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A Semana Astrológica – À sombra do vulcão

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Semana de 27 de fevereiro a 05 de março – a semana pede cautela e prudência. O eclipse ocorrido no domingo ainda reverbera por bastante tempo e requer mais consciência, discernimento e inteireza de intenções. 

Acabou a primeira temporada de eclipses do ano, mas os dias continuam intensos ainda por bastante tempo, tanto por causa do eclipse – leia o artigo sobre a Lua Nova e Eclipse Solar em Peixes – quanto por causa dessa T-Square Cardinal Júpiter-Urano/Marte-Plutão! Nesta semana Marte faz oposição a Júpiter, que por sua vez faz a segunda oposição a Urano (agora retrógrado!) e a configuração ainda ganha o reforço da Lua que trafega Áries de terça até as primeiras horas da quinta-feira! O tempo fica fervente! Tempos intensos e extremos, de fato e, se por um lado sugerem embates e muitos desafios – especialmente à nossa paciência e tranquilidade – por outro, esse mesmo desassossego nos tira do sério e nos obriga a fazer coisas que vínhamos protelando e enrolando, ou seja, nos obriga a fazer o que tem que ser feito: eliminar as restrições, a preguiça, a acomodação, as desculpas esfarrapadas, o “faço amanhã”, ou quaisquer que sejam as correntes que andamos arrastando por aí feito alma penada condenada aos grilhões da inconsciência… A questão é que não somos almas penadas e não estamos condenados à inconsciência e nem a arrastar correntes, a não ser que queiramos permanecer no limbo da alienação – atenção para a conjunção Sol-Netuno em Peixes ativa durante a semana… Nos últimos anos temos tido muitas e muitas chances de dar muitas viradas… Esta é mais uma! Quem quiser agarrar, pode começar a viver, quem quiser continuar reclamando… Bom, depois não diga que não foi avisado! Diante dos problemas, é preciso ter atitude e resolvê-los – reclamar não é resolver, é estar apaixonado pelo problema e pelo próprio drama e, às vezes, parece que precisamos dar “cabeçadas” por aí para poder aprender a lição e com essa configuração, pode ser que tenhamos que aprender do pior jeito: errando, fazendo uma grande tolice, para finalmente cair a ficha da atitude errada, mas que pode no final das contas, ter um efeito positivo e nos colocar de vez no caminho da mudança – não sem prejuízos, claro! Marte também faz trígono a Saturno, que ajuda a assentar a cabeça depois de todas as revoluções Uranianas, propiciando verificarmos o que restou de tais revoluções… Vamos aplainar o terreno para começar uma nova construção!

O caminho percorrido por Vênus em oito anos, com cinco ciclos de retrogradação, forma a imagem de uma Flor de Lótus – Reprodução

Vênus fica retrógrado nesta semana, estacionando no dia 03 e mudando de direção no dia 04, no grau 13° de Áries. Fica retrógrado até o dia 15 de abril. Com Vênus retrógrado todos os tipos de relacionamentos e parcerias entram em período de revisão profunda, particularmente as relações amorosas. Estamos mais introspectivos e introvertidos e fazemos um balanço geral da nossa autoestima, daquilo que buscamos nas relações, daquilo que temos para oferecer… Os acordos e negociações diplomáticas podem ficar travados e isso pode levar a um recrudescimento dos conflitos, principalmente quando Vênus está em Áries, como agora, que é um signo avesso à diplomacia. Como Vênus tem a ver com valores, também representa nossa capacidade de gerar recursos, inclusive materiais – sim, dinheiro e posses! – e quando está retrógrado é aconselhável se ter cautela nos investimentos mais vultosos e reavaliar nosso gerenciamento financeiro. Não é um período favorável para casamentos ou celebração de parcerias, compra de imóveis ou bens de valor elevado, abertura de empresas, lançamentos de produtos ligados à beleza, estética e à arte em geral, abertura de casas de espetáculos ou empreendimentos culturais. Da mesma forma, cirurgias ou outros procedimentos estéticos importantes são desaconselhados, inclusive cortes de cabelo, ou coloração, que representem uma mudança grande na aparência – Não é que algo trágico vá acontecer, necessariamente, mas os resultados podem sair muito diferentes do esperado, gerando decepções e angústia. Esta retrogradação de Vênus tende a ser mais tensa, já que Áries é um signo de debilidade para este planeta… Escrevi um artigo extenso sobre a psicologia e simbolismo de Vênus retrógrado no mapa natal e em trânsito em 2014, quando Vênus estava retrógrada em Capricórnio. Você pode ler este artigo aqui. Na terça e quarta-feira ainda será possível ver a bela conjunção Lua-Vênus – e também Marte mais acima – no céu depois do por do Sol, conjunção que só voltaremos a ver no entardecer no ano que vem, já que Vênus passa a aparecer como Estrela da Manhã, Phosphorus/Eósforos, depois da retrogradação e só volta à forma de Estrela Vespertina, Héspero, semanas depois da conjunção superior ao Sol, que ocorre em janeiro de 2018.

Jon Jaylo – Reprodução

Mercúrio está em Peixes, sonhador, imaginativo, no mundo da Lua! E mais ainda porque vai fazer conjunção a Netuno! Então, cautela com a comunicação, que pode estar meio nebulosa e propensa a mal-entendidos diversos… A mente tende a divagar e ir parar lá no País das Maravilhas! Ops! Que horas/onde foi que eu caí nesse buraco de coelho??? Pode ficar difícil manter o contato com a realidade em alguns momentos e a tendência é pular de uma coisa a outra de maneira meio caótica – por esses dias só temos Plutão no elemento Terra, muita energia cardinal e mutável nenhuma energia fixa (a não ser quando a Lua passar por Touro e então será singleton). Caos e descontrole ficam nos rondando o tempo todo! Exercícios de aterramento – e até mesmo andar descalços na terra – podem ajudar. Mas podemos tirar muito proveito de tudo isso também. Toda essa sensibilidade de Mercúrio e Sol junto a Netuno expandem e aumentam a criatividade e a inventividade, favorecendo principalmente a artistas e criativos, mas de modo geral, a todos que queiram ter uma abordagem mais fértil e menos ortodoxa da vida.

Ho Jun di – Reprodução

O Sol também está em conjunção a Netuno o que significa que o altruísmo está em alta porque a empatia também está aumentada: sentimos os problemas alheios como se fossem nossos e genuinamente queremos ajudar, ficando até meio deprimidos se não o conseguimos. Todavia, é necessário cautela dobrada com idealismos excessivos (inclusive a respeito de si mesmo, os auto-enganos) não podemos esquecer que as pessoas continuam sendo humanas e sujeitas a falhas! Por outro lado, como já disse semana passada, os planetas de Peixes podem suavizar um pouco os bate-bocas e destemperos provocados pela T-Square Cardinal, já que trazem sensibilidade, empatia, flexibilidade, gentileza e a possibilidade de relevar muita coisa, até pela falta de ânimo que Peixes tem de se engajar em certas disputas, mas também porque tende a pensar no benefício do todo e a ter menos investimento nas questões egoicas – estou falando de Peixes positivo! No aspecto negativo, podemos vender para nós mesmos a imagem da abnegação e do desinteresse nas questões do ego, mas inconscientemente estar completamente investidos em garantir nosso próprio quinhão, seja a que custo for e ainda enganando a nós mesmos quanto às nossas motivações – autoconhecimento vale ouro aqui! A conjunção de Sol e Mercúrio a Netuno também pode trazer desânimo diantes das muitas agruras e da sordidez que vemos no mundo e sentimos um cansaço imenso de ter que lidar com as mesmas questões de novo e de novo… E, ao invés de lidar com os problemas diretamente, podemos nos dispersar em fantasias, devaneios, procrastinando nas atividades, desperdiçando tempo, energia, oportunidades, o que pode abater a autoestima porque o respeito próprio vai por água abaixo, junto com o tempo escoado pelo ralo – particularmente num céu que tem pouca energia fixa. Essa combinação Sol-Mercúrio-Netuno mais a T-Square Lua/Urano/Marte x Júpiter x Plutão também pode se manifestar em situações em que um lado é uma vítima ingênua, poderia se dizer, sacrificial, e o outro é o perpretador da violência implacável e podemos descobrir esses dois lados habitando e conflituando dentro de nós, como assisti-los manifestados no mundo exterior. Conselho prático: com todo esse fogo ativado nos céus, Marte conjunto a Urano e em oposição a Júpiter e ainda essa conjunção Sol-Netuno-Mercúrio, e quase nenhuma Terra, é mais que aconselhável evitar álcool e drogas em geral porque não temos nenhum senso de limites e estamos predispostos a exagerar e a perder a noção completamente – hashtag SemNoção – e no dia seguinte não se sabe se ter amnésia alcóolica é bênção ou maldição – isso se coisas mais graves não acontecerem! Num cenário assim, “acidente” não é acidente, é irresponsabilidade e até crime.

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SEGUNDA-FEIRA, 27 de fevereiro – Marte está em oposição exata a Júpiter, que também está bem perto de fazer a segunda oposição a Urano… É fogo contra fogo! A Lua está renovada em Peixes e se harmoniza com Plutão, faz conjunção a Kíron, quincúncio a Júpiter e quadratura a Saturno, ficando vazia depois, às 20h09min. Esse é um dia de excessos e extravagâncias! Exageramos na ênfase que damos ao que estamos fazendo, talvez colocando energia demais e nos desgastando desnecessariamente – quem sabe até colocando a saúde em risco; talvez metendo os pés pelas mãos e fazendo alguma tolice da qual nos arrependemos depois, apostando todas as fichas em algo sem ponderar adequadamente, correndo riscos mal calculados… O certo é que há muita energia, mas talvez não saibamos bem o que fazer com ela e se esse for o caso, podemos nos pegar nos exaltando em alguma situação em que sentimos que precisamos nos impor, batendo o pé arrogantemente e insistindo que sabemos mais e melhor, que podemos e acontecemos… O balão está inflado, mas é preciso cautela porque quanto mais inflado, mais sensível a agulhas, espinhos e afins, que podem aparecer de lugares insuspeitos… Talvez nossa arrogância mascare alguma insegurança quanto às nossas reais capacidades, mas o certo é que precisamos estar conscientes de nossas ações e daquilo que estamos realizando ou tentando realizar e, principalmente, estarmos cientes das razões para fazê-lo. Também precisamos lembrar que não é todo dia que estamos “com a bola toda” portanto, nada de sair pisando nos calos dos outros só porque podemos fazê-lo! Afinal, o mundo dá voltas – oh! se dá! E nada de querer abraçar o mundo com as pernas, porque logo poderemos descobrir que prometemos mais do que damos conta de entregar! Em vez disso, podemos realizar muita coisa positiva com todo esse vigor e entusiasmo de que dispomos por esses dias, SE soubermos nos ater aos nossos limites humanos e pessoais e buscar transpor tais limites (aqueles passíveis de serem superados) de forma inteligente e perspicaz, sem achar que precisamos patrolar todo mundo no processo. Então, se soubermos tirar proveito, podemos nos afinar com oportunidades de ouro de nos expandir realmente, de progredir em áreas em vínhamos patinando sem sucesso. Mas isso requer pé no chão, respeito aos limites nossos e dos outros, respeito às leis da Física – esse trânsito nos deixa propensos a acidentes idiotas – e atenção cuidadosa em tudo o que formos fazer. É um ótimo dia para nos conscientizar de nossas próprias limitações, nos conscientizar de crenças ultrapassadas e que não fazem mais nenhum sentido para nós, embora continuemos repetindo a ladainha herdada da família, de grupos, de amigos, etc… Ser honestos e identificar, realmente, o que é que nos prende e nos restringe e nos comprometermos com nossa própria liberação e independência – e lembrar que o mundo não foi feito em um único dia! Se conseguimos manter a cabeça no lugar, podemos inclusive ser bafejados pela boa sorte de maneiras completamente inesperadas, caso estejamos sintonizados com a intuição e com o tempo certo das coisas!

