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Lua Cheia e Eclipse Lunar em Leão

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Leão – Brasília, 31 janeiro de 2018, 11h28min

A Lua cheia que acontece nesta quarta, dia 31 de janeiro, é também uma super Lua, uma Lua Azul, uma Lua de Sangue e ainda um Eclipse Total Lunar!! Estupendo!

A Lua atinge o apogeu do ciclo Capricorniano às 11h28min no horário de Brasília e às 13h28min no horário de Lisboa. Já o eclipse atinge o ponto máximo às 11h31min (13h31min para Lisboa). Este ciclo foi iniciado a 26°54′ de Capricórnio no dia 16 de janeiro, e seu ápice se dá a 11°37′ de Leão – com o Sol já em Aquário. No dia 15 de fevereiro temos outro eclipse ocorrendo, um Eclipse Parcial do Sol, a 27° de Aquário – sim, por isso que você está sentindo as coisas meios tensas e caóticas nos últimos dias!

Série Saros Lunar 124 – 17 de agosto de 1152, 00h06min

O eclipse pertence à Série Saros Lunar 124, uma série bastante tensa, que ativa inseguranças, inquietudes e também sugere debilidade física e vitalidade baixa, no plano concreto – vamos nos cuidar, heim, pessoal!

Para falar sobre os significados do eclipse de amanhã e da Série Saros, gravei este vídeo, “diretão”, sem pausa e sem edição!
Enjoy it!

E aqui uma complementação:

 

 

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário – Liberte-se do Passado e Olhe para o Futuro!

Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua Cheia que ocorre a 15°25’ de Aquário nesta segunda, dia sete de agosto, é também um Eclipse Parcial da Lua, eclipse que precede o Eclipse Total do Sol acontecendo no dia 21 de agosto. O eclipse se dá às 15h11min no horário de Brasília e às 18h11min no horário de Lisboa. A duração total do eclipse é de cinco horas (o penumbral dura cinco horas e o umbral, mais denso, dura 01h55min), e seus efeitos perduram por cinco meses. Este eclipse é o indivíduo 61 – de um total de 82 – da Série Saros 119, iniciada em 14 de outubro do ano de 935 e que termina em 25 de março de 2396. Esta série é antiga, dura um total de 1460 anos e está se encaminhando para o fim, tendo percorrido já três quartos da sua “vida”. Todos os eclipses desta série acontecem no Nodo Sul (1), apontando para precisão de nos conscientizarmos dos padrões emocionais do passado que ainda nos atrapalham na vida presente.

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Eclipses são lunações super-potentes, porque ocorrem sempre na Lua Nova ou Lua cheia e intensificam, e muito, as energias e temas da lunação. Sinalizam o fim de um ciclo e o início de outro, trazendo muitos assuntos a um estado crítico que demanda resolução imediata, especialmente no caso dos eclipses lunares, que ocorrem na Lua Cheia, e que trazem a sensação de um momento crítico nas relações e assuntos que andavam se arrastando anteriormente. Para entender melhor o que são eclipses, leia este artigo.

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Para “sentirmos” como será este eclipse de amanhã, analisemos primeiro o mapa natal da Série Saros 119, levantado para Brasília – a SS 119 nasceu, na verdade, no Polo Sul, mas levanta-se o mapa para a cidade em que se deseja perceber seu ‘impacto’. A série começa com o eclipse ocorrendo no eixo Áries-Libra, um eixo que fala de relacionamentos, com o Sol estando em queda em Libra e a Lua estando no briguento signo de Áries – aqui fala-se, de imediato, da necessidade de mediar as necessidades pessoais, a individualidade, com as necessidades e os quereres dos outros; busca de equilíbrio e necessidade de ser independente e ter autonomia, mesmo dentro das relações afetivas.

Série Saros Lunar 119 – 14 de outubro de 935, 15h25min (horário de Brasília).

O mapa traz muitas  configurações interessantes, algumas delas similares às que vemos “dançando” nos céus atuais: Saturno está em conjunção a Quíron no signo de Peixes (atualmente temos uma quadratura entre Saturno em Sagitário e Quíron em Peixes, que traz temas semelhantes); Júpiter está em Leão em quadratura a Urano em Touro e estes dois planetas ficam em oposição no eixo Áries-Libra até outubro – também é digno de nota que o eclipse desta segunda cai em oposição ao Júpiter e em trígono ao Mercúrio do mapa natal da série; Marte se afasta de conjunção a Plutão, mas está prestes a ficar retrógrado em Câncer, sua queda, além de estar Fora de Limites; e também há um Grande Trígono em Água, envolvendo Vênus em Escorpião – signo de seu detrimento – Saturno e Quíron em Peixes e Marte/Plutão em Câncer. Por tudo isso, podemos dizer que esta série tem como tema básico os relacionamentos, enfatizando o tema primordial de toda Lua Cheia.

Medusa – Reprodução

O feminino está bem zangado neste mapa, com ambos os seus significadores, Lua e Vênus, sendo regidos por Marte e o próprio Marte estando em Câncer – Lua e Marte estão em recepção mútua. Há uma sensação de raiva reprimida e de dor e sofrimento herdados dos ancestrais. O feminino foi violado, mutilado e está intoxicado de raiva e dor, como Medusa, precisando ser resgatado e liberado. Vênus, em Grande Trígono de Água com Saturno e Quíron em Peixes e ainda com Marte e Plutão, sugere a necessidade de se purgar, depurar essa fúria, esse ódio, além de purgar e curar toda a dor e sensação de limitações e fracassos nas relações; há muito pus a ser extraído e vai doer, mas é necessário fazer esse expurgo, do contrário a ferida só irá piorar e apodrecer; é necessário assumir nossas dores e queixas, reconhecê-las e deixa-las ir, abrir mão delas, em nome de um futuro mais leve; é necessário se transformar a forma de viver as relações, de sair das respostas e soluções fáceis do “preto ou branco”, para se perceber que no espectro das relações humanas cabem milhares e milhares, milhões, de nuances e tonalidades diferentes. Mercúrio está conjunto ao Nodo Norte, em Libra e sugere que tenhamos um mínimo de distanciamento racional de todo o drama aquático, se for para conseguirmos tirar proveito e aprendizados de todas as experiências dolorosas. Todos estes são temas que ficam salientados nas próximas duas semanas, particularmente para indivíduos com ângulos ou planetas entre os graus 10 e 20 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário).

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Nos Pontos Médios Plutão faz quadratura ao PM entre a Lua e Saturno e oposição ao PM entre Sol e Saturno – é preciso quebrar as amarras, as limitações e inibições e também abrir mão do controle rígido, seja emocional ou racional; Ebertin (2) diz da “necessidade de depender apenas de si mesmo, de crescer e amadurecer usando a força e fazendo-se sozinho… Sofrimento orgânico e sentimentos de depressão… Separação da mãe ou da esposa”. O Nodo Norte faz quincôncio ao PM entre Marte e Saturno e Marte e Quíron – para crescermos e amadurecermos, teremos que enfrentar nossos medos e pavores, fraquezas e fracassos, vitimismos e desejos de salvação. E ainda: Lilith está conjunta ao PM entre Vênus e Júpiter, os dois benéficos – eu diria que, para podermos aproveitar o melhor da vida, suas alegrias e benesses maiores, precisamos lidar com nossa sombra e infernos pessoais, nossas dubiedades e selvageria. Como diz Jung, “qualquer árvore que queira tocar os céus, precisa ter raízes tão profundas a ponto de alcançar os infernos”. Esse é o recado de Lilith na SS 119.

Em resumo, esta série fala de um Ponto de Mutação muito importante nas relações afetivas, uma transformação que vem do enfrentamento das obscuridades, de conseguir erguer-se do lodo, depois de muito tempo chapinhando nele. Aprendizados!

Dados técnicos e caminho do eclipse de 07 de agosto -fonte: site da Nasa

Agora olhemos para o mapa da lunação de amanhã: a Lua Cheia/Eclipse ocorrem no eixo Leão-Aquário, um eixo que trata da polaridade indivíduo versus grupo, de se sentir especial em contraponto a sentir-se comum e anônimo na multidão; de fazer de si mesmo uma Obra Prima Individual que sirva ao coletivo, sem permitir que esse coletivo nos diga o que devemos ser ou fazer. Aquário é o signo da experimentação, de ousar ser diferente, excêntrico, signo de inovação; é o signo da fraternidade e de se sentir inserido na grande comunidade humana, buscando fazer a diferença. Também é um signo de rebeldia, de surpresas e coisas inesperadas.

A Lua é eclipsada pela Terra, isso significa que recebe a sombra da Terra sobre si. Como a Lua representa as emoções instintivas, sentimentos, necessidades emocionais, compulsões e instintos mais básicos, ao ser eclipsada, temos conteúdos básicos e sombrios emergindo à consciência e ficando mais claros e nítidos à nossa percepção, portanto, o eclipse possibilita muitas “iluminações” sobre nossos impulsos, nossas pulsões e compulsões inconscientes e conseguimos nos enxergar a nós mesmos com mais maturidade, talvez a ponto de nos assombrarmos com aquilo que descobrimos, que estava bem à nossa frente, mas não víamos, por estamos por demais envolvidos e identificados com tais assuntos. Este estado de “assombramento”, entretanto, não deve nos paralisar, mas sim propiciar consciência e mais sabedoria emocional e relacional.

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Além de se opor ao Sol, a Lua também se opõe a Marte, que estão conjuntos em Leão e, em Aquário, a Lua nos pede desapego das identificações egoicas, de nos desprendermos das expectativas individuais para focarmos nas necessidades do grupo e no todo; pede-nos uma visão racional, objetiva e lúcida das situações em que estamos envolvidos, lucidez nas crises que porventura nos atingirem – o pior que podemos fazer é entrar em pânico e nos desesperar. Sugere que as brigas sejam travadas de maneira justa e ética e que a honra individual também esteja a serviço do grupo.

Lua Cheia e Eclipse Lunar Parcial em Aquário – Brasília, 07 de agosto de 2017, 15h11min.

Vênus também se destaca neste mapa, sendo parte de um amplo Retângulo Místico, fazendo uma oposição dilatada a Plutão, sextil a Mercúrio e trígono a Netuno, que também estão em oposição e isso sugere que ainda é preciso cautela com as ilusões que criamos nas nossas relações, que precisamos, mais uma vez, transformar nossos apegos, soltar as dores que carregamos por aí como se fossem bichinho de estimação e que nos impedem de ver as novas possibilidades; é necessário viver as relações de maneira libertária e inovadora, sem apegos, sem seguir os modelos falidos das relações emboloradas.

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A Lua está no Ponto Médio entre Netuno e Plutão e Plutão está no Ponto Médio entre a Lua e Saturno – uma das repetições de temas da Série Saros 119. Além disso, o Sol faz quincôncios a Netuno (separativo) e a Plutão (aplicativo), virando foco de um amplo Yod. O coração e a consciência (Sol em Leão) precisam lidar com o peso da Sombra, da necessidade de transformar (Plutão) os conteúdos inconscientes (Lua) de maneira compassiva, com sensibilidade, com imaginação (Netuno). A Lua, representando nossa realidade emocional, nos diz que precisamos ser o elo entre a imaginação, a magia, tudo o que é elusivo e incompreensível para nós, e aqueles nossos conteúdos mais densos, a força de transformação e transmutação alquímica, de modo que tal realidade emocional seja purificada e reciclada e se torne mais leve de ser vivenciada. Como PM entre Lua e Saturno, Plutão sugere, mais uma vez, que se observe e quebre a necessidade de controle, que se transforme a usura emocional em generosa partilha que toca profundamente a alma do outro e que nos permite viver mais plenamente.

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Saturno, co-regente da Lua Cheia, que no mapa natal da SS 119 está conjunto a Quíron, atualmente faz quadratura a este, além de também se afastar de uma ampla quadratura a Netuno, e traz presente o tema do medo do fracasso, das feridas antigas e ancestrais, difíceis de sanar, que doem e incomodam, mas que também nos ensinam muito sobre nós mesmos e a natureza do humano. Essa ferida tem a ver também com uma crise de fé na compaixão e conectividade humanas, uma crise de fé na nossa capacidade de nos redimirmos de todas essas mazelas. Mas essa crise de fé aponta para a imprescindibilidade de tentarmos e insistirmos, de darmos um voto de confiança à centelha divina em nós e de insistirmos em tornar o sonho visível, concretizável.

Ivan quaroni – Reprodução

O outro co-regente do eclipse, Urano, trafega Áries e tem como único aspecto um trígono que recebe de Saturno, possibilitando o diálogo entre o velho e o novo, diálogo, que é mediado por Quíron, que é “a ponte entre o passado (Saturno) e o futuro (Urano)” (Jude Cowell) (3). Mas Urano também tem estado numa dança louca e caótica com Júpiter e, apesar de o aspecto não estar em orbe neste mapa, logo Júpiter fará oposição a Urano novamente, sinalizando rupturas nos sistemas judiciários, nas instituições religiosas, acadêmicas e na própria instituição “sagrada” do “santo matrimônio”, já que Júpiter está em Libra, signo das relações instituídas e reconhecidas – sim, mudanças de paradigmas no que tange a esses sistemas e às relações. Urano sugere que nos liberemos do passado pesado, dos ranços, das expectativas, do desejo ou tendência de viver relações “certinhas” e controladas, por medo da entrega real e verdadeira; Urano convida a nos desatrelarmos das lembranças de sofrimento, que soltemos recordações e deixemos no passado (Saturno) as histórias passadas e amargosas, usando as dores e sentimentos pesados (Quíron) para pavimentar o chão do caminho que nos levará a esse futuro mais promissor (Urano + Lua Aquário).

Sheppardarts – On Deviantart – Reprodução

Aquário, sendo um signo de Ar, racional e objetivo, me lembra a outra ponta do mito de Medusa, mencionado acima em referência a Vênus em Escorpião: a deusa Atena, a Deusa da Estratégia e do Pensamento Racional. No mito, Medusa, que era uma mulher jovem e belíssima, foi estuprada pelo deus Poseidon dentro do templo de Atena, que ficou profundamente ultrajada com tal ocorrido; outras versões do mito dizem que não houve estupro e que Medusa manteve relações consensuais com Poseidon. Como Atena era a Filha do Pai, tendo nascido já adulta da cabeça de Zeus, ela se vinga apenas de Medusa – e ela também não iria incorrer na ira de Poseidon! – pela profanação de seu tempo. Como punição, ela transforma Medusa num monstro serpentino, cujos cabelos eram serpentes; os dentes eram protuberantes e a língua bifurcada; mas o pior era o olhar petrificante, que tornava em pedra qualquer vivente que tivesse a má sorte de olhar para ela. Liz Greene (4) diz que o olhar que petrifica é o ultraje do feminino violado, seja o ultraje de Medusa, seja o ultraje de Atena. Medusa representa a paixão incontida e descontrolada, que se entrega em qualquer lugar, sem observar as regras conscientes da razão; as paixões viscerais e instintivas; já Atena representa a racionalidade, a capacidade de conter tais pulsões, porque talvez sejam destrutivas e porque precisam ser vividas com um mínimo de regra; e Atena também representa a capacidade de sermos objetivos e lúcidos nas nossas relações, algo que está bastante enfatizado nesta Lua Cheia e Eclipse em Aquário. Medusa e o feminino zangado e violado precisam ser redimidos e ser integrados, junto com Atena, afinal, as duas, Medusa e Atena, são dois extremos da mesma polaridade: a razão (Atena) e a paixão irracional (Medusa), duas figuras que estão presentes em todos nós e que são arquétipos importantes do feminino, sombrio ou luminoso. Na Lua Cheia de Aquário precisamos nos alinhar com Atena para podermos viver nossas relações de modo mais lúcido e inteligente e menos doentio.

