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Lua Nova em Libra – Abra portas e janelas!

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A Lua Nova de hoje (19 de outubro de 2017, 17h13min para Brasília e 19h13min para Lisboa) anuncia um novo ciclo de muitas surpresas, notícias e acontecimentos inesperados, guinadas repentinas nas decisões e atitudes, possibilidade de rupturas diversas e necessidade de renovação e de recorrermos à nossa inventividade, mais do que nunca! Isso vale para a vida de um modo geral, mas principalmente para os relacionamentos amorosos e parcerias de negócios.

Desconheço o autor – reprodução

O ciclo de Libra sinaliza um período do ano em que precisamos nos concentrar mais nas nossas relações, de sair um pouco de nós mesmos e focarmos na alteridade; um período de maior busca de equilíbrio nas trocas e nas relações laterais, entre iguais. E Libra é um signo que vê as relações de forma muito civilizada, sem grudes, sem excessos de emocionalismos, sem derramamento exagerado de sentimentos. Não é sobre amor ou sentimentos, é sobre equidade, parceria, lateralidade; sobre como lidar com quem está ao meu lado – nem na minha frente, nem atrás, nem acima, nem abaixo, mas ao lado: um outro igual a mim.

Lua Nova em Libra – Brasília, 19 de outubro de 2017, 16h13min.

No mapa desta lunação, vemos Lua e Sol a 26°35’ de Libra, em oposição exata – apenas a três minutos de distância do aspecto partil – a Urano, que está retrógrado a 26°31’ de Áries. Lua e Sol acabaram de fazer o aspecto exato e, embora muito próximos ainda, já estão se separando dele. Lua e sol também se separam de um sextil a Saturno em Sagitário e ainda fazem sesqui-quadratura a Netuno e quincôncio a Quíron, ambos em Peixes – o único aspecto aplicativo, que ainda vai acontecer é a sesqui-quadratura a Netuno. Estes aspectos separativos nos sugerem que estamos num momento/ciclo de despertar para nossas verdades relacionais e de enxergarmos com mais nitidez e lucidez (Urano) as nossas dinâmicas afetivas (Libra); de nos responsabilizarmos pelas relações que atraímos e criamos (Saturno); e como as experiências difíceis, feridas e mágoas anteriores impactam nas nossas expectativas futuras e no nosso modo de viver as relações (Quíron). É um ciclo que traz uma iluminação, uma clareza maior sobre tais dinâmicas e nos convida a viver tais relações de forma mais independente, algo que já estava sendo gritado na Lua Cheia de Áries, de duas semanas atrás. O aspecto a Netuno, que ainda vai acontecer traz um alerta: lá à frente haverá um confronto entre essa nova consciência, já adquirida, sobre nossas recém conquistadas liberdade e independência e todo o anseio pela simbiose e fusão redentoras (Netuno), um desejo por voltar ao passado de inconsciência, de não ter que decidir ou escolher por nós mesmos, esperando que outros o façam por nós.

Portanto, este é um ciclo de termos muita clareza sobre nossas intenções acerca da nossa vida amorosa e das parcerias. Que tipo de relações queremos viver em nossa vida e estimular no nosso entorno? Esta lunação clama por consciência, por desenvolvermos esta nova consciência, novos modelos e formas de nos relacionarmos; de superarmos os modelos “certinhos” e adequados; de pararmos de procurar a pessoa “certa”, o homem/mulher/parceiro “ideais” para nós e começarmos a nos relacionar com as pessoas de verdade que cruzam nosso caminho, com todas as suas idiossincrasias e esquisitices, uma vez que nós também temos as nossas! Estes modelos relacionais que funcionavam antes, já não estão funcionando mais. Desde que Plutão entrou em Capricórnio em 2008 e Urano em Áries em 2010, estes “modelos” relacionais estão sendo questionados, de forma ampla e irrestrita, questionamentos simbolizados pela oposição de Urano e pela quadratura de Plutão a Libra, desde as datas mencionadas. E cada vez que uma lunação ocorre em aspecto com estes planetas, esses questionamentos e discussões ficam potencializados.

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Este ciclo vem nos convidar a plantar novas sementes relacionais. Sementes que rompam com as expectativas esperadas, que ousem ser diferentes e aceitar o diferente, em nós e no outro. Vem nos convidar a lançar intenções que sejam mais fidedignas com aquilo que somos verdadeiramente, com a nossa natureza pessoal e menos focadas nas expectativas sociais de como devemos viver nossa vida amorosa/afetiva. Para quem está num relacionamento duradouro, de qualquer tipo, é hora de abrir as portas e janelas para ventilar a relação, para tirar a umidade e espantar o bolor acumulado; é hora de nos questionarmos, honestamente, o quanto estamos felizes e satisfeitos e encarar a verdade, qualquer que seja ela, sejam os problemas relacionados conosco mesmos ou com o outro; é hora de lembrar-nos de quem somos, individualmente e do quanto temos nutrido nossa individualidade ou o quanto a relação pode ter embotado tal individualidade – provavelmente por acomodação nossa mesmo. Em termos bem práticos, é um momento em que os casais precisam de mais espaço e liberdade, de sair da rotina automática e esperada, de fazer programas diferentes, juntos ou separados; de nutrirem-se como indivíduos, para voltarem para a relação cheios de surpresas, de novidades, de estímulos, de novo ânimo – uma individualidade enriquecida e interessante é essencial para que a relação continue saudável. Quem se recusar a abrir as janelas e portas, poderá ter que lidar com surpresas desagradáveis: o vendaval virá e arrancará portas, janelas, o teto, a casa inteira! É quando nos surpreendemos com a traição do outro, com a ruptura anunciada pelo outro – rupturas, aliás, estão muito favorecidas neste ciclo! Dessa forma, é melhor mesmo abrir as portas e janelas da casa,  da relação, da alma, da vida e convidar o vento a varrer tudo o que está embolorado e estagnado e ventilar o que precisa ser ventilado! Tenhamos coragem, o vento só vai levar o que não tem mais a ver com a nossa verdade!

Vênus, regente da Lua Nova, está bem isolada, sem fazer aspectos a outros planetas. O último aspecto que fez foi exatamente um quincôncio a Urano, quando ainda estava em Virgem. Esse isolamento sugere cautela, porque há inconstância na expressão dos afetos e desejos – ora queremos e somos efusivos, ora não estamos nem aí e nem nos importamos e essa oscilação deixa aos outros e a nós mesmos confusos e denota uma desconexão dos desejos e valores mais profundos. Assim, é essencial, nos momentos de dúvidas, em que não sabemos o que/como escolher, nos voltarmos para dentro e identificar quais são nossos valores básicos e se os mesmos ainda são válidos.

De modo mais geral, este é um ciclo de muita inconstância nos propósitos e nos humores. Há forte tendência a radicalismos, intolerância, notícias chocantes – a respeito das relações, como também a respeito das questões relacionadas à arte e à estética e aos conceitos de justiça e de equilíbrio – lá vem mais polêmica! Mas é também um ciclo de muita inovação, de buscar experimentações que revigorem nossa vida e nos façam renovar a vontade de viver, de nos sentir presentes no mundo, ocupando nosso espaço de direito, nos afirmando, afirmando nossa individualidade sem temor (Marte puxa uma formação de Locomotiva) e vivendo nossos propósitos pessoais e nossas relações de forma mais transparente e mais genuína.

E você, quais são suas intenções para este ciclo? Que tipo de relações deseja criar e viver? Que projetos pode visionar que trarão mais entusiasmo, inovação, estimulo para sua vida? Onde precisa renovar seus gostos estéticos? Onde precisa ter mais ousadia, talvez até chocar um pouco? Onde precisa dar uma “sacudida” para espantar a poeira e o bolor da estagnação e da previsibilidade? Pense nisso e lance suas intenções!

Feliz Lua Nova, feliz Novo Ciclo para você!

Lua Cheia em Áries – Transforma-te ou te destruo!

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Transforma-te ou te destruo é o recado de Plutão nesta Lua cheia de hoje, cinco de outubro, exata às 15h40min no horário de Brasília e às 18h40min no horário de Lisboa. Essa Lua Cheia é a culminação do ciclo iniciado na Lua Nova em Virgem, no dia 20 de setembro. Naquela Lua Nova, tivemos Lua e Sol conjuntos a 27° de Virgem, em quincôncio quase exato a Urano, oposição próxima a Quíron e quadratura ampla a Saturno, já sinalizando um ciclo em que teríamos que trabalhar dores antigas, para depurá-las, purifica-las e saná-las; necessidade também de conciliar nosso desejo e necessidade de sermos úteis e prestativos com nossa independência individual. Vênus tinha acabado de entrar em Virgem e fazia sesqui-quadratura a Plutão (desejo de transformação), enquanto se afastava do trígono a Urano (desejo de liberdade). Mercúrio, regente de Virgem, tinha acabado de completar a oposição a Netuno, sinalizando um ciclo nebuloso, de notícias falsas ou de motivações escusas, disseminadas irresponsavelmente; um ciclo em que a mente se digladia entre real e imaginário.

Lua Cheia em Áries – Brasília, 5 de outubro de 2017 – 15h40min

Agora tudo isso culmina na Lua ficando Cheia em Áries, em oposição ao Sol em Libra, o que traz esses temas para o âmbito das relações pessoais. A lunação ocorre em oposição a Mercúrio e os três, Lua, Sol e Mercúrio fazem quadratura aplicativa a Plutão em Capricórnio, tornando este foco de uma T-Square Cardinal, que exige ação resolutiva, atitude. Libra, onde está o Sol, é o signo da parceria, do “nós”. A Lua em Áries vem fazer o contraponto de que só é possível existir um “nós” se houver dois indivíduos inteiros, donos de suas escolhas, senhores de sua autonomia e individualidade, o que contradiz a ideia do amor romântico, que coloca no outro a responsabilidade pela minha felicidade.

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Isso me lembra um texto de Flávio Gikovate, no qual ele fala sobre a importância de se ficar sozinho. “A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino” (1). Essa ideia do amalgamar-se a outro para ser inteiro é destruída nessa configuração de Lua Cheia de hoje, em que a Lua em Áries se opõe ao Sol em Libra e esse impasse é resolvido em Plutão: transforma-te ou te destruo, um mote que vale não só para o indivíduo, mas, principalmente hoje, para as relações, portanto, relações resistentes às transformações cíclicas serão destruídas, eliminadas.

Um fato notável é que os dois regentes de Libra e Áries estão em conjunção plena exatamente hoje. Marte, regente da Lua Cheia, recebe a conjunção de sua amante arquetípica, Vênus, em Virgem, um signo que também nos fala de autossuficiência e inteireza, da integridade do ser. Como se a Lua Ariana já não fosse suficiente, Vênus conjunta a Marte é uma mistura explosiva. Com essa conjunção, somos capazes de matar ou morrer por aqueles que amamos e os defendemos até o inferno, se necessário for, mas, por outro lado, as coisas entre o casal não costumam ser muito pacíficas, porque exigimos muito e também temos um gosto peculiar por uma boa briga a dois. Além disso, há muita ambivalência, pois ao mesmo tempo que buscamos construir relações harmoniosas e estáveis, nos ressentimos dos laços que talvez comprometam nossa individualidade e independência. Positivamente, há muita sensualidade, atração e paixão, tornando as relações passionais e intensas. Assim, a conjunção Marte-Vênus realça o tema do relacionamento desta lunação e ainda agrega uma qualidade “guerra dos sexos”, em que o masculino e o feminino estão belicosos e predispostos a uma boa briga, seja lá em que arena for, publicamente, nas relações profissionais, pessoais ou íntimas.

Outra coisa importante é que Vênus e Marte são os regentes da atual oposição entre Júpiter em Libra e Urano em Áries, configuração que já se manifestou de várias formas nos últimos meses, tanto em desastres diversos, quanto em atentados e em modificações estapafúrdias nas leis em vários países. Essa configuração certamente adiciona tensão e estímulo, que tanto podem significar crises que geram rupturas, quanto levar a relação a um novo nível ainda não experimentado – o resultado vai depender da qualidade da relação, da honestidade que os parceiros têm tido consigo mesmos e um com o outro e até mesmo da química e cumplicidade do casal.

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Não podemos esquecer também que tanto Marte quanto Vênus estão em quadratura a Saturno e oposição a Quíron, aspectos que ficarão exatos em poucos dias e, por serem aplicativos (ainda vão acontecer), tornam-se mais potentes. Essa quadratura a Saturno, por um lado, traz alguma contenção às explosões de fúria, mas isso é uma faca de dois gumes, pois tal contenção pode gerar muita frustração e mais irritação, aumentando a fricção, tornando o resultado final, talvez mais desastroso. A oposição a Quíron aciona feridas antigas, que podem contaminar e comprometer a relação presente. Então, além de muita volatilidade, irritação e destempero, também temos inseguranças sendo desencadeadas por eventos talvez bobos, mas que nos fazem sentir inadequados, criticados, julgados, rejeitados – é uma receita desastrosa!

Como se lida com essa bomba-relógio? Com muita honestidade, consigo mesmo e com o outro – e honestidade não é sinônimo de grosseria, nem precisa ser “sincericídio” – e principalmente, muita compreensão e tolerância, porque todos estamos melindrosos e de pavio ultra-curto. É preciso estar disposto a ouvir realmente o outro, e não ficar contando os segundos até chegar sua vez de falar; a desapegar-se de si e das próprias opiniões; é preciso abrir mão de ter razão, de estar certo, em nome da verdade. E, mesmo se concluímos que a relação já não nos satisfaz, há maneiras e maneiras de terminar as coisas – terminar a relação não significa ter que “aniquilar” o outro.

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Portanto, essa é uma lunação que pode simbolizar muitos términos, muitas rupturas – não porque a Lua Cheia vá causar nada, mas porque aquilo que andava nebuloso, a sensação de confusão, de não se saber direito onde se está indo, que estava muito forte na Lua Nova, agora se clarifica… Aquilo que ficava martelando na nossa cabeça nos últimos dias agora se estampa na cara e… bingo! Como não tínhamos percebido antes? Os insights pipocam e as fichas caem, trazendo conclusões que talvez só agora estejamos realmente preparados para encarar. Tais insights e conclusões podem levar as relações a impasses. Impasses do tipo “ou vai ou racha”, do tipo já mencionado acima: transforme ou destrua. Então, voltando ao texto do Gikovate, é tempo de olharmos para nossas relações com olhar mais crítico e observarmos com muita honestidade se ainda ansiamos pela “metade da laranja”, se ainda estamos esperando que o outro nos complete, se ainda depositamos nos ombros do outro a responsabilidade – ultra-pesada – pela nossa felicidade. Porque, se ainda acalentamos tais expectativas, precisamos rever nossos conceitos relacionais e aprender a ficar sozinhos por um tempo, aprender a ser nós mesmos e a nos responsabilizar por aquilo que queremos viver e pelo nosso próprio bem-estar e felicidade – o outro não é responsável por isso!

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O Símbolo Sabiano do grau 13 de Áries (12°42’), aliás, um grau considerado crítico, traz a imagem de “uma bomba que não explodiu está agora escondida em segurança”, uma imagem que fala da necessidade de muita cautela, afinal, quem vai agir feito louco perto de uma bomba? É necessário desarmar a bomba, porque, apesar de ela não ter explodido, não se sabe porque isso não aconteceu. Então, é preciso se perguntar se realmente lidamos com o problema, se as coisas estão, de fato, seguras ou se ainda há probabilidade de explosões. Será que apenas escondemos o problema? Será que está resolvido realmente? Uma bomba logo nos traz a imagem das reações emocionais intensas “ele explodiu feito uma bomba”, o que nos sugere necessidade de contenção do gênio “explosivo”. Lynda Hill, estudiosa dos Símbolos Sabianos, nos diz que essa bomba também pode significar “a supressão de alguma verdade importante, que tem efeitos colaterais; talvez haja tempo para impedir a explosão antes que seja descoberta, trazendo alívio e liberação” (2).

