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A Semana Astrológica – Cartas na mesa

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Semana de 13 a 19 de fevereiro – Tempo de disseminar boas ideias e levar adiante aquilo que deu certo… O que é bom, deve ser passado adiante!

Estamos no período entre eclipses, que traz uma tensão latente, que ora se mostra intensa e escancarada, ora fica ali no segundo plano, trazendo alguma sensação incômoda, embora não saibamos porquê. Este é um período em que podemos já ver se manifestando algumas das “promessas” dos eclipses, conforme eles acontecem no mapa pessoal e convém ficarmos mais atentos, prestarmos mais atenção à intuição sobre onde ir e o que fazer… Essa temporada termina com o Eclipse total do Sol que ocorre no dia 26 de fevereiro a 08° de Peixes. Até lá talvez tenhamos muitos insights sobre o arco compreendido entre os signos de Leão até Peixes (e as casas do mapa natal em que cai), que é o arco trafegado pela Lua durante essa fase “especial”, de 10 a 26 de fevereiro. Isso porque a Lua, como símbolo dos sentimentos e emoções, está ainda mais sensível, como nossas emoções também ficam mais suscetíveis. Memórias podem aflorar espontaneamente acerca de coisas antigas, mal resolvidas, podendo ser finalmente liberadas, particularmente concernenetes ao eixo Leão-Aquário e Virgem-Peixes.

Travis Bedel – reprodução

E por falar no Sol, nesta semana ele ingressa em Peixes, exatamente às 09h32min do dia 18, sábado, onde encerra o ciclo astrológico anual. Antes disso, o Sol ainda dialoga frutíferamente com Saturno, o regente tradicional de Aquário, que oferece conselhos práticos e sábios acerca de como manifestar concretamente a visão Aquariana de melhoria e avanços. Em Peixes o ego, que esteve numa jornada para diferenciar, separar e individuar através das experiências de todos os 11 signos, agora volta para a fonte primordial de vida e se dissolve… Acaba-se o senso de separatividade, de “eu” e o desejo, o anseio profundo e intenso é voltar para os braços do Pai. Em Peixes sentimos com o outro, verdadeiramente e por isso nos inundamos de altruísmo e compaixão, muitas vezes sacrificando a nós mesmos pelos outros. Pessoas fortemente Piscianas têm essa aura meio etérea, como se não “estivessem aqui” – e eles não gostariam mesmo de estar, essa vida aqui é pesada demais, imperfeita demais! – como se fosse “de outro mundo”, daí a propensão a escapismos, para aguentar a “barra” e o peso da encarnação. Mas essa mesma proximidade com o mundo do inconsciente também propicia uma imaginação rica, sensibilidade infinita e grande talento para as artes em geral, particularmente para a música. Leia mais sobre Peixes.

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Quem também está num clima cooperativo é o Mercúrio Aquariano que faz sextil a Marte em Áries. A mente trabalha afinada com a ação, de modo que essa ação se torna mais efetiva porque há um planejamento prévio que nos permite antever para onde estamos indo, ao invés de simplesmente fazer as coisas cegamente, por impulso e sem preparo. Tanto pensamento quanto ação se tornam mais diretos, honestos, ágeis e eficazes e podemos tirar bastante proveito de tal sincronia.

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Essa ajuda de Mercúrio, contudo, não é suficiente para segurar o destempero de Marte mais para o fim da semana, porque ele se aproxima da quadratura a Plutão, oposição a Júpiter e conjunção a Urano, fechando a semana já em ponto de bala. Vamos colocando nossas barbas de molho, porque nas próximas semanas o tempo vai ferver, especialmente em se considerando que estamos neste período de eclipses. Já vamos observando o que nos deixa impacientes e irritados para lidarmos com isso, sem deixar ressentimentos cozinhando em fogo lento, porque isso não será uma boa ideia. Marte está muito forte em seu próprio signo, mas fica muito estourado… em oposição a Júpiter essa tendência se amplia e fica exagerada; em quadratura a Plutão o desejo de poder e a tendência a confrontos violentos também aumentam e Urano põe na equação o extremismo, radicalismo e ainda mais impulsividade, para dizer pouco… Mas a Lua Disseminadora em Libra pede que disseminemos harmonia e equilíbbrio, sem vender a alma ao Diabo – será que damos conta? Nesta semana temos a chance de fazer as últimas negociações, de colocar as cartas na mesa, antes que as hostilidades eclodam… Mas falamos mais de Marte na semana que vem.

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Lilith ingressa em Sagitário já na segunda-feira, às 21h32min, onde fica até 09 de novembro. Não sou expert em Lilith e ainda estou estudando sobre isso. Lilith é o arquétipo do feminino sombrio e selvagem, descontrolado, rebelde, que não atende a regras e a leis, visto que se rebelou de imediato contra seu Criador, lá no começo, recusando-se a ser submissa a Adão e às leis do Deus Javé. Foi desterrada, mas não se importou muito com isso, passando a viver livre, conforme suas próprias leis… Negativamente fala do desregramento, do excesso, de sentimentos turbulentos, ciúmes, a raiva destruitiva que irrompe feito um vulcão em erupção. É um aspecto selvagem da natureza feminina – que também está presente no homem. Positivamente, mostra onde há potencial de empoderamento ao lidarmos com todos esses conteúdos de forma direta, buscando o equilíbrio interno. E agora ela ingressa em Sagitário! A despeito de toda a “luminosidade” do signo do Centauro, talvez Lilith se torne ainda mais selvagem neste signo, galopando furiosamente feito mustangues indômitos, totalmente fora de controle, sem tato, sem noção de delicadezas ou sutilezas sociais. Pode tornar-se extremamente focada em algum objetivo ou crença, perseguindo-os tão apaixonada e entusiasmadamente, que talvez pisoteie e esmague a outros incautos pelo caminho, no seu galope furioso e cego… Positivamente convida a nos conscientizar desses padrões no que tange a crenças e ao contato com outras culturas; como as ideologias, filosofias e crenças incendeiam nossas paixões e as excedem e talvez tragam à tona um lado “besta selvagem” que precisa ser reconhecido e trabalhado dentro de nós. Nos próximos nove meses temos a oportunidade de observar como e quando fazemos isso e de aprender a moderar nosso entusiasmo, de modo que nos sirva melhor, ao invés de apenas nos tornar fanáticos e extremistas, sem que percebamos.

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A Lua abre a semana na fase Cheia, em Virgem. Entra na fase Dissemionadora em Libra, na terça-feira e na fase Minguante já em Sagitário, no sábado. O Minguante se dá em conjunção a Lilith. A Lua fecha a semana ainda no signo do Arqueiro. Na sua jornada ela faz contatos, tensos ou harmoniosos, com todos os demais corpos celestes.

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SEGUNDA-FEIRA, 13 de fevereiro – A Lua segue na fase cheia pelo signo de Virgem, fazendo hoje quincúncio a Urano em Áries e ao Sol em Aquário. Faz oposição a Kíron em Peixes e quadratura a Saturno em Sagitário, que vira foco de uma T-Square mutável. A Lua fica vazia depois do aspecto a Saturno, às 10h38min. Ingressa em Libra às 18h43min. Lilith, a Lua Negra, ingressa em Sagitário às 21h32min. A semana começa nervosa, inquieta, porque nos damos conta das muitas tarefas e obrigações que temos pela frente e talvez duvidemos um pouco da nossa habilidade em lidar com tudo a contento, particularmente porque temos um ideal de perfeição em mente e lidamos com o julgamento interno e o externo. Por vezes nos sentimos mesmo tentados a nos rebelar contra as obrigações, mas o senso de dever fala mais alto, a necessidade da ordem, da estrutura e da perfeição são como que mandatórios, até para camuflarmos nosso receio do descontrole e da desordem que estão ali, sempre à espreita, a ameaçar nossos planos e desejo de controle. A tarde nos oferece muitas horas para meditar sobre essa necessidade tão premente do controle e da ordem. Seria para nos antecipar a possíveis críticas e julgamentos, não dando chances a outros de perceberem nossas falhas e inseguranças? Seria para preservar o papel “forte” do ajudador/resolvedor de problemas que ajuda mas nunca é ajudado, porque isso seria demonstrar alguma fragilidade? Seria para nos convencer, a nós mesmos, de que não precisamos daquilo de que carecemos tanto? Um mecanismo de parecer maiores e mais fortes quando nos sentimos tão pequenos? Vale ficar atentos porque a tarde traz pensamentos e sensações meio pesados e grandes chances de sermos duros demais conosco mesmos – ou com outros – resvalando em julgamentos, culpas, preocupações pesadas que não nos prestam nenhum serviço, além daquele mórbido de dizermos para nós mesmos que estamos “ocupados” com a situação… Mas pré-ocupar-se é inútil. Perda de energia e de tempo e fazemos melhor se lidamos com isso de forma racional e prática: se nada há que possamos fazer agora, é debalde se degladiar com monstros que não existem e que talvez nunca irão existir. No caminho inverso, é possível que haja julgamentos e críticas duras e até injustas nas interações… Uma crítica severa disfarçada de conselho/ajuda? Vale lembrar que às vezes há várias maneiras de se fazer a mesma coisa; que cada pessoa tem seu próprio senso de ordem e de método e só porque diferem dos nossos não quer dizer que estejam errados. A Lua ficou vazia às 10h38min, o que indica que a segunda-feira começa industriosa, mas depois pede atividades menos afoitas, mais rotineiras ou contemplativas. À noite o clima fica um pouco mais leve e buscamos maior harmonia nas interações.

Eugenia Loli – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 14 de fevereiro – O Sol Aquariano está em sextil pleno a Saturno em Sagitário. De Libra a Lua se opõe à sua dispositora, Vênus, que está em Áries e também a Marte, o dono da casa. A Lua ainda se desentende com Netuno, mas conversa toda sociável, com Mercúrio. Faz sesqui-quadratura ao Sol e entra na fase Disseminadora. A despeito de buscarmos harmonia e coerência, encontramos algumas situações que desafiam nossa compostura e nos obrigam a tomar atitudes, embora preferíssemos manter as coisas “como estão” para não ter que fazer alguma escolha difícil. Mas a Lua Libriana vem equilibrar, realmente, a tendência da “dupla dinâmica” Vênus-Marte em Áries à abrasão nas relações e interações em geral. Não que isso seja fácil de se conseguir! Há tendência a muita irritação, impulsividade e impaciência, além da propensão a criar conflito onde muitas vezes o diálogo seria mais adequado. Aqui entra Libra com sua diplomacia e tato, apta a ver os outros ângulos da questão, que não apenas aqueles egoístas. Em Libra somos multilaterais. Assim, faz-se necessário o contraponto, ver as coisas pelo olhar do outro também, pesar, ponderar, antes de sair chutando e esbravejando… Se conseguimos ter essa perspectiva mais distanciada, podemos resolver as coisas pela via do diálogo e da cooperação, e a energia que seria gasta no conflito certamente terá melhor uso. De fato, o dia traz dinamismo e disciplina para realizar muitas coisas, de forma coerente e longeva. Mas se insistimos nas manhas e em ter tudo apenas do nosso jeito, perdemos ótimas chances de avançar nos nossos intentos e até mesmo de melhorar relações que poderiam significar boas alianças futuras.  A Lua fica Disseminadora em Libra e nos lembra e em oposição a Marte e nos lembra precisamos disseminar essa mensagem do equilíbrio nas relações; de que sempre vale a pena buscar o diálogo e a conciliação antes de partir para a briga, irrefletidamente. À noite o clima fica mais pesado e vai exigir mais calma, paciência e jogo de cintura na resolução das divergências que porventura surgirem.

Brooke Shaden Photography – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 15 de fevereiro – A Lua Libriana faz quadratura a Plutão, oposição a Urano e conjunção a Júpiter, formando uma T-Square Cardinal da qual Plutão é o foco. Dona Lua ainda se irrita com Kíron, mas costura cooperação com Saturno e uma forte parceria com o Sol, ficando fora de curso depois deste aspecto, às 23h55min. O dia pede que nos posicionemos e confrontemos nossos receios: não é possível agradar sempre e nem a todos e há momentos em que precisamos deixar claros nossos limites, ao invés de simplesmente ceder “só mais uma vez”, ou nosso amor próprio irá por água abaixo. E já sabemos, se tentamos agradar a todos, agradamos a ninguém e, falando a verdade nua e crua, gente simpática “demais” costuma ser chata pra caramba porque farejamos de longe a falsidade ou a falta de firmeza e de integridade. Integridade, aliás, é mandatório no dia de hoje, para que possamos conduzir nossos negócios de maneira, limpa diligente e correta. Assim, o dia pede que reconheçamos nossa necessidade de aceitação e de pertencimento, mas sem com isso “vender a alma ao diabo”. Pelo contrário, é necessário analisar com cuidado o preço que pagamos por tal aceitação, até porque há outras necessidades igualmente válidas que precisam ser vistas. O desafio é achar o equilíbrio entre as necessidades e  interesses pessoais diversos e antagônicos, ser honestos a respeito do que realmente queremos e confrontar em nós a doce tentação do não escolher, do deixar que escolham por nós, como saída fácil dos dilemas. Mas os conflitos que ocorrem hoje podem ser muito positivos e produtivos, porque nos empurram para essa auto-análise, que por mais turbulenta que possa ser, oferece no encalço mais um pouco de autoentendimento. De quebra, o trio Lua-Sol-Saturno nos ajuda a ter firmeza para não nos deixarmos levar por essas turbulências e nem resvalarmos em dramas desnecessários.

Eugenia Loli – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 16 de fevereiro –A Lua abre o dia vazia em Libra e ingressa em Escorpião às 04h41min, de onde espicaça a Vênus Ariana. O regente da Lua, Marte está em diálogo franco com Mercúrio, mas já muito próximo da quadratura a Plutão. A Lua fecha a noite em harmonia a Netuno. As tensões abertas dos dias anteriores ficam novamente em “repouso” relativo, mas paradoxalmente, estamos muito mais cientes delas, porque as sentimos de forma aguda, na carne e nas entranhas. E assim nos preparamos para lutar com os dragões, venenosos e letais, loucos e incendiários, venham de onde vierem, inclusive do nosso próprio inconsciente. Mas enquanto os confrontos não ocorrem, observamos e farejamos o ar em busca de respostas e pistas e logo as econtramos. A despeito dessas tensões, ou talvez por causa delas, trabalhamos de forma concentrada nos projetos concretos e também nas questões interiores. E podemos alinhar iluminar com a mente clara e razão límpida, o instinto primitivo e impulsivo, talvez domando-o, instruindo-o, disciplinando-o, de forma que já não reaja tão cegamente na hora dos embates. De modo mais prático, o dia favorece que nos debrucemos sobre as relações mais íntimas para estreitá-las ainda mais; que lidemos com assuntos que demandem concentração, foco, comprometimento e arguteza de espírito.

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SEXTA-FEIRA, 17 de fevereiro – O dia está sensível e sujeito a altos e baixos. A Lua se harmoniza com Netuno em Peixes, mas tem sérias altercações com Mercúrio em Aquário, irritando-se muito, também com seu dispositor, Marte e com Urano, ambos em Áries. No fim do dia tem conversa mais amena com o outro dispositor, Plutão e fica vazia logo depois, às 17h40min – vai ficar vazia por quase 24 horas! Os sonhos da madrugada são densos e profundos e podem nos trazer ótimas pistas sobre nossos dilemas atuais. A despeito da boa noite de sono, os humores estão bastante indóceis e as línguass ferina, de modo que precisamos vigiar para não nos metermos em assuntos que “não são da nossa conta” e levarmos “voadoras” logo cedo. As emoções estão sombrias e, como se não bastasse, em desacordo com os pensamentos e as atitudes e essas incongruências afetam as relações interações. Sentimos uma coisa, pensamos outra e agimos de forma totalmente diferente. É essencial cuidar dos próprios problemas – que já são suficientes – e deixar que cada um cuide dos seus. Mas claro, se nos ressentimos de que se metam nas nossas coisas, também precisamos vigiar para não jogar sobre outros respingos de nossa irritação e mau humor. Lidar com algum problema bastante intrincado pode nos ajudar a canalizar esse mau humor em algo produtivo, e ainda funcionar como metáfora para a resolução dos nossos enigmas e dilemas interiores.

