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Lua Cheia em Áries – A verdade te libertará, mas primeiro vai te enfurecer!

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A Lua é cheia na madrugada deste domingo, às 02h23min no Horário Brasileiro de Verão e às 04h23min para Lisboa, a 23°14’ de Áries. A culminação do ciclo de Libra, o ciclo dos relacionamentos, se dá de maneira ruidosa e elétrica, numa Super Lua que exige atitudes radicais e posturas avançadas no lidar com as situações de crise que possam aparecer. Sim, porque a Lua Cheia é um momento de crise na relação da Lua com o sol, é uma crise de relacionamento, que implica uma decisão, um divisor de águas – daqui para a frente, ou nos engajamos de verdade ou nos separamos.

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Separação é um tema chave nessa Lua Cheia de hoje, que ocorre em conjunção de menos de um grau a Urano, o planeta das cisões abruptas e inesperadas. Mas a separação não precisa ser literal em todos os casos, antes é uma tomada de consciência da necessidade de sermos senhoras e senhores de nossa própria vida, desejos e história; de termos nossa autonomia e independência como valor fundamental em equilíbrio à necessidade de estar numa relação. Relações que são baseadas em dependências de qualquer tipo são mais prováveis de enfrentar problemas e crises sérias, assim como relações insatisfatórias que vinham sendo mantidas por mera comodidade ou insegurança – os indivíduos mais afetados são aqueles que têm planetas (particularmente os relacionais e pessoais) entre os graus 18 e 28 dos signos Cardinais – Áries, Câncer, Libra e Capricórnio.

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Mas Urano nesta Lua Cheia também chama a atenção para a imprevisibilidade e a qualidade inesperada de tudo: qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, pode acontecer e o desfecho das situações é completamente imprevisível. Os dados estão rolando e enquanto não caírem na mesa, tudo está em aberto. Isso pode trazer uma grande tensão e ansiedade galopantes, mas também traz uma qualidade de excitação, de empolgação e expectativa de mudança, de que as coisas possam dar uma guinada radical para melhor – ou para pior – impossível prever! Precisamos deixar várias possibilidades em aberto – fixidez aqui é a pior pedida!

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A individualidade da Lua em Áries faz o perfeito contraponto à conciliação excessiva do Sol em Libra e equilibra, de verdade, os pratos da balança. Quando colocamos Urano na equação, um dos pratos da balança pende para um lado, o lado do eu: “preciso muito de você, mas preciso, mais e primeiramente, de mim mesmo – sem mim, eu não sou ninguém, eu não existo. Sem você eu sobrevivo, com certeza”. Parece óbvio? Claro, mas quantas vezes você já viu apaixonados repetindo aquela frase “eu não existo sem você”? Esse tipo de frase não nasce do amor, nem mesmo da paixão, nasce da dependência, pura e simples e é isso que Urano corta pela raiz, com tesoura afiada! Insights e iluminações poderosas podem surgir de repente, tornando claros como o dia cenários que antes eram nebulosos e confusos – como uma paisagem iluminada pelo fulgor de um raio que cai abruptamente. Então esse é um grito de independência, seja a independência de outra pessoa, de uma relação falida, da dor do fracasso dessa relação, de nossos próprios medos e travas, de nossos hábitos ultrapassados, de atitudes previsíveis e enfadonhas, dos padrões repetitivos e desgastante nas relações… Reflita você, do que você precisa se tornar independente, do que precisa se libertar.

Lua Cheia em Áries, Brasília, 16 de outubro de 2016 - 02h223min
Lua Cheia em Áries, Brasília, 16 de outubro de 2016 – 02h223min

Essa lunação se dá ainda mais dramaticamente porque Sol e Lua ainda estão em quadratura ampla e separativa a Plutão em Capricórnio, que exige que a verdade prevaleça e seja encarada sem disfarces, para que a transformação possa realmente ocorrer. Mais importante ainda: o regente da Lua Cheia, Marte, está em conjunção bem próxima a Plutão, incrementando energia, intensidade e medidas extremas aos acontecimentos, aumentando, também, a necessidade de se lidar com a verdade dos fatos. Mas aqui tem uma questão muito importante: “a verdade te libertará, mas primeiro vai te enfurecer” e te frustrar. E muito. Sim, verdades desagradáveis, mas libertadoras podem pipocar ou vir à tona nos próximos dias, ainda mais que Mercúrio acabou de fazer quadratura a Plutão e a Marte, o que sugere que a comunicação fica ácida, intempestiva e que vomitamos inesperadamente tudo o que vínhamos tentando abafar para não desagradar. O bom-mocismo de Libra fica totalmente à parte e dá lugar a enfrentamentos bem literais. Mas embora fiquemos sim, muito chateados, logo sacudimos a poeira e damos a guinada rumo ao novo.

