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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

Lua Cheia em Sagitário – Meio cheio ou meio vazio?

Doctor Ojiplatico - Reprodução
Doctor Ojiplatico – Reprodução

A Lua foi Cheia hoje, 20 de junho de 2016, às 08h02min no horário de Brasília (12h02min no horário de Lisboa), a 29°32’ de Sagitário, uma Lua Azul Astrológica, que é a repetição da Lua Cheia no mesmo signo que a Lua Cheia anterior. A Lua cheia, como sabemos, representa o ápice do ciclo iniciado na Lua Nova. é um momento de clímax, em que a energia, que vinha num crescendo, finalmente alcança seu apogeu e explode, ou se derrama, frutifica e se revela completamente à consciência. Como o momento do parto – cujos números, aliás, sobem vertiginosamente nesta fase da Lua – como o momento da colheita. é o apogeu, um momento de crise em que a tensão finalmente é liberada, para o melhor ou para o pior. Subimos a montanha e chegamos ao seu topo e a partir daqui começamos a descer, então o apogeu é também o começo do fim. Mas antes de falarmos sobre esta lunação, gostaria de me delongar um pouco sobre uma questão secundária e mais técnica, mas que para mim é importante.

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Esta é a segunda Lua Cheia do ano que ocorre em Sagitário, o signo dos exploradores – pois é, temos uma dobradinha! –  um fenômeno que vem “ajustar” a ordem natural dos ciclos lunares. Isso porque, desde março de 2015 essa ordem estava invertida. Explico: a Lua Nova e a Lua Cheia marcam os pontos altos do ciclo lunar e normalmente ocorrem num par de signos opostos, a Lua Nova ocorrendo em um signo e a Lua Cheia acontecendo no signo oposto 14 dias depois, nos eixos de Áries-Libra, Touro-Escorpião, Gêmeos-Sagitário, Câncer-Capricórnio, Leão-Aquário, Virgem-Peixes. Nos últimos meses esta ordem estava invertida porque a Lua Cheia acontecia antes, ao invés de termos a Lua Nova em Áries seguida pela Lua Cheia em Libra, tínhamos primeiro a Lua Cheia de Libra e 14 depois a Lua Nova de Áries, ou, dito de outra forma, os ciclos estavam desencontrados pois a Lua Nova ocorria num eixo e a Cheia avançava para o eixo seguinte, isto é, a Lua Nova acontecendo em Peixes e a Cheia se dando já em Libra, ao invés de Virgem – eu até brinquei semana passada dizendo que seria similar a comer a sobremesa antes do prato principal.

Do site astro.if.ufrgs.br - Reprodução
Do site astro.if.ufrgs.br – Reprodução

Esse fenômeno ocorre porque a Lua tem dois ciclos, o sideral e o sinódico. O ciclo sideral conta o tempo que a Lua leva para dar uma volta ao redor da Terra tendo como referência um ponto fixo e este ciclo é de 27,3 dias. Já o ciclo sinódico é o tempo que a Lua leva para fazer uma nova conjunção ao Sol e este ciclo é ligeiramente mais longo porque o Sol também está em movimento, não é um ponto fixo. Cada signo tem 30 graus, diferente do ciclo lunar sinódico (conjunção Lua-Sol) que tem em média  29 dias e 12 horas, ou seja, 29,5 graus. Essa “inversão” não é algo “tão” importante e impactante e ocorre regularmente a cada  15/16 meses aproximadamente – por exemplo, a última inversão aconteceu em fevereiro de 2015, o “ajuste” acontece agora em junho e uma nova “inversão” se dará em setembro de 2017.

Casa na Alemanha, construída de ponta-cabeça - Reprodução
Casa na Alemanha, construída de ponta-cabeça – Reprodução

O dado mais notável a respeito desse movimento “invertido” é que quando a Lua Nova e a Lua Cheia acontecem num mesmo eixo de signo – por exemplo, Lua Nova em Áries e Lua Cheia em Libra – o ciclo traz presentes os temas pertinentes àquela polaridade – neste caso, o eu x o outro, relacionamentos, equilíbrio, etc. Mas quando a Lua Nova se dá num eixo e a Lua Cheia se dá em outro, precisamos trabalhar, dentro daquele ciclo, os temas de duas polaridades diversas, buscando integrar seus diferentes significados um em relação ao outro. Por causa disso, eu tenho a nítida sensação de que os longos períodos em que ocorre essa inversão no ciclo são períodos mais tensos e que demandam muito mais estamina e consciência da nossa parte na integração das mudanças e transformações maiores que estejam acontecendo no período em questão, porque as coisas não são tão óbvias, então precisamos estar mais atentos. Quando o ciclo está perfeitamente ajustado, fluímos melhor com ele, as coisas seguem um ritmo natural. Por outro lado, quando o ciclo está invertido requerendo maior atenção de nossa parte, pode representar um tipo de desafio extra, que nos obriga a ficar vigilantes e mais despertos, ou seja, é mais tenso, exige mais esforço consciente para fazer a sintonia fina do ciclo. Mas não nos enganemos, como sempre, os testes vêm para nos fortalecer e melhorar nossa, ahn, performance… Não dizem que ler um livro/texto complicado, aprender outra língua, aprender a tocar um instrumento melhoram de um modo geral a inteligência e a performance cerebral? Até mesmo os quebra-cabeças ou a boa e velha palavra cruzada nos obrigam a exercitar melhor os neurônios, certo? Pois então, digamos que seja um princípio semelhante… Agora, a Lua Cheia de hoje marca um período de transição, porque é a culminação de um ciclo que começou em Gêmeos, ou seja, os ciclos voltam a funcionar em congruência. E é transição porque provavelmente nos próximos meses as coisas tenderão a fluir mais, de maneira mais ritmada e concatenada.

