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Lua Nova e Eclipse Total do Sol em Leão – A soma de todos os medos?

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O eclipse que acontece neste dia 21 de agosto está causando muito frisson e rebuliço nas comunidades astrológica e astronômica, por vários motivos. O frisson na comunidade astronômica é devido ao fato de o eclipse ser totalmente visível nos Estados Unidos, sendo o primeiro eclipse total visível em 99 anos naquele país (tanto que já se diz que vai ser o pedido de férias e folga mais popular na história). Já para os astrólogos, o alvoroço se dá, principalmente, porque o eclipse cai em conjunção ao Marte e ao ASC do presidente americano, Donald Trump, um presidente que, todos sabem, é bastante controverso, para dizer pouco. Os sensacionalistas de plantão já prenunciam o fim do mundo (de novo)!

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Sabemos que estamos vivendo tempos nervosos e tensos na política e economia mundiais e, desde que o presidente Trump assumiu, o conflito com a Coreia do Norte tem escalado a níveis realmente perigosos, a ponto de a Coreia ameaçar dizendo que uma guerra termonuclear poderia começar a qualquer momento – e ali, sabemos, os dois presidentes são duas crianças grandes competindo para ver quem tem o carrinho maior – “só Jesus na causa!”. E para perceber este clima, nem precisamos de eclipses para que se instale o medo e o pânico. A ocorrência de um eclipse apenas adiciona mais tensão. Ninguém é ingênuo e todos sabemos que os riscos são altos, mas o que podemos fazer? O que o eclipse prenuncia? Embora eclipses muitas vezes tragam augúrios de desastres e cataclismos, além de prenúncios de conflitos, não vale a pena entrarmos em pânico e o pior que podemos fazer é nos permitir ser tomados pelo medo. Vamos ver, então, do que trata este eclipse? (Para entender a dinâmica e significados gerais de eclipses, leia este artigo).

Galeria do Meteorito – http://www.galeriadometeorito.com/2017/08/horarios-do-eclipse-solar-21-agosto-2017-no-brasil.html – Reprodução

Primeiro vamos à visibilidade e aos dados técnicos. O eclipse será visível em todos os Estados Unidos, numa linha que corta o país de Oeste a Leste, na região central do país, na América Central e Norte da América do Sul. O eclipse também será visível parcialmente no Brasil e ao lado você tem uma tabela com as cidades e horários em que será visível (tirado do site Galeria do Meteorito) (1). A Lua Nova ocorre às 15h30 min no horário de Brasília e às 18h30min no horário de Lisboa. Já o eclipse tem seu pico às 15h26min (18h26min para Lisboa).

Fonte: Nasa

Segundo, vamos falar da Série Saros 145, à qual pertence o eclipse do dia 21. Este eclipse é o membro 22, de uma família de 77 eclipses. A série nasceu em 04 de janeiro de 1639, às 04h56min, no Polo Norte e se desloca em direção ao Sul. Todos os eclipses ocorrem no Nodo Norte, sugerindo que esta família trabalha a tomada de consciência, a sintonização com nossos propósitos maiores e com o dharma. O último eclipse da série ocorre no Polo Sul, em 18 de abril do ano 3009, portanto, a série dura 1.370 anos (2).

Série Saros 145 – 04/01/1639 – Polo Norte – Aqui o mapa está levantado para Brasília.

No mapa natal da série 145 vemos Lua e Sol estão a 13 de Capricórnio; Vênus está totalmente sem aspectos e Urano está também virtualmente sem aspectos, fazendo apenas um quincôncio a Plutão; há uma conjunção Júpiter-Netuno em Escorpião oposição a Plutão em Touro e Júpiter está no Ponto Médio exato entre Urano e o Nodo Norte – e Plutão oposto a este ponto; Vênus está no Ponto Médio entre Júpiter e Saturno; Marte quadra o Ponto Médio entre a Lua Nova e Netuno. Além disso, Saturno está em quadratura a Quíron, tal como o trânsito atual entre os dois, com a diferença de que essa quadratura na Série 145 é fixa. Bernadette Brady (3), astróloga pesquisadora de eclipses, fala o seguinte sobre esta série: “Eventos inesperados envolvendo amigos ou grupos coloca uma grande pressão nas relações pessoais. Essas questões relacionais podem avultar-se se o eclipse afetar o mapa individual. O indivíduo será sábio se não tomar decisões precipitadas, uma vez que as informações podem ser distorcidas ou possivelmente falsas. O eclipse também tem uma qualidade de cansaço ou problemas de saúde atrelados a ele”.

Adam Martinakis – reprodução

Então, vemos que Urano tem papel de destaque nessa série, o que faz com que ela seja carregada de imprevisibilidade e uma qualidade bastante caótica, adicionando à sensação de descontrole normalmente associada aos eclipses em geral . As relações também são fortemente impactadas, já que Vênus está sem aspectos e ainda é Ponto Médio entre Júpiter e Saturno, um aspecto que sugere falta de estabilidade e durabilidade nas relações e mudança de sorte no amor. E somando tudo isso ao que Brady diz, vemos que em termos individuais, esta família de eclipses tem grande impacto sobre as relações pessoais, um impacto geralmente negativo, devido à pressão que gera.

Lua Nova e Eclipse Solar em Leão – Brasília, 21 de agosto de 2017, 15h30min

Já o mapa do eclipse atual traz a conjunção Sol-Lua a 28°52’ de Leão, em ampla conjunção a Marte, que está no grau 20. O Sol, que é o regente de Leão, está sendo eclipsado. Isso sugere um momento em que a consciência fica turvada e encoberta pelos sentimentos e emoções (Lua), levando a alguns descontroles e situações caóticas. Como o Sol também representa lideranças, reis e presidentes, esse é também um período delicado para lideranças e autoridades em geral, especialmente se tais indivíduos têm planetas ou ângulos aspectados pelo eclipse – pessoas com ângulos e planetas nos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) são mais afetadas. Mas esse momento de escuridão também propicia entrarmos em contato mais íntimo e profundo com a alma, exatamente porque o ego e a consciência estão eclipsados. E, na escuridão profunda da alma, podemos encontrar a luz interior, a luz pulsante e fulgurante do coração (Leão), que poderá iluminar as sombras que nos amedrontam, que poderá iluminar nossos conteúdos misteriosos e obscuros, para integrarmos mais um pouco desse lado inconsciente. Claro, para isso, precisamos estar centrados e inteiros em nós mesmos, para não espiralarmos no caos vibratório coletivo – lembre-se que a consciência está em apagão!

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Leão é um signo de liderança, realeza, de coragem e de realização dos nossos potenciais criativos; é um signo de viver os valores do coração, de forma íntegra, honrada, nobre! É também o signo de viver a alegria plena. A Lua Nova sinaliza um tempo de semeaduras, de plantar novos projetos e ações e quando se trata de um eclipse, essa Lua Nova fica mais potente. Kelly Surtees (4), astróloga australiana, aponta que Marte conjunto a essa Lua Nova sinaliza um momento de entrar em ação e começar novos projetos naquela área de vida representada pela casa em que o eclipse cai no mapa natal, começar e avançar, derrubando barreiras antigas, que antes nos bloqueavam. A conjunção a Marte, ela lembra, indica um momento de sermos corajosos, ousados, destemidos. Marte em Leão é nobre e honrado, corajoso e vigoroso e nos incita e enche de uma nova energia para ir atrás de concretizar nossos propósitos mais nobres.

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Como já mencionado acima, um dado muito importante é que os eclipses desta série ocorrem em conjunção ao Nodo Norte (o eclipse lunar do dia 07/08 aconteceu conjunto ao Nodo Sul), e com este não é diferente e isso grita alto para deixarmos o passado para trás, para rompermos com o comodismo, com aquilo que nos segura e avançarmos na direção dos nossos propósitos maiores. Outra coisa, o Nodo Norte está no Ponto Médio exato entre a Lua Nova e Marte e, somado ao fato de a Lua estar conjunta a Marte, vemos que é mesmo um momento de avanço. Ebertin (5) fala sobre esse Ponto Médio “cooperação vigorosa e energética com outras pessoas; uma associação de mulheres, uma organização que consiste apenas de membros femininos” – considerando-se que eclipses solares favorecem muito ao feminino, este dado acima potencializa esses auspícios.

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Outro dado notável é o Grande Trígono em Fogo (na verdade, três) formado por Marte-Lua-Sol em Leão, em trígono a Urano em Áries e a Saturno em Sagitário. Grande Trígono que vira uma Pipa, já que os planetas em Leão e Saturno estão também em sextil a Júpiter. Essa configuração traz a promessa de um diálogo, de uma colaboração entre o velho e o novo, entre a estabilidade e o progresso; e tais possibilidades são trazidas para o âmbito pessoal, porque temos não só Sol e Lua, mas também Marte, o planeta da ação envolvidos. Esse Grande Trígono traz esperança e acena com a construção de uma ponte que liga o passado ao futuro de forma harmoniosa. Agora, Grandes Trígonos são preguiçosos. Representam potenciais latentes, que precisam de atitude para serem manifestados e como é Júpiter o foco da Pipa, isso requer mais atenção, porque Júpiter é um planeta benéfico, mas um tanto bonachão e também indolente – se bem que a oposição a Urano faz ele se mexer, e muito! O fato é que há muitas possibilidades e oportunidades em aberto, mas elas não serão dadas assim, de graça – será necessário algum esforço para conseguirmos aproveitá-las. em tempo: Grandes Trígonos têm uma energia ambivalente em tempos de tensão. Eles permitem que a energia flua livremente, sem empecilhos e isso é crítico em cenários de conflitos ou desastres – mais um motivo para elevarmos nossa vibração!

