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Lua Cheia em Libra – Da desordem e do caos

Birth Chart Painting – Libra Full Moon – Reprodução

O ciclo Ariano iniciado no dia 27 de março tem seu apogeu na Lua Cheia de Libra, que ocorre na madrugada desta terça-feira, dia 11, às 03h08min no horário de Brasília – 07h08min no horário de Lisboa. O eixo Áries-Libra tem como temas básicos os relacionamentos, como o EU se encontra e se relaciona com o OUTRO. Enquanto Áries concentra-se em si mesmo e na sua vontade pessoal, Libra trata da alteridade e propõe equilíbrio, que o EU encontre maneiras de incluir o outro e, talvez até de tornar-se um NÓS.

Lua Cheia em Libra – Brasília, 11 de abril de 2017, 03h08min

A Lua atinge seu apogeu no grau 21°32’, em conjunção a Júpiter, quadratura próxima a Plutão e oposição, também próxima e aplicativa, a Urano, formando uma T-Square Cardinal explosiva, da qual Plutão, planeta das transformações profundas, é o foco. A Lua ainda faz quincúncio a Marte em Touro. Só por essas configurações, já poderíamos antever que é uma lunação explosiva, catártica, de liberação de muitas energias densas e liberação de entraves. A Lua em Libra vem fazer o contraponto à forte energia individualista do Sol em Áries, que ganha o reforço de Urano, que tem um destaque especial nessa lunação, porque logo receberá a conjunção do Sol.

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Essa ênfase que Urano recebe, sugere que prestemos atenção à nossa intuição, que busquemos fazer diferente e inovar nas relações. Libra é um signo que busca e prima pelo que é socialmente aceitável, assim como Capricórnio, por razões diferentes – Capricórnio quer poder, Libra quer ser aceito e não é à toa que Saturno, regente de Capricórnio, está exaltado em Libra! Mas a oposição Lua-Urano lembra que precisamos agregar o novo, o diferente, quebrar as regras de vez em quando, infringir um pouco a tradição e sair dos convencionalismos. Porque se não escutamos Urano e insistimos no excesso de convencionalismo e no que é esperado de nós, podemos ser atingidos por um raio, levar um choque ou ter que lidar com situações muito estressantes e que fogem totalmente do nosso controle.

Sempre que nos excedemos num princípio, invocamos o princípio oposto, para trazer o equilíbrio, mas se estamos inconscientes, esse princípio se manifestará de maneira estressante e talvez destrutiva. Excesso de Saturno (regras, estrutura, tradição, convenções, realismo, responsabilidade) invoca a ação de Urano (rebeldia, inovação, liberdade, progresso) ou de Netuno (sonho, fantasia, escapismo, dissolução, caos) ou ainda de Júpiter (falta de limites, irresponsabilidade, crescimento desenfreado, exagero). Plutão tem algumas similaridades com Saturno, porque ambos gostam de poder e controle, mas Plutão também pode funcionar no sentido de nos tirar o poder e o controle e assim, pode esmagar Saturno. E o reverso também é verdadeiro… Excessos desses planetas mencionados, podem invocar a ira e o relho de Saturno, que é o oposto psicológico de qualquer outro planeta ou luminar.

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Então, Libra, sendo a exaltação de Saturno, vai sempre primar pela ordem, pela convenção, pela civilidade. Mas nesta Lua Cheia, Libra precisa integrar um pouco de rebeldia e, principalmente, ser capaz de se afirmar e ser um pouco mais independente, de não esperar sempre pela opinião do outro, nem estar tão disposto a corresponder às expectativas alheias. Urano urge que sejamos mais originais, mais livres e menos dependentes; que sejamos mais nós mesmos e vivamos menos em função do outro; que quebremos um pouco a regra do “aceitável” e atrevamo-nos a ser diferentes, a fugir um pouco da norma. Dentro das relações, isso implica preservar a própria individualidade e não se anular ou se perder no outro, agir com verdade e honestidade consigo próprio e também com o outro. É isso ou Urano será invocado de forma destrutiva e poderá trazer surpresas desagradáveis, rupturas abruptas, desconcertantes e possivelmente, definitivas.