Lua Cheia em Sagitário - Brasília, 21 de maio de 2016, às 18h14min.
Lua Cheia em Sagitário – Brasília, 21 de maio de 2016, às 18h14min.

Voltando à lunação… Esta Lua Cheia vem também como uma ‘segunda chance’ de celebrarmos os temas festivos de Sagitário, já que a Lua Cheia anterior ocorrida no mesmo signo veio carregada de tensão e frustração, representadas pela conjunção a Marte retrógrado. Eu não publiquei texto aqui sobre essa Lua Cheia anterior, visto que ela se deu enquanto eu ainda estava visitando minha mãe, mas publiquei um texto enxuto na página no Facebook. Eu dizia, então: “É tempo de celebrar nossa fé, esperança e otimismo, aceitando, contudo, com humildade, nossas limitações, aprendendo a lidar com o senso de impotência e os limites impostos pela nossa condição humana. Equilibrar otimismo com realismo. Enfrentar o aqui e agora, para poder projetar um futuro que seja melhor, porém coerente, sem exageros e ilusões. É tempo ainda de de nos rejubilar pelos conhecimentos que propiciaram que chegássemos até aqui, ao mesmo tempo em que refletimos sobre crenças e filosofias e seus efeitos de longo prazo. Há maior propensão a conflitos e crises, provenientes da eclosão de dificuldades que se arrastavam mas não eram suficientemente claras. Agora ganhamos maior consciência de tais conflitos e dificuldades e temos que reconhecê-los e a partir de tal reconhecimento, tomar decisões e modificar atitudes.” Quem quiser ler o texto todo está aqui.

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A Lua Cheia em Sagitário geralmente propõe uma celebração da fé, do otimismo e da alegria simples de se estar vivo; uma celebração da liberdade e da vida nas grande amplitudes, do nosso espírito de aventura e o amor pela estrada; o desejo de expandirmos nossa consciência para além dos fatos e do aqui e agora (Gêmeos), projetando-nos no futuro, com visão e entusiasmo (Sagitário). É o convite para equilibrar a razão com a intuição, a objetividade fria com a fé. Mas será que essa Lua Cheia de hoje ajuda a cumprir essas promessas? Como já disse, a Lua Cheia anterior sugeria exatamente a frustração de tais promessas e a necessidade de desenvolvermos o dom da paciência e da humildade, coisas difíceis para o jovem arqueiro.

Anne T. Boleyn - Reprodução
Anne T. Boleyn – Reprodução

Mas e agora, o que temos? Certamente temos uma lunação menos tensa. Embora Sol e Lua ainda estejam em orbe de quadratura a Quíron, esta é uma quadratura separativa e sugere que talvez estejamos mais conscientes das nossas vulnerabilidades e impossibilidades. E mais importante do que isso é o fato de a Lua Cheia se dar a poucas horas do Solstício de Inverno (Verão no Hemisfério Norte), um momento limiar, de transição, em que o Sol atingiu o limite máximo de distância ao Norte do Equador, e agora começa a retroceder. Os solstícios, assim como os equinócios, simbolizam momentos especiais de mudança na direção da energia e da consciência que, se estivermos atentos, podemos “usar” a nosso favor, alinhando-nos com eles e aproveitando para mudar, também nós, reajustando nossa direção na vida e no mundo. O Sol ingressa em Câncer às 19h34min, ou seja, pouco menos de 12 horas depois da Lua Cheia. Então, temos dois momentos importantes de transição na direção e na forma de manifestação da energia  – não podemos ignorar isso! O Sol também está em conjunção fora de signo a Vênus e, obviamente, a Lua está em oposição a esta Vênus, sugerindo a imprescindibilidade de negociação e conciliação entre nossa necessidade de liberdade (Lua Sagitário) e o desejo e impulso para a vinculação emocional e o comprometimento.

