele não era tão livre assim, pois estava casado com Hera, com quem vivia em brigas perpetuas, algo como “entre tapas e beijos”. O motivo principal, claro, era a sua infidelidade e promiscuidade flagrante. E ela, como boa esposa ciumenta, espionava, perseguia, investigava e infernizava a vida não só das “outras”, como também da sua prole ilegítima – lembra o que ela fez com Hércules e Dionísio? Greene diz que Hera representa um espinho eterno no seu lado divino. “Esse contrato de casamento, porque há sempre um contrato, é uma obrigação e um laço permanente que o liga eternamente ao mundo feminino da forma” queira ele ou não. Sendo o Rei dos Deuses, ele não poderia simplesmente largar Hera e se livrar de suas queixas? Não, ele não podia, especialmente porque ela era não só esposa, como irmã e eles são iguais. Eles não conseguem, jamais se livrarão um do outro. “Esses dois permanecem eternamente fechados numa batalha e eternamente casados, uma imagem do espírito-criador fogoso ligado ao mundo da forma, ao mundo dos laços e compromissos humanos, o mundo da moralidade e da “decência” e das responsabilidades mundanas, que é tanto parte da natureza de Sagitário quanto a  promiscuidade selvagem da qual Zeus é o emblema”.

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Zeus e Sêmele – Gustave Moreau – Reprodução

Esse é o padrão básico de desenvolvimento de Sagitário: sendo um espírito livre e indomável, cedo na vida cai na armadilha da qual ele tanto corre: as obrigações do casamento e da vida mundana. Ou porque ele ou ela engravidaram, ou porque são presas de artimanhas – sim, ele é muito ingênuo às vezes – o fato é que esse “contrato” vira um laço que é sentido como uma espécie de armadilha que o obriga a levar uma vida “decente”. Claro, há muitos que evitam essas coisas como o diabo foge da cruz, e seguem feito andarilhos, mundo afora, de montanha em montanha, de trilha em trilha, sem lenço e sem documento, feliz por não carregar as tais bagagens pesadas. Mas mesmo estes uma hora se deparam com o seu “destino” e precisam descer à terra e cumprir certas obrigações.

Como diz Greene, “Sem Hera, Zeus não seria nada. A maior parte de seu poder ele deve e na verdade, é a própria tensão causada pelo laço do casamento que o faz ser infiel. É esse laço que o mantém vivo e vital. Sem esta fricção ele se tornaria preguiçoso e displicente, qualidades que demonstra em varias de suas estórias e é duvidoso se ele perseguiria tantas amantes com tamanho entusiasmo se elas não fossem proibidas a ele.”. 

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Io e Zeus by Giovanni Ambrogio Figino – Domínio Público

O que é o espírito, o talento, a criatividade, a imaginação se não forem manifestadas no mundo concreto? É isso o que Hera representa, a necessidade de obedecer a regras e limites quando se quer chegar a algum lugar. A fertilidade, o talento não chegam sozinhos a lugar nenhum. Se não houver grande doses de trabalho, transpiração, COMPROMETIMENTO, ficaremos somente nos sonhos, nos ideais, nas imagens fabulosas da imaginação, sem nunca realizar nada.

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Zeus e Hera – Desenho de baixo relevo de um altar romano – Domínio Público

Por isso, assim como Gêmeos, seu oposto complementar, Sagitário está relacionado também ao arquétipo do Puer Aeternus, a Criança Divina que não quer crescer e que representa os potenciais infinitos e ilimitados do espírito humano. O mundo está cheio de Puer Aeternus, especialmente o mundo das artes e do entretenimento. Aquele grupo sombrio de artistas que morreram aos 27 anos de forma trágica é povoado por eles. Jimmi Hendrix, Janis Joplin, James Dean, Amy Whinehouse, só para citar alguns. Sem Hera, Sem Wendy, Zeus e Peter Pan viram uma anomalia na Terra do Nunca, cheio de possibilidades e potenciais nunca realizados, nunca concretizados, seja por preguiça, por receio, por terror de falahar.

Assim, por pior que a “armadilha” pareça, o corpo, o casamento, o trabalho, a carreira, o filho… Ainda é isso o que faz o Centauro crescer e mobilizar seu espírito criativo em algo tangível e palpável.

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Quíron – Reprodução

Um outro mito que não pode deixar de ser mencionado é o mito do Centauro Quíron.  O mito de Quíron tem várias versões diferentes. Às vezes ele é retratado como ancestral dos centauros, criaturas que eram metade cavalo e metade humanos. Em algumas versões os centauros descendiam de Centaurus, filho de Apolo e Estilbe, ou de Ixion e Nephele, uma nuvem feita à semelhança de Hera. Os centauros habitavam o Monte Pelion, na Tessália, região da Grécia. Na versão mais conhecida do mito, Quíron era filho de Cronos (Saturno) e da ninfa Filira, filha de Oceano e Tétis. Cronos viu Filira pela primeira vez quando procurava por Zeus, que tinha sido escondido por sua esposa Rhea. Filira tentou fugir de Cronos transformando-se numa égua. Ele perseguiu-a ainda mais e enganou-a transformando-se também num cavalo, conseguindo assim consumar a união, da qual nasceu Quíron, que tinha pernas e corpo de cavalo e torso e cabeça de homem. Quando ele nasceu, Filira ficou tão enojada e desgostosa que implorou aos deuses para ser transformada em algo diferente do que ela era. Os deuses atenderam seu pedido transformando-a na árvore Tília. Liz Greene fala que não importa a versão do mito, o que importa é que ele é um filho da terra, por um Titã ou um mortal, ele não é do Olimpo.

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Saturno e Filira – Reprodução

Quíron foi abandonado e encontrado depois por Apolo, que se tornou seu pai adotivo. Ele cresceu forte e saudável e Apolo ensinou-lhe muitas artes. Era muito inteligente e tornou-se um professor muito sábio e respeitado, a quem todos os heróis gregos, filhos de reis e de deuses eram enviados para com ele estudar. Era musicista, profeta e um médico e curador potente, também grande herbalista e filósofo brilhante. Além disso, era correto, nobre e íntegro. Ele foi o mentor de muitos heróis gregos famosos, como Jasão, Aquiles, Hércules e Asclépio, ou Esculápio, o deus da medicina. Mesmo assim, Quíron trazia consigo o dilema intrínseco da dualidade: não era nem cavalo nem homem. Seus iguais, centauros, eram criaturas extremamente primitivas, devassas, desregradas e grosseiras. Já Quíron tinha uma natureza benigna e pacífica, portanto não se sentia à vontade entre os seus. Como não era humano, também não se sentiam completamente confortável entre os homens. “Ele era uma deidade ctônica e pertence àquele grupo de meio-animais fálicos que eram tutores dos deuses, simbolizando a sabedoria da terra e do próprio corpo”. Diz Liz Greene

Uranographia by Johannes Hevelius. The view is mirrored following the tradition of celestial globes, showing the celestial sphere in a view from ouside

Uranografia by Johannes Hevelius – Wikimedia Commons

Ele se tornou o Rei dos Centauros. Mas um dia, Quíron se feriu numa das flechas que Hércules tinha molhado no veneno letal da Hidra de Lerna, aquela que encontramos em Escorpião. Numa versão do mito ele teria se ferido durante uma briga entre os centauros e Hércules. Em outra ele teria se ferido por acidente. O veneno da Hidra era letal e matava instantaneamente; porém, por ser filho de um Deus, Quíron era imortal. Assim, criou-se um dilema sem solução e o resultado foi uma ferida hedionda que doía de forma excruciante, para a qual não havia cura possível. Assim, ele está aprisionado, sendo o próprio corpo a sua armadilha. Ele se fere na coxa ou no joelho, a parte do corpo que nos sustenta, sobre a qual nos mantemos de pé e também um sinal de que a ferida é na sua natureza animal. Greene diz que Quíron é apenas um de uma longa lista de deuses ou semi-deuses, imortais, que são feridos fisicamente, geralmente nos pés ou pernas, tornando-se aleijados, uma ferida na sua relação com a realidade física. Uma mistura irônica de luz e de sombra. “Meu sentimento é de que essa tristeza e essa ferida são parte integral de Sagitário e formam um tipo de depressão ou desespero abaixo da superfície otimista e luminosa do signo. Acredito que é por isso que Sagitarianos podem ser tão maníacos nos seus esforços extremos para ser feliz e divertido. Zeus pode criar relâmpagos e trovões nos céus e não há signo mais positivo ou resiliente. Mas escondido na caverna está o Centauro sofredor, que pode curar e dar conselhos sábios a todos os males dos homens menos para o próprio, que é envenenado pela colisão de sua natureza benigna com a escuridão e o veneno do mundo”.

Quíron retratado mosaico encontrado em Edessa, do sec Vou VI

Quíron retratado em mosaico encontrado em Edessa, do sec V ou VI – Wikimedia Commons

Possivelmente, por causa dessa mesma ferida e dessa mesma tristeza, Sagitário seja capaz de oferecer esperança aos outros e não apesar dela. O que fica claro a partir da estória de Quíron e de Zeus é que este signo não fica confortável no corpo, porque o corpo é a prisão que o tolhe e causa sofrimento. E o corpo representa também os limites da realidade, da experiência de ser humano. Por isso, às vezes o vemos tornar-se catequizador, fanático, um verdadeiro pregador da fé e do otimismo, tornando-se o dono  da verdade, tentando a convencer a todos do seu credo, para esconder as profundas dúvidas internas a respeito daquilo que tão enfaticamente prega; e mesmo sendo um signo incrivelmente honesto e direto, podei aos poucos ir fazendo uso da hipocrisia, novamente para mascarar essas dúvidas, que ele não ousa admitir nem para si mesmo. Para ele é muito difícil admitir que seu otimismo exuberante não consegue vencer todas e que há um lado sombrio na vida, que não faz sentido, que não tem explicação filosófica ou metafísica que justifique. O Palhaço é uma das figuras arquetípicas deste signo, exatamente porque configura aquele que faz rir de forma histérica, colocando uma máscara sorridente e espalhafatosa, quando ás vezes, por dentro, ele esta afundando na tristeza. Se se encara isso, esse buraco negro da dúvida, pode ser desesperador demais, então ele prefere sorrir. Alguém já disse que não é uma boa idéia tirar a fé de um homem, porque às vezes, isso é tudo o que ele tem.

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Palhaço, um dos arquétipos de Sagitário – Reprodução

Greene lembra que Zeus preside Sagitário, como seu regente, mas Quíron está ali, uma presença incomoda e desconfortável, a lembrar a esse otimista Todo-Poderoso que ele ainda tem que lidar um lado humano e falho e que há coisas que ele não vence com seu otimismo inabalável. O corpo, sendo sentido como um alienígena, pode ser esse lado da vida que é desconfortável, complicado de entender e honrar. A ferida, diz Liz, “aponta para cima e para a eterna vida do espírito; também aponta para baixo, para a igualmente divina vida do corpo que deve suportar tal alma de fogo e sofrer de acordo com ela. Como o magnun miraculum do Corpus Hermeticum, Sagitario é uma criatura de dignidade e honra, parte daimon e parte deus, parte animal e parte imortal, que volta seus olhos para a parte imortal de si mesmo e que deve pagar o preço necessário de cuidar do corpo sofrido que ele ignorou por tanto tempo. 

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Sagitário by Johfra Bosschart

Figuras Arquetípicas de Sagitário

Zeus e Hera; O Pai Divino; O Puer Aeternus; Peter Pan; A Eterna Criança; Quíron, o Centauro; O Viajante Aventureiro; O Cigano Andarilho; O Explorador de Novos Mundos; O Filósofo; O Professor; O Padre; O Pastor; O Missionário-Evangelizador; O Palhaço;  O Jogador; O Prometedor; A Tiete

A Sombra de Sagitário é uma das maiores, porque, como você sabe, quanto mais forte a luz, maior a sombra que projeta… Esta sombra está diretamente relacionada ao signo oposto de Sagitário, que é Gêmeos. Os dois se preocupam com juntar e distribuir informações e conhecimento, com educação e viagens. Mas enquanto Gêmeos volta-se para os detalhes e para os fatos, Sagitário olha para o todo e para o significado das coisas. Gêmeos quer saber como as coisas funcionam, Sagitário quer uma filosofia e uma visão geral de tudo. Por isso os dois sempre sentirão uma fricção ao se encontrarem, positiva ou negativa, porque um é a sombra do outro.

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SAgitário – Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender

Mas esta sombra tem outras nuances. Liz Greene, no livro Astrology for Lovers (3) diz que uma das suas facetas é “a Tiete”. A Tiete aparece naquela mania que Sagitário tem mencionar nomes de influentes e famosos, seja do meio artístico, empresarial, político ou de outras áreas, com muita intimidade, como se fossem amigos de infância. Os programas dele são sempre mais interessantes e excitantes que o de todo mundo; as pessoas que ele conhece são mais famosas; ele participa intimamente da vida de figurões… Você entendeu! E isso se aplica tanto à mulher quanto ao homem de Sagitário! Ele precisa estar onde “tudo acontece” e com sua intuição super aguçada, não é que ele consegue? De fato, ele consegue estar no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa para aproveitar a oportunidade exata! Mas às vezes, no meio de tudo isso, falha em se dar conta de que está sendo intrometido, invasivo, inconveniente. Ele também tem o desagradável hábito de usar as pessoas  – inclusive sexualmente falando – e descartá-las quando ele não precisa mais delas ou quando elas se recusam a estar a seu serviço – mas, claro, convenientemente ele também não percebe isso, afinal, é Sombra exatamente porque não a reconhecemos.

Part of a tile wall cover, Sagittarius; Iran, 16th century; tile mosaic from coloured faience; Museum für Angewandte Kunst Frankfurt am Main, Inv. No. 13049

Sagitário – Mosaico de cerâmica encontrado numa parede do Iran, século XVI – Museu für Angewandte Kunst Frankfurt am Main, Alemanha – Wikimedia Commons

Dessa Sombra também faz parte o “novidadeiro”: é ele geralmente quem descobre as novidades: o restaurante da moda, a banda que vai ser um sucesso, o livro que vai ser best-seller, o filme que vai bombar. Ele conta essas novidades todas com o entusiasmo de quem descobriu um grande tesouro, no intuito de informar, mas principalmente de deixar claro para você que ele sabe mais, conhece mais gente e coisas interessantes e que você não está tão “por dentro” das coisas importantes quanto ele. Você não é um dos “eleitos” no exclusivo grupo de que ele faz parte. Obviamente, se você é apenas um indivíduo comum, sem grandes conexões, logo será descartado, porque afinal, o que você tem a oferecer, quem você conhece neste mundo de meu Deus?

