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Lua Nova em Sagitário – Moldando a realidade

Blossonfab.tumblr – Reprodução

Começamos mais um ciclo lunar nesta segunda, dia 18 de dezembro, às 04h40min no horário de Brasília e às 06h40min no horário de Lisboa. A Lua se renova a 26°31’ de Sagitário, separando-se de uma conjunção a Vênus e estando, Lua e Sol, também em trígono a Urano e em quadratura a Quíron. Mas, mais importante é a conjunção a Saturno, dois dias antes de este ingressar em Capricórnio, o que nos diz que essa lunação vem enfatizar o trânsito de Saturno por Sagitário! É como se, depois de três anos neste signo, ainda temos a chance de finalizar qualquer coisa que tenha ficado pendente a este respeito. Mesmo Saturno ingressando em Capricórnio no dia 20, ainda teremos algumas reverberações de Saturno em Sagitário até que se finde este ciclo da lunação de hoje.

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O ciclo de Sagitário é o período do ano de nos projetarmos no futuro, qual lança ou flecha arremessada muito longe, no espaço a perder de vista, mas num alvo que enxergamos com nossa imaginação e com nossa fé! É o período de ampliarmos nossas possibilidades, nossa percepção da realidade, de buscarmos nos expandir, material e filosoficamente. O trígono a Urano ressalta esse impulso para o futuro, entretanto, a conjunção a Saturno indica que precisamos olhar para este futuro com muito realismo, pragmatismo, pé no chão. Não dá para apostar alto demais sem medir as consequências; não dá para sermos ingênuos – não podemos nos dar a esse luxo! Não dá para fingir que não vemos as dificuldades e limitações que estão diante de nós! Não. Ainda assim, precisamos olhar para o futuro e acreditar que podemos aspirar a melhorias, desde que estejamos dispostos a assumir nossa responsabilidade e a trabalhar muito e conscientemente por tais melhorias! Precisamos ter fé e esperança, mas também precisamos trabalhar duro, e muito!

O grau 26° de Sagitário também é chamado o Centro da Galáxia, seria o “Sol” do nosso Sol, o coração do Sistema Solar! Uma lunação neste grau sugere que precisamos estar mais conscientes, atentos e despertos do que nunca, para nossos propósitos como indivíduos, como também para os propósitos da espécie humana, da vida na Terra. Isso aumenta nossa responsabilidade, não só no âmbito individual, mas também quanto à contribuição humana que damos no lugar em que estamos, naquilo que fazemos, no dia a dia e no longo termo. Qual a contribuição que damos? Aumentamos o peso ou trazemos leveza?

Lua Nova em Sagitário – Brasília, 18 de dezembro, 04h40min

Olhando este mapa mais de perto, além do que já foi dito sobre os aspectos que a Lua Nova faz, vemos que temos seis corpos celestes em Fogo: Urano em Áries e Mercúrio, Vênus, Sol, Lua e Saturno, todos em Sagitário. Apenas Plutão em Terra! Muitas aspirações, muito otimismo e idealismo, mas como vamos concretizar tais aspirações? Temos as condições necessárias? Em alguns casos ou situações, pode ser que resvalemos no oposto da polaridade, e nos tornemos céticos, duros, desconfiados da vida e de suas possibilidades, com medo do que nos espera ao virar da esquina… Um único planeta num elemento, muitas vezes, pode se manifestar com muita força, como mecanismo de compensação.

Também não há Ar neste mapa. Há três planetas em Água, o elemento oposto: Marte, Júpiter e Netuno, mais o asteroide Quíron. Então, não há objetividade para analisarmos e julgarmos as coisas adequadamente, vamos de um extremo a outro, sem conseguir achar o caminho do meio. Um mapa/céu composto de Fogo e Água nos diz há excesso de subjetividade, um olhar unilateral para as coisas, uma falta de imparcialidade. Pode ser então um ciclo em que estamos meio cegos pelas nossas paixões, pelas nossas convicções e crenças, o que requer cautela porque vemos tudo colorido pelas nossas próprias cores, e não como as coisas são realmente, com suas cores reais. Mais uma vez, a presença forte de Saturno aponta para a necessidade de realismo e atenção aos limites. Há que se ter cautela com a expressão de opiniões apaixonadas – característica do trânsito de Saturno por Sagitário e que nestas últimas semanas poderão ficar ainda exacerbadas. Não precisamos ter uma opinião sobre tudo, nem temos que expressá-la aos quatro cantos do mundo via redes sociais! Quem disse que o falamos sobre A ou B é tão notável? E de opinião, logo emitimos um julgamento, uma condenação, às vezes sem nem mesmo estar cientes de todos os fatos e detalhes… Precisamos ter mais humildade! Não somos tão importantes assim! Possivelmente o trânsito de Saturno por Capricórnio nos faça cair mais na “real”, dos exageros que andamos cometendo, em nome de expressar aquilo em que “acreditamos”.