Tracy Allen – Reprodução

Júpiter, com quem a Lua está conjunta, já coloca fortemente o tema da liberdade, a necessidade de crescermos juntos, dentro das relações, mas de preservarmos nossa liberdade e independência de crenças e valores. Júpiter também é líder de uma formação chamada Locomotiva neste mapa, o que faz com que tenhamos uma coloração fortemente Jupiteriana aqui. Júpiter era Zeus na mitologia grega e ele era um deus que primava pela liberdade, assim como legislava sobre o Olimpo e sobre os humanos. Zeus era casado com Hera, com quem vivia às turras, exatamente porque ela significava o princípio do compromisso. E ainda temos Plutão nessa configuração, que adiciona intensidade e profundidade a esses temas, além de exigir que transformemos a maneira como vivemos nossas relações, que sejamos mais autênticos e honestos em todos os nossos “negócios”. Plutão é um planeta impessoal, assim como Urano e esses planetas não “se importam” muito com o indivíduo, simbolizam princípios implacáveis da psique, forças que irão se manifestar e agir dentro ou fora de nós, de um jeito ou de outro. Se estamos abertos e promovemos as alterações voluntariamente, ótimo! Do contrário, vai à revelia mesmo. Queiramos ou não.

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Então, a exemplo da Lua Nova de Áries, a Lua Cheia de Libra também traz para a linha de frente a necessidade de discutirmos as relações, como se já não estivéssemos fazendo isso há um bom tempo. A Lua Nova ocorreu exatamente em conjunção a Vênus retrógrada, que ainda estava no início de Áries, destacando esse tema das relações e da retrogradação de Vênus, além dos temas de autoestima e dos nossos valores. Agora, novamente a ênfase recai sobre esses temas, porque, além de Libra ser o signo do relacionamento, Vênus é a regente da Lua em Libra. Como sabemos, Vênus continua retrógrada. Nesta semana, está particularmente sensibilizada, porque está em Peixes, conjunta a Quíron e em quadratura quase exata a Saturno em Sagitário. Em três dias Vênus estacionará, para voltar ao movimento direto no dia seguinte. Ou seja, Vênus também está ultra destacada nesta lunação. E sugere que além de vivermos as relações de forma menos dependente e mais assertiva, como sugeria na Lua Nova de Áries, que também nos responsabilizemos pela realidade relacional que criamos na nossa vida. Vênus está conjunta a Quíron, indicando um aumento da vulnerabilidade da já etérea Vênus Pisciana; mas essa conjunção também indica a propensão a associarmos relações com sofrimento, a nos atrairmos por pessoas complicadas, que precisam ser “resgatadas” e nós lá vamos, tentar salvar o outro, sem nem perguntar se ele quer ser salvo. E depois reclamamos que somos infelizes e que fomos enganados – na verdade, nós nos enganamos a nós mesmos. Mas Vênus também está em quadratura a Saturno, que demanda que nos responsabilizemos por esses padrões nos quais nos emaranhamos; que sejamos realistas quanto ao idealismo excessivo com que olhamos os outros e também a dificuldade de enxergar a nós mesmos, como realmente somos; Saturno também sugere que precisamos encarar o quanto talvez sejamos emocionalmente exigentes e famintos de afeto, sempre cobrando ou criando expectativas altas demais, esperando ser preenchidos pelo outro e quando isso não acontece, nos sentindo rejeitados e incompreendidos.

Roberto Ferri – Reprodução

Vênus, nessa configuração com Quíron e Saturno, pede que tenhamos empatia e compaixão por nós mesmos, antes de termos pelos outros; que nos responsabilizemos pela nossa história, mas que nos des-identifiquemos dos padrões repetitivos de sofrimento; que lidemos com nossas feridas e abandono infantis, para não implodir futuras relações, ao ficar sempre defensivos, fechados, frios, acabando por provocar as reações que tanto temíamos: rejeição e abandono. E quando compreendemos tudo isso e aceitamos, podemos talvez modificar nossos parâmetros e referências e então, não precisaremos mais rimar amor com dor – existem rimas mais ricas e belas às quais podemos recorrer e até aceitar que há poemas em que as rimas não precisam ser exatas ou perfeitas – alô Urano! E Vênus conjunta a Quíron também indica que devemos incluir e aceitar o lado mais melindroso, defeituoso, trôpego, incompleto, tanto em nós mesmos quanto no outro. Vênus em Peixes busca a perfeição, mas Quíron vem lembrar que isso não existe, que somos todos limitados e capengas de alguma forma. E Saturno diz a mesma coisa, de outro jeito: aqui é a dimensão do real, aqui, nada é perfeito. E lide com isso!

