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Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

LUA em LIBRA x VÊNUS em ÁRIES – No âmbito coletivo

A Lua Cheia trafega Libra e hoje, domingo, fez oposição a Vênus em Áries. Essa configuração presente no céu de hoje parece ter sido escolhida a dedo para ilustrar os atuais dilemas que a mulher vive atualmente. A Lua em Libra nos fala de como a mulher ainda tem que lidar com os estereótipos – muitos deles moldados pela expectativa masculina do que é ser mulher – do que significa ser feminina, sendo associada com imagens de boa mãe e esposa, doçura, gentileza, abnegação, submissão e cessão da própria vontade – um papel visto necessariamente “em relação a” um “outro”.

Todavia, Vênus em Áries está logo ali a desafiar e confrontar tais estereótipos, dizendo que a despeito de tantas “conquistas” (pessoalmente, eu diria que nem todas elas para melhor, uma vez que houve um equívoco em algum momento, em que as mulheres começaram a associar liberdade e independência com uma “atuação” do animus negativo: beber, fumar, sexo casual, etc, etc – não, não quero entrar nessa polêmica, isso é uma visão pessoal minha), o maior equívoco de todos é essa cisão interna que foi projetada no mundo lá fora: de que há a mulher passiva e submissa e a mulher independente e livre; de que a mulher tem que optar entre “isso ou aquilo”, entre ser esposa e mãe mas frustrada profissionalmente, ou profissional bem sucedida, mas frustrada emocionalmente.

Vênus nos obriga a olhar e ver que nem tudo são flores e gentilezas, que há ainda um longo e histórico caminho de violência a ser combatido, violência física, emocional, psicológica, verbal, social e de que a expressão do ser feminino ainda não é exatamente “livre”. Que a mulher pode e deve ser vista como indivíduo separado, ou, que será vista “em relação ao masculino” apenas quando (nas situações em que) o masculino também for visto “em relação ao feminino”. Que antes de sermos macho ou fêmea, masculino ou feminino, somos todos seres humanos, pessoas, com necessidades fisiológgicas, biológicas, emocionais iguais ou muito similares.

Entretanto, a mensagem principal dessa oposição é a de que as mulheres “acordem” (Vênus está ainda conjunta a Urano) para o fato de que, se se identificarem com apenas um dos lados da extremidade, estarão fadadas a viverem meias-vidas e de que o caminho é o da integração. Integrar em si essas diversas expressões de si mesmas, sem se identificar excessivamente com os papéis, mas perceber que os papéis são apenas invólucros da expressão das várias mulheres que ela é e que pode ser. Mais: é essencial perceber que, para além dos estereótipos, é preciso descobrir e se autorizar a viver os próprios desejos, a própria jornada mítica pessoal, o que quer que isso signifique individualmente para cada uma, na sua realidade, na sua história pessoal. Não há nada de errado em não querer casar e ser mãe, ou ao contrário, em querer se dedicar primariamente a essas dimensões da vida, assim como não há nada de errado com um homem que não tem o casamento e a paternidade como projeto de vida prioritário – desde que isso não signifique mera fuga de questões mal resolvidas em ambos os casos. O caminho é viver de forma autêntica, criar seu próprio modelo, ao invés de seguir cegamente os modelos impostos. Viver de acordo com aquilo que faz sentido para si mesma, para seu coração e sua alma.

No âmbito pessoal

Reconhecer as diferentes facetas do feminino, aceitar e abraçar os desejos diversos do próprio coração, do próprio ser (substantivo) e ser (verbo) feminino. Perceber e aceitar sua natureza gentil, suave, gregária, aglutinadora, que quer e precisa de relacionamentos, sejam eles de ordem íntima e sexual ou fraternos e amigáveis. Perceber e aceitar um outro lado, igualmente legítimo e merecedor de atenção, igualmente merecedor de ser honrado e vivenciado: o lado que almeja lutar por objetivos outros além da maternidade e da busca de parceria afetiva; o lado que busca se expressar e contribuir com algo que a defina como indíviduo separado, independente e livre. 

Perceber em si mesma formas diversas de expressão do feminino, muito além de estereótipos e modelos engessados. Permitir-se ser várias em uma só mulher, em uma só pessoa, sem desautorizar nem “atuar” nenhum aspecto, mas integrá-los como parte do todo sagrado que se é.

A Semana Astrológica: hora da faxina!

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Lua Balsâmica – Desconheço o Autor – Reprodução

Semana de 15 a 21 de dezembro 

O ano oficial vai findando, mas o ano astrológico não. Esse só acaba em 20 de março quando o Sol entrar no signo de Áries. Mas é fato que já entramos no tom de encerramentos e conclusões. E a Lua Minguante desta semana favorece isso sobremaneira, especialmente por ter sido minguante no signo de Virgem, o signo da limpeza e da purificação, o signo mestre em separar o útil do inútil, o joio do trigo – Semana de faxina! No Quarto Minguante somos convidados a analisar o que deu certo e o que não funcionou na etapa que se fecha. Mais ainda, precisamos ver o que pode ser melhorado e como, para que não cometamos os mesmos equívocos nas próximas fases.

