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A Semana Astrológica – Coração Sangrando

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Semana de 03 a 09 de abril

Semana de crescer e investir no que foi semeado na Lua Nova, nos projetos do ciclo e do ano – essa plantação não vai crescer sozinha, sem cuidados! Mas começa também um período de revisões importantes.

Esta é outra semana que começa “fervente”, mas que vai ficando melindrosa e delicada conforme os dias vão se desdobrando. A fervura se dá devido aos contatos feitos pelo Sol Ariano, primeiro na oposição a Júpiter, depois quadratura a Plutão e ainda fecha a semana conjunto a Urano, conjunção exata na semana que vem, já a suscetibilidade vem da quadratura que Vênus retrógrada fará a Saturno e da conjunção a Quíron.

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O Sol faz esses aspectos tensos a esses planetas quatro vezes ao ano, de ângulos diferentes. Às vezes se alia a Urano, como agora, em janeiro se aliou a Plutão, em outubro se uniu a Júpiter… tudo isso simbolizando a necessidade constante de nos reinventarmos, de mantermos em cheque nossa insatisfação com nossa vida em geral, mas principalmente conosco mesmos. Também questiona a quantas anda nossa integridade e nosso comprometimento com a verdade. Se não estamos cientes dessas questões, experimentamos tais movimentos/aspectos como tensões provenientes do mundo exterior, que desestruturam e desestabilizam nossas vidas arrumadinhas. Mundanamente, representa as ebulições sociais e coletivas, que repercutem na vida de cada um, individualmente. Portanto, esta é uma semana que traz algumas convulsões e ebulições, individuais e sociais. Como se não bastasse, Marte, regente do Sol, também faz contatos com dois desses planetas: faz quincúncio a Júpiter indicando uma oscilação no nosso entusiasmo, no otimismo e a tendência de nos alternarmos entre um ceticismo inflexível e arroubos pouco práticos. O que nos cabe é achar o caminho do meio e tentar conciliar esses dois extremos: temperar nossa ação e afirmação com uma motivação que nos eleve e que equilibre toda essa busca pela estabilidade. Nem só de bom senso é feita a ação correta. Excesso de bom senso mata a criatividade. Já o aspecto a Plutão sugere um aumento de força, determinação e adiciona longevidade à nossa energia, de modo que o esforço fica mais concentrado e efetivo. O que precisamos mesmo é dosar e equilibrar entusiasmo com bom senso.

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O bom senso, aliás, entra em revisão, junto com o que entendemos por estabilidade e segurança. Mercúrio estaciona no sábado para entrar em retrogradação no domingo, a 04°50’ de Touro e só volta ao movimento direto no dia três de maio. Se, com Mercúrio retrógrado, as coisas tendem a ficar mais lentas, sendo essa retrogradação em Touro, tudo paralisa e estaciona… tudo se delibera e pode haver maior hesitação na tomada de decisões. Pode haver também tendência a extremos: rasgos de extrema inflexibilidade alternados com momentos de caos completo – a resistência à mudança fica acentuada, mas pode piorar tudo – o ideal é soltarmos, porque afinal, não controlamos nada mesmo, por mais que queiramos acreditar que sim. Ao ficar retrógrado em Touro Mercúrio propõe uma revisão na forma como pensamos a estabilidade e a segurança material; como nossos conceitos acerca de habilidades, talentos, afetam nosso senso de valor; sugere uma reavaliação na forma como a mente se relaciona com o corpo e todos os seus sentidos. É hora também de revisar aquelas ideias rígidas, inflexíveis sobre como o mundo deve funcionar ou sobre o que é ou não verdade, sobre o que é ou não real… Ver para crer? Convenhamos, é uma forma limitada de pensar a vida, afinal, você não vê seus próprios pensamentos e eles existem, certo? Mercúrio retrogradará até Áries e aqui a conversa é outra: rever e revisar a forma egocêntrica de nos comunicarmos, a grosseria disfarçada de honestidade e atitude, os planejamentos relapsos – ou mesmo falta completa de planejamento – mascarados de agilidade ou criatividade. Em termos práticos, quando Mercúrio está retrógrado há tendência a mudanças de planos sem aviso prévio, a atrasos e imprevistos nas locomoções e sugere-se evitar assinaturas de contratos e acordos, compra/venda de valor expressivo, cirurgias. Por outro lado, é um ótimo período para se revisar escritos, estudos, projetos, planejamentos, e tudo que o que se tenha executado/realizado nos últimos três meses.

Retrogradação – quero incluir uma nota geral sobre o movimento retrógrado. A despeito das previsões tenebrosas acerca da retrogradação, este período representa uma pausa necessária para todos, planetas, pessoas e assuntos envolvidos. Imagine, por exemplo, que você está escrevendo um artigo ou uma tese/monografia ou mesmo um simples e-mail. Antes de dar a tarefa por terminada e enviar/entregar ao destino final, você vai parar e fazer uma revisão das ideias apresentadas no documento, da ortografia, das regras ABNT, e às vezes, até da necessidade em si de estar fazendo tal coisa, certo? Ninguém é maluco de enviar sem fazer essa revisão – ou se é, já deve ter se metido em várias enrascadas como consequência. Outro exemplo simples: todos nós precisamos de férias periódicas e anualmente tiramos um tempo – ou pelo menos deveríamos – para descansar mais efetivamente, para relaxar e mudar de ares. Entramos em standby. Outro exemplo tão simples quanto: o carro, veículos e máquinas em geral precisam de revisões periódicas para fazer regulagens, trocas de peças, ajustes, etc. Então, podemos ver a retrogradação dessa forma: um período em que os assuntos regidos por aquele planeta entram em standby porque precisam ser revisados, checados, reavaliados, regulados. Portanto, não vamos ver a retrogradação como uma catástrofe ou um desastre terrível do qual não podemos fugir. Não. Podemos até experimentar dificuldades, quando insistimos em manter tudo como estava, como se tudo seguisse o curso normal, quando na verdade, estamos em marcha à ré, mas se formos flexíveis e estivermos abertos ao que a vida nos traz, podemos nos deparar com boas oportunidades e entender melhor como nós mesmos funcionamos. Portanto, retrogradação é oportunidade e não desastre. Vamos nos alinhar com a energia e fazer o que a retrogradação daquele planeta propõe. Certo?

The Heartache – Christian Schloe – Reprodução

Vênus continua retrógrada ainda por duas semanas e regressou a Peixes neste domingo, dia dois, de onde fará quadratura a Saturno e conjunção a Quíron – a conjunção a Quíron não ficará exata, mas ainda assim será potente, visto que Vênus estaciona nessa conjunção, de menos de um grau, no dia 14. Portanto, pelas próximas quatro semanas as relações ficam na berlinda triplamente: pelo fato de Vênus continuar retrógrada – e mesmo depois do dia 15 ainda estará na zona de retrogradação – pela quadratura a Saturno e pela conjunção a Quíron, o que significa um mês bem doído em que rancores e rejeições do passado podem voltar para nos assombrar e podem mesmo atrapalhar relações atuais, caso não saibamos separar as “estações” e as feridas e cicatrizes. Vênus-Saturno traz à tona questões de confiança ou quebra de, incertezas e dúvidas sobre se podemos nos abrir e nos entregar realmente nas relações, se seremos desapontados ou rejeitados – e aqui precisamos reconhecer quando nossas expectativas são altas demais. Como diz Adriana Vasconcelos, “felicidade é quando a gente sente que pode se ‘desarmar’ e confiar nas pessoas sem medo de ser ferida” – essa felicidade, nesse momento, parece fora do nosso alcance, porque simplesmente não conseguimos nos desarmar. Positivamente, podemos ter vislumbres das repetições de padrões na vida afetiva e podemos, para variar, nos responsabilizar pelos altos e baixos e estragos que acontecem conosco, ao invés de simplesmente reclamar de “dedo-podre” atribuindo à/ao fulana/o a culpa por dores, coração partido, rejeições, mágoas e o que quer que seja que nos impede de ser/estar felizes conosco mesmos e com nossos pares. Bancar a vítima é muito démodé e não nos levará a nenhum progresso. É mais salubre olhar para si mesmo e para as próprias inseguranças e se perguntar por quê continuamos a nos envolver com o mesmo tipo de pessoa, travestida em corpos/cores/roupagens diferentes. O que há em comum nessa repetição do padrão? O que é que sempre se repete: nossa presença no enredo, o que significa que o problema somos nós, até porque, como já sabemos só conseguimos mudar a nós e não ao outro. Por que insistimos em nos enganchar nos desvalidos da vida? Por que essa vocação para “salvar” alguém, ainda mais quem não quer e não pediu para ser salvo? Por que nos colocamos na situação exata que temíamos, ou seja, de rejeição e abandono? Porque talvez tenhamos aprendido, lá na infância um modelo deturpado de amor, mas esse modelo pode ser desconstruído e em seu lugar podemos elaborar um modelo mais saudável de amor, mas antes é preciso sermos honestos quanto à nossa responsabilidade em tudo isso e não bancar os coitadinhos ingênuos.

John Holcroft – Reprodução

Essa quadratura que Saturno recebe de Vênus é ainda mais melindrosa porque ambos os planetas estarão retrógrados, visto que Saturno também entra em retrogradação nesta semana, na quinta-feira, o que sugere que a revisão dos assuntos implicados é ainda mais necessária. Também é importante o fato de que tal quadratura ficará ativa por praticamente todo o mês de abril, porque Vênus vai estacionar em conjunção a Quíron e em quadratura a Saturno e depois empreenderá o longo caminho de volta, fazendo o mesmo aspecto três vezes – ou seja, o mês de abril está deveras melindroso para os relacionamentos e também para a autoestima e para os investimentos financeiros. Mas é um bom momento para desmanchar, desfazer padrões, romper com modelos antigos de viver as relações, mesmo os mais destrutivos – porque não conseguimos superar nossas carências, os padrões aprendidos na infância ou juventude, a tendência a equalizar relacionamento com sofrimento. O período pode ser bastante doloroso, mas também rico em insights, entendimento sobre nossos processos íntimos, sobre como construímos nossa autoestima – ou falta de – e o impacto que isso tem nas nossas parcerias. Sendo Vênus um planeta feminino, este movimento sugere repensar como o feminino se define e é definido na nossa sociedade e sugere a fragilidade desse feminino, a dureza com que ele se depara no mundo.

Catrin Welz-Stein – Reprodução

A Lua inaugura a semana entrando na fase do Quarto Crescente, já na segunda-feira, empoderada em Câncer. Assume brilho fulgurante em Leão e entra na fase Corcunda em Virgem, na sexta-feira. Fecha a semana já em Libra, acentuando a parada de Mercúrio ao fazer aspecto a ele no domingo. Na sua caminhada celeste ela faz vários aspectos, harmoniosos ou tensos a todos os demais corpos celestes, simbolizando as alterações diárias dos humores, das emoções, dos interesses no mundo. A Lua será Cheia na terça-feira, dia 11, às 03h07min, a 21°32’ de Libra, em conjunção a Júpiter, oposição ao Sol, Urano e Eris e quadratura a Plutão – uma Lua Cheia realmente crítica e explosiva!

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SEGUNDA-FEIRA, 03 de abril

A Lua está em Câncer e faz trígono a Netuno em Peixes e mais tarde faz quadratura ao Sol Ariano, entrando na fase do Quarto Crescente. A Lua ainda faz quadratura a Júpiter e se opõe a Plutão (aspecto exato amanhã) e, devido à quadratura ao Sol, forma uma Grande Cruz Cardinal. A única ajuda vem do sextil a Marte em Touro. A segunda-feira começa com a corda toda, trazendo oportunidades disfarçadas de desafios e obstáculos. Queremos cuidar e nutrir nossos projetos, mas receamos fazê-lo de forma direta, porque não queremos despertar curiosidade ou mesmo competição quanto àquilo que estamos planejando e construindo. Mas, a despeito de nossa independência e autonomia, diretividade e honestidade, precisamos também agregar sensibilidade e colocar nossos sentimentos a serviço de tais projetos. Mesmo com toda a nossa coragem e vigor, ainda precisamos nos lembrar de nossas origens, precisamos levar em conta tudo o que nos nutriu até aqui, sejam pessoas ou recursos – sim, precisamos honrar nossos sentimentos e nosso passado, se for para ver nossos projetos prosperarem e frutificaram lá na frente e lembrar de agradecer, sempre. Assim, o dia ganha um tom apaixonado e arrebatado, que nos impele de forma entusiasmada ao trabalho, a fazer os ajustes necessários no que quer que estejamos envolvidos e que requeira regulagem. Como uma máquina impulsionada a todo vapor, ganhamos ímpeto e ânimo, porque já conseguimos vislumbrar os resultados que queremos alcançar. Sabemos que para conseguir tais resultados, teremos que nos empenhar muito agora, mas não nos fazemos de rogados e nos atiramos ás tarefas com gosto e paixão – o único problema é que talvez toda essa paixão e vigor batam de frente com a paixão do outro, que parece estar estar indo na direção contrária, o que pode significar atritos e faíscas. À noite esse clima fica mais fumegante e talvez precisemos lidar com conflitos também dentro de casa, com familiares ou pessoas próximas, que nos cobram uma atenção que talvez tenhamos suprimido porque estávamos ocupados com outras coisas com nossos objetivos individuais. Em lugar de dar desculpas fáceis ou sair pela tangente, é melhor encarar o conflito de vez e ser honestos sobre as próprias prioridades e tudo o que está em jogo. Recorrer a chantagens e à clássica “faço isso por vocês” pode ser um escape fácil, mas traiçoeiro, porque talvez não seja completamente honesto e assim, é possível que nos “entreguemos” num momento de descuido, o que fará o outro se sentir traído e manipulado. Visto que os dias estão melindrosos e as sensibilidades afloradas, o ideal é acalmarmos as emoções tempestuosas e tentarmos chegar a um consenso, ao invés de simplesmente revidar de forma rasteira. Colocar-se no lugar do outro ajuda a sair da nossa perspectiva afunilada, a enxergar o conflito de outro ângulo, facilitando uma conciliação. O ideal é ter clareza da diferença entre o que queremos e o que precisamos – isso faz toda a diferença!

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TERÇA-FEIRA, 04 de abril – Marte está em quincúncio exato a Júpiter na virada para quarta-feira. De Câncer a Lua completa a oposição a Plutão em Capricórnio, quadratura a Urano em Áries, trígono a Quíron, quincúncio a Saturno e trígono também a Vênus retrógrada, aspecto depois do qual fica fora de curso, às 17h47min. Ingressa em Leão às 19h14min e fecha a noite em quadratura Mercúrio em Touro. A madrugada está tempestuosa e finda numa manhã tensa e elétrica, em que acordamos cheios de gás, mas também irritadiços, dando choques a torto e a direito, de modo que o dia fica carregado de instabilidade, nervosismo e oscilações de humor, inconstância na liberação da energia e flutuação no entusiasmo. Sentimos uma grande pressão, interna e externa, para “dar conta” de todas as tarefas e, embora tenhamos nosso próprio investimento na dinâmica do dia, também nos ressentimos com tantas cobranças e pressões, o que pode nos deixar meio azedos ou amargos. À tarde o mau humor pode virar melancolia e abatimento, porque nos sentimos mais vulneráveis, sensíveis, como se fôssemos nos desmanchar a qualquer momento. Além de nossas próprias inseguranças, captamos as vibrações de infortúnios alheios, e talvez isso nos faça sentir impotentes. Contudo, também podemos nos sintonizar com vibrações mais elevadas, porque elas também estão disponíveis: ternura, gentileza, bondade, compaixão e mesmo as percepções de dor podem ser utilizadas para colocar as coisas em perspectiva: primeiro, sabemos que nossos problemas, embora importantes para nós, não são os únicos nem os piores do mundo; segundo, ao nos voltarmos para os outros, de bom coração, podemos melhorar a atmosfera para todos, inclusive para nós mesmos. Como diz Jung, “do mesmo modo que aquele que fere o outro fere a si próprio, aquele que cura o outro, cura a si mesmo” e, por que não dizer, aquele que cuida, protege, nutre, afaga, se compadece… Quando estamos afundados e afogados nos nossos próprios problemas, sejam eles pequenos ou grandes, sempre pode ajudar olhar para o outro e ver que estamos todos no mesmo barco, com dores diferentes, mas ainda assim, todos têm suas dores e o melhor que fazemos é nos apoiar mutuamente, ao invés de nos desgastarmos nos dramas excessivos ou crises desnecessárias. E, se for para reagir, reaja com amor!