Do tumblr – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 28 de fevereiro – A Lua está fora de curso em Peixes na primeira hora do dia, mas ingressa em Áries à 01h53min, onde faz conjunção a Vênus. Marte acelera o passo para conversar com Saturno, mas ainda está bastante esquentado, enquanto o Sol já bate na porta de Netuno. A Lua está nova e super impulsiva e o trânsito por Áries salienta mais essa qualidade, de modo que nos próximos dias precisamos segurar as rédeas da pequena selvagem dando cabeçadas dentro de nós. A conjunção da Lua a Vênus talvez suavize um pouco esse lado impulsivo, contudo, ainda há muita imprevisibilidade no ar, já que Urano está muito ativo e essa Vênus prestes a mudar de direção, o que altera sua forma de expressão, além de estarem ambas em quadratura a Plutão. De fato, os instintos estão muito aguçados e demandam esforço hercúleo contê-los porque a via natural seria soltar as rédeas e dar livre curso a tais ímpetos, mas o dia pede que nos preparemos para amanhã, quando teremos desafios maiores pela frente, de modo que hoje, se for possível, seria bom já ir pensando em quais desafios vamos abraçar e quais não valem mesmo o esforço. Contenção é diferente de supressão ou mesmo repressão. A repressão ou supressão dessas energias voláteis pode ser perigosa porque ela pode implodir dentro de nós e causar muitos estragos, inclusive para a saúde. A contenção se dá quando vemos e reconhecemos as tensões, ficamos cientes delas, mas não permitimos que nos controlem, nem as atuamos de maneira errática ou inconsciente, pelo contrário, tomamos decisões maduras e claras a respeito das situações. Podemos fazer alongamentos para relaxar um pouco a tensão física e podemos ainda fazer alguma atividade física que não implique grandes riscos, como uma boa caminhada, que permita transpirar a ansiedade, e canalizar a energia de alta voltagem que circula pelas veias e músculos. Vale a pena olhar para o céu do entardecer para ver a última conjunção Lua-Vênus neste horário. Depois da retrogradação Vênus passará a aparecer com a Estrela Dalva, Estela da Manhã e para vê-la, só madrugando mesmo!

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QUARTA-FEIRA, 1° de março – De Áries a Lua faz quadratura a Plutão, conjunção a Urano e a Marte e oposição a Júpiter, incendiando de vez os humores e as cabeças. A Lua ainda faz trígono a Saturno e semi-quadratura ao Sol, entrando na fase Semi-Crescente. A conjunção Sol-Netuno ficando exata na última hora do dia talvez ajude a aplacar muitas disputas e jogar água na fervura. O dia está explosivo: há grande necessidade de ação e movimento e a Lua Ariana conjunta a Marte e a Urano adiciona mais fogo à impulsividade reinante de modo que nos sentimos como um vulcão entrando em erupção e assim também fica o clima geral! Emoções intensas, obstinação, ações impensadas, disputas de ego e humor para lá de abrasivo deixam a todos com a sensação de estar à sombra do vulcão cuspindo fogo e fumaça tóxica. Tóxicas podem ficar as relações com tal clima belicoso, portanto, é necessário prudência nas ações e nas iniciativas tomadas: é preciso ter moderação em tudo o que fizermos hoje e canalizarmos a energia intensa e turbulenta de transformação em realizações criativas, buscando mudar e transformar a nós mesmos e nossos vícios e problemas, ao invés de bater de frente com outros. O Sol conjunto a Netuno nos convida a sonhar e dar vazão à nossa criatividade e toda a energia cardinal ativada propicia que realmente  façamos algo produtivo com essa imaginação e sensibilidade, em lugar de ficar só viajando pelo mundo da Lua. Positivamente, Sol-Netuno também podem trazer um pouco de doçura, pacificidade e compreensão do outro. Por outro lado, como estamos também muito suscetíveis e impressionáveis, podemos nos contaminar e intoxicar com o clima carregado e hostil, sentindo-nos perdidos, paralizados, massacrados, expondo-nos à brutalidade de outros. Talvez também teçamos fantasias de que as coisas melhorem por si só, se apenas ficarmos quietinhos e invisíveis no nosso canto… Mas isso é ilusão! Crescer pressupõe “entender que nada em nossa vida acontece sem a nossa participação efetiva. É deixar a ingenuidade de que o mundo possa melhorar sem que façamos nossa parte” (Ilda Baddauhy) e este é o nosso maior desafio: fazer a nossa parte de maneira criativa, construtiva, utilizando as fortes energias a nosso favor e não contra nós ou contra quem quer que seja!

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QUINTA-FEIRA, 2 de março – Júpiter, retrógrado em Libra, faz oposição exata a Urano hoje, que está direto (na primeira vez que ocorreu esse aspecto, Urano estava retrógrado e Júpiter direto), oposição que fica partil por algumas horas, no fim do dia. O Sol em Peixes segue conjunto a Netuno, enquanto a Lua abre o dia vazia em Áries. Ingressa em Touro às 04h43min e logo faz sextil a Mercúrio. Fecha a noite também harmonizada a Netuno, aspecto exato amanhã. Os movimentos liberatórios aventados ou iniciados no fim de dezembro agora sofrem uma revisão importante quando precisamos avaliar se de fato nos liberamos do que nos cerceava ou apenas tomamos medidas paliativas. Estamos empenhados em reformar a vida e o mundo exterior, mas é preciso estar cientes de que primeiro é necessário uma reforma interna, uma reforma individual que inclua mudanças não só das atitude, mas principalmente das crenças, convicções e princípios que norteiam tais atitudes. Positivamente, o dia traz influências que dão ancoragem, bom senso e pragmatismo para lidarmos com isso de forma direta e responsável… Por outro lado, talvez tentemos ganhar tempo e protelar as coisas mais um pouco, por receio de abrir mão das comodidades e apegos que viemos acumulando ao longo do tempo. Mas a transição precisa ser feita e quanto mais adiarmos, mais difícil poderá ser. O que precisamos é refinar nosso timing para saber a hora de agir, porque em algumas situações, se agirmos rápido demais, poderemos nos precipitar e por tudo a perder e, ao mesmo tempo, se deixarmos o tempo passar, poderemos perder ótimas oportunidades de desenvolvimento e melhorias.  Em certos momentos precisaremos agir imediatamente e em outros, será melhor esperar. Como diferenciar e ter esse timing correto? Estando conectados com nosso relógio interno, com a intuição e o centro de nós mesmos. De qualquer forma, se nos colocamos no caminho com perseverança, confiando neste centro e dispostos a abrir nossos horizontes mentais, saberemos o que, quando e como fazer!

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SEXTA-FEIRA, 3 de março – A Lua Taurina conversa placidamente com Netuno e com o Sol em Peixes e depois mais intensamente, com Plutão em Capricórnio, aspecto depois do qual fica vazia, às 12h22min. Mais tarde Dona Lua se afina com Kíron e os dois estão indispostos com Júpiter, tornando este foco de um Yod-Dedo de Deus. O dia traz a oportunidade de percebermos com mais clareza a natureza dos nossos sentimentos e de expressá-los mais adequada e criativamente, podendo até mesmo ajudar a outros de maneira prática e arrazoada, sem contudo perder o feeling e a capacidade de entender as motivações mais profundas, tanto as nossas quanto as de outros com quem interagimos. Essa criatividade hoje se mostra mais funcional e pé no chão, de modo que podemos encontrar saídas para nossos dilemas com uma boa dose de bom senso, mesclado com muita sensibilidade. Em alguns momentos pode ser que duvidemos do nosso discernimento e da capacidade de realizar as escolhas, mas talvez olhar as dificuldades de outros possa nos ajudar a aceitar nossas próprias contradições e idiossincrasias, sem precisarmos ser tão severos no julgamento. De qualquer maneira, ainda precisamos ter alguma vigilância quanto a certas inseguranças ou dificuldade de pesar apropriadamente o potencial das coisas, o que pode levar a atitudes impensadas e irracionais. A tarde traz um tempo propício a empreender uma regeneração silenciosa e tranquila, caso saibamos usar o tempo e os recursos sabiamente, cessando as ações objetivas e permitindo-se ser e estar, sem a obrigatoriedade do fazer mecânico e indistinto. Quem puder começar o fim de semana mais cedo que o faça porque a tarde de sexta está mais propensa ao descanso e à contemplação do que às iniciativas de natureza determinada e concreta. Anoite de sexta pede programas comedidos e mais caseiros e talvez nos vejamos até indo para a cama mais cedo.

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SÁBADO, 4 de março – A Lua está vazia em Touro, tornando o sono mais profundo e repousante. Ingressa em Gêmeos às 07h06min e fica algumas horas sem conversar com os demais corpos celestes – algo difícil para Gêmeos – fazendo apenas oposição a Lilith e quadratura ao eixo nodal. Fecha a noite já em quadratura a Netuno. Vênus estaciona às 06h09min, a 13°07’ de Áries. Depois de uma semana bastante intensa e super agitada, o sono restaurador nos permite revigorar as energias e o ânimo. Acordamos com a corda toda, revitalizados e querendo interagir com o mundo ao redor, buscando estímulos mentais no ambiente… Contudo, a sensação é de estarmos isolados porque não conseguimos conexão efetiva com outros, de modo que isso pode resultar em inquietude, ansiedade e oscilações vertiginosas de humor, podendo nos levar a sentir um humor bastante sombrio apenas minutos depois de estarmos leves animados. Talvez seja o contrário: pode ser que nos deparemos com outras pessoas que querem permanecer na quietude tranquila e meditativa e quando as interrompemos em sua contemplação elas se indispõem contra nós. Os contatos e interações nas relações são sentidos de forma mais aguda e intensa e é possível que nos demos conta de algum padrão que se repete nessas relações e que só agora fica claro para nós. Sombras de nós mesmos que surgem do inconsciente, prontas para serem trazidas à luz, ou, melhor dizendo, prontas para nos levarem numa jornada ao Mundo Inferior do nosso próprio coração e dos nossos afetos mais profundos.

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DOMINGO, 5 de março – Vênus entra em retrogradação às 06h09min e ficará retrógrada até 15 de abril, voltando aé o grau 26° de Peixes. A Lua Geminiana tem uma conversa super tensa e confusa com Netuno e com Mercúrio em Peixes e também faz quadratura ao Sol, oficializando a fase do Quarto Crescente. A Lua ainda dialoga animada com Vênus, briga com Plutão e se afina lindamente com Júpiter e Urano. Fecha a noite e a semana em oposição a Saturno em Sagitário. O domingo está super agitado e nos vemos puxados para inúmeras atividades, algumas das quais, apesar do estímulo que propiciam, acabam por nos deixar meio cansados e irritados. Há conflitos internos entre as necessidades e instintos e a consciência e ficamos indecisos sobre qual dos dois seguir e a despeito de toda a atividade mental e do impulso para interagir com o ambiente, uma outra parte de nós deseja calma e sossego e talvez seja mesmo uma boa ideia ficar um pouco quietos, ao invés de pululando por aí, até que tenhamos noção da origem de tais conflitos e possamos achar maneiras de conciliá-los. O Quarto Crescente ocorre no ângulo Gêmeos-Peixes, sugerindo que precisamos filtrar os sonhos e fantasias da Lua Nova e torná-los mais objetivos e claros, não uma névoa difusa de desejos e esperanças confusos, mas uma ideia límpida de quais sonhos podem se tornar planos realizáveis.

Uma ótima semana para você! Que seja de luz e discernimento!

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A Semana Astrológica – Botando fogo pelas ventas!

Eclipse Penumbral da Lua - Reprodução
Eclipse Penumbral da Lua – Reprodução

Semana de 12 a 18 de setembro – Esta é uma semana que tende a ser bastante volátil e que demanda muita prudência e atenção. 

Estamos num período entre eclipses, que culmina toda a tensão sentida nos últimos meses e que traz vários aspectos importantes tornando-se exatos desde duas semanas atrás. Na semana passada tivemos a última quadratura Saturno-Netuno e na sexta-feira temos um Eclipse Penumbral da Lua em Peixes, além de vários outros aspectos que vão demandar cabeça fria, paciência e muita cautela de todos nós. Parte dessa tensão tem a ver com o fato de o Sol estar se metendo em muitos desafios bastante estressantes: faz quincunce a Urano em Áries, oposição a Quíron em Peixes e ainda uma volátil quadratura minguante a Marte, que vai fechando um ciclo importante de dois anos, cujo apogeu ocorreu durante a retrogradação de Marte. Todos esses desafios nos questionam se realmente sabemos quem somos e do que somos feitos, assim como se temos clareza da validade de nossos propósitos e esforços.

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Mercúrio percorre a última semana de retrogradação e daqui a pouco já desacelera para mudar de direção. Últimos dias para revisar aqueles papéis, a forma de trabalhar e de lidar com o cotidiano. Antes de voltar ao movimento direto, porém, Mercúrio faz a conjunção Inferior ao Sol, ficando Cazimi por algumas horas na terça-feira. Com Mercúrio Cazimi temos acesso a grandes insights e iluminações da consciência. Mercúrio, como Relações Públicas e assessor de imprensa do Sol, fica muitas horas em reunião com ele, para coletar as instruções da autoridade máxima do nosso sistema para os próximos meses. Um novo ciclo se inicia para a mente consciente. Quando ele atingir a maior elongação Oeste, estacionará e voltará ao movimento direto, surgindo então como estrela da manhã, nascendo antes do Sol no Horizonte Leste. Esta fase é chamada de Fase Prometeu, uma fase do ciclo Mercurial que predispões a aventuras, a correr riscos, a experimentações.

