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A Semana Astrológica – Plantando para o futuro

Rob Gonçalves – Reprodução

Semana de 28 de agosto a 03 de setembro – Semana de Lua Crescente, tempo bom para fermentar os negócios e os projetos, de podar os excessos e depois avançar de forma focada.

O Sol ingressou em Virgem e fica vários dias sem fazer muitos contatos, preparando-se para enfrentar Netuno e Saturno daqui a pouco. Mercúrio, ainda retrógrado, regressa ao signo de Leão, onde vai estacionar no dia cinco no grau 28. Ao voltar a Leão, Mercúrio ensaia outro trígono a Urano, mas o aspecto não chega a se concretizar, pois Mercúrio estaciona antes para voltar ao movimento direto.

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Vênus está toda poderosa, na sua versão realeza, em Leão. Também fica muitos dias sem fazer aspectos maiores a outros planetas, apenas recebendo os contatos lunares. A ação maior fica mesmo por conta de Marte, no terceiro decanato de Leão, que nesta semana faz quincôncio a Quíron e trígono a Urano e passa a semana em formação de Grande Trígono de Fogo, já que ainda está também em trígono a Saturno em Sagitário. Esse Grande Trígono traz uma renovação de esperanças no futuro, uma percepção de que mesmo que o presente e o passado sejam tortuosos, a vida é impermanência, é surpresa, é inconstância e se, em muitos momentos a ideia da impermanência assusta, em períodos como os que vivemos atualmente, ela vem como um verdadeiro bálsamo, porque sabemos que os tempos sombrios podem até durar, mas não são permanentes.

Contudo, o fim de semana requer cuidados porque Marte e Mercúrio se encontram e trocam informações exatamente no grau do último eclipse total do Sol, no dia 21 de agosto. O fim de semana pode trazer tensões, conflitos e acontecimentos inesperados.

Lua Corcunda na Chapada dos Guimarães – Creuza Medeiros – reprodução

A Lua abre a semana ainda na fase Semi-Crescente, em Escorpião. Entra no Quarto Crescente a partir de Sagitário, na terça-feira. Torna-se Corcunda no sábado, já em Capricórnio e fecha o domingo em aquário. Faz contatos tranquilos ou estressantes com todos os demais corpos celestes, simbolizando, no céu, os “perrengues” ou delícias que vivemos aqui na Terra.

Catrin Welz-Stein- Reprodução

SEGUNDA-FEIRA, 28 de agosto – A Lua abre o dia em Escorpião, e quadratura a seu dispositor tradicional, Marte, atualmente em Leão. Fica vazia depois deste contato, às 06h39min. Faz ainda trígono a Quíron, quincôncio a Urano e ingressa em Sagitário às 16h48min, de onde faz quadratura a Mercúrio, que hoje está em sesqui-quadratura a Plutão. A Lua faz ainda trígono a Vênus em Leão. O dia está favorável a reflexões profundas acerca de assuntos ocultos e dos mistérios da vida. O que quer que façamos hoje, precisamos fazer com paixão e compromtimento, estando profundamente envolvidos e engajados, sem meio-termos, sem “mas” ou “se”… É um bom dia para refletir sobre a natureza das nossas raivas, mágoas e rancores; sobre as frustrações mais doídas e difíceis e fazer um esforço para dissolvê-las e deixá-las ir, porque estão a comprometer muito do nosso desenvolvimento, liberdade e entrega aos novos projetos ou novos relacionamentos. Também vale a pena investigar as origens mais obscuras de tais sentimentos e as razões para nos agarrarmos a eles. É, de fato, um ótimo dia para análises e sessões terapêuticas, porque podemos alcançar profundezas que em outros dias seriam inalcansáveis. Contudo, a ação objetiva está comprometida, portanto, se possível, o ideal é adiar decisões e ações importantes para mais tarde e refletir melhor sobre seus impactos no futuro. Em termos práticos é dia de observar quais eliminações serão necessárias, onde precisaremos podar as ideias e projetos nascidos ou iniciados recentemente, para que frutifiquem em todo o seu potencial.

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TERÇA-FEIRA, 29 de agosto – A Lua entrou em Sagitário ontem e fez quadratura ao Sol ainda na madrugada, oficializando o Quarto Crescente. No fim  do dia a Lua também faz quadratura a Netuno e sesqui-quadratura a Urano. É dia de olharmos além, muito além dos fatos e detalhes menores, para podermos acrescentar visão e perspectiva aos nossos projetos e propósitos. Nossa plantação brotou e segue vicejante, mas junto vicejam também as ervas daninhas, que precisam ser eliminadas, para que o plantio cresça forte e livre das pragas. É tempo também de poda, de eliminar os excessos desnecessários e reconhecer que por mais otimistas que sejamos, não damos conta de tudo – é humanamente impossível! Assim, precisamos escolher, precisamos deixar algumas coisas de lado, para conseguirmos focar no que realmente interessa. Se a árvore ou a planta é podada, desbastada dos galhos ou ramas “inúteis”, concentrará sua seiva e crescerá mais rápido e talvez mais forte. Assim também somos nós, muitas vezes precisamos proceder com podas providenciais na vida, no trabalho, nos projetos… Assim cresceremos mais rápido e mais fortes, porque a seiva e a energia estarão concentradas. É dia também de observar onde nossa percepção excessivamente detalhista nos impede de captar a visão maior do futuro; onde só vemos a árvore diante de nós, sem perceber a floresta na qual a árvore está inserida e assim, deixamos de ver o todo do qual tudo é parte. É preciso equilibrar, conseguir perceber o micro e o macro e entender que se integram, em nós e fora de nós.

