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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

Sagitário – A Busca por Significado

1SAGTDepois do mergulho profundo nas águas sombrias de Escorpião voltamos à superfície para virarmos NÔMADES e EXPLORAR o mundo, indo cada vez MAIS longe, em busca do SIGNIFICADO e do SENTIDO da Vida. Sim, chegamos ao signo de SAGITÁRIO!

Do site de Antroposofia Edna Andrade nos diz: “Sagitário não só possui um Eu como sabe que o possui e através dessa consciência intensificada ele cria uma imagem de si no exterior. Ele projeta no exterior a força de sua luta interna que é a própria luta do centauro, do ser humano emancipado por um lado na sua inteligência mas por outro lado, em luta constante para superar suas forças animalescas, seus instintos selvagens, suas forças egoísticas.” (1)

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Arcanjo Miguel – Catedral de Chartes – Reprodução

“No portal sul da Catedral de Chartres, a escultura de Micael preside as 3 hierarquias. Rudolf Steiner constantemente se refere a ele como o Regente desta nossa Época, com a missão de dominar o Dragão, o ser mítico representado pelo nosso intelecto, quando a sabedoria cósmica é apropriada através da compreensão das leis, através da ciência natural e precisa ser colocada no mundo de forma mais ampla para o bem de todos. Tanto no aspecto pessoal de construção da personalidade como neste aspecto temporal, esta luta representa um cair e levantar constantes.” (1)

 

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Sagitário – Ilustração Medieval – Reprodução

SAGITÁRIO é FOGO Mutável, Masculino, Ativo, Positivo. Traz em si toda a FÉ, o OTIMISMO e a CONFIANÇA na vida que são tão elusivos para Escorpião. AVENTUREIRO, EMPREENDEDOR, ENERGÉTICO e GENEROSO, sua fé na vida é tão grande que nada costuma derrubá-lo por muito tempo. Depois dos piores problemas, ele levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima com o mesmo sorriso confiante no rosto. As pessoas costumam invejar a sua BOA SORTE, mas não é que ele não tenha problemas como todo mundo, é simplesmente que seu grande otimismo o leva a acreditar que não importa o tamanho da confusão, no fim tudo dará certo, e por ser tão otimista, os deuses parecem de fato favorecê-lo com muitas benesses e dádivas.

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Zeus, o Deus do Raio e do Trovão – Reprodução

Claro, seu regente é nada menos que JÚPITER, Zeus para os Gregos, o poderoso Deus do Olimpo, regente de todos os outros deuses. Júpiter é chamado o Grande Benéfico. Com um regente assim, não se podia esperar nada diferente do que muita boa sorte, certo?

Sim, mas há alguns poréns: exatamente por confiar demais na boa sorte, Sagitário às vezes não se dá conta de a vida tem sim, limites, e de que algumas regras precisam ser respeitadas. Alguns de seus defeitos são a INDISCIPLINA e a FALTA DE CUIDADO, o EXAGERO, o que o leva a se meter em confusões que seriam dispensáveis.

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Símbolo de Júpiter, regente de Sagitário – Maria Eunice Sousa

A ABUNDÂNCIA parece seguí-lo e ele é abundante e generoso em sorrisos, em alegria, sendo sempre a ALMA DA FESTA com sua alegria e espírito festeiro. Da mesma forma, é extremamente popular, tendo legiões de amigos que o seguem como mariposas são atraídas para a luz.

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Sagitário by Salvador Dali – Reprodução

HONESTO, SINCERO, CÂNDIDO, ele chega a ser grosseiro tal a sua “sinceridade”, que muitas vezes é mesmo FALTA DE TATO. Também costuma ser EXAGERADO e um tanto DESASTRADO. Fisicamente costuma ter dentes grandes, para enfatizar o largo sorriso que tem permanentemente no rosto. Mas a parte do corpo que ele rege são os quadris e as coxas, e os nativos costumam tê-los bem avantajados. Corpo, aliás, que é vivenciado com desconforto, porque o corpo representa limites terrenos com os quais ele não quer lidar: o corpo precisa ser alimentado, o corpo precisa ser cuidado, asseado… O corpo precisa dormir, quando há tanta coisa para se explorar, se descobrir, se viver… mas o corpo precisa DORMIR!!! Assim, ele tenta esticar as horas do dia, tentando fazer com ele tenha 30 ou 50 horas, para viver tudo o que quer viver. Ironicamente, sem dormir adequadamente o Arqueiro vira um bicho enjaulado. É o corpo cobrando seu preço pelo maus tratos.