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E não se engane! Há tensões também! Começando pela T-Square Cardinal formada pela oposição Vênus-Plutão, que desemboca em Júpiter. Em termos mundiais, essa T-Square fala de ameaças à diplomacia, já que Vênus é o planeta da conciliação e dos acordos e aqui está bastante belicosa, atrás do Sol, oposta ao Deus dos Infernos, Plutão e quadrando Júpiter, que aumenta e exagera tudo, seja o bom ou o ruim. No plano individual, essa posição de Vênus ratifica o tema da Série Saros 145, que coloca pressão nas relações pessoais! Vênus também é foco de outra T-Square, que nasce da oposição entre Júpiter e Urano, dois planetas simbolizadores da liberdade e do progresso – Vênus em Câncer é apegada ao passado e aqui ela está encurralada e vai ter que deixar o passado para trás, preservar as boas memórias, mas mover-se para a frente!

O eclipse também ocorre em quadratura exata ao Plutão do mapa natal da Série 145, e Plutão em trânsito atual está em conjunção ampla à Lua Nova da SS 145. Com isso, temos acionado o o tema das transformações profundas na sombra coletiva, especificamente, na esfera da matéria, do dinheiro, dos bancos, assuntos relacionados a Touro e a Leão. Portanto, pode haver impactos importantes na economia mundial, no sistemas bancários e nas plutocracias.

Mercúrio estacionário em 05 de setembro de 2017, a 28°25′ de Leão

Algo que não podemos esquecer é que Mercúrio está retrógrado, assim como Saturno, Urano, Quíron, Netuno e Plutão. Carol Rushman, astróloga americana (6), afirma que quando um eclipse ocorre em períodos de Mercúrio retrógrado,  seus efeitos podem ser “retardados”, atrasados. O fato de os demais planetas estarem retrógrados também salientam a necessidade de tecermos reflexões profundos antes de fazermos as mudanças e alterações que precisamos fazer. É preciso revisitar o passado e nos certificarmos de tudo o que deve ficar lá, para não haver arrependimentos posteriores – a Lua Balsâmica em Câncer nos dias anteriores favorece bastante essa revisita! Mas daí, Mercúrio volta ao movimento direto no dia cinco de setembro! Em que grau? A 28° de Leão, o mesmo grau do eclipse! Ou seja, quando Mercúrio estacionar no dia cinco, ainda veremos muito rebuliço mundo afora e muitas das “promessas” do eclipse que tinham ficado retardadas, podem então se manifestar!

Mapa de dentro: EUA – mapa de fora: coreia do Norte

O eclipse, como já dito, faz conjunção ao Marte e ao ASC natais do presidente dos EUA; mas não somente! Cai também em oposição (felizmente ampla) a Marte no mapa de Kim Jong Un, presidente da Coreia do Norte; em conjunção ao Saturno natal da Coreia do Norte e em oposição à Lua dos EUA – quer dizer, a tensão é considerável – interessante notar que a Lua natal dos EUA está oposta ao Saturno natal da Coreia, e o Sol da Coreia em quadratura ao Marte dos EUA – não poderiam mesmo ser relações fáceis! Mas isso quer dizer guerra? Não dá para afirmar. O risco existe – e você nem precisa da Astrologia para lhe dizer isso! – mas com Urano presente, qualquer coisa pode acontecer! Eclipses também são famosos por simbolizarem fenômenos naturais, nem todos necessariamente desastrosos e, de toda forma, cataclismos fazem parte dos ciclos de criação e destruição da natureza, sempre existiram e provavelmente sempre vão existir! A vibração individual de cada um torna-se importante, perceber nossa responsabilidade pela atmosfera que criamos e ajudamos a proliferar! De que ajuda pode ser alguém que está em pânico? Nenhuma! Novamente: não vamos entrar no medo!

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Primeiro, uma coisa que você precisa saber é que um eclipse não afeta a todos da mesma maneira. Ele simboliza mudanças e impacto maior na vida de indivíduos cujos mapas são aspectados por ele, leia-se, quando o eclipse faz aspectos a planetas pessoais, Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte e os ângulos, Ascendente, Meio do Céu, Descendente e Fundo do Céu. Essas pessoas são mais afetadas. Como? Depende do tipo de aspecto e da natureza do planeta, além da casa em que o eclipse cai (ao final veja uma descrição breve sobre o significado das casas e planetas) e as casas regidas pelo planeta aspectado. Alguns eclipses podem representar, na verdade, coisas bastante positivas. As outras pessoas cujos mapas não recebem aspectos do eclipse podem ser afetadas de modo mais indireto, dentro dos assuntos da casa em que o eclipse ocorre. E como lidar com o medo e esse estado nefasto de apreensão? Eu conversava sobre isso com uma colega e amiga, com quem costumo trocar ideias astrológicas, Sheba Remy e ela me lembrava de algo crucial: a melhor maneira de lidar com o medo é fitá-lo na cara, olhá-lo no fundo do olho, ou seja, encarar o medo, visualizar o pior dos cenários que o seu medo cria. Como você reagiria se o seu pior medo se realizasse? O que você poderia fazer? Há realmente algo que você poderia fazer? Como seria dali em diante? Olhe para isso, não fuja, não finja que não tem medo; olhe para ele, enfrente-o! O que poderia evitar que isso se realizasse? Está a seu alcance, sob seu controle? Então faça! Não está sob seu controle? Então, relaxe! Se não há nada que você possa fazer, por que ficar em desespero? O que tiver que acontecer, vai acontecer, independentemente da nossa vontade ou do que fizermos; o que fará diferença é nosso centramento interior – ou a falta dele. Olhe o medo no olho e prometa a si mesmo que não vai deixar que ele lhe consuma! Remy me dizia: “é parte da nossa conjuntura social e cultural fazer barganhas, se tivermos medo o bastante, se conspirarmos o suficiente com os pensamentos e vibrações mais baixas, então, talvez consigamos evitar o que está por vir”. O que é um ledo engano, porque o que tiver que ser, será, mas “se estivermos comprometidos energeticamente ou de outras maneiras por termos nos entregado demais ao medo, estaremos limitados na nossa resposta ao inevitável”, complementa ela. Portanto, encare o medo, mas NÃO deixe que lhe consuma, respire fundo e confie na vida! Tudo tem um propósito!

E para confrontar esse medo, comece por rememorar as datas abaixo. Revisite o passado. Primeiro, olhe o que estava acontecendo na sua vida por volta de 22 de agosto de 1998, a última vez que houve um eclipse total do Sol neste grau de Leão… Lembrou? Não é só isso! Relembre também o que se passava na data de 11 de agosto de 1999, que foi a última vez que tivemos um eclipse da Série Saros 145. Os acontecimentos desses períodos dão pistas sobre o que você pode esperar nos próximos dias, sobre os temas e os assuntos que este eclipse movimenta e que serão trabalhados nos próximos meses na sua vida. Você acha mesmo que precisa ter medo?

Veja em que área do seu mapa natal ocorre este eclipse e o do dia 07/08 e veja quais aspectos ele faz e o que isso significa para VOCÊ! Agende uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com 

Os efeitos deste eclipse terão duração de cinco anos e aproximadamente quatro meses. Isso porque o eclipse vai ter uma duração total de 5 horas e 18 minutos, cada hora corresponde a um ano e cada cinco minutos corresponde a um mês. Essa equivalência é dada pela estudiosa de eclipses Christine Arens, astróloga americana (7). Claro, os efeitos mais intensos são percebidos nas semanas próximas ao eclipse e nos seis meses seguintes, até que a próxima temporada de eclipses ocorra. Conforme o tempo passa, esses efeitos vão se desvanecendo.

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E o que diz o Símbolo Sabiano do grau 29 de Leão (28°52’)? “Uma sereia emerge das ondas do oceano, pronta para renascer na forma humana”. Dane Rudhyar (8), estudioso dos Símbolos Sabianos, nos diz que a nota-chave deste símbolo é “o estágio em que um sentimento intenso – a intuição que se eleva do inconsciente está prestes a assumir a forma como um pensamento consciente”. Ele nos lembra que a sereia simboliza um estágio de consciência ainda não completamente perceptível, parcialmente envolvido pelo oceano, evasivo do inconsciente coletivo, mas já meio formulado pela mente consciente, um estágio familiar a artistas, criativos e pensadores em geral – o que faremos com esta intuição? Rudhyar diz que este símbolo “sugere que o fogo do desejo, pela forma concreta e estável, queima na raiz de todas as técnicas de auto expressão. Uma energia arquetípica inconsciente está chegando à consciência através do criador, como o amor cósmico busca uma manifestação tangível através dos amantes humanos. Todo o universo pré-humano chega ansiosamente ao estágio humano de clara e estável consciência. É este grande impulso evolutivo, este elan vital, que está implícito neste símbolo da encarnação humana que procura a sereia: o anseio pela forma consciente e por solidez”.

