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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

A Semana Astrológica: Crescemos Quando Enfrentamos a Realidade!

Catrin Welz-Stein - Reprodução
Catrin Welz-Stein – Reprodução

Semana de 05 a 11 de setembro – Semana de avançar! Encaremos as realidades e façamos o que tem que ser feito! Se conseguimos transformar a nós, transformamos o mundo! (Aviso, este texto está incompleto!)

Temos pela frente uma semana melindrosa e tensa. Vemos se desdobrar a última quadratura entre Saturno e Netuno, num período entre eclipses e que vai armando também a quadratura Sol-Marte, uma quadratura minguante que finaliza os temas da retrogradação de Marte, ocorrida entre abril e junho. Por tudo isso e mais um pouco, ainda temos alguns dias pesados, que vão requerer de nós muita paciência, jogo de cintura e serenidade para lidar com os desafios e a sensação de cansaço e de exasperação. Mas não há nada de novo sob o céu, já sabemos… Crescemos quando enfrentamos a realidade e este é o grande aprendizado do período!

Claudia Lúcia McKinney - Reprodução
Claudia Lúcia McKinney – Reprodução

Eu analisei essa configuração entre estes dois planetas lentos no ano passado, por ocasião da primeira quadratura exata e se você ainda não viu esta análise, pode ler no texto Saturno-Netuno: o Mundo em Desintegração. O texto analisa basicamente o ciclo dos dois planetas em si e adiciona o trânsito de Júpiter por Virgem. Portanto, o texto tem um tom carregado, de desesperança e desilusão, que aliás, é o tom da quadratura em si. Mas, precisamos lembrar que essa é a última quadratura exata e logo a configuração se desfará, então, já vivenciamos os momentos mais difíceis. Ouso dizer que, a partir de novembro as coisas tendem a ficar mais leves, exatamente porque essa configuração estará se dissipando. O que precisamos é rever as lições simbolizadas por ela, matutar bastante para não cometermos os mesmos erros no futuro.

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O Sol faz trígono a Plutão nesta semana, o que nos dá força e capacidade de enfrentar os desafios que precisamos enfrentar, além de nos equipar com a habilidade de perscrutar a nós mesmos profundamente, verificando nossas motivações mais profundas e analisando onde precisamos fazer modificações, e fazendo-as. Esse trânsito também sugere um período em quem nos sentimos com poder suficiente para lidar com as adversidades, porque encontramos dentro de nós força e resistência. Como a quadratura a Marte vai se formando gradativamente, é preciso também cautela, porque podemos nos tornar mais agressivos e exageradamente enérgicos em nossas demandas, de modo que podemos pisar nos calos de outros por aí, o que pode angariar antipatias, para não dizer conflitos abertos. Portanto, olhar para si e as próprias atitudes antes de fazer nossas demandas ao mundo. De toda forma, esse é um aspecto bastante positivo e necessário que nos ajuda a enfrentar essa semana de cabeça erguida! A despeito das sombras pesadas e escuras, alçamos nosso voo!

Catrin Welz-Stein
Catrin Welz-Stein – Reprodução

Mercúrio vai retrocedendo pelo caminho que já havia percorrido e nós vamos os deparando com situações que tinham ficado inacabadas ou pendentes  desde a última retrogradação… É assim mesmo! Nem sempre podemos nos dar ao luxo de escolher quando fazer as coisas e às vezes temos que trocar o pneu com o carro em movimento… Nestes casos, é possível que comecemos coisas ou negociações que ficam enroladas, e vão se arrastando, de modo que elas só se concluem no ciclo seguinte. Por isso que normalmente se recomenda que não se faça negócios importantes ou se inicie coisas vitais, porque as situações tendem a se arrastar e leva-se muito tempo para chegar aos objetivos. Por esses dias Mercúrio se depara com Quíron e Urano novamente: opõe-se a um e faz quincunce ao outro. Quíron vem dizer, pela segunda vez, a Mercúrio, que há coisas que a mente Virginiana não consegue consertar, mesmo com seus métodos mais sofisticados de controle e treinamento mental. Tem horas que o caos assume o comando das coisas e a ordem é subvertida e colocada ao contrário e não há nada que a mente racional possa fazer a respeito, a não ser assistir, de camarote, se tiver sorte! Portanto, em nossos conceitos acurados e pomposos de civilização, precisamos lembrar que por mais que tentemos deixar tudo vistoso e ordeiro, nem sempre conseguimos e isso, não é para nos derrubar, é apenas um meio de nos lembrar de nossa humanidade, de nos perceber humildes. Urano vem adicionar imprevisibilidade nessa receita e dizer que os controles Virginianos às vezes também falham e o trem sai dos trilhos na hora mais improvável. E quanto mais tentarmos controlar, pior estrago faremos! Então, é deixar o trem descarrilar e ver onde ele vai parar e só então, tentar se recompor, se possível, divertindo-se com a coisa toda. Será possível? Diga você!

