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Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário – Liberte-se do Passado e Olhe para o Futuro!

Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua Cheia que ocorre a 15°25’ de Aquário nesta segunda, dia sete de agosto, é também um Eclipse Parcial da Lua, eclipse que precede o Eclipse Total do Sol acontecendo no dia 21 de agosto. O eclipse se dá às 15h11min no horário de Brasília e às 18h11min no horário de Lisboa. A duração total do eclipse é de cinco horas (o penumbral dura cinco horas e o umbral, mais denso, dura 01h55min), e seus efeitos perduram por cinco meses. Este eclipse é o indivíduo 61 – de um total de 82 – da Série Saros 119, iniciada em 14 de outubro do ano de 935 e que termina em 25 de março de 2396. Esta série é antiga, dura um total de 1460 anos e está se encaminhando para o fim, tendo percorrido já três quartos da sua “vida”. Todos os eclipses desta série acontecem no Nodo Sul (1), apontando para precisão de nos conscientizarmos dos padrões emocionais do passado que ainda nos atrapalham na vida presente.

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Eclipses são lunações super-potentes, porque ocorrem sempre na Lua Nova ou Lua cheia e intensificam, e muito, as energias e temas da lunação. Sinalizam o fim de um ciclo e o início de outro, trazendo muitos assuntos a um estado crítico que demanda resolução imediata, especialmente no caso dos eclipses lunares, que ocorrem na Lua Cheia, e que trazem a sensação de um momento crítico nas relações e assuntos que andavam se arrastando anteriormente. Para entender melhor o que são eclipses, leia este artigo.

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Para “sentirmos” como será este eclipse de amanhã, analisemos primeiro o mapa natal da Série Saros 119, levantado para Brasília – a SS 119 nasceu, na verdade, no Polo Sul, mas levanta-se o mapa para a cidade em que se deseja perceber seu ‘impacto’. A série começa com o eclipse ocorrendo no eixo Áries-Libra, um eixo que fala de relacionamentos, com o Sol estando em queda em Libra e a Lua estando no briguento signo de Áries – aqui fala-se, de imediato, da necessidade de mediar as necessidades pessoais, a individualidade, com as necessidades e os quereres dos outros; busca de equilíbrio e necessidade de ser independente e ter autonomia, mesmo dentro das relações afetivas.

Série Saros Lunar 119 – 14 de outubro de 935, 15h25min (horário de Brasília).

O mapa traz muitas  configurações interessantes, algumas delas similares às que vemos “dançando” nos céus atuais: Saturno está em conjunção a Quíron no signo de Peixes (atualmente temos uma quadratura entre Saturno em Sagitário e Quíron em Peixes, que traz temas semelhantes); Júpiter está em Leão em quadratura a Urano em Touro e estes dois planetas ficam em oposição no eixo Áries-Libra até outubro – também é digno de nota que o eclipse desta segunda cai em oposição ao Júpiter e em trígono ao Mercúrio do mapa natal da série; Marte se afasta de conjunção a Plutão, mas está prestes a ficar retrógrado em Câncer, sua queda, além de estar Fora de Limites; e também há um Grande Trígono em Água, envolvendo Vênus em Escorpião – signo de seu detrimento – Saturno e Quíron em Peixes e Marte/Plutão em Câncer. Por tudo isso, podemos dizer que esta série tem como tema básico os relacionamentos, enfatizando o tema primordial de toda Lua Cheia.

Medusa – Reprodução

O feminino está bem zangado neste mapa, com ambos os seus significadores, Lua e Vênus, sendo regidos por Marte e o próprio Marte estando em Câncer – Lua e Marte estão em recepção mútua. Há uma sensação de raiva reprimida e de dor e sofrimento herdados dos ancestrais. O feminino foi violado, mutilado e está intoxicado de raiva e dor, como Medusa, precisando ser resgatado e liberado. Vênus, em Grande Trígono de Água com Saturno e Quíron em Peixes e ainda com Marte e Plutão, sugere a necessidade de se purgar, depurar essa fúria, esse ódio, além de purgar e curar toda a dor e sensação de limitações e fracassos nas relações; há muito pus a ser extraído e vai doer, mas é necessário fazer esse expurgo, do contrário a ferida só irá piorar e apodrecer; é necessário assumir nossas dores e queixas, reconhecê-las e deixa-las ir, abrir mão delas, em nome de um futuro mais leve; é necessário se transformar a forma de viver as relações, de sair das respostas e soluções fáceis do “preto ou branco”, para se perceber que no espectro das relações humanas cabem milhares e milhares, milhões, de nuances e tonalidades diferentes. Mercúrio está conjunto ao Nodo Norte, em Libra e sugere que tenhamos um mínimo de distanciamento racional de todo o drama aquático, se for para conseguirmos tirar proveito e aprendizados de todas as experiências dolorosas. Todos estes são temas que ficam salientados nas próximas duas semanas, particularmente para indivíduos com ângulos ou planetas entre os graus 10 e 20 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário).

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Nos Pontos Médios Plutão faz quadratura ao PM entre a Lua e Saturno e oposição ao PM entre Sol e Saturno – é preciso quebrar as amarras, as limitações e inibições e também abrir mão do controle rígido, seja emocional ou racional; Ebertin (2) diz da “necessidade de depender apenas de si mesmo, de crescer e amadurecer usando a força e fazendo-se sozinho… Sofrimento orgânico e sentimentos de depressão… Separação da mãe ou da esposa”. O Nodo Norte faz quincôncio ao PM entre Marte e Saturno e Marte e Quíron – para crescermos e amadurecermos, teremos que enfrentar nossos medos e pavores, fraquezas e fracassos, vitimismos e desejos de salvação. E ainda: Lilith está conjunta ao PM entre Vênus e Júpiter, os dois benéficos – eu diria que, para podermos aproveitar o melhor da vida, suas alegrias e benesses maiores, precisamos lidar com nossa sombra e infernos pessoais, nossas dubiedades e selvageria. Como diz Jung, “qualquer árvore que queira tocar os céus, precisa ter raízes tão profundas a ponto de alcançar os infernos”. Esse é o recado de Lilith na SS 119.

Em resumo, esta série fala de um Ponto de Mutação muito importante nas relações afetivas, uma transformação que vem do enfrentamento das obscuridades, de conseguir erguer-se do lodo, depois de muito tempo chapinhando nele. Aprendizados!

Dados técnicos e caminho do eclipse de 07 de agosto -fonte: site da Nasa

Agora olhemos para o mapa da lunação de amanhã: a Lua Cheia/Eclipse ocorrem no eixo Leão-Aquário, um eixo que trata da polaridade indivíduo versus grupo, de se sentir especial em contraponto a sentir-se comum e anônimo na multidão; de fazer de si mesmo uma Obra Prima Individual que sirva ao coletivo, sem permitir que esse coletivo nos diga o que devemos ser ou fazer. Aquário é o signo da experimentação, de ousar ser diferente, excêntrico, signo de inovação; é o signo da fraternidade e de se sentir inserido na grande comunidade humana, buscando fazer a diferença. Também é um signo de rebeldia, de surpresas e coisas inesperadas.

A Lua é eclipsada pela Terra, isso significa que recebe a sombra da Terra sobre si. Como a Lua representa as emoções instintivas, sentimentos, necessidades emocionais, compulsões e instintos mais básicos, ao ser eclipsada, temos conteúdos básicos e sombrios emergindo à consciência e ficando mais claros e nítidos à nossa percepção, portanto, o eclipse possibilita muitas “iluminações” sobre nossos impulsos, nossas pulsões e compulsões inconscientes e conseguimos nos enxergar a nós mesmos com mais maturidade, talvez a ponto de nos assombrarmos com aquilo que descobrimos, que estava bem à nossa frente, mas não víamos, por estamos por demais envolvidos e identificados com tais assuntos. Este estado de “assombramento”, entretanto, não deve nos paralisar, mas sim propiciar consciência e mais sabedoria emocional e relacional.

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Além de se opor ao Sol, a Lua também se opõe a Marte, que estão conjuntos em Leão e, em Aquário, a Lua nos pede desapego das identificações egoicas, de nos desprendermos das expectativas individuais para focarmos nas necessidades do grupo e no todo; pede-nos uma visão racional, objetiva e lúcida das situações em que estamos envolvidos, lucidez nas crises que porventura nos atingirem – o pior que podemos fazer é entrar em pânico e nos desesperar. Sugere que as brigas sejam travadas de maneira justa e ética e que a honra individual também esteja a serviço do grupo.

Lua Cheia e Eclipse Lunar Parcial em Aquário – Brasília, 07 de agosto de 2017, 15h11min.

Vênus também se destaca neste mapa, sendo parte de um amplo Retângulo Místico, fazendo uma oposição dilatada a Plutão, sextil a Mercúrio e trígono a Netuno, que também estão em oposição e isso sugere que ainda é preciso cautela com as ilusões que criamos nas nossas relações, que precisamos, mais uma vez, transformar nossos apegos, soltar as dores que carregamos por aí como se fossem bichinho de estimação e que nos impedem de ver as novas possibilidades; é necessário viver as relações de maneira libertária e inovadora, sem apegos, sem seguir os modelos falidos das relações emboloradas.

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A Lua está no Ponto Médio entre Netuno e Plutão e Plutão está no Ponto Médio entre a Lua e Saturno – uma das repetições de temas da Série Saros 119. Além disso, o Sol faz quincôncios a Netuno (separativo) e a Plutão (aplicativo), virando foco de um amplo Yod. O coração e a consciência (Sol em Leão) precisam lidar com o peso da Sombra, da necessidade de transformar (Plutão) os conteúdos inconscientes (Lua) de maneira compassiva, com sensibilidade, com imaginação (Netuno). A Lua, representando nossa realidade emocional, nos diz que precisamos ser o elo entre a imaginação, a magia, tudo o que é elusivo e incompreensível para nós, e aqueles nossos conteúdos mais densos, a força de transformação e transmutação alquímica, de modo que tal realidade emocional seja purificada e reciclada e se torne mais leve de ser vivenciada. Como PM entre Lua e Saturno, Plutão sugere, mais uma vez, que se observe e quebre a necessidade de controle, que se transforme a usura emocional em generosa partilha que toca profundamente a alma do outro e que nos permite viver mais plenamente.

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Saturno, co-regente da Lua Cheia, que no mapa natal da SS 119 está conjunto a Quíron, atualmente faz quadratura a este, além de também se afastar de uma ampla quadratura a Netuno, e traz presente o tema do medo do fracasso, das feridas antigas e ancestrais, difíceis de sanar, que doem e incomodam, mas que também nos ensinam muito sobre nós mesmos e a natureza do humano. Essa ferida tem a ver também com uma crise de fé na compaixão e conectividade humanas, uma crise de fé na nossa capacidade de nos redimirmos de todas essas mazelas. Mas essa crise de fé aponta para a imprescindibilidade de tentarmos e insistirmos, de darmos um voto de confiança à centelha divina em nós e de insistirmos em tornar o sonho visível, concretizável.

Ivan quaroni – Reprodução

O outro co-regente do eclipse, Urano, trafega Áries e tem como único aspecto um trígono que recebe de Saturno, possibilitando o diálogo entre o velho e o novo, diálogo, que é mediado por Quíron, que é “a ponte entre o passado (Saturno) e o futuro (Urano)” (Jude Cowell) (3). Mas Urano também tem estado numa dança louca e caótica com Júpiter e, apesar de o aspecto não estar em orbe neste mapa, logo Júpiter fará oposição a Urano novamente, sinalizando rupturas nos sistemas judiciários, nas instituições religiosas, acadêmicas e na própria instituição “sagrada” do “santo matrimônio”, já que Júpiter está em Libra, signo das relações instituídas e reconhecidas – sim, mudanças de paradigmas no que tange a esses sistemas e às relações. Urano sugere que nos liberemos do passado pesado, dos ranços, das expectativas, do desejo ou tendência de viver relações “certinhas” e controladas, por medo da entrega real e verdadeira; Urano convida a nos desatrelarmos das lembranças de sofrimento, que soltemos recordações e deixemos no passado (Saturno) as histórias passadas e amargosas, usando as dores e sentimentos pesados (Quíron) para pavimentar o chão do caminho que nos levará a esse futuro mais promissor (Urano + Lua Aquário).

Sheppardarts – On Deviantart – Reprodução

Aquário, sendo um signo de Ar, racional e objetivo, me lembra a outra ponta do mito de Medusa, mencionado acima em referência a Vênus em Escorpião: a deusa Atena, a Deusa da Estratégia e do Pensamento Racional. No mito, Medusa, que era uma mulher jovem e belíssima, foi estuprada pelo deus Poseidon dentro do templo de Atena, que ficou profundamente ultrajada com tal ocorrido; outras versões do mito dizem que não houve estupro e que Medusa manteve relações consensuais com Poseidon. Como Atena era a Filha do Pai, tendo nascido já adulta da cabeça de Zeus, ela se vinga apenas de Medusa – e ela também não iria incorrer na ira de Poseidon! – pela profanação de seu tempo. Como punição, ela transforma Medusa num monstro serpentino, cujos cabelos eram serpentes; os dentes eram protuberantes e a língua bifurcada; mas o pior era o olhar petrificante, que tornava em pedra qualquer vivente que tivesse a má sorte de olhar para ela. Liz Greene (4) diz que o olhar que petrifica é o ultraje do feminino violado, seja o ultraje de Medusa, seja o ultraje de Atena. Medusa representa a paixão incontida e descontrolada, que se entrega em qualquer lugar, sem observar as regras conscientes da razão; as paixões viscerais e instintivas; já Atena representa a racionalidade, a capacidade de conter tais pulsões, porque talvez sejam destrutivas e porque precisam ser vividas com um mínimo de regra; e Atena também representa a capacidade de sermos objetivos e lúcidos nas nossas relações, algo que está bastante enfatizado nesta Lua Cheia e Eclipse em Aquário. Medusa e o feminino zangado e violado precisam ser redimidos e ser integrados, junto com Atena, afinal, as duas, Medusa e Atena, são dois extremos da mesma polaridade: a razão (Atena) e a paixão irracional (Medusa), duas figuras que estão presentes em todos nós e que são arquétipos importantes do feminino, sombrio ou luminoso. Na Lua Cheia de Aquário precisamos nos alinhar com Atena para podermos viver nossas relações de modo mais lúcido e inteligente e menos doentio.