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O que isso vem nos dizer? Vem salientar esse foco de luz interior que pode advir da total escuridão parcial do ego; vem nos dizer de um momento mágico, em que uma nova consciência está por nascer; um novo impulso criativo e evolutivo que se manifesta, mas, para que tal impulso se manifeste concretamente, precisa deixar a forma antiga da sereia (o passado ingênuo) para trás. Assim, este símbolo vem ressaltar a qualidade do novo que o eclipse traz, a qualidade de uma nova consciência, que também é simbolizada pelo Grande Trígono Sol-Lua-Marte com Saturno e Urano.

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Resumindo: eclipses são eventos que simbolizam e que podem trazer no seu bojo eventos grandiosos, entre eles, cataclismos e conflitos, mas principalmente, representam o fim de um ciclo e o início de outro; eclipses solares representam um momento de lançar novas sementes e novos projetos, naquela área de vida representada pela casa em que ocorre no mapa natal. Esta família de eclipses sugere a ocorrência de eventos inesperados que afetam grandemente as relações pessoais, particularmente as afetivas, tema repetido no mapa do eclipse atual. Portanto, este eclipse sugere um momento importante de ruptura com o passado, especialmente na esfera das relações, e de se abrir para novas possibilidades e novas maneiras de agir e de se afirmar no mundo! Contudo, é preciso cautela para termos ciência de que estamos tomando as decisões e atitudes certas – nada de agir com precipitação, no calor do momento! Outra coisa a ser evitada é resvalar no medo, no pânico e no sensacionalismo! Enfrentar os medos e permanecer centrado é uma forma de não espiralar no caos.

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Assim, aproveitemos a energia deste eclipse para romper com o passado e seus padrões repetitivos definitivamente, depois de termos refletido e avaliado o que precisa ser deixado para trás – não se preocupe, isso vai ser esfregado na sua cara! Tomemos posse da forte vibração de mudança e novos começos e dessa consciência e intuição incipientes, que começam a se mostrar para nós, mas que só serão manifestadas se as agarrarmos de forma decidida. Lancemos nossas intenções de mudança e transformação de vida! E, respondendo à pergunta do título, podemos até ter uma somatória de medos, que poderá crescer e virar pânico generalizado, mas não precisa ser assim! Não, não tenhamos medo! Antes, vigiemos e oremos e nos sintonizemos com vibrações elevadas, para estarmos prontos para o que quer que seja exigido de nós! Confiemos! O eclipse ocorre conjunto a Marte, o guerreiro, então, acionemos o guerreiro, nobre, corajoso e leal que há em nós. E vamos em frente!

Abaixo segue algumas dicas práticas e simples que podem ajudar a navegar as emoções dos próximos dias. Logo depois tem os significados do eclipse em aspecto aos planetas pessoais (não vou responder sobre os demais planetas) e por fim, sobre as casas.

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O que você pode fazer:

  • Meditação, Yoga, exercícios de ancoragem e enraizamento ou quaisquer outras práticas que lhe tragam serenidade e centramento;
  • Permanecer centrado, com atenção plena no aqui e agora;
  • Exercícios de respiração profunda que propiciem centramento
  • Andar descalça/o na terra também ajuda a descarregar a tensão e aterrar as energias;
  • Florais, como o Rescue, que nem precisa de prescrição;
  • Evitar álcool e substâncias entorpecentes durante estes dias – já estamos meio fora do eixo, essas substância tiram a consciência e o centramento quando mais precisamos deles;
  • Diminuir/evitar a cafeína (presente no café, chá preto, refrigerantes cola e energéticos); a cafeína é um estimulante potente e dependendo da quantidade, pode gerar ou aumentar a ansiedade;
  • Usar cristais de aterramento e proteção: turmalina negra, quartzo fumê, pedra boji, olho de gato, galena, magnetita. E contra o medo: calcita laranja, amazonita, ágata musgo, caraíta, quiastolita (pedra da cruz).
  • E por último, como diz Bernadette Brady, essa família de eclipses também tem efeitos sobre a saúde. O grau 29 (28°52’) de Leão rege o Septo atrioventricular, a parede muscular que divide o coração, portanto, pessoas que têm problemas cardíacos ou histórico de doenças cardíacas na família, são aconselhadas a se cuidarem mais e a ficarem atentas.

Abaixo os significados do eclipse em aspecto com planetas pessoais. Para saber em qual casa e quais planetas recebem aspectos do eclipse, levante seu mapa em www.astro.com; observe em que casa cai o final do signo de Leão, o grau 28; observe se existem planetas entre os graus 23 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) e 03 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes). Quanto mais próximo o grau, mais forte a influência do eclipse

Sol – Afeta a vitalidade física, os propósitos pessoais, os homens como o pai, o marido, filhos homens, superiores; afeta o senso de eu e de identidade; auto expressão pessoal. Pode representar problemas de saúde, mudanças expressivas na identidade ou na relação com homens importantes na vida da pessoa.

Lua – Afeta a natureza e a realidade interior, os sentimentos e emoções, as respostas emocionais, as questões orgânicas do corpo (e ginecológicas para as mulheres); o inconsciente; as mulheres na sua vida, mãe, esposa, filhas, amigas. Instintos, hábitos, comportamentos, o lar e a residência. Pode representar mudanças importantes na relação com as mulheres ou na residência.

Mercúrio – Comunicação, estudos, conhecimentos, aprendizados, ideias e conceitos, processos intelectuais; irmãos, parentes próximos, vizinhanças, viagens curtas, trânsito, carros e veículos em geral. Pode significar o início de novos projetos de estudo ou ligados à comunicação/viagens.

Vênus – Relações afetivas, afetos, prazeres, senso de auto-estima e valor, dinheiro, ganhos, beleza, estilo, artes, expressão cultural. Pode significar um novo amor/romance.

Marte – Desejo, vontade, ação, realização, energia, sexualidade; também representa homens na sua vida, principalmente de envolvimento afetivo-sexual; pode significar aumento/diminuição significativo da energia e vitalidade; pode representar nova aventura sexual ou novas empreitadas de realização pessoal; requer muito cuidado, porque sendo planeta de ação, a energia pode se tornar bastante errática e perigosa.

Atentar para as casas regidas pelos planetas aspectados no mapa natal.

A tabelinha vai ajudar a relembrar os eclipses do ano e a influência na área de vida – veja o signo do Ascendente!

Veja os significados por casa no mapa natal:

Casa 1 – Casa angular e super importante onde o eclipse se faz notar de forma inquestionável, especialmente se conjunto ao Ascendente. Período de grande ênfase e destaque pessoal. A energia e o entusiasmo ficam acentuados e você se sente fazendo maior impacto no ambiente e no mundo em geral. Pode ser um bom período para fazer mudanças na aparência física. É um ciclo para se destacar e aparecer – se esse destaque é positivo ou negativo vai depender das ações e atividades desenvolvidas até aqui, assim como dos aspectos que o eclipse possa fazer a planetas natais.

Casa 2 – A ênfase aqui recai sobre os valores, sejam eles materiais ou imateriais. Finanças, posses, patrimônio material vêm para a linha de frente e “eventos” podem se precipitar ligados a ações passadas. Pode ser um bom período para reavaliar investimentos e a gestão dos recursos; para aprender uma nova habilidade que se transforme também em recurso e valor; especialmente para refletir sobre nossos valores mais essenciais e como eles influenciam nossas decisões e escolhas.

Casa 3 – O foco recai sobre estudos e aprendizados, que serão, ou não, estimulados e favorecidos, dependendo dos aspectos do eclipse. Comunicação, veículos, viagens curtas, viagens diárias para o trabalho e deslocamentos em geral também são influenciadas por estas energias. Irmãos e parentes próximos podem também se tornar foco da nossa atenção por diferentes motivos.

Casa 4 – Outra casa angular onde o eclipse tem maior ênfase. Assuntos ligados à família de origem, assim como à família formada pelo indivíduo. Mudança na relação com a figura paterna, que pode ter seu poder e autoridade ofuscados de alguma forma. A atenção é para os assuntos domésticos, do lar e da casa física em que se mora, assim como para a faceta mais íntima da vida privada. Reformas e mudanças na residência são possíveis.

Casa 5 – A criatividade e expressão pessoal recebem grande injeção de ânimo, assim como os romances e atividades de lazer e relaxamento. Filhos, como expressão mais óbvia de nossa criatividade também se tornam o centro das atenções, especialmente o filho mais velho; novas atividades criativas ficam favorecidas, como artes, danças, música, etc. Aconselhável ter cuidado com especulações e jogos de azar. E claro, se as manifestações são benéficas ou estressantes, depende das variáveis do eclipse.

Casa 6 – Trabalho diário, emprego, colegas de trabalho, relação com empregados e servidores, saúde, corpo, cotidiano, bichos de estimação… Todos estes assuntos ficam realçados com um eclipse solar nesta casa. É um momento de avaliar com seriedade a forma como cuidamos da saúde e especialmente avaliar o impacto de maus hábitos sobre ela, como fumar, por exemplo. Reorganização do local de trabalho assim como programas de reeducação alimentar ficam beneficiados.