Arcano XVI do Tarô - A Torre
Arcano XVI do Tarô – A Torre

Outra coisa notável é que Marte, o dispositor da Lua Cheia de Áries, está Fora de Limites já faz algumas semanas, uma condição que torna o outrora disciplinado Marte Capricorniano numa figura selvagem e fora da lei – eu digo sempre que, quando um planeta está Fora dos Limites do Sol, é como se ele tivesse pulado os muros do reino (do Sol) e tivesse desertado, vazado na braquiária – ele não liga para leis ou regras, está fazendo as suas próprias coisas e só obedece aos próprios instintos, daí diz-se que ele fica selvagem. Como se não bastasse tudo isso, a Lua Cheia também está conjunta a Eris, a Deusa da Discórdia, adicionando contenda, luta, conflito e discórdia, como seu nome já diz. Há muita competitividade, rivalidade, como os carneiros selvagens batendo cabeças pela fêmea no cio. Portanto, a equação Lua em Áries + Urano + Marte Fora de Limites + Plutão + Eris é realmente explosiva, inusitada e traz grande potencial de transformações inesperadas na paisagem e nas situações em geral, mas antes, pode nos deixar aflitos e em conflito – atenção para não se apegar aos problemas e aos conflitos! Quem tentar segurar e reter o que quer que seja, poderá se quebrar no processo, portanto, o melhor é deixar fluir. Vou repetir a frase ótima da Glória Steinem: “a verdade te libertará, mas primeiro vai te enfurecer” – na verdade, vai te encher o saco mesmo!

Rprodução
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O Símbolo Sabiano para o grau 24 de Áries (23° – 23°59’) traz uma imagética que é muito interessante e que incorpora um tom muito positivo a todas essas influências: “Sopradas para dentro pelo vento, as cortinas de uma janela aberta tomam a forma de uma cornucópia”. Para mim essa imagem fala que os ventos da mudança às vezes chegam invadindo nossa casa (a consciência e o ego) e podem causar apreensão e receio, mas também podem trazer abundância, mudanças positivas e felizes, desde que deixemos as janelas abertas, desde que nós mesmos estejamos abertos e flexíveis. Então, de certa maneira, precisamos confiar que, qualquer que seja o conflito ou o vendaval que toma nossa casa/vida de supetão, ele vem arejar e trazer prosperidade e transformações positivas nas situações que estavam estagnadas.

Creepypasta - Reprodução
Creepypasta – Reprodução

Dane Rudhyar, analisando este símbolo, lembra que “o vento, pneuma, espírito, sopra sobre a mente-aberta e traz para dentro da casa da personalidade a promessa de um poder que é mais que material. O vento sopra de uma região de alta pressão para uma de baixa pressão. Enquanto as cortinas são sopradas para dentro, a consciência individual representada pela casa recebe um influxo de energias espirituais, capacitando essa consciência a expandir o escopo de seu despertar e de sua expressão criativa”. Assim, do conflito, da perturbação e da turbulência, surgem insights e uma nova consciência, que ilumina a consciência existente e a expande. Por mais distúrbios, surpresas e eventos repentinos – e talvez desagradáveis – que essa Lua Cheia possa trazer, ela traz no seu bojo, também os ventos revigorantes das novas ideias, da ousadia, da coragem e da iluminação, da mudança e liberação que tanto almejamos. Resta-nos ter coragem de abraçar essas novas possibilidades e deixar nossas janelas abertas para que esse vento possa varrer todos os recônditos da personalidade rígida, liberando-a e libertando-a dos ranços e inseguranças antigos. Então, é hora de abrir a cabeça e a consciência para uma nova verdade, que vem do alto, do centro da consciência e não do ego. Essa Lua fala de mudanças inesperadas, mas também de novidades aparecendo no caminho – estamos prontos para nos abrir a elas e abraçá-las?

