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Lua Cheia em Touro – O Essencial Permanece

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O ciclo iniciado em Libra no dia 19 de outubro atinge seu ápice na Lua Cheia de Touro, neste sábado, às 03h23min no horário de Brasília (Horário Brasileiro de Verão) e às 05h23min no horário de Lisboa. O ciclo de Libra trata, basicamente, de relacionamentos, a Lua Cheia, também e, embora o eixo Touro-Escorpião não tenha a ver com isso de forma direta (Touro-Escorpião trata de relacionamentos no que tange à intimidade e sexualidade), o tema está implicado devido ao ciclo e à posição da regente de Touro, Vênus.

Em Touro queremos e buscamos estabilidade, segurança, firmeza, substância. A Lua Cheia em Touro sinaliza um momento em que a intensidade, a destruição e eliminação simbolizadas por Escorpião precisam ser contrabalançadas pelo vagar, ponderação, solidez e preservação de Touro. É aquele momento em que você desmontou tudo para jogar fora, porque se sente bloqueado, “preso” por tudo o que “possui”, como se tudo fosse um peso morto a lhe arrastar para trás, mas se dá conta que não pode, afinal, jogar tudo fora, porque tem coisas que ainda são necessárias, úteis, coisas que são essenciais para a sua sustentação e sobrevivência. Então precisa proceder com o ritual difícil de separar o que traz segurança real, daquilo que é peso morto, estagnação.

Portanto, além de ser um momento crítico de ponderar sobre o que precisa e deve ser preservado de modo geral na vida – e na área de vida simbolizada pela casa do mapa onde a Lua Cheia ocorre – essa Lua Cheia vem propiciar que a mesma ponderação seja utilizada nas nossas relações.

O ciclo se iniciou com um grande estrondo, com Lua e Sol ficando conjuntos em Libra em oposição próxima a Urano em Áries, indicando um momento crucial de despertar para a qualidade das relações, de deixar de ser tão conciliador, de buscar maior independência, transparência e verdade dentro das relações “certinhas” simbolizadas por Libra. Agora esse estrondo ecoa mais longe, repercutindo na intimidade, na sexualidade, naquilo que nos sustenta e nutre.

A Lua fica Cheia em oposição à conjunção Sol-Júpiter em Escorpião, sextil próximo a Netuno em Peixes e trígono a Plutão em Capricórnio. A oposição a Júpiter sugere a possibilidade de nos conectarmos com a abundância da vida e de nos sentirmos merecedores dela, repercutindo beneficamente na nossa vida. Por outro lado, esse aspecto tenso a Júpiter também indica a amplificação dos temas da lunação, assim como excessos nos desejos e um exagero ainda maior na busca da satisfação de tais desejos e impulsos sensoriais e sensuais. Comida, bebida, sono, sexo… Nunca é o bastante! Sempre queremos mais, e melhor! Satisfação dos instintos e dos sentidos que, dependendo da orientação individual pode se manifestar como satisfação do estômago, da libido ou da segurança material – o impulso é o mesmo e é voraz! A propósito, qual é a nossa fome/necessidade primordial neste momento da nossa vida? Aquilo de que mais se carece pode ser a fonte da voracidade manifestada em outras áreas… Temos fome de sexo/afeto/contato? Podemos nos pegar comendo em demasia para compensar esta carência; temos necessidade de amor/atenção? Podemos nos tornar possessivos em relação a pessoas importantes em nossa vida; temos anseio por segurança? Podemos nos tornar avaros, acumulando dinheiro e posses para nos sentir mais tranquilos… E assim vai!

Touro é o signo das coisas essenciais e o que é essencial para nós? Se nos percebemos compulsivos em relação a alguma coisa, é válido nos perguntar que carências essenciais estamos tentando sanar com tais compulsões. Talvez nem nos demos conta de tais carências e, neste caso, a compulsão/compensação vem funcionar como mascaramento da carência. O ponto chave nos próximos dias é a moderação na satisfação desses prazeres e impulsos sensoriais, para que não tenhamos que lidar com consequências desagradáveis mais à frente.

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Como no Símbolo Sabiano do grau 12 de Touro (11°59’) que coloca a imagem de “um casal jovem andando na rua principal olhando vitrines”. Por que um casal jovem estaria olhando vitrines? O que procuram? Será que pensam já em casar-se e olham o futuro através das vitrines? Será que um pensa em dar um presente ao outro? Será que pensam em presentear uma terceira pessoa? Qualquer que seja o motivo, o fato é que, ao invés de olharem um para o outro, ao invés de conversarem entre si, olham para fora, para uma vitrine de uma loja qualquer. Pode significar que têm objetivos em comum, como naquela frase de Michel Quoist: “Amar não é olhar um para o outro, mas olharem ambos na mesma direção”... Apenas me incomoda o fato de essa direção ser uma vitrine de loja – é, pode ser um preconceito meu, mas talvez isso aponte para o consumismo, a posse material de algo; ou pode apontar a busca por coisas de que se precisa realmente… O que nos leva a outras questões: será que olham para vitrines para evitarem olharem-se nos olhos, olharem um para o outro? Será que olham vitrines para evitar o momento de tensão entre eles mesmos? Será que evitam o vazio que se tornou o relacionamento? Será que cumprem o ritual social do passeio do casal pseudo-apaixonado, para quem até uma vitrine banal é mais interessante do que o parceiro que está ao lado?

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É interessante tratar-se de um casal jovem… O que me lembra também os casais – e relações de todo tipo – que submergem nos próprios telefones celulares e geringonças eletrônicas ignorando o outro de carne e osso que se encontra à frente ou ao lado, uma versão moderna do “solidão a dois” de que falava Cazuza… Qualquer que seja a interpretação que demos a este Símbolo, é patente que o casal não olha para si, mas para fora, para o mundo exterior. O olhar para fora pode ser salutar, uma forma de sair da identificação excessiva da imagem de casal, um renovar-se ao absorver informações novas e exteriores à realidade relacional. Mas pode também ser um movimento negativo, como dito acima, um evitar enfrentar o outro e os problemas da união, da convivência. Essa imagem dá margem a inúmeras conjecturas, sendo muitas delas possíveis e plausíveis, e talvez mais de uma se aplique ao nosso caso em particular…

Contudo, considerando-se as configurações desta Lua Cheia, talvez este casal esteja evitando olhar para os próprios problemas e se distrai de tais problemas olhando vitrines, um falso otimismo que tentar consertar o que está errado, por exemplo, comprando uma TV nova, um carro novo, tendo um filho, etc… Por que isso? Porque a Lua Taurina se opõe a Júpiter – vamos focar no prazer, no positivo – e Vênus, regente da Lua Cheia está em oposição exata a Urano – que recebia a oposição, também exata, da Lua Nova lá no dia 19 de outubro – sugerindo que os problemas continuam a pipocar, estrondar, mas talvez tentemos fazer ouvidos moucos a eles, focando no aspecto reluzente do mundo exterior.