Casa 7 – Outra casa angular. Todas as relações próximas ficam sob os holofotes, sejam parcerias afetivas ou de negócios, assim como amigos mais chegados e também os tais “inimigos declarados”. Propostas de casamento ou de sociedades são possíveis, assim como rupturas, dependendo de como o eclipse “conversa” com o resto do mapa e dos demais movimentos que estejam acontecendo neste mapa.

Casa 8 – Casa dos valores dos outros, da morte (não necessariamente literal) e renascimento, de crises, de impostos, seguros e heranças. E também do sexo como expressão da parceria íntima. Então todos estes assuntos podem demandar nossos cuidados e nosso tempo, trazendo benefícios ou preocupações. O período pode ser particularmente “quente” sob os lençóis e novos amantes podem aparecer à nossa porta.

Casa 9 – As viagens de longa distancia, assim como as buscas espirituais e a mudança de crenças ocupam nossa atenção quando um eclipse cai nesta casa. Cursos superiores e vida acadêmica, assim como publicações também estão enfatizados. Os parentes do cônjuge também são vistos aqui e podem representar problemas ou alegrias. Novos conhecimentos que expandem a consciência podem ser iniciados a partir de novos contatos ou até mesmo por um livro que começamos a ler.

Casa 10 – A última casa angular, de suma importância. A casa da nossa imagem pública, da carreira, da vocação e também da mãe ou da figura materna arquetípica. Podemos ser promovidos ou demitidos sumariamente; podemos ficar literalmente sob os holofotes em situações públicas e que agregam valor à nossa persona pública e status profissional. Publicidade gratuita pode nos favorecer. Eventos ligados à mãe também podem nos afetar.

Casa 11 –  Um eclipse nesta casa pode indicar um período bom para se iniciar novas amizades, participar de grupos e associações que sempre quisemos mas nunca tomamos a atitude. Aqui vemos os amigos e as relações sociais, que obviamente ganham ênfase especial. As esperanças de futuro e projetos de longo prazo também ficam favorecidos, ou sua realização, reavaliação ou desilusão.

Casa 12 – Possivelmente a casa mais difícil de expressão de um eclipse. A casa da introspecção e do inconsciente. Esqueletos tendem a sair do armário e demandar que lidemos com eles; tabus familiares ou raciais tendem a cair no nosso colo de graça, e não podemos mais fingir que não os vimos; é uma casa de serviço, então somos convidados a prestar serviços que implicam sacrifício ou oferenda de nosso tempo e energia em favor de outros. Podemos nos sentir particularmente introspectivos e sentir o desejo de isolamento e reclusão.

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Fontes:

(1) Galeria do Meteorito: http://www.galeriadometeorito.com/2017/08/horarios-do-eclipse-solar-21-agosto-2017-no-brasil.html

(2) Série Saros 145, site da Nasa: https://eclipse.gsfc.nasa.gov/SEsaros/SEsaros145.htmlBernadette

(3) Bernadette Brady – The Eagle and the Lark – Predictive Astrology – Weiser books

(4) Kelly Surtees – https://kellysastrology.com/

(5) Reinhold Ebertin – The Combination of Stellar Influences

(6) Carol Rushman – The Art of Predictive Astrology

(7) Christine Arens – Eclipses – Webinar promovido por Kepler College em 05/04/2013

(8) Dane Rudhyar – An Astrological Mandala

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Lua Cheia em Escorpião – A Sombra e a Escuridão

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A Lua foi Cheia esta madrugada, às 02h23min no horário de Brasília e às 06h23min no horário de Lisboa. A culminação e apogeu do ciclo que foi iniciado na energia pioneira e individualista de Áries. Há vários temas básicos ressaltados por essa Lua Cheia: a confrontação da sombra pessoal; o combate ao egoísmo e individualismo; eliminação de tudo o que não nos serve mais. Vamos olhar cada um deles em detalhe.

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Darkersideoftemptation – Reprodução

O eixo Touro-Escorpião é fixo e vem falar de desejo, sexo e posse. Tem a ver com poder, o poder material (Touro) e o poder emocional/espiritual (Escorpião). Mas este eixo também fala da vida instintiva, sentida profundamente no corpo para Touro e via sentimentos viscerais para Escorpião. Este par lida com a necessidade de construir algo (Touro) e depois destruir (Escorpião) quando a segurança e a estabilidade viraram  estagnação.  Posse e controle são dois predicados deste eixo, mas se Touro quer possuir (em todos os sentidos da palavra) e acumular coisas, especialmente bens materiais, Escorpião preocupa-se com a posse e controle através dos sentimentos e emoções. Touro é sensorial e sensual, agudamente sintonizado com o corpo e seus sentidos: ver, ouvir, cheirar, degustar, tocar, por isso desejo e sexo são tão naturais para o signo, que se refestela nos prazeres da carne, literal e figurativamente, pois seu foco é o prazer. Já para Escorpião, sexo é uma maneira de se conectar com e possuir o outro da maneira mais íntima e profunda possível e uma forma de conhecer-se a si mesmo e à profundeza abissal da própria alma – o prazer e o gozo são mera consequência disso e potencializados por isso. Especificamente, Escorpião é o signo da transformação, da morte e renascimento, eliminação e regeneração e nos remete à sombra e toxicidade da alma humana.

Lua Cheia em Escorpião - 22 de abril, 02h23min, Brasília-DF.
Lua Cheia em Escorpião – 22 de abril, 02h23min, Brasília-DF.

E por falar em Sombra e em conhecer as profundezas abissais da própria alma, chegamos ao primeiro tema desta Lua Cheia: a Sombra. É interessante notar que Lua e Sol estão praticamente em dueto no mapa da Lua Cheia, ou seja, fazem aspectos apenas entre si, como se totalmente hipnotizados um pelo outro. A Lua faz apenas um trígono super amplo, de quase 10 graus, a Netuno em Peixes e o Sol só se conecta com a Lua.  Isso super enfatiza os temas do eixo Touro-Escorpião e nos diz que não há escapatória, temos que enfrentar seus desafios, mesmo que a integração desses temas seja particularmente difícil. E se não fazemos isso voluntariamente, invocaremos experiências duras e desagradáveis que nos façam entrar em contato isso com isso. Estejamos atentos aos insights, sonhos e sensações que surgirem nos próximos dias – podem nos dizer muito sobre esta sombra.

Gustave Moreau - Reprodução
Gustave Moreau – Reprodução

Essa Lua Cheia me lembra, de maneira bem contundente, o mito da Hidra de Lerna, um dos mais conhecidos mitos associados a Escorpião. A Hidra de Lerna era um monstro que tinha corpo de cachorro e nove cabeças, uma delas imortal. Seu veneno era tão letal que destruía toda a vida ao seu redor. Ela habitava um pântano fedorento e obscuro e aterrorizava a região. Era quase impossível destruir o monstro porque quando se cortava uma cabeça, três outras nasciam no lugar. Hércules batalhou muito com a Hidra e para vencê-la, primeiro ele teve que fazer o monstro sair da caverna escura em que se escondia atirando flechas de fogo, enquanto segurava a respiração para não respirar seu veneno. Mesmo assim, ele estava quase perdendo a batalha quando lembrou-se dos conselhos de seu mestre: “nós nos elevamos ajoelhando-nos, conquistamos nos rendendo e ganhamos, desistindo”. Assim, ele ajoelhou-se e levantou a hidra por uma de suas cabeças, tirando-a da água e elevando-a no ar, em direção ao sol. Afastada da água a hidra perdeu sua força e poder e encolheu de tamanho, permitindo que Hércules cortasse suas cabeças e as cauterizasse, especialmente, a principal delas. No seu lugar surgiu uma joia preciosa que ele enterrou debaixo de uma rocha.

Desconheço o autor - Reprodução
Desconheço o autor – Reprodução

Este mito é emblemático dos temas de Escorpião, que precisa trazer à luz da consciência os conteúdos virulentos e obscuros do inconsciente pessoal e às vezes, familiar e coletivo. Se ele não faz isso, essa energia inconsciente e putrefata o envenena, intoxicando também a tudo o que ele toca. Quando decide enfrentar o monstro, o resultado é a transformação de tais conteúdos na joia preciosa da consciência e do domínio de mais uma parcela de si mesmo. O fato de Hércules se ajoelhar e abaixar diante do monstro indica a cautela e o cuidado que temos que ter ao nos aproximar do Inconsciente e da Sombra, que são extremamente poderosos e se nos aproximamos de forma descuidada e leviana, podemos ser destruídos no processo, portanto, é preciso muita humildade.