Em termo bem práticos, a noite está, de fato, explosiva e demanda muita cautela nas interações em geral, pois todos estão irritados, com os ânimos alterados e não dispostos a levar desaforos para casa – a energia atinge seu pico e conflitos que estavam latentes se expressam com toda a sua força, mais potentes ainda porque a Lua está no seu perigeu, o ponto mais próximo da Terra, tendo sua influência exacerbada, o que a torna uma Super Lua. Embora o lendário Dale Carnegie aconselhe a cooperar com o inevitável, quem puder ficar na sua, por hoje, faz um bom negócio!

Uma linda e energética Super Lua para você!

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Lua Cheia e Eclipse Lunar em Libra – Separações necessárias

Aysen Aksoy - Birth Chart Painting - Reprodução
Aysen Aksoy – Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua é Cheia nesta quarta-feira, dia 23 de março, às 09h01min no horário de Brasília e às 12h01min no horário de Lisboa. Esta lunação também é um Eclipse Penumbral da Lua, mas o horário do eclipse é ligeiramente diferente do horário da oposição exata entre a Lua e o Sol. O eclipse tem duração total de quatro horas e quinze minutos, o seu ápice ocorrendo às 08h47min no horário de Brasília. Como se trata de um eclipse lunar, o número de horas de duração corresponde ao número de meses em que os efeitos do eclipse serão sentidos mais fortemente, então, os efeitos deste eclipse serão sentidos por quatro meses e uma semana. Para entender melhor o que são os eclipses, inclusive o que é um Eclipse Penumbral, leia este artigo.

Por que lunações – Lua Nova e Lua Cheia – são importantes e por que prestamos tanta atenção a elas? Bem, primeiro porque elas sinalizam os temas importantes do ciclo astrológico mais rápido de todos, que é o ciclo lunar; e o segundo vem na esteira do primeiro, visto que as lunações precipitam os “acontecimentos” maiores e mais vultosos, representados pelos grandes ciclos, funcionando como gatilhos que “disparam” e manifestam os eventos simbolizados por estas brigas entre  os “cachorros grandes”. As lunações contam as narrativas de como a vida e os ciclos macro se desenrolam no dia a dia, no ciclo mais curto e imediato. Os ciclos maiores são aqueles que contam do relacionamento entre os planetas mais lentos, a partir de Júpiter em diante.

Eclipses 2016 - Copia
Veja a influência deste eclipse, por área de Vida, a partir do signo do seu Ascendente.

A última vez que tivemos um eclipse ocorrendo a 03 de Libra (oficialmente, grau 04) foi em 24 de março de 1997, exatamente a 03°35’ de Libra e o anterior foi a 24 de março de 1978, a 03°40’. Para quem tem planetas entre os graus 0 e 8 de Libra, Áries, Câncer e Capricórnio, vale a pena checar o que estava acontecendo nesta época e o que aconteceu nas semanas e meses seguintes a esta data/eclipse. Além deste evento de 24 de março, também tem outros que podem ser importantes, os eclipses da Série Saros 142, da qual faz parte o eclipse deste dia 23. Os últimos episódios desta série de eclipses ocorreram em 13 de março de 1998, a 22°23’ de Virgem, e 1° de março de 1980, a 11°26 de Virgem. Também vale a pena checar estas datas e rememorar os eventos de então.

Série Saros 142, iniciada em 19 de setembro de 1709.
Série Saros 142, iniciada em 19 de setembro de 1709.

Olhando o mapa do primeiro eclipse da Série Saros 142, que aliás é uma série bem jovem, iniciada em 19 de setembro de 1709, vemos que há uma conjunção Vênus-Marte em Libra, que é foco de uma T-Square Cardinal, que tem por base uma oposição Saturno-Quíron. Quíron, aliás, é também o Ponto Médio de quadratura à conjunção Vênus-Marte. O Nodo Norte é o Ponto médio, simultaneamente, entre Sol e Urano e Lua e Urano. Tudo isso aponta uma série em que as tensões nos relacionamentos são tema importante, com possibilidades concretas de separações e finalizações, que podem ser bastante dolorosas.