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Capela do Zodíaco – Templo Malatestiano – Wikimedia Commons

Outra faceta desta Sombra, talvez a mais conhecida, é o que podemos chamar de “o Prometedor”. Pelo nome, você, que convive com Sagitarianos já pode imaginar do que se trata: ele está sempre prometendo mundos e fundos a toda a gente, mas cumprir, que é bom… Como diz Greene, o prometedor, simplesmente promete. Isso tem a ver com a sua mania de extrapolar em tudo, inclusive na própria energia. Ele promete que vai lhe emprestar dinheiro, que vai lhe dar aquele emprego, que vai te dar aquele móvel (lindo) que ele não quer mais, que vai te levar naquela restaurante fabuloso, vai te levar naquela viagem maravilhosa para conhecer aquele guru mais maravilhoso ainda… A lista de promessas é infindável e inclui coisas simples, como vai te ligar, vai te visitar, vai te ajudar naquela questão… Não é que ele seja falso ou tenha dito só para se livrar de você! Não! No momento em que promete, ele está sendo candidamente sincero e tem toda a intenção de cumprir – além da intenção de impressionar você, claro! –  visto que está muito animado com a coisa toda. O problema é que meia hora depois algo mais interessante acontece e ele já esqueceu do que prometeu a você e arranja mais alguma coisa para fazer no mesmo dia e hora e simplesmente esquece até que você existe! Mas não se engane! Se você prometer algo a ele, pode ter certeza de que ele estará lá, na hora e local exatos para cobrar a dívida! E ai de você se falhar com ele! O fogo dos céus cairá na sua cabeça e ele contará para deus e todo mundo o quanto você é um tratante desleixado que o deixou a ver navios…

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Sagitário – Livraria da Universidade de Leiden – Wikimedia Commons

Esse é o Arqueiro, sempre apontando mais alto do que pode alcançar. Esse hábito de prometer mais do que dá conta de entregar está relacionado à incapacidade de lidar com as limitações da vida terrena, de se ater ao que é possível. Ele esquece que o dia só tem 24 horas, que o corpo precisa de descanso para repor energias – inclusive o dele – que dinheiro se consegue com trabalho… É a grande dificuldade de Sagitário em lidar com a realidade e as limitações do aqui e agora, já que vive constantemente no futuro, num mundo fantasioso, onde tudo é possível e tudo sempre dá certo. Dinheiro é uma das áreas mais espinhosas aqui. Se você emprestar a ele, esqueça, porque ele também já esqueceu!  Mas se é você quem precisa, ele nunca tem para lhe emprestar. Na verdade, conscientemente ele geralmente é muito generoso e magnânimo, mas como se identifica somente com essa magnanimidade, a mesquinharia e a usura vão para a Sombra, onde causa terríveis estragos nas suas relações. Quando faz tais promessas, ele realmente acredita que poderá cumprí-las, mas esquece que ele não é Zeus, que era um deus e que conseguia se safar de suas escorregadelas. Sagitário precisa aprender que é um mortal, humano, sujeito a todas as limitações materiais, de tempo, espaço e tudo o mais a que todos os outros humanos comuns estão submetidos.  No fundo é um grande imaturo, uma criança que se recusa a crescer. Com o tempo, quem sabe ele aprenda…

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Símbolo de Sagitário na Sinagoga de Mosav Zkenim – Wikimedia Commons

Por último, tem o pregador moralista, o catequizador, o fanático, que acha que só sua verdade é válida. Ele pode ainda se tornar superficial e fofoqueiro, tornar-se excessivamente lógico e racional, firmando-se em evidencias, mas perdendo a visão maior e o significado das coisas. “ele perde sua integridade duramente conquistada ao se tornar um moralista arrogante e hipócrita, aquele que se orgulha do nome que carrega, tirando vantagens do status social”. Algumas pessoas também se ressentem da algazarra que Sagitário geralmente cria aonde vai. Alguns reclamam que ele demanda muita energia e esse energia é tirada de algum lugar, daí acharem que Sagitário, às vezes, “vampiriza” a energia alheia para continuar queimando sua grande fornalha de entusiasmo e alto astral. Em função disso, alguns resolvem tomá-lo em doses “homeopáticas”, por assim dizer. Parece mesmo que a Sombra de Sagitário é maior do que a dos outros? como eu disse, quanto maior a luz… Mas como todo ser humano, ele está aqui para aprender!

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles

(Richard Bach)

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O Templo de Zeus em Atenas – Foto: Maria Eunice Sousa

Meditação para Sagitário

Sagitário é o signo da Alegria, então, nesta meditação vamos trabalhar a nossa capacidade ou não para a Alegria.

Este exercício é tirado do oráculo do Osho. Se sentir que precisa, pode fazer mais de uma vez. Faça  exercício sempre sentado, palmas das mãos apoiadas nas pernas, olhos fechados. Respire profunda e calmamente, até relaxar completamente. Pense que a intenção deste exercício é incluir você no mundo.

E ouça, no isolamento do seu quarto interno, muitas crianças cantando uma cantiga de roda. Abra a janela e veja que elas estão de mãos dadas girando ao redor de uma fogueira. Sinta a música, o calor e a alegria desta roda. Vá até ela encontrando um espaço para também dar as mãos às crianças, cantar e rodar com elas ao redor do fogo.

Olhe bem para este fogo e, mentalmente, atire para dentro dele todos os sentimentos que impedem você de fazer parte da alegria e da celebração da vida. Então, livre-se dos impedimentos, sinta-se completamente integrado nesta mandala viva de seres felizes. Então, respire e abra os olhos. Se desejar, escreva ou expresse-se conforme o seu coração mandar.

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Sagitário – Selo da Ucrânia

Música para Sagitário

 

 

(1) Edna Andrade – Festas Cristãs

(2) Liz Greene – the AStrology of Fate

(3) Liz Greene – Astrology for Lovers

As 12 Noites Sagradas – LIBRA, a igualdade nas relações

Libra-TattoosHoje é o dia e a Noite Sagrada de Libra e eu me encontro dividida entre várias coisas, querendo fazer todas elas, sem poder. Tenho que escolher, mas como?  Na verdade, isso não é algo que me ocorre só hoje. Com a Lua em Libra e Sol na casa sete, casa natural de Libra, isso é uma constante na minha vida (para entender o que são As 12 Noites Sagradas clique aqui).

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Libra – De um Livro Medieval de Astrologia Domínio Público/Wkimedia Commons

Do site de Antroposofia Edna Andrade nos fala sobre a Noite de Libra: “Nesta décima Noite Santa, através do portal da Balança – Libra, recebemos dos Dynamis, ou Virtudes, os impulsos espirituais para desenvolver o equilíbrio interior e conseguir conter as forças de dispersão para que tenhamos uma vida coerente e harmoniosa.” 

“Nesta noite reconheça quais os pontos de equilíbrio de sua vida. Da região de Libra, os Dynamis, Espíritos do Movimento, trazem a você a capacidade para equilibrar na alma as forças de dispersão e ter uma vida coerente e harmoniosa.” (1)

LIBRA é AR CARDINAL. É Masculino, Ativo, Positivo. Seu símbolo é uma representação gráfica da balança, que, aliás, é como o signo era chamado na antiguidade. Uma peculiaridade sobre este símbolo já nos diz muito sobre a sua natureza: é o único signo do Zodíaco cujo símbolo é inanimado, ou seja, não é um animal, nem criatura de sangue frio, nem criatura humana… Isso nos fala de um signo bastante desapegado do ponto de vista emocional e sentimental; ele tem um distanciamento emocional bastante pronunciado, se diria mesmo, totalmente afastado do Reino dos Instintos. Sim, é o signo dos relacionamentos por excelência, mas isso do ponto de vista racional, até porque ele é signo de Ar. Esse símbolo inanimado, sem associação com animais também nos diz que este é o signo mais civilizado do Zodíaco, e como diz Sue Tompkins (2), isso é a bênção e a maldição de Libra, porque civilidade é algo mais que necessário para se viver em sociedade, por outro lado, o excesso faz com que nos removamos da esfera dos sentimentos humanos, tornando-nos até mesmo, frios.

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Fonte Zodiacal – Jaffa, Israel Wikimedia Commons

A balança tem um simbolismo imediato: a necessidade de EQUILÍBRIO, que é a grande tarefa que este signo precisa desenvolver. A balança também é o grande símbolo da JUSTIÇA, e era um dos símbolos da deusa Atena, uma versão mais racional de Afrodite. A balança era usada pelos egípcios para simbolizar o JULGAMENTO  a que todas as almas eram submetidas diante de Osiris no Mundo Subterrâneo. Quando alguém morria, sua alma era guiada da Terra dos Vivos para a Terra dos Mortos pelo deus Anubis, uma contraparte do deus grego Hermes. A alma era submetida então a um rito de passagem diante de Osiris. Havia uma balança gigantesca, havia Maat, a deusa da Verdade que pesaria o coração do morto e havia Amemait, o Devorador (um monstro que era parte leão, parte hipopótamo e parte crocodilo), aguardando para devorar o coração dos injustos. Havia ainda várias outras personagens no salão, alguns com cabeça de animal, outros com cabeças humanas, a quem o morto deveria responder quando perguntado sobre ações negativas que teria empreendido enquanto vivo. Então a alma do morto era pesada, colocando-se em um dos pratos da balança o coração do morto e no outro prato a própria deusa Maat ou a sua pena da verdade. Se os dois pratos ficassem em equilíbrio significava que os pecados daquela alma não suplantavam o peso da Verdade, então os juízes emitiam um veredicto favorável. Quando porém o coração pesava mais, ele era atirado ao monstro Amemait, simbolizando a condenação da alma do morto. A Deusa Maat personificava a lei, a verdade e a ordem social, diz Liz Greene (3). Ela era uma espécie de Moira (Deusa do Destino) civilizada, em que o instinto da vingança se transforma na necessidade de justiça e de se seguir códigos éticos e morais. Os temas da Justiça, da Ética e da Moral são, pois, temas muito caros a Libra e não é por acaso que Saturno está exaltado aqui, já que estes assuntos também lhe são preciosos.

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Libra – Johfra Bosschart Reprodução

A balança nos fala, então, da necessidade de pesar as coisas, de avaliar cada lado de uma situação e tentar chegar  uma CONCILIAÇÃO. Porque assim como Gêmeos, Libra precisa aprender a construir pontes, a mediar conflitos e tentar achar um caminho do meio. ACORDO e AJUSTE são outras palavras associadas a este signo, que tenta sempre ser DIPLOMÁTICO e agradável, sempre achando algo positivo para dizer sobre qualquer situação ou pessoa. É também o signo da persuasão e da estratégia, sabendo como ninguém como lidar com pessoas nas mais diversas situações, daí a se tornar manipulador, pode ser um pulo também. Ele tem uma capacidade incrível de persuadir você a fazer o que ele quer, fazendo você achar que é o que VOCÊ quer. Por isso, ele se sai muito bem nas profissões que trabalham na busca de conciliação ou de justiça, como é o caso dos profissionais da lei: advogados, juízes, promotores. Outro meio em que eles podem se sobressair é nas profissões de aconselhamento, por sua incrível capacidade de perceber os diversos ângulos de uma questão e ver as situações de fora.

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Libra – Balança – Guido Bonetti – Liber Astronomiae Wikimedia Commons

Libra é o signo oposto complementar de Áries e isso nos diz da sua busca por igualdade nos relacionamentos, pois ele tenta consertar o desequilíbrio criado por Áries, que só pensa em si. Em Libra o Eu encontra um Tu e precisa aprender a ceder, a negociar a própria vontade com a vontade do OUTRO. Eu + Tu = NÓS. Libra vê o OUTRO como um igual e é o primeiro signo a fazer isso, diz Tompkins.  Assim, Libra precisa de RELACIONAMENTOS, de todos os tipos: afetivos, de amizades, sociais… Sem o outro, Libra se sente vazio e a vida fica sem sentido. O Outro é seu ESPELHO, do qual ele precisa para aprender sobre si mesmo, pra aprender a se reconhecer. O problema é quando esse espelho se torna mais importante do que o eu, quando só vivo a partir do reflexo que vejo no outro, ou seja, vivendo exclusivamente a partir da projeção ou eternamente dependendo da aprovação e aceitação do outro para me sentir reassegurado e funcionar no mundo.

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Reprodução

Harmonia é a sua grande busca, mas por incrível que pareça, ele está sempre metido em grandes conflitos e imbróglios espinhosos, sem entender porque, quando tudo o que ele queria era estar em paz com todos. Ora, Libra é o grande PACIFICADOR, e qual a função de um pacificador? Pacificar! Então, ele vai sempre ser atraído para a guerra e o CONFLITO, para que possa fazer o que faz de melhor. Tanto que, se as coisas estão “certinhas” demais, agradáveis demais, ele pode criar crises medonhas só para se sentir necessário, ou seja, cria um conflito para ele mesmo resolver. Isso é algo que tem a ver também com a necessidade de equilíbrio de que falamos acima: o equilíbrio é algo tão importante, que mesmo sendo associado com a harmonia, Libra pode agir de forma exatamente contrário quando chega num ambiente em que tudo está “agradável” demais. Ironicamente, ele sente a necessidade de criar alguma desavença para que o equilíbrio se estabeleça, paradoxal como possa parecer.

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O Nascimento de Vênus – Boticelli – Foto: Maria Eunice

Libra é regido por Vênus, uma versão mais civilizada e racional de Vênus, não aquela mesma que rege Touro, que é mais terrosa. A Vênus que rege Libra é associada também a Urânia e a Atena, a deusa da estratégia e do pensamento racional. É a Vênus que nasceu do sêmen dos genitais de Urano, jogados ao mar por Saturno. Ou seja, daí apreendemos novamente uma qualidade desapegada e mental deste signo.

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Amanda Charchian – Reprodução

Espere aí! Mas Libra não é “o signo do amor”? Quem falou, Cara Pálida? Claro que não! Libra é o signo do RELACIONAMENTO. Amor é outra história bem diferente! Libra realmente não é sobre amor, porque amor tem a ver com sentimento também e sentimentos são coisas primitivas e tumultuadas, com os quais os signos de Ar têm grande dificuldade de lidar. Libra está interessado em RECIPROCIDADE, mutualidade, unidade, acordos, e, em última análise,  CASAMENTO,  PARCERIA. Amor? Não necessariamente.

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Símbolo de Vênus – Acrilíco – Maria Eunice Sousa

Sendo regido por Vênus, Libra é, pois, um signo de grande apuro estético, de gosto refinado, charmoso, cortês, elegante e gracioso. Ele sempre sabe como agir de forma conciliatória e educada em todas as situações – a não ser que esteja vivendo a partir da sombra de Áries, ou se tiver ênfase grande em outros signos. De qualquer forma, aqui estamos falando do arquétipo puro e ninguém é um arquétipo. Libra também é um signo que tem senso de simetria e proporção, daí seu gosto pela Beleza, no sentido mais amplo do termo, o que nos leva às artes e ao conceito de Ordem, Estética e Plasticidade, que dá a ele um olho clínico para apreciar coisas de valor  – daí vem também sua grande criatividade, da sintonia com a harmonia e se ele mesmo não for artístico, certamente terá gosto estético apurado ou poderá ajudar a promover as artes de forma indireta, sendo marchand, trabalhando em museus ou galerias de arte. Da mesma forma, ele detesta coisas e situações grosseiras, sórdidas, feias e quando precisa fazer algo que “suje suas mãos” ele vai dar um jeito de persuadir alguém a fazer o trabalho sujo por ele.

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Libra – Ornamento da igreja de Saint-Austremonius of Issoire (Século XII) Auvergne, França – Domínio Público – Wikimedia Commons

Assim como Touro, Libra não gosta muito de chutar o balde, porque não é muito afeito a mudanças. Às vezes ele vai se anular, se tornar um capacho, uma maria-vai-com-as-outras para tentar agradar e ser aceito e aprovado; fará qualquer coisa para manter a paz, muitas vezes varrendo a sujeira e o descontentamento para debaixo do tapete, para não ter que lidar com o lado desagradável da vida – mas Escorpião logo em seguida vai levantar esse tapete e mostrar a sujeira que Libra tão arduamente tentou esconder. É que ele realmente não gosta de “estragar” as coisas e assim como Capricórnio, investe muito em manter o status quo, especialmente porque precisa mostrar uma imagem agradável, bonita, correta, simétrica para a sociedade. Está sempre preocupado com “o que os outros vão pensar”, por causa da sua necessidade imensa de aceitação e aprovação. Assim, de certa forma, pode ser um signo bastante conservador.

