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Saturno-Netuno – O Mundo em Desintegração

Saturnus_fig274 - Copia (2)Saturno ingressou em Sagitário definitivamente no dia 17 de setembro de 2015, onde permanecerá até 20 de dezembro de 2017, quando ingressa em Capricórnio. Ele já tinha feito uma incursão rápida no signo do Arqueiro de dezembro de 2014 a junho de 2015, mas então regressou a Escorpião para o último round de cobranças naquele signo, de junho a setembro.

Enquanto estiver empreendendo sua jornada por Sagitário, Saturno terá que lidar com dois velhos arqui-inimigos: Netuno, que trafega o último signo de Água e da qualidade Mutável, o último do Zodíaco, Peixes, e também Júpiter, o filho que o tirou do poder, que trafega Virgem até setembro de 2016– aliás, Saturno é o arqui-inimigo e o consequente oposto psicológico de todos os demais planetas, por ser o contra-ponto, aquele que limita o impulso natural do planeta em questão. Neste texto vamos nos concentrar apenas no ciclo Saturno-Netuno. Falaremos de Júpiter-Saturno em outro momento, não sei quando.

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Pawel Kuczynski – Reprodução

Mas por que eles são inimigos? Porque representam princípios opostos. Enquanto Saturno constrói estruturas, Netuno as fragmenta e dissolve; Saturno quer segurança, Netuno traz incerteza; Saturno busca o que é sólido, Netuno deixa fluido, inconsistente, frágil; Saturno é o princípio da realidade, Netuno o da ilusão, fantasia e imaginação; Netuno sonha, Saturno realiza; Saturno define, Netuno é indefinível; Saturno é a forma, Netuno torna tudo disforme; Saturno encara tudo de cara limpa, é sóbrio, resistente, responsável, austero, gosta da ordem  e da hierarquia, já Netuno é inconsequente, indulgente, permissivo, condescendente, caótico, dissoluto, irresponsável, anarquista, ama o caos e busca escapar da realidade através de álcool, drogas, arte, misticismo, fanatismo; Saturno representa o controle, Netuno o descontrole, a subversão, a loucura, a insanidade; Saturno é a matéria concreta, Netuno é a imaginação abstrata; Saturno enrijece, Netuno amolece; Saturno é severo e duro, Netuno é compassivo e sensível; Saturno separa o indivíduo, corta o cordão umbilical e o obriga a amadurecer, Netuno é o desejo de voltar ao útero e à unidade urobórica onde ninguém é separado e todos somos um; Saturno é a estruturação do ego, Netuno é a sua dissolução; Saturno cria fronteiras e limites para nos separar do mundo exterior – não é à toa que rege a pele, a “fronteira” que delimita e separa nosso corpo do resto do mundo – Netuno dissolve todas as fronteiras e separações; Saturno busca poder e status econômico e social e Netuno não se importa com isso, representando, entretanto o poder da arte, da criatividade, do cinema, glamorizando e criando verdadeiros mitos dentro dessas indústrias; Netuno é o ideal de perfeição etérea, de outro mundo, Saturno é a imperfeição da vida encarnada… Poderíamos ficar horas enumerando porque estes dois se contradizem, mas creio que já é suficiente.

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John Roddam Spencer Stanhope Artista Prerrafaelita Reprodução

Contudo, os dois têm alguns pontos em comum: ambos representam sacrifícios, no caso de Saturno por causa da renúncia que fazemos de um prazer imediato em nome de algo mais duradouro, sacrificamos algo no agora visando ter uma recompensa melhor no futuro. Já Netuno representa nossos anseios, anseios pelo belo e inefável  e em última instância, por redenção e os sacrifícios representados por Netuno, ao contrário de Saturno, não envolvem renúncias ditadas pela disciplina, mas são, antes, o abrir mão de si mesmo e da vontade pessoal em nome de algo maior, em favor de outra pessoa ou do coletivo ou simplesmente porque o indivíduo sente-se esmagado pelas correntes da vida. Ambos também representam a crucificação, Saturno é a crucificação na matéria, na realidade, Netuno é a crucificação-sacrifício que redime a humanidade. Netuno é o Paraíso, o Jardim do Éden onde tudo é perfeito, Saturno é a Queda e a expulsão deste mesmo paraíso, com a consequente condenação de se ter que ganhar a vida “com o suor do rosto”, enfrentando o medo, “as dores do parto”, os  limites, as doenças, a velhice e no fim, a própria morte.