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QUARTA-FEIRA, 30 de agosto – De sagitário a Lua se harmoniza com seu dispositor, Júpiter, que está em Libra. A Lua faz sesqui-quadratura a Vênus, conjunção a Saturno, trígono a Marte e a Urano (não exato), formando um Grande Trígono de Fogo. É dia de nos animarmos um pouco, apesar de todas as dificuldades e más notícias. É dia de ter otimismo e esperança, afinal, tudo passa, nada é permanente. Não estamos falando de um otimismo bobo e ingênuo, mas daquele que olha mais longe, que sabe que a vida é uma Roda da Fortuna, que gira, e gira e gira… Uma hora estamos embaixo e daqui a pouco estamos em cima… E vice-versa. E se nos perguntamos por que insistir em fazer o correto, em ser íntegros e decentes enquanto o mundo desmorona debaixo dos escombros de valores esfacelados, lembremos do provérvio árabe (creio que seja árabe) que diz: “quem planta tamareiras não colhe tâmaras”. Diz a estória que um homem plantava tâmaras quando foi abordado por um jovem que lhe perguntou por que plantava algo que nunca iria colher – isso porque antigamente uma tamareira levava de 80 a 100 anos para dar frutos. E o homem respondeu: “se todos pensassem como você, ninguém jamais comeria tâmaras”. Assim, não importa se o que fazemos agora talvez pareça não dar frutos imediatos; plantamos para a longevidade, as ações de hoje se refletirão no futuro, boas ou más, então, não é melhor que sejam boas as nossas ações? Aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, repercutirão lá na frente, positiva ou negativamente. Se fazemos e vivemos com integridade, com correção, mesmo que não colhamos “as tâmaras” plantadas, ainda teremos a satisfação que nossos filhos ou netos o farão. Do contrário, se vivemos de forma inconsequente, irresponsável, sem ligar muito para o resultado de nossas atitudes e ações, talvez não só nós mesmos arcaremos com seu peso (o castigo vem a cavalo, diz o ditado antigo), como ainda deixaremos uma herança maldita para os que vierem depois. Portanto, é dia de pensar no futuro, com responsabilidade, integridade e correção. Agir corretamente, mesmo que não sejamos nós a colher os resultados. E vale sempre lembrar: as “tâmaras” que comemos hoje, foram plantadas por alguém, muito tempo atrás! Da mesma forma, muitos dos benefícios que facilitam nossa vida hoje, foram conquistados por outros indivíduos, outras gerações, que talvez nem tenham chegado a usufruir de seus feitos e nem por isso deixaram de brigar por tais conquistas.

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QUINTA-FEIRA, 31 de agosto – Mercúrio retrógrado regressa a Leão e Vênus está em sesqui-quadratura a Saturno. Enquanto isso a Lua Sagitariana completa o trígono a Urano e fica fora de curso depois deste aspecto, à 01h43min. Ingressa em Capricórnio às 05h19min, de onde se desalinha com Vênus, mas se afina com o Sol Virginiano. Nosso brilho e alegria ficam um pouco sombreados hoje, embaçados por alguma insegurança não muito nítida, alguma sensação de algo fora do lugar, que incomoda, embora não consigamos confrontar. Consequentemente, nosso humor fica mais sombrio também, podemos nos fechar um pouco e nossas interações e relações podem sofrer com isso. Bom ficar atentos sobre os sinais inconscientes e involuntários que enviamos aos outros, que podem contradizer nossos desejos e discurso consciente e depois não sabemos porque criamos um conflito… O dia traz também uma atmosfera favorável ao trabalho e à execução de tarefas práticas que exijam presteza, comprometimento, persistência, disciplina e empenho. Não é dia de se voejar por aí sem rumo – é dia de ter foco, responsabilidade. De se levar a sério o que quer que esteja acontecendo conosco e de ter uma abordagem prática e objetiva de tais assuntos. Nada de romantismos ou sentimentalismos. É pé no chão e mão na massa!

Brooke Shaden Photography – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 1° de setembro – Marte está em quincôncio a Quíron. De Capricórnio a Lua tem um desentendimento com Marte, mas se afina com Netuno e se funde a Plutão. Fecha a noite em quadratura não exata a Júpiter. A energia de realização está oscilante, vai e vem, vem e vai e isso nos deixa um tanto inquietos e frustrados, porque não conseguimos terminar as tarefas como gostaríamos e pior, isso compromete o resultado final do trabalho e pode nos deixar predispostos a pisar nos calos alheios como consequência de nossa irritação e oscilação. É possível também que estejamos no módulo “rolo compressor” e tentemos apressar a outros ou passar por cima deles de forma consciente e bem direta, sem nem nos desculparmos, coisa que também não vai acabar bem, afinal, cadê a civilidade? Ou ainda, talvez farejemos crítica, ofensa, competitividade onde não existem e isso também contribui para o clima tenso, mas indireto que fica na atmosfera. Mas da mesma forma que as oscilações e irritação nos atrapalham, elas oferecem a oportunidade de as confrontarmos em nós, se estivermos dispostos a empreender a descida até as profundezas da nossa alma. Uma vez lá embaixo, podemos encarar inseguranças, dúvidas, ambiguidades, medos, constrangimentos e embaraços que podem ter se emaranhado nos nossos pés ao longo do caminho e que agora atrapalham nossa livre movimentação, deixando-nos irritadiços e propensos a descontar em outros problemas que são apenas nossos. Assim, ao invés de entrincheirar-se contra tudo e contra todos, vale a pena um olhar honesto sobre as próprias feridas e tratar de sua limpeza e saneamento, talvez não fiquem completamente sanadas, mas podem propiciar um novo entendimento sobre nossas dinâmicas de raiva e defensividade gratuitas. E a raiva, a irritação, se persistirem, podemos utilizá-las como combustível para o trabalho árduo que nos espera!

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SÁBADO, 2 de setembro – Marte está em trígono pleno a Urano. A Lua Capricorniana quadra Júpiter e faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Corcunda. A Lua também faz sextil a Quíron e quincôncios a Marte e a Mercúrio, tornando estes dois focos de um Yod – Mercúrio e Marte formam uma parelha perigosa como foco desse Yod, porque estão no grau do Eclipse do Sol do dia 21 e mercúrio ainda está retrógrado, prestes a voltar ao movimento direto. Dona Lua ainda quadra Urano, aspecto depois do qual fica vazia, às 13h31min. Ingressa em Aquário às 17h07min. Marte e Mercúrio estão próximos à conjunção exata a poucos minutos do ponto exato do eclipse do Sol do dia 21. O dia traz uma mistura interessante de entusiasmo, energia dinâmica e empolgação com o futuro, com um certo receio e hesitação sobre se estamos no caminho certo, porque olhamos para trás e temos medo de abandonar algumas estruturas, ou mesmo as trilhas antigas. A mente briga com as emoções e lhes diz que não são válidas; o corpo briga com a mente porque se sente pressionado a fazer coisas para as quais não está disposto ou com as quais não concorda; a subjetividade pode nublar a objetividade e dessa forma nos perdemos em nós mesmos e nossos dilemas. Assim, ficamos meio que presos entre ir ou ficar, entre aceitar ou nos rebelar e o resultado de tais incongruências pode ser algumas atitudes impulsivas, precipitadas que podem não só se revelar infrutíferas, mas nos expor a acidentes, eventos infortunados e desastrados, para os quais talvez não haja muito conserto no futuro. Portanto, por mais que estejamos inspirados e animados, é preciso um pouco de cautela com as contradições, irritações e ambiguidades; cautela, especialmente com comportamentos e ações impulsivas no trânsito, nas relações, nas atividades esportivas e nas ações em geral. O período mais crítico vai das 11 da manhã até as 4 da tarde. A noite traz uma atmosfera um pouco mais leve e sociável e talvez nos ajude a espairecer um pouco da tensão.

