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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

Lua Nova em Áries – Dançando ao som da sua música interior

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A Noite encontra o Dia Shoemakerjames-Reprodução

Mais um ciclo começou hoje com o casamento do Sol e da Lua na Lua Nova de Áries, uma energia de iniciação, de começo e recomeço – muito favorável, pois, para recuperarmos as intenções projetadas e lançadas ao universo lá no início do ano. Sempre é tempo de recuperar a motivação e o entusiasmo e retomar as coisas de onde paramos.

A Lua foi Nova às 15h56min no horário de Brasília e às 19h56min no horário de Lisboa, no grau 28°25’ de Áries. O mapa dessa Lua Nova traz algumas configurações bem interessantes. Primeiro, Lua e Sol estão completamente isolados no fim de Áries, sem fazer nenhum aspecto com os demais corpos celestes, formando assim um dueto, que é quando dois planetas só fazem aspecto um com outro e não se comunicam com o resto do mapa. De acordo com Karen Hamaker-Zondag (1), planetas sem aspectos ou duetos falam de dificuldade de integração dos princípios representados por tais planetas, que tornam-se então dissociados do resto do mapa, tendo ação irregular e inconstante. Há uma qualidade de extremismo, de “tudo ou nada”, onde os planetas em questão atuam de forma disruptiva e talvez fragmentada.

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Francisco Negroni, em Earthdaily – Reprodução

Trazendo isso para o ciclo, temos pela frente um período em que a energia se manifestará de forma desigual, irregular: em alguns momentos estamos cheios de entusiasmo, animados, nossos propósitos alinhados com sentimentos e há uma sensação de bem estar, de correção, como naquela canção antiga: “tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus…”. Daí, no dia seguinte, já nos sentimos indispostos, confusos, meio sem direção, questionando se realmente vale a pena prosseguir. Cientes disso, podemos nos preparar para combater esses momentos de marasmo e de dúvida e não nos deixar abater por eles.

O dispositor do Sol e da Lua é Marte, regente de Áries. Marte está em Touro, signo de sua queda, porque Touro, além de ser o oposto complementar de Escorpião – outro signo regido por Marte – é um signo que delibera, que precisa de tempo para ruminar as coisas antes de partir para a ação, algo que vai contra a natureza básica de Marte, que é a do impulso e ação imediatos – daí se diz que ele está em queda.  Touro é signo fixo, tende a ser constante, mas inflexível. Marte está em quadratura a Júpiter a menos de um grau de orbe, ou seja, uma quadratura muito próxima. Assim, a situação de Marte, dispositor da Lua Nova, aumenta a qualidade de extremismo já simbolizada pelo dueto.

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Tirado de Mindbodygreen.com – Reprodução

Se puxarmos esse fio mais um pouco e buscarmos o dispositor de Marte, a regente de Touro, que é Vênus, veremos que ela também está extremada, em oposição ampla a Saturno, mas em quadratura próxima a Netuno, exata amanhã. Além disso, Vênus começa a ficar Fora dos Limites do Sol por declinação, um posicionamento em que o planeta não obedece nem atende a ninguém, apenas a si mesmo. Vênus nesta configuração de Cruz Mutável com Saturno e Netuno, aponta para a necessidade da auto aceitação daquilo que somos, sem ilusões, sem vitimismo, e também sem autoflagelação, algo que é muito necessário para Áries. Como assim? Não é Áries que geralmente não se importa com a opinião alheia e não busca aceitação ou aprovação de ninguém? Sim, este é seu lado luminoso, mas a sombra de Áries é Libra, então, na sua expressão negativa, ele pode sim, sair por aí mendigando aceitação dos seus pares e pasme, até se tornar um capacho. Assim, esta Lua Nova nos lembra que “bonito é ser você mesmo, que não precisamos ser aceitos pelos outros, precisamos sim, aceitar a nós mesmos”. O resto é conseqüência: se eu me aceito, o outro também aceitará. Ou, como diz o Dr. Steve Maraboli, “quando eu aceito a mim mesmo, eu me liberto do fardo de precisar que você me aceite”. 

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Atlas da Esfera Celestial – Reprodução

O SÍmbolo Sabiano para o grau 28 de Áries coloca ainda uma outra perspectiva que vale a pena explorar: “A Música das Esferas”. O que é isso? Falando grosseira e resumidamente, a Música das Esferas é um conceito segundo o qual os planetas emitem sons que dependem das proporções aritméticas de suas órbitas no seu percurso ao redor do Sol. É um conceito que fala da harmonia presente na natureza e na Proporção Áurea, na matemática, na música, nos números, na própria astrologia e que foi iniciado com o matemático Pitágoras e posteriormente desenvolvido por seus discípulos e depois por Kepler. Kepler dizia que “Os movimentos celestes … Nada mais são do que uma música contínua emitida por várias vozes, não percebida pelo ouvido, mas pelo intelecto, a  música figurada que estabelece marcos no fluxo incomensurável de tempo”. 

modelo de sistema solar proposto por Kepler
Johannes Kepler propôs um modelo do Sistema Solar que associava cada um dos planetas conhecidos aos sólidos regulares. Imagem publicada originalmente em Mysterium Cosmographicum (1596) – Copiado do Ciência Hoje/Uol – Reprodução

