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Lua Cheia em Peixes – Não afunde, flua!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

Um derramamento profuso de emoções e sentimentos, é o que simboliza a Lua Cheia em Peixes nesta quarta-feira, dia seis de setembro, às 04h03min no horário de Brasília – 08h03min para Lisboa. Por que todo esse aguaceiro? Porque, além de a Lua estar em Peixes, signo das Grandes Águas, que simbolizam o retorno à Unidade, a lunação se dá em conjunção muito próxima a Netuno, de cerca de um grau.

Virgem – Iconografia antiga – Reprodução

O Sol trafega atualmente o signo de Virgem, signo de ordem, controle, seleção, separação, apuro técnico, acuidade, análise. Virgem é regido por Mercúrio e é o mais racional dos signos de Terra. Já Peixes, é o signo do caos, e a Lua Cheia vem equilibrar a energia da ordem com um pouco de desordem. Em Peixes somos convidados a abraçar outras percepções além daqueles pertencentes ao mundo palpável, sólido, real. Em Peixes a imaginação alça voos mais altos e mais profundos, para dimensões que a mente racional não alcança e tem que ser deixada “desligada”, como mera expectadora, se for para aproveitarmos a experiência. Além da grande criatividade e imaginação – que premia as pessoas fortemente Piscianas com os dons artísticos, seja nas belas artes como na música – Peixes também traz presente os valores da compaixão, altruísmo, empatia, serviço, cura. É o último signo do Zodíaco, o ponto em que o ego se dissolve e volta para a Unidade, para o Todo, para que tudo volte ao estado do vir a ser. Assim, as lunações ocorrendo nesse par de signos, representam um período de ordenar e sintetizar nossa criatividade; de esmerar nossa técnica, burilar nossas habilidades, para que com elas, possamos explorar com eficiência a esfera da imaginação e para que possamos produzir algo de valor a partir desse caos aparente. É também o período de manifestar os valores da empatia e da compaixão, através de atitudes práticas diárias, do serviço ao próximo, do sermos úteis e desprendidos – claro, não é que devamos ter tais atitudes somente neste período, mas é quando nos conscientizamos mais claramente destes valores.

Elena Kalis – alice Under Water – Reprodução

E nesta Lua cheia tais valores e sentimentos estão mais extravasados, porque os diques se romperam, as comportas se abriram e as águas irrompem das profundezas da alma e do inconsciente. O principal aspecto que a Lua faz nesta lunação é a conjunção a Netuno, regente moderno de Peixes, o que aumenta e potencializa tudo o que já dissemos sobre este signo. Além disso, o único ponto em Ar é Júpiter, regente tradicional de Peixes. A sensibilidade está exacerbada e nos sentimos muito expostos, como se não tivéssemos pele psíquica, porque as fronteiras estão dissolvidas e guarda, baixa. E a objetividade está embotada, afogada.

Kindra Nicole – Reprodução

Sendo a Lua Cheia um tempo de iluminação das questões mais inconscientes, a conjunção a Netuno e a própria energia Pisciana vêm iluminar nossos anseios e desejos de fusão e redenção, o desejo de nos render e parar de lutar contra o ímpeto de consciência, contra o ímpeto de separação e individuação. Esta ênfase em Netuno – que também acabou de receber a oposição do Sol – e o fato de estar ser a primeira lunação pós eclipse, o apogeu do ciclo iniciado com o eclipse do dia 21, sugerem uma desistência, uma rendição: exaustos que estamos de todas as lutas recentes, desmoronamos e desistimos de “segurar a onda” e simplesmente nos permitimos sucumbir, mesmo que temporariamente, relaxando o controle e então, toda a tensão acumulada deságua, seja na forma de choro, de sono, de exaustão, de ingestão de álcool – esta não é a melhor das opções! E sim, por um lado, é um momento adequado para deixar a tensão desaguar, é um momento apropriado para limpar e purificar o coração e a alma de todos os ranços, cansaços; é um bom momento para abrir mão do controle e confiar no fluxo, mesmo que o rumo pareça completamente incerto e obscuro. Apenas fluir e confiar na correnteza, respirando, respirando e flutuando – como quando se cai num rio, se entrarmos na ansiedade e começarmos a nos debater nessas águas, afundamos feito pedra e nos afogamos! Do contrário, se respirarmos e mantivermos a calma, flutuamos e fluímos com a correnteza.