Brooke Shaden Photography – Reprodução

DOMINGO, 3 de setembro – Mercúrio faz conjunção a Marte, uma conjunção às avessas, já que Mercúrio está em marcha à ré – ambos estão em trígono a Urano. A Lua Aquariana faz oposição a Vênus e quincôncio ao Sol. Fecha a noite e a semana em trígono não exato a Júpiter. O dia está cheio de um entusiasmo incontido, que pulula dentro de nós e que anseia por ganhar espaços amplos e abertos, longe das clausuras, das regras, das contenções, pequenezas e mediocridades do dia a dia. Mas tal entusiasmo, mesmo que nos chame para as alturas, precisa ser absorvido e vivenciado com alguma cautela, por mais paradoxal que pareça. Isso porque estamos conectados com pontos e impulsos obscuros em nós, que foram momentaneamente eclipsados, permanecendo sensíveis e ocultos, misteriosos para o nosso entendimento diurno e básico. Então, quanto mais insólito e compulsivo o impulso, mais cautela precisamos ter – que gatilhos acionará em nós? Que forças moverá? Serão positivas ou destrutivas? O que nossa intuição nos diz? A intuição hoje será o farol na escuridão. Se conseguirmos nos conectar a ela, verdadeiramente, poderemos acessar as mensagens mais elevadas que a alma e o espírito tentam nos enviar. Podemos sim, nos permitir a exuberância da novidade e da aventura, desde que esta intuição seja a autoridade a dar o aval. Em termos práticos, mesmo que estejamos muito animados e dinâmicos, o dia requer cautela no trânsito, nas interações, nas discussões, nas ações. Atitudes impulsivas não são muito recomendadas.

Desejo a você uma ótima semana, de confiança e esperança. Plantemos tâmaras, mesmo que sejamos nós a colhê-las!

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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

A Semana Astrológica – Foco, força e fé!

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Semana de 20 a 26 de junho – Semana de expansão e frutificação

Esta é uma semana ruidosa, que já começa com movimentos importantes simbolizando uma transição crucial na energia e em sua manifestação concreta. É uma semana de expansão, realização e frutificação, que pode nos trazer grande satisfação ou sensação de fracasso, dependendo dos esforços e investimentos que fizemos em nossos projetos. Lua Cheia é colheita e a colheita depende das sementes que plantamos e do cuidado que tivemos com a plantação.

giphy.com - Reprodução
Giphy.com – Reprodução

Para começar, já tivemos na segunda-feira cedo a segunda Lua Cheia em Sagitário, uma Lua Azul, que marca uma transição nos ciclos lunares, um sinal de que as coisas fluem melhor e de forma mais concatenada a partir de agora. Ainda na segunda tivemos o Solstício de Inverno (Verão no Hemisfério Norte), marcado pela ingressão do Sol em Câncer às 19h34min. A palavra solstício vem do latim e significa Sol e sistere (sol que não se move). É o dia em que o Sol atinge a maior distância angular em relação ao Equador, neste caso, o Sol avançou sobre o Trópico de Câncer no Hemisfério Norte, que tem então o dia mais longo e a noite mais curta do ano. No Hemisfério Sul ocorre o contrário, pois aqui temos a noite mais longa e o dia mais curto do ano. O Solstício assinala uma transição sutil na energia, que vinha descendente e agora se revigora – depois dos meses “pesadões” que tivemos recentemente, vai nos fazer muito bem essa mudança. O Sol fica em Câncer até as 05h30min do dia 22 de julho e enquanto trafegar este signo, fará oposição a Plutão, trígono a Júpiter e quadratura a Urano, entre outros movimentos.

Shnji Ohmaki - Liminal Air - Reprodução
Shnji Ohmaki – Liminal Air – Reprodução

A ação – melhor dizendo, elucubra-ação – dos próximos dias fica por conta de Mercúrio, que trafega signo de sua dignidade, Gêmeos, de onde enfrenta Saturno e Netuno já na segunda-feira, depois também faz quadratura a Júpiter e quincunce a Plutão mais para o meio da semana e ainda faz quincunce a Marte e sextil a Urano no domingo. Isso quer dizer que a mente fica especialmente inquieta e industriosa com tanta atividade mercurial e se não tivermos cuidado, na verdade, não haverá ação nenhuma pois nos perderemos na mera elucubração, que é a divagação sobre a ação… Estamos dormindo ou acordados? Estamos indo ou voltando? De onde? Para onde? Já não estivemos aqui antes? Se parássemos para observar o riscado dos nossos passos, perceberíamos que aos poucos, construímos um labirinto num vai-e-vem frenético da mente e dos pés… Um labirinto que pode exaurir nossas forças e no qual podemos nos perder, caso não estejamos atentos. E de fato, este é o segredo: atenção consciente e constante para conseguirmos divisar o essencial do supérfluo, a informação útil e necessária,da mera “encheção de linguiça”. Estes aspectos podem ser uma armadilha que nos dispersa e afasta do foco, mas podem também oferecer a oportunidade de observar nossas dinâmicas e processos mentais: o que nos deixa eufóricos e sem noção; o que nos deixa incertos e talvez deprimidos; o que torna nossas certezas mais robustas e firmes; o que nos afasta e o que nos aproxima de nossos centro. Tal observação é preciosa e nos ajuda a lidar melhor com as armadilhas mentais que nós mesmos criamos. De resto, é criar mecanismos que propiciem o foco e a concentração. Em termos práticos, estas configurações requerem cautela ao assinar documentos e fechar acordos e negociações porque as informações não estão claras e estão muito soltas – recomendável esperar.