Tae Lee - Reprodução
Tae Lee – Reprodução

Vênus faz oposição a Urano, num duelo de luvas de boxe versus luvas de pelica… Temos de chacoalhar de novo as relações que andam mornas e insossas. Tempo de ser menos dependentes da opinião do outro, de revitalizar a própria individualidade para que a relação volte a ser interessante. É isso ou há propensão a rupturas estrepitosas, especialmente se os trânsitos no mapa natal do indivíduo sugerirem tensão nas casas ou planetas relacionais. Vênus também faz quincunce a Quíron, indicando alguns dias em que ficamos meio inseguros de nós mesmos e do nosso direito de ser amados pelo mero fato de existir. Como é uma insegurança que vai e vem de forma inconstante, talvez não seja assim tão clara e podemos projetá-la no outro, sentido-nos magoados e feridos por atitudes que não tinham necessariamente essa intenção. Vale manter as sensibilidades em cheque, porque o período traz também o potencial de compreendermos melhor essas dinâmicas relacionais e curarmos o nosso complexo de Patinho Feio, se não de forma definitiva, pelo menos a ponto de nos dar maior segurança e autoconfiança, nascidas da autoaceitação.

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Marte faz quadratura a Quíron e nós ficamos muito melindrosos. Defensivos, talvez ataquemos por prevenção, o que, obviamente, leva a mágoas e dificuldades nas interações – não nos damos conta de que o veneno que jogamos no outro também queima nossas mãos. Como Marte também faz trígono a Urano, é possível que fujamos desse desconforto pela via da independência e da liberdade, evitando proximidade com quem quer que ameace chegar perto demais das nossas feridas. De fato, Urano ajuda a nos livrar das limitações e barreiras que antes nos seguravam na nossa zona de conforto. Mas precisamos estar atentos para que isso seja uma liberação genuína e não uma mera fuga daquilo que não queremos ver. Somando esse aspecto Marte-Quíron à quadratura Sol-Marte, entendemos porque a semana está tão volátil e belicosa. Sempre que Marte está desafiado, os egos ficam espinhosos e defensivos e há maior propensão a conflitos e beligerâncias. Qualquer pequena discordância vira uma grande ofensa e o sangue ferve, espalhando fúria cega por todo o corpo, e quando vemos, estamos soltando fogo pelas ventas, pelos olhos, pela boca, por todos os poros! Certo, nem tudo descamba em violência, felizmente, mas ainda precisamos vigiar nosso humor e atitudes para não estragarmos relações por causa de rompantes que não têm que ocorrer, se apenas tivermos a necessária contenção para as nossas emoções.

A Lua abriu a semana ainda no Quarto Crescente. Fica Corcunda em Aquário terça-feira e será cheia na sexta, numa lunação que também é um Eclipse Penumbral da Lua. Fecha a semana já em Áries, cheia de energia e disposição!

rotinaSEGUNDA-FEIRA, 12 de setembro – A Lua segue por Capricórnio e hoje já fez sextil a Quíron, trígono ao Sol e a Mercúrio e ficou vazia às 07h02min, depois da quadratura a Urano em Áries. Ingressa em Aquário somente às 18h29min, portanto, temos o dia inteiro de Lua fora de curso! Mercúrio faz hoje a conjunção baixa ou Inferior ao Sol, ficando Cazimi das 17h15min até a 00h15min da terça-feira. Com Mercúrio Cazimi temos acesso a grandes insights e iluminações da consciência. A segunda começa com muito gás e energia intempestiva logo cedo. Talvez tenhamos acordado até antes do despertador, com algum ruído abrupto ou sonho esquisito. Mas apesar de todo esse gás inicial, logo a energia entra em repouso sugerindo que o ideal é nos concentrarmos nas tarefas rotineiras, organizar a agenda, estruturar todas as atividades e por em ordem todas as coisas que estejam fora do lugar. Não é um dia favorável para ir ao mundo começar coisas novas que demandem investimento de muita energia e clareza. É um dia mais propício para ruminações, observação e planejamentos, mais do que para ação direta. Falta objetividade, mas sobra praticidade e pé no chão e considerando que Mercúrio está retrógrado, estas influências são ótimas para se arrumar gavetas, estantes e por a papelada em ordem – atenção na hora de descartar papéis para não jogar fora coisas importantes! A Lua está vazia por todo o dia e ficou vazia depois de um aspecto tenso a Urano. Isso é um paradoxo, porque a Lua em Capricórnio precisa arregaçar as mangas e buscar resoluções, efetivas e eficazes, que traduzem os propósitos do Sol em Virgem, mas a Lua estando vazia pede um pouco de espera com certos assuntos – isso pode gerar inquietações e ansiedades. Contudo, se insistimos em ir atrás de definições claras, podemos nos deparar com imprevistos desagradáveis, com perda de de tempo e muita irritação, porque não há firmeza ou clareza suficiente à nossa disposição. No mínimo, podemos resolver coisas que depois precisam ser revistas ou que não nos satisfazem completamente. Assim, é seguir o dia sem grandes expectativas.

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TERÇA-FEIRA, 13 de setembro – A Lua trafega o signo de Aquário, prestes a ser cheia (sexta-feira, no Eclipse Penumbral Lunar) em Peixes. Hoje faz sesqui-quadratura a Mercúrio e ao Sol em Virgem, entrando na fase Corcunda. A Lua ainda faz sextil a Saturno e o Sol hoje está em quadratura exata a Marte. O dia traz à tona algumas tensões que vinham se arrastando já há algum tempo. A sensação de bloqueio, de dúvida, de incerteza fica clara e podemos divisar que os entraves que experimentamos na nossa ação exterior estão em ressonância com a dúvida que temos a respeito da legitimidade dessa ação, com o direito de buscarmos o que estamos buscando. É um dilema interno manifestado lá fora. O meu antagonista se afina inconscientemente com a minha insegurança e a mostra para eu reconhecer. Em outras palavras, o dia está propenso a conflitos diversos, conflitos de ego, em que achamos que outros tentam nos impedir de fazer o que queremos o de ser quem somos. Mas o que está em teste é a validade dos nossos esforços e o quanto acreditamos naquilo que estamos fazendo. Isso é mais fácil se, quatro meses atrás, já tenhamos trabalhado nossas inseguranças e dúvidas internas. Se realmente fizemos isso lá atrás, porque foi nos sentimos ainda mais bloqueados, agora já sabemos o que precisa ser feito, já sabemos como ajustar minha vontade e a do outro, de modo que achamos uma conciliação. Contudo, se continuamos muito inconscientes da nossa dinâmica de vítima ou da nossa impotência e hesitação, é mais provável que tenhamos problemas com o chefe e com figuras de autoridade e superiores em geral. Saber o que se quer e por que se quer já é meio caminho andado para não cair nas armadilhas dos conflitos de ego. Estar consciente das motivações pessoais mais profundas é outro passo importante. Em termos práticos o dia traz influências voláteis: muita irritação, impaciência e temperamento explosivo quando as coisas saem diferente do que queríamos e isso requer cautela em todas as atividades, pois há tendência a precipitação e a comprar brigas tolas e sem fundamento. Podemos nos sentir em qualquer um dos lados do extremo: ou nos sentimos bloqueados e avançamos contra outros, ou somos receptáculo da raiva daqueles que se acham ofendidos por medidas que necessitamos aplicar. Qualquer que seja o caso, precisamos ancorar nossa irritação e ter clareza se ela é legítima ou se estamos, de novo, agindo como a criança birrenta que quer o que não lhe pertence. Mesmo que sejam legítimas as nossas queixas, ainda precisamos expressá-las de forma civilizada para poder chegar a alguma conciliação. E ainda precisamos ter cautela se o que dizemos realmente expressa o que sentimos e queremos, porque a mensagem pode sair enviesada por rusgas velhas e inconscientes. Felizmente a Lua dá algum distanciamento e objetividade, de forma que talvez não precisemos nos perder no nosso próprio umbigo e nas nossas próprias reclamações. Tentar ver a situação de fora, pode alargar nossa perspectiva e perceber que há coisas maiores em jogo do que meramente aquilo que “eu quero”.

Primal Source, instalação de Usman Haque - Desconheço o autor da foto - Reprodução
Primal Source, instalação de Usman Haque – Desconheço o autor da foto – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 14 de setembro –A Lua Aquariana faz trígono a Vênus em Libra e sextil a Marte em Sagitário e a seu dispositor, Urano em Áries. Contudo, a Lua se desentende com Mercúrio e com o Sol. Fica vazia depois do contato com Urano, às 12h32min e entra em Peixes somente às 23h23min. Marte marcha para confrontar Quíron, que também é desafiado pelo Sol. Apesar de começarmos com serenidade, o dia traz muitas provocações que desafiam nossa calma e estabilidade. As coisas parecem fluir, mas lá no fundo suspeitamos de que algo está meio fora do lugar, como aquela sensação esquisita que fica indo e voltando e nos tira a tranquilidade e a confiança… Como se algo nefasto fosse pipocar a qualquer momento e estragar nosso humor e a paisagem interior, equilibrada com tanto esforço. Entretanto, se focarmos no que está errado somente, no que está fora de lugar, perdemos a chance de perceber a paisagem maior, em que tudo tem o seu lugar e função, mesmo os pequenos escorregões que nos fazem sentir inadequados e meio tortos. O que podemos fazer, que pode nos ajudar, realmente, é estar plenamente atentos, observando, desapegadamente, os pensamentos, os sentimentos e emoções desencontrados, as raivas e as tristezas, como se estivéssemos no centro de um grande caleidoscópio que gira ao nosso redor. Se ele gira, nós não precisamos girar junto, mas podemos apenas esperar, liberados, pela próxima imagem, pela próxima cor. Deixar vir e deixar ir. Soltar. Liberar-se. Liberar-se das expectativas, boas e ruins e apenas ser, apenas viver, apenas estar no aqui e no agora. Desapegar-se também da dor crua que tira o fôlego, ao respirar profundamente, respirar na própria dor, para compreendê-la e soltá-la. Chegar ao âmago dessa raiva surda, impotente e apoderar-se dela, porque ela é nossa, não é de ninguém mais e concentrar essa energia em nossas mãos, para aplicá-las em outras áreas. Sintonizar-se com a serenidade e com este centro interno que nos ancora e acalenta quando tudo o mais enlouquece. Preocupemo-nos com os problemas quando eles surgirem. “Se” eles surgirem. Se estamos no centro, sabemos o que fazer, quando e como.

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QUINTA-FEIRA, 15 de setembro – De Peixes, a Lua, prestes a ser cheia, faz sesqui-quadratura a Vênus e quincunce a Júpiter. Mais tarde ela se funde a Netuno e entra em litígio com Saturno. O Sol está em oposição com Quíron hoje e forma uma T-Square mutável, da qual Marte é o foco. A Lua ainda se harmoniza com Plutão, mas também se irrita com Quíron. Um dia ultra-sensível, em que temos muita dificuldade de nos diferenciar e diferenciar o que sentimos do que ocorre no ambiente ao redor. Sentimo-nos particularmente fragilizados e vulneráveis, expostos em nossas dores e ressentimentos, numa briga interna que nos torna azedos ou amargos. Podemos bancar os valentões e insensíveis para disfarçar essas inadequações tão afloradas. Mas, em nossa grosseria, não nos damos conta que avançamos o sinal e causamos dor e mágoas em outros, que reagem defensivamente, talvez até com um golpe baixo inesperado – quem mandou cutucar onça com vara curta? Ao contrário, se paramos para realmente sentir o espinho cravado na carne, talvez possamos identificar o que o colocou ali, além de perceber maneiras mais sutis de lidar com o problema e com nossas misérias emocionais. O surpreendente é que, ao fazer isso, ao invés de parecer frágeis, talvez diminuamos o fosse que nos separa dos outros, especialmente aqueles mais próximos de nós. A questão é: temos coragem de realmente sentir? Estamos dispostos a deixar o outro chegar tão perto?

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SEXTA-FEIRA, 16 de setembro – A Lua Pisciana faz oposição a Mercúrio retrógrado em Virgem, quadratura a Marte e conjunção a Quíron, um pouco antes de fazer oposição ao Sol culminando o ciclo na Lua Cheia, que é também eclipse Penumbral da Lua. A Lua culmina o ciclo nessa T-Square pesada, explosiva e super sensível, envolvendo Quíron, Marte e o Sol. A Lua fica vazia logo depois de ser cheia, às 16h04min. Marte está em quadratura plena a Quíron. Um dia cheio de acontecimentos delicados que acionam feridas antigas, purulentas, doloridas, talvez amargas… Mas se velhas feridas se magoam e se abrem e a secreção se espalha, pelo menos sabemos que não estavam tão curadas e cicatrizadas quanto pareciam e o fato de se reabrirem apresenta a oportunidade de serem limpas, higienizadas, e quem sabe, finalmente curadas. O eclipse ocorre a 24° de Pexes, em conjunção a Quíron, oposição a Mercúrio e quadratura a Marte em Sagitário, formando uma T-Square melindrosa, penosa e difícil, que repercute direto na vontade e capacidade de autoafirmação. Insegurança e vulnerabilidade são o resultado imediato. Por estarmos tão suscetíveis, o clima fica explosivo e sujeito a muitos conflitos de ego, porque parece que as coisas mais mesquinhas ameaçam nossa integridade e isso nos arrelia ao extremo, predispondo-nos a reagir desmesuradamente, com quatro pedras na mão ao menor sinal de atrito. Somando-se ao fato de ser Lua Cheia – ânimos mais que alterados! – e eclipse – mais alterados e descontrolados = caos – o dia está mesmo complicado. Há também propensão a extremismos e fanatismos, portanto, hoje vale aquela máxima, às vezes, é melhor ficar em paz do que provar que se tem razão. Contudo, o eclipse também traz promessas de remissão, de cura e redenção. Se conseguimos ultrapassar o nível das emoções apaixonadas e extremadas, talvez consigamos admitir nossa grande frustração, impotência, sensação de isolamento e fracasso, que são a origem de toda a turbulência. E talvez consigamos olhar para nós mesmos com misericórdia, lembrando que não somos super-homens, somos apenas humanos, sujeitos a todas as fraquezas e debilidades humanas, mas também aptos a alcançar estados nobres de abnegação, compreensão e misericórdia – mas esses estados só são genuínos depois que admitimos nossas fraquezas.