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Shutterstock – Reprodução

Quando, pois, colocamos os dois juntos, na quadratura mutável Sagitário-Peixes, temos sonhos transformados em realidade ou a desilusão amarga diante de fantasias irrealistas; erosão de fronteiras e limites; fragmentação e dissolvição de estruturas religiosas, políticas e econômicas; endurecimento ou desintegração de sistemas religiosos; idealização da figura do pai; regimes autoritários sendo dissolvidos ou sendo glamourizados; estruturas seguras e inquestionáveis dissolvendo-se da noite para o dia; controle no uso de drogas e álcool; medo do desconhecido; medos indefiníveis; desilusão e desencanto com a realidade;  – e assim por diante. Junte os dois princípios e podemos formular outras possibilidades. Uma imagem que ilustra de maneira muito clara a forma como estes dois planetas operam juntos é a imagem das ondas do mar batendo nos rochedos na praia. A rocha é a rocha: dura, inflexível, difícil de mover e de destruir. A princípio você olha e a paisagem é a mesma.  Mas fotografe esta paisagem e olhe para ela décadas mais tarde e perceberá que, com o tempo, o mar erodiu a rocha e mudou a paisagem. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura – é um adágio que retrata a interação de Saturno e Netuno.

"Imaginação é a única arma na guerra contra a realidade" - Alice no País das Maravilhas - tirado do Etsy, via Pinterest - Reprodução
“Imaginação é a única arma na guerra contra a realidade” – Alice no País das Maravilhas – tirado do Etsy, via Pinterest – Reprodução

Se consideramos todas as contradições que estes dois planetas representam, logo entendemos porque seus ciclos são tão desconfortáveis de se lidar, tanto no plano individual quanto em termos coletivos. E, se por um lado Netuno derruba e fragmenta tudo o que Saturno levou anos para construir, por outro, os dois são essenciais à psique e quando em aspecto no mapa natal ou quando em trânsito como agora, representam o potencial formidável de transformar sonhos em realidade, porque Netuno imagina , fantasia e sonha, mas sem Saturno jamais realiza nada, porque carece da capacidade de planejar e de lidar com a matéria concreta, com a realidade e seus prazos e custos. Por sua vez, Saturno tem grande poder de realização e concretização, mas sem Netuno torna-se estéril, excessivamente seco e funcional, sem imaginação, de modo que as coisas que cria podem mesmo ser feias, grosseiras e carecerem de alma e de vida. Não é por acaso que geralmente encontramos estes dois planetas em aspecto nos mapas de artistas e de grandes sonhadores que conseguem colocar em prática seus sonhos e ideais. Porque aqui temos a imaginação aliada à forma.

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Heather Nevay – Reprodução

Mas o que significa e quais as implicações da atual quadratura que Saturno faz a Netuno? Antes de falarmos especificamente sobre a configuração atual entre eles, vamos entender melhor a natureza deste ciclo. Isso porque, quando falamos de aspectos, sempre precisamos nos reportar à fase do aspecto  em termos do ciclo que está em vigor entre os dois planetas em questão, quer dizer, precisamo recuperar quando o ciclo foi iniciado, quando estes planetas estiveram em conjunção pela última vez. Isso é ainda mais importante e crucial quando se trata de planetas lentos, cujos ciclos têm grande impacto no coletivo, no curto e no longo, longuíssimo, prazo. Em se falando de ciclos, o mais rápido de todos eles é o da Lua, cujo ciclo em relação ao Sol é chamado de lunação e cujos ápices são a Lua Nova e a Lua Cheia e que simboliza as mudanças diárias na nossa vida.  Embora os ciclos planetários possam ser estudados em relação a todos os planetas e luminares entre si, os ciclos de maior impacto social e coletivo são os ciclos que começam a partir de Júpiter: Júpiter-Saturno, Júpiter-Urano, Júpiter-Netuno, Saturno-Urano, Saturno-Plutão, Urano-Plutão… E assim por diante. Como cada planeta tem seu próprio ritmo e velocidade, cada ciclo de um par de planetas tem um tempo muito próprio, assim como tem também significados muito específicos, que têm a ver, por sua vez, com a interação dos planetas em questão.