Já Dane Rudhyar, grande astrólogo do século XX, nos fala mais do contexto social deste símbolo e afirma que o tom principal é “uma avaliação imatura da possibilidade de transformar de repente o status quo”. A resolução por violência, diz ele, sempre falha porque o poder do ego nesta fase é forte demais. “’O Estado’ frustra as tentativas de revolução popular, porque estas são expressões prematuras de uma consciência que não é livre, mas só podem reagir ‘de forma selvagem’ à restrição e ao poder dominante central. É, portanto, um símbolo de recusa imatura de se conformar, em nome de um desejo excessivamente idealista de harmonia e paz”. Ele finaliza dizendo que o símbolo sugere “frustração adolescente”.

Isso traz presente, além do contexto das relações pessoais, também o nosso contexto social atual, em que os indivíduos se sentem lesados e frustrados frente aos desmandos políticos e econômicos do Estado, dos governos… Mas somente idealismo cego não resolve nada; revoltas populares pobremente coordenadas, também não – Júpiter em oposição a Urano também pode simbolizar essas revoltas descoordenadas e caóticas. O que se precisa, seja no contexto das relações pessoais, seja no contexto social é de muita cautela; é olhar para as questões com frieza, sem entrar na “frustração adolescente” e verificar quais das nossas demandas são válidas – e pelas quais devemos brigar – e quais são birra ou frustração infantil. É importante também não entrar no jogo das polarizações em que parece só há dois lados, os bons e os maus – essa visão preto ou branco é sempre extremamente perigosa, porque cria os dualismos ilusórios e causa cisões, quando, na verdade, sabemos que existem muitas, centenas, milhares de nuances diferentes permeando as questões. Assim, em cenários explosivos, ao andar em campos minados, faz-se necessário, mais do que nunca, muita cautela ou a bomba vai explodir, quando se achava que tudo estava sob controle.

Concluindo, a Lua Cheia de Áries é um convite a transformar nossas relações, se queremos preservá-las. Aquelas que não se transformarem, serão destruídas, para que nossa evolução continue. É um momento de conscientização de que uma relação pode ser mais saudável quando há dois inteiros, ao invés de duas metades, então, é preciso cuidar de si e da própria individualidade, é preciso ser capaz de ser e estar só, de desenvolver competência emocional e afetiva, antes de ser casal, do contrário a relação será de dependência e não de afeto. É uma fase que também traz muitas frustrações e necessidade de muita honestidade emocional, temperada com muita tolerância e gentileza, afinal, querer terminar uma relação é uma coisa, querer destruir o outro, é outra bem diferente! Os tempos são explosivos, mas nós podemos desarmar as bombas com essa honestidade firme, mas gentil; com o enfrentamento da realidade presente, mesmo que ela não corresponda aos nossos ideais. Lidar com nossas frustrações de forma adulta, mesmo quando queremos espernear e gritar a plenos pulmões.

Feliz Lua Cheia para você! Que os insights sejam proveitosos e tragam avanços! 

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(1) Flávio Gikovate – http://flaviogikovate.com.br/sobre-estar-sozinho/

(2) Lynda Hill – Sabian Symbols – 360 degrees of Wisdom

(3) Dane Rudhyar – An Astrological Mandala

A Semana Astrológica – É de batalhas que se vive a vida

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Semana de 2 a 8 de outubro – Frutificação ou desafios nas relações, frutificação e desafios na vida!

É semana de Lua Cheia, em Áries, o signo do indivíduo, da saga do herói, da busca por autonomia, do enfrentamento das batalhas da vida, que muitas vezes, são bem solitárias, especialmente a batalha da individuação, que ninguém pode lutar por nós! Mas a Lua Cheia é o contraponto ao signo do Sol, no caso, Libra… Portanto, essa é uma semana de peso para nossas relações, principalmente porque Vênus, regente de Libra está em conjunção a Marte, regente de Áries! Eita!!! As relações pegam fogo – positiva ou negativamente! A culminação do ciclo iniciado em Virgem, no dia 20 de setembro – a necessidade de sermos úteis, de criarmos ordem no meio do caos, agora frutifica e o indivíduo age em cima desses ideais. Portanto, as promessas do ciclo agora se manifestam e dão frutos, e dão frutos a partir das relações, de como somos e como agimos dentro delas!

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Além da Lua Cheia, temos outros movimentos interessantes ocorrendo por esses dias: O Sol faz quincôncio a Netuno, indicando períodos de dúvidas a respeito de nossos ideais de civilidade, utopias difíceis de se realizarem e de serem conciliadas com a realidade presente, mas também nos fala que é em tempos mais sombrios que mais precisamos sonhar e esperançar.

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Temos novas e velhas informações sendo “descobertas”, saídas da escuridão para a luminosidade, modificando opiniões e conceitos, causando tumulto e espanto; notícias sobre assuntos tabus, temas que apaixonam as pessoas e as fazem se digladiar por essas paixões mentais e talvez obtusas; o conceito de beleza, estética, arte, sendo discutido e debatido apaixonadamente, às vezes, de forma bastante incoerente e com muita intolerância pela opinião de outros. Tudo isso simbolizado por Mercúrio Libra em desarmonia com Netuno e querela feia com Plutão. Mercúrio também faz conjunção ao Sol e fica Cazimi no domingo. Essa conjunção superior de Mercúrio ao Sol sinaliza o início da fase Epimeteu de Mercúrio, a hora de colher resultados das últimas alterações propiciadas pelas reflexões da fase de retrogradação recente, ocorrida entre Virgem e Leão, entre agosto e início de setembro.

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E como já dito, os dois regentes da lunação (eixo Áries-Libra – Marte-Vênus) sinalizam um período importante nos relacionamentos: o coração está inflamado e é tempo de avaliações e transformações nos nossos valores fundamentais, estéticos, pessoais, relacionais, assim como transformação na vontade e nas atitudes. Vênus faz trígono a Plutão e pede que transformemos nossos valores e a visão que temos de nós mesmos, a forma de expressar nossos afetos e, consequentemente, que transformemos a maneira de viver as relações, transformações que podem ser feitas harmoniosamente. Vênus também quadra Saturno e aqui já não há harmonia: situações de dor nos obrigam a lidar com nossas inseguranças, sentimentos de rejeição, abandono e solidão e também com nossos mecanismos de defesa, que afastam a outros, justamente aqueles que gostaríamos de atrair. É momento de verificar nossa falsa modéstia, nossa timidez e reserva que nos protegem daquilo pelo que tanto ansiamos. É tempo de confrontar o medo do ridículo, a constrição do conhecido, pelo pulo no escuro, o risco de abrir mão das certezas, de se sentir vulnerável, mas aberto ao crescimento. Vênus ainda fica alguns dias conjunta a Marte, seu amante arquetípico… Ao mesmo tempo que isso sinaliza um período de novas e estimulantes atrações – possivelmente o início de novas relações – tais atrações/relações são contidas, pois a conjunção ocorre em Virgem, um signo discreto e modesto e ainda em quadratura a Saturno – sabemos que nem tudo são flores e perfumes, que há limites que devem ser superados com maturidade para que a relação frutifique. Também há muita propensão a irritações e altercações nas relações, porque estamos divididos entre o impulso por nos render ao outro e nos entregar à relação e o impulso igualmente forte por independência e autonomia e se não temos ciência dessa ambivalência interna podemos criar atritos no relacionamento como forma de nos afirmarmos e nos sentirmos mais livres.  Positivamente, o aspecto a Saturno indica capacidade para o realismo, tendência a entrarmos nas histórias com o pé no chão, sem expectativas ilusórias.

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E ainda, dos movimentos e ciclos maiores, temos Urano em semi-quadratura (ângulo de 45 graus) a Netuno, o segundo aspecto (tivemos o semi-sextil, ângulo de 30 graus, em 2010) de um ciclo de 172 anos, que começou em 1993, em Capricórnio. Esta conjunção durou muitos anos, entre 1988 e 1995 – e teve a adição de Saturno entre 92 e 93 – embora só tenha ficado exata em 1993. Esses foram os anos em que o mundo mudou radicalmente: muros e países foram dissolvidos, sonhos foram fragmentados, assim como outras utopias foram sonhadas. A conjunção fala, basicamente da “idealização da mudança intelectual” (1). Agora olhamos para trás e algumas dessas utopias começam a ser questionadas. O que sonhamos lá atrás está se realizando ou se fragmentando? Faz algum sentido ou será que estamos vivendo um momento de desilusão? Será que a clareza e a racionalidade (Urano) começam a desafiar aquelas utopias sonhadas (Urano-Netuno) e agora percebemos que talvez tenhamos nos enganado, simplesmente porque ignoramos o potencial humano para a corrupção dos ideais maiores em favor do imediatismo e do favorecimento pessoal, em favor do amor ao poder? Ou talvez tenhamos ignorado que a vida é cíclica e independe da pequena vontade humana… O certo é que há uma sensação de espanto generalizada, e nos perguntamos como viemos parar aqui, o que deu errado naqueles planos tão belos… Mas sabemos que o que vemos hoje é a manifestação de uma tragédia anunciada, que vem sendo profetizada há muito por pensadores, místicos, cientistas e, mais recentemente, por qualquer pessoa minimamente informada e com algum miolo entre as orelhas. O resultado disso? O tempo dirá…

Eduardo Cambuí Figueiredo Júnior – Reprodução

E esta também é a última semana de Júpiter em Libra,  um trânsito que termina de forma estrepitosa, com Júpiter se opondo a Urano e em quincôncio a Netuno (semana passada), indicando um período em que nossa fé e crenças são colocadas em questionamento profundo, assim como a confiança nas leis e nosso otimismo em geral. Júpiter em Libra tinha promessas de maior equilíbrio, de mais justiça e bem estar social, mas não foi bem isso que vimos… Ocorre que esse trânsito a Urano, que ficou ativo durante quase todo o período de Júpiter em Libra, modifica tudo de maneiras imprevisíveis, então as coisas tendem a sair ao contrário das nossas expectativas… Daí vimos leis estapafúrdias, verdadeiros retrocessos, sendo aprovadas, como a votação de uma lei que aprova o ensino religioso nas escolas – detalhe: ensino religioso específico! Quem vai decidir QUAL religião será ensinada? Cadê a laicidade do estado? Por aí você já vê que nem todo trânsito de Júpiter é necessariamente “benéfico”. Na verdade, ao invés de representar um avanço, isso representa um retrocesso enorme, que ainda não temos condições de mensurar. Muitas dessas mudanças podem ser arbitrárias e ser impostas “goela abaixo” na maioria. Urano, o planeta libertário, pode simbolizar regimes tirânicos que impõem a sua visão como a única possível! Considerando-se que Júpiter também esteve em quincôncio a Quíron, há muitas dúvidas sobre decisões passadas no que tange à esfera espiritual e isso gera tensões e novas decisões que podem ser “capengas” e representar uma falha grave na educação e na condução dos assuntos espirituais no futuro. Júpiter ingressa em Escorpião no dia 10 de outubro.

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A Lua abriu a semana na fase Crescente, em Aquário. Entrou na fase Corcunda ainda em Aquário. Infla-se ainda mais em Peixes e por fim, fica plena em Áries, na Lua Cheia de Áries, na quinta-feira. Finda a semana já em Gêmeos, prestes a entrar na fase Disseminadora. Faz aspectos e trava conversas e com todos os demais corpos celestes, conversas que ora são tensas, ora são fluidas, simbolizando as mudanças de humores aqui na Terra.

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SEGUNDA-FEIRA, 2 de outubro – A Lua abriu o dia em Aquário e fez sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Corcunda. Fez ainda sextil a Urano e trígono a Júpiter, ficando vazia depois deste aspecto, às 08h14min. Ingressou em Peixes às 11h27min, de onde se desentende com Mercúrio. Marte começa a se afastar do trígono a Plutão, mas o aspecto ainda se faz sentir por alguns dias. Vênus fará o mesmo aspecto a Plutão amanhã. Depois de uma manhã sem muita objetividade – o que prejudica o andamento da segundona – entramos pela tarde muito sensíveis, meio tristes e melancólicos. Um humor que se altera devido às nuances pesarosas do dia – quantas notícias trágicas, terríveis! – e captamos dores e tristezas que nem são nossos, mas que se misturam aos nossos próprios problemas e nos fazem tentar evadir-nos, sem muito sucesso – afinal, é dia “útil” e precisamos “render”. A noite traz incongruências que adicionam irritação à melancolia, deixando-nos um pouco mais sorumbáticos e macambúzios. Uma sopinha leve, música calma, meditação, ou simplesmente ficar na sua pode ajudar a filtrar e a digerir todas essas emoções e sentimentos incontidos, derramados na atmosfera, embora invisíveis. A oração, seja qual for o seu deus, pode acalmar e permitir uma conexão profunda consigo mesmo e com a divindade, uma percepção da nossa pequenez diante da vastidão do mistério da vida, algo que pode ajudar a serenar a alma. Orar por aqueles que sofrem e que lhe tocaram a alma também pode ajudar a elevar a vibração nesse planeta que anda tão devastado de dor e medo.

Roberto Ferri, artista italiano – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 3 de outubro – Vênus está em trígono pleno a Plutão. Em Peixes a Lua faz quincôncio ao Sol Libriano, conjunção a Netuno, oposição a Vênus-Marte e quadratura (não exata) a Saturno, tornando este foco de uma T-Square mutável na virada de terça para quarta. Dias de intensidade emocional, em que os desejos são viscerais e comandam forte impulso de realização – mas a alma pergunta: realizar o quê, nesse caos emocional, individual e coletivo em que estamos? Dias em que experimentamos mais de perto o poder do inconsciente, mostrando-se no impulso por mais vivacidade, mais paixão e entrega à vida e àquilo com que estamos envolvidos – temos preguiça de “pegar leve”, porque ou agarramos as coisas de corpo e alma, ou nem mesmo as notamos. Há impulso também por mais controle e muitos poderão tirar proveito disso, manipulando as aspirações ingênuas e românticas de outros – inclusive da massa, carente de mitos e gurus. Para quem vem de períodos de desânimo, essa nova força é bem vinda e até nos prepara para os próximos embates – daqui a pouco Marte e Vênus confrontarão a Saturno – mas também podemos exagerar na dose ou na aplicação, talvez até como forma de compensação. Pode ser um bom momento para cavarmos dentro de nós em busca de auto sustentação, de transformar os processos internos, para que a realidade externa também se modifique e seja mais condizente com nossas aspirações; de salvar-nos a nós mesmos, em lugar de esperar que outros o façam, o que muitas vezes nos expõe à má fé alheia; de transformar nossos valores e, a partir deles, também transformar nossas atitudes no mundo: queremos mais amor e paz? Sejamos mais amor e paz, ao invés de reverberar a incompreensão, a crítica, a hostilidade, o julgamento leviano; queremos mais entendimento e compaixão? Sejamos isso para o outro, antes de revidar precipitadamente; queremos mais apoio e conciliação? Sejamos apoio, busquemos nós mesmos a conciliação. São horas também de prover por nós mesmos, a segurança, a força, a admiração e o respaldo de que tanto precisamos, sem esperar que circunstâncias ou outros forneçam isso para nós. Estando Vênus e Marte conjuntos, em aspecto a Plutão, temos também a chance de transformar nossas relações, de perceber seus altos e baixos, as dinâmicas de poder e controle, a fluidez – ou bloqueio – no afeto, o medo da entrega, o medo da vulnerabilidade, o medo de perder; as contradições internas entre entregar-se ou afirmar-se para preservar a própria vontade. E, ao olhar para tudo isso, podemos lidar com tais medos sem crises, apreendendo maneiras sutis de provocar as mudanças necessárias. O mundo se transformará quando um número suficiente de indivíduos tiver se transformado – é de dentro para fora, não é de fora para dentro! Daí o nosso compromisso e responsabilidade em visionar com clareza o mundo em que queremos viver e agir a partir dessa visão, até atingirmos massa crítica. A Lua em Peixes, conjunta a Netuno e depois oposta a Vênus-Marte colore o dia de muita sensibilidade e suscetibilidades – também há muitas irritações nascidas das contradições internas, da oscilação entre lutar ou fugir, conquistar ou desistir, obstinar ou ceder. Ideal mesmo é fazer uma salada dessas contradições e perceber que elas juntas, apesar de não facilitarem, agregam mais sabor e cor à vida! Só acessamos nossa verdadeira força, quando encaramos nossa fragilidade!