Catrin Welz-Stein – reprodução

QUARTA-FEIRA, 05 de abril – Saturno estaciona às 02h06min em Sagitário. Marte segue em quincúncio exato a Júpiter ainda na primeira hora do dia. A Lua plenifica a quadratura a Mercúrio e faz quincúncio a Netuno. Mais tarde faz sesqui-quadraturas a Quíron e Vênus em Peixes e a Saturno em Sagitário, virando foco de um Martelo. Fecha a noite em trígono ao Sol. Marte está em trígono quase exato a Plutão, que também recebe a quadratura próxima do Sol. A madrugada traz incongruências entre corpo e mente, que podem se traduzir em inquietude ou pensamentos obsessivos, atrapalhando o sono. Como resultado, a manhã começa um pouco atrapalhada, com imprevistos perturbando o andamento natural das coisas, incertezas inconscientes pinçando nervos expostos das nossas inadequações, que hoje parecem dar pistas de suas origens. Ao mesmo tempo que pode haver momentos desconcertantes conosco mesmos, podemos também ter aqueles momentos mágicos de “A-há! – então é isso!”, que nos clarificam muitas questões inconscientes, levando talvez a uma maior integração desses traços sombrios de nós mesmos. Contudo, ainda há grande reatividade no ar, especialmente à noite, quando o humor volta a ficar carregado e as reações, cortantes. Por isso, precisamos manter em cheque as emoções desencontradas e conflitantes, para que gerem energia de iluminação e não de conflito no mundo exterior, porque ainda que precisemos nos posicionar firmemente sobre algo, ainda podemos fazê-lo de forma amistosa e, de novo, se for para reagir, reaja com amor!

Katie Grinnan – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 06 de abril – Marte está em trígono partil a Plutão. A Lua faz trígono ao Sol, sextil a Júpiter, quincúncio a Plutão, quadratura a Marte e trígono a Urano e a Saturno, formando um Grande Trígono de Fogo. Fica vazia depois do trígono a Saturno, às 21h17min. Saturno entra em movimento retrógrado às 02h06min. O Sol está muito próximo da oposição a Júpiter. Estamos um tanto irritados pela manhã e, embora ao longo do dia o humor melhore, estamos cientes de que há questões importantes a serem endereçadas e tratadas, questões que estão aflorando à superfície da consciência e que certamente nos obrigarão a novas mudanças em nossas posturas, códigos morais e atitudes concretas. A despeito de nos darmos conta do desconforto, porém, também estamos dispostos a fazer o que for necessário para confrontar tais questões e a ir fundo nessa auto-investigação. Isso porque, embora haja o desconforto, também há a percepção da possibilidade de melhorias, de conseguirmos superar bloqueios e entraves, se formos honestos o bastante conosco mesmos e se estivermos dispostos a abrir mão da rigidez e dos nossos pré-conceitos. Saturno entra em retrogradação e nos convida a fazer uma revisão do trabalho que empreendemos nos últimos meses – desde agosto/16 – no sentido de nos definirmos como indivíduos e de nos realizarmos concretamente no mundo tangível.

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SEXTA-FEIRA, 07 de abril – O Sol está em oposição exata a Júpiter e muito próximo da quadratura a Plutão. A Lua abre o dia vazia em Leão, mas ingressa em Virgem à 01h20min, de onde se harmoniza com Mercúrio em Touro. A Lua também faz sesqui-quadraturas ao Sol (entra na fase Corcunda) e a Plutão, virando foco de um Martelo e ainda segue a fazer outra sesqui-quadratura a Urano e fecha a noite em oposição a Netuno. Vênus está em quadratura a Saturno, aspecto quase exato. Na superfície, estamos hoje entusiasmados e animados, com a confiança e otimismo de que nada pode dar errado, exceto que, sim, muita coisa pode sair errado, especialmente se ignorarmos detalhes importantes e nos inflarmos de nossa própria importância, achando que somente nossos desejos – extremamente imediatistas – são justos e apropriados. Temos, de fato, muita força e recursos em nossas mãos, com os quais podemos transformar muitas coisas, mas se não começarmos por dentro, por nós mesmos, pouco adianta e nada conseguiremos mudar no entorno, muito menos nos outros, especialmente se tentarmos impor nossas visões e nossa vontade a quem quer que seja. É preciso vigiar a tendência aos exageros, à inflação do ego, às bravatas. Também há uma sensação de cisão interna, em que conscientemente temos essa autoconfiança, até desmesurada, mas, subjacente à superfície, há dúvidas e ansiedades que podem se manifestar de duas formas: ou colocam um freio e equilibram os excessos; ou os alimentam porque a insegurança pode nos tornar ainda mais afoitos e aflitos por auto-compensação e por provar que tudo está bem, quando talvez não esteja – mecanismo de camuflagem. De uma forma ou de outra, ficamos tensos e nos expressamos de forma desajeitada, como a esperar o momento que nossa máscara bonachona cairá e revelará nosso lado desgracioso, desastrado e inepto.

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SÁBADO, 08 de abril – O Sol está em quadratura plena a Plutão e Vênus em quadratura a Saturno, aspecto também pleno. Por seu turno, a Lua se opõe a Netuno, faz quincúncio ao Sol e trígono a Plutão e a Marte, formando um Grande Trígono de Terra. Fecha a noite em oposição a Quíron. Mercúrio estaciona às 20h15min, para entrar em retrogradação amanhã. Nossa individualidade e objetivos conscientes hoje se deparam com forças potentes que, a princípio, parecem se opor a nós e a nossos quereres. Na verdade, passamos por mais uma prova, que vem testar o quanto conhecemos a nós mesmos e às nossas facetas secretas e sombrias, que hoje podem se revelar um pouco mais através dos conflitos com os poderes que parecem contrários àquilo que somos e buscamos, assim como através de inseguranças que afloram à superfície da consciência. Se nos identificamos apenas o lado mais luminoso e grandiloquente, o entusiasmo e a generosidade dos grandes espíritos, podemos nos enganchar em dificuldades com figuras “tenebrosas” que se interpõem em nosso caminho e nos obrigam a lidar com nossa própria escuridão, desejos de poder e controle, emoções virulentas e abissais, que talvez mascarem o medo profundo de rejeição e abandono. Contudo, para que já está mais acostumado aos confrontos com essas forças, o dia se apresenta como mais uma oportunidade de integrarmos esses traços ditos menos nobres e enriquecermos nossa experiência e maturidade – o regente do sol, que quadra Plutão, é Marte, que faz um aspecto harmonioso ao mesmo Plutão, possibilitando um diálogo promissor e uma ponte entre o Sol e Plutão, de modo que o confronto talvez não precise ser negativo. De qualquer forma, por mais oportunidades que possa trazer, é fato que o dia está pesado, carregado de conteúdos tóxicos, inseguranças, vulnerabilidade, desconfiança, dúvidas e medos. É necessário uma parada básica para olharmos os nossos melindres, as dúvidas e incertezas que são nossos, a despeito de acharmos que nascem das interações com outros – não, as interações com outros apenas trazem à tona algo que já existe em nós. Recomenda-se cautela em todas as interações, especialmente aquelas com pessoas mais próximas e nas relações afetivas, visto que estamos todos muito defensivos, vulneráveis e quebradiços, podendo tanto ofender quanto nos sentir ofendidos inadvertidamente. Por outro lado, a Lua oferece uma boa contenção e sustentação emocional e se conseguimos conter nossos ímpetos mais selvagens e as reações mais primitivas e defensivas, também revigoramos nossa força interior, que nos capacita a olhar para tudo sem medrar, aceitando e transmutando tais poderes sombrios em recursos de conscientização e crescimento. De qualquer forma, tirar um tempo para si, para refletir sobre os afetos – ou desafetos – pode ser uma boa pedida. Talvez seja bastante inteligente refletir bastante nesses dias mais carregados, antes de tomar decisões difíceis ou mesmo antes de enfrentar situações  mais delicadas.

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DOMINGO, 09 de abril – A Lua Virginiana se opõe a Quíron e a Vênus em Peixes e também quadra Saturno, ficando fora de curso logo depois, às 05h23min. Ingressa em Libra às 09h35min e logo se desentende com Mercúrio e, de forma diferente, também com Marte. Mercúrio entra em retrogradação às 20h15min. Vênus fecha a semana em conjunção a Quíron e o Sol segue se separando da quadratura a Plutão, enquanto ruma para a conjunção a Urano. O domingo está deveras penoso e complicado. Feridas expostas, exigindo limpeza e purgação, doem excruciantemente e parecem não dar trégua para nosso coração combalido. Mas, embora estejamos ultra suscetíveis e espinhosos, defensivos e sorumbáticos, há grande oportunidade de cura, de perdão, de serenar e sanar tais feridas pela percepção de que não precisamos ser vítimas de nada nem de ninguém, muito menos de nós mesmos. A questão principal aqui tem a ver com confiança, tanto a confiança em nós mesmos e no nosso valor, quanto a confiança na integridade e no amor do outro. E se estamos muito inseguros, a tendência é nos precavermos por mecanismos de controle, tentando controlar o outro ou às circunstâncias, algo que pode tornar tudo mais difícil e até precipitar a crise que estava ameaçando eclodir. É fundamental não resvalar em pensamentos sombrios de menos-valia, nem se colocar para baixo, vigiando pensamentos negativos que só piorarão o humor e tudo o mais. Fazer um balanço maduro da situação, tendo serenidade e empatia para consigo mesmo, assim como para com o outro, que provavelmente está tão sensível e vulnerável quanto nós. Encarar a realidade da situação e por mais difícil e dolorosa que ela seja, não sucumbir diante dela – se há despedidas para acontecer, se há lutos para se sofrer, se algo morreu realmente e não tem recuperação, o luto é necessário, mas ainda pode ser vivenciado com dignidade e não precisamos depauperar nosso amor próprio ainda mais. Com o tempo e a compaixão, tanto nossa quanto de amigos e aqueles que nos querem bem, sempre podemos nos lembrar de quem somos, sempre podemos nos lembrar da nossa luz a brilhar fulgurante, apesar dos momentos difíceis pelos quais estejamos passando. E o amor, o amor sempre estará lá, dentro de nós, só precisamos nos lembra de onde o guardamos.

Uma ótima e serena semana para você! Que traga paz e luz!

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The Heartache – Christian Schloe – Reprodução

A Semana Astrológica – A imperfeição nossa de cada dia

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Semana de 13 a 19 de março – Semana de enfrentamento de limitações e dificuldades, mas com um grande potencial de cura, que reverbera a partir da Lua Cheia ocorrida no domingo, desdobrando-se por toda a semana. Em termos práticos a Lua Cheia sinaliza uma semana de expansão.

Odilon Redon – Reprodução

O Sol completa sua última semana do ciclo de Peixes e do ciclo astrológico anual – ingressa em Áries no dia 20, segunda-feira da semana que vem – sinalizando um período de finalizações no que tange ao ciclo anual. Por estes dias o Sol entabula conversações difíceis e sofridas, mas que no final das contas, podem ser fortalecedoras do caráter e dos propósitos. O Sol faz conjunção a Quíron e quadratura a Saturno, dinamizando a atual quadratura cíclica entre esses dois “planetas” pesadões e significadores de sombra, dificuldades, inseguranças e inadequações. Já dá para ver que a semana traz desafios, certo? A diferença básica entre Saturno e Quíron é que as inseguranças e inadequações representadas por Saturno são passíveis de serem superadas, com esforço consciente, trabalho, empenho, tempo… Somos tão inseguros naquela área que trabalhamos muito, ao nível da super-compensação, e não só as superamos, como nos tornamos mestre naquela área. Já com Quíron não há “superação” possível, porque Quíron representa aquilo que não pode ser consertado, nem com todo o esforço do mundo… Quíron é necessário para que o ser humano se mantenha humilde, para que perceba que estando nesta terra e nesta realidade de limitações, limitado é. Com Quíron aprendemos que há coisas que não superamos e que temos que aceitar e isso nos irmana aos outros humanos, porque todos temos Quíron em algum lugar. Nesta semana nos damos conta, intensamente, da diferença entres essas inadequações e inseguranças diversas: as solucionáveis e aquelas insuperáveis. E se por um lado isso pode ser doloroso de encarar, por outro, traz a maturidade da aceitação desses limites. Quíron e Saturno sempre me trazem presente a Oração da Serenidade, que já mencionei várias vezes aqui: “concedei-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar; coragem para modificar aquelas que posso; e sabedoria para distinguir entre uma e outra”. Basicamente é esse o tom da semana, com o Sol, que representa a consciência e o centro do eu, tendo essas conversas duras e desagradáveis.

Reprodução – Desconheço o autor

Mas Quíron também fala de cura, de empatia, de sabedoria… então a semana é propícia a isso também. O interessante é que O Sol primeiro faz conjunção a Quíron e nos tornamos agudamente conscientes das nossas aflições, úlceras, feridas, das vergonhas e dificuldades… E nos solidarizamos com outros, porque vemos neles, de formas diferentes, o sofrimento que também é nosso. Três dias depois, na sexta-feira, o Sol se depara com o julgamento de Saturno, que pode nos deixar cabisbaixos, com o peso do mundo sobre os ombros, nos sentindo julgados e meio soterrados pelo peso da vida… Mas Saturno, vindo logo depois de Quíron, ajuda a dar esse choque de realidade, que nos obriga a sair da autocomiseração e perceber as limitações que podemos e devemos superar… Assim, Saturno, num primeiro momento parece jogar a pá de terra sobre o cavalo que caiu no poço, até nos darmos conta que aquela terra caindo na nossa cabeça será o meio para nos elevarmos e sairmos do buraco – sim, é possível sair do buraco, desde que olhemos para cima e não fiquemos chafurdando na lama da autopiedade. Além do mais,  nossas imperfeições, somadas às nossas qualidades, é que nos fazem únicos, é o que nos faz o que somos.  Como diz Joseph Campbell,“a única maneira de você descrever verdadeiramente um ser humano é através das suas imperfeições. O ser humano perfeito é desinteressante. As imperfeições da vida é que são apreciáveis (…) As crianças não são adoráveis porque estão caindo a todo instante e porque têm o corpo pequeno e a cabeça muito grande? A perfeição seria algo tedioso demais, seria desumano. O umbilical, a humanidade, aquilo que se faz humano e não sobrenatural e imortal – isso é adorável! É por essa razão que algumas pessoas têm dificuldade em amar a Deus; nele não há imperfeição alguma. Você pode sentir reverência, mas isso não é amor. É o Cristo na cruz que desperta nosso amor”.

Docto Ojiplastico – Reprodução

Mercúrio ingressa em Áries já na segunda-feira, mudando o tom dos pensamentos, comunicações, viagens… De um modo sensível, sonhador e imaginativo, passamos para uma abordagem mais direta, mais ágil e certeira. Mercúrio fará conjunção a Vênus, possibilitando que a mente tenha acesso mais direto às elucubrações íntimas e de cunho afetivo representadas pela retrogradação de Vênus. Como Marte está em Touro, temos a impulsividade da língua medianamente controlada, mas não temos paciência nem tolerância com o que se considera coisas sem sentido e sem cunho prático e aplicável. A mente está mais ágil, mas a ação ainda precisa de mais deliberação. Marte, aliás, está sem aspectos por vários dias, apenas recebendo os contatos da Lua. Isso demanda cautela porque planetas sem aspecto se manifestam de forma extremada, ou seja, ora estamos plácidos e tranquilos, para daqui a pouco entrarmos numa explosão de atividades frenéticas. Marte sem aspecto tende a ficar mais inconsciente e nossas ações são mais instintivas – cautela também com explosões de raiva.