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Por fim, ainda precisamos olhar a última vez que um eclipse da SS 119 aconteceu, porque isso nos dá pistas dos temas que são ativados no nosso mapa – no eixo de casas em que você tem o grau 15° de Aquário/Leão (veja o artigo geral sobre eclipses, cujo link está no segundo parágrafo deste artigo, para saber os significados dos eclipses por casa). O último eclipse da SS 119 ocorreu em 28 de julho de 1999, a 04°57’ de Aquário – você lembra como estava sua vida nesta época?

E ainda olhamos a última vez em que houve um eclipse no grau 16 (15°00’ a 15°59’) de Aquário, porque ele tocou os mesmos planetas e ângulos e certamente os mesmos temas serão acionados, possivelmente em roupagens diferentes, mas ainda assim, serão os mesmos. Quando foi isso? Isso se deu em sete de agosto de 1998 (08/08/1998). Vale a pena olhar para esse período também, para nos prepararmos para novos aprendizados e liberações nesta área de vida. Tanto os assuntos de 1998 quanto os de 199 podem voltar para serem revistos de alguma forma, portanto, fique atento!

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Luas Cheias também sinalizam tempo de colheita e a qualidade da colheita depende daquilo que plantamos e de como cuidamos da plantação ao longo do tempo. Como Aquário é um signo associado a amizades e relações sociais, é possível que tenhamos algumas ‘crises’ ou mudanças e liberações importantes nesta esfera também. Como estão nossas amizades? São fortes, verdadeiras, são equilibradas? Ou são relações de uso e abuso? São relações que mantemos por comodidade, mesmo percebendo que as afinidades já não se mantêm? Se houver questões mal resolvidas e “penduradas” com amigos, tais questões podem vir à tona para serem endereçadas e clareadas de vez!

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Em resumo, a Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário desta segunda nos convida a nos liberar do passado, a deixar para trás as histórias de dor e fracassos; a celebrar essa liberação e nos abrir a amores novos, sejam os de carne e osso, sejam os amores mais abstratos – inclusive um amor renovado por nós mesmos! Convida a abrir mão dos dramas e a apostar na objetividade, celebrando o tiquinho de lucidez que ainda tenhamos neste mundo louco e também, é claro, a celebrar nossas amizades, que, além da família, são os laços que nos sustentam!

E ainda, períodos de eclipses costumam trazer tensões, incertezas, instabilidades. Convém fazer exercícios de aterramento, meditação, yoga, ou o que funcionar para você. É aconselhável evitar decisões drásticas ou agir por impulso, porque as emoções estão mais afloradas e há propensão a maior imprevisibilidade e caos nas situações em geral – nada para nos deixar em pânico! Lembre-se, todo ano temos pelo menos quatro eclipses e temos sobrevivido até aqui, portanto, centramento e serenidade fazem toda a diferença!

Feliz Lua Cheia para você! Aproveite e termine o que tem que terminar, finalize os ciclos, deixe o passado no passado e olhe para o futuro!

 

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Birth Chart Painting – Reprodução

 

 

 

 

 

 

(1) Site da Nasa: https://eclipse.gsfc.nasa.gov/LEsaros/LEsaros119.html

(2) Reinhol Ebertin – The combination of Stellar Influences

(3) Jude cowell -https://judecowellastrology.blogspot.com.br/

(4) Liz Greene – the Astrology of Fate

2017: Um Ano Revolucionário!

O ano de 2016 nos deixou zonzos, sem saber direito qual foi o trem que nos atropelou. Mas esse trem tinha nome: Saturno-Netuno! E todos têm receio de que 2017 seja uma repetição do que vivenciamos em 2016 ou que o abismo se aprofunde – ele já mostrou a que veio! Só em janeiro e fevereiro já vimos coisas inimagináveis acontecendo… E daqui em diante? Não, não vai ser igual a 2016, mas não quer dizer que seja necessariamente muito melhor. Pelo menos tem ação e dinamismo! Vamos analisar juntos?

Para analisar como o ano vai se desdobrar eu utilizo vários fatores, os principais deles sendo o mapa de ingressão do Sol em Áries, que é quando o ano começa para a Astrologia; as configurações e trânsitos dos planetas lentos, a partir de Júpiter; os eclipses e trânsito dos Nódulos Lunares; As retrogradações de planetas pessoais, Mercúrio, Vênus e Marte – Marte não ficará retrógrado neste ano, apenas Mercúrio e Vênus; e por último, também considero a regência do ano, não como um fator determinante de como vai ser o ano, mas apenas como pano de fundo geral de todos os demais eventos astrológicos.

Estrela de 7 pontas que representa a Ordem Caldeica – Reprodução

Começamos com a regência do ano, que dá o pano de fundo energético. Pela sequência que vínhamos seguindo, este ano deveria ser regido por Vênus, de acordo com a ordem caldeica da estrela de 7 pontas. Mas 2016 finaliza um ciclo de 36 anos. Explico. Temos 12 signos, com três decanatos cada, totalizando 36 decanatos – cada decanato, como o nome diz, tem 10 graus, de modo que 10 x 36 = 360 graus do círculo perfeito – cada um deles sendo regido por um planeta pertencente àquela triplicidade – por exemplo, o signo de Áries tem seus três decanatos regidos por Marte, Sol e Júpiter, os três planetas regentes dos signos de Fogo. Não se sabe como se chegou, um dia, a essa regência anual, mas supõe-se que tenha a ver com essa divisão do Zodíaco em decanatos, que corresponderiam às regências anuais, totalizando ciclos longos de 36 anos, que por sua vez, também estariam sob uma regência. Assim, temos ciclos longos de 36 anos, regidos por um determinado planeta, de acordo com sua sequência na ordem caldeica e, dentro deste ciclo longo de 36 anos, teríamos os ciclos anuais. Como disse, 2016 encerra um ciclo longo de 36 anos, regido pelo Sol e 2017 inicia outro ciclo longo, regido por Saturno, o planeta da austeridade. O primeiro e o último anos do ciclo longo de 36 anos devem ser regidos pelo planeta regente deste ciclo maior. Então, ao invés de termos Vênus regendo 2017, temos Saturno, inaugurando este período de 36 anos, um período que tende a ser de contenção, severidade, disciplina e responsabilidade. Temos então que o pano de fundo de 2017 será de austeridade, cobrança, maturidade, limites, retrocessos, conservadorismo, com grande foco nos deveres e obrigações, nas demandas sociais ou familiares, mais do que no prazer, no indivíduo ou nas questões pessoais como era com a regência do Sol. É um tempo de aprendizado e sobriedade – as contas chegam para ser pagas e não adianta reclamar porque o cobrador pode decidir aumentar os juros em função dos lamentos! O tempo de holofotes sobre o indivíduo e o ego (regência do Sol) dá lugar às obrigações e responsabilidades sociais.

Saturno – Maria Eunice Sousa

Então, de um modo geral, é tempo de ser realistas e é o que Saturno, o Senhor do Tempo, requer de nós. Saturno é conservador e exige realismo, disciplina, responsabilidade. É o cobrador daquelas contas que viemos postergando achando que nunca teríamos que pagar. Essa regência sinaliza um ano de austeridade, de se voltar às coisas básicas e se respeitar os limites. É ano de ser realista e encarar os desafios de cara limpa, porque não dá para fugir deles. Ano de gerir os recursos com sobriedade, porque talvez estejam escassos. E, sendo bastante realistas, já sabemos que não é possível mudar o cenário atual da noite para o dia, magicamente, só porque mudamos o ano. Os desafios que enfrentamos hoje continuam e agora temos que recomeçar, a despeito de todas as dificuldades. Mas, recomeçar por onde, quando estamos tão confusos e incertos? Essa incerteza ainda permeia todo o ano e quando há insegurança, a tendência é uma volta ao conservadorismo, porque acredita-se que voltar ao que era vá consertar o que está errado atualmente e isso não necessariamente é verdade, portanto, este é um movimento que requer cautela. No mapa do Brasil, Saturno trafega atualmente a casa das estruturas básicas da sociedade, o governo federal, assim como as classes dominantes. É possível que ainda haja muitos desapontamentos, tumultos e reviravoltas políticas ao longo de 2017, não necessariamente atendendo ao desejo do povo – como também apontam outros fatores nesta análise – e isso pode trazer bastante insatisfação, que por sua vez pode levar a revoltas populares. Mudanças drásticas ocorrem da noite para o dia, a exemplo de 2016, e outros aspectos ainda sugerem que muitas decisões governamentais são ocultadas e que os verdadeiros governantes, aqueles que realmente mandam, podem também estar ocultos. Mas essa regência de Saturno NÃO É A COISA MAIS IMPORTANTE! Muito pelo contrário! Existem outros fatores mais gritantes e graves para se levar em conta. Como diz o título deste artigo, este é um ANO REVOLUCIONÁRIO e definitivamente, um ano Saturnino NÃO É um ano revolucionário, portanto, Urano e Plutão é que dão o tom principal deste ano, e não Saturno!

Trânsitos lentos e configurações 

Júpiter – Maria Eunice Sousa

Dos planetas lentos, o mais ativo neste ano é Júpiter. Em parte porque, obviamente, ele é o mais rápido e fará mais aspectos, mas principalmente por causa da oposição que faz a Urano e da quadratura a Plutão. Júpiter ingressou em Libra em setembro de 2016 e permanece neste signo até 10 de outubro de 2017, quando ingressa em Escorpião. Júpiter é um planeta associado com o conhecimento mais elevado, expansão, crescimento, riqueza, significado, espiritualidade e também leis, não a sua aplicação – isso é com Saturno, que aliás, está em Sagitário, regido por Júpiter – mas a feitura das leis, a busca por justiça. Em Libra, o signo da equidade, do equilíbrio, da harmonia e da conciliação, Júpiter busca crescer e se expandir através da cooperação e da diplomacia, procurando chegar à paz e à justiça para todos os lados envolvidos. Trata-se da busca pelo mútuo desenvolvimento, para mim e para você. Ele poderia ser cordato por demais, exceto pelo fato de ficar, boa parte do ano, em oposição a Urano e quadratura a Plutão, dois planetas que ainda estão em quadratura, embora não façam mais o aspecto exato. Podemos então esperar mudanças abruptas nas leis que têm a ver com riquezas, impostos, crescimento e desenvolvimento social. Não, as configurações não representam somente coisas boas, às vezes, é bem ao contrário, elas simbolizam coisas bastante desagradáveis. Além dessa configuração, que é a mais importante, Júpiter ainda fará quincunce a Quíron (fevereiro e março e depois setembro) e a Netuno (maio a julho), sextil a Saturno (agosto) e trígono a Netuno (a partir de novembro, já em Escorpião). Os aspectos tensos a Netuno e a Quíron nos alertam que nem todas as leis e alterações na legislação serão bonitinhas e agradáveis sendo, muitas delas, bastante ilusórias ou descaradamente desfavoráveis ao povo.

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Então, neste ano Júpiter sugere algumas mudanças radicais nas leis, que vêm demolir o senso de segurança e estabilidade social, ou que transformam profundamente a maneira de se governar no mundo ou a relação entre as classes dominantes e as dominadas. Algumas dessas mudanças podem ser benéficas, outras podem ser chocantemente desagradáveis – do tipo “presente de grego”. Mas esses movimentos Jupiterianos indicam principalmente a necessidade de reformarmos nossas crenças, nossa visão de mundo, a forma como encaramos e percebemos a ideia da justiça e a maneira pela qual nos expandimos.

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A oposição a Júpiter-Urano é o ápice de um ciclo de cerca de 13,8 anos que começou entre 2010 e 2011, com os dois planetas em Peixes e o ciclo desses dois planetas tem a ver com a relação entre as mudanças intelectuais e as expectativas das sociedades. Assim, essa oposição a Urano simboliza grande potencial de expansão da criatividade e da originalidade, de novos avanços tecnológicos, que ampliam a interação e a socialização entre os indivíduos – fique atento para inovações tecnológicas que transformarão os relacionamentos afetivos! É provável que seja um ano em que mais e mais relacionamentos poderão começar através das redes sociais, à distância. Júpiter em aspecto tenso a Urano também aponta para acidentes graves relacionado às grandes viagens/distâncias, como na navegação ou aviação – aliás, já vimos alguns eventos graves acontecendo de 2016 para cá.

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Já o ciclo de Júpiter-Plutão é um ciclo de cerca de 12,5 anos e fala de uma transformação profunda nas expectativas das sociedades e tem enorme influência nas questões de justiça e legislação no coletivo. A presente quadratura é minguante e vai finalizando um ciclo iniciado em dezembro de 2007, a 28° de Sagitário. Um ciclo de transformação na reformulação das leis, mas que fala também de poder imenso e grandes fortunas e é um sinônimo para as plutocracias, sistemas políticos onde o poder é exercido, necessariamente, pelos mais ricos, pela elite econômica, o que leva a grandes desigualdades sociais. Para termos ideia do que estava acontecendo entre outubro e dezembro de 2007, quando os dois planetas estavam em orbe de conjunção, foi neste período que foi descoberto o Pré-Sal, que foi “dado” recentemente ao estrangeiro, assim como será dado, provavelmente, o Aquífero Guarani – Vênus está retro na casa 12 no mapa de ingressão! Agora este ciclo está se fechando e termina de vez em 2020, quando Júpiter se juntar a Saturno e a Plutão em Capricórnio. Nessa quadratura minguante entra em pauta algumas leis importantes: taxação de grandes fortunas ou aumentos de impostos para a classe média.