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O ciclo de Saturno e Netuno – Ilustração tirada do livro de Astrid Fallon, Planetary Cycles Reprodução (1)

O ciclo Saturno-Netuno é de 35,9 anos, ou seja, a cada 35,9 anos eles fazem uma nova conjunção, a uma órbita de cerca de 80 graus à frente do ponto em que a conjunção anterior ocorreu. Por exemplo, a última vez que Saturno e Netuno ficaram conjuntos foi entre 1989 e 1990, nos graus 10/11 de Capricórnio. A próxima conjunção ocorrerá em 2026, a 0° (grau zero) de Áries, isto é, 80 graus à frente do grau 10 de Capricórnio. Cada ciclo menor como este pertence a um Grande Ciclo de 323 anos e este Grande Ciclo consiste no tempo que os dois planetas levam para se encontrem de novo no mesmo signo referencial – outro exemplo: a conjunção Saturno-Netuno em Capricórnio anterior a 1989 aconteceu em 1666. Cada conjunção dura cerca de dois anos, dependendo da orbe que se usa – se usamos orbes amplas, de 8 a 10 graus, por exemplo, de fato estamos falando de um período de dois anos.

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Reprodução

Conforme dissemos, a última vez que Saturno e Netuno estiveram em conjunção foi entre os anos de 1989 e 1990, com as conjunções exatas acontecendo em 03/03/1989, 24/06/1989 e 13/11/1989. Ao longo dos últimos 26 anos, esta conjunção se desdobrou depois em outros aspectos,  sextil, quadratura,  e trígono crescentes, seguidos de oposição, simbolizando a fase cheia do ciclo e novamente trígono, quadratura e sextil, neste caso, minguantes.  Portanto, esta é a quadratura minguante do ciclo, que representa uma espécie de teste/prova final para as coisas iniciadas quando da conjunção. E o que estava acontecendo entre 1989 e 1990? Alguém lembra? Como não lembrar!?

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Pawel Kuczynski – Reprodução

Depois da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu-se a chamada Guerra Fria, que, resumindo muito, era basicamente uma disputa econômica, tecnológica e política entre Estados unidos e União Soviética e seus respectivos aliados, sendo que um bloco, o ocidental, tinha regime democrático-capitalista e o outro, liderado pela União Soviética, era de regime  socialista/comunista. No fim dos anos 1980, o Socialismo amarga uma grave crise e devido à conjuntura econômica, política e social, a União Soviética e outros governos comunistas e socialistas do Leste Europeu entram em colapso e a Guerra Fria finalmente chega ao fim. O símbolo maior do fim da Guerra Fria foi a queda do Muro de Berlim, que foi a culminação de um processo que envolveu muitos conflitos nos países do Leste Europeu e que durou todo o ano de 1989, seguido da dissolvição da União Soviética, que fragmentou-se em vários estados independentes. Outros acontecimentos dessa época também muito marcantes foram: a retirada do exército soviético de Cabul, depois de nove anos lutando contra rebeldes afegãos; Reagan deixa a Casa Branca após oito anos de mandato e começa a Era Bush; no Brasil, ocorre a primeira eleição direta para presidente, que elege Fernando Collor de Mello, que decreta o confisco da poupança dos brasileiros logo após sua posse em 1990; Edir Macedo começa a ganhar poder e compra a TV Record; na China a juventude se manifesta e há um banho de sangue nos conflitos da Praça da Paz Celestial – que ironia o nome dessa praça! – evento do qual todos lembram por causa da imagem de um estudante franzino enfrentando, sozinho, tanques de guerra; no Irã, o Aiatolá Khomeini coloca a prêmio a cabeça do escritor Salman Rushdie, por entender que seu livro Os Versos Satânicos ofende o Islã; Tim Berners-Lee inventa a World Wide Web – bendito seja! Já em 1990 ocorre a reunificação das duas Alemanhas, a Guerra do Kweit e a abertura econômica no Brasil, para citar só alguns dos eventos mais importantes (quem tiver curiosidade sobre outros eventos internacionais, dê uma olhada na Linha do Tempo da BBC, cujo link está ao final deste artigo).

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Reprodução

Durante todo este período temos a conjunção tripla de Saturno, Urano e Netuno em Capricórnio, todos eles em sextil a Plutão, que trafega Escorpião. Saturno, por ser o mais rápido, distancia-se no fim de 1990 e ingressa em Aquário em 1991, enquanto Urano e Netuno permanecem em conjunção até meados de 1997.