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Por fim, ainda precisamos olhar a última vez que um eclipse da SS 119 aconteceu, porque isso nos dá pistas dos temas que são ativados no nosso mapa – no eixo de casas em que você tem o grau 15° de Aquário/Leão (veja o artigo geral sobre eclipses, cujo link está no segundo parágrafo deste artigo, para saber os significados dos eclipses por casa). O último eclipse da SS 119 ocorreu em 28 de julho de 1999, a 04°57’ de Aquário – você lembra como estava sua vida nesta época?

E ainda olhamos a última vez em que houve um eclipse no grau 16 (15°00’ a 15°59’) de Aquário, porque ele tocou os mesmos planetas e ângulos e certamente os mesmos temas serão acionados, possivelmente em roupagens diferentes, mas ainda assim, serão os mesmos. Quando foi isso? Isso se deu em sete de agosto de 1998 (08/08/1998). Vale a pena olhar para esse período também, para nos prepararmos para novos aprendizados e liberações nesta área de vida. Tanto os assuntos de 1998 quanto os de 199 podem voltar para serem revistos de alguma forma, portanto, fique atento!

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Luas Cheias também sinalizam tempo de colheita e a qualidade da colheita depende daquilo que plantamos e de como cuidamos da plantação ao longo do tempo. Como Aquário é um signo associado a amizades e relações sociais, é possível que tenhamos algumas ‘crises’ ou mudanças e liberações importantes nesta esfera também. Como estão nossas amizades? São fortes, verdadeiras, são equilibradas? Ou são relações de uso e abuso? São relações que mantemos por comodidade, mesmo percebendo que as afinidades já não se mantêm? Se houver questões mal resolvidas e “penduradas” com amigos, tais questões podem vir à tona para serem endereçadas e clareadas de vez!

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Em resumo, a Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário desta segunda nos convida a nos liberar do passado, a deixar para trás as histórias de dor e fracassos; a celebrar essa liberação e nos abrir a amores novos, sejam os de carne e osso, sejam os amores mais abstratos – inclusive um amor renovado por nós mesmos! Convida a abrir mão dos dramas e a apostar na objetividade, celebrando o tiquinho de lucidez que ainda tenhamos neste mundo louco e também, é claro, a celebrar nossas amizades, que, além da família, são os laços que nos sustentam!

E ainda, períodos de eclipses costumam trazer tensões, incertezas, instabilidades. Convém fazer exercícios de aterramento, meditação, yoga, ou o que funcionar para você. É aconselhável evitar decisões drásticas ou agir por impulso, porque as emoções estão mais afloradas e há propensão a maior imprevisibilidade e caos nas situações em geral – nada para nos deixar em pânico! Lembre-se, todo ano temos pelo menos quatro eclipses e temos sobrevivido até aqui, portanto, centramento e serenidade fazem toda a diferença!

Feliz Lua Cheia para você! Aproveite e termine o que tem que terminar, finalize os ciclos, deixe o passado no passado e olhe para o futuro!

 

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Birth Chart Painting – Reprodução

 

 

 

 

 

 

(1) Site da Nasa: https://eclipse.gsfc.nasa.gov/LEsaros/LEsaros119.html

(2) Reinhol Ebertin – The combination of Stellar Influences

(3) Jude cowell -https://judecowellastrology.blogspot.com.br/

(4) Liz Greene – the Astrology of Fate

Lua Cheia em Capricórnio – Cresça e Apareça!

Estamos no ápice do ciclo de Câncer, e este ápice se dá na Lua Cheia de Capricórnio, ocorrendo neste domingo, dia nove de julho, à 00h06min no horário de Brasília e às 04h06min no horário de Lisboa.

Câncer-Capricórnio é o eixo parental, o eixo dos arquétipos da mãe e do pai, da família e da sociedade. Fala de dependência e autossuficiência, das nossas origens e passado e das nossas metas de futuro; da necessidade de criarmos vínculos que nos sustentam, sem deixar que eles impeçam nosso crescimento.

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E crescimento é a palavra-chave dessa Lua Cheia! A Lua está em Capricórnio, fazendo contraponto ao Sol Canceriano e sinalizando que, apesar de ser vital valorizar nossa família, origens e nossos vínculos afetivos, isso não pode ser desculpa para não realizarmos nossas ambições e projetos pessoais e não darmos nossa contribuição à sociedade na qual estamos inseridos – afinal de contas, Capricórnio é regido por Saturno! Cresça e apareça – é o mote dessa Lua! Cresça e se emancipe das dependências e apareça usando adequada e criativamente seu próprio poder! Aliás, crescer nem é uma escolha aqui, é mandatório! Ou fluímos ou vamos na marra mesmo. A vantagem é que quando crescemos, ninguém pode tirar isso de nós!

Lua Cheia em Capricórnio: Brasília, 9 de julho de 2017, 00h06min.

Além de Capricórnio ser o signo que nos obriga a crescer e amadurecer – nem que seja na marra, como já disse –  a Lua Cheia de hoje eleva isso à máxima potência, porque ocorre em conjunção a Plutão e oposição a Marte – além, é claro, da oposição ao Sol. Quer dizer, ou crescemos, ou somos estraçalhados no processo. É um momento em que a matéria de que somos feitos é posta à prova – o quanto conseguimos aguentar na luta insana da sobrevivência? Por que essa luta precisa ser insana? Porque estamos apegados demais às nossas expectativas pueris. apegados, o que é muito diferente de apaixonados ou de amar! Ter uma postura mais adulta e menos dependente – seja de pessoas, coisas ou posses – ajuda muito nesse processo.

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A Lua está conjunta a Plutão e oposta à conjunção Sol-Marte em Câncer e os quatro fazem quadraturas a Júpiter em Libra – no caso de Lua, Sol e Marte, são quadraturas separativas. Quer dizer nossos ideais civilizados de crescimento e evolução (Júpiter em Libra, que estes planetas encontraram antes), precisam enfrentar muitos desafios e nós precisamos confrontar nossa sombra e nossos medos, se for para atingirmos nossas metas mais caras! Também precisamos encarar nossas infantilidades, dependências, birras e desejos regressivos de permanecer protegidos e submersos no útero sustentador (Câncer), se for para sermos “alguém”, se for para sermos donos de nós mesmos e do nosso destino e futuro (Capricórnio). Somos da turma da reclamação? Da vitimação? Do mimimi? Então seremos esmagados pela realidade dura e crua!

Steve de la Mare – reprodução

Vivemos tempos de transformação aguda, que acontece no dia a dia, seja numa iluminação e transformação individuais, seja numa medida sócio-econômico-política que nos afeta, queiramos ou não, direta ou indiretamente. E já estamos cansados de saber: quanto mais dispostos estamos a mudar e transformar em nós, aquilo que é necessário, tanto mais fácil será navegar os tempos turbulentos que vivemos. A Lua Cheia vem descascar mais uma camadinha dessa cebola ardida de lacrimar os olhos!

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Esta é uma lunação muito potente, porque Sol e Marte estão sob a égide da Lua. Contudo, a Lua, por sua vez, está desprotegida, pois está em detrimento, num signo que não lhe é favorável e ainda em conjunção a Plutão. Aqui nós fazemos da fraqueza a força, como é típico de Capricórnio! Por mais frágeis que nos sintamos, colocamos nossa máscara mais fria e dura, arreganhamos os dentes e vamos à luta, com um sorriso glacial e sofisticado nos lábios! E provamos competência, talento, habilidade, disciplina, perseverança, maestria! À custa, muitas vezes, do nosso próprio coração – mas Capricórnio aprendeu a lição: ou endurece ou morre. Como se diz no ditado: a vida é dura para quem é mole! Nesse caso, Capricórnio escolhe desenvolver a casca dura, para proteger suas vulnerabilidades, que em Câncer, estão mais à vista. Portanto, ou encaramos nosso próprio poder e o assumimos e junto encaramos nosso desejo de controlar o ambiente e de transformar a vida; ou nos tornamos impotentes e ficamos à mercê do poder de outros, que não hesitarão em nos esmagar feitos pequenos insetos insignificantes. Mas não, não precisamos esmagar nem petrificar nosso coração no processo. Depois que aprendemos as lições – que já sabemos de cor, como diz na canção – compreendemos que autopreservação não significa isolar-se de tudo e negar-se tudo. É apenas aprender a medida exata das coisas.

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A Lua está em conjunção a Plutão nesta lunação e isso nos traz presente os mitos associados a Plutão: Perséfone, Medusa, Inanna e Erishkigal. Todos são mitos que, entre outros temas, falam de assumir nosso próprio poder, nosso próprio desejo de poder, mas Plutão nunca dá colher de chá. Erishkigal, ao receber a irmã Inanna no Mundo Inferior – que não tinha sido convidada e que se apresenta completamente nua e desprovida de qualquer adereço mundano que a identifica como Rainha dos Céus, Deusa do amor e da Fertilidade – sapeca-lhe na cara, direta e cortante: “você acha que irei lhe poupar, só por ser minha irmã? Enganou-se! Aqui no Mundo Inferior, só entra quem já morreu”. E assim, Erishkigal mata a irmã e a pendura num gancho de açougue para apodrecer. E Inanna é obrigada a confrontar seus piores medos: desvestir-se de tudo o que a identificava como rainha poderosa, o anonimato e esquecimento e, em última instância a morte e a total impotência, ficar à mercê da vontade de outrem. Mas ela tinha um plano B, pois não era tão ingênua. E quando a ajuda chega e ela finalmente é trazida de volta à vida e liberada, já não é a mesma. Foi completamente transformada no confronto consigo mesma – Erishkigal é parte dela mesma, sua Sombra – e agora se conhece mais profundamente e já não teme a escuridão, nem a própria fraqueza, menos ainda, o próprio poder!

Catrin Welz-Stein – reprodução

O poder de que falamos aqui pode ser mundano, mas ele é, essencialmente, o poder espiritual do conhecimento de si mesmo e aquele, não se sustentará sem este! Este poder é exercido e executado de forma prática por Marte, o guerreiro que está a serviço da consciência solar. Ocorre que, nesta lunação ambos, Sol e Marte, como já pontuado, respondem à Lua, pois estão em Câncer, assim, Marte está a serviço da Lua, dos instintos, da emotividade. Negativamente, ficamos à mercê de nossas reações infantis belicosas, dos caprichos e criancices de quem não teve sua vontade forjada no fogo das frustrações e limitações da vida – aqueles que foram excessivamente protegidos, já entram perdendo! Contudo, positivamente, temos a chance de imbuir nossa ação de imaginação, criatividade, espírito, alma, amor! É quando a ação é movida pela própria alma, pelos sentimentos mais puros, lapidados na navalha das frustrações, das negações e limitações que enfrentamos vida afora e que, a despeito de tudo o que nos fizeram sofrer, brindaram-nos com a maturidade precoce, com resiliência e a capacidade de dar o próximo passo, de andar a próxima milha, com amor e perseverança. Porque é necessário!

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Saturno, regente da Lua Cheia, está em retrógrado em Sagitário, fazendo trígono a Urano e quadratura a Quíron. Talvez nos sintamos incapazes de fazer as coisas que precisamos fazer para melhorar a vida, para dar alento aos que estão à nossa volta, mas ainda assim, precisamos insistir, acreditar que é possível transformar o enredo e o cenário, mesmo que vagarosamente. Saturno está retrógrado sugerindo que as mudanças e metas nas quais trabalhamos talvez demorem a ser concretizadas. Entretanto, precisamos continuar firmes. A espera também é parte do processo de aprendizado e talvez faça o sucesso ser mais saboroso.

No mapa levantado para Brasília, além de Lua-Plutão e Sol-Marte estarem no eixo das casas 3 e 9, implicando mudanças na comunicação, pensamento, sistemas de crenças e leis e justiça, Urano está “sentado” no Ascendente do mapa, sugerindo que muitas mudanças são bruscas, radicais e irreversíveis. Temos pela frente algumas semanas de ansiedade, inquietude e eventos inusitados – o que mais pode acontecer nesse Brasil?

Mia Araujo – reprodução

Algo que não podemos esquecer é que essa lunação precede a próxima a temporada de eclipses, que começa no dia 07 de agosto, com a Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário. Então, temos pela frente algumas semanas de transformações intensas, de forjarmos nossa vontade e determinação no fogo das dificuldades e frustrações, para estarmos aptos e enfrentar quaisquer demônios que porventura cruzem nosso caminho.  Assim, é preciso deixar os cueiros, fraldas, chupetas e mamadeiras para trás, para sermos adultos em nosso próprio direito, capazes de assumir nossas responsabilidades, no que elas têm de mais terrível e de mais belo. Junto, deixar as imagens e identificações que não correspondem àquilo que somos verdadeiramente.  Enxugar o rosto, recuperar a compostura, preservar a dignidade; proteger nossos limites, conquistados a duras penas. Indivíduos que porventura insistam em se manter na inconsciência e na imaturidade, sendo irresponsáveis e inconsequentes com sentimentos alheios ou com sua alma mais profunda, para privilegiar apenas seu próprio ego narcisista infantil, poderão se deparar com tempos muito difíceis, em que seu egoísmo imaturo, disfarçado de indecisão será desmascarado duramente.