Reprodução – Desconheço o Autor/a

Vênus segue no seu curso de retrogradação, em Áries. Esse é um chamado para prestarmos mais atenção a nós mesmos e nossas necessidades pessoais e individuais. Como lembra Frank Clifford, astrólogo inglês com quem tive algumas aulas, ‘retrogradação’ significa ‘segunda chance’ – daí essa volta ao passado. Então, diz ele, é o caso de revisitarmos áreas da nossa vida para fortalece-las e organizá-las melhor. Clifford nos lembra ainda de fazer algumas perguntas: “onde, na sua vida, você precisa ser mais corajosa/o e independente? Em outras palavras, cuide de você mesmo, antes de cuidar de qualquer outra pessoa. Reconecte-se com o centro de QUEM VOCÊ É (seja auto-centrado). É um bom momento de parar de jogar os joguinhos relacionais e seguir seu próprio caminho, e não ser uma versão falsa de você mesmo porque você acha que vai agradar aos outros. Neste ciclo, há chance de recuar e lidar com todas aquelas situações nos relacionamentos em que você se sentiu vitimizado, usado, negligenciado, ignorado ou desvalorizado. E de reconhecer a SUA parte nisso tudo. Uma forma de afirmar suas qualidades positivas é fazer um diário e listar uma coisa boa, todos os dias, que você sabe que faz muito bem”. Assim é a retrogradação de Vênus em Áries: precisamos reavaliar e focar em nós mesmos: enfatizando as boas qualidades e encarando com honestidade onde também precisamos melhorar. O Sol faz esses contatos tensos, mas Vênus retrógrada nos lembra que, a despeito de todas as imperfeições, precisamos nos amar porque só quando nos amamos realmente podemos melhorar. Como diz a frase do Mandela, “não somos amados porque somos bons, somos bons porque somos amados”! Vênus retrógrada também nos faz rever decisões tomadas acerca das áreas onde temos os signos de touro e Libra, que são regidos por Vênus. Talvez fizemos escolhas e tomamos decisões e agora voltamos atrás e reavaliamos. Está correto. É a segunda chance!

Lua disseminadora – Desconheço o Autor/a – Reprodução

A Semana traz o tom da Lua Cheia, ocorrida no domingo, dia 12, em Virgem. Na segunda e terça a Lua se equilibra em Libra, torna-se Disseminadora em Escorpião, catequética em Sagitário, fechando a semana neste signo. A Lua oficializa o Quarto Minguante somente na segunda-feira, dia 20, a partir de Capricórnio, pouco depois de o Sol ingressar em Áries

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SEGUNDA-FEIRA, 13 de março – A Lua, Cheia em Virgem, abriu o dia vazia/fora de curso. Ficou vazia depois da quadratura a Saturno, ainda ontem. Ingressou em Libra às 02h29min e logo se indispõe com Marte em Touro. Fecha a noite em oposição a Vênus retrógrada em Áries, sua dispositora. Mercúrio ingressa em Áries às 18h08min. A despeito de algumas incongruências matinais, a segunda-feira está dinâmica, o que traz ânimo e nos faz ir para a vida estabelecer contatos, travar interações, ver gente e interagir com o mundo social. É um dia de buscar equilíbrio, de ativar as relações e rever posicionamentos. Se temos estado exageradamente centrados no outro, precisamos recuar um pouco e cuidar melhor de nós mesmos e de nossos interesses. Se for o contrário, se andamos ultimamente auto-centrados excessivamente, agora podemos nos mover na direção contrária e olhar e ver os outros perto de nós. Isso porque a Lua está em Libra, o signo da alteridade, das escolhas, da busca de harmonia e equilíbrio. Mas Vênus, que rege essa Lua Libriana, está em Áries, retrógrada, em recepção mútua com Marte em Touro com quem a Lua se indispôs logo cedo. Então, nada é o que parece de cara. É preciso um segundo olhar, uma segunda análise para achar o verdadeiro equilíbrio, a verdadeira harmonia. É um momento de nos posicionarmos mais francamente, mais lucidamente dentro das relações; de acatarmos um certo isolamento com algo saudável e não como dor ou ostracismo; de incluirmos o outro sim, mas não – nunca – às custas do nosso amor próprio; e para isso precisamos estar muito límpidos a respeito dos nossos valores, para fazer as escolhas sem medo, sem dor, mesmo que algumas dessas escolhas sejam um pouco desagradáveis. Precisamos uns dos outros, mas também precisamos respeitar nossos limites pessoais, assim como os limites alheios. Assim, as relações ficam mais respeitosas e equilibradas. Em termos práticos, o dia está bem animado e propício a todo o tipo de interação. A rever acordos, a reestudar negociações anteriores e a ponderar um pouco mais nas parcerias propostas.

Reprodução – Desconheço o autor/a

TERÇA-FEIRA, 14 de março – O Sol hoje está em conjunção exata a Quíron. A Lua Libriana abre o dia em oposição à dona da casa, Vênus, que está retrógrada em Áries. A Lua também se indispõe com Netuno e entra num embate ferrenho com Plutão e depois Urano, enquanto se alia a Júpiter, por conjunção. O dia traz influências que nos fazem sentir meio que em carne viva, sensação de acanhamento ou de dor aguda mesmo. Talvez nada tenha acontecido para suscitar tais sentimentos, talvez sejam apenas lembranças, ou o jeito que acordamos, mas o fato é que nos sentimos meio aguados, desacorssoados, como se nada fizesse muito sentido… Uma vontade de não ligar mais para nada… Nesse estado de espírito podemos ficar defensivos e reativos ao menor sinal externo de desequilíbrio – já que desequilibrados estamos nós – acreditando que é nossa responsabilidade, oferecendo-nos talvez como bode expiatório, talvez até nos expondo a invasões, maus tratos, sem nos dar conta… É possível que seja o oposto também, suscetíveis e reativos como estamos, podemos partir para o ataque como melhor tática de defesa, mesmo sem motivos claros de que estamos sob ameaça. Autoestima lá embaixo, talvez ainda tentemos agradar como forma de ganhar um afago, só para nos deparar com o que entendemos como frieza, pressa, rejeição, “sai pra lá”, o que pode ferir ainda mais nossos brios.

Talvez ainda seja melhor parar um pouco, olhar para dentro – e não para fora – e verificar o que tirou nosso equilíbrio, o que despertou nossas inseguranças de forma tão contundente… Chorar, se for o caso; admitir a dor, se ela se faz presente; não ter vergonha das próprias fraquezas, porque elas apenas nos fazem humanos… E oferecer a si mesmo, aquele amor incondicional que esperamos do outro, continuamente a nos desapontar – relação lateral não é de amor incondicional! Então, pegue-se no colo, dê-se um abraço, beije-se, acaricie-se, acarinhe-se, acalente-se, nine-se, embale-se… Dê a si mesmo todo o amor de que precise e de que está tão carente; dê a si próprio a validação e o apoio que você espera do outro. Olhe para suas fraquezas. Encare-as. Elas são parte de você, assim como os talentos, habilidades e força… E tais fraquezas têm uma razão de ser, têm alguma utilidade, mesmo que isso não seja claro… E, ao abraça-las, podemos aos poucos tentar melhorá-las, pelo amor, com amor. E, ao abrir essas comportas, podemos descobrir que temos um amor maior do que jamais imaginamos e podemos oferece-lo aos outros e – incrível – quando menos esperamos, estaremos sendo amados de volta… E assim se dá a cura, quando nos perdoamos, nos aceitamos e nos amamos, com todas as nossas idiossincrasias… Curamos a nós e curamos ao outro, porque se damos conta de nos aceitar, nosso coração se alarga e se expande, e acolhe também o outro. O dia pede paciência uns com os outros. Estamos todos meio sensíveis e doendo em algum lugar e não é partindo para a briga que vamos provar que somos melhores do que nos sentimos realmente. Podemos nos fazer respeitar, se necessário, mas podemos também nos recolher e deixar tudo passar, observando qual a nossa parte e responsabilidade nas dificuldades que encontramos, comprometendo-nos em mudar o que for possível ser mudado.

Brooke Shaden Photography – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 15 de março – O Sol ainda está conjunto a Quíron e vai se afastando lentamente, enquanto se aproxima da quadratura a Saturno. De Libra a Lua faz sextil a Saturno e fica vazia às 07h07min. Ingressa em Escorpião às 12h11min, de onde logo faz oposição ao seu dispositor, Marte, que está em Touro. O dia começa reflexivo e um tanto austero – refletimos sobre como trazer mais equilíbrio às nossas relações, como nos responsabilizar por nosso bem estar, ao invés de esperar isso de outros. Como encontrar a medida certa entre o dar e o receber nos relacionamentos, sem ficar devendo nem cobrando as outras pessoas. À tarde o clima muda radicalmente. A introspecção continua, mas agora por outros motivos: estamos um tanto receosos, defensivos e ciumentos de nossos pensamentos e emoções e recebemos como ameaça qualquer movimento que pareça proximidade demasiada. Há tendência a azia emocional e as relações podem ficar um tanto azedas e sujeitas a farpas, sarcasmo, ironias finas, isso quando não despencar para atritos mais sérios porque a defensividade e o desejo de nos afirmar estão veementes e podem nos fazer reagir de forma exagerada às situações… Sarcasmo é técnica de defesa também, mas além de demarcar território e diminuir o outro, cria feridas e afastamentos, portanto, vale se questionar onde queremos chegar com tudo isso e se de fato estamos sob qualquer ameaça, porque isso também é discutível. Por outro lado, se conseguirmos dosar nossa energia na medida certa, essa influência melhora a execução de tarefas que se mostrem complicadas e que demandam controle, concentração e alto gasto energético.

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QUINTA-FEIRA, 16 de março – A Lua, na fase cheia em Escorpião, faz trígono a Netuno em Peixes e quincúncio a Vênus Rx em Áries. Mais tarde a Lua faz sesqui-quadratura ao Sol entrando na fase Disseminadora. Fecha a noite em harmonia a Plutão, aspecto exato amanhã. O Sol já está bem próximo da quadratura a Saturno. Sensibilidade e emoções intensas colorem o dia, assim como uma potente capacidade de intuir o rumo das situações e também o que os outros estão sentindo, que pode ser instrumental para melhorarmos as interações ou mesmo para manipularmos pessoas – depende da integridade da nossa alma e dos nossos intentos. Esse poder emocional pode nos aproximar das outras pessoas e nos permitir penetrar em suas defesas, mas isso deve ser feito de forma respeitosa e nobre, caso contrário, podemos nos tornar invasivos e causar mais dano do que ajuda ou reparação. Não podemos esquecer que inseguranças estão afloradas e muitas feridas estão abertas, portanto, se não temos algo realmente bom para oferecer, se nossas intenções são menos do que honestas, fazemos melhor se ficamos quietos e cuidamos de nossas próprias questões. De toda forma, há grande potencial de cura e de compreendermos ao outro e a nós mesmos um pouco mais profundamente e, bem conduzidas, tais influências podem, de fato, ajudar a aprofundar o entendimento de nossas dinâmicas internas e mesmo das dinâmicas relacionais. A Lua fica disseminadora em Escorpião, sugerindo que a mensagem que precisamos levar adiante precisa ser verdadeira, apaixonada e profunda. Os aprendizados que vivenciamos até aqui são repassados como catalizadores de transformação na vida de outros, com sensibilidade e autenticidade.

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SEXTA-FEIRA, 17 de março – O Sol Pisciano está em quadratura exata a Saturno em Sagitário, enquanto ainda se afasta da conjunção a Quíron. A Lua Escorpiana e disseminadora se afina com Plutão, seu regente moderno, enquanto se desentende com Urano e se harmoniza com Quíron e com o Sol, ficando vazia depois do contato ao Sol, às 18h58min. Ingressa em Sagitário à 00h00min do sábado. O dia está pesado, turvo e um tanto sombrio. Nosso anseio seria desaparecer para lugares inóspitos, talvez, ou para lugares onde não tivéssemos que lidar com tantas agruras e dificuldades mundanas, com tantos problemas cotidianos que parecem derrubar nosso entusiasmo e massacrar nossos sonhos e aspirações mais elevadas. É como uma dor fina, indefinível, que tira o fôlego em alguns momentos e que nos lembra de nossa mortalidade e finitude, nossas deficiências ou insuficiências, ou como um peso amarrado a nós, dificultando o caminhar. Circunstâncias ou outras pessoas, particularmente acima de nós – pais, chefias, autoridades – parecem exigir mais do que somos capazes de dar. Até mesmo a energia e vitalidade física podem estar depauperadas, de modo que nos sentimos fracos ou lentos nos nossos afazeres e compromissos. Podemos também nos sentir cobrados ou criticados, de forma implícita, e isso torna tudo um pouco pior…

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Mas antes de deduzirmos ‘verdades’ a partir das aparências, vale checar se estamos certos sobre tais deduções, para não vermos fantasmas e perseguição onde não existem e para não aumentarmos o tamanho dos problemas desnecessariamente. É um bom dia para olharmos para nossas falhas sim, não para nos desanimar ou derrubar, mas para melhorarmos. Sobretudo, com o Sol em Peixes, somos convidados a avaliar se nosso senso de identidade é sólido e seguro o bastante, se sabemos quem somos e do que somos feitos, para além de autoimagens pueris e fantasiosas. O dia pede um exame sóbrio de nossas capacidades e, ao identificarmos falhas, agir para corrigi-las, sem grandes dramas, sem chibatas ou autoflagelação desnecessária. Particularmente, é importante perceber que há ótimas oportunidades de nos curarmos a partir do olhar compassivo e empático para as próprias limitações, comprometendo-se a superá-las. A noite traz horas calmas e uma introversão providencial que nos ajuda a digerir todas essas informações, insights e percepções, propiciando também que sincronizemos os propósitos conscientes de crescimento e transcendência com a necessárias transformação dos comportamentos e hábitos que impedem nossa excelência.

John Casey – Reprodução

SÁBADO, 18 de março – A Lua ingressa em Sagitário à 00h00min, cravado. Faz quincúncio a Marte em Touro, trígono a Mercúrio e a Vênus Rx em Áries e fecha a noite em quadratura a Netuno. Mercúrio e Vênus estão em conjunção partil hoje. A noite traz alguns desconfortos durante o sono. O dia, porém, nasce mais animado e otimista, porque estamos imbuídos de uma nova força, nascida das resoluções da noite anterior e do comprometimento que fizemos com a mudança pessoal. Podemos rever alguns valores e analisá-los de forma mais direta e menos sentimental, verificando o que é necessário para nos valorizarmos mais, a despeito das falhas humanas que carregamos. Ainda estamos muito conscientes de tais falhas, mas conseguimos perceber nelas algum sentido, além de nos animarmos a prosseguir pela estrada, usando as pedras que surgirem para pavimentar o caminho, ao invés de permitir que nos bloqueiem a vontade ou os objetivos. A comunicação está ágil, mas animada e sociável, trazendo bom humor às interações e espirituosidade. À noite o clima está um tanto confuso e nebuloso, levando a mal-entendidos nas interações. Cautela com álcool e drogas porque há tendência a exageros e a enfiar o pé na jaca.