Miasma - Austen Mengler - Reprodução
Miasma – Austen Mengler – Reprodução

Essa Lua Cheia salienta fortemente o tema desse mito e algo que chama bastante a atenção é que os dois planetas que regem Escorpião, Marte e Plutão, ficaram ambos retrógrados há menos de uma semana, ambos mudando de direção em menos de 24 horas entre si. Isso nos lança, de forma mais contundente e entranhada no desafio maior de todos: o monstro com o qual temos que lidar não está lá fora, está aqui dentro. Mais do que nunca, não temos nada a ganhar em culpar ou acusar a outros ou ao mundo por nossas dores, problemas e fracassos. Precisamos reconhecer e combater a Hidra venenosa dentro de nós. Com muita humildade, perscrutar nossas sombras, nossa toxicidade, nossa lado mais baixo e instintivo, a ambição e o desejo de poder, o ceticismo e o cinismo, a fixidez e estagnação da vida, nossa própria destrutividade, tanto em relação a nós mesmos quanto àquilo que nos cerca. Se formos bem sucedidos no combate, descobriremos que junto com o lixo e os conteúdos reprimidos que foram jogados no inconsciente, também há tesouros preciosos que podem ser restaurados e enriquecer nossa vida emocional. Mais: ao confrontar tais conteúdos sombrios, empoderamo-nos verdadeiramente, manifestando nossa luz e potencial criativo com mais segurança.

Fausto - Água Forte de Rembrandt - Reprodução
Fausto – Água Forte de Rembrandt – Reprodução

Uma outra estória a que nos remete esta Lua Cheia é a de Fausto, uma lenda alemã recontada magistralmente por Goethe, que tinha, ele mesmo, Escorpião no Ascendente e que é trazida para ilustrar o capítulo sobre Escorpião no Livro A Astrologia do Destino, de Liz Greene (1). “Fausto era um médico comum e obscuro, que tinha anseios de prestigio e sede de poder, riqueza e reconhecimento. Ele faz um pacto de sangue com o demônio Mefistófeles: em troca de seus desejos de poder mundano, Mefistófeles terá sua alma. E de fato, ele conquista e consegue tudo o que ambiciona. O foco de Goethe é o egoísmo de Fausto, que é a porta de entrada para Mefistófeles, o demônio símbolo do espírito da negação, aquele que murcha toda a inocência. Fausto negou a Deus, desprezando-o – uma atitude de cinismo e de negação da vida, um dos males que Escorpião tem que combater dentro de si mesmo, mas que às vezes, nem ele mesmo percebe, pois está inconsciente dessa negatividade destrutiva da vida.  É como uma apatia, um tipo de depressão, uma convicção de que, em ultima análise, nada vai funcionar.

Fausto - Harry Clarke - Reprodução
Fausto – Harry Clark -Reprodução

Mefistófeles poderá levar a alma de Fausto se ele tentar, em qualquer momento, parar a vida e agarrar-se ao momento presente ao invés de permitir a mudança e o fluxo da vida, essa é a barganha, algo que tem a ver com a fixidez de Escorpião, que geralmente tenta possuir algo bonito e prazeroso ao invés de deixar a vida fluir, daí nasce realmente a possessividade e o ciúme associado a este signo. No fim, Fausto quase incorre neste erro fatal, mas seu espírito inquieto o salva e embora ele tenha sujado suas mãos e se corrompido, este é um aspecto necessário de sua busca não apenas por poder, mas pela iluminação e pelo amor. Portanto, ele é perdoado”. Quando se fala de Escorpião aqui, isso não se refere somente aos nativos do signo. Escorpião e todos os signos são arquétipos da experiência humana, ou seja, todos nós vivenciamos isso em alguma instância em nossa alma e um retrato disso é que todos temos Escorpião em algum lugar do nosso mapa natal – mesmo que não haja planetas ali, a energia escorpiônica governa aquela área de vida e é ali que nos defrontamos mais fortemente com nossa sombra mais profunda.   

Desconheço o autor - Reprodução
Boris Vallejo – Reprodução

Os mitos da Hidra e de Fausto nos lembram que a sombra deve ser confrontada pelo espírito humano e é em Escorpião que essa batalha se dá de forma mais fatídica e decisiva. Escorpião, ao olhar e lidar com todos estes materiais sombrias, em si mesmo e no coletivo, redime não só a si, mas traz à tona conteúdos ancestrais que precisam ser purgados e purificados, para que uma transmutação possa ocorrer. E repetindo, com Marte e Plutão retrógrados, o exercício da vez é confrontar esta sombra em nível pessoal e individual, olhar para dentro, para o mais fundo de nós mesmos, com honestidade e coragem e reconhecer que temos um lado demoníaco, a capacidade para o mal. Assumir que, embora tenhamos a escolha de não atuar e nem agir a partir de tais sentimentos, todos nós temos a mesma capacidade para o egoísmo, a mentira, a vilania, a desonestidade, a inveja, o ciúme, o ódio, o desejo de matar e de ferir, o rancor, e todos os mais baixos sentimentos e instintos humanos, inclusive o desejo de poder e a capacidade para corromper e ser corrompidos, uma reflexão extremamente pertinente no momento atual do Brasil em que os políticos personalizam todos estes conteúdos sombrios que não assumimos em nós.

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Esta Lua Cheia de Escorpião é o ápice do ciclo iniciado em Áries e, de formas diferentes, Áries e Escorpião são signos que falam de egoísmo e individualismo, provavelmente porque têm em comum o mesmo regente, Marte, o princípio da agressividade e da afirmação do indivíduo. Assim, a meu ver, o primeiro tema se desdobra no segundo: um dos maiores desafios no confronto com nossa sombra é reconhecer e combater nosso grande egoísmo e individualismo, algo que vemos claramente na cultura vigente mas, convenientemente, esquecemos que a cultura é reflexo do inconsciente individual e que agrupado ao inconsciente dos demais indivíduos, forma o inconsciente coletivo. Assim, é fácil reconhecer que a cultura é egoísta, mas eu? Imagina, claro que não! É a cultura individualista e de  violência em que estou inserido que não deixa eu expressar minha compaixão e altruísmo!

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Por sinal, este é o tema do Símbolo Sabiano para o grau 03 de Escorpião (02°30’): Vizinhos ajudam num mutirão para construir uma casa numa pequena vila. O símbolo vem reforçar essa necessidade de combatermos o individualismo dentro de nós e em contraponto, desenvolvermos a cooperação como um valor. Vizinhos se juntam num mutirão para construir algo, num verdadeiro espírito de comunidade, ao invés de se manterem isolados, cuidando somente de seus próprios interesses, protegendo-se, paranoicamente, uns dos outros. As tarefas mais difíceis e mais desafiadoras geralmente são melhor executadas em cooperação, afinal, como diz o antigo ditado, “duas cabeças pensam melhor que uma”, imagine então várias cabeças! Ou seja, vários talentos e habilidades somados podem conseguir, em menos tempo e usando menos recursos o que, para um indivíduo sozinho, demandaria muita luta e esforço. A percepção de que precisamos uns dos outros está bastante clara aqui, assim como a necessidade de renovarmos o sentido de comunidade e ajuda mútua, de criarmos uma cultura de cooperação – algo que parece bastante esquecido na vida urbana e super ocupada que levamos.

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Este símbolo também nos diz que, confrontar nossa sombra individual, especialmente no que tange ao egoísmo, pode nos levar a um senso de um renovação, da construção de algo novo e sólido, de algo que, por sua própria natureza, tem o propósito de unir as pessoas e fazê-las se perceberem umas às outras novamente, a saírem um pouco do seu isolamento, cinismo e ceticismo quanto à nobreza da alma humana, algo que o Escorpião às vezes esquece por estar tão entranhado na própria escuridão: na alma humana também há luz, uma verdade simbolizada pela flor de lótus nascendo na lama do pântano! A adequada e necessária integração entre Sombra e Luz é que nos fará mais genuinamente humanos e compassivos e mais capacitados a exercer, viver e ser o amor verdadeiro.

Desconheço o autor - Reprodução
Desconheço o autor – Reprodução

Além de confrontar esta Sombra, purgar seus conteúdos tóxicos e integrá-los à consciência, a  Lua Cheia de Escorpião convida a identificar tudo o que morreu em nós e nossa vida para que possamos eliminar e nos livrar desses conteúdos putrefatos – sem equívocos: essa eliminação não é da Sombra, a Sombra não se elimina, apenas se integra! O problema é que Marte, o regente tradicional de Escorpião, está envolvido numa configuração super confusa e que tira a clareza e a lucidez: Marte é foco de uma T-Square mutável que tem por base a oposição Júpiter-Netuno. Ao fazer quadratura a Júpiter, seu dispositor, Marte fica mais inflado e tem mania de grandeza e talvez tente super compensar a sensação de impotência, simbolizada pela retrogradação, com bravatas e quixotadas; já a quadratura a Netuno potencializa a impotência porque traz apatia, insegurança, medo, dúvidas e vontade de desistir, visto que Netuno mina a resistência Marciana de maneira insidiosa. Portanto, é preciso ter cautela para não nos deixarmos abater no confronto com esta sombra: embora tenhamos potencial para a monstruosidade, não seremos monstros, se nos fizermos conscientes. Assim, é necessário olhar nossas fraquezas como adubo rico que transforma a escuridão em beleza – a lótus nascendo do lodo.