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V. Kazanevisky – Reprodução

Saturno segue seu caminho e o ciclo vai se desdobrando em sextil (1995), quadratura  (1998/99), trígono (2001/02), oposição (2006/07), trígono novamente (2011) e agora, a última quadratura entre 2015 e 2016, finalizando a série de aspectos maiores em 2019 com o último sextil. Sugiro que o/a leitor/a pesquise o que acontecia durante estes anos, tanto na sua vida pessoal quanto em termos sociais e coletivos, para ter uma noção mais clara do tom do aspecto atual, porque os temas estão interligados. Quem tiver tempo e curiosidade, pode também pesquisar o ciclo anterior a este: 1669, 1675, 1684, e, especialmente, os anos de 1692/93, quando ocorreu, pela última vez, essa mesma quadratura minguante atual, com Saturno em Sagitário e Netuno em Peixes. Vale a pena olharmos o passado e a História, para podermos vislumbrar o que o futuro nos reserva, porque a história se repete, porque o ser humano se repete, enfadonhamente. Só para dar um aperitivo: 1692 foi o ano do processo e julgamento das Bruxas de Salém.

Agende uma consulta e veja como este ciclo se desdobra no seu mapa natal, que planetas e casas eles trafegam e quais as implicações disso na sua vida!

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Coorlartlog – Reprodução

O que percebemos analisando este ciclo em particular, iniciado em Capricórnio, é que houve uma fragmentação de estruturas de poder que antes eram vistas como sólidas e imutáveis. Mas, especialmente, depois de décadas de Guerra Fria e do terror de uma guerra nuclear rondando o mundo, a derrubada e dissolução (Netuno) do Muro de Berlim (Saturno) – olha só que manifestação literal destes dois princípios arquetípicos! –  criou expectativas e infundiu um novo idealismo coletivo no mundo ocidental. Começou-se a sonhar que a paz era possível, que a democracia era realmente a solução para todos; idealizou-se figuras de poder, projetando-se a imagem do “salvador” em determinados governantes ou sistemas; por outro lado, sistemas tradicionais outrora descartados, ressurgiram e ganharam novo status e valor. Tendo ficado estabelecido o fracasso do comunismo e socialismo, o mundo ocidental abraçou de vez o modelo capitalista-industrial, glamorizando a livre iniciativa e neoliberalismo, que ganhou força a partir deste período.

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Johnson Tsang – Reprodução

Agora, com a quadratura minguante, como é comum à fase minguante de todo ciclo, precisamos rever tudo o que foi iniciado lá entre 1989 e 1990, especialmente o que não deu certo. Agora somos confrontados com o excesso de idealismo que projetamos sobre as transformações de então, a cegueira que escolheu não ver as consequências da industrialização sem freios; precisamos encarar a falência e dissolução de muitas estruturas que pareciam ser indissolúveis e dentro disto está esse modelo econômico de super exploração da natureza, que não se sustenta e que nos trouxe ao ponto de caos em que estamos hoje. Lá em 2006, quando ocorria a oposição de Saturno a Netuno, a ONU já declarava aquele o Ano Internacional dos Desertos e Desertificação, mas parece que não chamou suficiente atenção, porque de lá para cá a coisa só degringolou! O que vemos são regimes ditatoriais e fascistas chegando ao poder novamente, ameaçando empreender uma nova “caça às bruxas” em termos políticos e religiosos; blocos ultra-conservadores ganhando ascensão e destaque na política de vários países e também nas religiões mais tradicionais; e o jogo do empurra de autoridades no que tange às responsabilidades ambientais, sociais e morais como nunca se viu – o Ocidente reclama da tirania e fundamentalismo do Estado islâmico, mas quem foi que vendeu as armas que eles utilizam em seus ataques terroristas? Acaso EUA, França, Inglaterra e todos os outros podem se isentar desta culpa? Criaram e alimentaram uma serpente de veneno letal que está à solta e fora de controle, pronta a picar seus próprios criadores. E agora, para onde vamos a partir daqui? Continuaremos a ver muros cair, literal ou metaforicamente