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Constelação de Libra – Reprodução

Uma de suas grandes fraquezas, a INDECISÃO, nasce exatamente da necessidade de harmonia e justiça. Como está sempre pesando as coisas e as situações, ele pode ficar paralisado, incapaz de escolher, porque consegue ver o lado bom e as vantagens de todas as alternativas. Isso também o faz evitar todo tipo de CONFRONTAÇÃO, o que enerva terrivelmente as pessoas com quem ele convive, assim como sua mania de querer agradar a todos, o que só o levar a desagradar a um monte de gente. Por causa disso, Libra é acusado de ser falso, e ele pode mesmo ser, pois morre de medo de ser rejeitado se falar a verdade e o que realmente pensa. Na verdade, diz Tompkins, ele já sabe o que ele quer: e o que ele quer é não ter que escolher, não ter que decidir nada e assim, muitas vezes, deixará a decisão e a escolha a cargo do outro, que vai escolher conforme lhe aprouver, só para ouvir depois de Libra: “mas não era isso que eu queria”. Quem vai entender?

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Ricardo Falero – Reprodução de Wikimedia Commons

No corpo Libra rege os rins, que a medicina chinesa associa ao medo, medo que é associado com Saturno, que não por acaso está exaltado em Libra. Os rins também nos lembram, de novo, da idéia do equilíbrio, porque são dois iguais, trabalhando lado a lado, como os pratos da balança. “A função dos rins é purificar o organismo das toxinas e substancias nocivas. Quando os relacionamentos se tornam a tal ponto envenenados que você acaba perdendo a cabeça por outra pessoa, é muito provável ocorrer um mau funcionamento dos rins. Quando um intenso desejo de encontrar um parceiro ou companheiro não se realiza num nível externo, manifesta-se, geralmente, uma profunda gulodice por doces, que conseqüentemente estimula o diabetes, doença governada por Libra” (4) A-há!

Essa questão de aprender a escolher nos leva ao principal mito relacionado a Libra: o mito de Páris e Helena, também chamado a Escolha de Páris, do qual trago um resumo e a interpretação de Liz Greene, e que para enfatizar isso, coloco em itálico.

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A Escolha de Páris – Deconheço o autor   Reprodução

Páris teve que fazer uma escolha que o deixou embrulhado em muitas complicações, que é algo típico do padrão de desenvolvimento de Libra. Páris era filho do Rei Príamo e da Rainha Hécuba de Tróia. Antes de ele nascer, foi profetizado por um oráculo que ele causaria a destruição de Tróia. Então o bebê foi deixado no Monte Ida para morrer, mas ele foi salvo e alimentado por uma ursa e posteriormente criado por um pastor da região do Ida. Ele cresceu para se tornar um jovem inteligente , forte e particularmente bonito e por causa de suas proezas com as mulheres e sua superior capacidade de julgamento, ele foi convocado por Zeus para fazer uma escolha ingrata, pra lá de espinhosa. Ocorre que os deus resolveram dar uma grande festa no Olimpo e chamaram todos os deuses, menos uma, Eris, a Deusa da Discórdia e do Caos, por razões mais do que obvias. Mas ela não se fez de rogada e foi mesmo assim e no meio da festa ela jogou uma maça dourada sobre a mesa do banquete, com os dizeres: “Para a mais bela de todas as deusas”. Hera, Atena e Afrodite se engalfinharam pela maçã, cada uma querendo-a para si.

Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender livra

Libra – Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender

Nenhum dos deuses era tolo o suficiente para querer arbitrar tal escolha difícil. Então, chamaram Páris, que estava tranquilamente apascentado seu rebanho no Ida. Hermes apareceu diante dele, acompanhado de Hera, Atena e Afrodite e lhe entregou a bendita maçã, solicitando que ele fizesse a fatídica escolha. Ora, Páris não era nenhum idiota e de cara percebeu a confusão em que tinha se metido, sabendo de antemão que escolher uma incorreria na fúria das outras duas. Como bom Libriano, político e charmoso, ele sugeriu dividir a maça entre as três. Zeus, porém não permitiu que ele se evadisse da questão, demandando uma decisão. Ele implorou a elas que não se zangasse com ele depois da decisão e claro, todas prometeram não se vingar, independente do resultado da disputa.

 

Jacques Louis David 1748-1825 The Courtship of Paris and Helen Oil on canvas

O namoro de Paris e Helena – Jacques Louis David (1748-1825) Óleo sobre Tela Reprodução

Todas se despiram e então Hera ofereceu a Paris o governo de toda a Ásia e prometeu fazê-lo o homem mais rico do mundo se ele a escolhesse. Porém Paris, sendo Libra, não estava interessado em riqueza e poder, menos ainda na responsabilidade que isso implicava. Atena lhe prometeu vitórias em inúmeras batalhas e que ele se tornaria um guerreiro muito respeitado e honrado em todo o mundo. Mas isso era outra coisa que não o interessava, já que ele não era Áries, mas sim Libra. Então Afrodite, tendo percebido o que o motivava, prometeu-lhe a mulher mais bela do mundo para esposa, que era Helena, filha de Zeus e Leda, que já encontramos no mito de Gêmeos, e que era, por acaso, esposa de Menelau, rei de Mikenai. Páris objetou que ela já era casada, mas Afrodite lhe garantiu que isso não seria problema e que ela daria um jeito de helena ficar livre para ele. O tolo acreditou, seduzido que já estava pela beleza de Helena e deu a Afrodite a maçã dourada sem pensar duas vezes. As outras deusas ficaram zangadíssimas, que renegando sua promessa anterior, juraram vingança e se aliaram para planejar a destruição de Tróia. Quando Páris encontrou Helena, no palácio do seu marido, os dois se apaixonaram instantaneamente e fugiram para Tróia, o que provocou uma guerra de dez anos, já que os gregos queriam se vingar do insulto e da humilhação de perder sua rainha para Páris. Nesta guerra, Tróia foi, de fato destruída, e não apenas Páris foi morto, mas também seu seus três filhos com Helena e seu irmão Heitor, que era valoroso guerreiro. Helena foi no fim devolvida a seu marido, já que era semi-divina e estava sem culpa, pois tinha sido apenas um peão nas armadilhas de Afrodite.

The lovers

Arcano VI Os Enamorados Tarô de Nei Naiff

Esse mito nos fala da coisa mais difícil para Libra: a necessidade de se fazer escolhas e de se arcar com as conseqüências. Dizer não é dizer sim, dizer sim é dizer não, diz a canção. Quando escolhemos algo, temos que renunciar às outras opções, mas a escolha precisa ser feita e o preço por ela precisa ser pago, é o que a escolha de Páris representa. O fato de sua escolha ter terminado mal e de ter se desenrolado uma verdadeira e longa tragédia, não implica que esse seja o destino de Libra. Claro que não – embora as escolhas deste signo muitas vezes o levem a muita confusão e conflito. A outra coisa que essa estória vem salientar, é o padrão de triângulos amorosos que Libra costuma repetir vida afora. Porque ele simplesmente não consegue escolher entre os parceiros, já que um tem certos atributos e vantagens que o cativam sobremaneira, enquanto o outro também o preenche de forma inegável. Assim, ele vai buscar em duas pessoas diferentes (às vezes mais), a completude que lhe falta. Quanta confusão, heim, Librianos?

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Tirésias mata a serpente fêmea – Autor desconhecido Reprodução

Liz Greene traz presente ainda outro mito pertinente a Libra: A Escolha de Tirésias. Tirésias era um homem comum, que um dia estava caminhando pelo Monte Kilene quando viu duas serpentes copulando. As duas serpentes o atacaram e ele se defendeu com seu cajado, matando a fêmea. Imediatamente ele foi transformado numa mulher e passou sete anos vivendo como uma prostituta celebrada e famosa. Sete anos depois ele viu a mesma cena das serpentes copulando e desta vez matou o macho, tendo sua masculinidade restaurada, transformando-se em homem novamente. Assim, ele teve uma experiência peculiar e por causa disso, foi convocado por Zeus para dirimir uma querela entre ele e sua esposa Hera. Zeus, na sua grande malandragem, tentava justificar suas infidelidades dizendo que a mulher tinha muito mais prazer no ato sexual do que o homem, então ele precisava ter mais experiências. Hera, obviamente discordava disso – ela lá iria concordar com a promiscuidade flagrante do marido? Tirésias soube também de imediato que estava em maus lençóis, mas fazer o quê, tinha que emitir seu julgamento. Então ele se pronunciou dizendo se as partes do prazer do amor forem contadas como dez, três vezes três vão para a mulher e só uma para o homem. Hera ficou tão odiada com sua resposta que o tornou cego na hora. Zeus, compadecido, lhe deu o dom da visão interior e a capacidade de entender a linguagem dos pássaros. Ele também teve sua vida alongada em muitas gerações e mesmo depois de morrer seus dons seguiram com ele no Mundo Inferior. Ele aparece depois na estória de Édipo, como um vidente cego de grande insight e julgamento.

Krauss, Johann Ulrich, 1645-1719 - Yale Beinecke Rare Book and Manuscript Library

Tirésias, como mulher, mata a serpente macho – Johann Ulrich Krauss (1645 – 1719) Yale Beinecke Rare Book and manuscrit Library – Wikimedia Commons

Fazer escolhas é o destino de Libra, pois como dizem os ingleses, não dá para comer o bolo e ao mesmo tempo guardá-lo. Se fosse uma mulher a fazer a escolha, o imbróglio seria o mesmo, pois a escolha está lá antes da pessoa, simbolizando a eterna disputa dos deuses na psique humana. No fim, o que precisamos apreender é que a escolha de Páris reflete seus valores mais profundos e preciosos. Ele não escolhe poder, nem riqueza, nem glória. Ele escolhe sua anima, o relacionamento. E Liz diz que “a indecisão de Libra não nasce da incapacidade de fazer escolhas, mas do medo das conseqüências implicadas, porque qualquer decisão feita pelo ego implica necessariamente que outros conteúdos da psique serão reprimidos ou excluídos, o que gera uma grande ambivalência”, um atributo libriano que costuma invocar a exasperação daqueles com quem ele convive.

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Reprodução de Google Imagens

A estória de Tirésias também remete à dificuldade que Libra tem com o mundo dos instintos. A serpente é um símbolo da vida instintiva e da origem da vida, algo que encontramos em todos os signos de Água e que o Ar tem tanta dificuldade de lidar. As serpentes lembram a uroboros, que encontramos em Câncer. As serpentes também aparecem na Alquimia, macho e fêmea, formando a Unidade. Tirésias, assim, espionou um segredo da natureza e a Natureza é ciumenta de seus segredos, como também já vimos em Aquário. Ao matar a serpente fêmea, Tirésias inconsciente está fugindo de sua natureza instintiva, outra característica que todos os signos de Ar compartilham: o desgosto diante das funções orgânicas e biológicas do corpo, assim como da natureza em si mesma, com seus fluidos, odores, necessidades fisiológicas desagradáveis. Quer coisa mais deselegante do que uma diarréia? Ou mesmo um simples resfriado em que a pessoa fica espirrando, assoando o nariz a todo momento? Librianos a essa altura devem estar torcendo o nariz… Desculpem, Librianos. O que dizer então do ato sexual e a troca de fluidos, suor, ruídos, às vezes, bestiais? Para Libra o sexo é algo que precisa ocorrer sob as condições adequadas, de preferência com ar condicionado no último, sob lençóis de seda ou cetim, num cenário harmonioso e agradável. Sexo selvagem em lugares improvisados? Não, obrigado, Libra passa essa para Escorpião!

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Signo de Libra em pinel de mármore branco adornando um dos lados da Linha Solar Meridiana da Basílica de Santa Maria dos Anjos e do Martírio em Roma – Construída por Francesco Bianchini (1702) Wikimedia Commons

Tirésias é punido com a cegueira, mas essa cegueira significa que ele não pode mais ser seduzido pela beleza mundana das aparências, como Paris foi. Ele ganha o dom de olhar para dentro, para o Self e refletir. Greene opina que Páris seria Libra quando jovem e Tirésias seria Libra mais velho e mais sábio. Os dois são requeridos a resolver um dilema que os próprios deuses não conseguem e ao fazer isso, ambos são transformados, tanto o humano quanto o deus. A questão da escolha não é entre as opções que se têm diante de si; trata-se na verdade de decidir quais são nossos valores mais profundos, porque em ultima analise, é isso que motivará nossa decisão final. E quando se tem claros os valores, a decisão é conseqüência. A propósito, Vênus em Astrologia significa, entre outras coisas, nossos valores mais caros. Greene vai em frente dizendo que essas estórias talvez venham nos dizer que afinal, os deuses talvez não sejam tão justos quanto o homem. “Se Libra puder aceitar isso, então seu papel como promotor da civilização e reflexão torna-se genuíno e dignifica a nobreza do espírito humano.” (3) (Todas as citações de Liz Greene são do livro acima mencionado).

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Alegoria da Justiça – Antonio Canova – Artgate Fundazione Cariplo – Wikimedia Commons

Como já mencionamos, a Sombra de Libra é seu oposto, Áries. Libra, quando negativo, pode se achar vivendo de forma caótica, criando conflito aonde quer que vá, para se sentir necessário. “Quando ansioso e inseguro, Libra separa pessoas, ao invés de conciliá-las, mantendo-as para si mesmo para assegurar sua posição de domínio. Assim, ele se torna intolerante, parcial, criador de problemas e cisões, agindo de forma rude, deselegante, vivendo para provocar. Pode tornar-se manipulativo, preguiçoso e vaidoso, vivendo para buscar admiração e o endosso de suas ações” (5). Ou seja, pode se tornar mais tirânico e egoísta do que o pior dos Arianos, assim como Áries negativo pode ser indeciso  e capacho dos outros. Libra precisa então, aprender com Áries como ser assertivo e direto e Áries precisa aprender com Libra como acomodar o outro em suas decisões, como ter consideração pelas outras pessoas e buscar o equilíbrio entre sua vontade e a vontade dos seus iguais.

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Libra – Salvador Dali – Reprodução

 Meditação para Libra 

Observação: caso sinta qualquer mal estar, desconforto ou receio durante o exercício, interrompa-o imediatamente e abra os olhos. Esta meditação de hoje é inspirada numa meditação do Oráculo do Osho: “Sentado, tenha os pés apoiados no chão e as mãos apoiadas nas pernas. Afrouxe qualquer peça de roupa apertada e faça-se confortável. Feche os olhos e respire profundamente até sentir muita calma e pense na intenção do exercício: ver as pessoas e as situações como elas realmente são.

E veja, sinta, perceba ou imagine-se olhando para um espelho. Qual o tamanho, a forma, a cor deste espelho? O que você vê nele? Está límpido ou obscuro? Preste atenção a todas as imagens que aparecem sem se apegar a elas. Deixe-as vir e deixe-as ir. Agora, veja no espelho sua própria imagem. Perceba que sua imagem está distorcida, embaçada, pouco nítida. Esta visão turva sobre si mesmo representa sua dificuldade de saber quem realmente é, por isso está confundida numa bruma de ilusões. Respire uma vez e imagine que seu terceiro olho (entre suas sobrancelhas) se abre e imediatamente a visão que tem de si no espelho se torna clara e límpida, sendo assim ajudada por seu Ser Superior a encontrar a verdadeira pessoa que é. Focalize nesta visão nítida que agora aparece no espelho. Olhe-a nos olhos e deixe-a calar fundo na sua alma. Guarde essa imagem e lembre-se dela todas as vezes que se sentir confuso sobre suas escolhas e sobre o peso do outro na sua vida. Então, respire e abra os olhos.