O quanto este casal está realmente satisfeito com a relação? O quanto confiam um no outro, o quanto confiam no modelo relacional que escolheram – consciente ou inconsciente? E aqui ouso colocar até o tema fidelidade/monogamia, inspirada pelo post de uma amiga/cliente no Facebook e que também tem tudo a ver com esta lunação: fidelidade, monogamia são temas bem Taurinos, porque nascem exatamente do desejo/necessidade da estabilidade e da previsibilidade que dá tanto a sensação de segurança, quanto leva à armadilha do tédio massacrante do cotidiano banal acachapante e fechado a pequenas ousadias que desafiem nosso conceito de “correto”, “seguro”, “confiável”.

É, de fato, uma lunação de contradições: queremos estabilidade, segurança, mas encontramos questionamentos, dúvidas, rebeldia aos modelos tidos como certos, aceitáveis, constantes, estáveis, seja na gestão da vida concreta, seja na vivência dos afetos. Positivamente pode ser um período de empolgação, de novidades, de dinamismo nas relações, mas isso só vale para aquelas relações que são muitos transparentes, cheias de frescor e vitalidade, onde os parceiros são honestos e não têm medo de encarar suas fraquezas e inseguranças, onde não há apegos, nem ao outro, nem aos modelos “certos” de relacionamento – mas, convenhamos, tais relações são a exceção da regra! Para a maioria das relações, pautadas nos modelos ditos “aceitáveis” e seguros, essa lunação traz muitos desafios à estabilidade, à durabilidade e manutenção do status quo.

Vênus em Libra, dona da casa, está em oposição exata a Urano em Áries – depois de ter feito quadratura a Plutão na terça-feira – um aspecto que inclina a rupturas, a eventos inesperados nas parcerias, a situações erráticas influenciando a forma como vemos a nós mesmos e como gerimos nossos valores, etc. Sugere ainda a necessidade de reinventar completamente as relações. Como se não bastasse, Plutão faz quadratura ao Ponto Médio (17’ de distância) entre Vênus e Marte, ou seja, há muita destrutividade ou, no mínimo, desafios, associados ao impulso de amar, à paixão, ao desejo, ao enamoramento, à vida sexual e à união sexual/afetiva. Pode-se dizer, com certeza, que há forças poderosas em movimento e que, embora turbulento e descontrolado, o desejo é intenso e visceral.

Marte, regente tradicional de Escorpião, começa a fazer quadratura a Plutão, o regente moderno deste signo. Marte-Plutão intensificam a questão do desejo, mas também acentuam a agressividade, a necessidade de controle e a possessividade, além de simbolizar uma vontade de ferro e determinação inquebrantável.

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Por isso e por tudo o mais que já foi dito é que podemos afirmar que, por mais que queiramos sombra e água fresca, paz e sossego, ainda não é agora que vamos conseguir, pelo menos não enquanto não enfrentarmos estes questionamentos e incertezas. Positivamente, temos a nosso favor a oportunidade de aplicar nossa imaginação e sensibilidade de forma concreta, de modo a perceber outras necessidades mais sutis, para além daquelas sensoriais, como indicado pelo sextil a Netuno – podemos sim, encontrar soluções criativas para nossos dilemas. O aspecto a Plutão traz resistência à já robusta e obstinada Lua Taurina, sugerindo potencial e capacidade de transformação na gestão dos sentimentos e carências físicas ou emocionais e força e coragem para lidar com os desafios.

Urano destacado, tanto na Lua Nova de Libra quanto agora nesta Lua Cheia sugere um ciclo deveras errático e turbulento, mas também traz possibilidades de despertar, de iluminações fundamentais acerca do nosso valor e do que tem valor para nós. Se vamos agir ou não a partir de tais insights e iluminações, é outra história!

A Lua Cheia assinala períodos em que questões maturam e se tornam conscientes, de nós nos tornarmos aptos a lidar com tais questões… Se lá na Lua Nova Urano simbolizava revelações e iluminações desconfortáveis, que precipitaram caos e turbulência, agora, talvez, com a firmeza de Touro, possamos assentar a cabeça e o coração para, a partir de tais insights, tomar as atitudes essenciais ao nosso desenvolvimento e sustentação, incluindo nas questões relacionais.

No que tange às questões concretas e materiais, é um período que requer cautela nas decisões, nos investimentos e no gerenciamento de bens e dinheiro – há propensão a se gastar por impulso, impensadamente e a se arrepender depois. É hora de avaliar o que é essencial, o que tem valor real e deve ser preservado e o que só dá uma sensação ilusória de segurança, sem nos sustentar realmente, sem nos agregar nada efetivamente. O essencial, aquilo que é realmente sólido, permanece, as muletas devem ser descartadas.

Onde você estiver, Feliz Lua Cheia para você!

OBS: Indivíduos com ângulos e planetas entre os graus 07 e 17 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) sentem mais intensamente essa lunação. A Lua Cheia em Touro pode ainda trazer presentes assuntos que eram importantes no final de abril deste ano (Lua Nova a 06° de Touro – 26 de abril) e ainda reverberar na próxima Lua Nova em Touro, em maio de 2018. É uma lunação para se dar atenção às questões relacionadas a dinheiro, seguranças e ao aspecto material da vida, incluindo a relação com o corpo. Rituais de prosperidade estão favorecidos, assim como a conexão com a abundância da vida e com a própria sensualidade.