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Sagitário na iconografia antiga – De um livro Medieval de Astrologia – Wkimedia Commons

Ele está mesmo interessado é na visão MAIOR das coisas, na EXPANSÃO da vida. LIBERDADE, ESPAÇO, LUGARES ABERTOS e VIAGENS são essenciais para que ele se sinta confortável. Nada de rédeas ou amarras, ou ele sai antes que você se dê conta!  Ele precisa saber que todas as portas e janelas estão sempre escancaradas, mesmo que jamais vá usá-las, porque se puser tranca, ele terá um ataque de claustrofobia e jamais voltará!

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Steve Hanks – Reprodução

INTUITIVO, está sempre antenado com as possibilidades que o futuro traz, e é isso que seu símbolo, a flecha, vem nos lembrar: uma seta sempre aponta para o alto, para onde seu olhar está voltado. Por isso mesmo tem dificuldade de viver no momento presente, pois sua visão é de LONGA DISTÂNCIA e é uma visão que ele detesta ter que explicar, porque ele simplesmente “sabe” que algo é assim, então não peça para ele colocar em Palavras ou conceitos lógicos. Bah! Que coisa mais chata esse negócio de ser sempre lógico e preso a conceitos rígidos! A visão maior dispensa lógica!

As VIAGENS, especialmente de longa distancia não só estão sob sua jurisdição, como são alimento para sua alma. Ele ama viajar e correr mundo, de preferência com o mínimo de bagagem, porque gosta de andar leve, seja literal ou figurativamente. Outras viagens tão importantes quanto são as viagens empreendidas pela mente e pela imaginação. CONHECIMENTO também é seu alimento, por isso rege também o ensino superior, a FILOSOFIA, a RELIGIOSIDADE e as CRENÇAS. Está permanentemente em busca da conexão com o divino, fazendo as GRANDES PERGUNTAS da vida: Por que? Qual o sentido disso? Qual o significado? SIGNIFICADO é algo primordial, tão essencial que ele pode estar atravessando a pior das crises, mas se encontrar um sentido para tudo o que está acontecendo ele já se sente melhor. O que ele odeia mesmo é quando nada faz sentido.

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Sagitário by Oswalda Griggas – Wikimedia Commons

Uma vez que Júpiter é seu regente e Júpiter rege as leis e a justiça, estes são assuntos também muito caros ao Arqueiro, assim como a moralidade e a ética. Quando negativo, ao invés de moralidade ele descamba para o moralismo. A política também é um assunto que o apaixona porque interessa à sociedade e Sagitário é um signo SOCIAL e ele quer saber como a sociedade funciona. Aliás, ele tem uma gama de interesses tão vasta que é difícil dizer no que ele NÃO está interessado, até porque  tem uma capacidade incrível de captar com grande facilidade a essência de qualquer assunto num piscar de olhos.  Também é muito interessado na moda e costuma ditar tendências sendo o primeiro a usar coisas que os mais tímidos só ousarão depois que aparecer na Vogue. Claro, às vezes ele erra feio. De modo geral não tem medo de usar cores berrantes e contrastantes na mesma produção, especialmente se tiver estamparias grandes e exóticas que o façam se sentir à vontade, confortável, como se estivesse sempre… De férias!

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Andarilho, um dos arquétipos de Sagitário – Google Imagens

Culturas estrangeiras, países estrangeiros são coisas que o fascinam e ele tem grande facilidade para línguas também. Ele gosta de ver o diferente, de EXPLORAR novas possibilidades e de ver as soluções que outros povos encontram para certas questões comuns e universais.

Tudo muito bem, tudo lindo e maravilhoso, como Sagitário gosta. Mas será que é só isso? Será que tudo é sempre tão luminoso assim? O que dizem os mitos e as figuras arquetípicas deste signo?

