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Lua Cheia em Gêmeos – Pare! Espere! Nem tudo é o que parece!

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O ciclo iniciado na Lua Nova de Escorpião no dia 18 de novembro atinge seu pináculo na Lua Cheia em Gêmeos, neste domingo, três de dezembro às 13h47min no horário de Brasília e às 15h47min no horário de Lisboa. Então, um ciclo que começa muito reservado e misterioso, atinge seu pico de forma desbragada, espalhado para tudo quanto é lado, numa Lua Cheia agitada e cheia de acontecimentos! Como assim? Vamos por partes!

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Primeiramente, o eixo Gêmeos-Sagitário é o eixo da informação e do conhecimento – Gêmeos coleta informações e Sagitário as distribui. Nesse sentido, é um eixo mental, sendo Gêmeos e a casa 3 correspondentes à mente inferior, funcional e prática e Sagitário e a casa 9 associadas à mente superior, mais abstrata, que busca a elevação. Assim, Gêmeos lida com os fatos e Sagitário busca entender o sentido mais elevado de tais fatos, emitindo um julgamento moral, buscando a verdade e o significado dos fatos. Gêmeos é o conhecimento, Sagitário, a sabedoria. Em termos específicos, Gêmeos é um signo de Ar, da mente e Sagitário é um signo de Fogo, do espírito. São signos que buscam a leveza, com Sagitário sendo famoso pelo otimismo e entusiasmo e Gêmeos tendo como uma de suas características, a grande oscilação de humor. Uma Lua Cheia ocorrendo nesse eixo vem chamar a atenção para esses assuntos: informações, fatos, conhecimento, significado, verdade.

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A Lua Cheia ocorre a 11°40′ de Gêmeos, em quadratura quase exata – a apenas 10 minutos de distância – a Netuno, o Mestre das Ilusões. Num ciclo em que o confronto com a verdade, por mais sombria e aflitiva que seja, é um dos temas principais, junto com a necessidade de eliminar o que morreu, essa Lua Cheia vem nos desconcertar, confundir e iludir – olha, juro que até eu fiquei confusa sobre como interpretar isso! Além disso, no mapa levantado para Brasília temos o Ascendente em Peixes, o que enfatiza a qualidade da fantasia, e ainda Quíron conjunto ao Ascendente. Então, temos uma sensibilidade exacerbada, sonhos mirabolantes, visões incríveis, ideais muito elevados; mas os fatos e a realidade estão distorcidos, seja porque as informações que recebemos são enganosas ou porque nós mesmos as distorcemos; fazemos uma grande salada misturando realidade, fantasias, fatos sucedidos, acontecimentos imaginados e informações inverossímeis. Nesse contexto, como saber o que é verdade e o que é engano, engodo? Será que o que vemos é verdade ou uma miragem?

Pawel Kuczynski – Artista Polonês – Reprodução

Como se não bastasse essa quadratura a Netuno, Mercúrio, regente da Lua Cheia, está estacionário-retrógrado, no signo de seu detrimento – só volta ao movimento direto no dia 22 de dezembro! E também está na peculiar condição Fora dos Limites do Sol – extremista! Como já sabemos, períodos de Mercúrio retrógrado são períodos de revisão, de voltar atrás sobre nossos passos, no caminho já percorrido, para nos certificar de que estamos fazendo a coisa certa, para revisar as atitudes, pensamentos, convicções e decisões dos últimos meses. Portanto, tudo pára, tudo fica em standby, em espera, até que procedamos com essa REavaliação. Decisões e atitudes tomadas agora podem ser equivocadas e talvez, no futuro, tenhamos que voltar atrás e alterá-las – se é que isso será possível. Mercúrio implica não somente a Lua, sendo regente dela, mas vem questionar também os temas do Sol, já que este ciclo de retrogradação ocorre em Sagitário, signo pelo qual trafega o Sol atualmente. Mercúrio retrógrado em Sagitário sinaliza um tempo de revisar nossas crenças, nossas verdades, nossa relação com o divino, nossa espiritualidade, nossa ideia de justiça, nossos códigos morais, nossa expansão recente e nossos planos de crescimento futuro – e como os fatos influenciam em tudo isso? Mercúrio entra em retrogradação conjunto a Saturno, o Grande Capataz, o Auditor da Realidade, e em trígono a Urano, o Despertador, o que indica maior peso e severidade nas revisões que precisam ser feitas. Não, não é brincadeira, não! Pelo contrário, é a hora de o palhaço sair do picadeiro, ir para o vestiário e tirar sua pesada maquiagem, suas roupas espalhafatosas e encarar o espelho de cara limpa. Mas será que conseguimos mesmo tirar TODA a maquiagem e nos enxergar como realmente somos? E enxergar as armadilhas que nossa mente ilusória e o ego criam?

Lua Cheia em Gêmeos – Brasília, 03 de dezembro de 2017, 13h47min

A Lua Cheia também faz quincôncio ao regente do Sol Sagitariano, Júpiter, que por sinal também está em trígono – exato no dia da Lua Cheia – a Netuno. Marte, além de ainda estar em oposição a Urano, faz sesqui-quadratura a Netuno, aspecto também exato no mesmo dia. Como a Lua também está em sesqui-quadratura a Marte e em quadratura a Netuno, temos formado um Martelo, do qual Marte é o foco. Então, considerando que Netuno está ativado por todos os lados, Mercúrio está estacionário retrógrado e Marte está nessa situação periclitante, temos um cenário muito confuso, de informações contraditórias e talvez inverossímeis, excessos de “achismos”, carência de pareceres fidedignos que podem levar a julgamentos errôneos, que por sua vez, podem motivar ou propiciar ações precipitadas, impulsivas e inconsequentes, portanto, PARE! ESPERE! Não faça nada agora! Antes de qualquer coisa, pare, recue um pouco e respire fundo, uma, duas, três vezes pelo menos. Quando estamos caminhando no meio da neblina densa, num terreno desconhecido, o próximo passo pode nos fazer despencar no precipício, portanto, é necessário proceder com cuidado. Perceba as incertezas e aceite-as, não tente negá-las. De preferência dê tempo para as ideias se assentarem e serem assimiladas e aguarde as cenas dos próximos capítulos – você pode se surpreender com o desdobramento das situações!

Antonio Mora – Reprodução

Não é a melhor hora para a ação, é hora de análises cuidadosas e pacientes! Por que? Porque esta é uma Lua Cheia propensa a ações tresloucadas, confusas, caóticas, impulsivas, das quais podemos nos arrepender muito depois, simplesmente porque não estamos vendo o quadro completo, não temos acesso a todas as informações necessárias para tomar decisões com clareza e lucidez e se agirmos no calor do momento, ou com leviandade ou ainda motivados por informações recebidas de última hora, descobriremos mais tarde que a história tem muitas versões e camadas, e que os fatos são muito diferentes do que pareciam a princípio. Ou, podemos estar tão identificados com certas “verdades”, que nos recusamos a ver que não passam de miragens e fanatismos.

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Em termos mundanos, há propensão a muitas notícias sensacionalistas, a reputações manchadas por “fatos” plantados ou mal investigados, a informações distorcidas de propósito para atender a interesses escusos, como também informações errôneas que são passadas adiante por preguiça de se checar a veracidade e as fontes. Vale ter muita cautela nos próximos dias nas redes sociais, porque nem tudo é o que parece à primeira vista e um mesmo escândalo pode ter muitos altos e baixos e reviravoltas antes que se conclua o que realmente aconteceu e, mesmo assim, não há segurança de que a verdade chegue a ser conhecida algum dia.

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O Símbolo Sabiano para o grau 12° (11°40’) de Gêmeos traz uma imagem, que a princípio pode parecer contraditória com o que foi dito acima: “Uma garota negra luta pela sua independência na cidade”. Dane Rudhyar (1) nos diz, analisando este símbolo, que seu tom principal é a necessidade de nos liberarmos dos fantasmas do passado. Não importa as mudanças que fazemos na vida, ainda precisamos lidar com as memórias, os “fantasmas” da vida que vivemos antes e até mesmo os fantasmas culturais, as memórias do coletivo, nossa ancestralidade, no que ela tem de melhor e de pior. Linda Hill, outra estudiosa dos Símbolos Sabianos, coloca o símbolo de forma mais específica: “Uma garota negra e escrava exige seus diretos à sua senhora” (2).

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Rudhyar lembra que no símbolo anterior de Gêmeos, para o grau 11, a imagem é: “a abertura de novas terras oferece aos pioneiros novas oportunidades de experiências”. E ele segue analisando o símbolo do grau 12 como sequência do anterior, que é o correto: “Todo novo começo está rodeado de fantasmas (ou carma pessoal e social). A luta racial pela igualdade de oportunidades deve prosseguir, mesmo que essa igualdade seja oficialmente garantida pela Lei. A luta é interna e assume muitas formas. Os puritanos trouxeram ao teoricamente ‘Novo Mundo’ os medos, o fanatismo e a agressividade de sua existência europeia, e estes geralmente se tornaram mais virulentos sob as condições encontradas no Novo Mundo. Mas nenhum campo de atividade é sempre ‘virgem’. Tem seus habitantes, e eles se apegam às suas posses ou privilégios. Quem quer ser verdadeiramente um indivíduo deve ser libertado do passado. Aqui, nesta segunda etapa, temos o tipo de símbolo de contraste usual. As novas terras são abertas, mas estão cheias de vidas, e a mente do pioneiro está cheia de fantasmas, preconcepções e preconceitos ou expectativas. O que é necessário é uma LIQUIDAÇÃO total do passado; mentes virgens para campos virgens”.

Johnson Tsang – Reprodução

O símbolo nos sugere, portanto, que nos conscientizemos das prisões mentais, preconceitos, visões e ilusões que ainda nos limitam e das quais é necessário nos libertarmos. Não é possível um recomeço, um novo início, enquanto não deixamos para trás os ranços, os preconceitos, os fantasmas. E aqui encontramos, finalmente, a ligação com a Lua Nova ocorrida em Escorpião e que falava da necessidade de eliminações: a eliminação mais importante que precisa ser feita neste ciclo atual é a dos preconceitos, dos fanatismos, da mentalidade medíocre, tacanha e intolerante. Mas, às vezes, estamos tão identificados com nossas “nobres opiniões”, que não nos damos conta de quão mortas, obsoletas e cruéis elas podem ser.

É interessante termos uma Lua Cheia ocorrendo no grau que traz este símbolo, precedida por período em que pipocaram notícias sobre negros vendidos como escravos na Líbia, como se não bastasse a chaga que continua sendo o racismo, tanto no Brasil, como mundo afora! Lembrando como o símbolo é colocado por Linda Hill, sobre uma menina negra escrava, o fato de esta garota ter “uma senhora” – que dá a ideia de ela ser posse de alguém – já seria absurdo o bastante, mas mais absurdo ainda é pensar que tal coisa continue a acontecer nos dias de hoje. Primeiro, de forma “escondida”, como nos incontáveis casos de pessoas trabalhando em regime de escravidão no Brasil e no mundo, seja em fazendas, seja nas indústrias têxteis ou outras indústrias e também no caso do tráfico de pessoas para exploração sexual. Isso, infelizmente, não é novidade, mas era feito às escondidas, o que sugere que ainda havia  um temor da lei e da justiça. Mas nos últimos anos, além disso, temos de volta essa prática do aprisionamento e venda de negros, de forma escancarada, como algo “comum”, à vista do mundo, sem disfarces e pior, sem medo de punição! Embora a prática já aconteça há anos, agora chega aos meios de comunicação de forma mais massiva.

Steven Kenny – Reprodução

Eu não tenho a pretensão de me aprofundar sobre as motivações e causas psicológicas, filosóficas, morais, sociológicas, econômicas, políticas ou quaisquer outras para a escravidão, seja de negros, mulheres, brancos – não vamos esquecer que na Grécia, o berço da civilização ocidental, a prática da escravidão era comum e considerada natural e necessária, assim como na maioria das civilizações do mundo antigo e se aplicava não somente a negros, mas a outros indivíduos que se tornasses prisioneiros de guerra, ou que não conseguissem pagar suas dívidas, entre outras causas. Contudo, essas notícias brutais sobre um retorno da pratica do escravismo na África, no Brasil ou em qualquer parte do mundo nos alerta para não nos iludirmos e não sermos tolos a respeito do aparente “progresso” da humanidade. Ao mesmo tempo em que evoluímos muito em termos tecnológicos e científicos, e que temos acesso ao conhecimento como nunca antes na história, por outro lado, não estamos livres de repetir erros do passado, especialmente se formos arrogantes e julgarmos as gerações anteriores como “primitivas”.

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A Terra e a humanidade vivenciam muitos ciclos e nós vivemos num ciclo em que nunca se teve tanto conhecimento sobre as atrocidades cometidas por humanos contra humanos e contra a natureza e aqui há duas contradições: pode-se pensar que no ponto de “civilidade” e entendimento intelectual a que chegamos estaríamos livres de tais comportamentos vis e cruéis – o idealismo Sagitariano esquece da sombra humana. Contudo, sabemos que muitas das injustiças atuais são consequência direta das políticas econômicas das sociedades ditas mais “desenvolvidas” e, como acontece neste caso específico, como consequência direta das guerras que se desenrolam há anos, décadas, no Oriente Médio e na própria África, fomentadas pelos mesmos países “civilizados” e de “primeiro mundo”, que só buscam enriquecer cada vez mais e que hipocritamente se dizem chocados com as notícias sobre a venda e leilões de negros na Líbia. Por outro lado, argumenta-se que não é que haja um aumento de tais atrocidades. O que há é um aumento de sua divulgação, exatamente devido ao acesso à informação em tempo real que temos hoje. Então, não é que estejamos “piores”. É que hoje temos mais consciência do nosso “pior” e isso, certamente, é bom, porque embora ainda haja um número imenso de indivíduos que se beneficiam de tais práticas, há um número igualmente grande de pessoas que as refutam e se indignam contra elas – não, já não é tão “natural”.