William A. Bouguereau - Vênsu Triumphant - Reprodução
William A. Bouguereau – Vênsu Triumphant – Reprodução

Vênus ingressou em Câncer, onde aciona nossas memórias afetivas, onde buscamos relacionamentos comprometidos, de trocas profundas e verdadeiras. Mas Vênus em Câncer também tem dificuldade de lidar com a dependência emocional e em deixar o passado ir… Por que? Leia mais sobre Vênus em Câncer.

desastrado
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Marte está na reta final de sua retrogradação. Volta ao movimento direto na semana que vem – Aleluia!!!  Ao todo, fica mais de 10 dias trafegando o grau 24 de Escorpião (23°00’ a 23°59’) e mais de duas semanas nos graus 24-25. Indivíduos com planetas nesses graus dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) sentem-se particularmente frustrados e são obrigados a lidar com assuntos antigos ligados à autoafirmação, à assertividade e à gestão da própria agressividade, assim como precisam liberar-se de rancores e mágoas arcaicos que continuam a envenenar a alma, mesmo que o ocorrido já nem faça mais sentido e já tenha se perdido na névoa do tempo. Escorpião não esquece, mas ficaria pasmo em saber que às vezes, o esquecimento é a melhor das dádivas! Pense nisso Escorpião! Esta última semana ainda é um pouco pesada para os assuntos Marcianos: Marte ainda está em quincunce a Urano (propensão a acidentes) e recebe também quincunce de Mercúrio (aumenta a propensão – ficamos estabanados), virando foco de Um Yod-Dedo de Deus, configuração espinhosa que simboliza imprevistos, acidentes e, às vezes, fatalidades. Com Mercúrio envolvido na conversa, precisamos ter mais cuidado, especialmente no trânsito!

Fabio Simone Sebastiano - Reprodução
Fabio Simone Sebastiano – Reprodução

Mas há ainda outro movimento portentoso esta semana. Portentoso por causa do peso dos envolvidos: Júpiter faz trígono pela terceira vez a Plutão, sinalizando um período particularmente favorável para nos recompormos da depleção extrema de nossas energias a que estivemos submetidos nos últimos tempos, sim é tempo de renovar nossas forças e nossa fé – o foco fica por nossa conta! Além de propiciar a regeneração de nosso otimismo e confiança, esse aspecto favorece uma melhor gestão das mudanças que precisamos empreender para poder nos expandir, os recursos são usados de forma concentrada e otimizada, de forma que podemos ousar e administrar melhor os riscos eventuais. Temos chances de fazer mudanças positivas não só na nossa vida pessoal, mas especialmente na vida social e profissional. Podemos nos expandir e ir em busca de nossas ambições de forma constante e focada, percebendo que felicidade boa é felicidade compartilhada, que só somos realmente “ricos” e plenos, quando a comunidade da qual fazemos parte também tem oportunidades de melhoria e de expansão. Temos grande desejo de reformar e transformar o mundo ao nosso redor, não só para nosso próprio benefício, mas em favor de todos que respiram o mesmo ar que nós. E, se quisermos e focarmos, temos as ferramentas e oportunidades que precisamos para empreender tais mudanças. Mas é preciso reconhecer a oportunidade quando ela bater na nossa porta e agarrá-la sem hesitação. Júpiter fez trígono a Plutão em 11 de outubro de 2015, 16 de abril de 2016 e agora no domingo – última chance de agarrar as oportunidades dessa rodada!

SS Kuruganti - Reprodução
SS Kuruganti – Reprodução

Por último, Quíron estaciona no domingo a 25°14’ de Peixes. Ficará retrógrado de 27 de junho até 1° de dezembro. Neste período estaremos assimilando as lições que viemos aprendendo: nossas fraquezas, as dores e feridas não curadas, as cicatrizes que teimam em reabrir, mas também nossa capacidade para a compaixão e a empatia; nosso poder de cura diante da fragilidade humana.

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A Lua abre a semana sendo Cheia em Sagitário. Ganha foco e severidade em Capricórnio e torna-se Disseminadora em Aquário. Fecha a semana já em Peixes. Conversa, harmoniosa ou belicosamente com todos os demais corpos celestes.

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SEGUNDA-FEIRA, 20 – Dia de Lua Cheia em Sagitário, dia de Solstício (ingressão do Sol em Câncer), dia de transição. A Lua, depois de ser cheia, entra em Capricórnio. Mercúrio enfrenta a frieza de Saturno (oposição) e a confusão de Netuno (quadratura), aspectos exatos hoje. Dia em que a mente precisa aprender a discernir entre real e irreal, entre inseguranças reais mas contornáveis e dramas exagerados pelo medo irracional. Vale lembrar que esse negócio de “real” é algo bem enganoso. O melhor que fazemos é permanecer abertos e serenos, sem nos apegar a conceitos ou definições rígidas a respeito de nada. A Lua Cheia potencializa essa energia crítica de cisão e precisamos manter os pés no chão para não perder o contato conosco mesmos. Leia mais sobre a Lua Cheia de Sagitário.

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TERÇA-FEIRA, 21 – O Sol ingressou em Câncer ontem, marcando o Solstício de Inverno (Verão no HN). A Lua, depois de cheia em Sagitário, ingressou em Capricórnio às 08h55, também de ontem. Hoje ela faz sextil a Netuno em Peixes, quincunce a Mercúrio em Gêmeos, trígono a Júpiter em Virgem e conjunção a Plutão. Depois da euforia e de tantas transições, hoje precisamos voltar à realidade e pegar no pesado, literal ou figurativamente. O dia está propício ao trabalho sério e compenetrado, embora demande esforço para nos mantermos focados em alguns momentos pois há dúvidas que vêm e vão, seja a respeito dos planos em vigor, seja porque corpo e mente estão dessincronizados. De qualquer maneira, se quisermos realmente, há disciplina e estamina bastante para finalizar  muitas coisas que se arrastavam pendentes por vários dias e podemos atacá-las com vigor e decisão, olhar arguto, determinação e capacidade de conclusão. Só precisamos mesmo vencer essa vadiagem da mente que busca estímulo e distrações desnecessários, levando-nos à dispersão. Mas a mente é nossa e hoje, se nos afinamos com nosso coração, que está super pragmático, podemos lidar com suas tramas e enredos e adivinhar suas manobras antes mesmo que se apresentem. Assim, não precisamos ficar presos às suas manhas e traquinagens! O Foco leva ao resultado, mesmo quando este parece longe de nós! E mãos à obra!