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Júpiter – Beham, (Hans) Sebald (1500-1550) 1539 – Wikimedia Commons

Do livro A Astrologia do Destino, de Liz Greene, trago um resumo destes principais mitos, cujo tradução reduzida é enfatizada pelo itálico do texto: Sagitário é regido por JÚPITER, Zeus para os gregos, o poderoso soberano do Olimpo. Como sempre, olhar a figura que rege o signo pode dar pistas preciosas a respeito de sua psicologia e dinâmica. Zeus era um deus extremamente competitivo e conquistador compulsivo. Ele desbancou o pai Saturno e lhe tomou o lugar, apesar de Saturno ter tentado engolir todos os filhos para impedir isso. Ele é um deus extremamente masculino, mas seu poder vem da Mãe Terra, Mãe Rhea, embora ele tente ignorar todos os detalhes que o lembrem disso. Apesar de ter vencido os Titãs, sua vitória e ascensão ao Olimpo se deveu muito à política e a negociações envolvendo Rhea e alianças de casamento, o mais importante deles sendo com sua irmã, Hera. “Quando ele aparece como o rei vitorioso dos deuses, superando os Titãs terrosos e estabelecendo seu próprio domínio celestial, ele reflete o surgimento na consciência coletiva de um principio espiritual que é maior do que Moira, que regia o destino e a vida de deuses e mortais até então” pondera Greene – encontramos as Moiras no signo anterior, Escorpião. Com o advento da consciência o homem não está mais completamente à mercê do mundo instintual, do “fado” do destino  que lhe era dado e do qual não havia como escapar. Assim, é mais que apropriado que Sagitário venha depois de Escorpião, “porque Zeus personifica aquilo que pertence ao espírito eterno e não à carne mortal”.

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Jupiter e Juno (Zeus e Hera) by Anibal Carracci – Domínio Público

Zeus surge pois da dominação da Grande Mãe e assume o poder no Olimpo. Ele não pertence à terra, mas sim ao éter. É o Deus do Trovão e do Relâmpago; é o Grande Pai, o Grande Rei, oferecendo a luz do espírito, que agora pode almejar libertar-se das garras da Necessidade, uma das três Moiras, também chamada Ananke, aquela que tecia o Fio do Destino.

Zeus representa pois, o espírito indomável, livre, solto, sempre conquistando, sempre em busca do próximo alvo. Deitava-se com deusas, mortais, ninfas, semi-deusas, solteiras, casadas, quisessem elas ou não. Nas suas conquistas transformava-se em tudo quanto era forma para seduzir sua presa: cisne, garanhão, chuva e isso indica a grande mutabilidade do signo, sempre mudando de forma, de idéias, de projetos… Não havia limites para seu poder de sedução. Promíscuo como era, sua prole era numerosíssima e isso simboliza a infinita fertilidade do deus e do espírito, que pode imaginar e visualizar tudo em sua intuição rica e sem limites.

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Mas ele não era tão livre assim, pois estava casado com Hera, com quem vivia em brigas perpétuas, algo como nosso moderno “entre tapas e beijos”. O motivo principal, claro, era a sua infidelidade e promiscuidade flagrantes. E ela, como boa esposa ciumenta, espionava, perseguia, investigava e infernizava a vida não só das “outras”, como também da sua prole ilegítima – lembra o que ela fez com Hércules e Dionísio? Greene diz que Hera representa um espinho eterno no seu lado divino. “Esse contrato de casamento, porque há sempre um contrato, é uma obrigação e um laço permanente que o liga eternamente ao mundo feminino da forma” queira ele ou não. Sendo o Rei dos Deuses, ele não poderia simplesmente largar Hera e se livrar de suas queixas? Não, ele não poderia, especialmente porque ela era não só esposa, como irmã e eles são iguais. Eles não conseguem e jamais se livrarão um do outro. “Esses dois permanecem eternamente fechados numa batalha e eternamente casados, uma imagem do espírito-criador fogoso ligado ao mundo da forma, ao mundo dos laços e compromissos humanos, o mundo da moralidade, da “decência” e das responsabilidades mundanas, que é tanto parte da natureza de Sagitário quanto a  promiscuidade selvagem da qual Zeus é o emblema”.

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Zeus e Sêmele – Gustave Moreau – Reprodução

Esse é o padrão básico de desenvolvimento de Sagitário: sendo um espírito livre e indomável, cedo na vida cai na armadilha da qual ele tanto corre: as obrigações do casamento e da vida mundana. Ou porque ele ou ela engravidaram, ou porque são presas de artimanhas – sim, ele é muito ingênuo às vezes – o fato é que esse “contrato” vira um laço que é sentido como uma espécie de armadilha que o obriga a levar uma vida “decente”. Claro, há muitos que evitam essas coisas como o diabo foge da cruz, e seguem feito andarilhos, mundo afora, de montanha em montanha, de trilha em trilha, sem lenço e sem documento, felizes por não carregar as tais bagagens pesadas. Mas mesmo estes uma hora se deparam com o seu “destino” e precisam descer à terra e cumprir certas obrigações.