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DOMINGO, 19 de março – A aventureira Lua Sagitariana faz quadratura a Netuno na primeira hora do dia. Durante o dia se harmoniza com seu regente, Júpiter em Libra e com Urano em Áries e fecha a semana em conjunção não exata a Saturno. A balada de sábado para domingo pede cautela porque a Lua Sagitariana já aponta para excessos e a quadratura a Netuno aumenta a propensão à falta de limites – portanto, moderação é a chave para a boa diversão hoje. Já o dia de domingo está mais auspicioso e feliz, depois do peso que vivenciamos durante a semana, conseguimos ter uma perspectiva mais filosófica de tudo: dos problemas, da nossa caminhada, das possibilidades, da vida. Um otimismo incipiente pode favorecer o clima do domingo, que por sua vez, fica propício a atividades ao ar livre, aventuras no campo, encontros festivos com amigos. Não podemos nunca perder a esperança e a perspectiva de porque estamos aqui, nesta terra, neste tempo e neste lugar! E essa perspectiva, esse sentido, não precisa ser mirabolante ou grandiloquente. Como diz Joseph Campbell: “Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos. É disso que se trata, afinal, e é o que essas pistas nos ajudam a procurar, dentro de nós mesmos”. Ele também diz: estamos tão empenhados em realizar determinados feitos, com o propósito de atingir objetivos de um outro valor, linear e longe da vibração da vida, que nos esquecemos de que o valor genuíno, o prodígio de estar vivos é o que realmente conta”. E hoje é um desses dias, em que nos sentimos muito vivos, felizes existir, por ser, por estar, por viver, entendendo que o sentido da vida é a vida em si mesma!

Uma ótima semana para você! Que seja de serenidade, empatia, crescimento e cura!

Reprodução – Desconheço o Autor/a

Lua Cheia em Virgem – Curando a Natureza Selvagem

Reprodução – Desconheço o autor

Perdão. Cura. Limpeza. Eliminação. Regeneração. Nutrição. Corpo. Organização. Serviço. Ajuda.

A Lua Cheia deste ciclo aconteceu neste domingo, 12 de março, no grau 22°13 do signo de Virgem, às 11h55min no horário de Brasília e às 14h55min no horário de Lisboa. Essa é uma Lua Cheia que vem falar de cura, limpezas físicas, psíquicas e energéticas, regeneração, serviço, perdão. De verificarmos que área da nossa vida precisa de mais organização, ordem, método e controle. Onde podemos ser mais criativos e prestativos.

Lua Cheia em Virgem – Brasília, 12 de março de 2017, 11h55min.

Além da oposição ao Sol, a Lua também se opõe a Quíron, e a Mercúrio, seu dispositor, que está no grau 27° de Peixes. A Lua ainda faz um quincúncio próximo a Urano em Áries, se afasta de um trígono a Plutão em Capricórnio e faz quadratura aplicativa a Saturno em Sagitário. É uma Lua deveras dinâmica e “ocupada”, cheia de afazeres e atribuições, que nos convida a ordenar e organizar o caos da mente criativa, a estruturar a manifestação dos infinitos potenciais da nossa imaginação ilimitada.

Do Buzzfeed – Reprodução

O ciclo presente nos convida a trabalhar os arquétipos e temas Piscianos, como simbolizados pelo trânsito do Sol neste signo. A Lua cheia em Virgem vem fazer o contraponto de que, a despeito da busca pela transcendência representada por Peixes, não podemos esquecer que ainda estamos encarnados nesta vida, no aqui e agora e que ainda temos coisas práticas a fazer; que é no dia a dia, a partir das pequenas coisas que a transformação e os resultados de tal transcendência se mostram. Contudo Mercúrio, regente da Lua Cheia, está também em Peixes e alerta que não podemos nos fixar somente nas racionalizações frias de Virgem, com seu espírito crítico, organizador e discriminante, que tenta a tudo enquadrar, classificar e entender racionalmente. É preciso confiar também no invisível, no não explicável, não mensurável, não palpável. Há coisas que ocorrem na esfera do invisível e do imaterial que são tão reais quanto aquelas outras que podemos ver e tocar. Assim, a proposta é basearmos nossa atuação concreta no mundo na fé e nos valores imateriais, na percepção não sensorial de que “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.

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A oposição Lua-Mercúrio também nos lembra que muitas das doenças que desenvolvemos, nascem dos conflitos internos, da não aceitação das nossas próprias contradições, da dificuldade de observar nosso ritmo interno e orgânico e respeitá-lo. Fala de como os pensamentos podem ser venenosos. Como diz o iogue indiano,  Sadhguru, se sua mão de repente agredir você, dando-lhe um soco no rosto, batendo e machucando você, definitivamente você está doente! Então, diz ele, se seus pensamentos e emoções estão constantemente cutucando você, sufocando e torturando você, todos os dias, você não está doente também? Então, este estado de pensamentos tóxicos leva às doenças, emocionais e físicas. É preciso pois, ficar atentos aos conflitos mentais, aos pensamentos insidiosos e tóxicos, que nos torturam e deixam doentes, mental, anímica e fisicamente. Cuidar da mente e também do corpo, como diz aquela frase em latim: mens sana in corpore sano.

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Essa toxicidade mental e anímica é potencializada pela quadratura que a Lua e Mercúrio fazem a Saturno, que é foco de uma T-Square, o que nos diz que precisamos vigiar a culpa – provavelmente o pior torturador da alma – e seus efeitos sobre a psique, o corpo, o bem-estar e o quanto ela impacta negativamente na nossa serenidade e alegria de viver. Liberarmo-nos da culpa é passo essencial para chegarmos à cura. Jesus, sempre que curava alguém, primeiro perguntava se a pessoa tinha fé. Em seguida ele dizia “teus pecados são perdoados” e concluía: “Vai em paz. Tua fé te salvou”. Quando nos sentimos culpados por alguma coisa, nos tornamos algozes de nós mesmos e então nos sabotamos de várias maneiras, porque não nos sentimos autorizados a usufruir das coisas boas, não nos sentimos merecedores do “Reino de Deus” e suas infinitas benesses e seu infinito amor e misericórdia. A culpa nos faz querer nos esconder “das vistas de Deus”, que é o mesmo que se esconder do Self, do Eu Superior. E então a culpa nos leva a desenvolver inúmeros problemas, de saúde, materiais, e qualquer outro com que a autossabotagem possa nos “premiar”. Ao pronunciar tais palavras, Jesus deixa claro como a serenidade interior é fundamental para o processo de cura; como o auto perdão é crucial para nos liberarmos da doença ou de quaisquer outros processos destrutivos. Porque o perdão nos faz sentir novos, limpos e puros, novamente merecedores do “amor e misericórdia de Deus”. E o mesmo vale para aqueles que não creem, com a diferença de que com o perdão se sentem novamente merecedores do amor/respeito/cuidados daquele outro que acharam que ofenderam de alguma maneira – porque embora não achem que ofenderam a “Deus”, já que não creem, infringiram a ética humana. Com o perdão, sentimo-nos novamente merecedores de participar da comunidade humana, em pé de igualdade, porque já não somos párias excluídos, criaturas abjetas ou vis, indignas do amor do outro e até do nosso próprio amor. Assim, o perdão cura e obviamente que aqui não estamos falando, necessariamente, do conceito cristão de pecado, mas de toda a infração ou delito que a alma sente que cometeu, que a tornou “impura” aos seus próprios olhos e aos olhos daqueles que lhe são importantes. Então, é preciso exercer o perdão, primeiramente para conosco mesmos e mesmo quando achamos que temos que perdoar ao outro, precisamos antes perdoar a nós mesmos, por nos termos colocado vulneráveis a ponto de nos permitirmos ferir pelo outro – muitas vezes, é mais difícil perdoar a si próprio do que ao outro.

Culpa

Culpa, como já falei em outros textos, é muito diferente de remorso. O remorso é o sentimento de quem está consciente que magoou o outro, mas está disposto a reparar o dano. No remorso, nos responsabilizamos pelos nossos feitos e não tentamos nos justificar ou apresentar desculpas esfarrapadas. O remorso é maduro, a culpa é infantil. No remoroso temos vergonha, porque nos damos conta de que erramos; estamos arrependidos, mas comprometidos a mudar, a melhorar. E tal comprometimento elimina a tortura da culpa e da auto-flagelação. Às vezes sentimos os dois sentimentos juntos: culpa e remorso; às vezes sentimos somente o remorso e às vezes, somente a culpa. O problema da culpa é que apesar de nos torturar, ela não leva a mudança nenhuma, é um tipo de masturbação perversa, em que nos autoflagelamos e torturamos, derivando um tipo de gozo narcisístico ao contrário: “olha como eu sou terrível!, olha como sou mau!”, mas de fato nada fazemos para remediar nosso “crime/pecado” ou para mudar nossa atitude. Uma frase de Oscar Wilde retrata bem a dinâmica circular da culpa. Ele diz que “a culpa é o preço que pagamos, de bom grado, por algo que faríamos de qualquer jeito”. E segundo ele, isso nos isenta do julgamento alheio, porque “quando culpamos a nós mesmos, sentimos que ninguém mais tem o direito de fazê-lo”, o que novamente enfatiza como o remorso é diferente da culpa. A Lua Cheia de Virgem nos convida, pois, a abrir mão das culpas compulsivas e narcisistas, a nos abrir  ao auto-perdão, para que possamos nos sentir merecedores da cura, do amor e das infinitas benesses da vida e do universo.

Rachel Levit – Reprodução

A Lua se opõe a Quíron enquanto culmina este ciclo. Quíron é um asteroide que simboliza nossas feridas, velhas e novas, que simboliza o lado obscuro e sem conserto da natureza humana, inadequações e vulnerabilidades. E para alcançarmos as dádivas da cura, precisamos primeira enfrentar essas fragilidades e inadequações, as inseguranças mais profundas, os conceitos evasivos e a falta de comprometimento conosco mesmos, além da destrutividade em potencial que espreita a mente e o coração, minando a autoconfiança, a segurança em si mesmo, a aposta no próprio poder e capacidade. Essa lunação nos deixa, então, em carne viva e é preciso cautela porque a via de escape para muitos será a ajuda indiscriminada ao outro, para fugir da própria dor e do próprio desespero. Para outros, esse escape pode se dar pelas tentativas de controle do entorno, qualquer coisa que faça passar a ansiedade e o desconforto com o corpo e os sentimentos… mas nada disso funciona por muito tempo e só conseguimos superar quando acalmamos a ansiedade e aninhamos em nosso coração as dores não admitidas, os medos não expressos do caos, do amanhã, da nossa própria irracionalidade. Mas Quíron também representa um manancial de imensa sabedoria e compaixão; representa onde precisamos aceitar essas inadequações para chegar à serenidade da cura; significa onde podemos ensinar a outros, movidos pela empatia que nosso próprio sofrimento nos obrigou a desenvolver; e é um símbolo potente de cura e inclusão. Então a Lua pede que reconheçamos todas essas dificuldades e demos um lugar para elas em nosso coração; sugere um período potente de limpeza psíquica e energética.

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E sim, a Lua Cheia também traz um tempo propício a nos doarmos e nos dispormos ao serviço ao outro, de coração aberto e humilde. Contudo, essa ajuda precisa ser feita de forma muito respeitosa e delicada; tem que ser genuína e não mera fuga da própria dor, como já dissemos acima. é legítimo que nossa dor nos leve a ajudar o outro, mas isso precisa ser feito conscientemente. A Lua em Virgem tem grande necessidade de se sentir útil e prestativa, de ajudar e resolver os problemas alheios. Mas se tal ajuda não foi pedida e nem aceita claramente, corremos o risco de ser invasivos, desrespeitosos e, de quebra, de ainda coletarmos para nós, problemas que não são nossos e que podem, de fato, nos prejudicar e bloquear o nosso crescimento pessoal em várias esferas, além de potencialmente nos adoecer. Considerando que Vênus está retrógrada em Áries, precisamos nos lembrar que, antes de cuidar do bem estar do outro, precisamos primeiro cuidar do nosso próprio bem estar, precisamos nos certificar de que estamos bem, até porque só podemos cuidar do outro se nós mesmos estivermos inteiros.

Naoto Hitori – Reprodução

E nessa ajuda precisamos olhar para o outro como sendo capaz e tendo o poder de curar-se sozinho, sendo nós apenas uma ferramenta, um meio que propicie que o outro entre em contato com os recursos de que ele já dispõe em si mesmo, mas dos quais estava desconectado por razões diversas. Então, para que a ajuda seja efetiva, é preciso que acreditemos e confiemos que o outro é capaz de se cuidar e de resolver os próprios problemas, que o outro dá conta de conduzir a própria vida, do seu jeito e nós seremos apenas apoio e suporte, quando ele precisar. Não podemos nos arvorar de “salvadores”. Podemos e devemos nos ajudar mutuamente, mas cada um só dá conta de salvar a si mesmo. Portanto, é preciso “empoderar” esse outro que tanto queremos ajudar, olhando para ele e vendo seus melhores potenciais, reconhecendo que ele já tem todos os recursos de que precisa dentro de si. Assim, a relação com o outro fica equilibrada, não se torna uma relação de poder em que eu sou mais forte e melhor e o outro é fraco e depende de mim para ser. Podemos então nos conscientizar dos momentos em que fomos invasivos ao tentar “ajudar” a outros. Podemos nos liberar dos fardos alheios que carregamos desnecessariamente, mas que nos trazem o gozo equivocado de que estamos “ajudando”, mesmo que o outro não tenha pedido essa ajuda. E poderemos então amar com mais leveza e com mais respeito.

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A Lua também faz trígono a Plutão, indicando o grande poder que temos à nossa disposição. Poder de eliminação do lixo e do entulho emocional que talvez ainda carreguemos; de calcinar essas culpas e pensamentos torturantes que nos fazem sentir inferiores e não merecedores da abundância do universo; poder de extinguir ou transformar os comportamentos e hábitos doentios, tanto em nível físico, quanto mental e psíquico; poder nos regenerar, de renascer e de nos tornarmos mais fortalecidos e inteiros.

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O símbolo Sabiano do grau 23 de Virgem (22°13’) traz uma imagem que desdobra esses temas em outros níveis: “Um domador de Leões corre sem medo para o centro da arena do circo”. Um domador de leões ou de quaisquer outros animais selvagens é alguém que precisa estar em contato profundo com sua própria natureza instintiva, para poder se conectar verdadeiramente com o animal selvagem, seduzindo-o e convencendo-a a confiar nele e a dar o melhor de si, obedecendo-lhe o comando. Mas há domadores e domadores. Há os domadores que domam a partir da violência e do medo; batem e machucam o animal, para quebrantar-lhe o espírito, a ponto de ele não mais confiar na sua própria força e simplesmente desistir de resistir e de se rebelar contra o jugo. É domar pela tortura, pela violência, que, em última instância, não é domar verdadeiramente, é dominar com ferramentas de dor e de medo. Há outros domadores, porém, que trabalham com sutileza e maestria, conhecendo e se acercando da natureza selvagem com respeito, cuidado, sutileza. Busca conhecer o animal que doma, mas principalmente, se deixa conhecer por ele, de modo que o animal entenda que nada há a temer. Mais do que domadores, são “encantadores” da natureza selvagem e instintiva e seu sucesso está diretamente relacionado ao respeito com que se relacionam com o animal, não subestimando-o, mas antes dando-lhe o direito de ser e de preservar seu instinto e espírito altivo e nobre, inerente a toda criatura e espécie. Assim, não se estabelece uma relação de domínio sobre a natureza instintiva, mas antes, é uma relação de colaboração, uma parceria baseada na confiança.

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Este símbolo deixa claro onde nascem muitos dos nossos problemas: da relação equivocada que às vezes estabelecemos com nossa natureza instintiva e selvagem, buscando domesticá-la e domá-la pela violência, pelo jugo, pelo menosprezo às suas qualidades naturais e selvagens… Assim fazemos com nosso corpo, com os instintos, por serem desconfortáveis, indomáveis, selvagens… Uma outra representação de Quíron. O símbolo nos diz que não devemos temer os instintos e nossa natureza selvagem, mesmo que nossa razão teime em desconfiar deles e queira lhe impor seu jugo racional. Precisamos, na verdade, ganhar a confiança dessa natureza selvagem, respeitar-lhes a força, o vigor, sua qualidade selvagem; ganhar-lhe a confiança, respeitando-a, seduzindo-a no melhor sentido, construindo uma relação de colaboração, de sincronia, de conciliação, de ajuda mútua, de integração e integridade. Quando conseguirmos olhar para o corpo e seus processos dessa maneira, assim como para nossos instintos e natureza selvagem, já não precisaremos nos sentir à mercê deles e das doenças que ás vezes se manifestam como a puxar o tapete de debaixo dos nossos pés.