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Outro ponto importante, é que Capricórnio é um signo relacionado com o poder social e governamental, com o status quo. A Lua Cheia se dá em conjunção a Plutão e indica que tudo aquilo que não é autêntico deverá ser destruído. Cada vez que a Lua passa por Capricórnio, todo mês, e faz conjunção a Plutão, somos lembrados disso de novo. A mesma coisa ocorre com os trânsitos dos outros planetas. De 2008 a fevereiro de 2024 (quando Plutão sai de Capricórnio definitivamente) vivenciamos isso todos os meses, de forma mais ou menos intensa, e o fazemos individual e coletivamente. Então, além de nos desafiar a crescer individualmente, a Lua Cheia nos desafia a crescer como cidadãos, a ser mais realistas, abandonar as esperanças tolas e vãs e fazer o checklist objetivo do que podemos mudar na nossa atitude social – afinal, não estamos numa bolha e não podemos fingir que não é conosco (veja o vídeo ao final do texto).

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Alguém já disse que nossa mãe nos pariu uma vez, quando nascemos e que, ao longo da vida, somos obrigados, muitas e muitas vezes, a parir a nós mesmos, no eterno processo de crescimento e aprendizagem que viemos empreender aqui. A Lua Cheia de Capricórnio de hoje sinaliza mais um parto. Que não seja a fórceps, porque se a trilha e o caminho são abertos por nós mesmos, a jornada será sempre mais prazerosa! que tenhamos a coragem de demolir o que precisa ser demolido e arregaçar as mangas para construir o novo edifício da nossa vida!

Em termos práticos, essa lunação deixa os ânimos bastante alterados e explosivos, portanto, é bom pegar leve, consigo e com os outros. Pessoas com planetas ou ângulos entre os graus 12 e 22 dos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) sentem de forma mais intensa essa lunação.

Feliz Lua Cheia para você!

O vídeo a que me refiro acima (desculpem, estava na correria ontem e acabei não postando o link do vídeo!) é este de um discurso de  J. K. Rowling na abertura de uma formatura em Harvard, em 2008. Vale muito a pena ver, porque traz reflexões profundas pertinentes a essa Lua Cheia e à nossa vida em geral!

 

 

A Semana Astrológica – Do que você tem medo?

Semana estendida de 30 de junho a 09 de julho

Não consegui publicar a semana corrente na data certa, então, aproveito e já publico o período estendido até a semana que vem – estou em viagem, no interior do Maranhão, com acesso limitado à internet – por isso também o post sai com imagens limitadas.

Este período está bastante catártico, com crises atuais ressuscitando dores e mágoas antigas e que podem tanto nos endurecer e amargar um pouco mais, ou nos libertar dos ranços e bolores emocionais para uma vida mais doce e serena. Nossos medos também ficam aflorados e nos fazem questionar o que é realmente essencial para nós.  Estou falando dos trânsitos correntes do Sol, Marte e Mercúrio por Câncer, todos em confronto com Plutão em Capricórnio crises que atingem seu apogeu na Lua Cheia de Capricórnio que ocorre no dia 09 de julho, domingo da semana que vem.

Marte, já neste fim de semana, enfrenta o poder de Plutão e como Plutão é a oitava mais elevada de Marte, é sempre formidável um embate entre os dois, representando momentos de grave tensão, propensão à violência, tanto nas relações pessoais, quanto nas interações impessoais e sociais. Há conflitos de poder, tentativas de controle e as consequentes insurreições, que tendem a derrocar em agressividade explícita e física, caso não se consiga contornar as beligerâncias. Se não estamos cientes de nossa própria agressividade não expressa e preferimos nos identificar com a ovelha mansa e dócil, podemos cair direto nas garras de lobos famintos, que ficarão felizes em nos dar uma lição de sobrevivência e de até onde está disposto a ir quando isto está em jogo. Marte-Plutão sempre nos questionam como temos usado nosso poder, se o usamos sabiamente, sem desculpas, ou se o delegamos a outros, por medo de suas implicações, por medo de nos rendermos a ele; também nos incita a olhar se não abusamos desse mesmo poder, intimidando, agredindo, violando a outros ou a seus recursos, por não entendermos que devamos respeitar os limites alheios. Tudo isso, dependendo do quanto temos trabalhado nossa sombra e essas questões dentro de nós. Marte também faz quincôncio a Saturno, sugerindo inseguranças recalcitrantes que voltam a nos afligir e que vão demandar autocompaixão e tolerância conosco mesmos.

Antes de Marte, Mercúrio fez o mesmo percurso, digladiando nos mesmo desafios, fazendo primeiro quadratura a Júpiter e depois oposição a Plutão, de modo que de quinta a domingo desta semana, as coisas ficam deveras tensas e carregadas. Estouros podem ocorrer e os canos que jaziam entupidos de muitos detritos antigos, sangram agora, alagando os arredores com nossa raiva antes represada, que agora jorra aos borbotões, espantando a muitos, inclusive a nós mesmos. Tais inundações da raiva não ocorreriam, se mantivéssemos nossos canos limpos de tais resíduos. Como fazer isso? É um exercício permanente, diário, de se vigiar, de gerenciar a própria raiva, irritação e frustrações, de saber colocar e respeitar os próprios limites, de saber dizer não quando se quer e se precisa dizer não, de saber ser honesto consigo e com o outro, ao invés de engolir os impropérios e mariná-los para depois. Não, não é o caso de explodir todos os dias e proferir os impropérios, mas pelos menos de reconhecer quando se sente invadido, quando não se está satisfeito e pontuar isso, de forma firme e adequada – assim, não será necessário explodir ou implodir mais à frente, quando o copo encher ou quando os canos entupirem. A nosso favor temos o fato de Marte já ter voltado aos limites do Sol, estando menos selvagem e descontrolado. Mercúrio, por outro lado ainda está nessa condição até dia 01/07, requerendo cautela, porque as línguas ficam mais do que ferinas, potencialmente letais.

Na semana que vem o Sol fará os mesmos movimentos. Faz quadratura a Júpiter (05/07) e depois oposição a Plutão (09/07) e é a vez de a consciência ser inundada pelos conteúdos sombrios do inconsciente, nossas dependências infantis, desejos de onipotência e controle através de artimanhas sutis, mas muito efetivas. Precisamos mesmo recorrer a tais artimanhas? É mais um momento de confronto com nosso senso de (im)potência. No mundo exterior isso se manifesta como conflitos intensos de  busca de domínio sobre terceiros, já que talvez não conseguimos dominar nossas próprias inseguranças internas. O desejo de controle geralmente nasce da insegurança profunda, do medo de ser controlado e de ficar à mercê do que quer que seja: pessoas, situações, eventos, então, predomina a máxima: antes ele do que eu, e para não me sentir dominado e controlado, eu controlo e domino. Estes são dias ótimos para perscrutarmos nossa alma e verificarmos quando controlamos e quando nos sentimos controlados e como agimos ou reagimos diante disso. O Sol também fará trígono a Netuno, o que provavelmente nos ajuda a lidar com todos esses dilemas com mais serenidade e auto compreensão – se não temos compaixão por nós mesmos, quem terá?

Depois de ter feito a Conjunção Superior ao Sol e de lidar com todos esses desafios, Mercúrio deixa as águas de Câncer e ingressa em Leão e começa a se afastar do Sol, preparando-se para seu próximo ciclo de retrogradação, que começa em 12 de agosto, em Virgem. Em Leão Mercúrio se comunica de forma magnânima, mas também dramática! Há um grande interesse nas artes em geral e o auto interesse também é acentuado. Caso não esteja aflito, há o entusiasmo e a alegria de um coração jovem, coisa que é reconhecida pelas crianças, com quem costuma de relacionar bem. Mercúrio fica em Leão de 5 a 25 de julho, quando então ingressa em Virgem.

Quem também muda de cenário é Vênus, que sai dos campos bucólicos de Touro e torna-se mais urbana e sofisticada em Gêmeos. Nesta semana que termina Vênus fez quincôncio a Saturno, movimento que pode ter significado alguns estremecimentos nas relações em geral, motivados por inseguranças ou incompatibilidades de valores e interesses. Talvez o posterior sextil a Quíron nos ajude a ter mais compreensão das dificuldades alheias, assim como das nossas próprias, o que pode nos ajudar a encontrar algum caminho de conciliação. Vênus entra em Gêmeos no dia quatro de julho, onde fica até o dia 31, quando ingressa em Câncer.

Quíron estaciona na sexta, dia 30, para entrar em retrogradação no sábado. Esse movimento de Quíron nos convida a reavaliarmos como temos lidado com o tema das feridas incuráveis na nossa vida, da bisca ou oferta de ajuda e a cura proveniente de tal atitude. Quíron fica retrógrado de 1° de julho até 06 de dezembro e como Saturno volta ao movimento direto em agosto, os dois ainda se batem uma vez mais na quadratura atualmente em curso. Este é um aspecto bastante difícil e quem sente de forma mais contundente e pesada são os signos mutáveis, particularmente Gêmeos e Sagitário, mas também Virgem e Peixes. Nos próximos meses estaremos refletindo sobre nossas fragilidades sem conserto, nossa tendência ao vitimismo ou à amargura, nossa abnegação e a busca do bálsamo da cura, através da ajuda ao outro.

E, finalmente, nos próximos dias também vemos ocorrer o terceiro e último quincôncio de Júpiter a Netuno, precisamente na virada de terça (dia 04) para quarta. Expectativas exageradas, seguidas de experiências de desencanto são sugeridas por este aspecto, particularmente no que tange a figuras eclesiásticas e religiosas em geral, como também em relação a juízes e e a leis. Engodos podem se dar, sob o disfarce da benevolência aos oprimidos e desvalidos; há dificuldade em ater-se aos limites, sejam os pessoais ou sociais; há propensão aos exageros no otimismo, nos planos de crescimento, na busca por melhoria. Se conseguimos controlar tais rasgos doudivanas, podemos tirar proveito de um aumento da criatividade, mas é preciso ter muito pé no chão para não nos deixarmos levar por planos mirabolantes que talvez deem em nada! Cautela, mais uma vez, como promessas feitas ou ouvidas – elas podem nos levar à nau dos insensatos, que está fada a naufragar. Esse último quincôncio entre Júpiter e Netuno ocorre com a Lua vazia, em Escorpião, sugerindo que é ainda mais difícil ter clareza de nossas expectativas fantasiosas, e que não devemos mesmo nos apegar a elas, pois nada está determinado ou preciso e os resultados tendem a nos surpreender, a sair muito diferentes da nossa esperança – provavelmente de forma negativa.

A Lua fecha esta semana em Escorpião, na fase Crescente. Fica Corcunda ainda em Escorpião na terça-feira, dia quatro. Engorda e arredonda-se mais um pouco em Sagitário e, plenamente prenhe, dá à luz em Capricórnio, no apogeu do ciclo, no domingo, dia nove de julho. Nesta jornada cheia de altos e baixos, a Lua conversa, sussurra, briga e interage de formas diversas com todos os demais planetas, sinalizando as mudanças de humores aqui na Terra.

SEXTA-FEIRA, 30 de junho – Vazia em Virgem, a Lua faz oposição a Quíron. Ingressa em Libra às 03h02min, de onde entra na fase Crescente, às 20h52min. Quíron estaciona às 03h10min. Dia de focar no equilíbrio, na harmonia e na civilidade, sem deixar de ser assertivos quando se fizer necessário. A Lua fica Crescente em Libra, em quadratura ao Sol em Câncer e sinaliza que para avançarmos na direção da maturidade, é preciso deixar muita coisa para trás. Para se formar uma nova família, ser parte de um casal (Libra), é preciso deixar para trás a família de origem e o passado (Câncer) para poder olhar para o futuro e fundar o novo núcleo. Libra também convida a viver as relações de forma equilibrada, como é o caso das relações laterais. Já não nos relacionamos nas bases da hierarquia e da dependência das relações parentais, mas de igual para igual, em que as pessoas envolvidas da relação têm obrigações e direitos iguais dentro do arranjo, precisam dar e receber igualmente, para que a parceria se sustente e tenha futuro.