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Outra coisa interessante é que a Lua também se opõe a Éris neste mapa e Eris é o Ponto Médio entre Urano e o Sol e faz quadratura ao Ponto Médio entre a Lua e Urano – Urano está em conjunção a Eris já há bastante tempo, visto que o ciclo de Eris é muito longo e este asteroide demora décadas num mesmo signo. Éris é a Deusa da Discórdia e do Caos. Isso me lembra um dos mitos mais associados a Libra: o mito de Paris e Helena, que causaram a Guerra de Troia. Mas na verdade, a história começou bem antes. A história começa exatamente com Éris. Os deuses resolveram dar um banquete no Olimpo e todos os deuses e deusas foram convidados, menos Éris, por razões óbvias, porque ninguém queria trazer a discórdia para a festa. Mas ela ficou sabendo e, discordante como era, não se fez de rogada e foi mesmo assim – ela não se importava muito com civilidades e em ser aceita, queria mesmo era “causar”. Entrou de supetão – tem um quê de Urano – e atirou no meio da mesa uma maçã de ouro, com os dizeres: “Para a mais bela de todas as deusas”. E foi embora, algo que também me lembra a Malévola, de a Bela Adormecida. Claro que todas as deusas queriam ganhar a maçã, e a briga ficou entre Hera, Athena e Afrodite, mas nenhum deus era idiota para fazer essa escolha. Então Zeus foi buscar um pastor simples, que tranquilamente pastoreava suas ovelhas no Monte Ida. Quem era esse pastor? Paris, que havia sido desterrado pelo seu pai, o rei Príamo, de Troia, por causa de uma profecia feita antes de Paris nascer, que dizia que ele causaria a destruição do reino. Paris foi convocado por Zeus para fazer a escolha entre as deusas. Ele, como bom Libriano, deu como sugestão dividir a maçã em partes iguais, assim todas ficariam satisfeitas. Apesar do seu charme, a sugestão não foi aceita e ele teve que escolher. Resumindo, ele escolheu Afrodite, porque ela lhe ofereceu Helena, a mulher mais bela do mundo – o fato de Helena já ser casada, era um mero detalhe para Afrodite. Ao escolhê-la, Paris incorreu na ira das outras duas que disputavam o prêmio: Hera e Athena. Resumindo muito: Paris e Helena se apaixonaram e Paris roubou Helena de Menelau, e por causa disso, os gregos entraram em guerra com Troia, que de fato foi destruída, depois de uma guerra de dez anos. E como tudo isso começou? Começou com os deuses excluindo Eris, a discórdia – comportamento típico de Libra, que odeia desagradar e causar discórdias, estando mais interessado sempre em conciliar, sendo expert na arte do “deixa disso”. Então, o que isso vem nos dizer? Que precisamos incluir também, o caos e a discórdia, pelo menos cogitar na possibilidade de que nem sempre conseguiremos ter o controle de tudo ou que nem sempre conseguiremos manter tudo civilizado, plástico, refinado e harmonizado. Tem horas que é preciso discordar, tem horas que é preciso desequilibrar – aliás, Libra é o signo do equilíbrio e em certos momentos vai “bagunçar” tudo, quando sentir que está tudo certinho demais, exatamente para equilibrar – é, às vezes, para equilibrar, precisamos bagunçar! Tem horas em que precisamos bancar nossa dissonância, nossa divergência, nossa discordância. Precisamos incluir Eris, porque se a excluirmos, ela vai dar um jeito de entrar na festa de qualquer forma, então, melhor estar “de boa” com ela e reconhecer dentro de nós esses aspectos dissonantes e caóticos, que querem “causar” e que não se importam tanto em agradar. Se não incluímos Eris, ela vai ficar muito zangada e ninguém vai querer incorrer na sua ira! Já imaginou, estar de mal com a Deusa da Discórdia?