Cada planeta emite, pois, uma vibração e um som e os sons de todos os planetas formariam uma sinfonia, a música das esferas – isso é um resumo muito simplista e se você tiver interesse, vale a pena pesquisar este assunto que sempre apaixonou astrônomos, astrólogos, matemáticos, músicos e cientistas em geral. O princípio básico é o da harmonia inerente à natureza, a idéia de que, não importa quão caótica a vida e o universo pareçam às vezes, há uma harmonia por trás de tudo. Lynda Hill, astróloga australiana, diz que este símbolo fala da “beleza da música e harmonia e é particularmente intuitivo. Não importa se as coisas estão indo bem ou não, se você estiver sintonizado com sua voz interior, isso pode mostrar um acordo interno com o seu caminho. Saboreie as lições que aparecerem e saiba que tudo acontece no seu próprio tempo e que você crescerá em sabedoria. A Música das Esferas mostra uma sintonia com as mensagens da astrologia, numerologia, matemática e ciência. Cante, sintonize-se com os planetas, escute música, dance e celebre a vida”. Ela ainda sugere que o símbolo fala de mensagens que chegam até nós através de várias vozes, para prestar atenção aos ritmos circadianos, à fala dos planetas, à mensuração e a passagem do tempo.

É interessante lembrar que Marte, regente desta Lua Nova, era também conhecido como Deus da Dança e em Touro ele de fato se manifesta como bom dançarino – Touro, que é sensorial e tão enraizado no corpo. Vemos assim, novamente, que a vida é sincronia, é beleza e que tudo se afina e corresponde.

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Divine Monochord, proposto por Robert Fludd, que ligava o Universo Ptolomeico a intervalos musicais – Reprodução a partir do site Skyscript

Então é isso: extremada ou não, a Lua Nova vem falar da harmonia natural que permeia a vida, mesmo quando ela parece caótica e extrema na sua manifestação. Mesmo os extremos têm sua razão de ser na ordem natural das coisas. E que somos convidados a confiar nessa harmonia e nos sintonizar com ela, a nos sintonizar com nossa própria voz interior, com a música que toca na nossa alma, no nosso coração e que é simbolizada pelos planetas do nosso mapa natal; a ouvir nossa intuição, que certamente estará muito aguçada neste ciclo e que será um Norte quando o mundo parecer enlouquecer ao nosso redor.

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Do site Yogameetsdance.com Reprodução

Por fim, como eu dizia lá no início, essa Lua Nova também propicia que retomemos nossos propósitos e objetivos para o ano e renovemos nossas intenções. Como está aquela lista de objetivos que você tinha feito? Esquecida na gaveta? Já nem lembra onde está? Está no seu mural, mas só lhe traz desapontamento? Pois temos agora mais uma chance de colocar esses objetivos em ação, de nos incendiarmos de otimismo e entusiasmo e começarmos uma vez mais, antenados com aquilo que a intuição nos aponta.  Só precisamos cuidar para não nos inflarmos e nos tornarmos completamente unilaterais e cegos para o que está à nossa volta, agindo de forma extremista e bitolada – adotando esses cuidados e equilibrando o entusiasmo nos dias em que nos sentirmos desmotivados, é questão então de seguir a intuição e focar naquilo que é essencial.

Uma linda Lua Nova para você! Que seu ciclo seja luminoso, amoroso e cheio de vigor e entusiasmo!

divine offering by duirwaigh studios
Oferta Divina – Duirwaifh Studios Reprodução

“Não há ninguém no universo mais querido para nós do que nós mesmos. A mente pode viajar em mil direções , mas não achará ninguém mais amado. No momento em que você percebe quão importante é amar a você mesmo, você parará de fazer os outros sofrer” 

Thich Nhat Hanh

Fontes:

(1) HAMAKER-ZONDAG, Karen – Aspects and personality

(2) HILL, Lynda – Sabyan Symbols

Outras fontes sobre a Música das Esferas:

1 – http://oglobo.globo.com/blogs/sociencia/posts/2010/03/19/a-musica-das-esferas-276028.asp

2 – http://www.portaldoastronomo.org/tema_19_4.php

3 – http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/fisica-sem-misterio/a-harmonia-cosmica

4 – http://www.skyscript.co.uk/kepler.html

Lua Nova e Eclipse solar em Peixes: nascendo para uma nova vida!

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Birth Chart Painting – Eclipse Solar em Peixes – Reprodução

A Lua Nova que acontece nesta sexta-feira, (20 de março, 6h36min para Brasília e 9h36min para Lisboa) a 29°27’ de Peixes, é também um eclipse solar e uma Super Lua – Super Lua que não será perceptível, visto que quando nova a Lua está escura e invisível. Este é o único eclipse total do Sol este ano e nesta temporada teremos apenas mais um eclipse, o da Lua no dia quatro de abril, a 14°24’ de Libra. Um ciclo que se inicia com algumas contradições e que é sucedido pela ingressão do Sol em Áries inaugurando o Ano Novo Astrológico, um novo ciclo anual, e marcando o Equinócio do Outono (Equinócio da Primavera no Hemisfério Norte), ou seja uma mudança na orientação da consciência solar e uma potencialização destes novos começos – é bom tomar cuidado com as intenções e com o que se deja, porque podemos conseguir! Realmente, esta sexta-feira está super ocupada e cheia de acontecimentos importantes! Definitivamente, não é só “mais um dia”.