Veja o que Júpiter-Urano-Plutão estão “aprontando” no seu mapa natal! Agende uma consulta comigo através do e-mail: psicologica.astrologia@gmail.com

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No mapa do Brasil essa quadratura se dá entre as casas 8 (Júpiter) e 11 (Plutão) o que sugere mudanças importantes das leis que regem as finanças internacionais e investimentos de países estrangeiros. Esse aspecto pode representar mortes no judiciário, simbólica ou literalmente. Algumas mudanças nas leis podem representar aumento (Júpiter) no número de mortes (Plutão/casa 8) relacionadas às instituições públicas (casa 11) ou mudanças importantes nas leis que regem o serviço público e as instituições públicas, assim como os investimentos nessas instituições. Então, não nos enganemos! Só porque Júpiter é um planeta de boa sorte, não quer dizer que ele às vezes não represente problemas também. Até porque um mesmo aspecto pode representar tanto coisas positivas quanto negativas, dependendo do contexto e dos envolvidos. Mas podemos esperar desmantelos no poder, mais sujeiras vindo à tona acerca do Poder Judiciário, transformações no âmbito da Justiça e justiça sendo feito no âmbito do poder. E podemos dizer também: justiça seja feita, doa a quem doer! E se tem algo que se precisa em abundância nesse país é justiça e até mesmo uma transformação na Justiça e no Poder Judiciário. Contudo, a quadratura Saturno-Quíron alerta que essa justiça pode ser aplicada de forma capenga em muitas situações, podendo mesmo ser omissa! Júpiter ficará retrógrado de 06 de fevereiro a 09 de junho e por isso, a maioria dos aspectos ocorre pelo menos duas vezes – já tendo ocorrido os primeiros eventos em 2016.

Reprodução – Desconheço o Autor

E por falar em Júpiter, lembramos de Sagitário, signo regido por ele e por onde Saturno trafega atualmente, também fazendo uma revisão geral nessa área da justiça e das crenças. Saturno agora trafega o terceiro decanato de Sagitário, regido pelo Sol. É um grande alívio que já não tenhamos a quadratura Saturno-Netuno para lidar, uma configuração que simbolizou toda a depressão coletiva, a apatia, a fragmentação de muitos sonhos, a morte de muita gente no mundo das artes e entretenimento em 2016… Mas temos pela frente Saturno-Quíron, tão dolorosa e difícil quanto. Embora muitos astrólogos não utilizem Quíron em suas leituras, não há dúvidas de sua “influência” astrológica e certamente essa quadratura se fará sentir.

Daunhaus.Deviantart – Reprodução

Essa quadratura a Quíron é um espinho venenoso enfiado na carne, que infecciona e dói excruciantemente! Um aspecto bastante difícil de se lidar, porque estamos falando de dois princípios pesados, significadores de inseguranças, bloqueios, medos, incertezas, feridas, dificuldades… Numa conversa tensa e deveras conflituosa… Extremamente espinhoso. Defensivo. Desagradável. Doloroso. É preciso ter muita coragem e serenidade para olhar as profundezas da própria alma dispostos a enfrentar nossos piores pesadelos e fragilidades de cabeça erguida, com dignidade, para poder usar isso como mola de crescimento. O mais provável é que sintamos de maneira muito crua que todo esse sofrimento é inútil e sem sentido e nos sintamos amargos e cínicos, com uma sensação de futilidade a nos assombrar dia após dia. Olhamos para o nosso abismo pessoal, social e coletivo e ele olha de volta para nós, mais fundo e obscuro do que ousaríamos pensar.

Magritte – Reprodução

Uma reação possível dos mecanismos de defesa é recorrer a verdades prontas, frases feitas, crenças bonitas mas inócuas ou rígidas e excessivamente severas, para nos dar algum senso de segurança ou de sentido. Nosso alter-ego, aquele severo guardião moral que diz o que é certo e errado, aponta o dedo para o nosso lado mais frouxo e desmazelado, aquela parte de nós mais desamparada e vulnerável, que então se encolhe e se amiúda, querendo desaparecer. Desnecessário dizer o quanto isso é difícil e paralisante, além de possibilitar reações instintivas de animal ferido mortalmente que, para se defender vai revidar da pior maneira… É claro que isso é um extremo. Sempre podemos tirar proveito desses momentos de fragilidade para nos conhecer melhor, recorrer a alguma prática terapêutica, a alguém em quem se confia para propiciar um olhar externo e apaziguador de tal sofrimento. Não precisamos resvalar nos extremos! A manifestação desse aspecto é muito provável de se dar nas relações mais próximas, particularmente relações que envolvam figuras paternas ou de poder, como a relação com o próprio pai, chefes, professores, ou outros tipos de autoridades, inclusive religiosas, acadêmicas etc. É preciso compreensão, sensibilidade, compaixão e doçura para consigo mesmo e para com o outro que porventura percebamos estar lidando com esse tipo de dilema.

Salvador Dali – Reprodução

Peixes é o signo que fala da desintegração da forma e do ego. Quíron trafegando este signo nos diz que essa desintegração é dolorosa e que temos que abrir mão do anseio por redenção, porque não há redenção à vista. A quadratura de Saturno nos fala que as figuras de autoridade e poder estão feridas, vulneráveis, fracas. Essa vulnerabilidade tanto pode ser moral e psicológica, quanto física e concreta, ou seja, pode implicar reputações avariadas ou perda da saúde ou ainda morte. Ou nos sentimos órfãos porque tais autoridades são incapazes de continuar a nos dar suporte, ou porque nos desapontamos terrivelmente com elas.

Em termos mundanos, podemos bem associar essa quadratura com todas essas reformas em andamento no Brasil. Novas leis (Saturno em Sagitário) que versam sobre a saúde coletiva, aposentadoria, etc (Quíron em Peixes). E como vimos, a aprovação das tais leis não favorece nem um pouco ao povo e à maioria. É possível também vermos figuras eclesiásticas e religiosas em geral – de todas as religiões – tendo suas fraquezas e vulnerabilidades expostas, sendo julgadas socialmente, seus pés de barro esfacelando-se debaixo do seu peso de ferro e ouro… A mesma coisa se aplica a autoridades acadêmicas e altos postos universitários. A exposição dessa vulnerabilidade pode ser no sentido moral, mas também físico, ou seja, pode implicar questões de saúde ou mesmo de morte nesses meios mencionados. Se Saturno-Netuno simboliza a morte e o desaparecimento de figuras importantes nas artes em geral, Saturno-Quíron sugere a mesma coisa para figuras importantes dos meios acadêmicos, religiosos, filosóficos ou mesmo da saúde, já que Quíron também tem a ver com a cura. A implicação dos meios eclesiásticos e religiosos tem a ver com o trânsito de Saturno por Sagitário.

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Saturno faz também aspecto positivo a Urano, um trígono. Esses dois planetas em contato simbolizam a implementação das mudanças intelectuais, aquelas que são pensadas na configuração Júpiter-Urano. Este aspecto indica a possibilidade de conciliarmos o velho e o novo, a tradição com a inovação, tirando o melhor dos dois mundos. Indica que temos recursos para fazer algumas mudanças estruturais e cruciais com uma certa segurança, de forma responsável, planejadamente. É um tempo favorável para as ciências, as áreas de pesquisa e do conhecimento em geral. Novas ideias (Urano) ganham forma (Saturno), harmoniosamente. Assuntos antigos (Saturno) ressurgem com novas roupagens ou abordagens (Urano). Urano estará bastante ativado, o que sugere um ano cheio de surpresas, de eventos inesperados, reviravoltas, rebeldia, revolução e subversão. Sempre que Urano está envolvido diz-se “espere o inesperado”, o que é uma contradição em si mesmo, mas esse dizer é para enfatizar a natureza imprevisível e abrupta deste planeta. Saturno ingressa em Capricórnio em 20 de dezembro.

Veja onde acontece esse aspecto muito positivo de Saturno e Urano no seu mapa natal, agendando uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com

Ingressão do sol em Áries – 20 de março

Ingressão do Sol para Brasília

Um dos meios mais efetivos de vermos como vai ser o ano é analisando o mapa da ingressão do sol em Áries, que se dará em 20 de março, às 07h28min no horário de Brasília e às 10h28min no horário de Lisboa. Esse mapa grita alto, altíssimo! Primeiro, o Sol está na casa 12, a casa das coisas ocultas, junto com Vênus retrógrada e Mercúrio. Isso nos diz que o poder no Brasil continuará a ser exercido de forma obscura. A casa 12 no mapa astrológico classicamente é tida como a casa dos “inimigos não declarados” – sendo o Sol a autoridade máxima e representando o presidente/chefe de estado, teremos então inimigos não declarados no poder? O inimigo comanda o show dos bastidores! Em Astrologia Mundana/Mundial essa casa é a dos movimentos subversivos, dos movimentos e eventos secretos, clandestinos, subterrâneos. E é também a casa das instituições de isolamento: hospitais, mosteiros, prisões. Considerando-se tudo o que temos visto até no que tange às rebeliões no sistema carcerário, podemos dizer que essa tendência de conflitos deve continuar ano adentro.

Ramiro Furquim – Sul 21 – reprodução

O Sol se afasta de uma quadratura a Saturno-Lua e conjunção a Quíron, ambos os aspectos fora de signo. Sugere que ainda amargamos desapontamentos passados, ainda estamos a digerir muito dos recentes acontecimentos desagradáveis. O choque de realidade continua a reverberar. Sem falar que a quadratura Lua-Sol deixa claro que os interesses do governo não coincidem com os da massa – longe disso, conflitam terrivelmente. O próximo aspecto que o Sol fará é a conjunção a Vênus retrógrada. Baigeant, Campion e Harvey (1), no livro Mundane Astrology, dizem que Vênus representa a cola que mantém o povo da nação unido, as coisas prazerosas, artes, harmonia, entretenimento. “Traz a paz, embora, devido à sua natureza passional, também tem associações com a guerra”. Os Maias e os Astecas eram grandes estudiosos do ciclo de Vênus e para eles, Vênus retrógrada, como já disse em outros textos, era associada às guerras, por causa da qualidade subversiva e guerreira que Vênus adquire quando muda de direção. De diplomática e conciliadora, torna-se uma guerreira obstinada a destruir o inimigo. Assim, essa posição de Vênus Rx alerta que os conflitos civis, as revoltas populares devem ficar mais inflamadas neste ano, especialmente porque Vênus está em Áries, um signo de guerra. As pessoas em geral têm grande dificuldade de concordar entre si e o tom animoso sai das redes sociais e pode ganhar as ruas. Vênus também está associada ao arquétipo feminino e aos recursos do país, devido à regência de Touro. Os recursos do país ficam escassos, particularmente porque essa Vênus rege a casa 2 deste mapa. E na casa 12 aponta para as falcatruas e negociatas feitas por trás das costas do povo – adeus, Aquífero Guarani e tantos outros tesouros nacionais!!! E a economia, ao invés de crescer, tende à retração – portanto, o crescimento é deveras duvidoso!

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Urano está na casa 1 deste mapa, a casa que representa a nação como um todo, sua autoimagem. Urano está em quadratura a Plutão que está conjunto ao MC e ainda recebe a oposição de Júpiter no DC, que também quadra Plutão. É um ano revolucionário, não se sabe se as revoluções são para melhor ou para pior, mas a sombra coletiva desse país vai para os holofotes e muitas coisas secretas com as quais não lidamos até aqui vão para o palco central, de modo que precisamos olhar com os olhos bem abertos e transformar o que tiver que ser transformado.

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Júpiter está retrógrado na casa 7/DC e sugere esse anseio de buscarmos a ajuda de algum parceiro “benfeitor”, mas esse Júpiter está retrógrado, de modo que é provável que não consigamos e ainda sejamos objeto de ridículo. Júpiter também está destacado, visto que puxa essa mapa todo numa formação de Locomotiva – mais uma vez, a despeito de todas as vicissitudes, precisamos ter fé de que estamos mudando para melhor. Não uma fé cega ou alienada, mas uma fé clara, arguta, como mostram os aspectos a Urano e Plutão.

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Mercúrio está conjunto ao Ascendente em Áries e é instrumental na fomentação dos conflitos – alô, grande mídia! – visto que está também em oposição ampla a Júpiter e quadratura a Plutão no MC. Mercúrio rege as comunicações de todo o tipo, a educação, as mensagens do governo ao povo, os movimentos intelectuais e pensamento da nação. E este pensamento está nervoso, incendiário, disposto a demolir muitas verdades, crenças e leis inócuas, disposto a botar a boca no trombone, mas também pode estar inflexível e egocentrista. A quadratura a Plutão sugere novamente, que muitos podres virão à tona tanto no que tange aos meios políticos e econômicos (Plutão em Capricórnio), quanto aos meios judiciários e eclesiásticos (Júpiter em Libra), podendo também representar alguns incidentes diplomáticos.

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A Lua está conjunta a Saturno na casa 9, em Sagitário e repete algo parecido já apontado por Mercúrio-Júpiter-Plutão: verdades sombrias acerca dos meios religiosos e da justiça precisam ser encaradas sem escapismos. A Lua representa o povo, as massas, que neste caso estão fanáticas e apaixonadas por ideologias rígidas, moralismos vazios. Talvez essas massas exijam punição e justiça contra os desmandos, mas têm que lidar com realidades decepcionantes, já que a Lua também quadra Quíron. A casa 9 também é a casa das publicações, das instituições acadêmicas e dos sistemas das leis, de maneira que essa posição aponta para leis rígidas que repercutem negativamente nas instituições públicas e sociais (Quíron na 11), na educação, universidades e na produção das ciências. Positivamente, a conjunção Lua-Saturno sugere que o povo está mais realista, mais forte e resiliente, menos propenso a esperar por milagres.

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A Lua também é um planeta feminino e está conjunta a Saturno. Somando isso à posição de Vênus, retrógrada em Áries na casa 12, temos que este não é um ano particularmente favorável para o feminino, para as mulheres, que podem se sentir amordaçadas e cerceadas nas suas conquistas e liberdades e na forma como são tratadas pelas leis e pelos aplicadores das leis. Pode haver um recrudescimento da violência contra a mulher. Contudo, esse feminino coloca uma resistência formidável e está disposto a brigar ferrenhamente por suas bandeiras. E essa retrogradação pode significar uma reformulação, uma reavaliação de como a mulher e o feminino têm sido vestidos nos últimos tempos.

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Marte está em Touro, na casa 1, isolado, sem aspectos. Poderíamos considerar um trígono de quase 10 graus que vai receber da Lua, mas ainda é muito distante. Marte está em recepção mútua com Vênus retrógrada. Em Touro ele está mais calmo e paciente e delibera antes de entrar em ação, o que por um lado, ajuda bastante em momentos de ebulição e conflito. Entretanto, um planeta sem aspectos tende a se manifestar de forma extremista, super-compensando os momentos de pouca atividade com outros de atividade exagerada, inflexível, radical, sugerindo muitos riscos. Marte é o planeta da liberação da energia executiva, da paixão e da violência, e quando sem aspectos, sugere que essa energia é liberada de forma irregular, errática. Pode ser grosseiro, rude, truculento, particularmente em Touro e como também representa o poderio militar, essa posição inspira cuidados. Pode agir de forma a gerar divisões, violência, rebeliões (particularmente no sistema prisional, já que a regente, Vênus, está na casa 12) e tumultos na ordem social.