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QUARTA-FEIRA, 22 – A Lua Capricorniana se afina com Marte em Escorpião mas quadra Urano em Áries, ficando vazia logo depois, às 05h57min. Ingressa em Aquário somente às 17h09min, o que nos deixa com quase 12 horas de Lua Vazia nas mãos, num dia “útil”. Nesse meio tempo a Lua ainda se harmoniza com Quíron. De Aquário ela caça confusão com o Sol e se descuida das traquinagens de Mercúrio e da mente bagunceira. Mercúrio está em quadratura plena a Júpiter e muito próximo do quincunce a Plutão. Temos hoje aquele velho dilema, nosso conhecido: arregaçar as mangas e focar no trabalho, fazendo o que tem que ser feito, ou rebelar-nos contra essas inúmeras regras absurdas, que nos escravizam de cujo sentido e validade muitas vezes duvidamos… Dá até vontade de despedir o patrão e ir procurar coisas mais úteis e satisfatórias para fazer. O tempo de se viver, o tempo de se amar, o tempo como matéria… É tão precioso e enquanto ele passa, estamos aqui, debruçados a perseguir objetivos outros, de  outra ordem e intenção, objetivos que nem são nossos mas que abraçamos porque precisamos sobreviver e trabalhar e funcionar e… A Lua vazia em Capricórnio depois de uma quadratura a Urano nos questiona sobre o uso do nosso tempo… É mesmo racional o uso que fazemos dele? E acaso tem que ser racional? E o tempo de ser livre, de ser nós mesmos e ir atrás do que realmente é vital para nós, não é importante também? Como a Lua Capricorniana só trabalha, é possível que enxerguemos a outros como vagabundos descompromissados com os resultados do “negócio”, o fato é que há um conflito entre a obrigação e a autonomia, entre o compromisso e a liberdade, um dilema que reverbera noite adentro, com a Lua Aquariana em descompasso com o Sol. Mercúrio enfrenta um desafio parecido no embate com o Júpiter Virginiano… Discernir entre o útil e o inútil, o que é realmente essencial para a expansão de nossas ideias e da nossa mente… Talvez precisemos tirar tudo de dentro das gavetas da nossa mente para empreender essa seleção… Diferenciar entre a informação vazia que apenas ocupa espaço no nosso hard-drive do conhecimento precioso que se revela determinante para darmos o próximo passo na direção do nosso objetivo.

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QUINTA-FEIRA, 23 – De Aquário a Lua faz quincunce a Vênus em Câncer. Depois ela se afina com um de seus dispositores, Saturno em Sagitário. Mais tarde se desentende com Júpiter e ainda faz uma sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Disseminadora. Mercúrio está em quincunce pleno a Plutão. A mente hoje oscila entre o foco absoluto e a vadiagem relativa… Uma hora leva-se tudo muito a sério e daqui a pouco tudo pode ser uma algazarra. No meio estamos nós, vacilantes. Se utilizamos os momentos de concentração podemos ter instantes de grande percepção, que iluminam os pensamentos e transformam a visão superficial que tínhamos de certas coisas para algo de maior consistência e substância. Ao contrário, ao invés de voltar essa força motriz da mente para dentro, para transformar a nós mesmos, podemos voltá-la contra outros, lançando sobre eles nossa aspereza, maledicência e sarcasmo, em tiradas que podem ser tanto brilhantes quanto profundamente desconcertantes. O que ganhamos com isso? Estamos tão inseguros de nós mesmos que precisamos golpear a outros para nos sentir melhor? Vale uma parada para refletir…

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Há conflito também quanto à expressão dos sentimentos e dos afetos, que estão em dissonância. Conflito do tipo “não sei se caso ou se compro a bicicleta”… Ou talvez haja várias coisas e atividades, inclusive culturais, que gostaríamos de fazer mas não conseguimos – ainda- estar em dois lugares ao mesmo tempo… Talvez o parceiro queira uma coisa e nós queremos o contrário, que nem naquela música do Paulinho Moska: “Eu lanço minha alma no espaço, você pisa os pés na terra. Eu experimento o futuro e você só lamenta não ser o que era (…) Eu grito por liberdade, você deixa a porta se fechar. Eu quero saber a verdade e você se preocupa em não se machucar”. Mediação. Mediação é a palavra-chave para tais dilemas. Mediação entre as várias facetas de nós mesmos e também entre nós e o outro e nossos desejos aparentemente discrepantes. Fácil não é, mas talvez seja possível. E, se pensarmos bem, também é bonito – afinal, quem quer uma vida morna e toda certinha e previsível? Definitivamente, não a Lua em Aquário! E que venham os dilemas, porque nos farão crescer! E de repente, a gente até descobre que dá sim, para casar E comprar a bicicleta!

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SEXTA-FEIRA, 24 – A Lua faz trígono a Mercúrio e depois quadratura a Marte em Escorpião. Mais tarde ela se afina com Urano, seu segundo regente e fica fora de curso logo depois, às 12h49min. Ingressa em Peixes às 23h31min. Cabeça e coração estão alinhados, mas a vontade e a atitude vão em outra direção – como é possível? É possível, mas temos dificuldade de admitir nossas contradições então as percebemos no outro e no mundo ao redor, assim, o dia fica propenso a conflitos de interesses. Podemos nos sentir bloqueados por aquele sujeito que não tem noção nenhuma de comprometimento e nos deixa a ver navios ou, contrariamente, sentimo-nos “pentelhados” por alguém que vem nos cobrar assiduidade e lealdade quando tudo isso nos causa verdadeira alergia. Temos problemas sérios a tratar, mas sem perceber, fugimos deles e então, por causa de coisas tolas, às vezes ridículas, nos tornamos irracionais, reativos e sujeitos a precipitações e disputas bestas, que depois nem mesmo lembramos porque começaram. É muito provável as disputas tolas sejam uma manobra para evitar confrontar as questões que nos incomodam de verdade e que precisam ser realmente endereçadas, com calma, porem de maneira firme e assertiva. Não precisamos chegar ao ponto de crianças quebrando uma o brinquedo da outra, se apenas formos honestos com o que de fato nos arrelia e incomoda e lidarmos com isso de forma limpa e direta.

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SÁBADO, 25 – A Lua está em Peixes e de de suas águas densas e profundas faz trígono aos também emotivos Sol e Vênus em Câncer. À noite a Lua se debulha na frieza dura de Saturno em Sagitário, enquanto se dissolve em Netuno.  O dia está sensível e super emotivo. Há grande nostalgia no ar e enorme propensão a irmos buscar no passado respostas ou alento para dificuldades atuais… Possivelmente rememoramos fases ou episódios da nossa vida em que tudo parecia melhor e mais feliz e temos uma saudade doída de todas essas coisas e até de outras que não conseguimos nominar. Todo esse sentimentalismo pode ser melhor utilizado nos aproximar daqueles que estão, de fato, presentes em nossa vida; para estreitar laços e, se estivermos fortes e com nossas fronteiras saudáveis, podemos até ajudar àqueles que buscam nosso apoio. É um dia para nos permitirmos sentir verdadeiramente, para buscarmos locais de acolhimento que nos façam sentir pertencentes, em segurança – algo que nos faça ancorar e não afundar nas emoções revoltosas e traiçoeiras. A noite ficamos ainda mais melindrosos e suscetíveis. Nossa barreiras caem por terra e sentimo-nos expostos ao julgamento alheio, impressionáveis e instáveis. Receando frieza e o próprio desmoronamento, recolhemo-nos e isolamo-nos e talvez seja essa a melhor pedida mesmo, não para ficarmos remoendo infortúnios ou amargando a solidão, mas para auscultar nossos sentimentos mais profundos, a verdade do nosso coração e também para nos proteger de potenciais invasões das quais não sejamos capazes de nos defender. Solitude e recolhimento farão muito bem à alma! Observação prática: é dia de balada, mas nesses estado de extrema suscetibilidade, é recomendável pegar leve quanto ao álcool e outras substâncias; sugere-se cautela também quanto às companhias porque nossos critérios estão meio frouxos e podemos nos encontrar em lugares ou situações que normalmente escolheríamos não estar.