Lynne Hope – Reprodução

Portanto, este símbolo, em sua interpretação metafórica nos alerta para ficarmos atentos quanto às identificações com o passado, com opiniões, preconceitos, ou mesmo convicções que podem ter sido válidas antes, mas que hoje já não fazem sentido e podem até comprometer a “nova vida” que queremos criar. Entretanto, infelizmente, este símbolo também ainda tem uma interpretação literal, especialmente diante de tais notícias como as mencionadas acima. Quando toda a experiência que a humanidade acumulou ao longo dos séculos deveria nos levar a aprender com nossos erros, estamos, na verdade, repetindo-os – embora haja também indivíduos mais conscientes. Então, mais do que nunca é preciso nos conscientizarmos das ilusões que criamos acerca de nós mesmos, do quanto nos percebemos como “moralmente corretos e justos”, quando, na verdade, talvez ainda carreguemos e cultivemos muitos preconceitos, intolerâncias, fanatismos, discriminação, mesmo inadvertidamente, e esse tipo de crença, de que há pessoas, raças/credos/nacionalidades/sexo/gênero/classes melhores ou piores do que outros contribuem, de forma direta, prática, abstrata e energética para que atrocidades como essas continuem a acontecer no mundo. O resultado? A violência que continua a grassar contra negros, mulheres, índios, LGBTs,pobres, estrangeiros, migrantes e imigrantes e minorias em geral. Então, vale nos questionarmos sobre as cortinas de fumaça que criamos para nós mesmos e para os outros da nossa convivência, o manto de “civilidade e sofisticação” que disfarça e encobre o ser ainda primitivo, que ainda se crê superior, melhor, mais evoluído e que ajuda a perpetuar a exploração cruel, direta ou indireta de outros seres.

Dreamstime.com – Reprodução

Netuno está aí e sugere que podemos escolher continuar na feliz ilusão da nossa grande “evolução espiritual”, ou podemos escolher tirar a máscara ou a pesada maquiagem do palhaço feliz e histriônico e enfrentarmos nossa realidade humana, buscando nos redimir a partir, não só da conscientização social, não só pela luta coletiva para que tais injustiças e atrocidades sejam combatidas energicamente – e aqui falo de todo tipo de discriminação e violência contra negros, mulheres e todas as minorias – mas também a partir da consciência e mudança individual, através do trabalho espiritual interior, individual e solitário, porque o monstro maior, coletivo, é formado e alimentado pela soma das sombras individuais que não foram reconhecidas e integradas. Assim, o trabalho é social e coletivo, mas é também individual. Do contrário, continuamos na hipocrisia de esbravejar indignadamente contra as injustiças nos palanques do mundo, enquanto nossa prática pessoal continua espúria, desonesta, injusta e imoral.

Em termos práticos: 1 – como dito acima, recomenda-se cautela nos próximos dias acerca da emissão, recepção e processamento de informações e dados, da coleta e julgamento de fatos e das decisões que se precisar tomar, devido à qualidade nebulosa, enganosa, confusa, ambígua, indefinida, atarantada e caótica dessa Lua Cheia. Em caso de dúvida, o melhor é esperar até que haja mais clareza. 2 – Considerando-se que Sagitário está relacionado às grandes viagens e às longas distâncias, e Mercúrio aos deslocamentos em geral, há maior propensão a atrasos e imprevistos nas viagens durante este período. 3 – Como Netuno dissolve as barreiras e limites, também é aconselhável evitar o consumo de álcool e outras substâncias alteradoras da consciência. 4 – Num tom mais positivo, se a imaginação está rica e fértil, a fantasia super estimulada, pode não ser bom para se lidar com a realidade, mas pode ser ótimo para expressar a criatividade através dos vários veículos artísticos que estiverem à disposição, particularmente, a escrita e a música! 5 – De modo geral, é um bom período para revisão das nossas ideias, opiniões e conceitos, especialmente antes de partirmos para qualquer tipo de discussão ou conversa com o outro. Há excesso de ideias e elas também estão confusas, portanto, pode ser uma boa pedida silenciar e meditar bastante antes de recorrer às palavras.

Indivíduos que tenham planetas ou ângulos entre os graus 6 e 17 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) podem sentir mais fortemente essa lunação e precisam ser mais prudentes nos próximos dias.

Uma ótima Lua Cheia para você!

Sobre as notícias da venda de escravos na Líbia:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/22/internacional/1511352092_226137.html

https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/11/25/africanos-sao-torturados-e-vendidos-na-libia-o.htm

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2017/11/1936679-em-video-na-cnn-leilao-vende-jovens-negros-na-libia-por-r-1300.shtml

https://g1.globo.com/mundo/noticia/onu-deve-discutir-medidas-mais-duras-leiloes-de-escravos-na-libia.ghtml

E no Brasil também tem, a céu aberto:

https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/12/02/nao-e-so-na-libia-brasil-tambem-vende-escravos-a-ceu-aberto/

 

(1) Dane Rudhyar – an Astrological Mandala

(2) Linda Hill – 360 degrees of Wisdom

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Lua Cheia em Peixes – Não afunde, flua!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

Um derramamento profuso de emoções e sentimentos, é o que simboliza a Lua Cheia em Peixes nesta quarta-feira, dia seis de setembro, às 04h03min no horário de Brasília – 08h03min para Lisboa. Por que todo esse aguaceiro? Porque, além de a Lua estar em Peixes, signo das Grandes Águas, que simbolizam o retorno à Unidade, a lunação se dá em conjunção muito próxima a Netuno, de cerca de um grau.

Virgem – Iconografia antiga – Reprodução

O Sol trafega atualmente o signo de Virgem, signo de ordem, controle, seleção, separação, apuro técnico, acuidade, análise. Virgem é regido por Mercúrio e é o mais racional dos signos de Terra. Já Peixes, é o signo do caos, e a Lua Cheia vem equilibrar a energia da ordem com um pouco de desordem. Em Peixes somos convidados a abraçar outras percepções além daqueles pertencentes ao mundo palpável, sólido, real. Em Peixes a imaginação alça voos mais altos e mais profundos, para dimensões que a mente racional não alcança e tem que ser deixada “desligada”, como mera expectadora, se for para aproveitarmos a experiência. Além da grande criatividade e imaginação – que premia as pessoas fortemente Piscianas com os dons artísticos, seja nas belas artes como na música – Peixes também traz presente os valores da compaixão, altruísmo, empatia, serviço, cura. É o último signo do Zodíaco, o ponto em que o ego se dissolve e volta para a Unidade, para o Todo, para que tudo volte ao estado do vir a ser. Assim, as lunações ocorrendo nesse par de signos, representam um período de ordenar e sintetizar nossa criatividade; de esmerar nossa técnica, burilar nossas habilidades, para que com elas, possamos explorar com eficiência a esfera da imaginação e para que possamos produzir algo de valor a partir desse caos aparente. É também o período de manifestar os valores da empatia e da compaixão, através de atitudes práticas diárias, do serviço ao próximo, do sermos úteis e desprendidos – claro, não é que devamos ter tais atitudes somente neste período, mas é quando nos conscientizamos mais claramente destes valores.

Elena Kalis – alice Under Water – Reprodução

E nesta Lua cheia tais valores e sentimentos estão mais extravasados, porque os diques se romperam, as comportas se abriram e as águas irrompem das profundezas da alma e do inconsciente. O principal aspecto que a Lua faz nesta lunação é a conjunção a Netuno, regente moderno de Peixes, o que aumenta e potencializa tudo o que já dissemos sobre este signo. Além disso, o único ponto em Ar é Júpiter, regente tradicional de Peixes. A sensibilidade está exacerbada e nos sentimos muito expostos, como se não tivéssemos pele psíquica, porque as fronteiras estão dissolvidas e guarda, baixa. E a objetividade está embotada, afogada.

Kindra Nicole – Reprodução

Sendo a Lua Cheia um tempo de iluminação das questões mais inconscientes, a conjunção a Netuno e a própria energia Pisciana vêm iluminar nossos anseios e desejos de fusão e redenção, o desejo de nos render e parar de lutar contra o ímpeto de consciência, contra o ímpeto de separação e individuação. Esta ênfase em Netuno – que também acabou de receber a oposição do Sol – e o fato de estar ser a primeira lunação pós eclipse, o apogeu do ciclo iniciado com o eclipse do dia 21, sugerem uma desistência, uma rendição: exaustos que estamos de todas as lutas recentes, desmoronamos e desistimos de “segurar a onda” e simplesmente nos permitimos sucumbir, mesmo que temporariamente, relaxando o controle e então, toda a tensão acumulada deságua, seja na forma de choro, de sono, de exaustão, de ingestão de álcool – esta não é a melhor das opções! E sim, por um lado, é um momento adequado para deixar a tensão desaguar, é um momento apropriado para limpar e purificar o coração e a alma de todos os ranços, cansaços; é um bom momento para abrir mão do controle e confiar no fluxo, mesmo que o rumo pareça completamente incerto e obscuro. Apenas fluir e confiar na correnteza, respirando, respirando e flutuando – como quando se cai num rio, se entrarmos na ansiedade e começarmos a nos debater nessas águas, afundamos feito pedra e nos afogamos! Do contrário, se respirarmos e mantivermos a calma, flutuamos e fluímos com a correnteza.

Lua Cheia em Peixes – Brasília, 6 de setembro, 04h03min

Além da conjunção a Netuno, a Lua Cheia se afasta de um quincôncio a Vênus em Leão – e claro, Vênus está em quincôncio a Netuno também – e se aproxima de sextil a Plutão em Capricórnio. Estando os dois “planetas” femininos envolvidos com Netuno, esse feminino se confunde com a imagem da Grande Mãe, aquela que dá a vida e ao mesmo tempo a devora; a mãe que é, ao mesmo tempo, mãe e amante do filho redentor e o desmembrará para que a redenção aconteça e ele possa ressuscitar – um tema básico de Peixes. Trazendo o mito para o presente, é necessário ficarmos atentos às identificações momentâneas com esse mito e a necessidade de atuar essa Grande Mãe Todo-Poderosa que asfixia o outro no seu abraço de amor mortífero; atenção também para as idealizações excessivas do outro, das relações e até de nós mesmos como parceiros dentro dessas relações. O sextil a Plutão talvez nos ajude a enxergar a verdade, mas é preciso estar de olhos abertos e talvez isso seja muito difícil nas próximas duas semanas, tempo em que essa lunação tem efeito.

Dreamstime – Reprodução

A ajuda pode vir mesmo é de Saturno em Sagitário, a quem a Lua faz uma quadratura aplicativa – ainda vai acontecer. Saturno é foco de uma T-Square Mutável, pois recebe as quadraturas (amplas) da Lua e do Sol. O Sol torna essa quadratura exata no dia 13 e a Lua, algumas horas depois de ser cheia. Saturno é o ponto de alerta e de realidade que pode nos segurar no meio do caos, que pode nos ajudar a manter os pés no chão, a árvore firme e de raízes profundas à qual se amarrar quando o tsunami vem. Podemos sim, abrir mão do controle momentaneamente, como sugerido por Lua-Sol-Netuno; podemos deixar a tensão desaguar, mas apenas para um descanso provisório, apenas para uma trégua, porque logo à frente, precisamos voltar ao nosso posto de observação e ação na realidade. Precisamos nos render e absorver as imagens oníricas e mágicas que surgem do inconsciente, mas depois precisamos fazer algo manifesto com elas; precisamos voltar a nos responsabilizar por nós mesmos e o que acontece à nossa volta. Não dá para ficar navegando a esmo indefinidamente! Por outro lado, esse aspecto a Saturno sugere que se nos deixarmos iludir pelas promessas vazias e fantasiosas de hoje, ali à frente podemos ter que lidar com uma realidade meio amarga e dura, portanto, mais uma vez, melhor ficar atentos às auto ilusões e auto enganos.

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Mercúrio, regente do Sol, está no grau 28° de Leão – grau do Eclipse total do Sol – e está estacionário-direto, voltando a se movimentar para a frente poucas horas depois da Lua Cheia. Mercúrio ganha ênfase pelo fato de estar estacionário-direto e pode ser de grande ajuda para trazer lucidez e clareza no meio da enxurrada, simbolizando ideias e presença de espírito, a melhor atitude no meio do caos. É mandatório estar centrados para termos essa “presença” de espírito, para sabermos quando falar e quando calar, quando agir e quando esperar.

Brooke Shaden Photography – reprodução

Júpiter, regente tradicional da Lua Cheia, como já dito, é o único ponto em Ar e isso também ressalta sua importância: achar o equilíbrio e a exata medida das coisas, algo que pode ser difícil a princípio, visto que Júpiter está em oposição a Urano, adicionando imprevisibilidade, atitudes erráticas e meio tresloucadas, oscilações no entusiasmo, que ora vai, ora vem. Para lidar com tais oscilações, precisamos nos conectar com a nossa alegria, aquela alegria serena, que não é euforia, mas o contentamento interior que nos ajuda a enfrentar as tempestades. Mais: Júpiter está no Ponto Médio entre Saturno e o Nodo Norte – Cabeça do Dragão – e, segundo Ebertin, isso sugere “apreço à solitude, alegria no isolamento, a experiência de alegria interior através do auto sacrifício pelos outros” – portanto, para que Júpiter possa nos ajudar, precisamos dar uma forcinha a ele, encontrando ilhas de calmaria, momentos de solitude, onde possamos nos conectar com essa alegria interior. De Netuno, regente moderno de Peixes, já falamos acima: está conjunto à Lua, potencializando as manifestações dessa lunação.

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O Símbolo Sabiano para o grau 14 de Peixes (13°53’) traz a imagem de “Uma mulher enrolada numa grande estola de pele de raposa”. Dane Rudhyar nos diz que o tom básico deste símbolo é “o uso da inteligência e da sutileza mental como proteção contra as tempestades e provações”. Rudhyar nos lembra que a raposa é um animal inteligente e sutil no simbolismo e na mitologia, representando a “astúcia” e a capacidade de se adaptar a toda e qualquer situação de vida. “A vontade espiritual e a capacidade de enfrentar os testes são necessárias em qualquer situação crucial ou desafiadora que um indivíduo pode encontrar num grupo orientado para o poder. Mas a vontade, tipo espada, muitas vezes, tem que ser protegida, e a inteligência ou perspicácia podem ser a ajuda mais preciosa quando estamos em perigo. É um escudo pessoal (ou seja, “animal” ou instintivo), talvez até uma camuflagem. Ele esconde a vontade central, mas mantém o indivíduo protegido de dificuldades desnecessárias. O que vemos simbolizado aqui é um modo auto-protetor de encontrar as inclemências do clima, real ou psíquico, que abundam quando se leva uma vida consagrada a um Todo mais vasto; pois essa consagração suscita fortes inimizades. Riscos desnecessários são proibidos ao iniciado, pois a segurança da Irmandade pode estar em perigo. A necessidade de PROTEÇÃO é imperativa, e o glamour pode ser um escudo eficaz”. Este símbolo vem se realçar a importância de Mercúrio e Júpiter e, consequentemente, a necessidade de usarmos nossa inteligência e sutileza em tempos difíceis, quando seria mais fácil entrar em pânico e desespero. A vontade precisa ser firme e forte e a vontade vem de Marte, que está em Virgem, ou seja, precisamos nos ater ao que podemos fazer, efetivamente, em termos práticos, sem nos perder nos detalhes irrisórios. E, assim como Virgem, precisamos ser prudentes e nos esquivar de riscos desnecessários e a auto-contenção é fundamental – o que pode ser um risco desnecessário no seu contexto pessoal? Só você pode saber! Mas de modo geral, riscos desnecessários têm a ver com envolver-se em situações duvidosas, deixar-se levar por medos irreais, deixar-se levar por euforias igualmente enganosas, fragilizar-se em demasia em situações/lugares que lhe deixem exposto, ingestão de substâncias alteradoras da consciência – peixes e Netuno exacerbam seus efeitos!