Tomaz Alen Kopera - Reprodução
Tomaz Alen Kopera – Reprodução

Também é preciso cuidado para não confundirmos o que deve ser eliminado e o que ainda pode ser reciclado e se temos dificuldade em identificar as partes mortas, podemos simbolizar fazendo limpezas práticas na nossa casa, liberando tudo aquilo que já não usamos mas que está jogado/guardado em algum canto, como símbolo de algo que vivemos e que ficou estagnado na lembrança. Essas coisas geralmente funcionam como bloqueios e entulhos energéticos, porque ali está estagnado o sentimento original ao qual nos apegamos e que nos prende à coisa toda, à história original que nos remete ao pecado maior de Escorpião: o desejo de parar o tempo e fixar o momento, para jamais se desfazer de seu poder e beleza. Aliás, às vezes, temos grande dificuldade de esquecer um relacionamento desfeito porque não queremos nos desapegar no próprio sofrimento, já que ele foi a única coisa que restou – é, parece doido, mas as pessoas fazem isso. Portanto, o outro grande desafio é eliminar e deixar morrer todas essas coisas, eliminar a estagnação e aquilo que realmente não está funcionando, para podermos voltar a fluir com a vida – isso é particularmente aplicável para a área dos relacionamentos, então, se você quer se livrar de relações tóxicas e mal sucedidas, a hora é esta!

Feliz Lua Cheia para você! Esteja pronta/o para lidar com os conteúdos sombrios que surgirão nas próximas duas semanas. Não fuja deles, confronte-os! E que os confrontos nos amadureçam e nos levem à regeneração!

Carrie Ann Baade - Reprodução
Carrie Ann Baade – Reprodução

 

(1) The Astrology of Fate – Liz Greene – Weiser Books

Sonhos, a linguagem mágica do inconsciente

Frederick Leighton____Open
Frederick Leighton – Artista Britânico – 1830-1896 – reprodução

Nova coluna – Com o Sol em Peixes, o signo por excelência do mundo onírico, recebendo o trígono instigante e aprofundador da Lua Disseminadora em Escorpião; essa mesma Lua ainda fazendo trígono a Quíron e sextil a Plutão – Lua conjunta ao ASc em Escorpião no mapa para Cuiabá – inauguro hoje uma coluna nova neste blog, uma coluna sobre o estudo e a interpretação de sonhos. A idéia nasceu como muitas outras idéias: da falta. Sempre pesquiso na internet sobre significados e interpretações de sonhos, seus temas e imagens e acabo ficando frustrada porque raramente acho algo que valha a pena. Então pensei em prover um pouco desse conteúdo, e no processo aprender sobre o assunto.

Outra coisa que me motivou é que, embora eu não seja psicóloga nem terapeuta, sempre pergunto aos meus consulentes de Astrologia sobre sonhos que porventura tenham tido recentemente ou sonhos recorrentes. Eles fornecem pistas valiosíssimas de como anda a vida do sonhador, de seus conflitos básicos, assim como pistas de como resolvê-los.

Convido você, então, a adentrar comigo esse universo mágico e fantástico dos sonhos. A partir de hoje estarei publicando textos sobre sonhos, sua interpretação e sua importância para a psique e a vida do sonhador.

brooke shaden caught in a dream
Brooke Shaden Photography – Caught in a Dream Reprodução

É muito difícil achar fontes confiáveis que tragam interpretação dos sonhos e seus símbolos na internet – aliás, é difícil até mesmo achar bons compêndios sobre o assunto, sendo a maioria dedicada às crendices e superstições – por isso a proposta é trabalhar não só o estudo dos sonhos em si, mas também a interpretação genérica dos símbolos universais, que são assim chamados porque aparecem em todas as culturas, em todas as eras e estão ligados aos arquétipos, aos ritos de passagem e aos ciclos de desenvolvimento do individuo. Digo genérica porque o contexto do sonho sempre precisa ser levado em conta para que se faça uma interpretação acurada, ou pelo menos razoável dos símbolos que se apresentam em cada viagem onírica. Mais importante ainda, o sonhador é a peça fundamental e seu contexto histórico, situação familiar, social, afetiva, etc. são essenciais para se entender o que o sonho traz. Jung dizia que “todo sonho é tão individual que não pode haver interpretação sistemática do sonho. Todo sonho tem que ser observado junto com o sonhador porque este tem percepções que são negadas à mente consciente”. Em última instancia, o sonhador é sempre mais importante do que o sonho, dizia ele. De qualquer forma, embora cada sonho seja único, como único é cada sonhador, tentarei trazer uma interpretação básica que norteie a análise dos símbolos e arquétipos surgidos na linguagem onírica.

carnetimaginaire.tumblr
Carnetimaginaire.tumblr.com – Reprodução

A periodicidade dos textos sobre sonhos não está pré-determinada. Inicialmente pensei em textos quinzenais, porque tenho os demais textos de Astrologia para produzir, mas isso está em aberto. Advirto ao leitor, como já disse acima, que não sou psicóloga e que embora minha proposta seja pesquisar de forma aprofundada cada símbolo e imagem trazidos aqui, essa interpretação não deverá ser levada ao pé da letra caso o leitor se veja sonhando com estes temas, uma vez que, como já disse, o contexto do sonho e da vida da pessoa devem ser sempre levados em consideração. Tendo dito isso, convido você a interagir e também sugerir temas de sonhos para pesquisarmos e estudarmos juntos. Minha biblioteca sobre o assunto também não é muito vasta, então, quem tiver bons títulos para sugerir, por favor, faça-o,  serão muito bem vindos!

Pessoalmente, o primeiro sonho de que me lembro remonta à minha infância, acho que tinha seis ou sete anos de idade – era um sonho sobre um avião caindo, como aqueles aviões bimotores da Segunda Guerra e ao fundo tinha uma melodia repetitiva, que quando acordei, percebi vir do rádio à pilha que estava ligado na cozinha. Jamais esqueci, nem do sonho nem daquela melodia. Há outros sonhos de imagens fortes dos quais também nunca me esqueci. Na adolescência, intuitivamente, comecei a anotar alguns deles e percebi que instintivamente sabia o que queriam me dizer, que mensagens estavam trazendo. Assim, com o tempo fui aprofundando esse relacionamento com o mundo mágico de Orfeu, Mercúrio e Netuno. Tenho muitos e muitos cadernos de muitos anos de sonhos anotados e analisados, fosse na terapia ou fora dela. De tudo o que experimentei até aqui, afirmo e recomendo: vale a pena estabelecer uma relação com esse universo fascinante e misterioso que se descortina para nós todas as noites enquanto dormimos.

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Mia Araújo – Reprodução

Mas, afinal, o que são os sonhos? De onde vêm?

Os sonhos são uma linguagem fantástica através da qual o inconsciente se comunica conosco. Sempre foram tidos e recebidos com assombro, qualidade comum a todas as coisas numinosas e inexplicáveis. “Desde as mais remotas épocas os homens procuram entender as mensagens ou significados dessas coisas intrigantes, misteriosas e fascinantes que são os sonhos. O que tem variado, ao longo do tempo, é a importância atribuída e a compreensão que se tem deles. Se os sonhos são vistos como séries de imagens que parecem sem sentido, resíduos de memória ativados  (idéia comum na neurologia); se têm um sentido para a personalidade do sonhador (conceito da psicologia), ou se são encarados como mensagens místicas, isso demonstra apenas diferentes interpretações, as quais refletem o status ou valorização dados a eles” (1).

Escada de Jacob por William Blake c. 1800, British Museum, Londres
A Escada de Jacó, de william Blake, Museu Britânico, Londres. A Escada de Jacó é um tema famoso e fala de um sonho de Jacó, descrito no livro de Gênesis, em que ele vê uma escada que os anjos utilizam para subir e descer dos céus.

Na antiguidade eram tidos geralmente como premonitórios e causavam medo e terror. Muitas culturas utilizavam os sonhos como mensagens oraculares que traziam avisos de bons ou maus augúrios. A própria Bíblia utiliza os sonhos extensivamente em praticamente todos os seus livros, que cobrem um período de muitos séculos.

Os egípcios lhes creditavam grande força e poder ocultos, reveladores da vontade dos deuses. Durante os sonhos se podia, inclusive, contactar os mortos. A técnica de interpretação dos sonhos era, porém, bastante complexa e demandava treino extensivo e laborioso, o que se assemelhava a um tipo de sacerdócio. “’Os Escribas da Casa da Vida’, como eram chamados os interpretes, viviam em santuários que se tornaram famosos como templos de incubação” (1). Deste modo, os egípcios teriam criado a primeira forma organizada de interpretação de sonhos, porém teriam sido os gregos, que acreditavam que a alma vagava durante o sono, que teriam burilado essas técnicas chegando a um alto grau de refinamento e sofisticação, técnicas que eram empregadas por Esculápio, o deus solar da saúde, tanto no diagnóstico quanto no tratamento de doenças.

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Salvador Dali – Reprodução

“No decorrer dos séculos os sonhos têm sido associados com o paranormal e a ocorrência de abandono do corpo, visita de um íncubo ou previsão de acontecimentos futuros. São Jerônimo disse que interpretar os sonhos era o mesmo que feitiçaria , e, por dois séculos, a prática foi proibida pela Igreja Cristã”, dizem os autores Maeve Ennis e Jennifer Parker no livro Fique por Dentro dos seus Sonhos (2). “Essas tradições e curiosidades sobre a vida onírica sempre estiveram presentes nas mais diferentes culturas ao longo da história, com maior ou menor ênfase, dependendo do período”, afirmam eles.