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SÁBADO – 17 de setembro – A Lua abre o dia vazia em Peixes e ingressa em Áries à 01h23min, de onde logo se opõe a Júpiter em Libra. A Lua ainda faz trígono a Saturno. Marte está em trígono exato a Urano e Vênus faz quincunce pleno a Quíron. Depois dos tsunamis e avalanches de ontem, amanhecemos com a alma lavada, dispostos a sacudir a lama do corpo, a dar a volta por cima. E temos energia para isso. O dia está sim, propício a encararmos os desafios com novo vigor, com ânimo renovado e maior sabedoria e elasticidade. Podemos usar todas as últimas experiências dolorosas como adubo que fomenta uma nova coragem, que nos impulsiona em direção ao novo. Percebemos em nós o que precisamos mudar e entramos em ação para por as mudanças em prática – que podem ser coisas pequenas do nosso cotidiano, mas que têm grande impacto na nossa atitude e estado de ânimo. Inibições e inseguranças que nos tolhiam antes ainda estão presentes, mas talvez ousemos ir adiante a despeito delas. Assim, surpreendemos aos outros e talvez até anos mesmos com nosso arrojo e audácia, correndo riscos que antes nos deixariam nervosos e agora apenas nos estimulam. Tudo muito bem, mas ainda precisamos cuidar dos exageros, da afobação e atentar para a possibilidade de ainda estarmos evitando algo não resolvido. Cientes disso, podemos sim, aproveitar as energias vigorosas para sacudir o lodo da alma e inspirar nossos ares e aspirar novas realizações e façanhas. O dia está favorável a se lançar rumo ao desconhecido!

Leilane Bustamante - Reprodução
Leilane Bustamante – Reprodução

DOMINGO, 18 de setembro – A Lua segue na fase Cheia por Áries e hoje faz quadratura a Plutão, oposição a Vênus e conjunção a Urano, além de trígono a Marte. Termina o dia em quincunce ao Sol. O domingo está inflamado, abrasivo, fervendo mesmo! Há muito dinamismo, mas também muita impaciência no ar, que nos faz nos precipitar e correr para cima do perigo ao invés de nos precaver contra ele. Encaramos as feras, de dentro e de fora e não medramos para ninguém. Entretanto, com tanta intensidade e paixão, urge achar um freio para a boca e para as atitudes, que estão mais que intempestivas hoje. Do contrário, criamos atritos e inimizades aonde vamos e arengamos até mesmo com aqueles mais próximos, talvez por coisas mesquinhas, o que desagrada muito às almas mais delicadas. Nesse cenário revoltoso e agitado, a convivência fica sujeita a muita instabilidade, imprevistos, arranhões e altercações diversas, principalmente entre casais e nas relações de amizades. Porém, se estamos cientes de nossas discrepâncias, de nossa irritação e indocilidade, podemos contê-las, de modo que não precisamos descontar em outros aquilo que só cabe a nós resolver. O dia também traz grande anseio por liberdade, independência, mudança, saída da rotina, inovação e a experimentar e fazer algo diferente. Mas há que se ter cautela nas estradas ou atividades físicas porque com essas energias voláteis ativadas, estamos suscetíveis a muitos atropelos e talvez até, acidentes. Cautela nunca é demais!

Linda semana para você!

Que seja de muita leveza!

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Marte Retrógrado – Quando o Pai é o Inimigo

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Qual o significado dos planetas retrógrados em trânsito e no mapa natal? A Astrologia tradicional e contemporânea costuma atribuir debilidade, fragilidade e às vezes, dificuldades nefastas aos planetas retrógrados. Mas, para além dessas definições reducionistas, qual o significado mais profundo de um planeta retrógrado? Que dinâmica psicológica é simbolizada por este posicionamento? Sabemos que o movimento de retrogradação já implica numa mudança da direção, numa alteração na forma como este planeta se expressa e certamente representa desafios à sua integração. Mas isso tem que ser, necessariamente, ruim? Neste artigo vamos falar sobre a retrogradação de Marte no mapa natal. Antes, vamos entender os princípios da retrogradação:

Princípios Básicos

Antes de falarmos do ciclo de Marte, alguns princípios básicos precisam ser levados em conta quando se fala de planetas retrógrados:

a)      Sol e Lua nunca ficam retrógrados;

b)      o movimento de retrogradação é uma ilusão de ótica que nos faz perceber o planeta deslocando-se para trás e isso acontece devido ao relacionamento do planeta em questão com o Sol, e devido às diferentes velocidades de rotação da Terra e dos demais planetas, assim, para os planetas interiores, Mercúrio e Vênus, a retrogradação ocorre em períodos próximos à conjunção inferior com o Sol, enquanto que no caso dos planetas exteriores (posicionados depois da Terra no sistema solar), a partir de Marte, o ciclo retrógrado está diretamente relacionado à oposição com o Sol;

c)       os planetas exteriores Urano, Netuno e Plutão, devido à lentidão de seu movimento e à distância do Sol, passam boa parte do tempo em movimento retrógrado e seu impacto no mapa natal é menos perceptível, principalmente por serem eles planetas coletivos, a não ser que estejam próximos do ponto estacionário, quando adquirem ênfase especial, pois além de ter sua ação e significado realçados, provavelmente mudarão de direção nas progressões secundárias. Com Júpiter e Saturno não é muito diferente – aliás, de Júpiter em diante a retrogradação tem impacto mais definido em Astrologia Mundial e em Astrologia Horária e Eletiva;

d)      assim, os planetas cujos ciclos de retrogradação são mais perceptíveis em Astrologia Natal são Marte, Vênus e Mercúrio e considerando que Mercúrio fica 20% do tempo retrógrado (três vezes ao ano, em períodos de aproximadamente três semanas), isso não chega a ser tão traumático, com exceção de situações específicas em áreas regidas pelo planeta – o impacto também é menor porque certamente Mercúrio mudará de direção nas Progressões Secundárias. De forma que em Astrologia Natal os planetas cuja ação é alterada de forma significativa quando retrógrados são Vênus e Marte, dois planetas relacionados ao simbolismo do masculino e feminino. Vênus fica retrógrado cerca de 40 a 45 dias a cada 18 meses e Marte parece mover-se para trás de 60 a 80 dias, a cada 2,13 anos (3). Leia sobre Vênus Retrógrada.

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Maria Eunice Sousa

Retrogradação, um malefício?

A literatura sobre planetas retrógrados no mapa natal ou em tempo real varia de forma extrema, desde um autor dizendo que “Eu pessoalmente não acho o movimento retrógrado muito importante na maioria dos casos” (1), ao ensinamento tradicional em que “atribuíam-se aos planetas retrógrados características tais como debilitação, fraqueza, infortúnio e outros significados terríveis”. (2) No meio, alguns conceitos vagos e outros acurados. A Astrologia Tradicional vê a retrogradação como debilidade acidental, mudando a força do planeta; é certamente considerada em mapas de Astrologia Horária e Eletiva. Já a Astrologia Védica, contrariamente, atribui grande força e potência a planetas retrógrados. Na Astrologia Psicológica, diz-se, entre outras coisas, que as qualidades representadas pelo planeta são introvertidas, voltam-se para dentro e são mais difíceis de ser acessadas, exigindo trabalho interior especial na esfera regida pelo planeta ao longo da vida.

Na retrogradação de Marte, muitas vezes o impulso agressivo se volta contra a própria pessoa, pois ela, inconscientemente escolhe "implodir", direcionando a raiva para dentro, ao invés de para fora.
Na retrogradação de Marte, muitas vezes o impulso agressivo se volta contra a própria pessoa, pois ela, inconscientemente escolhe “implodir”, direcionando a raiva para dentro, ao invés de para fora.

É muito difícil dizer algo realmente novo em Astrologia, um corpo de conhecimento milenar, que desenvolveu-se concomitantemente à evolução e progresso humanos, particularmente nos últimos 200 anos, com o desenvolvimento da consciência individual – lembre-se, num passado não muito distante somente nobres (muito nobres) podiam ser indivíduos, e certamente não da forma como pensamos o indivíduo hoje, todo o resto era uma massa disforme chamada plebe e nesse contexto horóscopos eram erigidos apenas para reis, papas e figuras muito influentes – portanto, não tenho a pretensão, neste artigo, de acrescentar nada de novo a respeito de Marte Retrógrado que já não tenha sido dito pelos Grandes que escrevem e ensinam sobre o assunto, contudo, agrego o que tenho visto na minha prática com clientes e que geralmente confirma os preceitos dos autores no qual me fundamento. Baseio este artigo particularmente em quatro autores: Howard Sasportas, Liz Greene, Melanie Reinhart e Erin sullivan, cujo livro Retrograde Planets, permanece, em minha opinião, como o melhor e mais completo estudo sobre planetas retrógrados já editado, livro que definitivamente recomendo caso o leitor queira entender mais sobre o assunto (veja referências bibliográficas completas ao final do artigo).

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Marte – Reprodução

Marte, o Embaixador da Identidade

O primeiro dos planetas exteriores, Marte é considerado o embaixador da Tríade da identidade: Sol, Mercúrio e Vênus. Marte é a força da vida, o puro instinto de sobrevivência, aquilo que nos faz levantar da cama de manhã e atuar no mundo. É primitivo, é instintivo e intrinsecamente ligado ao corpo e sentido nele. O relacionamento entre Sol e Marte é um dos mais importantes no horóscopo porque a energia e ação de Marte são instrumentais para que o Sol possa se expressar. Sol e Marte são as duas figuras masculinas por excelência na astrologia e, de formas diferentes, apontam para o arquétipo do pai como figura masculina primeira na psique do menino ou menina. Marte, especialmente, como representante da figura do herói que toda criança pequena enxerga no pai, mas Sol e Marte também simbolizam o herói em cada um de nós, lutando batalhas particulares, simbolizadas pelo signo e casa em que caem no horóscopo, assim como pelos aspectos que fazem entre si e com outros planetas.

A Batalha entre o Rei e seu Embaixador

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Uma vez que o movimento retrógrado aqui implica, necessariamente, em oposição, o ciclo de retrogradação seria então uma batalha entre o embaixador, Marte, e seu Rei, o Sol. “Essa batalha como vista através da função da retrogradação no mapa natal freqüentemente se manifesta nas pessoas como uma sensação de que sua energia e etos heroico foram roubados ou suprimidos. Elas têm que cavar mais fundo para achar seu senso de superioridade individual e freqüentemente se vêem perdidas no desempenho desta tarefa” diz Erin Sullivan(4).

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Irandhir Santos e W. J. Solha no filme “O Som ao Redor” Reprodução

O Pai como Inimigo

Geralmente o pai é visto como o ladrão que roubou essa energia e, de fato, verifica-se um distanciamento entre a pessoa e o pai biológico, de quem se busca compulsivamente atenção e aprovação. Obviamente o pai biológico não necessariamente é um carrasco, ou frio e distante de propósito, menos ainda um pai roubaria “conscientemente” a força de vida do filho ou filha. O que acontece com freqüência é que o próprio pai tem problemas com seu Marte e com sua força de vontade e senso de potência. “Sua própria vontade pode ter sido subordinada ou minada por circunstancias que a criança constela como um tipo de sina e que deve reivindicar de alguma forma”, aponta Sullivan (4). Com o tempo, a batalha com o Pai torna-se uma batalha com o mundo e como é comum em configurações de oposição, a psique utiliza-se do fenômeno da projeção e o Pai que nos impede e se interpõe em nosso caminho é vivenciado de novo através de figuras de autoridade ou de relacionamento próximo: o chefe, um policial, um professor, o marido, a esposa, e assim por em diante.