SÁBADO, 1° de julho – Quíron entra em movimento retrógrado na madrugada. A Lua Libriana, já na fase Crescente, faz conjunção a Júpiter, quincôncio a Netuno em Peixes, quadratura a Plutão em Capricórnio e a Marte e Mercúrio em Câncer, formando uma poderosa T-Square, da qual ela mesma é o foco, junto com Júpiter. A Lua faz ainda sextil a Saturno. A princípio o dia começa com otimismo e nos sentimos magnânimos, expansivos e generosos, querendo a companhia de outras pessoas para socializar e interagir. Mas conforme as horas passam, a propensão à indecisão aumenta grandemente, porque sentimentos, pensamentos, atitudes e necessidades estão todos em contradição e assim nos sentimos extremamente irritadiços e intolerantes, com o estopim curto, devido à frustração conosco mesmos, por não conseguirmos nos alinhar internamente. As explosões trazem o alívio catártico, mas por outro lado, deixam-nos sentindo vexados e constrangidos por não conseguirmos conter nosso mau humor e insatisfação. Antes de mais nada precisamos reconhecer essas contradições interiores e admitir que precisamos fazer algumas escolhas chatas, abrindo mão de algo que gostaríamos, em favor de algo mais importante, do qual precisamos – precisar sempre é mais forte que querer! Delegar a escolha e a decisão para outros é o pior que podemos fazer hoje, porque o resultado final pode ser desastroso, tanto porque não nos agradará, quando porque poderá piorar os atritos já existentes. Sejamos honestos e banquemos nossas decisões, porque somente nós podemos ser responsáveis se elas se revelarem acertadas ou equivocadas. Entregar nosso poder ao outro, pode não só diminuir nosso respeito próprio, como nos colocar em situações arriscadas de vulnerabilidade diante de pessoas que talvez não devêssemos confiar tanto assim. Para ter a paz e o equilíbrio que tanto buscamos, precisamos abrir mão da imagem de imparcialidade que gostamos de cultivar. É preciso tomar partido, é preciso escolher, é preciso assumir os próprios desejos e necessidades, é preciso assumir o próprio poder. A não ser que queiramos ser apenas uma sombra de nós mesmos!

DOMINGO, 2 de julho – Marte está em oposição exata a Plutão e Mercúrio está em quincôncio pleno a Saturno! Por seu turno, a Lua faz quincôncio à sua senhoria, Vênus em Touro, e também a Quíron, virando foco de um Yod-Dedo de Deus, já que Vênus está em sextil a Quíron. A Lua Libriana ainda se opõe a Urano em Áries, ficando vazia depois desta briga, às 09h18min. Ingressa em Escorpião às 13h em ponto, onde se retrai para se recuperar de todos esses embates. O domingo está cáustico, violento, propenso a chuvas, trovoadas, tempestades e furacões, acionados por energias que foram represadas e reprimidas e que agora borbulham, fazendo ferver o sangue, levando as pessoas a agirem no calor do momento e na impulsividade. Marte é o instinto de sobrevivência individual, é o impulso da agressividade que, em si mesmo, é neutro e pode e deve ser usado de forma positiva, ajudando-nos a ser assertivos e a brigar por nossos objetivos. Mas Marte em Câncer não direciona bem essa agressividade – já tentaram mover uma faca na água? E a agressividade tende a ser expressa de forma indireta, isso quando não fica fervendo por dentro, engarrafada. Plutão é o instinto de sobrevivência da espécie, o poder e o controle, o princípio da destruição de tudo que vai contra a essência da psique, a demolição de tudo o que é falso, errado, fajuto, disfarçado, para que o conteúdo possa ser transformado. Assim, um confronto entre Marte e Plutão, neste eixo Câncer-Capricórnio, obrigando o individuo a lidar com suas queixas pueris, com aquilo do que vem fugindo, esgueirando-se pelas esquinas de si mesmo. Mas chega uma hora que não esquinas suficientes para nos escondermos de nós mesmos, nossa raiva, nossa birra, expectativas frustradas, fugas da própria sede de poder. É encarar a sombra que se projeta da outra rua e preparar-nos para o confronto necessário. Se insistimos em fugir, vamos encontrar o bicho-papão em formas menos prosaicas e mais violentas e sujas. O palco principal dessas tempestades são as relações afetivas e a família, principalmente, mas podem ocorrer também em outros cenários. Portanto, fiquemos de sobreaviso e vigiemos nossa própria reatividade, nossa raiva encalacrada – e todos nós temos algum resquício dela dentro de nós – porque ela pode explodir hoje, atiçada por alguma coisa boba, alguma ameaça – talvez até infundada – ao nosso ego e à sobrevivência! Até onde somos capazes de ir quando estamos acuados, verdadeiramente? E o que tem o poder de nos acuar? O que nos faz borrar as calças? Será que nos conhecemos tão bem? O problema é que muitas vezes, confundimos as coisas e nos sentimos tão inseguros que nos sentimos acuados por coisas menores e então explodimos na hora errada, com as pessoas erradas. Para evitar que tais energias se expressem através de nós de forma destrutiva, o ideal é nos confrontarmos de uma vez, encontrarmos formas de extravasar nossa raiva, nossa frustração, de maneira construtiva e positiva, assim, não precisaremos despejá-la sobre aqueles que nada têm a ver com nossas dificuldades.

SEGUNDA-FEIRA, 3 de julho – De Escorpião a Lua faz trígono ao Sol e a Netuno, formando um Grande Trígono em Água por todo o dia, que à noite vira uma Pipa, com Plutão de foco. Vênus está em sextil a Quíron, aspecto exato, enquanto Marte começa a se afastar da oposição a Plutão. Lua e Marte estão em recepção mútua. O dia traz um manancial imenso de sensibilidade e emotividade, que nos puxa para as profundezas de nós mesmos e de nossos sentimentos mais viscerais e misteriosos. Tal profundidade propicia a elaboração e depuração das explosões e conflitos recentes, favorecendo também que nos conheçamos um pouco mais. No mundo exterior, também nos sentimos mais conectados com os outros e mesmo inclinados a ser um pouquinho – só um pouquinho – mais tolerantes em relação àquilo que parece desajustado e fora de ordem – Netuno propicia essa compreensão, essa inclusão do todo, mesmo daquilo que parece trôpego e estranho e então, julgamos menos. Em termos práticos, o dia pede mais introspecção, um voltar-se para si mesmo. As investigações densas, sejam internas ou externas, também ficam favorecidas pela energia penetrante de Escorpião e as situações têm mais chances de serem transformadas positivamente.

TERÇA-FEIRA, 4 de julho – Mercúrio está em quadratura exata a Urano. De Escorpião a Lua se harmoniza, de formas diferentes, com seus dois dispositores, Marte e Plutão – aliás, Lua e Marte estão em recepção mútua. A Lua faz ainda quincôncio a Urano e trígono a seu regido Mercúrio e a Quíron em Peixes, formando outro Grande Trígono em Água. Fica vazia depois da conversa com Mercúrio, às 21h36min. A Lua ainda faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Corcunda. Vênus ingressa em Gêmeos às 20h12min e Júpiter vira a noite em quincôncio exato a Netuno. A despeito de termos hoje pensamentos e sentimentos alinhados e de conseguirmos ser suficientemente assertivos e motivados a lutar por nossos interesses, há dentro de nós um alvoroço, um desejo intenso de mudanças e novidade, que nos empurra na direção de coisas e situações extravagantes, que nos permitam sair do lugar comum, do previsível. A intensidade emocional fica maior e mais pujante e nos vemos agindo impulsivamente, na busca por emoção e estímulo. É essencial perceber que os estímulos não estão necessariamente lá fora. Antes, precisamos analisar as alterações que devem ser feitas nos nossos pensamentos, visões, planos, formas de pensar e, consequentemente, no nosso cotidiano, onde tudo isso tem efeito e é vivenciado. Felizmente, temos suficiente sustentação emocional e estamina interior para perceber todas essas nuances e adotar as atitudes cabíveis, se realmente quisermos. Do contrário, se insistirmos em modificar apenas o ambiente imediato, achando que o problema reside aí, podemos nos deparar com situações conturbadas que perturbam nossa rotina de forma irritante e contraproducente. De todo modo, é sempre bom permanecer flexíveis e abertos aos imprevistos, porque hoje eles são o recheio do dia – e têm muito a nos ensinar!

QUARTA-FEIRA, 5 de julho – Júpiter está em quincôncio pleno a Netuno nas primeiras horas da madrugada de terça para quarta – o aspecto partil dura cinco horas e meia. O Sol estimula e potencializa este atrito, pois está em aspecto a esses dois planetas, fazendo quadratura a Júpiter e trígono a Netuno. A Lua entra o dia vazia em Escorpião e ingressa em Sagitário à 01h08min, de onde logo se opõe à Vênus Geminiana. Mercúrio hoje faz trígono a Quíron e ingressa em Leão às 20h20min. Achar o equilíbrio necessário entre nossos anseios e a realidade é um dos desafios do período; outro desafio é perceber quando podemos e devemos ajudar e quando devemos respeitar os limites nossos e do outro – nem sempre podemos fazer tudo, por mais que queiramos! O dia pede cautela com as expectativas não racionais acerca do futuro e de figuras que admiramos e em quem projetamos nossas esperanças. Talvez estejamos excessivamente otimistas e idealistas, de modo que não enxergamos direito até onde podemos ir, podendo nos exceder nos nossos cuidados ou cobranças e expectativas em relação a outros. Para isso, precisaremos exercer uma grande dose de autodisciplina e autocontrole, para não perdermos as estribeiras e o prumo do que que quer que estejamos realizando. Há o risco de nos sentirmos super-poderosos e tentar dar o passo maior que a perna, para perceber o erro apenas quando é tarde demais. Portanto, usemos o otimismo para nos animar e motivar, mas mantenhamos em cheque a disciplina e o bom senso!

QUINTA-FEIRA, 6 de julho – O Sol está em trígono a Netuno e quadratura a Júpiter, ambos os aspectos exatos hoje! Por sua vez, a Lua Sagitariana faz quadratura a Netuno, sextil a Júpiter e quincôncio ao Sol e potencializa este corrente aspecto entre Sol-Júpiter-Netuno, ao conversar com todos eles. A Lua faz também conjunção a Lilith, quincôncio a seu regido, Marte e conjunção a Saturno. Embora isso não seja uma configuração astrológica formal, temos hoje uma imagem bem interessante formada nos céus, mostrando um trapézio que tem o sextil por base e o trígono no topo – ou vice-versa; as quadraturas são as laterais e os quincôncios se cruzam ao meio, destes dois aspectos criando tensão e o trígono e o sextil conciliando. O que tudo isso quer dizer? É dia de nos conscientizarmos de nossos idealismos ingênuos, de nossas crendices tolas e otimismos vazios, que não vão nos levar a nada, a não ser a decepções. Falta-nos terra para exercer nossa compaixão adequadamente, realisticamente, assim como nos falta terra e bom senso para olhar para o futuro com fé, mas também com pragmatismo. O dia fica como uma faca de dois gumes: podemos nos perder num oba-oba de esperanças vãs e auspícios infundados; ou podemos agarrar a oportunidade de nos observar mais de perto e perceber por que precisamos tanto “acreditar” em certas “verdades” fantasiosas, por que nos deixamos seduzir pelas palavras doces que escondem intenções amargas. Assim, essa oportunidade pode ser também de nos abrirmos para novas visões, para o entusiasmo bem fundamentado e sem os vícios do imediatismo e das soluções fáceis, apelativas e mágicas que são tão comuns ao nosso tempo. Saturno hoje vem sem a âncora que nos faz assentar devidamente o coração, a intuição, a alma, e nos faz ponderar com vagar, sabedoria e quem sabe até, com graça, sobre nossas reais possibilidades, julgando-as com a justa medida, nem pessimista nem otimista, apenas vendo-as pelo que realmente são: possibilidades, que podem ser concretizadas, dependendo do nosso esforço, empenho e comprometimento e não apenas de truques fantásticos para iludir aqueles que não querem pagar o preço da conquista real e verdadeira. Todos esses aspectos também estimulam a criatividade e os dons artísticos, favorecendo a todas as atividades nessa área. Também ficam potencializados nosso altruísmo e empatia, mas aqui há que se ter cautela para se ter certeza de que o outro realmente quer – e precisa – da nossa ajuda, do contrário, podemos ser invasivos e desrespeitosos ou simplesmente ser vítimas da má fé alheia.

SEXTA-FEIRA, 7 de julho – Vênus está em sesqui-quadratura a Plutão. De Sagitário, a Lua se harmoniza com Urano e fica vazia logo depois, às 10h14min. Faz ainda quadratura a Quíron e ingressa em Capricórnio às 13h45min, de onde faz quincôncio a Vênus em Gêmeos e a Mercúrio em Leão, que estão em sextil pleno hoje – assim, a Lua vira foco de um Yod. A manhã tem um tom agridoce, de busca de liberdade e uma aguda consciência das nossas restrições e impedimentos. Mas isso não deve nos baquear, mas sim ser motivo de reflexão que nos serena e acalma, por nos entendermos humanos, de alma infinita num invólucro limitado – se não entendemos e aceitamos isso, o tom pode ser de amargor e ressentimento, contra a própria vida ou, para os muito inconscientes, contra os incautos que porventura cruzarem seu caminho hoje. A tarde traz dilemas diferentes, mas que ressoam e aprofundam os conflitos da manhã: há apelos lá fora, que nos instigam a brincar, nos soltar, divertir, como se não houvesse amanhã, como se não houvesse problemas ou mesmo a pilha de trabalho à nossa frente. Mas o velho ranzinza dentro de nós se recusa a atender aos convites da leveza – ou talvez seja o “velhos ranzinza” fora de nós, na pessoa do chefe ou quem quer que seja – e prefere pregar contra eles, ressentidamente, julgando imorais àqueles que não seguem a cartilha da dureza e da contenção. Tudo bem se queremos nos negar certos prazeres para provar algo a nós mesmos – problema nosso! – mas, querer interferir nas escolhas de outros ou ser seu exemplo, é outra história, bem diferente! Assim, a tarde e anoite pedem contenção, autossuficiência, trabalho, disciplina, mas não precisamos levar tudo a ferro e fogo, ou podemos nos tornar doentes! Também deixemos que cada um faça o que for adequado para si, afinal não precisamos carregar o peso – mais esse! – de ser os juízes do mundo!