Lua Cheia em Sagitário - Brasília, 20 de junho de 2016, 08h02min
Lua Cheia em Sagitário – Brasília, 20 de junho de 2016, 08h02min

A Lua Nova de Gêmeos, que ocorreu à 00h00min do dia quatro de junho, com Lua e Sol em oposição a Saturno, quadratura a Júpiter e a Netuno, simbolizava um momento delicado de novos começos que poderiam ser ilusórios e fantasiosos, confusos e inseguros, em que precisaríamos lidar com nossos medos e também com nossos excessos. Agora, a Lua Cheia representa o apogeu desse ciclo iniciado lá. Nas configurações de hoje, o dispositor da Lua, Júpiter, está envolvido na mesma Grande Cruz Mutável da Lua Nova, junto com Saturno, Netuno e agora também, Mercúrio, regente do Sol. Então, subjacente aos temas de Sagitário temos um sub-tom Virginiano indicando que é preciso pragmatismo e um certo controle, indicação que fica mais forte dada a configuração mencionada. Júpiter, o princípio da expansão, precisa ser cauteloso quanto às suas visões magníficas de crescimento que, em Virgem, não são tão magníficas assim, ao contrário, são mais sensatas e comedidas; a quadratura a Saturno reforça a necessidade de realismo e de nos ajustarmos aos nossos limites, de termos disciplina e bom senso para não darmos o passo maior que a perna, especialmente porque este Júpiter também está em oposição a Netuno – então, há grande demanda de prudência e moderação no que tange a essas visões e desejos de expansão, porque no momento é difícil distinguir entre realidade e ilusão, entre possibilidades reais e desejos fantasiosos. Como se não bastasse, Mercúrio está neste redemoinho, simbolizando que é muito fácil a mente se perder nos muitos meandros e intricados que colorem o que atualmente chamamos de “real”. Entretanto, algo que pode ajudar é o fato de Mercúrio estar em conjunção ao asteroide Vesta, que simboliza contenção, introspecção, tradição, religiosidade e piedade. Embora a própria Vesta também esteja envolvida na configuração, suas qualidades certamente ajudam a acalmar o caos em que Mercúrio se encontra.

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Contudo, do mesmo modo que todos estes aspectos sugerem cautela e uma possível não realização, eles também podem indicar uma moderação nos exageros e a prudência aplicada que reverte os prognósticos de desastres – tudo depende de como vivenciamos tais influências, de como lidamos com elas no nosso dia a dia ou, dito de outra forma, se estamos vendo o copo meio cheio ou meio vazio. Quando lembramos que a segunda quadratura Saturno-Netuno se deu há poucos dias – no último sábado, mais precisamente – e que também envolvia Júpiter, essa metáfora do copo adquire um tom mais extremista, então não é nem questão de ver o copo meio cheio ou meio vazio, mas sim de perceber que há uma propensão a ver o copo (totalmente) vazio ou cheio. Isso porque Saturno é o extremo do realismo (leia-se, pessimismo) e com ele tendemos a ver tudo sob lentes muito sombrias, quer dizer, copo vazio, sem dúvida; Já Netuno é o suprassumo da fantasia e do delírio que, conjugado com Júpiter, fala de um otimismo completamente irreal e enganoso, ou seja, vemos um copo transbordando quando talvez nem exista copo nenhum à nossa frente. Então, mais do que nunca precisamos ter um equilíbrio interno afiado para contermos esses extremos dentro de nós nas próximas duas semanas. Outra forma de ver isso pode ser nos darmos conta de que muitas vicissitudes pelas quais passamos, ou mesmo fracassos, mais tarde se revelam bênçãos, porque então nos damos conta de que a vida foi mais sábia e estamos melhor sem ter conseguido aquilo que nos parecia tão importante naquele momento, mas que descobrimos depois, era apenas uma ilusão.

Loui Jover - Everyday Zen - Reprodução
Loui Jover – Everyday Zen – Reprodução

Júpiter, regente da Lua, já realizou todos os aspectos exatos dos respectivos ciclos com Saturno e Netuno, quer dizer, está atualmente se afastando da oposição a Netuno e da quadratura a Saturno e isso nos lembra que este é um Júpiter menos afoito, mais sábio e ponderado, estando estes aspectos tensos provavelmente mais integrados e menos inconscientes, portanto, estamos menos propensos a extravagâncias e deslizes, embora o potencial para tal ainda exista. Assim, a Lua Cheia nos permite celebrar esta fé mais consciente, este otimismo mais comedido que não ignora riscos nem limites, mas que os leva no bojo dos planejamentos que tornam-se mais meticulosos e menos pretensiosos.

Arcano 5 - O Sacerdote“O Papa abençoando os fiéis” é o Símbolo Sabiano para o grau 30 de Sagitário (29°00 a 29°59’), que nos fala da capacidade de responder àqueles que buscam por nós e retribuir-lhes a fé e a confiança. O Papa é uma figura que representa uma autoridade espiritual e religiosa. Para os católicos ele é um representante direto de Deus na Terra, tendo sido Pedro o primeiro papa da história da Igreja, que teria sido ordenado para pelo próprio Cristo, ao dizer-lhe que apascentasse suas ovelhas e que tudo o que ele conectasse na Terra, seria conectado no céu. A figura do Papa aqui sugere que busquemos formas elevados de fazer as conexões internas e espirituais que nos permitam acessar o divino em nós, usando também nossa intuição. O símbolo nos lembra ainda o arcano O Sacerdote do Tarô e nos sugere a necessidade de buscar orientação espiritual quando sentimos que estamos a ponto de sucumbir e também de estarmos abertos a receber as dádivas e bênçãos que estão por vir – muitas vezes nos perdemos em nossas reclamações mesquinhas e deixamos de perceber as dádivas ao nosso dispor. Independentemente de sermos católicos ou religiosos, este símbolo nos admoesta a buscarmos uma autoridade que nos oriente e abençoe com sabedoria e cuidado, como um pai faria. Este guia pode estar fora, na figura de uma autoridade real, mas também pode ser o guia interno, ao qual chegamos em meditação, e que pode instilar confiança, fé e nos “abençoar” para avançarmos para o próximo passo na concretização (Capricórnio, o signo seguinte) de nossas visões (Sagitário).