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Howard Sasportas, falando sobre a oposição Sol-Marte no mapa natal diz o seguinte:

Com a oposição de Sol e Marte surge a tendência de projetar Marte sobre os outros. Sente-se um forte desejo de auto-expressão, mas a força de vontade de outra pessoa parece afrontar esse desejo (a oposição de Marte). Você pode ter a sensação de que alguém está tentando impedi-lo de ser autêntico. A impressão é de que seu desejo de ser você mesmo está em oposição com o desejo da outra pessoas de ser ela mesma. (…) O individuo acha que os outros o estão desafiando ou então provocam brigas a fim de justificar a manifestação da própria vontade e força. O conflito pode se dar com um dos pais, muitas vezes com o pai.  (5)

Outros São heroicos – Eu Sou Heroico

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At the Abyss – Reprodução

Como disse acima, oposições são um prato cheio para projeções. No plano simbólico como no real há uma batalha de vontades. Sullivan lembra que o pai, ausente ou presente, é essa imagem projetada do herói-lá-fora e ele é uma figura dominante no período em que o ego está mais vulnerável no seu desenvolvimento, dos três aos sete anos. Gradativamente, se tudo corre bem, a criança, depois adolescente, vai aprendendo a internalizar a figura do herói e aprende a vê-la como parte de si mesma. O problema com Marte retrógrado é que há dificuldades maiores nesse processo de internalização da imagem do herói e o individuo continua a projetá-la em figuras exteriores. Mas a autora estressa que a transmutação de outros-são-heroicos em eu-sou-heroico pode ser feita, mesmo por indivíduos com Marte retrógrado no mapa natal. Em algum momento essa figura super poderosa precisa parar de ser a força controladora na vida da pessoa e ela finalmente se dá conta de que a batalha lá fora, é na verdade, uma batalha interna.

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Herê Fonseca, artista de Mato Grosso Reprodução

Melanie Reinhart afirma algo na mesma linha:

Se alguém nasce com o Sol em oposição a Marte retrógrado, aplicando para uma futura conjunção, um dos grandes temas na vida será a conclusão de algo, talvez uma tarefa ou luta interna, então, com freqüência há uma qualidade de energia removida a respeito daquela pessoa. Ou talvez às vezes ela exploda violentamente. A energia vital de Marte está atada a conflitos de família ou talvez esteja lutando uma batalha de dificuldades e privações ou dificuldades físicas ou ainda psíquicas. Elas podem ainda estar emaranhadas lutando a batalha de outras pessoas ou então sentem a agressividade do ambiente imposta sobre elas (6)

Uso e Abuso de Poder

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Reinhart afirma que com Marte retrógrado outro grande tema é o uso e abuso de poder, já que o inicio da vida é geralmente marcado pela sensação de impotência e a conexão com a vontade e a iniciativa tem que ser construída com o tempo, experiência e introspecção. Quando se tem essa sensação de impotência – e um dos sinais mais óbvios é a dificuldade de dizer “não” – e se começa a trabalhar a questão, normalmente vai-se para o extremo oposto, e de uma “ovelhinha dócil” que não incomoda ninguém, a pessoa pode passar a comprar brigas desnecessárias e ver oposição onde não existe, talvez como forma de exercitar a incipiente assertividade – se a pessoa não se observa com cuidado, ela pode sim, passar a abusar do poder recém adquirido, seja em relacionamentos íntimos ou em esferas mais públicas. É sabido já há tempos que pessoas vítimas de abuso muitas vezes tornam-se abusadores depois. É uma espécie de super compensação.

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Agressividade Passiva

Isso nos leva a outra manifestação possível com Marte retrógrado, a agressividade passiva. Não, não é exclusividade de Marte Retrógrado; pode ser simbolizada também por Marte em Peixes, Marte em Capricórnio, Marte-Saturno, Lua-Marte-Plutão, etc. Agressão passiva, diz Sullivan,  “é um jeito muito especial de ser ofensivo e defensivo ao mesmo tempo – alguns até podem achar que é econômico – não apenas você pode ficar zangado, como pode evitar que o outro retalie abertamente! É um beco sem saída, não apenas interno, mas externo também (…) um sentimento de raiva exalado, mais do que explicitado, a retrogradação provê um método para controlar os outros pela manipulação sutil e não pelo comando direto”(4).

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Reprodução a partir do Blog Escondido em Palavras

Competição, Ressentimento e Inveja

A competição aberta, traço inequívoco de um Marte bem disposto fica disfarçada de falta de interesse, ou pior ainda, de ciúme, inveja, ressentimento e rivalidade – dinâmica iniciada lá, com o pai. Claro, todos nós sentimos esses sentimentos sombrios de vez em quando, e são naturais, inerentes à natureza humana, “são expressões do ímpeto natural de ser o Número Um” (4). Mas um Marte potente é capaz de reconhecer seus limites; sabe reconhecer quando vale a pena ir atrás de um objetivo ou ceder quando percebe que é uma causa perdida. E sabe fazer isso graciosamente. Com Marte Rx, é comum a pessoa se sentir corroída por estes sentimentos de inveja e ressentimento, culpando o outro por ter ou tirar algo que ela julga seu por direito; ela tende a sentir-se pior ainda por ter tais sentimentos e a coisa toda pode virar um ciclo vicioso muito doloroso. “O que ela precisa perceber é que é ela que não está externalizando e expressando aquilo que ela sabe ser seu próprio poder, único e individual.” (4)

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Tim French – Reprodução

Casos de Abuso

E ainda que não seja regra, e que Marte retrógrado não signifique necessariamente abuso sexual, a questão não deixa de entrar como possibilidade neste quadro. Uma vez que o individuo não se sente capaz de se defender aberta e saudavelmente, ele/ela pode se achar vitimado por um namorado que não respeita o seu “não”, por um familiar abusador que se aproveita da relação de poder, ou mesmo por assédio vindo de estranhos, como exemplificado por um caso de estudo citado em Retrograde Planets, em que a pessoa em questão passou por duas destas situações de abuso. As repercussões, sobre as quais não vou me estender aqui, obviamente, são nefastas e difíceis de se lidar e exigirão da pessoa um trabalho longo, árduo e provavelmente penoso no processo de recuperação do senso de poder pessoal.

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Rodolfo Ledel – Artista Brasileiro – Reprodução

A Oposição Sol-Marte nas Progressões Secundárias

Com Marte Rx no mapa natal, Melanie Reinhart sugere que se observe em que estágio do ciclo de retrogradação a pessoa nasceu, se a oposição Sol-Marte já ocorreu ou ainda vai ocorrer e se Marte mudará de direção nas Progressões Secundárias. Quanto mais próximo da oposição exata, mais agudamente se vivencia estes temas. O período pré-oposição é mais marcado por uma tensão permanente, uma necessidade de estar sempre em guarda; e o período após o aspecto exato tenderia a ser um pouco mais facilitado, pois o indivíduo talvez intua mais rapidamente que o problema é na verdade interno, já que o aspecto é separativo. Já nas progressões, se Marte muda de direção, isso significa um grande ponto de mutação na vida. Os três anos em que Marte estaciona e depois fica direto são marcados por uma descarga extrema de energia reprimida e os conflitos tornam-se mais intensos que nunca. Reinhart diz que pode ser um período, a princípio, muito destrutivo, já que a pessoa não está acostumada a lidar com a energia, e de repente, ela pode entrar em contato com uma raiva antiga e visceral, pode ter recordações de fatos esquecidos e se meter em muita confusão no mundo exterior, pois é muito difícil determinar quem de fato é o inimigo. No fim, isso acaba levando a uma fase de renovada energia, novos projetos e a pessoa sente-se empoderada, dona de si, sem precisar pisar nos calos dos outros para se fazer notada.

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Qiu Anxiong – Reprodução

Sabe Aquele Belo Trígono Sol-Marte?

Mas não é só Marte retrógrado que pode causar problemas. No caso de Sol-Marte, trígonos também podem se revelar enganosos. Todos os outros planetas superiores estão em trígono quando retrógrados, e embora o mesmo não ocorra com Marte, é importante notar que, no caso de um trígono aplicativo, muito provavelmente Marte ficará retrógrado por Progressão Secundária. Sullivan afirma que o trígono Sol-Marte é extremamente enganador, porque quando em trígono com o Sol, Marte está no seu movimento mais lento, ou ficará retrógrado em cerca de 15 ou 20 dias ou terá retornado ao movimento direto 15 ou 20 dias antes do nascimento e estará ainda se recuperando da batalha. “Este trígono produz uma teimosia que não é normalmente associada com trígonos, que são geralmente considerados harmoniosos e confluentes (…) as qualidades do trígono podem até se manifestar, mas o impasse que um Marte lento pode gerar no desejo de se expressar produz frustração intensa na pessoa. De fato, a energia pode fluir entre Sol e Marte com graça e facilidade mas quão fácil é para a pessoa expressar assertividade e agressão? Há geralmente um curto-circuito entre o conhecimento interior da própria superioridade  e a manifestação concreta disso. O aspecto pode se manifestar como fantasias irreais de grandes realizações, um tipo de megalomania.” (4) Por progressão Marte ficará retrógrado entre os 14 e os 20 anos e este ano será muito importante. A oposição que ocorrerá entre Sol e Marte desafiará a “facilidade” do trígono natal, obrigando a pessoa a buscar força interior e a se auto-afirmar. Quando oposição em si ocorre, as coisas ficam realmente “quentes” internamente e o ano é marcado por uma rebelião à vida ou caminho anteriormente escolhidos.

Gérard Di-Maccio
Gérard Di-Maccio – Reprodução

Pessoalmente Falando…

Na minha experiência com clientes tenho visto casos de Marte Rx no mapa natal ou progredido que exemplificam o que todos estes autores dizem, com algumas diferenças em detalhes. E em períodos em que o planeta está retrógrado, como agora, o número de clientes que o têm natalmente buscando consulta aumenta. É particularmente digno de nota a luta com o pai, que normalmente não é mais apenas um pai, mas O Pai, porque no pai humano, biológico, vê-se na verdade o Pai Arquetípico, geralmente travestido com as cores do Pai Terrível ou Tirânico. Um pai super poderoso ou abusador que, consciente ou inconscientemente, suprime a expressão da individualidade do filho ou filha. Em outros casos, o pai é impotente de alguma forma: fracassou na profissão, faliu completamente deixando a família em dificuldades, ou teve sua vontade suplantada por forças maiores que ele, o que causa uma frustração e senso de fracasso enormes, sentimentos aos quais o filho ou filha é agudamente sensível. Às vezes, a sensação de impotência vem de antes do pai, em gerações anteriores na linhagem masculina, com sucessões de homens que se sentiram emasculados de alguma forma. A luta do pai, do avô e talvez de várias outras gerações, torna-se então a luta do filho, uma busca por reaver o poder pessoal perdido, especialmente quanto Marte retrógrado cai na casa 12 ou em Peixes. Então a luta adquire nuances de Redenção do Pai e de redenção do masculino na família. Não necessariamente da forma como ocorre com Sol-Netuno ou Sol em Peixes, mas algo relacionado especificamente com a potência e a vontade masculinas e com o uso adequado do poder pessoal.

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Escolhendo Batalhas Apropriadas Para  se Travar

Que a pessoa com Marte retrógrado no mapa natal vai enfrentar muitas batalhas ao longo da vida, isso é fato, é inegável. É uma necessidade básica para seu desenvolvimento como indivíduo. Talvez ela demore a perceber que a batalha é primeiramente interna, consigo mesma; e que o pai provavelmente não quis de fato “roubá-la” de sua força e potência. Mas em algum momento ela terá que perceber que a luta é essencial para seu senso de identidade, de “eu”; que ela floresce e frutifica em tempos de guerra e é no campo de batalha, qualquer que seja ele, que ela dá o seu melhor. Ao invés de reclamar e se lamentar que o pai, o chefe, o prefeito, o governo, o professor, o marido, a esposa estão sempre lhe impedindo de ser quem é, ou de fazer o que quer, essa pessoa “deveria aceitar que sua visão de mundo é predisposta a batalhas e que ela deve achar batalhas apropriadas para lutar. Uma vez que o oponente é na verdade interno, o oponente deveria ser a própria pessoa – em termos atléticos, por exemplo, lutar para alcançar o seu melhor desempenho pessoal é a forma mais efetiva de satisfazer sua própria agressão” (4).

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A Liberdade Guiando o Povo – Delacroix (1798-1863) – Reprodução

Concluindo…

Então é isso: escolher cuidadosamente batalhas e guerras que valham a pena lutar, de forma consciente, aberta e limpa, como por exemplo nos esportes, na política, no Direito, na Segurança Pública, nas questões ambientais, etc. Não que seja algo fácil e simplista, mas dessa maneira, a energia da oposição e da luta, será aplicada de forma criativa e poderá produzir resultados formidáveis, estupendos e não só na vida pessoal. Em maior escala, as vitórias poderão representar ganhos e melhorias para todo o coletivo onde se esteja inserido.

Certamente Marte Retrógrado é uma excelente arma de guerra – só se leva mais tempo para aprender a usá-la de forma inteligente e efetiva. Mas é possível!