Christian Schloe Digital Art – Reprodução

Em resumo, esta Lua Cheia traz um momento de alívio nas tensões, que nos permite entrar em contato com nossa vulnerabilidade, mas isso se dá com um aumento da sensibilidade e fragilidade psíquicas, portanto, é necessário achar o lugar e a situação seguros que ofereçam a adequada contenção para o desaguar das emoções. É momento de render-se, purificar-se e lavar-se nestas Grandes Águas, mas permanecendo atentos à realidade e ao que ela requer de nós, recorrendo à nossa inteligência, perspicácia e sutileza para navegar esse maremoto!

Desconheço o autor – reprodução

Nota: pessoas com planetas e ângulos entre os graus 8 e 18 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentem mais intensamente os efeitos desta lunação. De modo geral o dia traz propensão a tristeza, nostalgia, sensibilidade, anseios inexplicáveis, vontade de escapar, compaixão, desânimo e atmosfera de sonhos e irrealidade… Sensações que nublam a mente e a lucidez, portanto convém ter cautela nas ações.

Uma ótima Lua Cheia para você!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

A Semana Astrológica – Nosso pior inimigo

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Semana de 12 a 18 de junho – Semana de Lua Minguante, que sinaliza tempo de limpeza, encerramentos e avaliações. Há também uma sensação de peso , insegurança e decepção conosco mesmos e nossa ingenuidade. 

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Começamos uma semana de Lua Disseminadora e posteriormente, Minguante, que traz também o Sol Geminiano em oposição a Saturno – ai, ai, ai, lá vamos nós de novo para o confronto com o Mestre do Tempo! Mas depois de encarar o Velho, sacudimos a poeira e nos deparamos com o novo e oportunidades de usar os revezes como escada para nossa melhoria. O Sol fecha a semana em quadratura não exata a Quíron, então, esta semana traz alguns desafios à nossa autoconfiança, vitalidade, resiliência e força de vontade. Bater de frente e espernear não vai resolver. Se o Senhor do Tempo diz que é melhor esperar, não ganhamos nada em tentar burlar suas leis. Esperemos e contenhamos nossa frustração – ela tem muito a nos ensinar! E uma lição que precisamos relembrar é que, muitas vezes, nós somos nosso pior inimigo, quando nos deixamos abater pelo negativismo e pela auto-dúvida. O fim de semana está especialmente sensível, porque a Lua ao trafegar por Peixes, potencializa a retrogradação de Netuno e a oposição Sol-Saturno, condição em que fica minguante no sábado. Já o domingo traz propensão a conflitos e embates.

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Mercúrio vem atrás do Sol, transformando em conceitos todas as experiências vivenciadas por este Sol e por ele mesmo. Nesta semana Mercúrio faz trígono a Júpiter, quadratura a Netuno, quincôncio a Plutão e também se opõe a Saturno, de modo que nossa mente oscila bastante entre o entusiasmo desmesurado e irrealista e as dúvidas subsequentes; posterior aos exageros vem a consciência de que talvez tenhamos metido os pés pelas mãos e agora temos que arcar com as consequências do que dissemos sem pensar. Saturno demanda que definamos mais claramente nossa forma de pensar e nos comunicar, que sejamos mais responsáveis e menos relapsos na comunicação e nos aprendizados, estudos e também ao lidar com leituras, escritos, papeis em geral. Talvez tenhamos alguns dias de muito pessimismo, em que tememos que nada vai dar certo e isso pode nos deixar um tanto deprimidos. Contudo, se conseguirmos controlar essa negatividade, podemos usar esse momento para averiguar com realismo as situações diversas em que nos encontramos, de modo a perceber o que está ou não funcionando, para fazer as devidas correções. Positivamente, são dias favoráveis para pesquisas e atividades mentais que requeiram disciplina, concentração e seriedade.

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Vênus anda se refazendo no conforto de Touro. Está ultra sensual e muito conectada com os prazeres e deleites simples da vida, algo que favorece bem o Dia dos Namorados na segunda-feira. Mas pelo meio da semana ela lida com alguma insegurança, bem inconsciente, um tipo de dúvida latente sobre se não seria melhor pegar a estrada numa nova aventura, ao invés de focar tanto na segurança e confortos de uma vida “estável”. Vênus faz sesqui-quadratura a Saturno e fecha a semana em quincôncio bem próximo a Júpiter.

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Netuno estaciona a 14°15’ de Peixes na quinta-feira, para entrar em movimento retrógrado na sexta. Erin Sullivan diz que Netuno, quando retrógrado, “nos convida a retornar ao útero, ao estado de incubação e no fim, renascer”. Como sabemos, a retrogradação de qualquer planeta sinaliza um tempo de revisão dos seus assuntos e temas. Netuno rege nossos sonhos e fantasias, os anseios de fusão com o Divino, através do outro ou de experiências transcendentais; os estados de encantamento em que desejamos nos perder e diluir no outro, aniquilando o senso de separatividade. Netuno representa a busca pela experiência da unidade, da comunhão com a vida como um todo, daí sua associação com a espiritualidade e o misticismo. Mas ele também simboliza os engôdos, os anseios enganosos, a diluição do ego através de decisões equivocadas, que pareciam perfeitas no momento em questão; está ligado aos medos irreais, às epidemias, aos estados de caos, dissolução e subversão.

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Este ciclo de retrogradação ganha ênfase porque a Lua estará em conjunção exata a Netuno dia em que ele entrar em retrogradação, de modo que seus temas saem da esfera do meramente coletivo, para o pessoal – sentimos essa movimentação de maneira indiscutível, como uma vulnerabilidade mais acentuada, um anseio mais pungente por salvação e redenção. Assim, até 22 de novembro estaremos fazendo uma profunda revisão dos nossos sonhos e fantasias, dessa busca por unidade. É um momento de “cair na real” a respeito de ilusões que viemos alimentando nos últimos meses e perceber por que nos deixamos enganar. Talvez nos sintamos nus e vulneráveis, mas isso é necessário para nos livrarmos do senso de onipotência com que o ego possa ter se identificado na busca desenfreada e cega por tais ilusões, seja de poder, de sucesso, fama, engrandecimento pessoal, apaixonamento e encantamento por um outro ou por qualquer outra ideia ou projeto com o qual tenhamos nos envolvido sem enxergar sua realidade. Qualquer desapontamento não deve ser visto como um fracasso pessoal ou punição dos deuses, mas apenas um desnudar das ilusões, essencial ao nosso processo de crescimento. Os planetas exteriores, de maneiras diferentes, vão tirar de nós tudo aquilo que esteja atrapalhando nosso desenvolvimento, a evolução da alma. No caso de Netuno, isso ocorre de forma sutil, lenta, quase imperceptível e geralmente estamos tão encantados com o processo todo, que só nos damos conta da “esparrela” em que caímos, quando já é tarde demais para voltar atrás. E não adianta chorar e se lamentar, porque no fundo, a alma e o inconsciente, de certa maneira, conspiraram contra o ego, ou seja, inconscientemente, nós mesmos criamos o cenário e o enredo de perdas, fracassos, desilusão pelo qual navegamos presentemente – compactuamos, fomos ao encontro e nos tornamos “cúmplices” daquele/s que nos enganou/enganaram. Por mais doloroso que seja para o ego soltar e se desapegar de tais coisas com as quais estávamos identificados – posses, propriedades, opiniões, imagem, emprego, relacionamentos, etc – eles serão levados para que percebamos que nossa existência não depende disso, que somos muito mais do que tais identificações ilusórias, por mais penoso que seja a experiência toda. Com Netuno retrógrado as ilusões talvez se tornem mais claras, especialmente se Netuno está fazendo contatos a planetas no mapa natal e se o aspecto já ficou exato com Netuno direto. Soltar e se desapegar, ao invés de resistir – é o melhor que podemos fazer.

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A Lua abre a semana na fase Cheia em Capricórnio. Torna-se Disseminadora em Aquário na terça-feira e entra na fase Minguante a partir de Peixes, no sábado. Fecha a semana já em Áries, digladiando-se com Marte, Júpiter e Plutão.

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SEGUNDA-FEIRA, 12 de junho – A Lua está na fase cheia, em Capricórnio. Hoje faz conjunção a Plutão, quincôncio ao Sol, sesqui-quadratura a Mercúrio, sextil a Quíron e quadratura a Urano, ficando vazia depois da briga com Urano, às 14h47min. Ingressa em Aquário às 19h45min e fecha a noite em quadratura a Vênus em Touro. O dia dos Namorados está um tanto tempestuoso, com uma Lua nada romântica. Pelo contrário, o clima está meio pesado e sisudo e, mais do que isso, com a conjunção a Plutão – aspecto que a Lua faz todo mês e que sinaliza um momento denso de entrar em contato com nossa sombra, desejos de poder, de controle e, em última instância, necessidade de transformação – precisamos lidar com emoções sombrias e intensas que emergem do inconsciente. O dia fica então colorido por fortes contradições: desejos de nos comprometer seriamente, versus o impulso de preservar a autonomia, o movimento e a liberdade pessoal. Talvez não nos sintamos particularmente românticos no dia de hoje, porque nos deparamos com algumas verdades dolorosas a respeito de nós mesmos, nossas necessidades e algumas discrepâncias na relação com o outro; talvez não percebamos, mas é possível que estejamos muito exigentes e coloquemos sobre o outro altas cobranças, ciúmes, tentativas de controle e, claro, tudo isso pode gerar muitas tensões e até azedume nas relações. Por outro lado, se formos capazes de ser honestos e confrontarmos nossas carências infantis, percebendo que elas são exatamente isso, carências infantis, e que o outro não é responsável por resolvê-las, temos chance de crescer mais um pouco e, ao invés de crise, podemos aprofundar essa relação, aumentar a cumplicidade com o outro, respeitando sua individualidade e independência sem nos sentir ameaçados por isso. Vale a pena fazer um exame cuidadoso se há uma crise real em curso, ou se são apenas nossas inseguranças que estão exacerbadas hoje. À noite a Lua está em Aquário e sinaliza que as celebrações românticas sejam inovadoras, diferentes; que se busque surpreender o outro com uma nova faceta de nós mesmos e que também nos deixemos surpreender, pondo de lado preconceitos, rótulos e abrindo-nos à experimentação. Repetir o enredo dos anos anteriores é receita de confusão! Ouse, faça algo diferente, saia da mesmice, fuja dos estereótipos e dos scripts ensaiados! Não existe um único modelo ou formato de amor e de relação, cada pessoa tem um jeito único e especial de amar. Portanto, não almeje ser ou ter uma relação “perfeita” ou igual à do Fulano ou do Beltrano! Respeite a sua natureza e a natureza do outro e assim, a relação também será única e as diferenças, ao invés de serem um problema, enriquecerão as trocas afetivas.

reprodução – desconheço o autor

TERÇA-FEIRA, 13 de junho – Mercúrio está em trígono pleno a Júpiter. De Aquário a Lua faz quadratura à Vênus Taurina, quincôncio a Marte em Câncer e entra na fase Disseminadora ao fazer sesqui-quadratura ao Sol Geminiano. A Lua ainda faz trígono a Júpiter em Libra e, como Mercúrio também está em trígono a Júpiter, temos formado um Grande Trígono em Ar. Saturno vai se aproximando da oposição ao Sol. A despeito do peso que andamos sentindo, o dia traz um pouco de leveza, que nos ajuda a espairecer e a nos motivar um pouco para enfrentar os desafios que já vislumbramos ali à frente. É como se tivéssemos a chance de um descanso, uma pequena trégua em que podemos relaxar, antes de voltar às armas. Os pensamentos ganham asas e temos a coragem de expressá-los mais abertamente; também vamos em busca de novos contatos e relações, aspirando encontrar, talvez, respostas para nossas dúvidas e indagações filosóficas, ou simplesmente oportunidades de ampliar um pouco nossas possibilidades e alternativas. É um bom dia para ler sobre novos assuntos ou autores, comunicar-se, escrever sobre nossos questionamentos, sair um pouco da rotina, inspirar novos ares ou, simplesmente, relaxar um pouco, sem culpas ou cobranças, como uma maneira de aliviar a pressão, mesmo sabendo que logo devemos retomar a caminhada. Assim, aproveitemos porque “o segredo do êxito está em preparar-se para aproveitar a ocasião, quando ela se apresenta”.

Nicoletta Ceccoli – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 14 de junho – A Lua, Disseminadora em Aquário, abre o dia ainda em formação de Grande Trígono com Mercúrio e Júpiter, durante a madrugada. Durante o dia faz trígono ao Sol e sextil a Saturno. O Sol está em oposição próxima a Saturno e a Lua hoje media esse embate. Saturno e Urano estão em trígono entre si e Júpiter em quincôncio a Netuno. Muitos dos desafios que aparecem no caminho tornam-se em oportunidades se forem vistos com olhos inovadores e com a dose adequada de criatividade – esta é uma maneira de vermos nossas dificuldades, que hoje já se mostram bastante duras. Mas não devemos deixar que nos soterrem debaixo de seu peso. O dia oferece possibilidades de olharmos nossos problemas e limitações com muita lucidez e distanciamento, sem nos identificarmos demais com eles, de modo a conseguirmos soluções inusitadas e diferentes daquelas já tentadas no passado. E mesmo que nos sintamos “castrados”, sabemos que precisamos, de alguma forma, “castrar” realmente os excessos, para podermos focar naquilo que realmente vale a pena. É necessário filtrarmos nossas aspirações de futuro, priorizando e disseminando aquelas que são de fato, realizáveis, mesmo que tenhamos que esperar um pouco para executá-las. Nesse meio tempo, podemos fortalecer nossa rede de contatos, podemos nos preparar melhor e ganhar consistência quanto à informação e conhecimento necessários à realização dos objetivos!