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Então, este é o desafio das próximas duas semanas: celebrar a fé e a esperança que nos mantém de pé, mantendo a atitude de gratidão, mesmo diante de cenários adversos e sombrios, porque sempre temos muito a agradecer e se nos percebermos sucumbindo à desolação e à desesperança, voltarmo-nos para aqueles que nos instilem otimismo e a renovação de nossas forças, que nos “abençoem” com sua mera presença forte, gentil e sábia. Sendo esta a segunda Lua Cheia no signo da fé e da expansão, temos a chance de fazer essa sintonia fina entre o realismo e o otimismo. E claro, não esqueçamos de aproveitar o momento de transição para transmutar comportamentos e atitudes – como sabe o surfista, o momento de pegar a onda é único e ele precisa estar atento pois se ele perder o timing, terá que esperar a próxima e isso pode durar algum tempo e mesmo quando vem, nunca mais será a mesma onda! Ah! E cuidado com o que você deseja – pode se realizar!

Feliz Lua Cheia para você!

Que todas as coisas boas venham em dobro, assim como a Lunação de Sagitário! 

Lua Cheia em Câncer: celebrando os vínculos, honrando a memória

full tina carrierA Lua foi Cheia hoje, 25 de dezembro, dia de Natal, às 09h11min, no horário de Brasília e às 11h25min no horário de Lisboa. A Lua Cheia ocorrendo no eixo Câncer-Capricórnio sempre nos leva de volta à família, às nossas raízes, às nossas memórias. Abri as redes sociais e vi exatamente isso: relatos emocionados de ceias de outros tempos, fotos de família em que se vê várias gerações, reuniões de amigos, celebrações, e, claro, tudo ao redor de mesas fartas, bonitas, com muuuuuuita comida, como supõe uma Lua CHEIA em Câncer e um dia de Natal. Isso porque Câncer é o signo da nutrição, não só física, mas também emocional e amorosa. Sendo signo de água e cardinal, é o signo cuja ação visa exatamente estabelecer a vinculação. A Água é o elemento dos sentimentos e da sensibilidade e para se criar vínculos duradouros os sentimentos são requisitos essenciais – Interessante notar que desde 1977 não tínhamos uma Lua Cheia coincidindo com o Natal e isso certamente enfatiza seus temas.

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Jovan Koplocan Photography – Reprodução

Câncer é o signo que nos lembra de onde viemos, que cristaliza a ideia de família, lar, raízes, a ideia de pertencimento, de pertencer a um clã. E um clã geralmente está inserido num grupo social maior, a tribo, representada pelo sigo oposto, Capricórnio, por onde trafega atualmente o Sol.  Câncer representa nossa necessidade de vínculos, que em desequilíbrio pode se manifestar como carências, apegos ou dependências emocionais; a dificuldade de andar só e de ser independente; a necessidade frequente de colo e do olhar da mamãe, por isso a relação de Câncer com a Mãe é tão poderosa. Capricórnio, por outro lado, signo oposto regido por Saturno obriga Câncer a cortar o cordão umbilical e crescer e amadurecer; em Capricórnio aprendemos a ser autossuficientes, independentes, a nos sustentar nas nossas próprias pernas. Mas em desequilíbrio a Cabra se endurece e se torna fria e passa a perceber as pessoas apenas em função de sua utilidade; ignora a família e aqueles que o amam porque o trabalho, o dever, o poder, o status, as obrigações, o contrato, a empresa, etc, são mais importantes. O Sol está em Capricórnio, enaltecendo as melhores qualidades Capricornianas da maturidade, da capacidade de se virar sozinho, de se liberar dos apegos familiares para construir algo maior para além da família, que beneficie a sociedade… Mas daí a Lua se enche em Câncer e precisamos olhar para a família de novo e honrá-la e a tudo o que ela representa: origem, carinho, nutrição, afeto…