Adi Dekel on 500px - Reprodução
Adi Dekel on 500px – Reprodução

Vênus se fortalece no contato a Saturno esta semana. Torna-se resiliente de modo que olhamos para as relações com menos expectativas. Mas logo em seguida, ela escorrega de novo e dá ouvidos aos cantos de sereias de Netuno, que pode pôr toda a sobriedade e segurança recém conquistadas por água abaixo. E então já não sabemos a quem dar ouvidos ao anjo ou a demônio das nossas tentações impossíveis! Mas isso é pouco, porque logo adiante ela entra em confronto com Plutão em Capricórnio e é aí que a porca torce o rabo nos relacionamentos! As sutilezas escrupulosas e as delicadezas esmeradas de Libra são desafiadas intensa e cruamente: para quê mentir, fingir que perdoou? Tentar ficar amigos sem rancor? A emoção acabou, que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou… Para quê usar de tanta educação, para destilar terceiras intenções…? É, não tá fácil não, mais uma vez é hora de confrontos nas relações. Confronto primeiro conosco mesmos e aquilo que sentimos. Para quê engolir insatisfações e fingir que está tudo bem quando sabemos que não está? Realmente, por mais que queiramos estabilidade e manter as coisas como estão, podemos invocar a ira dos deuses se ignorarmos as sujeirinhas debaixo do tapete em nome dessa estabilidade. Se nos recusamos a virar a mesa porque estamos preocupados com a porcelana chinesa, o outro o fará e trará tudo abaixo. Do contrário, se reconhecermos o que precisa ser visto e mudado, podemos, na verdade, intensificar a cumplicidade e o vínculo da relação. Com honestidade é muito mais fácil… e como diz o ditado, o combinado nunca é caro, certo, Libra?

Cronelis Bos - Leda e o Cisne - Reprodução
Cronelis Bos – Leda e o Cisne – Reprodução

Mas Libra ganha uma ênfase especial e as relações também. Sim, estamos falando da grande boa notícia: a ingressão de Júpiter em Libra! Yesssss! Por que, porque Virgem é tudo de ruim? Claro que não! É só que Virgem não é o lugar mais confortável do mundo para Júpiter, aliás, aqui ele está em detrimento, porque é um signo totalmente alheio `sua natureza. Como se não bastasse, quando trafegou Virgem Júpiter teve embates poderosos com Saturno em Sagitário e Netuno em Peixes, tornando aquela configuração de que falamos lá em cima um verdadeiro lamaçal, sem proporções. Agora em Libra ele está em terreno neutro. Para começar, Libra é regido por Vênus, outro planeta considerado benéfico. Libra é um signo afinado com a ética e a justiça, com o senso de equilíbrio e cooperação e Júpiter, esse bon vivant, também regente da justiça e da lei, fica bastante confortável como hóspede de Vênus. A expansão se dá através das relações, sejam elas afetivas ou sociais e profissionais/de negócios. As relações também são afetadas pela visão filosófica e por uma busca espiritual. Júpiter promete muitas benesses a Libra e, em algumas situações específicas, também aos demais signos cardinais: Áries, Câncer e Capricórnio. Júpiter em Libra a estória de Leda e o Cisne. Leda era uma rainha, casada, mas Zeus se enamorou dela e para seduzi-la, tornou-se num cisne. Ela pôs dois ovos, de um deles nasceram Klitemnestra e Castor, filhos do Rei, marido de Leda. Do outro ovo nasceram Polux e Helena, aquela que causou a guerra de Troia, um dos mitos associados a Libra… Voltamos a este mito em outro post, mas ele traz presente o tema dos triângulos amorosos que tanto complicam a vida de Libra.  Contudo, nem tudo são flores por aqui. Enquanto trafegar Libra Júpiter enfrentará o poder da morte e do renascimento em Plutão e a liberação das amarras sociais representadas pela oposição a Urano… Todos estes, movimentos relativos aos ciclos Júpiter-Urano e Júpiter-Plutão. Vamos assistir de perto e acompanhar com entusiasmo empolgação a esses desdobramentos. Certamente, há dinamismo e mudança no ar e isso também ajuda a melhorar o clima já a partir das próximas semanas. Júpiter ingressa em Libra na sexta-feira, às 09h19min, onde fica até as 10h20 do dia 10 de outubro de 2017.