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Libra - 23 de março de 2016, 09h01min, Brasília-DF
Lua Cheia e Eclipse Lunar em Libra – 23 de março de 2016, 09h01min, Brasília-DF

Esse tema se repete no mapa do eclipse de hoje, mais fortemente. Isso porque o eclipse ocorre no eixo Áries-Libra, um eixo que por si só já enfatiza a área dos relacionamentos e de todas as interações ente um “eu” e um “outro”, entre “eu” versus “nós”. Este eixo fala da necessidade de equilíbrio nas interações, de eu ser suficientemente maleável a ponto de conseguir acomodar o outro na minha vida, mas não em demasia a ponto de me perder completamente de mim e me alienar de mim mesma, vivendo somente em função deste outro. O tema fica mais salientado porque o planeta regente da Lua Cheia, Vênus, está numa situação bastante complexa: trafega atualmente o signo de Peixes, sua exaltação, mas faz oposição ao seu dispositor, Júpiter, uma oposição que não seria assim tão tensa, não fosse o fato de os dois fazerem quadratura a Saturno em Sagitário, que se torna foco, então, de uma T-Square Mutável. Vênus-Saturno é um aspecto clássico associado a separações quando em trânsito. Não precisa haver separações, necessariamente, mas de qualquer maneira, simboliza crises nas relações e a necessidade de se reavaliar, de maneira bem completa, a forma como nos conduzimos nesta área de vida.

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Ocorre que Vênus-Saturno teme a rejeição e o abandono e antecipando isso, enrijece-se, fecha-se em copas, torna-se fria e acaba por ver seus medos concretizados, sem se dar conta de que a realização de tais receios pode ter sido precipitada pelo próprio indivíduo, ao acionar seus sofisticados mecanismos de defesa. A pessoa pode mesmo chegar ao ponto de rejeitar o outro, terminar a relação, por medo de que o outro o faça primeiro, assim, pelo menos preservará a fantasia de que foi ela quem terminou, ou de que “não queria mesmo”. Como já falei em outros textos, tal padrão de comportamento foi provavelmente iniciado ainda na infância, na relação com um dos pais, ou até com os dois, uma relação que a criança pode ter entendido como insuficiente em afeto, aprovação, amor, de modo que a construção da autoestima fica comprometida e a pessoa segue pela vida tendo que lidar com carências profundas e às vezes, com a compulsiva necessidade de aprovação de seus pares. O ideal é que se busque resolver essas questões terapeuticamente, com ajuda profissional, porque é necessário voltar à relação parental para poder curá-la e liberar-se, só assim o indivíduo pode aprender a confiar e abrir-se para relações mais saudáveis. Saturno e as separações, aliás, são fatores instrumentais para o nosso amadurecimento e individuação.  Vênus em Peixes sonha com a fusão completa e absoluta com o outro, que extinga qualquer senso de separatividade, mas isto, na nossa realidade, não existe e representa, de certa forma, um estágio bastante infantil do desenvolvimento emocional, que remonta à fase em que éramos um-com-a-unidade, no útero materno, no estado de simbiose urobórica com a mamãe e Deus. Portanto, para crescermos, precisamos superar essa fantasia de fusão total, até que possamos, de fato, voltar para a unidade – mas isso só se dará na morte, quando nos rendemos finalmente, até lá, precisamos sim, desenvolver um ego forte e saudável, e isso se dá, também, lidando com frustrações e separações vida afora.

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Como se não bastasse, Vênus está “enquadrada” neste mapa por Netuno e Quíron, ou seja, está ladeada duas figuras que representam coisas completamente distintas. Com Netuno a gente sonha, fantasia, se derrete, se apaixona pelo romance, idealiza e pinta o mundo todo cor de rosa e imagina o amor perfeito… Mas Quíron, ali na frente, traz a dor dilacerante da decepção e da constatação de que não há perfeição no mundo, pelo contrário, há dor, sofrimento, decepção, sordidez… Vênus está presa nesse limbo horroroso. Precisamos nos sintonizar, então, com as qualidades mais elevadas de Quíron e Netuno, a compaixão, a empatia, o altruísmo e lembrar que a empatia pelo sofrimento alheio, pelas dores de amor dos outros, pode trazer algum alívio para os nossos próprios males, nem que seja porque nos daremos conta de que não somos somente os únicos a sofrer neste mundo-cão.