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Família é aquele povo que vive brigando entre si mas que esquece os próprios conflitos internos para se defender mutuamente do mundo. Assim é em todas as famílias. Nossa família moldou muito do que somos, não só pela herança genética, material ou cultural que tenha nos deixado, mas também pelo inconsciente psicológico, que é mais influente em nossas vidas do que gostaríamos de admitir. As experiências na família também moldaram nosso caráter, tanto os ensinamentos diretos e explícitos, quanto aqueles sugeridos ou apenas intuídos por uma linguagem sutil, não expressa claramente, mais ainda assim, inequívoca. Os códigos, crenças e histórias familiares são poderosos e remontam a muitas gerações, a influenciar nossos comportamentos e escolhas, sem que percebamos. Achamos que somos muito “diferentes” e ultra-inovadores, super criativos em nossas escolhas, quando na verdade pegamos emprestado um talento de uma tetra-avó, um comportamento de um tio distante, sem rosto, um tique de um outro perdido nas brumas do passado familiar, um padrão “esquisito” de um bisavô que nem chegamos a conhecer… Não somos tão originais assim, ouço essa frase constantemente de alguns terapeutas de Constelações Familiares. É verdade, repetimos muita coisa da nossa família, coisas positivas e luminosas e outras sombrias e pesadas. Memória. Memórias. Memória consciente e memória inconsciente. Temas que ficam super realçados com a Lua Cheia em Câncer e que nos convidam a refletir sobre todas essas coisas e a honrar a família e a memória, especialmente porque ocorre num dia tão especial como o Natal, em que a grande maioria das pessoas volta para seu clã, para celebrar aquela Família Sagrada lá de Nazaré.

constelacao-familiarQue tal olhar para nós mesmos e nos perguntarmos de onde tiramos os muitos “retalhos” que compõem nossa personalidade, talentos, escolhas, comportamentos, habilidades? Por certo que temos nossa singularidade, mas ficaríamos surpresos em descobrir que provavelmente não se trata daquelas características que imaginamos… E mesmo sem saber de quem herdamos ou pedimos emprestado tais características e talentos, é bom agradecer, reverenciar e honrar todos aqueles que vieram antes de nós, que passaram tantas dificuldades e “perrengues”, para que nós pudéssemos ter uma vida melhor, para que pudéssemos ser mais livres e ter mais escolhas. Eles lutaram, do jeito que puderam, com as condições que lhes foram dadas, para que a vida continuasse e nós somos a vida em continuação. Por causa deles estamos aqui. A Lua Cheia em Câncer nos convida a reverenciar, a honrar, agradecer e celebrar esses homens e mulheres que vieram antes de nós, a maioria deles já sem rosto, perdidos na memória e no passado familiar longínquos, mas perfeitamente visíveis no inconsciente desta mesma família.

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Lua Cheia em Câncer – Brasília, 25 de dezembro de 2015, 09h11min.

O mapa da Lua Cheia traz como aspectos principais apenas a oposição Sol-Lua e depois disso a Lua faz um trígono a Netuno e o Sol faz um sextil, indicando muita sensibilidade e uma ativação extra da memória pelas vias da nostalgia e da saudade. Mas outra coisa ainda chama a atenção no mapa da Lua Cheia: Urano está estacionário para se tornar direto em algumas horas, sugerindo uma retomada no despertamento simbolizado por este planeta, como também uma liberação de tensões e pressões que tinham ficado sem expressão nos últimos meses e agora voltam a ser expressas em direção a uma maior consciência e a um despertamento que quedava apenas latente.

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Se Urano ajuda a liberar tensões, isso pode implicar uma potencialização da energia da Lua Cheia, que é, por si só, uma energia de crise, de cisão e de pico. Isso significa que nos próximos dias podemos ver pipocar mais discussões e crises familiares, conflitos que eclodem depois de terem ficado dormentes por muitos dias ou semanas. O fato de eclodirem não necessariamente é ruim. Apesar das discussões acaloradas ou cenas potencialmente desagradáveis, o desconforto que antes era disfarçado ou não ventilado agora vem à luz e as pessoas podem, finalmente, abrir o coração e dizer o que sentem, falar a verdade, serem honestas com o outro e consigo mesmas. Assim, apesar de ser crítico, o momento de liberação limpa o ar e desanuvia a atmosfera e faz todos voltarem a se olhar nos olhos novamente, sem receios ou culpas mal encobertas.

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O Símbolo Sabiano para o grau 04 de Câncer (03° a 03°59’) traz uma imagem peculiar, que nos lembra exatamente crises familiares: “Um gato discutindo com um rato”. Um símbolo que implica, de forma imediata, a ideia de pessoas que convivem proximamente, no mesmo ambiente, se perderem em discussões que podem ser frutíferas ou completamente inúteis. Também nos lembra, de acordo com Lynda Hill, que há um desequilíbrio ocorrendo aqui, como práticas de bullying, jogos mentais e manipulação, assim como a capacidade de enfrentar oponentes maiores do que você e ser capaz de ganhar, como na história de Davi e Golias, por exemplo. Há a referência de se buscar proteger os oprimidos e mais fracos. De qualquer forma, o símbolo evoca uma imagem de conflitos de poder e a necessidade de se discernir entre discussões maduras e necessárias, em que se coloca as dificuldades na mesa para que o diálogo possa ocorrer, versus discussões inúteis em que apenas se quer ter razão a qualquer custo, para dominar o outro, ou ainda, discute-se apenas pelo hábito, pelo vício, pela troca negativa. Qual é o nosso caso? Em qual tipo de discussão costumamos nos envolver?  Pelo quê discutimos? É bom refletirmos sobre isso também porque nossa resposta define nosso grau de maturidade neste momento, ou em relação às pessoas com as quais discutimos.