Amanda Cass – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 4 de outubro – O Sol está em quincôncio a Netuno. A Lua Pisciana faz quadratura a Saturno, que é foco de uma T-Square mutável, já que logo receberá as quadraturas de Vênus e Marte. A Lua fica vazia depois deste aspecto, às 04h21min e ainda faz conjunção a Quíron e quincôncio a Júpiter. Ingressa em Áries somente às 17h40min, portanto, temos o dia todo de Lua fora de curso. Oscilações e dúvidas sobre nós mesmos, nossos objetivos e capacidades, intercalados com arroubos de idealismos, utopias de mundos perfeitos e justos… Se apenas nós… Conjecturas que se provam infrutíferas diante dos cenários “reais” diante de nós. Mas, independentemente da nossa dificuldade em conciliar a utopia com a realidade, é necessário insistir em sonhar, em não se prostrar paralisado pelo caos, pelo terror no mundo. Temos um dia inteiro para meditar e contemplar sobre o terror real que vivemos, nascido, muitas vezes, do fundamentalismo, do pensamento tacanho, da imposição da visão de um sobre os demais. E meditando sobre esse terror e suas implicações, percebemos que mais do que nunca é necessário sonhar, esperançar, dar pequenos passos na direção de alguma mudança que, com sorte, crescerá lá na frente. Em termos práticos, é dia para atividades discretas, para cuidar da subjetividade, para deixar as atividades objetivas em repouso ou, pelo menos, para não esperar muito delas e fluir com a maré. A Lua está vazia em Peixes e nós oscilamos com essas marés – se lutamos contra, nos afogamos, se fluímos, podemos descobrir novas baías, novas praias e belas paisagens! À noite recebemos uma descarga nova de energia que nos faz querer sair do casulo e realizar aquelas coisas para as quais não tivemos ânimo durante o dia. Mas vale ficar atentos a impulsividade e precipitações – não vamos salvar o mundo do dragão da maldade numa única noite!

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QUINTA-FEIRA, 5 de outubro – Vênus está em conjunção a Marte e o Sol segue em quincôncio a Netuno. Enquanto isso, a Lua Ariana faz oposição a Mercúrio e depois ao Sol, culminado o ciclo iniciado em Virgem na Lua Cheia de Áries, aos 12°42’ deste signo. A Lua ainda faz quadratura a Plutão. É dia de crises, pequenas ou grandes, nos relacionamentos. Crises que podem levar a rupturas ou a um comprometimento mais intenso e verdadeiro. A Lua nos convida a nos afirmar com mais clareza e transparência dentro das nossas relações de todo tipo mas, principalmente, nas relações afetivas. Não é hora de ficar em cima do muro, de botar panos quentes em nada. É hora de se posicionar, de buscar autonomia; de equilibrar nossa necessidade de relacionamentos com uma imprescindível dose de independência, só assim as relações podem se manter saudavelmente. A simbiose, seja emocional ou social, leva à anulação individual, e sem indivíduo, quem está realmente vivendo a relação? Com quem estamos nos relacionando se o outro é apenas um carbono do que sou (ou se eu sou apenas carbono do outro)? A lunação se dá em quadratura a Plutão, que é foco de uma T-Square Cardinal, como já aconteceu tantas vezes desde que Plutão ingressou em Capricórnio em 2008. É necessário achar esse equilíbrio mencionado para que as relações sejam vividas de forma madura e para que sejam úteis à transformação social – é muito fácil ser feliz na bolha simbiótica, isolados do mundo, perdidos no olhar mútuo narcisístico, difícil mesmo é viver as relações enfrentando os desafios mundanos diários que ameaçam aniquilar a ordem e a própria existência humana. Por isso, o amor precisa ser transformador; as relações precisam nos transformar, nos levar a dar o melhor de nós mesmos, não só ao outro que é parceiro, mas à própria existência e à vida como um todo.

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SEXTA-FEIRA, 6 de outubro – Mercúrio faz quincôncio a Netuno. A Lua Ariana faz quincôncios a Marte e a Vênus em Virgem, trígono a Saturno, conjunção a Urano e oposição a Júpiter, ficando vazia depois desta disputa, às 19h39min. Ingressa em Touro às 20h56min. O dia está assim, meio desconjuntado e desconjuntados estamos nós também, como alguém que tenta caber a todo custo numa roupa de número muito maior/menor do que o seu, ou, como diria Clarissa Pinkola Estés, como tentar ficar elegante numa roupa mal-feita – ou ainda, tentar ficar no salto que dilacera os pés. Sentimos como se tudo estivesse fora do lugar, nossos desejos e impulso realizador em contraste com as necessidades mais prementes, de modo que ficamos indo e vindo, sem decidir realmente que direção tomar. A mente está enevoada, seguindo palpites errôneos, embora fascinantes, o que nos deixa confusos sobre a qualidade e credibilidade dos pensamentos. Mas aqui, a sabedoria é observar essa mente sem se apegar aos pensamentos, sem lhes imputar valor ou expectativas, apenas observá-los, sem agir imediatamente em cima deles, deixar primeiro que se assentem para provarmos a que vieram… Alguns podem ser válidos e preciosos, outros podem ser completamente vãos. Divertir-se com as inúmeras e ensandecidas elucubrações mentais é o que de mais sábio podemos fazer. Quanto à sensação de desmantelo interna, convém olhar para isso com genuína curiosidade, para ver o que o desmantelo e desconforto vêm nos mostrar sobre nós mesmos e nossos problemas correntes; também não apegar-se a essas sensações, porque elas também vão passar, mas enquanto são vigentes, têm muito a nos ensinar. O ego, se for forte e saudável, terá capacidade para conter a irritação, de modo a não deixar que respingue sobre outros sob forma de criticismos mesquinhos e tóxicos, e perceberá a atitude certa a ser adotada, fortalecendo-se para, mais tarde, romper com o que tiver que se romper e manter o que deve ser mantido.

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SÁBADO, 7 de outubro – Urano está em semi-quadratura a Netuno, aspecto exato hoje. De Touro a Lua faz sesqui-quadraturas a Marte e a Vênus em Virgem e também a Saturno em Sagitário, virando foco de um Martelo. A Lua faz ainda sextil a Netuno e quincôncios a Mercúrio e ao Sol e fecha a noite em harmonia com Plutão. Vênus, regente da Lua, está em quadratura a Saturno – exata amanhã. As dúvidas e perguntas que não conseguimos responder são jogadas hoje para o fundo do porão, porque queremos lidar com coisas reais e concretas, com aquilo que podemos tocar e ver e de preferência, que reafirmem nossas parcas certezas – quem quer saber de ideais quando eles estão estraçalhados e só nos causam desapontamentos? Mas o fato de escolhermos ignorar algo não significa que tal coisa deixe de existir – as dúvidas vão continuar lá, no fundo do coração, e irão pipocar mais tarde de formas disfarçadas, na ansiedade, na inquietação que não vai embora, no comer ou beber compulsivo para aplacar sedes ou inseguranças emocionais, na busca desenfreada por um prazer imediato que nos faça sentir que estamos vivos, vivinhos-da-silva, apesar do tédio e da sensação de anestesia – é exatamente para fugir da anestesia que mergulhamos nos sentidos, nos prazeres, para nos provarmos vivos e operantes, apesar dos pesares. E, de fato, é bom nos darmos ao luxo de usufruirmos dos prazeres simples de uma boa comida, um abraço apertado, um cheiro pungente, uma visão de beleza, para encantar nossos sentidos, para apreciar a graça efêmera da vida, desde que, paradoxalmente, não estejamos usando isso como forma de nos amortecer – novamente – contra aquilo de que temos que ter muita ciência e consciência, mais do que nunca. Podemos sim, nos reabastecer na beleza e no prazer, mas como forma de recarregar as baterias e as forças para os próximos embates, não como fuga da vida consciente. Em termos práticos o dia está bom para o descanso e os prazeres simples: uma boa mesa, um cochilo sossegado, um meditar tranquilo nas coisas básicas da vida que nos ajudem a entender nossos medos e inseguranças. As relações estão sujeitas a algumas dificuldades, armadas por sensação de inadequação, inseguranças, receios e dúvidas entre o que queremos e o que realmente precisamos. Não é um período favorável para DR’s e a compreensão e empatia deverá ser o prato principal do fim de semana, se for para contornarmos as crises que possivelmente surjam.

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DOMINGO, 8 de outubro – Vênus está em quadratura plena a Saturno e Mercúrio está em conjunção Cazimi ao Sol em Libra, signo regido por Vênus. A Lua está em Touro – também regido por Vênus – e faz trígono a Plutão e a Marte-Vênus em Virgem, formando um Grande Trígono de Terra. A Lua fica vazia depois do trígono a Vênus, às 10h47min. Faz ainda sextil a Quíron e quincôncio a Júpiter, antes de entrar em Gêmeos, às 22h45min. É um domingo que pode ser muito melindroso e crítico ou muito propício ao auto-entendimento, depende de como lidamos com nossos sentimentos e de como reagimos aos acontecimentos ao nosso redor. Primeiro, estamos sujeitos ao auto-criticismo duro, a nos sentirmos inadequados e falhos, deixando a desejar em áreas que para nós são cruciais para termos um sentido de valor, de auto-respeito. Talvez relembramos erros do passado e isso nos deixa para baixo, meio insossos e com receio de olhar as cartas de que dispomos, porque já antevemos que são ruins, mesmo sem ter olhado para elas… Assim, duvidando do nosso próprio valor, duvidamos daqueles que se aproximam e já os descartamos ou mandamos embora, com receio de nós mesmos sermos descartados como inúteis e desnecessários. Assim criamos uma profecia auto-realizada e de fato acabamos por nos isolar e afastar pessoas as quais ansiamos por estar perto, mesmo que não admitamos. Contudo, temos a chance de refletir antes das reações automáticas e ponderar nas coisas com algum bom senso, vendo defeitos e qualidades sob uma lente mais prática e menos exagerada. E, em lugar de nos sentirmos como o pano de chão imprestável, podemos enumerar nossas boas qualidades, de modo a contrabalançar a autoestima minimamente. Temos bastante Terra, que nos ajuda a ser práticos e resilientes diante dos problemas, de modo a vê-los como desafios que podem ser superados com esforço e empenho sincero no auto-melhoramento. E da mesma forma como olhamos para nós e nossas falhas, podemos ter empatia para olhar para outros e suas dificuldades, dando uma palavra de incentivo e estímulo, ao invés de jogar terra sobre alguém que já está afundando. Nas relações é preciso cautela nos diálogos, na forma como nos exprimimos, nas escolhas que fazemos entre expressar ou não o que sentimos; entre revelar nosso afeto, a despeito do terror da rejeição ou guardá-lo para nós mesmos, pelos mesmos receios. É necessário compreensão, empatia e sobretudo, muito amor no coração para acolher o outro e a si mesmo, mesmo quando o outro (ou eu) parece não merecer – tem aquela frase, que nos tempos de internet é difícil saber o autor verdadeiro: “é preciso amar as pessoas quando elas menos merecem, porque talvez seja quando elas mais precisam”. A mente hoje se embebe dos propósitos conscientes de buscar novas parcerias, de ser ponte e mediar conflitos, ao invés de fomentá-los – é tempo de refletir se nossos pensamentos estão alinhados com os propósitos maiores do centro da nossa consciência. Se não estão, vamos alinhá-los!

Desejo a você uma ótima semana, de luz e proteção!

Aqui neste vídeo você vê o Horóscopo de outubro para todos os signos, em parceria com o Horóscopo Virtual:

(1) Astrid Fallon – Planetary Cycles at a Glance – Fallon Astro Graphics – UK

 

A Semana Astrológica – O Fim do Mundo?

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Semana de 18 a 24 de setembro – Renovação

O ponto alto desta semana é a Lua Nova ocorrendo no signo de Virgem, na quarta-feira. Depois de termos duas Luas Novas seguidas ocorrendo em Leão, os ciclos voltam a ficar “trocados”, em que primeiro temos a Lua Cheia ocorrendo no eixo de signos, e só depois temos a Lua Nova, quando normalmente ocorre o contrário, por exemplo, normalmente teríamos a Lua Nova ocorrendo em Virgem e depois a Lua Cheia acontecendo em Peixes. Mas no caso, já tivemos a Lua Cheia em Peixes no dia seis de setembro. Isso parece trazer para a nossa consciência a necessidade de lidarmos com as crises agudas e conciliar as aparentes diferenças do par de signos em questão, para só depois conseguirmos plantar e iniciar algo novo naquela área. O outro ponto é que a Lua Cheia do ciclo acontece no par de signos seguinte, ou seja, teremos a Lua Nova em Virgem no dia 21 e a Lua Cheia do ciclo já será em Áries, no dia cinco de outubro. Portanto, é momento de renovar nossas intenções: onde podemos ser mais úteis e empáticos? Onde precisamos utilizar nossa criatividade e imaginação de forma concreta? Onde precisamos dar o senso de ordem ao caos dentro de nós?

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Outra coisa importante acontecendo nesta semana é o centésimo “fim do mundo”. Brincadeira. Temos visto várias publicações em veículos diversos da internet propagando mais essa “profecia”; artigos dizem “astrólogos, teólogos e especialistas”, mas não dão nomes a esses profissionais, a não ser um numerólogo britânico de quem nunca se tinha ouvido falar até agora, que afirma que o fim do mundo será no dia 23 de setembro próximo.

Ilustração tirada de uma publicação do colega Hector Othon, no Facebook. Reprodução

Astrologicamente não há nada tão portentoso que justifique toda essa celeuma e esse sensacionalismo. Temos um alinhamento planetário formado por Vênus, Marte e Mercúrio na constelação de Leão (no Horóscopo Tropical eles estão em Virgem) que, junto com as nove estrelas da constelação, somam 12. Logo depois vem o Sol, na constelação de Virgem (Já em Libra, no Horóscopo Tropical), seguido de Júpiter e finalmente a Lua Nova – esse alinhamento ocorre no dia 23 de setembro e tem sido associado com uma profecia do Apocalipse: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono”. Apocalipse 12:1-5. Essa coroa de 12 estrelas seriam Vênus, Marte e Mercúrio, mais as nove estrelas da constelação de Leão. Por causa disso, alguns associam esse alinhamento com a concretização dessa profecia. Astrologicamente esse alinhamento não significa nada tão drástico em termos de eventos concretos e com certeza não significa o “fim do mundo”.