Lua Cheia em Peixes – Brasília, 6 de setembro, 04h03min

Além da conjunção a Netuno, a Lua Cheia se afasta de um quincôncio a Vênus em Leão – e claro, Vênus está em quincôncio a Netuno também – e se aproxima de sextil a Plutão em Capricórnio. Estando os dois “planetas” femininos envolvidos com Netuno, esse feminino se confunde com a imagem da Grande Mãe, aquela que dá a vida e ao mesmo tempo a devora; a mãe que é, ao mesmo tempo, mãe e amante do filho redentor e o desmembrará para que a redenção aconteça e ele possa ressuscitar – um tema básico de Peixes. Trazendo o mito para o presente, é necessário ficarmos atentos às identificações momentâneas com esse mito e a necessidade de atuar essa Grande Mãe Todo-Poderosa que asfixia o outro no seu abraço de amor mortífero; atenção também para as idealizações excessivas do outro, das relações e até de nós mesmos como parceiros dentro dessas relações. O sextil a Plutão talvez nos ajude a enxergar a verdade, mas é preciso estar de olhos abertos e talvez isso seja muito difícil nas próximas duas semanas, tempo em que essa lunação tem efeito.

Dreamstime – Reprodução

A ajuda pode vir mesmo é de Saturno em Sagitário, a quem a Lua faz uma quadratura aplicativa – ainda vai acontecer. Saturno é foco de uma T-Square Mutável, pois recebe as quadraturas (amplas) da Lua e do Sol. O Sol torna essa quadratura exata no dia 13 e a Lua, algumas horas depois de ser cheia. Saturno é o ponto de alerta e de realidade que pode nos segurar no meio do caos, que pode nos ajudar a manter os pés no chão, a árvore firme e de raízes profundas à qual se amarrar quando o tsunami vem. Podemos sim, abrir mão do controle momentaneamente, como sugerido por Lua-Sol-Netuno; podemos deixar a tensão desaguar, mas apenas para um descanso provisório, apenas para uma trégua, porque logo à frente, precisamos voltar ao nosso posto de observação e ação na realidade. Precisamos nos render e absorver as imagens oníricas e mágicas que surgem do inconsciente, mas depois precisamos fazer algo manifesto com elas; precisamos voltar a nos responsabilizar por nós mesmos e o que acontece à nossa volta. Não dá para ficar navegando a esmo indefinidamente! Por outro lado, esse aspecto a Saturno sugere que se nos deixarmos iludir pelas promessas vazias e fantasiosas de hoje, ali à frente podemos ter que lidar com uma realidade meio amarga e dura, portanto, mais uma vez, melhor ficar atentos às auto ilusões e auto enganos.

Magritte – Reprodução

Mercúrio, regente do Sol, está no grau 28° de Leão – grau do Eclipse total do Sol – e está estacionário-direto, voltando a se movimentar para a frente poucas horas depois da Lua Cheia. Mercúrio ganha ênfase pelo fato de estar estacionário-direto e pode ser de grande ajuda para trazer lucidez e clareza no meio da enxurrada, simbolizando ideias e presença de espírito, a melhor atitude no meio do caos. É mandatório estar centrados para termos essa “presença” de espírito, para sabermos quando falar e quando calar, quando agir e quando esperar.

Brooke Shaden Photography – reprodução

Júpiter, regente tradicional da Lua Cheia, como já dito, é o único ponto em Ar e isso também ressalta sua importância: achar o equilíbrio e a exata medida das coisas, algo que pode ser difícil a princípio, visto que Júpiter está em oposição a Urano, adicionando imprevisibilidade, atitudes erráticas e meio tresloucadas, oscilações no entusiasmo, que ora vai, ora vem. Para lidar com tais oscilações, precisamos nos conectar com a nossa alegria, aquela alegria serena, que não é euforia, mas o contentamento interior que nos ajuda a enfrentar as tempestades. Mais: Júpiter está no Ponto Médio entre Saturno e o Nodo Norte – Cabeça do Dragão – e, segundo Ebertin, isso sugere “apreço à solitude, alegria no isolamento, a experiência de alegria interior através do auto sacrifício pelos outros” – portanto, para que Júpiter possa nos ajudar, precisamos dar uma forcinha a ele, encontrando ilhas de calmaria, momentos de solitude, onde possamos nos conectar com essa alegria interior. De Netuno, regente moderno de Peixes, já falamos acima: está conjunto à Lua, potencializando as manifestações dessa lunação.

Reprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 14 de Peixes (13°53’) traz a imagem de “Uma mulher enrolada numa grande estola de pele de raposa”. Dane Rudhyar nos diz que o tom básico deste símbolo é “o uso da inteligência e da sutileza mental como proteção contra as tempestades e provações”. Rudhyar nos lembra que a raposa é um animal inteligente e sutil no simbolismo e na mitologia, representando a “astúcia” e a capacidade de se adaptar a toda e qualquer situação de vida. “A vontade espiritual e a capacidade de enfrentar os testes são necessárias em qualquer situação crucial ou desafiadora que um indivíduo pode encontrar num grupo orientado para o poder. Mas a vontade, tipo espada, muitas vezes, tem que ser protegida, e a inteligência ou perspicácia podem ser a ajuda mais preciosa quando estamos em perigo. É um escudo pessoal (ou seja, “animal” ou instintivo), talvez até uma camuflagem. Ele esconde a vontade central, mas mantém o indivíduo protegido de dificuldades desnecessárias. O que vemos simbolizado aqui é um modo auto-protetor de encontrar as inclemências do clima, real ou psíquico, que abundam quando se leva uma vida consagrada a um Todo mais vasto; pois essa consagração suscita fortes inimizades. Riscos desnecessários são proibidos ao iniciado, pois a segurança da Irmandade pode estar em perigo. A necessidade de PROTEÇÃO é imperativa, e o glamour pode ser um escudo eficaz”. Este símbolo vem se realçar a importância de Mercúrio e Júpiter e, consequentemente, a necessidade de usarmos nossa inteligência e sutileza em tempos difíceis, quando seria mais fácil entrar em pânico e desespero. A vontade precisa ser firme e forte e a vontade vem de Marte, que está em Virgem, ou seja, precisamos nos ater ao que podemos fazer, efetivamente, em termos práticos, sem nos perder nos detalhes irrisórios. E, assim como Virgem, precisamos ser prudentes e nos esquivar de riscos desnecessários e a auto-contenção é fundamental – o que pode ser um risco desnecessário no seu contexto pessoal? Só você pode saber! Mas de modo geral, riscos desnecessários têm a ver com envolver-se em situações duvidosas, deixar-se levar por medos irreais, deixar-se levar por euforias igualmente enganosas, fragilizar-se em demasia em situações/lugares que lhe deixem exposto, ingestão de substâncias alteradoras da consciência – peixes e Netuno exacerbam seus efeitos!

Christian Schloe Digital Art – Reprodução

Em resumo, esta Lua Cheia traz um momento de alívio nas tensões, que nos permite entrar em contato com nossa vulnerabilidade, mas isso se dá com um aumento da sensibilidade e fragilidade psíquicas, portanto, é necessário achar o lugar e a situação seguros que ofereçam a adequada contenção para o desaguar das emoções. É momento de render-se, purificar-se e lavar-se nestas Grandes Águas, mas permanecendo atentos à realidade e ao que ela requer de nós, recorrendo à nossa inteligência, perspicácia e sutileza para navegar esse maremoto!

Desconheço o autor – reprodução

Nota: pessoas com planetas e ângulos entre os graus 8 e 18 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentem mais intensamente os efeitos desta lunação. De modo geral o dia traz propensão a tristeza, nostalgia, sensibilidade, anseios inexplicáveis, vontade de escapar, compaixão, desânimo e atmosfera de sonhos e irrealidade… Sensações que nublam a mente e a lucidez, portanto convém ter cautela nas ações.

Uma ótima Lua Cheia para você!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

Lua Cheia em Peixes – Neste Vale de Lágrimas chamado Vida

casa peixe!
Desconheço o autor – Reprodução
Chegamos à culminação de mais um ciclo com a Lua Cheia em Peixes de hoje (08 de setembro de 2014, 22h38min, Brasília). O Sol está em Virgem e a Lua em Peixes, a 16°19’ dos respectivos signos. Uma Lua Cheia que se dá com sensibilidade extrema, trazendo uma consciência aguda da dor de nossas feridas mais profundas, para as quais não encontramos alívio. Uma Lua Cheia que mais parece uma Via Dolorosa de muito choro, tristeza e desamparo.