Mas o que são eclipses? São lunações super potentes, que tendem a precipitar e trazer à fruição os assuntos que já estavam latentes, somente esperando para acontecer, de acordo com a área em que cai no mapa natal, seja do indivíduo ou da nação – eclipses são extensivamente utilizados em Astrologia Mundial. E o que é um eclipse solar? Num eclipse solar a Lua interpõe-se entre a Terra e o Sol, bloqueando e “ocultando” a luz solar sobre a Terra. Os eclipses solares podem ser de quatro tipos: parcial, anular, híbrido e total e obviamente o eclipse total é o mais potente de todos. De acordo com Christine Arens, Astróloga Americana e grande estudiosa de eclipses (1) no caso de eclipses solares, que duram apenas minutos, ao contrário de eclipses lunares que podem durar horas, o número de minutos simboliza o número de meses em que este eclipse terá influência. Neste caso específico, o eclipse durará 2’47” ou seja, dois minutos e 47 segundos, então, este eclipse terá efeito por quase três meses. Já o Lunar do dia quatro terá efeito mais duradouro. Os eclipses podem ter efeitos diversos, mas ao contrário do que reza o folclore, suas manifestações podem sim, ser positivas, dependendo da família a que pertencem, como também dos planetas que tocam e dos aspectos que fazem no mapa natal.

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Eclipose solar – Desconheço o autor – Reprodução

Visto que o Sol representa a consciência, o centro regulador da personalidade, num eclipse solar temos diminuída a objetividade e a consciência solar e aumentadas a subjetividade e a sensibilidade lunares – por isso mesmo os eclipses solares favorecem mais às mulheres, enquanto os homens têm sua ação consciente e decisão ofuscadas – no eclipse lunar ocorre o contrário. Levando-se em conta que o eclipse ocorre no último grau de Peixes, um grau crítico, temos aumentada ainda mais a sensibilidade, uma vez que Peixes é todo sentimentalidade e impressionabilidade. Esta Lua Nova é uma Super Lua, que é quando a Lua se encontra no seu perigeu, o ponto mais próximo da Terra, isto é, sua influência se faz sentir ainda mais fortemente. Então, este é um eclipse em que nos guiamos mais pelo instinto e pelos sentimentos, tendo pouca objetividade e consciência do que estamos fazendo; mas tem uma qualidade paradoxal porque ao mesmo tempo que é uma Lua Nova, o início de um novo ciclo, ele ocorre no último grau, do último signo, que fala de fechamentos, encerramentos e finalizações. Situações inacabadas podem bater à nossa porta, inesperadamente, para que possamos finalmente concluí-las e fechá-las, assim como pessoas com quem tínhamos assuntos mal resolvidos podem aparecer para encerrar os tais assuntos. O fim do fim, mas que também cede lugar ao começo de um novo começo. É redundante, eu sei, mas esta lunação está super redundante em seus temas.

Lua nova e eclipse em peixes
Lua Nova e Eclipse Solar em Peixes – Brasília, 20 de março de 2015, 6h36min.

Sim, este é um dia contraditório, de um ciclo também cheio de paradoxos. Temos no mesmo dia um stelium de cinco planetas nas Águas de Peixes, o signo que finaliza a jornada zodiacal: Netuno, Mercúrio, Quíron, Lua e Sol. Sentimentos densos e sensibilidades exageradas. Menos de uma hora depois de ser nova a Lua ingressa em Áries, seguida pelo Sol às 19h45min. E a energia muda radicalmente, drasticamente. No mapa do eclipse para Brasília esse tema é repetido, visto que os planetas em Peixes estão na casa 12, a casa do inconsciente e a casa pré-natal, associada à gravidez. O Ascendente é Áries, remetendo novamente a esse paradoxo Peixes-Áries, fim-início, útero-parto. Como disse no post da Semana, é como os últimos dias de uma gravidez.

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Kate Lacour – Reprodução

Estamos imersos nas águas amnióticas no útero da Grande Mãe, um com ela, em estado de graça e espera, aguardando nossa hora. De repente, essa hora chega e somos desafiados a uma luta de vida ou morte, que é o momento do parto. É como se, a um só tempo, vivêssemos o último e o primeiro dia de nossas vidas e de certa forma é isso mesmo que propõe essa Lua Nova e este eclipse: que fechemos capítulos, histórias, livros inteiros, fases, etapas, ciclos para nos renovarmos e olharmos para a vida como se tivéssemos acabado de nascer, novinhos em folha, mas cientes de que este pode ser o último dia. Morremos para uma forma e renascemos para outra, porque este é um começo que envolve muitos fins, o básico do básico: para que algo novo surja, é preciso deixar morrer o velho. E já que este ano que se inicia é regido por Marte, o deus da guerra, podemos esperar tudo, menos moleza. Seremos muito desafiados em nossas decisões, ação, paciência e equilíbrio – já escrevi sobre o Ano Novo Astrológico neste artigo de dezembro de 2014.