O único aspecto positivo nesse mapa é o trígono Saturno-Urano, que pode sim, dar alguma sustentação em momentos de caos, mas, de modo geral, esse mapa diz que esse é um ano bastante conturbado para o Brasil – e também para o mundo, de formas diferentes. É bem diferente de 2016, porque 2016 tinha aquela sensação de depressão, de desesperança, de coisas arrastadas… Já 2017 traz energia de ação, é dinâmica, embora seja conflituosa. Este é um ano de revolução –  embora, com Marte em Touro (regente de Áries, Sol, Vênus, Mercúrio e Urano), essa revolução aconteça meio a passo de tartaruga e talvez seja meio preguiçosa… meio na marra, talvez porque fiquemos com medo de perder algumas “comodidades”. Urano em Áries, contudo, sempre sugere que a mais importante revolução de todas, a principal e fundamental, é a revolução individual – é no indivíduo e a partir do indivíduo que a revolução pode realmente acontecer – principalmente porque Urano e Marte estão na casa 1.

Eclipses

O eixo nodal permanece por cerca de 19 noves numa polaridade de signos. Esse eixo ingressou na polaridade Virgem-Peixes em novembro de 2015, onde permanece até maio de 2017, quando ingressa, então, no eixo Leão-Aquário. Nos últimos dois anos tivemos eclipses acontecendo entre as polaridades de Áries-Libra e de Virgem-Peixes – leia e entenda melhor a mecânica dos eclipses. Agora os eclipses se deslocam para Leão-Aquário e mesmo os de fevereiro já ocorrem neste par de signos, porque para haver um eclipse, é preciso que Sol e Lua estejam distantes até 18 graus do eixo nodal.

Tabela de eclipses de 2017: significados e área de influência por signo. Veja o signo do seu ASCENDENTE!

Então, teremos dois eclipses lunares, os dois parciais/penumbrais, o de fevereiro visível em quase todo o Brasil e o de agosto visível na África, Ásia e Oceania – leia sobre o Eclipse Lunar em Leão de fevereiro. Já os eclipses solares serão totais, o de fevereiro sendo visível da região central ao Sul do Brasil e o de agosto sendo visível na América do Norte e parcialmente no Norte do Brasil – leia sobre o Eclipse total do Sol em Peixes de fevereiro. De modo geral, esses quatro eclipses que acontecem em 2017 aumentam a possibilidade de coisas imprevisíveis e inesperadas ocorrerem ao longo do ano, podendo se manifestar como cataclismos naturais, como terremotos e tsunamis, e também como violência social em que o indivíduo se coloca contra os grupos e o povo se volta contra governos e poderes estabelecidos – isto no Brasil e no mundo. Esses eclipses enfatizam o papel e a atuação do indivíduo na comunidade, conclamando as pessoas a serem mais participativas e a se responsabilizarem mais pelas mudanças que querem ver acontecendo na sociedade.

Você sabe onde os eclipses caem no seu mapa e o que eles acionam? E Vênus retrógrada, o que vem significar para você neste momento? Agende uma consulta e descubra: psicologica.astrologia@gmail.com

Pawel Kuczynski – Reprodução

Mercúrio ficará retrógrado quatro vezes, nos signos de Capricórnio/Sagitário (janeiro), Touro/Áries (abril a maio), Virgem/Leão (agosto a setembro) e Sagitário (dezembro). Os períodos de Mercúrio retrógrado, como sabemos, propiciam que façamos revisões importantes sobre nossas formas de pensa e nos comunicar e, considerando-se a posição de Mercúrio neste mapa, os períodos de retrogradação serão cruciais para a avaliação do quanto as revoluções são benéficas ou maléficas para o Brasil.

 

Datas de Mercúrio retrógrado:

19/12/2016 a 08/01/2017 – retrograda de 15° de Capricórnio a 28° de Sagitário

09/04 a 03/05 – retrograda de 4° de Touro a 24° Áries

13/08 a 05/09 – retrograda de 11° de Virgem a 28° de Leão

03/12 a 22/12 – retrograda de 29° a 13° de Sagitário

Arcano XIII – A Morte – Tarô de Nei Naiff

Assim, transformações profundas continuam a ocorrer nas grandes instituições econômicas, nas estruturas governamentais, nos sistemas bancários, no Poder e poderes em geral. O que não for mudado por bem, será transformado à revelia da nossa vontade na grande conjunção de Júpiter-Saturno-Plutão em 2020, um ano de grande turbulência econômica, política e social, em termos globais – nada comparado com o que estamos vendo agora. A Terra vai parar e mundo não será mais o mesmo depois de 2020!

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Em resumo, em 2017 temos a continuidade de um ciclo de mudanças iniciado lá em 2008 e que se estende até 2020, quando outros ciclos importantes começam, mudando drasticamente o cenário geopolítico mundo afora. Apesar de haver um aumento no conservadorismo, 2017 é um ano de muitas reviravoltas políticas, econômicas e sociais, assim como um ano de mudanças significativas e repentinas nas leis e no exercício dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Por um lado, ainda temos muitos desapontamentos e desilusões, especialmente com autoridades e figuras públicas dos campos da política, do judiciário e das religiões. Por outro lado, o povo já não fica tão passivo, está mais resiliente e levanta resistência, usando esse desapontamento como combustível para brigar contra desmandos e injustiças e ir atrás de mudanças reais. O perigo é que aqueles que detém o poder vão tentar defendê-lo a todo custo e isso pode gerar revoltas e conflitos violentos, nas ruas e dentro de instituições, tanto no Brasil quanto no mundo.

Embora tudo isso pareça assustador, não devemos ficar assustador e com medo, porque já vivemos isso atualmente e as coisas tendem apenas a se intensificar. O movimento de transformação nos convida a permanecer conscientes e a voluntariamente contribuir e cooperar com essa transformação. E por mais que tudo pareça estar piorando, isso não é verdade. Recorro a um texto de Sathya Sai Baba para nos lembrar disso, que fala sobre esse período de transição que atravessamos:

“Não há mais maldade, o que há é mais luz, e é sobre isso que falo agora. Imagine que você tem um quarto, ou uma despensa, onde guarda suas coisas, iluminado por uma lâmpada de 40W. Se trocar para uma lâmpada de 100W, verá desordem e um tipo de sujeira que você nem imaginava que havia no local.

A sociedade está mais iluminada. Isto é o que está acontecendo. E isto faz com que muitas pessoas que leem estas afirmações as considerem loucura.

Percebem que hoje em dia as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender a forma como a vida se organiza.

A nova vibração do planeta tem tornado as pessoas nervosas, depressivas e doentes. Isto porque, para poder receber mais luz, as pessoas precisam mudar física e mentalmente. Devem organizar seus quartos de despejo, porque sua consciência cada dia receberá mais luz. E por mais que desejem evitar, precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira.

Esta mudança provoca dores físicas nos ossos, que os médicos não conseguem resolver, já que não veem uma doença que possa ser diagnosticada. Dirão que é causado pelo estresse. Porém isto não é real. São apenas emoções negativas acumuladas, medos e angústias, todo o pó e sujeira de anos que agora está sendo visto para ser limpo.

Algumas noites as pessoas acordarão e não conseguirão dormir por algum tempo. Não se preocupem. Leiam um livro, meditem, reze. Não imagine que algo errado ocorre. Você apenas está assimilando a nova vibração planetária.

Se não entender este processo, pode ser que as dores se tornem mais intensas e você acabe com um diagnóstico de fibromialgia, um nome que a medicina deu para o tipo de dores que não tem causa visível. Para isto não existe tratamento específico – apenas antidepressivos, que farão com que você perca a oportunidade de mudar sua vida.

Uma vez mais, cada um de nós precisa escolher que tipo de realidade deseja experimentar, porém sabendo que desta vez os dramas serão sentidos com mais intensidade; assim como o amor. Quando aumentamos a intensidade da luz, também aumentamos a intensidade da escuridão, o que explica o aumento de violência irracional nos últimos anos.

Estamos vivendo a melhor época da humanidade desde todos os tempos. Seremos testemunhas e agentes da maior transformação de consciência jamais imaginada.

Informe-se, desperte sua vontade de conhecer estas questões. A ciência sabe que algo está acontecendo, você sabe que algo está acontecendo. Seja um participante ativo. Que estes acontecimentos não o deixem assustado, por não saber do que se trata.” (SATHYA SAI BABA)

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Como fica para os signos (Sol, Lua e Ascendente)?

Os signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) continuam a lidar com as transformações exigidas por Plutão (segundo decanato), são chamados a despertar radicalmente por Urano (terceiro decanato) e ainda precisam buscar equilíbrio no crescimento, conforme aponta o trânsito de Júpiter por Libra (segundo e terceiro decanatos). Assim, os signos cardinais continuam a ser desafiados de forma crítica.

Os signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário estavam passando por uma trégua relativa nos últimos dois anos, desde que Saturno finalmente saiu de Escorpião. Em outubro Júpiter ingressa em Escorpião, onde ficará até oito de novembro de 2018. Júpiter vai agitar e animar um bocado a vida dos signos fixos, mas para Touro, Leão e Aquário é preciso ter alguma cautela, porque Júpiter tende aos exageros. Os signos fixos também serão afetados pela migração do eixo nodal para Leão-Aquário, já que os eclipses passam a acontecer nessa polaridade de signos.

Já os signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes), são dos mais desafiados, visto que lidam com o trânsito de Saturno por Sagitário (terceiro decanato dos signos mutáveis) e de Netuno por Peixes (segundo decanato) e Quíron (terceiro decanato), também por Peixes. Os signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) tiveram que lidar com algo parecido lá pelos idos de 1999, quando Saturno trafegava Touro e Netuno passeava por Aquário. A diferença é que os signos fixos são signos de controle, e precisam abrir mão de tal controle. Os signos mutáveis, por outro lado, são signos mais fluidos e estão sendo testados e cobrados severamente no seu senso de ordem e de estrutura, no seu senso de funcionamento efetivo no mundo. Precisam fazer o exercício de abrir mão do paraíso da infância (Netuno) e encarar a realidade, se estruturando e amadurecendo mais um pouco (Saturno).

Então, 2017 nos pergunta: quais revoluções precisam acontecer na sua vida?

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Datas importantes

06 de fevereiro – Júpiter retrógrado em Libra

11 de fevereiro – Eclipse Penumbral da Lua em Leão

26 de fevereiro – Eclipse Anular do Sol em Peixes

03 de março – Júpiter Rx em oposição a Urano

04 de março – Vênus fica retrógrada a 13° de Áries

20 de março – Ingressão do Sol em Áries

30 de março – Júpiter Rx em quadratura a Plutão

06 de abril – Saturno retrógrado em Sagitário

09 de abril – Mercúrio retrógrado em Touro

15 de abril – Vênus direta em Peixes

20 de abril – Plutão retrógrado em Capricórnio

03 de maio – Mercúrio direto em Áries

17 de maio – Júpiter Rx em quincúncio a Netuno

19 de maio – Saturno Rx em trígono a Urano

09 de junho – Júpiter direto em Libra

16 de junho – Netuno retrógrado em Peixes

05 de julho – Júpiter direto em quincúncio a Netuno

03 de agosto – Urano retrógrado em Áries

4 de agosto – Júpiter direto em quadratura a Plutão

11 de agosto – Urano Rx em semi-quadratura a Netuno

13 de agosto – Mercúrio retrógrado em Virgem

25 de agosto – Saturno volta ao movimento direto em Sagitário

27 de de agosto – Júpiter direto em sextil a Saturno

05 de setembro Mercúrio volta ao movimento direto em Leão

27 de setembro – Júpiter em sesqui-quadratura a Netuno

28 de setembro – Júpiter em oposição a Urano

28 de setembro – Plutão volta ao movimento direto em Capricórnio

07 de outubro – Urano Rx em semi-quadratura a Netuno

10 de outubro – Júpiter ingressa em Escorpião

11 de novembro – Saturno em trígono a Urano

22 de novembro – Netuno direto em Peixes

2 de dezembro – Júpiter em Escorpião em trígono a Netuno

3 de dezembro – Mercúrio retrógrado em Sagitário

20 de dezembro – Saturno ingressa em Capricórnio

22 de dezembro – Júpiter em semi-quadratura a Saturno

23 de dezembro – Mercúrio volta ao movimento direto em Sagitário

(1) – Michael Baigent, Nicholas Campio, Charles Harvey – Mundane Astrology – Thorsons UK

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Leão – Do coração, para o mundo!

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A Lua Cheia de hoje, sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017, 22h33min no horário de Brasília – eclipse ocorrendo às 22h45min (00h33min do dia 11 de fevereiro no horário de Lisboa – o eclipse ocorre à 00h45min) é também um eclipse Penumbral da Lua, que ocorre a 22°28’ de Leão. Este eclipse marca a culminação do ciclo Aquariano, iniciado em 27 de janeiro a 08°15’ de Aquário. A princípio, a Lua Cheia e Eclipse de Leão vem nos convidar a expandir nossa criatividade, nosso poder criador, a partir da força do nosso coração, a partir do amor mais genuíno e da alegria mais plena, para ofertar à comunidade humana algo que só nós podemos ofertar: algo que seja singular e único, como nós mesmos.

Lua Cheia em Leão – Brasília, 10 de fevereiro de 2017, 22h33min. Eclipse ocorrendo às 22h45min

A Lua Cheia ocorre em trígono aos dois dispositores do Sol Aquariano, Saturno e Urano, com quem o Sol também dialoga harmoniosamente. A Lua também faz sextil a Júpiter, quincúncio a Kíron e sesqui-quadratura a Vênus, mas o mais importante é que ela forma um Grande Trígono de Fogo e é a base de uma Pipa da qual o Sol, que é o regente/dispositor da Lua Cheia, é o foco. Na verdade, este mapa da Lua Cheia tem várias configurações interessantes: o Grande Trigono origina outra Pipa que tem Júpiter de foco e Urano de base; tem um Retângulo Místico formado por Lua, Urano, Sol e Júpiter; esse mesmo Retângulo Místico é a base de um Envelope que tem Saturno como foco… Ufa!! Super dinâmica e movimentada essa Lua Cheia! Ela faz contatos com a maioria dos planetas, sugerindo a grande possibilidade de integração de seus temas e potenciais – configurações grandiosas e importantes, bem ao gosto de Leão!