De lá para cá a forma como vemos os sonhos evoluiu conforme evoluímos nós também. A Interpretação dos Sonhos, de Sigmund Freud foi um dos passos decisivos da ciência na direção de um melhor entendimento, e porque não dizer, “aproveitamento” da linguagem onírica. Revolucionou não só a Psicologia, mas toda uma forma de se lidar com este universo. Para Freud, os sonhos revelam desejos reprimidos que o inconsciente busca realizar. Já Jung foi além e dizia que “não se sonha, se é sonhado. Nós passamos pelo sonho, somos seus objetos”. Carl Jung jogou mais luz ainda sobre a interpretação e uso dos sonhos na psicologia e práticas terapêuticas, descortinando um mundo novo e muitas possibilidades de entendimento da alma humana e do inconsciente. A diferença principal entre Freud e Jung no que tange aos sonhos é que Jung dizia que os sonhos eram criações não só do inconsciente pessoal, mas também do inconsciente familiar e coletivo. Jung também acreditava que sonhamos continuamente, mesmo quando estamos despertos, “porém a consciência faz tanto ruído que não os escutamos” (2).

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Almagnus – Reprodução

Hoje em dia os sonhos ainda são vistos com muita crendice e superstição por muita gente. Muitas pessoas os utilizam para tentar a sorte em jogos de azar, outras tantas têm sonhos premonitórios fabulosos e terríveis, mas o fato é que parece que precisamos tanto do sonho quanto do sono e sabe-se que todo mundo sonha, mesmo pessoas que dizem que não  – na verdade elas apenas não se lembram deles, talvez, diria a psicanálise, como um mecanismo de defesa do ego contra as forças inconscientes.

Uma curiosidade fisiológica que deixa clara a importância dos sonhos é que eles “acontecem cerca de quatro a cinco vezes durante a noite. No transcorrer de uma vida média passamos cerca de um terço de nossas vidas dormindo e aproximadamente cinco anos, sonhando!” (2) por essas e outras deveríamos dar grande importância às suas imagens e conteúdos fantásticos, pois os sonhos são uma linguagem fundamental da Psique, que os utiliza para se expressar e processar a transmutação de conteúdos do inconsciente para o consciente e vice e versa. E para você, o que são os sonhos? Você consegue se lembrar dos seus? Há algum sonho recorrente que fica indo e vindo? Os sonhos recorrentes dão excelentes pistas sobre temas centrais de vida e não deve ser ignorados.

escalator and water by mita flickr
Mita – Flickr – Reprodução

No próximo artigo traremos o primeiro tema, a ÁGUA, o mais universal de todos os temas oníricos. Quando sonhamos com ÁGUA é o inconsciente falando de si mesmo, porque a água é símbolo do próprio inconsciente, então, é como uma metalinguagem. A Água nos sonhos está associada na Astrologia, com fortes trânsitos de Netuno ou progressões da Lua por signos aquáticos. Mas falamos mais disso no próximo post.

brooke shad
Brooke Shaden Photography – Reprodução

Praticidades: 

Caso você realmente tenha interesse em trabalhar com os seus sonhos, é necessário se comprometer com eles. Para isso, compre um bom caderno, de preferência bonito e bem feito, que demonstre seu investimento e engajamento e deixe-o na cabeceira da cama, juntamente com uma caneta. Ao acordar, pela manhã, antes de abrir os olhos e de fazer qualquer movimento, tente se lembrar do que estava sonhando e guarde isso na memória, mantenha as imagens diante de si antes de levantar. Digo isso porque, tão logo nos movemos para o lado ou abrimos os olhos, aquele sonho nítido e maravilhoso tende a ter suas imagens dissolvidas pela claridade do dia. E ficamos frustrados com a imagem dissipada que revelavam tanto e que traziam uma sensção numinosa e muitas vezes sagrada.

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Reprodução

No começo, talvez você não se lembre de nada, ou somente de fragmentos, mas anote mesmo assim, porque o hábito estabelecerá a conexão. É como ganhar a confiança de alguém, um pouquinho de cada vez. Aqui estamos tentando ganhar a confiança do Inconsciente e se não demonstrarmos comprometimento, não lembraremos mesmo. Anote uma vez e mais outra e você perceberá que conforme escreve uma segunda ou terceira vez, os detalhes se mostram mais nítidos. Tente fazer associações sobre essas imagens. O que elas lhe recordam? Você arriscaria um palpite sobre do que se tratam? Quando já tiver estabelecido o hábito de escrever, folheie o caderno antes de dormir e releia seus sonhos, para predispor-se a lembrar deles no dia seguinte. Importante: mesmo que não consiga anotar os sonhos todos os dias, é primordial que você ache tempo para fazê-lo periodicamente, pelo menos uma vez por semana. Com o desenvolvimento desse processo, vocè pode investir em literatura de qualidade que o ajude a entender ainda mais esse universo. Junto com os posts darei sugestões de títulos que valem a pena. Agora é só sonhar e se engajar com os seus sonhos!

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Salvador Dali – Reprodução

Fontes Pesquisadas:

(1) GALLBACH, Marion Rauscher – Aprendendo com os sonhos – Coleção Eros e Psique – Ed. Paulus

(2) ENNIS, Mauve + PARKER, Jennifer – Fique por dentro dos seus sonhos – Cosac & Naify

Sonhos, a linguagem mágica do inconsciente

Frederick Leighton____Open
Frederick Leighton – Artista Britânico – 1830-1896 – reprodução

Nova coluna – Com o Sol em Peixes, o signo por excelência do mundo onírico, recebendo o trígono instigante e aprofundador da Lua Disseminadora em Escorpião; essa mesma Lua ainda fazendo trígono a Quíron e sextil a Plutão – Lua conjunta ao ASc em Escorpião no mapa para Cuiabá – inauguro hoje uma coluna nova neste blog, uma coluna sobre o estudo e a interpretação de sonhos. A idéia nasceu como muitas outras idéias: da falta. Sempre pesquiso na internet sobre significados e interpretações de sonhos, seus temas e imagens e acabo ficando frustrada porque raramente acho algo que valha a pena. Então pensei em prover um pouco desse conteúdo, e no processo aprender sobre o assunto.

Outra coisa que me motivou é que, embora eu não seja psicóloga nem terapeuta, sempre pergunto aos meus consulentes de Astrologia sobre sonhos que porventura tenham tido recentemente ou sonhos recorrentes. Eles fornecem pistas valiosíssimas de como anda a vida do sonhador, de seus conflitos básicos, assim como pistas de como resolvê-los.

Convido você, então, a adentrar comigo esse universo mágico e fantástico dos sonhos. A partir de hoje estarei publicando textos sobre sonhos, sua interpretação e sua importância para a psique e a vida do sonhador.

brooke shaden caught in a dream
Brooke Shaden Photography – Caught in a Dream Reprodução

É muito difícil achar fontes confiáveis que tragam interpretação dos sonhos e seus símbolos na internet – aliás, é difícil até mesmo achar bons compêndios sobre o assunto, sendo a maioria dedicada às crendices e superstições – por isso a proposta é trabalhar não só o estudo dos sonhos em si, mas também a interpretação genérica dos símbolos universais, que são assim chamados porque aparecem em todas as culturas, em todas as eras e estão ligados aos arquétipos, aos ritos de passagem e aos ciclos de desenvolvimento do individuo. Digo genérica porque o contexto do sonho sempre precisa ser levado em conta para que se faça uma interpretação acurada, ou pelo menos razoável dos símbolos que se apresentam em cada viagem onírica. Mais importante ainda, o sonhador é a peça fundamental e seu contexto histórico, situação familiar, social, afetiva, etc. são essenciais para se entender o que o sonho traz. Jung dizia que “todo sonho é tão individual que não pode haver interpretação sistemática do sonho. Todo sonho tem que ser observado junto com o sonhador porque este tem percepções que são negadas à mente consciente”. Em última instancia, o sonhador é sempre mais importante do que o sonho, dizia ele. De qualquer forma, embora cada sonho seja único, como único é cada sonhador, tentarei trazer uma interpretação básica que norteie a análise dos símbolos e arquétipos surgidos na linguagem onírica.

carnetimaginaire.tumblr
Carnetimaginaire.tumblr.com – Reprodução

A periodicidade dos textos sobre sonhos não está pré-determinada. Inicialmente pensei em textos quinzenais, porque tenho os demais textos de Astrologia para produzir, mas isso está em aberto. Advirto ao leitor, como já disse acima, que não sou psicóloga e que embora minha proposta seja pesquisar de forma aprofundada cada símbolo e imagem trazidos aqui, essa interpretação não deverá ser levada ao pé da letra caso o leitor se veja sonhando com estes temas, uma vez que, como já disse, o contexto do sonho e da vida da pessoa devem ser sempre levados em consideração. Tendo dito isso, convido você a interagir e também sugerir temas de sonhos para pesquisarmos e estudarmos juntos. Minha biblioteca sobre o assunto também não é muito vasta, então, quem tiver bons títulos para sugerir, por favor, faça-o, serão muito bem vindos!