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Vitrais da Catedral de Chartres – Chartres, França Wikimedia Commons

Música para Libra

 

Fontes pesquisadas

(1) Edna Andrade, Festas Cristãs

(2) Sue Tompkins – The Astrologer’s Handbook – Flare Puclications

(3) Liz Greene – A Astrologia do Destino – Weiser (Versão Inglesa)

(4) Joanna Wickenburg – Um Guia do Mapa Astral – Pensamento

(5) Frank Clifford – Getting to the Heart of Your Chart – Flare Publications

As 12 Noites Sagradas – CÂNCER: a Mãe, o Bebê e a Parteira

cancerrE então chegamos a CÂNCER, o signo da MÃE e do FILHO.

(Se você não sabe o que são As 12 Noites Sagradas, clique aqui)

“Uma estrela brilha no céu emanando o seu brilho da Constelação de Câncer o portal do qual emanam as forças espirituais dos Querubins os Seres da Harmonia.”

“Foi a ação dos Querubins no início da evolução que criou o cinturão protetor de estrelas em volta do nosso sistema separando-o da totalidade macrocósmica.”

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Reprodução

“Esta ação está expressa na própria configuração do tórax: as forças de Câncer configuram os doze pares de costela, o invólucro protetor físico do coração, o órgão da vida.”

“Os Querubins trazem o impulso para que as transições de um ciclo para outro ocorram de forma harmoniosa. Eles atuam na forma da espiral cujas forças vem do ciclo anterior, criam um invólucro e se direcionam para o próximo ciclo – em uma seqüência repetitiva, harmoniosa. Podemos observar estas espirais cósmica também em ciclos menores da natureza . São os Querubins que cuidam por exemplo que a semente do outono renasça como uma nova planta na primavera.”

“Na biografia encontramos também estas transições no nosso desenvolvimento que às vezes se apresentam de forma dramática como crises.”

“Nesta Noite Santa através do portal de Câncer recebemos os impulsos espirituais dos Querubins que nos trazem força para nos harmonizarmos com o novo e cria aconchego para que os momentos de transição ocorram de forma harmoniosa.” (1)

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Câncer – De um livro Medieval de Astrologia Wikimedia Commons

CÂNCER é o primeiro signo de ÁGUA. Água Cardinal. É um signo feminino, passivo, negativo. É regido pela Lua, o satélite que rege as mulheres e os sentimentos, justamente por isso, é o signo do SENTIR, o signo do pertencimento. A casa no mapa natal onde temos Câncer é onde ansiamos por PERTENCER, é onde precisamos de SEGURANÇA, sobretudo EMOCIONAL. Câncer é profundamente apegado à FAMÍLIA e às suas origens, seja ao lugar onde nasceu ou até mesmo à pátria, por isso mesmo o LAR é de importância primordial para o canceriano. E o que é o lar senão um outro útero, onde nos refazemos das labutas do mundo? O lar é onde buscamos proteção e refúgio e por isso tem tudo a ver com Câncer. Câncer também dá muito valor à HISTÓRIA e ao PASSADO, por isso se interessa muito por museus, arqueologia, História… E por isso ele é o signo da MEMÓRIA. Ah, e adora colecionar fotos antigas, normalmente tem montes e montes de álbuns de família (aliás, Câncer adora colecionar e tem grande dificuldade em se desapegar). Gosta de sentir que precisam dele, porque gosta muito de CUIDAR dos outros e de NUTRIR a família, os amigos, o parceiro, seja com comida ou com afeto. NUTRIÇÃO e cuidado são palavras-chave para o signo, que rege os seios e a amamentação, assim como o estômago.

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Câncer – Salvador Dali – Reprodução

A CRIATIVIDADE é uma das suas principais características, nascida da grande SENSIBILIDADE, da IMAGINAÇÃO muito fértil e dos sentimentos profundos e viscerais que o alimentam. É só dar uma olhada nas biografias e ver que muitos poetas nasceram sob o signo de Câncer. É COMPASSIVO e muito PROTETOR de tudo aquilo que lhe é caro. Às vezes também pode ser TÍMIDO, mal-humorado, DEFENSIVO e até apelar para chantagem emocional ou manipulação quando se sente ameaçado ou quando sente que está prestes a perder o objeto sagrado da sua afeição.

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Caranguejo – Reprodução

Câncer é extremamente reservado e CAUTELOSO diante de novidades, bem diferente de Gêmeos, que anseia por elas – aliás, o signo seguinte é sempre a antítese do signo anterior. Seu movimento é LATERAL, INDIRETO, TANGENCIAL, exatamente como o caranguejo, que dá nome ao signo. Aliás, podemos aprender muito da natureza de Câncer estudando e observando o caranguejo. Você alguma vez já observou um caranguejo na praia? Se tiver oportunidade não deixe de olhar. Esse crustáceo, que é o “animal” símbolo de Câncer e que inspirou o símbolo gráfico do signo, é capaz de ficar um longo tempo parado, olhando em volta, sem se mover, só observando. Quando tudo se aquieta ou quando ele acha que ninguém está olhando, ele sai em disparada, numa carreira decidida em direção ao seu objeto de desejo – tomara que não seja seu dedão do pé! – que ninguém nem sabia qual era. Quando ele agarra, não solta jamais. Suas patas são, na verdade, como pinças, que ele usa para agarrar as presas e simbolizam sua grande tenacidade. O bicho vive tanto na superfície quanto embaixo da terra, onde faz buracos que são suas tocas. Ele pode ficar muito tempo sobre a terra, mas quando se sente ameaçado dispara para sua toca e fica lá isolado por um longo tempo, até se sentir seguro para subir à superfície de novo. Ele não sabe nadar, apenas anda no fundo de rios ou mares e precisa de água, de lugares úmidos para viver. Sua carapaça é super dura e resistente, para proteger uma carne macia e delicada. Assim como as serpentes, ele “troca de roupa” várias vezes ao longo da vida, pois conforme vai crescendo, a carapaça fica pequena e se quebra naturalmente, surgindo outra por baixo. Ele tem ainda umas anteninhas que usa para captar cheiros e sabores, tanto no ar quanto na água, uma ferramenta que pode ser muito útil à sobrevivência, já que o avisa de possíveis predadores ou presas. Várias partes do corpo são cobertas por cerdas que são sensíveis ao tato.

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Câncer – Astrologia Medieval Reprodução

Praticamente tudo o que se refere ao caranguejo se aplica ao signo de Câncer: ele vai atrás do que quer de forma indireta, e raramente deixa os outros saberem no que está realmente interessado, até mesmo para evitar competição e rivalidade. Então, quando menos se espera, ele faz um movimento lateral, mas decidido, agarra a presa e não solta – a TENACIDADE desse signo é famosa! Por causa disso Marte está em detrimento aqui, porque Marte gosta e precisa que as coisas sejam diretas e objetivas e com Câncer nada é direto. Da mesma forma que o crustáceo, quando se sente ameaçado, Câncer se tranca no seu refúgio – o lar, doce lar – bate a porta do quarto e não abre para ninguém, seja porque está irritado e magoado ou porque está receoso de algo. Suas MUDANÇAS DE HUMOR também são folclóricas – lembre-se, é regido pela Lua, que a cada dia está diferente! Normalmente apresenta uma couraça dura, uma aparência talvez até meio fria a princípio. Mas não se engane, essa casca grossa é na verdade para proteger a enorme VULNERABILIDADE EMOCIONAL e a profunda SENSIBILIDADE. Da mesma forma que o crustáceo, Câncer tem “antenas psíquicas” que captam variações no ambiente e que o fazem adequar suas respostas e reações ou simplesmente se proteger em caso de perigos – os signos de água geralmente têm essas antenas psíquicas. Como a água, ele também assume as formas das coisas que toca, apesar de ser Cardinal, tem uma capacidade grande de se adaptar, moldando-se com facilidade às necessidades daqueles que ama, sem perceber que, às vezes, se anula completamente, tentando ser o que o outro quer que ele seja. Os signos de água são muito difíceis de definir, de compreender completamente, sempre haverá uma parte INACESSÍVEL, mesmo ao mais íntimo dos amigos. É muito afeito a abraços e demonstrações abertas de AFETO e SENTIMENTOS, sejam eles alegres ou densos.

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Câncer – Vitrais da Catedral de Chartres – França Reprodução

Uma das grandes dificuldades de Câncer é o APEGO e a DEPENDÊNCIA EMOCIONAL que ele tem que combater vida afora e que o faz, eventualmente, apelar até mesmo para a chantagem emocional. Seus sentimentos abissais também podem ser esmagadores, o que o fazem entrar no MELODRAMA e ter dificuldade de se desapegar de coisas ou de pessoas – assim como o caranguejo, suas “pinças” psíquicas são super potentes, o que lhe dá uma grande tenacidade, para o bem ou para o mal.

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Cãncer – Guido Bonatti – Liber Astronomiae Reprodução

Super APEGADO à MÃE, ele precisa, em algum momento ao longo da vida, cortar o cordão umbilical para conseguir se desenvolver como individuo adulto, maduro e separado e conseguir ter autonomia e auto-suficiência, a exemplo de Capricórnio, seu oposto complementar. Sobre esse laço poderoso com a mãe é o que tratam os mitos de Câncer, que exploramos abaixo.

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Escaravelho – Reprodução

Câncer é visto como o grande cozinheiro do Zodíaco, mas será que é só isso? E quais são seus mitos? Novamente recorro a Liz Greene em A Astrologia do Destino (2) para falar destes mitos. Para ressaltar a fonte e os créditos deste texto, que é uma tradução livre e resumida do original, os parágrafos seguintes estão em itálico. Ela começa sua exploração da simbologia do signo por falar de uma das imagens mais arcaicas associadas com Câncer, que é a do escaravelho, um besouro que é símbolo de imortalidade – os egípcios o viam como um besouro empurrando uma bola de esterco e para eles o escaravelho era uma imagem da auto-criação, acreditava-se que ele surgia daquela bola de esterco – que é na verdade o meio adequado para que as larvas se desenvolvam. Os Caldeus diziam que através de Câncer os homens desciam das esferas celestiais para a encarnação, então chamavam ao signo de “O Portão dos Homens”. Alguns textos gregos antigos diziam que era Câncer e não Áries quem abria o Zodíaco, que era o signo primeiro da roda. “Isso está de acordo com a idéia que representa a primeira aparição da vida, a entrada do espírito num corpo físico. A cúspide da quarta casa, a casa natural de Câncer, tem sido associada com o fim da vida; aqui é vista também como o começo, pois este é o ponto do Sol à meia-noite, quando o velho dia morre e um novo dia nasce”, diz Liz Greene, sendo assim, é a própria semente e fonte da vida – o que liga o signo não só à Mãe, mas também ao Pai porque aqui não falamos apenas da saída do útero, mas da própria semente espiritual que fecunda o óvulo e que inicia a vida.

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A Grande Mãe – Escultura neolítica de Cuccurru – Museu nacional de Arqueologia – Cagliari – Itália – Reprodução

O caranguejo aparece num dos trabalhos de Hércules, aquele em que ele mata a Hidra de Lerna. Antes que ele conseguisse vencer a batalha, ele quase a perdeu porque Hera, a mulher de Zeus e sua antagonista – Ela odiava todos os filhos bastardos do marido – enviou um caranguejo, que  “mordeu” seus tornozelos e pés, quase fazendo-o perder a batalha. Mas Hércules conseguiu finalmente pisar nele e esmagá-lo. Para honrar a criatura, Hera o colocou nos céus como a constelação de Câncer. A ira de Hera, diz Liz Greene, não é só a ira da esposa traída que odeia a prole ilegítima do marido. É principalmente a ira do matriarcado contra o herói que ameaça suas regras. Este é um dos temas principais de Câncer, a batalha contra a mãe e A Mãe, a luta pra sair de seu abraço sufocante e debilitante, que tenta evitar que o filho cresça e se torne independente dela. Permanecer nos braços e no colo da mamãe é profundamente tentador, mas em ultima instância pode significar a morte psíquica porque o individuo nunca será inteiro, maduro e separado enquanto não se libertar desse poderio. A Grande Mãe arquetípica, por vezes, prefere destruir seu filho a permitir que ele escape de seu domínio. O caranguejo e a Hidra são aliados e o caranguejo usa das táticas indiretas, vindo por trás, ao invés de confrontar a Hercules abertamente – esse é um aspecto sombrio de Câncer, diz Greene, onde o parceiro abertamente oferece amor e suporte, enquanto secretamente tenta minar a autoconfiança do outro nos seus momentos de luta, exatamente para que ele não se torne independente. Então há duas dimensões de Câncer: a Mãe Terrível, que quer controlar a consciência do filho a todo custo, e o Pai Divino, que é a fonte da vida e a quem o herói deve aspirar para se livrar do domínio primitivo da mãe.

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Desconheço o Autor – Reprodução

Outra imagem citada por Greene é a Uroboros, a Grande Serprente Cósmica que come a própria cauda devorando a si mesma para depois dar à luz a si própria novamente. A Uroboros é um dos símbolos mais antigos da origem do homem e do universo, o elemento criativo primal, o oceano do inconsciente coletivo, como disse Jung. Câncer, pois, representa esse útero materno, que traz a união do masculino e feminino, a fonte eterna de vida e da criação. Greene diz que o clássico “Complexo de mãe” associado a Câncer, não se refere necessariamente à mãe biológica, embora ela possa ser um gancho adequado da projeção da Mãe Arquetípica. Esse complexo faz a pessoa buscar, vida afora, a imagem da mãe em parceiros afetivos, buscando alguém que “cuide” dela como a mãe, ou ao contrário, procurando alguém para cuidar,  pra ser seu “bebê”. Obviamente isso não é um complexo consciente, senão não seria um complexo.

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A Uroboros – A Serpente Cósmica Geradora da Vida Reprodução

Tiamat, a serpente-monstro da mitologia Babilônica também é parte da mitologia de Câncer. Ela teve muitos filhos e começou a devorá-los, mas seu filho Marduk, um deus de fogo e herói solar, a matou antes, repetindo o tema do filho que precisa “matar”  (psiquicamente) a mãe para poder se individualizar.

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Monstro de Sete Cabeças – tido como sendo Tiamat e Marduk Reprodução

Uma outra imagem associada a Câncer é a da Parteira, aquela que ajuda a trazer vida nova ao mundo, que funciona como portal, que media a chegada da nova vida. Assim, artistas de áreas diversas funcionam também como “parteiras” ao trazerem à vida as imagens informes dos reinos oceânicos, que anseiam para serem manifestas, seja na forma de uma criança, seja na forma de uma composição ou obra de arte.

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Kate Lacour – Reprodução katelacourart.tumblr.com

Há muitos outros mitos e imagens que falam deste signo e de sua qualidade primal, além de sua infinita criatividade, que muitas vezes se manifesta de forma mais óbvia apenas no desejo da maternidade ou paternidade. Porém nosso objetivo não é esgotar essas imagens e mitos, apenas trazer presente os temas básicos do signo. Greene diz que “a imagem da Grande Mãe ou Grande Deusa permanece como uma força das mais poderosas vida afora na trajetória do Canceriano. E esse laço super-poderoso pode paralisar tanto homens quanto mulheres e os amarra de tal maneira que o potencial individual é afogado. O lado luminoso é o potencial de mediar, como a parteira, as imagens do inconsciente. A questão da separação é um rito de passagem dos mais importantes para Câncer e tem que ser feito, sob pena de o filho permanecer para sempre um infante preso ao poder da Mãe. Como o caranguejo, que tem que ficar perto tanto da água quanto da terra, Câncer é levado a ancorar-se no mundo concreto com um pé eternamente na água, assim, ele pode finalmente se tornar o útero através do qual as crianças do mar podem nascer.”