Eugenia Loli – Reprodução

SÁBADO, 18 de fevereiro – O Sol ingressa em Peixes às 09h32min, onde fica até o dia  20 de março. A Lua, vazia em Escorpião, faz trígono a Kíron e fica muitas horas sem fazer outros contatos, até entrar em Sagitário, às 16h53min, de onde faz quadratura ao Sol, entrando na fase Minguante, às 17h33min. A Lua ainda faz conjunção a Lilith e quadratura ao eixo nodal. Como é bom quando o calendário convencional coincide com o estelar, não? É, eu sei, já disse isso antes, mas sempre vale relembrar! A Lua está vazia o dia todo e… é sábado! Podemos realmente indulgir num descanso sem culpas, ou abraçar atividades que nos apaixonem de fato, que nos permitam contemplar nossos processos mais de perto ainda e proceder com a providencial regeneração da alma e por que não, do corpo também! O dia está propício à meditação profunda sobre os mistérios da vida e ao mergulho na natureza humana e suas motivações mais secretas, começando por nós mesmos… Tais mergulhos e investigações podem ter efeitos terapêuticos e curativos, de apenas nos permitirmos ser e estar, se deixarmos ir o que tiver que ir. O Sol ingressa em Peixes e, entre muitas outras coisas vem nos lembrar que a cura também depende da confiança no processo, de soltar e relaxar, de confiar no nosso centro e na unidade da vida, nesse caos ordenado que, por mais louco que pareça, responde a diretrizes imemoriais, a arranjos cósmicos que escapam à nossa compreensão, mas que ainda assim, vão nos levar onde devemos ir, se confiarmos e fizermos a nossa parte… Mesmo que no momento assim não pareça. A Lua entra na fase Minguante em Sagitário, com o Sol em Peixes, talvez seja tempo de abrir mão das crenças, dos conceitos, do “conhecimento enorme” que tanto nos faz seguros e simplesmente fluir, sem a necessidade de “entender”, de filosofar, de elaborar… Sentir, mergulhar no encanto e na totalidade do ser; deixar para trás a necessidade de estar certo, de catequizar, deixar os proselitismos e simplesmente praticar a religião da gentileza, da aceitação e inclusão, do apoio, do não julgamento…

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DOMINGO, 19 de fevereiro – De Sagitário a Lua brinca feliz com Vênus em Áries e mais tarde com Marte. Mas tem uma bate-boca confuso com Netuno. Domingo de brincadeiras, de alegrias e de não levar nada a sério demais… A Lua está minguante e nos convida a abrir mão dos discursos inflamados e exaltados e ir pros terreiros e pros campos, fazer o que o Arqueiro faz de melhor: aventurar-nos, buscar as amplitudes, esticar as longitudes, inflar nosso bom humor, cercar-nos de boas companhias e arranjar algo divertido e prazeroso para fazer, mas sem cobranças, sem compromissos rígidos… Aspirar o ar límpido e expirar as dúvidas e as incertezas… Sim, elas sempre estarão por aí, são parte da vida e volta e meia as encontramos pelo caminho… Cabe a nós olhar para elas e sondar se são de verdade, se precisamos lhes dar algum crédito ou se são apenas miragens criadas pelo nosso medo e insegurança… E assim o dia segue, mais leve e auspicioso… Contudo, como o Arqueiro costuma exagerar, é bom pegar leve para não nos excedermos nas brincadeiras. Também é uma ideia evitar o consumo de álcool e afins, porque nossos limites estão meio frouxos hoje.

Uma ótima semana para você!

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Leão – Do coração, para o mundo!

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A Lua Cheia de hoje, sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017, 22h33min no horário de Brasília – eclipse ocorrendo às 22h45min (00h33min do dia 11 de fevereiro no horário de Lisboa – o eclipse ocorre à 00h45min) é também um eclipse Penumbral da Lua, que ocorre a 22°28’ de Leão. Este eclipse marca a culminação do ciclo Aquariano, iniciado em 27 de janeiro a 08°15’ de Aquário. A princípio, a Lua Cheia e Eclipse de Leão vem nos convidar a expandir nossa criatividade, nosso poder criador, a partir da força do nosso coração, a partir do amor mais genuíno e da alegria mais plena, para ofertar à comunidade humana algo que só nós podemos ofertar: algo que seja singular e único, como nós mesmos.

Lua Cheia em Leão – Brasília, 10 de fevereiro de 2017, 22h33min. Eclipse ocorrendo às 22h45min

A Lua Cheia ocorre em trígono aos dois dispositores do Sol Aquariano, Saturno e Urano, com quem o Sol também dialoga harmoniosamente. A Lua também faz sextil a Júpiter, quincúncio a Kíron e sesqui-quadratura a Vênus, mas o mais importante é que ela forma um Grande Trígono de Fogo e é a base de uma Pipa da qual o Sol, que é o regente/dispositor da Lua Cheia, é o foco. Na verdade, este mapa da Lua Cheia tem várias configurações interessantes: o Grande Trigono origina outra Pipa que tem Júpiter de foco e Urano de base; tem um Retângulo Místico formado por Lua, Urano, Sol e Júpiter; esse mesmo Retângulo Místico é a base de um Envelope que tem Saturno como foco… Ufa!! Super dinâmica e movimentada essa Lua Cheia! Ela faz contatos com a maioria dos planetas, sugerindo a grande possibilidade de integração de seus temas e potenciais – configurações grandiosas e importantes, bem ao gosto de Leão!

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Como eu dizia no post da semana, o mapa desse eclipse sugere que precisamos conciliar as estruturas antigas, mas ainda válidas (Saturno), com aquelas que ainda precisamos construir e os avanços que buscamos manifestar (Urano), além do desenvolvimento pessoal e social que traga mais equilíbrio para todos (Júpiter). E como fazemos isso? A Lua em Leão é a base de uma Pipa que tem o Sol como foco, dizendo que precisamos engajar o nosso coração, a mais pura alegria e a mais destemida coragem, para criar algo que somente nós podemos criar, algo que nos distingue e realça nosso brilho, mas que não é feito para o aplauso ou o benefício do ego, mas sim, para o benefício do grupo e da grande comunidade humana.  Isso tudo com muita criatividade (Lua Leão), inventividade (Urano), justiça (Júpiter), senso de bem comum (Sol em Aquário) e responsabilidade, de modo que permita estruturar novos conhecimentos e horizontes (Saturno como foco do Envelope). Outra coisa digna de nota é o fato de o Sol ser o Ponto Médio entre Saturno e Urano, o que deixa claro que a consciência é primordial para mediar essas forças antagônicas que atualmente se propõem a dialogar e negociar e que nossa força e poder de resistência serão testados. Esse Ponto Médio também sugere separações, pois os dois planetas, Saturno e Urano, de formas diferentes estão relacionados a separações. Mercúrio em Aquário está no Ponto Médio entre Sol e Plutão, sugerindo a necessidade de prudência, organização e, novamente, alta consciência de objetivos e propósitos.

Hereisout.tumblr – Reprodução

De modo que concluímos que o mapa deste eclipse parece bastante “benéfico”, especialmente porque o eclipse lunar ocorre em conjunção ampla ao Nodo Norte, enquanto o Sol está em conjunção ao Sul. O Nodo Norte representa o futuro, o Sul, o passado. Então, esse eclipse fala para olharmos para o futuro e focarmos naquilo que ainda precisamos aprender – no caso, a técnica, a organização e a seletividade de Virgem, que darão suporte à criatividade Leonina – antecipando o trânsito do eixo nodal pela polaridade Leão-Aquário (O eixo nodal ingressa nessa polaridade em maio próximo). O futuro está ali e no futuro precisamos fazer a nossa luz brilhar, por algo maior que nós mesmos, pela melhoria do todo, não apenas pelos nossos desejos egoístas. Podemo dar este salto de fé e pular nesse futuro, ou podemos voltar para a Era das Sombras, por medo do desconhecido. A escolha é nossa.

Série Saros 114 de Eclipses Lunares, iniciada no Polo Norte (o mapa está levantado para Brasília) a 13 de maio de 971, às 04h03min.

Mas é só isso? Não. Como já sabemos, eclipses não acontecem sozinhos nem de forma aleatória. Eles pertencem a famílias chamadas Séries Saros, que duram mais de mil anos e que viajam de um polo a outro do globo, cada eclipse da série ocorrendo a aproximadamente 18 anos e 11 dias um do outro – entenda melhor a natureza e dinâmica dos eclipses. Este eclipse em Leão pertence à Série Saros 114 de eclipses lunares, que começou em 13 de maio do ano 971, no Polo Norte e terminará em 22 de junho de 2.233 no Polo Sul. O mapa de origem desta série mostra a Lua Cheia em Escorpião em oposição ao Sol em Touro (também ocorrendo na qualidade Fixa, como o eclipse de hoje), ambos fazendo quadratura a Plutão a 23°31’ de Leão, a cerca de um grau da Lua Cheia de hoje; o eclipse ocorre do lado do Nodo Norte, mas o dispositor tradicional da Lua, Marte, está em Touro, conjunto ao Nodo Sul, opondo-se a Urano em Escorpião, que está conjunto ao Nodo Norte. Vênus, além de reger o Sol, é o Ponto Médio entre Sol e Plutão. Vênus e Plutão estão Fora dos Limites do Sol neste mapa.

Eclipse Penumbral Lunar – Reprodução

Vemos então que esta família de eclipses tem um tom bastante Escorpiônico, duplamente enfatizado pela posição da Lua neste signo e pela quadratura a Plutão; uma segunda ênfase recai sobre Urano, que está conjunto ao NN e oposto ao regente da Lua. Tudo isso nos sugere que é uma série que vem falar de eliminações definitivas, de términos abruptos, que podem ser sentidos como muito dolorosos e difíceis devido à posição de Marte em Touro (apego) conjunto ao Nodo Sul (passado). O futuro chama, implacável, impessoal e aponta para a transcendência (Urano, NN e Lua Escorpião), mas a vontade pessoal ainda está apegada ao passado e à matéria (Marte NS touro). Se conseguimos vencer a nós mesmos e aos nossos apegos (Touro-Escorpião), adentramos um espaço magnífico de transformação pessoal (Plutão em Leão) que pode finalmente trazer à tona o melhor do nosso poder e brilho pessoais, alicerçados pela coragem do auto-confronto, pela generosidade e nobreza de espírito e pela expressão autêntica da criatividade transformadora. Esse confronto da consciência com a sombra precisa ser mediado pelo amor sincero, sensibilidade e compaixão (Vênus = Sol/Plutão).

Biscodeja-vu.vu.tumblr – Reprodução

Agora, olhando novamente o mapa do eclipse de 2017 e tendo o mapa da Série Saros 114 como pano de fundo principal, podemos concluir que, para brilharmos com todo o fulgor e potência do nosso coração amoroso e criativo e da nossa consciência comunitária, precisamos de fato, nos desapegar do que quer ainda nos prenda à nossa versão mais primitiva; abandonar a preguiça e a acomodação; eliminar a teimosia e a resistência ao novo e ao futuro; desapegar-nos das culpas, das frustrações e dos fracassos passados porque eles não podem definir o que somos; e claro, confrontar o medo da nossa própria luz e nos responsabilizar por fazê-la brilhar esplendidamente, para o bem comum, como nossa oferta e contribuição especial a toda a comunidade humana, seja no nosso bairro, na nossa cidade, na escola, no blog, na família… Usar nosso poder criador em todas as suas possíveis manifestações, na arte, na música, ou simplesmente na nossa cozinha, cozinhando com amor, contando uma piada engraçada para fazer o outro rir ou qualquer outra coisa que você faça de um jeito só seu… afinal, criativas não são só as atividades artísticas, mas tudo aquilo que expressa nossos talentos e dons mais especiais, em qualquer que seja a área. Proliferar o poder transformador do amor, a despeito das dificuldades, incertezas e do medo, esse bicho-papão tão insidioso que se retroalimenta sem que nos demos conta e que nos faz ver o outro como um inimigo. Eclipses já falam, naturalmente, de eliminações, de encerramento de ciclos e de conclusões. Pois esta série fala mais ainda, enfatiza e replica, que é para não deixar dúvidas.

Eclipse Penumbral da Lua – 00h45min do dia 11 de fevereiro de 2017 GMT – Nasa – Reprodução

Pessoas que têm planetas ou ângulos entre os graus 17 e 28 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) sentem mais fortemente as influências deste eclipse, que devem durar por quatro meses e mais ou menos uma semana, já que o eclipse tem duração de 4h19min. O eclipse e a Série Saros 114, de modo geral não são terrivelmente pesados ou tensos ( a não ser em termos mundanos, em que eclipses geralmente são tensos e esta série, iniciada em Escorpião com Plutão e Urano proeminentes pode representar problemas com energia nuclear, conflitos e cataclismos naturais), mas como essas influências se manifestam na vida de cada um, depende também dos planetas aspectados no mapa natal e do tipo de aspecto. Para você ter uma ideia de como isso pode se dar na sua vida, pesquise o que estava acontecendo por volta de 31 de janeiro de 1999, que foi a última vez em que ocorreu um eclipse desta série, a 11° de Leão – os temas são os mesmos. E você pode relembrar também a última vez que houve um eclipse lunar próximo desse grau, que foi em 09 de fevereiro de 2009, a 20°59’ de Leão. Embora não pertença à mesma Série Saros, este eclipse pode ter acionado situações parecidas ao tocar os mesmos planetas e ângulos do seu mapa, quando for o caso. Christine Arens, astróloga americana e estudiosa de eclipses afirma que, independentemente de o eclipse tocar ou não pontos do mapa natal, se você puder ver o eclipse, você é afetado. Neste caso, se não há aspectos ao mapa natal, o indivíduo será afetado de forma indireta, a partir de situações e acontecimentos coletivos e sociais. Este eclipse será visível no Brasil, já que ocorre à noite por aqui, portanto, sim, o Brasil, e todos nós, sentiremos seus efeitos. Além do Brasil, o eclipse será visível em toda a Europa e África e parte Oeste da Ásia. Será visto parcialmente na América do Sul e do Norte e também no restante da Ásia, conforme você pode ver no gráfico da Nasa acima, em que a parte em branco destaca os países que verão todo o eclipse. Veja aqui nesta tabela as influências de todos os eclipses de 2017 por casa, de acordo com seu signo ASCENDENTE:

Clique na imagem e ela será ampliada. Caso não consiga visualizar aqui no blog, sugiro que baixe a imagem e dê um zoom. Algumas pessoas lá na página do Facebook disseram que não conseguiam visualizar. Infelizmente não sei explicar porquê. Aqui no meu computador e no celular eu visualizo sem problemas e outros leitores também confirmaram visualizar normalmente.

Quer saber mais detalhadamente onde este e os outros eclipses caem no seu mapa natal, quais aspectos fazem e quais as suas influências na sua vida pessoal? Agende uma consulta astrológica comigo: psicologica.astrologia@gmail.com 

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Quer mais insights? Olhemos o Símbolo Sabiano para o grau 23 de Leão (22°28’): “Num circo, uma amazona cavalgando sem sela mostra sua perigosa habilidade”. Dane Rudhyar, astrólgo precursor da Astrologia Psicológica, nos lembra que o cavalo é símbolo da libido, dos instintos humanos mais primitivos, das energias vitais impetuosas. Mas essas energias precisam estar sob o controle do ego e, mais precisamente, da consciência. Indo mais além, “o ego está no controle, ele é o grande showman, mas ele serve a um propósito. A performance mexe com a imaginação da consciência jovem. Eleva a mente acima do lugar comum”, diz Rudhyar. A palavra-chave, diz ele, é virtuosismo. Linda Hill, astróloga australiana que tem um livro publicado sobre os Símbolos Sabianos, diz algo similar em sua análise deste símbolo. Ela nos lembra que “talvez acreditemos apaixonadamente no que estamos fazendo mas, para nos provarmos para o mundo, precisamos apresentar nossas talentos e sentimentos corajosa e habilmente”. E para desafiar o perigo e se expor, é preciso estar preparado, ter o timing correto… Não é para amadores, definitivamente! Sobretudo, exige que domemos nossos instintos mais primitivos e mais básicos, como também disse Rudhyar. Avançar por onde outros dariam meia-volta, ou como diz Linda, “correr em terrenos onde os anjos temem pisar”; controlar os instintos e desafiar o medo, de forma habilidosa, virtuosa, no sentido de excelência. Algo que nos lembra, bem nitidamente, o Arcano 11 do Tarô, A Força!

Arcano 11 do Tarô – A força

Colocando tudo junto, o eclipse de hoje, a Série Saros 114 e o Símbolo Sabiano, podemos resumir que o desafio é deixar o passado e os apegos para trás, domar habilmente os instintos e o próprio medo, confrontar a própria sombra e lançar-se no futuro, com fé, audaciosamente! E como já dito lá no começo, buscar no âmago de si, aquela faísca, aquilo que nos faz únicos, singulares e especiais e criar, a partir daí, a nossa obra também singular, a contribuição que somente nós podemos dar. Deixar o coração se expandir de amor e a partir desse amor, criar uma nova vida, dar o Salto de Fé do Louco!

Arcano 0 do Tarô – O Louco – Tarô de Nei Naiff

Dessa forma, podemos sim, concluir que este é um eclipse que pode ser benéfico, se nos alinharmos com o que ele nos pede, se amealharmos toda a coragem, alegria e amor do nosso coração e nos lançarmos rumo ao futuro, criando e gerando o nosso melhor como oferta de gratidão à humanidade e a tudo o que permitiu que chegássemos até aqui!

Amanda Cass – Reprodução

Um ótima, linda e feliz Lua Cheia para você! Deixe para trás o que não serve mais e abra-se ao novo!

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A Semana Astrológica Enxergando a Realidade Como Ela é

balsamic buzzSemana de 29 de agosto a 04 de setembro: tempo de eliminar o velho para dar abertura ao novo; tempo de encarar a dura realidade e crescer com ela

Nesta semana o Sol percorre o caminho já trilhado por Mercúrio e Vênus e se defronta com o imbróglio Saturno-Netuno (o Sol faz quadratura a Saturno e oposição a Netuno), além de conflituar também, mais à frente, com Marte em Sagitário. É curioso que o Sol venha fazer aspectos a estes dois planetas exatamente uma semana antes da última quadratura exata entre eles, que se dará no dia 10 de setembro. É como se o Sol estivesse a iluminar poderosamente tudo o que esta configuração simboliza para nós, última chance de apreender seus sentidos e significados e fazer as devidas modificações ou soltar o que precisa ser soltado, especialmente porque o Sol faz quadratura exata a Saturno no mesmo dia em que é eclipsado pela Lua Lua Nova e Eclipse Anular Solar – Entenda melhor os significados gerais dos eclipses. O Astro Rei também se indispõe com Urano por sesqui-quadratura, sugerindo irritações e lapsos de incoerência que vêm e vão, mas que nos tiram o sossego, como algo que fica ali, na sombra do coração, a querer nos alertar, embora não consigamos lembrar em cheio do que se trata. Esse aspecto nos deixa predispostos a agir por impulso, a replicar de forma crítica e inconsciente, à ordem rígida em que estamos inseridos. O Sol também faz conjunção ao Nodo Norte que atualmente trafega Virgem, apontando o tempo dos eclipses. Mas o Sol também faz mais, ele traz a oportunidade de nos conscientizarmos uma vez mais sobre nosso destino e nossos propósitos maiores. Isso é particularmente válido para aquelas pessoas que têm o Nodo Norte em Virgem (e o Sul em Peixes), que estão vivenciando um Retorno Nodal, tendo a chance de se realinharem com seus propósitos e a direção de vida escolhida por sua alma para esta encarnação.