Alfredo Araujo Santoyo – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 15 de junho – O Sol Geminiano está em oposição plena a Saturno em Sagitário. A Lua Aquariana se harmoniza com seu dispositor moderno, Urano e fica fora de curso logo depois, à 01h40min. Ingressa em Peixes às 06h18min, de onde se afina com Vênus em Touro, harmonizando-se também com Marte em Câncer, regido por ela. Netuno estaciona às 07h09min para dar marcha à ré, amanhã. As enganações e ilusões a que nos expomos recentemente nos são atiradas na cara, pois agora enxergamos a realidade mais limpidamente e possivelmente nos damos conta de que andamos ignorando alguns dos nossos limites, por estarmos demasiados fascinados com expectativas que agora se revelam vazias. Além disso, também precisamos lidar com os limites impostos por outros – chefias, autoridades, figuras acima de nós – ou mesmo por nossas circunstâncias, num momento em que nos sentimos particularmente vulneráveis e sensíveis, espremidos entre obrigações, deveres e aquilo que realmente gostaríamos de estar fazendo e vivendo. Entretanto, por mais que nos sintamos pressionados, desmotivados e isolados, não é o caso de entregarmos os pontos e desistirmos da luta. Mais uma vez, trata-se de um teste à firmeza e consistência da nossa vontade e dos nossos propósitos; uma prova sobre se já conseguimos o equilíbrio adequado entre as obrigações sociais e profissionais e o compromisso conosco mesmos e nossa consciência; de sermos leais a nós mesmos, a despeito das negativas e recusas que ouvimos mundo afora. Fisicamente, talvez nos sintamos muito cansados, exaustos, até, com uma desconfortável sensação de sermos mais mais velhos e “gastos” do que realmente somos. Tal sentimento aumenta a impressão de peso, derrota e isolamento. Contudo, não precisamos nos sentir vitimizados ou alienados, ao contrário, podemos aproveitar esse período para trabalhar a nós mesmos e às nossas inseguranças e inadequações que, diferentemente do que pensamos, não estão assim tão visíveis e evidentes para o mundo como estão para nós. E se de fato, são evidentes para nós, aproveitemos a chance de burilarmos e refinarmos esse diamante bruto que somos nós.

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SEXTA-FEIRA, 16 de junho – Netuno entra em retrogradação hoje e só volta ao movimento direto em 22 de novembro. A condição estacionário-retrógrado de Netuno é potencializada pela conjunção da Lua, que também faz quincôncio a Júpiter em Libra, sextil a Plutão e quadratura a Mercúrio em Gêmeos, que hoje também está em quincôncio pleno a Plutão. O Sol segue em oposição a Saturno, começando a se afastar. O dia traz o tom da vulnerabilidade. Uma sensibilidade extremada, que nos permite descerrar as cortinas que separam mundos, dimensões e as diferentes “realidades”. Nostalgia, anseios profundos, contradizem a consciência que quer permanecer fincada na racionalidade. Mas ao insistir nisso, perdemos a possibilidade de dialogar em diferentes linguagens e ampliar a percepção, para que possamos ir além daquilo que os olhos físicos podem alcançar. Sentimo-nos presos por um torpor, um cansaço físico que reverbera do langor que começa na alma, como uma pré-embriaguez, em que ainda estamos parcialmente conscientes, mas oscilantes, misturando estações, tentando fugir da realidade com seus tons de cinza escuro, buscando as cores caleidoscópicas das esferas mágicas e sobrenaturais. Mais do que sensíveis, estamos sensitivos e captamos influências extra-sensoriais. Contudo, embora a intuição esteja especialmente aguçada hoje, vale a pena deixá-la assentar antes de tomar atitudes práticas, porque as percepções entre realidade e fantasia estão por demais borradas e misturadas e podemos confundir intuição com desejo ou anseios impossíveis. Se não está propício para lidar com coisas e situações práticas e que demandem lucidez, por outro lado, o dia favorece as atividades artísticas e criativas em geral, exatamente por causa da sensibilidade e imaginação super afloradas e na arte, sim, tudo é possível e podemos, de fato, soltar as rédeas da nossa imaginação, da percepção mágica e extra-sensorial e expressar a beleza e o sublime que se derrama de nossa alma.

Igor Morski – Reprodução

SÁBADO, 17 de junho – De Peixes a Lua faz quadratura a Saturno em Sagitário e depois ao Sol em Gêmeos, entrando na fase Minguante – a Lua vira foco de uma T-Square Mutável, que tem por base a difícil oposição Sol-Saturno. A Lua fica vazia depois da quadratura ao Sol, às 07h33min e ingressa em Áries somente às 13h55min. O dia está melindroso e modorrento. Há um forte conflito entre a razão e o sentimento; entre o sonho e a realidade. Dores e indisposição física nos fazem sentir pesadões, como se o corpo fosse mais uma prisão e não um invólucro sagrado da alma. A indisposição física tem origens mais profundas: nasce da indisposição emocional, por sua vez advinda dos muitos embates recentes com nossas inseguranças, temores, desesperança e vacilações. Nesse estado de prostração, nem queremos sair da cama, imagine então, de casa! Quem puder, faz bem, se de fato tirar algumas horas para refletir mais profundamente sobre tal prostração, sobre as inseguranças e desejos de evasão do mundo. O Minguante nos pede que abramos mão do desejo de que outros cuidem e se responsabilizem por nós ou por nosso bem-estar; deixar ir os escapismos, as fugas da realidade, a busca inconsequente e autodestrutiva por auto-dissolvição; abrir mão dos delírios e vontade de que tudo se resolva magicamente, sem que precisemos nos esforçar pelas melhorias; e aceitar a realidade tal como se apresenta, para poder transformá-la ali na frente. Eliminar os vícios e propor-se a uma limpeza real na alma e no coração, para que possamos deixar o terreno limpo e fertilizado para a plantação de novos sonhos e projetos, passíveis de serem realizados concretamente e não apenas falácias aventadas para ganharmos tempo diante de nós mesmos. Em termos práticos a manhã pede que peguemos leve, porque há tendência a contratempos, imprevistos e desperdícios. À tarde ficamos mais animados porque sentimos nossa energia medianamente revigorada e estamos aptos a realizar as atividades que porventura tenham ficado em standby pela manhã!

Nicoletta Ceccoli – Reprodução

DOMINGO, 18 de junho – O Sol Geminiano está em sextil exato a Urano em Áries. A Lua está em Áries e faz quadratura a Marte em Câncer – ambos estão em recepção mútua, um morando na casa do outro. A Lua ainda faz oposição a Júpiter em Libra e quadratura a Plutão em Capricórnio e temos então formado uma ampla Grande Cruz Cardinal. Depois de alguns dias de modorra, inseguranças, melindres e choradeiras, o domingo traz uma disposição completamente diferente: tem muito dinamismo, atividades, movimentação e também belicosidade no ar. Queremos e tentamos fazer várias coisas ao mesmo tempo e acabamos criando algumas confusões, devido à inabilidade de ouvir o outro e de negociar. Queremos o que queremos e queremos AGORA! Não importa se não depende do outro, porque, feito criança birrenta, estamos surdos e alheios à razão e aos argumentos do bom senso. Meu nome é umbigo e eu esqueço até que o umbigo tá grudado num corpo. O outro problema é que no nosso entusiasmo e impaciência, não percebemos que aquilo que é bom para nós não necessariamente agrada ao outro e vamos em frente, impondo nossa vontade alegremente, como se soubéssemos o que é melhor para todos, criando antipatias, algumas confusões e conflitos de vontades. Se pararmos um pouco e conseguirmos olhar para os lados, perceberemos que podemos conciliar as várias atividades e vontades, desde que cada lado esteja disposto a ceder um pouco, do contrário, azedaremos o domingo, as brincadeiras e a possibilidade de descanso e da boa convivência. Viva e deixe viver pode ser um bom lema para o dia, respeitando a diversidade de opinião e de desejos uns dos outros. Em termos práticos, o dia pede cautela, porque estamos muito impacientes e impulsivos e imprudentes e nesse estamos podemos nos expor a acidentes e conflitos perfeitamente evitáveis e dispensáveis!

Desejo a você uma ótima e serena semana!

Nota: pessoal, fiquei duas semanas sem publicar o texto da Semana Astrológica. Desculpem, mas estava impraticável! Precisei fazer uma reforma em casa, que era para durar duas semanas e virou um mês – e eu morando junto com a reforma! As duas últimas semanas foram as mais difíceis, porque estava acabando e eu fiquei quase que completamente em função da obra, indo a todo momento comprar algo que faltou. Cheguei a ir na loja para comprar 4 parafusos – literalmente! – quem já passou por reforma sabe como é! Você pergunta para o pedreiro a cada vez que vai na loja de material de construção: “falta mais alguma coisa?” – “Não, agora é só isso mesmo!”- Daí, você mal entra em casa e tem que sair de novo (rsrsrsrs). Depois vem a faxina e colocar tudo no lugar – outra parte exaustiva – até hoje tem um canto da sala com montes de coisas empilhadas! No meio de tudo isso, ainda estava fazendo um curso de Florais… Enfim, a reforma ficou ótima. Reformei minha cozinha, que era algo que eu queria fazer há muitos anos e ficava hesitando. Mas a reforma do exterior só ocorre como consequência da reforma e renovação interior! Estou bem feliz com o resultado! Agradecida pela compreensão!

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Alfredo Araujo Santoyo – Reprodução

 

Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

A Semana Astrológica – A dor e a delícia de ser o que somos

Catrin Welz-Stein – Reprodução

Semana de 10 a 16 de abril – Semana de colhermos os resultados, concretos ou intangíveis, dos esforços que dedicamos aos nossos empreendimentos. Resoluções abruptas e radicais também estão no menu do período e ajudam a liberar muito da tensão acumulada nas últimas semanas. 

Semana de Lua Cheia em Libra, mas cujo ponto alto é a regente de Libra, Vênus, voltando ao movimento direto no sábado (fogos de artifício pipocando para todo lado!). Mas ainda vai levar algumas semanas até que Vênus recupere a sua boa forma: ela só sai da zona sombria de retrogradação no dia 18 de maio e fica bem mesmo a partir de seis de junho, quando entra em Touro, seu palácio campestre, signo regido por ela. Vênus estaciona em conjunção a Quíron e já direta, fará quadratura exata novamente a Saturno – quadratura, aliás, que está ativa todas essas semanas, porque muito próxima do ponto partil. Pois é, não mole, não!

tirado de DebraHeylen.blogspot – Reprodução

A Lua cheia, por sinal, traz mais algumas avalanches para sacudir os corações e o mundo em seus conflitos também. Ocorre no eixo-Áries-Libra, eixo dos relacionamentos; dá-se em oposição a Urano, o planeta das rupturas e do despertar abrupto e radical… E ainda tem a quadratura a Plutão, que, intensifica e aprofunda todas as crises. Vênus, regente da Lua Cheia, estará em quadratura de meio grau a Saturno… Portanto, essa Lua Cheia traz a culminação deste ciclo de retrogradação de Vênus e sugere muitas tensões, mas também liberação e resoluções drásticas na área das relações e dos acordos políticos e tentativas de conciliações.

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E se a Lua Cheia acontece em oposição a Urano, significa que o Sol vai fazer conjunção a ele nesta semana, sugerindo um momento de recarregarmos as baterias, porque Urano é energia de milhões de volts – só precisamos ter sobriedade e cabeça fria para administrar tanta energia, para que ela não imploda dentro de nós. Sim, há muita energia e uma revitalização dos nossos propósitos, assim como a sensação de estarmos muito despertos para aspectos da vida e até de nós mesmos que havíamos ignorado antes. Contudo, essa energia também traz muita ansiedade, impulso e pode aumentar a irritação, caso queiramos fazer tudo igual e previsível. A semana pede inovação, experimentação e que não tenhamos medo de nos abrir ao novo, por mais amedrontador que possa parecer. Em termos mundanos, essa influência sugere um recrudescimento de opiniões e posições políticas, idealismos exacerbados e exaltados – considerando-se que Vênus e Mercúrio estão retrógrados (planetas associados com negociações e acordos), a conjunção Sol-Urano pode indicar também tensões aumentadas nos conflitos já existentes mundo afora. O Sol também fecha a semana já em trígono a Saturno, que ajuda a dar uma sustentação para toda essa energia extra, propiciando que a utilizemos de forma sábia e até estruturada.

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Marte faz um sextil à sua dispositora, Vênus, no domingo. Neste caso, é Marte quem faz o movimento, visto que Vênus ainda estará praticamente estacionária, já movendo-se para a frente, mas é Marte quem vai ao encontro dela. Esse movimento pode apaziguar minimamente os dissabores relacionais do momento e pode trazer algum alento, visto que sugere a possibilidade de conseguirmos uma cooperação entre nossos desejos e a capacidade de realizá-los, ou, visto de outra forma, masculino e feminino estão afinados, sugerindo um diálogo menos duro e chances de conciliação nas crises que ora se apresentam.

Brooke Shaden Photography – Reprodução

Por outro lado, Mercúrio, planeta das comunicações, acabou de ficar retrógrado em Touro. E não, isso não é uma catástrofe! Você pode tocar sua vida normalmente, a Terra continua a girar e nós seguimos com nossas tarefas de sempre. Mas Mercúrio retrógrado traz a oportunidade de reavaliarmos e revisarmos nossa comunicação, nossos processos mentais, estudos, escritos, etc. E sugere um período em que tudo o que identificamos que está datado ou não funcionando mais seja corrigido ou substituído. Abrir a mente e a cabeça, ter flexibilidade, abrir mão da teimosia e dos pensamentos condicionados… Abrir mão das nossas certezas certinhas, das opiniões formadas e estabilizadas, dos manuais que nos dizem como pensar, o que dizer, a coisa certa, sem nunca poder errar. Deixar ir as verdades prontas e engessadas e estar dispostos a nos surpreender. Em lugar de certezas maçantes, escolher a liberdade das incertezas, para variar um pouco… tudo isso fica favorecido por essa retrogradação, assim como voltar atrás sobre nossos próprios passos para rever por onde andamos e se perdemos algum detalhe importante. Falei mais sobre isso no texto da semana passada!