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Como eu dizia no post da semana, o mapa desse eclipse sugere que precisamos conciliar as estruturas antigas, mas ainda válidas (Saturno), com aquelas que ainda precisamos construir e os avanços que buscamos manifestar (Urano), além do desenvolvimento pessoal e social que traga mais equilíbrio para todos (Júpiter). E como fazemos isso? A Lua em Leão é a base de uma Pipa que tem o Sol como foco, dizendo que precisamos engajar o nosso coração, a mais pura alegria e a mais destemida coragem, para criar algo que somente nós podemos criar, algo que nos distingue e realça nosso brilho, mas que não é feito para o aplauso ou o benefício do ego, mas sim, para o benefício do grupo e da grande comunidade humana.  Isso tudo com muita criatividade (Lua Leão), inventividade (Urano), justiça (Júpiter), senso de bem comum (Sol em Aquário) e responsabilidade, de modo que permita estruturar novos conhecimentos e horizontes (Saturno como foco do Envelope). Outra coisa digna de nota é o fato de o Sol ser o Ponto Médio entre Saturno e Urano, o que deixa claro que a consciência é primordial para mediar essas forças antagônicas que atualmente se propõem a dialogar e negociar e que nossa força e poder de resistência serão testados. Esse Ponto Médio também sugere separações, pois os dois planetas, Saturno e Urano, de formas diferentes estão relacionados a separações. Mercúrio em Aquário está no Ponto Médio entre Sol e Plutão, sugerindo a necessidade de prudência, organização e, novamente, alta consciência de objetivos e propósitos.

Hereisout.tumblr – Reprodução

De modo que concluímos que o mapa deste eclipse parece bastante “benéfico”, especialmente porque o eclipse lunar ocorre em conjunção ampla ao Nodo Norte, enquanto o Sol está em conjunção ao Sul. O Nodo Norte representa o futuro, o Sul, o passado. Então, esse eclipse fala para olharmos para o futuro e focarmos naquilo que ainda precisamos aprender – no caso, a técnica, a organização e a seletividade de Virgem, que darão suporte à criatividade Leonina – antecipando o trânsito do eixo nodal pela polaridade Leão-Aquário (O eixo nodal ingressa nessa polaridade em maio próximo). O futuro está ali e no futuro precisamos fazer a nossa luz brilhar, por algo maior que nós mesmos, pela melhoria do todo, não apenas pelos nossos desejos egoístas. Podemo dar este salto de fé e pular nesse futuro, ou podemos voltar para a Era das Sombras, por medo do desconhecido. A escolha é nossa.

Série Saros 114 de Eclipses Lunares, iniciada no Polo Norte (o mapa está levantado para Brasília) a 13 de maio de 971, às 04h03min.

Mas é só isso? Não. Como já sabemos, eclipses não acontecem sozinhos nem de forma aleatória. Eles pertencem a famílias chamadas Séries Saros, que duram mais de mil anos e que viajam de um polo a outro do globo, cada eclipse da série ocorrendo a aproximadamente 18 anos e 11 dias um do outro – entenda melhor a natureza e dinâmica dos eclipses. Este eclipse em Leão pertence à Série Saros 114 de eclipses lunares, que começou em 13 de maio do ano 971, no Polo Norte e terminará em 22 de junho de 2.233 no Polo Sul. O mapa de origem desta série mostra a Lua Cheia em Escorpião em oposição ao Sol em Touro (também ocorrendo na qualidade Fixa, como o eclipse de hoje), ambos fazendo quadratura a Plutão a 23°31’ de Leão, a cerca de um grau da Lua Cheia de hoje; o eclipse ocorre do lado do Nodo Norte, mas o dispositor tradicional da Lua, Marte, está em Touro, conjunto ao Nodo Sul, opondo-se a Urano em Escorpião, que está conjunto ao Nodo Norte. Vênus, além de reger o Sol, é o Ponto Médio entre Sol e Plutão. Vênus e Plutão estão Fora dos Limites do Sol neste mapa.

Eclipse Penumbral Lunar – Reprodução

Vemos então que esta família de eclipses tem um tom bastante Escorpiônico, duplamente enfatizado pela posição da Lua neste signo e pela quadratura a Plutão; uma segunda ênfase recai sobre Urano, que está conjunto ao NN e oposto ao regente da Lua. Tudo isso nos sugere que é uma série que vem falar de eliminações definitivas, de términos abruptos, que podem ser sentidos como muito dolorosos e difíceis devido à posição de Marte em Touro (apego) conjunto ao Nodo Sul (passado). O futuro chama, implacável, impessoal e aponta para a transcendência (Urano, NN e Lua Escorpião), mas a vontade pessoal ainda está apegada ao passado e à matéria (Marte NS touro). Se conseguimos vencer a nós mesmos e aos nossos apegos (Touro-Escorpião), adentramos um espaço magnífico de transformação pessoal (Plutão em Leão) que pode finalmente trazer à tona o melhor do nosso poder e brilho pessoais, alicerçados pela coragem do auto-confronto, pela generosidade e nobreza de espírito e pela expressão autêntica da criatividade transformadora. Esse confronto da consciência com a sombra precisa ser mediado pelo amor sincero, sensibilidade e compaixão (Vênus = Sol/Plutão).

Biscodeja-vu.vu.tumblr – Reprodução

Agora, olhando novamente o mapa do eclipse de 2017 e tendo o mapa da Série Saros 114 como pano de fundo principal, podemos concluir que, para brilharmos com todo o fulgor e potência do nosso coração amoroso e criativo e da nossa consciência comunitária, precisamos de fato, nos desapegar do que quer ainda nos prenda à nossa versão mais primitiva; abandonar a preguiça e a acomodação; eliminar a teimosia e a resistência ao novo e ao futuro; desapegar-nos das culpas, das frustrações e dos fracassos passados porque eles não podem definir o que somos; e claro, confrontar o medo da nossa própria luz e nos responsabilizar por fazê-la brilhar esplendidamente, para o bem comum, como nossa oferta e contribuição especial a toda a comunidade humana, seja no nosso bairro, na nossa cidade, na escola, no blog, na família… Usar nosso poder criador em todas as suas possíveis manifestações, na arte, na música, ou simplesmente na nossa cozinha, cozinhando com amor, contando uma piada engraçada para fazer o outro rir ou qualquer outra coisa que você faça de um jeito só seu… afinal, criativas não são só as atividades artísticas, mas tudo aquilo que expressa nossos talentos e dons mais especiais, em qualquer que seja a área. Proliferar o poder transformador do amor, a despeito das dificuldades, incertezas e do medo, esse bicho-papão tão insidioso que se retroalimenta sem que nos demos conta e que nos faz ver o outro como um inimigo. Eclipses já falam, naturalmente, de eliminações, de encerramento de ciclos e de conclusões. Pois esta série fala mais ainda, enfatiza e replica, que é para não deixar dúvidas.

Eclipse Penumbral da Lua – 00h45min do dia 11 de fevereiro de 2017 GMT – Nasa – Reprodução

Pessoas que têm planetas ou ângulos entre os graus 17 e 28 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) sentem mais fortemente as influências deste eclipse, que devem durar por quatro meses e mais ou menos uma semana, já que o eclipse tem duração de 4h19min. O eclipse e a Série Saros 114, de modo geral não são terrivelmente pesados ou tensos ( a não ser em termos mundanos, em que eclipses geralmente são tensos e esta série, iniciada em Escorpião com Plutão e Urano proeminentes pode representar problemas com energia nuclear, conflitos e cataclismos naturais), mas como essas influências se manifestam na vida de cada um, depende também dos planetas aspectados no mapa natal e do tipo de aspecto. Para você ter uma ideia de como isso pode se dar na sua vida, pesquise o que estava acontecendo por volta de 31 de janeiro de 1999, que foi a última vez em que ocorreu um eclipse desta série, a 11° de Leão – os temas são os mesmos. E você pode relembrar também a última vez que houve um eclipse lunar próximo desse grau, que foi em 09 de fevereiro de 2009, a 20°59’ de Leão. Embora não pertença à mesma Série Saros, este eclipse pode ter acionado situações parecidas ao tocar os mesmos planetas e ângulos do seu mapa, quando for o caso. Christine Arens, astróloga americana e estudiosa de eclipses afirma que, independentemente de o eclipse tocar ou não pontos do mapa natal, se você puder ver o eclipse, você é afetado. Neste caso, se não há aspectos ao mapa natal, o indivíduo será afetado de forma indireta, a partir de situações e acontecimentos coletivos e sociais. Este eclipse será visível no Brasil, já que ocorre à noite por aqui, portanto, sim, o Brasil, e todos nós, sentiremos seus efeitos. Além do Brasil, o eclipse será visível em toda a Europa e África e parte Oeste da Ásia. Será visto parcialmente na América do Sul e do Norte e também no restante da Ásia, conforme você pode ver no gráfico da Nasa acima, em que a parte em branco destaca os países que verão todo o eclipse. Veja aqui nesta tabela as influências de todos os eclipses de 2017 por casa, de acordo com seu signo ASCENDENTE:

Clique na imagem e ela será ampliada. Caso não consiga visualizar aqui no blog, sugiro que baixe a imagem e dê um zoom. Algumas pessoas lá na página do Facebook disseram que não conseguiam visualizar. Infelizmente não sei explicar porquê. Aqui no meu computador e no celular eu visualizo sem problemas e outros leitores também confirmaram visualizar normalmente.

Quer saber mais detalhadamente onde este e os outros eclipses caem no seu mapa natal, quais aspectos fazem e quais as suas influências na sua vida pessoal? Agende uma consulta astrológica comigo: psicologica.astrologia@gmail.com 

Reprodução

Quer mais insights? Olhemos o Símbolo Sabiano para o grau 23 de Leão (22°28’): “Num circo, uma amazona cavalgando sem sela mostra sua perigosa habilidade”. Dane Rudhyar, astrólgo precursor da Astrologia Psicológica, nos lembra que o cavalo é símbolo da libido, dos instintos humanos mais primitivos, das energias vitais impetuosas. Mas essas energias precisam estar sob o controle do ego e, mais precisamente, da consciência. Indo mais além, “o ego está no controle, ele é o grande showman, mas ele serve a um propósito. A performance mexe com a imaginação da consciência jovem. Eleva a mente acima do lugar comum”, diz Rudhyar. A palavra-chave, diz ele, é virtuosismo. Linda Hill, astróloga australiana que tem um livro publicado sobre os Símbolos Sabianos, diz algo similar em sua análise deste símbolo. Ela nos lembra que “talvez acreditemos apaixonadamente no que estamos fazendo mas, para nos provarmos para o mundo, precisamos apresentar nossas talentos e sentimentos corajosa e habilmente”. E para desafiar o perigo e se expor, é preciso estar preparado, ter o timing correto… Não é para amadores, definitivamente! Sobretudo, exige que domemos nossos instintos mais primitivos e mais básicos, como também disse Rudhyar. Avançar por onde outros dariam meia-volta, ou como diz Linda, “correr em terrenos onde os anjos temem pisar”; controlar os instintos e desafiar o medo, de forma habilidosa, virtuosa, no sentido de excelência. Algo que nos lembra, bem nitidamente, o Arcano 11 do Tarô, A Força!

Arcano 11 do Tarô – A força

Colocando tudo junto, o eclipse de hoje, a Série Saros 114 e o Símbolo Sabiano, podemos resumir que o desafio é deixar o passado e os apegos para trás, domar habilmente os instintos e o próprio medo, confrontar a própria sombra e lançar-se no futuro, com fé, audaciosamente! E como já dito lá no começo, buscar no âmago de si, aquela faísca, aquilo que nos faz únicos, singulares e especiais e criar, a partir daí, a nossa obra também singular, a contribuição que somente nós podemos dar. Deixar o coração se expandir de amor e a partir desse amor, criar uma nova vida, dar o Salto de Fé do Louco!

Arcano 0 do Tarô – O Louco – Tarô de Nei Naiff

Dessa forma, podemos sim, concluir que este é um eclipse que pode ser benéfico, se nos alinharmos com o que ele nos pede, se amealharmos toda a coragem, alegria e amor do nosso coração e nos lançarmos rumo ao futuro, criando e gerando o nosso melhor como oferta de gratidão à humanidade e a tudo o que permitiu que chegássemos até aqui!

Amanda Cass – Reprodução

Um ótima, linda e feliz Lua Cheia para você! Deixe para trás o que não serve mais e abra-se ao novo!

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Lua Cheia e Eclipse Lunar em Peixes – Do Caos à Criação

Lua cheia em Peixes - Birth Chart Painting - Reprodução
Lua cheia em Peixes – Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua foi cheia nesta sexta-feira, dia 16 de setembro, às 16h04min de Brasília e às 20h04min para Lisboa, culminando o ciclo iniciado na Lua Nova de Virgem. Ambas as lunações, da Lua Nova e da Lua Cheia, foram eclipses. O de hoje foi um Eclipse Penumbral Lunar. Num eclipse penumbral ou Apulse a Lua entra somente na penumbra da Terra e não na umbra/sombra, a parte mais escura, ou seja, o alinhamento não é perfeito. Este tipo eclipse acontece quando Sol e Lua estão a mais de 12 graus de distância dos nodos. Para entender a dinâmica e significados de eclipses em geral leia este texto.

Eclipse Lunar - Birth Chart Paiting - Reprodução
Eclipse Lunar – Birth Chart Paiting – Reprodução

Este eclipse fecha a segunda temporada de eclipses do ano e, de certa forma, sinaliza o esmaecimento de um período denso e tenso que já dura muitos meses. De agora em diante a tendência é termos um pouco mais de calmaria do que temos tido ultimamente. É uma lunação e eclipse bastante tenso e melindroso. Lua e Sol se opõe no eixo Virgem-Peixes, a Lua em conjunção a Quíron e todos eles fazendo quadratura a Marte em Sagitário, que fica encurralado e espremido, como foco de uma T-Square Mutável.

Eclipse Lunar em Peixes - 16 de setembro de 2016, Brasília, 16h04min
Eclipse Lunar em Peixes – 16 de setembro de 2016, Brasília, 16h04min

A Lua, conjunta a Quíron já sugere muitos melindres, feridas dolorosas e muita sensibilidade ao sofrimento, pessoal ou coletivo. É um posicionamento que tende a nos deixar em carne viva, sentindo-nos emocionalmente expostos e vulneráveis. Como naquela canção do Roberto:

Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída

Mas saí ferido
Sufocando o meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido

Animal arisco
Domesticado esquece o risco
Me deixei enganar
E até me levar por você

Eu sei quanta tristeza eu tive
Mas mesmo assim se vive
Morrendo aos poucos por amor
Eu sei, o coração perdoa
Mas não esquece à toa
O que eu não me esqueci

Eu andei demais
Não olhei pra trás
Era solta em meus passos
Bicho livre, sem rumo, sem laços

Me senti sozinha
Tropeçando em meu caminho
À procura de abrigo
Uma ajuda, um lugar, um amigo

Animal ferido
Por instinto decidido
Os meus passos desfiz
Tentativa infeliz de esquecer

Eu sei que flores existiram
Mas que não resistiram
A vendavais constantes
Eu sei, as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci

Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo na alma e no coração

(aqui eu discordo do autor: insistir em não mudar é o pior que podemos fazer!)