Arcano 11 do Tarô – A força

Este símbolo é parecido com o símbolo do grau 23 de Leão, onde aconteceu a Lua cheia e Eclipse Lunar de Leão, em fevereiro. Trazia presente a habilidade de uma amazona cavalgando sem sela, o cavalo sendo símbolo da libido e também da natureza instintiva. Eu associava aquele símbolo, em fevereiro, ao Arcano XI do Tarô, A Força e creio que o simbolo da Lua Cheia de hoje traz um tema parecido. Essa repetição vem nos dizer o quanto é importante prestarmos atenção a essa natureza e fazermos as pazes com ela. é um tema que continua a exigir reflexão e elaboração da nossa parte.

Reprodução – Desconheço o autor

Esta é uma Lua Cheia para nos conscientizarmos profundamente, de como temos lidado com o corpo, esse templo sagrado da alma, da consciência e do espírito; como temos cuidado ou deixado de cuidar dele; como temos cuidado de nossa nutrição física e emocional; de como temos lidado com os pensamentos tóxicos e o quanto temos permitido que conduzam nossas decisões, nosso amor próprio, nossa vida. É tempo de melhorar a relação com o corpo e a mente, mas também com a nossa natureza selvagem, que tem estado há muito tempo sob o jugo do medo e da nossa própria incompreensão. É tempo de abrir mão de mágoas e dores; de perdoar a si e ao outro; porque é do perdão e da liberação das culpas rançosas, da autoaceitação amorosa que vem a cura para o corpo, porque o corpo é curado com consequência da cura da alma.

O que podemos fazer, em termos práticos, para ter acesso a esse potencial de cura profunda?

  • Identificar e eliminar os pensamentos tóxicos e torturantes que minam nossa autoestima e senso de valor e amor próprio;
  • Identificar e se comprometer com a eliminação de maus hábitos cotidianos que minam nossa vitalidade e nossa saúde, sejam esses hábitos alimentares, de sono, de palavras (já percebeu como minamos a nós mesmos com discursos autodepreciadores?), rotinas caóticas, bagunça generalizada na casa que nos faz sentir perdidos no caos internamente;
  • Identificar onde precisamos estabelecer uma melhor organização, um melhor sentido de ordem na nossa vida, de modo a termos mais serenidade e menos preocupações tolas;
  • Identificar que alimentos, hábitos e costumes são mais saudáveis e trazem alegria à nossa alma, à nossa vida; o que repõe nossa vitalidade e energia; que pequenas coisas podemos alterar/adotar na nossa rotina, que nos tragam mais qualidade de vida, que sejam mais respeitosos e amorosos para com nossa saúde, nosso corpo e nossa alma;
  • identificar as situações em que somos invasivos na ajuda ao outro e tentar ser mais suaves e leves, esperando o outro pedir a ajuda, antes de impô-la a ele
  • … Acrescente aqui outras atitudes que você ache que vai melhorar seu dia a dia e trazer mais paz, cura, amor e serenidade para sua vida!

Então, perdoe-se! Libere-se da toxicidade de pensamentos culposos. Elimine os hábitos perniciosos que refletem o desamor e o ódio a você mesmo! Perdoe-se. Ame-se. Cure-se! Celebre sua natureza selvagem e seu corpo sagrado, morada provisória mas sagrada da alma eterna!

Uma ótima Lua Cheia para você!

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Lua Cheia em Câncer – Crescer dói, mas é necessário!

Lua Cheia em Câncer - Birth Chart Painting - Reprodução

Lua Cheia em Câncer – Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua foi cheia na manhã desta quinta-feira, dia 12 de janeiro, às 08h34min no horário de Brasília e às 11h34min no horário de Lisboa. É uma Lunação bastante tensa, que sugere que mudemos algumas atitudes no gerenciamento das nossas emoções, sentimentos, afetos e relações, tanto as relações com outras pessoas, quanto a relação que temos conosco mesmos, nosso corpo, nossa casa, família e nosso passado.

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Câncer é regido pela Lua e por isso, essa Lua Cheia é particularmente potente, porque a Lua está em casa. Câncer representa nossa necessidade de nutrição física e emocional, de estabelecermos vínculos afetivos duradouros, que nos façam sentir que pertencemos, que amamos e que somos amados; criar laços, construir uma família, um ninho, onde encontramos segurança e amparo. É o signo que fala da família, da casa, da vida doméstica, da ideia de lar que cada um de nós carrega consigo. É o signo do cuidado, consigo e com o outro. Mas é também o signo das dependências emocionais, da imaturidade, das carências, legítimas ou não; do “bebê” chorão e emburrado, fazendo chantagem emocional. Então, todos esses temas ficam enfatizados hoje e pelas próximas duas semanas: nossos pensamentos, atenção e foco recaem sobre assuntos relativos à família, à casa física em que vivemos, aos nossos vínculos afetivos e também ao nosso corpo e como temos cuidado dele, como temos nos nutrido física e emocionalmente.

Lua Cheia em Câncer - Brasília, 12 de janeiro de 2017, 09h34min

Lua Cheia em Câncer – Brasília, 12 de janeiro de 2017, 09h34min

Essa lunação ocorre com a Lua no grau 22°27’ de Câncer, em oposição ao Sol (óbvio) a 22°27’ de Capricórnio, mas também em oposição ampla a Plutão e quadraturas bem próximas a Urano em Áries e a Júpiter em Libra (menos de um grau), formando uma Grande Cruz Cardinal tensa e crítica. Se a Lua Cheia já é um período de intensificação das emoções e das crises que estavam “penduradas”, esperando para acontecer, ocorrendo nessa configuração de Grande Cruz, temos tudo isso intensificado, o que nos obriga a prestar muita atenção ao que que quer que esteja se passando na área de vida representada pela casa do mapa natal em que a Lua Cheia se dá. Como apoio, a Lua faz trígonos a Marte e a Quíron em Peixes, sugerindo maior emotividade, sensibilidade e também a possibilidade de cura e de uma maior compreensão dos dilemas humanos, que se manifestam através das nossas crises.

A Lua quer e precisa de segurança, amparo, proteção, vinculação, mas nessa Grande Cruz parece que tudo isso lhe (nos) é negado: temos que aprender a prover isso por nós mesmos, temos que crescer na marra e talvez algumas verdades duras nos sejam jogadas na cara, com uma honestidade dolorosa, ainda que sejam ditas com educação e delicadeza.

full buzssfeedNormalmente a Lua Cheia vem fazer um contraponto ao Sol. O Sol enfatiza grandemente o signo que trafega e por ocasião da Lua Cheia, somos chamados a buscar um equilíbrio pois o outro extremo da polaridade fica igualmente destacado. No caso, Capricórnio nos fala de independência emocional, de focarmos nas nossas obrigações mundanas, de nos movermos na direção de nossas ambições e objetivos profissionais, priorizando nosso papel social – da família saímos para conquistar nosso lugar no mundo. A Lua em Câncer nos vem lembrar da importância da família, das nossas origens e do nosso passado naquilo que somos hoje, onde quer que estejamos; vem nos lembrar que mesmo que já sejamos capazes de nos manter independentes, material e emocionalmente, ainda precisamos construir laços e relações duradouras, porque é isso que dá sentido à vida e às nossas ambições de ganhar dinheiro, projeção, prestígio e poder mundanos.

Catrin Welz-Stein - Reprodução

Catrin Welz-Stein – Reprodução

No caso da lunação de hoje, a Lua está muito pressionada e esse equilíbrio faz-se ainda mais necessário. Como é que temos cuidado de nossas necessidades físicas e emocionais? Será que temos dado atenção suficiente ao nosso bebê carente? Será que temos sido uma mãe boa o bastante para nossa criança interna? Quão saudável é a relação com a nossa mãe interna, com a nossa mãe arquetípica? Como está o equilíbrio na nossa vida familiar e doméstica? Se houver problemas no que tange a estas questões, é provável que levemos esses problemas para as nossas relações e assuntos no mundo exterior, cobrando de outros o suprimento de necessidades que deveríamos prover por nós mesmos e talvez nos deparemos com respostas duras que, no mínimo, frustram nossas expectativas.

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Também precisamos reconhecer nossas enormes e profundas contradições internas: o forte impulso para a vinculação versus o desejo de independência; o comprometimento diante de obrigações assumidas no passado e o ressentimento pela liberdade que tais obrigações nos tiram, além das renúncias que implicam; o ímpeto por permanecer no casulo familiar, confortável e conhecido versus a ânsia de ganhar o mundo e descobrir outras realidades, pular algumas fronteiras, desafiar alguns limites, dar de ombros para o conservadorismo e as expectativas familiares e dos outros…

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São muitos os desafios e questionamentos, que nos levam a uma encruzilhada: por mais que ainda possamos voltar atrás, talvez não queiramos, porque aquele conforto antigo já não nos satisfaz, já não nos preenche como antes… E talvez nosso senso de lealdade fique martelando dentro de nós e nos cobrando voltar… Mas já não podemos. É impossível fingir que somos os mesmos. Não podemos ignorar que crescemos e que certos comportamentos já não são adequados nem apropriados para a pessoa que somos hoje. É impossível “des-ver” o que já vimos, “des-ouvir” o que já ouvimos, des-viver todas as experiências que tivemos…

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Assim, nosso grande desafio nessa Lua Cheia Canceriana é: como sermos leais ao nosso passado, às nossas origens, àquilo que nos trouxe até aqui, sem deixar que isso nos prenda e nos impeça de alçar outros voos, mais altos e mais audaciosos; como conciliar todas as nossas contradições, ser fieis a nós mesmos, cultivando as relações importantes, as ambições de realização, com a independência e a liberdade que também nos são tão caras; como manter a sensibilidade e a delicadeza, a doçura e a ternura, tendo que crescer e enfrentar a realidade do mundo-cão em que vivemos hoje…

David J Burbenick - Reprodução

David J Burbenick – Reprodução

Crescer dói e é para os fortes! Essa Lua de hoje nos obriga a ser fortes, mesmo com toda a nossa doçura, carências, vulnerabilidades… E ser forte implica, imediatamente, em nos responsabilizar por nós mesmos e nossas necessidades, sejam físicas ou emocionais ou de qualquer outra natureza. Porque, mesmo que sejamos parte de um casal, mesmo que estejamos protegidos no seio da família, no colo da mamãe, mesmo sejamos o presidente da empresa, o maioral do pedaço, tem coisas que ninguém pode fazer por nós! E nisso estamos sós e com isso precisamos lidar! Talvez ainda precisemos cortar algum cordão umbilical que arrastamos por aí, atrás de nós; o cordão umbilical das dependências de vínculos que já não fazem sentido na nossa vida; algum laço que ainda nos mantém cativos e dependentes dos provedores errados e que provavelmente estão a nos prevenir de construir laços mais maduros, autênticos, saudáveis.

Lwonard Weisga - Reprodução

Lwonard Weisga – Reprodução

Assim, a Lua de Câncer, que tanto precisa de laços e vínculos, hoje precisa proceder com algumas cisões, separações necessárias, nem que seja a separação de partes de nós que já não servem, que são por demais infantis, ou que morreram e que não nos demos ao trabalho de enterrar adequadamente. O bebê carente precisa entender que cresceu e que a mamãe já não está disponível e que agora ele precisa tomar conta de si mesmo, como adulto, se responsabilizar por todas as suas necessidades e desejos. Somente assim estaremos mais livres e maduros para viver os vínculos verdadeiros, aqueles que realmente nos abastecem de bons sentimentos e que significam boa nutrição; e então seremos capazes de conciliar nossas contradições e achar tempo e espaço para honrar os sentimentos e os profundos desejos da nossa alma e viver as relações mais serenamente, sem a necessidade dos dramas, das crises infindáveis, das manipulações, das cobranças e das inseguranças que tanto comprometem a realização plena das nossas relações. A despeito de toda essa dureza, temos a magia e o romantismo da conjunção Vênus-Netuno em Peixes, que funcionam como alento e que ajudam a sanar o coração das feridas e garantem que não nos endureçamos em demasia, nem nos tornemos amargos nos embates da vida! Feliz Lua Cheia para você!

Nota: pessoas com planetas ou ângulos entre os graus 17 a 27 dos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) sentem mais fortemente as influ~encias dessa lunação, de acordo com a natureza do planeta envolvido e da casa do mapa natal em que a lunação acontece.

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Lua Cheia em Câncer - Birth Chart Painting - Reprodução

Lua Cheia em Câncer – Birth Chart Painting – Reprodução

Lua Nova em Sagitário – Qual é o seu Plano B?

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Catrin Welz-Stein – Reprodução

Qual é o código para decifrar seus sonhos?

A Lua é nova nesta terça-feira, dia 29 de novembro, às 10h18min no horário de Brasília e às 12h18min no horário de Lisboa, inaugurando o ciclo de Sagitário, a fase do ano em que procuramos maior significado para nossas vidas, buscamos mais aventura e renovamos nosso otimismo. Nossos interesses se expandem e abrimos a mente para abraçar novas ideias e perspectivas. Neste período, também somos convidados a observar nossas crenças e nossa espiritualidade mais de perto; verificar se vivemos o que proclamamos, se cremos no que pregamos, se falamos o que cremos e se somos o que dizemos que somos – essa é uma paráfrase de uma citação de D. Pedro Casaldáliga, que no original diz o seguinte: “Ser o que se é, falar o que se crê, crer o que se prega, viver o que se proclama, até as últimas consequências” – será que podemos dizer isso de nós mesmos? O ciclo de Sagitário vem nos questionar isso… E caso identifiquemos que estamos fora dos trilhos, sempre podemos retomar o rumo certo. Certo? Hummm… Talvez.

Lua Nova em Sagitário - Brasília, 29 de novembro de 2016, 10h18min

Lua Nova em Sagitário – Brasília, 29 de novembro de 2016, 10h18min

O problema é que o rumo está deveras incerto neste ciclo. Ocorre que a Lua Nova se dá em quadratura bem próxima a Netuno em Peixes, o Mestre da Neblina, das Ilusões, das Incertezas… A Lua se renova a 07°42’ de Sagitário, a menos de dois graus da quadratura a Netuno, e a menos de meio grau da quadratura ao eixo nodal, o que nos sinaliza um ciclo um tanto confuso, de nevoeiros densos que atrapalham a visão de longo alcance do Arqueiro. Justamente num período em que precisamos de clareza para olhar para o futuro, depois de todas as tensões e dúvidas que vivenciamos ao longo dos últimos meses, sentimo-nos sem rumo, perdidos, sem saber direito para onde ir a partir daqui, sem saber se nossos sonhos são válidos ou se são apenas quimeras e ilusões douradas… A não ser pela conjunção hiper-ampla a Saturno (quase dez graus) que muitos nem considerariam, a quadratura a Netuno é o único aspecto que a Lua Nova faz, o que o torna muito importante e enfatizado. Então, sim, ainda temos muitas dúvidas à frente… A quadratura aos Nodos Lunares nos sugere que podemos tanto encontrar esse rumo alvissareiro, como podemos nos perder de vez, portanto, precisaremos sair com as lanternas acesas mesmo ao meio-dia…

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Como se não bastasse, este mapa traz uma assinatura de Fogo Mutável: há muito ímpeto, muitos projetos, entusiasmo exacerbado, mas pouco se realiza se não se puser os pés no chão; vamos de um projeto a outro, achando que o sentido está sempre ali, logo adiante. Temos muita energia mutável ativada nos céus (Sol, Lua, Saturno, Mercúrio, Netuno, Quíron) e somente temos Marte em signo fixo, em Aquário, então, há pouca consistência naquilo que buscamos realizar, dispersamo-nos em muitas direções, aumentando a sensação de estarmos perdidos; há dificuldade em ser constante e por vezes, vamos ao extremos oposto e nos fixamos numa ideia qualquer, só para provar que estamos certos, mesmo que aquilo seja uma tolice. É preciso cautela com as paixões e com os entusiasmos do tipo “fogo de palha” ou, pior ainda, com entusiasmos do tipo fogo-fátuo, que é mais fugidio ainda e se origina da decomposição daquilo que um dia foi vivo e válido, mas que hoje se decompõe!