Rubinho - Reprodução
Rubinho – Reprodução

O mapa e o eclipse ficam mais tensos e, consequentemente também o dia e os próximos meses até o próximo eclipse, porque Júpiter está em quadratura exata a Saturno, o que pode representar grande dificuldade em balancear otimismo x pessimismo, que pode prejudicar nosso senso de proporção e  medida. Júpiter em quadratura a Saturno pede que façamos uma revisão em nossos códigos morais e éticos, na forma como temos crescido nos últimos tempos e que sejamos pacientes, mesmo que as coisas pareçam estagnadas e estéreis. Temos dificuldade de discernir se vamos ou se ficamos, tal o nível da incerteza… Assim, temos que parar e rever com cuidado as áreas de vida afetadas, percebendo onde devemos avançar e onde devemos limpar e eliminar coisas, situações. Júpiter-Saturno também demandam que avaliemos nossas relações em geral e que percebamos que há relações que já não fazem sentido na nossa vida, que já não nos trazem nada de bom e tais relações também devem ser finalizadas. E dessa forma, temos o assunto “separação” repetido… Considerando-se que uma Lua Cheia já traz, naturalmente, o tema de uma crise e de uma possível separação na relação, vemos os deuses não estão para brincadeira quando colocam todas essas configurações acionadas ao mesmo tempo. (Clarificação: em si mesma, a quadratura Júpiter-Saturno não fala de relacionamentos, isso é algo que se dá de maneira indireta e eu apontei este tema aqui como uma ênfase central ao tema básico que escolhi explorar nesta Lua Cheia. Júpiter-Saturno falam de ciclos de crescimento e expansão e eu escrevi um pouco mais sobre essa configuração específica, embora não ainda de maneira aprofundada, no texto de A Semana, que você pode ver aqui).

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Vênus envolvida nessa quadratura, tem dificuldade em ter uma autoestima equilibrada e saudável e um senso de valor adequado e isso pode, novamente, criar muitos problemas nas relações, como também na forma como gerimos nossos valores, talentos, patrimônio, finanças, aquisições, etc.

Este mapa ainda traz uma conjunção Superior entre Mercúrio e o Sol, que está quase alcançado o status de Cazimi (menos de 17 minutos de distância). Além disso, o Sol está em trígono a Marte, o que traz presente o tema da oposição, visto que Marte (e todos os demais planetas a partir dele) recebe trígono do Sol poucos dias antes de entrar em retrogradação, uma dinâmica de oposição e conflito. E obviamente, Mercúrio em Áries também recebe a oposição da Lua, o que sugere um grande conflito entre a razão e o sentimento, que demanda que façamos um belo auto-escrutínio para clarear nossas motivações e dilemas, antes de ir para o embate aberto com o outro, do contrário, podemos nos envolver em batalhas verbais, jogos de palavras cujo objetivo nem é resolver os problemas, mas vencer o outro a qualquer custo, provar que “estamos certos”, que “temos razão”, mesmo que por dentro estejamos destroçados. Lua-Mercúrio também sugere muita atividade mental, ansiedade, dificuldade em discernir o que sentimentos daquilo que pensamos e isso pode gerar inquietude, movimentação precipitada, falação vazia. A Lua, aliás, é o único ponto em Ar, num céu que ainda está muito aquático. Planetas singleton têm a tendência de se expressar de forma extremista e uma manifestação extremada possível neste cenário, é nos dissociarmos completamente dos nossos sentimentos, para evitarmos a dor, algo que facilitaria muito a “vida” dessa Vênus ultra-sensível à rejeição. Podemos racionalizar que não sentimos nada, que nada disso é importante, que não precisamos/queremos esse outro que nos despreza ou que nos “chutou”… Mas podemos também nos autorizar a sentir verdadeiramente, a permitirmo-nos o adequado luto pelo que quer que esteja morrendo e indo embora de nossa vida. Caso não façamos isso agora, estes fantasmas, não enterrados, voltarão para nos assustar e assombrar depois, na forma provável de uma depressão.