Pois é, essa música vem ilustrar bem os temas de Lua-Quíron; Marte-Quíron e Sol-Quíron: “sou fera ferida, no corpo na alma e no coração!”. Sim, as quadraturas a Marte tornam tudo muito volátil e agora, além de nos sentir expostos, ficamos defensivos e espinhosos, receando qualquer um que se aproxime um pouco mais, como a fera ferida de que fala a canção. Marte nessa posição fica meio encurralado e tende a enrijecer em suas convicções, tornar-se inflamado, fanático e extremista. Quanto mais me atacam ou duvidam da minha fé ou convicção, tanto mais eu me enrijeço nelas. Nesse sentido, temos propensão a conflitos que terminam com mágoas ainda maiores, caso alguém não ceda e perceba que outro está atacando como estratégia de defesa. Mas Quíron também nos fala do potencial de cura, a partir da aceitação de nossas limitações, das nossas misérias e fealdades humanas, e porque sabemos o quanto a dor é crua, desenvolvemos empatia pelos outros. Então, há potencial para choro, mas também para conforto e muito consolo, além de cura.

Júpiter em Loibra - Birth Chart Painting - Reprodução
Júpiter em Loibra – Birth Chart Painting – Reprodução

O regente tradicional da Lua Cheia, Júpiter, acabou de se mudar para Libra, um signo muito mais confortável e condizente com a natureza de Júpiter do que o signo anterior, Virgem. Júpiter ainda se afasta da quadratura fora de signo recebida de Marte, mas de modo geral, está em melhores condições agora, sugerindo que busquemos o significado de toda essa dor e raiva, que encontremos o sentido, mesmo que no momento o caos pareça imperar. Libra também sugere a necessidade de equilíbrio, de encontrarmos a exata medida das coisas, e que demos o benefício da dúvida ao nosso opositor/interlocutor. Sendo um signo de relacionamentos, o regente da Lua em Libra indica este tema também é enfatizado nesta lunação. O dispositor moderno de Peixes, Netuno, está numa situação mais desconfortável: recebendo a quadratura de Saturno, da qual já falamos muito em textos anteriores, indicando que devemos abrir mão das ilusões traiçoeiras e viver a partir da verdade.

Reprodução
Reprodução

A Lua Cheia se dá em conjunção ao Nodo Sul, o que sugere a necessidade de liberação, de soltar e abrir mão daquelas fantasias rançosas de que alguém venha tomar conta de nós ou a da tendência de escorregarmos para comportamentos caóticos e infantis… Considerando-se que Peixes é o último signos do zodíaco, associado a fins e conclusões, a Lua Cheia de fato favorece que deixemos ir tudo aquilo que já não serve mais, que nos livremos do lixo psíquico, emocional e até mesmo do lixo literal e físico que mantemos nos nossos armários e casas.

Série Saros 147 - 02 de julho de 1890, 14h08min.
Série Saros 147 – 02 de julho de 1890, 14h08min.

Esse eclipse faz parte da Série Saros 147, que se iniciou em 2 de julho de 1890, às 14h08min GMT. É interessante notar que no mapa do primeiro eclipse da série, temos novamente uma quadratura Saturno-Netuno, também no eixo mutável, só que dessa vez, Saturno está em Virgem e Netuno em Gêmeos e a quadratura é crescente e não minguante – Saturno trafegando atualmente por Sagitário faz oposição a Netuno deste mapa. Netuno está em conjunção a Plutão. Então, é um ciclo importante começando. Outra “coincidência” é Marte estar retrógrado no fim de Escorpião, uma retrogradação que começou também em Sagitário, muito similar àquela que tivemos recentemente. Mais: Marte está em quadratura a Saturno e oposição a Netuno, formando uma T-Square mutável cujos temas são muito parecidos com os que temos vivenciados nos últimos meses – não, definitivamente, não é coincidência! Outra coisa interessante é o fato de Urano estar transitando o terceiro decanato de Libra, em oposição ao Urano atual, que percorre o terceiro decanato de Áries – quer dizer, realmente, uma Série Saros vai repercutir seus temas em todos os eventos da série. Neste mapa também vemos que a Lua é o ponto médio entre Vênus e a conjunção Plutão-Netuno, apontando que as emoções e sentimentos são intensos, de modo que mudamos de humor e reações rapidamente, vertiginosamente, fazendo tempestades em copos d’água, ficando suscetíveis e voláteis facilmente, o que nos leva a atitudes extremistas e desvairadas – uma influência que reafirma a configuração Lua/Quíron x Sol x Marte. Entretanto, a Lua também é o ponto médio entre Quíron e o Nodo Norte, e isso, por sua vez, sugere que sim, para curar é preciso sentir, mesmo os sentimentos e emoções mais perturbadores e desconcertantes, porque a vida só tem sentido, quando nos permitimos sentir. Analisar é fácil, pensar é óbvio, mas sentir… Sentir, sentir realmente, é só para os muito corajosos! Quando falo de sentir, não me refiro a atuar os sentimentos desvairados e usá-los como desculpas para atitudes tresloucadas com relação aos outros e a si mesmo. Sentir profundamente, sabendo conter as reações instintivas e automáticas da fera ferida, ao invés de se derramar indiscriminadamente no mundo lá fora. Quando nos permitimos sentir plenamente a dor, o luto, a raiva, ou qualquer que seja o sentimento, sem atuá-los, temos maior possibilidade de processá-los e digeri-los mais diligentemente e, consequentemente, de nos liberarmos mais rapidamente também. O grande desafio é, pois, sentir toda essa gama de sensações e emoções caóticas e intensas sem se afogar nelas, sem se destruir ou se deixar esmagar por elas. Mas a cura vem pelo sentir. Intenso, visceral, inescapável. Sentir.

Colors of the Mind series. Visually attractive backdrop made of elements of human face and colorful abstract shapes suitable as element for layouts on mind reason thought emotion and spirituality
Reprodução

Peixes é um signo de grande abertura e sensibilidade, portanto, uma Lua Cheia ocorrendo neste signo também é propícia à conclusão de projetos criativos e artísticos e a canalizarmos toda a enxurrada de sentimentos na arte, seja na pintura, na escrita, na música, na dança ou em qualquer outro veículo criativo. Está triste? Cante essa tristeza! Está zangado? Dance essa raiva! Está confuso? Pinte essa confusão! Está saudoso? Poetize essa saudade/nostalgia! E assim por diante. A ideia é traduzir para alguma linguagem inteligível aquilo que o coração não consegue exprimir em meras palavras. Peixes, aliás, representa o caldeirão de conteúdos do inconsciente coletivo de onde podemos pescar toda a sorte de inspiração; é o líquido amniótico que é altamente condutor de eletricidade e excepcionalmente nutritivo; o caos primordial que dá origem à vida, à própria criação, por isso, se nos sintonizamos com as vibrações mais positivas dessa lunação, podemos expressar o manancial de sentimentos caóticos através da infinita criatividade. A arte, em todas as suas formas, também é um canal de cura, que o digam todos os artistas célebres que expressaram seus dilemas e dores através de muitas pinceladas, através obras primas musicais ou literárias. Nilse da Silveira é outra prova do efeito terapêutico da arte na cura dos males e dores da alma. Ponto de atenção: não vale afogar as mágoas no copo ou no pó – porque aí, ao invés de melhorar, piora tudo! Peixes já é propenso ao escapismo, portanto, é melhor não apelar para isso nas próximas duas semanas!

Animação que mostra as fases de um eclipse lunar - Reprodução do Wikipedia
Animação que mostra as fases de um eclipse lunar – Reprodução do Wikipedia

Assim, a Lua Cheia e o eclipse Lunar em Peixes alertam para o risco dos emocionalismos vazios, para o fanatismo e os conflitos egoicos; para a abertura de velhas feridas; alerta para situações de caos e tsunamis emocionais, mas que podem ser conduzidas criativamente se tivermos um mínimo de maturidade e contenção. Todavia, o eclipse também traz potencial de curarmos muitas das dificuldades que carregamos há tanto tempo, no que tange ao gerenciamento das emoções – não, não precisamos nem devemos ser escravos delas! Sentir não quer dizer ficar à mercê dos sentimentos, mas aprender a honrá-los, respeitá-los, exatamente para não ficar à mercê deles. Portanto, apesar de toda a sensibilidade, fragilidade e dor indefinível que possamos sentir, precisamos nos alinhar com o potencial de cura, soltando e liberando qualquer apego que possamos ter ao sofrimento ou à situação de vítima merecedora da simpatia alheia. Porque a sensibilidade também é um tipo de fortaleza e não precisamos nos vitimar por causa dela.

Eclipse de 16 de setembro: visível na Europa, África, Ásia, Austrália, oeste Oceano Pacífico - Reprodução do site da Nasa
Eclipse de 16 de setembro: visível na Europa, África, Ásia, Austrália, oeste Oceano Pacífico – Reprodução do site da Nasa

Pessoas que têm planetas ou ângulos entre os graus 19 e 30 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) são mais “afetados” por este eclipse. Para ter uma ideia dos temas que eclipse aciona no seu mapa, verifique o que estava acontecendo no período anterior ou posterior a 16 de setembro de 1997, que foi a última vez que um eclipse caiu próximo desse grau de Peixes, e anterior ou posterior a 6 de setembro de 1998, que foi quando ocorreu o último evento da Série Saros 147. Verificando os eventos e temas acionados naqueles períodos, temos boas pistas de como este eclipse pode se manifestar para nós.

Desejo que essa lunação traga liberação e purificação, que possamos deixar ir tudo que nos atrapalha e fere, tudo de que já não precisamos mais!

Feliz Lua Cheia para você!

Kindra Nicole - Reprodução
Kindra Nicole – Reprodução
Lua cheia em Peixes - Birth Chart Painting - Reprodução
Lua cheia em Peixes – Birth Chart Painting – Reprodução

A Semana Astrológica – Botando fogo pelas ventas!

Eclipse Penumbral da Lua - Reprodução
Eclipse Penumbral da Lua – Reprodução

Semana de 12 a 18 de setembro – Esta é uma semana que tende a ser bastante volátil e que demanda muita prudência e atenção. 

Estamos num período entre eclipses, que culmina toda a tensão sentida nos últimos meses e que traz vários aspectos importantes tornando-se exatos desde duas semanas atrás. Na semana passada tivemos a última quadratura Saturno-Netuno e na sexta-feira temos um Eclipse Penumbral da Lua em Peixes, além de vários outros aspectos que vão demandar cabeça fria, paciência e muita cautela de todos nós. Parte dessa tensão tem a ver com o fato de o Sol estar se metendo em muitos desafios bastante estressantes: faz quincunce a Urano em Áries, oposição a Quíron em Peixes e ainda uma volátil quadratura minguante a Marte, que vai fechando um ciclo importante de dois anos, cujo apogeu ocorreu durante a retrogradação de Marte. Todos esses desafios nos questionam se realmente sabemos quem somos e do que somos feitos, assim como se temos clareza da validade de nossos propósitos e esforços.

Reprodução
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Mercúrio percorre a última semana de retrogradação e daqui a pouco já desacelera para mudar de direção. Últimos dias para revisar aqueles papéis, a forma de trabalhar e de lidar com o cotidiano. Antes de voltar ao movimento direto, porém, Mercúrio faz a conjunção Inferior ao Sol, ficando Cazimi por algumas horas na terça-feira. Com Mercúrio Cazimi temos acesso a grandes insights e iluminações da consciência. Mercúrio, como Relações Públicas e assessor de imprensa do Sol, fica muitas horas em reunião com ele, para coletar as instruções da autoridade máxima do nosso sistema para os próximos meses. Um novo ciclo se inicia para a mente consciente. Quando ele atingir a maior elongação Oeste, estacionará e voltará ao movimento direto, surgindo então como estrela da manhã, nascendo antes do Sol no Horizonte Leste. Esta fase é chamada de Fase Prometeu, uma fase do ciclo Mercurial que predispões a aventuras, a correr riscos, a experimentações.

Tae Lee - Reprodução
Tae Lee – Reprodução

Vênus faz oposição a Urano, num duelo de luvas de boxe versus luvas de pelica… Temos de chacoalhar de novo as relações que andam mornas e insossas. Tempo de ser menos dependentes da opinião do outro, de revitalizar a própria individualidade para que a relação volte a ser interessante. É isso ou há propensão a rupturas estrepitosas, especialmente se os trânsitos no mapa natal do indivíduo sugerirem tensão nas casas ou planetas relacionais. Vênus também faz quincunce a Quíron, indicando alguns dias em que ficamos meio inseguros de nós mesmos e do nosso direito de ser amados pelo mero fato de existir. Como é uma insegurança que vai e vem de forma inconstante, talvez não seja assim tão clara e podemos projetá-la no outro, sentido-nos magoados e feridos por atitudes que não tinham necessariamente essa intenção. Vale manter as sensibilidades em cheque, porque o período traz também o potencial de compreendermos melhor essas dinâmicas relacionais e curarmos o nosso complexo de Patinho Feio, se não de forma definitiva, pelo menos a ponto de nos dar maior segurança e autoconfiança, nascidas da autoaceitação.

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Marte faz quadratura a Quíron e nós ficamos muito melindrosos. Defensivos, talvez ataquemos por prevenção, o que, obviamente, leva a mágoas e dificuldades nas interações – não nos damos conta de que o veneno que jogamos no outro também queima nossas mãos. Como Marte também faz trígono a Urano, é possível que fujamos desse desconforto pela via da independência e da liberdade, evitando proximidade com quem quer que ameace chegar perto demais das nossas feridas. De fato, Urano ajuda a nos livrar das limitações e barreiras que antes nos seguravam na nossa zona de conforto. Mas precisamos estar atentos para que isso seja uma liberação genuína e não uma mera fuga daquilo que não queremos ver. Somando esse aspecto Marte-Quíron à quadratura Sol-Marte, entendemos porque a semana está tão volátil e belicosa. Sempre que Marte está desafiado, os egos ficam espinhosos e defensivos e há maior propensão a conflitos e beligerâncias. Qualquer pequena discordância vira uma grande ofensa e o sangue ferve, espalhando fúria cega por todo o corpo, e quando vemos, estamos soltando fogo pelas ventas, pelos olhos, pela boca, por todos os poros! Certo, nem tudo descamba em violência, felizmente, mas ainda precisamos vigiar nosso humor e atitudes para não estragarmos relações por causa de rompantes que não têm que ocorrer, se apenas tivermos a necessária contenção para as nossas emoções.