Catrin Welz-Stein - Reprodução

Catrin Welz-Stein – Reprodução

Mais: no mapa levantado para Brasília Lua e Sol estão interceptados, ou seja, o signo de Sagitário está “preso” dentro da casa 11, estando Escorpião na cúspide da própria casa 11 e Capricórnio na cúspide da 12. Dessa maneira, Lua e Sol ficam presos e meio “sem saída” ou sem canal direto de expressão. Planetas interceptados ou signos interceptados são um tanto controversos e pouco se fala sobre o assunto. Normalmente não presto tanta atenção a signos interceptados numa interpretação de mapa, a não ser que haja planetas ali, mas no meu entender, quando um signo ou planeta está interceptado, a sensação é de que algo está guardado dentro de um quarto que foi construído sem portas ou janelas, sem aparentemente nenhuma via de acesso àquilo que está lá dentro; ou, dito de outra forma, talvez haja uma porta blindada que só se abre com uma chave especial ou um código de acesso, mas esse código não é fácil de decifrar. Ainda, como diz Rainer Maria Rilke num de seus poemas, “é como se fossem salas fechadas ou livros escritos numa língua muito diferente daquelas que conhecemos”. Então, sabemos que há algo ali, mas não acessamos tão facilmente nem diretamente, é um tanto inconsciente, permanece em estado de latência, meio indefinido, carecendo de clareza, até que seja ativado por trânsito ou progressão (no caso de mapas natais); é um quarto que pertence à casa, mas cuja comunicação com o resto dessa casa está comprometida. Dessa forma, o uso dos recursos e talentos representados pelos signos e planetas interceptados são “retardados”, por assim dizer, demoram a se expressar, porque levamos tempo até descobrir a via de acesso, ou até aprender a decifrar o código que nos permita acionar tais energias dentro de nós, o código que decifre os nossos sonhos relativos àquela área de vida! Mas é possível!

Brooke Shaden Photography - Reprodução

Brooke Shaden Photography – Reprodução

Assim, em se tratando do início de um ciclo em que deveríamos renovar nossa fé e esperança, essa interceptação, somada à quadratura a Netuno, sinaliza que talvez tenhamos dificuldade em tal renovação… Como ser otimista diante dos cenários sociais, políticos e econômicos atuais? Como ter esperança quando parece que tudo desanda e vai de mal a pior? Estamos tão desiludidos, sentimo-nos lesados, tantas vezes, repetidamente… Daí a grande dificuldade em acessar o otimismo que está lá, latente, dentro de nós, mas que é tão elusivo, como elusivo é Netuno, como elusivo é um signo interceptado… Saturno e Mercúrio também estão interceptados em Sagitário neste mapa e eu diria que simbolizam nossa grande desconfiança quanto às ideias de justiça, quanto ao cumprimento de tal justiça… Como fazer cumprir leis tão bonitas, se os infratores parecem escapar por entre os dedos, tal o número de artimanhas, engenhosamente elaboradas? Parecem estar além do nosso alcance, num quarto lacrado, em outra dimensão, divertindo-se às nossas custas – sim, você entendeu, estou falando dos nosso problemas políticos! Ou talvez se dê da forma contrária: nós nos sentimos presos num quarto, incomunicáveis, sem conseguir decifrar o código da porta eletrônica, ou talvez não haja portas, nem janelas, nem telhado, apenas escuridão… Como ganhamos acesso a esses recursos, dos quais precisamos tanto? Como encontrar a saída? Como nos reorientar e achar o rumo perdido? Como encontrar nosso Norte?

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A primeira pista é olhar para os aspectos que tais planetas fazem, porque eles são a primeira saída e canal primevo de expressão de tais energias, então, Netuno aqui não pode representar só problemas, precisa representar também soluções. E já que Netuno é subversivo e elusivo, enganoso e liso feito quiabo, precisamos usar isso a nosso favor; ao invés de ir pelas vias diretas, devemos buscar as alternativas não óbvias, usar a imaginação, recorrer à linguagem mágica para tentar entender os tais códigos e, ainda assim, permanecer atentos aos cantos das sereias enquanto estivermos navegando, estejam os mares bravios ou plácidos. Também precisamos acessar nossos sonhos! O que nos faz sonhar? Realmente? Com o que sonhamos atualmente? Ou nem nos permitimos mais? Se deixarmos que roubem nossos sonhos, eles terão vencido a guerra sem disparar nem uma bala, nem umazinha sequer! Mas é claro que precisamos discernir entre sonhos factíveis e meras quimeras… Será que conseguimos perceber a diferença no atual estado de coisas? A outra questão importante quando se trata de Netuno é ser humilde e saber que estamos à deriva e quando se está à deriva, o melhor, muitas vezes, é esperar, ser paciente, soltar-se e abrir mão de saber o que fazer, de saber a direção… Deixar-se conduzir, para variar. Aprender a flutuar, até que as ondas nos levem à praia. Usar como bússola o coração e a intuição, ao invés da cabeça e das vias lógicas.

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A outra pista é olhar para o planeta dispositor do signo/planetas interceptados, que no caso, é Júpiter! Júpiter está em Libra, na casa 9, sua casa natural (no mapa para Brasília), avançando para a oposição a Urano e afastando-se da quadratura a Plutão e ainda recebendo a quadratura separativa de sua regente, Vênus, que aliás, está em quadratura exata a Urano, quer dizer, mais idealismo, mais extremismo, mais rebeldia! Júpiter recebe, também um trígono de Marte, que ficará exato três dias depois da Lua Nova. Definitivamente, este não é um Júpiter preguiçoso, pelo contrário, é um Júpiter, mais que idealista, corajoso e bom de briga, iconoclasta, ambicioso na sua expansão, implacável nos seus métodos. Ele quer sua expansão a qualquer custo e vai correr os riscos! E os resultados se manifestarão de forma bem concreta e palpável, concreta como pedra, para o bem ou para o mal! Assim, para ter acesso ao Sol e à Lua – e também a Saturno e Mercúrio – precisamos ter uma atitude dinâmica e questionadora com relação àquilo que pregamos, com relação às nossas crenças; precisamos ser ambiciosos em nossos sonhos, mas ao mesmo tempo ser vigilantes quanto à nossa ética e integridade, para não fazermos vistas grossas ao nossos próprios “pequenos” deslizes, cometidos em nome de “um bem maior”, como costumamos dizer para nós mesmos à guisa de justificativa; a justiça é cega e assim deve ser, não pode ser caolha para favorecer a mim ou aos meus, ou a quem quer que seja, mas nessa configuração, um dos riscos é pensarmos que estamos acima do Bem e do Mal, que somos o próprio Deus onipotente, onipresente  onisciente e que podemos arbitrar conforme nos aprouver e não conforme a justiça de fato requer– soa familiar com aqueles congressistas que só legislam em causa própria? (Com Netuno tão influente neste ciclo, realmente precisamos ficar de olho nas votações desses projetos estapafúrdios que tramitam atualmente no congresso e casas legislativas… Se a gente piscar, o atestado da idiotia nacional será promulgado! Sim, brasileiro, o povo mais idiota do mundo, que elege legisladores e administradores que saqueiam os cofres da nação e só trabalham para se perpetuarem no poder, criando e aprovando leis que os protejam ad infinitum).

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E uma terceira pista, na verdade são duas – para quem tem planetas e signos interceptados no mapa natal, principalmente: a auto-observação nos momentos de distração, quando estamos a realizar atividades ligadas àquela casa e planeta/s em questão, porque quando estamos mais distraídos é quando revelamos nossa face mais genuína e espontânea. Não deixa de ser um paradoxo porque no momento em que nos damos conta do que fazemos, a atividade talvez deixe de ser espontânea, mas ainda podemos observar em retrocesso e anotar mentalmente qual era a nossa atitude de então. E, por último, fazer o oposto do sugerido acima, ou seja, buscar executar as atividades relacionadas ao signo/planetas/casas de forma bastante consciente, sendo ao mesmo tempo, observador e observado durante todo o processo e, ao final, fazer mais anotações, para então cruzar e comparar ambos os momentos, a atitude distraída e a atitude consciente, chegando aos pontos em comum. Daí então poderemos ter mais clareza de como o processo se dá para nós.

Mihai82000.Deviantart - Reprodução

Mihai82000.Deviantart – Reprodução

No caso do ciclo em questão, talvez precisemos fazer tudo ao contrário, já que não teremos tempo para observar o que está por vir, visto que já precisaremos estar prontos para o que der e vier: precisamos olhar em retrospecto e nos lembrar do que é que aciona nosso otimismo e nossa esperança; o que, no passado, nos levou a reencontrar nosso Norte quando estávamos perdidos; o que trouxe sentido quando tudo parecia vazio; o que deu um sentido de ordem, quanto tudo resvalava no caos; o que nos tornou humildes quando nos inflamos de arrogância e, ao contrário, o que nos deu confiança quando nos sentíamos por baixo. Em resumo, precisamos ter um “Plano B”, porque o “Plano A”, a princípio, está lacrado e inacessível num quarto sem portas ou janelas e sim, teremos acesso a isso mais à frente, mas enquanto esperamos a clareza, precisamos já ir trabalhando, mesmo que os rumos pareçam incertos e temerários… Qual é o seu Plano B? Se não tem, desenhe um! Alguma vez você já ousou por um Plano B em ação? Isso não deveria ser problema, visto que Sagitário sempre vê muitas possibilidades diante de si.

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O Símbolo Sabiano do grau 8 de Sagitário (07°42’) traz a seguinte imagem: “Nas profundezas da Terra novos elementos são formados”. Dane Rudhyar nos lembra que o tom central desse símbolo é “o fogo alquímico que tanto purifica quanto transforma a própria substância da vida interior do homem”. Ele nos lembra que, mesmo quando nada parece estar acontecendo na superfície, processos importantes ocorrem nas profundezas da Terra ou do Mar, da mesma forma, o ego consciente geralmente desconhece os processos alquímicos do inconsciente e só se dá conta deles quando uma mudança importante acontece, a ponto de não ser mais ignorada e então um novo nível de consciência e de resposta à vida é alcançado. Ele completa dizendo que o símbolo chama a nossa atenção para as mudanças internas, que se dão à revelia do ego e da vontade dita “pessoal”, como uma “gestação psíquica”, como um feto sendo gerado no ventre, independentemente da vontade ou do esforço consciente da mãe. Ele cresce e se desenvolve, e assim é, também com nossos processos e transmutações internos. Essa alquimia ocorre à nossa revelia mas, se estamos alinhados com ela, podemos facilitar o processo, ao invés de resistir a ele. Confiar e deixar fluir, mesmo quando nosso impulso seria tentar controlar, ansiosa-mente! Esperar. Agir pela in-ação. Calar na falação. Repousar no excesso de atividade. Amar as próprias dúvidas, mesmo com toda a ansiedade que elas nos trazem.

Arcano II do Tarô - A Sacerdotisa - Tarô de Nei Naiff

Arcano II do Tarô – A Sacerdotisa – Tarô de Nei Naiff

Uma imagem que representa bem este símbolo e a Lua Nova interceptada em quadratura a Netuno é a imagem da Sacerdotisa, o Arcano II do Tarô. Ela é enigmática e não vai revelar seus segredos a qualquer um, muito menos àqueles que não souberem fazer a pergunta certa – sim, aqui a pergunta é mais importante do que a resposta –  ou que forem levianos demais para não aguardarem o tempo certo da resposta. É preciso amar as perguntas, para ter acesso às respostas! É preciso ter timing, estar afinado com o tempo certo das coisas e não se afobar, não se precipitar… Sabe aquela frase, “quando não se sabe para onde ir, qualquer lugar serve”? Pois então, quando chegarmos lá nem poderemos reclamar porque entramos em ação antes de saber o que realmente queríamos ou para onde estávamos indo… Assim, o nosso Plano B precisa incluir uma certa espera, um ouvir da intuição, um decifrar as linguagens mágicas e não óbvias, aquelas linguagens que o ego e a mente consciente ignoram… Ler nas entrelinhas, naquilo que não é dito verbal ou diretamente, encontrar a chave, decifrar os códigos para ganhar acesso aos tesouros, às visões e venturas, no momento certo! Porque se precipitarmos o momento, a criança e mãe podem morrer, assim como nossas ideias e projetos fabulosos que, ao invés de prosperar e frutificar, se desintegrarão feito poeira no ar, diante dos nossos olhos, que se encherão de lágrimas de consternação.

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Em resumo, este é um ciclo delicado, em que precisamos ser pacientes conosco mesmos se porventura não soubermos para onde ir ou quando ir; em que precisamos aprender a esperar o momento certo de agir, em lugar de sair às cegas, arriscando-nos a cair no precipício; que precisamos descobrir a chave, decifrar os códigos sutis que nos darão acesso ao nosso otimismo e esperança latentes; que precisamos buscar alternativas – éticas – quando as vias diretas estiverem inacessíveis, ou seja, o “Plano B”; e em que precisamos trabalhar para que a justiça seja, de fato, aplicada, implacável e certeira; e claro, ficarmos vigilantes quanto a essa “justiça”, ou ela naufragará, será afogada por aqueles mesmos que prometeram defende-la e resgatá-la dos mares tempestuosos da corrupção.

E para meditar nessa Lua Nova, cheia de incertezas, dexo-vos com este poema de Rainer Maria Rilke, que já mencionei acima:

Tenha paciência com o não-resolvido, ame as perguntas!

“Se procurar amparo na Natureza,

no que é nela tão simples e pequeno que quase não se vê,

mas que inesperadamente pode tornar-se grande e incomensurável;

se alimentar esse amor pelo mais ínfimo e, se tentar,

humilde como um criado,

ganhar a confiança do que parece pobre,

tudo será para si mais fácil,

mais coeso e de algum modo mais conciliador,

talvez não no intelecto,

que recua atônito,

mas no mais íntimo da sua consciência,

do seu conhecimento e atenção.

Você é tão jovem ainda,

está diante de todos os inícios,

e por isso gostaria de lhe pedir, caro Senhor,

que tenha paciência quanto a tudo o que está ainda por resolver no seu coração

e que tente amar as próprias perguntas

como se fossem salas fechadas

ou livros escritos numa língua muito diferente das que conhecemos.

Não procure agora respostas que não lhe podem ser dadas porque ainda não as pode viver.

E tudo tem de ser vivido. Viva agora as perguntas.

Aos poucos, sem o notar,

talvez dê por si um dia,

num futuro distante,

a viver dentro da resposta.

Talvez traga em si a possibilidade de criar e de dar forma

e talvez venha a senti-la como uma forma de vida particularmente pura e bem-aventurada;

é esse o rumo que deverá tomar a sua educação;

mas aceite o que está por vir com grande confiança,

e se ele surgir apenas da sua vontade,

de uma qualquer necessidade interior,

deixe-o entrar dentro de si e não odeie nada.”

Rainer Maria Rilke, “Cartas a um Jovem Poeta”

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Um ótimo ciclo para você! Que nosso fogo seja consistente o bastante para fazer borbulhar nosso anseio de justiça! E que possamos viver nossas dúvidas e perguntas, sem ansiedade e sem deixar de viver, verdadeiramente!

Mihai Christie - Reprodução

Mihai Christie – Reprodução

A Semana Astrológica – As mentiras que nos contam ou que contamos a nós mesmos?

Reprodução - Desconheço o autor

Reprodução – Desconheço o autor

Semana de 14 a 20 de novembro – Dias de culminação, frutificação e expansão! De preencher os vazios deixados pelas recentes eliminações. De solidificar propósitos e buscar estabilidade!