Marte retrógrado em trânsito no mapa natal

nicolettaceccoli comMarte fica retrógrado de 60 a 80 dias a cada 26 meses, aproximadamente. Sua retrogradação será sentida nas áreas de vida simbolizadas pela casa do mapa natal em que ocorre a retrogradação e o efeito será mais intenso e potente caso Marte faça algum aspecto tenso a planetas do mapa natal, especialmente se este aspecto ocorrer três vezes, direto, retrógrado, direto. A retrogradação implica diretamente em REVISÃO dos assuntos regidos pelo planeta em questão, na área de vida em que o movimento se dá. No caso de Marte, o chamado é para revisarmos decisões, atitudes e a maneira como executamos nossa ação, nosso modus operandi naquela área de vida. REVER e REAVALIAR a maneira como afirmamos nossa identidade, nossa assertividade – ou falta de – e como isso impacta na nossa realização pessoal e nas nossas relações. Há tendência de atrasos e entraves nos assuntos desta casa, o que pede de nós muita paciência e tolerância. Sendo Marte um planeta que se expressa no corpo, fisicamente, podemos canalizar as frustrações numa caminhada vigorosa, mas, ao mesmo tempo, recomenda-se pegar leve nas atividades físicas em geral, pois podemos nos exaurir e até adoecer ou nos expor a acidentes, principalmente se Marte retrógrado faz aspectos tensos a Mercúrio, Saturno ou Urano no mapa natal. Os ânimos ficam alterados, o pavio está mais curto e qualquer coisa tola pode ser o estopim para discussões sérias ou conflitos graves, sobretudo para indivíduos que já têm dificuldades de gestão da própria agressividade. É recomendável manter em cheque as frustrações e ser bastante honesto a respeito delas, evitando que espirrem em outros que talvez não tenham nada a ver com nossos problemas.

OBS: Para saber se você tem Marte retrógrado no mapa natal, veja aqui. A retrogradação é representada no mapa por um R em vermelho, com a perna cortada junto ao símbolo do planeta. Para saber mais sobre Marte no seu mapa natal, se ele é forte ou se há dificuldades na sua expressão e quais as implicações disso na sua vida prática e emocional, agende uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com

Oposição Sol-Marte 2016. Exata em 22 de maio de 2016, Algumas horas depois da Lua Cheia de Sagitário.
Oposição Sol-Marte 2016, a 01°47′ de Gêmeos-Sagitário. Exata em 22 de maio de 2016, algumas horas depois da Lua Cheia de Sagitário.

Vale a pena lembrar que por estar em oposição ao Sol, Marte está visível a olho nu no período de retrogradação. É uma estrela de brilho vermelho e incessante e que aparece não muito distante de Saturno, também muito brilhante, só que este tem brilho azulado. 

BIBLIOGRAFIA

(1)    ARROYO, Stephen – Relacionamentos e Ciclos de Vida, Ed. Pensamento, São Paulo

(2)    MARCH, Marion De & McEVANS, Joan – Curso Básico de Astrologia Vol II., Ed. Pensamento, São Paulo

(3)    FALLON, Astrid – Planetary Cycles at a Glance, Fallon Astrographics, London, UK

(4)    SULLIVAN, Erin – Retrograde Planets – Traversing the Inner LandscapeSamuel Weiser,Inc, York Beach, Maine, United States

(5)    SASPORTAS, Howard – A Astrologia e a Psicologia da Agressão, em A Dinâmica do Inconsciente- Ed. Pensamento, São Paulo, SP

(6)    REINHART, Melanie – The Best and the worst of Mars, in The Mars Quartet – Four Seminars on the Astrology of the Red Planet – CPA Press, London, UK

(7)    GREENE, Liz – Thugs and Warriors, in The Mars Quartet – Four Seminars on the Astrology of the Red Planet – CPA Press, London, UK

 

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A DINÂMICA DO INCONSCIENTE - LIZ GREENE E HOWARD SASPORTASerin

Lua Cheia em Leão – Buscando realizações verdadeiras

Isabel Bryna Reprodução
Isabel Bryna Reprodução

A Lua Cheia deste sábado (Brasília, 23 de janeiro, 23h45min e Lisboa, 24 de janeiro, 01h45min) ocorre no eixo Leão-Aquário, o eixo do indivíduo versus o grupo, do sentir-se especial, versus ser comum e anônimo. Com o Sol em Aquário voltamos nossas atenções para as causas sociais, para as massas e para o bem coletivo, buscando materializar os ideais de justiça social, igualdade, liberdade e fraternidade entre os homens. Nesse contexto tão visionário e idealista, o indivíduo deixa de ser importante, porque o foco é o grupo, é o todo. Mas um dos erros de Aquário e que é parte da sua Sombra é exatamente este: esquecer que a humanidade é feita de seres humanos, pessoas únicas em suas características individuais. Assim, Aquário, talvez o signo mais sociável de todos,  muitas vezes tem dificuldade em se relacionar de um para um, numa base mais próxima e intimista. Para fazer o contraponto a esses ideais abstratos e tão distanciados temos a Lua Cheia ocorrendo no signo oposto, Leão, para nos lembrar da importância do indivíduo em meio ao grupo. Esta Lua Cheia vem trabalhar de forma bem aguda, as sombras de Leão e de Aquário.

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Nicole Dangoor – Reprodução

Essas questões da individualidade e do reconhecimento pelos nossos feitos pessoais são particularmente relevantes nesta Lua Cheia, uma Lua Cheia extremamente conflituosa. A Lua está a 03°29’ de Leão, em oposição ao Sol a 03°29’ de Aquário, ambos em quadratura ampla e aplicativa (aplicativo quer dizer ainda vai acontecer) a Marte em Escorpião, o aspecto maior mais próximo que a Lua faz – o outro é um trígono a Saturno de quase 10 graus – formando uma ampla T-Square fixa. O contato a Marte indica que esta é uma Lua Cheia extremamente volátil e de muita irritação e tensão – sentimos e automaticamente reagimos. Pressentimos uma ameaça no ar e prontamente nos defendemos, o problema é que talvez fiquemos defensivos até mesmo com aqueles a quem amamos. Tal defensividade e sensação de ameaça nasce internamente, é claro, devido a uma discordância entre as diversas necessidades: a necessidade de nos afirmarmos está em conflito com a necessidade de segurança e ainda com nossos objetivos conscientes. Neste caso, a Lua tem como necessidade básica chamar a atenção, sentir-se especial, mas este Marte é misterioso e reservado, quer passar despercebido para poder preservar suas intenções de olhares indiscretos, sem mencionar o Sol que diz que aqui todo mundo é comum e igual.

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Paul & Paveena Mckenzie – Reprodução

Falando no Sol, ele é o único ponto em Ar neste mapa, estando os outros três elementos equilibrados. Como único ponto em Ar, o Sol pode adquirir uma qualidade mais extremista, visto que Aquário já é um signo de extremos. Assim, boa parte do tempo podemos ser intuitivos ou emocionais, mas de repente, sem perceber, a objetividade fria toma conta de nós e nos enrijecemos nela, ignorando todo o resto. Leão, o signo onde está a Lua, é o signo do coração, daquilo que nos faz pular de alegria feito criança que ganha um brinquedo novo.

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Lua Cheia em Leão – Brasília, 23 de janeiro de 2016 23h45min

Esta oposição Leão-Aquário, nos diz repetidamente que há um conflito básico em nossa natureza: o coração (Lua em Leão) quer algo que está em divergência com a consciência objetiva (Sol em Aquário) e se não entramos em consenso conosco mesmos, não conseguimos executar ou realizar esses desejos (Marte em Escorpião).  Se não conseguimos solucionar a equação e integrar essas divergências, o resultado é frustração e sensação de derrota, que nos deixa abespinhados, belicosos, feito bicho selvagem com um espinho na pata que não consegue identificar o que causa a dor. Se estamos muito inconscientes, toda essa beligerância é jogada sobre outros e acusamos o mundo de ser responsável por nossa infelicidade e desgosto. Ou nos tornamos competitivos, compulsiva e infantilmente.

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Desconheço o autor – Encontrado em rebloggy.tumblr – Reprodução

Sentir, precisar, querer, desejar… O que atendemos e o que ignoramos? Não há o que ignorar. Essas necessidades precisam ser integradas conscientemente e quando conseguimos isso, a tensão se torna combustível que alimenta nossa vontade, determinação e disposição executiva na realização de nossos intentos. Contudo, isso é algo que não vem facilmente: há uma sensação de frustração com esta quadratura, como se estas intenções não tivessem ainda sido realizadas, ou tivéssemos nos confrontando com dificuldades internas, dúvidas e hesitações geradas pelo conflito entre as diferentes necessidades e desejos, como já disse acima. Mas vamos ser um problema para nós mesmos? Ou vamos resolver essas dificuldades diretamente?

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Reprodução

Olhemos estes temas, mais profundamente, para além do óbvio. A Lua Leonina deseja ser o centro das atenções, deseja brilhar e receber o devido reconhecimento pela sua singularidade e distinção. Mas a oposição ao Sol em Aquário sinaliza que há uma culpa e que ela não consegue brilhar devidamente, porque a resposta do grupo é de que “isso não é certo”, ela é comum como todo mundo  e deve se colocar no seu lugar. A quadratura a Marte confirma que essa atenção e aprovação não vêm facilmente e que talvez tenhamos mesmo que brigar por ela. Assim, essa Lua Cheia ativa dentro de nós esse conflito clássico da vida familiar e em grupo: como nos sentimos especiais, como expressamos nossa individualidade e potenciais singulares, sem negar isso aos outros. Isso porque a competitividade intrínseca parece nos dizer que não há bastante aplauso para todos, que temos que tomar de outros ou ficaremos sem. E também ativa em nós conflitos ancestrais da natureza humana, aqueles vivenciados na infância, quando estávamos ensaiando na arte de nos afirmar.  Parece que a aprovação e aplauso pelos quais tanto ansiamos não estavam disponíveis, ou pelo menos não sem uma boa luta e continuamos a brigar por eles vida afora, mascarando nossa enorme insegurança com competitividade, sem perceber que isso vira uma motivação inconsciente para nossos feitos, algo compulsivo, que temos que obter a qualquer custo. Então, ao invés de realizar nossos feitos por nós mesmos, nós o fazemos para comprar atenção e adoração de fora, do grupo. O problema é que, se conseguimos, a sensação de sucesso dura pouco e logo nos lançamos a outra busca por mais atenção, porque estamos viciados nisso, é uma compulsão, um buraco sem fundo. Por outro lado, se não conseguimos, fica um gosto amargo na boca, como se nada tivesse valido a pena, não importa o quanto tenhamos feito.

love-meQuer dizer, isso é viver uma vida para fora, para o olhar do outro e não para nós mesmos, pautando esse senso de realização unicamente da aprovação alheia, o que faz de nós um arremedo de indivíduo, um caso patético de narcisismo crônico que, ironicamente, mais afasta do que aproxima as pessoas, porque no processo talvez nos tornemos arrogantes e até tirânicos com aqueles com quem convivemos, demandando atenção como um rei déspota demanda tributos de seus súditos. E pior, em nosso grande orgulho, somos incapazes de reconhecer a importância que o outro tem para nós e do quanto dependemos de seu reconhecimento. No fim, isso indica que nossa pequena criança ficou congelada em sua expressão mais positiva e mostra apenas seu lado mais sombrio: insegura, profundamente carente de afeto e atenção, sentimentos devidamente mascarados pelos muitos feitos conseguidos, mas não genuinamente celebrados e sentidos.

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Historyofhunting.com – Reprodução

O Símbolo Sabiano do grau 04 de Leão – 03°00’ a 03°59’ – conta uma estória parecida a partir da seguinte imagem: “Um homem vestido formalmente, está de pé ao lado de troféus que ele trouxe de uma expedição de caça”. Os troféus de caça são símbolos de competitividade, de algo que foi conseguido com grande empenho, luta e até mesmo correndo riscos e perigos. Originalmente, a caça era algo essencial à sobrevivência, matava-se para comer – a caça, aliás, é algo fundamental à sobrevivência de predadores em geral, como o Leão. Um tema que imediatamente repete as proposições da T-Square Sol-Lua-Marte. Mas aqui a caça não implica necessidade de sobrevivência per si, não se caça para comer; um caçador que exibe  troféus está preocupado apenas em mostrar seus feitos, em mostrar como ele é bom com uma arma e como domina a natureza, matando-a. Está formalmente vestido, quer dizer, tudo é parte de um ritual encenado, um teatro montado para o olhar de uma platéia, nascido da necessidade de impressionar os outros. E se por um lado não há nada de mais legítimo em se obter o reconhecimento por uma realização bem sucedida, por outro, como já discutimos acima, vale questionar a motivação original de tal realização, se é algo que de fato nos alimenta individualmente e espiritualmente, ou se é apenas uma forma de angariar uma atenção que acreditamos que não temos.