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Saturno faz três quadraturas a Netuno, nas seguintes datas: 26/11/2015, 18/06/2016 e 10/09/2016. Esta primeira fica exata apenas algumas horas depois do pico da Lua Cheia de Gêmeos e por isso mesmo, é super potencializada por essa lunação e já se manifestou de forma bem nefasta, nos atentados orquestrados por grupos religiosos fundamentalistas em várias partes do mundo e, particularmente no Brasil, pela ruptura da barragem da Vale/Samarco no Rio Doce, causando um desastre ambiental sem proporções, indelével para o ambiente e para as populações afetadas. A desintegração (Netuno) dessa barragem (Saturno), cheia de resíduos tóxicos (Netuno-Plutão), é também uma manifestação bastante literal dos princípios deste ciclo. No dia em que a barragem se rompeu, dia 05/11/15, à tarde, a Lua estava em Virgem, em oposição exata – ou muito próxima, dependendo do horário, não consegui descobrir a hora exata do desastre – a Netuno em Peixes e em quadratura a Saturno em Sagitário, formando uma T-Square Mutável, com Saturno de foco. A Lua é o corpo celeste mais rápido do nosso sistema e seus trânsitos não são vistos como particularmente impactantes no longo prazo, mas ela pode ser o gatilho que detona uma situação previamente montada, especialmente no caso de “desastres esperando para acontecer”, como era o caso. Ela vem e estimula, é a faísca que dá início à explosão num ambiente que já era altamente combustível. Os outros planetas rápidos, como Vênus, Marte, Mercúrio e ainda o Sol também podem funcionar como gatilhos ao acionarem e estimularem as configurações lentas, assim como as lunações e eclipses – e aqui temos muita sorte já que não teremos nenhum eclipse estimulando essa quadratura, porque apesar de o eixo nodal estar atualmente trafegando a polaridade Virgem-Peixes, ele está no fim da polaridade, enquanto Saturno e Netuno estão ainda no primeiro decanato de Sagitário-Peixes, signos da Cruz Mutável.

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Estes desastres, que são, na verdade, tragédias anunciadas, materializam o medo e a angústia que já vínhamos sentindo há meses e explicitam nossa profunda desesperança e desencanto diante de uma realidade sombria. Esse “mar de lama e de sangue” escancara nossa desilusão com políticas e políticos nos quais projetamos tantos anseios; cristaliza nosso desapontamento diante da promessa de felicidade fácil e infinita, porém fraudulenta, do modelo consumista que nos é vendido; desnuda o profundo medo do futuro do planeta em termos de recursos naturais, devido aos desmandos e inconsequências cometidos ao longo  de décadas ou séculos; anuncia tempos sombrios de retrocesso e de redenção duvidosa para a humanidade; reflete a decepção com lideranças religiosas de instituições diversas, especialmente das mais tradicionais… E nós sentimos isso na alma, de forma muito crua e visceral. Em nível individual, estamos inseguros, receosos, incertos; sentimos a atmosfera pesada e uma desesperança que anuvia a visão e nubla nossos horizontes de nuvens cinza-chumbo; duvidamos de projetos pessoais, duvidamos de nós mesmos, duvidamos do futuro e não acreditamos mais em nada nem em ninguém. Sentimo-nos como que atolados na lama, nós mesmos, sem conseguir nos mover, porque há momentos em que pareçamos estar numa areia movediça e qualquer movimento só nos fará afundar mais. Sentimo-nos péssimos por não poder dar esperança aos mais jovens de que “tudo vai ficar bem”, porque nós mesmos não o sabemos, ou nos sentimos pior ainda, por mentir deslavadamente insistindo na falácia do tal do protagonismo, palavra da moda que instila fervor proporcional à dificuldade de sua realização em larga escala. Indivíduos com planetas ou ângulos em signos mutáveis – Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes – sentem esse peso de forma mais aguda e intensa, especialmente quando o Sol, Lua ou ASC estão envolvidos. Indivíduos nascidos na década de 70 são encurralados por essa quadratura, porque vivenciam, ao mesmo tempo, a quadratura Netuno-Netuno, um dos movimentos simbólicos da crise de meia idade – ou seja, são pegos no meio do fogo cruzado, ou melhor dizendo, no meio desse lamaçal!

Agende uma consulta e veja os significados e transformações da quadratura Saturno-Netuno no seu mapa natal e na sua vida!