Outra coisa importante é que nesta semana ainda temos quatro retrogradações pesadas: Mercúrio, Vênus, Júpiter e Saturno, dois planetas pessoais e os dois sociais. Os planetas transpessoais estão todos diretos no momento, Plutão entrando em retrogradação no dia 19 de abril. Então, talvez tenhamos a sensação de que o mundo tá pesado demais, as mudanças grandes demais e os mecanismos sociais não conseguem acompanhar ou administrar tais movimentos. Pessoalmente também nos sentimos ainda em fase de reflexão, antes de conseguirmos atinar para quais atitudes são mais adequadas ao momento e às mudanças que ocorrem em nossa própria vida. Mas essa fase é necessária e o melhor que fazemos é tirar proveito dela, revisando, reorganizando, reordenando, reestruturando tudo o que for necessário e tudo o que for possível.

Desconheço o autor – Reprodução

A Semana é marcada pela fase cheia da Lua, ocorrendo em Libra, na madrugada de terça-feira, dia 11, às 03h08min no horário de Brasília e às 07h08min no horário de Lisboa. A Lua adensa os temas relacionais em Escorpião, torna-se Disseminadora em Sagitário e fecha a semana entrando em Capricórnio na noite de domingo. Conversa com todos os demais corpos celestes, harmoniosa ou estressadamente.

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SEGUNDA-FEIRA, 10 de abril – a Lua abre a semana em Libra, sem fazer muitos aspectos na madrugada. Durante o dia faz quincúncio a Netuno, conjunção a Júpiter, quadratura a Plutão e oposição não exata ao Sol e a Urano, aspectos que se completam na madrugada de terça. A Lua forma uma T-Square com Júpiter, Sol-Urano e Plutão de foco. Vênus, regente da Lua, esta conjunta a Quíron e em quadratura a Saturno. Começamos o dia buscando harmonia, mas encontrando incongruências e desajustes, que nos obrigam, logo cedo, a buscar conciliação entre nossos ideais de perfeição, os rasgos de sensibilidade e a necessidade de termos uma abordagem mais desapegada dos assuntos, das tarefas e até mesmo da nossa subjetividade. À tarde as coisas esquentam de verdade e somos espremidos pelas muitas escolhas que temos que fazer, que nos colocam em colisão direta com situações sombrias e ingratas que preferiríamos não ter que encarar, mas das quais não temos como escapar. É um bom dia para confrontarmos nossa dependência da opinião alheia, da aprovação do outro e até mesmo daquilo que é “adequado” e esperado de nós. Somos capazes de bancar nossas escolhas, quando elas são boas para nós mas desagradam a outros? Damos conta de lidar com o desconforto que causamos com nossos posicionamentos, talvez inconvenientes, mas necessários? Ou vamos continuar agradando a outros enquanto nos sentimos um capacho? Buscar a harmonia é necessário, mas nâo à custa do nosso amor próprio, não tendo que recuar naquilo que acreditamos, não tendo que pedir desculpas se nossa atitude não está em consonância com o código moralista atual. Esse dilema interno causa um nível de estresse muito alto e demanda de nós muita força interior para darmos conta de “segurar a onda” e defendermos nosso posicionamento, a despeito das divergências e oposições com que nos defrontamos. Ninguém precisa aceitar coisas com as quais não concorda, mas o fato de não concordarmos com algo não quer dizer que o outro esteja necessariamente errado, pode haver divergência de opinião e de visão e podemos perfeitamente concordar em discordar e é assim que as relações maduras se sustentam, baseadas no respeito. Mas é muito importante, é vital, sermos capazes de nos defender e defender nossa posição, com integridade e serenidade. O oposto disso será a diminuição do auto-respeito e o preço sempre é muito mais alto do que qualquer afago recebido por concordarmos em ser “agradáveis” e “adequados” como esperam que sejamos.

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TERÇA-FEIRA, 11 de abril – A Lua completa a oposição ao Sol, formalizando a fase da Lua Cheia, na madrugada, às 03h07min. Depois a Lua se opõe a Urano e faz também quincúncio a Marte em Touro e a Quíron-Vênus em Peixes, virando foco de um Yod-Dedo de Deus. A Lua fica vazia depois do sextil a Saturno, às 15h21min. Ingressa em Escorpião às 19h42min e fecha a noite em oposição a Mercúrio retrógrado em Touro. A Lua Cheia culmina o ciclo iniciado em Áries e, de certa forma, também joga no palco central das discussões os temas do ciclo atual de retrogradação de Vênus, que está super desacelerada, preparando-se para estacionar no fim de semana. Essa lunação traz para a linha de frente o quanto temos comprometido nossa autoestima, nossos desejos, nossa vontade e a nós mesmos para ceder a outros. Pede que achemos o equilíbrio entre a necessidade de aceitação e negociação e a necessidade de nos posicionarmos firmemente e defendermos nossos desejos e valores pessoais. Traz grande possibilidades de iluminação sobre os emaranhamentos que atrapalham e bloqueiam nossa vida amorosa e a consequente quebra do padrão destrutivo e de deixarmos o passado ir, de nos soltarmos das enredamentos ilusórios, das redes pescadoras e enganosas que nos mantiveram atados a imagens irreais do outro, da relação e até de nós mesmos. Traz uma tensão enorme, mas também a liberação dessa tensão de maneira que nos ajude a nos soltar do sofrimento desnecessário, dos enredos de dor e de tristeza, de modo a escolhermos enredos mais leves e realistas. De maneira a podermos dizer “não quero perfeição. Quero o real”. É, de fato, um confronto difícil com as ilusões e as imagens que espelhamos para o outro ou que espelharam para nós, mas um confronto que estilhaça os espelhos ilusórios e nos deixa com aquilo que tem verdadeira substância, que poderá nos sustentar.

Seungyea Park – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 12 de abril – De Escorpião, a Lua Cheia faz oposição a Mercúrio retrógrado em Touro. Mais tarde a Lua faz sesqui-quadratura a Vênus e Quíron em Peixes e também trígono a Netuno. O Sol Ariano está em conjunção próxima a Urano. Hoje é um dia para entrar mudo e sair calado e manter os olhos bem abertos – principalmente o terceiro olho – e a boca fechada. Sentimos todas as suscetibilidades muito agudamente e temos que lidar até mesmo com aquilo que tínhamos conseguido jogar para um canto obscuro do coração nos últimos dias. A mente não ajuda e volta-se contra nós mesmos, sardônica e crua e nós, se não compreendemos de onde surge o “climão” pesado, derramamos o veneno em doses econômicas, mas letais, movidos por sentimentos inconscientes de insegurança e desamparo, de nos sentirmos expostos e talvez ressentidos com a vida e com o mundo em geral. A amargura, se não vigiarmos, pode nos fazer tomar atitudes extremas das quais podemos nos arrepender depois. Somado à defensividade está o desejo intenso de liberdade e independência e podemos misturar os conteúdos e fazer coisas impensadas, que talvez podem até ser adequadas, mas que têm as motivações equivocadas e podem levar a términos abruptos e amargos, ao invés de finalizações serenas e maduras. Para não incorrermos em tais equívocos, é importante estar cientes de nossas apreensões, ressentimentos, raivas e impulsos latentes e vigiarmos nossas reações , para que não sejam reações de bicho ferido, mas atitudes nascidas da deliberação madura e ponderada.

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QUINTA-FEIRA, 13 de abril – A Lua Escorpiana se harmoniza com seu regente moderno, Plutão, em Capricórnio, mas se desentende com o Sol e Urano em Áries e faz oposição ao seu dispositor tradicional, Marte em Touro – Marte está Todo-Poderoso, regendo Sol e Lua por esses dias! A Lua fecha o dia em trígono a Quíron e a Vênus em Peixes. O Sol vira a noite/madrugada de sexta conjunto a Urano. Sentimentos conflitantes colorem o dia, que está denso – quase se poderia cortar a atmosfera com uma faca! Há muita força emocional e a capacidade de lidar com assuntos-tabu, crises e situações-limite em geral. Empenhamo-nos de corpo e alma em tudo o que fazemos e essa entrega ardorosa e arrebatada permite que realizemos muitas coisas que enchem o coração de orgulho e satisfação. Mas há também incoerências e desconexão de partes de nós mesmos, que talvez não queiramos reconhecer para não “complicar” as escolhas que já fizemos e aquilo com nos identificamos: queremos paixão e intensidade, no trabalho, na vida, no amor e as outras partes que querem soltura e descompromisso são empurradas para fora de nós, de modo que podem causar conflitos com outros, que parecem ameaçar e se interpor contra aquilo que somos e que queremos realizar. Tudo isso faz com o dia adquira um clima belicoso e irritadiço, mas é uma belicosidade viciosa, indireta e não muito honesta, o que dificulta a discussão limpa e a resolução do conflito de uma vez por todas. Ao invés disso, a coisa vai se arrastando em modo de agressão passiva, em que suprimimos a raiva na hora, mas deixamos que intoxique o coração, as vísceras e tudo aquilo que tocamos. Melhor ser honesto de uma vez e dizer o que tem que ser dito, de forma clara e límpida, sem cuspir acusações, mas colocando na mesa a forma como nos sentimos – o outro não é responsável por aquilo que sentimos – de modo a podermos chegar a algum consenso minimamente respeitoso, justo e íntegro.

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SEXTA-FEIRA, 14 de abril – O Sol Ariano completa e plenifica a conjunção a Urano, enquanto a Lua faz trígono a Quíron e a Vênus em Peixes… A Lua fica fora de curso depois do aspecto a Vênus, à 01h19min. Ingressa em Sagitário às 07h27min, de onde se indispõe com Mercúrio retrogrado em Touro. Vênus estaciona a 26°54’ de Peixes. Temos hoje uma carga extra de energia que demanda acharmos recipientes adequados onde “aterrá-la” ou onde canalizá-la. Se estivermos em sintonia com nosso centro, procuraremos maneiras de nos desobrigar de tarefas entendiantes, previsíveis e rotineiras, em favor de explorarmos possibilidades insólitas de nos expressarmos e de expressarmos nossos talentos e criatividade. Há muito vigor e entusiasmo, uma sensação de expectativa e de que não devemos desperdiçar as oportunidades que nos são dadas e por isso mesmo, precisamos fazer algo diferente, que surpreenda a nós mesmos positivamente, do contrário, poderemos surpreender a outros de forma desagradável, rebelando-nos estrepitosamente contra obrigações e compromissos que nós mesmos assumimos sem pensar. Temos lampejos e estalos que nos permitem vislumbrar os limites que colocamos a nós mesmos e que nos impedem de avançar sobre barreiras que vemos como intransponíveis, mas que são superáveis, caso olhemos de ângulos diferentes e ousemos modificar a forma como enxergamos nossa realidade modorrenta da qual nos ressentimos tanto. Contudo, se insistimos em fazer tudo do jeito de sempre, podemos nos deparar com frustrações e entraves, máquinas quebrando, imprevistos e chateações irritantes, para não dizer, pequenos desastres. Assim, o melhor é nos sintonizarmos com a grande inspiração que nos chega e nos permitirmos ser flexíveis, estar abertos para o inusitado, o surpreendente, o imprevisível, o inesperado e, mesmo que pareça chocante a princípio, deixar-nos surpreender antes de deixar nossos preconceitos levarem a melhor recusar a oportunidade da nova experiência. Do jeito que a vida anda, não podemos desperdiçar essas pequenas horas de inspiração e elevação, portanto, estejamos abertos e permitamo-nos surpreender! Esses posicionamentos do Sol e da Lua no dia em que Vênus estaciona pedem que olhemos para nossos dramas sob ângulos diferentes, talvez seja um pouco difícil a princípio, apaixonados e identificados que estamos com nossas próprias dores, mas é possível e necessário, para termos algum senso de perspectiva e significado, que nos ajudarão a sair do lodo da nossa tristeza e desolação.

Burnetts Board – Reprodução

SÁBADO, 15 de abril – Vênus fica estacionário-direto às 07h18min em conjunção não exata a Quíron – tecnicamente já está direta – no Dia de Saturno, com quem está em quadratura, algo bem adequado aqui, porque Saturno parece estar dizendo quem é que manda no enredo! De Sagitário a Lua faz sesqui-quadratura a Urano e também ao Sol, entrando na fase Disseminadora. A Lua faz quadratura a Netuno, sextil a seu dispositor, Júpiter e sesqui-quadratura a Mercúrio. Depois de 41 dias mergulhados nos intricados dos nossos processos relacionais, refletindo, ponderando, reavaliando, chegamos a muitas conclusões que agora começam a ficar mais claras e que nos levarão a algumas mudanças de atitudes daqui a algumas semanas. Neste período, deixamos para trás as superficialidades, em nome de contatos mais profundos e substanciais… Se insistimos na superficialidade, podemos ter nos deparado com rejeição e incompreensão, que refletem a incompreensão que nós mesmos temos com relação ao processo como um todo. Agora começamos a empreender o caminho de volta à superfície de nós mesmos, mas muita coisa está transformada. Lampejos e revelações que afloram à consciência hoje podem ser preciosos para o entendimento das relações amorosas inclusive a relação que temos conosco mesmo. O que iremos disseminar a partir daqui? Insistiremos nas histórias de dor? Ou buscaremos novos ares e novos enredos, novos caminhos e visões? Precisamos nos separar dessas dores, dar-lhes um lugar no nosso coração e história, mas deixa-las ir como parte fundamental da nossa identificação pessoal. A cicatriz nos lembrará da vivência e daquilo que aprendemos, de que sobrevivemos, mas não precisa ser adorada como troféu para ganhar a simpatia alheia. A simpatia e empatia de que realmente precisamos é a nossa própria. E que seja verdadeira e não um arremedo para despistar nossas inseguranças. De modo mais prático, o dia traz a necessidade de nos pormos a explorar ovos caminhos e nos conscientizarmos da nossa necessidade de autonomia, largueza, soltura e descompromisso… O compromisso hoje é a surpresa e a busca por significados que sejam profundos, mas que também tragam leveza. Compromisso fechados e muito inflexíveis podem trazer frustração e irritação.