O colega Hector Othon fala bastante sobre essa configuração e a associa ao nascimento do Cristo interior, um momento de tomada de consciência, de despertarmos para o Cristo interno. Para quem quiser saber mais sobre isso, sugiro visitar o canal do colega no Youtube, onde ele dá Orientações 23 de Setembro – Entrar na Real, Virar amor. Sim, temos tido muitas oportunidades de despertamento, de mudança de consciência nos últimos e esta é mais uma… Essas oportunidades vão aumentar cada vez mais. Então, astrólogos sérios vêm esse alinhamento de forma simbólica, como o início de um novo tempo, como a abertura para uma nova consciência. Algumas correntes vão mais fundo e fazem associações espirituais, mas eu prefiro não enveredar por este caminho, porque eu tento trabalhar com a Astrologia sem colocar interpretações espirituais de outra natureza, porque isso aí é da filosofia e orientação de cada um… Se eu trouxer esses dados, meu texto já não será tão isento, trará crenças que podem não ter nada a ver com os leitores. A Astrologia não tem nada a ver com crenças de nenhum tipo, por isso tento deixar o texto “limpo” e mais neutro – quem tiver interesse de pesquisar sobre interpretações espirituais deste alinhamento, veja este texto. Outra coisa é que isso também é uma questão filosófica: quantas profecias têm cunho apenas simbólico? Quantos mitos, espirituais ou não, também têm cunho simbólico, embora muitos os interpretem de forma literal? Eu nunca tive interesse nas predições literais – sempre me ocuparam mais os “porquês” e “para quês”. Portanto, essas “matérias” sensacionalistas que se vê por aí sobre “o fim do mundo” – já até se perdeu a conta de quantos “fim de mundo” tivemos nas últimas duas décadas! – são apenas isso: sensacionalismo e se têm qualquer função positiva, é apenas nos fazer rir!

Carlos Botelho – Wikimedia – Reprodução

O outro evento significativo que temos nestes dias é o Equinócio da Primavera (Outono no Hemisfério Norte), marcado pela ingressão do Sol em Libra, na sexta-feira. A palavra equinócio vem do Latim “aequus”, igual e “nox”‚ noite e significa “noite igual”, que é quando o dia e a noite têm exatamente a mesma duração. É o momento em que o Sol, no seu caminho aparente ao redor da Terra, cruza o Equador Celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste) de um hemisfério para o outro. O Sol está voltando do seu “passeio” pelo Hemisfério Norte e cruza o equador em direção ao Sul. Ao longo do ano temos quatro datas marcantes, que sinalizam as mudanças das estações: os dois solstícios – por volta de 21 de junho e 21 de dezembro – e os dois equinócios, por volta de 21 de março e de 21 de setembro. Neste ano o equinócio ocorre no dia 23 de setembro. Esses dias especiais marcam uma mudança significativa na orientação da energia e da nossa atenção, ao longo do ano. No Equinócio de Outono, 21 de março, começamos o ano novo astrológico e a ação é voltada para a realização individual (Áries); no Solstício de Inverno, a ação é voltada para o estabelecimento de vínculos e de raízes (Câncer); no Equinócio da Primavera, a ação se volta para o equilíbrio com a alteridade, para o estabelecimento de relações om o outro (Libra); e, finalmente, no Solstício de Verão, 21 de dezembro, fechamos o último quarto do ano e a ação é voltada para nossa atuação no mundo e para os temas humanos universais (Capricórnio). Essa transição é sutil, mas muitos dizem que se abrem portais energéticos durantes estes períodos. Certamente, há modificações tão significativas no caminho do Sol, que elas mudam o clima, o tempo, e pontuam os ciclos de descanso e ação, morte e renascimento na Terra, simbolizados pelas estações.

Reprodução

Com o Sol ingressando em Libra, temos uma mudança na direção do nosso olhar e da manifestação da nossa energia: é o tempo de prestar mais atenção ao “outro” na nossa vida; de achar maior equilíbrio nas relações e parcerias; é tempo de harmonizar, equilibrar, conciliar, escolher. Enquanto trafegar Libra o Sol fará contatos tensos com Plutão em Capricórnio e com Urano em Áries, indicando a necessidade de nos posicionarmos com mais honestidade nas nossas escolhas, diante de nós mesmos e também do outro. Entretanto, ainda nesta semana o Sol faz quadratura a Quíron, ainda em Virgem, e também quincôncio a Urano, o que sugere alguns dias de suscetibilidades, estados melindrosos em que ficamos muito irritadiços e nos facilmente ofendidos, ou ofendemos a outros como defesa a ataques imaginários. É importante estar atentos e conscientes de que nos sentimos muito frágeis e inseguros e tendemos a ver como criticismos e julgamentos atitudes ou palavras que não tinham de fato intenção de ferir. Os dias mais delicados vão de segunda a quarta-feira.

Atonio Mora, artista espanhol – reprodução

Mercúrio sai da zona sombria de retrogradação na terça-feira, mas ainda precisa enfrentar Netuno numa oposição que dura a semana toda, acompanhado de Marte! Juntando isso com a oposição Sol-Quíron, temos dias de muita confusão mental, devaneios, dispersão, falta de rumo e muita insegurança e incerteza quanto aos nossos planos. As comunicações ficam contaminadas por coisas não ditas e não expressas diretamente, comprometendo os resultados dos acordos e até criando verdadeiros imbróglios espinhosos. É aconselhável aguardar antes de fazer negociações importantes, compras significativas, particularmente de eletro-eletrônicos e tecnologia em geral. Mercúrio faz também trígono a Plutão, mais para o fim da semana e ajuda a trazer mais centramento depois do alheamento simbolizado por Netuno – talvez Plutão nos ajude a fazer algo transformador com a imaginação estimulada por Netuno.

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No caso de Marte, o aspecto a Netuno tem efeitos sobre nossa vontade e disposição, que ficam vacilantes e incertas, oscilantes e vagas. A propensão à preguiça, ao desinteresse ou desânimo ficam acentuados e isso prejudica o andamento dos processos, caso nos deixemos levar a esmo ao sabor das marés. Num tom mais positivo, esses aspectos a Netuno, tanto de Mercúrio quanto de Marte, são favoráveis para estimular a imaginação e para buscar soluções alternativas e mais holísticas, completamente diferentes do que é tradicional e aceitável no mundo dito “real”.

Brigite Bardot, que tem Vênus em virgem – Reprodução

Vênus dialoga harmoniosamente com Urano já no início da semana, simbolizando um período de inovar nas relações, de abrir-se às novidades e revitalizar o senso dos valores individuais que nos fazem mais interessantes para o parceiro. Vênus também passa pelo grau do eclipse Total do Sol do dia 21, implicando em surpresas e mais eventos inesperados – surpresas potencializadas por Urano. Nos próximos meses, até que ocorra um novo eclipse solar, todas vez que um planeta ou configuração estimular o grau 28 de Leão, teremos presente novamente os temas do eclipse de 21 de agosto. Vênus ingressa em Virgem na terça-feira e, de esfuziante e grandiosa, torna-se modesta e mais focada no trabalho e na autossuficiência. Em Virgem Vênus busca ser prestativa e útil, tendo grande habilidade artística e grande apreço pelos detalhes e coisas bem feitas e finamente acabadas. É criteriosa, reservada, autônoma, independente – a exemplo das deusas virgens, não depende de um parceiro para ser ou para se sentir inteira. Este posicionamento também costuma conferir um grande amor pelos animais, especialmente os domésticos e, algumas vezes, o engajamento nessa causa.

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Finalmente, Júpiter faz quincôncio a Quíron, justo antes da oposição a Urano – que ocorre na semana que vem – e isso nos alerta para momentos de cinismo ou descrença, em que duvidamos daquilo que mais dava sentido aos nossos dias; ou talvez resolvamos ignorar completamente as dúvidas e incertezas e nos jogamos por inteiro, descartando avisos da voz interior a nos avisar que nosso enorme otimismo talvez seja injustificado, ignorando, inclusive, algumas fraquezas e assim, nos lançamos em algo sem estarmos inteiramente prontos, o que pode ser um problema lá na frente, já que podemos ter que parar no meio do caminho para lidar com os problemas que, irresponsavelmente, resolvemos desprezar. Outra possibilidade ainda é exagerarmos em muitas frentes, incluindo nos entregar aos excessos de comida ou bebida, para amortecer essas mesmas inseguranças, atitude que pode trazer problemas sérios para a saúde e nos alienar do nosso próprio corpo. Assim, é recomendável acolhermos quaisquer dúvidas, palpites e intuições durante estes dias, incluindo as apreensões desconfortáveis, mesmo que pareçam fora de propósito – elas poderão nos livrar de muitos problemas e embaraços!

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A Lua abre a semana na fase Balsâmica, em Leão. Renova-se em virgem na quarta-feira e fecha o domingo em Escorpião, já na fase Semi-Crescente. No seu percurso celeste ela faz aspectos com todos os demais astros, simbolizando nossas mudanças de humores e as mudanças cotidianas aqui na Terra.

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SEGUNDA-FEIRA, 18 de setembro – Vênus está em trígono exato a Urano. A Lua abriu o dia vazia em Leão, já na fase Balsâmica. Ingressou em Virgem à 01h53min onde faz conjunção a Marte e a Mercúrio. À noite a Lua se opõe a Netuno. O dia traz uma atmosfera industriosa e conscienciosa. Despertamos já muito conscientes dos afazeres e começamos as tarefas – incusive os rituais diários – sem delongas e já preocupados em agilizar as prioridades. Mas mesmo estando concentrados no trabalho e nos afazeres cotidianos, estamos abertos a novidades e até as buscamos, já que temos um desejo de esticar um pouco as perspectivas, escancarar as janelas da vida e da alma e sondar o que tem de diferente e extraordinário lá fora! Hoje queremos um pouco de “tempero” no nosso cotidiano imprevisível e assim, mesmo que haja alguns imprevistos, estamos mais flexíveis e curiosos sobre as surpresas que porventura eles possam trazer. Portanto, a tendência é que tenhamos um dia bastante produtivo e sujeito a surpresas agradáveis. Nas relações é tempo de inovar e também adicionar algum tempero excepcional na rotina a dois. À noite o clima muda bastante e atmosfera fica nostálgica; captamos influências confusas do ambiente que nos deixam um tanto vacilantes e sensíveis nos contatos – ao mesmo tempo em que sentimos um grande anseio por inclusão, por um abraço sem sim, sentimos receio de ser engolidos e nos perder de nós mesmos. Nossa ambivalência pode confundir o outro, por isso é bom que as encaremos para que as interações fiquem limpas e livres de contaminações.

Kevin Francis Gray – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 19 de setembro – O Sol Virginiano está em oposição exata a Quíron e Mercúrio em oposição a Netuno, exata na virada de terça para quarta. Enquanto isso a Lua faz trígono a Plutão e quadratura a Saturno. Vênus ingressa em Virgem às 22h16min. Se ontem estávamos dispostos e industriosos, hoje estamos duvidosos e cheios de incertezas, como se caíssemos num vácuo ou numa areia movediça, onde quanto mais nos movemos para sair, mais afundamos e sufocamos em inseguranças e auto-dúvidas que comprometem as interações e a nossa motivação de seguir em frente ou de realizar aquilo em que estamos envolvidos. Podemos também nos sentir expostos, sangrando, ou nos envolver em algum episódio embaraçoso, que nos envergonha e nos faz sentir ainda piores, criticados e julgados, sem chances de nos explicarmos – e pior, se tentamos nos explicar enveredamos por um caminho tortuoso em que cada palavra torna tudo um pouco mais vergonhoso ou mais emaranhado ainda. Talvez, nesta situação, seja melhor calar e deixar a confusão passar, porque em outro momento talvez nos sintamos mais aptos a nos defender de forma mais coerente e mais direta. Hoje só contamos mesmo com nossa própria força interior e a confiança em nós mesmos, portanto, mesmo nos sentindo meio por baixo e com nossas fraquezas expostas, precisamos ficar do nosso próprio lado, ter a coragem de tomar o nosso próprio partido, mesmo no caso de termos falhado – aí entra a compaixão por nós mesmos e a aceitação da nossa falibilidade, sem nos identificarmos com ela. Então, é necessário olhar para o pior, enfrentá-lo, para podemos chegar ao melhor de nós mesmos, com humildade, serenidade e sabedoria. Reconhecer as próprias falhas e buscar repará-las – e reparar o dano que porventura causemos a outros – não quer dizer nos arrastar e implorar a benevolência dos arrogantes, já que não somos os erros que cometemos – pelo menos, não somente! Em termos práticos o dia está bastante confuso e sujeito a muitos mal entendidos, portanto, é preciso cautela em todas as interações… todos estamos meio sucetíveis e melindroso, e é bom pegar leve antes de devolver aquilo que foi ouvido como “ofensa”. Na dúvida, é melhor ficar quieto e calado – quando mais falamos, mais nos complicamos!

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QUARTA-FEIRA, 20 de setembro – A Lua faz conjunção ao Sol a 27°27’ de Virgem às 02h30min, renovando-se e dando início a um novo ciclo lunar. Mercúrio, regente do Sol e da Lua, abre o dia ainda em oposição a Netuno exata a Netuno. A Lua fica vazia depois da conjunção ao Sol e ainda se opõe a Quíron e faz quincôncio a Urano, antes de ingressar em Libra, às 07h06min. O Sol faz quincôncio a Urano. O ciclo que temos pela frente vem bastante confuso: a Lua Nova ocorre em oposição a Quíron em Peixes e o regente de Virgem, Mercúrio está em oposição exata a Netuno. Esse posicionamentos embaralham nossa percepção e nossos critérios, se insistirmos em ver as coisas de forma linear, ortodoxa e cartesiana. Não vai funcionar! Em vez disso, precisamos olhar as situações, desafios, o mundo e a vida de forma mais holística, estando às percepções extra-sensoriais e principalmente, extra-intelectuais, porque o intelecto está embaçado e carecendo de lucidez. De modo geral o dia demanda essa cautela: devemos nos aproximar de tudo com espírito de curiosidade, sem determinar nada, sabendo que nada é o que parece, tudo está se modificando a cada movimento e cada dado novo que inserimos, modifica mais um pouco o objeto observado. A Lua Libriana busca equilíbrio e harmonia e hoje, para nos harmonizarmos, precisamos fluir e pegar leve, evitar decisões importantes, flertar com a indecisão, flertar com as várias possibilidades, sem nos comprometer – ainda – com nenhuma delas. No tempo certo, a resposta virá!

Yuumei on Deviantar – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 21 de setembro – De Libra a Lua faz quincôncio a Netuno e quadratura a Plutão, que também recebe a sesqui-quadratura de Vênus, já em Virgem. A Lua fecha a noite harmonizada com Saturno. Todas as oscilações recentes atingem um ponto de ebulição e e agora somos levados a enfrentar nossa imprecisão e hesitação. Mesmo sem querer, temos que fazer uma escolha, temos que nos posicionar: encarar nossa fome sem fim, nossa carência e desejo de paridade. Mas como ter paridade, se nos sentimos ainda inseguros, esburacados, faltando um pedaço que queremos que o outro preencha? Já entramos perdendo, não para o outro, mas para nós mesmos! Assim, o dia todo é um espelho que devolve para nós nossas projeções equivocadas, para que possamos pelo menos reconhecê-las e liberar o outro de seu peso. O equilíbrio, tão necessário, só virá quando confrontarmos as expectativas que temos em relação aos outros e em relação a nós mesmos – expectativas positivas e/ou negativas – quando conseguirmos ver esse outro – e a nós mesmos – com um realismo gentil, que abarca os defeitos, mas também abraça as virtudes e as reforça! À noite as crises tendem a se acalmar e a percepção da realidade pode ficar mais aguçada.