River Bank of Truth
River Bank of Truth

Mercúrio entra em retrogradação em Virgem no dia 30 de agosto. Nesta semana ele retorna e se abraça afetuosamente a Vênus e a Júpiter logo após estacionar e engatar a marcha a ré. Na verdade, ocorre um movimento interessante: Mercúrio fez conjunção a Vênus no dia 16 de julho, a 05° de Leão. Passou por ela bem afobado, na carreira… Agora no dia 29 ele estaciona e Vênus o ultrapassa – quase que lembra a estória da lebre e da tartaruga – Mercúrio ficando estacionário a apenas 20 minutos de distância de Vênus e a cerca de um grau e meio de Júpiter, um fato que eu acredito, seja bastante auspicioso para este ciclo de retrogradação, que se concluirá em trígono exato a Plutão, no dia 22 de setembro. Então, em termos gerais, está aberta a temporada trimestral de revisão de pensamentos, processos mentais, comunicação, conceitos, ideias e pontos de vista e opiniões. Especificamente em Virgem, a retrogradação convida a revisar nossa técnica e a maneira como exercemos o sagrado ofício do nosso trabalho. Leia mais sobre Mercúrio retrógrado em Virgem.

venusVênus, depois de ficar em queda por algumas semanas, ingressa em Libra, signo de sua dignidade. Em Libra Vênus traz presente o mito do seu nascimento, a partir do sêmen de Urano no mar. Urano é da primeira geração dos deuses gregos. Deitou-se com Gaia e nasceram os Titãs. Mas Urano, o Deus Celeste hiper idealista, rejeitou seus filhos, que ofendiam seu olhar reformador por serem excessivamente ctônicos e terrosos, imperfeitos como Gaia, a Mãe Terra. Então ele os prendeu no tártaro. Saturno, um dos seus filhos conspirou com sua mãe e uma noite, quando Urano veio se deitar com Gaia, Saturno o castrou com uma foice. Atirou os genitais ao mar e do sêmen nasceu Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Do sangue que caiu na Terra nasceram as Fúrias. A Vênus Libriana é a própria Afrodite nascendo do sêmen Uraniano, da castração de um Deus Celeste que primava por ideais de Perfeição. Assim também é Vênus em Libra: sempre em busca do relacionamento perfeito, da parceria de perfeito equilíbrio. Nessa equação não necessariamente há amor. Há, sim, equidade, parceria, afinidades. Vênus em Libra tem senso estético apurado, sendo extremamente graciosa, refinada, classuda e muito sintonizada com as regras sociais e com aquilo que é aceitável. É apaixonada pela ideia da parceria, de ser um casal, talvez mais do que pela própria pessoa à sua frente, assim, nem sempre ela se relaciona com a pessoal real, mas sim com uma imagem que tem dessa pessoa, especialmente quando Netuno está presente. Seu senso de justiça também é muito acentuado e ela vai esperar que haja reciprocidade em absolutamente tudo, a ponto de às vezes se ter a impressão de que há uma conta corrente do dar-e-receber na relação. De fato, as relações laterias implicam equilíbrio no dar e receber, mas Vênus leva isso bem ao pé da letra e vai ficar esperando o retorno quando faz algo bom. Valoriza muito a paz, a harmonia e por causa disso tende a evitar confrontos, a ponto de parecer que carece de personalidade ou de caráter em algumas situações. É que Libra realmente tem essa capacidade de ver todos os ângulos de uma questão, mas essa tendência de evitar conflitos pode ter como resultado exatamente o oposto: ela acaba por se indispor com todos aqueles que tentou agradar, a todo custo. No fim, quando esses conflitos se tornam inevitáveis, Vênus em Libra pode ser tão ou mais feroz do que o pior dos Arianos: torna-se competitiva e vingativa – não esqueçamos que foi Afrodite quem iniciou a Guerra de Tróia! E aqui, nessa faceta menos nobre, ela encarna Hathor, a Deusa Egípcia da alegria, da maternidade, do feminino e da beleza, mas que virava uma guerreira sanguinária quando entrava em batalha – Vale lembrar também das Fúrias, que nasceram do mesmo evento que deu origem a Afrodite. Vênus em Libra precisa aprender a valorizar-se, independentemente do olhar do outro e precisa aprender a ver o outro como ele realmente é, para além da possibilidade de ser um parceiro afetivo. Esse posicionamento confere também gosto refinado e olhar clínico para coisas de valor, gosto para a arte, a música e também para as leis, além de grande senso de justiça.

Annibale Carracci - Júpiter e Juno
Annibale Carracci – Júpiter e Juno

Marte já ganhou velocidade e vai gradativamente se separando a passos largos de Saturno. Agora ele se prepara para confrontar Quíron, movimento que ocorre em algumas semanas. Enquanto isso, vamos fortalecendo nossa vontade e recuperando nosso senso de potência. Júpiter, por outro lado, chega ao fim de Virgem e se despede do signo de sua debilidade. Certamente ele estará bem mais confortável em Libra, já que Libra é um signo que prima também pela justiça, um tema que está sob a alçada de Júpiter. E se em Virgem a justiça e expansão Jupiterianas acontecem por meio das coisas pequenas e prosaicas, concretas e palpáveis, em Libra isso se dá através de conceitos mais refinados e abstratos, através da civilidade e da capacidade de viver em sociedade e respeitar as regras do convívio social. Em Libra Júpiter também favorece os casamentos, já que este é o signo das uniões oficiais, o que nos lembra da união de Júpiter e Juno, sua parceira oficial com quem ele vivia em pé de guerra, devido às suas infinitas escapadas e traições, ás quais Juno/Hera não perdoava. Júpiter ingressa em Libra no dia 09 de setembro, onde fica até 10 de outubro de 2017.

eclipse milky way
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A Lua abre a semana na fase Balsâmica em Câncer. Finaliza o ciclo em Leão e se renova em Virgem, na quinta-feira, numa Lunação que é também Eclipse Total do Sol e que vem nos desafiar a deixar de vez o passado para trás e a olhar para o futuro, para o Norte das nossas aspirações, para o Norte do nosso desenvolvimento.

Brooke Shaden Photography - Reprodução
Brooke Shaden Photography – Reprodução

SEGUNDA-FEIRA, 29 de agosto – Mercúrio estaciona às 10h03min, a 29°01’ de Virgem para entrar em retrogradação, enquadrado por Júpiter e Vênus, os dois Benéficos. Vênus, que tinha recebido a conjunção de Mercúrio em 16 de julho, agora o ultrapassa em direção a Libra e faz uma conjunção meio reversa, em que é Vênus quem vai ao encontro dele. A Lua está Balsâmica em Câncer e se harmoniza com Júpiter, Mercúrio e Vênus em Virgem, ficando vazia depois do contato com Mercúrio, às 03h24min. A Lua ainda se desafina com Marte e ingressa em Leão às 05h12min, de onde faz trígono a Saturno já à noite. Vênus ingressa em Libra às 23h07min, onde ficará até o dia 23 de setembro. O dia traz uma harmonia calma ou uma calma harmônica, mas é uma calma talvez enganosa, porque intuímos que é apenas uma trégua temporária, que nos permite respirar um pouco antes do próximo round – esta semana tem Eclipse Total do Sol! Paramos e olhamos ao redor para identificar onde estamos, para guardar na memória detalhes que funcionem como pontos de referência, um tipo de mapeamento – ou talvez, como João e Maria, saímos deixando pistas na trilha, para conseguir encontrar o caminho de volta. Temos, pois, uma influência favorável para começar a semana de maneira organizada, coesa e estruturada; para fazer nossos back-ups e check-ups e para analisar, pausadamente, o que é que precisa mais da nossa atenção e que tenta atraí-la de forma gritante. O dia traz insights claros e muito lúcidos sobre o que precisamos fazer e onde precisamos ir, qual é o próximo passo, subir ou descer. Revisão de ideias, caminhos, tarefas e métodos estão na lista. É como uma voz que grita: “para tudo!” E nós paramos para ouvi-la, porque vale a pena escutar! Essa é a voz interna, poderosa, nítida e lúcida. A voz da sabedoria, ancestral, arcaica… A voz da Lua Balsâmica olhando para o futuro: o que nos espera? Meditamos e contemplamos no silêncio do nosso coração e decidimos que não vamos esperar que nada aconteça a nós – nós é que iremos acontecer ao que quer que encontremos pelo caminho! Não desperdice essa vibe!

Catrin Welz-Stein - Reprodução
Catrin Welz-Stein – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 30 de agosto – De Leão, a Lua Balsâmica se desentende com Netuno em Peixes e com Plutão em Capricórnio, mas se afina com Marte em Sagitário, fechando a noite em trígono a Urano e quincunce a Quíron. Mercúrio está oficialmente retrógrado a partir das 10h03min. Um dia de contradições profundas e desconcertantes. Queremos brilhar e chamar a atenção para nossos feitos, mas algo parece estar fora de lugar, porque não parece legítimo e nos vemos pressionados internamente a ceder o holofote ou a atenção para alguém mais, o que nos deixa ressentidos e inseguros internamente. Mas, longe de isso nos fazer parar, talvez resolvamos encarnar a prima-dona e encenar grandes dramas no melhor estilo “falem mal, mas falem de mim”, até que a ficha caia e percebamos que nos enredamos numa teia intricada e difícil de desemaranhar, o que nos deixa meio tímidos e desengonçados, porque nos sentimos agudamente expostos. Sim, comportamento meio infantil, mas que é iluminado para ser eliminado. Contudo, fazemos melhor se utilizamos todas essas energias e influências para uma autorreflexão, para iluminar nossos próprios processos e proceder com as devidas finalizações e conclusões, ao invés de investir nos dramas desnecessários. Podemos nos sintonizar com uma reserva de autoconfiança e motivação, para concluir pendências de modo satisfatório, que trazem um senso de realização concreta pela coisa em si, como também pela liberação que a conclusão traz. E então concentramos grande energia e vigor nesse intento. Mas precisamos de atenção, porque, se antes era a insegurança, agora é a obsessividade pode nos fazer perder em objetividade e quando vemos, não sabemos mais porque nos lançamos com tanto empenho em todas essas situações – será que estamos ritualizando outras conclusões além daqueles visíveis diante de nós? Se assim for, talvez a ideia até seja válida, mas ainda é preciso ter consciência e clareza de porquê o fazemos. Bom senso é fundamental! O dia pede alguma cautela porque há necessidade de contenção e de se poupar energias para a próxima etapa. É inútil fazer investimentos grandiosos, além do estritamente necessário, porque a terra descansa, é inverno, os dias são propícios ao recolhimento e à limpeza. Lembremos disso antes de nos empenharmos em ideias afoitas que talvez não levem a lugar nenhum. É mais útil eliminar aquilo que não serve mais, abrindo espaço para o novo entrar.

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QUARTA-FEIRA, 31 de agosto – A Lua Leonina e Balsâmica formaliza o quincunce a Quíron e o trígono a Urano, ficando vazia logo depois, à 01h20min. Ingressa em Virgem somente às 12h22min e faz apenas uma sesqui-quadratura a Plutão em Capricórnio, aproximando-se aos poucos depois da conjunção ao Sol, que está em sesqui-quadratura plena a Urano. A Lua olha mais profundamente para o futuro e os nossos sonhos podem trazer visões e presságios poderosos nesta noite. Que mudanças precisamos fazer em nós mesmos, nossas atitudes e comportamentos que ainda não ficaram claros até aqui? Que parte dessa criança que nós somos precisa ser deixada para trás? Certamente aquela parte birrenta e irascível, a parte que gosta de se quedar vítima do sofrimento – criado por nós mesmos – e das próprias queixas lamuriosas. Quando é possível, a mudança deve ser providenciada; quando não é, a situação deve ser aceita, com humildade e maturidade, do contrário, nossa vida fica miserável e vai parecer sempre fora do nosso controle. Assim, o dia traz essas visões de futuros possíveis a partir das muitas possibilidades de mudanças, mudanças empreendidas por nós, madura e consistentemente. Entretanto, precisamos estar cientes de nossas contradições internas no que tange ao comprometimento que empenhamos nos nossos objetivos – será que são mesmo esses objetivos que alimentam o nosso coração? – do contrário, quando menos esperamos resolvemos chutar o balde num rasgo de autossabotagem que põe tudo a perder no momento crucial. A manhã fica propícia a essas reflexões e às elucubrações sobre como manifestar os potenciais criativos no próximo ciclo; já a tarde fica mais industriosa e prática, de modo que procedemos com as últimos limpezas e aragem do terreno onde lançaremos a rica semeadura dos nossos sonhos e projetos na Lua Nova de Virgem.

Eclipse Anelar do Sol - Reprodução
Eclipse Anelar do Sol – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 1° de setembro – A Lua faz conjunção ao Sol a 09°21’ de Virgem, às 06h03min, num Eclipse Anelar do Sol – que é também total, mas como a Lua está muito distante do Sol, temos um anel ao redor do eclipse. O eclipse ocorre em quadratura de menos de um grau a Saturno – o Sol está em quadratura exata a ele hoje – e oposição muito próxima a Netuno e quadratura mais ampla a Marte. A Lua ainda faz sesqui-quadratura a Urano e trígono a Plutão e estes aspectos também são importantes nesta Lua Nova. Um eclipse que vem jogar ênfase sobre a quadratura pesada e dolorosa de Saturno e Netuno, que perdura nos céus desde 2014 é tudo o que precisávamos para fechar com chave de ouro essa configuração. Um novo ciclo é inaugurado, em que precisamos nos sincronizar com a ordem da natureza, que traz intrínseca em si a semente do caos e da desconstrução das verdades nebulosas, que nem sempre são condizentes com a realidade.

Tiia Reijonen on Behance - Reprodução
Tiia Reijonen on Behance – Reprodução

Este eclipse fala de deixar para trás as ilusões infantis e de encarar a realidade como ela é. De abrir bem os olhos e ver. Ver com os olhos físicos, com os olhos da alma, com os olhos da intuição, com os olhos internos que enxergam mais longe e que só estiveram fechados porque assim nos escolhemos. Abrimos os olhos e vemos a luz excruciante da verdade de dilacera nossa visão. E abrimos os ouvidos. E  ficha cai, finalmente. E cai de forma estridente, a tinir no tímpano dolorosamente. Esse momento de cair na real pode ser muito duro, porque os véus são descerrados e podemos finalmente ver o que antes eram apenas borrões obscuros. Infelizmente, o que vemos não é nada agradável, mas talvez seja tarde demais para voltar atrás, porque o leite já se derramou e não há retorno. Contudo, há aprendizados que, embora sejam duros como sopapos bem dados no meio das nossas fuças, são bastante válidos e talvez agora aprendamos a dura lição. É preciso deixar as ilusões tolas e o passado fossilizado e oco para trás e inaugurar uma vida nova de cara limpa. Por mais difícil que seja a realidade, pode ser um momento construtivo de lidar com a verdade e de crescer. Em termos práticos, a Lua Nova e Eclipse em virgem favorece a eliminação de maus hábitos e comportamentos nocivos que afetam nosso corpo e saúde negativamente – pode ser um ótimo momento para deixar de fumar, por exemplo, ou para eliminar quaisquer outros hábitos que prejudicam a qualidade de vida – e também nosso trabalho e vida cotidiana em geral. É hora de inaugurar hábitos novos e mais saudáveis, de forma que possamos ter uma vida de mais qualidade e muito mais sentido.

Veja o significado dos próximos eclipses por casa no Mapa Natal
Veja o significado dos próximos eclipses por casa no Mapa Natal
Kirrei.com - Reprodução
Kirrei.com – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 2 de setembro – O Sol Virginiano faz oposição plena a Netuno em Peixes, enquanto Mercúrio faz sua segunda conjunção a Júpiter. A Lua segue renovada por Virgem e hoje faz oposição a Quíron, quincunce a Urano e conjunção a Mercúrio e a Júpiter, ficando vazia às 19h13min depois deste contato. A Lua ingressa em Libra às 21h56min. Nosso desejo e necessidade por ordem e perfeição são desafiados ao máximo hoje e nos encontramos miseravelmente dispersos, incoerentes e fragmentados em muitas direções. Além do senso de ordem e estrutura, falta-nos a confiança que nos permitiria ir atrás de nossos objetivos de forma destemida e, como não conseguimos ser suficientemente assertivos e seguros, nossa autoestima fica ainda mais vacilante, de modo que se não vigiarmos, entramos num círculo vicioso doentio e de difícil saída, porque sentimo-nos bastante impotentes para modificar traços em nós mesmos e situações ao nosso redor. Podemos ficar nessa espiral destrutiva por horas e dias. Mas, a sensibilidade que nos faz vacilar é a mesma que nos permite manifestar nossos dons criativos e nosso grande altruísmo, de modo que podemos usá-la em benefício de outros, o desafio é exatamente fazer isso de maneira coesa, como um serviço que oferecemos de bom grado, em lugar de nos sentir vítimas das circunstâncias e até de nós mesmos. A consciência aguda de nossas limitações pode, ao invés de nos colocar para baixo, ser o trampolim de onde damos impulso para mergulhar fundo naquilo que podemos realmente transformar e manifestar criativamente. O pano de fundo mental absorve todas as nuances e variáveis, mas consegue rever onde podemos ter errado no passado, de modo que agora podemos usar esses mesmos erros como lições e aprendizados que nos estimulam a fazer melhor e mais conscientemente desta vez. Sobretudo, precisamos ser humildes e nos ater ao que é possível, sem exigir de nós mesmos ideais de perfeição irrealizáveis e, por isso mesmo, frustrantes. Viemos de uma fonte divina e para lá voltaremos, mas, por enquanto, ainda precisamos lidar com esse plano de limitações que devem ser aceitas, mas isso não deve embotar a fé em nós mesmos, porque a principal lição é acreditar em nós próprios, a despeito de todas as nossas dificuldades e falhas. Olhar para dentro e perceber que a despeito de todos os erros e defeitos que percebemos em nós, no centro há o núcleo indestrutível e perfeito e é esse senso de integridade que deve nos guiar.