tirado de Deviantart – Reprodução

DOMINGO, 16 de abril – Marte está em sextil à sua dispositora Vênus. A Lua Sagitariana na fase Disseminadora faz trígono a Urano e ao Sol em Áries, enquanto se desentende com Marte em Touro e quadra Quíron-Vênus em Peixes, ficando vazia depois da conjunção a Saturno, às 15h28min. A Lua ingressa em Capricórnio às 20h05min. O Sol fecha a semana em trígono próximo a Saturno e Marte em quincúncio, também quase exato, ao mesmo Senhor do Tempo. Sabe aquela frase cliché super batida “não chore porque acabou, sorria porque aconteceu”? O dia tá desse jeito, com influências delicadas por um lado e exuberantes por outro. Uma sensação profunda de angústia, uma paralisação do sentimento, que fica preso a algo incognoscível, indefinível, mas que dói agudamente, a sufocar o fôlego… ao mesmo tempo uma sensação de esperança, uma alegria perspicaz, de quem sabe tudo o que passou, mas não se deixa esmagar por isso. Como estar no fundo do lago, a sufocar-se e emergir abruptamente à superfície, arfando por esse ar tão precioso, mas ainda sob o terror da possibilidade de ter sucumbido… Tudo o que vivenciamos ao longo da vida, da mais sublime e elevada das experiências à mais sombria e torturante das dores, ocorre por algum motivo, mesmo que não saibamos exatamente qual – isso aqui tem muito de uma crença e opinião pessoais e vocês podem não concordar – tudo bem. Não sabemos se um dia entenderemos o porquê, se encontraremos o sentido e o significado, mas podemos intuir e dar uma chance ao vazio, ao desconhecido, à falta de respostas prontas. Encarar a vastidão do universo e da própria alma, abrindo mão de saber tudo, de compreender tudo, de entender os porquês e apenas confiar nessa grande jornada, confiar naquilo que nos conduz vida afora – por caminhos verdejantes e luminosos ou por ruelas frias e escuras – o que quer que seja “isso” que nos conduz, destino, Deus, Eu superior, Divino… Tem algo que nos conduz – eu acredito nisso – e precisamos confiar e respeitar isso, nos dias mais felizes e também nos percalços que nos fazem tropeçar sobre nós mesmos. O dia traz essa sensação agridoce, em que nos damos conta da dor e da delícia de ser o que somos e de viver o que vivemos; em que percebemos as perdas, as dificuldades, mas achamos forças e entusiasmo para continuar, para esperançar, a despeito de tudo, até de nós mesmos e nossa desesperança e falta de fé. Refletimos com resiliência e serenidade sobre tudo isso, imbuídos de uma sabedoria e serenidade raras, que podem sim, nos ajudar a ter uma nova perspectiva das coisas. À noite a energia muda e nos vemos mais pragmáticos, já olhando agendas e nos preparando para a nova jornada e os desafios que nos esperam amanhã.

Uma ótima e serena semana para você!

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Burnetts Board – Reprodução

A Semana Astrológica – À sombra do vulcão

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Semana de 27 de fevereiro a 05 de março – a semana pede cautela e prudência. O eclipse ocorrido no domingo ainda reverbera por bastante tempo e requer mais consciência, discernimento e inteireza de intenções. 

Acabou a primeira temporada de eclipses do ano, mas os dias continuam intensos ainda por bastante tempo, tanto por causa do eclipse – leia o artigo sobre a Lua Nova e Eclipse Solar em Peixes – quanto por causa dessa T-Square Cardinal Júpiter-Urano/Marte-Plutão! Nesta semana Marte faz oposição a Júpiter, que por sua vez faz a segunda oposição a Urano (agora retrógrado!) e a configuração ainda ganha o reforço da Lua que trafega Áries de terça até as primeiras horas da quinta-feira! O tempo fica fervente! Tempos intensos e extremos, de fato e, se por um lado sugerem embates e muitos desafios – especialmente à nossa paciência e tranquilidade – por outro, esse mesmo desassossego nos tira do sério e nos obriga a fazer coisas que vínhamos protelando e enrolando, ou seja, nos obriga a fazer o que tem que ser feito: eliminar as restrições, a preguiça, a acomodação, as desculpas esfarrapadas, o “faço amanhã”, ou quaisquer que sejam as correntes que andamos arrastando por aí feito alma penada condenada aos grilhões da inconsciência… A questão é que não somos almas penadas e não estamos condenados à inconsciência e nem a arrastar correntes, a não ser que queiramos permanecer no limbo da alienação – atenção para a conjunção Sol-Netuno em Peixes ativa durante a semana… Nos últimos anos temos tido muitas e muitas chances de dar muitas viradas… Esta é mais uma! Quem quiser agarrar, pode começar a viver, quem quiser continuar reclamando… Bom, depois não diga que não foi avisado! Diante dos problemas, é preciso ter atitude e resolvê-los – reclamar não é resolver, é estar apaixonado pelo problema e pelo próprio drama e, às vezes, parece que precisamos dar “cabeçadas” por aí para poder aprender a lição e com essa configuração, pode ser que tenhamos que aprender do pior jeito: errando, fazendo uma grande tolice, para finalmente cair a ficha da atitude errada, mas que pode no final das contas, ter um efeito positivo e nos colocar de vez no caminho da mudança – não sem prejuízos, claro! Marte também faz trígono a Saturno, que ajuda a assentar a cabeça depois de todas as revoluções Uranianas, propiciando verificarmos o que restou de tais revoluções… Vamos aplainar o terreno para começar uma nova construção!

O caminho percorrido por Vênus em oito anos, com cinco ciclos de retrogradação, forma a imagem de uma Flor de Lótus – Reprodução

Vênus fica retrógrado nesta semana, estacionando no dia 03 e mudando de direção no dia 04, no grau 13° de Áries. Fica retrógrado até o dia 15 de abril. Com Vênus retrógrado todos os tipos de relacionamentos e parcerias entram em período de revisão profunda, particularmente as relações amorosas. Estamos mais introspectivos e introvertidos e fazemos um balanço geral da nossa autoestima, daquilo que buscamos nas relações, daquilo que temos para oferecer… Os acordos e negociações diplomáticas podem ficar travados e isso pode levar a um recrudescimento dos conflitos, principalmente quando Vênus está em Áries, como agora, que é um signo avesso à diplomacia. Como Vênus tem a ver com valores, também representa nossa capacidade de gerar recursos, inclusive materiais – sim, dinheiro e posses! – e quando está retrógrado é aconselhável se ter cautela nos investimentos mais vultosos e reavaliar nosso gerenciamento financeiro. Não é um período favorável para casamentos ou celebração de parcerias, compra de imóveis ou bens de valor elevado, abertura de empresas, lançamentos de produtos ligados à beleza, estética e à arte em geral, abertura de casas de espetáculos ou empreendimentos culturais. Da mesma forma, cirurgias ou outros procedimentos estéticos importantes são desaconselhados, inclusive cortes de cabelo, ou coloração, que representem uma mudança grande na aparência – Não é que algo trágico vá acontecer, necessariamente, mas os resultados podem sair muito diferentes do esperado, gerando decepções e angústia. Esta retrogradação de Vênus tende a ser mais tensa, já que Áries é um signo de debilidade para este planeta… Escrevi um artigo extenso sobre a psicologia e simbolismo de Vênus retrógrado no mapa natal e em trânsito em 2014, quando Vênus estava retrógrada em Capricórnio. Você pode ler este artigo aqui. Na terça e quarta-feira ainda será possível ver a bela conjunção Lua-Vênus – e também Marte mais acima – no céu depois do por do Sol, conjunção que só voltaremos a ver no entardecer no ano que vem, já que Vênus passa a aparecer como Estrela da Manhã, Phosphorus/Eósforos, depois da retrogradação e só volta à forma de Estrela Vespertina, Héspero, semanas depois da conjunção superior ao Sol, que ocorre em janeiro de 2018.

Jon Jaylo – Reprodução

Mercúrio está em Peixes, sonhador, imaginativo, no mundo da Lua! E mais ainda porque vai fazer conjunção a Netuno! Então, cautela com a comunicação, que pode estar meio nebulosa e propensa a mal-entendidos diversos… A mente tende a divagar e ir parar lá no País das Maravilhas! Ops! Que horas/onde foi que eu caí nesse buraco de coelho??? Pode ficar difícil manter o contato com a realidade em alguns momentos e a tendência é pular de uma coisa a outra de maneira meio caótica – por esses dias só temos Plutão no elemento Terra, muita energia cardinal e mutável nenhuma energia fixa (a não ser quando a Lua passar por Touro e então será singleton). Caos e descontrole ficam nos rondando o tempo todo! Exercícios de aterramento – e até mesmo andar descalços na terra – podem ajudar. Mas podemos tirar muito proveito de tudo isso também. Toda essa sensibilidade de Mercúrio e Sol junto a Netuno expandem e aumentam a criatividade e a inventividade, favorecendo principalmente a artistas e criativos, mas de modo geral, a todos que queiram ter uma abordagem mais fértil e menos ortodoxa da vida.

Ho Jun di – Reprodução

O Sol também está em conjunção a Netuno o que significa que o altruísmo está em alta porque a empatia também está aumentada: sentimos os problemas alheios como se fossem nossos e genuinamente queremos ajudar, ficando até meio deprimidos se não o conseguimos. Todavia, é necessário cautela dobrada com idealismos excessivos (inclusive a respeito de si mesmo, os auto-enganos) não podemos esquecer que as pessoas continuam sendo humanas e sujeitas a falhas! Por outro lado, como já disse semana passada, os planetas de Peixes podem suavizar um pouco os bate-bocas e destemperos provocados pela T-Square Cardinal, já que trazem sensibilidade, empatia, flexibilidade, gentileza e a possibilidade de relevar muita coisa, até pela falta de ânimo que Peixes tem de se engajar em certas disputas, mas também porque tende a pensar no benefício do todo e a ter menos investimento nas questões egoicas – estou falando de Peixes positivo! No aspecto negativo, podemos vender para nós mesmos a imagem da abnegação e do desinteresse nas questões do ego, mas inconscientemente estar completamente investidos em garantir nosso próprio quinhão, seja a que custo for e ainda enganando a nós mesmos quanto às nossas motivações – autoconhecimento vale ouro aqui! A conjunção de Sol e Mercúrio a Netuno também pode trazer desânimo diantes das muitas agruras e da sordidez que vemos no mundo e sentimos um cansaço imenso de ter que lidar com as mesmas questões de novo e de novo… E, ao invés de lidar com os problemas diretamente, podemos nos dispersar em fantasias, devaneios, procrastinando nas atividades, desperdiçando tempo, energia, oportunidades, o que pode abater a autoestima porque o respeito próprio vai por água abaixo, junto com o tempo escoado pelo ralo – particularmente num céu que tem pouca energia fixa. Essa combinação Sol-Mercúrio-Netuno mais a T-Square Lua/Urano/Marte x Júpiter x Plutão também pode se manifestar em situações em que um lado é uma vítima ingênua, poderia se dizer, sacrificial, e o outro é o perpretador da violência implacável e podemos descobrir esses dois lados habitando e conflituando dentro de nós, como assisti-los manifestados no mundo exterior. Conselho prático: com todo esse fogo ativado nos céus, Marte conjunto a Urano e em oposição a Júpiter e ainda essa conjunção Sol-Netuno-Mercúrio, e quase nenhuma Terra, é mais que aconselhável evitar álcool e drogas em geral porque não temos nenhum senso de limites e estamos predispostos a exagerar e a perder a noção completamente – hashtag SemNoção – e no dia seguinte não se sabe se ter amnésia alcóolica é bênção ou maldição – isso se coisas mais graves não acontecerem! Num cenário assim, “acidente” não é acidente, é irresponsabilidade e até crime.

Dreamstime – Reprodução

SEGUNDA-FEIRA, 27 de fevereiro – Marte está em oposição exata a Júpiter, que também está bem perto de fazer a segunda oposição a Urano… É fogo contra fogo! A Lua está renovada em Peixes e se harmoniza com Plutão, faz conjunção a Kíron, quincúncio a Júpiter e quadratura a Saturno, ficando vazia depois, às 20h09min. Esse é um dia de excessos e extravagâncias! Exageramos na ênfase que damos ao que estamos fazendo, talvez colocando energia demais e nos desgastando desnecessariamente – quem sabe até colocando a saúde em risco; talvez metendo os pés pelas mãos e fazendo alguma tolice da qual nos arrependemos depois, apostando todas as fichas em algo sem ponderar adequadamente, correndo riscos mal calculados… O certo é que há muita energia, mas talvez não saibamos bem o que fazer com ela e se esse for o caso, podemos nos pegar nos exaltando em alguma situação em que sentimos que precisamos nos impor, batendo o pé arrogantemente e insistindo que sabemos mais e melhor, que podemos e acontecemos… O balão está inflado, mas é preciso cautela porque quanto mais inflado, mais sensível a agulhas, espinhos e afins, que podem aparecer de lugares insuspeitos… Talvez nossa arrogância mascare alguma insegurança quanto às nossas reais capacidades, mas o certo é que precisamos estar conscientes de nossas ações e daquilo que estamos realizando ou tentando realizar e, principalmente, estarmos cientes das razões para fazê-lo. Também precisamos lembrar que não é todo dia que estamos “com a bola toda” portanto, nada de sair pisando nos calos dos outros só porque podemos fazê-lo! Afinal, o mundo dá voltas – oh! se dá! E nada de querer abraçar o mundo com as pernas, porque logo poderemos descobrir que prometemos mais do que damos conta de entregar! Em vez disso, podemos realizar muita coisa positiva com todo esse vigor e entusiasmo de que dispomos por esses dias, SE soubermos nos ater aos nossos limites humanos e pessoais e buscar transpor tais limites (aqueles passíveis de serem superados) de forma inteligente e perspicaz, sem achar que precisamos patrolar todo mundo no processo. Então, se soubermos tirar proveito, podemos nos afinar com oportunidades de ouro de nos expandir realmente, de progredir em áreas em vínhamos patinando sem sucesso. Mas isso requer pé no chão, respeito aos limites nossos e dos outros, respeito às leis da Física – esse trânsito nos deixa propensos a acidentes idiotas – e atenção cuidadosa em tudo o que formos fazer. É um ótimo dia para nos conscientizar de nossas próprias limitações, nos conscientizar de crenças ultrapassadas e que não fazem mais nenhum sentido para nós, embora continuemos repetindo a ladainha herdada da família, de grupos, de amigos, etc… Ser honestos e identificar, realmente, o que é que nos prende e nos restringe e nos comprometermos com nossa própria liberação e independência – e lembrar que o mundo não foi feito em um único dia! Se conseguimos manter a cabeça no lugar, podemos inclusive ser bafejados pela boa sorte de maneiras completamente inesperadas, caso estejamos sintonizados com a intuição e com o tempo certo das coisas!