SÁBADO, 8 de julho – A Lua Capricorniana, Corcunda, faz sextil a Netuno e quadratura a Júpiter e prepara-se para ser Cheia, nos primeiros minutos da madrugada de domingo. Temos a sensação de expectativa, de algo grande, prestes a acontecer – ou explodir! – e isso nos deixa um tanto inquietos e, para nos precaver, recorremos ao bom e velho controle, mecanismo de defesa por excelência! E assim, nos armamos de argumentos para nos defender das pequenas alegrias ao nosso redor e quando vemos, deixamos de aproveitar boas oportunidades de convivência e de festejar com outros, pelo medo de relaxarmos em demasia e pela preocupação com “obrigações e deveres”, com a ordem com o que é “adequado”. Talvez tenhamos mesmo que escolher com qual “culpa” ficamos: a culpa de “gazear” obrigações e perambular por aí; ou a culpa de não nos permitir gozar os prazeres que nos cabem e que se nos apresentam – por amor a algo que julgamos mais importante: trabalho, carreira, deveres, etc. De qualquer forma, podemos nos render às alegrias simples e buscar o equilíbrio entre a estrita disciplina e as pequenas indulgências que tornam um dia mais prazeroso e agradável. O fim da tarde e à noite trazem desconfortos e contradições entre as emoções – que vão escalando e se intensificando proporcionalmente à tentativa que fazemos de controlá-las – e os desejos e intenções do ego. Essas discordâncias ficam mais evidentes nas relações entre o masculino e o feminino, que são as forças em desacordo e se acumulam, atingindo o ápice na madrugada, possivelmente com algumas crises e conflitos que demandam resolução imediata! Mas por mais imediatas que sejam as soluções, seus efeitos são duradouros e as decisões não devem ser tomadas de forma impulsiva ou precipitada, por mais instigados que nos sintamos. A tentação de detonar o estopim e implodir tudo é grande, mas é preciso pensar, sentir e agir com calma, com alma, com brandura, com amor, qualquer que seja a decisão difícil que se tenha que tomar!

DOMINGO, 9 de julho – De Capricórnio, Lua atinge o apogeu do ciclo à 00h07min da madrugada de domingo (04h007min no horário de Lisboa), ao opor-se ao Sol Canceriano. A Lua Cheia se dá numa configuração bastante tensa, conjunta a Plutão – que recebe também a oposição do Sol – e em oposição a Marte e quadratura a Júpiter. À noite a Lua ainda faz quadratura a Urano em Áries e fica vazia às 22h14min. Também faz sextil a Quíron em Peixes. Marte está em quincôncio exato a Saturno. O ciclo de Câncer vem nos lembrar que somos seres dependentes uns dos outros, já que nascemos completamente vulneráveis e indefesos, totalmente dependentes de uma mãe – e de um pai e família – para o sucesso da grande empreitada que e nossa vida. Assim, o arquétipo da mãe está fortemente presente neste signo, assim como a presença da família e a ideia de um passado e uma ancestralidade. Câncer também é a nutrição, física e emocional e os laços que construímos ao longo da nossa jornada vida afora. Contudo, muitas vezes delongamos a dependência dos pais – e dos pais postiços, vistos na figura de parceiros, chefes, amigos, e até filhos – por mais tempo do que o necessário e do que deveríamos, desenvolvendo dependências e comportamentos que atrapalham nosso pleno desenvolvimento como adultos autônomos no mundo exterior e também na nossa subjetividade. Para nos darmos conta de tais anomalias, vivenciamos a Lua Cheia em Capricórnio, que nos lembra que, a despeito das interdependências necessárias à nutrição emocional de todos nós, não devemos delegar a outros aquilo que é atribuição nossa no processo de nossa sobrevivência e ocupação de nosso lugar no mundo, o mundo de Saturno, que não afaga nem alisa, mas que nos obriga a ser adultos e responsáveis.

Se Câncer é o signo da Mãe, que protege, cuida e mantém infantil, Capricórnio é a esfera do Pai, que nos obriga a amadurecer, a encarar o mundo com suas obrigações e responsabilidades, individuais e sociais e a fazer de nós alguém mais, além do “filhinho da mamãe”. Essa Lua Cheia torna esse confronto mais do que agudo, porque traz presente a necessidade de nos libertarmos dos emaranhamentos familiares e até ancestrais, que nos conduzem nesses enredos de relacionamentos destrutivos, cheios de cobranças, culpas, lealdades negativas e manipulações. É tempo de crescer, de assumir nosso próprio poder, e não relegá-lo a outros, pode receio de perdermos seu amor e proteção. Já passamos da fase de equiparar o amor da mamãe com sobrevivência e agora, se nos indispusermos com alguém, se perdermos o afeto do outro, mesmo que soframos, não corremos mais o risco do aniquilamento e é esse medo que precisamos enfrentar se queremos nos livrar das dependências mórbidas que nos paralisam e nos impedem de sermos nós mesmos e assumirmos nossos próprios desejos sem medo de ferir os brios de quem quer que seja. Esta é uma lunação bastante desafiadora, que nos obriga a lidar com nossas carências e inseguranças de cara limpa, sem disfarces, sem desculpas. Tanto mais que é a lunação que precede a próxima temporada de eclipses e que nos pede crescimento e enfrentamento da realidade.

Uma ótima semana para você, onde você estiver! 

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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

Lua Cheia em Escorpião – A maldição – ou a bênção – do Eterno Retorno

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O ciclo de Touro chega ao seu ápice na Lua Cheia de amanhã, dia 10 de maio, que ocorre às 18h42min – 22h42min para Lisboa – , a 20°24’ de Escorpião. Esta é uma Lua Cheia de términos, visto que Escorpião fala de encerramentos de ciclos, para começarmos outros, o que nos dá um vislumbre da eternidade se descortinando diante de nós. É o tempo de trocar de pele, de eliminar energias antigas, limpar o coração de todas as toxinas, abrir-se à compaixão. Enquanto Touro constrói estabilidade, Escorpião a destrói, para que não caia na estagnação. Escorpião destrói tudo aquilo que ameaça impedi-lo de se desenvolver, de avançar para a próxima fase, mesmo que isso não seja necessariamente, um avanço positivo, mesmo que não seja um movimento de crescimento. Entre ficar estagnado ou piorar um pouco, é provável que opte pela segunda opção, se isso implicar movimento, liberação de alguma forma. Mas Escorpião, apesar de não se apegar a coisas e não se deixar possuir por elas, relaciona-se com a posse emocional e aqui há grande dificuldade de abrir mão, de soltar e liberar, mas uma vez que isso ocorra, é definitivo, para sempre. Pode demorar muito tempo até se atingir esse ponto, mas uma vez cruzado esse limiar, não há retorno!

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Como sabemos, a Lua Cheia é um momento crítico, em que a energia atinge seu apogeu e todas as coisas que estavam se avolumando e se arrastando, atingem um ápice e são finalmente liberadas, boas ou ruins. Tensões que foram se acumulando atingem um ponto crítico e explodem e as coisas se resolvem, por bem ou por mal. Como Escorpião é o signo das emoções e sentimentos intenso e profundos, quando a Lua Cheia ocorre neste signo, esse ponto crítico fica intensificado.

Kali, a deusa que cria e destrói a vida – reprodução

A Lua Cheia de Escorpião anuncia um período de destruir tudo aquilo que nos prende e nos impede de dar o próximo passo: apegos a coisas, pessoas, regras; expectativas, medos, inseguranças; situações e coisas que representam segurança e estabilidade, mas das quais reclamamos e nos ressentimos, porque sabemos que tal segurança é fajuta, que usamos isso como desculpa para não fazer o que precisamos fazer, para não agir de acordo com nossa consciência – em resumo, aquilo com que o ego se identifica, mas que não é sua verdadeira essência. Há momentos e situações em que ir contra a maré e destruir algo torna-se muito positivo e pode ser o ato mais criativo e libertador que podemos cometer. Então destruição nem sempre é algo negativo – depende do quê, como e quando. O que é que você precisa destruir hoje?

Lua Cheia em Escorpião, Brasília, 10 de maio de 2017, 18h42min

No mapa desta lunação, a Lua está em sextil muito próximo a Plutão em Capricórnio e, claro, o Sol faz trígono a ele. Plutão é o deus da transformação, da morte, do renascimento, do Mundo Inferior e é o regente moderno de Escorpião. Ao receber aspectos harmoniosos dos dois luminares, sinaliza que estamos abertos, neste ciclo, a enfrentar algumas verdades, a lidar com elas, a nos desapegar e proceder com as mudanças necessárias. Conseguimos olhar para a nossa sombra sem nos chocar tanto com ela e conseguimos perceber o que precisa ser destruído, demolido, pulverizado. E mesmo que doa, destruímos, porque percebemos que de tal destruição, algo novo surgirá, possivelmente, quiçá, mais verdadeiro. A Lua também faz trígonos amplos a Netuno e a Quíron em Peixes – sete graus de orbe – e este trígono, na verdade, cai exatamente no Ponto Médio entre Netuno e Quíron. Além de potencializar a grande sensibilidade dos sentimentos Escorpiônicos, faz aflorar uma grande compaixão por nós mesmos e por aqueles todos com quem estamos envolvidos e, ao invés de raiva, ódio e vingança, queremos apenas nos livrar e liberar dos conteúdos densos, permitindo que sejam purgados e curados. O trígono ao Ponto Médio entre Netuno e Quíron possibilita a mediação, a integração das nossas aspirações e sonhos mais elevados e até os mais fantasiosos, com a percepção do que podemos e não podemos. Uma conciliação torna-se possível, talvez sem amargor e sem ranger de dentes – uma aceitação, quem sabe até resignação, mas ainda assim, algo que vem com sabedoria e serenidade e não precisa ficar apodrecendo dentro de nós e nos intoxicando de amargura. Vemos, reconhecemos e soltamos. E assim, liberamo-nos.

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O regente tradicional da Lua, Marte, está em Gêmeos, em quadratura de menos de um grau a Netuno e em trígono a Júpiter, também bastante próximo. Por um lado, isso nos fala do risco de sonharmos alto demais, de sermos ingênuos e embarcarmos na nau das ilusões criadas por nós mesmos e depois nos desapontarmos tristemente – a mente e os nossos desejos podem nos enganar e iludir. Por outro, assinala uma imaginação poderosa, uma qualidade mágica e ainda a enorme capacidade para a abnegação, além do entusiasmo quase inocente das crianças. Felizmente, tal atitude pueril é compensada pela sagacidade da Lua em Escorpião e pela conjunção Mercúrio-Urano, de modo que talvez se consiga sintonizar mais fortemente com os aspectos mais positivos dessa quadratura Marte-Netuno. Se formos mais longe e considerarmos essa conjunção Mercúrio-Urano em Áries – já que Mercúrio rege Marte – veremos que essa lunação também traz uma energia de rebeldia, de subversão, de ser capaz de desagradar para ser fiel e leal a si mesmo e aos ditames da própria consciência. Mercúrio estando conjunto a Urano no dia da Lua cheia, é outro intensificador da energia, trazendo iluminações, mas também transtornos, imprevistos, desordem, caos. Então há um aumento da instabilidade, uma intensificação da “crise” representada pela Lua Cheia e isso pode se manifestar de várias maneiras, tanto em nível pessoal, quanto em termos coletivos. Na verdade, a Lua Cheia potencializa a conjunção Mercúrio-Urano e vice-versa.

Ouroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, representando a eternidade e os ciclos de morte e renascimento – Ficheiros do Google –
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Mas a Lua Cheia de Escorpião também traz presente a ideia do eterno retorno, um conceito filosófico que nasce com o estoicismo e que propõe que a vida é uma constante repetição de si mesma e que o mundo se extingue para voltar a criar-se, um conceito que é bem ilustrado pela figura da Uroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, se extingue e voltar a renascer. É um símbolo da eternidade. Nietzsche discute o mesmo conceito em sua obra e nos provoca se rangeríamos os dentes e amaldiçoaríamos o demônio que sussurrasse tal ideia da recorrência no nosso ouvido, ou se ficaríamos felizes e o bendiríamos, diante da ideia da eterna repetição? O eterno retorno nos fala dos ciclos repetitivos da vida, algo que Escorpião entende bem. Mas será que a repetição é sempre igual? Será que seguimos em movimento circular, repetitivo, quase instintivo? Não seria esse movimento espiral, alterando algo sutilmente, a cada novo girar da moenda? E estamos sujeitos a tal repetição, feito cordeiros sem vontade, ou na verdade, contribuímos e ansiamos por ela? Será a repetição uma maldição ou uma bênção? Não pretendo esgotar esse assunto aqui, até porque não o domino, a ideia é apenas provocar, porque são temas pertinentes a Escorpião e a essa Lua Cheia e porque sempre vale nos perguntar por que somos tão repetitivos, mesmo quando buscamos ser originais. A Lua Cheia, pois, convida a quebrar – ou pelo menos tentar – a repetição, a destruir a roda que nos prende a essa moenda, a esse moinho, que sempre nos joga na cara aquilo que achamos que já havíamos superado.