Io with Zeus, by Giovanni Ambrogio Figino.
Io e Zeus by Giovanni Ambrogio Figino – Domínio Público

Como diz Greene, “Sem Hera, Zeus não seria nada. A maior parte de seu poder ele deve a ela e na verdade, é a própria tensão causada pelo laço do casamento que o faz ser infiel. É esse laço que o mantém vivo e vital. Sem esta fricção ele se tornaria preguiçoso e displicente, qualidades que demonstra em várias de suas estórias e é duvidoso se ele perseguiria tantas amantes com tamanho entusiasmo se elas não fossem proibidas a ele.”. 

O que é o espírito, o talento, a criatividade, a imaginação se não forem manifestadas no mundo concreto? É isso o que Hera representa, a necessidade de obedecer a regras e limites quando se quer chegar a algum lugar. A fertilidade, o talento não chegam sozinhos a lugar nenhum. Se não houver grandes doses de trabalho, transpiração, COMPROMETIMENTO, ficaremos somente nos sonhos, nos ideais, nas imagens fabulosas da imaginação, sem nunca realizar nada.

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Zeus e Hera – Desenho de baixo relevo de um altar romano – Domínio Público

Por isso, assim como Gêmeos, seu oposto complementar, Sagitário está relacionado também ao arquétipo do Puer Aeternus, a Criança Divina que não quer crescer e que representa os potenciais infinitos e ilimitados do espírito humano. O mundo está cheio de Puer Aeternus e Peter Pans, especialmente o mundo das artes e do entretenimento. Aquele grupo sombrio de artistas que morreram aos 27 anos de forma trágica é povoado por eles. Jimmi Hendrix, Janis Joplin, James Dean, Amy Whinehouse, só para citar alguns. Sem Hera, sem Wendy, Zeus e Peter Pan viram uma anomalia na Terra do Nunca, cheios de possibilidades e potenciais nunca realizados, nunca concretizados, seja por preguiça, por receio ou por terror de falhar.

Assim, por pior que a “armadilha” pareça, o corpo, o casamento, o trabalho, a carreira, o filho… Ainda é isso o que faz o Centauro crescer e mobilizar seu espírito criativo em algo tangível e palpável.

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Quíron – Reprodução

Um outro mito que não pode deixar de ser mencionado é o mito do Centauro Quíron.  O mito de Quíron tem várias versões diferentes. Às vezes ele é retratado como ancestral dos centauros, criaturas que eram metade cavalo e metade humanos. Em algumas versões os centauros descendiam de Centaurus, filho de Apolo e Estilbe, ou de Ixion e Nephele, uma nuvem feita à semelhança de Hera. Os centauros habitavam o Monte Pelion, na Tessália, região da Grécia. Na versão mais conhecida do mito, Quíron era filho de Cronos (Saturno) e da ninfa Filira, filha de Oceano e Tétis. Cronos viu Filira pela primeira vez quando procurava por Zeus, que tinha sido escondido por sua esposa Rhea. Filira tentou fugir de Cronos transformando-se numa égua. Ele perseguiu-a ainda mais e enganou-a transformando-se também num cavalo, conseguindo assim consumar a união, da qual nasceu Quíron, que tinha pernas e corpo de cavalo e torso e cabeça de homem. Quando ele nasceu, Filira ficou tão enojada e desgostosa que implorou aos deuses para ser transformada em algo diferente do que ela era. Os deuses atenderam seu pedido transformando-a na árvore Tília. Liz Greene fala que não importa a versão do mito, o que importa é que ele é um filho da terra, por um Titã ou um mortal, ele não é do Olimpo.