Os Arquétipos e figuras de Câncer são:

A Mãe e o filho, O Bebê, A Parteira, O Cozinheiro, O Poeta, O Nutricionista, O Lunático, A Grande Mãe

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Damon Hellandbrand – Cancer – Reprodução

A Sombra de Câncer está ligada, primeiramente, ao signo oposto, Capricórnio. Câncer precisa aprender com a Cabra, como ser independente e autossuficiente, como desenvolver maturidade emocional e como se responsabilizar por si mesmo sem esperar que os outros tomem conta dele. Quando muito negativo Câncer pode se endurecer mais do que Capricórnio e negar os próprios sentimentos, para se defender deles. Outra parte da Sombra deste signo, você adivinhou, tem a ver com os jogos de manipulação a que ele recorre para evitar separações, para manter o objeto de sua dependência por perto. Liz Greene (4) lembra que ele às vezes expressa verbalmente parte dessa sombra, sem se dar conta, ao dizer que “é melhor que algumas coisas não sejam ditas”. Mas, diz ela, não é que ele seja cego, porque ele é muito bom em ler as subcorrentes.

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Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender – Cancer – Reprodução

De acordo com Greene, outra faceta surge no criticismo destrutivo, aquele que vem disfarçado de elogio e que se for confrontado, será negado veementemente: “Imagina, jamais quis dizer isso!” Sim, ele não quis dizer, mas disse! Inconscientemente ele realmente acha tudo o que verbalizou. O lado luminoso é compassivo, sensível, gentil, cuidadoso… Mas por dentro ferve muito ressentimento por tudo o que ele vem fazendo por você e por todos os outros, todos os sacrifícios e tudo o que ele fez e deu a você, sem nenhum reconhecimento e=ou retorno! Com o tempo esse ressentimento vira aquele criticismo destrutivo, a ofensa disfarçada de cuidado. Sim, como diz Greene, esta Sombra pode ser fria, gélida, cruel, dura e implacável, mais do que qualquer Capricorniano poderia sonhar. E o que ele pode fazer para trabalhar isso é não se sacrificar tanto, não fazer tanto, especialmente quando ninguém pediu nada! Na sua ânsia de ser necessário ele faz demais, assim outros ficam lhe devendo afeto, companhia, o que seja…

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Jacob Jordans – Cancer – Reprodução

Por último, Greene adiciona a mania de repetir informações sem checar as fontes ou a veracidade dos fatos, e quando manifestando essa faceta negativa, torna-se um fofoqueiro mais maldoso do que o Geminiano, porque por trás do “dizem que”, “ouvi dizer”, “falam por aí”, há muito veneno destilado e novamente o preconceito, que ele compartilha com Touro, e que, por sua vez, nasce do medo do novo, do desconhecido e do que é de fora, estrangeiro… Isso tudo é uma estratégia de defesa e auto-proteção. Como toda sombra, ele não está ciente dela e ela vaza em momentos de distração. A melhor forma de lidar com a sombra é confrontá-la, se possível, gentilmente porque a pessoa objeto de tais indiretas e manipulações aos poucos vai também ficando ressentida e envenenada e se isso não for ventilado e trabalhado honestamente dentro da relação, este relacionamento está fadado a morrer. Mas às vezes, diz Liz, o melhor mesmo é ignorar. Cada situação é única e as pessoas vivendo o enredo é que sabem qual a melhor atitude a tomar.

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Câncer – Johfra Bosschart Reprodução

Meditação para Câncer

Essa meditação é tirada de um livro de Elisabeth Broke. Faça-a num lugar onde não vá ser perturbado por pelo menos 20 minutos. Deite-se no chão de forma confortável e solte qualquer peça de roupa que esteja apertada. Respire profundamente várias vezes e se auto-induza a um relaxamento. Relaxe corpo e mente. Volte sua atenção para dentro de você mesmo. Afunde dentro de você mesmo…  Mais fundo, mais fundo… Veja-se como você era dez anos atrás… Visualize as roupas, o corte de cabelo, o que estava fazendo então naquele momento da vida… Tenha uma imagem bem vívida de você mesmo nessa época. Então, volte mais dez anos e repita o processo… Tome tempo para realmente SENTIR essa idade… Vá voltando de dez em dez anos, repetindo o processo, até chegar ao ponto em que era um bebê nos braços da sua mãe. Olhe nos olhos dela, sinta o amor profundo da sua mãe por você. Deixe seu olhar doce banhá-lo inteiro e inebrie-se com esse sentimento… Sinta se há algo que você gostaria de dizer a ela, e diga, de forma extremamente respeitosa e reverente. Agora volte mais um pouco, até o útero, quando você era um com sua mãe. Sinta-se nadando nas águas do útero, no líquido amniótico. Escute, há um tambor batendo, bum-bum! Bum-bum! Bum-bum! Que ruído é esse? Escute atentamente, é o coração da sua mãe, batendo em uníssono com o seu! Sinta o que ela está sentindo. Ela está feliz, preocupada, nervosa? Por que? Consegue compreender agora por que ela agiu como agiu tantas vezes? Sinta-se novamente envolto pelas águas e apenas aproveite esse idílio e essa união perfeita, esse momento de paraíso! Agradeça à sua mãe (e junto, a seu pai) pela vida que ela lhe deu, agradeça profundamente. Gradativamente vá voltando ao presente. Se achar dificuldade pra voltar, faça o caminho inverso: visualize-se quando bebê, depois aos 10 anos, depois aos 20, etc. Até chegar à sua vida atual, ao seu quarto. Respire fundo e sinta seu corpo. Abra os olhos e escreva suas impressões. (3) Se quiser pode escrever uma poesia, desenhar, pintar, compor uma canção…

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www.envuelorasante.com – Reprodução

Música para CÂNCER

Amanhã é dia de LEÃO!

Fontes:

(1) Edna Andrade, em Festas Cristãs

(2) Liz Greene – A Astrologia do Destino

(3) Liz Greene – Astrology for Lovers

(4) Meditação retirada de A Woman’s Book of Shadows – Elisabeth Broke

(5) Sue Tompkins – The Astrologer’s handbook

As 12 Noites Sagradas – PEIXES e a Saudade da Unidade

PEIXESHoje dedicamos o dia e a noite a PEIXES.

A jornada idealizada e proposta por Rudolf Steiner é aberta exatamente por Peixes e segue de trás para frente. Edna Andrade, no site Festas Cristãs (1) fala sobre isso: “A sabedoria antiga nos conta que foram as forças espirituais de Peixes que configuraram os pés humanos – regidos por Peixes. Quando observamos os pés verificamos que eles são formados em forma de uma abobada que vai propiciar, simultaneamente com a verticalização da coluna, o andar ereto, primeiro grande aprendizado da vida. Quando criança nos arrastamos, engatinhamos e finalmente nos erguemos e nos apoiamos nos nossos próprios pés superando as forças da gravidade, significando isto uma grande conquista e a condição para o desenvolvimento do pensamento, sendo o pensar o que diferencia o Humano dos outros reinos da natureza”.

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Salvador Dali – Peixes – Reprodução

Ao longo da vida seguidamente fazemos uma analogia íntima com este fato: ‘andar nos meus próprios pés, saber por onde ando, seguir os meus próprios passos, não vou andar nos passos de ninguém’. São expressões que exprimem uma correta relação com a terra e com o destino em termos de liberdade pessoal.” (1)

De Peixes recebemos “os impulsos para nos firmarmos nos próprios pés e nos erguermos, condições básicas para alcançar a liberdade individual, meta à qual nos destinamos como seres individualizados”.

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Peixes – Vitrais da Catedral de Chartres França

Em PEIXES chega-se ao fim do ciclo zodiacal e encerra-se o escopo arquetípico da experiência humana. Por isso se diz que Peixes, de certa forma, é a síntese de todos os outros signos. Por ser tão inclusivo e abarcar tanto dos outros, é muito difícil definí-lo. É um signo extremamente impessoal, em que o Ego, que levou os outros 11 signos para se definir, agora busca sua dissolução completa. Mas por ser o último, também é o primeiro, é o material e a promessa de onde nasce o novo ciclo e a Casa 12 no mapa natal, a casa natural de Peixes, é considerada a casa pré-natal, porque é a casa imediatamente anterior ao Ascendente, que marca o arquétipo do parto.

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Peixes – coleção antiga – Reprodução

Signo de ÁGUA MUTÁVEL, NEGATIVO, FEMININO, PASSIVO, YIN, Peixes absorve as influências do ambiente com facilidade, assim como a água, que se mistura a tudo o que toca e está sempre mudando de forma conforme o recipiente que a contém. Pessoas com grande ênfase em Peixes são como “ESPONJAS PSÍQUICAS”, diz Clare Martin: “Se alguém deprimido ou zangado entra na sala, o Pisciano pode facilmente começar a se sentir deprimido, zangado ou infeliz, sem saber porquê. Se essa capacidade para a fusão simbiótica é conscientemente reconhecida e aproveitada, pode ser um dom extremamente útil nas profissões de AJUDA e de CURA”. (2) Peixes não julga e sua compaixão e altruísmo imensos podem ser dirigidas a qualquer coisa ou pessoa que precise.

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Atlas Coelestis – Reprodução

Porém, quando não vivenciadas conscientemente, essas qualidades podem causar problemas, porque a pessoa tem dificuldade em estabelecer limites saudáveis entre seus conteúdos e os dos outros, ou até mesmo em separar realidade do que percebe de outras dimensões e esferas.  Ele é INCLUSIVO, porque não percebe barreiras entre as pessoas e é ABSORVENTE de tudo o que “boia” ao redor e por isso mesmo, pode ser muito influenciável pelas correntes invisíveis na atmosfera, sendo necessário que aprenda a erigir limites e barreiras que o protejam da invasão exterior ou mesmo de se misturar excessivamente com os conteúdos alheios. Peixes é famoso por sua SENSITIVIDADE e MEDIUNIDADE, e muitos, ao não entender, ou não conseguir lidar com isso, bloqueiam esse dom cedo na vida, tornando-se CÉTICOS depois – falamos deles mais abaixo.

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Birth Chart Paiting

E por que ele é tão inclusivo? Porque para Peixes não existe melhor ou pior, superior ou inferior, tudo são condições transitórias, ditadas pela impermanência e pelo estágio de evolução particular de cada um, por isso Peixes não julga nem separa e para este signo tanto faz se a pessoa é prostituta, pobre, presidente da empresa ou do país, um mendigo na rua, um adicto, um louco ou deficiente mental, uma pessoa comum, um trabalhador, uma criança ou um velho, negro ou branco… Todos são iguais, assim como todos eram iguais para o Cristo. Em sua compaixão ele não vê separação ou diferença porque, afinal, todos viemos da mesma fonte e para lá voltaremos um dia. Somo todos partes do mesmo todo, interconectados, interdependentes numa rede infinita que liga todas as formas de vida e de energia. Essa tendência a abraçar e incluir a tudo e a todos frequentemente o coloca em confusão e o torna influenciável, muitas vezes CRÉDULO e IMPRESSIONÁVEL, podendo ser uma presa fácil para espertalhões, porque toda essa inclusão o torna também muito IDEALISTA e incapaz de perceber as pessoas pelo que elas realmente são, na sua versão humana mais primitiva. Vê o mundo sob lentes cor-de-rosa e é claro, quando se é muito idealista, está-se fadado a decepções e desapontamentos.

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O Louco – Arcano do Tarô

Peixes é o signo menos “mundano” de todos e aquele que tem o senso mais frágil de “self”, de si mesmo e até de ego, porque em primeiro lugar, ele nem mesmo queria estar encarnado! A experiência da encarnação na matéria é extremamente dura e difícil para Peixes, mais do que para qualquer outro signo. Ele é de outro mundo, de outra dimensão, de outra galáxia. Ele vem de um mundo onde tudo é perfeito, onde não há separação, doença, morte, onde tudo é belo, tudo é unidade e amor, onde o universo respira em uníssono. E quando se vem de um tal mundo perfeito, a experiência humana é realmente dolorosa e sem muito sentido, por isso Peixes odeia a sordidez e a mesquinhez da vida mundana, das contas a pagar, do emprego, da competição desenfreada, da miséria e escassez de amor que muitas vezes personifica a vida na terra. Estar encarnado num corpo para Peixes é pesado demais e por isso mesmo é um dos signos que mais tem propensão para adicções porque através delas ele tentar voltar para o Paraíso Perdido do Éden, da Unidade com o Pai e a Fonte da Vida.

ce47a332af018b21f585d2a1860376b2Dizem que o rio sente saudades do mar, assim como a alma sente saudades de Deus, da Unidade. E Peixes é o signo onde essa saudade é mais aguda e mais doída. Essa nostalgia e essa saudade de algo indefinido e inominável é a saudade do Inefável, mas que Peixes leva uma vida inteira para reconhecer. Neste anseio e nesta fome, ele vai pela vida tentando encontrar o objeto da sua saudade em coisas, pessoas, situações, em vão. Daí desenvolvem-se as adicções de todo o tipo. Outros talvez busquem em caminhos menos tortuosos, pela arte ou pelo misticismo. Outros ainda, sem um ego forte o bastante que suporte e contenha as forças do Inconsciente, simplesmente sucumbem a ele e entram em estados de psicose. E ainda tem os que, ao perceber o mundo de imperfeição em que caíram, emprestam seus dons para ajudar e curar, porque sua grande compaixão e altruísmo demandam que façam algo concreto para minimizar o sofrimento e essa imperfeição que vêem no mundo, são os curadores e os servidores. Assim, o drogado, o alcoólatra o louco, o místico, o artista, o curador… Todos estão buscando a mesma coisa, só que de formas diferentes: todos estão tentando ESCAPAR da miséria humana, todos buscam voltar a Deus, retornar à fonte, mas alguns o fazem de maneira muito destrutiva. Isabel Hickey, astróloga americana dizia a respeito de indivíduos com fortes posicionamentos em Peixes ou na casa 12: “Ou sirva ou sofra!”. E assim é. Peixes é o grande mártir do Zodíaco, porque capta o sofrimento de toda a humanidade e os vivencia, tornando-se, muitas vezes, o paciente identificado, a vítima ou a ovelha sacrificial. Ou ele se identifica com o salvador ou com a vítima, ou com o Redentor ou com o redimido.

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Reprodução

Mas claro, há o Peixes cético. Aquele que, ao ser confrontado com os limites tênues da “realidade” e perceber outras realidades espirituais, algumas delas absurdamente assustadoras, erigiu defesas extremamente eficientes contra os poderes do inconsciente, contra as forças irracionais e incompreensíveis que ele não controlava e foi para o extremo oposto da ultra-racionalidade, negando suas percepções e dons, abafando-os completamente até que eles se extinguiram ou viraram apenas uma lembrança borrada de um passado distante. Esse tipo de Peixes costuma se dar muito bem nos meios acadêmicos que endeusam a lógica e a razão, ele se sobressai nos mercados financeiros, porque inconscientemente usa seu feeling para intuir o caminho certo. Mas ele não acredita em nada. Ele nega veementemente que sinta coisas diferentes. E costuma ter insônia. E se dorme, jamais sonha. Tudo como parte de um elaborado e super eficiente sistema de defesa. Mas um dia ele terá que se render. O Inconsciente encontrará maneiras de minar essa barragem e então o dilúvio e a inundação virão. É quando o indivíduo se encontra muito infeliz na sua vida super ajustada, mas completamente árida e sem sentido – então ele terá que voltar aos braços da Grande Mãe e fazer as pazes com ela e com tudo o que ela representa.