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SÁBADO, 3 de setembro – A Lua está em Libra e faz conjunção com a dona da casa, Vênus. Mais tarde a Lua também se afina com Saturno enquanto se desentende com Netuno. O Sol segue em oposição a Netuno e quadratura a Saturno e Mercúrio vai seguindo seu caminho descendente no Mundo Inferior, incitando-nos a fazer nossas revisões profundas de pensamentos e ações. Um momento de calmaria e análises mais desapegadas de todas as confrontações por quê passamos: talvez consigamos digerir os resultados sem tantos dramas e com alguma sobriedade, sem ficar chorando ou nos lamentado, afinal, agora é bola para a frente, é acordar para o que dá para consertar e eliminar o que não tem conserto. Em termo práticos e pontuais o dia favorece encontros leves que dispensem os assuntos densos, porque nem nós nem o outro temos muita clareza de nossos sentimentos e reações, de modo que estamos suscetíveis a nos sentir ofendidos ou ignorados num assunto que seja mais sensível, portanto, se não temos certeza de que nossa audiência irá respeitar o que temos a dizer, melhor guardar o assunto para outra ocasião ou para ouvidos mais atentos e respeitosos e ficar nas trivialidades leves, mas seguras.

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DOMINGO, 4 de setembro – A Lua Libriana conversa animada com Marte em Sagitário, mas arruma uma baita confusão com Plutão e com Urano. Como se não bastante, ela ainda se irrita com Quíron e fica vazia às 21h32min, depois da briga com Urano. O Sol está em conjunção exata ao Nodo Norte em Virgem. O amanhecer traz tensões difíceis de digerir e impossíveis de evitar: precisam ser encaradas e resolvidas na lata! Com o dia começando já neste clima tenso, ficamos estressados e indóceis, porque lutamos por uma harmonia e uma conciliação que parecem distantes, uma distância inversamente proporcional ao esforço com que buscamos essa harmonia. Precisamos usar de honestidade emocional nas nossas crises e dilemas, especialmente naqueles que envolvem os afetos e as relações em geral: será que secretamente não investimos em tais crises para nos sentir vivos e importantes para aqueles das nossas relações? O dia também requer muita cautela porque estamos impulsivos, de modo que podemos agir precipitadamente, piorando as situações com nosso comportamento imprevisível, altamente reativo e talvez um tanto infantil. No fundo, desconfiamos de nossas emoções e sentimentos, que hoje são intensos e voláteis e só nos impulsionam em direção à criação de mais drama e mais conflito. O que precisamos é perceber essa necessidade de nos sentirmos realmente vivos, com toda a intensidade a que achamos que temos direito e para isso, podemos nos engajar em atividades estimulantes e criativas, que nos façam entrar em contato com as emoções tumultuadas e selvagens que convulsionam o coração, de modo que elas sejam canalizadas construtiva e visceralmente, a ponto de transformar a forma como enxergamos a nós mesmos e aos nossos processos emocionais mais profundos. Podemos convidar as mesmas pessoas com quem travávamos os embates acalorados e descobrimos que a briga a favor é tão ou mais estimulante do que a briga contra e de quebra, ainda aprendemos mais uns sobre os outros e isso, ao invés de nos afastar, nos aproxima porque percebemos que o outro está atrás do mesmo que nós: harmonia e crescimento, então, por que não podemos buscar isso juntos? Por todos os motivos descritos acima, em termos práticos o dia requer cautela nas interações devido à propensão a conflitos e também no trânsito, devido à grande impetuosidade e precipitação.

Desejo a você uma semana de bênçãos e crescimento! Que essa realidade tão dura seja administrável e nos faça, de fato crescer! ótima semana!

Andrea Clare

Tiia Reijonen on Behance - Reprodução
Tiia Reijonen on Behance – Reprodução

2016 – O Ano da Ressaca

depositphotos_2015 terminou, passou janeiro e já passou até o carnaval. Talvez, para muitos já nem faça muito sentido publicar um texto sobre o ano “novo” que já está pra lá de velho… Mas eu havia prometido e promessa é dívida! Comecei este texto ainda em dezembro. Então precisei parar por causa de outra demanda – outro texto astrológico sob encomenda – que tinha uma deadline super apertada. Depois surgiram questões familiares de última hora,  veio a Zika… Enfim, o fato é que só agora consigo tempo e energia para retomar o “textão” sobre 2016 e já que estamos abrindo ciclo de Aquário, aquele que olha para o futuro, nada melhor do que olhar o futuro com algumas pistas dos desafios e oportunidades escondidos nas dobras do tempo! E afinal de contas, como diz o ditado, o ano só começa, no Brasil, depois do carnaval. Então, vamos começar o ano! Eis o texto!

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“Como será o amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer? O meu destino será como Deus quiser”, diz um samba enredo de muitas eras atrás. A Astrologia busca responder a alguns destes questionamentos, não profetizando um destino pré-determinado, mas traçando as perspectivas e apontando as tendências para que possamos nos preparar e tirar o melhor proveito dos panoramas e contingências que se descortinam à nossa frente; para que possamos nos conscientizar, mudar de atitude quando for o caso, para ir ao encontro do que a vida demanda de nós.

Significadores

Então, quais são as tendências para 2016? O que nos espera? Como nos preparar? De modo geral, temos um ano bastante desafiador à frente, que exigirá de nós o máximo de nossa fé e resiliência. E para apontar as perspectivas deste ano, vamos analisar, separadamente, a regência do ano, que neste caso é do Sol; as atuais configurações dos planetas lentos de Júpiter a Plutão; o mapa de Ingressão do Sol em Áries, que é quando o ano astrológico se inicia; e os eclipses. A partir destes dados teremos uma visão mais clara da dinâmica do ano.

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2016 – Regido pelo Sol – um novo ciclo que começa

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Desconheço o autor – Reprodução

2016 é regido pelo Rei Sol, o Senhor e centro do nosso sistema. Uma vez que o Sol é o grande doador de luz e de calor para o planeta, já podemos dizer, de imediato, que teremos outro ano de muito calor e de temperaturas acima da média. Mas para além dessas obviedades, um ano regido pelo Sol é um ano para seguirmos nosso coração, com coragem, determinação e alegria; para ousarmos ser nós mesmos, com nossas cores mais verdadeiras, assumindo nossa identidade especial, ao invés de querer ser igual a todo mundo, em lugar de querer nos encaixar nas normas e regras que achatam a tudo e a todos. Um ano regido pelo Sol é um ano de vitalidade, visto que o Sol representa isso na Astrologia e isso ajuda sim, a diminuir a desesperança e o marasmo representados por Saturno-Netuno. É um ano de buscar nos expressar mais criativamente, favorecendo nossa singularidade e aquilo que temos de mais invulgar, portanto, o Sol também sugere que sejamos criativos, que busquemos realizar nossos potenciais verdadeiramente, que paremos de reclamar e de pensar “e se” para pensarmos em “quando”, para nos lançarmos em novos caminhos criativos que nos levem a manifestar nossas melhores qualidades. É um ano para focar em si mesmo e nos próprios objetivos pessoais, cuidando, é claro, de não resvalarmos no egoísmo puro e exacerbado.

Alex Grey - Reprodução
Alex Grey – Reprodução

O Sol, sendo o centro do nosso sistema, simboliza o centro da personalidade, o cerne da nossa consciência. Isso significa que 2016 é um ano para trabalharmos em direção a um aumento da consciência, tanto em termos individuais quanto coletivos. É possível que haja um despertar para nosso papel individual no plano maior das coisas; uma percepção maior de nosso papel de pequenas células no grande tecido da vida e do mundo como ele é. E, alcançando esse nível mais elevado de consciência e afinando-nos com as qualidades mais positivas do Sol talvez sejamos capazes de ser mais generosos. Pesquisas na área da Física Quântica têm demonstrado que sim, cada indivíduo influencia o todo e cada ação individual, por menor que seja, repercute no tecido de todo o sistema, portanto, não podemos nunca duvidar do poder da nossa ação consciente, quando ganhamos consciência, o todo se expande. Sendo o centro do sistema, um ano regido pelo Sol também significa o início de um novo ciclo. Como o Sol rege o signo de Leão, este ano favorece especialmente aos Leoninos.

Saturno e Netuno – O Ogro e o Louco

Muitos dos desafios de 2016 são simbolizados por uma quadratura que fica ativa durante praticamente todo o ano, entre Saturno e Netuno, dois planetas cujo ciclo simboliza grandes mudanças sociais e coletivas, especialmente nos âmbitos político, econômico e espiritual. Esta é uma quadratura minguante, a última de um ciclo que começou em 1989/90, portanto, seus temas reverberam dos acontecimentos que tomavam lugar naqueles anos. Você lembra o que estava acontecendo entre 1989 e 1990 em termos sociais e políticos? E na sua vida pessoal? Saturno representa todos os tipos de estruturas: políticas, econômicas, sociais, espirituais; representa o status quo, a tradição, o conservadorismo, os sistemas estabelecidos; representa  a necessidade de segurança, de ordem, de regras; Saturno representa ainda o princípio da realidade com todos os seus limites e barreiras, entre muitas outras coisas. Já Netuno simboliza a dissolução e fragmentação de tudo aquilo que Saturno defende: uma fragmentação literal e figurativa dos sistemas de poder econômico, político, social, espiritual; a desconstrução de tudo o que está posto, de forma insidiosa e quase imperceptível, mas definitiva e irrevogável.

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Enquanto Saturno representa a realidade, Netuno representa a ilusão e a fantasia, os escapismos vários que usamos para nos evadir da dureza da realidade, como álcool, drogas, religião, vícios em geral, visões fantasiosas; também representam mudanças significativas nas indústrias do cinema, da arte e da música. Assim, quando colocamos os dois juntos, percebemos que este é um ano de muitas desilusões, de nos defrontarmos com as ilusões que criamos ao longo dos últimos 25 anos, as mentiras nas quais resolvemos acreditar porque eram confortáveis. São dois planetas lentos e pesados e quando em aspecto tenso simbolizam um tempo pesado, de desesperança generalizada e depressão coletiva; o levantar dos véus que turvavam a visão da realidade tal qual ela é. Portanto, 2016 é um ano de se encarar a realidade e, se por um lado isso pode sim significar um ano pesado e sombrio, por outro, traz a promessa de vivermos com maior maturidade e responsabilidade, de pararmos de postergar os grandes problemas da humanidade, como as questões ambientais, para tomarmos providencias reais e efetivas no que tange a estes assuntos – é como diz aquela frase famosa, “o bom de se estar desiludido é que você está fora da ilusão e veio para a realidade” (Sri Sri Ravi Shankar). Este ciclo também está ligado à morte de figuras proeminentes nas indústrias do entretenimento, das artes e da música.

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Yuymei – on Deviantart – Reprodução

Outro fator muito importante nesta equação é que Júpiter, que trafega o signo de Virgem de agosto de 2015 a setembro de 2016, estará em oposição ampla a Netuno em Peixes e em quadratura a Saturno em Sagitário por boa parte do ano, formando uma configuração de Cruz Mutável e adensando os temas já mencionados. Os ciclos de Júpiter e Saturno também são muito importantes coletivamente porque falam de mudanças expressivas na economia, períodos de picos ou de declínio econômicos; indicam grandes mudanças nas leis, na administração pública e nos governos em geral. Neste caso, com Júpiter em quadratura a Saturno – e esta também é uma quadratura minguante, de fechamento de ciclo –  seremos confrontados com a expansão irresponsável que temos empreendido nas últimas décadas e a tendência é de retração econômica e de recessão, além de um cenário político bastante conturbado e caótico, devido à influência de Netuno. Sensação geral de grande ressaca, depois de muitos excessos e exageros! Júpiter expande e multiplica tudo o que toca, então podemos prever dois cenários possíveis: negativamente, pode haver um aumento nessa sensação de desilusão e desesperança simbolizados por Saturno-Netuno, porém, por outro lado, Júpiter pode fazer o contraponto e manter acesa a nossa fé e otimismo diante das dificuldades, embora aqui seja necessário cautela para não resvalarmos na tentação de dourar a pílula e fingir que está tudo bem, quando na verdade não está. É preciso ter muita lucidez e pragmatismo para mantermos o equilíbrio emocional, financeiro e mental ao longo de todo o ano, cuidando para nem cairmos no desespero nem na histeria. A partir de setembro Júpiter ingressa em Libra, um signo Cardinal, trazendo maior dinamismo e resoluções, porém, outros desafios representados pelos aspectos que Júpiter fará a Urano e Plutão.

coostuffdirectoryPor falar neles, a quadratura Urano-Plutão que tem estado ativa desde 2010 e que embora não fique mais exata, ainda continua muito próxima em alguns períodos do ano, será ativada pelo trânsito de Júpiter em Libra. Isso sugere que as transformações profundas e radicais ainda estão nas pautas coletiva, social e individual. Esta configuração também simboliza mudanças drásticas em termos globais e sociais, rupturas, crises e necessidade de transformação nos paradigmas vigentes sociais, tecnológicos, políticos e éticos. Mudanças climáticas como consequência da ação humana também estão implicadas aqui.

Paciência, muita paciência

Borzui - Reprodução
Borzui – Reprodução

Marte ficará retrógrado de 17 de abril a 29 de junho, entre os signos de Sagitário e Escorpião, pedindo que tenhamos muita paciência e jogo de cintura neste período, trabalhando a gestão de conflitos e da agressividade. Isso é especialmente válido para os Arianos e Escorpianos, regidos por Marte e também para os Sagitarianos, por onde trafegará este planeta no ciclo retrógrado. Essa retrogradação de Marte é acompanhada pelas retrogradações também de Mercúrio em Touro, de Saturno em Sagitário, de Netuno em Peixes e de Plutão em Capricórnio, portanto, propensão maior a atrasos e entraves no dia a dia – boa parte do céu estará em marcha a ré, tornando este um dos períodos mais críticos do ano! Os outros dois períodos também bastante tensos são as temporadas de eclipses, que ocorrem neste ano nos meses de março e setembro. Falamos dos eclipses mais abaixo.

Ingressão do Sol em Áries

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Ingressão do Sol em Áries – 20 de março de 2016, 01h30min, Brasília-DF

O Sol ingressa em Áries no dia 20 de março, à 01h30min, no horário de Brasília (04h30min no horário de Lisboa). No mapa levantado para o Distrito Federal, algo que chama a atenção imediatamente é Plutão em conjunção ao Ascendente em Capricórnio, em quadratura a Urano, que está em conjunção exata ao fundo do Céu, a base que sustenta a nação. Isso sugere um ano de transformações profundas, inesperadas, radicais, que deverão sacudir não somente as bases deste país, mas também a forma como nos percebemos, nossa identidade como povo. Terremotos políticos, tsunamis econômicos poderão trazer muita instabilidade, mas também poderão trazer muitas verdades à tona, desenterrando defuntos velhos que estavam escondidos, segredos de estado, maracutaias muito bem escamoteadas a emergirem dos escombros, propiciando uma grande limpeza e purificação da alma coletiva. Uma demolição dos modelos vigentes até então para que uma reconstrução possa ocorrer. Essa configuração também traz a oportunidade de assumirmos nossa responsabilidade individual pela grande sombra do país, de percebermos nossos pequenos pecados pessoais como parte essencial da trama do grande tecido que é a alma da nação, a identidade do país. Realmente, este país precisa se reinventar completamente, empoderando-se em sua criatividade e admitindo sua tendência regressiva na busca por salvadores milagreiros; encarando seus podres sem disfarces, mas também sem complexo de vira-latas – só poderemos nos ver de modo mais realista, que é o que pede um Ascendente em Capricórnio, quando admitirmos nossa sombra e igualmente nossa luz.

Desconheço o autor - Reprodução
Desconheço o autor – Reprodução

O regente deste Ascendente, Saturno, está a 16° de Sagitário, como foco de uma T-Square mutável dupla, ao fazer, quadraturas a Júpiter em Virgem de um lado e a Netuno e Quíron em Peixes de outro – configuração da qual já falamos acima. Mais do que nunca é preciso confrontar a realidade, abrir mão das fantasias infantis de que alguém virá nos salvar e colocar o país nos eixos “finalmente”. Não, ninguém virá nos salvar, nós é que precisamos dar o salto de consciência e maturidade política e social de uma vez por todas. Democracias saudáveis pressupõe responsabilidade, civilidade, cidadania e não líderes populistas e demagogos que se arvoram de salvadores da pátria. Saturno, foco dessa configuração, está na casa 11 do mapa, a casa das instituições sociais e políticas, do serviço civil, assim como dos sonhos coletivos de longo prazo, as ambições e ideais do país. Saturno aqui implica, diretamente, a necessidade de reavaliarmos quais são estes sonhos e ideais, de pararmos de fantasiar e passarmos a planejar nossos sonhos, se queremos vê-los realizados. Sim, transformar sonhos em metas com cronogramas e prazos de execução. Júpiter, um dos braços da T-Square está no portal entre as casas 8 e 9, mas voltando para a casa 8, visto que está retrógrado, implicando que nossa expansão e crescimento passa, necessariamente, por encararmos nossos equívocos legislativos, por revermos nossas leis, muitas delas bonitas mas inefetivas e ineficazes e por reavaliarmos leis que nunca saem do papel e que só servem para causar suspiros de frustração. Netuno, o outro braço da T-Square, está no fim da casa 2, conjunto a Vênus, sugerindo cautela e cuidado na gestão dos bens, commodities e valores em geral do país – isto também vale para o plano individual de quem mora no Brasil. Há grande risco de termos nosso patrimônio vendido a preço de banana de novo, porque “o que é meu é nosso”, mas o problema é que para o outro, o que é dele é só dele mesmo. Risco também de nos endividarmos mais ainda, individual e coletivamente, levados por fantasias e ilusões de que “as coisas vão melhorar”, o que usamos de forma irresponsável para justificar gastos e desmandos, especialmente porque Vênus e Netuno estão ambos em oposição a Júpiter na casa 8, a casa dos empréstimos, a casa do “dinheiro dos outros”, avisando que este NÃO é um ano favorável para se contrair empréstimos, nem em nível individual – a não ser que o mapa pessoal do sujeito diga o contrário – nem em termos de nação, portanto, não é uma boa hora para passar o chapéu e pedir ajuda porque o custo lá na frente pode ser alto demais  – por isso, cuidado, muito cuidado! Quem se vir obrigado a contrair empréstimos ou dívidas, faz bem em ler todas as minúncias e letras pequenas dos contratos assinados. É preciso muita sobriedade, muito pé no chão para se conseguir algum crescimento. Em suma, enquanto não despertarmos para o que somos como país, para nossos problemas reais e para nosso quinhão de responsabilidade pessoal nisso tudo, não transformaremos nada, continuaremos a chapinhar no lamaçal de relamações contra políticos, instituições, governos, partidos, impostos, etc. Em vão.