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O Símbolo Sabiano para o grau 21 de Escorpião diz o seguinte: “obedecendo à sua consciência, um soldado resiste às ordens que recebe”. Aqui há um conflito claro entre obedecer e atender às expectativas sociais, às regras e leis e seguir a própria consciência, arcando com as consequências por tal desobediência. Quando o meio social e suas regras tornam-se poderosos por demais, diz Rudhyar, “o indivíduo não precisa se sentir atado espiritualmente, nem mesmo aprisionado. Ele ainda pode demonstrar sua liberdade interior e provar-se um ‘indivíduo’” e não apenas um seguidor cego de ordens absurdas e alheias ao seu coração. Essa é uma verdade de Escorpião, que geralmente está disposto a pagar o preço por suas escolhas impopulares, por não seguir a manada, nem fazer questão de ser aceito e aprovado. Aqui há o conflito entre os códigos morais exteriores e os nossos valores pessoais – às vezes é preciso transgredir, quebrar as regras, mesmo que arquemos com consequências duras. Linda Hill, outra estudiosa dos Símbolos Sabianos, nos lembra que “há uma escolha difícil entre nossa lealdade a um relacionamento, a um trabalho, um país, etc. e nossas crenças internas, nossa verdade interior e nossas ambições pessoais. Liberdade verdadeira só pode ser encontrada dentro, quando se confronta essas situações com um senso de integridade e um completo entendimento das consequências possíveis”. Nem tudo o que é legal, é necessariamente correto e temos visto bastante disso recentemente. E por mais que muitas vezes nossas escolhas nos coloquem em colisão com forças maiores do que nós, sejam essas forças mundanas ou de outra esfera, ainda precisamos ser capazes de ser leais a nós mesmos, o que quer que isso signifique. E longe de nos sentir desajustados, talvez isso reflita um desvio salutar da norma, porque, como diz Krishnamurti “não é um sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente”. Então, a Lua Cheia sugere destruir o que nos prende e nos ata, quebrar as regras distorcidas, as normas que não promovem a vida, mas apenas fazem cumprir ordens sem sentido e que vão contra aquilo que acreditamos, aquilo que nossa consciência diz. E há um preço a pagar. Sempre há. Mas, como diz um outro pensador, Kipling, “nunca é alto demais o preço a pagar pelo privilégio de se pertencer a si mesmo”, e de escolher a própria integridade interior, mesmo que isso também seja parte do eterno retorno e da ilusão da novidade. E é por isso que Escorpião briga e paga o preço!

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Para além de tudo isso, essa Lua Cheia também nos faz sentir profundamente conectados com a rede da vida, em toda a sua poderosa manifestação e percebemos que, mesmo em situações de conflito e de morte aparente, a vida segue seu ciclo, ela é mudança constante, ela pulsa, viceja, modifica-se, muda de corpo, de invólucro, mas continua a pulsar, em nós, no outro, no mundo à nossa volta. Talvez sejamos apenas efêmeros demais para perceber as mudanças reais, porque, o que é uma vida humana diante da eternidade? Essa percepção pode nos revigorar e nos dar uma nova perspectiva sobre as coisas, os erros, as “perdas”, aquilo de que precisamos abrir mão, nos desfazer, para viajarmos mais leves, menos enferrujados, menos pesarosos e defensivos, menos apegados ao controle dos resultados. E aquilo que deixamos para trás, as cascas e peles antigas, vão virar adubo, irão se transformar, no eterno ciclo do vir a ser.

Numa nota mais pontual, o Ascendente do mapa levantado para Brasília é Sagitário, que é regido por Júpiter, que está retrógrado em Libra, na casa 11, em quadratura a Plutão e quincúncio quase exato a Netuno. Júpiter segue como carro chefe da locomotiva, como tem estado há vários meses. Isso tudo repete um pouco o tema do entusiasmo pueril, visto que Júpiter está retrógrado e em tensão a Netuno. Parte de nós simplesmente não quer ver, não quer enxergar a verdade, os dissabores, as tristezas e desalentos e prefere continuar a se enganar. Olhando para a situação do Brasil, Júpiter faz quadratura a Plutão retrógrado e talvez alguns movimentos na esfera social e das instituições públicas levem a mais perdas, concretas, materiais e também no senso de autoestima do povo. Netuno está na 4 – somos feitos de bobo dentro de casa, pelos nossos, como tem ocorrido há séculos! Mais do mesmo! Se se considera o mapa do Brasil que tem Aquário Ascendente, a Lua Cheia ativa o MC; se se considera o mapa que tem Peixes como Ascendente, o Ascendente desta lunação para Brasília, também vai ativar o MC do mapa natal. De um jeito ou de outro, essa lunação mexe bastante com figuras de autoridade e com a imagem do Brasil, com o rumo do país.

OBS: A Lua fica Cheia numa condição chamada “Wobble”. Nunca estudei isso a fundo, mas como já me perguntaram, isso é um termo astronômico, que representa uma oscilação, uma instabilidade, quando parece que a Lua “dança” da esquerda para a direita, parecendo “bambolear”. Esses períodos de Lua Wobble, de acordo com alguns estudiosos,estão relacionados com catástrofes, começos e fins de guerras, conflitos e situações fora de controle. Mas antes de se desesperar, saiba que a Lua entra nessa condição cerca de três ou quatro vezes por ano, então, não é nada tão raro assim!

Travis Bedel – Reprodução

Uma ótima Lua cheia para você! quebre as regras distorcidas, destrua aquilo que não gera mais vida, que perdeu o viço e apodreceu e já não alimenta, nem entusiasma! Ou se renova, ou será destruído!

Ouroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, representando a eternidade e os ciclos de morte e renascimento – Ficheiros do Google –
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A Semana Astrológica – Na sincronia da alma

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Semana de 8 a 14 de maio – Semana de culminação do ciclo, representando expansão e crescimento. Mas há influências que podem trazer desencorajamento e demandam vigilância!

Eu aproveito para dar as boas vindas à nova imagem do blogue. Faz tempo que queria mudar algumas coisas, e não encontrava tempo. Ainda não está como eu gostaria, visto que mudei apenas o formato e a apresentação. Mas devagar, chegamos lá!

Nesta semana temos a culminação do ciclo Taurino, na Lua Cheia de Escorpião, ocorrendo na quarta-feira. O período da Lua Cheia sugere um apogeu, um tempo em que as coisas alcançam um clímax e coisas que estavam se avolumando e acumulando energeticamente, finalmente são liberadas, alcançando uma resolução – é ir ou ficar, comprometer-se ou abrir mão. Assim, podemos ter essa nítida sensação nos próximos dias, de algo está mais definido, mais claro e resoluto – mesmo que não gostemos muito de tais definições.

Carol Beckwith e Angela Fisher – Reprodução

O Sol em Touro faz trígono a Plutão neste período, aspecto que estará ativo na Lua Cheia. Com o Sol em aspecto positivo a Plutão, estamos dispostos a enfrentar nossas sombras e a fazer o que for necessário para nos transformar, uma transformação que pode ser programada, ao invés de ser imposta goela abaixo. Olhamos honestamente para nossas falhas e decidimos o que e como fazer para lidar com a situação. Entretanto, o trígono a Plutão implica, necessariamente, a retrogradação deste e isso nos alerta que além de estarmos mais dispostos a perceber a necessidade da mudança – coisa que normalmente preferiria ignorar – também estamos atentos ao que já foi mudado, ao que funcionou ou não, revemos, reavaliamos e, a partir disso, nos reposicionamos.

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Mercúrio faz nova conjunção a Urano, finalizando este ciclo de renovação de ideias – ele fez a primeira conjunção, retrogradou, fez outra conjunção e agora faz a terceira e última desta fase –  em busca de novas iluminações. Teremos dias de novidades e surpresas nas comunicações, mídia, redes sociais e também nas interações pessoais em geral. Mercúrio fecha a semana no último grau de Áries, preparando-se para pular a cerca e entrar no curral de Touro.

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Marte faz quadratura a Netuno, na quinta-feira, indicando que o entusiasmo fica um tanto comprometido; podemos cair nas armadilhas da preguiça, da insegurança e da dúvida acerca daquilo que queremos, questionando nossa capacidade de obter ou mesmo a validade do nosso desejo. Entretanto, talvez tal encorajamento, mais do que arrefecer, fique sujeito a oscilações extremas, porque Marte também faz aspecto a Júpiter no dia seguinte. Outra coisa que pode sugerir essa instabilidade na liberação da energia é que partir do dia 14 Marte sai dos limites do Sol por declinação Norte. Quando fora dos limites estabelecidos do Sol, um planeta tem sua ação intensificada e, positivamente, podemos ter mais clareza do que queremos quanto à atuação daquele planeta. No caso de Marte, Steven Forrest, astrólogo americano, diz que que ele “adquire maior liberdade que o normal para realizar suas empreitadas marcianas”. No caso de pessoas que têm Marte natal Fora de Limites, isso leva essas pessoas a quebrarem limites e realizarem grandes feitos, embora possam também se manifestar como muito problemáticas, pelos mesmos motivos. Olhando as influências negativas, isso pode nos levar aos desejos cegos, pois podemos ficar incapazes de questionar aquilo que desejamos, se é ou não adequado para nós, se vale ou não lutar por tais desejos. Steven Forrest argumenta ainda que quando Marte está Fora de Limites, é possível que tomemos atitudes das quais nos arrependamos mais tarde, quando ele voltar aos limites do Sol. Isso porque, classicamente, quando Fora de Limites, um planeta é considerado selvagem e sem controle, visto que está fora da jurisdição do Sol, a autoridade máxima do nosso sistema. Marte fica Fora dos Limites do Sol de 14 de maio a 29 de junho. Neste período terá uma distinta qualidade “selvagem” e sua ação fica intensificada.

Um movimento muito importante acontecendo esta semana é a ingressão do eixo nodal na polaridade de Leão e Aquário. Para muitos astrólogos, essa migração já ocorreu, porque eles trabalham com Mean Node, ou seja, uma variação média do movimento dos nodos. O Nodo Norte Médio já ingressou em Leão na semana passada, mas o True Node (Nodo Verdadeiro), que representa o movimento real dos nodos, migra para Leão na terça-feira, dia nove e fica neste signo até seis de novembro de 2018. Isso representa uma mudança importante, principalmente porque a partir daqui os eclipses vão migrando gradativamente para essa polaridade de Leão-Aquário, depois de ter ficado aproximadamente dois anos ocorrendo em Virgem-Peixes. Agora saem um pouco de cena os temas do serviço e da redenção (Virgem-Peixes) e entram em foco a criatividade, expressão individual, atuação em grupos e o ativismo político e social, tanto em nível da consciência individual quanto coletiva. Leão, é regido pelo Sol e isso pode nos ajudar a nos sintonizar melhor com os propósitos solares, de elevação de consciência e de realização individual.

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Outra coisa relevante, é que o trânsito do eixo nodal ativa um par de casas no mapa natal de cada pessoa, trazendo à tona assuntos do passado naquela área de vida, pedindo que essas cosas sejam revisitadas. A última vez que o Nodo Norte esteve em Leão foi entre outubro de 1998 a abril de 2000. Se você sabe onde tem os signos de Leão e Aquário, preste atenção porque as coisas serão reviradas nessa área novamente – não necessariamente num sentido negativo. Quem tem o Nodo Norte em Leão, estará vivendo nos próximos 18 meses um Retorno Nodal, que ocorre a cada 18 anos e meio, aproximadamente. É uma ótima oportunidade, uma chance nova de se realinhar com o próprio destino, de relembrar o seu Dharma, a missão que veio realizar nesta vida. Quem tem o Nodo Norte em Aquário – o contrário – tem a chance de relembrar erros do passado, para liberar-se, para se tornar mais sábio e deixar para trás antigos padrões, integrando aquilo que já foi aprendido, com aquilo que se veio aprender.

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A Lua abre a semana na fase Corcunda, em Libra. Completa a fase Cheia em Escorpião, aventura-se em Sagitário e fecha a semana já em Capricórnio, na fase disseminadora, no domingo.

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SEGUNDA-FEIRA, 8 de maio – A Lua abre o dia em Libra, conjunta a Júpiter. Depois ela faz quadratura a Plutão, oposição a Urano e a Mercúrio e sextil a Saturno, ficando vazia depois deste aspecto, às20h01min. Ainda faz sesqui-quadratura a Netuno. A noite pode ter sido tempestuosa, mas segunda-feira está super movimentada, com muitas coisas acontecendo, colorindo o dia de dinamismo e energia! Mas talvez haja demandas demais, de forma que nos sentimos demasiadamente exigidos e divididos entre nossas necessidades pessoais e as muitas exigências que o dia nos traz. Se não dá para fazer tudo e atender a todos, é preciso negociar, escolher e bancar o desconforto que dizer não ao outro vai suscitar. Em nossa busca por harmonia e equilíbrio, precisamos lembrar que antes de mais nada temos que harmonizar a nós mesmos, antes de encontrar harmonia no mundo exterior – aliás, se nos equilibramos internamente, o caos externo dificilmente nos afetará. Principalmente, é preciso vigiar atitudes e comportamentos impulsivos e compulsivos, dos quais poderemos nos arrepender mais à frente e antes de espiralar e ceder a tais impulsos – que podem ser bastante destrutivos – fazemos se olhamos para o fundo da nossa alma para perscrutar onde nascem tais compulsões, quais ansiedades ou fomes inconscientes estamos tentando aplacar, também inconscientemente. Se fazemos isso honestamente, não temos que ficar à mercê da resposta do outro, nem ficar incomodados se não obtemos tal resposta. Também há propensão para confrontos, especialmente aqueles motivados por questões de poder, em que um lado tenta se impor ou controlar o outro. Em termos mais positivos, o dia está excelente para lidar com situações que demandem energia resolutiva, para enfrentar conflitos e resolvê-los, para nos engajarmos em situações e problemas que demandem alta estamina físcia e emocional.