Nesta semana temos eventos portentosos, o principal deles é a sexta e penúltima quadratura plena entre Urano e Plutão, que performam mais um capítulo de uma briga colossal que se iniciou em 2012 e termina em 2015. Essa briga ressuscita e questiona temas vigentes entre os anos de 1964 e 1969, quando estes dois planetas fizeram sua última conjunção, que ficou ativa por um longo tempo e que simbolizou toda a revolução política e cultural daquela década. Essa quadratura dá o tom básico da semana, que é de tensão e turbulência. A grande liberação da energia que veio se acumulando traz a possibilidade de rupturas de coisas que vinham se arrastando, assim como de eclosão de crises que se precipitam e que podem ter desfechos dramáticos. É favorável à quebra de tabus e de padrões já gastos e inúteis. Porém, como essa energia opera de forma extrema, é necessário muita cautela nas ações e nas atitudes. Podemos utilizar a energia para promover as mudanças que buscamos, desde que estejamos cientes de que elas de fato são uma necessidade verdadeira e não apenas uma atuação inconsciente e intempestiva. Para isso é necessário novamente, muita ancoragem e pé no chão para termos um senso adequado de timing e para não sermos arrastados pelo frenesi e pelo caos.

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Vanessa Neufeld – Reprodução

Outros movimentos importantes também ocorrem esta semana, como a ingressão de Mercúrio (quarta-feira) e do Sol (domingo) em Capricórnio, sinalizando um período em que as visões, intuições e insights propiciados pelo Fogo de Sagitário agora precisam encarnar na matéria e no mundo manifesto. Serão elas realizáveis? É o que veremos. Capricórnio sinaliza também um momento de estruturação da vida, de ordenar, organizar e planejar nossos propósitos, objetivos e ações.

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Desconheço o Autor – Reprodução

Ao entrar em Capricórnio Mercúrio se harmoniza com Netuno em Peixes, enquanto discorda inconscientemente das crenças de Júpiter. Aos poucos vai se aproximando da conjunção a Plutão e da quadratura a Urano, aspectos que só ficam perfeitos na semana que vem. Vênus mete-se em fogueiras escaldantes ao fazer conjunção a Plutão e quadratura a Urano, sinalizando que a briga de Urano-Plutão não é só coletiva e política, mas vaza para os relacionamentos individuais e transforma também nossos valores mais caros e preciosos, temas que ficam realçados durante a semana toda e que têm clímax na terça com a T-Square e no sábado com a conjunção Vênus-Plutão. Marte, que está em recepção mútua com Urano – Marte viaja por Aquário, signo regido por Urano e Urano está em Áries, que é regido por Marte – faz um sextil com ele nesta semana, o que fortalece a afinidade que eles já têm por recepção. Nossas ações e formas de executar os objetivos precisam se alinhar com os objetivos maiores, além do nosso umbigo, além dos desejos individuais de auto-afirmação. A cruzada é por igualdade, justiça, liberdade. Esse é um Marte Prometeano, que rouba o fogo dos deuses, porque percebe quão grande a humanidade pode ser, se apenas tiver acesso a essa visão divina. Mas há sempre o risco de perdermos as árvores olhando a floresta. Aquário ama a humanidade, mas tem certa dificuldade em lidar com os humanos no plano individual, ajudado por Urano, que não vê individuo, isso requer um certo cuidado…

Todos estes movimentos, como já disse, deixam a semana um tanto turbulenta e sujeita a extremismos, individuais e coletivos, especialmente porque Lua e Vênus ativam e estimulam ainda mais essa quadratura. Botemos as barbas de molho.

A Lua vai fechando histórias e encerrando o ciclo, viajando na fase Minguante e depois Balsâmica, pelos signos de Virgem, Libra, Escorpião e Sagitário. No domingo, já à noite, ela entra em Capricórnio e é nova às 23h35min (Brasília) e à 01h35min da manhã de segunda, 22, pra Portugal.

SEGUNDA-FEIRA é o dia do pega pra capar, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! Urano e Plutão duelam de novo, pela sexta vez em dois anos e pouco. Plutão tem o apoio de Vênus que se aproxima pela retaguarda, mas os dois recebem em cheio as rajadas de Urano e da Lua, que entra em Libra às 02h05min da manhã e que vai armando uma Cruz T, que fica exata na terça. Dia de extremos. De repente tudo resolve acontecer ao mesmo tempo demandando nossa atenção, ação e resolução. Eclosão de dramas e situações críticas diversas, envolvendo assuntos cruciais da vida individual e social, assuntos associados com relacionamentos, valores, questões sociais, tabus, política, economia… Tudo vem para a linha de frente. Sobretudo nossa responsabilidade social diante do abuso de poder e dos recursos (Plutão em Capricórnio) e a ação individual e revolucionária que nos será exigida a partir daqui (Urano em Áries), individuo versus coletivo, velho versus o novo. É um dia que demanda cautela em todos os assuntos para que não nos precipitemos e entornemos o caldo de vez. Por outro lado, se já percebemos e vínhamos criando coragem pra adotar certas medidas no sentido da transformação, esse pode ser o momento adequado para romper com o velho e instaurar o novo.

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Desconheço o autor – Reproduçao

Na TERÇA-FEIRA essa mesma Cruz T ou T-Square fica exata. Urano em Áries recebe a oposição da Lua Libriana, e os dois quadram Plutão e Vênus em Capricórnio. Relacionamentos e parcerias ficam na berlinda e sujeitos a erupções vulcânicas. Sujeiras que foram varridas para debaixo do tapete são levantadas por furacões inexoráveis. Não dá mais pra fingir que não viu, que não escutou, que não sabia do que estava acontecendo só para não ter que tomar uma atitude. Nada fica como antes, e honestidade consigo e com o outro é fundamental se for para a relação sobreviver. Se sobrevivem a todo esse turbilhão, essas relações se fortalecem. O que ocorre é que os valores e a forma de ver e vivenciar as relações passam por grande questionamento e transformação. Conseguimos equilibrar nossas necessidades individuais com as demandas do relacionamento? Queremos segurança, relacionamentos duradouros e responsabilizar-nos por nossas escolhas afetivas? Ou queremos liberdade extrema para ir atrás de realização pessoal e individual? Há meios de conciliar princípios tão antagônicos? O que é vital para você neste momento da sua vida? Independência ou vínculo? Está nessa relação por medo da solidão? O que você sente de fato, afeto genuíno ou dependência/apego emocional? Esta relação o faz crescer ou o puxa para trás? Está mesmo empenhado em ver o outro como ele é, ou está apenas apaixonado pelo seu próprio reflexo? Esses questionamentos não vêm de hoje, pelo contrário, têm sido ativados desde 2010, porque com Urano em Áries, toda vez que um planeta passa por Libra, faz oposição a ele. O que ocorre é que há vários níveis e camadas sendo trabalhados, e aos pucos vamos refinando e fazendo a sintonia fina desses temas. Vênus em sesqui-quadratura a Júpiter e a Lua fazendo conjunção ao Nodo Norte em Libra enfatizam ainda mais todas essas conjecturas, simbolizando uma oportunidade única de crescimento em meio a todo o vendaval. A Lua estando minguante favorece o momento de limpeza e de purificação.