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SEXTA-FEIRA, 22 de setembro – O Sol ingressa em Libra às 17h02min – 21h02min para Lisboa – marcando o Equinócio da Primavera no Hemisfério Sul e de Outono no Hemisfério Norte. Por seu turno, a Lua Libriana faz conjunção a Júpiter, quincôncio a Quíron e oposição a Urano, ficando fora de curso após este contato, às 10h06min. Ingressa em Escorpião às 14h40min. Mercúrio está em trígono pleno a Plutão e Júpiter vira a noite em quincôncio a Quíron. Um pouco de leveza não faz mal a ninguém e hoje temos um pouco de alegria, ânimo e otimismo para contrabalançar o peso e a confusão dos últimos dias. O dia começa dinâmico e animado. Estamos otimistas e de bom humor, interessados em buscar novos contatos, novas oportunidades ou simplesmente aproveitar o dia da melhor forma possível. Pelo meio da manhã surgem atritos porque há dissonâncias entre nossas demandas e expectativas em relação aos outros e aquilo que os outros querem para si mesmos; ou talvez esse dilema se manifeste internamente: queremos fazer nossas próprias coisas de forma livre e autônoma, mas nos sentimos presos ás obrigações sociais, àquilo que é esperado de nós, ou simplesmente ao desejo de ser aceitos e bem vistos no nosso meio. Qualquer que seja nossa escolha, aprendemos mais um pouco sobre nossas necessidades e dinâmicas emocionais a partir deste conflito. À tarde há tendência a uma maior introspecção e concentração das energias nas coisas que são realmente importantes, essenciais. Tarefas que vínhamos adiando por exigirem muita estamina e empenho agora se tornam muito atrativas e nos jogamos a elas com prazer, felizes de ter algo onde aplicar o desejo de cavar, de observar, de investigar os padrões e desdobramentos das coisas e situações. Assim, se a manhã estava leve e jovial, a tarde e anoite estão mais intensas, profundas e concentradas e nos convidam a investigar os mistérios que se apresentam no nosso caminho! A noite também está favorável para a intimidade afetiva e sexual.

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SÁBADO, 23 de setembro – Júpiter em Libra está em quincôncio a Quíron em Peixes hoje. Este aspecto precede a última oposição de Júpiter a Urano, ocorrendo na semana que vem. A Lua Escorpiana faz sextil ao seu dispositor, Marte, trígono a Netuno e outro sextil a Plutão, seu regente moderno. A Lua ainda faz semi-quadratura e entra na fase Semi-Crescente. O dia também traz o alinhamento planetário encabeçado por Vênus, seguida por Marte, Mercúrio, Sol, Júpiter e Lua. O pano de fundo do dia é um desconforto generalizado que talvez não seja muito fácil de identificar, porque aparece como pontadas de dúvidas que teimamos em refutar e dispersar como se não fossem importantes, apenas porque não queremos lidar com elas realmente. Surgem desconfianças incômodas sobre nossos planos, nossa fé e projetos com os quais estamos empolgados. Se formos honestos, precisamos parar e olhar para tais dúvidas e levar a sério o que vêm nos alertar; caso decidamos por ignorá-las, podemos nos deparar com algo mais sério lá na frente. Por enquanto, ainda temos tempos de fazer correções. E precisamos conciliar nossos ideais de perfeição com as limitações da vida, em todas as suas formas e manifestações, inclusive quando se manifesta em nós mesmos. E só não olhamos para tais desconfortos se formos teimosos e se não quisermos mesmo, porque hoje temos a estamina emocional e a compaixão necessárias para um confronto benéfico e transformador conosco mesmos e com tais dúvidas e incoerências. Se desperdiçamos a chance, podemos nos arrepender depois. A Lua media a conversa dolorosa e difícil entre Marte e Netuno e pode nos trazer a percepção dos sacrifícios necessários que devem ser feitos com e por amor, em que altar devemos depositar nossa vontade, em nome de algo maior do que nós e nosso pequeno e sujo umbigo. É momento de deixar nascer o embrião do amor e da luz, incipiente, mas ainda assim, forte e vicejante, dentro de nós. Uma nova consciência, uma nova luz  que poderá nos redimir, se ousarmos nos abrir a ela, se lhes formos receptivos, se a reconhecermos dentro de nós e lhe permitirmos agir. Teremos coragem?

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DOMINGO, 24 de setembro – Marte em Virgem está em oposição exata a Netuno em Peixes e também em sesqui-quadratura a Urano. A Lua Escorpiana se afina com Mercúrio em Virgem e se harmoniza também com Quíron em Peixes. A Lua fica fora de curso depois da conversa íntima com Mercúrio, às 04h33min e ingressa em Sagitário somente amanhã. Que dia complicadinho e tortuoso! Queremos liberdade, mas ela parece tão distante e aquém das nossas parcas forças, tão alquebradas, tão frouxas… Queremos nos rebelar, mas parece errado, um pecado e uma transgressão da qual não nos sentimos capazes, porque estamos com a moral combalida, a vontade por terra, o vigor deteriorado… quantas dúvidas a respeito de nossa força e poder, de nossa vontade e desejos… quantas incertezas quanto à validade e legitimidade dos nossos esforços… Para quem gosta de ser útil e prestativo, hoje tudo parece meio fútil e inócuo, se for visto apenas da perspectiva do aqui e agora, do momento presente. É necessário olhar além e ao invés de insistir, dar tempo a si mesmo de ter essas dúvidas, de parar para sondar a direção do coração e da imaginação… Para onde olha nossa alma, realmente? Talvez precisemos olhar primeiro para trás, para decisões e atitudes que se provaram equivocadas – ignorar que ocorreram não é a melhor das opções porque caímos na auto-ilusão! – fugir entorpecendo-se com o que quer que seja também só vai nos fazer sentir ainda mais desmoralizados depois. Então, sim, olhemos para trás, para nossos erros, manias de grandeza, lutas meramente egoicas, atitudes mesquinhas… Um exame honesto e minucioso se faz necessário, assim como adotar as ações que possam corrigir tais equívocos. Apenas depois de lidarmos com tais erros é que estaremos aptos para olhar o futuro com mais confiança, ombridade e honra, sentindo-nos capazes de nos levantar. As bravatas egoicas não têm lugar hoje, pelo contrário, é dia de ficar na sua e olhar com humildade as próprias inseguranças e enganos. E talvez tenhamos que fazer alguns sacrifícios: abrir mão de algo que o ego queria muito e que agora nos é tirado, porque não é do interesse do todo… Humildade para abrir mão disso sem raiva ou ressentimento também pode nos poupar de muitas dores e sofrimentos desnecessários.

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Em termo práticos, o dia traz um desânimo debilitante, tanto em termos psicológicos quanto físicos. A energia e a vitalidade estão em baixa e fazemos bem em não nos envolvermos em atividades que demandem muita estamina. As interações também estão sujeitas a confusões e mal entendidos que podem minar a confiança mútua, portanto, empatia é essencial. É bom, inclusive, prestar atenção a negociações e transações com pessoas que não sejam de nossa inteira confiança – podemos cair no conto do vigário! É melhor tirarmos um tempo para nós mesmos e recuperarmos nossas energias e vigor de forma tranquila e discreta! Este trânsito favorece a criatividade, então, que trabalha com quaisquer atividades criativas e artísticas, ponha a mão na massa – com leveza e sem expectativas de grandes feitos!

Carlos Botelho – Wikimedia – Reprodução

Lua Cheia em Peixes – Não afunde, flua!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

Um derramamento profuso de emoções e sentimentos, é o que simboliza a Lua Cheia em Peixes nesta quarta-feira, dia seis de setembro, às 04h03min no horário de Brasília – 08h03min para Lisboa. Por que todo esse aguaceiro? Porque, além de a Lua estar em Peixes, signo das Grandes Águas, que simbolizam o retorno à Unidade, a lunação se dá em conjunção muito próxima a Netuno, de cerca de um grau.

Virgem – Iconografia antiga – Reprodução

O Sol trafega atualmente o signo de Virgem, signo de ordem, controle, seleção, separação, apuro técnico, acuidade, análise. Virgem é regido por Mercúrio e é o mais racional dos signos de Terra. Já Peixes, é o signo do caos, e a Lua Cheia vem equilibrar a energia da ordem com um pouco de desordem. Em Peixes somos convidados a abraçar outras percepções além daqueles pertencentes ao mundo palpável, sólido, real. Em Peixes a imaginação alça voos mais altos e mais profundos, para dimensões que a mente racional não alcança e tem que ser deixada “desligada”, como mera expectadora, se for para aproveitarmos a experiência. Além da grande criatividade e imaginação – que premia as pessoas fortemente Piscianas com os dons artísticos, seja nas belas artes como na música – Peixes também traz presente os valores da compaixão, altruísmo, empatia, serviço, cura. É o último signo do Zodíaco, o ponto em que o ego se dissolve e volta para a Unidade, para o Todo, para que tudo volte ao estado do vir a ser. Assim, as lunações ocorrendo nesse par de signos, representam um período de ordenar e sintetizar nossa criatividade; de esmerar nossa técnica, burilar nossas habilidades, para que com elas, possamos explorar com eficiência a esfera da imaginação e para que possamos produzir algo de valor a partir desse caos aparente. É também o período de manifestar os valores da empatia e da compaixão, através de atitudes práticas diárias, do serviço ao próximo, do sermos úteis e desprendidos – claro, não é que devamos ter tais atitudes somente neste período, mas é quando nos conscientizamos mais claramente destes valores.

Elena Kalis – alice Under Water – Reprodução

E nesta Lua cheia tais valores e sentimentos estão mais extravasados, porque os diques se romperam, as comportas se abriram e as águas irrompem das profundezas da alma e do inconsciente. O principal aspecto que a Lua faz nesta lunação é a conjunção a Netuno, regente moderno de Peixes, o que aumenta e potencializa tudo o que já dissemos sobre este signo. Além disso, o único ponto em Ar é Júpiter, regente tradicional de Peixes. A sensibilidade está exacerbada e nos sentimos muito expostos, como se não tivéssemos pele psíquica, porque as fronteiras estão dissolvidas e guarda, baixa. E a objetividade está embotada, afogada.

Kindra Nicole – Reprodução

Sendo a Lua Cheia um tempo de iluminação das questões mais inconscientes, a conjunção a Netuno e a própria energia Pisciana vêm iluminar nossos anseios e desejos de fusão e redenção, o desejo de nos render e parar de lutar contra o ímpeto de consciência, contra o ímpeto de separação e individuação. Esta ênfase em Netuno – que também acabou de receber a oposição do Sol – e o fato de estar ser a primeira lunação pós eclipse, o apogeu do ciclo iniciado com o eclipse do dia 21, sugerem uma desistência, uma rendição: exaustos que estamos de todas as lutas recentes, desmoronamos e desistimos de “segurar a onda” e simplesmente nos permitimos sucumbir, mesmo que temporariamente, relaxando o controle e então, toda a tensão acumulada deságua, seja na forma de choro, de sono, de exaustão, de ingestão de álcool – esta não é a melhor das opções! E sim, por um lado, é um momento adequado para deixar a tensão desaguar, é um momento apropriado para limpar e purificar o coração e a alma de todos os ranços, cansaços; é um bom momento para abrir mão do controle e confiar no fluxo, mesmo que o rumo pareça completamente incerto e obscuro. Apenas fluir e confiar na correnteza, respirando, respirando e flutuando – como quando se cai num rio, se entrarmos na ansiedade e começarmos a nos debater nessas águas, afundamos feito pedra e nos afogamos! Do contrário, se respirarmos e mantivermos a calma, flutuamos e fluímos com a correnteza.

Lua Cheia em Peixes – Brasília, 6 de setembro, 04h03min

Além da conjunção a Netuno, a Lua Cheia se afasta de um quincôncio a Vênus em Leão – e claro, Vênus está em quincôncio a Netuno também – e se aproxima de sextil a Plutão em Capricórnio. Estando os dois “planetas” femininos envolvidos com Netuno, esse feminino se confunde com a imagem da Grande Mãe, aquela que dá a vida e ao mesmo tempo a devora; a mãe que é, ao mesmo tempo, mãe e amante do filho redentor e o desmembrará para que a redenção aconteça e ele possa ressuscitar – um tema básico de Peixes. Trazendo o mito para o presente, é necessário ficarmos atentos às identificações momentâneas com esse mito e a necessidade de atuar essa Grande Mãe Todo-Poderosa que asfixia o outro no seu abraço de amor mortífero; atenção também para as idealizações excessivas do outro, das relações e até de nós mesmos como parceiros dentro dessas relações. O sextil a Plutão talvez nos ajude a enxergar a verdade, mas é preciso estar de olhos abertos e talvez isso seja muito difícil nas próximas duas semanas, tempo em que essa lunação tem efeito.

Dreamstime – Reprodução

A ajuda pode vir mesmo é de Saturno em Sagitário, a quem a Lua faz uma quadratura aplicativa – ainda vai acontecer. Saturno é foco de uma T-Square Mutável, pois recebe as quadraturas (amplas) da Lua e do Sol. O Sol torna essa quadratura exata no dia 13 e a Lua, algumas horas depois de ser cheia. Saturno é o ponto de alerta e de realidade que pode nos segurar no meio do caos, que pode nos ajudar a manter os pés no chão, a árvore firme e de raízes profundas à qual se amarrar quando o tsunami vem. Podemos sim, abrir mão do controle momentaneamente, como sugerido por Lua-Sol-Netuno; podemos deixar a tensão desaguar, mas apenas para um descanso provisório, apenas para uma trégua, porque logo à frente, precisamos voltar ao nosso posto de observação e ação na realidade. Precisamos nos render e absorver as imagens oníricas e mágicas que surgem do inconsciente, mas depois precisamos fazer algo manifesto com elas; precisamos voltar a nos responsabilizar por nós mesmos e o que acontece à nossa volta. Não dá para ficar navegando a esmo indefinidamente! Por outro lado, esse aspecto a Saturno sugere que se nos deixarmos iludir pelas promessas vazias e fantasiosas de hoje, ali à frente podemos ter que lidar com uma realidade meio amarga e dura, portanto, mais uma vez, melhor ficar atentos às auto ilusões e auto enganos.

Magritte – Reprodução

Mercúrio, regente do Sol, está no grau 28° de Leão – grau do Eclipse total do Sol – e está estacionário-direto, voltando a se movimentar para a frente poucas horas depois da Lua Cheia. Mercúrio ganha ênfase pelo fato de estar estacionário-direto e pode ser de grande ajuda para trazer lucidez e clareza no meio da enxurrada, simbolizando ideias e presença de espírito, a melhor atitude no meio do caos. É mandatório estar centrados para termos essa “presença” de espírito, para sabermos quando falar e quando calar, quando agir e quando esperar.

Brooke Shaden Photography – reprodução

Júpiter, regente tradicional da Lua Cheia, como já dito, é o único ponto em Ar e isso também ressalta sua importância: achar o equilíbrio e a exata medida das coisas, algo que pode ser difícil a princípio, visto que Júpiter está em oposição a Urano, adicionando imprevisibilidade, atitudes erráticas e meio tresloucadas, oscilações no entusiasmo, que ora vai, ora vem. Para lidar com tais oscilações, precisamos nos conectar com a nossa alegria, aquela alegria serena, que não é euforia, mas o contentamento interior que nos ajuda a enfrentar as tempestades. Mais: Júpiter está no Ponto Médio entre Saturno e o Nodo Norte – Cabeça do Dragão – e, segundo Ebertin, isso sugere “apreço à solitude, alegria no isolamento, a experiência de alegria interior através do auto sacrifício pelos outros” – portanto, para que Júpiter possa nos ajudar, precisamos dar uma forcinha a ele, encontrando ilhas de calmaria, momentos de solitude, onde possamos nos conectar com essa alegria interior. De Netuno, regente moderno de Peixes, já falamos acima: está conjunto à Lua, potencializando as manifestações dessa lunação.