A Lua abriu a semana ainda no Quarto Crescente. Fica Corcunda em Aquário terça-feira e será cheia na sexta, numa lunação que também é um Eclipse Penumbral da Lua. Fecha a semana já em Áries, cheia de energia e disposição!

rotinaSEGUNDA-FEIRA, 12 de setembro – A Lua segue por Capricórnio e hoje já fez sextil a Quíron, trígono ao Sol e a Mercúrio e ficou vazia às 07h02min, depois da quadratura a Urano em Áries. Ingressa em Aquário somente às 18h29min, portanto, temos o dia inteiro de Lua fora de curso! Mercúrio faz hoje a conjunção baixa ou Inferior ao Sol, ficando Cazimi das 17h15min até a 00h15min da terça-feira. Com Mercúrio Cazimi temos acesso a grandes insights e iluminações da consciência. A segunda começa com muito gás e energia intempestiva logo cedo. Talvez tenhamos acordado até antes do despertador, com algum ruído abrupto ou sonho esquisito. Mas apesar de todo esse gás inicial, logo a energia entra em repouso sugerindo que o ideal é nos concentrarmos nas tarefas rotineiras, organizar a agenda, estruturar todas as atividades e por em ordem todas as coisas que estejam fora do lugar. Não é um dia favorável para ir ao mundo começar coisas novas que demandem investimento de muita energia e clareza. É um dia mais propício para ruminações, observação e planejamentos, mais do que para ação direta. Falta objetividade, mas sobra praticidade e pé no chão e considerando que Mercúrio está retrógrado, estas influências são ótimas para se arrumar gavetas, estantes e por a papelada em ordem – atenção na hora de descartar papéis para não jogar fora coisas importantes! A Lua está vazia por todo o dia e ficou vazia depois de um aspecto tenso a Urano. Isso é um paradoxo, porque a Lua em Capricórnio precisa arregaçar as mangas e buscar resoluções, efetivas e eficazes, que traduzem os propósitos do Sol em Virgem, mas a Lua estando vazia pede um pouco de espera com certos assuntos – isso pode gerar inquietações e ansiedades. Contudo, se insistimos em ir atrás de definições claras, podemos nos deparar com imprevistos desagradáveis, com perda de de tempo e muita irritação, porque não há firmeza ou clareza suficiente à nossa disposição. No mínimo, podemos resolver coisas que depois precisam ser revistas ou que não nos satisfazem completamente. Assim, é seguir o dia sem grandes expectativas.

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TERÇA-FEIRA, 13 de setembro – A Lua trafega o signo de Aquário, prestes a ser cheia (sexta-feira, no Eclipse Penumbral Lunar) em Peixes. Hoje faz sesqui-quadratura a Mercúrio e ao Sol em Virgem, entrando na fase Corcunda. A Lua ainda faz sextil a Saturno e o Sol hoje está em quadratura exata a Marte. O dia traz à tona algumas tensões que vinham se arrastando já há algum tempo. A sensação de bloqueio, de dúvida, de incerteza fica clara e podemos divisar que os entraves que experimentamos na nossa ação exterior estão em ressonância com a dúvida que temos a respeito da legitimidade dessa ação, com o direito de buscarmos o que estamos buscando. É um dilema interno manifestado lá fora. O meu antagonista se afina inconscientemente com a minha insegurança e a mostra para eu reconhecer. Em outras palavras, o dia está propenso a conflitos diversos, conflitos de ego, em que achamos que outros tentam nos impedir de fazer o que queremos o de ser quem somos. Mas o que está em teste é a validade dos nossos esforços e o quanto acreditamos naquilo que estamos fazendo. Isso é mais fácil se, quatro meses atrás, já tenhamos trabalhado nossas inseguranças e dúvidas internas. Se realmente fizemos isso lá atrás, porque foi nos sentimos ainda mais bloqueados, agora já sabemos o que precisa ser feito, já sabemos como ajustar minha vontade e a do outro, de modo que achamos uma conciliação. Contudo, se continuamos muito inconscientes da nossa dinâmica de vítima ou da nossa impotência e hesitação, é mais provável que tenhamos problemas com o chefe e com figuras de autoridade e superiores em geral. Saber o que se quer e por que se quer já é meio caminho andado para não cair nas armadilhas dos conflitos de ego. Estar consciente das motivações pessoais mais profundas é outro passo importante. Em termos práticos o dia traz influências voláteis: muita irritação, impaciência e temperamento explosivo quando as coisas saem diferente do que queríamos e isso requer cautela em todas as atividades, pois há tendência a precipitação e a comprar brigas tolas e sem fundamento. Podemos nos sentir em qualquer um dos lados do extremo: ou nos sentimos bloqueados e avançamos contra outros, ou somos receptáculo da raiva daqueles que se acham ofendidos por medidas que necessitamos aplicar. Qualquer que seja o caso, precisamos ancorar nossa irritação e ter clareza se ela é legítima ou se estamos, de novo, agindo como a criança birrenta que quer o que não lhe pertence. Mesmo que sejam legítimas as nossas queixas, ainda precisamos expressá-las de forma civilizada para poder chegar a alguma conciliação. E ainda precisamos ter cautela se o que dizemos realmente expressa o que sentimos e queremos, porque a mensagem pode sair enviesada por rusgas velhas e inconscientes. Felizmente a Lua dá algum distanciamento e objetividade, de forma que talvez não precisemos nos perder no nosso próprio umbigo e nas nossas próprias reclamações. Tentar ver a situação de fora, pode alargar nossa perspectiva e perceber que há coisas maiores em jogo do que meramente aquilo que “eu quero”.

Primal Source, instalação de Usman Haque - Desconheço o autor da foto - Reprodução
Primal Source, instalação de Usman Haque – Desconheço o autor da foto – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 14 de setembro –A Lua Aquariana faz trígono a Vênus em Libra e sextil a Marte em Sagitário e a seu dispositor, Urano em Áries. Contudo, a Lua se desentende com Mercúrio e com o Sol. Fica vazia depois do contato com Urano, às 12h32min e entra em Peixes somente às 23h23min. Marte marcha para confrontar Quíron, que também é desafiado pelo Sol. Apesar de começarmos com serenidade, o dia traz muitas provocações que desafiam nossa calma e estabilidade. As coisas parecem fluir, mas lá no fundo suspeitamos de que algo está meio fora do lugar, como aquela sensação esquisita que fica indo e voltando e nos tira a tranquilidade e a confiança… Como se algo nefasto fosse pipocar a qualquer momento e estragar nosso humor e a paisagem interior, equilibrada com tanto esforço. Entretanto, se focarmos no que está errado somente, no que está fora de lugar, perdemos a chance de perceber a paisagem maior, em que tudo tem o seu lugar e função, mesmo os pequenos escorregões que nos fazem sentir inadequados e meio tortos. O que podemos fazer, que pode nos ajudar, realmente, é estar plenamente atentos, observando, desapegadamente, os pensamentos, os sentimentos e emoções desencontrados, as raivas e as tristezas, como se estivéssemos no centro de um grande caleidoscópio que gira ao nosso redor. Se ele gira, nós não precisamos girar junto, mas podemos apenas esperar, liberados, pela próxima imagem, pela próxima cor. Deixar vir e deixar ir. Soltar. Liberar-se. Liberar-se das expectativas, boas e ruins e apenas ser, apenas viver, apenas estar no aqui e no agora. Desapegar-se também da dor crua que tira o fôlego, ao respirar profundamente, respirar na própria dor, para compreendê-la e soltá-la. Chegar ao âmago dessa raiva surda, impotente e apoderar-se dela, porque ela é nossa, não é de ninguém mais e concentrar essa energia em nossas mãos, para aplicá-las em outras áreas. Sintonizar-se com a serenidade e com este centro interno que nos ancora e acalenta quando tudo o mais enlouquece. Preocupemo-nos com os problemas quando eles surgirem. “Se” eles surgirem. Se estamos no centro, sabemos o que fazer, quando e como.

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QUINTA-FEIRA, 15 de setembro – De Peixes, a Lua, prestes a ser cheia, faz sesqui-quadratura a Vênus e quincunce a Júpiter. Mais tarde ela se funde a Netuno e entra em litígio com Saturno. O Sol está em oposição com Quíron hoje e forma uma T-Square mutável, da qual Marte é o foco. A Lua ainda se harmoniza com Plutão, mas também se irrita com Quíron. Um dia ultra-sensível, em que temos muita dificuldade de nos diferenciar e diferenciar o que sentimos do que ocorre no ambiente ao redor. Sentimo-nos particularmente fragilizados e vulneráveis, expostos em nossas dores e ressentimentos, numa briga interna que nos torna azedos ou amargos. Podemos bancar os valentões e insensíveis para disfarçar essas inadequações tão afloradas. Mas, em nossa grosseria, não nos damos conta que avançamos o sinal e causamos dor e mágoas em outros, que reagem defensivamente, talvez até com um golpe baixo inesperado – quem mandou cutucar onça com vara curta? Ao contrário, se paramos para realmente sentir o espinho cravado na carne, talvez possamos identificar o que o colocou ali, além de perceber maneiras mais sutis de lidar com o problema e com nossas misérias emocionais. O surpreendente é que, ao fazer isso, ao invés de parecer frágeis, talvez diminuamos o fosse que nos separa dos outros, especialmente aqueles mais próximos de nós. A questão é: temos coragem de realmente sentir? Estamos dispostos a deixar o outro chegar tão perto?

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SEXTA-FEIRA, 16 de setembro – A Lua Pisciana faz oposição a Mercúrio retrógrado em Virgem, quadratura a Marte e conjunção a Quíron, um pouco antes de fazer oposição ao Sol culminando o ciclo na Lua Cheia, que é também eclipse Penumbral da Lua. A Lua culmina o ciclo nessa T-Square pesada, explosiva e super sensível, envolvendo Quíron, Marte e o Sol. A Lua fica vazia logo depois de ser cheia, às 16h04min. Marte está em quadratura plena a Quíron. Um dia cheio de acontecimentos delicados que acionam feridas antigas, purulentas, doloridas, talvez amargas… Mas se velhas feridas se magoam e se abrem e a secreção se espalha, pelo menos sabemos que não estavam tão curadas e cicatrizadas quanto pareciam e o fato de se reabrirem apresenta a oportunidade de serem limpas, higienizadas, e quem sabe, finalmente curadas. O eclipse ocorre a 24° de Pexes, em conjunção a Quíron, oposição a Mercúrio e quadratura a Marte em Sagitário, formando uma T-Square melindrosa, penosa e difícil, que repercute direto na vontade e capacidade de autoafirmação. Insegurança e vulnerabilidade são o resultado imediato. Por estarmos tão suscetíveis, o clima fica explosivo e sujeito a muitos conflitos de ego, porque parece que as coisas mais mesquinhas ameaçam nossa integridade e isso nos arrelia ao extremo, predispondo-nos a reagir desmesuradamente, com quatro pedras na mão ao menor sinal de atrito. Somando-se ao fato de ser Lua Cheia – ânimos mais que alterados! – e eclipse – mais alterados e descontrolados = caos – o dia está mesmo complicado. Há também propensão a extremismos e fanatismos, portanto, hoje vale aquela máxima, às vezes, é melhor ficar em paz do que provar que se tem razão. Contudo, o eclipse também traz promessas de remissão, de cura e redenção. Se conseguimos ultrapassar o nível das emoções apaixonadas e extremadas, talvez consigamos admitir nossa grande frustração, impotência, sensação de isolamento e fracasso, que são a origem de toda a turbulência. E talvez consigamos olhar para nós mesmos com misericórdia, lembrando que não somos super-homens, somos apenas humanos, sujeitos a todas as fraquezas e debilidades humanas, mas também aptos a alcançar estados nobres de abnegação, compreensão e misericórdia – mas esses estados só são genuínos depois que admitimos nossas fraquezas.

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SÁBADO – 17 de setembro – A Lua abre o dia vazia em Peixes e ingressa em Áries à 01h23min, de onde logo se opõe a Júpiter em Libra. A Lua ainda faz trígono a Saturno. Marte está em trígono exato a Urano e Vênus faz quincunce pleno a Quíron. Depois dos tsunamis e avalanches de ontem, amanhecemos com a alma lavada, dispostos a sacudir a lama do corpo, a dar a volta por cima. E temos energia para isso. O dia está sim, propício a encararmos os desafios com novo vigor, com ânimo renovado e maior sabedoria e elasticidade. Podemos usar todas as últimas experiências dolorosas como adubo que fomenta uma nova coragem, que nos impulsiona em direção ao novo. Percebemos em nós o que precisamos mudar e entramos em ação para por as mudanças em prática – que podem ser coisas pequenas do nosso cotidiano, mas que têm grande impacto na nossa atitude e estado de ânimo. Inibições e inseguranças que nos tolhiam antes ainda estão presentes, mas talvez ousemos ir adiante a despeito delas. Assim, surpreendemos aos outros e talvez até anos mesmos com nosso arrojo e audácia, correndo riscos que antes nos deixariam nervosos e agora apenas nos estimulam. Tudo muito bem, mas ainda precisamos cuidar dos exageros, da afobação e atentar para a possibilidade de ainda estarmos evitando algo não resolvido. Cientes disso, podemos sim, aproveitar as energias vigorosas para sacudir o lodo da alma e inspirar nossos ares e aspirar novas realizações e façanhas. O dia está favorável a se lançar rumo ao desconhecido!

Leilane Bustamante - Reprodução
Leilane Bustamante – Reprodução

DOMINGO, 18 de setembro – A Lua segue na fase Cheia por Áries e hoje faz quadratura a Plutão, oposição a Vênus e conjunção a Urano, além de trígono a Marte. Termina o dia em quincunce ao Sol. O domingo está inflamado, abrasivo, fervendo mesmo! Há muito dinamismo, mas também muita impaciência no ar, que nos faz nos precipitar e correr para cima do perigo ao invés de nos precaver contra ele. Encaramos as feras, de dentro e de fora e não medramos para ninguém. Entretanto, com tanta intensidade e paixão, urge achar um freio para a boca e para as atitudes, que estão mais que intempestivas hoje. Do contrário, criamos atritos e inimizades aonde vamos e arengamos até mesmo com aqueles mais próximos, talvez por coisas mesquinhas, o que desagrada muito às almas mais delicadas. Nesse cenário revoltoso e agitado, a convivência fica sujeita a muita instabilidade, imprevistos, arranhões e altercações diversas, principalmente entre casais e nas relações de amizades. Porém, se estamos cientes de nossas discrepâncias, de nossa irritação e indocilidade, podemos contê-las, de modo que não precisamos descontar em outros aquilo que só cabe a nós resolver. O dia também traz grande anseio por liberdade, independência, mudança, saída da rotina, inovação e a experimentar e fazer algo diferente. Mas há que se ter cautela nas estradas ou atividades físicas porque com essas energias voláteis ativadas, estamos suscetíveis a muitos atropelos e talvez até, acidentes. Cautela nunca é demais!

Linda semana para você!

Que seja de muita leveza!

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Lua Cheia e Eclipse Lunar em Libra – Separações necessárias

Aysen Aksoy - Birth Chart Painting - Reprodução
Aysen Aksoy – Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua é Cheia nesta quarta-feira, dia 23 de março, às 09h01min no horário de Brasília e às 12h01min no horário de Lisboa. Esta lunação também é um Eclipse Penumbral da Lua, mas o horário do eclipse é ligeiramente diferente do horário da oposição exata entre a Lua e o Sol. O eclipse tem duração total de quatro horas e quinze minutos, o seu ápice ocorrendo às 08h47min no horário de Brasília. Como se trata de um eclipse lunar, o número de horas de duração corresponde ao número de meses em que os efeitos do eclipse serão sentidos mais fortemente, então, os efeitos deste eclipse serão sentidos por quatro meses e uma semana. Para entender melhor o que são os eclipses, inclusive o que é um Eclipse Penumbral, leia este artigo.