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Reprodução

O futuro imediato traz sim, muita incerteza: Saturno permanece em quadratura a Netuno por todo o ano de 2016 e em boa parte deste período temos o “caldo engrossado” por Júpiter em Virgem, que se opõe a Netuno e quadra Saturno, significando maior retração econômica, recessão e uma possível proliferação de estados depressivos e de desencanto. Saturno trafega Sagitário, signo de expansão econômica, cultural, religiosa e espiritual, signo regido por Júpiter. Saturno em Sagitário vem cobrar a conta da expansão irresponsável e inconsequente que tomou lugar nos últimos anos e décadas. A crise de 1929, marcada pela quebra de Wall Street e que deflagrou um período longo de recessão econômica no mundo todo, ocorreu num trânsito de Saturno por Sagitário, combinado com uma quadratura de Urano em Áries a Plutão, que trafegava na época o signo de Câncer, não por acaso, oposto a Capricórnio, signo que Plutão trafega atualmente, ou seja, temos a mesma quadratura Urano-Plutão nos céus atuais, que, embora não fique mais exata, ainda permanece em orbe de 3/4 graus por quase todo o anos de 2016. Portanto, os próximos dois anos e os ciclos em questão dão seguimento às transformações e despertamentos iniciados em 2008 e nos convidam a uma reflexão e revisão profundas e viscerais dos nossos sistemas de crenças, das estruturas religiosas, dos sistemas e estruturas de poder, do paradigma cientificista e ultra-racional que explora e subjuga a Natureza indiscriminadamente e dos modelos políticos e econômicos que nos levarão à falência do planeta se não forem modificados – aliás, já atingimos um ponto em que não há retorno, o que precisamos é tentar diminuir o impacto daqui para a frente. Contudo, é melhor este estado de espírito atual, em que finalmente “caiu a ficha” do que o oba-oba consumista em que vínhamos. Como diz Sri Sri Ravi Shankar, “É bom estar desiludido. Significa que você está fora da ilusão e veio para a realidade.” E isso é, essencialmente, trabalho de Saturno-Netuno.

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Neste cenário lúgubre, líderes religiosos que se auto-intitulam redentores e salvadores da pátria, novos messias, líderes fanáticos e fundamentalistas, falsos profetas e ilusionistas, como simbolizados por Netuno em Peixes, junto com seus grupos, seitas e facções ultra-conservadores e intolerantes quanto à fé alheia, tendem a proliferar feito erva daninha, angariando legiões de fiéis que se voltam para eles sedentos por um fio de esperança que seja, por alguma certeza e segurança, num mundo em que as certezas simplesmente deixam de existir.

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Claudia Lúcia McKinney – Reprodução

Netuno representa o estágio da Solutio na Opus Alquímica. Na Solutio o Rei (Saturno) precisa morrer e é uma morte por afogamento (Netuno). O velho ego, enrijecido e podre, precisa ser dissolvido. Assim, o Rei se afoga, sob o olhar atento do alquimista, que assiste a tudo da margem, sem interferir. O alquimista é a consciência, que sabe que o ego e suas couraças precisam morrer, se dissolver, se desintegrar. Como o alquimista, precisamos deixar este Velho Rei morrer e abrir mão de tudo o que ele representa, para que possa ocorrer uma renovação verdadeira, para que se possa renascer mais limpo e purificado. E se por ocasião da conjunção, lá em 1989, Saturno estava mais forte, porque estava em seu próprio signo, Capricórnio, agora acontece o oposto, é Netuno quem está mais poderoso em Peixes e Saturno está mais enfraquecido, visto que trafega um signo alienígena à sua natureza de constrição, o expansivo Sagitário.

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O Rei deve se afogar – Imagem Alquímica – Atalanta Fugiens – Michael Maier – século XVI – Reprodução

A quadratura Saturno-Netuno se dissipa no fim de 2016, porém Saturno faz também quadratura a Quíron e esses dois em conflito não representam muito alento também não. Além disso, em 2017 Saturno ingressa em Capricórnio. E o que tem Capricórnio? Ora, é o Retorno de Saturno de todos os eventos que ocorreram em 1989/1990, assim como para as pessoas nascidas naqueles anos, ou seja, Saturno fará conjunção à conjunção Saturno-Urano-Netuno que acontecia naquele período, enquanto Netuno faz quadratura ao mesmo ponto – quer dizer, a cobrança e o acerto de contas acerca destes modelos falidos e excessivamente idealizados continua.