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Brooke Shaden Photography – Reprodução

A Lua abriu a semana na fase Nova e ficou crescente em Libra ao fazer semi-quadratura ao Sol. Ela se fortalece em Escorpião e formaliza o Primeiro Quarto em Sagitário. Fecha a semana já em Capricórnio. Na sua jornada faz contatos leves ou abrasivos, que vão enriquecendo sua história e vivência… A NOSSA vivência aqui na Terra!

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SEGUNDA-FEIRA, 5 de setembro – A Lua entrou o dia vazia em Libra – ficou vazia depois da oposição a Urano, ainda ontem à noite. Ainda em Libra ela faz semi-quadratura ao Sol e entra na fase Crescente ou Semi-crescente. Ingressou em Escorpião às 10h39min, onde não faz maiores contatos, até fechar a noite em orbe de trígono a Netuno. O sol está hoje em conjunção ao Nodo Norte e já muito próximo do trígono a Plutão em Capricórnio. Mercúrio retrógrado logo fará a segunda oposição a Quíron. Saturno faz quadratura a Netuno, aspecto exato no sábado. O dia começa meio arrastado e temos dificuldade de concatenar as ideias, talvez precisando de uma dose extra de cafeína para acordar o corpo e a mente – a alma gostaria de continuar hibernando! Pelo fim da manhã as coisas começam gradualmente a entrar nos eixos e conseguimos aviar a agenda, compromissos e obrigações. O dia está propício lidarmos com problemas e situações inconvenientes, mas que precisam ser encarados com sensibilidade, mas sem romantismos, um clima favorável para olhar o demônio no olho, esteja ele em nós, no outro (que é reflexo de nós também) ou nos problemas à nossa volta. Temos estamina emocional para lidar com essas vicissitudes sem fraquejar ou sem ficar bodejando nossas misérias ao vento. Ganhamos mais se resolvemos as coisas com discrição, até porque assim, poupamos muita energia que seria desperdiçada em explicações, justificativas e falas desnecessárias. A sensação é de que não há nada, por pior que seja, que já não tenhamos visto. E isto, por mais duro que pareça, nos equipa com a capacidade de encarar as coisas como elas são e ainda conseguir ter um mínimo de empatia, por nós mesmos e pelo outro. 

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Thegirlwiththelittlecurl – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 6 de setembro – A Lua cresce em Escorpião e faz sesqui-quadratura a Quíron, enquanto se depara com Lilith, com quem fica amalgamada, logo depois de fazer trígono a Netuno em Peixes. Mais tarde a Lua faz sextil a Plutão em Capricórnio e ao Sol Virginiano, que está em trígono a Plutão, exato amanhã. Para sermos luz precisamos primeiro confrontar nossa sombra e abraça-la, e aceita-la, e amá-la. Só assim ela deixará de nos assombrar e poderá ser transformada. Isso é algo que Escorpião sabe e entende bem, embora nem sempre tire proveito desta verdade. O dia pede que olhemos nossas fragilidades com compaixão e serenidade e que busquemos transformá-las, aceitando-as e amand0-as, ao invés de odiá-las ou sentirmos vergonha delas. Esse olhar profundo e perscrutador que dirigimos ao outro e ao mundo, precisa primeiro ser dirigido a nós mesmos, para purgarmos e depurarmos as impurezas que identificamos em nós, antes de percebermos aquela do outro. Essa purgação precisa ser temperada de compaixão e misericórdia, porque o objetivo não é cair prostrado diante da imagem negativa e tenebrosa de nós mesmos; antes, é o olhar do aprendiz, que cai e se levanta e começa de novo. Além de nos purificar, essa purgação pode nos redimir, de modo quen podemos recomeçar e renascer, como a Lua surgindo fina e nova no céu. Uma nova vida é possível todos os dias, depende do que fazemos com o tempo que nos é dado, com as escolhas que nos são colocadas. Podemos fazer tudo igual, do jeito amargo, resmungão, indiferente de sempre. E podemos fazer com o coração, com firmeza e verdade, sem ingenuidade, mas também sem amargor, sabendo que a vida está sempre a um passo de nos surpreender, a despeito de todas as desilusões e problemas… Estamos aprendendo! Sempre. Façamos a nossa parte, qualquer que seja ela com amor e alma, com verdade e com o nosso melhor. A vida é. A vida está. Estamos.