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A Semana Astrológica Enxergando a Realidade Como Ela é

balsamic buzzSemana de 29 de agosto a 04 de setembro: tempo de eliminar o velho para dar abertura ao novo; tempo de encarar a dura realidade e crescer com ela

Nesta semana o Sol percorre o caminho já trilhado por Mercúrio e Vênus e se defronta com o imbróglio Saturno-Netuno (o Sol faz quadratura a Saturno e oposição a Netuno), além de conflituar também, mais à frente, com Marte em Sagitário. É curioso que o Sol venha fazer aspectos a estes dois planetas exatamente uma semana antes da última quadratura exata entre eles, que se dará no dia 10 de setembro. É como se o Sol estivesse a iluminar poderosamente tudo o que esta configuração simboliza para nós, última chance de apreender seus sentidos e significados e fazer as devidas modificações ou soltar o que precisa ser soltado, especialmente porque o Sol faz quadratura exata a Saturno no mesmo dia em que é eclipsado pela Lua Lua Nova e Eclipse Anular Solar – Entenda melhor os significados gerais dos eclipses. O Astro Rei também se indispõe com Urano por sesqui-quadratura, sugerindo irritações e lapsos de incoerência que vêm e vão, mas que nos tiram o sossego, como algo que fica ali, na sombra do coração, a querer nos alertar, embora não consigamos lembrar em cheio do que se trata. Esse aspecto nos deixa predispostos a agir por impulso, a replicar de forma crítica e inconsciente, à ordem rígida em que estamos inseridos. O Sol também faz conjunção ao Nodo Norte que atualmente trafega Virgem, apontando o tempo dos eclipses. Mas o Sol também faz mais, ele traz a oportunidade de nos conscientizarmos uma vez mais sobre nosso destino e nossos propósitos maiores. Isso é particularmente válido para aquelas pessoas que têm o Nodo Norte em Virgem (e o Sul em Peixes), que estão vivenciando um Retorno Nodal, tendo a chance de se realinharem com seus propósitos e a direção de vida escolhida por sua alma para esta encarnação.

River Bank of Truth
River Bank of Truth

Mercúrio entra em retrogradação em Virgem no dia 30 de agosto. Nesta semana ele retorna e se abraça afetuosamente a Vênus e a Júpiter logo após estacionar e engatar a marcha a ré. Na verdade, ocorre um movimento interessante: Mercúrio fez conjunção a Vênus no dia 16 de julho, a 05° de Leão. Passou por ela bem afobado, na carreira… Agora no dia 29 ele estaciona e Vênus o ultrapassa – quase que lembra a estória da lebre e da tartaruga – Mercúrio ficando estacionário a apenas 20 minutos de distância de Vênus e a cerca de um grau e meio de Júpiter, um fato que eu acredito, seja bastante auspicioso para este ciclo de retrogradação, que se concluirá em trígono exato a Plutão, no dia 22 de setembro. Então, em termos gerais, está aberta a temporada trimestral de revisão de pensamentos, processos mentais, comunicação, conceitos, ideias e pontos de vista e opiniões. Especificamente em Virgem, a retrogradação convida a revisar nossa técnica e a maneira como exercemos o sagrado ofício do nosso trabalho. Leia mais sobre Mercúrio retrógrado em Virgem.

venusVênus, depois de ficar em queda por algumas semanas, ingressa em Libra, signo de sua dignidade. Em Libra Vênus traz presente o mito do seu nascimento, a partir do sêmen de Urano no mar. Urano é da primeira geração dos deuses gregos. Deitou-se com Gaia e nasceram os Titãs. Mas Urano, o Deus Celeste hiper idealista, rejeitou seus filhos, que ofendiam seu olhar reformador por serem excessivamente ctônicos e terrosos, imperfeitos como Gaia, a Mãe Terra. Então ele os prendeu no tártaro. Saturno, um dos seus filhos conspirou com sua mãe e uma noite, quando Urano veio se deitar com Gaia, Saturno o castrou com uma foice. Atirou os genitais ao mar e do sêmen nasceu Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Do sangue que caiu na Terra nasceram as Fúrias. A Vênus Libriana é a própria Afrodite nascendo do sêmen Uraniano, da castração de um Deus Celeste que primava por ideais de Perfeição. Assim também é Vênus em Libra: sempre em busca do relacionamento perfeito, da parceria de perfeito equilíbrio. Nessa equação não necessariamente há amor. Há, sim, equidade, parceria, afinidades. Vênus em Libra tem senso estético apurado, sendo extremamente graciosa, refinada, classuda e muito sintonizada com as regras sociais e com aquilo que é aceitável. É apaixonada pela ideia da parceria, de ser um casal, talvez mais do que pela própria pessoa à sua frente, assim, nem sempre ela se relaciona com a pessoal real, mas sim com uma imagem que tem dessa pessoa, especialmente quando Netuno está presente. Seu senso de justiça também é muito acentuado e ela vai esperar que haja reciprocidade em absolutamente tudo, a ponto de às vezes se ter a impressão de que há uma conta corrente do dar-e-receber na relação. De fato, as relações laterias implicam equilíbrio no dar e receber, mas Vênus leva isso bem ao pé da letra e vai ficar esperando o retorno quando faz algo bom. Valoriza muito a paz, a harmonia e por causa disso tende a evitar confrontos, a ponto de parecer que carece de personalidade ou de caráter em algumas situações. É que Libra realmente tem essa capacidade de ver todos os ângulos de uma questão, mas essa tendência de evitar conflitos pode ter como resultado exatamente o oposto: ela acaba por se indispor com todos aqueles que tentou agradar, a todo custo. No fim, quando esses conflitos se tornam inevitáveis, Vênus em Libra pode ser tão ou mais feroz do que o pior dos Arianos: torna-se competitiva e vingativa – não esqueçamos que foi Afrodite quem iniciou a Guerra de Tróia! E aqui, nessa faceta menos nobre, ela encarna Hathor, a Deusa Egípcia da alegria, da maternidade, do feminino e da beleza, mas que virava uma guerreira sanguinária quando entrava em batalha – Vale lembrar também das Fúrias, que nasceram do mesmo evento que deu origem a Afrodite. Vênus em Libra precisa aprender a valorizar-se, independentemente do olhar do outro e precisa aprender a ver o outro como ele realmente é, para além da possibilidade de ser um parceiro afetivo. Esse posicionamento confere também gosto refinado e olhar clínico para coisas de valor, gosto para a arte, a música e também para as leis, além de grande senso de justiça.