Christopher Ulrich - Reprodução
Christopher Ulrich – Reprodução

Este mapa tem uma formação de Locomotiva, liderada pela Lua em Leão. O povo é soberano e é a mola e o motor da mudança. É o povo que vai determinar o ritmo da transformação e precisará achar maneiras de inovar, de transformar, de progredir, de implementar o novo, sem destruir aquilo que ainda serve, que ainda é útil, que ainda funciona – aliás, um dos grande problemas dos governos no Brasil é desmantelar os programas do governo anterior, independentemente de terem funcionado ou não. Temos a oportunidade de agregar e conciliar o velho e o novo, visto que a Lua forma um Grande Trígono de Fogo com Saturno em Sagitário (o Velho) e Urano em Áries (O Novo). Mortalidade feminina e especialmente relacionada à reprodução será assunto de destaque neste ano, uma vez que a casa 8 rege a morte e a Lua rege as mulheres, além de reger o povo. É possível que haja aumento nas estatísticas de morte feminina, inclusive por problemas cardíacos – mulheres, cuidem-se!

Saturno ganha mais destaque ainda por estar no Ponto Médio (orbe de 4°44’ graus) entre o Sol (o país e seu presidente) e a Lua (o povo), indicando que todos precisamos ser realistas, povo e governo e que é preciso chegarmos a um consenso a respeito do que é possível e do que não é, com honestidade e lisura. Tanto o povo (Lua) quanto a presidente (o Sol) precisam ser realistas, responsáveis, corretos, disciplinados e maduros quanto aos ideais e sua consequente concretização. É isso ou o povo vai para um lado e o país para outro – caos generalizado.

Pawel Kuczynski - Reprodução
Pawel Kuczynski – Reprodução

O Sol, ponto central deste mapa – afinal é o mapa da  sua ingressão – está na casa 3, a casa das comunicações e telecomunicações, correios, do comércio, dos transportes, das estradas e rodovias, escolas, educação, liberdade de expressão, pronunciamentos oficiais e países vizinhos. Este Sol está um tanto isolado e faz apenas um trígono aplicativo a Marte em Sagitário, na casa 11 enquanto aguarda a conjunção de Mercúrio, que ainda está em Peixes. Isso sugere uma continuidade na dificuldade de comunicação entre a Presidente e seu povo. Ela consegue dialogar com alguns setores do governo, mas de modo geral segue bastante isolada. A imprensa continua tendo papel fundamental na ordem do dia, ditando o que é e o que não  é importante, talvez brilhando mais que a própria presidente. De toda forma, as comunicações e a educação ganham papel de destaque neste ano, assim como a importância da eficiência logística (rodovias, ferrovias, vias marítimas e aéreas) para o crescimento da economia e aqui há dois cenários possíveis: reestruturação da malha logística e do sistema educacional ou surgimento de greves diversas nestes setores mencionados. Contudo, mais uma vez Mercúrio está em Peixes, enquadrado por Quíron e pelo Sol. Mercúrio em Peixes é geralmente confuso na comunicação e tende a confundir alhos com bugalhos, somando-se à presença de Quíron, temos mais um ano em que a imprensa e a mídia deitam e rolam contando e divulgando apenas o que é do seu interesse – em muitas situações, contando mentiras deslavadas, com o intuito primeiro de confundir e enganar a opinião pública. Tsunamis de informações inúteis que desinformam ao invés de informar – um verdadeiro desserviço ao público.

Eclipses

Eclipses de Março

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O eixo nodal trafega de trás para frente e atualmente transita a polaridade Virgem (Nodo Norte) e Peixes (Nodo Sul). Assim, os eclipses neste ano caem primordialmente neste eixo de signos, com um eclipse lunar acontecendo ainda em Libra, o eixo anterior. Anualmente temos duas temporadas de eclipses. A primeira temporada neste ano é inaugurada por um Eclipse Total do Sol acontecendo a 18°56’ de Peixes, às 23h54min do dia oito de março (01h56min do dia nove no horário de Lisboa). Os eclipses não são eventos isolados. Eles pertencem a famílias, chamadas Séries Saros, que compreendem mais de 70 eventos, durando muitos séculos, milhares de anos. Estas famílias têm sua dinâmica própria e têm um mapa natal, o mapa do primeiro eclipse da família em questão, a partir do qual interpretamos quais os temas centrais de cada série. Eu escrevi um artigo bastante extenso e exclusivo sobre a dinâmica e a natureza dos eclipses. Você pode ler este artigo aqui. Este eclipse de oito de março pertence à Série Saros 130, uma família que começou em 20 de agosto de 1096 e, de acordo com a Dra. Bernadette Brady, astróloga inglesa estudiosa de eclipses, esta série fala de finalizações, conclusões e separações. Indivíduos com planetas entre os graus 13 e 24 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentirão mais fortemente estas influências. No mapa do eclipse atual, Sol e Lua estão em conjunção próxima a Quíron em Peixes, em oposição a Júpiter em Virgem e quadratura a Saturno, apontando muitas desilusões e verdades duras e difíceis de serem digeridas, mas ao mesmo o potencial de nos curarmos da tendência ao auto-engano. Este eclipse cai em oposição ao Ponto Médio entre o Sol e o Mercúrio natais do mapa da independência do Brasil, na casa 7, implicando possíveis imbróglios diplomáticos ou saias justas delicadas, que exigirão muita cautela na condução de sua elucidação. Caindo em oposição ao Sol natal do mapa do Brasil, tem implicâncias diretas sobre a presidente. O Sol é eclipsado, indicando diminuição de sua potência, vitalidade e visibilidade, em outras palavras, um possível enfraquecimento. Este eclipse não será visível no Brasil, apenas em partes da Austrália e Sudoeste da Ásia.

Tim Lukerman
Tim Lukerman

O Eclipse Total do Sol é seguido de um Eclipse Penumbral da Lua a 03°17’ de Libra, no dia 23 de março, que pertence à Série Saros 142, iniciada em 19 de setembro de 1709. Neste mapa do primeiro eclipse, ocorrido em 1709, a Lua Cheia faz quincunces a uma conjunção Urano-Plutão em Leão, sugerindo grande instabilidade e insegurança causada por inquietude social e mudanças coletivas. Há também uma conjunção Sol-Mercúrio, com Mercúrio fazendo quincunce exato a Netuno em Áries, indicando problemas na comunicação, engôdos e incertezas. No mesmo mapa Vênus e Marte estão em conjunção em Libra, em oposição a Netuno e todos em quadratura a Quíron em Capricórnio: incertezas e instabilidade também na economia. Pessoas com planetas entre os graus zero e 8 dos signos Cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) sentem mais intensamente as influências deste eclipse lunar, que será visível apenas no Pacífico, em partes da Ásia e no Oeste das Américas.

Eclipses de setembro

ULC by yd84 - Reprodução
ULC by yd84 – Reprodução

A segunda temporada de eclipses do ano começa com o Eclipse Anular do Sol em 1° de setembro, a 09°21’ de Virgem. Este eclipse vem novamente ativar a quadratura Saturno-Netuno, pois ocorre em oposição de pouco mais de um grau a Netuno e os três, Sol, Lua e Netuno em quadratura a Saturno a 10 de Sagitário, com a adição de Marte em conjunção a Saturno, ambos focos da T-Square. Mais enfrentamentos duros da realidade, com desdobramentos políticos, civis, econômicos e também religiosos. A Dra. Brady, falando sobre esta Série de eclipses fala exatamente sobre isso, que “esta série trata de realismo, de botar os pés na terra. O indivíduo se torna consciente de uma situação antiga, percebendo-a como ela de fato é, em oposição ao que ele achava que era previamente.  Pode ser um período construtivo de encarar e lidar com a realidade”. Este é o potencial, se é difícil e amargo este remédio, ele contudo traz a cura: o fim das ilusões. Este eclipse cai mais uma vez no eixo das casas 1/7 do mapa natal do Brasil, com Saturno na casa 10, indicando que nossa imagem no mundo lá fora também pode ficar meio arranhada, o mundo vendo quem realmente somos, tanto para o pior quanto para o melhor. Pessoas com planetas natais entre os graus 04 e 14 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentem mais intensamente a potência deste eclipse, que será visível em partes da África, especialmente África Central e no Oceano Índico.

Kris Kuksi - Reprodução
Kris Kuksi – Reprodução

No dia 16 de setembro temos o último eclipse do ano, um Eclipse Penumbral da Lua, ocorrendo a 24°20’ de Peixes. Diferentemente dos anteriores, este eclipse não envolve Saturno-Netuno, apesar de ocorrer em Peixes. Mas forma uma T-Square, da qual Marte é novamente o foco, a 23 de Sagitário. Isso indica que questões legais, legislativas e espirituais serão o foco do período – manifestações apaixonadas de fé, fanatismo religioso, com verdadeiros “cruzados” modernos saindo às ruas dispostos a atos violentos para defender sua fé e isso é algo que vale para todo o mundo, não somente para o Brasil – aliás, as implicações dos eclipses são globais e o que vale para o Brasil é apenas a interpretação dos aspectos que faz aos planetas natais do mapa do país. Por falar nisso, o eclipse cai em oposição exata ao Mercúrio natal do Brasil, implicando novamente questões delicadas nas comunicações e na diplomacia. Antagonismos, beligerâncias, vitimismos e até mesmo explosões de violência são passíveis de acontecer. Este eclipse pertence à Série Saros 147, iniciada a dois de julho de 1890. No mapa de início da Série 147, Sol e Lua formam um dueto, quer dizer, só interagem um com outro e não conversam com mais ninguém no mapa, indicando extremismo e tendência a se perceber as coisas sob pontos de vistas unilaterais, o que dificulta a conciliação e as negociações. O eclipse será visível no Leste da África e da Europa, em toda a Ásia e parte da Austrália. Será parcialmente visível na costa do Sudeste e do Nordeste do Brasil.

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Então, já me perguntaram, afinal, 2016 está pior ou melhor do 2015? Eu diria nem pior e nem melhor, está diferente. 2014 e 2015 foram anos mais dinâmicos, dinamismo esse simbolizado pela quadratura Urano-Plutão em Áries e Capricórnio, dois signos cardinais, de ação e resolução. Então foram dois anos de muitas crises, mas também de decisões, de ação e de desenvoltura. Já 2016 é um ano de uma quadratura Saturno-Netuno, que traz sensação de confusão, falta de direção, falta de foco e muita letargia e apatia, então, pode ser sentido como mais difícil e mais pesado, porque temos a sensação de que tudo é muito lento e cansativo e temos dificuldade de divisar os resultados, que só ficarão mais claros bem mais à frente. Por outro lado, o fato de a quadratura Urano-Plutão já estar se desfazendo, diminui a pressão e a intensidade das coisas.

Concluindo, 2016 tende a ser um ano pesado, mas que traz muitas oportunidades de amadurecermos como pessoas, como nação e como espécie habitante deste planeta – o planeta certamente se fará ouvir de forma estridente. Ao mesmo tempo em que há este clima de desesperança, confusão e perda de rumo, também há a chance de vivermos de forma mais coerente com nossos recursos, mais alinhados com nossa fé – perseverar na fé é um desafio. Chamados seremos a separar o joio do trigo e a fantasia de sonho e a empreender os esforços necessários para tornar estes últimos realidade. Sem oba-oba, com os pés bem firmes no chão.  É um ano de ganharmos mais consciência, de nos responsabilizarmos por tudo o que emanamos no mundo, pelas nossas atitudes concretas e também pela nossa vibração, que certamente faz toda a diferença. É tempo de agirmos mais criativamente, a partir do coração e do centro da nossa coragem!

Quer saber quais os desafios e oportunidades de 2016 para você, especificamente? Agende uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com

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Saatchiart – Reprodução

Abaixo segue um calendário com os eventos astrológicos mais importantes de 2016:

Datas e ciclos importantes:

Janeiro, 5 a 26 – Mercúrio retrógrado de 01° de Aquário a 14° de Capricórnio

Janeiro – todo o mês – conjunção de Júpiter ao Nodo Norte da Lua em Virgem

Fevereiro, 23 – Júpiter retrógrado em Virgem faz oposição a Quíron em Peixes

Março, 6 – Júpiter Rx em quincunce a Urano

Março, 8 – Eclipse total do Sol a 18° de Peixes

Março, 16 – Júpiter Retrógrado em trígono a Plutão

Março, 20 – Ingressão do sol em Áries – Equinócio do Outono no Hemisfério Sul e da Primavera no Hemisfério Norte – Ano Novo Astrológico

Março, 23 – Eclipse Penumbral da Lua a 03° de Libra

Março, 23 – Júpiter Rx faz quadratura exata a Saturno

Março, 25 – Saturno entra em retrogradação

Abril, 17 – Marte entra em retrogradação a 8° de Sagitário

Abril, 18 – Plutão entra em retrogradação a 17° de Capricórnio

Abril, 28 – Mercúrio entra em retrogradação a 23° de Touro – Haja paciência! Messsssmo!

Maio, 9 – Júpiter retorna ao movimento direto a  13°15 de Virgem

Maio, 22 – Mercúrio retornar ao movimento direto a 14° de Touro

Maio, 26 – Júpiter, direto, faz quadratura exata a Saturno

Junho, 13 – Netuno entra em movimento retrógrado

Junho, 18 – Saturno, retrógrado, faz quadratura exata a Netuno

Junho, 20 – Ingressão do sol em Câncer – Solstício de Inverso no Hemisfério Sul e de Verão no Norte

Junho, 26 – Júpiter, direto, faz trígono exato a Plutão

Junho, 29 – Marte volta ao movimento direto a 23° de Escorpião

Julho, 29 – Urano entra em movimento retrógrado a 24° de Áries

Agosto, 12 – Júpiter, direto, faz oposição a Quíron

Agosto, 13 – Júpiter faz quincunce exato a Urano

Agosto, 13 – Saturno retorna ao movimento direto a 09° de Sagitário – o primeiro decanato de Sagitário está livre de Saturno a partir de outubro

Agosto, 30 – Mercúrio entra em retrogradação a 29° de Virgem

Setembro, 1° – Eclipse Anular do Sol a 09° de Virgem

Setembro, 09 – Júpiter ingressa em Libra, às 08h19min no horário de Brasília

Setembro, 10 – Terceira e última quadratura exata de Saturno a Netuno

Setembro, 16 – Eclipse Penumbral da Lua a 24° de Peixes

Setembro, 22 – Mercúrio volta ao movimento direto a 14° de Virgem – em cima do Sol Natal do Brasil

Setembro, 22 – Ingressão do Sol em Libra – Equinócio da Primavera no Hemisfério Sul e do Outono no Hemisfério Norte

Setembro, 26 – Plutão retornar ao movimento direto a 14° de Capricórnio

Outubro, 23 – Júpiter em Libra faz quincunce a Netuno em Peixes

Novembro, 10 – Saturno faz semi-sextil a Plutão

Novembro, 20 – Netuno retorna ao movimento direto a 14° de Peixes

Novembro, 24 – Júpiter em Libra faz quadratura exata a Plutão

Dezembro, 19 – Mercúrio entra em retrogradação a 15° de Capricórnio

Dezembro, 21 – O Sol ingressa em Capricórnio – Solstício de Verão no Hemisfério Sul e de Inverno no Hemisfério Norte

Dezembro, 25 – Saturno faz trígono exato a Urano

Dezembro, 26 – Júpiter faz oposição a Urano

Dezembro, 29 – Urano retorna ao movimento direto.

Da natureza, ciclos e efeitos dos eclipses

Birth chart paiting lunar eclipse
Birth Chart Painting – Eclipse Lunar – Reprodução

Na antiguidade os eclipses eram vistos com muito pavor. Acreditava-se que os astros, no caso, o Sol e a Lua, eram devorados por um monstro terrível, ou ainda que  eram vítimas de um malefício misterioso que os levaria à morte, do qual seriam libertados apenas por muito barulho, especialmente quando a Lua adquiria a tonalidade vermelha, o que se acreditava ser seu sangue jorrando. Assim, sociedades primitivas de vários lugares do planeta organizavam as algazarras ou alaridos. A finalidade era assustar o monstro devorador pra obrigá-lo a largar sua presa. De modo geral, os eclipses costumavam ser responsabilizados por epidemias, doenças e toda a sorte de maldições, até mesmo casos de incesto. O certo era que esperavam-se pragas e moléstias diversas na esteira de um eclipse (1).