Sabiansymbols.typepad.com Reprodução

Lynda Hill, analisando este símbolo em seu livro 360 graus de sabedoria, questiona que tipo de “troféus” estamos buscando, alertando que algumas pessoas talvez apreciem, de fato, aquilo que estamos mostrando, mas outros talvez estejam completamente desinteressados e nem um pouco impressionados com o que vêem. Talvez outros ainda fiquem com ciúmes ou inveja e isso, secretamente, alimenta nossa vaidade. Estes troféus podem ser qualquer coisa: aquisições materiais, diplomas, viagens, aventuras, qualquer coisa que nos leve a nos sentir “especiais”. E ela diz que é essencial o questionamento: “realizamos algo, verdadeiramente? Se sim, é claro que devemos ser reconhecidos e congratulados por tal feito; OU isso são apenas ‘coisas’ que reivindicamos para nós mesmos sem considerar de onde vieram ou sem nos importar com o que teve que ser feito para realizá-las?”. Em outras palavras, por que fazemos o que fazemos? Fazemos por nós mesmos, porque nos preenche de alegria e traz satisfação e plenitude ou apenas para impressionar e despertar inveja no olhar do outro, que nos dirá, consequentemente que somos “especiais” e melhores do que ele?  Se é assim, temos o círculo completo e voltamos ao objetivo do começo, que era mascarar nossa insegurança e carência. 

A Força
Arcano 11, A Força – Tarô de Nei Naiff

Por fim, este símbolo me lembra ainda o Arcano 11 do Tarô, A Força. Este arcano mostra uma mulher segurando um leão com as mãos e não está claro se ela abre ou fecha a boca do leão. Sabemos que uma mulher, e mesmo um homem, salvo em circunstâncias extremas, não seria capaz de dominar um leão pela força física ou bruta, assim, inferimos que está em curso um outro tipo de domínio. O domínio suave e sutil da sensibilidade do coração sobre as paixões desenfreadas. A capacidade de dominar nossos instintos, nossa natureza animal e bruta, com a força da consciência e com o coração amoroso. Dominar as paixões descontroladas, a criança mimada  e egoísta. Dominar, não matar. Hoje o humano aniquila a natureza lá fora, sem perceber que aniquila, por conseguinte, sua própria natureza interna, desconectando-se dela. A Força vem nos mostrar a necessidade de acharmos o ponto de equilíbrio entre a força animal e instintiva e a força corajosa de um coração gentil. Quando entendermos isso, não precisaremos mais de troféus, não precisaremos matar a natureza, mas estaremos convivendo com ela em harmonia; não dependeremos do olhar invejoso do outro para nos sentir apreciados, realizados e especiais porque nossa criança interna estará saudável, segura e feliz! A fera dominada por um coração gentil. Conseguiremos isso algum dia?

Watercolor - Fashion Illustration Print - Desconheço o autor - Reprodução
Watercolor – Fashion Illustration Print – Desconheço o autor – Reprodução

A Lua Cheia em Leão, em si mesmo, convida a celebrar nossa criança interior, a força do coração e a paixão saudável que alimenta nossa busca por realizações legítimas. A coragem de ser nós mesmos, celebrando o que temos de mais especial e único. Brincar e celebrar a alegria de ser quem somos, como somos e a força mais poderosa de todas, a força do coração, o amor. E tenhamos sempre presente: “felicidade é aquilo que preenche a alma e não o olhar do outro” (Andreia Meneguete).

Reprodução

OBS: Vale mencionar um fato muito triste e curioso: a Lua estava exatamente neste grau de Leão, no dia 1° de julho de 2015, quando um caçador americano matou o leão Cecil, na África, causando comoção e indignação global. Nessas horas a gente se assusta em ver como um símbolo se manifesta, às vezes, de forma muito literal.

Marte Retrógrado – Quando o Pai é o Inimigo

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Reprodução

Marte está retrógrado em Libra desde o dia 1° de março e fica nesse movimento ainda até o dia 19 de maio, sendo peça fundamental na Grande Cruz Cardinal que movimenta todo o mês de abril. Mas para além dessa Grande Cruz, qual o significado de Marte retrógrado? Que temas ele representa quando aparece no mapa natal? O que tem a nos ensinar? Com a oposição Sol-Marte acontecendo hoje (oito de abril, 17h54m, hora de Brasília), vamos refletir um pouco sobre o simbolismo de Marte retrógrado.

Princípios Básicos

Antes de falarmos do ciclo de Marte, alguns princípios básicos precisam ser levados em conta quando se fala de planetas retrógrados:

a)      Sol e Lua nunca ficam retrógrados;

b)      o movimento de retrogradação é uma ilusão de ótica que nos faz perceber o planeta deslocando-se para trás e isso acontece devido ao relacionamento do planeta em questão com o Sol, e devido às diferentes velocidades de rotação da Terra e dos demais planetas, assim, para os planetas interiores, Mercúrio e Vênus, a retrogradação ocorre em períodos próximos à conjunção inferior com o Sol, enquanto que no caso dos planetas exteriores (posicionados depois da Terra no sistema solar), a partir de Marte, o ciclo retrógrado está diretamente relacionado à oposição com o Sol;

c)       os planetas exteriores Urano, Netuno e Plutão, devido à lentidão de seu movimento e à distância do Sol, passam boa parte do tempo em movimento retrógrado e seu impacto no mapa natal é menos perceptível, a não ser que estejam próximos do ponto estacionário, quando adquirem ênfase especial, pois além de ter sua ação e significado realçados, provavelmente mudarão de direção nas progressões secundárias. Com Júpiter e Saturno não é muito diferente – aliás, de Júpiter em diante a retrogradação tem impacto mais definido em Astrologia Mundial e em Astrologia Horária e Eletiva;

d)      assim, os planetas cujo ciclo de retrogradação é mais perceptível em Astrologia Natal são Marte, Vênus e Mercúrio e considerando que Mercúrio fica 20% do tempo retrógrado (três vezes ao ano, em períodos de aproximadamente três semanas), isso não chega a ser tão traumático, com exceção de situações específicas em áreas regidas pelo planeta – o impacto também é menor porque certamente Mercúrio mudará de direção nas Progressões Secundárias. De forma que em Astrologia Natal os planetas cuja ação é alterada de forma significativa quando retrógrados são Vênus e Marte, dois planetas relacionados ao simbolismo do masculino e feminino. Vênus fica retrógrado cerca de 40 a 45 dias a cada 18 meses e Marte parece mover-se para trás de 60 a 80 dias, a cada 2,13 anos (Leia sobre Vênus retrógrado) (3)

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Maria Eunice Sousa

Retrogradação, um malefício?

A literatura sobre planetas retrógrados no mapa natal ou em tempo real varia de forma extrema, desde um autor dizendo que “Eu pessoalmente não acho o movimento retrógrado muito importante na maioria dos casos” (1), ao ensinamento tradicional em que “atribuíam-se aos planetas retrógrados características tais como debilitação, fraqueza, infortúnio e outros significados terríveis”. (2) No meio, alguns conceitos vagos e outros acurados. A Astrologia Tradicional vê a retrogradação como debilidade acidental, mudando a força do planeta; é certamente considerada em mapas de Astrologia Horária e Eletiva. Já a Astrologia Védica, contrariamente, atribui grande força e potência a planetas retrógrados. Na Astrologia Psicológica, diz-se, entre outras coisas, que as qualidades representadas pelo planeta são introvertidas, voltam-se para dentro e são mais difíceis de ser acessadas, exigindo trabalho interior especial na esfera regida pelo planeta ao longo da vida.

É muito difícil dizer algo realmente novo em Astrologia, um corpo de conhecimento milenar, que desenvolveu-se concomitantemente à evolução e progresso humanos, particularmente nos últimos 200 anos, com o desenvolvimento da consciência individual – lembre-se, num passado não muito distante somente nobres (muito nobres) podiam ser indivíduos, e certamente não da forma como pensamos o indivíduo hoje, todo o resto era uma massa disforme chamada plebe e nesse contexto horóscopos eram erigidos apenas para reis, papas e figuras muito influentes – portanto, não tenho a pretensão neste artigo, de acrescentar nada de novo a respeito de Marte Retrógrado que já não tenha sido dito pelos Grandes que escrevem e ensinam sobre o assunto. Baseio este artigo particularmente em quatro autores: Howard Sasportas, Liz Greene, Melanie Reinhart e Erin sullivan, cujo livro Retrograde Planets, permanece como o melhor e mais completo estudo sobre planetas retrógrados já editado, livro que definitivamente recomendo caso o leitor queira entender mais sobre o assunto (veja referências bibliográficas completas ao final do artigo).

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Marte – Reprodução

Marte, o Embaixador da Identidade

O primeiro dos planetas exteriores, Marte é considerado o embaixador da Tríade da identidade: Sol, Mercúrio e Vênus. Marte é a força da vida, o puro instinto de sobrevivência, aquilo que nos faz levantar da cama de manhã e atuar no mundo. É primitivo, é instintivo e intrinsecamente ligado ao corpo e sentido nele. O relacionamento entre Sol e Marte é um dos mais importantes no horóscopo porque a energia e ação de Marte são instrumentais para que o Sol possa se expressar. Sol e Marte são as duas figuras masculinas por excelência na astrologia e, de formas diferentes, apontam para o arquétipo do pai como figura masculina primeira na psique do menino ou menina. Marte, especialmente, como representante da figura do herói que toda criança pequena enxerga no pai, mas Sol e Marte também simbolizam o herói em cada um de nós, lutando batalhas particulares, simbolizadas pelo signo e casa em que caem no horóscopo, assim como pelos aspectos que fazem entre si e com outros planetas.

A Batalha entre o Rei e seu Embaixador

O ciclo de retrogradação seria então uma batalha entre o embaixador, Marte, e seu Rei, o Sol. “Essa batalha como vista através da função da retrogradação no mapa natal freqüentemente se manifesta nas pessoas como uma sensação de que sua energia e etos heróico foram roubados ou suprimidos. Elas têm que cavar mais fundo para achar seu senso de superioridade individual e freqüentemente se vêem perdidas no desempenho desta tarefa” diz Erin Sullivan(4).

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Irandhir Santos e W. J. Solha no filme “O Som ao Redor” Reprodução

O Pai como Inimigo

Geralmente o pai é visto como o ladrão que roubou essa energia e, de fato, verifica-se um distanciamento entre a pessoa e o pai biológico, de quem se busca compulsivamente atenção e aprovação. Obviamente o pai biológico não necessariamente é um carrasco, ou frio e distante de propósito, menos ainda um pai roubaria “conscientemente” a força de vida do filho ou filha. O que acontece com freqüência é que o próprio pai tem problemas com seu Marte e com sua força de vontade e senso de potência. “Sua própria vontade pode ter sido subordinada ou minada por circunstancias que a criança constela como um tipo de fado e que deve reivindicar de alguma forma”, aponta Sullivan (4). Com o tempo, a batalha com o Pai torna-se uma batalha com o mundo e como é comum em configurações de oposição, a psique utiliza-se do fenômeno da projeção e o Pai que nos impede e se interpõe em nosso caminho é vivenciado de novo através de figuras de autoridade ou de relacionamento próximo: o chefe, um policial, um professor, o marido, a esposa, e assim por em diante.

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Reprodução

Howard Sasportas, falando sobre a oposição Sol-Marte no mapa natal diz o seguinte:

Com a oposição de Sol e Marte surge a tendência de projetar Marte sobre os outros. Sente-se um forte desejo de auto-expressão, mas a força de vontade de outra pessoa parece afrontar esse desejo (a oposição de Marte). Você pode ter a sensação de que alguém está tentando impedi-lo de ser autêntico. A impressão é de que seu desejo de ser você mesmo está em oposição com o desejo da outra pessoas de ser ela mesma. (…) O individuo acha que os outros o estão desafiando ou então provocam brigas a fim de justificar a manifestação da própria vontade e força. O conflito pode se dar com um dos pais, muitas vezes com o pai.  (5)

Outros São heróicos – Eu Sou Heróico

Como disse acima, oposições são um prato cheio para projeções. No plano simbólico como no real há uma batalha de vontades. Sullivan lembra que o pai, ausente ou presente, é essa imagem projetada do herói-lá-fora e ele é uma figura dominante no período em que o ego está mais vulnerável no seu desenvolvimento, dos três aos sete anos. Gradativamente, se tudo corre bem, a criança, depois adolescente, vai aprendendo a internalizar a figura do herói e aprende a vê-la como parte de si mesma. O problema com Marte Rx é que há dificuldades maiores nesse processo de internalização da imagem do herói e o individuo continua a projetá-la em figuras exteriores. Mas a autora estressa que a transmutação de outros-são-heróicos em eu-sou-heróico pode ser feita, mesmo por indivíduos com Marte retrógrado no mapa natal. Em algum momento essa figura super poderosa precisa parar de ser a força controladora na vida da pessoa e ela finalmente se dá conta de que a batalha lá fora, é na verdade, uma batalha interna.