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TERÇA-FEIRA, 9 de maio – O eixo nodal (True Nodes) ingressa na polaridade Leão-Aquário. O Sol Taurino está em trígono pleno a Plutão em Capricórnio e Mercúrio vira a noite em conjunção exata a Urano. A Lua entra o dia vazia em Libra e ingressa em Escorpião às 02h01min, de onde faz quincúncio a Vênus em Áries, fechando o dia em trígono não exato a Netuno. Sentimentos intensos e viscerais colorem o dia e nos fazem estar em contato mais direto com as intenções mais profundas do espírito e da consciência, integrando mais um pouco da sombra, de maneira harmoniosa e afinada. Temos um feeling particularmente acurado, que nos permite perceber as correntes invisíveis e as influências subjacentes a todas as interações, captando intenções, sejam elas honestas ou sombrias e a partir disso, traçamos nosso próprio movimento. Percebemos com mais clareza alterações que precisam ser feitas, seja em nós mesmos, internamente, ou no nosso entorno e tão logo identificamos a necessidade de tais modificações, colocamo-nos em ação, sem hesitação, porque de repente, aquilo que aguentamos por muito tempo, torna-se intolerável, e logo queremos reformar, transformar, melhorar. É um dia deveras potente para busca impulso de mudança e transformação e se formos espertos e inteligentes o bastante, tiraremos proveito de tal energia, colocando a mão na massa jubilosamente. É interessante notar que Mercúrio está cheio de novas e audazes ideias, vindas de Urano, o reformador por excelência; já o Sol Taurino, ultra pragmático e do tipo “mão-na-massa”, também faz um bom contato com Plutão, aquele das transformações profundas. Como se não bastasse, a Lua Escorpiônica traz o engajamento físico com as mudanças, porque então elas se tornam uma necessidade da alma. É dia de fazer boas e reais mudanças!

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QUARTA-FEIRA, 10 de maio – Mercúrio está em conjunção plena a Urano. A Lua Escorpiônica faz trígono a Netuno e quincúncio a Marte, que estão em quadratura entre si. A Lua ainda se afina com Plutão, antes de se opor ao Sol, entrando na fase Cheia, a 20°24’ de Escorpião. A Lua fica vazia depois da oposição ao Sol, às 18h44min. É dia de inspiração, de nos sincronizarmos com forças poderosas, de nos reconectar com os anseios mais profundos de nossa alma e com os ditames da nossa consciência mais elevada. De fato, há no ar uma profunda sensação de sincronicidade e embora tenhamos que rever algumas dessas inspirações lá na frente, por serem demasiado sutis e imaginativas, ainda assim, podemos nos beneficiar bastante se estivermos suficientemente abertos às vibrações sussurradas no ar e que reverberam direto no nosso coração. É possível também que muito dessa inspiração nos coloque em colisão direta com aquilo que se espera de nós e isso, por mais emocionante que tais inspirações sejam, pode causar conflitos e trazer alguma sensação de alienação – mas cabe aqui aquela observação de Krishnamurti: “pode ser um sinal de saúde quando não nos encaixamos completamente num mundo que está doente” – na verdade, ele diz isso ao contrário: não é um sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente. A Lua alcança seu apogeu exatamente neste clima: de imaginação sem limites, de uma sensibilidade profunda e mágica, que pode nos fazer sentir em contato com toda a criação, em sua força poderosa de vida e de unidade. É uma Lua cheia de renovação e regeneração; de nos livrarmos da antiga pele e darmos as boas vindas à mais nova versão de nós mesmos. Mais sobre a Lua cheia na quarta-feira.

Christy Schwathe – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 11 de maio – Marte está em quadratura partil a Netuno em Peixes. Mesmo vazia a Lua faz quincúncios a Urano e a Mercúrio e depois sesqui-quadratura a Vênus. A Lua ainda faz trígono a Quíron e ingressa em Sagitário às 14h00min e fecha o dia em trígono a Vênus. O dia hoje está particularmente parado, arrastado e contaminado com uma sensação de irrealidade, que nos faz duvidar até da nossa própria carne e das sensações físicas. Pela manhã, é necessário um grande esforço para levantar e ir para o mundo e de fato, o tempo não está propício para as atividades objetivas, antes são horas reflexivas, adequadas para ruminarmos sobre o rumo da vida, sobre nossas inseguranças, complexos de autossabotagem e tentar olhar para nós mesmos com mais carinho e compaixão. Por que precisamos, volta e meia, ficar patinando sobre nossas próprias inseguranças? Por que damos ouvidos a outros, que muitas vezes nem nos conhecem tão bem assim? Por que a opinião de outros tem que ser mais importante do que a nossa própria? Talvez já esteja na hora de confiar na nossa própria voz interior, na sabedoria maior, que carregamos em nós. Também precisamos lidar com a tendência, às vezes, de nos envolvermos com mais coisas do que damos conta, ou de nos deixarmos vencer pelo tamanho da tarefa, antes mesmo de começa-la – é preciso ter humildade para reconhecer os próprios limites, sem se deixar abater por eles. Ver, perceber, reconhecer e respeitar nossos medos e inseguranças não quer dizer que deixaremos que nos paralisem e lembrar sempre, não conhece a coragem, quem nunca experimentou o medo. O medo é natural e necessário, mas não pode nos impedir de realizar nossos intentos legítimos e maiores. Com Marte em Gêmeos em aspecto a Netuno, muitos desses medos são irreais e talvez tais catástrofes nunca aconteçam realmente. À tarde o clima muda sutilmente e se não conseguimos vencer completamente o marasmo, pelo menos nos animamos um pouco e conseguirmos ver as coisas e a vida sob outras perspectivas, menos pessimistas e derrotistas. E quem sabe até nos armamos de uma nova empolgação e encontramos outras vozes menos sombrias e mais incentivadoras, dentro e fora de nós. A tarde, fica de fato, mais propícia para darmos continuidade aos propósitos conscientes e a continuar a colher os frutos do nosso intenso labor.

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SEXTA-FEIRA, 12 de maio – Marte está em trígono exato a Júpiter, enquanto começa a se afastar da quadratura a Netuno. A Lua completa o trígono a Vênus, faz conjunção a Lilith, quadratura a Netuno e oposição a Marte, tornando Netuno foco de uma T-Square mutável. Fecha a noite em sextil a seu dispositor, Júpiter. O dia está levemente mais animado do que ontem, mas ainda precisamos lidar com humores oscilantes, desencorajamento intercalado com arroubos de entusiasmo e fé, que no fim podem ainda comprometer a ação e execução daquilo com que estamos comprometidos. Ainda duvidamos muito de nós mesmos. A dúvida, dizia um amigo meu, muito tempo atrás é o estado de viver duas vidas: DÚ-VIDA, uma vida em duplicidade, em ambiguidade, que é exatamente um dos temas básicos de Gêmeos e por que não, de Sagitário também. Assim, hoje precisamos nos lidar com nossas ambivalências e incertezas e perceber quando dividimos a potência da vida em duas, criando as DÚ-VIDAS. A dúvida é algo natural e saudável, na medida em que nos faz humildes e humanos, e é necessário ser honesto consigo mesmo para confrontá-las. Contudo, a despeito de tudo isso, às vezes a dúvida tira o viço, a ponto de entrarmos em colapso mental, pela incapacidade de chegar a uma conciliação interna – o ego não suporta e colapsa de alguma forma – daí as estafas mentais, os estresses agudos – algumas das causas dessas condições é o estado de impasse, de não se conseguir tomar uma decisão e banca-la diante de nós mesmos. Assim, podemos olhar para a dúvida como uma entidade que vem nos ajudar a fazer um questionamento válido e coerente, mas não podemos deixar que se instale para sempre, impedindo-nos de correr os riscos necessários para progredir na nossa jornada heroica. A incerteza também tem suas qualidades, porque nos coloca em contato com nossa humanidade, com a vulnerabilidade, com o fato de que não temos mesmo obrigação de saber tudo o tempo todo, nem de ter soluções e respostas prontas para tudo. Isso me lembra de outro amigo, a quem nunca conheci pessoalmente, mas que muito me ajudou nos meus dilemas adolescentes: “às vezes, quem duvida e faz perguntas, é muito mais honesto do que eu” que estou cheio de certezas, mas que tenho pavor de ver tais certezas rechaçadas e postas à prova. Esse é o clima básico do dia: o confronto conosco mesmos e nossas próprias dúvidas, infantis, reais, válidas ou não. E ao invés de fugir delas e fingir que sabemos tudo, ganhamos mais se lhes damos as boas vindas, assim elas deixam de ser o bicho-papão e já não precisam nos paralisar indefinidamente.

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SÁBADO, 13 de maio – De Sagitário, a Lua se afina lindamente com Urano, enquanto faz conjunção a Saturno e quadratura a Quíron. A Lua fica vazia às 23h16min, depois do trígono a Mercúrio que também está em trígono exato a Saturno hoje. Gradativamente vamos retomando nossas forças e nossa coragem e submetendo nossas inspirações mais luminosas à luz da realidade, para pormos algumas em prática e, quem sabe descartamos outras. O dia está, de fato, mais animado e cheio de uma energia auspiciosa, que nos faz buscar novos ares e abrir a cabeça e o coração para novas possibilidades de mudar nosso cotidiano e rotina. A mente prática e funcional está hoje conectada a dois princípios aparentemente opostos, mas que são imprescindíveis de serem conciliados, se for para construirmos algo, efetivamente, que uma o passado e o futuro, que não signifique implodir tudo o que veio antes, em nome do que virá depois. Assim, este é um ótimo período para repassar nossos planos, nossas ideias recentes, nossos projetos de estudo, a forma como nos comunicamos e perceber onde podemos fazer alterações de maneira harmoniosa, tranquilamente. Inspirações que elevam nosso espírito e de quebra, ainda nos ajudam com questões práticas e terrenas. Aproveitemos essa energia para clarificar nossas ideias e de fato, realizar algo a partir delas!

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DOMINGO, 14 de maio – A Lua ingressa em Capricórnio às 02h38min, de onde quadra Vênus em Áries e faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Disseminadora. A Lua também faz quadratura a Júpiter, virando foco de uma ampla T-Square, já que Vênus já está em orbe de oposição a Júpiter. Marte segue se distanciando de Júpiter e Netuno e se aproximando do quincúncio a Plutão, exato na semana que vem. Mercúrio trafega o último grau de Áries e entra em Touro amanhã. Um dia mais soturno, que nem parece muito com domingo. É folga, dia de descanso, mas estamos sintonizados com deveres, obrigações, compromissos sociais. Há muitos e vários apelos para o descanso, o lazer, a alegria, mas nos sentimos um tanto sobrecarregados com os compromissos já assumidos, de modo que talvez nos peguemos de mau humor. Mas ainda assim, se de fato queremos, podemos dar um jeito e criar tempo, espaço, energia, para nos dedicarmos à família e às coisas prazerosas da vida – a questão é se não estamos usando deveres e obrigações para fugir do contato mais próximo com outros, da intimidade e de uma maior profundidade nas nossas relações, muitas vezes permeadas de detalhes práticos e expectativas sociais. O tempo, nesse contexto, pode ser um algoz, já que não fizemos dele um amigo. O final do dia fica mais propício a um pouco de diversão e prazer, portanto, é questão de querer!

Uma ótima semana para você! que seja de paz e luz!

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Lua Cheia em Libra – Da desordem e do caos

Birth Chart Painting – Libra Full Moon – Reprodução

O ciclo Ariano iniciado no dia 27 de março tem seu apogeu na Lua Cheia de Libra, que ocorre na madrugada desta terça-feira, dia 11, às 03h08min no horário de Brasília – 07h08min no horário de Lisboa. O eixo Áries-Libra tem como temas básicos os relacionamentos, como o EU se encontra e se relaciona com o OUTRO. Enquanto Áries concentra-se em si mesmo e na sua vontade pessoal, Libra trata da alteridade e propõe equilíbrio, que o EU encontre maneiras de incluir o outro e, talvez até de tornar-se um NÓS.

Lua Cheia em Libra – Brasília, 11 de abril de 2017, 03h08min

A Lua atinge seu apogeu no grau 21°32’, em conjunção a Júpiter, quadratura próxima a Plutão e oposição, também próxima e aplicativa, a Urano, formando uma T-Square Cardinal explosiva, da qual Plutão, planeta das transformações profundas, é o foco. A Lua ainda faz quincúncio a Marte em Touro. Só por essas configurações, já poderíamos antever que é uma lunação explosiva, catártica, de liberação de muitas energias densas e liberação de entraves. A Lua em Libra vem fazer o contraponto à forte energia individualista do Sol em Áries, que ganha o reforço de Urano, que tem um destaque especial nessa lunação, porque logo receberá a conjunção do Sol.

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Essa ênfase que Urano recebe, sugere que prestemos atenção à nossa intuição, que busquemos fazer diferente e inovar nas relações. Libra é um signo que busca e prima pelo que é socialmente aceitável, assim como Capricórnio, por razões diferentes – Capricórnio quer poder, Libra quer ser aceito e não é à toa que Saturno, regente de Capricórnio, está exaltado em Libra! Mas a oposição Lua-Urano lembra que precisamos agregar o novo, o diferente, quebrar as regras de vez em quando, infringir um pouco a tradição e sair dos convencionalismos. Porque se não escutamos Urano e insistimos no excesso de convencionalismo e no que é esperado de nós, podemos ser atingidos por um raio, levar um choque ou ter que lidar com situações muito estressantes e que fogem totalmente do nosso controle.