Anton Jankovoy - Reprodução
Anton Jankovoy – Reprodução

DOMINGO, 26 – A Lua Pisciana faz oposição a Júpiter em Virgem e depois sextil a Plutão em Capricórnio. Mais tarde ela bate-boca com Mercúrio em Gêmeos, busca consolo em Marte e vai chorar as mágoas junto a Quíron. Fica vazia às 16h56min, depois da briga com Mercúrio, que está hoje em quincunce pleno a Marte e em sextil a Urano. Quíron estaciona a 25°14’ de Peixes, às 08h11min. O dia está super sonolento. Estamos um tanto letárgicos e indispostos, demorando a acordar e encarar o mundo, embora um outro lado nosso fique nos lembrando de algumas aventuras e extravagâncias que tínhamos combinado para o domingo… É, de fato, um dia para se pegar leve nas atividades, na comida, na bebida, no que quer que seja… Ainda estamos muito impressionáveis, fronteiras abertas ou muito baixas e em tal condição ficamos predispostos a nos contaminar com conteúdos alheios, com as dores do mundo e quando vemos, já estamos perdidos no meio do tsunami emocional… Há também confusão e conflito entre o que sentimos e o que pensamos, toldando nosso julgamento e até mesmo a intuição. A comunicação também está comprometida em sua clareza e podemos nos envolver em discussões intermináveis e confusas por causa de mal entendidos difíceis de dirimir. Por outro lado, é um dia favorável para se buscar a beleza; para ver um bom filme, uma exposição de arte, um concerto musical, ou outras atividades que alimentem nossa imaginação e eleve nossa alma, melhorando a vibração dentro e fora de nós. Mesmo que sejamos do tipo “bom samaritano” o dia de hoje pede cautela ao selecionar nossas companhias. Companhias tóxicas podem drenar o resto da nossa pouca energia. Programas religiosos ou espirituais também estão mais que favorecidos!

Desejo que sua semana seja de luz, amor e alegria!

Gratidão sempre por sua companhia neste blogue! Receba meu abraço fraterno!

Tirado de Gethappyzine - Reprodução
Tirado de Gethappyzine – Reprodução

Lua Cheia em Sagitário – Meio cheio ou meio vazio?

Doctor Ojiplatico - Reprodução
Doctor Ojiplatico – Reprodução

A Lua foi Cheia hoje, 20 de junho de 2016, às 08h02min no horário de Brasília (12h02min no horário de Lisboa), a 29°32’ de Sagitário, uma Lua Azul Astrológica, que é a repetição da Lua Cheia no mesmo signo que a Lua Cheia anterior. A Lua cheia, como sabemos, representa o ápice do ciclo iniciado na Lua Nova. é um momento de clímax, em que a energia, que vinha num crescendo, finalmente alcança seu apogeu e explode, ou se derrama, frutifica e se revela completamente à consciência. Como o momento do parto – cujos números, aliás, sobem vertiginosamente nesta fase da Lua – como o momento da colheita. é o apogeu, um momento de crise em que a tensão finalmente é liberada, para o melhor ou para o pior. Subimos a montanha e chegamos ao seu topo e a partir daqui começamos a descer, então o apogeu é também o começo do fim. Mas antes de falarmos sobre esta lunação, gostaria de me delongar um pouco sobre uma questão secundária e mais técnica, mas que para mim é importante.

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Esta é a segunda Lua Cheia do ano que ocorre em Sagitário, o signo dos exploradores – pois é, temos uma dobradinha! –  um fenômeno que vem “ajustar” a ordem natural dos ciclos lunares. Isso porque, desde março de 2015 essa ordem estava invertida. Explico: a Lua Nova e a Lua Cheia marcam os pontos altos do ciclo lunar e normalmente ocorrem num par de signos opostos, a Lua Nova ocorrendo em um signo e a Lua Cheia acontecendo no signo oposto 14 dias depois, nos eixos de Áries-Libra, Touro-Escorpião, Gêmeos-Sagitário, Câncer-Capricórnio, Leão-Aquário, Virgem-Peixes. Nos últimos meses esta ordem estava invertida porque a Lua Cheia acontecia antes, ao invés de termos a Lua Nova em Áries seguida pela Lua Cheia em Libra, tínhamos primeiro a Lua Cheia de Libra e 14 depois a Lua Nova de Áries, ou, dito de outra forma, os ciclos estavam desencontrados pois a Lua Nova ocorria num eixo e a Cheia avançava para o eixo seguinte, isto é, a Lua Nova acontecendo em Peixes e a Cheia se dando já em Libra, ao invés de Virgem – eu até brinquei semana passada dizendo que seria similar a comer a sobremesa antes do prato principal.

Do site astro.if.ufrgs.br - Reprodução
Do site astro.if.ufrgs.br – Reprodução

Esse fenômeno ocorre porque a Lua tem dois ciclos, o sideral e o sinódico. O ciclo sideral conta o tempo que a Lua leva para dar uma volta ao redor da Terra tendo como referência um ponto fixo e este ciclo é de 27,3 dias. Já o ciclo sinódico é o tempo que a Lua leva para fazer uma nova conjunção ao Sol e este ciclo é ligeiramente mais longo porque o Sol também está em movimento, não é um ponto fixo. Cada signo tem 30 graus, diferente do ciclo lunar sinódico (conjunção Lua-Sol) que tem em média  29 dias e 12 horas, ou seja, 29,5 graus. Essa “inversão” não é algo “tão” importante e impactante e ocorre regularmente a cada  15/16 meses aproximadamente – por exemplo, a última inversão aconteceu em fevereiro de 2015, o “ajuste” acontece agora em junho e uma nova “inversão” se dará em setembro de 2017.