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Marte, regente do ano de 2015

Mas eclipses não podem ser vistos de forma isolada. Eles pertencem a famílias que duram séculos, às vezes milênios e cada eclipse carrega a energia do eclipse que originou a família. De acordo com a Dra. Bernadette Brady (Saros Séries 17 Sul) e com a Nasa (Saros Séries 120), este eclipse específico pertence a uma família que teve início em 27 de maio de 933 no Pólo sul e terminará em 28 de junho de 2.177. A Dra. Brady comenta a energia primária desta família: “Júpiter ocupa o Ponto Médio entre a Lua Nova e Urano, como também o Ponto Médio entre Vênus e Plutão. As questões nesta família de eclipses se referem a sucesso súbito em projetos de grupo ou em assuntos associados a relacionamentos pessoais. Felicidade no amor, reflexão sobre assuntos amorosos, boas noticias a respeito de relacionamentos ou expressão criativa em grupos” (2).

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Acek Yerka – Reprodução

Por tudo isso, a despeito da semana extremamente tensa e das configurações que ainda estão em formação, pelo menos deste eclipse podemos esperar boas notícias, porque fala de acontecimentos auspiciosos, de bons augúrios. É claro que depende também das interações que o eclipse faz no mapa natal de cada um (lista das casas ao final do texto), mas pelo menos a princípio, esta família, à qual pertence também o eclipse do dia quatro de abril, não é tão carregada como foram os eclipses do ano passado e como serão os eclipses do mês de setembro. Uma boa maneira de ter pistas sobre o desdobramento de um eclipse na vida pessoal é rememorar a ultima vez que esta mesma família foi ativada no seu mapa, no mesmo signo e casa. E isso foi em março de 1997. Você lembra o que estava acontecendo na sua vida nessa época? Os assuntos e temas são os mesmos, talvez com outra roupagem e outra manifestação. Relacionamentos amorosos e sucesso ligado a grupos estão favorecidos.

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Mapa de Início da Série Saros 17 Sul, de acordo com Bernadette Brady, astróloga inglesa. 27 de maio de 933, 4h46min GMT – Pólo Sul

Interessante que Júpiter esteja tão proeminente no mapa inicial desta família de eclipses, porque no mapa do eclipse de hoje Júpiter está também destacado, como alça de uma configuração balde, que é o elemento chave de expressão de todas as energias do mapa. De Júpiter e da expressão pessoal depende que consigamos realizar as promessas contidas neste ciclo, como tem sido nas últimas lunações. Onde Júpiter estiver no seu mapa, esta também será uma área em destaque pelas próximas semanas, até porque Júpiter é um dos regentes de Peixes e já está desacelerando para voltar ao movimento direto em nove de abril.

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Esculturas do Monte Rushmore – REprodução

O Símbolo Sabiano do grau 29 de Peixes diz assim: “Uma majestosa formação de rocha, assemelhando-se a um rosto, é idealizada por um menino que a toma por seu ideal de grandeza, e, à medida que ele cresce, começa a se parecer com ela”. Busco novamente a ajuda de Lynda Hill para decifrar essa imagem e ela diz: “Este símbolo mostra a capacidade de visionar ou decidir o que você quer ser e, à medida que cresce e se desenvolve, você se torna essa visão. Talvez percebamos que nos tornamos essa imagem que imaginamos e que nos dá um senso de orgulho, considerando que se tenha uma imagem positiva” (3). Este símbolo nos fala de nossos ideais, daquilo que visionamos nos tornar ou realizar. Semelhante à criança que nasce, cheia de potenciais, que são mostrados pelo mapa natal, que registra o momento de sua respiração primeira independente da mãe. Crescemos e nos tornamos a melhor versão proposta por este desenho celestial, se conseguimos nos achar na vida. Para mim esse símbolo remete novamente à idéia do útero, da criança que é potencial de vida, assim como Peixes, sendo o último signo do zodíaco, é aquele que prepara o caminho e o terreno para que Áries nasça e o ciclo recomece. Este símbolo fala também de uma culminação, de se chegar ao final de uma jornada, de “projeções, de se desejar um senso de imortalidade, de se definir o próprio destino e de manifestação consciente” (3). Por que as pessoas têm filhos, não é para se imortalizarem naquela criança que carregará sua herança genética, seu nome, sua história, seu legado? Assim, com a ingressão do Sol em Áries inaugurando o Ano Novo Astrológico, a jornada finalizada em Peixes é reiniciada, agora com outros temas, com mais vivência e a experiência acumulada em centenas de milhares ou milhões de ciclos já experimentados por este planeta e por esta humanidade.

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A Grande Mãe – Reprodução

O grau 29 de todo signo, especialmente de Peixes, como já foi dito, é um grau crítico. Porque é um portal, um limiar entre mundos e energias completamente diversos. É a soleira da porta de saída de um espaço e de entrada em outro. É o canal do parto, onde não podemos permanecer sob pena de morrermos com todos os potenciais e promessas de uma nova vida. Só há um lugar para ir: avante, em frente, como o bebê empurrando a vida com sua cabeça determinada; como os chifres do carneiro, cheios de impulso e vigor, cheios de vida!