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O dispositor final deste mapa é Netuno, único planeta a estar “em casa” atualmente, visto que é o regente moderno de Peixes. Netuno agrega criatividade, imaginação, compaixão e também gentileza e altruísmo a essa lunação. Negativamente, reforça a sugestão do caos, porque confunde e dissolve os limites que norteiam nossa leitura da realidade. Então, temos um tom de Júpiter-Netuno também forte aqui e, que assinala um exagero, e expande a qualidade extravagante, embora adicione uma certa benevolência. Somando à influência de Urano, temos a indicação de uma lunação que carrega uma forte qualidade de radicalismos, extremismo, caos, situações e crises inesperadas, assim como liberação, desprendimento e iluminação. Precisamos estar conscientes e presentes em nós mesmos, para tirar proveito das qualidades positivas da lunação e não “sofrermos” seus efeitos mais caóticos.

Fabera – Reprodução

Em termos mundanos, essas configurações todas inspiram cuidados, pois sugerem radicalismos ideológicos, fanatismos religiosos e conflitos diplomáticos, visto que Vênus, planeta da diplomacia está retrógrada e em quadratura a Saturno e Mercúrio, planeta das comunicações e também negociador, está retrógrado em Touro, signo inflexível.

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Pelo menos o Símbolo Sabiano para o grau 22 de Libra (21°32’) traz uma imagem de gentileza e harmonia: “Uma criança dando de beber a pássaros numa fonte”. O tom principal, segundo Rudhyar, “é a preocupação das almas simples com o bem estar e a felicidade de seres menos evoluídos que têm sede de renovação da vida”. O símbolo fala da necessidade da gentileza, do cuidado e de nos preocuparmos com outros, especialmente aqueles que mais precisam. O símbolo vem fazer o contraponto à forte energia Uraniana e ao extremismo presente nessa lunação. Fala de calma, doçura, cuidado, pureza e de fazermos as coisas sem expectativa de retorno – algo que também costuma ser difícil para Libra – e que, se pudermos, não devemos nos furtar de ajudar àqueles que precisam, algo que está em consonância com a conjunção Vênus-Quíron, que já fala da grande empatia, sensibilidade e compaixão por outros que necessitam de atenção e cuidados. Assim, a despeito do caos e dos radicalismos, de precisarmos e devermos nos posicionar, isso não pode nos endurecer excessivamente a ponto de não podermos mais ser gentis e carinhosos com outros. Aqui novamente vem a necessidade do equilíbrio, que é tão caro para Libra.

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Portanto, a Lua Cheia de Libra convida a encarar a verdade e a realidade das nossas relações; convida a nos posicionarmos com honestidade e a assumirmos nossa dissidência e dissonância, quando for o caso; demanda que integremos nosso desejo de liberdade e independência e que nos responsabilizemos pelas relações nas quais nos envolvemos e os paradigmas relacionais que criamos, assim como pela transformação de tais paradigmas; que nos liberemos das relações doentias e sobretudo, dos nossos padrões viciados e que busquemos relações mais honestas, com pessoas reais e não com ideais de perfeição. E depois de tudo isso, ainda sermos capazes de ser gentis e amorosos, com os outros e conosco mesmos! Paradoxal? Com certeza! Mas a vida não é um grande paradoxo?

Feliz Lua Cheia para você!

Birth Chart Painting – Libra Full Moon – Reprodução

Lua Cheia em Áries – A verdade te libertará, mas primeiro vai te enfurecer!

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A Lua é cheia na madrugada deste domingo, às 02h23min no Horário Brasileiro de Verão e às 04h23min para Lisboa, a 23°14’ de Áries. A culminação do ciclo de Libra, o ciclo dos relacionamentos, se dá de maneira ruidosa e elétrica, numa Super Lua que exige atitudes radicais e posturas avançadas no lidar com as situações de crise que possam aparecer. Sim, porque a Lua Cheia é um momento de crise na relação da Lua com o sol, é uma crise de relacionamento, que implica uma decisão, um divisor de águas – daqui para a frente, ou nos engajamos de verdade ou nos separamos.