Casa na Alemanha, construída de ponta-cabeça - Reprodução
Casa na Alemanha, construída de ponta-cabeça – Reprodução

O dado mais notável a respeito desse movimento “invertido” é que quando a Lua Nova e a Lua Cheia acontecem num mesmo eixo de signo – por exemplo, Lua Nova em Áries e Lua Cheia em Libra – o ciclo traz presentes os temas pertinentes àquela polaridade – neste caso, o eu x o outro, relacionamentos, equilíbrio, etc. Mas quando a Lua Nova se dá num eixo e a Lua Cheia se dá em outro, precisamos trabalhar, dentro daquele ciclo, os temas de duas polaridades diversas, buscando integrar seus diferentes significados um em relação ao outro. Por causa disso, eu tenho a nítida sensação de que os longos períodos em que ocorre essa inversão no ciclo são períodos mais tensos e que demandam muito mais estamina e consciência da nossa parte na integração das mudanças e transformações maiores que estejam acontecendo no período em questão, porque as coisas não são tão óbvias, então precisamos estar mais atentos. Quando o ciclo está perfeitamente ajustado, fluímos melhor com ele, as coisas seguem um ritmo natural. Por outro lado, quando o ciclo está invertido requerendo maior atenção de nossa parte, pode representar um tipo de desafio extra, que nos obriga a ficar vigilantes e mais despertos, ou seja, é mais tenso, exige mais esforço consciente para fazer a sintonia fina do ciclo. Mas não nos enganemos, como sempre, os testes vêm para nos fortalecer e melhorar nossa, ahn, performance… Não dizem que ler um livro/texto complicado, aprender outra língua, aprender a tocar um instrumento melhoram de um modo geral a inteligência e a performance cerebral? Até mesmo os quebra-cabeças ou a boa e velha palavra cruzada nos obrigam a exercitar melhor os neurônios, certo? Pois então, digamos que seja um princípio semelhante… Agora, a Lua Cheia de hoje marca um período de transição, porque é a culminação de um ciclo que começou em Gêmeos, ou seja, os ciclos voltam a funcionar em congruência. E é transição porque provavelmente nos próximos meses as coisas tenderão a fluir mais, de maneira mais ritmada e concatenada.

Lua Cheia em Sagitário - Brasília, 21 de maio de 2016, às 18h14min.
Lua Cheia em Sagitário – Brasília, 21 de maio de 2016, às 18h14min.

Voltando à lunação… Esta Lua Cheia vem também como uma ‘segunda chance’ de celebrarmos os temas festivos de Sagitário, já que a Lua Cheia anterior ocorrida no mesmo signo veio carregada de tensão e frustração, representadas pela conjunção a Marte retrógrado. Eu não publiquei texto aqui sobre essa Lua Cheia anterior, visto que ela se deu enquanto eu ainda estava visitando minha mãe, mas publiquei um texto enxuto na página no Facebook. Eu dizia, então: “É tempo de celebrar nossa fé, esperança e otimismo, aceitando, contudo, com humildade, nossas limitações, aprendendo a lidar com o senso de impotência e os limites impostos pela nossa condição humana. Equilibrar otimismo com realismo. Enfrentar o aqui e agora, para poder projetar um futuro que seja melhor, porém coerente, sem exageros e ilusões. É tempo ainda de de nos rejubilar pelos conhecimentos que propiciaram que chegássemos até aqui, ao mesmo tempo em que refletimos sobre crenças e filosofias e seus efeitos de longo prazo. Há maior propensão a conflitos e crises, provenientes da eclosão de dificuldades que se arrastavam mas não eram suficientemente claras. Agora ganhamos maior consciência de tais conflitos e dificuldades e temos que reconhecê-los e a partir de tal reconhecimento, tomar decisões e modificar atitudes.” Quem quiser ler o texto todo está aqui.

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A Lua Cheia em Sagitário geralmente propõe uma celebração da fé, do otimismo e da alegria simples de se estar vivo; uma celebração da liberdade e da vida nas grande amplitudes, do nosso espírito de aventura e o amor pela estrada; o desejo de expandirmos nossa consciência para além dos fatos e do aqui e agora (Gêmeos), projetando-nos no futuro, com visão e entusiasmo (Sagitário). É o convite para equilibrar a razão com a intuição, a objetividade fria com a fé. Mas será que essa Lua Cheia de hoje ajuda a cumprir essas promessas? Como já disse, a Lua Cheia anterior sugeria exatamente a frustração de tais promessas e a necessidade de desenvolvermos o dom da paciência e da humildade, coisas difíceis para o jovem arqueiro.

Anne T. Boleyn - Reprodução
Anne T. Boleyn – Reprodução

Mas e agora, o que temos? Certamente temos uma lunação menos tensa. Embora Sol e Lua ainda estejam em orbe de quadratura a Quíron, esta é uma quadratura separativa e sugere que talvez estejamos mais conscientes das nossas vulnerabilidades e impossibilidades. E mais importante do que isso é o fato de a Lua Cheia se dar a poucas horas do Solstício de Inverno (Verão no Hemisfério Norte), um momento limiar, de transição, em que o Sol atingiu o limite máximo de distância ao Norte do Equador, e agora começa a retroceder. Os solstícios, assim como os equinócios, simbolizam momentos especiais de mudança na direção da energia e da consciência que, se estivermos atentos, podemos “usar” a nosso favor, alinhando-nos com eles e aproveitando para mudar, também nós, reajustando nossa direção na vida e no mundo. O Sol ingressa em Câncer às 19h34min, ou seja, pouco menos de 12 horas depois da Lua Cheia. Então, temos dois momentos importantes de transição na direção e na forma de manifestação da energia  – não podemos ignorar isso! O Sol também está em conjunção fora de signo a Vênus e, obviamente, a Lua está em oposição a esta Vênus, sugerindo a imprescindibilidade de negociação e conciliação entre nossa necessidade de liberdade (Lua Sagitário) e o desejo e impulso para a vinculação emocional e o comprometimento.