Annibale Carracci - Júpiter e Juno
Annibale Carracci – Júpiter e Juno

Marte já ganhou velocidade e vai gradativamente se separando a passos largos de Saturno. Agora ele se prepara para confrontar Quíron, movimento que ocorre em algumas semanas. Enquanto isso, vamos fortalecendo nossa vontade e recuperando nosso senso de potência. Júpiter, por outro lado, chega ao fim de Virgem e se despede do signo de sua debilidade. Certamente ele estará bem mais confortável em Libra, já que Libra é um signo que prima também pela justiça, um tema que está sob a alçada de Júpiter. E se em Virgem a justiça e expansão Jupiterianas acontecem por meio das coisas pequenas e prosaicas, concretas e palpáveis, em Libra isso se dá através de conceitos mais refinados e abstratos, através da civilidade e da capacidade de viver em sociedade e respeitar as regras do convívio social. Em Libra Júpiter também favorece os casamentos, já que este é o signo das uniões oficiais, o que nos lembra da união de Júpiter e Juno, sua parceira oficial com quem ele vivia em pé de guerra, devido às suas infinitas escapadas e traições, ás quais Juno/Hera não perdoava. Júpiter ingressa em Libra no dia 09 de setembro, onde fica até 10 de outubro de 2017.

eclipse milky way
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A Lua abre a semana na fase Balsâmica em Câncer. Finaliza o ciclo em Leão e se renova em Virgem, na quinta-feira, numa Lunação que é também Eclipse Total do Sol e que vem nos desafiar a deixar de vez o passado para trás e a olhar para o futuro, para o Norte das nossas aspirações, para o Norte do nosso desenvolvimento.

Brooke Shaden Photography - Reprodução
Brooke Shaden Photography – Reprodução

SEGUNDA-FEIRA, 29 de agosto – Mercúrio estaciona às 10h03min, a 29°01’ de Virgem para entrar em retrogradação, enquadrado por Júpiter e Vênus, os dois Benéficos. Vênus, que tinha recebido a conjunção de Mercúrio em 16 de julho, agora o ultrapassa em direção a Libra e faz uma conjunção meio reversa, em que é Vênus quem vai ao encontro dele. A Lua está Balsâmica em Câncer e se harmoniza com Júpiter, Mercúrio e Vênus em Virgem, ficando vazia depois do contato com Mercúrio, às 03h24min. A Lua ainda se desafina com Marte e ingressa em Leão às 05h12min, de onde faz trígono a Saturno já à noite. Vênus ingressa em Libra às 23h07min, onde ficará até o dia 23 de setembro. O dia traz uma harmonia calma ou uma calma harmônica, mas é uma calma talvez enganosa, porque intuímos que é apenas uma trégua temporária, que nos permite respirar um pouco antes do próximo round – esta semana tem Eclipse Total do Sol! Paramos e olhamos ao redor para identificar onde estamos, para guardar na memória detalhes que funcionem como pontos de referência, um tipo de mapeamento – ou talvez, como João e Maria, saímos deixando pistas na trilha, para conseguir encontrar o caminho de volta. Temos, pois, uma influência favorável para começar a semana de maneira organizada, coesa e estruturada; para fazer nossos back-ups e check-ups e para analisar, pausadamente, o que é que precisa mais da nossa atenção e que tenta atraí-la de forma gritante. O dia traz insights claros e muito lúcidos sobre o que precisamos fazer e onde precisamos ir, qual é o próximo passo, subir ou descer. Revisão de ideias, caminhos, tarefas e métodos estão na lista. É como uma voz que grita: “para tudo!” E nós paramos para ouvi-la, porque vale a pena escutar! Essa é a voz interna, poderosa, nítida e lúcida. A voz da sabedoria, ancestral, arcaica… A voz da Lua Balsâmica olhando para o futuro: o que nos espera? Meditamos e contemplamos no silêncio do nosso coração e decidimos que não vamos esperar que nada aconteça a nós – nós é que iremos acontecer ao que quer que encontremos pelo caminho! Não desperdice essa vibe!

Catrin Welz-Stein - Reprodução
Catrin Welz-Stein – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 30 de agosto – De Leão, a Lua Balsâmica se desentende com Netuno em Peixes e com Plutão em Capricórnio, mas se afina com Marte em Sagitário, fechando a noite em trígono a Urano e quincunce a Quíron. Mercúrio está oficialmente retrógrado a partir das 10h03min. Um dia de contradições profundas e desconcertantes. Queremos brilhar e chamar a atenção para nossos feitos, mas algo parece estar fora de lugar, porque não parece legítimo e nos vemos pressionados internamente a ceder o holofote ou a atenção para alguém mais, o que nos deixa ressentidos e inseguros internamente. Mas, longe de isso nos fazer parar, talvez resolvamos encarnar a prima-dona e encenar grandes dramas no melhor estilo “falem mal, mas falem de mim”, até que a ficha caia e percebamos que nos enredamos numa teia intricada e difícil de desemaranhar, o que nos deixa meio tímidos e desengonçados, porque nos sentimos agudamente expostos. Sim, comportamento meio infantil, mas que é iluminado para ser eliminado. Contudo, fazemos melhor se utilizamos todas essas energias e influências para uma autorreflexão, para iluminar nossos próprios processos e proceder com as devidas finalizações e conclusões, ao invés de investir nos dramas desnecessários. Podemos nos sintonizar com uma reserva de autoconfiança e motivação, para concluir pendências de modo satisfatório, que trazem um senso de realização concreta pela coisa em si, como também pela liberação que a conclusão traz. E então concentramos grande energia e vigor nesse intento. Mas precisamos de atenção, porque, se antes era a insegurança, agora é a obsessividade pode nos fazer perder em objetividade e quando vemos, não sabemos mais porque nos lançamos com tanto empenho em todas essas situações – será que estamos ritualizando outras conclusões além daqueles visíveis diante de nós? Se assim for, talvez a ideia até seja válida, mas ainda é preciso ter consciência e clareza de porquê o fazemos. Bom senso é fundamental! O dia pede alguma cautela porque há necessidade de contenção e de se poupar energias para a próxima etapa. É inútil fazer investimentos grandiosos, além do estritamente necessário, porque a terra descansa, é inverno, os dias são propícios ao recolhimento e à limpeza. Lembremos disso antes de nos empenharmos em ideias afoitas que talvez não levem a lugar nenhum. É mais útil eliminar aquilo que não serve mais, abrindo espaço para o novo entrar.