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Bebê no canal uterino – desenho feito à mão de 1865 – Reprodução

Nesta Lua Nova, Eclipse Solar e posterior Ano Novo, somos paridos novamente na vida, com novas chances de recomeçar e fazer algo pioneiro e completamente pessoal e individual. Mais do que isso, somos convidados, na verdade, exigidos a parir nós também novas oportunidades e novos caminhos e, uma vez que fechamos muitas histórias e porteiras lá atrás, precisamos agora nos lançar em outras  trilhas e outras aventuras, cheios de um vigor renovado, juvenil, inocente e impulsivo – talvez seja exatamente a oportunidade, o momento que você estava esperando? Que possamos, pois, parir, dar à luz a um novo eu, renovado e revigorado, pronto para os grandes desafios que nos aguardam. Que possamos parir a vida que tanto almejamos e queremos viver e experimentar. Que possamos ter a coragem de atravessar esse canal de parto doloroso para encontrar a luz do outro lado, e dar nosso grito de vida a plenos pulmões: “Cheguei Estou vivo! Renascido!”, tendo coragem de olhar para a vida com olhos novos e deslumbrados, de quem acabou de chegar e se maravilha e se encanta com tudo, agradecido e entusiasmado! E, lembremo-nos: este é o primeiro e o último dia de nossas vidas! Então, façamos ou reiteremos nossas intenções, do que queremos mudar ou realizar na vida, e aproveitemos a energia iniciática de Áries e do ano Novo Astrológico para nos comprometermos com elas! O Equinócio e este eclipse nos alertam: Cuidado com o que pede, você pode conseguir!

Feliz Eclipse solar, Feliz Lua Nova, Feliz novo ciclo, Feliz ano Novo Astrológico para você! 

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Carneiro, o símbolo de Áries – Reprodução

O eclipse nas casas do mapa natal

É importante frisar que os efeitos do eclipse também dependem de aspectos que porventura faça com planetas e ângulos natais e pessoas que têm planetas ou ângulos entre os graus 25 e 30 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) e de 0 a 3 dos signos Cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) são mais afetadas por esta lunação super potente; assim como é vital lembrar que o eclipse precipitará a ação de trânsitos e progressões. Uma vez que este eclipse fala de finalizações e ao mesmo tempo inícios, isso se dará na área e nos assuntos da casa em que cair. Assim, o guia abaixo é básico e para uma análise acurada da influência do eclipse o mapa natal todo deve ser analisado. Caso você não conheça seu mapa e não saiba a divisão das casas, clique aqui para calculá-lo. A casa em que cai o eclipse é a casa onde está o último grau de PEIXES. A análise é baseada no livro de Carol Rushman (4)

Casa 1 – Casa angular e super importante onde o eclipse se faz notar de forma inquestionável, especialmente se conjunto ao Ascendente. Período de grande ênfase e destaque pessoal. A energia e o entusiasmo ficam acentuados e você se sente fazendo maior impacto no ambiente e no mundo em geral. Pode ser um bom período para fazer mudanças na aparência física. É um ciclo para se destacar e aparecer – se esse destaque é positivo ou negativo vai depender das ações e atividades desenvolvidas até aqui, assim como dos aspectos que o eclipse possa fazer a planetas natais.

Casa 2 – A ênfase aqui recai sobre os valores, sejam eles materiais ou imateriais. Finanças, posses, patrimônio material vêm para a linha de frente e “eventos” podem se precipitar ligados a ações passadas. Pode ser um bom período para reavaliar investimentos e a gestão dos recursos; para aprender uma nova habilidade que se torne também em recurso e valor; especialmente para refletir sobre nossos valores mais essenciais e como eles influenciam nossas decisões e escolhas.

Casa 3 – O foco recai sobre estudos e aprendizados, que serão muito estimulados e favorecidos, dependendo dos aspectos do eclipse. Comunicação, veículos, viagens curtas, viagens diárias para o trabalho e deslocamentos em geral também são influenciadas por estas energias. Irmãos e parentes próximos podem também se tornar foco da nossa atenção por diferentes motivos.

Casa 4 – Outra casa angular onde o eclipse tem maior ênfase. Assuntos ligados à família de origem, assim como à família formada pelo indivíduo. Mudança na relação com a figura paterna, que pode ter seu poder e autoridade ofuscados de alguma forma. A atenção é para os assuntos domésticos do lar e da casa física em que se mora, assim como para a faceta mais íntima da vida privada. Reformas e mudanças na residência são possíveis.

Casa 5 – A criatividade e expressão pessoal recebem grande injeção de ânimo, assim como os romances e atividades de lazer e relaxamento. Filhos, como expressão maior de nossa criatividade também se tornam o centro das atenções, especialmente o filho mais velho; novas atividades criativas ficam favorecidas, como artes, danças, música, etc. Aconselhável ter cuidado com especulações e jogos de azar.