A Lua faz sextil ao Sol Sagitariano e fica vazia por muitas horas na QUARTA-FEIRA, das 03h41min da manhã até as 12h52min, quando entra em Escorpião. De Escorpião ela dialoga de forma econômica com Mercúrio, que já terá entrado em Capricórnio (01h53min). A Lua faz ainda trígono a Netuno em Peixes e sesqui-quadratura a Quíron. Dia de maior introspecção, depois das explosões dos dois dias anteriores. É hora de digerir e juntar os cacos, ou varrê-los de vez para o lixo e para longe da nossa vida! Limpar a vida da toxicidade que nos envenena e asfixia. Mercúrio entrando em Capricórnio simboliza que nossos processos mentais estão mais centrados e mais pé no chão. Queremos resultados e chega de lenga-lenga! Mercúrio fica em Capricórnio até o dia cinco de janeiro, sugerindo uma temporada boa para planejamentos estratégicos e para se concentrar nas metas do futuro e do ano vindouro.

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Tirado da Fanpage Photobox – Reprodução

Há um clima desconfortável de bullying permeando a QUINTA-FEIRA, sinalizado pela Lua Escorpiônica e Balsâmica (fica Balsâmica às 10h25min ao fazer semi-quadratura com o Sol) fazendo uma quadratura a seu regente, Marte, em Aquário. Os sentimentos oscilam entre paixão calcinante e frieza congelante. Há descompassos entre o que sentimos e o que queremos; o destempero pode se materializar como competição, insegurança e paranóia. A Lua ainda se afina com Vênus e Plutão em Capricórnio, indicando que os sentimentos e expressões ficam ainda mais contidos e econômicos, embora honestos e verdadeiros e sujeitos a rompantes incontroláveis. Urano recebendo cutucões desagradáveis dessa Lua Negra e intratável indica possibilidades de picadas dolorosas e erráticas do ferrão do Escorpião. Picamos ou somos picados? O tirano não está lá fora, está aqui dentro.

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Lua Minguante – Desconheço o Autor – Reprodução

Balsâmica e circunspecta em Escorpião, a Lua faz quadratura a Júpiter em Leão na SEXTA-FEIRA. Ao longo do dia ela se indispõe também com Urano em Áries e fica amalgamada a Saturno ao cair da noite. Entra em Sagitário às 19h56min, já caçando confusão com Netuno em Peixes. Sexta-feira dada a altos e baixos e gangorras emocionais. Forças diversas tentam nos tirar do nosso casulo e ficamos divididos. Por mais que haja impulso de socialização, a indicação é economizar na efusividade e ficar mais na sua. Aproveitar para dar continuidade à limpeza anual das gavetas e dos cantos do coração. Limpar a poeira, as teias de aranha, dedetizar para se livrar de todas as pragas e parasitas que atravancam o desenvolvimento de relações mais genuínas e maduras. Estamos com o outro por afeto ou por necessidade? Purificar, depurar, expurgar, reciclar ou incinerar de vez. À noite o clima muda sutilmente e tentamos supercompensar a circunspecção diurna, correndo o risco de nos excedermos na balada noturna. Estamos um tanto dogmáticos a respeito de nossas opiniões e tentamos impô-las aos outros, ou somos nós que temos que lidar com o tom catequético alheio. Seria bom evitar reuniões muito populosas, por mais que o apelo seja grande. A quadratura a Netuno requer cuidados e sugere que evitemos o abuso de substâncias, especialmente o álcool. Com a semana tensa do jeito que está, tentamos “afogar” ou anestesiar a tensão, mas isso pode ter efeitos desastrosos, inclusive práticos, se estivermos dirigindo, por exemplo. Essa quadratura a Netuno vem fechar com chave de ouro as questões que estavam ativas na Lua Nova de Sagitário, que ocorreu em conjunção a Netuno. Agora somos confrontados com os restos de nossas desilusões e a sensação de desgosto pode ser um tanto amarga e difícil de engolir. Por isso que o uso de substâncias hoje tornam-se duplamente perigosas. Siga sua intuição.