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QUARTA-FEIRA, 31 de agosto – A Lua Leonina e Balsâmica formaliza o quincunce a Quíron e o trígono a Urano, ficando vazia logo depois, à 01h20min. Ingressa em Virgem somente às 12h22min e faz apenas uma sesqui-quadratura a Plutão em Capricórnio, aproximando-se aos poucos depois da conjunção ao Sol, que está em sesqui-quadratura plena a Urano. A Lua olha mais profundamente para o futuro e os nossos sonhos podem trazer visões e presságios poderosos nesta noite. Que mudanças precisamos fazer em nós mesmos, nossas atitudes e comportamentos que ainda não ficaram claros até aqui? Que parte dessa criança que nós somos precisa ser deixada para trás? Certamente aquela parte birrenta e irascível, a parte que gosta de se quedar vítima do sofrimento – criado por nós mesmos – e das próprias queixas lamuriosas. Quando é possível, a mudança deve ser providenciada; quando não é, a situação deve ser aceita, com humildade e maturidade, do contrário, nossa vida fica miserável e vai parecer sempre fora do nosso controle. Assim, o dia traz essas visões de futuros possíveis a partir das muitas possibilidades de mudanças, mudanças empreendidas por nós, madura e consistentemente. Entretanto, precisamos estar cientes de nossas contradições internas no que tange ao comprometimento que empenhamos nos nossos objetivos – será que são mesmo esses objetivos que alimentam o nosso coração? – do contrário, quando menos esperamos resolvemos chutar o balde num rasgo de autossabotagem que põe tudo a perder no momento crucial. A manhã fica propícia a essas reflexões e às elucubrações sobre como manifestar os potenciais criativos no próximo ciclo; já a tarde fica mais industriosa e prática, de modo que procedemos com as últimos limpezas e aragem do terreno onde lançaremos a rica semeadura dos nossos sonhos e projetos na Lua Nova de Virgem.

Eclipse Anelar do Sol - Reprodução
Eclipse Anelar do Sol – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 1° de setembro – A Lua faz conjunção ao Sol a 09°21’ de Virgem, às 06h03min, num Eclipse Anelar do Sol – que é também total, mas como a Lua está muito distante do Sol, temos um anel ao redor do eclipse. O eclipse ocorre em quadratura de menos de um grau a Saturno – o Sol está em quadratura exata a ele hoje – e oposição muito próxima a Netuno e quadratura mais ampla a Marte. A Lua ainda faz sesqui-quadratura a Urano e trígono a Plutão e estes aspectos também são importantes nesta Lua Nova. Um eclipse que vem jogar ênfase sobre a quadratura pesada e dolorosa de Saturno e Netuno, que perdura nos céus desde 2014 é tudo o que precisávamos para fechar com chave de ouro essa configuração. Um novo ciclo é inaugurado, em que precisamos nos sincronizar com a ordem da natureza, que traz intrínseca em si a semente do caos e da desconstrução das verdades nebulosas, que nem sempre são condizentes com a realidade.

Tiia Reijonen on Behance - Reprodução
Tiia Reijonen on Behance – Reprodução

Este eclipse fala de deixar para trás as ilusões infantis e de encarar a realidade como ela é. De abrir bem os olhos e ver. Ver com os olhos físicos, com os olhos da alma, com os olhos da intuição, com os olhos internos que enxergam mais longe e que só estiveram fechados porque assim nos escolhemos. Abrimos os olhos e vemos a luz excruciante da verdade de dilacera nossa visão. E abrimos os ouvidos. E  ficha cai, finalmente. E cai de forma estridente, a tinir no tímpano dolorosamente. Esse momento de cair na real pode ser muito duro, porque os véus são descerrados e podemos finalmente ver o que antes eram apenas borrões obscuros. Infelizmente, o que vemos não é nada agradável, mas talvez seja tarde demais para voltar atrás, porque o leite já se derramou e não há retorno. Contudo, há aprendizados que, embora sejam duros como sopapos bem dados no meio das nossas fuças, são bastante válidos e talvez agora aprendamos a dura lição. É preciso deixar as ilusões tolas e o passado fossilizado e oco para trás e inaugurar uma vida nova de cara limpa. Por mais difícil que seja a realidade, pode ser um momento construtivo de lidar com a verdade e de crescer. Em termos práticos, a Lua Nova e Eclipse em virgem favorece a eliminação de maus hábitos e comportamentos nocivos que afetam nosso corpo e saúde negativamente – pode ser um ótimo momento para deixar de fumar, por exemplo, ou para eliminar quaisquer outros hábitos que prejudicam a qualidade de vida – e também nosso trabalho e vida cotidiana em geral. É hora de inaugurar hábitos novos e mais saudáveis, de forma que possamos ter uma vida de mais qualidade e muito mais sentido.