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O Símbolo Sabiano para o grau 14 de Peixes (13°53’) traz a imagem de “Uma mulher enrolada numa grande estola de pele de raposa”. Dane Rudhyar nos diz que o tom básico deste símbolo é “o uso da inteligência e da sutileza mental como proteção contra as tempestades e provações”. Rudhyar nos lembra que a raposa é um animal inteligente e sutil no simbolismo e na mitologia, representando a “astúcia” e a capacidade de se adaptar a toda e qualquer situação de vida. “A vontade espiritual e a capacidade de enfrentar os testes são necessárias em qualquer situação crucial ou desafiadora que um indivíduo pode encontrar num grupo orientado para o poder. Mas a vontade, tipo espada, muitas vezes, tem que ser protegida, e a inteligência ou perspicácia podem ser a ajuda mais preciosa quando estamos em perigo. É um escudo pessoal (ou seja, “animal” ou instintivo), talvez até uma camuflagem. Ele esconde a vontade central, mas mantém o indivíduo protegido de dificuldades desnecessárias. O que vemos simbolizado aqui é um modo auto-protetor de encontrar as inclemências do clima, real ou psíquico, que abundam quando se leva uma vida consagrada a um Todo mais vasto; pois essa consagração suscita fortes inimizades. Riscos desnecessários são proibidos ao iniciado, pois a segurança da Irmandade pode estar em perigo. A necessidade de PROTEÇÃO é imperativa, e o glamour pode ser um escudo eficaz”. Este símbolo vem se realçar a importância de Mercúrio e Júpiter e, consequentemente, a necessidade de usarmos nossa inteligência e sutileza em tempos difíceis, quando seria mais fácil entrar em pânico e desespero. A vontade precisa ser firme e forte e a vontade vem de Marte, que está em Virgem, ou seja, precisamos nos ater ao que podemos fazer, efetivamente, em termos práticos, sem nos perder nos detalhes irrisórios. E, assim como Virgem, precisamos ser prudentes e nos esquivar de riscos desnecessários e a auto-contenção é fundamental – o que pode ser um risco desnecessário no seu contexto pessoal? Só você pode saber! Mas de modo geral, riscos desnecessários têm a ver com envolver-se em situações duvidosas, deixar-se levar por medos irreais, deixar-se levar por euforias igualmente enganosas, fragilizar-se em demasia em situações/lugares que lhe deixem exposto, ingestão de substâncias alteradoras da consciência – peixes e Netuno exacerbam seus efeitos!

Christian Schloe Digital Art – Reprodução

Em resumo, esta Lua Cheia traz um momento de alívio nas tensões, que nos permite entrar em contato com nossa vulnerabilidade, mas isso se dá com um aumento da sensibilidade e fragilidade psíquicas, portanto, é necessário achar o lugar e a situação seguros que ofereçam a adequada contenção para o desaguar das emoções. É momento de render-se, purificar-se e lavar-se nestas Grandes Águas, mas permanecendo atentos à realidade e ao que ela requer de nós, recorrendo à nossa inteligência, perspicácia e sutileza para navegar esse maremoto!

Desconheço o autor – reprodução

Nota: pessoas com planetas e ângulos entre os graus 8 e 18 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentem mais intensamente os efeitos desta lunação. De modo geral o dia traz propensão a tristeza, nostalgia, sensibilidade, anseios inexplicáveis, vontade de escapar, compaixão, desânimo e atmosfera de sonhos e irrealidade… Sensações que nublam a mente e a lucidez, portanto convém ter cautela nas ações.

Uma ótima Lua Cheia para você!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

A Semana Astrológica – Do que você tem medo?

Semana estendida de 30 de junho a 09 de julho

Não consegui publicar a semana corrente na data certa, então, aproveito e já publico o período estendido até a semana que vem – estou em viagem, no interior do Maranhão, com acesso limitado à internet – por isso também o post sai com imagens limitadas.

Este período está bastante catártico, com crises atuais ressuscitando dores e mágoas antigas e que podem tanto nos endurecer e amargar um pouco mais, ou nos libertar dos ranços e bolores emocionais para uma vida mais doce e serena. Nossos medos também ficam aflorados e nos fazem questionar o que é realmente essencial para nós.  Estou falando dos trânsitos correntes do Sol, Marte e Mercúrio por Câncer, todos em confronto com Plutão em Capricórnio crises que atingem seu apogeu na Lua Cheia de Capricórnio que ocorre no dia 09 de julho, domingo da semana que vem.

Marte, já neste fim de semana, enfrenta o poder de Plutão e como Plutão é a oitava mais elevada de Marte, é sempre formidável um embate entre os dois, representando momentos de grave tensão, propensão à violência, tanto nas relações pessoais, quanto nas interações impessoais e sociais. Há conflitos de poder, tentativas de controle e as consequentes insurreições, que tendem a derrocar em agressividade explícita e física, caso não se consiga contornar as beligerâncias. Se não estamos cientes de nossa própria agressividade não expressa e preferimos nos identificar com a ovelha mansa e dócil, podemos cair direto nas garras de lobos famintos, que ficarão felizes em nos dar uma lição de sobrevivência e de até onde está disposto a ir quando isto está em jogo. Marte-Plutão sempre nos questionam como temos usado nosso poder, se o usamos sabiamente, sem desculpas, ou se o delegamos a outros, por medo de suas implicações, por medo de nos rendermos a ele; também nos incita a olhar se não abusamos desse mesmo poder, intimidando, agredindo, violando a outros ou a seus recursos, por não entendermos que devamos respeitar os limites alheios. Tudo isso, dependendo do quanto temos trabalhado nossa sombra e essas questões dentro de nós. Marte também faz quincôncio a Saturno, sugerindo inseguranças recalcitrantes que voltam a nos afligir e que vão demandar autocompaixão e tolerância conosco mesmos.

Antes de Marte, Mercúrio fez o mesmo percurso, digladiando nos mesmo desafios, fazendo primeiro quadratura a Júpiter e depois oposição a Plutão, de modo que de quinta a domingo desta semana, as coisas ficam deveras tensas e carregadas. Estouros podem ocorrer e os canos que jaziam entupidos de muitos detritos antigos, sangram agora, alagando os arredores com nossa raiva antes represada, que agora jorra aos borbotões, espantando a muitos, inclusive a nós mesmos. Tais inundações da raiva não ocorreriam, se mantivéssemos nossos canos limpos de tais resíduos. Como fazer isso? É um exercício permanente, diário, de se vigiar, de gerenciar a própria raiva, irritação e frustrações, de saber colocar e respeitar os próprios limites, de saber dizer não quando se quer e se precisa dizer não, de saber ser honesto consigo e com o outro, ao invés de engolir os impropérios e mariná-los para depois. Não, não é o caso de explodir todos os dias e proferir os impropérios, mas pelos menos de reconhecer quando se sente invadido, quando não se está satisfeito e pontuar isso, de forma firme e adequada – assim, não será necessário explodir ou implodir mais à frente, quando o copo encher ou quando os canos entupirem. A nosso favor temos o fato de Marte já ter voltado aos limites do Sol, estando menos selvagem e descontrolado. Mercúrio, por outro lado ainda está nessa condição até dia 01/07, requerendo cautela, porque as línguas ficam mais do que ferinas, potencialmente letais.

Na semana que vem o Sol fará os mesmos movimentos. Faz quadratura a Júpiter (05/07) e depois oposição a Plutão (09/07) e é a vez de a consciência ser inundada pelos conteúdos sombrios do inconsciente, nossas dependências infantis, desejos de onipotência e controle através de artimanhas sutis, mas muito efetivas. Precisamos mesmo recorrer a tais artimanhas? É mais um momento de confronto com nosso senso de (im)potência. No mundo exterior isso se manifesta como conflitos intensos de  busca de domínio sobre terceiros, já que talvez não conseguimos dominar nossas próprias inseguranças internas. O desejo de controle geralmente nasce da insegurança profunda, do medo de ser controlado e de ficar à mercê do que quer que seja: pessoas, situações, eventos, então, predomina a máxima: antes ele do que eu, e para não me sentir dominado e controlado, eu controlo e domino. Estes são dias ótimos para perscrutarmos nossa alma e verificarmos quando controlamos e quando nos sentimos controlados e como agimos ou reagimos diante disso. O Sol também fará trígono a Netuno, o que provavelmente nos ajuda a lidar com todos esses dilemas com mais serenidade e auto compreensão – se não temos compaixão por nós mesmos, quem terá?

Depois de ter feito a Conjunção Superior ao Sol e de lidar com todos esses desafios, Mercúrio deixa as águas de Câncer e ingressa em Leão e começa a se afastar do Sol, preparando-se para seu próximo ciclo de retrogradação, que começa em 12 de agosto, em Virgem. Em Leão Mercúrio se comunica de forma magnânima, mas também dramática! Há um grande interesse nas artes em geral e o auto interesse também é acentuado. Caso não esteja aflito, há o entusiasmo e a alegria de um coração jovem, coisa que é reconhecida pelas crianças, com quem costuma de relacionar bem. Mercúrio fica em Leão de 5 a 25 de julho, quando então ingressa em Virgem.

Quem também muda de cenário é Vênus, que sai dos campos bucólicos de Touro e torna-se mais urbana e sofisticada em Gêmeos. Nesta semana que termina Vênus fez quincôncio a Saturno, movimento que pode ter significado alguns estremecimentos nas relações em geral, motivados por inseguranças ou incompatibilidades de valores e interesses. Talvez o posterior sextil a Quíron nos ajude a ter mais compreensão das dificuldades alheias, assim como das nossas próprias, o que pode nos ajudar a encontrar algum caminho de conciliação. Vênus entra em Gêmeos no dia quatro de julho, onde fica até o dia 31, quando ingressa em Câncer.

Quíron estaciona na sexta, dia 30, para entrar em retrogradação no sábado. Esse movimento de Quíron nos convida a reavaliarmos como temos lidado com o tema das feridas incuráveis na nossa vida, da bisca ou oferta de ajuda e a cura proveniente de tal atitude. Quíron fica retrógrado de 1° de julho até 06 de dezembro e como Saturno volta ao movimento direto em agosto, os dois ainda se batem uma vez mais na quadratura atualmente em curso. Este é um aspecto bastante difícil e quem sente de forma mais contundente e pesada são os signos mutáveis, particularmente Gêmeos e Sagitário, mas também Virgem e Peixes. Nos próximos meses estaremos refletindo sobre nossas fragilidades sem conserto, nossa tendência ao vitimismo ou à amargura, nossa abnegação e a busca do bálsamo da cura, através da ajuda ao outro.

E, finalmente, nos próximos dias também vemos ocorrer o terceiro e último quincôncio de Júpiter a Netuno, precisamente na virada de terça (dia 04) para quarta. Expectativas exageradas, seguidas de experiências de desencanto são sugeridas por este aspecto, particularmente no que tange a figuras eclesiásticas e religiosas em geral, como também em relação a juízes e e a leis. Engodos podem se dar, sob o disfarce da benevolência aos oprimidos e desvalidos; há dificuldade em ater-se aos limites, sejam os pessoais ou sociais; há propensão aos exageros no otimismo, nos planos de crescimento, na busca por melhoria. Se conseguimos controlar tais rasgos doudivanas, podemos tirar proveito de um aumento da criatividade, mas é preciso ter muito pé no chão para não nos deixarmos levar por planos mirabolantes que talvez deem em nada! Cautela, mais uma vez, como promessas feitas ou ouvidas – elas podem nos levar à nau dos insensatos, que está fada a naufragar. Esse último quincôncio entre Júpiter e Netuno ocorre com a Lua vazia, em Escorpião, sugerindo que é ainda mais difícil ter clareza de nossas expectativas fantasiosas, e que não devemos mesmo nos apegar a elas, pois nada está determinado ou preciso e os resultados tendem a nos surpreender, a sair muito diferentes da nossa esperança – provavelmente de forma negativa.

A Lua fecha esta semana em Escorpião, na fase Crescente. Fica Corcunda ainda em Escorpião na terça-feira, dia quatro. Engorda e arredonda-se mais um pouco em Sagitário e, plenamente prenhe, dá à luz em Capricórnio, no apogeu do ciclo, no domingo, dia nove de julho. Nesta jornada cheia de altos e baixos, a Lua conversa, sussurra, briga e interage de formas diversas com todos os demais planetas, sinalizando as mudanças de humores aqui na Terra.

SEXTA-FEIRA, 30 de junho – Vazia em Virgem, a Lua faz oposição a Quíron. Ingressa em Libra às 03h02min, de onde entra na fase Crescente, às 20h52min. Quíron estaciona às 03h10min. Dia de focar no equilíbrio, na harmonia e na civilidade, sem deixar de ser assertivos quando se fizer necessário. A Lua fica Crescente em Libra, em quadratura ao Sol em Câncer e sinaliza que para avançarmos na direção da maturidade, é preciso deixar muita coisa para trás. Para se formar uma nova família, ser parte de um casal (Libra), é preciso deixar para trás a família de origem e o passado (Câncer) para poder olhar para o futuro e fundar o novo núcleo. Libra também convida a viver as relações de forma equilibrada, como é o caso das relações laterais. Já não nos relacionamos nas bases da hierarquia e da dependência das relações parentais, mas de igual para igual, em que as pessoas envolvidas da relação têm obrigações e direitos iguais dentro do arranjo, precisam dar e receber igualmente, para que a parceria se sustente e tenha futuro.

SÁBADO, 1° de julho – Quíron entra em movimento retrógrado na madrugada. A Lua Libriana, já na fase Crescente, faz conjunção a Júpiter, quincôncio a Netuno em Peixes, quadratura a Plutão em Capricórnio e a Marte e Mercúrio em Câncer, formando uma poderosa T-Square, da qual ela mesma é o foco, junto com Júpiter. A Lua faz ainda sextil a Saturno. A princípio o dia começa com otimismo e nos sentimos magnânimos, expansivos e generosos, querendo a companhia de outras pessoas para socializar e interagir. Mas conforme as horas passam, a propensão à indecisão aumenta grandemente, porque sentimentos, pensamentos, atitudes e necessidades estão todos em contradição e assim nos sentimos extremamente irritadiços e intolerantes, com o estopim curto, devido à frustração conosco mesmos, por não conseguirmos nos alinhar internamente. As explosões trazem o alívio catártico, mas por outro lado, deixam-nos sentindo vexados e constrangidos por não conseguirmos conter nosso mau humor e insatisfação. Antes de mais nada precisamos reconhecer essas contradições interiores e admitir que precisamos fazer algumas escolhas chatas, abrindo mão de algo que gostaríamos, em favor de algo mais importante, do qual precisamos – precisar sempre é mais forte que querer! Delegar a escolha e a decisão para outros é o pior que podemos fazer hoje, porque o resultado final pode ser desastroso, tanto porque não nos agradará, quando porque poderá piorar os atritos já existentes. Sejamos honestos e banquemos nossas decisões, porque somente nós podemos ser responsáveis se elas se revelarem acertadas ou equivocadas. Entregar nosso poder ao outro, pode não só diminuir nosso respeito próprio, como nos colocar em situações arriscadas de vulnerabilidade diante de pessoas que talvez não devêssemos confiar tanto assim. Para ter a paz e o equilíbrio que tanto buscamos, precisamos abrir mão da imagem de imparcialidade que gostamos de cultivar. É preciso tomar partido, é preciso escolher, é preciso assumir os próprios desejos e necessidades, é preciso assumir o próprio poder. A não ser que queiramos ser apenas uma sombra de nós mesmos!