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Photobox – Reprodução
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Scoop – Reprodução

No SÁBADO Vênus amalgama-se a Plutão ao mesmo tempo em que dispara contra Urano. A Lua Sagitariana e Balsâmica segue quadrando Netuno em Peixes, mas animadíssima numa conversa com Urano, que estaciona em Áries. À Noite a Lua ainda quadra Quíron Doloroso. Mais do que nunca o conflito compromisso versus autonomia fica exacerbado. A tensão e cisão internas são enormes e podem ser manifestadas como polarização nos relacionamentos, onde um dos parceiros torna-se ciumento e emocionalmente exigente, controlador e sufocante, enquanto o outro busca respirar mais livremente e se ressente do controle e da asfixia. Se ambos têm um nível razoável de autoconhecimento, maturidade emocional e de confiança mútua, a relação tem uma ótima oportunidade de ser aprofundada e de ter essas questões ventiladas de forma aberta e honesta. Mas quando não é o caso, pode-se esperar cenas de ciúme doentio, possessividade extrema e quem sabe até violência, já que Marte também está extremoso em contato com Urano. O problema é que um lado quer fusão completa e absoluta, simbiose mesmo; porém o outro quer ficar livre e solto para experimentar e ser mais leal a si mesmo. Ajustes se fazem necessários e com certeza o dia é excitante e vibrante. A tensão sexual também é fora do comum, mas é uma energia que demanda expressão original – nada de repetir o mesmo feijão com arroz de todo dia, por favor! Paixão, desejo extremo, e magnetismo estão destacados e possibilitam uma entrega apaixonada para quem se arriscar a ir além das regras do “socialmente aceito”. Mas é preciso ter coragem para se aprofundar no próprio desejo e suportar o calor e o desejo avassalador do outro – vulcões podem entrar em erupção e a terra pode tremer debaixo dos lençóis, levando a relação para outro nível de entrega, de intimidade e de desnudamento emocional, resta saber se queremos e se damos conta disso. Por outro lado, a quadratura Lua-Quíron sinaliza que todos estes conflitos podem abrir uma caixa de Pandora pestilenta e dolorosa e quando vemos, já fomos longe demais nas palavras ou nas atitudes que magoam de forma até mesquinha. O que precisamos ter claro para nós, internamente, é o porquê estamos nessa relação. Quais são seus valores e fortalezas, quais são suas dificuldades? O que nos une é mais forte do que aquilo que nos separa?

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Imutável Destino – Capucine Piccicarolli

Urano volta ao movimento direto em Áries no DOMINGO. Seu trabalho de revolução individual dentro do coletivo, que ficou em stand by por muitos meses, volta à ação direta. Com Urano direto muitas das questões que estava em suspenso voltam a se movimentar, acordamos da letargia, levando choques de realidade e descargas elétricas nervosas nas áreas em que Urano trafega no mapa natal. A roda volta a se mover e os dados estão lançados. A Lua se afinando com seu regente Júpiter, em Leão, indica um domingo menos denso e mais animado à volta da mesa familiar. O dia pede atividades sociáveis, mas sem exageros, já que a Lua ainda está Balsâmica. É hora de rever crenças e visões para a próxima fase, onde vamos apostar nosso otimismo e entusiasmo e de que maneira. O Sol ingressa em Capricórnio às 21h04min e a Lua às 23h25min. A Lua será nova às 23h35min do domingo, 21.

Que sua semana seja de luz e de transformações positivas!

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Capricórnio – Zodíaco de Dali – Salvador Dali – Reprodução

Lua Nova em Libra: a semente de uma nova vida criativa

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Imagem alquímica – Reprodução

“A Astrologia é uma técnica para o estudo dos ciclos da vida” (1), dizia Dane Rudhyar. Dentre estes ciclos estudados pela Astrologia, estão os ciclos específicos dos planetas e Luminares, além dos ciclos representados por seus relacionamentos entre si – o ciclo Júpiter-Saturno, por exemplo, é um dos mais importantes em termos sociais e políticos. Tanto no mapa natal de um individuo ou entidade quanto no tempo real, há sempre vários ciclos se desdobrando simultaneamente, em diferentes fases de desenvolvimento, alguns se iniciando, outros se consolidando e outros ainda terminando, numa espiral que nunca tem fim, e que representa a evolução eterna do universo e provavelmente do elemento humano na Terra.

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Reprodução

Alguns ciclos são muito extensos e seu impacto de longo prazo é difícil de se perceber numa vida humana, como é o caso de Plutão, que leva 248 anos para dar uma volta completa ao redor do Sol e cujos efeitos são mais perceptíveis quando se analisa a História. Outros são mais visivelmente sentidos e percebidos na vida das pessoas, como o ciclo de Saturno, que tem em média, 29 anos. Outros ainda têm periodicidade mais curta e servem para nos situar no tempo, como o ciclo do Sol, que determina, entre outras coisas, as estações do ano e muitas atividades ligadas a elas, como plantação e colheita na agricultura, por exemplo; servem também para nos ajudar a estipular metas de curto, médio e longo prazo, propiciando mensuração, através da convenção dos calendários, e uma relação mais “palpável” com o tempo. E temos também os ciclos menores e mais imediatos, como o ciclo Lunar ou as Lunações, que tratam do relacionamento específico entre a Lua e o Sol. Como o ciclo Lunar tem em média 28 dias, o ano gregoriano teria em torno de 13 ciclos lunares completos. Os ciclos menores, em geral, devem ser vistos sobre o pano de fundo dos ciclos maiores, para que possam ser melhor entendidos e assimilados na vida mundana, e para que se tenha um senso de perspectiva no tempo e espaço.

Atanasius Kirtcher
Atanasius Kirtcher – Reprodução

Embora os ciclos maiores sejam sentidos de forma mais contundente na vida humana, os ciclos menores não são menos importantes e na sobreposição destes diversos intervalos de tempo, uma simples Lunação pode iniciar, finalizar ou precipitar os efeitos dos ciclos maiores que estejam se desenrolando na vida humana ou mesmo no coletivo. Isso se aplica especialmente aos eclipses, que são Lunações particularmente poderosas. Assim, supondo que o indivíduo tenha Plutão em trânsito fazendo um aspecto tenso ao seu Sol natal, aspecto que pode durar até dois anos: durante todo este tempo ele sente a tensão se acumular e muitas coisas se desintegrarem à sua volta, porém o efeito mais agudo deste trânsito poderá ser sentido quando uma Lunação (Lua Nova ou cheia) ocorrer em órbita próxima ao grau do Sol e de Plutão (conjunção, quadratura ou oposição), o que precipitará a crise e a eclosão da tensão que se acumulou por tanto tempo, levando à liberação da energia e à conseqüente resolução da questão, para o melhor ou pior, dependendo do contexto e da percepção do indivíduo. Assim, as lunações devem sempre ser entendidas como parte dos ciclos maiores e, a Lua Nova em particular, como oportunidade de reavaliação e reiteração dos objetivos e propósitos do ciclo Solar anual.