A Lua Cheia abre uma semana um pouco complicada de administrar, com vários aspectos tensos acontecendo e os aspectos harmoniosos se mostrando de menos peso. Para começar, a Lua passou o dia imersa nos braços de Netuno, seu senhorio, os dois em oposição a Vênus em Virgem e ela chega à fase cheia pelo abraço doloroso de Quíron, com quem faz conjunção, estando também em trígono com Saturno em Escorpião. O Sol, aliado a Saturno, faz um Yod que tem Urano em Áries de foco. Júpiter, o outro regente da Lua Pisciana está em conflito aberto com Saturno em Escorpião, além de também estar em quincunce com Plutão – ou seja, uma situação bem desagradável. Júpiter está ainda em trígono com Urano em Áries e recebe um sextil de Mercúrio em Libra. Por falar em Mercúrio, é ele o regente do Sol Virginiano, e enfrenta grandes batalhas nesta semana. Está em oposição a Urano em Áries e em quadratura a Plutão, formando uma Cruz T Cardinal. Vale ainda mencionar que Lua e Quíron fazem um Grande Trígono em Água com as Deusas (asteróides) Juno e Vesta – configuração que talvez ofereça algum suporte e conforto neste Vale de Lágrimas que a Lua atravessa. Mercúrio é o único planeta em Ar, o que lhe traz grande responsabilidade e peso para lidar com toda essa Água sem se afogar.

Lua Cheia em Peixes 2014

Passamos o dia como em estado de sonho, preferiríamos nos demorar na cama, fugir da rotina diária e massacrante, porque o corpo pesa, o sentimento pesa mais ainda, denso feito chumbo e gostaríamos de permanecer ilhados em nossa introspecção – algo contraditório para uma Lua Cheia. Sonhamos e devaneamos, querendo perder-nos em mundos e visões outros que nada têm de palpável ou inteligível. Seja no sono ou na vigília, tais sonhos são ricos, imaginativos, de cores e imagens caleidoscópicas, como se estivéssemos sob efeito de alguma droga, e acabam por nos deixar à deriva no meio do Grande Mar de nossas fantasias.

Eric Johanssen - a deriva
Eric Johanssen – À Deriva – Reprodução

Entretanto, a conjunção com Quíron vem nos arrancar de forma dura e cruel de nosso idílio particular, porque percebemos que não só a realidade não é como no sonho, é ainda muito pior. Somos obrigados a entrar em contato de forma potente e inequívoca, com dores longínquas, antigas e esquecidas, que ressuscitam nossas vulnerabilidades mais resguardadas e defendidas. A dor maior de todas é a grande solidão existencial, como diz Clare Martin: “Quíron em Peixes descreve um tipo de ‘solidão existencial’, uma sensação de se estar alienado da fonte de suporte, um tipo de exílio emocional, do qual as pessoas passam muitos anos tentando se curar, através de relacionamentos. É como se Peixes mantivesse uma memória de unidade com o tudo que possa ser a memória da conexão mística ou a memória da vida no útero.” (1). Com a Lua sendo cheia conjunta a Quíron, essa solidão existencial vem nos assombrar e nos ferir feito navalha na carne. E a ironia é que em Peixes gostaríamos de escapar, mas Quíron vem dizer que não há escape, porque a ferida remete exatamente a isso: não há escape eficiente e duradouro o bastante que nos livre da desilusão, da alienação, da saudade da uroboros uterina, nem da raiva da mãe (e do pai/parceiro/irmão/amigo) que nos abandonou, da sensação de exílio que nos persegue aonde formos, e, em última instância do medo da dissolvição total no nada e no caos; o medo de que não haja nada do outro lado e de que a idéia do Todo e da Fonte Eterna de Vida seja somente uma falácia para nos fazer atravessar as agruras da vida conformados.

peoxessss
Reprodução – Desconheço o autor

Quando não percebemos a origem de tal dor e alienação, buscamos a eliminação do isolamento entrando e saindo de relacionamentos, só para sair ainda mais vazios e magoados, porque o outro é apenas humano como nós, incapaz de aplacar a fome que nos acomete, de nos dar o que buscamos e de nos redimir completamente da ferida da separação humana.  A oposição de Vênus a Netuno enfatiza essa tendência de buscarmos redenção no outro, sem nos preocuparmos em ver a pessoa real, jogando sobre ela nossas expectativas, nossas projeções e tornando-nos, nós mesmos um gancho perfeito no qual segurar as fantasias dele, já que com Vênus-Netuno e com a Lua em Peixes, temos a incrível capacidade de perceber, por osmose, o que outro quer que sejamos, e automaticamente nos tornamos exatamente essa imagem sedutora, que engana não só a ele, mas principalmente a nós mesmos.

no fundo
“Sem Volta” – MUSA Collection, Punta Nizuc, Mexico, Escultura submersa de Jason deCaires Taylor.