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Concluindo, o mapa da Série Saros fala de separação e finalizações; o mapa do eclipse de hoje repete o tema, que aliás já é central a Luas Cheias em geral; eclipses também falam de encerramentos; Júpiter-Saturno agregam mais um pouco de sal à ferida… Então, não temos como fugir: precisamos identificar o que precisar acabar em nossa vida, que relações atravessam os estertores da morte e deixar que morram realmente, sem recorrer a apegos, dependências, choros, manipulações… Deixar ir, dizer adeus… Somente assim, poderemos aproveitar as novas possibilidades, aliás, bastantes excitantes, prometidas pelo Nodo Norte no Ponto Médio entre Sol-Urano e Lua-Urano. E lembrar que, por mais difíceis que sejam as separações, “na separação ficamos com a melhor parte: nós mesmos” (Tati Bernardes). Não podemos jamais nos esquecer disso: somos sempre a melhor parte para nós mesmos e isso é algo que Vênus-Saturno precisa lembrar também. Não importa o que houve, nós precisaremos conviver conosco mesmos para sempre, ao contrário daquele outro que vai embora. Portanto, não podemos perder o respeito e o senso de valor próprio se o outro nos deixou. é preciso pois, muito carinho, cuidado e amorosidade para conosco mesmos – se somos amorosos com o outros, por que é tão difícil sê-lo com relação à pessoas mais importante da nossa vida, ou seja, nós?

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O Símbolo Sabiano do grau 04 de Libra (03°17’) traz uma imagem que ativa nossa esperança e traz bons augúrios: “Um grupo de jovens senta-se em comunhão espiritual ao redor de uma fogueira de acampamento”. Este símbolo parece contradizer os temas da Lua Cheia e Eclipse, mas não necessariamente. Ele nos lembra que mesmo quando há partidas e separações, ainda podemos recorrer ao suporte dos amigos, da comunidade e da própria ajuda espiritual para enfrentar os desafios e as dificuldades inerentes às separações e situações que estejamos atravessando. “Este símbolo implica o desejo ou necessidade de estar com outros que compartilham sentimentos, aspirações, objetivos e crenças similares às nossas. Há um foco em comum neste ‘grupo’ que abre possibilidades criativas e iluminadoras. Pode haver um sentido de se estar ‘lá fora’, nas ‘regiões selvagens’ e talvez estejamos realmente, de alguma forma, quer estejamos juntos por alguma afinidade única ou quilômetros distantes de todos os outros. Há um grupo de pessoas que compartilham das mesmas crenças e juntar-se a elas poderá elevar nosso espírito”, diz Lynda Hill, astróloga australiana e estudiosa dos Símbolos Sabianos. Então, não podemos esquecer que pertencemos a uma comunidade, que temos amigos e outras pessoas que podem nos ajudar a superar os problemas e a olhar para o futuro. Contudo, também precisamos lembrar que há coisas que outros não podem fazer por nós, portanto, não podemos nos tornar excessivamente dependentes dos outros, porque então estaremos criando outros problemas. Outro risco é rejeitarmos a companhia de outras pessoas porque já nos sentimos sozinhos e abandonados, excluídos e solitários e talvez fiquemos emburrados esperando que outros venham nos adular… De qualquer forma, o Símbolo de fato nos ajuda a ter perspectiva, nos lembra de que, por mais que uma parte de nossa vida se encerre quando terminamos um relacionamento ou quando nos despedimos de algo ou de alguém, isso não representa o fim da vida em si mesma e ainda há muito a explorar diante de nós. Só precisamos dar o tempo necessário para isso e abrir-nos às novas possibilidades e companhias.

Desejo a você uma ótima lunação! Que possamos ter a maturidade de deixar ir, a serenidade para termos paciência conosco mesmos e a esperança de nos abrirmos para o novo!

Art Frahm - Pintor americano - Reprodução
Art Frahm – Pintor americano – Reprodução
Aysen Aksoy - Birth Chart Painting - Reprodução
Aysen Aksoy – Birth Chart Painting – Reprodução