Tendo dito tudo isso – desculpem pela introdução longa – A Lua Nova de Libra que ocorre hoje no grau 1°07’ (24 de setembro de 2014, 03h13min, horário de Brasília, ou 07h13min para Lisboa WEST) vem novamente trazer a oportunidade de uma parada estratégica para revermos planos e objetivos, de curto e médio prazo – e em alguns casos, também de longo prazo – reavaliando, reiterando, reafirmando e implementando ações que vão se fazendo necessárias tanto para o funcionamento imediato das coisas, quanto para a execução dos planos de vida nos seus ciclos maiores. Astrologicamente, meio ano se passou, período que simbolicamente é relacionado ao individuo e à sua consolidação no mundo; agora iniciamos a fase em que nos voltamos para o exterior, para o outro e sua inclusão na nossa vida.

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Christian Schloe – Stardust – Reprodução

Libra é o signo da escolha, da decisão. Signo de Ar, Cardinal, “tem fortes pontos de vista sobre justiça, harmonia e comportamento civilizado. É um signo altamente refinado. Rege todas as artes civilizadas – o teatro, salas de concerto, galerias de arte, assim como as leis com as quais qualquer sociedade civilizada é conduzida” (2). O símbolo de Libra é a balança, que traduz sua função primeira, que é equilibrar o sistema, começando por equilibrar a relação entre o eu e o outro. Libra rege os relacionamentos, não do ponto de vista do sentimento, mas de um ponto de vista racional, da necessidade de se criar parcerias, de se interagir e viver em sociedade, tendo em vista o bem comum e a harmonia entre as partes envolvidas.

Esta Lua Nova enfatiza de forma particular os ideais de Libra por várias razões. Primeiro, está muito próxima do Grau Zero, considerado um grau crítico para todo signo, um grau-semente que carrega a concentração máxima do potencial do signo; segundo porque Sol e Lua estão praticamente isolados dos demais planetas, fazendo aspectos super amplos, se se considerar orbes muito generosas. Lua e Sol fazem um sextil de quase seis graus a Marte, que está a 7°00’ de Sagitário; fazem conjunção separativa (que já aconteceu) com oito graus de orbe, fora de signo, a Vênus, que é muito importante por ser regente de Libra, mas que está também isolada a 23° de Virgem, fazendo apenas um sextil, também separativo a Saturno; e fazem ainda quadratura aplicativa (ainda vai acontecer) a Plutão em Capricórnio, com quase 10 graus de orbe – muitos astrólogos nem consideram orbes tão amplas.  É, pois uma Lua Nova ultra idealista, como idealista é o signo de Libra, que tem como estandarte os ideais da Justiça, da Beleza e do Equilíbrio.

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Desconheço o autor – Reprodução

O problema é que se Lua e Sol não fazem contatos próximos com o resto do mapa, estes ideais ficam difíceis de serem executados, porque não ressonam com elementos fundamentais para sua manifestação no mundo; há propósito consciente (Sol) e há envolvimento da alma (Lua), mas não há integração suficiente das outras partes da psique, indicando que, pelo menos a princípio, podemos nos tornar apaixonados e “possuídos” por objetivos elevados, mas tais objetivos podem se tornar obtusos porque são excessivamente perfeccionistas e talvez não realizáveis no plano real imediato. Tornamo-nos cegos e surdos para sinais evidentes de limitações, focados demais que estamos no belo quadro à nossa frente.

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Desconheõ o autor – Reprodução

Parte da dificuldade vem da pouca Água do mapa da Lua Nova, que mostra apenas Saturno em Escorpião, como planeta mais próximo da consciência, no elemento Água – também temos Quíron e Netuno em Peixes, mas como são planetas exteriores, têm menos peso. Podemos focar nos ideais de parcerias e relacionamentos e esquecer da dimensão humana, buscando ideais inalcansáveis de perfeição. Então não enxergamos o outro na sua humanidade, e tornamo-nos frios e inatingíveis, relacionando-nos bem com conceitos e idéias, mas muito mal com as pessoas.

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Fanpage Luciano Fiore – Reprodução

Aplicando tudo isso ao inicio de um novo ciclo e tendo em visto os ciclos maiores, precisamos então ficar atentos para os perigos da super idealização de projetos, pessoas, relacionamentos e esperanças, para que não corramos o risco de nos fecharmos em tais conceitos rígidos, impossibilitando os relacionamentos em nível real e verdadeiro. É hora de rever estes ideais, portanto. É hora de olhar mais de perto o papel dos relacionamentos na nossa vida; como me relaciono com as pessoas; como vejo os relacionamentos e quais ideais tenho a respeito deles; como equilibro e incluo o outro na minha vida; como integro os ideais de justiça e harmonia na minha vida diária, como manifestação dos valores e princípios que professo. E, considerando um dos ciclos maiores atualmente em desdobramento, os ciclos Júpiter-Saturno (mudanças nas leis,  economia, políticas e governos) e Urano-Plutão (transformações profundas e radicais), precisamos ver também quais destes ideais estão ultrapassados e precisam ser transformados, tanto em nível individual quanto coletivo.