Sempre que nos excedemos num princípio, invocamos o princípio oposto, para trazer o equilíbrio, mas se estamos inconscientes, esse princípio se manifestará de maneira estressante e talvez destrutiva. Excesso de Saturno (regras, estrutura, tradição, convenções, realismo, responsabilidade) invoca a ação de Urano (rebeldia, inovação, liberdade, progresso) ou de Netuno (sonho, fantasia, escapismo, dissolução, caos) ou ainda de Júpiter (falta de limites, irresponsabilidade, crescimento desenfreado, exagero). Plutão tem algumas similaridades com Saturno, porque ambos gostam de poder e controle, mas Plutão também pode funcionar no sentido de nos tirar o poder e o controle e assim, pode esmagar Saturno. E o reverso também é verdadeiro… Excessos desses planetas mencionados, podem invocar a ira e o relho de Saturno, que é o oposto psicológico de qualquer outro planeta ou luminar.

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Então, Libra, sendo a exaltação de Saturno, vai sempre primar pela ordem, pela convenção, pela civilidade. Mas nesta Lua Cheia, Libra precisa integrar um pouco de rebeldia e, principalmente, ser capaz de se afirmar e ser um pouco mais independente, de não esperar sempre pela opinião do outro, nem estar tão disposto a corresponder às expectativas alheias. Urano urge que sejamos mais originais, mais livres e menos dependentes; que sejamos mais nós mesmos e vivamos menos em função do outro; que quebremos um pouco a regra do “aceitável” e atrevamo-nos a ser diferentes, a fugir um pouco da norma. Dentro das relações, isso implica preservar a própria individualidade e não se anular ou se perder no outro, agir com verdade e honestidade consigo próprio e também com o outro. É isso ou Urano será invocado de forma destrutiva e poderá trazer surpresas desagradáveis, rupturas abruptas, desconcertantes e possivelmente, definitivas.

Tracy Allen – Reprodução

Júpiter, com quem a Lua está conjunta, já coloca fortemente o tema da liberdade, a necessidade de crescermos juntos, dentro das relações, mas de preservarmos nossa liberdade e independência de crenças e valores. Júpiter também é líder de uma formação chamada Locomotiva neste mapa, o que faz com que tenhamos uma coloração fortemente Jupiteriana aqui. Júpiter era Zeus na mitologia grega e ele era um deus que primava pela liberdade, assim como legislava sobre o Olimpo e sobre os humanos. Zeus era casado com Hera, com quem vivia às turras, exatamente porque ela significava o princípio do compromisso. E ainda temos Plutão nessa configuração, que adiciona intensidade e profundidade a esses temas, além de exigir que transformemos a maneira como vivemos nossas relações, que sejamos mais autênticos e honestos em todos os nossos “negócios”. Plutão é um planeta impessoal, assim como Urano e esses planetas não “se importam” muito com o indivíduo, simbolizam princípios implacáveis da psique, forças que irão se manifestar e agir dentro ou fora de nós, de um jeito ou de outro. Se estamos abertos e promovemos as alterações voluntariamente, ótimo! Do contrário, vai à revelia mesmo. Queiramos ou não.

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Então, a exemplo da Lua Nova de Áries, a Lua Cheia de Libra também traz para a linha de frente a necessidade de discutirmos as relações, como se já não estivéssemos fazendo isso há um bom tempo. A Lua Nova ocorreu exatamente em conjunção a Vênus retrógrada, que ainda estava no início de Áries, destacando esse tema das relações e da retrogradação de Vênus, além dos temas de autoestima e dos nossos valores. Agora, novamente a ênfase recai sobre esses temas, porque, além de Libra ser o signo do relacionamento, Vênus é a regente da Lua em Libra. Como sabemos, Vênus continua retrógrada. Nesta semana, está particularmente sensibilizada, porque está em Peixes, conjunta a Quíron e em quadratura quase exata a Saturno em Sagitário. Em três dias Vênus estacionará, para voltar ao movimento direto no dia seguinte. Ou seja, Vênus também está ultra destacada nesta lunação. E sugere que além de vivermos as relações de forma menos dependente e mais assertiva, como sugeria na Lua Nova de Áries, que também nos responsabilizemos pela realidade relacional que criamos na nossa vida. Vênus está conjunta a Quíron, indicando um aumento da vulnerabilidade da já etérea Vênus Pisciana; mas essa conjunção também indica a propensão a associarmos relações com sofrimento, a nos atrairmos por pessoas complicadas, que precisam ser “resgatadas” e nós lá vamos, tentar salvar o outro, sem nem perguntar se ele quer ser salvo. E depois reclamamos que somos infelizes e que fomos enganados – na verdade, nós nos enganamos a nós mesmos. Mas Vênus também está em quadratura a Saturno, que demanda que nos responsabilizemos por esses padrões nos quais nos emaranhamos; que sejamos realistas quanto ao idealismo excessivo com que olhamos os outros e também a dificuldade de enxergar a nós mesmos, como realmente somos; Saturno também sugere que precisamos encarar o quanto talvez sejamos emocionalmente exigentes e famintos de afeto, sempre cobrando ou criando expectativas altas demais, esperando ser preenchidos pelo outro e quando isso não acontece, nos sentindo rejeitados e incompreendidos.

Roberto Ferri – Reprodução

Vênus, nessa configuração com Quíron e Saturno, pede que tenhamos empatia e compaixão por nós mesmos, antes de termos pelos outros; que nos responsabilizemos pela nossa história, mas que nos des-identifiquemos dos padrões repetitivos de sofrimento; que lidemos com nossas feridas e abandono infantis, para não implodir futuras relações, ao ficar sempre defensivos, fechados, frios, acabando por provocar as reações que tanto temíamos: rejeição e abandono. E quando compreendemos tudo isso e aceitamos, podemos talvez modificar nossos parâmetros e referências e então, não precisaremos mais rimar amor com dor – existem rimas mais ricas e belas às quais podemos recorrer e até aceitar que há poemas em que as rimas não precisam ser exatas ou perfeitas – alô Urano! E Vênus conjunta a Quíron também indica que devemos incluir e aceitar o lado mais melindroso, defeituoso, trôpego, incompleto, tanto em nós mesmos quanto no outro. Vênus em Peixes busca a perfeição, mas Quíron vem lembrar que isso não existe, que somos todos limitados e capengas de alguma forma. E Saturno diz a mesma coisa, de outro jeito: aqui é a dimensão do real, aqui, nada é perfeito. E lide com isso!

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Outra coisa interessante é que a Lua também se opõe a Éris neste mapa e Eris é o Ponto Médio entre Urano e o Sol e faz quadratura ao Ponto Médio entre a Lua e Urano – Urano está em conjunção a Eris já há bastante tempo, visto que o ciclo de Eris é muito longo e este asteroide demora décadas num mesmo signo. Éris é a Deusa da Discórdia e do Caos. Isso me lembra um dos mitos mais associados a Libra: o mito de Paris e Helena, que causaram a Guerra de Troia. Mas na verdade, a história começou bem antes. A história começa exatamente com Éris. Os deuses resolveram dar um banquete no Olimpo e todos os deuses e deusas foram convidados, menos Éris, por razões óbvias, porque ninguém queria trazer a discórdia para a festa. Mas ela ficou sabendo e, discordante como era, não se fez de rogada e foi mesmo assim – ela não se importava muito com civilidades e em ser aceita, queria mesmo era “causar”. Entrou de supetão – tem um quê de Urano – e atirou no meio da mesa uma maçã de ouro, com os dizeres: “Para a mais bela de todas as deusas”. E foi embora, algo que também me lembra a Malévola, de a Bela Adormecida. Claro que todas as deusas queriam ganhar a maçã, e a briga ficou entre Hera, Athena e Afrodite, mas nenhum deus era idiota para fazer essa escolha. Então Zeus foi buscar um pastor simples, que tranquilamente pastoreava suas ovelhas no Monte Ida. Quem era esse pastor? Paris, que havia sido desterrado pelo seu pai, o rei Príamo, de Troia, por causa de uma profecia feita antes de Paris nascer, que dizia que ele causaria a destruição do reino. Paris foi convocado por Zeus para fazer a escolha entre as deusas. Ele, como bom Libriano, deu como sugestão dividir a maçã em partes iguais, assim todas ficariam satisfeitas. Apesar do seu charme, a sugestão não foi aceita e ele teve que escolher. Resumindo, ele escolheu Afrodite, porque ela lhe ofereceu Helena, a mulher mais bela do mundo – o fato de Helena já ser casada, era um mero detalhe para Afrodite. Ao escolhê-la, Paris incorreu na ira das outras duas que disputavam o prêmio: Hera e Athena. Resumindo muito: Paris e Helena se apaixonaram e Paris roubou Helena de Menelau, e por causa disso, os gregos entraram em guerra com Troia, que de fato foi destruída, depois de uma guerra de dez anos. E como tudo isso começou? Começou com os deuses excluindo Eris, a discórdia – comportamento típico de Libra, que odeia desagradar e causar discórdias, estando mais interessado sempre em conciliar, sendo expert na arte do “deixa disso”. Então, o que isso vem nos dizer? Que precisamos incluir também, o caos e a discórdia, pelo menos cogitar na possibilidade de que nem sempre conseguiremos ter o controle de tudo ou que nem sempre conseguiremos manter tudo civilizado, plástico, refinado e harmonizado. Tem horas que é preciso discordar, tem horas que é preciso desequilibrar – aliás, Libra é o signo do equilíbrio e em certos momentos vai “bagunçar” tudo, quando sentir que está tudo certinho demais, exatamente para equilibrar – é, às vezes, para equilibrar, precisamos bagunçar! Tem horas em que precisamos bancar nossa dissonância, nossa divergência, nossa discordância. Precisamos incluir Eris, porque se a excluirmos, ela vai dar um jeito de entrar na festa de qualquer forma, então, melhor estar “de boa” com ela e reconhecer dentro de nós esses aspectos dissonantes e caóticos, que querem “causar” e que não se importam tanto em agradar. Se não incluímos Eris, ela vai ficar muito zangada e ninguém vai querer incorrer na sua ira! Já imaginou, estar de mal com a Deusa da Discórdia?

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O dispositor final deste mapa é Netuno, único planeta a estar “em casa” atualmente, visto que é o regente moderno de Peixes. Netuno agrega criatividade, imaginação, compaixão e também gentileza e altruísmo a essa lunação. Negativamente, reforça a sugestão do caos, porque confunde e dissolve os limites que norteiam nossa leitura da realidade. Então, temos um tom de Júpiter-Netuno também forte aqui e, que assinala um exagero, e expande a qualidade extravagante, embora adicione uma certa benevolência. Somando à influência de Urano, temos a indicação de uma lunação que carrega uma forte qualidade de radicalismos, extremismo, caos, situações e crises inesperadas, assim como liberação, desprendimento e iluminação. Precisamos estar conscientes e presentes em nós mesmos, para tirar proveito das qualidades positivas da lunação e não “sofrermos” seus efeitos mais caóticos.

Fabera – Reprodução

Em termos mundanos, essas configurações todas inspiram cuidados, pois sugerem radicalismos ideológicos, fanatismos religiosos e conflitos diplomáticos, visto que Vênus, planeta da diplomacia está retrógrada e em quadratura a Saturno e Mercúrio, planeta das comunicações e também negociador, está retrógrado em Touro, signo inflexível.

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Pelo menos o Símbolo Sabiano para o grau 22 de Libra (21°32’) traz uma imagem de gentileza e harmonia: “Uma criança dando de beber a pássaros numa fonte”. O tom principal, segundo Rudhyar, “é a preocupação das almas simples com o bem estar e a felicidade de seres menos evoluídos que têm sede de renovação da vida”. O símbolo fala da necessidade da gentileza, do cuidado e de nos preocuparmos com outros, especialmente aqueles que mais precisam. O símbolo vem fazer o contraponto à forte energia Uraniana e ao extremismo presente nessa lunação. Fala de calma, doçura, cuidado, pureza e de fazermos as coisas sem expectativa de retorno – algo que também costuma ser difícil para Libra – e que, se pudermos, não devemos nos furtar de ajudar àqueles que precisam, algo que está em consonância com a conjunção Vênus-Quíron, que já fala da grande empatia, sensibilidade e compaixão por outros que necessitam de atenção e cuidados. Assim, a despeito do caos e dos radicalismos, de precisarmos e devermos nos posicionar, isso não pode nos endurecer excessivamente a ponto de não podermos mais ser gentis e carinhosos com outros. Aqui novamente vem a necessidade do equilíbrio, que é tão caro para Libra.

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Portanto, a Lua Cheia de Libra convida a encarar a verdade e a realidade das nossas relações; convida a nos posicionarmos com honestidade e a assumirmos nossa dissidência e dissonância, quando for o caso; demanda que integremos nosso desejo de liberdade e independência e que nos responsabilizemos pelas relações nas quais nos envolvemos e os paradigmas relacionais que criamos, assim como pela transformação de tais paradigmas; que nos liberemos das relações doentias e sobretudo, dos nossos padrões viciados e que busquemos relações mais honestas, com pessoas reais e não com ideais de perfeição. E depois de tudo isso, ainda sermos capazes de ser gentis e amorosos, com os outros e conosco mesmos! Paradoxal? Com certeza! Mas a vida não é um grande paradoxo?

Feliz Lua Cheia para você!

Birth Chart Painting – Libra Full Moon – Reprodução