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Catrin Welz-Stein – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 7 de setembro – Atenção, porque estes trânsitos estão na Revolução Solar do Brasil! O Sol torna exato o trígono a Plutão em Capricórnio enquanto Vênus em Libra faz sextil a Saturno em Sagitário e quincunce a Netuno em Peixes. Ao mesmo tempo, de Escorpião a Lua faz trígono a Quíron, sextil a Mercúrio e a Júpiter em Virgem, ficando vazia após a conversa com Júpiter, às 22h44min. Ingressa em Sagitário às 23h20min. Um dia que parece ser uma trégua antes da tormenta. Há trânsitos muito favoráveis para compensar o peso do mundo sobre a nossa cabeça… É como se percebêssemos a terra devastada diante de nós e, em lugar de nos desesperar, nos resignamos e arregaçamos as mangas para reconstruir tudo a partir dos destroços. Mas Mercúrio, o regente do Sol, está retrógrado em Virgem, em oposição a Quíron e isso nos diz que nem tudo é tão direto e reto como gostaríamos. Ainda há muitas nuances e desdobramentos à frente, muita água para rolar debaixo da ponte, de modo que nem tudo é como parece agora. O dia traz uma intensidade que propicia esse olhar fundo para as coisas, a ponto de penetrarmos para além das aparências e mesmo quando a água está turva por demais, sabemos que ali é necessário ter cautela porque ela pode ser traiçoeira e esconder segredos fatais. Assim, munimo-nos de uma resiliência arguta, uma força serena de quem já viu muito e sabe que o jogo não acabou, talvez esteja só começando e enquanto estamos de pé, estamos no páreo! E vamos para o embate, confrontar a Sombra em nós, assim ela não nos amedrontará lá fora!

anigif-pressaoQUINTA-FEIRA, 8 de setembro – A Lua Sagitariana se junta a Saturno na briga contra Netuno em Peixes. Ela busca a ajuda de Vênus em Libra, que vai se aproximando da quadratura a Plutão, que por sua vez, vê o Sol se afastar do trígono. O dia está permeado de influências conflitantes, as emoções oscilam e ficamos predispostos rabugices e a nos sentirmos isolados. O clima também está corrido e impregnado de um tom de urgência, como se estivéssemos correndo contra o tempo para finalizar tarefas, pendências, trabalhando com prazos que nem são claros para nós. Assim, ocupamo-nos com várias atividades, talvez como reação a essa cobrança interna e à insegurança enorme que sentimos e que tentamos ignorar veementemente. Fazemos listas de tarefas e do que fazer e cobramos, duramente, não só a nós mesmos mas a outros também, o que pode nos indispor com muita gente. Sem perceber, patrolamos a vontade alheia e empurramos nossa opinião ou ordens goela abaixo de quem quer que seja – ou talvez sintamos que fazem isso conosco. Tato é algo completamente em falta no dia de hoje, quem tiver para vender ficará rico! Se estamos por demais inconscientes de nossas próprias inquietações e vulnerabilidades, podemos nos achar criticando a outros e cobrando padrões de excelência que são baseados em nossos receios e falta de autoconfiança, mas que não foram explicados àqueles que criticamos ou cobramos e isso pode azedar as interações, simplesmente porque as pessoas falham em perceber de onde estamos vindo com nossas exigências e porque nós não fazemos questão de nos explicar. Se você é chefe e pode ditar ordens sem maiores explicações, ótimo, mas isso ainda vai afetar o clima organizacional, que tender a ficar pesadão; se você é chefe de coisa nenhuma, prepare-se para oposição ou retaliações, porque ninguém está disposto a lidar com o resultado de suas inseguranças se você mesmo não lida com elas. Toda essa valentia e bravata é na verdade um mascaramento da grande vulnerabilidade e do reconhecimento inevitável de nossas limitações e daquelas coisas que estão além do nosso querer ou potência. Perceber isso e aceitar com humildade que não se sabe tudo – apensar de fingir que sabemos – já um grande começo para alcançar aquela paz de espírito e a esperança que tanto buscamos e que nos dará alento para enfrentar essas mesmas dificuldades, quando elas forem aceitas. E antes de vociferarmos ou nos sentirmos vitimizados pelo mundo, vale fazer um check-up das nossas próprias mazelas! Também vale checar comportamentos hipócritas – faça o que eu digo mas não faça o que eu faço desacredita qualquer um! Num tom mais positivo, podemos nos afinar com a grande determinação e nos incendiar de novo entusiasmo na busca de nossos propósitos, com sobriedade e maturidade, temperadas com uma boa dose de sensibilidade e charme. Temos escolha, juro que temos! É questão de respirar antes de reagir cegamente e ver qual a forma mais madura de agir!