Casa 6 – Trabalho diário, emprego, colegas de trabalho, relação com empregados e servidores, saúde, corpo, cotidiano, bichos de estimação… Todos estes assuntos ficam realçados com um eclipse solar nesta casa. É um momento de avaliar com seriedade a forma como cuidamos da saúde e especialmente avaliar o impacto de maus hábitos sobre ela, como fumar, por exemplo. Reorganizações do local de trabalho assim como programas de reeducação alimentar ficam beneficiados.

Casa 7 – Outra casa angular. Todas as relações próximas ficam sob os holofotes, sejam parcerias afetivas ou de negócios, assim como amigos mais chegados e também os tais “inimigos declarados”. Propostas de casamento ou de sociedades são possíveis, assim como rupturas, dependendo de como o eclipse “conversa” com o resto do mapa e dos demais movimentos que estejam acontecendo neste mapa.

Casa 8 – Casa dos valores dos outros, da morte (não necessariamente literal) e renascimento, de crises, de impostos, seguros e heranças. E também do sexo como expressão da parceria íntima. Então todos estes assuntos podem demandar nossos cuidados e nosso tempo, trazendo benefícios ou preocupações. O período pode ser particularmente “quente” sob os lençóis e novos amantes podem aparecer à nossa porta.

Casa 9 – As viagens de longa distancia, assim como as buscas espirituais e a mudança de crenças ocupam nossa atenção quando um eclipse cai nesta casa. Cursos superiores e vida acadêmica, assim como publicações também estão enfatizados. Os parentes do cônjuge também são vistos aqui e podem representar problemas ou alegrias. Novos conhecimentos que expandem a consciência podem ser iniciados a partir de novos contatos ou até mesmo por um livro que começamos a ler.

Casa 10 – A ultima casa angular, de suma importância. A casa da nossa imagem pública, da carreira, da vocação e também da mãe. Podemos ser promovidos ou demitidos sumariamente; podemos ficar literalmente sob os holofotes em situações públicas e que agregam valor à nossa persona pública e status profissional. Publicidade gratuita pode nos favorecer. Eventos ligados à mãe também podem nos afetar.

Casa 11 – Período bom para iniciar novas amizades, participar de grupos e associações que sempre quisemos mas nunca tomamos a atitude. Aqui vemos os amigos e as relações sociais, que obviamente ganham ênfase especial. As esperanças de futuro e projetos de longo prazo também ficam favorecidos, ou sua realização ou reavaliação e desilusão.

Casa 12 – Possivelmente a casa mais difícil de expressão de um eclipse. A casa da introspecção e do inconsciente. Esqueletos tendem a sair do armário e demandar que lidemos com eles; tabus familiares ou raciais tendem a cair no nosso colo de graça, e não podemos mais fingir que não os vimos; é uma casa de serviço, então somos convidados a prestar serviços que implicam sacrifício ou oferenda de nosso tempo e energia em favor de outros. Podemos nos sentir particularmente introspectivos e sentir o desejo de isolamento e reclusão.

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Gráfico da visibilidade do eclipse por região Reprodução

Fontes:

(1) ARENS, Christine – Webinar sobre eclipses promovido por Kepler College em abril de 2014

(2) BRADY, Bernadette – The Eagle and the Lark – Predictive Astrology – Samuel Weiser

(3) HILL, Lynda – Sabyan Symbols Oracle – Solar Fire Software.

(4) RUSHMAN, Carol – The Arte of Predictive Astrology – Liewellen Worldwide.

Lua Nova em Libra: a semente de uma nova vida criativa

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Imagem alquímica – Reprodução

“A Astrologia é uma técnica para o estudo dos ciclos da vida” (1), dizia Dane Rudhyar. Dentre estes ciclos estudados pela Astrologia, estão os ciclos específicos dos planetas e Luminares, além dos ciclos representados por seus relacionamentos entre si – o ciclo Júpiter-Saturno, por exemplo, é um dos mais importantes em termos sociais e políticos. Tanto no mapa natal de um individuo ou entidade quanto no tempo real, há sempre vários ciclos se desdobrando simultaneamente, em diferentes fases de desenvolvimento, alguns se iniciando, outros se consolidando e outros ainda terminando, numa espiral que nunca tem fim, e que representa a evolução eterna do universo e provavelmente do elemento humano na Terra.

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Reprodução

Alguns ciclos são muito extensos e seu impacto de longo prazo é difícil de se perceber numa vida humana, como é o caso de Plutão, que leva 248 anos para dar uma volta completa ao redor do Sol e cujos efeitos são mais perceptíveis quando se analisa a História. Outros são mais visivelmente sentidos e percebidos na vida das pessoas, como o ciclo de Saturno, que tem em média, 29 anos. Outros ainda têm periodicidade mais curta e servem para nos situar no tempo, como o ciclo do Sol, que determina, entre outras coisas, as estações do ano e muitas atividades ligadas a elas, como plantação e colheita na agricultura, por exemplo; servem também para nos ajudar a estipular metas de curto, médio e longo prazo, propiciando mensuração, através da convenção dos calendários, e uma relação mais “palpável” com o tempo. E temos também os ciclos menores e mais imediatos, como o ciclo Lunar ou as Lunações, que tratam do relacionamento específico entre a Lua e o Sol. Como o ciclo Lunar tem em média 28 dias, o ano gregoriano teria em torno de 13 ciclos lunares completos. Os ciclos menores, em geral, devem ser vistos sobre o pano de fundo dos ciclos maiores, para que possam ser melhor entendidos e assimilados na vida mundana, e para que se tenha um senso de perspectiva no tempo e espaço.