Por que lunações – Lua Nova e Lua Cheia – são importantes e por que prestamos tanta atenção a elas? Bem, primeiro porque elas sinalizam os temas importantes do ciclo astrológico mais rápido de todos, que é o ciclo lunar; e o segundo vem na esteira do primeiro, visto que as lunações precipitam os “acontecimentos” maiores e mais vultosos, representados pelos grandes ciclos, funcionando como gatilhos que “disparam” e manifestam os eventos simbolizados por estas brigas entre  os “cachorros grandes”. As lunações contam as narrativas de como a vida e os ciclos macro se desenrolam no dia a dia, no ciclo mais curto e imediato. Os ciclos maiores são aqueles que contam do relacionamento entre os planetas mais lentos, a partir de Júpiter em diante.

Eclipses 2016 - Copia
Veja a influência deste eclipse, por área de Vida, a partir do signo do seu Ascendente.

A última vez que tivemos um eclipse ocorrendo a 03 de Libra (oficialmente, grau 04) foi em 24 de março de 1997, exatamente a 03°35’ de Libra e o anterior foi a 24 de março de 1978, a 03°40’. Para quem tem planetas entre os graus 0 e 8 de Libra, Áries, Câncer e Capricórnio, vale a pena checar o que estava acontecendo nesta época e o que aconteceu nas semanas e meses seguintes a esta data/eclipse. Além deste evento de 24 de março, também tem outros que podem ser importantes, os eclipses da Série Saros 142, da qual faz parte o eclipse deste dia 23. Os últimos episódios desta série de eclipses ocorreram em 13 de março de 1998, a 22°23’ de Virgem, e 1° de março de 1980, a 11°26 de Virgem. Também vale a pena checar estas datas e rememorar os eventos de então.

Série Saros 142, iniciada em 19 de setembro de 1709.
Série Saros 142, iniciada em 19 de setembro de 1709.

Olhando o mapa do primeiro eclipse da Série Saros 142, que aliás é uma série bem jovem, iniciada em 19 de setembro de 1709, vemos que há uma conjunção Vênus-Marte em Libra, que é foco de uma T-Square Cardinal, que tem por base uma oposição Saturno-Quíron. Quíron, aliás, é também o Ponto Médio de quadratura à conjunção Vênus-Marte. O Nodo Norte é o Ponto médio, simultaneamente, entre Sol e Urano e Lua e Urano. Tudo isso aponta uma série em que as tensões nos relacionamentos são tema importante, com possibilidades concretas de separações e finalizações, que podem ser bastante dolorosas.

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Libra - 23 de março de 2016, 09h01min, Brasília-DF
Lua Cheia e Eclipse Lunar em Libra – 23 de março de 2016, 09h01min, Brasília-DF

Esse tema se repete no mapa do eclipse de hoje, mais fortemente. Isso porque o eclipse ocorre no eixo Áries-Libra, um eixo que por si só já enfatiza a área dos relacionamentos e de todas as interações ente um “eu” e um “outro”, entre “eu” versus “nós”. Este eixo fala da necessidade de equilíbrio nas interações, de eu ser suficientemente maleável a ponto de conseguir acomodar o outro na minha vida, mas não em demasia a ponto de me perder completamente de mim e me alienar de mim mesma, vivendo somente em função deste outro. O tema fica mais salientado porque o planeta regente da Lua Cheia, Vênus, está numa situação bastante complexa: trafega atualmente o signo de Peixes, sua exaltação, mas faz oposição ao seu dispositor, Júpiter, uma oposição que não seria assim tão tensa, não fosse o fato de os dois fazerem quadratura a Saturno em Sagitário, que se torna foco, então, de uma T-Square Mutável. Vênus-Saturno é um aspecto clássico associado a separações quando em trânsito. Não precisa haver separações, necessariamente, mas de qualquer maneira, simboliza crises nas relações e a necessidade de se reavaliar, de maneira bem completa, a forma como nos conduzimos nesta área de vida.

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Ocorre que Vênus-Saturno teme a rejeição e o abandono e antecipando isso, enrijece-se, fecha-se em copas, torna-se fria e acaba por ver seus medos concretizados, sem se dar conta de que a realização de tais receios pode ter sido precipitada pelo próprio indivíduo, ao acionar seus sofisticados mecanismos de defesa. A pessoa pode mesmo chegar ao ponto de rejeitar o outro, terminar a relação, por medo de que o outro o faça primeiro, assim, pelo menos preservará a fantasia de que foi ela quem terminou, ou de que “não queria mesmo”. Como já falei em outros textos, tal padrão de comportamento foi provavelmente iniciado ainda na infância, na relação com um dos pais, ou até com os dois, uma relação que a criança pode ter entendido como insuficiente em afeto, aprovação, amor, de modo que a construção da autoestima fica comprometida e a pessoa segue pela vida tendo que lidar com carências profundas e às vezes, com a compulsiva necessidade de aprovação de seus pares. O ideal é que se busque resolver essas questões terapeuticamente, com ajuda profissional, porque é necessário voltar à relação parental para poder curá-la e liberar-se, só assim o indivíduo pode aprender a confiar e abrir-se para relações mais saudáveis. Saturno e as separações, aliás, são fatores instrumentais para o nosso amadurecimento e individuação.  Vênus em Peixes sonha com a fusão completa e absoluta com o outro, que extinga qualquer senso de separatividade, mas isto, na nossa realidade, não existe e representa, de certa forma, um estágio bastante infantil do desenvolvimento emocional, que remonta à fase em que éramos um-com-a-unidade, no útero materno, no estado de simbiose urobórica com a mamãe e Deus. Portanto, para crescermos, precisamos superar essa fantasia de fusão total, até que possamos, de fato, voltar para a unidade – mas isso só se dará na morte, quando nos rendemos finalmente, até lá, precisamos sim, desenvolver um ego forte e saudável, e isso se dá, também, lidando com frustrações e separações vida afora.

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Como se não bastasse, Vênus está “enquadrada” neste mapa por Netuno e Quíron, ou seja, está ladeada duas figuras que representam coisas completamente distintas. Com Netuno a gente sonha, fantasia, se derrete, se apaixona pelo romance, idealiza e pinta o mundo todo cor de rosa e imagina o amor perfeito… Mas Quíron, ali na frente, traz a dor dilacerante da decepção e da constatação de que não há perfeição no mundo, pelo contrário, há dor, sofrimento, decepção, sordidez… Vênus está presa nesse limbo horroroso. Precisamos nos sintonizar, então, com as qualidades mais elevadas de Quíron e Netuno, a compaixão, a empatia, o altruísmo e lembrar que a empatia pelo sofrimento alheio, pelas dores de amor dos outros, pode trazer algum alívio para os nossos próprios males, nem que seja porque nos daremos conta de que não somos somente os únicos a sofrer neste mundo-cão.

Rubinho - Reprodução
Rubinho – Reprodução

O mapa e o eclipse ficam mais tensos e, consequentemente também o dia e os próximos meses até o próximo eclipse, porque Júpiter está em quadratura exata a Saturno, o que pode representar grande dificuldade em balancear otimismo x pessimismo, que pode prejudicar nosso senso de proporção e  medida. Júpiter em quadratura a Saturno pede que façamos uma revisão em nossos códigos morais e éticos, na forma como temos crescido nos últimos tempos e que sejamos pacientes, mesmo que as coisas pareçam estagnadas e estéreis. Temos dificuldade de discernir se vamos ou se ficamos, tal o nível da incerteza… Assim, temos que parar e rever com cuidado as áreas de vida afetadas, percebendo onde devemos avançar e onde devemos limpar e eliminar coisas, situações. Júpiter-Saturno também demandam que avaliemos nossas relações em geral e que percebamos que há relações que já não fazem sentido na nossa vida, que já não nos trazem nada de bom e tais relações também devem ser finalizadas. E dessa forma, temos o assunto “separação” repetido… Considerando-se que uma Lua Cheia já traz, naturalmente, o tema de uma crise e de uma possível separação na relação, vemos os deuses não estão para brincadeira quando colocam todas essas configurações acionadas ao mesmo tempo. (Clarificação: em si mesma, a quadratura Júpiter-Saturno não fala de relacionamentos, isso é algo que se dá de maneira indireta e eu apontei este tema aqui como uma ênfase central ao tema básico que escolhi explorar nesta Lua Cheia. Júpiter-Saturno falam de ciclos de crescimento e expansão e eu escrevi um pouco mais sobre essa configuração específica, embora não ainda de maneira aprofundada, no texto de A Semana, que você pode ver aqui).

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Vênus envolvida nessa quadratura, tem dificuldade em ter uma autoestima equilibrada e saudável e um senso de valor adequado e isso pode, novamente, criar muitos problemas nas relações, como também na forma como gerimos nossos valores, talentos, patrimônio, finanças, aquisições, etc.

Este mapa ainda traz uma conjunção Superior entre Mercúrio e o Sol, que está quase alcançado o status de Cazimi (menos de 17 minutos de distância). Além disso, o Sol está em trígono a Marte, o que traz presente o tema da oposição, visto que Marte (e todos os demais planetas a partir dele) recebe trígono do Sol poucos dias antes de entrar em retrogradação, uma dinâmica de oposição e conflito. E obviamente, Mercúrio em Áries também recebe a oposição da Lua, o que sugere um grande conflito entre a razão e o sentimento, que demanda que façamos um belo auto-escrutínio para clarear nossas motivações e dilemas, antes de ir para o embate aberto com o outro, do contrário, podemos nos envolver em batalhas verbais, jogos de palavras cujo objetivo nem é resolver os problemas, mas vencer o outro a qualquer custo, provar que “estamos certos”, que “temos razão”, mesmo que por dentro estejamos destroçados. Lua-Mercúrio também sugere muita atividade mental, ansiedade, dificuldade em discernir o que sentimentos daquilo que pensamos e isso pode gerar inquietude, movimentação precipitada, falação vazia. A Lua, aliás, é o único ponto em Ar, num céu que ainda está muito aquático. Planetas singleton têm a tendência de se expressar de forma extremista e uma manifestação extremada possível neste cenário, é nos dissociarmos completamente dos nossos sentimentos, para evitarmos a dor, algo que facilitaria muito a “vida” dessa Vênus ultra-sensível à rejeição. Podemos racionalizar que não sentimos nada, que nada disso é importante, que não precisamos/queremos esse outro que nos despreza ou que nos “chutou”… Mas podemos também nos autorizar a sentir verdadeiramente, a permitirmo-nos o adequado luto pelo que quer que esteja morrendo e indo embora de nossa vida. Caso não façamos isso agora, estes fantasmas, não enterrados, voltarão para nos assustar e assombrar depois, na forma provável de uma depressão.

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Concluindo, o mapa da Série Saros fala de separação e finalizações; o mapa do eclipse de hoje repete o tema, que aliás já é central a Luas Cheias em geral; eclipses também falam de encerramentos; Júpiter-Saturno agregam mais um pouco de sal à ferida… Então, não temos como fugir: precisamos identificar o que precisar acabar em nossa vida, que relações atravessam os estertores da morte e deixar que morram realmente, sem recorrer a apegos, dependências, choros, manipulações… Deixar ir, dizer adeus… Somente assim, poderemos aproveitar as novas possibilidades, aliás, bastantes excitantes, prometidas pelo Nodo Norte no Ponto Médio entre Sol-Urano e Lua-Urano. E lembrar que, por mais difíceis que sejam as separações, “na separação ficamos com a melhor parte: nós mesmos” (Tati Bernardes). Não podemos jamais nos esquecer disso: somos sempre a melhor parte para nós mesmos e isso é algo que Vênus-Saturno precisa lembrar também. Não importa o que houve, nós precisaremos conviver conosco mesmos para sempre, ao contrário daquele outro que vai embora. Portanto, não podemos perder o respeito e o senso de valor próprio se o outro nos deixou. é preciso pois, muito carinho, cuidado e amorosidade para conosco mesmos – se somos amorosos com o outros, por que é tão difícil sê-lo com relação à pessoas mais importante da nossa vida, ou seja, nós?

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O Símbolo Sabiano do grau 04 de Libra (03°17’) traz uma imagem que ativa nossa esperança e traz bons augúrios: “Um grupo de jovens senta-se em comunhão espiritual ao redor de uma fogueira de acampamento”. Este símbolo parece contradizer os temas da Lua Cheia e Eclipse, mas não necessariamente. Ele nos lembra que mesmo quando há partidas e separações, ainda podemos recorrer ao suporte dos amigos, da comunidade e da própria ajuda espiritual para enfrentar os desafios e as dificuldades inerentes às separações e situações que estejamos atravessando. “Este símbolo implica o desejo ou necessidade de estar com outros que compartilham sentimentos, aspirações, objetivos e crenças similares às nossas. Há um foco em comum neste ‘grupo’ que abre possibilidades criativas e iluminadoras. Pode haver um sentido de se estar ‘lá fora’, nas ‘regiões selvagens’ e talvez estejamos realmente, de alguma forma, quer estejamos juntos por alguma afinidade única ou quilômetros distantes de todos os outros. Há um grupo de pessoas que compartilham das mesmas crenças e juntar-se a elas poderá elevar nosso espírito”, diz Lynda Hill, astróloga australiana e estudiosa dos Símbolos Sabianos. Então, não podemos esquecer que pertencemos a uma comunidade, que temos amigos e outras pessoas que podem nos ajudar a superar os problemas e a olhar para o futuro. Contudo, também precisamos lembrar que há coisas que outros não podem fazer por nós, portanto, não podemos nos tornar excessivamente dependentes dos outros, porque então estaremos criando outros problemas. Outro risco é rejeitarmos a companhia de outras pessoas porque já nos sentimos sozinhos e abandonados, excluídos e solitários e talvez fiquemos emburrados esperando que outros venham nos adular… De qualquer forma, o Símbolo de fato nos ajuda a ter perspectiva, nos lembra de que, por mais que uma parte de nossa vida se encerre quando terminamos um relacionamento ou quando nos despedimos de algo ou de alguém, isso não representa o fim da vida em si mesma e ainda há muito a explorar diante de nós. Só precisamos dar o tempo necessário para isso e abrir-nos às novas possibilidades e companhias.

Desejo a você uma ótima lunação! Que possamos ter a maturidade de deixar ir, a serenidade para termos paciência conosco mesmos e a esperança de nos abrirmos para o novo!

Art Frahm - Pintor americano - Reprodução
Art Frahm – Pintor americano – Reprodução
Aysen Aksoy - Birth Chart Painting - Reprodução
Aysen Aksoy – Birth Chart Painting – Reprodução