A semana começa com a Lua Cheia em Touro, que representa a culminação do ciclo, acontecendo já na segunda-feira e colorindo a semana de uma energia de realização, frutificação e sensação de completude. Mas a Lua Cheia também marca o começo do fim do ciclo e gradualmente vamos reorganizando a energia para já nos prepararmos para o desdobramento dos próximos ciclos. O Sol segue pelo terceiro decanato de Escorpião, completando a jornada de confrontar as sombras, mas sem se comunicar com outros planetas, apenas recebendo os aspectos da Lua. São dias de nos assentar em nós mesmos, voltar-nos para dentro e nos realinhar com nossos propósitos mais profundos.

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Quantas pernas tem o elefante? – Reprodução

Mercúrio é quem fica muito ativo nestes dias. Nas amplas estradas Sagitarianas ele encontra em Marte um parceiro de explorações e aventuras e ambos dialogam animados sobre as novas experiências, isso ainda no início da semana. Mas depois ele se defronta com as miragens de Netuno, um oásis que ora tá aqui, ora ali, ora acolá… Ilusão de ótica, miragem, chame do que quiser, o fato é que são dias de se ter cautela nos processos mentais e nas comunicações porque está tudo meio fora de compasso, meio borrado e desconexo, nada é como parece, portanto, vale esperar, ver para crer e ainda pedir provas da existência da coisa em questão… Mas o pior não são as mentiras que contam para nós e sim, aquelas que contamos a nós mesmos e escolhemos acreditar de olhos fechados. Por que fazemos isso? Porque às vezes é difícil encarar o vazio do nosso discurso, carente de lastro real; é difícil encarar verdades dolorosas a respeito de nossa vida e da nossa própria falta de substância… Assim, é mais fácil nos enganar, acreditar nas mentiras que contamos por aí, até porque, se nós acreditamos, fica mais fácil convencer a outros, não é mesmo? Juntando com um aspecto menor que Mercúrio faz a Urano, concluímos que a mente não está muito confiável durante este período e é bom analisar tudo com cautela e manter o pé atrás antes de se jogar de cara e assumir riscos que podem se revelar bastante perigosos ali na frente – podemos pular no abismo e o paraquedas não abrir!

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Vênus também está sensibilizada por Netuno, o que nos ajuda a trazer uma certa doçura para as relações, que andam sérias demais com a influência de Capricórnio. Vênus em Capricórnio, de quem se pode dizer, às vezes, que tem coração de pedra, amolece um pouco o coração e se permite cogitar em outras possibilidades para além do realismo frio daquilo que é palpável. Vênus se prepara para moldar-se a Plutão na semana que vem, quando virará foco de uma T-Square cardinal, já que também fará quadratura a Júpiter e a Urano, ambos em oposição – sim, a semana que vem está desafiadora no campo das relações, parcerias e investimentos.

Kendra Nicolle - Reprodução

Kendra Nicolle – Reprodução

E por falar em Netuno, ele é o ponto alto desta semana, o que nos aponta que estes são dias meio surreais, em que os acontecimentos têm um tom de realismo fantástico – espere só para ver! Sim, além de estar ativado por Vênus e Mercúrio, o Senhor das Ilusões volta ao movimento direto, especificamente no domingo, dia 20, às 02h39min. Voltando ao movimento direto, depois de cinco meses retrógrado, Netuno sinaliza que as revisões que tenhamos feito com relação à espiritualidade, nossos sonhos e anseios e também na maneira como nos expressamos criativamente – isso vale especialmente para artistas de todas as áreas – comecem a ser efetivadas. É hora de retomar e aplicar as revisões, criando novas linguagens. Por outro lado, Netuno recebe conjunção do Nodo Sul nesta semana, requerendo cautela nas nossas posturas, pois há maior tendência a escapismos, vitimismos, ilusões, a querer permanecer na neblina densa do não-entendimento, do não querer saber das questões duras da realidade, do postergar o enfrentamento de questões dolorosas e desafiadoras… O escapismo pode se dar principalmente através de álcool e outras substâncias que alteram a consciência – por isso, auto-vigilância e auto-controle caem bem! Devaneios vazios e viagens fantasiosas da mente – a verdadeira viagem na maionese – também ficam mais propensas, já que Mercúrio estará em quadratura aos dois, a Netuno e ao Eixo Nodal. Portanto, sempre que algo parecer muito surreal, fantástico demais, vale checar as fontes e até checar a si mesmo para não cair em armadilhas e engodos.

Jarek Kubicki - Reprodução

Jarek Kubicki – Reprodução

Marte em Aquário segue sossegado, descansa dos embates recentes e se atira nas causas sociais, procedendo com experimentações, inovando e quebrando tabus na forma de agir e de executar os desejos do Sol. A vontade pessoal está mais alinhada aos desejos e necessidades do grupo. E assim seguimos. Júpiter fará quadratura a Plutão na semana que vem e nós já sentimos e intuímos o clima desde já: uma força que nos empurra em direção às nossas ambições maiores, embora talvez fiquemos inconscientes quanto à resistência que iremos encontrar pelo caminho. É um excelente trânsito para atividades de reconstrução, reparos, melhoramentos em geral, especialmente, para o auto-melhoramento e a transformação de crenças empedernidas. Mais sobre isso na semana que vem.

Ewung - do flick - Reprodução

Ewung – do flick – Reprodução

A Lua abriu a semana ficando Cheia em Touro. Viaja lenta e depois dispersa-se em Gêmeos, Emociona-se em Câncer, para fechar o domingo já em Leão. Formaliza o Minguante apenas na segunda, dia 21. Trava contatos e interações com todos os demais corpos celestes, pontuando nossas mudanças de humores e interesses ao longo dos dias!

Desconheço o autor - Reprodução

Desconheço o autor dessa imagem adorável – Reprodução

SEGUNDA-FEIRA, 14 de novembro – A Lua abre a madrugada em Touro, faz trígono a Plutão, quincunce a Júpiter e a Saturno ainda na madrugada, virando foco de um Yod-Dedo de Deus. Depois ela se indispõe com Vênus, sua dispositora, que tem estado bastante isolada no início de Capricórnio. Durante a manhã a Lua se harmoniza com Quíron e finalmente se opõe ao Sol, às 11h52min, culminado o ciclo na Lua Cheia de Touro – sobre a qual já escrevi. A Lua fica vazia depois da oposição ao Sol, fazendo apenas uma sesqui-quadratura a Júpiter, no início da noite. A Lua ingressa em Gêmeos somente às 23h23min. A Lua Nova de Touro vem culminar o ciclo de Escorpião e falar da necessidade de alimentarmos nossa autoestima e de buscarmos mais estabilidade e segurança, inclusive no plano material. A Lua Cheia se dá em harmonia com Quíron, sendo este o aspecto mais próximo, e também com Plutão, mas este aaspecto é amplo e separativo. De qualquer forma, fala da oportunidade de crua, regeneração, de voltarmos à nossa essência básica. Veja texto sobre a Lua Cheia para entender melhor os temas desta lunação. A Lua fica vazia pelo resto do dia, logo depois de ser cheia, sugerindo que peguemos leve, que reflitamos bem sobre como vamos nos reestruturar e reconstruir, depois de termos nos desmontado e purgado em Escorpião. A tarde pede atividades tranquilas, rotineiras, básicas e práticas. Paz e sossego, para quem está no feriado prolongado, vem bem a calahar a energia do ócio, de “não fazer nada”, sem culpas ou desculpas. Quem puder que descanse e indulja no “nadismo”!

Lola Dupré - Reprodução

Lola Dupré – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 15 de novembro – Mercúrio está em harmonia plena a Marte hoje. A Lua ingressou em Gêmeos ontem à noite e logo se indispôs com Plutão, irritando-se mais ainda com Vênus, ambos em Capricórnio. Brigou com Mercúrio na madrugada, harmonizou-se com Marte e agora durante o dia caça confusão com Netuno em Peixes, formando uma T-Square ampla, pois se oporá a Saturno em Sagitário no fim da noite. À noite a Lua conversa muito com Júpiter em Libra, mas tem problemas com Plutão. A madrugada pode ter sido povoada de muitos sonhos conflitantes. O dia chega abarrotado de ideias, sentimentos confusos, contradições… Queremos ir, mas também queremos ficar. Será que fui? Será que não vou? Porque não me dividir em dois ou três? É, de fato o que gostaríamos, ter clones, para poder estar em vários lugares ao mesmo tempo e curtir a vida adoidado, não perder nenhuma oportunidade. Feliz ou infelizmente, nessa nossa dimensão isso ainda não é possível, de modo que precisamos nos ater à realidade, a despeito de todas as fantasias que povoam nosso coração, que hoje está caótico e cheio de racionalizações. A noite traz outros dilemas e tensões. Queremos continuar na brincadeira, como um Peter Pan que se recusa a sair da Terra do Nunca, mas a realidade nos chama de volta e precisamos encará-la no olho, nem que seja para dormir mais cedo e voltar ao batente amanhã. A noite traz uma solidão difícil de administrar, sentimo-nos isolados, meio abandonados, incapazes de nos comunicar, de expressar o que realmente queremos, porque talvez não nos sentimos autorizados ou tenhamos receio de parecer infantis e carentes. Assim, ao invés de ser sinceros sobre o que precisamos, fingimos que não queremos nada mesmo e acabamos por criar o cenário que antes temíamos. O melhor remédio é não se levar muito a sério porque assim como os ventos, isso também é temporário o mau humor de hoje pode ser a alegria de amanhã.

Reprodução - Desconheço o autor

Reprodução – Desconheço o autor

QUARTA-FEIRA, 16 de novembro – A Lua abre o dia em Gêmeos, ainda em oposição a Saturno, trígono a Júpiter e sextil a Urano, formando um Retângulo Místico, já que Júpiter também já está em oposição a Urano. A Lua fica vazia às 08h57min, depois de se harmonizar com Urano. Mas durante o dia, mesmo vazia, ela se indispõe com Marte, se irrita muito com o Sol e desconta o mau humor em Quíron. Ingressa em Câncer às 22h57min. Mercúrio faz uma sesqui-quadratura partil a Urano. Ansiedade, frenesi e muita inquietude dão o tom do dia. Difícil voltar ao batente depois de um feriado prolongado em que nos acostumamos mal com a vida boa de não ter hora para nada, flanando de cá para lá! E o pior é voltar com muitas tarefas acumuladas e cobranças internas e externas que são difíceis de administrar, já que também precisamos atualizar as fofocas do fim de semana – ops! Precisamos mesmo atualizar fofocas? O fato é que há propensão a dispersão, a se dividir em muitas atividades, tendo dificuldade de levar a cabo efetivamente as coisas. O que precisamos mesmo é de uma boa dose de cafeína, de muita concentração e esforço para manter o foco. A Lua está vazia e o dia favorece o andamento de coisas já iniciadas, de aviar com escritos, leituras, etc. As fofocas? Não são úteis nem necessárias, portanto, podemos prescindir delas. Jogar conversa fora pode até ajudar a dispersar o tédio e fazer pipocar algumas ideias inovadoras, naqueles momentos em que estamos meio distraídos e desatentos das coisas ditas “sérias”, mas jogar conversa fora indefinidamente também é perda de tempo e só vai adiar o enfrentamento do cotidiano que precisa ser devidamente retomado.  Há muita propensão à verborragia e isso requer contenção, do contrário, a energia dispersada na fala faltará em outras áreas, ainda mais que com Mercúrio em contato com Netuno não sabemos muito bem do que falamos, menos ainda temos certeza da veracidade das coisas…

J. Kirk Richards - Reprodução

J. Kirk Richards – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 17 de novembro – De Câncer a Lua faz oposição a Vênus em Capricórnio e depois também arruma uma “treta” com Marte em Aquário e Mercúrio em Sagitário, virando foco de um Yod-Dedo de Deus. Para compensar a Lua vai chorar as mágoas e dissabores junto a Netuno, mas no fim, ainda exagera nas reclamações com Júpiter. A Lua faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Disseminadora, às 16h43min. O dia traz uma tensão e uma belicosidade que causam muita irritação, explosões de mau humor, sensação de estarmos pressionados e instabilidade emocional bastante acentuada. Há forte incongruência entre emoções e pensamentos, entre o que queremos e o que precisamos e isso nos deixa muito divididos e espinhosos. Como resultado há descontrole emocional, dramas e tempestades um pouco difíceis de contornar. Ocorre que estamos muito conscientes de nossas carências, das faltas e buracos não preenchidos e o mundo lá fora está a nos dizer que choramos de barriga cheia, ou, no mínimo, é indiferente às nossas queixas, o que nos faz ficar ainda mais sensíveis e melindrosos com a sensação de que a vida é, de fato, muito injusta – o que parece um problema sério para mim para outros não passa de mimimi! Em lugar de ficar emburrados e e azedos ou de revidar com táticas manipuladoras para conseguir o que queremos, talvez seja o caso de nos recolhermos e darmos colo, nós mesmos, a esse bebê carente que há dentro de nós, afinal, ele é responsabilidade nossa e de mais ninguém. Aceitar esse nosso lado infantil, aceitar o próprio mau humor e a própria carência sem imputá-los a outros, pode nos ajudar a crescer e a nos desidentificar dos buracos sem fundo que carregamos na alma e quem sabe, apenas quem sabe, a aceitação que nós mesmos provemos possa fornecer também o preenchimento do vazio que nos corrói – se nós mesmos não damos conta de aturar esse bebê chorão interno, como esperamos que outros o façam??? Uma vez que tenhamos liberado os outros de resolver nossos problemas e dissabores, quem sabe eles, espontaneamente, nos brindem com algo com o que não se barganha: calor, carinho e amor genuino. Em termos práticos o dia está sujeito a crises e situações do tipo sem saída, em que temos que escolher um mau menor ou fazer escolhas meio ingratas. Em compensação, as crises que estouram tem maiores chances de serem resolvidades de forma definitiva, se formos maduros e contarmos com nossos próprios recursos, sem esperar que outros façam por nós o que é atribuição nossa. A noite e a madrugada estão particularmente turbulentas.

Andrey Brandis - Reprodução

Andrey Brandis – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 18 de novembro – Mercúrio está em quadratura exata a Netuno. Na madrugada, a Lua em Câncer troca farpas afiadas com Saturno, enquanto confronta Plutão, tendo que ainda defender-se no embate com Urano – como ela ainda está em quadratura a Júpiter, temos uma ampla Grande Cruz Cardinal. Dona Lua também se indispõe com Mercúrio e Netuno, aumentando a irritação e as reações inconscientes. À noite a Lua se afina com Quíron e mais tarde com o Sol, formando um Grande Trígono de Água. A Lua fica vazia às 20h03min, depois do trígono ao Sol em Escorpião. A madrugada está cheia de desencontros e as tensões podem interferir no descanso e no sono, de modo que o dia começa novamente tenso e azedo feito leite talhado. Para completar, a mente está nublada, enevoada e clareza é algo que não temos, até porque estamos submersos em nossos próprios sentimentos desencontrados. Sim, a instabilidade emocional continua e precisamos escolher entre abrir o berreiro – o que seria patético, dependendo do contexto – ou tomar providências maduras e eficazes a respeito do que quer que esteja acontecendo conosco ou ao nosso redor. Por mais que nos sintamos pressionados, por antagonismos externos e conflitos internos, temos uma grande oportunidade de crescer e dar nosso melhor, ganhando não só o respeito alheio, mas principalmente, o respeito próprio. Desapegar-se um pouco dos próprios melindres e reclamações pode nos mostrar saídas antes não cogitadas, portanto, distanciamento emocional é uma ótima pedida em algumas situações. Com Mercúrio embotado desse jeito e com os sentimentos tão suscetíveis, seria bom adiar certas conversas para outro dia porque a probabilidade de nos enrolarmos ainda mais é grande. A noite traz um pouco de calmaria nas crises, mas a sensibilidade aumenta – quem sabe agora possamos achar o lugar certo de abrir as comportas? Dar vazão aos sentimentos represados pode ser também curativo – claro, num momento e ambiente que ofereçam a contenção adequada aos desmandos do coração, assim não nos expomos ao julgamento alheio nem perdemos a dignidade. O desabafo na hora e local apropriados pode ser também curador.