DOMINGO, 2 de julho – Marte está em oposição exata a Plutão e Mercúrio está em quincôncio pleno a Saturno! Por seu turno, a Lua faz quincôncio à sua senhoria, Vênus em Touro, e também a Quíron, virando foco de um Yod-Dedo de Deus, já que Vênus está em sextil a Quíron. A Lua Libriana ainda se opõe a Urano em Áries, ficando vazia depois desta briga, às 09h18min. Ingressa em Escorpião às 13h em ponto, onde se retrai para se recuperar de todos esses embates. O domingo está cáustico, violento, propenso a chuvas, trovoadas, tempestades e furacões, acionados por energias que foram represadas e reprimidas e que agora borbulham, fazendo ferver o sangue, levando as pessoas a agirem no calor do momento e na impulsividade. Marte é o instinto de sobrevivência individual, é o impulso da agressividade que, em si mesmo, é neutro e pode e deve ser usado de forma positiva, ajudando-nos a ser assertivos e a brigar por nossos objetivos. Mas Marte em Câncer não direciona bem essa agressividade – já tentaram mover uma faca na água? E a agressividade tende a ser expressa de forma indireta, isso quando não fica fervendo por dentro, engarrafada. Plutão é o instinto de sobrevivência da espécie, o poder e o controle, o princípio da destruição de tudo que vai contra a essência da psique, a demolição de tudo o que é falso, errado, fajuto, disfarçado, para que o conteúdo possa ser transformado. Assim, um confronto entre Marte e Plutão, neste eixo Câncer-Capricórnio, obrigando o individuo a lidar com suas queixas pueris, com aquilo do que vem fugindo, esgueirando-se pelas esquinas de si mesmo. Mas chega uma hora que não esquinas suficientes para nos escondermos de nós mesmos, nossa raiva, nossa birra, expectativas frustradas, fugas da própria sede de poder. É encarar a sombra que se projeta da outra rua e preparar-nos para o confronto necessário. Se insistimos em fugir, vamos encontrar o bicho-papão em formas menos prosaicas e mais violentas e sujas. O palco principal dessas tempestades são as relações afetivas e a família, principalmente, mas podem ocorrer também em outros cenários. Portanto, fiquemos de sobreaviso e vigiemos nossa própria reatividade, nossa raiva encalacrada – e todos nós temos algum resquício dela dentro de nós – porque ela pode explodir hoje, atiçada por alguma coisa boba, alguma ameaça – talvez até infundada – ao nosso ego e à sobrevivência! Até onde somos capazes de ir quando estamos acuados, verdadeiramente? E o que tem o poder de nos acuar? O que nos faz borrar as calças? Será que nos conhecemos tão bem? O problema é que muitas vezes, confundimos as coisas e nos sentimos tão inseguros que nos sentimos acuados por coisas menores e então explodimos na hora errada, com as pessoas erradas. Para evitar que tais energias se expressem através de nós de forma destrutiva, o ideal é nos confrontarmos de uma vez, encontrarmos formas de extravasar nossa raiva, nossa frustração, de maneira construtiva e positiva, assim, não precisaremos despejá-la sobre aqueles que nada têm a ver com nossas dificuldades.

SEGUNDA-FEIRA, 3 de julho – De Escorpião a Lua faz trígono ao Sol e a Netuno, formando um Grande Trígono em Água por todo o dia, que à noite vira uma Pipa, com Plutão de foco. Vênus está em sextil a Quíron, aspecto exato, enquanto Marte começa a se afastar da oposição a Plutão. Lua e Marte estão em recepção mútua. O dia traz um manancial imenso de sensibilidade e emotividade, que nos puxa para as profundezas de nós mesmos e de nossos sentimentos mais viscerais e misteriosos. Tal profundidade propicia a elaboração e depuração das explosões e conflitos recentes, favorecendo também que nos conheçamos um pouco mais. No mundo exterior, também nos sentimos mais conectados com os outros e mesmo inclinados a ser um pouquinho – só um pouquinho – mais tolerantes em relação àquilo que parece desajustado e fora de ordem – Netuno propicia essa compreensão, essa inclusão do todo, mesmo daquilo que parece trôpego e estranho e então, julgamos menos. Em termos práticos, o dia pede mais introspecção, um voltar-se para si mesmo. As investigações densas, sejam internas ou externas, também ficam favorecidas pela energia penetrante de Escorpião e as situações têm mais chances de serem transformadas positivamente.

TERÇA-FEIRA, 4 de julho – Mercúrio está em quadratura exata a Urano. De Escorpião a Lua se harmoniza, de formas diferentes, com seus dois dispositores, Marte e Plutão – aliás, Lua e Marte estão em recepção mútua. A Lua faz ainda quincôncio a Urano e trígono a seu regido Mercúrio e a Quíron em Peixes, formando outro Grande Trígono em Água. Fica vazia depois da conversa com Mercúrio, às 21h36min. A Lua ainda faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Corcunda. Vênus ingressa em Gêmeos às 20h12min e Júpiter vira a noite em quincôncio exato a Netuno. A despeito de termos hoje pensamentos e sentimentos alinhados e de conseguirmos ser suficientemente assertivos e motivados a lutar por nossos interesses, há dentro de nós um alvoroço, um desejo intenso de mudanças e novidade, que nos empurra na direção de coisas e situações extravagantes, que nos permitam sair do lugar comum, do previsível. A intensidade emocional fica maior e mais pujante e nos vemos agindo impulsivamente, na busca por emoção e estímulo. É essencial perceber que os estímulos não estão necessariamente lá fora. Antes, precisamos analisar as alterações que devem ser feitas nos nossos pensamentos, visões, planos, formas de pensar e, consequentemente, no nosso cotidiano, onde tudo isso tem efeito e é vivenciado. Felizmente, temos suficiente sustentação emocional e estamina interior para perceber todas essas nuances e adotar as atitudes cabíveis, se realmente quisermos. Do contrário, se insistirmos em modificar apenas o ambiente imediato, achando que o problema reside aí, podemos nos deparar com situações conturbadas que perturbam nossa rotina de forma irritante e contraproducente. De todo modo, é sempre bom permanecer flexíveis e abertos aos imprevistos, porque hoje eles são o recheio do dia – e têm muito a nos ensinar!

QUARTA-FEIRA, 5 de julho – Júpiter está em quincôncio pleno a Netuno nas primeiras horas da madrugada de terça para quarta – o aspecto partil dura cinco horas e meia. O Sol estimula e potencializa este atrito, pois está em aspecto a esses dois planetas, fazendo quadratura a Júpiter e trígono a Netuno. A Lua entra o dia vazia em Escorpião e ingressa em Sagitário à 01h08min, de onde logo se opõe à Vênus Geminiana. Mercúrio hoje faz trígono a Quíron e ingressa em Leão às 20h20min. Achar o equilíbrio necessário entre nossos anseios e a realidade é um dos desafios do período; outro desafio é perceber quando podemos e devemos ajudar e quando devemos respeitar os limites nossos e do outro – nem sempre podemos fazer tudo, por mais que queiramos! O dia pede cautela com as expectativas não racionais acerca do futuro e de figuras que admiramos e em quem projetamos nossas esperanças. Talvez estejamos excessivamente otimistas e idealistas, de modo que não enxergamos direito até onde podemos ir, podendo nos exceder nos nossos cuidados ou cobranças e expectativas em relação a outros. Para isso, precisaremos exercer uma grande dose de autodisciplina e autocontrole, para não perdermos as estribeiras e o prumo do que que quer que estejamos realizando. Há o risco de nos sentirmos super-poderosos e tentar dar o passo maior que a perna, para perceber o erro apenas quando é tarde demais. Portanto, usemos o otimismo para nos animar e motivar, mas mantenhamos em cheque a disciplina e o bom senso!

QUINTA-FEIRA, 6 de julho – O Sol está em trígono a Netuno e quadratura a Júpiter, ambos os aspectos exatos hoje! Por sua vez, a Lua Sagitariana faz quadratura a Netuno, sextil a Júpiter e quincôncio ao Sol e potencializa este corrente aspecto entre Sol-Júpiter-Netuno, ao conversar com todos eles. A Lua faz também conjunção a Lilith, quincôncio a seu regido, Marte e conjunção a Saturno. Embora isso não seja uma configuração astrológica formal, temos hoje uma imagem bem interessante formada nos céus, mostrando um trapézio que tem o sextil por base e o trígono no topo – ou vice-versa; as quadraturas são as laterais e os quincôncios se cruzam ao meio, destes dois aspectos criando tensão e o trígono e o sextil conciliando. O que tudo isso quer dizer? É dia de nos conscientizarmos de nossos idealismos ingênuos, de nossas crendices tolas e otimismos vazios, que não vão nos levar a nada, a não ser a decepções. Falta-nos terra para exercer nossa compaixão adequadamente, realisticamente, assim como nos falta terra e bom senso para olhar para o futuro com fé, mas também com pragmatismo. O dia fica como uma faca de dois gumes: podemos nos perder num oba-oba de esperanças vãs e auspícios infundados; ou podemos agarrar a oportunidade de nos observar mais de perto e perceber por que precisamos tanto “acreditar” em certas “verdades” fantasiosas, por que nos deixamos seduzir pelas palavras doces que escondem intenções amargas. Assim, essa oportunidade pode ser também de nos abrirmos para novas visões, para o entusiasmo bem fundamentado e sem os vícios do imediatismo e das soluções fáceis, apelativas e mágicas que são tão comuns ao nosso tempo. Saturno hoje vem sem a âncora que nos faz assentar devidamente o coração, a intuição, a alma, e nos faz ponderar com vagar, sabedoria e quem sabe até, com graça, sobre nossas reais possibilidades, julgando-as com a justa medida, nem pessimista nem otimista, apenas vendo-as pelo que realmente são: possibilidades, que podem ser concretizadas, dependendo do nosso esforço, empenho e comprometimento e não apenas de truques fantásticos para iludir aqueles que não querem pagar o preço da conquista real e verdadeira. Todos esses aspectos também estimulam a criatividade e os dons artísticos, favorecendo a todas as atividades nessa área. Também ficam potencializados nosso altruísmo e empatia, mas aqui há que se ter cautela para se ter certeza de que o outro realmente quer – e precisa – da nossa ajuda, do contrário, podemos ser invasivos e desrespeitosos ou simplesmente ser vítimas da má fé alheia.

SEXTA-FEIRA, 7 de julho – Vênus está em sesqui-quadratura a Plutão. De Sagitário, a Lua se harmoniza com Urano e fica vazia logo depois, às 10h14min. Faz ainda quadratura a Quíron e ingressa em Capricórnio às 13h45min, de onde faz quincôncio a Vênus em Gêmeos e a Mercúrio em Leão, que estão em sextil pleno hoje – assim, a Lua vira foco de um Yod. A manhã tem um tom agridoce, de busca de liberdade e uma aguda consciência das nossas restrições e impedimentos. Mas isso não deve nos baquear, mas sim ser motivo de reflexão que nos serena e acalma, por nos entendermos humanos, de alma infinita num invólucro limitado – se não entendemos e aceitamos isso, o tom pode ser de amargor e ressentimento, contra a própria vida ou, para os muito inconscientes, contra os incautos que porventura cruzarem seu caminho hoje. A tarde traz dilemas diferentes, mas que ressoam e aprofundam os conflitos da manhã: há apelos lá fora, que nos instigam a brincar, nos soltar, divertir, como se não houvesse amanhã, como se não houvesse problemas ou mesmo a pilha de trabalho à nossa frente. Mas o velho ranzinza dentro de nós se recusa a atender aos convites da leveza – ou talvez seja o “velhos ranzinza” fora de nós, na pessoa do chefe ou quem quer que seja – e prefere pregar contra eles, ressentidamente, julgando imorais àqueles que não seguem a cartilha da dureza e da contenção. Tudo bem se queremos nos negar certos prazeres para provar algo a nós mesmos – problema nosso! – mas, querer interferir nas escolhas de outros ou ser seu exemplo, é outra história, bem diferente! Assim, a tarde e anoite pedem contenção, autossuficiência, trabalho, disciplina, mas não precisamos levar tudo a ferro e fogo, ou podemos nos tornar doentes! Também deixemos que cada um faça o que for adequado para si, afinal não precisamos carregar o peso – mais esse! – de ser os juízes do mundo!

SÁBADO, 8 de julho – A Lua Capricorniana, Corcunda, faz sextil a Netuno e quadratura a Júpiter e prepara-se para ser Cheia, nos primeiros minutos da madrugada de domingo. Temos a sensação de expectativa, de algo grande, prestes a acontecer – ou explodir! – e isso nos deixa um tanto inquietos e, para nos precaver, recorremos ao bom e velho controle, mecanismo de defesa por excelência! E assim, nos armamos de argumentos para nos defender das pequenas alegrias ao nosso redor e quando vemos, deixamos de aproveitar boas oportunidades de convivência e de festejar com outros, pelo medo de relaxarmos em demasia e pela preocupação com “obrigações e deveres”, com a ordem com o que é “adequado”. Talvez tenhamos mesmo que escolher com qual “culpa” ficamos: a culpa de “gazear” obrigações e perambular por aí; ou a culpa de não nos permitir gozar os prazeres que nos cabem e que se nos apresentam – por amor a algo que julgamos mais importante: trabalho, carreira, deveres, etc. De qualquer forma, podemos nos render às alegrias simples e buscar o equilíbrio entre a estrita disciplina e as pequenas indulgências que tornam um dia mais prazeroso e agradável. O fim da tarde e à noite trazem desconfortos e contradições entre as emoções – que vão escalando e se intensificando proporcionalmente à tentativa que fazemos de controlá-las – e os desejos e intenções do ego. Essas discordâncias ficam mais evidentes nas relações entre o masculino e o feminino, que são as forças em desacordo e se acumulam, atingindo o ápice na madrugada, possivelmente com algumas crises e conflitos que demandam resolução imediata! Mas por mais imediatas que sejam as soluções, seus efeitos são duradouros e as decisões não devem ser tomadas de forma impulsiva ou precipitada, por mais instigados que nos sintamos. A tentação de detonar o estopim e implodir tudo é grande, mas é preciso pensar, sentir e agir com calma, com alma, com brandura, com amor, qualquer que seja a decisão difícil que se tenha que tomar!

DOMINGO, 9 de julho – De Capricórnio, Lua atinge o apogeu do ciclo à 00h07min da madrugada de domingo (04h007min no horário de Lisboa), ao opor-se ao Sol Canceriano. A Lua Cheia se dá numa configuração bastante tensa, conjunta a Plutão – que recebe também a oposição do Sol – e em oposição a Marte e quadratura a Júpiter. À noite a Lua ainda faz quadratura a Urano em Áries e fica vazia às 22h14min. Também faz sextil a Quíron em Peixes. Marte está em quincôncio exato a Saturno. O ciclo de Câncer vem nos lembrar que somos seres dependentes uns dos outros, já que nascemos completamente vulneráveis e indefesos, totalmente dependentes de uma mãe – e de um pai e família – para o sucesso da grande empreitada que e nossa vida. Assim, o arquétipo da mãe está fortemente presente neste signo, assim como a presença da família e a ideia de um passado e uma ancestralidade. Câncer também é a nutrição, física e emocional e os laços que construímos ao longo da nossa jornada vida afora. Contudo, muitas vezes delongamos a dependência dos pais – e dos pais postiços, vistos na figura de parceiros, chefes, amigos, e até filhos – por mais tempo do que o necessário e do que deveríamos, desenvolvendo dependências e comportamentos que atrapalham nosso pleno desenvolvimento como adultos autônomos no mundo exterior e também na nossa subjetividade. Para nos darmos conta de tais anomalias, vivenciamos a Lua Cheia em Capricórnio, que nos lembra que, a despeito das interdependências necessárias à nutrição emocional de todos nós, não devemos delegar a outros aquilo que é atribuição nossa no processo de nossa sobrevivência e ocupação de nosso lugar no mundo, o mundo de Saturno, que não afaga nem alisa, mas que nos obriga a ser adultos e responsáveis.

Se Câncer é o signo da Mãe, que protege, cuida e mantém infantil, Capricórnio é a esfera do Pai, que nos obriga a amadurecer, a encarar o mundo com suas obrigações e responsabilidades, individuais e sociais e a fazer de nós alguém mais, além do “filhinho da mamãe”. Essa Lua Cheia torna esse confronto mais do que agudo, porque traz presente a necessidade de nos libertarmos dos emaranhamentos familiares e até ancestrais, que nos conduzem nesses enredos de relacionamentos destrutivos, cheios de cobranças, culpas, lealdades negativas e manipulações. É tempo de crescer, de assumir nosso próprio poder, e não relegá-lo a outros, pode receio de perdermos seu amor e proteção. Já passamos da fase de equiparar o amor da mamãe com sobrevivência e agora, se nos indispusermos com alguém, se perdermos o afeto do outro, mesmo que soframos, não corremos mais o risco do aniquilamento e é esse medo que precisamos enfrentar se queremos nos livrar das dependências mórbidas que nos paralisam e nos impedem de sermos nós mesmos e assumirmos nossos próprios desejos sem medo de ferir os brios de quem quer que seja. Esta é uma lunação bastante desafiadora, que nos obriga a lidar com nossas carências e inseguranças de cara limpa, sem disfarces, sem desculpas. Tanto mais que é a lunação que precede a próxima temporada de eclipses e que nos pede crescimento e enfrentamento da realidade.