Mas imagine um Eclipse Total do Sol: o dia de repente vira noite, a temperatura cai drasticamente, os animais se recolhem como se de fato fosse noite… Se parece bizarro e assombroso para nós, que já temos tanto conhecimento a respeito do fenômeno, imagine para os povos antigos que não sabiam o que estava acontecendo de fato. Era realmente assustador, pavoroso. Há relatos, inclusive, de eclipses terem parado guerras, pois ambos os exércitos em pleno campo de batalha não sabiam o que se passava na natureza e podem ter visto o fenômeno como um sinal dos céus para pararem o conflito.

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Eclipse Lunar – Ilustração medieval Desconheço o autor – Reprodução

 

Hoje, o homem moderno já não teme que o sol vá ser engolido por um demônio ou acometido de algo maligno. Ficamos mais inteligentes, mais sabidos e rimo-nos das “bobagens” dos povos primitivos de outrora. Uma pena. Uma pena que perdemos a capacidade de nos maravilharmos com esses acontecimentos que hoje são explicados cientificamente. A aparente bobagem e crendice dos antigos escondia uma certa sabedoria, aquela que se alcança quando se viveu o bastante para observar muitas vezes os ciclos da vida e da natureza. Sabidos que somos não podemos dizer que os eclipses “causam” o que quer que seja ao homem aqui na terra, mas astrologicamente eclipses simbolizam momentos únicos e especiais, funcionando como gatilhos que disparam ou precipitam situações que vinham sendo evitadas ou cozinhadas em fogo lento, especialmente em termos coletivos, como situações políticas e econômicas, ou mesmo simbolizando o desenvolvimento de áreas do conhecimento humano – sim, os eclipses também podem significar e simbolizar coisas boas!

eclipse milky way
Nasa – Reprodução

 

Mas o que são eclipses?

Tecnicamente um eclipse acontece quando um corpo celeste é ocultado por outro. Assim eclipses podem envolver corpos celestes diversos, mas aqui vamos falar especificamente dos eclipses solares e lunares, que são os que têm mais impacto na Terra e que são objeto de estudo na Astrologia. Neste contexto, Eclipses são lunações elevadas à máxima potência, uma vez que ocorrem na Lua Nova ou na Lua Cheia.

Neste artigo vamos falar sobre as dinâmicas dos eclipses e seus significados astrológicos, mas antes, vamos  entender a astronomia dos eclipses. AVISO: este artigo é bastante extenso e técnico na sua primeira metade. Se você você está interessado apenas nos significados astrológicos, vá direto para o meio, embora eu ache que você vai perder muito da informação essencial. Se você realmente gosta de Astrologia e eclipses e gostaria de entender melhor sua dinâmica, aproveite! Este artigo é largamente baseado na pesquisa sobre eclipses da Dra. Bernadette Brady, astróloga inglesa, publicado em seu livro The Eagle and the Lark. (2)

Um eclipse ocorre quando a Lua Nova ou Cheia acontece próxima ao eixo dos nodos lunares, que são pontos matemáticos ou imaginários, os pontos onde a órbita da Lua ao redor da Terra cruza com a eclíptica, o caminho aparente do Sol, ou seja, a órbita da Terra ao redor do Sol. A Eclíptica recebe esse nome exatamente porque os eclipses ocorrem quando a Lua está muito próxima do plano que contém a eclíptica.

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Ilustração esquemática dos Nodos – Reprodução

Os nodos, nódulos ou nós lunares são dois, Norte e Sul e formam um eixo porque estão exatamente opostos – na verdade, todos os planetas têm nodos, os pontos onde o planeta cruza o plano estendido da órbita de outro planeta, mas aqui o que nos interessa é apenas os nodos da Lua. O símbolo do Nodo Norte parece uma ferradura e o do Nodo Sul lembra uma ferradura invertida. Eles têm sido observados pelos astrônomos há muitos séculos, desde quando as observações astronômicas começaram no mundo, porque sempre que o Sol fica próximo a eles no seu caminho aparente ao redor da Terra, as lunações também são eclipses.

O Nodo Norte é o ponto onde a Lua cruza a eclíptica ascendendo do Sul para o Norte, e o Nodo Sul é o ponto inverso, quando a Lua descende do Norte para o Sul. Se o plano da eclíptica fosse exatamente igual ao plano da órbita da Lua, teríamos eclipses em todas as luas novas e em todas as luas cheias. Isso não acontece devido à inclinação da órbita da Lua em relação à eclíptica, que é de cerca de cinco graus e é por isso que um eclipse pode se dar somente quando a Lua nova ou cheia acontece próxima ao eixo nodal, estando o Sol ou a Lua, ou ambos, conjuntos ao Nodo Norte ou Nodo Sul.

Etimologia

A palavra “eclipse” vem do grego  EKLEIPSIS  (έκλειψη), que significa desaparecer, ocultar, abandonar, sair de um lugar, aquilo que falta. Sua etimologia já aponta para a forte impressão emocional que causa, pois estas palavras têm significado marcantes em todas as culturas.

Tipos de eclipses

Os eclipses podem ser solares, quando acontecem na Lua Nova; ou lunares, quando acontecem na Lua Cheia, tendo a partir dessa classificação inicial outras classificações que veremos abaixo.

“Embora o diâmetro do Sol seja 400 vezes maior do que o da Lua, a Lua parece ter o mesmo tamanho do Sol quando vista da Terra, devido ao fato de estar a uma distância menor da Terra. Portanto, a Lua tem o potencial de bloquear a luz do Sol quando passa sobre a sua face” (3)  – o fato de eles parecerem ter o mesmo tamanho é bastante significativo simbolicamente, porque nos alerta o quanto ambos são igualmente importantes para a vida na terra e para a vida psíquica do ser humano.

 

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Mecânica dos Eclipses Solares e Lunares – Fsogumo, do Wikipedia – Reprodução

 

Um Eclipse Solar só pode ocorrer durante uma Lua Nova, quando a Lua e o Sol estão em conjunção e próximos a um dos nodos, ou seja, quando ambos se alinham ao centro da Terra em longitude e latitude celestiais. Obviamente, os eclipses solares são visíveis na região do globo em que eles acontecem durante o dia – não necessariamente em toda a região onde é dia – enquanto os eclipses lunares podem ser avistados nas regiões onde o eclipse acontece no período noturno. Christine Arens (5), astróloga americana e grande pesquisadora de eclipses, diz que os efeitos de um eclipse serão sentidos mais intensamente, tanto em termos coletivos quanto individuais, nos locais em que ele é visível. “Se você pode ver, você será afetado”, diz ela. Isso se aplica particularmente aos países em que o eclipse é visível. Ela vai além e diz ainda que “num eclipse há uma tal intensificação da energia que todo ser que possua um campo bioenergético é afetado” – então, estamos falando também de animal e vegetal, e possivelmente, mineral. 

A magnitude de um eclipse depende da distância dos luminares em relação à Terra e consequentemente, em relação aos nodos. Como a distância da Lua em relação à Terra não é constante e varia em torno de 10%, a sombra da Lua, ou “umbra” nem sempre alcança a superfície da Terra e esse fato dá origem aos vários tipos de eclipses solares:

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Daniel Lynch – Eclipse Total do Sol 29/03/2006 visto da Líbia Reprodução

 

Eclipse Total do Sol – A Lua fica entre a Terra e o Sol. Ocorre quando a Lua está em seu perigeu, ou seja , a menor distância da Terra e parecendo maior do ponto de vista geocêntrico. Neste caso, ela pode cobrir completamente o disco solar, bloqueando totalmente sua Luz e causando um Eclipse Total do Sol. Se a Lua Nova ocorrer a uma distância entre 0° e 9°55’ (nove graus e cinquenta e cinco minutos) de um dos nodos, definitivamente isso será um eclipse total; se ocorrer entre 9°55’ e 11°15’ de distancia de um dos nodos, o eclipse poderá ser total ou parcial.

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Eclipse Parcial do Sol – Pekka Nikula – Reprodução

 

Eclipse Parcial do Sol – como diz o nome, neste tipo de eclipse, somente uma parte do Sol é bloqueada pela Lua. Isso se dá quando o cone de sombra da Lua produz uma área menor do que o disco do Sol ou quando apenas a zona de penumbra encobre a luz do Sol sobre a Terra. Os eclipses parciais do Sol ocorrem entre 11°15 e 18°21 graus de distância dos nodos. Um eclipse acontecendo entre 9°55’ e 11°15’ de distância dos nodos poderá ser parcial ou total.

 

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Eclipse Anular do Sol – Simon Christen – Reprodução

 

Eclipse Anular ou Anelar do Sol – este eclipse acontece quando a Lua está em seu apogeu, a maior distância em relação à Terra. No apogeu a Lua parece menor do ponto de vista geocêntrico e neste caso, seu disco não consegue bloquear ou cobrir completamente o disco do Sol, deixando um anel luminoso ao redor de si, que poderá parecer um anel de fogo. Com relação à distância dos nodos, este eclipse é um eclipse total, porque ocorre muito próximo do eixo nodal e é chamado anelar ou anular devido ao apogeu da Lua e à aparência de anel criada em função disso.

Eclipse Híbrido ou Anular-Total – o eclipse é total em uma parte do globo e anular em outros pontos.

 

 

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Mecânica do Eclipse Lunar – Fsogumo – Wikimedia Reprodução

 

Eclipses Lunares

O eclipse lunar se dá durante uma Lua Cheia, quando a Lua está na sombra da Terra, em oposição ao Sol, ou seja a Terra está entre os dois luminares. Os eclipses lunares também podem ser de vários tipos, mas as orbes (distâncias) em relação aos nodos são muito menores. Sua classificação é feita de acordo com a parte da Lua que é obscurecida pela Terra e qual parte desta sombra terrestre está obscurecendo a Lua. A sombra projetada pela Terra é dividida entre umbra e penumbra. Na umbra não há iluminação direta do Sol, enquanto que na penumbra, apenas uma parte da luz solar é bloqueada.

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Eclipse Lunar Total – Desconheço o autor Reprodução

 

Eclipse Total da Lua – neste eclipse a Lua está totalmente inserida na umbra (sombra) da Terra. Costuma ocorrer entre 0° e 3°45’ de distância dos nodos. Se uma Lua Cheia acontece entre 3°45’ e 6° pode ser um eclipse total ou parcial da Lua.

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Eclipse Total da Lua ou Lua de Sangue Desconheço o Autor – Reprodução

 

Eclipse Parcial da Lua – Como o nome diz, ocorre quando o reflexo da luz solar sobre a Lua é encoberto parcialmente pela sombra da Terra, ou seja, A Lua entra na sombra da Terra sem ficar totalmente imersa nela. A distância que Sol e Lua estão dos nodos pode variar de 6° a 12°15’.

Eclipse Apulse ou Penumbral – a Lua entra somente na penumbra da Terra e não na umbra/sombra, a parte mais escura, ou seja, o alinhamento não é perfeito. Este eclipse acontece quando Sol e Lua estão a mais de 12 graus de distância dos nodos.

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Representação gráfica dos vários tipos de eclipses lunares. Posição 1 – não há eclipse; posição 2 mostra um eclipse penumbral; 3 mostra um eclipse parcial; e 4 mostra um eclipse total – Fsogumo, através do wikimedia files – Reprodução

 

Tétrade – sequencia de quatro eclipses totais da Lua. Temos atualmente uma Tétrade em andamento (entre 2014 e 2015). O primeiro eclipse desta tétrade específica foi o de 15 de abril de 2014, o segundo foi em 08 de outubro de 2014, o terceiro ocorreu em 04 de abril de 2015 e o quarto e último ocorrerá no dia 28 de setembro de 2015 (29 de setembro na Europa), todos eles no eixo Áries-Libra, o que reflete a ênfase que este eixo está tendo com o trânsito dos Nodos Lunares de fevereiro de 2014 a novembro de 2015. A Tétrade geralmente traz eclipses das chamadas “Luas de Sangue”, por causa da coloração vermelha que a Lua adquire durante o eclipse. Embora sejam vistos como nefastos pelos sensacionalistas de plantão, os efeitos do eclipse, como já estressamos bastante, dependerão de muitas variáveis, sendo que muitos eclipses podem ter efeitos bastante positivos.

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Esta ilustração da UFRGS mostra com mais clareza a diferença entre os diversos tipos de Eclipses Lunares Reprodução

 

As Séries Saros e a frequência dos eclipses

Já sabemos que para um eclipse ocorrer é preciso que Sol e Lua estejam próximos ao eixo nodal. A Lua, em seu ciclo de 29,5 dias passa por este eixo duas vezes por mês, fazendo conjunção ou ao Nodo Norte ou ao Nodo Sul. Contudo, mais do que isso, sabemos que as fases da Lua acontecem em relação ao Sol, portanto, o Sol é o determinante para que tenhamos um eclipse. Assim, em sua caminhada pela eclíptica celeste, o Sol faz conjunção ao eixo nodal duas vezes ao ano, cruzando uma vez com o Nodo Norte e seis meses depois com o Nodo Sul – ou vice-versa – determinando que tenhamos duas temporadas anuais de eclipses todos os anos. O Sol leva aproximadamente 36 dias para viajar sobre o eixo nodal, 18 dias se aproximando e 18 dias se separando, então a extensão da temporada de eclipses é de cerca de 36 dias. Qualquer Lua Nova ou Cheia que aconteça durante este período, isto é, dentro da orbe de 18°21′ de distância dos nodos, será, necessariamente, um eclipse. Bernadette Brady, astróloga inglesa já mencionada acima, lembra que estas temporadas de eclipses não são fixadas num determinado período do ano, uma vez que o eixo nodal trafega ao longo do Zodíaco, em movimento retrógrado, cerca de um grau e meio por mês, levando em torno de 19 meses para transitar um signo inteiro. Assim, por cerca de 19 meses, ou três temporadas, os eclipses acontecerão no mesmo eixo de signos, por exemplo, Áries-Libra, como está ocorrendo agora – e de casas no mapa natal – intercalando com o eixo anterior por uma ou duas temporadas, até que o eixo tenha migrado completamente, como o eixo Virgem-Peixes, para o qual os nodos migrarão em novembro próximo – lembre-se os eixos viajam para trás, em movimento retrógrado!

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Ilustração antiga de um eclipse do Sol Autor desconhecido – Reprodução

 

Muitos astrólogos consideram os eclipses – e os períodos anteriores e posteriores a eles – como simplesmente caóticos e selvagens, atribuindo-lhes, no geral, qualidades nefastas e maléficas, mas isso não necessariamente é verdade. Isso porque a qualidade da família a que o eclipse pertence tem grande influência na forma como ele se manifesta. Sim, os eclipses pertencem a famílias, ou, melhor dizendo, a séries, as chamadas Séries Saros. A palavra “Saros” significa repetição ou a ser repetido e este nome foi dado  pelo lexicógrafo grego Suida, já no século X DC, muito depois de terem sido descobertas.

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Projeção da sombra (umbra) da Terra dá origem aos eclipses lunares na Lua Cheia – Desconheço o autor – Reprodução

 

Os babilônios tinham uma sabedoria e tecnologia estupendas. Num período em que se pensava que a Terra era achatada, eles descobriram dados e fatos super importantes a respeito dos eclipses, que são válidos até hoje. Eles descobriram, por exemplo, que “um eclipse lunar só poderia ocorrer se houvesse um eclipse solar e que eclipses lunares poderiam ou não acontecer dentro de duas semanas, ou antes ou depois do eclipse solar” (3), portanto, matematicamente, o eclipse solar é o determinante para os ciclos e os eclipses lunares seriam efeitos colaterais dos solares. Como os eclipses lunares eram muito mais óbvios, este passo foi realmente importante no estudo dos eclipses.

 

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Mosaico das fases de um Eclipse Total da Lua, uma Lua de Sangue – John Ashley, em Kila, Montana, USA Reprodução

 

Portanto, os eclipses não ocorrem isoladamente, mas pertencem a séries, a padrões maiores que podem durar  mais de mil anos, com começo, meio e fim. “Durante o segundo milênio AC, aproximadamente 747 AC, os Babilônios descobriram que o mesmo tipo de eclipse ocorrerá a cada 18 anos, 11 dias e um terço, mas não necessariamente no mesmo lugar, ou seja, eles descobriram que os eclipses acontecem em séries. O mesmo padrão ocorrerá com Eclipses Anulares, parciais ou Totais. A cada 71 ciclos Saros o eclipse voltará ao mesmo lugar da eclíptica” (3).  Por exemplo:

25 fev 1952       Eclipse Total do Sol  a  4°43’   Peixes

7 mar 1970       Eclipse Total do Sol  a  16°44′ Peixes

18 mar 1988    Eclipse Total do Sol  a   27°42 Peixes

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Projeção do desdobramento de um Eclipse Total da Lua – Reprodução

 

Brady sugere esta analogia:“Imagine todo o conceito como uma floresta. Cada Série Saros é uma árvore na floresta e cada eclipse individual é uma folha da árvore (…) Cada ciclo ou Série Saros se desenvolve por mais de mil anos, fazendo o estudo de uma série individual equivaler a sentar e assistir a uma grande árvore crescer”, diz Brady. Essa árvore certamente está envolvida em várias atividades que não somos capazes de perceber, e, porque nosso período de obervação é muito curto comparado à vida da árvore,  tais atividades pareceriam eventos completamente casuais ou desconectados, acrescenta ela. Entretanto, se fôssemos capazes de observar por mais de mil anos, perceberíamos o padrão se desenvolvendo vagarosamente ao longo de todo esse tempo. Ou ainda, “se entendêssemos a natureza da árvore, sua espécie e suas características, o ‘evento casual’ faria muito mais sentido sem que precisássemos ficar sentados esperando por tanto tempo”.