Pessoalmente, o primeiro sonho de que me lembro remonta à minha infância, acho que tinha seis ou sete anos de idade – era um sonho sobre um avião caindo, como aqueles aviões bimotores da Segunda Guerra e ao fundo tinha uma melodia repetitiva, que quando acordei, percebi vir do rádio à pilha que estava ligado na cozinha. Jamais esqueci, nem do sonho nem daquela melodia. Há outros sonhos de imagens fortes dos quais também nunca me esqueci. Na adolescência, intuitivamente, comecei a anotar alguns deles e percebi que instintivamente sabia o que queriam me dizer, que mensagens estavam trazendo. Assim, com o tempo fui aprofundando esse relacionamento com o mundo mágico de Orfeu, Mercúrio e Netuno. Tenho muitos e muitos cadernos de muitos anos de sonhos anotados e analisados, fosse na terapia ou fora dela. De tudo o que experimentei até aqui, afirmo e recomendo: vale a pena estabelecer uma relação com esse universo fascinante e misterioso que se descortina para nós todas as noites enquanto dormimos.

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Mia Araújo – Reprodução

Mas, afinal, o que são os sonhos? De onde vêm?

Os sonhos são uma linguagem fantástica através da qual o inconsciente se comunica conosco. Sempre foram tidos e recebidos com assombro, qualidade comum a todas as coisas numinosas e inexplicáveis. “Desde as mais remotas épocas os homens procuram entender as mensagens ou significados dessas coisas intrigantes, misteriosas e fascinantes que são os sonhos. O que tem variado, ao longo do tempo, é a importância atribuída e a compreensão que se tem deles. Se os sonhos são vistos como séries de imagens que parecem sem sentido, resíduos de memória ativados (idéia comum na neurologia); se têm um sentido para a personalidade do sonhador (conceito da psicologia), ou se são encarados como mensagens místicas, isso demonstra apenas diferentes interpretações, as quais refletem o status ou valorização dados a eles” (1).

Escada de Jacob por William Blake c. 1800, British Museum, Londres
A Escada de Jacó, de william Blake, Museu Britânico, Londres. A Escada de Jacó é um tema famoso e fala de um sonho de Jacó, descrito no livro de Gênesis, em que ele vê uma escada que os anjos utilizam para subir e descer dos céus.

Na antiguidade eram tidos geralmente como premonitórios e causavam medo e terror. Muitas culturas utilizavam os sonhos como mensagens oraculares que traziam avisos de bons ou maus augúrios. A própria Bíblia utiliza os sonhos extensivamente em praticamente todos os seus livros, que cobrem um período de muitos séculos.

Os egípcios lhes creditavam grande força e poder ocultos, reveladores da vontade dos deuses. Durante os sonhos se podia, inclusive, contactar os mortos. A técnica de interpretação dos sonhos era, porém, bastante complexa e demandava treino extensivo e laborioso, o que se assemelhava a um tipo de sacerdócio. “’Os Escribas da Casa da Vida’, como eram chamados os interpretes, viviam em santuários que se tornaram famosos como templos de incubação” (1). Deste modo, os egípcios teriam criado a primeira forma organizada de interpretação de sonhos, porém teriam sido os gregos, que acreditavam que a alma vagava durante o sono, que teriam burilado essas técnicas chegando a um alto grau de refinamento e sofisticação, técnicas que eram empregadas por Esculápio, o deus solar da saúde, tanto no diagnóstico quanto no tratamento de doenças.

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Salvador Dali – Reprodução

“No decorrer dos séculos os sonhos têm sido associados com o paranormal e a ocorrência de abandono do corpo, visita de um íncubo ou previsão de acontecimentos futuros. São Jerônimo disse que interpretar os sonhos era o mesmo que feitiçaria , e, por dois séculos, a prática foi proibida pela Igreja Cristã”, dizem os autores Maeve Ennis e Jennifer Parker no livro Fique por Dentro dos seus Sonhos (2). “Essas tradições e curiosidades sobre a vida onírica sempre estiveram presentes nas mais diferentes culturas ao longo da história, com maior ou menor ênfase, dependendo do período”, afirmam eles.

De lá para cá a forma como vemos os sonhos evoluiu conforme evoluímos nós também. A Interpretação dos Sonhos, de Sigmund Freud foi um dos passos decisivos da ciência na direção de um melhor entendimento, e porque não dizer, “aproveitamento” da linguagem onírica. Revolucionou não só a Psicologia, mas toda uma forma de se lidar com este universo. Para Freud, os sonhos revelam desejos reprimidos que o inconsciente busca realizar. Já Jung foi além e dizia que “não se sonha, se é sonhado. Nós passamos pelo sonho, somos seus objetos”. Carl Jung jogou mais luz ainda sobre a interpretação e uso dos sonhos na psicologia e práticas terapêuticas, descortinando um mundo novo e muitas possibilidades de entendimento da alma humana e do inconsciente. A diferença principal entre Freud e Jung no que tange aos sonhos é que Jung dizia que os sonhos eram criações não só do inconsciente pessoal, mas também do inconsciente familiar e coletivo. Jung também acreditava que sonhamos continuamente, mesmo quando estamos despertos, “porém a consciência faz tanto ruído que não os escutamos” (2).

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Almagnus – Reprodução

Hoje em dia os sonhos ainda são vistos com muita crendice e superstição por muita gente. Muitas pessoas os utilizam para tentar a sorte em jogos de azar, outras tantas têm sonhos premonitórios fabulosos e terríveis, mas o fato é que parece que precisamos tanto do sonho quanto do sono e sabe-se que todo mundo sonha, mesmo pessoas que dizem que não – na verdade elas apenas não se lembram deles, talvez, diria a psicanálise, como um mecanismo de defesa do ego contra as forças inconscientes.

Uma curiosidade fisiológica que deixa clara a importância dos sonhos é que eles “acontecem cerca de quatro a cinco vezes durante a noite. No transcorrer de uma vida média passamos cerca de um terço de nossas vidas dormindo e aproximadamente cinco anos, sonhando!” (2) por essas e outras deveríamos dar grande importância às suas imagens e conteúdos fantásticos, pois os sonhos são uma linguagem fundamental da Psique, que os utiliza para se expressar e processar a transmutação de conteúdos do inconsciente para o consciente e vice e versa. E para você, o que são os sonhos? Você consegue se lembrar dos seus? Há algum sonho recorrente que fica indo e vindo? Os sonhos recorrentes dão excelentes pistas sobre temas centrais de vida e não deve ser ignorados.

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Mita – Flickr – Reprodução

No próximo artigo traremos o primeiro tema, a ÁGUA, o mais universal de todos os temas oníricos. Quando sonhamos com ÁGUA é o inconsciente falando de si mesmo, porque a água é símbolo do próprio inconsciente, então, é como uma metalinguagem. A Água nos sonhos está associada na Astrologia, com fortes trânsitos de Netuno ou progressões da Lua por signos aquáticos. Mas falamos mais disso no próximo post.

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Brooke Shaden Photography – Reprodução

Praticidades:

Caso você realmente tenha interesse em trabalhar com os seus sonhos, é necessário se comprometer com eles. Para isso, compre um bom caderno, de preferência bonito e bem feito, que demonstre seu investimento e engajamento e deixe-o na cabeceira da cama, juntamente com uma caneta. Ao acordar, pela manhã, antes de abrir os olhos e de fazer qualquer movimento, tente se lembrar do que estava sonhando e guarde isso na memória, mantenha as imagens diante de si antes de levantar. Digo isso porque, tão logo nos movemos para o lado ou abrimos os olhos, aquele sonho nítido e maravilhoso tende a ter suas imagens dissolvidas pela claridade do dia. E ficamos frustrados com a imagem dissipada que revelavam tanto e que traziam uma sensção numinosa e muitas vezes sagrada.

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Reprodução

No começo, talvez você não se lembre de nada, ou somente de fragmentos, mas anote mesmo assim, porque o hábito estabelecerá a conexão. É como ganhar a confiança de alguém, um pouquinho de cada vez. Aqui estamos tentando ganhar a confiança do Inconsciente e se não demonstrarmos comprometimento, não lembraremos mesmo. Anote uma vez e mais outra e você perceberá que conforme escreve uma segunda ou terceira vez, os detalhes se mostram mais nítidos. Tente fazer associações sobre essas imagens. O que elas lhe recordam? Você arriscaria um palpite sobre do que se tratam? Quando já tiver estabelecido o hábito de escrever, folheie o caderno antes de dormir e releia seus sonhos, para predispor-se a lembrar deles no dia seguinte. Importante: mesmo que não consiga anotar os sonhos todos os dias, é primordial que você ache tempo para fazê-lo periodicamente, pelo menos uma vez por semana. Com o desenvolvimento desse processo, vocè pode investir em literatura de qualidade que o ajude a entender ainda mais esse universo. Junto com os posts darei sugestões de títulos que valem a pena. Agora é só sonhar e se engajar com os seus sonhos!

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Salvador Dali – Reprodução

Fontes Pesquisadas:

(1) GALLBACH, Marion Rauscher – Aprendendo com os sonhos – Coleção Eros e Psique – Ed. Paulus

(2) ENNIS, Mauve + PARKER, Jennifer – Fique por dentro dos seus sonhos – Cosac & Naify