Uma ótima semana para você, onde você estiver! 

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Lua Cheia em Libra – Da desordem e do caos

Birth Chart Painting – Libra Full Moon – Reprodução

O ciclo Ariano iniciado no dia 27 de março tem seu apogeu na Lua Cheia de Libra, que ocorre na madrugada desta terça-feira, dia 11, às 03h08min no horário de Brasília – 07h08min no horário de Lisboa. O eixo Áries-Libra tem como temas básicos os relacionamentos, como o EU se encontra e se relaciona com o OUTRO. Enquanto Áries concentra-se em si mesmo e na sua vontade pessoal, Libra trata da alteridade e propõe equilíbrio, que o EU encontre maneiras de incluir o outro e, talvez até de tornar-se um NÓS.

Lua Cheia em Libra – Brasília, 11 de abril de 2017, 03h08min

A Lua atinge seu apogeu no grau 21°32’, em conjunção a Júpiter, quadratura próxima a Plutão e oposição, também próxima e aplicativa, a Urano, formando uma T-Square Cardinal explosiva, da qual Plutão, planeta das transformações profundas, é o foco. A Lua ainda faz quincúncio a Marte em Touro. Só por essas configurações, já poderíamos antever que é uma lunação explosiva, catártica, de liberação de muitas energias densas e liberação de entraves. A Lua em Libra vem fazer o contraponto à forte energia individualista do Sol em Áries, que ganha o reforço de Urano, que tem um destaque especial nessa lunação, porque logo receberá a conjunção do Sol.

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Essa ênfase que Urano recebe, sugere que prestemos atenção à nossa intuição, que busquemos fazer diferente e inovar nas relações. Libra é um signo que busca e prima pelo que é socialmente aceitável, assim como Capricórnio, por razões diferentes – Capricórnio quer poder, Libra quer ser aceito e não é à toa que Saturno, regente de Capricórnio, está exaltado em Libra! Mas a oposição Lua-Urano lembra que precisamos agregar o novo, o diferente, quebrar as regras de vez em quando, infringir um pouco a tradição e sair dos convencionalismos. Porque se não escutamos Urano e insistimos no excesso de convencionalismo e no que é esperado de nós, podemos ser atingidos por um raio, levar um choque ou ter que lidar com situações muito estressantes e que fogem totalmente do nosso controle.

Sempre que nos excedemos num princípio, invocamos o princípio oposto, para trazer o equilíbrio, mas se estamos inconscientes, esse princípio se manifestará de maneira estressante e talvez destrutiva. Excesso de Saturno (regras, estrutura, tradição, convenções, realismo, responsabilidade) invoca a ação de Urano (rebeldia, inovação, liberdade, progresso) ou de Netuno (sonho, fantasia, escapismo, dissolução, caos) ou ainda de Júpiter (falta de limites, irresponsabilidade, crescimento desenfreado, exagero). Plutão tem algumas similaridades com Saturno, porque ambos gostam de poder e controle, mas Plutão também pode funcionar no sentido de nos tirar o poder e o controle e assim, pode esmagar Saturno. E o reverso também é verdadeiro… Excessos desses planetas mencionados, podem invocar a ira e o relho de Saturno, que é o oposto psicológico de qualquer outro planeta ou luminar.

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Então, Libra, sendo a exaltação de Saturno, vai sempre primar pela ordem, pela convenção, pela civilidade. Mas nesta Lua Cheia, Libra precisa integrar um pouco de rebeldia e, principalmente, ser capaz de se afirmar e ser um pouco mais independente, de não esperar sempre pela opinião do outro, nem estar tão disposto a corresponder às expectativas alheias. Urano urge que sejamos mais originais, mais livres e menos dependentes; que sejamos mais nós mesmos e vivamos menos em função do outro; que quebremos um pouco a regra do “aceitável” e atrevamo-nos a ser diferentes, a fugir um pouco da norma. Dentro das relações, isso implica preservar a própria individualidade e não se anular ou se perder no outro, agir com verdade e honestidade consigo próprio e também com o outro. É isso ou Urano será invocado de forma destrutiva e poderá trazer surpresas desagradáveis, rupturas abruptas, desconcertantes e possivelmente, definitivas.

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Júpiter, com quem a Lua está conjunta, já coloca fortemente o tema da liberdade, a necessidade de crescermos juntos, dentro das relações, mas de preservarmos nossa liberdade e independência de crenças e valores. Júpiter também é líder de uma formação chamada Locomotiva neste mapa, o que faz com que tenhamos uma coloração fortemente Jupiteriana aqui. Júpiter era Zeus na mitologia grega e ele era um deus que primava pela liberdade, assim como legislava sobre o Olimpo e sobre os humanos. Zeus era casado com Hera, com quem vivia às turras, exatamente porque ela significava o princípio do compromisso. E ainda temos Plutão nessa configuração, que adiciona intensidade e profundidade a esses temas, além de exigir que transformemos a maneira como vivemos nossas relações, que sejamos mais autênticos e honestos em todos os nossos “negócios”. Plutão é um planeta impessoal, assim como Urano e esses planetas não “se importam” muito com o indivíduo, simbolizam princípios implacáveis da psique, forças que irão se manifestar e agir dentro ou fora de nós, de um jeito ou de outro. Se estamos abertos e promovemos as alterações voluntariamente, ótimo! Do contrário, vai à revelia mesmo. Queiramos ou não.

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Então, a exemplo da Lua Nova de Áries, a Lua Cheia de Libra também traz para a linha de frente a necessidade de discutirmos as relações, como se já não estivéssemos fazendo isso há um bom tempo. A Lua Nova ocorreu exatamente em conjunção a Vênus retrógrada, que ainda estava no início de Áries, destacando esse tema das relações e da retrogradação de Vênus, além dos temas de autoestima e dos nossos valores. Agora, novamente a ênfase recai sobre esses temas, porque, além de Libra ser o signo do relacionamento, Vênus é a regente da Lua em Libra. Como sabemos, Vênus continua retrógrada. Nesta semana, está particularmente sensibilizada, porque está em Peixes, conjunta a Quíron e em quadratura quase exata a Saturno em Sagitário. Em três dias Vênus estacionará, para voltar ao movimento direto no dia seguinte. Ou seja, Vênus também está ultra destacada nesta lunação. E sugere que além de vivermos as relações de forma menos dependente e mais assertiva, como sugeria na Lua Nova de Áries, que também nos responsabilizemos pela realidade relacional que criamos na nossa vida. Vênus está conjunta a Quíron, indicando um aumento da vulnerabilidade da já etérea Vênus Pisciana; mas essa conjunção também indica a propensão a associarmos relações com sofrimento, a nos atrairmos por pessoas complicadas, que precisam ser “resgatadas” e nós lá vamos, tentar salvar o outro, sem nem perguntar se ele quer ser salvo. E depois reclamamos que somos infelizes e que fomos enganados – na verdade, nós nos enganamos a nós mesmos. Mas Vênus também está em quadratura a Saturno, que demanda que nos responsabilizemos por esses padrões nos quais nos emaranhamos; que sejamos realistas quanto ao idealismo excessivo com que olhamos os outros e também a dificuldade de enxergar a nós mesmos, como realmente somos; Saturno também sugere que precisamos encarar o quanto talvez sejamos emocionalmente exigentes e famintos de afeto, sempre cobrando ou criando expectativas altas demais, esperando ser preenchidos pelo outro e quando isso não acontece, nos sentindo rejeitados e incompreendidos.

Roberto Ferri – Reprodução

Vênus, nessa configuração com Quíron e Saturno, pede que tenhamos empatia e compaixão por nós mesmos, antes de termos pelos outros; que nos responsabilizemos pela nossa história, mas que nos des-identifiquemos dos padrões repetitivos de sofrimento; que lidemos com nossas feridas e abandono infantis, para não implodir futuras relações, ao ficar sempre defensivos, fechados, frios, acabando por provocar as reações que tanto temíamos: rejeição e abandono. E quando compreendemos tudo isso e aceitamos, podemos talvez modificar nossos parâmetros e referências e então, não precisaremos mais rimar amor com dor – existem rimas mais ricas e belas às quais podemos recorrer e até aceitar que há poemas em que as rimas não precisam ser exatas ou perfeitas – alô Urano! E Vênus conjunta a Quíron também indica que devemos incluir e aceitar o lado mais melindroso, defeituoso, trôpego, incompleto, tanto em nós mesmos quanto no outro. Vênus em Peixes busca a perfeição, mas Quíron vem lembrar que isso não existe, que somos todos limitados e capengas de alguma forma. E Saturno diz a mesma coisa, de outro jeito: aqui é a dimensão do real, aqui, nada é perfeito. E lide com isso!

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Outra coisa interessante é que a Lua também se opõe a Éris neste mapa e Eris é o Ponto Médio entre Urano e o Sol e faz quadratura ao Ponto Médio entre a Lua e Urano – Urano está em conjunção a Eris já há bastante tempo, visto que o ciclo de Eris é muito longo e este asteroide demora décadas num mesmo signo. Éris é a Deusa da Discórdia e do Caos. Isso me lembra um dos mitos mais associados a Libra: o mito de Paris e Helena, que causaram a Guerra de Troia. Mas na verdade, a história começou bem antes. A história começa exatamente com Éris. Os deuses resolveram dar um banquete no Olimpo e todos os deuses e deusas foram convidados, menos Éris, por razões óbvias, porque ninguém queria trazer a discórdia para a festa. Mas ela ficou sabendo e, discordante como era, não se fez de rogada e foi mesmo assim – ela não se importava muito com civilidades e em ser aceita, queria mesmo era “causar”. Entrou de supetão – tem um quê de Urano – e atirou no meio da mesa uma maçã de ouro, com os dizeres: “Para a mais bela de todas as deusas”. E foi embora, algo que também me lembra a Malévola, de a Bela Adormecida. Claro que todas as deusas queriam ganhar a maçã, e a briga ficou entre Hera, Athena e Afrodite, mas nenhum deus era idiota para fazer essa escolha. Então Zeus foi buscar um pastor simples, que tranquilamente pastoreava suas ovelhas no Monte Ida. Quem era esse pastor? Paris, que havia sido desterrado pelo seu pai, o rei Príamo, de Troia, por causa de uma profecia feita antes de Paris nascer, que dizia que ele causaria a destruição do reino. Paris foi convocado por Zeus para fazer a escolha entre as deusas. Ele, como bom Libriano, deu como sugestão dividir a maçã em partes iguais, assim todas ficariam satisfeitas. Apesar do seu charme, a sugestão não foi aceita e ele teve que escolher. Resumindo, ele escolheu Afrodite, porque ela lhe ofereceu Helena, a mulher mais bela do mundo – o fato de Helena já ser casada, era um mero detalhe para Afrodite. Ao escolhê-la, Paris incorreu na ira das outras duas que disputavam o prêmio: Hera e Athena. Resumindo muito: Paris e Helena se apaixonaram e Paris roubou Helena de Menelau, e por causa disso, os gregos entraram em guerra com Troia, que de fato foi destruída, depois de uma guerra de dez anos. E como tudo isso começou? Começou com os deuses excluindo Eris, a discórdia – comportamento típico de Libra, que odeia desagradar e causar discórdias, estando mais interessado sempre em conciliar, sendo expert na arte do “deixa disso”. Então, o que isso vem nos dizer? Que precisamos incluir também, o caos e a discórdia, pelo menos cogitar na possibilidade de que nem sempre conseguiremos ter o controle de tudo ou que nem sempre conseguiremos manter tudo civilizado, plástico, refinado e harmonizado. Tem horas que é preciso discordar, tem horas que é preciso desequilibrar – aliás, Libra é o signo do equilíbrio e em certos momentos vai “bagunçar” tudo, quando sentir que está tudo certinho demais, exatamente para equilibrar – é, às vezes, para equilibrar, precisamos bagunçar! Tem horas em que precisamos bancar nossa dissonância, nossa divergência, nossa discordância. Precisamos incluir Eris, porque se a excluirmos, ela vai dar um jeito de entrar na festa de qualquer forma, então, melhor estar “de boa” com ela e reconhecer dentro de nós esses aspectos dissonantes e caóticos, que querem “causar” e que não se importam tanto em agradar. Se não incluímos Eris, ela vai ficar muito zangada e ninguém vai querer incorrer na sua ira! Já imaginou, estar de mal com a Deusa da Discórdia?

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O dispositor final deste mapa é Netuno, único planeta a estar “em casa” atualmente, visto que é o regente moderno de Peixes. Netuno agrega criatividade, imaginação, compaixão e também gentileza e altruísmo a essa lunação. Negativamente, reforça a sugestão do caos, porque confunde e dissolve os limites que norteiam nossa leitura da realidade. Então, temos um tom de Júpiter-Netuno também forte aqui e, que assinala um exagero, e expande a qualidade extravagante, embora adicione uma certa benevolência. Somando à influência de Urano, temos a indicação de uma lunação que carrega uma forte qualidade de radicalismos, extremismo, caos, situações e crises inesperadas, assim como liberação, desprendimento e iluminação. Precisamos estar conscientes e presentes em nós mesmos, para tirar proveito das qualidades positivas da lunação e não “sofrermos” seus efeitos mais caóticos.

Fabera – Reprodução

Em termos mundanos, essas configurações todas inspiram cuidados, pois sugerem radicalismos ideológicos, fanatismos religiosos e conflitos diplomáticos, visto que Vênus, planeta da diplomacia está retrógrada e em quadratura a Saturno e Mercúrio, planeta das comunicações e também negociador, está retrógrado em Touro, signo inflexível.

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Pelo menos o Símbolo Sabiano para o grau 22 de Libra (21°32’) traz uma imagem de gentileza e harmonia: “Uma criança dando de beber a pássaros numa fonte”. O tom principal, segundo Rudhyar, “é a preocupação das almas simples com o bem estar e a felicidade de seres menos evoluídos que têm sede de renovação da vida”. O símbolo fala da necessidade da gentileza, do cuidado e de nos preocuparmos com outros, especialmente aqueles que mais precisam. O símbolo vem fazer o contraponto à forte energia Uraniana e ao extremismo presente nessa lunação. Fala de calma, doçura, cuidado, pureza e de fazermos as coisas sem expectativa de retorno – algo que também costuma ser difícil para Libra – e que, se pudermos, não devemos nos furtar de ajudar àqueles que precisam, algo que está em consonância com a conjunção Vênus-Quíron, que já fala da grande empatia, sensibilidade e compaixão por outros que necessitam de atenção e cuidados. Assim, a despeito do caos e dos radicalismos, de precisarmos e devermos nos posicionar, isso não pode nos endurecer excessivamente a ponto de não podermos mais ser gentis e carinhosos com outros. Aqui novamente vem a necessidade do equilíbrio, que é tão caro para Libra.

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Portanto, a Lua Cheia de Libra convida a encarar a verdade e a realidade das nossas relações; convida a nos posicionarmos com honestidade e a assumirmos nossa dissidência e dissonância, quando for o caso; demanda que integremos nosso desejo de liberdade e independência e que nos responsabilizemos pelas relações nas quais nos envolvemos e os paradigmas relacionais que criamos, assim como pela transformação de tais paradigmas; que nos liberemos das relações doentias e sobretudo, dos nossos padrões viciados e que busquemos relações mais honestas, com pessoas reais e não com ideais de perfeição. E depois de tudo isso, ainda sermos capazes de ser gentis e amorosos, com os outros e conosco mesmos! Paradoxal? Com certeza! Mas a vida não é um grande paradoxo?

Feliz Lua Cheia para você!

Birth Chart Painting – Libra Full Moon – Reprodução