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Atanasius Kirtcher – Reprodução

Embora os ciclos maiores sejam sentidos de forma mais contundente na vida humana, os ciclos menores não são menos importantes e na sobreposição destes diversos intervalos de tempo, uma simples Lunação pode iniciar, finalizar ou precipitar os efeitos dos ciclos maiores que estejam se desenrolando na vida humana ou mesmo no coletivo. Isso se aplica especialmente aos eclipses, que são Lunações particularmente poderosas. Assim, supondo que o indivíduo tenha Plutão em trânsito fazendo um aspecto tenso ao seu Sol natal, aspecto que pode durar até dois anos: durante todo este tempo ele sente a tensão se acumular e muitas coisas se desintegrarem à sua volta, porém o efeito mais agudo deste trânsito poderá ser sentido quando uma Lunação (Lua Nova ou cheia) ocorrer em órbita próxima ao grau do Sol e de Plutão (conjunção, quadratura ou oposição), o que precipitará a crise e a eclosão da tensão que se acumulou por tanto tempo, levando à liberação da energia e à conseqüente resolução da questão, para o melhor ou pior, dependendo do contexto e da percepção do indivíduo. Assim, as lunações devem sempre ser entendidas como parte dos ciclos maiores e, a Lua Nova em particular, como oportunidade de reavaliação e reiteração dos objetivos e propósitos do ciclo Solar anual.

Tendo dito tudo isso – desculpem pela introdução longa – A Lua Nova de Libra que ocorre hoje no grau 1°07’ (24 de setembro de 2014, 03h13min, horário de Brasília, ou 07h13min para Lisboa WEST) vem novamente trazer a oportunidade de uma parada estratégica para revermos planos e objetivos, de curto e médio prazo – e em alguns casos, também de longo prazo – reavaliando, reiterando, reafirmando e implementando ações que vão se fazendo necessárias tanto para o funcionamento imediato das coisas, quanto para a execução dos planos de vida nos seus ciclos maiores. Astrologicamente, meio ano se passou, período que simbolicamente é relacionado ao individuo e à sua consolidação no mundo; agora iniciamos a fase em que nos voltamos para o exterior, para o outro e sua inclusão na nossa vida.

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Christian Schloe – Stardust – Reprodução

Libra é o signo da escolha, da decisão. Signo de Ar, Cardinal, “tem fortes pontos de vista sobre justiça, harmonia e comportamento civilizado. É um signo altamente refinado. Rege todas as artes civilizadas – o teatro, salas de concerto, galerias de arte, assim como as leis com as quais qualquer sociedade civilizada é conduzida” (2). O símbolo de Libra é a balança, que traduz sua função primeira, que é equilibrar o sistema, começando por equilibrar a relação entre o eu e o outro. Libra rege os relacionamentos, não do ponto de vista do sentimento, mas de um ponto de vista racional, da necessidade de se criar parcerias, de se interagir e viver em sociedade, tendo em vista o bem comum e a harmonia entre as partes envolvidas.

Esta Lua Nova enfatiza de forma particular os ideais de Libra por várias razões. Primeiro, está muito próxima do Grau Zero, considerado um grau crítico para todo signo, um grau-semente que carrega a concentração máxima do potencial do signo; segundo porque Sol e Lua estão praticamente isolados dos demais planetas, fazendo aspectos super amplos, se se considerar orbes muito generosas. Lua e Sol fazem um sextil de quase seis graus a Marte, que está a 7°00’ de Sagitário; fazem conjunção separativa (que já aconteceu) com oito graus de orbe, fora de signo, a Vênus, que é muito importante por ser regente de Libra, mas que está também isolada a 23° de Virgem, fazendo apenas um sextil, também separativo a Saturno; e fazem ainda quadratura aplicativa (ainda vai acontecer) a Plutão em Capricórnio, com quase 10 graus de orbe – muitos astrólogos nem consideram orbes tão amplas.  É, pois uma Lua Nova ultra idealista, como idealista é o signo de Libra, que tem como estandarte os ideais da Justiça, da Beleza e do Equilíbrio.

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Desconheço o autor – Reprodução

O problema é que se Lua e Sol não fazem contatos próximos com o resto do mapa, estes ideais ficam difíceis de serem executados, porque não ressonam com elementos fundamentais para sua manifestação no mundo; há propósito consciente (Sol) e há envolvimento da alma (Lua), mas não há integração suficiente das outras partes da psique, indicando que, pelo menos a princípio, podemos nos tornar apaixonados e “possuídos” por objetivos elevados, mas tais objetivos podem se tornar obtusos porque são excessivamente perfeccionistas e talvez não realizáveis no plano real imediato. Tornamo-nos cegos e surdos para sinais evidentes de limitações, focados demais que estamos no belo quadro à nossa frente.