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Júpiter, regente tradicional de Peixes – Maria Eunice Sousa

Devido a tudo isso Peixes geralmente evita se comprometer. São indivíduos extremamente ELUSIVOS, como elusivo é Netuno, seu co-regente. São INDEFINÍVEIS, como indefinível é o grande mar. Sue Tompkins cita Richard Idemon em seu livro The Astrologer’s Handbook, que dá uma definição sobre Peixes: “Não eu, Não aqui, Não agora” (3). Não é perfeito? Ele não quer ser, nem quer estar, não está aqui, nem lá. Quando? Não sei, um dia, talvez…

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Reprodução

E quais os mitos de Peixes? São muitos, mas invariavelmente envolvem uma mãe e seu filho redentor. Os parágrafos a seguir são uma tradução livre e resumida de parte do texto sobre Peixes, do livro A Astrologia do Dsstino, de Liz Greene, no capítulo Mith and Zodiac (4), que coloco em itálico para destacar a fonte:

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O Infante Tammuz – Reprodução

Como ocorre com os demais signos, há muitos mitos, antigos e variados, relacionados a Peixes, alguns deles bem mais antigos do que os mitos gregos. Invariavelmente esses mitos nos levam ao arquétipo da Grande Mãe, de onde tudo nasce e para onde tudo retorna. Há muitas versões, em culturas diferentes, da estória de dois peixes celestiais, associados com o culto da deusa Atargatis, que também está conectada ao signo de Virgem, oposto complementar de Peixes. Seus templos tinham piscinas onde nadavam peixes sagrados, que só podiam ser tocados ou comidos ritualisticamente. Atagartis tinha um filho chamado Ichtis, que era, ele mesmo, um peixe e que depois evoluiu para Ea, a cabra-peixe que encontramos em Capricórnio. Outras versões desse par são Ishtar e Tamuz, Cibele e Átis, Afrodite e Adônis. O mito babilônico conta que um ovo gigante foi encontrado no Eufrates por dois peixes, que o empurraram para a terra, onde uma pomba pousou sobre ele. Deste ovo surgiu Atagartis, que honrou os peixes colocando-os nos céus. Na versão grega do mito, Afrodite e seu filho Eros fugiam do monstro Tifão disfarçados como peixes, ou teriam sido salvos por eles e foram também honrados pela gentileza sendo colocados nos céus como constelação. Os peixes geralmente aparecem amarrados juntos e jamais se separam, embora aparentemente pareçam nadar em direções opostas. Um dos peixes é a Grande Mãe, a deusa da fertilidade que representa a origem de toda a vida. “Ela é devoradora, lasciva e destrutiva, o mundo primordial dos instintos. Ele é o Redentor, ichtis, o Cristo. Estão unidos pra sempre e não podem fugir um do outro. Ele é tanto o filho como o amante, e deve ser sacrificado ritualisticamente, ano a ano. O filho é desmembrado e morto pela própria mãe ou por um dos seus animais totens: um lobo, uma serpente monstro, um javali. Depois ressuscita. As sereias são associações consequentes dessas deusas-peixe, e assim como a Grande Mãe-Amante, seu apelo e canto são irresistíveis, porque não são desse mundo, falam de imagens etéreas e oníricas. No capítulo sobre Peixes Liz Greene cita Jung:

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The awakenig of Adonis – John William Waterhouse Reprodução

“As Grandes Mães mitológicas são geralmente um grande perigo para seus filhos. Jeremias menciona a representação de um peixe numa lâmpada cristã, que traz um peixe devorando outro. O nome da maior estrela da constelação conhecida como Peixes do Sul, Formalhaut, que é ‘a boca do peixe’ – pode ser interpretada neste sentido, justamente como no simbolismo, toda forma de concupiscência devoradora é atribuída aos peixes, que são tidos como ‘ambiciosos, libidinosos, vorazes, lascivos, avaros – em suma, um emblema da vaidade do mundo e dos prazeres terrenos (voluptas terrena). Eles devem essas más qualidades ao relacionamento com a mãe e deusa do amor, Ishtar, Atagartis e Afrodite. Não por acaso, Vênus tem sua exaltação em Peixes.” (4)

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O Peixe como Símbolo Cristão

A associação chega à era Cristã e temos a Virgem Mãe e o Cristo, que tem o peixe como um de seus símbolos principais e que disse aos discípulos que os faria “pescadores de homens”, enquanto os Evangelhos estão cheios de referências a peixes e pescadores. O próprio Cristo é desmembrado e ritualisticamente comido na Eucaristia, seu sangue bebido pelos fiéis. O tema da vítima e do redentor é muito caro a Peixes, que pode vivenciá-lo num extremo ou outro da polaridade, já que são duas face da mesma moeda. Nenhum outro signo se presta tanto ao papel de vítima sofredora e perdida, como também nenhum outro é tão genuinamente altruísta e compassivo pelo sofrimento alheio.

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Reprodução

Outra figura mítica associada com Peixes é Dionísio, o deus da dissolução, do vinho e dos cultos orgiásticos. Dionísio aparece como filho de Demeter, outras vezes como filho de Perséfone. Mas a versão mais comum é que era filho de Zeus com Semele, filha do Rei Cadmos de Tebas. Hera, ciumenta ao extremo, aparece para a jovem ingênua disfarçada de velha e a convence a exigir que Zeus aparecesse para ela em toda a sua força e glória. Sem perceber que isso a destruiria, Semele faz Zeus prometer que atenderia a qualquer um de seus pedidos e preso pela promessa, é obrigada a aparecer para ela tal qual era, como Raio e Trovão, no que a jovem é instantaneamente fulminada. Semele estava grávida de Dionísio e Hermes conseguiu salvá-lo e costurou-o na coxa de Zeus, por isso ele era chamado “nascido duas vezes”.

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Dionísio – Reprodução

Ele era um macho nascido de outro macho, mas era um deus extremamente feminino, um deus das mulheres, geralmente retratado com feições femininas e jovens. Hera o odiava, como fazia com todos os filhos bastardos de seu marido. Hera o perseguia constantemente e ordenou que os Titãs o pegassem e rasgassem em pedaços, que foram cozidos num caldeirão. Uma árvore de romã nasceu no lugar onde seu sangue caiu. Porém sua avó, Rhea, o salvou e o trouxe de volta à vida. Ele cresceu escondido, mas de novo Hera o encontrou e o tornou louco. Louco, ele saiu pelo mundo acompanhado pelo seu tutor Silenos (um sátiro) e pelo séquito de selvagens mênades. Era um deus dissoluto e onde ele passava as mulheres enlouqueciam e o seguiam. Um dia ele chegou a Tebas, a terra de sua mãe. O então Rei de Tebas, Penteus, não gostou nada da idéia de ter aquele deus dissoluto em suas terras e mandou prendê-lo e a seus acompanhantes. Dionísio fez o rei ficar louco e achou que tinha prendido um boi ao invés do deus. As mênades escaparam e desapareceram nas montanhas, onde rasgavam animais e destruíam tudo o que viam pela frente. A própria mãe do Rei Penteus liderava o grupo de mênades, completamente enlouquecida, e, quando o rei tentou pará-las, elas o desmembraram totalmente, empalando sua cabeça e fixando-a nas montanhas. A grande ironia é que o rei teve o mesmo fim trágico do deus que ele se recusou a receber.

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O suplício de Penteo – Reprodução

Esse é um mundo muito próximo para os piscianos: o êxtase orgiástico, a loucura mística que pode ser encontrada tanto no mosteiro, quando através das drogas ou da própria insanidade. O impulso que faz o artista compor verdadeiras obras-primas, seja na música ou nas belas artes é o mesmo que torna outros terrivelmente autodestrutivos, a se afundarem na dissolução das drogas ou do álcool; outros podem, de fato, sucumbir ao poderio imenso do inconsciente e resvalar na loucura, enquanto outros ainda vão vivenciar isso numa religiosidade profunda e mística, como foi a vida de muitos santos, uma entrega completa ao divino e à Grande Mãe. Não é à toa que vemos tantos Piscianos se refugiarem num intelectualismo estéril, porém seguro, encastelando-se na mente o no mundo racional, uma tentativa de fugir desse impulso primitivo de vida, mas que pode ser muito destrutivo. Nos mitos, cada figura representa uma faceta do mesmo tema, assim, Peixes é, a um só tempo, Dionísio, as mênades, Zeus, Hera, e até o próprio Rei Penteus, que o rejeita.

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Símbolo de Netuno – Regente de Peixes Maria Eunice Sousa

Mas, como já dissemos, acontece que Peixes não é desse mundo. Ele está ainda muito próximo à fonte divina, onde tudo é uno, onde tudo é Unidade. Para lá ele almeja voltar e por isso essa destrutividade e o impulso de morte. Há uma saudade indefinida e um desgosto pela realidade da carne e das contas a pagar no dia a dia, porque ele preferia estar em outra dimensão menos densa e menos pesada. Por isso é constantemente acusado de ser aéreo e distraído. “A carne pode ser uma prisão e uma devoradora do espírito, mas o espírito, da mesma forma, é não só o redentor, mas um devorador da carne”. Em Peixes é onde essa dicotomia corpo-espírito é mais desconfortável e a adicção a drogas e substancias é nada mais que uma tentativa de desmembrar esse corpo-prisão e voltar para os braços da Grande-Mãe-Amante. Porem, o destino de Peixes é mediar esse mundo, sem sucumbir a ele de forma destrutiva e sem repudiá-lo, o que é igualmente perigoso. Muitos grandes artistas – e cientistas, como Einstein! – conseguiram e no processo premiaram a humanidade com obras-primas magistrais – o que não quer dizer que tenha sido fácil para eles, ou simples – que o diga Bach, que tinha quatro planetas em Peixes, incluindo a Lua conjunta a Netuno. A proximidade com este mundo aquático é perigosa, mas muito frutífera, já que dá acesso a conteúdos universais e a uma infinita criatividade só igualável com a própria fecundidade da vida. Mas para isso é preciso ter um ego forte e bem estruturado que possa ser capaz de mediar imagens e conteúdos tão poderosos sem se destruir no processo. Isso pode ser feito por diversos canais: música, artes, profissões de cura e ajuda, religiosidade, serviço… Também há que se permanecer atento à tentação da identificação messiânica, de ser redentor ou vítima; de oferecer-se em libação ou de recusar a vivência dos sentimentos e a intermediação desses conteúdos de uma vez. Achar o caminho do meio nunca é fácil, mas é o que precisa ser feito.

As figuras arquetípicas ligadas a Peixes são:

O Salvador, O Redentor, A Vítima, O Curador, O Sonhador, O Artista, O Místico, O Religioso, O Santo, O Dissoluto, O Alcóolatra, O Louco

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As Mênades – Gustav Doré – Reprodução

Peixes, como já foi dito, tem grande sensitividade e habilidade psíquica. Mas às vezes é difícil lidar com estes dons, especialmente na primeira parte da vida, quando os conteúdos podem ser assombrosos. Para mediar e nos ajudar a lidar com tal dom, podemos invocar nosso Guia Interior, e a ele que vamos encontrar na meditação de hoje, que pego emprestada de Elizabeth Broke, do livro A Woman’s Book of Shadows (4):

MEDITAÇÃO PARA PEIXES

Primeiro, concentre-se nas imagens simbólicas de Peixes. Deixe que conversem com você! Observe-as sem pressa. Em seguida, contemple o sentido desta frase: Eu deixo a casa do Pai e, voltando atrás, eu salvo. E a Palavra disse: Ide encarnar na matéria. (5)

Deite-se no chão; faça-se confortável e solte qualquer peça de roupa que esteja apertada ou incomodando. Deixe que o chão segure seu peso e respire fundo algumas vezes para liberar tensões no corpo… Imagine que está num prado verdejante, num dia quente de verão, Olhe as plantas crescendo ao seu redor, sinta a brisa suave na sua pele. Ali perto há um portão. Caminhe para o portão e passe pra o outro lado… Do outro lado há um caminho. Olhe para o caminho e decida se você quer seguí-lo. Se você decidir seguir o caminho, comece a caminhar. Ele vai subindo gentilmente, contornando uma montanha. Enquanto caminha observe o que há ao seu redor: plantas, árvores, animais, como é o ar e a atmosfera… Conforme você sobre o sol ainda brilha, caminhe no seu próprio ritmo. Conforme avança, você percebe que o ar fica mais claro, mais refinado e que há, ao longe, um eco de música… Quanto mais avança, mais alta a música se torna, é como o gotejar de água numa fonte… finalmente você chega ao cume. Você passa sob um arco e chega ao pátio de um templo, que tem uma fonte ao centro. Você pára para descansar na fonte… Quando faz isso, você se torna consciente de uma figura que vem em sua direção… Este é o seu guia. Saúde-o e escute o que ele tem a lhe dizer. Você pode perguntar a ele/ela qualquer pergunta que queira… Leve o tempo que for necessário para conhecê-lo/a… (permita que a imagem evolua e se desenvolva sem esforço mental da sua parte). Então perceba que é hora de ir embora… Seu guia lhe dará um presente de despedida e confirmará que você pode voltar quando quiser… Devagar, faça o caminho de volta descendo a montanha, trazendo seu presente, volte ao prado inicial. Então abra os olhos e volte pra onde estava inicialmente. Escreva sua experiência. Você pode optar por ouvir música, tocar um instrumento (se for o caso), escrever poesia… Guarde o presente com você, ele será um talismã que lhe dará conforto quando você se sentir desenraizado/a na vida. Este guia é um Mestre Interior que poderá ser consultado sempre que você precisar de ajuda ou clareza sobre qualquer assunto ou questão. Quanto mais você o/a visitar, mais profunda será a relação com ele/ela, Ele/ela poderá lhe ajudar com questões práticas ou com assuntos espirituais profundos e esotéricos.

Música para Peixes:

Osvaldo Montenegro – Aos Filhos de Peixes

 

Zeca Baleiro – Brigitte Bardot

Peixes Voadores – Álcool, Carne e Rock’Roll

Zeca Baleiro – Minha casa

Mariana Aydar – Peixes

Daft Punk – Lose Yourself to Dance

Cat Power – Sea of Love

Mika – One foot boy

Guillemots – Sea out

Faça suas sugestões! que músicas você acha que traduzem Peixes?

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Peixes – Johfra Bosschart – Reprodução

Amanhã será o dia/noite de Áries. Conecte-se com essa energia desde cedo e observe como o seu dia se desdobra.

Programação das 12 Noites Sagradas:

 

26/12 – Capricórnio

27/12 – Aquário

28/12 – Peixes

29/12 – Áries

30/12 – Touro

31/12 – Gêmeos

01/01 – Câncer

02/01 – Leão

03/01 – Virgem

04/01 – Libra

05/01 – Escorpião

06/01 – Sagitário

(1) Edna Andrade, Festas Cristãs 

(2) Clare Martin – Mapping the Psyche

(3) Sue Tompkins – The Astrologer’s handbook

(4) Liz Greene – A Astrologia do Destino

(5) Elizabeth Broke – A woman’s Book of Shadows

(6) Alice Bailey ‘Esoteric Astrology’, Lucis Press 1951, p. 653

 

As 12 Noites Sagradas: CAPRICÓRNIO e a Encarnação na Matéria

capricComeçamos nossa jornada com o signo de Capricórnio, porque seus temas são os temas do Cristo, a encarnação na matéria, numa experiência terrena e a posterior crucificação, obedecendo à vontade do Pai. Também porque é o signo vigente nos meses de dezembro e janeiro e um signo cardinal, que tem a energia do início. (Para entender o que são as 12 Noites Sagradas, clique aqui).

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Desconheço o autor – Reprodução

A Professora Edna Andrade diz sobre esta noite: “cai a noite e uma nova luz brilha no céu irradiando do signo de Capricórnio o degrau nesta escada espiritual e deste portal emanam para nós as forças espirituais dos Arcanjos. Os Arcanjos são denominados seres da luz. Rudolf Steiner os descreve na Ciência Oculta como aqueles seres que durante a evolução acordaram ao enxergar o seu próprio reflexo no exterior. Quando eles doaram sua própria essência esta sua essência era a própria luz que irradiou para os quatro cantos do universo. A luz dos arcanjos é representada hoje em nós pela nossa inteligência que irradia para o meio ambiente e torna consciente para nós mesmos e para o mundo a nossa própria existência.”