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Separação é um tema chave nessa Lua Cheia de hoje, que ocorre em conjunção de menos de um grau a Urano, o planeta das cisões abruptas e inesperadas. Mas a separação não precisa ser literal em todos os casos, antes é uma tomada de consciência da necessidade de sermos senhoras e senhores de nossa própria vida, desejos e história; de termos nossa autonomia e independência como valor fundamental em equilíbrio à necessidade de estar numa relação. Relações que são baseadas em dependências de qualquer tipo são mais prováveis de enfrentar problemas e crises sérias, assim como relações insatisfatórias que vinham sendo mantidas por mera comodidade ou insegurança – os indivíduos mais afetados são aqueles que têm planetas (particularmente os relacionais e pessoais) entre os graus 18 e 28 dos signos Cardinais – Áries, Câncer, Libra e Capricórnio.

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Mas Urano nesta Lua Cheia também chama a atenção para a imprevisibilidade e a qualidade inesperada de tudo: qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, pode acontecer e o desfecho das situações é completamente imprevisível. Os dados estão rolando e enquanto não caírem na mesa, tudo está em aberto. Isso pode trazer uma grande tensão e ansiedade galopantes, mas também traz uma qualidade de excitação, de empolgação e expectativa de mudança, de que as coisas possam dar uma guinada radical para melhor – ou para pior – impossível prever! Precisamos deixar várias possibilidades em aberto – fixidez aqui é a pior pedida!

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A individualidade da Lua em Áries faz o perfeito contraponto à conciliação excessiva do Sol em Libra e equilibra, de verdade, os pratos da balança. Quando colocamos Urano na equação, um dos pratos da balança pende para um lado, o lado do eu: “preciso muito de você, mas preciso, mais e primeiramente, de mim mesmo – sem mim, eu não sou ninguém, eu não existo. Sem você eu sobrevivo, com certeza”. Parece óbvio? Claro, mas quantas vezes você já viu apaixonados repetindo aquela frase “eu não existo sem você”? Esse tipo de frase não nasce do amor, nem mesmo da paixão, nasce da dependência, pura e simples e é isso que Urano corta pela raiz, com tesoura afiada! Insights e iluminações poderosas podem surgir de repente, tornando claros como o dia cenários que antes eram nebulosos e confusos – como uma paisagem iluminada pelo fulgor de um raio que cai abruptamente. Então esse é um grito de independência, seja a independência de outra pessoa, de uma relação falida, da dor do fracasso dessa relação, de nossos próprios medos e travas, de nossos hábitos ultrapassados, de atitudes previsíveis e enfadonhas, dos padrões repetitivos e desgastante nas relações… Reflita você, do que você precisa se tornar independente, do que precisa se libertar.

Lua Cheia em Áries, Brasília, 16 de outubro de 2016 - 02h223min
Lua Cheia em Áries, Brasília, 16 de outubro de 2016 – 02h223min

Essa lunação se dá ainda mais dramaticamente porque Sol e Lua ainda estão em quadratura ampla e separativa a Plutão em Capricórnio, que exige que a verdade prevaleça e seja encarada sem disfarces, para que a transformação possa realmente ocorrer. Mais importante ainda: o regente da Lua Cheia, Marte, está em conjunção bem próxima a Plutão, incrementando energia, intensidade e medidas extremas aos acontecimentos, aumentando, também, a necessidade de se lidar com a verdade dos fatos. Mas aqui tem uma questão muito importante: “a verdade te libertará, mas primeiro vai te enfurecer” e te frustrar. E muito. Sim, verdades desagradáveis, mas libertadoras podem pipocar ou vir à tona nos próximos dias, ainda mais que Mercúrio acabou de fazer quadratura a Plutão e a Marte, o que sugere que a comunicação fica ácida, intempestiva e que vomitamos inesperadamente tudo o que vínhamos tentando abafar para não desagradar. O bom-mocismo de Libra fica totalmente à parte e dá lugar a enfrentamentos bem literais. Mas embora fiquemos sim, muito chateados, logo sacudimos a poeira e damos a guinada rumo ao novo.