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Ao redor da mesa posta celebramos e criamos vínculos. Partilhar comida é uma maneira de estreitar os laços, porque comer é um ato universal, que nos reduz à nossa condição mais humana: a necessidade de alimento. Mas partilhar comida também é um ato pacífico porque, já se disse, se você tem as mãos ocupadas com comida não sobra espaço para armas – embora alguns possam argumentar que os talheres bem podem substituí-las, mas não é disso que estamos falando aqui – o certo é que comer junto aproxima as pessoas, porque é um ato de grande generosidade, uma vez que você está partilhando não apenas o alimento da sua despensa e da sua mesa, que em muitos tempos já foi muito escasso – e ainda o é em muitas regiões do mundo – mas principalmente, você está partilhando sua intimidade. Por isso, só convidamos para sentar à nossa mesa pessoas com quem temos muita afinidade, a quem respeitamos ou de quem gostamos muito e quando as convidamos, estamos dizendo implícita e explicitamente: você é um de nós, você é parte desta família, mesmo que não tenhamos laços de sangue, mesmo que seja apenas um amigo. Diz-se que os amigos são a família escolhida. Eu diria que os amigos são a família estendida.

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A Lua Cheia de Câncer nos diz que é tempo de celebrar: celebrar os laços amorosos, os vínculos afetivos; a generosidade que nos faz convidar outros a partilhar da nossa intimidade; a maturidade emocional, a capacidade de termos autonomia, mas de sermos ainda humanos o bastante para admitir que precisamos uns dos outros e que a vida e as conquistas são mais saborosas quando partilhadas com aqueles a quem amamos. Sobretudo, a Lua nos diz que é tempo de honrar nossa memória e o nosso passado familiar: todos os que vieram antes de nós, a começar pelos nossos pais, que foram corajosos o bastante para nos dar a vida, a despeito de quaisquer incertezas ou dificuldades que tenham enfrentado em seu tempo. E aqui estamos nós, a passar adiante seu legado, agregando nossa própria contribuição individual. Celebremos e brindemos a isso!

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E eu agradeço, reverencio e honro, particularmente, ao meu Pai e à minha Mãe, que me deram a vida e agradeço a todos os que vieram antes deles, por tudo o que foram e que fizeram, do seu jeito, no seu tempo e que me permitiram estar aqui, neste tempo e neste lugar, sendo quem sou, do jeito que sou, com um pouco mais de escolhas do que eles jamais tiveram. Do jeito que foi, do jeito que é. OBRIGADA!

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Kris Carr – Reprodução

Feliz Lua Cheia para você! 

Lua Cheia em Capricórnio: celebrando a vida, o amor e a compaixão!

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Do Pinterest – Desconheço o Autor – Reprodução

Chegamos ao ápice de mais um ciclo, num mês para lá de especial, visto que teremos DUAS Luas Cheias – a segunda chamada de LUA AZUL, no dia 31 de julho, em Aquário. O fenômeno da Lua Azul não se refere à coloração da Lua, mas à repetição da fase cheia no mesmo mês do calendário oficial, então, como o ciclo de lunação é de 29,5 dias, sempre que uma Lua Cheia ocorre no dia 1° ou dois de um mês, é muito provável que haja outra Lua Cheia ao final do mesmo mês (fevereiro está obviamente excluído do fenômeno). A Lua Azul ocorre em média a cada três anos.

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Tailtiu – Deusa Irlandesa da Terra e do Trigo – Reprodução

Voltando à Lua Cheia de hoje, ela ocorre às 23h19min no horário de Brasília, e às 03h19min no horário de Lisboa, a 09°55’ de Capricórnio, em conjunção a Plutão, oposição a Sol-Marte em Câncer, sextil quase exato a Netuno em Peixes e, principalmente, forma uma Grande Cruz Cardinal ao fazer quadratura ao eixo nodal da Lua. Uma Lua Cheia deveras poderosa e de grandes implicações! Mas antes de olharmos os aspectos, algo que chama a atenção é que esse mapa traz grande presença do elemento Água, cinco pontos no total (Sol, Marte, Saturno, Netuno e Quíron) e apenas Mercúrio em Ar, em seus domínios Geminianos. Isso aponta para uma Lua Cheia que tende a ser bastante emotiva, até mesmo para Capricórnio, visto que o regente da Lua Cheia, Saturno, está em Escorpião. A fase cheia já é naturalmente dramática, pois indica um momento crítico no ciclo, um pico na experiência da busca dos objetivos do período.