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Desconheõ o autor – Reprodução

Parte da dificuldade vem da pouca Água do mapa da Lua Nova, que mostra apenas Saturno em Escorpião, como planeta mais próximo da consciência, no elemento Água – também temos Quíron e Netuno em Peixes, mas como são planetas exteriores, têm menos peso. Podemos focar nos ideais de parcerias e relacionamentos e esquecer da dimensão humana, buscando ideais inalcansáveis de perfeição. Então não enxergamos o outro na sua humanidade, e tornamo-nos frios e inatingíveis, relacionando-nos bem com conceitos e idéias, mas muito mal com as pessoas.

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Fanpage Luciano Fiore – Reprodução

Aplicando tudo isso ao inicio de um novo ciclo e tendo em visto os ciclos maiores, precisamos então ficar atentos para os perigos da super idealização de projetos, pessoas, relacionamentos e esperanças, para que não corramos o risco de nos fecharmos em tais conceitos rígidos, impossibilitando os relacionamentos em nível real e verdadeiro. É hora de rever estes ideais, portanto. É hora de olhar mais de perto o papel dos relacionamentos na nossa vida; como me relaciono com as pessoas; como vejo os relacionamentos e quais ideais tenho a respeito deles; como equilibro e incluo o outro na minha vida; como integro os ideais de justiça e harmonia na minha vida diária, como manifestação dos valores e princípios que professo. E, considerando um dos ciclos maiores atualmente em desdobramento, os ciclos Júpiter-Saturno (mudanças nas leis,  economia, políticas e governos) e Urano-Plutão (transformações profundas e radicais), precisamos ver também quais destes ideais estão ultrapassados e precisam ser transformados, tanto em nível individual quanto coletivo.

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Fanpage Gena Teresa – Reprodução

Para fechar, o Símbolo Sabiano como sempre, traz imagem que ilustra e aprofunda o significado do grau da Lua Nova. Neste caso específico, para o grau 2 de Libra (1°07’) temos: “A transmutação dos frutos de experiências passadas em realizações-semente do Espírito Eternamente Criador”. Em Libra, estamos já no Segundo Hemiciclo (metade de um ciclo), que comporta o processo de Coletivização, depois de ter o individuo passado pelo Processo de Individualização, que é definido pelo Primeiro Hemiciclo (3). Como eu dizia no inicio, em Libra encontramos “o outro”, não só em nível de relações um-a-um, mas também nas interações sociais diversas; e Libra inicia a abertura do individuo para as esferas outras além do escopo individual, daí o nome Processo de Coletivização. Pois bem, recuperando o que falávamos sobre os elevados ideais Librianos e trazendo a imagética do Símbolo, eu diria que é crucial que percebamos que este é um momento único de fazermos uma avaliação acurada de tudo o que vivemos até aqui, especialmente as revoluções e realizações dos últimos anos, para transmutarmos todas estas experiências, boas, ruins, fluidas ou difíceis, em sementes de um recomeço, sementes de realizações que ultrapassam nosso limitado alcance mental; que vão além do efeito e impacto da minha história individual, mas que ressoam talvez na história humana como um todo. É crucial percebemos, como apontado por Libra, que não estamos sós no mundo e que nossa ação impacta na vida do outro, da espécie e do planeta, em maior ou menor escala, como a pedra jogada no lago, cujas ondas criadas reverberam até atingir a mais longínqua margem, até que o lago inteiro seja movimentado.

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Desconheço o autor – Reprodução

Caminhamos num ritmo e vivemos tempos cada vez mais vertiginosos e às vezes nos esquecemos das implicações da vida para além do nosso umbigo, das contas a pagar, dos objetivos pessoais ou familiares. Mas de vez em quando é preciso lembrar do nosso lugar no mundo, no Grande tabuleiro da vida, que pode ser apenas o papel do peão, do grão de areia ou da gota d’água, mas que impacta no destino da espécie e do planeta como um todo. Chegamos a um ponto em que temos que olhar a qualidade das experiências passadas, que determinará a qualidade da semente-futuro, semente que será utilizada pelo Espírito Eternamente Criador para gerar e realizar a vida a partir daqui.

Assim, esta é uma Lua Nova de suma importância, que pontua o fim de um ciclo e o início de outro, mais do que uma Lua Nova apresenta comumente, que nos convida a uma análise cuidadosa de ideais, objetivos, realizações, atitudes e modos de vida. E que nos propicia um momento poderoso de transformação de destinos e de transmutação de experiências, como o próprio símbolo diz. Cabe a cada um utilizar esta oportunidade, fazendo as alterações e movimentos necessários, ou afundar no lago da inconsciência cada vez mais, alheio ao destino maior que nos convida à superação e transmutação e que nos põe disponíveis à ação do espírito eternamente criador. O que vai ser para você?

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Desconheço o autor – Reprodução

(1) Dane Rudhyar – O Ciclo de Lunação

(2) Clare Martin – Mapping the Psyche

(3) Dane Rudhyar – An Astrological Mandala