Júpiter, regente da Lua Nova, está atualmente em Escorpião, simbolizando que muitos “podres” que ficaram escondidos por muito tempo agora chegam ao conhecimento público, são discutidos e abordados, para que a própria hipocrisia social seja enfrentada.  embora de uma forma diferente, Júpiter em Escorpião sugere algo parecido ao texto de Saturno em Sagitário: a verdade precisa ser vista, resgatada, purgada, ou nossos ideias cairão por terra, frágeis e ocos!

Além disso, precisamos nos dar conta de que estamos num tempo de transição, no limiar de algo novo, ainda obscuro e incógnito; estamos saindo de um mundo e uma realidade que conhecíamos, entrando num mundo e tempo desconhecidos e períodos de transição são sempre estressantes, porque trazem muita insegurança, muita incerteza, medo! Havemos de nos dar conta do que precisamos fazer, por nós mesmos, e vigiar para não cair presas do medo coletivo. Michael Lutin diz que Saturn representa a ansiedade atual presente na mente da massa e agora Saturno está, ele mesmo, em transição… Nossos medos se modificam junto, mas não podemos deixar que nos dominem e levem a melhor de nós. É necessário nos conscientizarmos sobre eles, para que não rejam nossa vida e nossas decisões. É necessário mantermos e preservarmos o senso de individualidade, num momento em que a massa está sintonizada com o medo, o terror, a rigidez, a intolerância. Num momento em que o discurso se tornou vazio e o falatório opinioso, ensurdecedor, é necessário calar, silenciar, para achar nossa própria voz interna e escutar o que ela tem a nos dizer. Seguir o ritmo to tambor interno, o coração, para nos preservar de batidas ilusórias que nos levarão ao precipício.

Este céu também traz uma forte concentração de planetas num espaço que compreende cerca de 170 graus, entre os signos de Escorpião e Áries, uma formação de Tigela, com Marte na liderança. Esse padrão e o fato de ser liderado por Marte, por um lado, aumenta a subjetividade e a “cegueira” intelectual, a paixão por nossas convicções o que pede mais atenção; positivamente sugere muita determinação e vontade de realizar os objetivos, sejam eles quais forem!

Neste mapa, Sol e Lua fizeram conjunção a Vênus, a beleza, o prazer, a harmonia, a leveza. Logo depois se depararam com o desprazer e a dor representados por Quíron; a percepção de que, mesmo as situações mais prazerosas e felizes às vezes não são suficientes para nos fazer esquecer das nossas chagas e feridas; tiveram ainda um encontro fortuito com Urano, aspirações de mudanças, frescor, novidades; por fim, Sol e Lua encontram, intimamente, a Saturno e precisam – precisamos – fazer um contraponto, uma síntese bastante realista entre – Vênus,  Quíron e Urano entre o prazer, a dor e a elaboração intelectual disso; a leveza e o peso de viver, de estarmos vivos, no aqui e agora, embora aspirando ao futuro e a novas possibilidades.

Portanto, apesar de Saturno entrar em Capricórnio no dia 20, depois de amanhã, muitos temas e assuntos relativos a Saturno em Sagitário ainda estarão repercutindo e ressoando até o dia 16 de janeiro, data da próxima Lua Nova. Que temas são estes? Leis, juízes, magistrados, relações internacionais, imigração, fé, religiões, espiritualidade, filosofias, educação, vida acadêmica, universidades, conhecimento erudito… Tudo o que foi auditado recentemente e no último minuto, ainda sobra uma lauda para escrever, uma questão para pontuar, um último puxão de orelha a dar ou a tomar.

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O Símbolo Sabiano para o grau 27° (26°31’) de Sagitário traz uma imagem maravilhosa: “Um Escultor fazendo seu trabalho”. O tom principal deste símbolo, de acordo com Dane Rudhyar, é a capacidade de projetar uma visão e dar forma à matéria. Analisando este símbolo, Rudhyar nos diz que “nesse estágio, vemos o indivíduo expressar sua individualidade única. Ele tira os materiais do seu ambiente sócio-geográfico e os molda para que revelem a outras pessoas algo da sua vida interior e de seu propósito”.