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Herê Fonseca, artista de Mato Grosso Reprodução

Melanie Reinhart afirma algo na mesma linha:

Se alguém nasce com o Sol em oposição a Marte retrógrado, aplicando para uma futura conjunção, um dos grandes temas na vida será a conclusão de algo, talvez uma tarefa ou luta interna, então, com freqüência há uma qualidade de energia removida a respeito daquela pessoa. Ou talvez às vezes ela exploda violentamente. A energia vital de Marte está atada a conflitos de família ou talvez esteja lutando uma batalha de dificuldades e privações ou dificuldades físicas ou ainda psíquicas. Elas podem ainda estar emaranhadas lutando a batalha de outras pessoas ou então sentem a agressividade do ambiente imposta sobre elas (6)

Uso e Abuso de Poder

Reinhart afirma que com Marte Rx outro grande tema é o uso e abuso de poder, já que o inicio da vida é geralmente marcado pela sensação de impotência e a conexão com a vontade e a iniciativa tem que ser construída com o tempo, experiência e introspecção. Quando se tem essa sensação de impotência – e um dos sinais mais óbvios é a dificuldade de dizer “não” – e se começa a trabalhar a questão, normalmente vai-se para o extremo oposto, e de uma “ovelhinha dócil” que não incomoda ninguém, a pessoa pode passar a comprar brigas desnecessárias e ver oposição onde não existe, talvez como forma de exercitar a incipiente assertividade – se a pessoa não se observa com cuidado, ela pode sim, passar a abusar do poder recém adquirido, seja em relacionamentos íntimos ou em esferas mais públicas. É sabido já há tempos que pessoas vítimas de abuso muitas vezes tornam-se abusadores depois. É uma espécie de super compensação.

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Reprodução

Agressividade Passiva

Isso nos leva a outra manifestação possível com Marte retrógrado, a agressividade passiva. Não, não é exclusividade de Marte Rx; pode ser simbolizada também por Marte em Peixes, Marte em Capricórnio, Marte-Saturno, Lua-Marte-Plutão, etc. Agressão passiva, diz Sullivan,  “é um jeito muito especial de ser ofensivo e defensivo ao mesmo tempo – alguns até podem achar que é econômico – não apenas você pode ficar zangado, como pode evitar que o outro retalie abertamente! É um beco sem saída, não apenas interno, mas externo também (…) um sentimento de raiva exalado, mais do que explicitado, a retrogradação provê um método para controlar os outros pela manipulação sutil e não pelo comando direto”(4).

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Reprodução a partir do Blog Escondido em Palavras

Competição, Ressentimento e Inveja

A competição aberta, traço inequívoco de um Marte bem disposto fica disfarçada de falta de interesse, ou pior ainda, de ciúme, inveja, ressentimento e rivalidade – dinâmica iniciada lá, com o pai. Claro, todos nós sentimos esses sentimentos sombrios de vez em quando, e são naturais, inerentes à natureza humana, “são expressões do ímpeto natural de ser o Número Um” (4). Mas um Marte potente é capaz de reconhecer seus limites; sabe reconhecer quando vale a pena ir atrás de um objetivo ou ceder quando percebe que é uma causa perdida. E sabe fazer isso graciosamente. Com Marte Rx, é comum a pessoa se sentir corroída por estes sentimentos de inveja e ressentimento, culpando o outro por ter ou tirar algo que ela julga seu por direito; ela tende a sentir-se pior ainda por ter tais sentimentos e a coisa toda pode virar um ciclo vicioso muito doloroso. “O que ela precisa perceber é que é ela que não está externalizando e expressando aquilo que ela sabe ser seu próprio poder, único e individual.” (4)

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Tim French – Reprodução

Casos de Abuso

E ainda que não seja regra, e que Marte Rx não signifique necessariamente abuso sexual, a questão não deixa de entrar como possibilidade neste quadro. Uma vez que o individuo não se sente capaz de se defender aberta e saudavelmente, ele/ela pode se achar vitimado por um namorado que não respeita o seu “não”, por um familiar abusador que se aproveita da relação de poder, ou mesmo por assédio vindo de estranhos, como exemplificado por um caso de estudo citado em Retrograde Planets, em que a pessoa em questão passou por duas destas situações de abuso. As repercussões, sobre as quais não vou me estender aqui, obviamente, são nefastas e difíceis de se lidar e exigirão da pessoa um trabalho longo, árduo e provavelmente penoso no processo de recuperação do senso de poder pessoal.

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Rodolfo Ledel – Artista Brasileiro – Reprodução

A Oposição Sol-Marte nas Progressões Secundárias

Com Marte Rx no mapa natal, Melanie Reinhart sugere que se observe em que estágio do ciclo de retrogradação a pessoa nasceu, se a oposição Sol-Marte já ocorreu ou ainda vai ocorrer e se Marte mudará de direção nas Progressões Secundárias. Quanto mais próximo da oposição exata, mais agudamente se vivencia estes temas. O período pré-oposição é mais marcado por uma tensão permanente, uma necessidade de estar sempre em guarda; e o período após o aspecto exato tenderia a ser um pouco mais facilitado, pois o indivíduo talvez intua mais rapidamente que o problema é na verdade interno, já que o aspecto é separativo. Já nas progressões, se Marte muda de direção, isso significa um grande ponto de mutação na vida. Os três anos em que Marte estaciona e depois fica direto são marcados por uma descarga extrema de energia reprimida e os conflitos tornam-se mais intensos que nunca. Reinhart diz que pode ser um período, a princípio, muito destrutivo, já que a pessoa não está acostumada a lidar com a energia, e de repente, ela pode entrar em contato com uma raiva antiga e visceral, pode ter recordações de fatos esquecidos e se meter em muita confusão no mundo exterior, pois é muito difícil determinar quem de fato é o inimigo. No fim, isso acaba levando a uma fase de renovada energia, novos projetos e a pessoa sente-se empoderada, dona de si, sem precisar pisar nos calos dos outros para se fazer notada.

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Qiu Anxiong – Reprodução

Sabe Aquele Belo Trígono Sol-Marte?

Mas não é só Marte retrógrado que pode causar problemas. No caso de Sol-Marte, trígonos também podem se revelar enganosos. Todos os outros planetas superiores estão em trígono quando retrógrados, e embora o mesmo não ocorra com Marte, é importante notar que, no caso de um trígono aplicativo, muito provavelmente Marte ficará retrógrado por Progressão Secundária. Sullivan afirma que o trígono Sol-Marte é extremamente enganador, porque quando em trígono com o Sol, Marte está no seu movimento mais lento, ou ficará retrógrado em cerca de 15 ou 20 dias ou terá retornado ao movimento direto 15 ou 20 dias antes do nascimento e estará ainda se recuperando da batalha. “Este trígono produz uma teimosia que não é normalmente associada com trígonos, que são geralmente considerados harmoniosos e confluentes (…) as qualidades do trígono podem até se manifestar, mas o impasse que um Marte lento pode gerar no desejo de se expressar produz frustração intensa na pessoa. De fato, a energia pode fluir entre Sol e Marte com graça e facilidade mas quão fácil é para a pessoa expressar assertividade e agressão? Há geralmente um curto-circuito entre o conhecimento interior da própria superioridade  e a manifestação concreta disso. O aspecto pode se manifestar como fantasias irreais de grandes realizações, um tipo de megalomania.” (4) Por progressão Marte ficará retrógrado entre os 14 e os 20 anos e este ano será muito importante. A oposição que ocorrerá entre Sol e Marte desafiará a “facilidade” do trígono natal, obrigando a pessoa a buscar força interior e a se auto-afirmar. Quando oposição em si ocorre, as coisas ficam realmente “quentes” internamente e o ano é marcado por uma rebelião à vida ou caminho anteriormente escolhidos.

Gérard Di-Maccio
Gérard Di-Maccio – Reprodução

Pessoalmente Falando…

Na minha experiência com clientes tenho visto casos de Marte Rx no mapa natal ou progredido que exemplificam o que todos estes autores dizem, com algumas diferenças em detalhes. E em períodos em que o planeta está retrógrado, como agora, o número de clientes que o têm natalmente buscando consulta aumenta. É particularmente digno de nota a luta com o pai, que normalmente não é mais apenas um pai, mas O Pai, porque no pai humano, biológico, vê-se na verdade o Pai Arquetípico, geralmente travestido com as cores do Pai Terrível ou Tirânico. Um pai super poderoso ou abusador que, consciente ou inconscientemente, suprime a expressão da individualidade do filho ou filha. Em outros casos, o pai é impotente de alguma forma: fracassou na profissão, faliu completamente deixando a família em dificuldades, ou teve sua vontade suplantada por forças maiores que ele, o que causa uma frustração e senso de fracasso enormes, sentimentos aos quais o filho ou filha é agudamente sensível. Às vezes, a sensação de impotência vem de antes do pai, em gerações anteriores na linhagem masculina, com sucessões de homens que se sentiram emasculados de alguma forma. A luta do pai, do avô e talvez de várias outras gerações, torna-se então a luta do filho, uma busca por reaver o poder pessoal perdido, especialmente quanto Marte Rx cai na casa 12 ou em Peixes. Então a luta adquire nuances de Redenção do Pai e de redenção do masculino na família. Não necessariamente da forma como ocorre com Sol-Netuno ou Sol em Peixes, mas algo relacionado especificamente com a potência e a vontade masculinas e com o uso adequado do poder pessoal.

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David Edward Linn – Reprodução

Escolhendo Batalhas Apropriadas Para  se Travar

Que a pessoa com Marte retrógrado no mapa natal vai enfrentar muitas batalhas ao longo da vida, isso é fato, é inegável. É uma necessidade básica para seu desenvolvimento como indivíduo. Talvez ela demore a perceber que a batalha é primeiramente interna, consigo mesma; e que o pai provavelmente não quis de fato “roubá-la” de sua força e potência. Mas em algum momento ela terá que perceber que a luta é essencial para seu senso de identidade, de “eu”; que ela floresce e frutifica em tempos de guerra e é no campo de batalha, qualquer que seja ele, que ela dá o seu melhor. Ao invés de reclamar e se lamentar que o pai, o chefe, o prefeito, o governo, o professor, o marido, a esposa estão sempre lhe impedindo de ser quem é, ou de fazer o que quer, essa pessoa “deveria aceitar que sua visão de mundo é predisposta a batalhas e que ela deve achar batalhas apropriadas para lutar. Uma vez que o oponente é na verdade interno, o oponente deveria ser a própria pessoa – em termos atléticos, por exemplo, lutar para alcançar o seu melhor desempenho pessoal é a forma mais efetiva de satisfazer sua própria agressão” (4).

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A Liberdade Guiando o Povo – Delacroix (1798-1863) – Reprodução

Concluindo…

Então é isso: escolher cuidadosamente batalhas e guerras que valham a pena lutar, de forma consciente, aberta e limpa, como por exemplo nos esportes, na política, no Direito, na Segurança Pública, nas questões ambientais, etc. Não que seja algo fácil e simplista, mas dessa maneira, a energia da oposição e da luta, será aplicada de forma criativa e poderá produzir resultados formidáveis, estupendos e não só na vida pessoal. Em maior escala, as vitórias poderão representar ganhos e melhorias para todo o coletivo onde se esteja inserido.

Certamente Marte Retrógrado é uma excelente arma de guerra – só se leva mais tempo para aprender a usá-la de forma inteligente e efetiva. Mas é possível!

OBS: Para saber se você tem Marte retrógrado no mapa natal, veja aqui. A retrogradação é representada no mapa por um R em vermelho, com a perna cortada junto ao símbolo do planeta.

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Oposição Sol-Marte Rx – 8 de abril de 2014, 16:54, Cuiabá-MT

Vale a pena lembrar que por estar em oposição ao Sol, Marte está visível a olho nu no período de retrogradação. É uma estrela de brilho vermelho, que pisca incessantemente e que aparece não muito distante de Saturno, também muito brilhante, só que de brilho azulado. 

BIBLIOGRAFIA

(1)    ARROYO, Stephen – Relacionamentos e Ciclos de Vida, Ed. Pensamento, São Paulo

(2)    MARCH, Marion De & McEVANS, Joan – Curso Básico de Astrologia Vol II., Ed. Pensamento, São Paulo

(3)    FALLON, Astrid – Planetary Cycles at a Glance, Fallon Astrographics, London, UK

(4)    SULLIVAN, Erin – Retrograde Planets – Traversing the Inner LandscapeSamuel Weiser,Inc, York Beach, Maine, United States

(5)    SASPORTAS, Howard – A Astrologia e a Psicologia da Agressão, em A Dinâmica do Inconsciente- Ed. Pensamento, São Paulo, SP

(6)    REINHART, Melanie – The Best and the worst of Mars, in The Mars Quartet – Four Seminars on the Astrology of the Red Planet – CPA Press, London, UK

(7)    GREENE, Liz – Thugs and Warriors, in The Mars Quartet – Four Seminars on the Astrology of the Red Planet – CPA Press, London, UK

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A DINÂMICA DO INCONSCIENTE - LIZ GREENE E HOWARD SASPORTASerin