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Fanpage Gena Teresa – Reprodução

Para fechar, o Símbolo Sabiano como sempre, traz imagem que ilustra e aprofunda o significado do grau da Lua Nova. Neste caso específico, para o grau 2 de Libra (1°07’) temos: “A transmutação dos frutos de experiências passadas em realizações-semente do Espírito Eternamente Criador”. Em Libra, estamos já no Segundo Hemiciclo (metade de um ciclo), que comporta o processo de Coletivização, depois de ter o individuo passado pelo Processo de Individualização, que é definido pelo Primeiro Hemiciclo (3). Como eu dizia no inicio, em Libra encontramos “o outro”, não só em nível de relações um-a-um, mas também nas interações sociais diversas; e Libra inicia a abertura do individuo para as esferas outras além do escopo individual, daí o nome Processo de Coletivização. Pois bem, recuperando o que falávamos sobre os elevados ideais Librianos e trazendo a imagética do Símbolo, eu diria que é crucial que percebamos que este é um momento único de fazermos uma avaliação acurada de tudo o que vivemos até aqui, especialmente as revoluções e realizações dos últimos anos, para transmutarmos todas estas experiências, boas, ruins, fluidas ou difíceis, em sementes de um recomeço, sementes de realizações que ultrapassam nosso limitado alcance mental; que vão além do efeito e impacto da minha história individual, mas que ressoam talvez na história humana como um todo. É crucial percebemos, como apontado por Libra, que não estamos sós no mundo e que nossa ação impacta na vida do outro, da espécie e do planeta, em maior ou menor escala, como a pedra jogada no lago, cujas ondas criadas reverberam até atingir a mais longínqua margem, até que o lago inteiro seja movimentado.

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Desconheço o autor – Reprodução

Caminhamos num ritmo e vivemos tempos cada vez mais vertiginosos e às vezes nos esquecemos das implicações da vida para além do nosso umbigo, das contas a pagar, dos objetivos pessoais ou familiares. Mas de vez em quando é preciso lembrar do nosso lugar no mundo, no Grande tabuleiro da vida, que pode ser apenas o papel do peão, do grão de areia ou da gota d’água, mas que impacta no destino da espécie e do planeta como um todo. Chegamos a um ponto em que temos que olhar a qualidade das experiências passadas, que determinará a qualidade da semente-futuro, semente que será utilizada pelo Espírito Eternamente Criador para gerar e realizar a vida a partir daqui.

Assim, esta é uma Lua Nova de suma importância, que pontua o fim de um ciclo e o início de outro, mais do que uma Lua Nova apresenta comumente, que nos convida a uma análise cuidadosa de ideais, objetivos, realizações, atitudes e modos de vida. E que nos propicia um momento poderoso de transformação de destinos e de transmutação de experiências, como o próprio símbolo diz. Cabe a cada um utilizar esta oportunidade, fazendo as alterações e movimentos necessários, ou afundar no lago da inconsciência cada vez mais, alheio ao destino maior que nos convida à superação e transmutação e que nos põe disponíveis à ação do espírito eternamente criador. O que vai ser para você?

a alma se eleva
Desconheço o autor – Reprodução

(1) Dane Rudhyar – O Ciclo de Lunação

(2) Clare Martin – Mapping the Psyche

(3) Dane Rudhyar – An Astrological Mandala

A Semana Astrológica – Escolher, equilibrar, relacionar.

sol e lua
Reprodução

Semana de 22 a 28 de setembro

Semana de novos começos, de novos ciclos, que se inicia com o Equinócio da primavera*, com o Sol ingressando em Libra na segunda-feira, às 23h29min. Teremos dias intensos que nos trazem novas perspectivas de expansão e inspiração, algo mais que necessário depois das ultimas semanas de reserva de Virgem. Marte em Sagitário quadra Netuno e Plutão volta ao movimento direto depois de ficar mais de cinco meses retrógrado. Marte também começa a formação de um Grande Trígono em Fogo com Júpiter em Leão e Urano em Áries. O quincunce entre Júpiter e Quíron que vem se armando há muitos dias fica exato.  Mercúrio entra em Escorpião às e já começa a desacelerar, pois entra em movimento retrógrado no dia quatro de outubro às 14h02min, aos 02°18’ de Escorpião. A Lua começa a semana na fase Balsâmica no signo de Virgem. É então nova em Libra e viaja ainda por Escorpião e Sagitário.

Domenique Heidy
Domenique Heidy – Reprodução

A segunda-feira começa sem foco, sob a influência da quadratura Marte-Netuno, que vira depois umaCruz T com a Lua em Virgem se opondo a Netuno. Há grande desmotivação e é preciso combatê-la a todo custo, mesmo que ainda estejamos sangrando por dentro. É preciso também lembrar que embora tenhamos ideais de perfeição, a vida e os seres humanos são imperfeitos e é esta imperfeição que evoca o nosso amor, como diria Campbell. Às 23h29min (02h29min do dia 23 para Portugal) o Sol entra em Libra, marcando o Equinócio da Primavera. Ao adentrar Libra, os objetivos passam de exclusivamente pessoais para sociais e incluímos o outro na nossa visão. Em Libra alcançamos a civilidade máxima, abstraindo-nos e expressando-nos através das artes, da diplomacia, das negociações e dos ideais estéticos. Em Libra aprendemos a escolher, a equilibrar e anos relacionar.