Do tumblr – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 28 de fevereiro – A Lua está fora de curso em Peixes na primeira hora do dia, mas ingressa em Áries à 01h53min, onde faz conjunção a Vênus. Marte acelera o passo para conversar com Saturno, mas ainda está bastante esquentado, enquanto o Sol já bate na porta de Netuno. A Lua está nova e super impulsiva e o trânsito por Áries salienta mais essa qualidade, de modo que nos próximos dias precisamos segurar as rédeas da pequena selvagem dando cabeçadas dentro de nós. A conjunção da Lua a Vênus talvez suavize um pouco esse lado impulsivo, contudo, ainda há muita imprevisibilidade no ar, já que Urano está muito ativo e essa Vênus prestes a mudar de direção, o que altera sua forma de expressão, além de estarem ambas em quadratura a Plutão. De fato, os instintos estão muito aguçados e demandam esforço hercúleo contê-los porque a via natural seria soltar as rédeas e dar livre curso a tais ímpetos, mas o dia pede que nos preparemos para amanhã, quando teremos desafios maiores pela frente, de modo que hoje, se for possível, seria bom já ir pensando em quais desafios vamos abraçar e quais não valem mesmo o esforço. Contenção é diferente de supressão ou mesmo repressão. A repressão ou supressão dessas energias voláteis pode ser perigosa porque ela pode implodir dentro de nós e causar muitos estragos, inclusive para a saúde. A contenção se dá quando vemos e reconhecemos as tensões, ficamos cientes delas, mas não permitimos que nos controlem, nem as atuamos de maneira errática ou inconsciente, pelo contrário, tomamos decisões maduras e claras a respeito das situações. Podemos fazer alongamentos para relaxar um pouco a tensão física e podemos ainda fazer alguma atividade física que não implique grandes riscos, como uma boa caminhada, que permita transpirar a ansiedade, e canalizar a energia de alta voltagem que circula pelas veias e músculos. Vale a pena olhar para o céu do entardecer para ver a última conjunção Lua-Vênus neste horário. Depois da retrogradação Vênus passará a aparecer com a Estrela Dalva, Estela da Manhã e para vê-la, só madrugando mesmo!

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QUARTA-FEIRA, 1° de março – De Áries a Lua faz quadratura a Plutão, conjunção a Urano e a Marte e oposição a Júpiter, incendiando de vez os humores e as cabeças. A Lua ainda faz trígono a Saturno e semi-quadratura ao Sol, entrando na fase Semi-Crescente. A conjunção Sol-Netuno ficando exata na última hora do dia talvez ajude a aplacar muitas disputas e jogar água na fervura. O dia está explosivo: há grande necessidade de ação e movimento e a Lua Ariana conjunta a Marte e a Urano adiciona mais fogo à impulsividade reinante de modo que nos sentimos como um vulcão entrando em erupção e assim também fica o clima geral! Emoções intensas, obstinação, ações impensadas, disputas de ego e humor para lá de abrasivo deixam a todos com a sensação de estar à sombra do vulcão cuspindo fogo e fumaça tóxica. Tóxicas podem ficar as relações com tal clima belicoso, portanto, é necessário prudência nas ações e nas iniciativas tomadas: é preciso ter moderação em tudo o que fizermos hoje e canalizarmos a energia intensa e turbulenta de transformação em realizações criativas, buscando mudar e transformar a nós mesmos e nossos vícios e problemas, ao invés de bater de frente com outros. O Sol conjunto a Netuno nos convida a sonhar e dar vazão à nossa criatividade e toda a energia cardinal ativada propicia que realmente  façamos algo produtivo com essa imaginação e sensibilidade, em lugar de ficar só viajando pelo mundo da Lua. Positivamente, Sol-Netuno também podem trazer um pouco de doçura, pacificidade e compreensão do outro. Por outro lado, como estamos também muito suscetíveis e impressionáveis, podemos nos contaminar e intoxicar com o clima carregado e hostil, sentindo-nos perdidos, paralizados, massacrados, expondo-nos à brutalidade de outros. Talvez também teçamos fantasias de que as coisas melhorem por si só, se apenas ficarmos quietinhos e invisíveis no nosso canto… Mas isso é ilusão! Crescer pressupõe “entender que nada em nossa vida acontece sem a nossa participação efetiva. É deixar a ingenuidade de que o mundo possa melhorar sem que façamos nossa parte” (Ilda Baddauhy) e este é o nosso maior desafio: fazer a nossa parte de maneira criativa, construtiva, utilizando as fortes energias a nosso favor e não contra nós ou contra quem quer que seja!

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QUINTA-FEIRA, 2 de março – Júpiter, retrógrado em Libra, faz oposição exata a Urano hoje, que está direto (na primeira vez que ocorreu esse aspecto, Urano estava retrógrado e Júpiter direto), oposição que fica partil por algumas horas, no fim do dia. O Sol em Peixes segue conjunto a Netuno, enquanto a Lua abre o dia vazia em Áries. Ingressa em Touro às 04h43min e logo faz sextil a Mercúrio. Fecha a noite também harmonizada a Netuno, aspecto exato amanhã. Os movimentos liberatórios aventados ou iniciados no fim de dezembro agora sofrem uma revisão importante quando precisamos avaliar se de fato nos liberamos do que nos cerceava ou apenas tomamos medidas paliativas. Estamos empenhados em reformar a vida e o mundo exterior, mas é preciso estar cientes de que primeiro é necessário uma reforma interna, uma reforma individual que inclua mudanças não só das atitude, mas principalmente das crenças, convicções e princípios que norteiam tais atitudes. Positivamente, o dia traz influências que dão ancoragem, bom senso e pragmatismo para lidarmos com isso de forma direta e responsável… Por outro lado, talvez tentemos ganhar tempo e protelar as coisas mais um pouco, por receio de abrir mão das comodidades e apegos que viemos acumulando ao longo do tempo. Mas a transição precisa ser feita e quanto mais adiarmos, mais difícil poderá ser. O que precisamos é refinar nosso timing para saber a hora de agir, porque em algumas situações, se agirmos rápido demais, poderemos nos precipitar e por tudo a perder e, ao mesmo tempo, se deixarmos o tempo passar, poderemos perder ótimas oportunidades de desenvolvimento e melhorias.  Em certos momentos precisaremos agir imediatamente e em outros, será melhor esperar. Como diferenciar e ter esse timing correto? Estando conectados com nosso relógio interno, com a intuição e o centro de nós mesmos. De qualquer forma, se nos colocamos no caminho com perseverança, confiando neste centro e dispostos a abrir nossos horizontes mentais, saberemos o que, quando e como fazer!

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SEXTA-FEIRA, 3 de março – A Lua Taurina conversa placidamente com Netuno e com o Sol em Peixes e depois mais intensamente, com Plutão em Capricórnio, aspecto depois do qual fica vazia, às 12h22min. Mais tarde Dona Lua se afina com Kíron e os dois estão indispostos com Júpiter, tornando este foco de um Yod-Dedo de Deus. O dia traz a oportunidade de percebermos com mais clareza a natureza dos nossos sentimentos e de expressá-los mais adequada e criativamente, podendo até mesmo ajudar a outros de maneira prática e arrazoada, sem contudo perder o feeling e a capacidade de entender as motivações mais profundas, tanto as nossas quanto as de outros com quem interagimos. Essa criatividade hoje se mostra mais funcional e pé no chão, de modo que podemos encontrar saídas para nossos dilemas com uma boa dose de bom senso, mesclado com muita sensibilidade. Em alguns momentos pode ser que duvidemos do nosso discernimento e da capacidade de realizar as escolhas, mas talvez olhar as dificuldades de outros possa nos ajudar a aceitar nossas próprias contradições e idiossincrasias, sem precisarmos ser tão severos no julgamento. De qualquer maneira, ainda precisamos ter alguma vigilância quanto a certas inseguranças ou dificuldade de pesar apropriadamente o potencial das coisas, o que pode levar a atitudes impensadas e irracionais. A tarde traz um tempo propício a empreender uma regeneração silenciosa e tranquila, caso saibamos usar o tempo e os recursos sabiamente, cessando as ações objetivas e permitindo-se ser e estar, sem a obrigatoriedade do fazer mecânico e indistinto. Quem puder começar o fim de semana mais cedo que o faça porque a tarde de sexta está mais propensa ao descanso e à contemplação do que às iniciativas de natureza determinada e concreta. Anoite de sexta pede programas comedidos e mais caseiros e talvez nos vejamos até indo para a cama mais cedo.

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SÁBADO, 4 de março – A Lua está vazia em Touro, tornando o sono mais profundo e repousante. Ingressa em Gêmeos às 07h06min e fica algumas horas sem conversar com os demais corpos celestes – algo difícil para Gêmeos – fazendo apenas oposição a Lilith e quadratura ao eixo nodal. Fecha a noite já em quadratura a Netuno. Vênus estaciona às 06h09min, a 13°07’ de Áries. Depois de uma semana bastante intensa e super agitada, o sono restaurador nos permite revigorar as energias e o ânimo. Acordamos com a corda toda, revitalizados e querendo interagir com o mundo ao redor, buscando estímulos mentais no ambiente… Contudo, a sensação é de estarmos isolados porque não conseguimos conexão efetiva com outros, de modo que isso pode resultar em inquietude, ansiedade e oscilações vertiginosas de humor, podendo nos levar a sentir um humor bastante sombrio apenas minutos depois de estarmos leves animados. Talvez seja o contrário: pode ser que nos deparemos com outras pessoas que querem permanecer na quietude tranquila e meditativa e quando as interrompemos em sua contemplação elas se indispõem contra nós. Os contatos e interações nas relações são sentidos de forma mais aguda e intensa e é possível que nos demos conta de algum padrão que se repete nessas relações e que só agora fica claro para nós. Sombras de nós mesmos que surgem do inconsciente, prontas para serem trazidas à luz, ou, melhor dizendo, prontas para nos levarem numa jornada ao Mundo Inferior do nosso próprio coração e dos nossos afetos mais profundos.

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DOMINGO, 5 de março – Vênus entra em retrogradação às 06h09min e ficará retrógrada até 15 de abril, voltando aé o grau 26° de Peixes. A Lua Geminiana tem uma conversa super tensa e confusa com Netuno e com Mercúrio em Peixes e também faz quadratura ao Sol, oficializando a fase do Quarto Crescente. A Lua ainda dialoga animada com Vênus, briga com Plutão e se afina lindamente com Júpiter e Urano. Fecha a noite e a semana em oposição a Saturno em Sagitário. O domingo está super agitado e nos vemos puxados para inúmeras atividades, algumas das quais, apesar do estímulo que propiciam, acabam por nos deixar meio cansados e irritados. Há conflitos internos entre as necessidades e instintos e a consciência e ficamos indecisos sobre qual dos dois seguir e a despeito de toda a atividade mental e do impulso para interagir com o ambiente, uma outra parte de nós deseja calma e sossego e talvez seja mesmo uma boa ideia ficar um pouco quietos, ao invés de pululando por aí, até que tenhamos noção da origem de tais conflitos e possamos achar maneiras de conciliá-los. O Quarto Crescente ocorre no ângulo Gêmeos-Peixes, sugerindo que precisamos filtrar os sonhos e fantasias da Lua Nova e torná-los mais objetivos e claros, não uma névoa difusa de desejos e esperanças confusos, mas uma ideia límpida de quais sonhos podem se tornar planos realizáveis.

Uma ótima semana para você! Que seja de luz e discernimento!

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Lua Nova e Eclipse Solar em Peixes – Um tsunami de emoções

Birth Chart Painting – Reprodução

Um novo ciclo lunar começa neste domingo, dia 26 de fevereiro, às 11h59min (14h59min no horário de Lisboa) com a Lua Nova a 08°12’ de Peixes. Esta Lua Nova também é um Eclipse Anular (Total) do Sol e ocorre em conjunção próxima a Netuno, regente moderno do signo de Peixes, mas os três, Lua, Sol e Netuno não fazem aspectos maiores a outros planetas, de modo que formam uma isolada e poderosa tríade que representa emoções e sentimentos tsunâmicos. Tal força e poder é ainda mais contundente quando lembramos que temos cinco corpos celestes em Água, em Peixes e apenas Júpiter no elemento Ar – Júpiter, que aliás é o dispositor tradicional da Lua Nova/Peixes. Além disso, há falta de Terra, já que também só há um planeta neste elemento: Plutão. Então temos um céu em que predominam Água e Fogo, trazendo um realce forte à natureza instintiva, sugerindo uma qualidade selvagem, impetuosa, intensa, visceral e bastante irracional. Essa ênfase em Água aponta para uma imensa sensibilidade, muita abertura psíquica, empatia, compaixão, cura, sentimentos viscerais, mediunidade e emoções à flor da pele. Negativamente, temos um cenário de escapismos, carências, inseguranças, incertezas, suscetibilidades, impressionabilidade, medos irracionais e difíceis de se expressar, irrealidade, sensacionalismo, tempestades emocionais… Tudo intensificado pelo Fogo. Os dois elementos que faltam, Ar e Terra, são os elementos associados com a objetividade, racionalidade, pragmatismo e realismo, de modo que essas qualidades ficam um tanto inacessíveis à consciência por estes dias, demandando de nós muita serenidade para navegar as grandes ondas de turbulências oceânicas do período.

Eclipse Total do Sol Março/2016, visto da Indonésia – Desconheço o autor da imagem

Eclipses normalmente são vistos como nefastos, mas não necessariamente são assim. Depende muito da natureza do eclipse em si, da Série Saros a que pertence e dos aspectos que faz no mapa individual. Na Astrologia Mundana sim, geralmente representam uma intensificação nos assuntos econômicos, políticos e sociais em geral, podendo representar cataclismos naturais, particularmente nas áreas geográficas em que ocorre o seu ápice, onde é visível. Este eclipse será parcialmente visível no Brasil, o que indica que sentiremos seus efeitos, parcialmente. Veja na imagem abaixo o caminho percorrido pelo eclipse. Leia mais sobre a natureza dos eclipses.

Caminho percorrido pelo eclipse. As partes mais escuras representam os locais em que o eclipse será visto na sua totalidade.