yuumei deviantartO meu intuito aqui não é deixar o/a leitor/a deprimido/a ou assustado/a. É, antes, provocar uma reflexão. Eu também não tenho pretensão nenhuma de ter respostas prontas e de dizer o que vai ou não acontecer. Obviamente que estes ciclos se desdobram desde que o mundo é mundo e sobrevivemos até aqui, estamos vivos e contando a História – a diferença é que antes, o homem não tinha alcançado o poder bélico e industrial de que dispõe hoje. Voltando ao que eu dizia, não quero deixar ninguém ainda mais sem esperança, muito pelo contrário! Repito: quero provocar uma reflexão a respeito dos nossos modelos e paradigmas enrijecidos e falidos – eles precisam mesmo se desintegrar, se dissolver e ser purificados nas Águas Grandes de Netuno.  Precisamos deixar ir, porque com Netuno, é o melhor que podemos fazer, abrir mão, soltar o que não presta/serve mais para liberar-nos para o novo. Isso tudo não deve nos desanimar e fazer jogar a toalha, mas sim lavar-nos da indecência e dos pecados políticos, econômicos, sociais e ambientais que temos cometido, conscientizarmo-nos de nosso papel individual. Também quero lembrar que neste cenário soturno e nebuloso que temos diante de nós, temos a grande responsabilidade de vigiar e orar, de cuidar de nós mesmos e tentar minimizar ao máximo – perdão pelo trocadilho absurdo – nosso impacto negativo pessoal nesta conjuntura, ou, melhor dizendo, tentar contribuir qualitativamente com atitudes conscientes, de sobriedade no consumo de tudo, desde a água, a todos os recursos naturais, energia, produtos industrializados, etc; tentar melhorar nosso entorno primando pela integridade individual, para que consigamos causar, em algum momento, uma transformação na identidade cultural e coletiva neste planeta; viver de forma íntegra, correta, buscando melhorias não só para si, mas para o todo, para o mundo. Até porque, um dos motivos de chegarmos ao ponto em que chegamos é termos aberto mão de nossa responsabilidade pessoal, esperando que governos e estados tomassem conta de nós, numa fantasia de redenção absurda digna de infantes incapazes – aliás, talvez ainda sejamos infantes dependentes de um salvador que nos salve de nós mesmos! Se estamos revoltados e desalentados por Mariana, devemos nos mexer em nossas comunidades para que o mesmo não aconteça em outras barragens. Quantas centenas de barragens existem pelo Brasil afora? Nem todas são de resíduos tóxicos, mas ainda assim, estarão seguras? Porque não se começa um movimento, por exemplo, de averiguação técnica de todas as barragens no país? Vamos esperar acontecer de novo? Quantas mais são da Vale, que já se provou criminosa? São medidas práticas que precisam ser pensadas e acionadas, só para começar por um problema!

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Lairie Lipton – O quarto Cavaleiro do Apocalipse Reprodução

Em resumo, só iremos sair desse grande enrosco, dessa encrenca sem precedentes, quando nos conscientizarmos da nossa responsabilidade pessoal, quando nos dermos conta de que não há separação entre realidade e corpo físico, alma, mente e espírito – esse é o modelo da Era da Razão, que está sendo desmontado e desmantelado. Da mesma maneira, não há separação entre eu o outro, somos feitos da mesma matéria e substancia, viemos da mesma origem e para lá voltaremos. Quando nos dermos conta disso, de que eu e o universo somos um só, então teremos uma chance de transcender essa realidade bruta e limitada, teremos, finalmente, aprendido a lição!

Em termos práticos, essa configuração também sugere proliferacao descontrolada de vírus e bactérias, o que leva a epidemias e, às vezes, até mesmo pandemias.

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PARA REFLETIR – Jung, em Psicologia do Inconsciente – Foto tirada da Fanpage Despertar Coletivo – Reprodução

 

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Reprodução

Quem tiver curiosidade sobre os principais eventos do ano de 1989 na esfera mundial, dê uma olhada nessa Linha do Tempo da BBC: Linha do Tempo 1989

(1) Astrid Fallon – Planetary Cycles at a Glance – Booklet – Fallon AStro Graphics