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500px.com – Reprodução

Toda essa água também sugere a necessidade de sermos mais amorosos e compassivos, de exercitarmos maior empatia, de olharmos para além do nosso próprio umbigo e estendermos as mãos para outros que porventura precisem de nós, seja o próximo mais próximo, ou mesmo em escalas comunitárias maiores. Nem que seja orando à distancia pelos que sofrem. O que me remete imediatamente ao aspecto mais próximo que Lua e Sol fazem neste mapa: Netuno. A Lua faz sextil e o Sol faz trígono, os dois a apenas 12 minutos de distância da exatidão do aspecto (minuto aqui é a fração de grau). É preciso trazer à luz da consciência (Sol) e também ao coração e ao sentir (Lua), a percepção da interconexão que nos une a todos na teia da vida, seja energia animal, vegetal, mineral – obviamente se isso está para além da espécie, está mais além ainda de identificações políticas, sociais, raciais ou religiosas. Tudo isso de forma muito prática e pé no chão, como requer o signo da Cabra. Até porque em Capricórnio adquirimos a consciência social, o conhecimento de que fazemos parte de uma comunidade, na qual está inserida também nossa família de origem (Câncer), e, portanto, devemos trabalhar não só pelos nossos objetivos e ambições pessoais, mas também pelo melhoramento dessa sociedade em questão.

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Norman Duenas, artista americano – Reprodução

Mas essa Lua Cheia fala mais, muito mais… Como a maior parte das Luas Cheias nos signos Cardinais dos últimos anos, essa novamente ocorre envolvendo Plutão – e por pouco não envolve Urano também! Lembretes ruidosos da necessidade de transformação profunda em nossas vidas, em todos os níveis: pessoal, familiar, profissional, social… Lembretes que são repetidos infinitamente; necessidade de levarmos vidas mais autênticas e mais condizentes com os limites da realidade em que vivemos. Sim, com Capricórnio sempre somos chamados a encarar a realidade como ela é e se Plutão é o par nessa dança, não há escapatória possível.

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Do site Makr.com, via Pinterest Reprodução

Capricórnio também evoca nossa capacidade indubitável para a auto-suficiência, a despeito de nossas cultivadas dependências e apegos. Responsabilidade, deveres, sobriedade, disciplina, paciência, temperança também são atributos deste signo que ficam mais que realçados quando dá lugar a uma lunação.  Contudo, a Lua Cheia convida também a buscarmos equilíbrio nos assuntos representados pelo eixo em que acontece, neste caso Câncer-Capricórnio. Aqui, uma frase que resume bem este eixo é a citação famosa de Che Guevara (que tinha Plutão em Câncer): “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamas”, ou em português claro: “é preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais”.

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Lua Cheia em Capricórnio – 1° de julho de 2015, 23h19min, Brasília-DF

A Lua Capricorniana, além de estar conjunta a Plutão, está em oposição a Marte em Câncer. Uma Lua que não tem medo de nada, que faz da coragem seu lema diário; que encara de perigos atrozes às durezas e obrigações do dia a dia. Mas é preciso vigiar para não se endurecer em demasia e para isso o sextil a Netuno vem bem a calhar, adicionando sensibilidade e compaixão, além de uma percepção onipresente dos sofrimentos do mundo lá fora. pinterestttA oposição Sol-Lua também faz aspecto, como já mencionei, com o eixo Nodal, formando uma Grande Cruz Cardinal (este quadrado vermelho que você vê no centro do mapa), mais poderosamente enfatizada porque hoje Marte está em quadratura exata a este eixo, neste mapa, a apenas três minutos de distância da plenitude do aspecto. De imediato essa Grande Cruz vem salientar, de novo, a necessidade de encontrarmos o equilíbrio entre as várias esferas de vida, doméstica, relacional, profissional, comunitária, como também já sugeri acima. Entretanto, mais do que isso, ela vem nos falar de destino. Sempre que o eixo nodal está envolvido, evoca-se uma qualidade fatalista, de inevitabilidade. E eu pergunto: estamos dispostos a abraçar nosso destino (Nodos lunares) – sim, ele existe, gostemos ou não – e fazer o que tem que ser feito, sem reclamações, sem birras ou tantruns (Sol-Marte em Câncer), assumindo nossas obrigações e deveres com honestidade, responsabilidade, realismo e ainda, sem perder a graça (Lua-Plutão em Capricórnio)?

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As Moiras, Cloto, Lachesis e Átropos, que teciam (Cloto), enrolavam (Lachesis) e cortavam (Átropos) o Fio do Destino – Alegoria de Strudwick 1885 – Reprodução do Wikipedia.

O que é livre arbítrio? O que é o destino? Existe mesmo essa coisa de destino? Eu diria que sim. Pense você: quantas coisas na sua vida aconteceram à revelia da sua vontade “consciente”? Se desconsiderarmos, nesta reflexão, a idéia de reencarnação ou de vida pré-vida, temos que concluir que não escolhemos a família em que nascemos, a cor dos nossos olhos ou pele ou cabelos; a forma do nosso corpo, as condições sociais  ou geográficas em que nascemos e tantos outros “detalhes” que moldaram nosso caráter e nossa experiência terrena… Em Astrologia nós dizemos que isso é Destino. Foi-lhe dado. Ponto. Igual ao seu mapa natal, que lhe foi dado e que representa seus desafios e dons nesta presente vida. É claro que de uma perspectiva espiritual dizemos que tudo isso foi escolhido pela nossa alma em função de nossa evolução, mas essa conjectura é apenas um exercício proposto para refletirmos sobre a dicotomia Destino-Livre arbítrio. Para resumir tal reflexão recorro a Jung, que tem uma das mais brilhantes e certeiras (pelo menos para mim) respostas para este dilema. Ele diz: “Livre arbítrio é capacidade de fazer com alegria aquilo que eu tenho que fazer”. É a isto que a Lua Cheia de hoje nos convida, ou melhor, nos convoca, a fazer com alegria aquilo que temos que fazer, seja isso o que for. Com honestidade, verdade, graça e alegria. E também a perceber que faz parte do nosso “destino”, ter nascido nesta Terra, neste tempo e ser parte dessa grande rede energética de vida. Mesmo que queiramos, não podemos nos desconectar dela.