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Saturno e Filira – Reprodução

Quíron foi abandonado e encontrado depois por Apolo, que se tornou seu pai adotivo. Ele cresceu forte e saudável e Apolo ensinou-lhe muitas artes. Era muito inteligente e tornou-se um professor muito sábio e respeitado, a quem todos os heróis gregos, filhos de reis e de deuses eram enviados para com ele estudar. Era musicista, profeta e um médico e curador potente, também grande herbalista e filósofo brilhante. Além disso, era correto, nobre e íntegro. Ele foi o mentor de muitos heróis gregos famosos, como Jasão, Aquiles, Hércules e Asclépio, ou Esculápio, o deus da medicina. Mesmo assim, Quíron trazia consigo o dilema intrínseco da dualidade: não era nem cavalo nem homem. Seus iguais, centauros, eram criaturas extremamente primitivas, devassas, desregradas e grosseiras. Já Quíron tinha uma natureza benigna e pacífica, portanto não se sentia à vontade entre os seus. Como não era humano, também não se sentiam completamente confortável entre os homens. “Ele era uma deidade ctônica e pertence àquele grupo de meio-animais fálicos que eram tutores dos deuses, simbolizando a sabedoria da terra e do próprio corpo”. Diz Liz Greene

Uranographia by Johannes Hevelius. The view is mirrored following the tradition of celestial globes, showing the celestial sphere in a view from ouside
Uranografia by Johannes Hevelius – Wikimedia Commons

Ele se tornou o Rei dos Centauros. Mas um dia, Quíron se feriu numa das flechas que Hércules tinha molhado no veneno letal da Hidra de Lerna, aquela que encontramos em Escorpião. Numa versão do mito ele teria se ferido durante uma briga entre os centauros e Hércules. Em outra ele teria se ferido por acidente. O veneno da Hidra era letal e matava instantaneamente; porém, por ser filho de um Deus, Quíron era imortal. Assim, criou-se um dilema sem solução e o resultado foi uma ferida hedionda que doía de forma excruciante, para a qual não havia cura possível. Assim, ele está aprisionado, sendo o próprio corpo a sua armadilha. Ele se fere na coxa ou no joelho, a parte do corpo que nos sustenta, sobre a qual nos mantemos de pé e também um sinal de que a ferida é na sua natureza animal. Greene diz que Quíron é apenas um de uma longa lista de deuses ou semi-deuses, imortais, que são feridos fisicamente, geralmente nos pés ou pernas, tornando-se aleijados, uma ferida na sua relação com a realidade física. Uma mistura irônica de luz e de sombra. “Meu sentimento é de que essa tristeza e essa ferida são parte integral de Sagitário e formam um tipo de depressão ou desespero abaixo da superfície otimista e luminosa do signo. Acredito que é por isso que Sagitarianos podem ser tão maníacos nos seus esforços extremos para ser feliz e divertido. Zeus pode criar relâmpagos e trovões nos céus e não há signo mais positivo ou resiliente. Mas escondido na caverna está o Centauro sofredor, que pode curar e dar conselhos sábios a todos os males dos homens menos para o próprio, que é envenenado pela colisão de sua natureza benigna com a escuridão e o veneno do mundo”.

Quíron retratado mosaico encontrado em Edessa, do sec Vou VI
Quíron retratado em mosaico encontrado em Edessa, do sec V ou VI – Wikimedia Commons

Possivelmente, por causa dessa mesma ferida e dessa mesma tristeza, Sagitário seja capaz de oferecer esperança aos outros e não apesar dela. O que fica claro a partir da estória de Quíron e de Zeus é que este signo não fica confortável no corpo, porque o corpo é a prisão que o tolhe e causa sofrimento. E o corpo representa também os limites da realidade, da experiência de ser humano. Por isso, às vezes o vemos tornar-se catequizador, fanático, um verdadeiro pregador da fé e do otimismo, tornando-se o dono  da verdade, tentando a convencer a todos do seu credo, para esconder as profundas dúvidas internas a respeito daquilo que tão enfaticamente prega; e mesmo sendo um signo incrivelmente honesto e direto, pode aos poucos ir fazendo uso da hipocrisia, novamente para mascarar essas dúvidas, que ele não ousa admitir nem para si mesmo. Para ele é muito difícil admitir que seu otimismo exuberante não consegue vencer todas e que há um lado sombrio na vida, que não faz sentido, que não tem explicação filosófica ou metafísica que justifique. O Palhaço é uma das figuras arquetípicas deste signo, exatamente porque configura aquele que faz rir de forma histérica, colocando uma máscara sorridente e espalhafatosa, quando às vezes, por dentro, ele está afundando na tristeza. Se se encara isso, esse buraco negro da dúvida, pode ser desesperador demais, então ele prefere sorrir. Alguém já disse que não é uma boa idéia tirar a fé de um homem, porque às vezes, isso é tudo o que ele tem.