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Desconheço o autor – Reprodução

“Os arcanjos se tornaram na evolução guardiões da inteligência cósmica com a missão de proteger o amor divino contido nesta inteligência que criou e transformou tudo em sabedoria para o bem de todos “.

“Nesta Noite Santa recebemos através do Portal da Constelação de Capricórnio os impulsos dos Arcanjos para o fortalecimento da nossa personalidade através da expansão da luz e autonomia da nossa inteligência”. (1)

Para começar nossa reflexão sobre Capricórnio, exploramos um pouco a psicologia, os mitos e associações deste signo, além das imagens, e depois fazemos uma meditação. Conforme disse no primeiro post, não montei um roteiro fixo e a experiência vai se fazendo conforme formos caminhando juntos.

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Reprodução

Capricórnio é signo de TERRA CARDINAL. É FEMININO, NEGATIVO, PASSIVO, YIN. É o signo da Cabra ou Cabrito, o animal que sobrevive em regiões inóspitas, pedregosas, montanhosas – é a Terra mais densa, na forma cristalizada da rocha e da pedra. A montanha, aliás, é um de seus símbolos, pois representa exatamente o topo do mundo, o lugar aonde a cabra deve chegar, devagar e sempre. A montanha é também uma analogia que usamos para falar da Casa 10, a casa natural de Capricórnio no mapa astrológico e representa o ponto mais alto deste mapa, a culminação da experiência mundana, daí suas associações com a carreira, status, papel social e imagem no mundo.

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Reprodução

Orientado para a hierarquia, a missão principal de Capricórnio é desenvolver autoridade, até que se torne uma ele próprio. Nesse processo do desenvolvimento da autoridade ele vai se definindo e descobrindo seu papel na sociedade, estabelecendo fundações e estruturas que durem e resistam ao tempo. Regido por Saturno, tem temperamento estoico e tem poucas ilusões a respeito da vida, sabendo desde cedo que o trabalho é sua jornada básica. “Não existe almoço grátis”, diz a cabra, sem ilusões, já preparada para enfrentar a vida como ela é, sem fantasias do que poderia ser, sem ficar devaneando “e se…”. “E se” for possível, a cabra vai atrás, simplesmente, não vai ficar matutando. Ou vai ou não vai, não perde tempo com “inutilidades”, até porque, para a Cabra, mais do que para qualquer outro signo, Tempo é dinheiro, e mais do que isso, é moeda preciosa e rara que não deve ser desperdiçada com tolices e sonhos vãos e inalcançáveis. Se é possível escalar a montanha, então ela o fará, decidida e determinadamente, com um planejamento estratégico de longo prazo, com calma e perseverança, sem jamais desistir. Que montanha e essa que ela tanto quer escalar? Ora, a Montanha do Sucesso, da autoridade, da hierarquia, do poder, da presidência da empresa, da presidência de qualquer entidade que seja símbolo de poder temporal ou mundano.

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Iconografia medieval – Wikimedia Commons Reprodução

Sue Tompkins (2), astróloga inglesa, nos lembra que Capricórnio provê e simboliza o tecido, a estrutura e a espinha dorsal da sociedade, por isso fica muito à vontade com o Poder Estabelecido e defende o STATUS QUO com unhas e dentes porque os valores da tradição, da moral e dos bons costumes são os valores que norteiam e dão sentido à vida. Sim, a Cabra é extremamente conservadora e vai sempre defender a manutenção das coisas como elas são, optando por aquilo que já foi testado e que resistiu ao tempo. Assim, Capricórnio aprecia coisas de grande valor monetário e de indiscutível aceitação e aprovação social. Coisas em que se pode investir sem medo, como terra e propriedades, ouro, empresas sólidas que ofereçam garantia do investimento feito.

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Capricórnio – Vitral da Catedral de Chartres, Chartres, França – Reprodução

Como signo de Terra, é prático, objetivo, extremamente cauteloso e está profundamente sintonizado com o princípio da REALIDADE. Vibra afinado com a Lei, a ordem, as regras e convenções sociais. Tem respeito e admiração pelos mais velhos e pela EXPERIÊNCIA. Não teme a velhice, mas se prepara para ela com cuidadoso planejamento e, aliás, se a juventude foi dura e difícil devido à escassez e às longas horas de trabalho árduo, na velhice a Velha Cabra aprende, finalmente a relaxar e a gozar a vida, com tudo o que ela tem de bom.

Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender

Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender – Reprodução

DISCIPLINA, paciência, organização, planejamento, eficiência, ORDEM são conceitos muito caros para Capricórnio, qualidades que este signo vem desenvolver com maestria, até se tornar uma autoridade e uma referência destes valores que tanto defende. Almeja o respeito e o prestígio social tanto quanto uma conta bancária recheada, portanto, reconhecimento têm que vir junto com promoção e aumento no contra-cheque, manifestações concretas de que ele está no caminho certo. Não me venha com tapinhas nas costas porque isso não enche a barriga nem a conta-corrente de ninguém! Até porque é um signo que trabalha feito burro de carga, renunciando a horas de lazer, sacrificando o convívio com a família para atingir seus objetivos. Provavelmente o mais ambicioso signo do Zodíaco, não mede esforços para chegar ao topo da hierarquia que ele resolveu escalar, seja comercial, militar, eclesiástica, política, mundana… Qualquer que seja a área, ele irá se destacar, e o TRABALHO é a sua forma de chegar lá! Para isso ele é tão abnegado, submetendo-se a um estilo espartano de vida, renunciando a um prazer imediato, em nome de algo que seja mais duradouro e compensador no futuro.

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Autor Desconhecido – Leiden University Library Website

Nesta escalada rumo ao topo, um dos grandes pecados da Cabra, quando negativa, é usar as pessoas como degraus para atingir seus objetivos, assim, pode se tornar inescrupulosa, interesseira, fria e implacável. Se dividida afetivamente entre o amor de alguém comum e a possibilidade de subir na vida representada por outro partido mais, digamos, promissor, a cabra provavelmente negará os apelos do próprio coração e optará por aquilo que lhe oferecer maior segurança, poder, prestígio e a inserção nos altos círculos sociais. Claro, estamos falando de estereótipos e nenhum indivíduo é um estereótipo!

SEGURANÇA é palavra-chave para Capricórnio e ela a persegue sem descanso, e segurança aqui é assumidamente material. Esse anseio por segurança nasceu nos anos de grande dificuldade, enquanto estava crescendo em meio à escassez de recursos, por isso ela prometeu a si mesma que jamais passaria necessidades de novo. Às vezes a escassez não era material. Às vezes a Cabra nasceu num lar rico e abastado e a escassez aqui é de calor e afeto e ao buscar a aprovação e atenção dos genitores, deparou-se com sua ausência ou mesmo com o que percebeu como frieza. Assim, muito cedo decidiu que jamais dependeria de ninguém para nada, nem no plano material nem no emocional, buscando com imensa persistência ter AUTONOMIA, AUTOSSUFICIÊNCIA, independência emocional e financeira.

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Reprodução

Capricórnio tem um ar de dignidade e classe e mesmo quando sem muitos recursos – Capricórnio é geralmente muito enfatizado em mapas de pessoas que começam do zero, muito pobres e que constroem verdadeiros impérios – tem um feeling para as coisas boas e de valor, assim, você jamais a verá em liquidações  – a não ser que seja da Harrod’s ou de qualquer grife famosa, claro, porque ela também tem um senso de economia muito acurado e odeia desperdiçar dinheiro! – porque este signo prefere comprar uma única peça de qualidade, classuda e que dure bastante a comprar vários itens da moda, que ele só usará uma vez. Ele odeia coisas “datadas”!

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Castelo Angera (Varese). Sala da Justiça – Afresco mostrando Saturno, flanqueado por Aquário e Capricórnio – Reprodução

CONTROLE é outra de suas palavras-chave e ela fica realmente enlouquecida quando sente que algo foge do seu comando. O controle vem, de novo, da necessidade de segurança e ordem e é uma maneira de se defender do caos do mundo, por isso também a hierarquia é tão importante porque lhe diz quem é quem e qual é o lugar de cada um na ordem das coisas. Quando isso está em grande desequilíbrio, ela pode se tornar uma obcecada por controle, mandando na vida de todos ao redor de forma ditatorial e tirânica, como se só ela soubesse das coisas. No fundo, ela morre de medo de ser ineficaz, de não ser obedecida, de ter que lidar com o caos do mundo. Mas essa necessidade absurda de controle pode comprometer, e muito, as relações, não só as afetivas, mas as relações em geral, porque ninguém gosta de se sentir comandado e tratado como criança o tempo todo, e, em última instância, controlar os outros denota uma profunda falta de respeito pelas suas capacidades e vontades, assim como um medo colossal de ser abandonada e deixada só.

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O Eremita, Arcano IX do Tarô – Reprodução

Capricórnio é o signo do VELHO e Liz Greene (3) o associa  com o tema do Sacrifício do Rei, que deve ser morto para que a terra volte a ser fértil. Ele aparece em várias mitologias, como o deus Sabazius, uma variante de Saturno, como Osíris no Egito e como o próprio Cristo, Filho de Deus, que deve encarnar como homem e ser crucificado para redimir a humanidade. O Cristo, como outros redentores, nasce por volta do Solstício de inverno (Hemisfério Norte), assim como Mitras, Tamuz, Adônis e até mesmo o Rei Artur. No inverno a terra descansa, pois está devastada. Capricórnio é o Rei doente da lenda do Graal. É pregado numa cruz, a árvore da matéria, a cruz que representa a experiência humana da encarnação e da vida material. Assim, Capricórnio cresce estranhamente consciente de que sua liberdade é restrita, mas internamente dividido entre as imagens do Puer (o arquétipo da Criança Divina que nunca cresce) e do Senex (o arquétipo do Velho). Abraça a responsabilidade cedo, numa vida que parece não lhe permitir ser criança plenamente. “Freqüentemente Capricórnio caminha disposto para esse cativeiro, embora outras alternativas possam estar abertas para ele. É como se ele buscasse e acolhesse esse destino, por motivos obscuros e geralmente inconscientes”, diz Liz Greene.

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Saturno devorando seus filhos – Rubens

O Pai é o ogro, é o Pai Terrível, representado por Saturno, cujo abraço só será dado se o filho tiver cumprido seus difíceis deveres. Mas o filho, embora magoado, parece ter uma estranha sintonia com este pai impiedoso. E ela cita Joseph Campbell em o Herói de Mil Faces (4): “o ogro aspecto do pai é um reflexo do próprio ego da vítima, derivado da cena de berçário que foi deixada para trás, mas projetada depois; e a idolatria fixa dessa coisa não pedagógica é em si mesma a falha que mantém a pessoa imersa no senso de pecado, prevenindo o espírito adulto de uma visão mais realista e equilibrada do pai, e conseqüentemente, do mundo. Expiação consiste em não mais do que o abandono desse auto gerado monstro duplo – o dragão que se imagina ser Deus (o superego) e o dragão que se imagina ser o Pecado (o Id reprimido)… Deve-se ter fé de que o Pai é misericordioso e confiança nessa misericórdia”.

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Reprodução

Para Capricórnio, aceitar os limites da realidade e as responsabilidades de uma vida mundana é como um rito de passagem. E por incrível que possa parecer, essa aceitação do próprio “destino” pode ser também profundamente libertadora, porque se para de brigar com a vida, e os ideais, como representados pelo espírito do Puer, podem ser manifestados, mesmo que de forma imperfeita. Sintomaticamente, Capricórnio rege os joelhos, que simbolizam nossa capacidade de nos humilharmos, de ceder e de nos render diante de algo maior que nós. Ajoelhar-nos é o que fazemos nos templos, ou nas nossas orações, como sinal de humildade diante da divindade. E a cabra resiste o quanto pode a finalmente cair de joelhos e se render diante do Pai. Junto com Saturno, Capricórnio também rege, no corpo, os ossos e todas as articulações, os dentes, as cartilagens e a pele, que é o órgão  que delimita e separa o indivíduo do resto do mundo. AS doenças de Capricórnio estão ligadas a todos esses órgãos, como calcificações, artrites, reumatismos, endurecimento e rigidez de ossos e tecidos; fraturas, quedas, erupções, espinhas e doenças de pele em geral; cárie e perdas dentárias.

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Reprodução

O tema da Crucificação é, pois, extremamente relevante para Capricórnio, seja homem ou mulher. A cruz é o símbolo da encarnação na matéria com todos os seus limites. A crucificação é basicamente aceitar a vontade do Pai, encarnar e viver a experiência da carne, do homem, e depois ser sacrificado para redimir este mesmo homem. Não é isso que se ouve com freqüência de muitos Capricórnios? O sacrifício, o martírio?

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Distin Hoffman e Robin Williams respectivamente como Capitão Gancho (Senex) e Peter Pan (Puer), no filme A Volta do Capitão Gancho, de 1991

O conflito Puer-Senex é básico e comum também aos signos de Sagitário e Gêmeos, que neste caso vivenciarão o lado do Puer, enquanto o Capricórnio experimenta o Senex.

James Hillman, no seu livro sobre o Puer (5) cita esta oração extremamente contraditória a Saturno, que data do século dez:

“Ó Mestre de sublime nome e grande poder, supremo Mestre; Ó Mestre Saturno: Tu, o Frio, o Estéril, o Enlutado; Tu, cuja vida é sincera e cuja palavra é certeira; Tu, o Sábio e o Solitário, o Impenetrável; Tu, cujas promessas são mantidas; Tu, cujo oficio te fragiliza e extenua; Tu, que tens as maiores responsabilidades, que não conheces nem alegria nem prazer; Tu, o velho e astuto, Mestre de todo artifício, enganador, sábio e prudente; Tu, que trazes prosperidade ou ruína e fazes os homens felizes ou infelizes! Eu te suplico, ó! Pai Supremo, pela Tua grande benevolência e Tua generosidade, a fazer-me o que peço…” (5)

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Saturnália – Reprodução

E então o pedinte apresentava seus pedidos. Nesta oração está contida a grande contradição que é o próprio Saturno, o Grande Mestre, que presidiu a Era de Ouro, uma era de grande abundância e a Saturnália, um festival de grande licenciosidade que durava cerca de três dias, onde todos os limites eram deixados de lado e se podia dar vazão a instintos e vontades. Um festival que coincide com o período do Natal Cristão.

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Saturno – Maria Eunice Sousa

A cornucópia é um dos símbolos associados a Saturno, exatamente por causa desse período. A idéia da cornucópia, que era, na verdade, um chifre, vem de outro símbolo associado a Capricórnio, a cabra-peixe, um das imagens mais antigas associadas a este signo. A Cabra-Peixe é associada com Almatéia, uma ninfa-cabra que amamentou o infante Zeus no Monte Dicte, quando sua mãe Rhea o escondeu de seu pai Cronos-Saturno, para que ele não o devorasse. O próprio Cronos era chamado a Cabra Velha, e um deus da fertilidade. Por sua grande generosidade e cuidados, Zeus colocou a imagem de Almateia entre as estrelas e pegou um de seus chifres e transformou na Cornucópia da Abundancia, que está sempre cheia do alimento ou bebida que o dono desejar. A Cabra-peixe também aparece nos mitos sumérios, onde era chamada de Deus Ea, que depois se tornou Oannes em grego e, finalmente, João.