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Do site magicalnaturetour.com Reprodução

O mapa ainda traz a conjunção Vênus-Júpiter em Leão, exata horas antes da Lua Cheia, lembrando-nos de novo, de como é importante nos sintonizarmos com a alegria e os estados de gratidão, para nos percebermos merecedores das grandes benesses da vida. Que é preciso sonhar grande e que o fato cumprirmos nossas obrigações e comprometimentos não significa, necessariamente, abrir mão de tais sonhos; que é perfeitamente possível conciliar realismo e esperança, otimismo e pé no chão, autoconfiança e sobriedade… Mercúrio, único ponto em Ar, está em sextil muito próximo tanto a Urano em Áries quanto à conjunção Vênus-Júpiter, indicando é possível também ser objetivo, lúcido e otimista, sem deixar de ser compassivo e sensível, como indica o restante do mapa.

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Do site Thebluebirdpatch.com – via Pinterest – Deconheço o autor – Reprodução

Por fim, como sempre, finalizo com o Símbolo Sabiano, que para o grau 09° de Capricórnio traz a seguinte imagem: “Um albatroz comendo da mão de um marinheiro”. Dane Rudhyar em seu livro Uma Mandala Astrológica diz que este grau pertence ao segundo Hemiciclo, que trata do Processo de Coletivização e ainda ao Quarto Ato, o da Capitalização. Ele diz que este símbolo nos fala da superação do medo e suas recompensas. “o homem que irradia perfeita inofensividade pode atrair para si as mais selvagens criaturas e estabelecer com elas uma parceria baseada no respeito e compreensão mútuos. Cada entidade viva tem um papel no ritual da existência no mundo; para além destes papeis específicos, que muito freqüentemente separam uma entidade vida da outra, a comunhão do amor e da compaixão pode aproximar vidas as mais completamente diferentes”, diz Rudhyar. A imagem traz a idéia de nos percebermos, de fato, como parte de uma grande rede energética que inclui todas as formas de vida, com o entendimento implícito de que nenhuma é mais – ou menos – importante do que a outra e que todas estão unidas pela origem em comum: a fonte divina de vida. “Somos apresentados com uma imagem em que o ideal da paz e da felicidade através da cultura, de forma que agora inclui todos os organismos vivos do planeta. O poder de tal cultura inofensividade e compaixão gera CONFIANÇA em todo lugar”, conclui ele.

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Irmão protege a irmã menor nos escombros do terremoto do Nepal – the Guardian Reprodução

Linda Hill expande o tema dizendo que este símbolo sugere a superação de medos, superstições e pensamentos limitantes. E que uma maneira eficiente de superar nossos medos (Capricórnio) é através da gentileza e da disposição em baixar nossa guarda, permitindo que outros possam se aproximar e interagir conosco, sejam humano ou animal. Erguer barreiras entre nós e os outros, tema comum para Capricórnio, pode levar à alienação, não só emocional, mas também em outros níveis da convivência terrena. É importante, pois, largar as preocupações e medos de lado e dar uma chance à aproximação com outros – dar uma “chance à paz”, como diria a frase clichê. Neste cenário, não se vê o marinheiro tentando agarrar o albatroz, o que nos diz de imediato que a relação é livre de dependências, posse ou controle, temas também importantes para o eixo Câncer-Capricórnio.

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Durante a explosão de uma fábrica na Chica, um macaco salva um filhote de cachorro carregando-o do lugar – Themetapicture.com – Reprodução

Concluindo, a Lua Cheia nos chama a assumir e abraçar nosso “Destino” com alegria, com tudo o que ele implica, com responsabilidade e honestidade; a superar dependências emocionais e caminhar na direção da independência e auto-suficiência; sobretudo, a Lua nos conclama a abrir-nos à vida, a celebrar o amor e a compaixão de forma irrestrita, implantando em nosso ambiente e em nosso cotidiano a cultura da paz e da unidade. Feliz Lua Cheia para você! Onde você estiver, com quem estiver, abra-se para a vida, o amor e a compaixão!

Nota: Em termos práticos, a Lua Cheia de Capricórnio favorece o trabalho e a materialização dos objetivos, especialmente favorece as questões financeiras e as ambições profissionais e empresariais. Sugere ainda uma ênfase nos assuntos da casa do mapa em que temos Capricórnio.

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Lifesrecipeforarichsoul.com – Via Pinterest – Reprodução