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Ilustração do desenvolvimento de uma Série Saros ao longo do globo terrestre – Do site do Sinarj – Reprodução

Falando mais claramente, cada série começa como um minúsculo eclipse parcial num pólo do globo terrestre, seja no Pólo Sul ou Pólo Norte. O eclipse inicial de uma série ocorre a cerca de 15 ou 18 graus de distância dos nodos. Ao longo dos anos e séculos, esta série vai “viajando” para o centro do globo e em direção à eclíptica, reduzindo cada vez mais a orbe ou distancia dos nodos, até que quando atingem a eclíptica em cheio, os eclipses ocorrem na versão “Total”. Esse movimento dura centenas de anos e leva cerca de 640 anos para que um eclipse de uma série aconteça em conjunção exata ao eixo nodal, indo, aos poucos se distanciando e fazendo o movimento inverso, tornando-se parciais de novo, até que a série finalize no Pólo oposto ao que começou, com um eclipse acontecendo aproximadamente a 18 graus atrás do eixo nodal. Percebem como os babilônios “mandavam muito bem” ao descobrir tudo isso já naquela época, sem nada da tecnologia moderna que temos hoje?

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Tim Lukerman – Reprodução

 

Geralmente há várias séries acontecendo simultaneamente, começando no mesmo pólo, de 19 a 21 delas, cada uma num momento diferente da vida da série. Somando-se a isso, há outras 19 ou 21 séries que iniciaram-se no pólo oposto do globo, assim a qualquer momento que se imagine, existem cerca de 42 séries ativas viajando pelo globo, metade indo de Norte a Sul e metade viajando na direção contrária. A Nasa dá números para distinguir cada série (4). A Dra. Brady utiliza a nomenclatura dada pelo astrólogo canadense Carl Jansky, cujos estudos e nomenclatura são anteriores ao site da Nasa, onde podemos pesquisar extensivamente todos os eclipses, sejam os vigentes, os do passado ou os do futuro. Assim, a Nasa utiliza uma nomenclatura numérica simples e Jansky, em cujos estudos Brady se baseia para aprofundar suas próprias pesquisas, utiliza outra terminologia, incluindo uma referência ao pólo onde a série começou. Para dar um exemplo, o eclipse do dia 13 de setembro de 2015, pertence à série 125 de acordo com a nomenclatura da Nasa. Já Jansky e Brady dizem que esta série é chamada Série Saros Norte 18, porque nasceu no Pólo Norte.  Os dados da Nasa e de Jansky também divergem em outros pontos. Para Brady/Jansky uma mesma Série Saros pode ter eclipses solares e lunares, já a Nasa divide as séries de forma exclusiva, somente lunares ou somente solares; outra discrepância se dá em relação ao número de eventos de cada série, que para Brady/Jansky varia de 71 a 72 e para a Nasa chega a mais de 80. Isso nos leva ainda a outra divergência, que é a duração de cada série, que Brady aponta ser de 1.280 anos e a Nasa diz passar de 1.500 anos. Como este é um site de Astrologia e como estou mais familiarizada com as pesquisas da Dra. Brady, vou me reportar a ela. Mas este é um assunto que pretendo estudar mais a fundo para entender a origem da divergência entre essas duas fontes. Quando tiver tempo para pesquisar e cruzar os dados de Brady com os da Nasa e conseguir chegar às minhas próprias conclusões, voltarei a este assunto. Voltemos então às Séries Saros.

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Reprodução

 

Assim como tudo que tem um início, cada Série Saros pode ter uma mapa levantado para seu começo, porque começou num determinado momento, no Pólo Sul ou Norte. Cada Série Saros contém de 71 a 72 eventos ou Eclipses Solares e cada eclipse da série irá reverberar e trazer presente a qualidade do tempo em que foi iniciada, como uma assinatura, como todo e qualquer mapa natal. Portanto, quando falamos de um eclipse, precisamos analisar não só as configurações e a qualidade do tempo em que aquele eclipse em particular acontece, mas precisamos trazer presente também o “mapa natal” da Série Saros a que ele pertence, para que possamos ter uma imagem mais fidedigna. Do contrário, como diz a Dra. Brady, seria como querer analisar a floresta inteira tendo uma mão cheia de folhas, sem saber a quais árvores elas pertencem – ou seja, a imagem estaria não só incompleta, mas muita confusa e a análise seria totalmente parcial e não acurada. Então, cada Eclipse Solar e seu resultante Eclipse Lunar trará consigo as qualidades da série a que pertencem, alguns sendo muito tensos e críticos, outros sendo mais fluidos e tranquilos, cada um deles tendo também temas específicos realçados pelas configurações do seu “mapa natal”. E mesmo que os Eclipses Totais sejam mais carregados e potentes, ainda assim, reverberarão as qualidades daquele Eclipse Parcial minúsculo que iniciou toda a série, ocorrido cerca de 650 anos antes.

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Desenvolvimento de um Eclipse Total da Lua – Mansurovs Reprodução

 

Em resumo, de acordo com Bernadette Brady, cada Série Saros tem um ciclo de aproximadamente 1.280 anos, nascendo num Pólo e morrendo no pólo oposto. Cada série produz um eclipse a cada 18 anos e 9 ou 11 dias, e cada um desse eclipses acontecerá cerca de 10 graus à frente do anterior na escala zodiacal. Os eclipses mais potentes ou “totais” ocorrem quando a série está trafegando a eclíptica terrestre, ou seja, num “cinturão” de cerca de 320 anos, entre o anos 480 e 800 do início da série.

Tempo de vigência ou efeito dos eclipses

Os eclipses têm seus efeitos calculados em termos de tempo de formas diferentes para os solares e lunares. Christine Arens (5) afirma que para os eclipses lunares,  o número de horas representa o número de meses e os minutos representam o número de semanas em que o eclipse terá efeito. Os eclipses solares, por serem mais impactantes, têm seu efeito prolongado, o número de horas de duração do eclipse representa o número de anos e a quantidade de minutos representa os meses em que o eclipse terá efeito, sendo que cada 5 minutos corresponde a um mês, seja em mapas individuais ou na Astrologia Mundana. Ela estressa que o eclipse mais recente sempre terá efeito mais forte, uma regra aceita pela maioria dos astrólogos.

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Eclipse Lunar – Reprodução

 

Astrologicamente falando…

Os eclipses são de suma importância para a Astrologia Mundana ou Mundial, porque têm grande impacto nos mapas de países, na economia e no coletivo em geral. Aliás, Bernadette Brady sugere em seu livro que se pesquise o desdobramento de uma Série Saros sobre o mapa de um país ou tendo um tema como pano de fundo, como por exemplo, ciência, arte, linguagem, ou qualquer outro tema que seja pertinente se pesquisar. Assim pode-se ter uma noção mais clara do impacto de uma série, visto que é impossível acompanhá-la no mapa de seres humanos, que vivenciarão no máximo 6 eventos de cada série em vigor e em média, 4. Contudo, Astrologia Mundana não é minha especialidade, então nos concentraremos nos efeitos e simbologia dos eclipses na Astrologia Natal. Portanto, tendo olhado os principais aspectos técnicos acerca dos eclipses, vamos agora olhar seus significados astrológicos e simbólicos.

Os eclipses, como as lunações comuns, também nos falam de um tempo de novos começos e semeaduras que, claro, representam também o fim de ciclos anteriores (Lua Nova/Eclipse Solar) ou fruição, pináculos, frutificação, auge e recompensas (Lua Cheia/Eclipse Lunar).

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Eclipse Total do Sol – Fort Photos on Flickr – Reprodução

 

Mas eclipses não são necessariamente ruins e muitos na verdade têm efeitos muito positivos. Por isso não é preciso temê-los, mas antes, verificar qual área da vida está carecendo de mudanças para que não sejamos pegos de surpresa, e ao contrário, favoreçamos estas modificações pedidas pela vida. Eles propõem “sairmos de onde estamos para crescer, propõem uma mudança na percepção da vida na área do mapa que é eclipsada, oferecendo oportunidade de grande crescimento, embora não necessariamente sem sofrimento” – não lembro o autor desta citação. Desta forma, eclipses vêm nos obrigar a mudar aquilo que estivemos adiando. E como nós seres humanos, somos criaturas de hábitos, nós nos apegamos às circunstâncias e normalmente ficamos apavorados ante a mera idéia de mudar, mesmo quando estamos cientes de que a mudança é para melhor.

Outro ponto muito importante a se considerar é que lunações e eclipses tratam especificamente do tema relacionamentos, especialmente os eclipses lunares, já que as lunações contam a estória da relação entre o Sol (Masculino) e a Lua (Feminino). Porém isso não se dá somente no âmbito das relações afetivas, ou relações homem-mulher, mas em todo tipo de relacionamento humano em que há um EU e um TU, ou um NÓS e um ELES. Dependendo de onde o eclipse cai no mapa, sua influência será sentida, por exemplo, no eixo vida privada x vida profissional; ou na área dos meus valores x os valores dos outros; ou sua expressão individual  x a inserção nos grupos; e pode mesmo cair no eixo específico dos relacionamentos, a primeira e sétima casas.

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Robotradio – Reprodução

 

Eclipses Solares e Lunares e seus efeitos diversos

Mas qual a diferença básica entre os eclipses solares e lunares? No Eclipse Solar, a luz do Sol é eclipsada pela Lua, ficando desaparecida, assim, sendo o Sol o centro da personalidade e da consciência, diz-se que a própria consciência (Sol) fica eclipsada temporariamente pelos instintos e sentimentos (Lua), podendo o indivíduo manifestar comportamentos compulsivos e muito reativos. Sendo assim, de acordo com Christine Arens (5), o Eclipse Solar favorece ao feminino, às mulheres e às fêmeas em geral e desfavorece ao masculino, aos homens em geral e a figuras de poder e autoridade.

Já no Eclipse Lunar acontece o contrário: a Lua é eclipsada pela Terra. Uma vez que a própria Lua Cheia já fala de conflitos e da necessidade de se alcançar um equilíbrio ou conciliação, poderia se dizer que a Terra fica como mediadora entre os instintos e a consciência. Mas sim, no Eclipse Lunar a consciência solar é favorecida e chega-se a muitas resoluções e decisões acerca de assuntos que vinham se arrastando anteriormente. O masculino, os homens e machos em geral são mais beneficiados quando da ocorrência dos eclipses lunares. 

A respeito disso, Brady diz que eclipses solares tendem a ter efeitos mais externos, significando eventos fora da pessoa, enquanto os lunares são mais internalizados e mais concernentes à vida emocional e  íntima do indivíduo. De qualquer forma, alerta ela, ponderações internas significadas por um eclipse lunar poderão levar a ações externas e efetivas geradas pela pessoa em questão. Assim, eclipses solares tratam de eventos precipitados de forma inconsciente; já os lunares são mais associados com eventos mais conscientes, que envolvem escolha, pensamentos e sentimentos dos quais o indivíduo está ciente.

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Eclipse Anular do Sol – Do Buzzfeed – Reprodução

 

Os efeitos dos eclipses também estão relacionados à sua localização no mapa natal e aqui temos dois tipos de análises:

1 – primeiro, trata-se dos eclipses que ocorrem ano a ano num dado eixo de casas e signos do mapa natal. Este movimento é determinando pelos Nodos Lunares em trânsito. Como dissemos acima, os Nodos levam cerca de 19 meses para trafegar um par de signos – não vamos esquecer, os nodos são um par de opostos! Assim, durante estes 19 meses,  todos os eclipses acontecerão no mesmo eixo de casas, salientando os temas daquelas casas e nos obrigando a adquirir mais consciência sobre seus assuntos e a forma como lidamos com eles em nossas vidas. Vamos dizer, por exemplo, que um indivíduo tenha Áries no Ascendente e consequentemente, Libra na casa 7 do mapa natal. Neste caso, este indivíduo teria esse eixo de casas enfatizado de fevereiro de 2014 até novembro de 2015, que é o período em que os Nodos estão trafegando estes signos. Entretanto, como a orbe para que ocorra um eclipse é bastante extensa (18°21′), não necessariamente todos os eclipses neste período serão em Áries ou Libra, podendo ocorrer no eixo anterior, de Virgem e Peixes, como é o caso do eclipse do dia 13 de setembro, o que inclui neste caso hipotético as casas 6 e 12 do mapa natal, que serão as próximas realçadas quando os Nodos migrarem em novembro, até mais 19 meses.

2 – a segunda maneira de os eclipses destacarem casas e signos no mapa natal é observando o desdobramento de uma Série Saros. Como já dissemos, a cada 18 anos e 9 ou 11 dias acontece um eclipse de uma dada série num certo grau de um signo e 18 anos depois, outro eclipse acontecerá 10 graus depois. Se conseguimos verificar com cuidado, poderemos estar cientes dos temas que são desencadeados novamente, que certamente estarão relacionados com o ciclo anterior, provavelmente no mesmo par de casas do mapa natal. O eclipse do dia 13 de setembro que acontece a 20° de Virgem, por exemplo, pertence à Série Norte 18 ou 125 de acordo com a Nasa. Os últimos eclipses desta série aconteceram em 01/09/1997 (02/09/1997 para Lisboa) a 09° de Virgem; 22/08/1979 a 29° de Leão; 11/08/1961 a 18° de Leão e assim sucessivamente. Assim, podemos olhar lá atrás e rememorar o que acontecia em nossas vidas para termos uma ideia de quais temas este eclipse trará à tona novamente. O próximo eclipse desta série acontecerá em 23/09/2033, a 00° de Libra.

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Ilustração de 1652 de um eclipse, de Johannes Hevelius em Epistolae IV (Danzing 1654) – Reprodução

 

Há ainda uma outra forma, muito potente de sentir os efeitos de um eclipse no mapa natal. Quando um eclipse cai em aspecto próximo a um planeta, e aqui são considerados apenas os aspectos maiores – conjunção, sextil, quadratura, trígono e oposição, com orbes máximas de 5 graus – ou a um ângulo, este eclipse certamente terá grande repercussão na vida do indivíduo e será sentido de forma enfática, tanto nos assuntos regidos pelo planeta em questão, quanto na área de vida representada pela casa em que o eclipse cai, quanto as áreas de vida representadas pela casa em que o planeta se encontra, assim como pelas casas regidas pelo planeta que é aspectado pelo eclipse. Se estes efeitos são tensos ou fluidos, depende de vários fatores, entre eles, o tipo de aspecto que o eclipse faz ao planeta; o posicionamento geral do planeta no mapa; a Série Saros específica a que pertence o eclipse, assim como as configurações do eclipse individual.

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Eclipse Total do Sol visto na França em 1999 – Luc Viatour – Reprodução

 

Concluindo, os eclipses representam um momento único de conscientização na atividade humana, portanto, trazem em si grande potencial de crescimento e iluminação, por mais estressantes que sejam ou pareçam. Eles vêm salientar assuntos e áreas de vida de acordo com os signos e casas em que acontecem e com os planetas que tocam, demandando mudanças e alterações na forma como gerimos e vivenciamos estas áreas de vida. Representam oportunidades e portanto, demandam exame interior para que sejamos capazes de agarrar tais oportunidades. No caso de eclipses solares, há uma qualidade fatalista a respeito deles, devido à forte carga inconsciente e assim exigem maior aprofundamento e cautela para não nos tornarmos vítimas de nossas compulsões, instintos e inconsciência.

Abaixo há uma lista dos efeitos e temas precipitados por casa onde ocorre um eclipse no mapa natal (6):

Casa 1 – Casa angular e super importante onde o eclipse se faz notar de forma inquestionável, especialmente se conjunto ao Ascendente. Período de grande ênfase e destaque pessoal. A energia e o entusiasmo ficam acentuados e você se sente fazendo maior impacto no ambiente e no mundo em geral. Pode ser um bom período para fazer mudanças na aparência física. É um ciclo para se destacar e aparecer – se esse destaque é positivo ou negativo vai depender das ações e atividades desenvolvidas até aqui, assim como dos aspectos que o eclipse possa fazer a planetas natais.

Casa 2 – A ênfase aqui recai sobre os valores, sejam eles materiais ou imateriais. Finanças, posses, patrimônio material vêm para a linha de frente e “eventos” podem se precipitar ligados a ações passadas. Pode ser um bom período para reavaliar investimentos e a gestão dos recursos; para aprender uma nova habilidade que se transforme também em recurso e valor; especialmente para refletir sobre nossos valores mais essenciais e como eles influenciam nossas decisões e escolhas.

Casa 3 – O foco recai sobre estudos e aprendizados, que serão, ou não, estimulados e favorecidos, dependendo dos aspectos do eclipse. Comunicação, veículos, viagens curtas, viagens diárias para o trabalho e deslocamentos em geral também são influenciadas por estas energias. Irmãos e parentes próximos podem também se tornar foco da nossa atenção por diferentes motivos.

Casa 4 – Outra casa angular onde o eclipse tem maior ênfase. Assuntos ligados à família de origem, assim como à família formada pelo indivíduo. Mudança na relação com a figura paterna, que pode ter seu poder e autoridade ofuscados de alguma forma. A atenção é para os assuntos domésticos, do lar e da casa física em que se mora, assim como para a faceta mais íntima da vida privada. Reformas e mudanças na residência são possíveis.

Casa 5 – A criatividade e expressão pessoal recebem grande injeção de ânimo, assim como os romances e atividades de lazer e relaxamento. Filhos, como expressão mais óbvia de nossa criatividade também se tornam o centro das atenções, especialmente o filho mais velho; novas atividades criativas ficam favorecidas, como artes, danças, música, etc. Aconselhável ter cuidado com especulações e jogos de azar. E claro, se as manifestações são benéficas ou estressantes, depende das variáveis do eclipse.