Christian Schloe Digital Art - Reprodução
Christian Schloe Digital Art – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 9 de setembro – Júpiter ingressa em Libra às 09h19min. A Lua oficializa o Primeiro Quarto, o quarto Crescente ao fazer quadratura ao Sol. A Lua também faz conjunção a Marte e mais tarde, quadratura a Quíron e a Mercúrio e trígono a Urano, aspecto depois do qual fica vazia, às 21h52min.  Mercúrio faz quincunce a Urano. A Lua oficializa o Quarto Crescente e sinaliza um momento em que precisamos fazer ajustes nos nossos projetos: limpar a plantação das ervas daninhas e talvez fazer alguma poda aqui e ali… É momento de fazer escolhas e concentrar a energia, sobretudo livrar-nos da nossa descrença e aridez, mas também das fantasias e quimeras vazias. Nem tanto à terra nem tanto ao mar! Como mediamos o realismo com a fé? Como diferenciamos otimismo de ilusões ocas? Em nível mais pessoal, há muitos conflitos em andamento: os sentimentos e necessidades parecem estar em desacordo com nossa natureza básica e com os projetos que são caros à consciência; o coração discorda da razão; o corpo discorda do espírito, de modo que ficamos meio perdidos e perturbados diante das escolhas a ser feitas e aqui precisamos ficar atentos para não agir levados pelo impulso imaturo e desmesurado, sem pensar antes, sem medir consequências, tendo que voltar e juntar os cacos depois… A quem escutamos, a quem atendemos? Não se trata, eu digo sempre, de escolher entre isso ou aquilo, mas antes, de somar isto E aquilo, achar a integração entre as diversas facetas conflitantes. Esses conflitos todos podem bem se manifestar como diversos compromissos e demandas que precisamos atender, ou diversas situações que gostaríamos de viver/estar mas não podemos por causa das leis da física, de modo que temos que fazer as escolhas ingratas. Essas escolhas também têm a ver com perceber e aceitar esses limites terrenos, a despeito de isso ser pesaroso para nossa alma. Júpiter ingressa em Libra, onde ficará por cerca de 13 meses, inaugurando um tempo de crescer através da atitude equilibrada e objetiva, da justiça, da ética e da busca pela conciliação. Buscamos maior cooperação nas nossas relações de modo geral e percebemos que sem ela, pouco podemos fazer. De que adianta crescer sozinho, prosperar sozinho, se a comunidade em que vivo está à míngua? Novas oportunidades surgem através das relações, particularmente para pessoas que têm planetas em Libra. Sendo um signo Cardinal, Júpiter traz movimento e dinamismo e sentimos que precisamos nos mover e fazer algo para voltar a nos desenvolver!