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O Palhaço, um dos arquétipos de Sagitário – Reprodução

Liz lembra que Zeus preside Sagitário, como seu regente, mas Quíron está ali, uma presença incômoda e desconfortável, a lembrar a esse otimista Todo-Poderoso que ele ainda tem que lidar um lado humano e falho e que há coisas que ele não vence com seu otimismo inabalável. O corpo, sendo sentido como um alienígena, pode ser esse lado da vida que é desconfortável, complicado de entender e honrar. A ferida, diz Liz, “aponta para cima e para a eterna vida do espírito; também aponta para baixo, para a igualmente divina vida do corpo que deve suportar tal alma de fogo e sofrer de acordo com ela. Como o magnun miraculum do Corpus Hermeticum, Sagitário é uma criatura de dignidade e honra, parte daimon e parte deus, parte animal e parte imortal, que volta seus olhos para a parte imortal de si mesmo e que deve pagar o preço necessário de cuidar do corpo sofrido que ele ignorou por tanto tempo. 

Signo-Sagitário
Sagitário by Johfra Bosschart

Figuras Arquetípicas de Sagitário

Zeus e Hera; O Pai Divino; O Puer Aeternus; Peter Pan; A Criança Divina; Quíron, o Centauro; O Viajante Aventureiro; O Cigano Andarilho; O Explorador de Novos Mundos; O Filósofo; O Professor; O Padre; O Pastor; O Missionário-Evangelizador; O Palhaço;  O Jogador

O Oposto de Sagitário é Gêmeos. Os dois se preocupam com juntar e distribuir informações e conhecimento, com educação e viagens. Mas enquanto Gêmeos volta-se para os detalhes e com os fatos, Sagitário olha para o todo e para o significado das coisas. Gêmeos quer saber como as coisas funcionam, Sagitário quer uma filosofia e uma visão geral de tudo. Por isso os dois sempre sentirão uma fricção ao se encontrarem, positiva ou negativa, porque um é a sombra do outro.

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles

(Richard Bach)

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O Templo de Zeus em Atenas – Foto: Maria Eunice Sousa

Um dos principais aspectos da sombra de Sagitário é a necessidade de pertencer ao grupo “certo” e conhecer as pessoas certas, de “grandes nomes”. Se as pessoas não são “úteis”, elas não existem para ele. Ele pode se tornar também um prometedor volúvel, que promete tudo, mas nunca cumpre nada, pois mutável como é, simplesmente esquece daquilo que prometeu. Isso tem a ver com a dificuldade em lidar com a realidade e as limitações do aqui e agora, já que vive constantemente no futuro, num mundo fantasioso, onde tudo é possível e tudo sempre dá certo. No fundo é um grande imaturo, uma criança que se recusa a crescer. Outro aspecto é ainda o pregador moralista, o catequizador, o fanático, que acha que só sua verdade é válida. Ele pode ainda se tornar superficial e fofoqueiro, tornar-se excessivamente lógico e racional, firmando-se em evidências, mas perdendo a visão maior e o significado das coisas. “ele perde sua integridade duramente conquistada ao se tornar um moralista arrogante e hipócrita, aquele que se orgulha do nome que carrega, tirando vantagens do status social”.

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Símbolo de Sagitário na Sinagoga de Mosav Zkenim – Wikimedia Commons

Meditação para Sagitário

Sagitário é o signo da Alegria, então, nesta meditação vamos trabalhar a nossa capacidade ou não para a Alegria.

Este exercício é tirado do oráculo do Osho. Se sentir que precisa, pode fazer mais de uma vez. Faça  exercício sempre sentado, palmas das mãos apoiadas nas pernas, olhos fechados. Respire profunda e calmamente, até relaxar completamente. Pense que a intenção deste exercício é incluir você no mundo.

E ouça, no isolamento do seu quarto interno, muitas crianças cantando uma cantiga de roda. Abra a janela e veja que elas estão de mãos dadas girando ao redor de uma fogueira. Sinta a música, o calor e a alegria desta roda. Vá até ela encontrando um espaço para também dar as mãos às crianças, cantar e rodar com elas ao redor do fogo.

Olhe bem para este fogo e, mentalmente, atire para dentro dele todos os sentimentos que impedem você de fazer parte da alegria e da celebração da vida. Então, livre-se dos impedimentos, sinta-se completamente integrado nesta mandala viva de seres felizes. Então, respire e abra os olhos. Se desejar, escreva ou expresse-se conforme o seu coração mandar.

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Reprodução

Música para Sagitário