Casa 6 – Trabalho diário, emprego, colegas de trabalho, relação com empregados e servidores, saúde, corpo, cotidiano, bichos de estimação… Todos estes assuntos ficam realçados com um eclipse solar nesta casa. É um momento de avaliar com seriedade a forma como cuidamos da saúde e especialmente avaliar o impacto de maus hábitos sobre ela, como fumar, por exemplo. Reorganização do local de trabalho assim como programas de reeducação alimentar ficam beneficiados.

Casa 7 – Outra casa angular. Todas as relações próximas ficam sob os holofotes, sejam parcerias afetivas ou de negócios, assim como amigos mais chegados e também os tais “inimigos declarados”. Propostas de casamento ou de sociedades são possíveis, assim como rupturas, dependendo de como o eclipse “conversa” com o resto do mapa e dos demais movimentos que estejam acontecendo neste mapa.

Casa 8 – Casa dos valores dos outros, da morte (não necessariamente literal) e renascimento, de crises, de impostos, seguros e heranças. E também do sexo como expressão da parceria íntima. Então todos estes assuntos podem demandar nossos cuidados e nosso tempo, trazendo benefícios ou preocupações. O período pode ser particularmente “quente” sob os lençóis e novos amantes podem aparecer à nossa porta.

Casa 9 – As viagens de longa distancia, assim como as buscas espirituais e a mudança de crenças ocupam nossa atenção quando um eclipse cai nesta casa. Cursos superiores e vida acadêmica, assim como publicações também estão enfatizados. Os parentes do cônjuge também são vistos aqui e podem representar problemas ou alegrias. Novos conhecimentos que expandem a consciência podem ser iniciados a partir de novos contatos ou até mesmo por um livro que começamos a ler.

Casa 10 – A ultima casa angular, de suma importância. A casa da nossa imagem pública, da carreira, da vocação e também da mãe ou da figura materna arquetípica. Podemos ser promovidos ou demitidos sumariamente; podemos ficar literalmente sob os holofotes em situações públicas e que agregam valor à nossa persona pública e status profissional. Publicidade gratuita pode nos favorecer. Eventos ligados à mãe também podem nos afetar.

Casa 11 –  Um eclipse nesta casa pode indicar um período bom para se iniciar novas amizades, participar de grupos e associações que sempre quisemos mas nunca tomamos a atitude. Aqui vemos os amigos e as relações sociais, que obviamente ganham ênfase especial. As esperanças de futuro e projetos de longo prazo também ficam favorecidos, ou sua realização, reavaliação ou desilusão.

Casa 12 – Possivelmente a casa mais difícil de expressão de um eclipse. A casa da introspecção e do inconsciente. Esqueletos tendem a sair do armário e demandar que lidemos com eles; tabus familiares ou raciais tendem a cair no nosso colo de graça, e não podemos mais fingir que não os vimos; é uma casa de serviço, então somos convidados a prestar serviços que implicam sacrifício ou oferenda de nosso tempo e energia em favor de outros. Podemos nos sentir particularmente introspectivos e sentir o desejo de isolamento e reclusão.

Fontes pesquisadas

  • (1) VERDET, Jean-Pierr – O Céu, mistério, magia e mito – Objetiva
  • (2) BRADY, Bernadette – The Eagle and the Lark – Predictive Astrology – Weiser Books
  • (3) GREEN, John – Eclipses – Apostila do Foundation Course do Centro de Astrologia Psicológica de Londres, CPA.
  • (4) Site da Nasa sobre eclipses: http://eclipse.gsfc.nasa.gov/eclipse.html
  • (5) ARENS, Christine – Eclipses – Webinar promovido por Kepler College em 05/04/2013
  • (6) RUSHMAN, Carol – Predictive Astrology – Llewellyn
  • (7) MICHELSEN, Neil F. – The American Ephemeris for the 21th Century – Starcrafts Publishings
  • (8) www.astro.if.ufrgs.br 

Lua Nova e Eclipse Solar em Escorpião: a vontade e o destino

ECLIPSE SOLAR SCORPIO
Birth Chart Painting – Reprodução

O grau zero de um signo, assim como o último grau, é considerado um grau crítico porque contém a essência pura e extrema do signo em questão. É a introdução do estudo, do livro, da fala, que sumariza o objetivo do livro inteiro. O grau zero do signo mostra a que ele veio. É uma energia extrema e concentrada, que quer ser vista, reconhecida e endossada. Imagine então termos uma Lua Nova que é também um eclipse solar com três planetas conjuntos no grau zero de Escorpião, o signo por excelência da concentração de energia? Pois assim se dá esta Lua Nova super potente de hoje (23 de outubro de 2014, Lua Nova a 19h56min e Eclipse Solar a 19h46min – Horário Brasileiro de Verão, Brasília), Lua Nova que é também o último eclipse do ano de 2014, e o último eclipse em Escorpião com Saturno ainda neste signo, o que vem destacar todo o trabalho empreendido por Saturno nos últimos dois anos na área da intimidade, dos sentimentos, da sexualidade, dos tabus, etc.

E o que simboliza Escorpião? Escorpião é o signo da morte e do renascimento. Da regeneração, da reciclagem, da consciência dos ciclos de vida e morte. É também o signo onde, depois de termos encontrado um parceiro em Libra, vamos ao quarto de dormir para “conhecer” este parceiro mais intimamente – podemos até usar o verbo “conhecer” no sentido bíblico. É pois, o signo do sexo, no sentido em que é a maneira mais íntima de se conhecer alguém – isso se se permite a entrega absoluta, claro. Se é um parceiro de negócios, em Escorpião partilhamos com ele os bens, o dinheiro, a conta bancária – não é por acaso que dinheiro e sexo  são tão intimamente associados, pois é em Escorpião que eles se encontram. Escorpião é ainda o signo do sobrevivente, daquele que não sucumbe e que morre muitas vezes numa mesma vida, para renascer outras tantas, completamente regenerado e pronto para outro ciclo de atividade intensa. É, assim, o signo dos fins e dos recomeços, entre muitas outras coisas. Escorpião tem uma noção tão clara dos ciclos e da finitude da vida, que se sente que uma situação se estagnou, ele próprio provoca sua destruição e seu fim, mesmo que isso signifique sua própria morte e aniquilação. Por isso, o inseto escorpião é quem o nomeia, além de ter também a serpente como um de seus símbolos. Isso é Escorpião, uma energia de morte tão poderosa quanto é a da vida.

Christian Schloe The siren
Christian Schloe Digital Art – The siren – Reprodução

Indo além e analisando o mapa da Lua Nova e Eclipse Solar, vemos que há uma grande ênfase no elemento Água, o elemento dos sentimentos, da intimidade, da subjetividade. Isso porque, depois de várias semanas com ênfase em Ar, três planetas ingressaram hoje em Escorpião: o Sol, às 09h58min; Vênus às 18h52min e a Lua, que ingressa às 19h10min, além de Saturno que já está neste signo há dois anos e de Netuno e Quíron em Peixes. Toda essa Água, especialmente a água escorpiônica, fala de um momento denso, de transformação visceral, nos níveis mais profundos da psique, de nossos sentimentos e vivências, na forma como experimentamos o mundo e como sobrevivemos nele. Temos no momento apenas Mercúrio em Ar, e ainda debilitado, retrógrado, prestes a estacionar para voltar ao movimento direto, o que torna as energias ainda mais densas, ainda mais que Mercúrio está enredado numa Cruz T com Urano e Plutão. Falta objetividade, lucidez, clareza, enquanto sobra subjetividade, passionalidade, instinto. Falta ainda realismo e pé no chão, já que Plutão em Capricórnio é o único planeta em Terra. A Mercúrio, como único tom em Ar, cabe a função da reflexão introspectiva, cabe maturar, mediando os reinos conscientes e inconscientes da vivencia na vigília, e a ponderação cuidadosa das escolhas já feitas e daquelas que estamos ensaiando. Porém, estando Mercúrio tão pressionado, há dúvidas quanto à “quantidade” de racionalidade de temos à nossa disposição, por assim dizer.

Lua Nova e eclipse solar Escorpião 2014
Lua Nova e Eclipse Solar em Escorpião – 23 de outubro de 2014, Lua Nova a 19h56min e Eclipse Solar a 19h46min – Horário Brasileiro de Verão, Brasília

Essa Água toda é ainda realçada pelos dois únicos aspectos maiores que a Lua Nova faz. Um é a conjunção com Vênus, que está apenas alguns minutos atrás do Sol e da Lua – embora Vênus seja considerada um planeta benéfico, em Escorpião ela também não está na sua melhor forma, tendo ação mais sombria e introspectiva. O outro aspecto é um trígono a Netuno em Peixes, e este trígono, mesmo sendo um aspecto visto como “harmonioso”, não muda a natureza de Netuno, que sensibiliza, confunde, nubla, ilude. E, claro, conforme falamo no início, há três planetas no grau zero de Escorpião, tornando as qualidades representadas por este signo muito importantes aqui.

Outro ponto preocupante é que Marte, o regente primeiro de Escorpião, está “fora de limites” por declinação, viajando a 24°55’ ao Sul. Um planeta está “fora de limites” quando cruza o limite máximo do caminho do Sol, seja ao Norte ou ao Sul. No seu caminho anual, o Sol se desloca até 23°26 graus ao Norte ou ao sul do Equador, voltando na direção contrária ao atingir este limite. A maioria dos planetas do sistema solar mantém-se dentro destes limites a maior parte do tempo, mas eventualmente algum deles ultrapassa essa fronteira, e é então chamado de “fora dos limites”. O que significa isso? Ora, a expressão fala por si mesma! Sem limites! Explico: o Sol é considerado a autoridade máxima num mapa astrológico, isso porque representa a consciência, o senso de propósito; é um centro controlador e norteador de toda a personalidade. É como o Rei e o reino está sob seu domínio e jurisdição, arquétipo, aliás, associado ao Sol. Se um planeta vai além dos limites do Sol, significa que está fora do seu controle, fora dos limites da autoridade máxima, que “deixa o caminho bem trilhado controlado pela autoridade central (o Sol) e desaparece na floresta sombria” (2), fazendo o que lhe der na telha, tendo ação extremada, voluntariosa, selvagem, quebrando todas as regras e agindo somente a partir de si mesmo. Agora, se lembrarmos que Marte já é instinto puro e que já é impulsivo e precipitado sob a condução do Sol, imagine então se estiver “fora dos limites”! Torna-se um fora da lei, o que significa resultados imprevisíveis na ação durante o período em questão. A meu ver, o fato de Marte estar fora de limites aumenta a subjetividade dessa Lua Nova. O que nos remete ao eclipse em si.

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Geometria de um eclipse solar – Wikipedia – Reprodução

E que é um eclipse solar? Num eclipse solar a Lua interpõe-se entre a Terra e o Sol, bloqueando e “ocultando” a luz solar sobre a Terra. Como dissemos acima, o Sol representa a consciência, o centro regulador da personalidade, assim, num eclipse solar temos diminuída a objetividade e a consciência solar e aumentadas a subjetividade e a sensibilidade lunares.

O que quero dizer com tudo isso? Que este é um eclipse difícil de se prever os efeitos e os resultados, pois nos guiamos mais pelo instinto e pelas paixões, tendo pouca objetividade e consciência do que estamos fazendo; tem uma qualidade compulsiva e extremada neste eclipse, sinalizada de várias formas, aumentando a intensidade com que é sentido.

Saros New North 17
Série Saros 17 New North

Referindo-me aos estudos da Dra. Bernadette Brady (1) sobre eclipses, encontro que este eclipse pertence à Série Saros 17 new North, a mesma série do eclipse de duas semanas atrás. Como eu dizia no post de então, analisando o mapa inicial desta Série Saros, percebe-se que o tema do desejo e da paixão é intrínseco a esta família de eclipses.  O mapa inicial desta série, que se inicia em 28 de julho de 1870, às 11h18min (GMT) mostra “Vênus conjunta a Marte enquanto o Nodo ocupa o Ponto Médio entre a Lua Nova e Vênus e entre a Lua Nova e Marte, assim como o Ponto Médio entre Mercúrio e Vênus”, diz Brady. Sua interpretação é a seguinte: “Esta série traz uma energia impulsiva aos eventos. As socializações se tornam agitadas emergem questões que motivam o indivíduo. Esta motivação pode ser relacionada a projetos financeiros ou a questões de relacionamentos. Qualquer que seja a motivação, ela é impulsiva, passional e excitante” (1). Havendo uma conjunção Vênus-Marte, aumenta-se a passionalidade e a impulsividade. Neste mapa de hoje, Marte e Vênus estão em sextil próximo, mas fora de signo (fora de signo porque Escorpião, signo em que Vênus está, faz sextil natural com Capricórnio e não com Sagitário, onde Marte atualmente trafega). De qualquer forma, em Escorpião Vênus está submetida a Marte e é profundamente visceral e intensa.

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Blissnow – Reprodução

Tudo isso vem significar para mim que muitas das transformações que ocorrem na psique e ao nosso redor, talvez aconteçam à nossa revelia, à revelia da consciência solar, obedecendo mais ao ritmo do inconsciente, a um “se deixar levar, se deixar ser guiado”. Isso não quer dizer que podemos simplesmente relaxar e fazer nada. Muito pelo contrário! Aqui é que precisamos ficar mais atentos e vigilantes, para não sermos tomados por impulsos instintivos e talvez até destrutivos. As energias intensas deste eclipse obscurecem a lógica, a lucidez, a objetividade, demandando que entremos em meditação, que estejamos ancorados e tentemos alcançar um centro de serenidade, para que estejamos prontos a entregar o que nos for pedido, seja lá o que isso for, evitando, ao mesmo tempo, atuar por impulsos irracionais e paixões cegas. É preciso alcançar um equilíbrio delicado entre o estado de presença e inteireza de quando estamos plenamente conscientes do que somos e do que fazemos e o estado de rendição e humildade de quem se permite ser trabalhado e ser transformado – exatamente como um Escorpião positivo, que é, ora catalizador de transformação, ora submetido a ela de forma inexorável. Há coisas que precisamos deixar para trás, abrir mão, permitir que sejam eliminadas e extintas, até mesmo eliminado-as de forma ativa e consciente; e há outras coisas que talvez sejam tiradas e eliminadas de nossa vida à nossa revelia e tudo o que podemos fazer é concordar com o novo, confiando que a Consciência Maior sabe o que faz. Ativamente precisamos limpar as gavetas, os quartos, os porões, os quintais, sabendo que haverá coisas que não conseguiremos jogar fora, por um motivo ou outro, e que, se tais coisas forem arrancadas de nós, devemos deixá-las ir, sem perder a cabeça, o tino, a razão, estando leves, com pouca bagagem, prontos e dispostos a embarcar numa nova viagem, numa nova aventura quando ela bater à nossa porta.

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Desconheço o autor – Reprodução

Falando em aventura, o Símbolo Sabiano para o grau zero de Escorpião onde ocorre o eclipse e onde temos os três planetas em conjunção exata (Vênus, Lua, Sol) tem a seguinte imagem: “um ônibus de passeio repleto de turistas”.  Lynda Hill diz que este símbolo fala “de tomar o mundo através dos sentidos: visão, paladar, tato, olfato… Observando-se e entrando em contato com o que está acontecendo; pode haver uma sensação de saber o próprio destino, de se ter um mapa ou guia, mas sem saber qual é o destino realmente; de se sentir guiado e protegido, mas há o sentimento de ser um mero observador e às vezes, de ser observado. Há também a sensação de se estar separado do que está acontecendo em volta. Provavelmente levaremos souvenirs e tiraremos fotos da viagem. A dica deste grau é jogar-se na vida, alcançar todos os tipos de aventuras, e, acima de tudo, aproveitar o passeio. Observar a vida. Ver como as pessoas vivem. Timing. Ser pontual. Assistir de longe. A estada não tentada e não trilhada, ou o mesmo caminho. OVNIS e extraterrestres”. Hill ainda alerta para tomarmos cuidado com “sentimentos de ingenuidade e credulidade; sentir-se alienígena mesmo no ambiente familiar; sair da própria profundidade; ansiedade de separação; incapacidade de concentração”. (3)

Como vemos, é questão de concentrar a energia; de equilibrar a vontade e a escolha pessoal sem deixar de aproveitar o passeio, jogando-se na vida com ímpeto e confiança, sem nos tornarmos crédulos e ingênuos. Experimentar o mundo e a vida a partir das próprias sensações, da própria subjetividade, sim, mas sem deixar de ter um distanciamento mínimo, sem se identificar demasiadamente com o que experimentamos e sentimos. Por fim, somos confrontados com a escolha entre a estrada não experimentada, ainda não tentada ou seguir pelo mesmo caminho – o que não quer dizer que seja ruim só por ser conhecido.

Christian Schloe I am a bird now
Christian Schloe Digital Art – I am a bird now – Reprodução

Para termos esse senso de timing, de estarmos prontos quando a vida nos requer, é preciso estar inteiro, completamente presente, aproveitando o que há ao nosso redor, sem, no entanto julgar, nem nos identificar com nada, exatamente como nos estados meditativos profundos. Um raro e delicado equilíbrio entre a subjetividade, vontade e intenção consciente e a Vontade maior chamada Destino. Este estado meditativo ajuda também a conter e lidar com a ansiedade e a intensidade do momento sem que isso cause estragos desnecessários.

Se conseguimos este delicado equilíbrio, temos chance de ver descortinada à nossa frente uma vida nova, transformada, regenerada, renovada, de novas e mais autênticas intenções. Assim, é, escolher o trajeto e aproveitar o passeio, estando inteiro no momento presente.

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Christian Schloe Digital Art – New Born – Reprodução

NOTA: Pessoas com planetas nos últimos graus, ou nos últimos dias dos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra, Capricórnio) e nos primeiros graus e primeiros dias dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) sentem as energias deste eclipse de forma mais intensa.

(1) Bernadette Brady – The Eagle and The Lark – Predictive Astrology

(2) Lunarium – The out of bounds planets

(3) Linda Hill – Sabian Oracle