Lua Cheia em Sagitário - Brasília, 20 de junho de 2016, 08h02min
Lua Cheia em Sagitário – Brasília, 20 de junho de 2016, 08h02min

A Lua Nova de Gêmeos, que ocorreu à 00h00min do dia quatro de junho, com Lua e Sol em oposição a Saturno, quadratura a Júpiter e a Netuno, simbolizava um momento delicado de novos começos que poderiam ser ilusórios e fantasiosos, confusos e inseguros, em que precisaríamos lidar com nossos medos e também com nossos excessos. Agora, a Lua Cheia representa o apogeu desse ciclo iniciado lá. Nas configurações de hoje, o dispositor da Lua, Júpiter, está envolvido na mesma Grande Cruz Mutável da Lua Nova, junto com Saturno, Netuno e agora também, Mercúrio, regente do Sol. Então, subjacente aos temas de Sagitário temos um sub-tom Virginiano indicando que é preciso pragmatismo e um certo controle, indicação que fica mais forte dada a configuração mencionada. Júpiter, o princípio da expansão, precisa ser cauteloso quanto às suas visões magníficas de crescimento que, em Virgem, não são tão magníficas assim, ao contrário, são mais sensatas e comedidas; a quadratura a Saturno reforça a necessidade de realismo e de nos ajustarmos aos nossos limites, de termos disciplina e bom senso para não darmos o passo maior que a perna, especialmente porque este Júpiter também está em oposição a Netuno – então, há grande demanda de prudência e moderação no que tange a essas visões e desejos de expansão, porque no momento é difícil distinguir entre realidade e ilusão, entre possibilidades reais e desejos fantasiosos. Como se não bastasse, Mercúrio está neste redemoinho, simbolizando que é muito fácil a mente se perder nos muitos meandros e intricados que colorem o que atualmente chamamos de “real”. Entretanto, algo que pode ajudar é o fato de Mercúrio estar em conjunção ao asteroide Vesta, que simboliza contenção, introspecção, tradição, religiosidade e piedade. Embora a própria Vesta também esteja envolvida na configuração, suas qualidades certamente ajudam a acalmar o caos em que Mercúrio se encontra.

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Contudo, do mesmo modo que todos estes aspectos sugerem cautela e uma possível não realização, eles também podem indicar uma moderação nos exageros e a prudência aplicada que reverte os prognósticos de desastres – tudo depende de como vivenciamos tais influências, de como lidamos com elas no nosso dia a dia ou, dito de outra forma, se estamos vendo o copo meio cheio ou meio vazio. Quando lembramos que a segunda quadratura Saturno-Netuno se deu há poucos dias – no último sábado, mais precisamente – e que também envolvia Júpiter, essa metáfora do copo adquire um tom mais extremista, então não é nem questão de ver o copo meio cheio ou meio vazio, mas sim de perceber que há uma propensão a ver o copo (totalmente) vazio ou cheio. Isso porque Saturno é o extremo do realismo (leia-se, pessimismo) e com ele tendemos a ver tudo sob lentes muito sombrias, quer dizer, copo vazio, sem dúvida; Já Netuno é o suprassumo da fantasia e do delírio que, conjugado com Júpiter, fala de um otimismo completamente irreal e enganoso, ou seja, vemos um copo transbordando quando talvez nem exista copo nenhum à nossa frente. Então, mais do que nunca precisamos ter um equilíbrio interno afiado para contermos esses extremos dentro de nós nas próximas duas semanas. Outra forma de ver isso pode ser nos darmos conta de que muitas vicissitudes pelas quais passamos, ou mesmo fracassos, mais tarde se revelam bênçãos, porque então nos damos conta de que a vida foi mais sábia e estamos melhor sem ter conseguido aquilo que nos parecia tão importante naquele momento, mas que descobrimos depois, era apenas uma ilusão.

Loui Jover - Everyday Zen - Reprodução
Loui Jover – Everyday Zen – Reprodução

Júpiter, regente da Lua, já realizou todos os aspectos exatos dos respectivos ciclos com Saturno e Netuno, quer dizer, está atualmente se afastando da oposição a Netuno e da quadratura a Saturno e isso nos lembra que este é um Júpiter menos afoito, mais sábio e ponderado, estando estes aspectos tensos provavelmente mais integrados e menos inconscientes, portanto, estamos menos propensos a extravagâncias e deslizes, embora o potencial para tal ainda exista. Assim, a Lua Cheia nos permite celebrar esta fé mais consciente, este otimismo mais comedido que não ignora riscos nem limites, mas que os leva no bojo dos planejamentos que tornam-se mais meticulosos e menos pretensiosos.

Arcano 5 - O Sacerdote“O Papa abençoando os fiéis” é o Símbolo Sabiano para o grau 30 de Sagitário (29°00 a 29°59’), que nos fala da capacidade de responder àqueles que buscam por nós e retribuir-lhes a fé e a confiança. O Papa é uma figura que representa uma autoridade espiritual e religiosa. Para os católicos ele é um representante direto de Deus na Terra, tendo sido Pedro o primeiro papa da história da Igreja, que teria sido ordenado para pelo próprio Cristo, ao dizer-lhe que apascentasse suas ovelhas e que tudo o que ele conectasse na Terra, seria conectado no céu. A figura do Papa aqui sugere que busquemos formas elevados de fazer as conexões internas e espirituais que nos permitam acessar o divino em nós, usando também nossa intuição. O símbolo nos lembra ainda o arcano O Sacerdote do Tarô e nos sugere a necessidade de buscar orientação espiritual quando sentimos que estamos a ponto de sucumbir e também de estarmos abertos a receber as dádivas e bênçãos que estão por vir – muitas vezes nos perdemos em nossas reclamações mesquinhas e deixamos de perceber as dádivas ao nosso dispor. Independentemente de sermos católicos ou religiosos, este símbolo nos admoesta a buscarmos uma autoridade que nos oriente e abençoe com sabedoria e cuidado, como um pai faria. Este guia pode estar fora, na figura de uma autoridade real, mas também pode ser o guia interno, ao qual chegamos em meditação, e que pode instilar confiança, fé e nos “abençoar” para avançarmos para o próximo passo na concretização (Capricórnio, o signo seguinte) de nossas visões (Sagitário).

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Então, este é o desafio das próximas duas semanas: celebrar a fé e a esperança que nos mantém de pé, mantendo a atitude de gratidão, mesmo diante de cenários adversos e sombrios, porque sempre temos muito a agradecer e se nos percebermos sucumbindo à desolação e à desesperança, voltarmo-nos para aqueles que nos instilem otimismo e a renovação de nossas forças, que nos “abençoem” com sua mera presença forte, gentil e sábia. Sendo esta a segunda Lua Cheia no signo da fé e da expansão, temos a chance de fazer essa sintonia fina entre o realismo e o otimismo. E claro, não esqueçamos de aproveitar o momento de transição para transmutar comportamentos e atitudes – como sabe o surfista, o momento de pegar a onda é único e ele precisa estar atento pois se ele perder o timing, terá que esperar a próxima e isso pode durar algum tempo e mesmo quando vem, nunca mais será a mesma onda! Ah! E cuidado com o que você deseja – pode se realizar!

Feliz Lua Cheia para você!

Que todas as coisas boas venham em dobro, assim como a Lunação de Sagitário!