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Sagitário é um dos signos relacionados à figura do Puer Aeternus, a criança eterna, divina, cheia de potenciais criativos e luminosos. Sua versão moderna é o Peter Pan. Ocorre que Puer tem muita dificuldade de realizar esses potenciais criativos, porque luta com os limites impostos pela realidade, pela encarnação. Enquanto está elaborando, imaginando, suas ideias são brilhantes e perfeitas, mas, uma vez concretizadas, por mais que seja uma obra-prima, não será perfeita, porque é da natureza da realidade e da matéria serem imperfeitas, e a concretização de qualquer coisa se dá através da matéria, então, toda realização, é necessariamente imperfeita. Esse é o desafio do artista e de qualquer um que queira realizar qualquer coisa: lidar com a imperfeição, lidar com o desapontamento de ver seu feito e sua obra não fazerem jus à integridade e ao primor da imaginação e, ainda assim, ele precisa moldar a matéria e realizar sua obra. O Puer precisa crescer e integrar o Senex, o Velho arquetípico, o outro lado da polaridade: é preciso crescer e amadurecer, sem se tornar cínico, descrente, insípido, seco. É preciso amadurecer, mantendo a graça do encantamento, mesmo nos períodos incertos, difíceis, tenebrosos, de terror e dureza.

Sagitário – Owalda Grigas – Reprodução

Nestes últimos anos fomos confrontados com o desmoronamento de muitas das nossas crenças e esperanças, aquelas crenças vazias, aquelas esperanças ilusórias… Muitas não passaram no teste de realidade de Saturno, algumas se provaram verdadeiras e confiáveis. O mundo mudou e está mudando cada vez mais rápido, de modo que o futuro que aconteceria amanhã, já bate na nossa porta hoje, tão vertiginoso é o ritmo das mudanças… Isso é assustador, especialmente porque muitas máscaras caíram e continuam a cair. Contudo, mesmo diante dessa instabilidade, é preciso reavaliar nossos recursos com olhar crítico, rever o curso da nossa jornada, checar a bússola e retomar o caminho, seja o caminho antigo ou um novo, numa mesma direção ou noutra, completamente diferente. Apontar a flecha para o alto, mirar nosso alvo, intuitivamente, mas também objetivamente, sem tirar os pés do chão – só conseguiremos mirar alto e atingir nosso alvo, se estivermos devidamente ancorados, solidamente, na realidade. Realisticamente, apostar feito o artista, que sabe que a matéria não fará jus à sua ideia criativa, e ainda assim, transpor a imaginação para tal matéria limitada e regozijar-se com os resultados. Para dar forma à imaginação, é preciso abrir mão dos ideais de perfeição.

Como diz Rudhyar, “O ‘escultor’ representa o homem como uma intenção individual criativa de deixar sua marca na sociedade. Este é um símbolo da capacidade do homem de transformar a matéria-prima de acordo com sua visão pessoal – assim, é um símbolo de auto-projeção num trabalho ou obra”. E se a matéria é a realidade, estamos falando de moldar nossa realidade, de estar conscientes da realidade que criamos – não estou falando da lenga-lenga da auto-ajuda, mas dos nossos pensamentos, ações e atitudes diários, dos hábitos que não nos damos conta que moldam nossa vida. Como moldamos essa realidade? Estamos conscientes disso?  Este símbolo ilustra perfeitamente os temas dessa lunação, acontecendo em conjunção a Saturno! Precisamos nos responsabilizar pela nossa visão, pelo sonho! A Criança Eterna precisa crescer, enfrentar a realidade, sem se deixar amargar ou paralisar pelo seu peso! A despeito de toda a descrença, dentro e fora de nós, ainda precisamos acreditar na obra criativa que queremos realizar e crer que ela fará diferença, apesar de tudo, ou talvez, por causa de tudo que temos visto acontecer. Insistir na obra criativa, insistir em se melhorar, mesmo com o mundo desmoronando ao redor. Quanto mais enlouquece o mundo, mais sãos e conscientes precisamos estar!

Feliz Novo Ciclo para você!

Johfra Bosschart – Reprodução
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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

Reprodução

(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala