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2016 – O Ano da Ressaca

depositphotos_2015 terminou, passou janeiro e já passou até o carnaval. Talvez, para muitos já nem faça muito sentido publicar um texto sobre o ano “novo” que já está pra lá de velho… Mas eu havia prometido e promessa é dívida! Comecei este texto ainda em dezembro. Então precisei parar por causa de outra demanda – outro texto astrológico sob encomenda – que tinha uma deadline super apertada. Depois surgiram questões familiares de última hora,  veio a Zika… Enfim, o fato é que só agora consigo tempo e energia para retomar o “textão” sobre 2016 e já que estamos abrindo ciclo de Aquário, aquele que olha para o futuro, nada melhor do que olhar o futuro com algumas pistas dos desafios e oportunidades escondidos nas dobras do tempo! E afinal de contas, como diz o ditado, o ano só começa, no Brasil, depois do carnaval. Então, vamos começar o ano! Eis o texto!

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“Como será o amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer? O meu destino será como Deus quiser”, diz um samba enredo de muitas eras atrás. A Astrologia busca responder a alguns destes questionamentos, não profetizando um destino pré-determinado, mas traçando as perspectivas e apontando as tendências para que possamos nos preparar e tirar o melhor proveito dos panoramas e contingências que se descortinam à nossa frente; para que possamos nos conscientizar, mudar de atitude quando for o caso, para ir ao encontro do que a vida demanda de nós.

Significadores

Então, quais são as tendências para 2016? O que nos espera? Como nos preparar? De modo geral, temos um ano bastante desafiador à frente, que exigirá de nós o máximo de nossa fé e resiliência. E para apontar as perspectivas deste ano, vamos analisar, separadamente, a regência do ano, que neste caso é do Sol; as atuais configurações dos planetas lentos de Júpiter a Plutão; o mapa de Ingressão do Sol em Áries, que é quando o ano astrológico se inicia; e os eclipses. A partir destes dados teremos uma visão mais clara da dinâmica do ano.

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2016 – Regido pelo Sol – um novo ciclo que começa

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Desconheço o autor – Reprodução

2016 é regido pelo Rei Sol, o Senhor e centro do nosso sistema. Uma vez que o Sol é o grande doador de luz e de calor para o planeta, já podemos dizer, de imediato, que teremos outro ano de muito calor e de temperaturas acima da média. Mas para além dessas obviedades, um ano regido pelo Sol é um ano para seguirmos nosso coração, com coragem, determinação e alegria; para ousarmos ser nós mesmos, com nossas cores mais verdadeiras, assumindo nossa identidade especial, ao invés de querer ser igual a todo mundo, em lugar de querer nos encaixar nas normas e regras que achatam a tudo e a todos. Um ano regido pelo Sol é um ano de vitalidade, visto que o Sol representa isso na Astrologia e isso ajuda sim, a diminuir a desesperança e o marasmo representados por Saturno-Netuno. É um ano de buscar nos expressar mais criativamente, favorecendo nossa singularidade e aquilo que temos de mais invulgar, portanto, o Sol também sugere que sejamos criativos, que busquemos realizar nossos potenciais verdadeiramente, que paremos de reclamar e de pensar “e se” para pensarmos em “quando”, para nos lançarmos em novos caminhos criativos que nos levem a manifestar nossas melhores qualidades. É um ano para focar em si mesmo e nos próprios objetivos pessoais, cuidando, é claro, de não resvalarmos no egoísmo puro e exacerbado.

Alex Grey - Reprodução
Alex Grey – Reprodução

O Sol, sendo o centro do nosso sistema, simboliza o centro da personalidade, o cerne da nossa consciência. Isso significa que 2016 é um ano para trabalharmos em direção a um aumento da consciência, tanto em termos individuais quanto coletivos. É possível que haja um despertar para nosso papel individual no plano maior das coisas; uma percepção maior de nosso papel de pequenas células no grande tecido da vida e do mundo como ele é. E, alcançando esse nível mais elevado de consciência e afinando-nos com as qualidades mais positivas do Sol talvez sejamos capazes de ser mais generosos. Pesquisas na área da Física Quântica têm demonstrado que sim, cada indivíduo influencia o todo e cada ação individual, por menor que seja, repercute no tecido de todo o sistema, portanto, não podemos nunca duvidar do poder da nossa ação consciente, quando ganhamos consciência, o todo se expande. Sendo o centro do sistema, um ano regido pelo Sol também significa o início de um novo ciclo. Como o Sol rege o signo de Leão, este ano favorece especialmente aos Leoninos.

Saturno e Netuno – O Ogro e o Louco

Muitos dos desafios de 2016 são simbolizados por uma quadratura que fica ativa durante praticamente todo o ano, entre Saturno e Netuno, dois planetas cujo ciclo simboliza grandes mudanças sociais e coletivas, especialmente nos âmbitos político, econômico e espiritual. Esta é uma quadratura minguante, a última de um ciclo que começou em 1989/90, portanto, seus temas reverberam dos acontecimentos que tomavam lugar naqueles anos. Você lembra o que estava acontecendo entre 1989 e 1990 em termos sociais e políticos? E na sua vida pessoal? Saturno representa todos os tipos de estruturas: políticas, econômicas, sociais, espirituais; representa o status quo, a tradição, o conservadorismo, os sistemas estabelecidos; representa  a necessidade de segurança, de ordem, de regras; Saturno representa ainda o princípio da realidade com todos os seus limites e barreiras, entre muitas outras coisas. Já Netuno simboliza a dissolução e fragmentação de tudo aquilo que Saturno defende: uma fragmentação literal e figurativa dos sistemas de poder econômico, político, social, espiritual; a desconstrução de tudo o que está posto, de forma insidiosa e quase imperceptível, mas definitiva e irrevogável.

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Enquanto Saturno representa a realidade, Netuno representa a ilusão e a fantasia, os escapismos vários que usamos para nos evadir da dureza da realidade, como álcool, drogas, religião, vícios em geral, visões fantasiosas; também representam mudanças significativas nas indústrias do cinema, da arte e da música. Assim, quando colocamos os dois juntos, percebemos que este é um ano de muitas desilusões, de nos defrontarmos com as ilusões que criamos ao longo dos últimos 25 anos, as mentiras nas quais resolvemos acreditar porque eram confortáveis. São dois planetas lentos e pesados e quando em aspecto tenso simbolizam um tempo pesado, de desesperança generalizada e depressão coletiva; o levantar dos véus que turvavam a visão da realidade tal qual ela é. Portanto, 2016 é um ano de se encarar a realidade e, se por um lado isso pode sim significar um ano pesado e sombrio, por outro, traz a promessa de vivermos com maior maturidade e responsabilidade, de pararmos de postergar os grandes problemas da humanidade, como as questões ambientais, para tomarmos providencias reais e efetivas no que tange a estes assuntos – é como diz aquela frase famosa, “o bom de se estar desiludido é que você está fora da ilusão e veio para a realidade” (Sri Sri Ravi Shankar). Este ciclo também está ligado à morte de figuras proeminentes nas indústrias do entretenimento, das artes e da música.

Quer saber em que casas do seu mapa natal esta configuração cai, quais áreas de vida são afetadas e qual a repercussão na sua vida pessoal? Agende uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com

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Yuymei – on Deviantart – Reprodução

Outro fator muito importante nesta equação é que Júpiter, que trafega o signo de Virgem de agosto de 2015 a setembro de 2016, estará em oposição ampla a Netuno em Peixes e em quadratura a Saturno em Sagitário por boa parte do ano, formando uma configuração de Cruz Mutável e adensando os temas já mencionados. Os ciclos de Júpiter e Saturno também são muito importantes coletivamente porque falam de mudanças expressivas na economia, períodos de picos ou de declínio econômicos; indicam grandes mudanças nas leis, na administração pública e nos governos em geral. Neste caso, com Júpiter em quadratura a Saturno – e esta também é uma quadratura minguante, de fechamento de ciclo –  seremos confrontados com a expansão irresponsável que temos empreendido nas últimas décadas e a tendência é de retração econômica e de recessão, além de um cenário político bastante conturbado e caótico, devido à influência de Netuno. Sensação geral de grande ressaca, depois de muitos excessos e exageros! Júpiter expande e multiplica tudo o que toca, então podemos prever dois cenários possíveis: negativamente, pode haver um aumento nessa sensação de desilusão e desesperança simbolizados por Saturno-Netuno, porém, por outro lado, Júpiter pode fazer o contraponto e manter acesa a nossa fé e otimismo diante das dificuldades, embora aqui seja necessário cautela para não resvalarmos na tentação de dourar a pílula e fingir que está tudo bem, quando na verdade não está. É preciso ter muita lucidez e pragmatismo para mantermos o equilíbrio emocional, financeiro e mental ao longo de todo o ano, cuidando para nem cairmos no desespero nem na histeria. A partir de setembro Júpiter ingressa em Libra, um signo Cardinal, trazendo maior dinamismo e resoluções, porém, outros desafios representados pelos aspectos que Júpiter fará a Urano e Plutão.

coostuffdirectoryPor falar neles, a quadratura Urano-Plutão que tem estado ativa desde 2010 e que embora não fique mais exata, ainda continua muito próxima em alguns períodos do ano, será ativada pelo trânsito de Júpiter em Libra. Isso sugere que as transformações profundas e radicais ainda estão nas pautas coletiva, social e individual. Esta configuração também simboliza mudanças drásticas em termos globais e sociais, rupturas, crises e necessidade de transformação nos paradigmas vigentes sociais, tecnológicos, políticos e éticos. Mudanças climáticas como consequência da ação humana também estão implicadas aqui.

Paciência, muita paciência

Borzui - Reprodução
Borzui – Reprodução

Marte ficará retrógrado de 17 de abril a 29 de junho, entre os signos de Sagitário e Escorpião, pedindo que tenhamos muita paciência e jogo de cintura neste período, trabalhando a gestão de conflitos e da agressividade. Isso é especialmente válido para os Arianos e Escorpianos, regidos por Marte e também para os Sagitarianos, por onde trafegará este planeta no ciclo retrógrado. Essa retrogradação de Marte é acompanhada pelas retrogradações também de Mercúrio em Touro, de Saturno em Sagitário, de Netuno em Peixes e de Plutão em Capricórnio, portanto, propensão maior a atrasos e entraves no dia a dia – boa parte do céu estará em marcha a ré, tornando este um dos períodos mais críticos do ano! Os outros dois períodos também bastante tensos são as temporadas de eclipses, que ocorrem neste ano nos meses de março e setembro. Falamos dos eclipses mais abaixo.

Ingressão do Sol em Áries

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Ingressão do Sol em Áries – 20 de março de 2016, 01h30min, Brasília-DF

O Sol ingressa em Áries no dia 20 de março, à 01h30min, no horário de Brasília (04h30min no horário de Lisboa). No mapa levantado para o Distrito Federal, algo que chama a atenção imediatamente é Plutão em conjunção ao Ascendente em Capricórnio, em quadratura a Urano, que está em conjunção exata ao fundo do Céu, a base que sustenta a nação. Isso sugere um ano de transformações profundas, inesperadas, radicais, que deverão sacudir não somente as bases deste país, mas também a forma como nos percebemos, nossa identidade como povo. Terremotos políticos, tsunamis econômicos poderão trazer muita instabilidade, mas também poderão trazer muitas verdades à tona, desenterrando defuntos velhos que estavam escondidos, segredos de estado, maracutaias muito bem escamoteadas a emergirem dos escombros, propiciando uma grande limpeza e purificação da alma coletiva. Uma demolição dos modelos vigentes até então para que uma reconstrução possa ocorrer. Essa configuração também traz a oportunidade de assumirmos nossa responsabilidade individual pela grande sombra do país, de percebermos nossos pequenos pecados pessoais como parte essencial da trama do grande tecido que é a alma da nação, a identidade do país. Realmente, este país precisa se reinventar completamente, empoderando-se em sua criatividade e admitindo sua tendência regressiva na busca por salvadores milagreiros; encarando seus podres sem disfarces, mas também sem complexo de vira-latas – só poderemos nos ver de modo mais realista, que é o que pede um Ascendente em Capricórnio, quando admitirmos nossa sombra e igualmente nossa luz.

Desconheço o autor - Reprodução
Desconheço o autor – Reprodução

O regente deste Ascendente, Saturno, está a 16° de Sagitário, como foco de uma T-Square mutável dupla, ao fazer, quadraturas a Júpiter em Virgem de um lado e a Netuno e Quíron em Peixes de outro – configuração da qual já falamos acima. Mais do que nunca é preciso confrontar a realidade, abrir mão das fantasias infantis de que alguém virá nos salvar e colocar o país nos eixos “finalmente”. Não, ninguém virá nos salvar, nós é que precisamos dar o salto de consciência e maturidade política e social de uma vez por todas. Democracias saudáveis pressupõe responsabilidade, civilidade, cidadania e não líderes populistas e demagogos que se arvoram de salvadores da pátria. Saturno, foco dessa configuração, está na casa 11 do mapa, a casa das instituições sociais e políticas, do serviço civil, assim como dos sonhos coletivos de longo prazo, as ambições e ideais do país. Saturno aqui implica, diretamente, a necessidade de reavaliarmos quais são estes sonhos e ideais, de pararmos de fantasiar e passarmos a planejar nossos sonhos, se queremos vê-los realizados. Sim, transformar sonhos em metas com cronogramas e prazos de execução. Júpiter, um dos braços da T-Square está no portal entre as casas 8 e 9, mas voltando para a casa 8, visto que está retrógrado, implicando que nossa expansão e crescimento passa, necessariamente, por encararmos nossos equívocos legislativos, por revermos nossas leis, muitas delas bonitas mas inefetivas e ineficazes e por reavaliarmos leis que nunca saem do papel e que só servem para causar suspiros de frustração. Netuno, o outro braço da T-Square, está no fim da casa 2, conjunto a Vênus, sugerindo cautela e cuidado na gestão dos bens, commodities e valores em geral do país – isto também vale para o plano individual de quem mora no Brasil. Há grande risco de termos nosso patrimônio vendido a preço de banana de novo, porque “o que é meu é nosso”, mas o problema é que para o outro, o que é dele é só dele mesmo. Risco também de nos endividarmos mais ainda, individual e coletivamente, levados por fantasias e ilusões de que “as coisas vão melhorar”, o que usamos de forma irresponsável para justificar gastos e desmandos, especialmente porque Vênus e Netuno estão ambos em oposição a Júpiter na casa 8, a casa dos empréstimos, a casa do “dinheiro dos outros”, avisando que este NÃO é um ano favorável para se contrair empréstimos, nem em nível individual – a não ser que o mapa pessoal do sujeito diga o contrário – nem em termos de nação, portanto, não é uma boa hora para passar o chapéu e pedir ajuda porque o custo lá na frente pode ser alto demais  – por isso, cuidado, muito cuidado! Quem se vir obrigado a contrair empréstimos ou dívidas, faz bem em ler todas as minúncias e letras pequenas dos contratos assinados. É preciso muita sobriedade, muito pé no chão para se conseguir algum crescimento. Em suma, enquanto não despertarmos para o que somos como país, para nossos problemas reais e para nosso quinhão de responsabilidade pessoal nisso tudo, não transformaremos nada, continuaremos a chapinhar no lamaçal de relamações contra políticos, instituições, governos, partidos, impostos, etc. Em vão.

Christopher Ulrich - Reprodução
Christopher Ulrich – Reprodução

Este mapa tem uma formação de Locomotiva, liderada pela Lua em Leão. O povo é soberano e é a mola e o motor da mudança. É o povo que vai determinar o ritmo da transformação e precisará achar maneiras de inovar, de transformar, de progredir, de implementar o novo, sem destruir aquilo que ainda serve, que ainda é útil, que ainda funciona – aliás, um dos grande problemas dos governos no Brasil é desmantelar os programas do governo anterior, independentemente de terem funcionado ou não. Temos a oportunidade de agregar e conciliar o velho e o novo, visto que a Lua forma um Grande Trígono de Fogo com Saturno em Sagitário (o Velho) e Urano em Áries (O Novo). Mortalidade feminina e especialmente relacionada à reprodução será assunto de destaque neste ano, uma vez que a casa 8 rege a morte e a Lua rege as mulheres, além de reger o povo. É possível que haja aumento nas estatísticas de morte feminina, inclusive por problemas cardíacos – mulheres, cuidem-se!

Saturno ganha mais destaque ainda por estar no Ponto Médio (orbe de 4°44’ graus) entre o Sol (o país e seu presidente) e a Lua (o povo), indicando que todos precisamos ser realistas, povo e governo e que é preciso chegarmos a um consenso a respeito do que é possível e do que não é, com honestidade e lisura. Tanto o povo (Lua) quanto a presidente (o Sol) precisam ser realistas, responsáveis, corretos, disciplinados e maduros quanto aos ideais e sua consequente concretização. É isso ou o povo vai para um lado e o país para outro – caos generalizado.

Pawel Kuczynski - Reprodução
Pawel Kuczynski – Reprodução

O Sol, ponto central deste mapa – afinal é o mapa da  sua ingressão – está na casa 3, a casa das comunicações e telecomunicações, correios, do comércio, dos transportes, das estradas e rodovias, escolas, educação, liberdade de expressão, pronunciamentos oficiais e países vizinhos. Este Sol está um tanto isolado e faz apenas um trígono aplicativo a Marte em Sagitário, na casa 11 enquanto aguarda a conjunção de Mercúrio, que ainda está em Peixes. Isso sugere uma continuidade na dificuldade de comunicação entre a Presidente e seu povo. Ela consegue dialogar com alguns setores do governo, mas de modo geral segue bastante isolada. A imprensa continua tendo papel fundamental na ordem do dia, ditando o que é e o que não  é importante, talvez brilhando mais que a própria presidente. De toda forma, as comunicações e a educação ganham papel de destaque neste ano, assim como a importância da eficiência logística (rodovias, ferrovias, vias marítimas e aéreas) para o crescimento da economia e aqui há dois cenários possíveis: reestruturação da malha logística e do sistema educacional ou surgimento de greves diversas nestes setores mencionados. Contudo, mais uma vez Mercúrio está em Peixes, enquadrado por Quíron e pelo Sol. Mercúrio em Peixes é geralmente confuso na comunicação e tende a confundir alhos com bugalhos, somando-se à presença de Quíron, temos mais um ano em que a imprensa e a mídia deitam e rolam contando e divulgando apenas o que é do seu interesse – em muitas situações, contando mentiras deslavadas, com o intuito primeiro de confundir e enganar a opinião pública. Tsunamis de informações inúteis que desinformam ao invés de informar – um verdadeiro desserviço ao público.

Eclipses

Eclipses de Março

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O eixo nodal trafega de trás para frente e atualmente transita a polaridade Virgem (Nodo Norte) e Peixes (Nodo Sul). Assim, os eclipses neste ano caem primordialmente neste eixo de signos, com um eclipse lunar acontecendo ainda em Libra, o eixo anterior. Anualmente temos duas temporadas de eclipses. A primeira temporada neste ano é inaugurada por um Eclipse Total do Sol acontecendo a 18°56’ de Peixes, às 23h54min do dia oito de março (01h56min do dia nove no horário de Lisboa). Os eclipses não são eventos isolados. Eles pertencem a famílias, chamadas Séries Saros, que compreendem mais de 70 eventos, durando muitos séculos, milhares de anos. Estas famílias têm sua dinâmica própria e têm um mapa natal, o mapa do primeiro eclipse da família em questão, a partir do qual interpretamos quais os temas centrais de cada série. Eu escrevi um artigo bastante extenso e exclusivo sobre a dinâmica e a natureza dos eclipses. Você pode ler este artigo aqui. Este eclipse de oito de março pertence à Série Saros 130, uma família que começou em 20 de agosto de 1096 e, de acordo com a Dra. Bernadette Brady, astróloga inglesa estudiosa de eclipses, esta série fala de finalizações, conclusões e separações. Indivíduos com planetas entre os graus 13 e 24 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentirão mais fortemente estas influências. No mapa do eclipse atual, Sol e Lua estão em conjunção próxima a Quíron em Peixes, em oposição a Júpiter em Virgem e quadratura a Saturno, apontando muitas desilusões e verdades duras e difíceis de serem digeridas, mas ao mesmo o potencial de nos curarmos da tendência ao auto-engano. Este eclipse cai em oposição ao Ponto Médio entre o Sol e o Mercúrio natais do mapa da independência do Brasil, na casa 7, implicando possíveis imbróglios diplomáticos ou saias justas delicadas, que exigirão muita cautela na condução de sua elucidação. Caindo em oposição ao Sol natal do mapa do Brasil, tem implicâncias diretas sobre a presidente. O Sol é eclipsado, indicando diminuição de sua potência, vitalidade e visibilidade, em outras palavras, um possível enfraquecimento. Este eclipse não será visível no Brasil, apenas em partes da Austrália e Sudoeste da Ásia.

Tim Lukerman
Tim Lukerman

O Eclipse Total do Sol é seguido de um Eclipse Penumbral da Lua a 03°17’ de Libra, no dia 23 de março, que pertence à Série Saros 142, iniciada em 19 de setembro de 1709. Neste mapa do primeiro eclipse, ocorrido em 1709, a Lua Cheia faz quincunces a uma conjunção Urano-Plutão em Leão, sugerindo grande instabilidade e insegurança causada por inquietude social e mudanças coletivas. Há também uma conjunção Sol-Mercúrio, com Mercúrio fazendo quincunce exato a Netuno em Áries, indicando problemas na comunicação, engôdos e incertezas. No mesmo mapa Vênus e Marte estão em conjunção em Libra, em oposição a Netuno e todos em quadratura a Quíron em Capricórnio: incertezas e instabilidade também na economia. Pessoas com planetas entre os graus zero e 8 dos signos Cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) sentem mais intensamente as influências deste eclipse lunar, que será visível apenas no Pacífico, em partes da Ásia e no Oeste das Américas.

Eclipses de setembro

ULC by yd84 - Reprodução
ULC by yd84 – Reprodução

A segunda temporada de eclipses do ano começa com o Eclipse Anular do Sol em 1° de setembro, a 09°21’ de Virgem. Este eclipse vem novamente ativar a quadratura Saturno-Netuno, pois ocorre em oposição de pouco mais de um grau a Netuno e os três, Sol, Lua e Netuno em quadratura a Saturno a 10 de Sagitário, com a adição de Marte em conjunção a Saturno, ambos focos da T-Square. Mais enfrentamentos duros da realidade, com desdobramentos políticos, civis, econômicos e também religiosos. A Dra. Brady, falando sobre esta Série de eclipses fala exatamente sobre isso, que “esta série trata de realismo, de botar os pés na terra. O indivíduo se torna consciente de uma situação antiga, percebendo-a como ela de fato é, em oposição ao que ele achava que era previamente.  Pode ser um período construtivo de encarar e lidar com a realidade”. Este é o potencial, se é difícil e amargo este remédio, ele contudo traz a cura: o fim das ilusões. Este eclipse cai mais uma vez no eixo das casas 1/7 do mapa natal do Brasil, com Saturno na casa 10, indicando que nossa imagem no mundo lá fora também pode ficar meio arranhada, o mundo vendo quem realmente somos, tanto para o pior quanto para o melhor. Pessoas com planetas natais entre os graus 04 e 14 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentem mais intensamente a potência deste eclipse, que será visível em partes da África, especialmente África Central e no Oceano Índico.

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Kris Kuksi – Reprodução

No dia 16 de setembro temos o último eclipse do ano, um Eclipse Penumbral da Lua, ocorrendo a 24°20’ de Peixes. Diferentemente dos anteriores, este eclipse não envolve Saturno-Netuno, apesar de ocorrer em Peixes. Mas forma uma T-Square, da qual Marte é novamente o foco, a 23 de Sagitário. Isso indica que questões legais, legislativas e espirituais serão o foco do período – manifestações apaixonadas de fé, fanatismo religioso, com verdadeiros “cruzados” modernos saindo às ruas dispostos a atos violentos para defender sua fé e isso é algo que vale para todo o mundo, não somente para o Brasil – aliás, as implicações dos eclipses são globais e o que vale para o Brasil é apenas a interpretação dos aspectos que faz aos planetas natais do mapa do país. Por falar nisso, o eclipse cai em oposição exata ao Mercúrio natal do Brasil, implicando novamente questões delicadas nas comunicações e na diplomacia. Antagonismos, beligerâncias, vitimismos e até mesmo explosões de violência são passíveis de acontecer. Este eclipse pertence à Série Saros 147, iniciada a dois de julho de 1890. No mapa de início da Série 147, Sol e Lua formam um dueto, quer dizer, só interagem um com outro e não conversam com mais ninguém no mapa, indicando extremismo e tendência a se perceber as coisas sob pontos de vistas unilaterais, o que dificulta a conciliação e as negociações. O eclipse será visível no Leste da África e da Europa, em toda a Ásia e parte da Austrália. Será parcialmente visível na costa do Sudeste e do Nordeste do Brasil.

Quais as repercussões destes eclipses na sua vida pessoal? Quais áreas de vida são afetadas? Que desafios e oportunidades eles trazem para você? Descubra agendando uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com

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Então, já me perguntaram, afinal, 2016 está pior ou melhor do 2015? Eu diria nem pior e nem melhor, está diferente. 2014 e 2015 foram anos mais dinâmicos, dinamismo esse simbolizado pela quadratura Urano-Plutão em Áries e Capricórnio, dois signos cardinais, de ação e resolução. Então foram dois anos de muitas crises, mas também de decisões, de ação e de desenvoltura. Já 2016 é um ano de uma quadratura Saturno-Netuno, que traz sensação de confusão, falta de direção, falta de foco e muita letargia e apatia, então, pode ser sentido como mais difícil e mais pesado, porque temos a sensação de que tudo é muito lento e cansativo e temos dificuldade de divisar os resultados, que só ficarão mais claros bem mais à frente. Por outro lado, o fato de a quadratura Urano-Plutão já estar se desfazendo, diminui a pressão e a intensidade das coisas.

Concluindo, 2016 tende a ser um ano pesado, mas que traz muitas oportunidades de amadurecermos como pessoas, como nação e como espécie habitante deste planeta – o planeta certamente se fará ouvir de forma estridente. Ao mesmo tempo em que há este clima de desesperança, confusão e perda de rumo, também há a chance de vivermos de forma mais coerente com nossos recursos, mais alinhados com nossa fé – perseverar na fé é um desafio. Chamados seremos a separar o joio do trigo e a fantasia de sonho e a empreender os esforços necessários para tornar estes últimos realidade. Sem oba-oba, com os pés bem firmes no chão.  É um ano de ganharmos mais consciência, de nos responsabilizarmos por tudo o que emanamos no mundo, pelas nossas atitudes concretas e também pela nossa vibração, que certamente faz toda a diferença. É tempo de agirmos mais criativamente, a partir do coração e do centro da nossa coragem!

Quer saber quais os desafios e oportunidades de 2016 para você, especificamente? Agende uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com

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Saatchiart – Reprodução

Abaixo segue um calendário com os eventos astrológicos mais importantes de 2016:

Datas e ciclos importantes:

Janeiro, 5 a 26 – Mercúrio retrógrado de 01° de Aquário a 14° de Capricórnio

Janeiro – todo o mês – conjunção de Júpiter ao Nodo Norte da Lua em Virgem

Fevereiro, 23 – Júpiter retrógrado em Virgem faz oposição a Quíron em Peixes

Março, 6 – Júpiter Rx em quincunce a Urano

Março, 8 – Eclipse total do Sol a 18° de Peixes

Março, 16 – Júpiter Retrógrado em trígono a Plutão

Março, 20 – Ingressão do sol em Áries – Equinócio do Outono no Hemisfério Sul e da Primavera no Hemisfério Norte – Ano Novo Astrológico

Março, 23 – Eclipse Penumbral da Lua a 03° de Libra

Março, 23 – Júpiter Rx faz quadratura exata a Saturno

Março, 25 – Saturno entra em retrogradação

Abril, 17 – Marte entra em retrogradação a 8° de Sagitário

Abril, 18 – Plutão entra em retrogradação a 17° de Capricórnio

Abril, 28 – Mercúrio entra em retrogradação a 23° de Touro – Haja paciência! Messsssmo!

Maio, 9 – Júpiter retorna ao movimento direto a  13°15 de Virgem

Maio, 22 – Mercúrio retornar ao movimento direto a 14° de Touro

Maio, 26 – Júpiter, direto, faz quadratura exata a Saturno

Junho, 13 – Netuno entra em movimento retrógrado

Junho, 18 – Saturno, retrógrado, faz quadratura exata a Netuno

Junho, 20 – Ingressão do sol em Câncer – Solstício de Inverso no Hemisfério Sul e de Verão no Norte

Junho, 26 – Júpiter, direto, faz trígono exato a Plutão

Junho, 29 – Marte volta ao movimento direto a 23° de Escorpião

Julho, 29 – Urano entra em movimento retrógrado a 24° de Áries

Agosto, 12 – Júpiter, direto, faz oposição a Quíron

Agosto, 13 – Júpiter faz quincunce exato a Urano

Agosto, 13 – Saturno retorna ao movimento direto a 09° de Sagitário – o primeiro decanato de Sagitário está livre de Saturno a partir de outubro

Agosto, 30 – Mercúrio entra em retrogradação a 29° de Virgem

Setembro, 1° – Eclipse Anular do Sol a 09° de Virgem

Setembro, 09 – Júpiter ingressa em Libra, às 08h19min no horário de Brasília

Setembro, 10 – Terceira e última quadratura exata de Saturno a Netuno

Setembro, 16 – Eclipse Penumbral da Lua a 24° de Peixes

Setembro, 22 – Mercúrio volta ao movimento direto a 14° de Virgem – em cima do Sol Natal do Brasil

Setembro, 22 – Ingressão do Sol em Libra – Equinócio da Primavera no Hemisfério Sul e do Outono no Hemisfério Norte

Setembro, 26 – Plutão retornar ao movimento direto a 14° de Capricórnio

Outubro, 23 – Júpiter em Libra faz quincunce a Netuno em Peixes

Novembro, 10 – Saturno faz semi-sextil a Plutão

Novembro, 20 – Netuno retorna ao movimento direto a 14° de Peixes

Novembro, 24 – Júpiter em Libra faz quadratura exata a Plutão

Dezembro, 19 – Mercúrio entra em retrogradação a 15° de Capricórnio

Dezembro, 21 – O Sol ingressa em Capricórnio – Solstício de Verão no Hemisfério Sul e de Inverno no Hemisfério Norte

Dezembro, 25 – Saturno faz trígono exato a Urano

Dezembro, 26 – Júpiter faz oposição a Urano

Dezembro, 29 – Urano retorna ao movimento direto.

As 12 Noites Sagradas – LEÃO e a Busca pelo Pai Espiritual

leo (1)Hoje é o Dia de Leão na Jornada das 12 Noites Sagradas (Se você não sabe o que são As 12 Noites Sagradas, clique aqui)

Edna Andrade fala sobre a noite dedicada a Leão: “As forças de Leão configuraram o coração humano e os dirigentes da Antiguidade e os reis da Idade Média associavam sua realeza com este signo, que era relacionado com a coragem e a prontidão de realizar no exterior o que é determinado a partir de dentro: da voz do coração.

Na oitava Noite Santa, a partir do portal do Leão, recebemos os impulsos de entusiasmo e coragem para enfrentar as provas que o destino nos traz. Nesta noite, abandone o medo dos desafios que você tem pela frente. Da região de Leão, os Tronos, Espíritos da Vontade, lhe trazem poderosas forças para vencer as provas que as suas escolhas lhe trazem.”  (1)

Como todo signo de FOGO, Leão é CONFIANTE, Carismático, DRAMÁTICO, Vivaz, Entusiasmado, INTUITIVO e cheio de fé na vida. Ele é Fogo FIXO. Masculino, Positivo, Ativo, Yang.

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De um livro medieval de Astrologia – Wikimedia Commons

LEALDADE, MAGNANIMIDADE, GENEROSIDADE e calor são algumas das principais qualidades do Leonino. Romântico e idealista chega mesmo a ser inocente. Às vezes. Outra de suas principais habilidades é perceber e valorizar o potencial que há no outro, além de INSPIRAR CONFIANÇA, sendo ele mesmo muito CONFIANTE. Quando fora de equilíbrio essa confiança pode tornar-se ARROGÂNCIA e ao invés de confiante ele torna-se INSEGURO e busca compulsivamente ser o centro das atenções – mas só quando em desequilíbrio! Às vezes ele pode mesmo ser vítima do “complexo do impostor”, tamanha a insegurança e segue temendo “ser descoberto” a qualquer momento.

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Pintura Liūtas – Leão

Regente do CORAÇÃO, de modo geral tudo a que o Leonino se aplica é de CORAÇÃO, não faz nada pela metade. HONRA, INTEGRIDADE e HONESTIDADE são também importantes aqui, porém é preciso vigiar para combater o vício do ORGULHO e da Vaidade. DRAMA é outra característica forte e é comum encontrar os leoninos balançando suas jubas no mundo da atuação, seja no teatro, no cinema ou na TV. Ele precisa do palco, dos holofotes, da atenção e dos aplausos do público. Ele é ESPECIAL e único. Precisa de brilho e glamour. Teatral, adora também o Romance.

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Reprodução

Leão é o regente da Casa Cinco da Mandala Astrológica, a casa das crianças, dos filhos, da criatividade, dos talentos artísticos, da diversão, do prazer, dos hobbies, do flerte, do namoro e do sexo sem compromisso, do relaxamento e também dos jogos e especulações. Assim, Leão está muito associado à idéia da diversão e da alegria, àquilo que a gente faz por prazer e não por obrigação. Especialmente, Leão nos fala da criança que há em nós, aquela parte de nós que nunca cresce, que é espontânea, inocente, feliz e confiante na vida.

 

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Reprodução

A principal criação de Leão é tornar-se ele mesmo. Clare Martin diz que “Leão vive uma jornada mítica, cujo objetivo é “crescer em direção à realização e expressão da autenticidade pessoal, integridade e autoridade, que não seja dependente da opinião dos outros” (2). Liz Greene afirma algo parecido: “Leão parece descrever o desenvolvimento da essência única individual e sua busca pela fonte”. (os parágrafos seguintes configuram um resumo da mitologia do signo de Leão, como aparece em seu livro A Astrologia do Destino, que coloco em itálico para enfatizar a fonte e o crédito de Liz Greene). Ela discorda da ideia generalizada de que Leão seja um signo fortemente criativo, e nos lembra que há muito mais geminianos, cancerianos e piscianos nas artes em geral. “Eu sinto que a grande criação do Leão é ser ele mesmo”, diz Greene.

Leo by Richard Kuöhl at school building Bogenstraße 34, 36 in Hamburg.
Leo by Richard Kuöhl, no prédio da Escola Bogenstraße em Hamburgo – Wikimedia Commons

Assim como Capricórnio, Áries e Sagitário, o tema principal do Leão gira em torno da figura do Pai. Em cada um desses signos encontramos uma faceta diferente do pai: em Áries ele é o Pai Terrível e usurpador do poder do filho; em Sagitário ele é o Pai celestial; em Capricórnio ele é o Pai Ogro travestido de realidade e sacrifício. E em Leão ele é o pai doente, impotente, comandando um reino devastado e à espera de que o filho venha redimi-lo.

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Hércules lutando com o Leão de Nemeia – Reprodução

A figura do Leão como rei dos animais e das selvas é um tema universal. Nas mitologias babilônica e egípcia ele já era bastante conhecido, sendo cultuado como Sekhmet, uma deusa solar. Na mitologia grega ele aparece numa das tarefas de Hércules, a que ele tem matar o Leão de Nemeia. Ele teria que matar o animal sem nenhuma arma, somente com as próprias mãos, um animal que era praticamente invulnerável. Mesmo assim, Hércules conseguiu matá-lo pegando-o pela garganta e estrangulando-o. Depois disso ele transformou sua pele e cabeça num traje que usaria para sempre, simbolizando que tinha assumido os poderes e qualidades associados ao leão. Liz Greene lembra que a batalha entre homem e animal é um motivo arquetípico universal dos mais antigos e simboliza a luta do ego em desenvolvimento com os instintos, que devem ser domados para que ele se torne de fato, um indivíduo, e não um número na massa inconsciente.

O leão aparece em várias estórias e mitos, acompanhando deuses e deusas diversos. Ele aparece também na mitologia, em diversas fases da Opus alquímica, como a Calcinatio, por exemplo, em que é necessário cortar-se as patas do leão para se domar os desejos.

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O Leão alquímico com as Patas Cortadas – Reprdoução

Existe também a figura do leão verde devorando o Sol, simbolizando a experiência da consciência que é esmagada e engolida pelos desejos violentos e frustrados. Porque o leão deseja, deseja muito! Sobre o Leão alquímico Jung diz: “na alquimia, o leão, a besta real, é um sinônimo pra Mercúrio, ou, para ser mais acurado, para um estágio de transformação. Ele é a forma de sangue quente do monstro predador e devorador que aparece primeiro como o dragão… Isso é precisamente o que leão destina-se a expressar – a emotividade apaixonada que precede o reconhecimento dos conteúdos inconscientes”.

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O Leão Verde Alquímico – Reprodução
Belarus and the global community. Commemorative coins Leў
Moeda Comemorativa de Leão cunhada em Belarus – Reprodução

Liz Greene lembra que as criaturas de água são criaturas de sangue frio: o caranguejo, o escorpião, o peixe. Já o leão tem sangue quente e está associado a um erotismo inequívoco, a concupiscência e orgulho, assim como a impulsos agressivos, sejam eles saudáveis ou destrutivos. Porém, se não é possível domar um caranguejo ou escorpião, certamente o leão é domável e desde a antiguidade eram mantidos em palácios como companhias e bestas reais. O simbolismo disso é que o rei deveria ser capaz de lutar com suas paixões, pois “o homem que não consegue conter seus impulsos fogosos, não pode governar a outros, nem servir como exemplo para eles”. Assim, o leão representa um estágio do processo de individuação, pois há um trabalho alquímico a ser feito. O leão tem que se transformar da forma bestial original em algo mais, tem que aprender a domar seus instintos. Este processo pode ser bastante doloroso para o leão “cujo coração de criança é profundamente ferido pela reação dos companheiros a seus excessos. Ele teve ‘a melhor das intenções’, mas parece que os outros não apreciam. Mais freqüentemente eles ficam mesmo zangados”. Assim, ele está destinado a seguir numa busca pelo auto-entendimento. E esse é o tema principal da estória mais fortemente associada a leão, que é a Lenda de Parsival e o Graal.

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Parsival era um jovem meio tolo, mas muito entusiasmado. Ele não conheceu seu pai. Foi criado somente pela mãe numa floresta longe de qualquer cidade ou comunidade – esse inicio de vida sem a figura do pai é algo comum no padrão de Leão. Um dia aparecem cinco cavaleiros na floresta onde ele mora e parsival fica tão fascinado e encantado que decide se tornar cavaleiro também. Sua mãe não gostou nada da idéia, mas ele não quis saber, foi grosseiro com ela e foi embora sem nem dizer adeus. Ela morreu em seguida de tanta dor e pesar – o Leão é mesmo meio grosseiro e tolo no início da vida. No caminho apareceu um cavaleiro vermelho, com quem ele lutou sem motivo e a quem matou, usando depois sua rmadura – o vermelho, diz Liz, é uma associação imediata à passionalidade do Leão. Ele andou, andou e por fim chegou ao fim da estrada, que acabava num rio. Ele viu um pescador que o ensinou o caminho para o castelo do Graal. De repente, o castelo apareceu, do nada, materializando-se diante de seus olhos e deixando-o estupefato. O portão estava aberto, porque, misteriosamente, ele era esperado pelo Rei-Pescador doente. O rei estava doente, na coxa ou na virilha, simbolizando a impotência e incapacidade de procriar porque é sua masculinidade que está ferida. Uma visão então apareceu para Parsival, uma espada, uma lança que pingava sangue, uma donzela que trazia o Graal de ouro e incrustrado de pedras preciosas, e uma outra donzela carregando um prato de prata. Esses quatro objetos sagrados estão relacionados aos naipes do Tarô: Espadas, Paus, Copas e Ouros. Lembram ainda também a quaternidade, que simboliza a inteireza do Self.

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Parsival em busca do Graal – Reprodução

Parsival viu esses objetos passarem diante dele, numa cerimônia solene, mas não disse nada, Ele se recolheu para dormir e viu que o castelo estava deserto. Ao sair, uma outra mulher lhe disse que ele tinha acabado de falhar terrivelmente. Ele deveria ter perguntado: “A quem serve o Graal?” para que o rei fosse curado e o reino restaurado. Ele foi apresentado ao seu destino pela primeira vez, e falhou. Assim, vagou e vagou muitos anos e só encontrou o castelo novamente depois de ter conseguido a necessária maturidade e compaixão. Ele não era capaz de sentir ou de sofrer e isso fica claro pela forma como abandonou sua mãe sem pensar duas vezes e por ter matado o cavaleiro vermelho sem motivo.

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Parsival – Chrétien de Troyes – Wikimedia Commons

Jung diz que “sua real ofensa está na primitiva falta de ambiguidade do seu comportamento, que surge da inconsciência do problema interior dos opostos. Não foi o que ele fez, mas o fato de ele ser incapaz de avaliar o que fez”. Essa inocência desajeitada é parte do Leão jovem, como o fato de não ter pai. E parece que o Destino, diz Liz, apresenta a visão do Graal antes que ele esteja pronto para entendê-lo. O que quer que o Graal seja, sucesso pessoal, o destino espiritual, parece aparecer para Leão sem esforço, através da intuição, que é um dos atributos do Fogo.

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Guido Bonatti – Liber Astronomiae

Muito tempo se passa e Parsival segue seu caminho. Depois de muito andar pela vida, já mais maduro, ele novamente encontra o castelo e toda a experiência se repete. Então ele é capaz de fazer o seu papel e fazer a pergunta, que quer dizer, na verdade uma pergunta básica que se faz diante das coisas importantes; “o que significa tudo isso?” Tão logo ele pergunta, o rei é curado e ele descobre que ele é na verdade seu avô, ou, em outras versões, seu próprio pai. O reino é restaurado e Parsival se torna então o rei.

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Leão no Zodíaco Islâmico

O mito do Graal fala da busca pelo pai. A principio, na vida do Leão, parece a busca pelo pai biológico, mas depois fica evidente que é algo mais, que a busca é pelo Pai Espiritual, em ultima análise, uma busca pelo Si Mesmo, o mais profundo valor da vida. Obviamente Leão não é o único signo que busca individuação, já que parte do desenvolvimento do ser humano, mas esse mito parece mostrar um padrão misterioso da vida de Leão. Leão, como Capricórnio e Áries geralmente vivencia uma decepção com o pai, que é impotente de alguma forma. Mas ele precisa descobrir e buscar o castelo do Graal, para redimir não só ao pai pessoal, mas a si mesmo.

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Leão – Salvador Dali – Reprodução

Leão é regido pelo Sol, e não podemos deixar de falar do deus Apolo, o deus  solar por excelência. Apolo era um deus das profecias e o Oráculo de Delfos, dedicado a ele e centrado em seu templo, era procurado por todos que queriam colocar questões aos deuses. No pórtico do templo se lia “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Apolo na verdade conseguiu seus poderes proféticos e curadores ao vencer a serpente Pyton e submetê-la à consciência solar e ao Ego. Os poderes ctônicos e primitivos da Grande Mãe utilizados pela consciência solar.

Engraving depicting the Greek god Apollo as personification of good government. In the top right corner the zodiac sign Leo. From the series The seven planets.
Gravação mostrando o Deus Apolo como personificação do bom governo – No canto superior esquerdo há o símbolo do signo de Leão, regido pelo Sol. Da série Os Sete Planetas
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O Sol – Regente de Leão – Maria Eunice Sousa

A vida é polaridade, e o oposto complementar de LEÃO é AQUÁRIO. Enquanto Leão é o Rei, Aquário é o Reino. Leão nos mostra onde somos especiais e únicos, Aquário nos diz que somos comuns e iguais a todo mundo. É necessário integrar essa polaridade e perceber que “todos somos especiais E iguais” diz Frank Clifford (4).

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Leão nos vitrais da Catedral de Chartes – França

Também fazem parte da SOMBRA de Leão a síndrome de “Eu, o Rei”, quando ele torna-se insensível e egoísta e acha que os outros são extensões dele mesmo; a síndrome do “Eu sei o que é melhor para você”, quando ele, com a melhor das intenções, se torna intrometido dizendo-lhe o que fazer com sua vida, mesmo que você não tenha perguntado, nem pedido seus conselhos; e ainda a síndrome do “Sabe-Tudo”: ele é um rei, como um rei pode não saber alguma coisa? É difícil para Leão admitir que não sabe ou não consegue fazer alguma coisa. Isso o torna pedante, um chato, às vezes.

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Leão – Painel de mármore adornando um lado da Linha Solar Meridiana da Basílica de Santa Maria dos Anjos e do martírio, em Roma – Francesco Bianchini

O que fazer com esta sombra? Primeiro, “estar consciente de si mesmo e de suas possíveis falhas; segundo, estar consciente da existência e das necessidades dos outros, dando-se conta do impacto do seu comportamento nas outras pessoas, permitindo que elas sejam independentes e dando-lhes seu devido crédito” (Liz Greene) ( E não menos importante, Leão precisa investir tempo e esforço em sua própria expressão criativa, para que não fique com inveja e tente roubar o brilho dos outros.

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Leão – Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender – wikimedia Commons

Arquétipos e Mitos

O Rei; O Pai impotente; A Jornada do Herói em Busca de Si Mesmo; Parsival e o Graal;  O Rei Artur e a Távola Redonda; O Rei Doente e a Terra Devastada; A Criança Divina; O Banqueiro; O Líder

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Leão – Johfra Bosschart – Reprodução

Meditação de Leão

Deite-se ou sente-se de forma confortável. Respire profundamente várias vezes até relaxar completamente. Visualize agora que está num jardim bonito e bem cuidado. É um dia de verão e o Sol é cálido na sua pele. No centro do jardim há uma árvore, enorme e frondosa. De um de seus galhos pendem dois balanços. Num dos balanços há uma criança, se balançando feliz. Aproxime-se. Chegue mais perto. Observe a criança. Perceba que ela é você, é você quando criança. Converse com ela. Como ela está? Qual sua aparência? Está triste? Feliz? Zangada? Carente? Qual seu sentimento? Escute-a, ouça o que ela tem a lhe dizer, com calma e atentamente. Se ela precisar de colo, dê-lhe colo. Embale-a nos seus braços. Pergunte o que ela gostaria de lhe dizer a esta altura da vida. Pergunte que sonhos ela tem. Pergunte se ela precisa de alguma coisa ou o que você pode fazer por ela. Então, quando perceber que está tudo bem e que tudo foi dito, sente-se no outro balanço e comece a se balançar, você em um e a sua criança no outro. Sinta o vento, a euforia, a alegria. Divirta-se junto com a sua criança. Ria, ria muito! Esqueça todas as suas preocupações e apenas seja, apenas divirta-se no balanço vigoroso, dando impulsos cada vez mais altos. Sinta-se inebriar com essa sensação e quando estiver pronto, volte para seu quarto e para o momento presente. Abra os olhos e pinte, dance, escreva… Faça o que tiver vontade. E nunca esqueça da sua criança!

Beham, (Hans) Sebald 1500-1550 - Sol, from The Seven Planets with the Signs of the Zodiac, 1539 Bartsch 117 - Pauli, Holl. 119, second state of five.
Hans Sebald Beham (1500-1550): o Sol, de Os Sete Planetas com os Signos do Zodíaco, 1539 (Bartsch 117; Pauli, Holl. 119). wikimedia Commons

Música para Leão:

 

 

Fontes:

(1) Edna Andrade – FEstas Cristãs

(2) Mapping the Psyche – Clare Martin

(3) A Astrologia do Destino – Liz Greene

(4) Getting to the Heart of your Chart – Frank Clifford

(5) Astrology for Lovers – Liz Greene

The Astrologer’s handbook – sue Tompkins

 

LEÃO: a busca por si mesmo e pelo Pai Espiritual

leo (1)O Fogo e a a Triplicidade do Espírito: LEÃO

Como todo signo de FOGO, Leão é CONFIANTE, Carismático, DRAMÁTICO, Vivaz, Entusiasmado, INTUITIVO e cheio de fé na vida. Ele é Fogo FIXO. Masculino, Positivo, Ativo. O símbolo remete à cauda do Leão, ou mesmo à sua grande juba, característica do Rei das Selvas e dos animais.

LEALDADE, MAGNÂNIMIDADE, GENEROSIDADE e calor são algumas das principais qualidades de Leão. Romântico e idealista chega mesmo a ser inocente. Às vezes. Outra de suas principais habilidades é perceber e valorizar o potencial que há no outro, além de INSPIRAR CONFIANÇA, sendo ele mesmo muito CONFIANTE. Quando fora de equilíbrio essa confiança pode tornar-se ARROGÂNCIA e ao invés de confiante ele torna-se INSEGURO e busca compulsivamente ser o centro das atenções – mas só quando em desequilíbrio! Às vezes ele pode mesmo ser vítima do “complexo do impostor”, tamanha a insegurança e segue temendo “ser descoberto” a qualquer momento.

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Iconografia Medieval – Reprodução

Regente do CORAÇÃO, de modo geral tudo a que o Leonino se aplica é de CORAÇÃO, não faz nada pela metade. HONRA, INTEGRIDADE e HONESTIDADE são também importantes aqui, porém é preciso vigiar para combater o vício do ORGULHO e da Vaidade. DRAMA é outra característica forte e é comum encontrar os leoninos balançando suas jubas no mundo da atuação, seja no teatro, no cinema ou na TV. Ele precisa do palco, dos holofotes, da atenção e dos aplausos do público. Ele é ESPECIAL e único. Precisa de brilho e glamour. Teatral, adora também o Romance.

leo playing
Reprodução

Leão é o regente da Casa Cinco da Mandala Astrológica, a casa das crianças, dos filhos, da criatividade, dos talentos artísticos, da diversão, do prazer, dos hobbies, do flerte, do namoro e do sexo sem compromisso, do relaxamento e também dos jogos e especulações. Assim, Leão está muito associado à idéia da diversão e da alegria, àquilo que a gente faz por prazer e não por obrigação. Especialmente, Leão nos fala da criança que há em nós, aquela parte de nós que nunca cresce, que é espontânea, inocente, feliz e confiante na vida.

A principal criação de Leão é tornar-se ele mesmo. Leão vive uma jornada mítica, cujo objetivo é “crescer em direção à realização e expressão da autenticidade pessoal, integridade e autoridade, que não seja dependente da opinião dos outros” (Clare Martin) (1).

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Reprdoução

Liz Greene diz algo parecido: “Leão parece descrever o desenvolvimento da essência única individual e sua busca pela fonte”. (os parágrafos seguintes, em itálico, configuram um resumo da mitologia do signo de Leão, como aparece em seu livro A Astrologia do Destino). Ela discorda da idéia generalizada de Leão seja um signo fortemente criativo, e nos lembra que há muito mais geminianos, cancerianos e piscianos nas artes em geral. “Eu sinto que a grande criação do Leão é ser ele mesmo”, diz Greene.

Assim como Capricórnio, como Áries e Sagitário, o tema principal do Leão gira em torno da figura do Pai. Em cada um desses signos encontramos uma faceta diferente do pai e em Leão ele é o pai doente, impotente, comandando um reino devastado e à espera que o filho venha redimi-lo.

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Sekhmet – Deusa Solar do Egito – Wikimedia Commons

A figura do Leão como rei dos animais e das selvas é um tema universal. Nas mitologias babilônica e egípcia ele já era bastante conhecido, sendo cultuado como Sekhmet, uma deusa solar. Na mitologia grega ele aparece numa das tarefas de Hércules, a que ele tem matar o Leão de Nemeia. Ele teria que matar o animal sem nenhuma arma, somente com as próprias mãos, um animal que era praticamente invulnerável. Mesmo assim, Hércules conseguiu matá-lo pegando-o pela garganta e estrangulando-o. Depois disso ele transformou sua pele e cabeça num traje que usaria para sempre, simbolizando que tinha assumido os poderes e qualidades associados ao leão. Liz Greene lembra que a batalha entre homem e animal é um motivo arquetípico universal dos mais antigos e simboliza a luta do ego em desenvolvimento com os instintos, que devem ser domados para que ele se torne de fato, um indivíduo, e não um número na massa inconsciente.

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Hércules lutando com o Leão de Nemeia – Reprodução

O leão aparece em várias estórias e mitos, acompanhando deuses e deusas diversos. Ele aparece também na mitologia, em diversas fases da Opus alquímica, como a Calcinatio, por exemplo, em que é necessário cortar-se as patas do leão para se domar os desejos.

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O Leão alquímico com as Patas Cortadas – Reprdoução

Existe também a figura do leão verde devorando o Sol, simbolizando a experiência da consciência que é esmagada e engolida pelos desejos violentos e frustrados. Porque o leão deseja, deseja muito! Sobre o Leão alquímico Jung diz: “na alquimia, o leão, a besta real, é um sinônimo pra Mercúrio, ou, para ser mais acurado, para um estágio de transformação. Ele é a forma de sangue quente do monstro predador e devorador que aparece primeiro como o dragão… Isso é precisamente o que leão destina-se a expressar – a emotividade apaixonada que precede o reconhecimento dos conteúdos inconscientes”.

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O Leão Verde Alquímico – Reprodução

Liz Greene lembra que as criaturas de água são criaturas de sangue frio: o caranguejo, o escorpião, o peixe. Já o leão tem sangue quente e está associado a um erotismo inequívoco, a concupiscência e orgulho, assim como a impulsos agressivos, sejam eles saudáveis ou destrutivos. Porém, se não é possível domar um caranguejo ou escorpião, certamente o leão é domável e desde a antiguidade eram mantidos em palácios como companhias e bestas reais. O simbolismo disso é que o rei deveria ser capaz de lutar com suas paixões, pois “o homem que não consegue conter seus impulsos fogosos, não pode governar a outros, nem servir como exemplo para eles”. Assim, o leão representa um estágio do processo de individuação, pois há um trabalho alquímico a ser feito. O leão tem que se transformar da forma bestial original em algo mais, tem que aprender a domar seus instintos. Este processo pode ser bastante doloroso para o leão “cujo coração de criança é profundamente ferido pela reação dos companheiros a seus excessos. Ele teve ‘a melhor das intenções’, mas parece que os outros não apreciam. Mais freqüentemente eles ficam mesmo zangados”. Assim, ele está destinado a seguir numa busca pelo auto-entendimento. E esse é o tema principal da estória mais fortemente associada a leão, que é a Lenda de Parsival e o Graal.

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Parsival era um jovem meio tolo, mas muito entusiasmado. Ele não conheceu seu pai. Foi criado somente pela mãe numa floresta longe de qualquer cidade ou comunidade – esse inicio de vida sem a figura do pai é algo comum no padrão de Leão. Um dia aparecem cinco cavaleiros na floresta onde ele mora e parsival fica tão fascinado e encantado que decide se tornar cavaleiro também. Sua mãe não gostou nada da idéia, mas ele não quis saber, foi grosseiro com ela e foi embora sem nem dizer adeus. Ela morreu em seguida de tanta dor e pesar – o Leão é mesmo meio grosseiro e tolo no início da vida. No caminho apareceu um cavaleiro vermelho, com quem ele lutou sem motivo e a quem matou, usando depois sua rmadura – o vermelho, diz Liz, é uma associação imediata à passionalidade do Leão. Ele andou, andou e por fim chegou ao fim da estrada, que acabava num rio. Ele viu um pescador que o ensinou o caminho para o castelo do Graal. De repente, o castelo apareceu, do nada, materializando-se diante de seus olhos e deixando-o estupefato. O portão estava aberto, porque, misteriosamente, ele era esperado pelo Rei-Pescador doente. O rei estava doente, na coxa ou na virilha, simbolizando a impotência e incapacidade de procriar porque é sua masculinidade que está ferida. Uma visão então apareceu para Parsival, uma espada, uma lança que pingava sangue, uma donzela que trazia o Graal de ouro e incrustrado de pedras preciosas, e uma outra donzela carregando um prato de prata. Esses quatro objetos sagrados estão relacionados aos naipes do Tarô: Espadas, Paus, Copas e Ouros. Lembram ainda também a quaternidade, que simboliza a inteireza do Self.

Indiana Jones-Graal
Parsival em busca do Graal – Reprodução

Parsival viu esses objetos passarem diante dele, numa cerimônia solene, mas não disse nada, Ele se recolheu para dormir e viu que o castelo estava deserto. Ao sair, uma outra mulher lhe disse que ele tinha acabado de falhar terrivelmente. Ele deveria ter perguntado: “A quem serve o Graal?” para que o rei fosse curado e o reino restaurado. Ele foi apresentado ao seu destino pela primeira vez, e falhou. Assim, vagou e vagou muitos anos e só encontrou o castelo novamente depois de ter conseguido a necessária maturidade e compaixão. Ele não era capaz de sentir ou de sofrer e isso fica claro pela forma como abandonou sua mãe sem pensar duas vezes e por ter matado o cavaleiro vermelho sem motivo. Jung diz que “sua real ofensa está na primitiva falta de ambigüidade do seu comportamento, que surge da inconsciência do problema interior dos opostos. Não foi o que ele fez, mas o fato de ele ser incapaz de avaliar o que fez”. Essa inocência desajeitada é parte do Leão jovem, como o fato de não ter pai. E parece que o Destino, diz Liz, apresenta a visão do Graal antes que ele esteja pronto para entendê-lo. O que quer que o Graal seja, sucesso pessoal, o destino espiritual, parece aparecer para Leão sem esforço, através da intuição, que é um dos atributos do Fogo.

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Parsival – Chrétien de Troyes – Wikimedia Commons

Depois de muito andar, ele novamente encontra o castelo e toda a experiência se repete. Então ele é capaz de fazer o seu papel e fazer a pergunta, que quer dizer, na verdade uma pergunta básica que se faz diante das coisas importantes; “o que significa tudo isso?” Tão logo ele pergunta, o rei é curado e ele descobre que ele é na verdade seu avô, ou, em outras versões, seu próprio pai. O reino é restaurado e Parsival se torna então o rei.

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Leão no Zodíaco Islâmico

O mito do Graal fala da busca pelo pai. A principio, na vida do Leão, parece a busca pelo pai biológico, mas depois fica evidente que é algo mais, que a busca é pelo Pai Espiritual, em ultima análise, uma busca pelo Si Mesmo, o mais profundo valor da vida. Obviamente Leão não é o único signo que busca individuação, já que parte do desenvolvimento do ser humano, mas esse mito parece mostrar um padrão misterioso da vida de Leão. Leão, como Capricórnio e Áries geralmente vivencia uma decepção com o pai, que é impotente de alguma forma. Mas ele precisa descobrir e buscar o castelo do Graal, para redimir não só ao pai pessoal, mas a si mesmo.

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Leão – Salvador Dali – Reprodução

Leão é regido pelo Sol, e não podemos deixar de falar do deus Apolo, o deus  solar por excelência. Apolo era um deus das profecias e o Oráculo de Delfos, dedicado a ele e centrado em seu templo, era procurado por todos que queriam colocar questões aos deuses. No pórtico do templo se lia “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Apolo na verdade conseguiu seus poderes proféticos e curadores ao vencer a serpente Pyton e submetê-la à consciência solar e ao Ego. Os poderes ctônicos e primitivos da Grande Mãe utilizados pela consciência solar.

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O Sol – Regente de Leão – Maria Eunice Sousa

A vida é polaridade, e o oposto complementar de LEÃO é AQUÁRIO. Enquanto Leão é o Rei, Aquário é o Reino. Leão nos mostra onde somos especiais e únicos, Aquário nos diz que somos comuns e iguais a todo mundo. É necessário integrar essa polaridade e perceber que “todos somos especiais E iguais” (Frank Clifford).

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Leão nos vitrais da Catedral de Chartes – França

Também fazem parte da SOMBRA de Leão a síndrome de “Eu, o Rei”, quando ele torna-se insensível e egoísta e acha que os outros são extensões dele mesmo; a síndrome do “Eu sei o que é melhor para você”, quando ele, com a melhor das intenções, se torna intrometido dizendo-lhe o que fazer com sua vida, mesmo que você não tenha perguntado, nem pedido seus conselhos; e ainda a síndrome do “Sabe-Tudo”: ele é um rei, como um rei pode não saber alguma coisa? É difícil para Leão admitir que não sabe ou não consegue fazer alguma coisa. Isso o torna pedante, um chato, às vezes.

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A constelação de Leão – Guido Bonetti – Wikimedia Commons

O que fazer com esta sombra? Primeiro, “estar consciente de si mesmo e de suas possíveis falhas; segundo, estar consciente da existência e das necessidades dos outros, dando-se conta do impacto do seu comportamento nas outras pessoas, permitindo que elas sejam independentes e dando-lhes seu devido crédito” (Liz Greene) E não menos importante, Leão precisa investir tempo e esforço em sua própria expressão criativa, para que não fique com inveja e tente roubar o brilho dos outros.

Arquétipos e Mitos

O Rei; O Pai impotente; A Jornada do Herói em Busca de Si Mesmo; Parsival e o Graal;  O Rei Artur e a Távola Redonda; O Rei Doente e a Terra Devastada; A Criança Divina;

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Leão – Johfra Bosschart – Reprodução

Meditação de Leão

Deite-se ou sente-se de forma confortável. Respire profundamente várias vezes até relaxar completamente. Visualizae agora que está num jardim bonito e bem cuidado. É um dia de verão e o Sol é cálido na sua pele. No centro do jardim há uma árvore, enorme e frondosa. De um de seus galhos pendem dois balanços. Num dos balanços há uma criança, se balançando feliz. Aproxime-se. Chegue mais perto. Observe a criança. Perceba que ela é você, é você quando criança. Converse com ela. Como ela está? Qual sua aparência? Está triste? Feliz? Zangada? Carente? Qual seu sentimento? Escute-a, ouça o que ela tem a lhe dizer, com calma e atentamente. Se ela precisar de colo, dê-lhe colo. Embale-a nos seus braços. Pergunte o que ela gostaria de lhe dizer a esta altura da vida. Pergunte que sonhos ela tem. Pergunte se ela precisa de alguma coisa ou o que você pode fazer por ela. Então, quando perceber que está tudo bem e que tudo foi dito, sente-se no outro balanço e comece a se balançar, você em um e a sua criança no outro. Sinta o vento, a euforia, a alegria. Divirta-se junto com a sua criança. Ria, ria muito! Esqueça todas as suas preocupações e apenas seja, apenas divirta-se no balanço vigoroso, dando impulsos cada vez mais altos. Sinta-se inebriar com essa sensação e quando estiver pronto, volte para seu quarto e para o momento presente. Abra os olhos e pinte, dance, escreva… Faça o que tiver vontade. E nunca esqueça da sua criança!

Música para Leão:

Fontes:

A Astrologia do Destino – Liz Greene

Mapping the Psyche – Clare Martin

The Astrologer’s Handbook – Sue Tompkins

Getting to the Heart of your Chart – Frank Clifford

As 12 Noites Sagradas – LEÃO

leo (1)Hoje é o dia de Leão. Passei boa parte desse dia envolvida com os felinos que atualmente se hospedam na minha casa: sete! Estão crescendo velozmente e hoje brincaram muito na minha sala. E o seu dia, algum felino apareceu? Algum ato criativo? (Se você não sabe o que são As 12 Noites Sagradas, clique aqui)

Edna Andrade fala sobre a noite dedicada a Leão: “As forças de Leão configuraram o coração humano e os dirigentes da Antiguidade e os reis da Idade Média associavam sua realeza com este signo, que era relacionado com a coragem e a prontidão de realizar no exterior o que é determinado a partir de dentro: da voz do coração.

Na oitava Noite Santa, a partir do portal do Leão, recebemos os impulsos de entusiasmo e coragem para enfrentar as provas que o destino nos traz. Nesta noite, abandone o medo dos desafios que você tem pela frente. Da região de Leão, os Tronos, Espíritos da Vontade, lhe trazem poderosas forças para vencer as provas que as suas escolhas lhe trazem.” Veja o original aqui no site de Antroposofia.

Como todo signo de FOGO, Leão é CONFIANTE, Carismático, DRAMÁTICO, Vivaz, Entusiasmado, INTUITIVO e cheio de fé na vida. Ele é Fogo FIXO. Masculino, Positivo, Ativo.

LEALDADE, MAGNÂNIMIDADE, GENEROSIDADE e calor são algumas das principais qualidades do Leonino. Romântico e idealista chega mesmo a ser inocente. Às vezes. Outra de suas principais habilidades é perceber e valorizar o potencial que há no outro, além de INSPIRAR CONFIANÇA, sendo ele mesmo muito CONFIANTE. Quando fora de equilíbrio essa confiança pode tornar-se ARROGÂNCIA e ao invés de confiante ele torna-se INSEGURO e busca compulsivamente ser o centro das atenções – mas só quando em desequilíbrio! Às vezes ele pode mesmo ser vítima do “complexo do impostor”, tamanha a insegurança e segue temendo “ser descoberto” a qualquer momento.

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Regente do CORAÇÃO, de modo geral tudo a que o Leonino se aplica é de CORAÇÃO, não faz nada pela metade. HONRA, INTEGRIDADE e HONESTIDADE são também importantes aqui, porém é preciso vigiar para combater o vício do ORGULHO e da Vaidade. DRAMA é outra característica forte e é comum encontrar os leoninos balançando suas jubas no mundo da atuação, seja no teatro, no cinema ou na TV. Ele precisa do palco, dos holofotes, da atenção e dos aplausos do público. Ele é ESPECIAL e único. Precisa de brilho e glamour. Teatral, adora também o Romance.

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Reprodução

Leão é o regente da Casa Cinco da Mandala Astrológica, a casa das crianças, dos filhos, da criatividade, dos talentos artísticos, da diversão, do prazer, dos hobbies, do flerte, do namoro e do sexo sem compromisso, do relaxamento e também dos jogos e especulações. Assim, Leão está muito associado à idéia da diversão e da alegria, àquilo que a gente faz por prazer e não por obrigação. Especialmente, Leão nos fala da criança que há em nós, aquela parte de nós que nunca cresce, que é espontânea, inocente, feliz e confiante na vida.

A principal criação de Leão é tornar-se ele mesmo. Leão vive uma jornada mítica, cujo objetivo é “crescer em direção à realização e expressão da autenticidade pessoal, integridade e autoridade, que não seja dependente da opinião dos outros” (Clare Martin) (1).

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Reprdoução

Liz Greene diz algo parecido: “Leão parece descrever o desenvolvimento da essência única individual e sua busca pela fonte”. (os parágrafos seguintes configuram um resumo da mitologia do signo de Leão, como aparece em seu livro A Astrologia do Destino). Ela discorda da idéia generalizada de Leão seja um signo fortemente criativo, e nos lembra que há muito mais geminianos, cancerianos e piscianos nas artes em geral. “Eu sinto que a grande criação do Leão é ser ele mesmo”, diz Greene.

Assim como Capricórnio, como Áries e Sagitário, o tema principal do Leão gira em torno da figura do Pai. Em cada um desses signos encontramos uma faceta diferente do pai e em Leão ele é o pai doente, impotente, comandando um reino devastado e à espera que o filho venha redimi-lo.

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Sekhmet – Deusa Solar do Egito – Wikimedia Commons

A figura do Leão como rei dos animais e das selvas é um tema universal. Nas mitologias babilônica e egípcia ele já era bastante conhecido, sendo cultuado como Sekhmet, uma deusa solar. Na mitologia grega ele aparece numa das tarefas de Hércules, a que ele tem matar o Leão de Nemeia. Ele teria que matar o animal sem nenhuma arma, somente com as próprias mãos, um animal que era praticamente invulnerável. Mesmo assim, Hércules conseguiu matá-lo pegando-o pela garganta e estrangulando-o. Depois disso ele transformou sua pele e cabeça num traje que usaria para sempre, simbolizando que tinha assumido os poderes e qualidades associados ao leão. Liz Greene lembra que a batalha entre homem e animal é um motivo arquetípico universal dos mais antigos e simboliza a luta do ego em desenvolvimento com os instintos, que devem ser domados para que ele se torne de fato, um indivíduo, e não um número na massa inconsciente.

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Hércules lutando com o Leão de Nemeia – Reprodução

O leão aparece em várias estórias e mitos, acompanhando deuses e deusas diversos. Ele aparece também na mitologia, em diversas fases da Opus alquímica, como a Calcinatio, por exemplo, em que é necessário cortar-se as patas do leão para se domar os desejos.

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O Leão alquímico com as Patas Cortadas – Reprdoução

Existe também a figura do leão verde devorando o Sol, simbolizando a experiência da consciência que é esmagada e engolida pelos desejos violentos e frustrados. Porque o leão deseja, deseja muito! Sobre o Leão alquímico Jung diz: “na alquimia, o leão, a besta real, é um sinônimo pra Mercúrio, ou, para ser mais acurado, para um estágio de transformação. Ele é a forma de sangue quente do monstro predador e devorador que aparece primeiro como o dragão… Isso é precisamente o que leão destina-se a expressar – a emotividade apaixonada que precede o reconhecimento dos conteúdos inconscientes”.

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O Leão Verde Alquímico – Reprodução

Liz Greene lembra que as criaturas de água são criaturas de sangue frio: o caranguejo, o escorpião, o peixe. Já o leão tem sangue quente e está associado a um erotismo inequívoco, a concupiscência e orgulho, assim como a impulsos agressivos, sejam eles saudáveis ou destrutivos. Porém, se não é possível domar um caranguejo ou escorpião, certamente o leão é domável e desde a antiguidade eram mantidos em palácios como companhias e bestas reais. O simbolismo disso é que o rei deveria ser capaz de lutar com suas paixões, pois “o homem que não consegue conter seus impulsos fogosos, não pode governar a outros, nem servir como exemplo para eles”. Assim, o leão representa um estágio do processo de individuação, pois há um trabalho alquímico a ser feito. O leão tem que se transformar da forma bestial original em algo mais, tem que aprender a domar seus instintos. Este processo pode ser bastante doloroso para o leão “cujo coração de criança é profundamente ferido pela reação dos companheiros a seus excessos. Ele teve ‘a melhor das intenções’, mas parece que os outros não apreciam. Mais freqüentemente eles ficam mesmo zangados”. Assim, ele está destinado a seguir numa busca pelo auto-entendimento. E esse é o tema principal da estória mais fortemente associada a leão, que é a Lenda de Parsival e o Graal.

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Parsival era um jovem meio tolo, mas muito entusiasmado. Ele não conheceu seu pai. Foi criado somente pela mãe numa floresta longe de qualquer cidade ou comunidade – esse inicio de vida sem a figura do pai é algo comum no padrão de Leão. Um dia aparecem cinco cavaleiros na floresta onde ele mora e parsival fica tão fascinado e encantado que decide se tornar cavaleiro também. Sua mãe não gostou nada da idéia, mas ele não quis saber, foi grosseiro com ela e foi embora sem nem dizer adeus. Ela morreu em seguida de tanta dor e pesar – o Leão é mesmo meio grosseiro e tolo no início da vida. No caminho apareceu um cavaleiro vermelho, com quem ele lutou sem motivo e a quem matou, usando depois sua rmadura – o vermelho, diz Liz, é uma associação imediata à passionalidade do Leão. Ele andou, andou e por fim chegou ao fim da estrada, que acabava num rio. Ele viu um pescador que o ensinou o caminho para o castelo do Graal. De repente, o castelo apareceu, do nada, materializando-se diante de seus olhos e deixando-o estupefato. O portão estava aberto, porque, misteriosamente, ele era esperado pelo Rei-Pescador doente. O rei estava doente, na coxa ou na virilha, simbolizando a impotência e incapacidade de procriar porque é sua masculinidade que está ferida. Uma visão então apareceu para Parsival, uma espada, uma lança que pingava sangue, uma donzela que trazia o Graal de ouro e incrustrado de pedras preciosas, e uma outra donzela carregando um prato de prata. Esses quatro objetos sagrados estão relacionados aos naipes do Tarô: Espadas, Paus, Copas e Ouros. Lembram ainda também a quaternidade, que simboliza a inteireza do Self.

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Parsival em busca do Graal – Reprodução

Parsival viu esses objetos passarem diante dele, numa cerimônia solene, mas não disse nada, Ele se recolheu para dormir e viu que o castelo estava deserto. Ao sair, uma outra mulher lhe disse que ele tinha acabado de falhar terrivelmente. Ele deveria ter perguntado: “A quem serve o Graal?” para que o rei fosse curado e o reino restaurado. Ele foi apresentado ao seu destino pela primeira vez, e falhou. Assim, vagou e vagou muitos anos e só encontrou o castelo novamente depois de ter conseguido a necessária maturidade e compaixão. Ele não era capaz de sentir ou de sofrer e isso fica claro pela forma como abandonou sua mãe sem pensar duas vezes e por ter matado o cavaleiro vermelho sem motivo. Jung diz que “sua real ofensa está na primitiva falta de ambigüidade do seu comportamento, que surge da inconsciência do problema interior dos opostos. Não foi o que ele fez, mas o fato de ele ser incapaz de avaliar o que fez”. Essa inocência desajeitada é parte do Leão jovem, como o fato de não ter pai. E parece que o Destino, diz Liz, apresenta a visão do Graal antes que ele esteja pronto para entendê-lo. O que quer que o Graal seja, sucesso pessoal, o destino espiritual, parece aparecer para Leão sem esforço, através da intuição, que é um dos atributos do Fogo.

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Parsival – Chrétien de Troyes – Wikimedia Commons

Depois de muito andar, ele novamente encontra o castelo e toda a experiência se repete. Então ele é capaz de fazer o seu papel e fazer a pergunta, que quer dizer, na verdade uma pergunta básica que se faz diante das coisas importantes; “o que significa tudo isso?” Tão logo ele pergunta, o rei é curado e ele descobre que ele é na verdade seu avô, ou, em outras versões, seu próprio pai. O reino é restaurado e Parsival se torna então o rei.

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Leão no Zodíaco Islâmico

O mito do Graal fala da busca pelo pai. A principio, na vida do Leão, parece a busca pelo pai biológico, mas depois fica evidente que é algo mais, que a busca é pelo Pai Espiritual, em ultima análise, uma busca pelo Si Mesmo, o mais profundo valor da vida. Obviamente Leão não é o único signo que busca individuação, já que parte do desenvolvimento do ser humano, mas esse mito parece mostrar um padrão misterioso da vida de Leão. Leão, como Capricórnio e Áries geralmente vivencia uma decepção com o pai, que é impotente de alguma forma. Mas ele precisa descobrir e buscar o castelo do Graal, para redimir não só ao pai pessoal, mas a si mesmo.

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Leão – Salvador Dali – Reprodução

Leão é regido pelo Sol, e não podemos deixar de falar do deus Apolo, o deus  solar por excelência. Apolo era um deus das profecias e o Oráculo de Delfos, dedicado a ele e centrado em seu templo, era procurado por todos que queriam colocar questões aos deuses. No pórtico do templo se lia “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Apolo na verdade conseguiu seus poderes proféticos e curadores ao vencer a serpente Pyton e submetê-la à consciência solar e ao Ego. Os poderes ctônicos e primitivos da Grande Mãe utilizados pela consciência solar.

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O Sol – Regente de Leão – Maria Eunice Sousa

A vida é polaridade, e o oposto complementar de LEÃO é AQUÁRIO. Enquanto Leão é o Rei, Aquário é o Reino. Leão nos mostra onde somos especiais e únicos, Aquário nos diz que somos comuns e iguais a todo mundo. É necessário integrar essa polaridade e perceber que “todos somos especiais E iguais” (Frank Clifford).