Tracie Taylor - Reprodução

Tracie Taylor – Reprodução

SÁBADO, 19 de novembro – Vênus está em conversa sensível com Netuno, aspecto exato hoje, Netuno que aliás, estaciona às 02h37min para voltar ao movimento direto amanhã. A Lua abre o dia fora de curso, em Câncer. Ingressa em Leão à 01h15min e logo tem uma fricção com Saturno. Com Marte o embate é aberto e frontal, mas com Vênus e Netuno, a interação é obtusa e mais irritante, já que ela é foco de um Yod. Netuno recebe a conjunção do Nodo Sul. O dia traz novos rasgos de irritação, mas pelo menos hoje estamos mais diretos, menos sentimentais e vamos para o confronto aberto, falando o que pensamos na lata. Claro, isso pode levantar muitos conflitos, mas também a chance de eles serem resolvidos de pronto, sem ficarem se arrastando indefinidamente, feito correntes arrastadas por fantasma-assombração. Para evitar tais conflitos, podemos investir em atividades que requeiram grande gasto energético, vigor e estamina – é necessário ir para essas atividades com muita presença de espírito, com a atenção focado no momento presente para que as distrações não representem problemas  – especialmente para não nos tornarmos vítimas de ações precipitadas. A noite traz um clima mais amigável e ameno, de modo que podemos encontrar pessoas e nos permitir alguma diversão, depois dos dias carregados que tivemos recentemente. Se o dia era uma criança zangada e pronta para a briga, a noite é uma criança pronta para se divertir! Ponto de atenção: recomenda-se pegar leve com álcool e afins porque o dia e a noite estão propensos a bagaceira geral e aenfiar o pé na jaca, do tipo de perder o tamanco para sempre e no dia seguinte não saber o que rolou… Escapismo e vitimismos estão esperando ali na esquina. Cautela!

Claudia Trembley - Reprodução

Claudia Trembley – Reprodução

DOMINGO, 20 de novembro – De Leão a Lua se harmoniza com Júpiter, enquanto olha, belicosa, para Plutão. A Lua entra em harmonia com Saturno e Urano e forma um Grande Trígono de fogo, que, por causa do sextil a Júpiter, vira uma Pipa ampla por algumas horas no começo da manhã. Dona Lua ainda encrenca com Quíron e fecha a noite indisposta com Vênus. A despeito de algumas incoerências, o domingo está divertido e bastante energético e dinâmico – basta saber aproveitar. Como por milagre, conseguimos conciliar coisas e pessoas aparentemente muito divergentes de forma que acomodamos muitas diferenças e fazemo-las fluir e conversarem entre si civilizadamente. O clima favorece reuniões familiares, encontros com amigos, passeios diversos, especialmente aqueles que estimulem o gosto pela aventura e pelo convívio com os afins. Ufa! Depois de tantas tempestades, nós bem que merecemos um descanso e uma trégua! Favorecidas também estão as atividades criativas, artísticas e as brincadeiras em geral. É dia de botar nossa criança interior para se divertir e brincar sem culpas, sem medos, sem dilemas maiores que não sejam descobrir qual brincadeira, afinal, é mais divertida. Assim, podemos aproveitar e entrar em contato com esse nosso lado confiante e entusiasmado, guiados pela intuição e pelo nosso próprio brilho e generosidade naturais.

Uma ótima semana para você!!

tirado de Mustanggina.tumblr - Reprodução

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Lua Nova em Escorpião – Renascendo das Cinzas

Grand-Arts-Tumblr - Reprodução

Grand-Arts-Tumblr – Reprodução

A Lua Nova deste domingo (30 de outubro, 15h38min no horário de Brasília e 17h38min no horário de Lisboa) convida a uma introspecção profunda e visceral. Uma introspecção que permita a regeneração e o refazimento da alma, que passou por tantos embates nas últimas semanas. É uma Lua Nova super potente, não só porque ocorre em Escorpião, mas também porque acontece às vésperas do Halloween, a noite de Todos os Santos e de todas as almas, modernamente chamado de Dia das Bruxas – não, não é uma invenção americana! É um tempo em que portais são mantidos abertos por um número de horas e muitas revelações podem emergir do inconsciente. Entenda a origem e a importância do Halloweeen.

Esse é um ciclo de morte e eliminação, mas também de cura, regeneração e renascimento; que expõe nossas feridas mais pungentes, não para que soframos mais ainda, mas para que possamos saná-las e curá-las, transmutando a energia densa do sofrimento e da dor, no bálsamo da redenção, da cura e da liberação – liberação de si mesmo e da vida que estava estagnada. É o ciclo da transformação.

Lua Nova em Escorpião - Brasília, 30 de outubro, 14h38min

Lua Nova em Escorpião – Brasília, 30 de outubro, 14h38min

Depois de um ciclo Libriano cheio de percalços e nada harmonioso, um ciclo explosivo na área das relações, o ciclo de Escorpião vem permitir a salutar digestão emocional de todas as mudanças drásticas das últimas semanas – é hora de renascer das cinzas! A Lua se renova a 07°43’ de Escorpião, em conjunção a Mercúrio, sugerindo que muitas revelações importantes continuam a vir à tona, algumas nos surpreendendo grandemente, outras apenas confirmando o que nossa intuição já sabia. A Lua também está em trígono a Netuno, indicando um ciclo de grande sensibilidade e compaixão. Estes são os únicos aspectos que Lua e Sol fazem, mas que estão muito próximos da plenitude. Além disso, no mapa levantado para Brasília, Quíron está bastante proeminente, conjunto ao Ascendente, sugerindo um ciclo de se identificar feridas antigas e de se proceder com o tratamento e a cura.

Innana-Ereshkigal - Escultura Sumeriana - Museu Britânico - Reprodução

Innana-Ereshkigal – Escultura Sumeriana – Museu Britânico – Reprodução

Uma Lua tão introvertida me lembra o mito sumeriano de Innana e Ereshkigal: no mito sumeriano A Descida da Deusa, Inanna, a Rainha dos Céus, tem que descer ao inferno para visitar a irmã Ereshkigal, a Deusa do Mundo Inferior. Innana tem que passar pelos sete portões que levam ao mundo inferior e em cada um deles despoja-se de algo que a identifica como deusa do Mundo Superior: vestes reais, roupas, jóias, cetro, coroa, até ficar completamente nua. Então ao chegar lá a irmã a mata e pendura num gancho de açougue para apodrecer. A linda e exuberante rainha dos céus é largada no submundo, pendurada como um pedaço de carne morta assistindo à própria putrefação. É mais ou menos como nos sentimos atualmente, depois do fechamento do último ciclo cheio de crises e rupturas e depois de todos os embates deste ano: uma sensação de impotência, um luto que precisa ser vivido por tudo o que morreu e deixou de existir, uma confrontação da própria tristeza e humores sombrios.

Innana e o leão, um de seus animais-símbolo - Reprodução

Innana e o leão, um de seus animais-símbolo – Reprodução

Assim como Innana, deusa dos céus luminosos, deusa da beleza e do amor – uma Afrodite arcaica, que bem representa o signo de Libra – nós também precisamos nos desvestir de nosso lado mais luminoso, de tudo aquilo que nos identifica como pessoas civilizadas e sociáveis, belas e virtuosas, para adentrar as profundezas abissais do nosso próprio Mundo Inferior e lá confrontar nosso abismo pessoal, o fracasso, a dor, a impotência, o desespero, a tristeza, o luto, o nada, o vazio. E lá permanecer o tempo necessário para que esse luto assente, para que lhe demos seu lugar de direito – porque se não enfrentamos a dor e o luto na hora certa, eles voltarão mais tarde mais potentes e amedrontadores para nos assombrar.

innana-ereshkigalEreshkigal é a contraparte sombria de Innana e precisamos não só reconhecê-la, mas dar-lhe seu devido valor, seu lugar de direito na vida e na psique. No mito, Innana fica três dias pendurada apodrecendo no Mundo Inferior. Mas ela não era tão tola e ingênua assim… Ela tinha deixado ordens expressas lá em cima, para o caso de algo dar errado, pois sabia que estava adentrando um lugar perigoso e sombrio – ela sabia a fama da sua irmã – seu lado sombrio. Seu avô engendrou, a partir da sujeira que carregava debaixo das próprias unhas, duas pequenas criaturas andróginas que tinham a função de carpideiras, de pranteadores. Escorregando pelo Mundo Inferior sem ser notados, eles se aproximaram de Ereshkigal, que sofria muito pela morte do seu marido e também porque estava grávida e teria um parto difícil pela frente. Como diz Sasportas ao contar este mito, “algo morreu, mas algo está nascendo”. As criaturas carpideiras chegaram junto de Innana e começaram a chorar junto com ela, a ouvir-lhe e dar-lhe razão, a dizer-lhe que “sim, sua dor era horrenda; sua condição era terrível, que ela tinha razão de estar zangada e enlutada”. Ao ser ouvida, aceita e não julgada, Ereshkigal finalmente se acalma e dá a eles aquilo que eles lhe pedem: que Innana volte à vida e seja liberada para voltar ao Mundo Superior. Agradecida, Ereshkigal consente e faz Innana reviver e ela pode, finalmente, voltar ao Mundo Superior. Mas ela não é mais a mesma deusa que empreendeu a terrível descida. Não. Ela retorna completamente transformada, mais madura e ciente dos seus próprios mistérios e escuridão – afinal, a luz é o par da escuridão, assim como Ereshkigal é o outro lado de Innana. Innana é a luz e a beleza e Ereshkigal é a sombra e o terror da vida. Ambas se refletem porque são metades da mesma unidade.

Reprodução - Desconheço o Autor

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Assim como as carpideiras, precisamos também reconhecer que nossa raiva e a tristeza são legítimas, só assim eles poderão ser acalmados. Da mesma maneira, depois de termos descido às profundezas do nosso próprio inferno pessoal, tivemos um período de assimilação e agora estamos prontos a renascer, transformados, renovados, mais sábios e experientes. Como a Fênix ou como a Serpente, estamos prontos a começar uma nova fase – mas isso, somente se já tivermos empreendido o confronto da nossa própria dor e sombra, da nossa destrutividade. Só podemos transformar e transmutar aquilo que aceitamos e algo que precisamos aceitar é a presença de Ereshkigal em nós e na vida. “Só aceitando Ereshkigal-Plutão como parte da vida permite que a mágica da cura funcione” (Howard Sasportas).

Assim, o ciclo que ora se inicia convida a purgar os venenos, as tristezas, o luto, as perdas, os rancores e a nos render à compaixão, para conosco mesmos e também para com o outro. Quíron pode representar uma dor excruciante, mas também a opção pela aceitação e pela cura consequente.

Os dois dispositores da Lua Nova, Marte e Plutão, estão em Capricórnio, tendo feito conjunção há poucos dias. Isso sugere que sejamos bastante pragmáticos na condução desse ciclo. Profundos, sensíveis, compassivos sim, mas também resilientes e realistas.

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Confirmando esse tema da necessidade de introspecção, o Símbolo Sabiano do grau 8 (07°00’ – 07°59’) de Escorpião coloca a imagem seguinte: “Um lago tranquilo banhado pela luz da Lua”. De acordo com Lynda Hill, astróloga australiana estudiosa dos Símbolos Sabianos, esse símbolo fala da capacidade ou necessidade de reflexão. O lago reflete a Lua como se fosse um espelho. Ela questiona: “o que há em nossa situação presente que carece de mais reflexão? Há a necessidade de olhar mais profundamente, para dentro de nós mesmos ou do outro? Ou será que as coisas estão sendo avaliadas de um ponto de vista muito superficial, em que as coisas são meramente um reflexo de alguém ou de algo mais? É bom lembrar que águas paradas costumam ser profundas e que muitas coisas podem não ser o que parecem à primeira vista”. Assim, é momento de olhar mais de perto, mais profundamente para todas as nossas questões, dores e crises recentes, para talvez avaliá-las com mais acuracidade e retidão.

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Dane Rudhyar, analisando este mesmo símbolo, traz uma outra visão, que também vale a pena explorar: “poder-se-ia enfatizar a sugestão romântica que tal imagem evoca, mas mesmo em nível do relacionamento amoroso, o que está implícito é a rendição de dois egos pessoais à inspiração dos sentimentos transcendentes que são essencialmente impessoais. O amor se expressa através dos amantes, pois amor real é um poder ou um princípio indiferenciado cósmico, que simplesmente se concentra a si mesmo nas almas de seres humanos que refletem sua luz. O mesmo é verdadeiro quando se trata do amor do místico por Deus. O homem luta arduamente para realizar grandes coisas através de aventuras ousadas, mas uma hora chega em que a única coisa que realmente importa é apresentar uma mente calma sobre a qual uma luz celestial possa ser refletida”. Dessa forma, creio que a interpretação de Rudhyar também se relaciona, indiretamente, com o mito de Innana e Ereshkigal, porque mesmo Innana, Rainha dos Céus, precisou se submeter a esse poder transcendente, a rendição de sua identidade celestial, do seu ego pessoal, a algo que era maior do que ela mesma.

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E sim, como disse Rudhyar, podemos evocar aqui o romantismo inferido pela imagem ancestral da Lua refletida num lago. Sendo Escorpião um signo de Água, as águas profundas e paradas – como as águas de um lago – e estando essa Lua em trígono tão próximo a Netuno, não podemos deixar de evocar essa outra dimensão, mais mundana mas não menos importante deste mapa: de fato, essa é uma Lua Nova muito romântica. Não o romantismo piegas e açucarado dos romances best-seller – Marte e Plutão no signo da Cabra jamais permitiriam isso, muito menos Vênus conjunta a Saturno! – mas o romantismo verdadeiro e profundo, daqueles que enxergam o outro verdadeiramente, no mais fundo de sua natureza, cheia de idiossincrasias e defeitos, cheia de imperfeições, como só Escorpião é capaz de enxergar e, ainda assim, aceita, por saber que é da natureza do humano ser imperfeito. Um romantismo que nos faz querer nos comprometer, querer nos transformar e ser melhores, para nós mesmos e para o outro e que, ao invés de julgar, tem compaixão pela falibilidade desse outro, porque sabemos que é a mesma que carregamos em nós. E, como bem disse Rudhyar, o romantismo que deixa implícito a rendição do ego pessoal a algo maior: o Amor, a eterna busca do Escorpião, a busca permanente do humano que caminha pela Terra.

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Em termos mais gerais, o ciclo de Escorpião representa um momento, na jornada astrológica, em que precisamos eliminar as peles e couraças velhas e rotas, que não nos servem mais; o momento de confronto com nossa sombra pessoal e com a sombra coletiva; um momento de purgação e depuração dos conteúdos tóxicos da nossa alma; um momento de morte e decomposição, assim como de cura, regeneração e renascimento. Assim, precisamos identificar em que áreas de nossa vida (aquelas áreas representadas pela casa em que temos Escorpião no mapa natal) precisamos morrer, nos decompor, para nos regenerar e renascer. Portanto, aproveite e faça sua própria RE-flexão e eliminação e a subsequente renovação das intenções, ou o lançamento de intenções completamente novas para o novo ciclo, de acordo com a casa em que a Lua Nova cai no seu mapa.

OBS: O ciclo de Escorpião culminará na Lua Cheia de Touro, uma Super Lua que é a mais brilhante e mais próxima da Terra em cem anos. Astrologicamente a Super Lua não tem grandes implicações, exceto que, por estar no ponto mais próximo da Terra, o perigeu, sua influência é sentida mais poderosamente, aumentando a intensidade da lunação. A Lua será Cheia em touro no dia 14 de novembro, às 11h52min no horário de Brasília.

Feliz Lua Nova para você!

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