Veja o significado dos próximos eclipses por casa no Mapa Natal
Veja o significado dos próximos eclipses por casa no Mapa Natal
Kirrei.com - Reprodução
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SEXTA-FEIRA, 2 de setembro – O Sol Virginiano faz oposição plena a Netuno em Peixes, enquanto Mercúrio faz sua segunda conjunção a Júpiter. A Lua segue renovada por Virgem e hoje faz oposição a Quíron, quincunce a Urano e conjunção a Mercúrio e a Júpiter, ficando vazia às 19h13min depois deste contato. A Lua ingressa em Libra às 21h56min. Nosso desejo e necessidade por ordem e perfeição são desafiados ao máximo hoje e nos encontramos miseravelmente dispersos, incoerentes e fragmentados em muitas direções. Além do senso de ordem e estrutura, falta-nos a confiança que nos permitiria ir atrás de nossos objetivos de forma destemida e, como não conseguimos ser suficientemente assertivos e seguros, nossa autoestima fica ainda mais vacilante, de modo que se não vigiarmos, entramos num círculo vicioso doentio e de difícil saída, porque sentimo-nos bastante impotentes para modificar traços em nós mesmos e situações ao nosso redor. Podemos ficar nessa espiral destrutiva por horas e dias. Mas, a sensibilidade que nos faz vacilar é a mesma que nos permite manifestar nossos dons criativos e nosso grande altruísmo, de modo que podemos usá-la em benefício de outros, o desafio é exatamente fazer isso de maneira coesa, como um serviço que oferecemos de bom grado, em lugar de nos sentir vítimas das circunstâncias e até de nós mesmos. A consciência aguda de nossas limitações pode, ao invés de nos colocar para baixo, ser o trampolim de onde damos impulso para mergulhar fundo naquilo que podemos realmente transformar e manifestar criativamente. O pano de fundo mental absorve todas as nuances e variáveis, mas consegue rever onde podemos ter errado no passado, de modo que agora podemos usar esses mesmos erros como lições e aprendizados que nos estimulam a fazer melhor e mais conscientemente desta vez. Sobretudo, precisamos ser humildes e nos ater ao que é possível, sem exigir de nós mesmos ideais de perfeição irrealizáveis e, por isso mesmo, frustrantes. Viemos de uma fonte divina e para lá voltaremos, mas, por enquanto, ainda precisamos lidar com esse plano de limitações que devem ser aceitas, mas isso não deve embotar a fé em nós mesmos, porque a principal lição é acreditar em nós próprios, a despeito de todas as nossas dificuldades e falhas. Olhar para dentro e perceber que a despeito de todos os erros e defeitos que percebemos em nós, no centro há o núcleo indestrutível e perfeito e é esse senso de integridade que deve nos guiar.

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SÁBADO, 3 de setembro – A Lua está em Libra e faz conjunção com a dona da casa, Vênus. Mais tarde a Lua também se afina com Saturno enquanto se desentende com Netuno. O Sol segue em oposição a Netuno e quadratura a Saturno e Mercúrio vai seguindo seu caminho descendente no Mundo Inferior, incitando-nos a fazer nossas revisões profundas de pensamentos e ações. Um momento de calmaria e análises mais desapegadas de todas as confrontações por quê passamos: talvez consigamos digerir os resultados sem tantos dramas e com alguma sobriedade, sem ficar chorando ou nos lamentado, afinal, agora é bola para a frente, é acordar para o que dá para consertar e eliminar o que não tem conserto. Em termo práticos e pontuais o dia favorece encontros leves que dispensem os assuntos densos, porque nem nós nem o outro temos muita clareza de nossos sentimentos e reações, de modo que estamos suscetíveis a nos sentir ofendidos ou ignorados num assunto que seja mais sensível, portanto, se não temos certeza de que nossa audiência irá respeitar o que temos a dizer, melhor guardar o assunto para outra ocasião ou para ouvidos mais atentos e respeitosos e ficar nas trivialidades leves, mas seguras.

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DOMINGO, 4 de setembro – A Lua Libriana conversa animada com Marte em Sagitário, mas arruma uma baita confusão com Plutão e com Urano. Como se não bastante, ela ainda se irrita com Quíron e fica vazia às 21h32min, depois da briga com Urano. O Sol está em conjunção exata ao Nodo Norte em Virgem. O amanhecer traz tensões difíceis de digerir e impossíveis de evitar: precisam ser encaradas e resolvidas na lata! Com o dia começando já neste clima tenso, ficamos estressados e indóceis, porque lutamos por uma harmonia e uma conciliação que parecem distantes, uma distância inversamente proporcional ao esforço com que buscamos essa harmonia. Precisamos usar de honestidade emocional nas nossas crises e dilemas, especialmente naqueles que envolvem os afetos e as relações em geral: será que secretamente não investimos em tais crises para nos sentir vivos e importantes para aqueles das nossas relações? O dia também requer muita cautela porque estamos impulsivos, de modo que podemos agir precipitadamente, piorando as situações com nosso comportamento imprevisível, altamente reativo e talvez um tanto infantil. No fundo, desconfiamos de nossas emoções e sentimentos, que hoje são intensos e voláteis e só nos impulsionam em direção à criação de mais drama e mais conflito. O que precisamos é perceber essa necessidade de nos sentirmos realmente vivos, com toda a intensidade a que achamos que temos direito e para isso, podemos nos engajar em atividades estimulantes e criativas, que nos façam entrar em contato com as emoções tumultuadas e selvagens que convulsionam o coração, de modo que elas sejam canalizadas construtiva e visceralmente, a ponto de transformar a forma como enxergamos a nós mesmos e aos nossos processos emocionais mais profundos. Podemos convidar as mesmas pessoas com quem travávamos os embates acalorados e descobrimos que a briga a favor é tão ou mais estimulante do que a briga contra e de quebra, ainda aprendemos mais uns sobre os outros e isso, ao invés de nos afastar, nos aproxima porque percebemos que o outro está atrás do mesmo que nós: harmonia e crescimento, então, por que não podemos buscar isso juntos? Por todos os motivos descritos acima, em termos práticos o dia requer cautela nas interações devido à propensão a conflitos e também no trânsito, devido à grande impetuosidade e precipitação.

Desejo a você uma semana de bênçãos e crescimento! Que essa realidade tão dura seja administrável e nos faça, de fato crescer! ótima semana!

Andrea Clare

Tiia Reijonen on Behance - Reprodução
Tiia Reijonen on Behance – Reprodução

Lua Cheia em Escorpião: purgar e transcender

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Fernando Tavares – Lua Cheia em João Pessoa

A Lua é cheia na madrugada de domingo para segunda, dia 04 de maio, às 00h42min no horário de Brasília e às 04h42min no horário de Lisboa (23h42min do domingo, 3, no horário de Cuiabá), a 13°22’ de Escorpião. Se a Lua Nova simboliza o casamento da Lua e do Sol ou um momento de fecundação, a Lua Cheia, como ápice do ciclo, simboliza um momento de crise, um divisor de águas a partir do qual ou o casal se separa ou a relação se fortalece, se aprofunda, ficando o casal mais cúmplice e ainda mais unido. No caso da fecundação a Lua Cheia simboliza o nascimento da criança. É muito comum, embora não seja regra, que pessoas nascidas na Lua Cheia tenham passado pela experiência do divórcio dos pais, ou que mesmo que não tenha havido separação, os pais viviam “em pé de guerra” por assim dizer, e a criança sentia-se angustiada por se sentir pressionada a escolher entre um e outro. Em outras palavras, a divisão é entre os princípios masculino e feminino da psique, ou um conflito entre os propósitos conscientes e as necessidades de nutrição e segurança emocional.

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Josephine Wall – Touro – Reprodução

O eixo Touro-Escorpião está relacionado com “sexo, desejo e propriedade e enquanto Touro se preocupa em construir, Escorpião cuida de destruir. Os dois signos lidam com questões de adquirir e manter dinheiro, posses e amantes/amores. Os dois podem ser extremamente possessivos com pessoas ou recursos, mas enquanto Touro se inclina mais para a acumulação de coisas, Escorpião se inclina para a posse emocional”, afirma Sue Tompkins (1). Ela continua dizendo que Touro busca satisfazer necessidades básicas de comida, abrigo e sexo, gozando da fartura da Natureza e dos prazeres sensuais dos sentidos, enquanto constrói estabilidade sem questionar suas motivações, uma vez que vê a vida de forma simples e descomplicada.

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Escorpião – Reprodução

Já Escorpião busca experimentar a vida de forma intensa, acumulando experiências, querendo sempre mais e mais, compulsiva e obsessivamente, destruindo no processo, tudo o que ameaçar restringir seu desenvolvimento, provocando crises que visem eliminar o obsoleto, antes mesmo de se tornar como tal. Em busca das novas experiências, destruirá aquilo que já existe, não importa quão doloroso isso seja. “Touro ensina a Escorpião aceitação e paciência, enquanto Escorpião convida Touro à paixão e a viver a vida mais profundamente”. Esse eixo também está relacionado com a carta do Diabo, por suas associações com instinto, poder, posse, luxúria e apegos.

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Arcano XV, O Diabo – Tarô de Nei Naiff

Em Escorpião também entramos em contato com os valores alheios e nos misturamos ao outro na intimidade, no quarto de dormir, ou seja, estamos falando do que trocamos e de como trocamos na intimidade: carícias, fluidos, energias, valores, amor, prazer, experiências… Em contato com os valores dos outros talvez transformemos os nossos ou os reiteremos. Por valores leia-se posses materiais, dinheiro, como também os valores mais profundos sobre os quais baseamos nossas atitudes, decisões e vivências.

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Reprodução

Vemos então, a partir disso, qual é a tarefa proposta pela Lua Cheia de Escorpião: eliminação do obsoleto, eliminação dos apegos, transformação dos valores e da intimidade. Eliminação daquilo que se solidificou e cristalizou em demasia, a ponto de impedir nosso movimento, o avançar para novas experiências. Mas aqui não se trata apenas das coisas materiais às quais Touro se apega tão ferrenhamente; precisamos ir além e eliminar principalmente os sentimentos venenosos que infestam e contaminam nosso coração de toxicidade; eliminar rancores e mágoas, que Escorpião tantas vezes carrega como se fossem verdadeiros tesouros e que impedem que nos conectemos verdadeiramente aos outros e à vida. É sempre bem mais fácil se desapegar de coisas do que de sentimentos, sejam eles bons ou ruins.

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Lua Cheia em Escorpião, Brasília, 04 de maio de 2015, 00h42min

O mapa da Lua Cheia traz uma configuração que exagera e amplifica ainda mais estes temas, porque Lua e Sol fazem uma quadratura quase exata, de apenas 12 minutos de orbe, com Júpiter em Leão. Aqui, a tarefa da Lua é eliminar o inútil e sem vida, os rancores virulentos, as mágoas traiçoeiras que queimam o coração e envenenam a vida. Porque só depois de termos feito essa limpeza e purgação é que conseguiremos viver com mais intensidade e paixão, e, principalmente, com mais integridade e verdade. Júpiter é o foco da T-Square fixa que tem por base a oposição Sol-Lua. Além de expandir e dramatizar estes temas, Júpiter nos fala que o resultado positivo dessa alquimia que transforma possessividade em liberação e incinera o lixo tóxico dos apegos físicos e emocionais, é um coração que volta a ser inocente, juvenil, limpo do fel que nos entristece e nos amesquinha. Libertos dos ressentimentos e animosidades, podemos liberar também a criatividade, a alegria, a fé e a vontade de viver de forma mais autêntica. Um coração limpo e renovado também é mais justo, generoso e magnânimo! E também mais apaixonado e verdadeiro. Sendo a Lua Cheia uma colheita, o que faremos com seus frutos, aqueles plantados lá na Lua Nova? Seremos avaros e os guardaremos somente para nosso próprio prazer e usufruto, ou abriremos nosso celeiro e coração para partilhar a abundância que nos foi dada? Podemos nos agarrar a esses frutos com medo de perdê-los ou podemos partilhá-los e perceber que se multiplicam.

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National Geographic Reprodução

Júpiter como foco dessa T-Square também aponta para o risco de nos enrijecermos e nos apegarmos ao nosso orgulho de forma teimosa e arrogante; por causa do nosso orgulho, então, não cedemos um milímetro e nos apegamos ainda mais obstinadamente à nossa mágoa ou à ofensa que achamos que o outro nos imputou – e viva o senso da auto-importância! Criamos crises desnecessárias e viramos rainhas ou reis do drama, para chamar a atenção e manipular nossa audiência, aumentando, de novo, esse senso de auto-importância, sem perceber que perdemos com isso o respeito dos outros e até o próprio – viramos meros bufões no palco da grande ópera. É preciso, sim, abrir o coração para a generosidade e a doçura, abrir mão das mágoas e aceitar, beber do copo de magnanimidade que nos é oferecido.

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Julien Pacauld – Perpendicular Dreams  Reprodução

O que me leva ao Símbolo Sabiano do grau 13 de Escorpião, o grau da Lua Cheia: “um instalador de telefones trabalha instalando novas conexões”. O símbolo fala de conexões, de ser capaz de se conectar com pessoas ou situações, às vezes através de equipamentos ou mesmo de forma psíquica, diz Lynda Hill. “Isso fala de networking e o desejo de falar com as pessoas e juntá-las para melhorar a comunicação. Se pessoas fracassaram em expressar completamente seus pensamentos, idéias ou emoções, nada conseguirão se ficarem somente se preocupando com isso; antes, é preciso fazer algo para consertar as linhas de comunicação. Fazer isso pode causar novas conexões surpreendentes, com pessoas se conectando mesmo dos lugares mais isolados” (2). O símbolo está relacionado com a comunicação, telefones, emails, internet e todo o tipo de networking. Também sugere linhas cruzadas, fracasso nas comunicações ou fofocas e ressentimentos, manipulação. Este símbolo também é importante porque os dois responsáveis por conexões, Vênus e Mercúrio, estão ambos Fora de Limites atualmente, indicando que tudo pode acontecer no que tange ao estabelecimento destas associações – e mais: Mercúrio entra na sombra de retrogradação já na segunda-feira e estará estacionário no mapa da próxima Lua Nova. Assim, a Lua Cheia neste grau de Escorpião convida e propõe uma abertura nos canais de comunicação com as outras pessoas, a tornar-nos mais receptivos se queremos resolver querelas, desentendimentos e rixas; se queremos de fato limpar e liberar nosso coração e nossa alma do azedume que por acaso tenha tomado conta de nós. É preciso limpar os canais para que a conexão seja restabelecida e seja efetiva – mas se preferirmos, podemos continuar com o fone fora do gancho, com as linhas cortadas, emburrados e apegados ao nosso orgulho, deixando a vida murchar ao nosso redor.

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Hedy Lamarr, que tinha Vênus fora de Limites – Reprodução

Por fim, não posso deixar de falar de Vênus, a regente de Touro que está em Gêmeos, fora de curso, praticamente sem aspecto, apenas se separando da quadratura a Quíron, já com mais de 5 graus de orbe; mais: Vênus está Fora de Limites até o dia 1° de junho. Esses dois fatos sobre Vênus apontam para uma expressão radical e extravagante dos afetos e dos apegos, indicando uma manifestação imprevisível destes afetos e da própria sexualidade. Por que Vênus é importante? Porque além de ser regente do Sol, ela é também regente de um dos dispositores da Lua Cheia, Marte, regente de Escorpião, que está em Touro. Marte também está quase sem aspectos, se separando de um sextil ao mesmo Quíron. O outro regente de Escorpião, Plutão, já sabemos, está em Capricórnio em quadratura a Urano, recebendo trígono do Sol, sextil da Lua e quincunce de Júpiter – ou seja, bem integrado e indicando que estamos mais que conscientes da grande necessidade dessa transformação. De modo que precisamos fazer um esforço consciente e altruísta na direção da limpeza, do perdão, da liberação das mágoas para que as conexões sejam restabelecidas – não podemos deixar nas mãos do acaso e dos caprichos de uma deusa do amor extremada que pode tanto nos juntar, quanto nos separar mais ainda. Não só as conexões com as pessoas lá fora, mas também a conexão conosco mesmo, com nossa criança e alegria interiores, com nossa fé e, principalmente, com nosso coração generoso e magnânimo!

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Samarelart – Reprodução

Vênus Fora de Limites está focada nas próprias coisas, ao invés de seguir os ditames do Sol, que, aliás, é seu regido. Assim, a tendência é focarmos no prazer e na alegria e buscarmos a expressão livre e mais espontânea dos afetos. Vênus nesta posição também sugere uma transformação radical na forma como vivenciamos nossa sexualidade, caso ela tenha caído na previsibilidade, no mero hábito e no conservadorismo, como simbolizados pelo Sol em Touro. Escorpião nos convida a questionar o hábito e o costume, a repetição, a satisfação meramente carnal e a ir além, a viver a sexualidade de forma passional e intensa, a uma entrega visceral e completa, com o intuito último de chegar mais perto de Deus, porque em última instância, para além da dimensão físico-biológica, essa é a função do sexo: diminuir a separatividade humano-humano e nos conectar com o divino no outro e no mais profundo da nossa alma, conexão propiciada pela perda do senso de ego ocasionada pelo orgasmo – a pequena morte. Uma sexualidade que é mais que satisfação dos instintos e dos impulsos biológicos pela reprodução, que nos coloca no caminho da transcendência.

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Thespiritscience – Reprodução

Permitamos então, nesta Lua Cheia, que as águas de Escorpião nos purifiquem de nossas mágoas e dissabores; libertemo-nos das velharias, do ranço, do bolor, do azedume da alma, para que nosso coração possa voltar a ser criança e amar inocentemente, apenas pelo gosto e satisfação de amar; vivamos a sexualidade também como forma de conexão profunda e não apenas como descarga física. Demo-nos ao luxo dos luxos de ser generosos, espontâneos, criativos, apaixonados e verdadeiros em tudo o que fizermos; de viver intensamente, com entusiasmo e alegria, porque Escorpião, melhor do que ninguém, sabe que nos ciclos que se repetem vida afora, os dias não voltam e a dádiva do hoje é um presente único e irrepetível!

Desejo a você uma feliz Lua Cheia, cheia de alegria, de generosidade, de paixão, entusiasmo, de transcendência!

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Magicalnaturetour – Reprodução

OBSERVAÇÃO: Com Vênus Fora de Limites e Júpiter como foco dessa T-Square Fixa, é preciso ter cuidado também com exageros. Júpiter e Vênus são focados no prazer e na diversão e aqui podemos perder a mão e errar feio na gestão dos nossos afetos, valores, recursos, tornando-nos vorazes consumidores de comida, luxos, sexo, bens, pessoas… É bom manter em cheque os apetities!

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Marina Mollares Reprodução

(1) Sue Tompkins – the Astrologers handbook

(2) Lynda Hill – The Sayan Oracle