Arcano XVI do Tarô - A Torre
Arcano XVI do Tarô – A Torre

Outra coisa notável é que Marte, o dispositor da Lua Cheia de Áries, está Fora de Limites já faz algumas semanas, uma condição que torna o outrora disciplinado Marte Capricorniano numa figura selvagem e fora da lei – eu digo sempre que, quando um planeta está Fora dos Limites do Sol, é como se ele tivesse pulado os muros do reino (do Sol) e tivesse desertado, vazado na braquiária – ele não liga para leis ou regras, está fazendo as suas próprias coisas e só obedece aos próprios instintos, daí diz-se que ele fica selvagem. Como se não bastasse tudo isso, a Lua Cheia também está conjunta a Eris, a Deusa da Discórdia, adicionando contenda, luta, conflito e discórdia, como seu nome já diz. Há muita competitividade, rivalidade, como os carneiros selvagens batendo cabeças pela fêmea no cio. Portanto, a equação Lua em Áries + Urano + Marte Fora de Limites + Plutão + Eris é realmente explosiva, inusitada e traz grande potencial de transformações inesperadas na paisagem e nas situações em geral, mas antes, pode nos deixar aflitos e em conflito – atenção para não se apegar aos problemas e aos conflitos! Quem tentar segurar e reter o que quer que seja, poderá se quebrar no processo, portanto, o melhor é deixar fluir. Vou repetir a frase ótima da Glória Steinem: “a verdade te libertará, mas primeiro vai te enfurecer” – na verdade, vai te encher o saco mesmo!

Rprodução
Rprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 24 de Áries (23° – 23°59’) traz uma imagética que é muito interessante e que incorpora um tom muito positivo a todas essas influências: “Sopradas para dentro pelo vento, as cortinas de uma janela aberta tomam a forma de uma cornucópia”. Para mim essa imagem fala que os ventos da mudança às vezes chegam invadindo nossa casa (a consciência e o ego) e podem causar apreensão e receio, mas também podem trazer abundância, mudanças positivas e felizes, desde que deixemos as janelas abertas, desde que nós mesmos estejamos abertos e flexíveis. Então, de certa maneira, precisamos confiar que, qualquer que seja o conflito ou o vendaval que toma nossa casa/vida de supetão, ele vem arejar e trazer prosperidade e transformações positivas nas situações que estavam estagnadas.

Creepypasta - Reprodução
Creepypasta – Reprodução

Dane Rudhyar, analisando este símbolo, lembra que “o vento, pneuma, espírito, sopra sobre a mente-aberta e traz para dentro da casa da personalidade a promessa de um poder que é mais que material. O vento sopra de uma região de alta pressão para uma de baixa pressão. Enquanto as cortinas são sopradas para dentro, a consciência individual representada pela casa recebe um influxo de energias espirituais, capacitando essa consciência a expandir o escopo de seu despertar e de sua expressão criativa”. Assim, do conflito, da perturbação e da turbulência, surgem insights e uma nova consciência, que ilumina a consciência existente e a expande. Por mais distúrbios, surpresas e eventos repentinos – e talvez desagradáveis – que essa Lua Cheia possa trazer, ela traz no seu bojo, também os ventos revigorantes das novas ideias, da ousadia, da coragem e da iluminação, da mudança e liberação que tanto almejamos. Resta-nos ter coragem de abraçar essas novas possibilidades e deixar nossas janelas abertas para que esse vento possa varrer todos os recônditos da personalidade rígida, liberando-a e libertando-a dos ranços e inseguranças antigos. Então, é hora de abrir a cabeça e a consciência para uma nova verdade, que vem do alto, do centro da consciência e não do ego. Essa Lua fala de mudanças inesperadas, mas também de novidades aparecendo no caminho – estamos prontos para nos abrir a elas e abraçá-las?

Em termo bem práticos, a noite está, de fato, explosiva e demanda muita cautela nas interações em geral, pois todos estão irritados, com os ânimos alterados e não dispostos a levar desaforos para casa – a energia atinge seu pico e conflitos que estavam latentes se expressam com toda a sua força, mais potentes ainda porque a Lua está no seu perigeu, o ponto mais próximo da Terra, tendo sua influência exacerbada, o que a torna uma Super Lua. Embora o lendário Dale Carnegie aconselhe a cooperar com o inevitável, quem puder ficar na sua, por hoje, faz um bom negócio!

Uma linda e energética Super Lua para você!

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