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SÁBADO, 10 de setembro – E… Saturno faz a última quadratura a Netuno hoje! A Lua abre o dia vazia em Sagitário e ingressa em Capricórnio às 10h55min. Vênus segue em quadratura a Plutão e Mercúrio faz oposição plena a Quíron. Hoje sentimos duramente a dor de ver muitos dos nossos sonhos esmagados, muitas de nossas ilusões e sonhos perdidos e nos perguntamos se ainda há pelo que lutar, se vale a pena continuar… Precisamos nos lembrar que a vida é cíclica e tudo é processo, tudo está sendo e mesmo a dor e a desilusão tem seu lugar na ordem das coisas. Não podemos voltar atrás e mudar o que houve, não podemos alterar o passado, já foi, já aconteceu afinal, “a pessoa é caminho sem retrocesso”. Mas podemos nos conscientizar dos erros e equívocos que cometemos e que nos trouxeram a esse ponto de lamento em que nos encontramos, de modo a aprender para não repetir tais equívocos. Também é nossa tarefa tornar conscientes as fantasias e quimeras, dar-lhe um lugar no coração, porque elas ainda podem ser adubo para fomentar sonhos possíveis e passíveis de se realizarem. De qualquer forma, ainda precisamos nos comprometer, a despeito de nossas inseguranças, com a realização de tais sonhos, mesmo que eles demorem a se tornar palpáveis. É preciso acreditar em si mesmo, naquilo que se está fazendo e primar pelo melhor, pela integridade, porque isso nos levará a algum lugar e nos acalentará nos momentos mais difíceis, como este que atravessamos. A Lua propicia que esses enfrentamentos sejam feitos sem grandes dramas, com contenção, sobriedade, pesando prós e contras de todas as vivências e colocando-as no balanço das experiências que adicionam sabedoria. Vimos e vivemos e isso nos faz mais fortes, com sorte, também serenos e humildes, ao invés de amargos e azedos.

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DOMINGO, 11 de setembro – Vênus em Libra está em quadratura exata a Plutão em Capricórnio, configuração que tem a adição da Lua, que faz conjunção a Plutão. A Lua também dialoga harmoniosamente com Netuno e com o Sol Virginiano. É domingo, mas nos sentimos orientados para atividades sóbrias e conscienciosas, ou mais tradicionais e reservadas. Talvez prefiramos ficar em casa em lugar de nos aventurar em alguma atividade duvidosa por aí afora… Isso porque temos necessidade de segurança, de coisas sólidas e previsíveis, mais do que diversões “bobas” que não passam de perda de tempo. O problema é que talvez não estejamos completamente conscientes da necessidade por paixão, drama e conflito que irrompe dentro de nós. Há um anseio bastante visceral por aproveitar a vida ao máximo, o que contrasta com a necessidade por segurança; mais do que isso, temos dificuldade em expressar o que sentimos, que por sua vez, discorda de outros desejos passionais e igualmente intensos, o que nos deixa tensos e inquietos, cindidos pelo conflito interior, que pode se refletir nas relações e interações. A arena mais provável desse drama se desenrolar são as relações afetivas, que ficam sujeitas a turbulências e momentos críticos. Porque queremos tudo ao mesmo tempo agora e temos dificuldade de conter esses desejos, podemos nos frustrar se o outro não corresponde ao que queremos ou necessitamos – até porque queremos que tudo seja à nossa maneira e outro quer à maneira dele – e isso pode descambar em comportamentos manipulativos ou jogos de poder em que um tentar provar que manda mais na relação, ou que vence o outro a qualquer custo. A coisa toda pode ser exaustiva e se tornar uma situação de perde-perde, esvaziando o vínculo do respeito e do carinho, ficando os jogos de poder. Mas não precisa ser assim. Se estamos conscientes dessas forças potentes e das contradições em nós, podemos encará-las e lidar com elas com honestidade, da mesma forma que lidamos com o outro, com verdade e justeza. E então, essa tensão toda, essa paixão toda pode se manifestar de maneira positiva, estreitando o vínculo, aproximando pessoas, aprofundando a intimidade, ao invés de esvaziá-la. O vulcão pode entrar em erupção, mas ao invés de expelir conflitos e discórdias, pode derramar a lava da paixão, do desejo e da cumplicidade. A energia está aí, à nossa disposição, explodindo dentro de nós… O que fazemos com ela, é de nossa inteira responsabilidade!

Uma semana serena e tranquila a todos!

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