Plutão volta ao movimento direto na terça-feira. Enquanto esteve retrógrado tivemos a chance de revisar em que áreas da vida há a necessidade de transformação profunda, agora estes assuntos que foram revistos voltam à linha de frente para serem elucidados e lidarmos com eles. Na terça a Lua também se opõe a Quíron, faz sextil a Saturno e conjunção a Venus. O dia fica denso e lembramos de novo de nossas imperfeições e incapacidade resolver tudo e curar tudo. Mas isso pode aumentar nossa compaixão e resiliência, se nos dispusermos a olhar para o lado e sair um pouco do eixo do nosso umbigo, percebendo que o mundo e a vida são maiores do que nossas pequenas mediocridades.

A Lua Nova acontece na quarta-feira, no grau um de Libra, inaugurando um novo ciclo que pede negociação, capacidade de decisão e equilíbrio na vida, um ciclo para focarmos em nossos relacionamentos e no balanceamento entre minha vontade e a vontade do outro.

Christian Schloe stardust
Christian Schloe – Stardust – Reprodução

Na quinta-feira a Lua se opõe a Urano em Áries e quadra Plutão em Capricórnio, enquanto Júpiter faz trígono a Urano. As amarras parecerão mais apertadas que nunca e o desejo é dar um basta a tudo o que nos tolhe e controla. O amor à liberdade e a originalidade se expressam de forma irrefreada e é bom ficar atento às novas idéias e insights, porque eles jorrarão por toda a semana!

Sexta-feira é dia de Vênus, que trafega pelo fim de Virgem, ainda em recepção mútua com Mercúrio em Libra (Vênus rege Libra, Mercúrio rege Virgem), porém está sem aspectos a não ser os formados pela Lua, simbolizando um certo isolamento e dificuldade de expressar nossos afetos. A Lua em Escorpião fazendo trígono a Netuno torna tudo mais denso e profundamente sentido, e ainda assim, talvez nos escape o jeito certo de demonstrar o quanto valorizamos aqueles com quem nos importamos.

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Kate Lacour – Reprodução

No sábado a Lua Escorpiana quadra Júpiter em Leão, sinalizando de novo o conflito básico entre buscar a companhia divertida e o afago e a aprovação dos nossos pares ou preservar a necessidade de reserva e a auto-suficiência. Expansão ou contração. Mercúrio entra em Escorpião às 19h40min, já desacelerando em freio motor. A mente fica mais arguta, focada e sagaz, capaz de destrinchar os maiores mistérios e quebra-cabeças intricados.

O domingo fica soturno com a conjunção da Lua e Saturno em Escorpião, propício a investigações incansáveis, conversas metafísicas, atividades que requeiram disciplina, controle e o teste dos próprios limites. Nada muito sociável, porém. Ninguém tem paciência para firulas ou blá-blá-blá inútil, então, melhor fazer valer a pena os compromissos!

Linda semana para você!

* Na semana passada eu me confundi com as datas e movimentos celestes e publiquei que o Equinócio da primavera era no domingo, 21. Eu errei. O correto é 22 de setembro no Brasil e 23 no Hemisfério Norte.

Lua Nova em Libra – Aceita o desafio?

andrei protsouk open art group
Andrei Protsouk – Open Art Group

A Lua Nova em Libra de hoje (04/10/2013, 21h34min, Brasília) vem fazer algumas perguntas impertinentes e lançar um desafio difícil de ser ignorado, dadas as configurações presentes no céu nos tempos atuais.

Libra é o signo da harmonia por excelência. Da busca do equilíbrio e da beleza na vida. É um signo social, orientado para o relacionamento, não o relacionamento das trocas emocionais profundas, como é o caso dos signos de água, mas das trocas e afinidades intelectuais mais altas, dos debates filosóficos civilizados. Em Libra o Eu encontra um Tu, assim, diplomacia, conciliação e estratégia, qualidades tipicamente librianas, fazem um contraponto à rudeza, impaciência, impulsividade e à frontalidade de Áries.

Uma Lua Nova em Libra nos propõe então uma reflexão sobre a necessidade de equilíbrio na vida e nos relacionamentos. Sobre achar o ponto certo de harmonia entre o “eu” e o “nós” em detrimento do meramente individual. Sendo Libra um signo Cardinal, é necessário que ações sejam efetivamente adotadas nessa direção, ao invés de ficarmos somente no discurso.

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Imagem do Photobox, fanpage do Facebook

Porém, essa Lua Nova ocorre como parte de uma configuração em Cruz com Plutão em Capricórnio e Urano em Áries e cada vez que a configuração Urano-Plutão é tocada, seus temas onipresentes são realçados de forma especial. Além disso, essa Lua Nova em contato com Urano-Plutão é particularmente importante para a geração que nasceu nos anos 70, quando Plutão e Urano trafegavam o signo de Libra.

Urano tem ação radical e extrema e representa o princípio da rebeldia e do inconformismo. Uma de suas expressões possíveis é rebelar-se contra os ideais do signo em que trafega, e no mínimo, ele vem questionar e propor mudanças radicais na forma como os temas relacionados ao signo em questão são vivenciados, em nível individual e coletivo.  Plutão, por outro lado, representa poder, crises, destruição, morte, eliminação, purgação e reciclagem de tudo aquilo que não está funcionando, mas que vem sendo escamoteado, jogado para debaixo do tapete. Sendo um símbolo da sombra coletiva, ele traz à tona aquilo que ficou escondido, por um motivo ou outro, obrigando-nos a olhar para o que está errado, propondo uma destruição da presente forma para que uma reestruturação profunda possa ocorrer. Então, Urano e Plutão trafegando Libra nos anos 70 simbolizaram, entre outras coisas, o fim dos ideais de perfeição nos relacionamentos, um questionamento quanto à indissolubilidade do casamento, a despeito de sua hipocrisia e falácia.