Todavia, embora seja tentador afundar no desespero ou na auto-comiseração ou mesmo nos mecanismos escapistas, todo o resto do mapa demanda que nos movamos em outra direção: que sejamos minimamente racionais e encaremos a Verdade, de forma honesta, de cara limpa, lúcidos, (Mercúrio-Urano-Plutão) porque “a Verdade nos libertará”; que assumamos a responsabilidade por nossas dores individuais e percebamos que muitas delas são sociais e coletivas, ao invés de culpar o mundo e reclamar da nossa sorte achando-nos no direito de pisotear outros na nossa intransigência, insensibilidade e grosseria, achando que nosso sofrimento é maior que o do outro (Lua-Quíron/Júpiter-Saturno-Urano); que “superemos a noção de que temos que ser ‘normais’, porque ela nos rouba a chance de sermos extraordinários” (2) e, ao invés de tentarmos ser ‘normais, “apossemo-nos de nossa singularidade porque não há nada mais aprisionanante do que ser falso” (3) (Sol-Saturno-Urano).

Eric johanssen - fishy island Eric Johanssen – Fishy island – Reprodução[/
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O Grande Trígono em Água formado por Lua-Quíron, Juno em Câncer e Vesta e Saturno em Escorpião aparece em nosso socorro. Em Saturno encontramos uma certa ancoragem que impede que afundemos de vez; ancoragem que é ajudada por Vesta e os rituais diários, que nos colocam em contato com o centro; em Juno encontramos sustentação emocional daqueles que nos amam de verdade e que podem oferecer a necessária nutrição afetiva; e o Quíron que significa dor e feridas hediondas é o mesmo que nos permite ter sabedoria, a compaixão e a empatia que pode nos aproximar dos outros, ao invés de nos afastar. Um grande Trígono que pode propiciar o conforto e o lugar seguro para lambermos as feridas causadas pela já referida solidão existencial. E, se não nos rendermos à amargura e ao cinismo, “podemos finalmente vir a aceitar que, dado que estamos em corpos separados, esse tipo de solidão é uma parte intrínseca da condição humana, e, portanto, algo que todos nós sentimos em algum nível. Uma vez que tenhamos aceitado que o cordão umbilical foi cortado, nós podemos desenvolver compaixão por nós mesmos e pelos outros, já que, até certo ponto, todos sentimos essa ferida existencial.” (1)

Finalmente, trago a imagem dos Símbolos Sabianos da Lua Nova, que ocorreu no grau 2°18 de Virgem e o grau da Lua Cheia, que ocorre a 16°19 de Peixes. O Símbolo da Lua Nova tem a seguinte ilustração: “Dois anjos trazendo proteção”; o da Lua Cheia traz também uma imagem religiosa: “Uma procissão de páscoa”. Dois símbolos que trazem uma esperança e a admoestação de que por mais que temamos o vazio e o nada, é preciso confiar nos poderes superiores, que sabem mais, que falam de esferas e de coisas que não conseguimos alcançar com nossa limitada percepção humana. Mais, ao trazer a imagem de uma “procissão de páscoa”, evoca a Passagem da morte para a Ressurreição, e lembra que mesmo o Cristo, o Filho de Deus, submeteu-se aos sofrimentos humanos, vivendo a experiência humana, neste mesmo “vale de lágrimas” que habitamos, sentindo o mesmo peso do abandono, da solidão e da alienação, tanto no Getsemani, quanto na Via Dolorosa e na Cruz, tendo porém ressuscitado, redimindo assim toda separatividade, que é, em última análise, a separação do homem da sua fonte divina.

cruz

Qualquer que seja nosso credo, é preciso confiar que do desmembramento do sofrimento humano chegaremos um dia à ressurreição onde voltaremos a ser Um com o Todo Divino. E mesmo que não creiamos em nada, é preciso pelo menos buscar a aceitação de nós mesmos e nossas feiuras e feridas, tendo compaixão não só pelo outro, mas também por nós em nossa condição humana, porque “a coisa mais feia que há, é um ser humano sem compaixão” (4).

Que sua Lua Cheia seja de luz, compaixão e muita empatia!

luacheiaa

(1) Clare Martin – Mapping the Psyche

(2) Uta Hagen

(3) Uta Hagen

(4) H.Milne