Com a Lua se renovando em Peixes numa lunação que também é eclipse, a vida nos convida a finalizar processos relacionados ao ano astrológico que finda com este ciclo. Mas também convida a lançar nossas intenções para uma vida de mais gentileza, de mais desprendimento e suavidade, de acreditar mais nos nossos sonhos, de incluir o elemento mágico e a fantasia na vida, enriquecendo nossa criatividade. Convida a diminuir as barreiras que nos separam do nosso irmão ali do lado, a derrubar os muros e os ismos, os rótulos e classificações, porque no fim, quando tudo termina, eles não servem mesmo para nada, são a verdadeira ilusão de uma dimensão que acreditamos que seja real, mas que está apenas testando se sabemos realmente discernir quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Xo-Billie.Deviantart – Reprodução

Em Peixes somos instados a incluir aquela parte de nós que é caótica e louca, que é irremediavelmente desconectada do mundo chamado “real”, aquele lado sonhador que parece não fazer muito sentido, mas que nos alimenta, inspira e nos empurra pelos dias afora, enquanto cuidamos do cotidiano cinza… A Lua Nova nos convida a uma vida de gentileza e inclusão, porque quando incluímos o que estava excluído, curamos, pelo reconhecimento! Entretanto, o eclipse ocorre em conjunção ao Nodo Sul, um ponto de regressão, de passado, de desgaste e acomodação, então, também há um forte impulso de manifestação das qualidades negativas de Peixes. E como já dito acima, Lua, Sol e Netuno estão fundidos num abraço urobórico onde nada é distinguível ou separável. As qualidades da Lua e Sol em Peixes são potencializadas muitas vezes pela conjunção a Netuno, aquele que diminui as barreiras e dissolve o senso de ego, de eu, de separatividade. Então é preciso cautela com os escapismos, com as ilusões, com os anseios por sermos salvos por outros que não nós mesmos; é preciso vigiar o desejo de não-ser, que pode levar a impulsos destrutivos de auto-dissolvição, seja por álcool, drogas, fanatismos, desejos de se perder no outro, renúncia da própria responsabilidade… Enfim, há o risco de entrarmos numa bolha de fantasias douradas e nos negarmos a ver a realidade diante de nós… E olha que essa lunação tá acontecendo bem no meio do Carnaval aqui no Brasil…

Série Saros 140 – 16 de abril de 1512, 06h22 GMT

A Série Saros 140, à qual pertence este eclipse, que é o evento número 29 de um total de 71, é uma série que traz um tom até bastante positivo. Bernadette Brady, astróloga inglesa especialista em eclipses, diz que “esta é uma família de eclipses que traz consigo um elemento de surpresas agradáveis. Felicidade repentina, um evento afortunado, um golpe de sorte, uma conquista de sorte. Os eventos que ocorrem podem mudar positivamente a vida da pessoa” (1). Ela diz isso porque no mapa natal da Série, que iniciou em 12 de abril de 1512, no Polo Sul, Sol e Lua fazem conjunção em Touro e a regente de Touro, Vênus, chamada a Pequena Benéfica, está em conjunção a Júpiter – o Grande Benéfico – em Peixes, signo de sua exaltação. No Ponto Médio entre a Lua Nova e a conjunção Vênus-Júpiter, está Urano, a 15° de Áries – Urano é o planeta das surpresas e das coisas inesperadas, que neste caso são consideradas agradáveis devido à natureza dos planetas envolvidos, Vênus e Júpiter. Assim, esta é uma família de eclipses que não é particularmente tensa ao tocar mapas individuais com aspectos positivos. Contudo, eclipses ocorrendo em quadratura ou oposição a planetas natais geralmente são tensos e representam desafios na área da casa natal e dos planetas envolvidos, assim como na/s casa/s regida/s pelo/s planeta/s.

Lua Nova e Eclipse Anular do Sol em Peixes – Brasília, 26 de fevereiro de 2017, 11h59min

Assim, se olharmos apenas a Série Saros 140 e a configuração do eclipse em si, poderíamos dizer que este é um eclipse de gentileza e bons augúrios. Entretanto, o mapa do eclipse traz algumas configurações bastante tensas, que não podem ser ignoradas porque envolvem o regente tradicional de Peixes, Júpiter, que trafega atualmente o signo de Libra. Júpiter está em oposição a Urano, o ponto alto de um ciclo que começou em 2010, no grau zero de Áries. Além disso, Júpiter também está em quadratura a Plutão, formando uma configuração de Cruz T ou T-Square Cardinal por boa parte do ano. E não podemos esquecer que Júpiter é o único planeta em Ar, é o líder de uma formação Tigela e ainda está retrógrado! Então, Júpiter tem um destaque muito importante nesse eclipse! O problema é que essa configuração é bastante tensa, tanto pela sua natureza quanto pelos planetas envolvidos. Júpiter em oposição a Urano pode se manifestar de forma muito criativa, trazendo oportunidades de nos liberarmos de coisas que nos limitam e nos seguram, inclusive crenças limitantes, mas, como o impulso de liberação é grande por demais e a própria energia envolvida é intensa e, sendo Urano um planeta imprevisível, pode também se manifestar de forma caótica, crítica e mesmo destrutiva.

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A presença de Plutão em Capricórnio na configuração sugere que a energia liberada deve provocar transformações profundas e cruciais, mesmo que a princípio haja uma demolição completa daquilo que é conhecido, das estruturas que sustentam nossa realidade. Como se não bastasse, Marte ativa e atiça esta configuração por aproximadamente duas semanas (de 15 de fevereiro até 03 de março, mais ou menos) e está em conjunção exata a Urano horas depois do eclipse, tornando plena a oposição a Júpiter já no dia seguinte. Marte adiciona mais impulso, energia, fogo e traz tudo para o plano pessoal… Marte é o planeta da vontade e agressividade, e quando se envolve nessa formação, torna-se o gatilho que dispara a situação que já estava armada. A presença de Marte nessa configuração também sugere uma vontade férrea, uma competitividade e desejo de ganhar a qualquer custo, alimentado por uma estamina fenomenal, mas que requer cautela devido à forte impulsividade, intenso egoísmo e imediatismo e muita inquietação e ansiedade, devido ao contato com Urano. Então, podemos dizer que sim, este eclipse tem um forte elemento de surpresa, de acontecimentos inesperados, mas nem todas as surpresas são assim tão agradáveis, sendo algumas delas até bastante ásperas e chocantes. De toda forma, o convite é claro: aproveitar a forte onda de liberação e deixar o tsunami levar o que não precisamos mais. Às vezes, quando não nos damos conta de nosso anseio por liberdade e independência, inconscientemente convocamos a outros para atuá-lo por nós, portanto, se o outro termina um relacionamento, ou se o chefe nos demite ou quaisquer outras situações parecidas, o melhor que fazemos é verificar se nós mesmos já não estávamos insatisfeitos com a situação.

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Uma Lua Nova sempre simboliza o fim de um ciclo e o começo de outro. Uma Lua Nova “normal” finaliza um ciclo lunar de aproximadamente 29 dias. Mas uma lunação que também é eclipse finaliza ciclos mais longos, às vezes de até 18 anos! Podemos, pois aproveitar e simbolizar a finalização e encerramento de tudo o que não queremos mais na nossa vida, naquela área de vida em que o eclipse cai no mapa natal, para começar um ciclo mais construtivo e criativo. No caso, é preciso abrir mão dos comportamentos erráticos, irresponsáveis, acomodados, alienados, os anseios de que outros resolvem nossos problemas, as fantasias de que tais problemas se resolvam sem esforço, os desejos regressivos de escapar da realidade… Você entendeu o tom!

Visibilidade do eclipse de 26 de fevereiro de 2017 – Nasa – Reprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 9 de Peixes (08°12’) traz uma imagem de dinamismo e competição, que ressalta a qualidade Marciana do mapa do eclipse: “Um jóquei estimula seu cavalo com a intenção de se distanciar de seus rivais”. Dane Rudhyar, autor do livro Uma Mandala Astrológica (2), que analisa os Símbolos Sabianos, nos lembra que este símbolo faz parte do Segundo Hemiciclo, que trata do processo de coletivização. O signo de Peixes é parte do ato relativo à Capitalização. Ele nota que o tom principal deste símbolo é a “intensa mobilização de energia e habilidade na busca pelo sucesso em qualquer performance social afetada pelo espírito competitivo”. Este símbolo, diz ele, indica a necessidade de concentrar todo o seu ser em direção à realização rápida de qualquer que seja o objetivo no qual você esteja empenhado. O que nos leva ao ponto do discernimento: com tais configurações ativas, este símbolo nos estimula a dar tudo de nós na realização dos objetivos, o que sugere estimular ainda mais a este Marte descabeçado… Apostar todas as fichas… E a cautela? Às favas com a cautela? Confesso que deu um nó na minha cabeça…

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Contudo, Linda Hill (3) traz uma luz: “A corrida começou e talvez você sinta que está perto do fim, mas não há garantias de vitória. Embora seja hora de extrair toda a energia possível, certifique-se de que você não a gaste rápido demais correndo o risco de chegar a lugar nenhum ou de não realizar algo de valor duradouro”. Temos aqui enfatizados os temas da competitividade, como já está claro, além das ambições desmesuradas, dos desejos agressivos, desejos de melhoramento, exaltação – vale lembrar que o cavalo é um símbolo de Júpiter e da força instintiva, o que nos remete, novamente, à força deste planeta neste ciclo e à necessidade de dominar nossa natureza selvagem e instintiva, para que ela não venha em nosso detrimento, mas funcione a nosso favor. Como pontos negativos Linda Hill aponta para a possibilidade de sermos ambiciosos demais (Marte-Plutão), de galoparmos a toda velocidade prematuramente, de adotarmos medidas implacáveis querendo ganhar a qualquer custo e de nos precipitarmos horrivelmente, pondo tudo a perder… E aí temos uma repetição dos temas de Marte/Urano x Júpiter x Plutão. O fato é que o Símbolo Sabiano ressalta a qualidade Marciana deste mapa: ação, decisão, atitude e… Precipitação, temeridade, agressividade. E por isso mesmo demanda de nós mais cabeça fria e ponderação para definir em que direção nós vamos, onde iremos apostar nossas fichas e investir todas as nossas energias, para nem queimarmos a largada, nem nos perdermos das raias que nos levarão à vitória. De certa forma, o Símbolo Sabiano traz um tom positivo à configuração de Marte/Urano x Júpiter x Plutão SE soubermos tirar proveito dela… Do contrário, podemos meter os pés pelas mãos e ser a causa de nossa própria queda.

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Para você ter ideia de como esse eclipse pode se manifestar na sua vida, primeiro verifique a casa do mapa natal onde ele acontece, ou seja a casa em que você tem o signo de Peixes; depois veja se faz aspectos com algum planeta ou ângulo do seu mapa – somente aspectos maiores: conjunção, quadratura, oposição e trígono (o sextil é menos perceptível), orbe de cerca de cinco graus, ou seja, planetas entre os graus 3 e 13 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes), ou signos de Água para o trígono (Câncer e Escorpião). Vale a pena também fazer uma retrospectiva sobre a sua vida no período de 16 de fevereiro de 1999, que foi a última vez em que houve um eclipse da Série Saros 140 (naquele ano o eclipse ocorreu a 27° de Aquário), e 26 de fevereiro de 1998, que foi a última vez que houve um eclipse total do Sol próximo a esse grau em Peixes (no caso, o eclipse ocorreu a 07°55’). Outro detalhe importante a se notar, é que já tem algum tempo que os eclipses vêm ocorrendo no eixo Virgem-Peixes, portanto, o eixo de casas onde esse par de signos cai no seu mapa natal está sendo ativado desde abril de 2015 e Virgem-Peixes vem se alternando com o eixo Áries-Libra. Este eclipse terá duração total de duas horas e 59 minutos, o que significa que seus efeitos perdurarão por cerca de três anos, perdendo força conforme outros eclipses forem acontecendo, porque o eclipse de mais influência é sempre o mais recente.

Agende uma consulta comigo e veja como este e os demais eclipses do ano afetam o seu mapa natal, que mudanças podem simbolizar e em que área de vida: psicologica.astrologia@gmail.com 

Em termos práticos e mundanos, como já disse acima, eclipses sinalizam tempos intensos em que as emoções ficam mais afloradas e nosso controle está discutível, portanto, demanda cautela e auto-observação para não agirmos ou reagirmos de forma excessivamente instintiva – no eclipse solar a consciência (o Sol) é eclipsada e os instintos ficam mais ressaltados. No mapa levantado para Brasília, Lua e Sol caem na casa 10 do mapa, sugerindo mudanças importantes no governo, com Mercúrio, já em Peixes, conjunto ao MC, indicando que notícias um tanto nebulosas ganharão grande destaque e terão grande influência nas decisões tomadas – quantas decisões escusas serão tomadas enquanto muitos estão entorpecidos pelo frenesi do carnaval?

Giovanni Allievi – Reprodução

Concluindo, o período sugere acontecimentos imprevisíveis, emoções e sentimentos tsunâmicos, que exigem de nós muita maturidade e centramento. É tempo de nos sintonizarmos com nosso eu mais profundo, aquele que está livre das ordens e prioridades mundanas e está focado nas necessidades da alma e na evolução da consciência; a partir daí, renovarmos nossas intenções de vivermos uma vida de mais gentileza e empatia. Ficar atentos porque o ciclo vai demandar sintonia fina para ponderar e ter clareza sobre qual a melhor atitude a tomar: se nossos intentos demandam espera cautelosa ou se devemos apostar tudo e acelerar na busca da vitória, sabendo que a competição será acirrada.

Para acalmar e serenar o coração e canalizar as influências do eclipse de forma mais positiva, recomenda-se exercícios de ancoramento e meditação. Isso pode ser melhorado com os cristais ágata, ágata de fogo, ametista, aragonita, olho de gato, galena, jaspe vermelho, ou outra pedra com que você já esteja acostumada/o e que lhe transmita confiança e segurança. Verifique as influências do eclipse de forma mais detalhada ao fim do artigo geral sobre eclipses, que você encontra neste link: http://mariaeunicesousa.com/2015/09/13/da-natureza-ciclos-e-efeitos-dos-eclipses/, influências que você pode ver de forma resumida na tabela abaixo.

Um feliz eclipse para você e um ótimo ciclo para todos nós!

Birth Chart Painting – Reprodução

(1) Brady, Bernadette – The eagle and the lark – Predictive Astrology  – Weiser Books

(2) Rudhyar, Dane – An Astrological Mandala

(3) Hill, Linda – 360 Degrees of Wisdon