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Capricórnio – Salvador Dali

Essa contradição da figura do Mestre Saturno permeia a vida de Capricórnio, e o pai que é terrível, que escraviza e destrói o filho, é o mesmo pai que oferece a salvação. Não é essa a história de Jesus? Ele nasce e morre para atender à vontade do Pai e em dado momento chega mesmo a pedir, “Pai, afasta de mim esse cálice!”

Assim, Capricórnio reclama, reclama, mas abraça seu destino com disposição e compromisso. Assim como o Cristo, em Capricórnio encarnamos para a experiência da vivência na carne, na realidade terrena. Meditemos sobre isso, sobre a experiência do espírito encarnado na matéria limitada. A casa no mapa natal em que temos Capricórnio é onde vivemos com essa disposição.

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Johfra Bosschart – Capricorn Reprodução

A Sombra de Capricórnio está relacionada, entre outras coisas, com o signo oposto, Câncer. Enquanto Câncer representa a Mãe em seu carinho, nutrição e proteção, Capricórnio representa o Pai severo, que empurra o filho para o mundo e o obriga a cortar o cordão umbilical, a crescer e amadurecer. Câncer gostaria de se manter eternamente bebê, dependente e agarrado às saias da mãe. Câncer precisa dos outros e Capricórnio diz que não precisa de ninguém, negando a si mesmo a admissão dos próprios sentimentos. Assim, ao negar os vínculos e os sentimentos, Capricórnio se torna fria e projeta em Câncer todas as suas dependências e necessidades emocionais não admitidas, porque são vistas por ela como sinal de fraqueza, porque ela acha que sentir a tornará vulnerável, uma molenga sentimental. Capricórnio acha que os sentimentos a tornarão suscetível e a afastarão de seus objetivos mundanos de chegar ao topo da montanha do poder, por isso ela tem no lugar do coração uma pedra, para se proteger não só dos outros, mas principalmente, dos próprios sentimentos, essas coisas primitivas e incontroláveis. Ela também se endureceu porque provavelmente amou muito alguém quando jovem e foi desapontada e então resolveu que sentir não era bom. Assim, muitas vezes a Cabra se casa com alguém que, mais do que amor e afeto, ofereça segurança e projeção social. Amor? Isso é para os sentimentais!

Signos 10 - Capricórnio

Damon Hellandbrand – Reprodução

Mas a Sombra da Cabra, essa criatura tão realista e estoica, também está relacionada a todas as fantasias e sonhos que ela jamais ousou sonhar, a todas aquelas emoções e sentimentos primitivos e reprimidos que ela resolveu negar por questões práticas e de segurança. A todos os “e se…” da vida. Assim, a Cabra tem grande dificuldade em lidar com os chamados “sonhadores” e visionários, aquele povo pouco realista que não realiza nada, aqueles crédulos que acreditam em todo mundo e acabam sendo enganados. Aqueles artistas loucos, que se alimentam de fantasias e nunca pagam as contas em dia e que provavelmente acabarão abandonados num asilo quando estiverem velhos, porque não planejaram o futuro. Como ela é cética e não acredita em nada nem ninguém, a sombra também pode esconder um fanatismo absurdo, um moralismo militante, que busca enquadrar a tudo e a todos dentro de seus critérios de Lei e Ordem e ao fazer isso, no fundo, ela está tentando enquadrar os próprios instintos menos civilizados e selvagens, que ela tenta, a todo custo, extinguir. Quando se torna religiosa, é do tipo que venera um Deus Javé, um legislador severo que pune a todos os pecadores. Entretanto, como já sabemos, a Sombra jamais será extinta, e quanto mais tentarmos reprimí-la, mais zangada e poderosa ela se tornará e é quando vemos aqueles casos escandalosos de grandes pregadores de “moral ilibada” pegos, literalmente, de calças curtas, transgredindo de forma vexatória todos os valores que defendem com tanto fanatismo. E haja culpa e auto-flagelação para se retratar diante de si mesmo e de toda a sociedade cuja aprovação tanto se preza… Mas Capricórnio precisa aprender a integrar essa Sombra, precisa olhar para si e reconhecer essas facetas de si mesmo, para finalmente se perceber como humano e capaz de ter sentimentos e instintos menos nobres, capaz de errar como todo mundo. Precisa admitir a própria vulnerabilidade e pedir ajuda. Abrir mão do controle. Só assim se sentirá realmente redimido e merecedor da misericórdia do Pai.

As figuras arquetípicas relacionadas a Capricórnio são:

A Autoridade, O Velho, O Trabalhador, O Magnata, O Empreendedor, O General, O Tirano, O Ditador, O Alpinista Social, O Eremita, A Polícia, A Prisão, A Cruz, A Montanha, O Deserto

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Capricórnio – Desconheço o autor – Reprodução

Agora, gostaria que você me acompanhasse numa meditação que o fará entrar em contato com Capricórnio dentro de você, de acordo como aparece no seu mapa.

Primeiro, olhe as imagens associadas a Capricórnio: a cabra-peixe, o próprio símbolo que parece um “V” com um rabinho, a montanha, a imagem de Saturno…

Olhe e fixe essas imagens e deixe que elas conversem com você.

Contemple o sentido da frase: “Perdido estou na luz sobrenatural, ainda assim, eu viro as costas para essa luz. E a Palavra diz: deixe a ambição governar e deixe a porta abrir-se completamente” (7)

Quando estiver pronto, faça esta meditação, inspirada numa meditação orientada por Howard Sasportas (8)

OBS: A qualquer momento, se sentir qualquer desconforto, receio, mal estar, abra os olhos imediatamente e interrompa o processo!!! Respire fundo e sinta os pés firmes no chão e vá fazer qualquer outra coisa que o deixe confortável.

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Saturno – Maria Eunice Sousa

Feche os olhos e faça um exercício respiratório de relaxamento. Gradativamente, solte os pés, pernas, coxas, quadris, tronco, ombros, braços, pescoço, cabeça… Até que você esteja completamente relaxada/o. Então, visualize uma montanha à sua frente; perceba seus detalhes, o que ela lhe inspira, perceba se é grande ou pequena, se tem vegetação ou não, etc. Aos poucos comece a subir essa montanha. Não precisa ter pressa, nem forçar nada. Vá devagar e sempre, conforme seu ritmo. Observe o caminho, aspire e inspire o ar puro da montanha. Até que você finalmente chega lá no topo. Sinta a sensação de chegar ao topo em cheio, curta e se congratule por isso. Explore os arredores e veja, ao longe, uma construção. Aproxime-se. Observe como é a construção: é uma casa? Um prédio? Um castelo? Do que é feito? Qual o aspecto geral da construção? Bonita, feia, aconchegante, fria, sólida… Chegue mais perto e veja que há uma inscrição acima da porta que diz: “Casa de Capricórnio”. Bata palmas ou bata na porta e aguarde. Veja se sai alguém. Quem é? Qual a impressão lhe passa? Está feliz, triste, zangada… Não a julgue. Perceba a sensação geral que a figura lhe passa, se ela quiser falar, deixe que faça isso. Faça a ela três perguntas: “o que você quer? Do que você está precisando? O que você me oferece?” Escute o que ela tem a lhe dizer atentamente. Se sentir vontade de dizer algo mais a ela, faça-o, com respeito. Quando estiver pronto, agradeça, despeça-se e deixe que ela volte para dentro da casa. Diga adeus à casa, à montanha, e lentamente comece a descer a montanha, até chegar ao ponto inicial. Abra os olhos e se tiver vontade, escreva, desenhe, ou fale para alguém sobre a vivência. Se quiser, ouça estas músicas e se você lembrar de alguma que se encaixa nos temas Capricornianos, comente aqui.

O signo de Capricórnio também está associado às nossas metas mundanas de longo prazo. sejam elas relacionadas oa trabalho e à carreira ou a aquisições materiais e de segurança, ao planejamentos que visam ter uma velhice tranquila e confortável. Assim, tendo registrado a experiência e vivência da meditação de Capricórnio, você é convidado a traçar suas metas para o próximo ano, para 5 anos, 10 anos e assim, sucessivamente. Da região de Capricórnio os espíritos e Arcanjos lhe trarão a DETERMINAÇÃO e a PERSISTÊNCIA para alcançar suas metas!

Músicas para Capricórnio:

Osvaldo Montenegro – Aos Filhos de Capricórnio:

Alceu Valença – Solidão:

Simon & Garfunkel – I am a Rock:

Queen – Somebody to love:

Dolly Parton – 9 to 5

Madonna – Material Girl:

Janis Joplin – Mercedes Benz:

Cazuza: https://www.youtube.com/watch?v=OWvC87D8VHU

Bellatores – Capricórnio:

The Police – Spirits in a material world:

Kiss – C’amon and Love Me:

Capricorn – 30 Seconds to Mars:

Chitãozinho e Xororó – Evidências

Capital Inicial – Marte em Capricórnio:

 

Bruno e Marrone – Coração de Pedra (Essa daqui seria Câncer se lamentando do Capricórnio):

 

 

 

(1) Edna Andrade – Festas Cristãs

(2) Sue Tompkins – The Astrologer’s handbook

(3) Liz Greene – A Astrologia do Destino – Este texto é baseado principalmente neste livro, capítulo Mito e Zodíaco.

(4) Joseph Campbell – O Herói de Mil Faces

(5) O Livro do Puer – James Hillman – Ed. Paulus

(6) Liz Greene, Astrology for Lovers

(7) Alice Bailey ‘Esoteric Astrology’, Lucis Press 1951, p. 653

(8) Howard Sasportas – As subpersonalidades e os conflitos psicológicos

 

As 12 Noites Sagradas

Adorazione-Magi1As doze noites Sagradas compreendem as noites que vão do Natal até o dia da Epifania do Senhor, o Dia de Reis. O Natal marca o nascimento do Filho do Homem, já a Epifania marca o nascimento do Filho de Deus. Remonta aos mistérios do cristianismo antigo e sua ligação com os 12 signos do Zodíaco e ainda à jornada santa que os Reis magos fizeram para ir encontrar o Menino Deus, guiados por uma estrela, astrólogos que eram. Neste período sagrado muitas bênçãos são derramadas, de acordo com a antiga tradição cristã, para aqueles que estão vigilantes. E de fato, é um período que tradicionalmente estamos mais meditativos e reflexivos, seja pelo tempo do Natal Cristão, seja pelo fim de um ano e início de outro. Em 1911 Rudolf Steiner, criador da Antroposofia, idealizou uma jornada meditativa para este período baseada nos 12 signos do Zodíaco. Não tive acesso aos escritos de Steiner ainda, então pesquisei em fontes diversas na internet, os sites e blogs estão relacionados ao fim do post (recomendo particularmente os áudios do site http://mirnagrzich.com.br/12-noites-santas/).

Steiner relaciona os signos com as três hierarquias espirituais, que se dividem em nove grupos de seres celestiais e que podem, inclusive, ser visualizadas nos portões sul da Catedral de Chartes, na França, uma catedral gótica do século XIII. Estas hierarquias são mencionadas em um manuscrito antigo atribuído a Dionísio, o Aeropagita, que teria fundado a primeira escola cristã esotérica na antiguidade. Primeira hierarquia: Serafins, Querbins e Tronos. Segunda hierarquia: Kyriotetes, Dynamis, Exusiai. Terceira hierarquia: Arqueus, Arcanjos, Anjos.

Eu não li o material de Rudolf Steiner. Conheci a proposta das 12 Noites através de mentores astrológicos e vou seguir essa proposta. Sempre quis fazer a jornada das 12 noites, desde a primeira vez em que ouvi falar dela, ainda na Inglaterra, em 2010. Fiz a Jornada pela primeira vez no ano passado e foi maravilhoso. Como a minha orientação é astrológica, vou focar nos signos, e a cada dia/noite trabalharemos um deles, refletindo sobre seus temas básicos, seus arquétipos e mitos e ainda uma meditação.

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A proposta é vivenciar este período de forma profunda, aproveitando para meditar sobre os símbolos do Zodíaco e seus significados. A cada dia ou noite, escolha um horário em que possa se aquietar e meditar sobre isso, utilizando imagens, música, textos. Na sua meditação e vivência você pode expressar-se conforme sentir necessidade, através do desenho, pintura, escritos, dança, colagens, etc. O importante é entrar em contato com a energia do signo e vivenciá-la intensamente. A cada dia observe o que acontece e perceba que a energia do signo estudado se manifestará de formas diversas, é só estar atento. É importante observar os sonhos que ocorrerem durantes este período também, porque eles podem trazer mensagens preciosas.

A primeira vez que entrei em contato com a idéia das 12 Noites Sagradas foi através de Melanie Reinhart, ainda em Londres. Reinhart conduz um retiro anual em Bali cuja proposta é exatamente uma imersão nas 12 Noites e nos arquétipos zodiacais. Nunca tive o privilégio de ir, mas achei a idéia formidável!

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No ano passado eu me atrapalhei um pouco com o processo. A jornada das 12 Noites Sagradas deveria começar na noite do dia 25 de dezembro e terminar na noite do dia cinco pra seis de janeiro. Meu Mercúrio retrogrado às vezes me prega peças e me pego perdendo o tempo das coisas, ou tendo um insight depois que a hora já passou. De qualquer forma, resolvi fazer mesmo assim e iniciei no dia 26 de dezembro, terminando no dia seis de janeiro, o Dia da Epifania do Senhor. E não é que este ano aconteceu exatamente a mesma coisa??? Precisei ficar fora de casa ontem o dia todo e quando voltei fui produzir o artigo da Lua Cheia e agora estou finalmente me concentrando sobre a Jornada das 12 Noites. Como não tive acesso aos textos originais, (ainda) isso é um aprendizado para mim, algo como “aprender a fazer fazendo”, o que na verdade funciona no meu caso, já que sou extremamente cinestésica. No ano passado foi maravilhoso, um trabalho insano de escrever um “textão” todos os dias, mais todas as pesquisas envolvidas e ainda escrever os textos normais semanais. Mas foi profundamente recompensador. Este ano, os textos estão prontos e vou acrescentar apenas a vivência de cada dia.

Então, neste ano convido você, mais uma vez, a me acompanhar nesta jornada Zodiacal Sagrada por 12 dias e noites. A cada dia publicarei no blog um texto sobre o signo do dia, com uma meditação. O leitor é convidado a fazer a meditação na hora que lhe for mais conveniente. O ideal é que seja pela manhã, para que você entre em contato com o arquétipo no início do dia e possa observá-lo conforme as horas passam. Você pode formular um ritual que o ajude a se centrar, utilizando velas, incenso, música suave (ou mesmo as músicas mundanas propostas ao fim do testo de cada signo) ou o que você considerar que favoreça sua meditação. Não há regras rígidas de como seguir. Ficarei muito grata se trouxerem feedbacks a respeito de suas vivências e eventuais manifestações concretas das meditações (desenhos, textos, etc).

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Rudolf Steiner idealizou o processo começando por Peixes e indo em sentido anti-horário, ou seja, terminando em Áries. Grupos diversos que já trabalharam com o processo das 12 Noites Sagradas o iniciam de formas diferentes. Outros grupos preferem iniciar com Áries, o arquétipo primeiro da Iniciação. Ao contrário de Steiner, decidi começar com um signo Cardinal, o modo da iniciativa. E já que é dezembro, o signo de nascimento do Cristo conforme a tradição, achei por bem começar com Capricórnio, o signo da Cabra e que traz como um dos seus temas a redenção e a crucificação na matéria.

 

A programação das 12 Noites Sagradas é esta: 

25/12 – Capricórnio

26/12 – Aquário

27/12 – Peixes

28/12 – Áries

29/12 – Touro

30/12 – Gêmeos

31/12 – Câncer

01/01 – Leão

02/01 – Virgem

03/01 – Libra

04/01 – Escorpião

05/01 – Sagitário

Aguardo você aqui, dia a dia!

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