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Com o advento da pílula contraceptiva nos anos 60, veio a revolução sexual e a mulher já não ficava tão à mercê dos ritmos biológicos de seu corpo, podendo também entrar no mercado de trabalho e ser mais financeiramente independente do homem, tornando-se mais livre para fazer suas escolhas de forma mais genuína. Sue Tompkins diz: “Plutão em Libra expôs a desigualdade entre homem e mulher, o que fez surgir os movimentos feministas no ocidente e mudanças quanto a um maior equilíbrio de poder entre os sexos.” De fato, as relações de poder entre homem e mulher começaram a mudar de forma definitiva naquela década – No Brasil, por exemplo, o divórcio foi instituído oficialmente em 1977, e até então, o desquite colocava fim à convivência e à sociedade conjugal, mas o vínculo matrimonial permanecia.

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Google Images

Em resumo, Urano e Plutão trouxeram à tona o fracasso dos modelos de relacionamentos vigentes até então, fracasso esse que já perdurava há muito tempo, mas que não era discutido. Esse fracasso foi particularmente difícil de encarar pela geração adulta de então, nascida entre 1942 e 1956, a geração nascida com Netuno em Libra, que representava um ideal de perfeição nos relacionamentos afetivos impossível de alcançar e obviamente sujeito a desapontamentos. Por outro lado, a geração que nasceu com Urano e Plutão em Libra, cresceu assistindo à falência do casamento de seus pais e a destruição do modelo de família tradicional que se tinha na época. Essa geração cresceu sem grandes ilusões quanto a esse tema, sabendo que os “laços sagrados do matrimônio” nem sempre são indissolúveis.

Pois bem, essa geração nascida nos anos 70, com Urano e Plutão em Libra, passa atualmente pela crise que dá início à famosa crise de meia idade: a quadratura Plutão-Plutão, somada com a oposição Urano-Plutão, Urano-Urano seguida depois ela quadratura Netuno-Netuno, a crise que representa um divisor de águas em nossa caminhada, quando somos obrigados a confrontar nossos sonhos de juventude e o que fizemos com eles, com o que de fato realizamos na vida. Para a geração Plutão em Libra relacionamentos funcionam como catalizadores de transformação pessoal e precisam ser vividos com honestidade ou então estamos fadados a sair de uma crise ou relacionamento destrutivo só para entrar em outro logo ali à frente. E um dos questionamentos trazidos então pela tal crise de meia idade, inaugurada pela quadratura Plutão-Plutão, que ocorre entre os 36 e 38 anos, é exatamente como estamos vivenciando nossos relacionamentos.

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Google Images

A Lua Nova de hoje vem fazer perguntas especialmente pertinentes, ou melhor dizendo, muito impertinentes,  para essa geração, que teve que lidar desde cedo com as desilusões e desapontamentos das relações humanas e sua conseqüente falibilidade: Como exercemos o equilíbrio entre o dar e o receber dentro dos nossos relacionamentos? Como balanceamos (Libra) necessidades de liberdade e expressão individuais (Urano em Áries) versus o desejo de relacionamentos (Libra) estáveis e duradouros, porém honestos e verdadeiros (Plutão em Capricórnio)? Como administramos e lidamos com nossa vontade de poder pessoal e com as questões de poder dentro do relacionamento? Como harmonizamos o conflito entre a necessidade de honestidade dentro da relação e a busca por harmonia e paz? Essas perguntas são ainda mais cruciais porque Vênus, regente de Libra trafega Escorpião, exigindo profundidade, verdade e honestidade no escrutínio. Considerando que Mercúrio e Saturno também estão em Escorpião, isso torna-se mesmo dever de casa diário.

lovers van gogh
Lovers – Van Gogh

De fato, essas são perguntas mais que impertinentes. Mas para além dos questionamentos, essas perguntas, se levadas a sério, tornam-se desafios, porque sendo cardinal essa Lua Nova exige que saiamos do blá-blá-bla e mudemos, de fato, de atitude. O desafio proposto é construirmos relações cada vez mais honestas e transparentes, honrando nossas necessidades individuais de vínculos duradouros sem nos mutilar em função desses vínculos (Sol-Lua em Libra);  ter uma relação saudável com nosso poder pessoal para que não precisemos manipular o outro como conseqüência de nos sentirmos impotentes interiormente (Plutão); ter coragem de confiar em si e no outro, desenvolvendo interesses fora da relação, que preservem a individualidade e respeitem a necessidade de liberdade de cada um, mas que também enriqueçam o tempo de viver a dois (Urano). Sobretudo, o desafio mais difícil de todos: ter coragem de acreditar que relações duradouras e honestas ainda é um sonho possível, questão dolorosa e difícil de lidar para a geração adulta de hoje, essa geração Urano-Plutão em Libra, que nasceu nos anos 70. Mas acreditar nesse sonho não quer dizer ser ingênuo e entrar cegamente nas relações. Antes, é estar ciente da vulnerabilidade e falibilidade humanas, as suas e as do outro. É estar ciente de que o relacionamento se constrói todos os dias um pouco, sob a vista constante de anjos e demônios, e que por isso, exige que vigiemos permanentemente tanto o cenário interno pessoal quanto o cenário exterior do relacionamento e exige também cuidado e investimento constantes, no próprio desenvolvimento interior e no enriquecimento diário da relação.

E então, aceita o desafio?

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Michael Cheval, artista americano – Open Art Group

Nota: Urano entrou em Libra em outubro de 1968, retrogradou a Virgem rapidamente em meados de 69, permanecendo em Libra até setembro de 1975, já Plutão entrou em Libra em outubro de 1971, retrogradou a Virgem por um período bem curto em 1972 para voltar em seguida a Libra, ficando neste signo até meados de 1983/1984.

Lua Nova em Libra 2013
Lua Nova em Libra 2013, 04 de outubro de 2013, 21h34min, Brasília