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Leão nos vitrais da Catedral de Chartes – França

Também fazem parte da SOMBRA de Leão a síndrome de “Eu, o Rei”, quando ele torna-se insensível e egoísta e acha que os outros são extensões dele mesmo; a síndrome do “Eu sei o que é melhor para você”, quando ele, com a melhor das intenções, se torna intrometido dizendo-lhe o que fazer com sua vida, mesmo que você não tenha perguntado, nem pedido seus conselhos; e ainda a síndrome do “Sabe-Tudo”: ele é um rei, como um rei pode não saber alguma coisa? É difícil para Leão admitir que não sabe ou não consegue fazer alguma coisa. Isso o torna pedante, um chato, às vezes.

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A constelação de Leão – Guido Bonetti – Wikimedia Commons

O que fazer com esta sombra? Primeiro, “estar consciente de si mesmo e de suas possíveis falhas; segundo, estar consciente da existência e das necessidades dos outros, dando-se conta do impacto do seu comportamento nas outras pessoas, permitindo que elas sejam independentes e dando-lhes seu devido crédito” (Liz Greene) E não menos importante, Leão precisa investir tempo e esforço em sua própria expressão criativa, para que não fique com inveja e tente roubar o brilho dos outros.

Arquétipos e Mitos

O Rei; O Pai impotente; A Jornada do Herói em Busca de Si Mesmo; Parsival e o Graal;  O Rei Artur e a Távola Redonda; O Rei Doente e a Terra Devastada; A Criança Divina;

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Leão – Johfra Bosschart – Reprodução

Meditação de Leão

Deite-se ou sente-se de forma confortável. Respire profundamente várias vezes até relaxar completamente. Visualizae agora que está num jardim bonito e bem cuidado. É um dia de verão e o Sol é cálido na sua pele. No centro do jardim há uma árvore, enorme e frondosa. De um de seus galhos pendem dois balanços. Num dos balanços há uma criança, se balançando feliz. Aproxime-se. Chegue mais perto. Observe a criança. Perceba que ela é você, é você quando criança. Converse com ela. Como ela está? Qual sua aparência? Está triste? Feliz? Zangada? Carente? Qual seu sentimento? Escute-a, ouça o que ela tem a lhe dizer, com calma e atentamente. Se ela precisar de colo, dê-lhe colo. Embale-a nos seus braços. Pergunte o que ela gostaria de lhe dizer a esta altura da vida. Pergunte que sonhos ela tem. Pergunte se ela precisa de alguma coisa ou o que você pode fazer por ela. Então, quando perceber que está tudo bem e que tudo foi dito, sente-se no outro balanço e comece a se balançar, você em um e a sua criança no outro. Sinta o vento, a euforia, a alegria. Divirta-se junto com a sua criança. Ria, ria muito! Esqueça todas as suas preocupações e apenas seja, apenas divirta-se no balanço vigoroso, dando impulsos cada vez mais altos. Sinta-se inebriar com essa sensação e quando estiver pronto, volte para seu quarto e para o momento presente. Abra os olhos e pinte, dance, escreva… Faça o que tiver vontade. E nunca esqueça da sua criança!

Música para Leão:

Fontes:

A Astrologia do Destino – Liz Greene

Mapping the Psyche – Clare Martin

The Astrologer’s handbook – sue Tompkins

Getting to the Heart of your Chart – Frank Clifford

Lua Cheia e Eclipse Lunar em Áries: Separamos ou Juntamos de vez?

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Lunar Eclipse by Birth Chart Painting – Reprodução

Tivemos hoje uma das lunações mais potentes do ano, a Lua Cheia de Áries, que também é um eclipse total da Lua (08 de outubro, Lua Cheia às 07h50min, eclipse total da Lua às 07h56min, Brasília/DF – ou 11h52min para Portugal), o segundo do ano. Comumente temos duas estações de eclipses por ano e eles geralmente vêm em pares, sendo um solar e um lunar, podendo haver, porém, mais de dois eclipses por temporada. Os eclipses, como já falei várias vezes em outros posts, não são eventos isolados, ao contrário, pertencem a “famílias” que têm início, meio e fim e que são chamadas Séries Saros. O mapa do início de uma Série Saros é fundamental para entendermos sua dinâmica, seus temas e seus efeitos.

Lunações

Eclipses são lunações super potentes e este é duplamente super poderoso, por realçar os temas colocados em ebulição pela quadratura Urano-Plutão e pela Grande Cruz Cardinal. Este eclipse também faz parte de outro ciclo menor, que enfatiza o eixo dos relacionamentos Áries-Libra, onde o Eu primitivo encontra o Outro e é obrigado a considerá-lo e a “civilizar-se”. O primeiro eclipse deste ciclo Áries-Libra aconteceu em 18/10/2013 a 25° de Áries; o segundo ocorreu a 25° de Libra em 15/04/2014; o terceiro é o eclipse de hoje; o quarto acontece a 14° de Libra em 4/04/2015; o quinto se dá a 4° de Áries em 28/09/2015; e o sexto e último ocorre a 3° de Libra em 23/03/2016. Vale notar que todos são eclipses lunares, com os eclipses solares que os acompanham ocorrendo nos eixos vizinhos, ou de Touro-Escorpião ou de Virgem-Peixes. Interessante notar também que tais eclipses ocorrem no período mais “quente” da quadratura Urano-Plutão.

Christian Schloe between night and day

Áries-Libra

O eixo Áries-Libra fala essencialmente de relacionamentos, algo que destaca ainda mais o tema da lunação, que em si mesma trata do relacionamento entre o Sol e a Lua, entre os princípios Masculino e Feminino, entre Consciente e Inconsciente. Com uma Lua Cheia neste eixo temos então um ápice, uma culminação das questões relacionais, sejam estes relacionamentos íntimos, afetivos, familiares, de amizades ou de parcerias de trabalho. Tudo o que envolve um “eu” e um “tu”, em qualquer instância. E com todos estes eclipses LUNARES ocorrendo neste eixo, uma hora a Lua sendo eclipsada em Áries, outra hora em Libra, é como se nos fosse dada a oportunidade de experimentar a situação de ângulos diferentes, do meu ângulo individual, assim como do ponto de vista do outro; ou, do ponto focal da minha necessidade de independência num momento, e da minha necessidade de relacionamentos em outro . Sendo a Lua o nosso lado instintivo, essa mudança de posições traz à superfície e à luz da consciência solar as nossas reações mais básicas e primitivas, aquilo de que necessitamos para nos sentir seguros e alimentados, mas que nem sempre é claro para nós. Nestes últimos dois anos temos sido, pois, questionados e solicitados a conciliar nossas necessidades emocionais com nossos propósitos conscientes dentro deste eixo relacional.

Mudanças e Transformações

Este eclipse nos lembra também da necessidade de mudança que tem permeado nossa vida, sejam estas necessidades claras e visíveis ou obscuras e ainda não límpidas. E vem trazer o lembrete de que toda a nossa vida é baseada e depende de interações, quer queiramos, quer não – por isso a Grande Cruz Cardinal é tão importante, porque envolve o indivíduo (Áries), sua família (Câncer), o Outro (Libra) e a Sociedade (Capricórnio). Além disso, ele vem nos desafiar a olhar para nossas decisões, resoluções e escolhas nessa área dos afetos, reiterando-as ou mudando-as radicalmente.

Lua Cheia e Eclipse em Áries 2014
Lua Cheia e Eclipse Lunar em Áries – 08 de outubro de 2014, 7h50min, Brasilia-DF

O Mapa da Lua Cheia

Falando de forma mais específica, esta Lua Cheia e Eclipse ocorre a 15°05’ de Áries, com a Lua conjunta a Urano e ao Nodo Sul e o Sol a 15°05’ de Libra, conjunto a Vênus e ao Nodo Norte. É um mapa que enfatiza a idéia de um racha, de uma cisão básica na psique. O Sol em Libra e seu regente Vênus, também em Libra buscam parcerias e agregar valor à vida ao associar-se ao outro. Têm uma visão desapegada, conceitual e civilizada das coisas e trabalham no sentido de equilibrar e equalizar. Já a Lua em Áries alimenta-se e precisa de independência e de ação, coisas que busca de forma extremada, já que está numa conjunção muito próxima a Urano, que também realça a necessidade de autonomia e liberdade. O regente da Lua, Marte, está em Sagitário, formando um Grande Trígono em Fogo com Júpiter e Urano, triplicando essa urgência por independência da Lua Ariana. Estes dois pares de opostos (Sol/Vênus versus Lua/Urano) ainda quadram Plutão em Capricórnio, tornando tudo uma grande crise de alta intensidade e extremamente volátil. Plutão, como foco desta T Square sugere que estas relações todas precisam morrer, porque já carecem de vida e de autenticidade. Se forem baseadas em algo sólido, elas poderão renascer, completamente transformadas e purificadas pelo fogo vulcânico de Plutão. Do contrário, devem apenas ser devidamente enterradas para que não fiquem nos assombrando vida afora.

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Mystic Light – Christian Schloe – Reprodução

Individuar para poder Conciliar

Esta é, pois, uma Lua Cheia que vem acordar nosso lado mais passional e nossa visão mais individualista das coisas; que vem nos pedir que sejamos leais conosco mesmos e enfatizar a importância e a necessidade de nos diferenciar antes de trazermos o outro para nossa vida e virarmos “um par”. Vem acordar o fogo do desejo e da paixão não só pelo outro, mas principalmente por nossos objetivos pessoais e por nós mesmos. E tendo tanto fogo assim, somado ao envolvimento de Plutão, esse eclipse vem fazer outra Calcinatio Alquímica, que propõe depurar nossos desejos pessoais válidos e legítimos dos desejos pueris e forjados por mero egoísmo. É preciso submeter o desejo e os relacionamentos a esta forja e deixá-los queimar para ver o que sobra. O que sobrar depois da queima é o que vale a pena buscar ou dar continuidade.

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Início da Série Saros 17 New North, 28 de Julho de 1870, 11:18 GMT, Pólo Norte

Série Saros 17 New North

Analisando o mapa inicial desta Série Saros, que de acordo com a Dra. Bernadette Brady (1), do Reino Unido, trata-se da Série Saros 17 New North, percebe-se que o tema do desejo e da paixão é intrínseco a esta família de eclipses.  O mapa inicial desta série, que se inicia em 28 de julho de 1870, às 11h18min (GMT) mostra “Vênus conjunta a Marte enquanto o Nodo ocupa o Ponto Médio entre a Lua Nova e Vênus e entre a Lua Nova e Marte, assim como o Ponto Médio entre Mercúrio e Vênus”, diz Brady. Sua interpretação é a seguinte: “Esta série traz uma energia impulsiva aos eventos. As socializações se tornam agitadas emergem questões que motivam o indivíduo. Esta motivação pode ser relacionada a projetos financeiros ou a questões de relacionamentos. Qualquer que seja a motivação, ela é impulsiva, passional e excitante” (1). Havendo uma conjunção Vênus-Marte no inicio desta série, temos repetido, de novo, o assunto “relacionamentos” – eu sei, é tão repetitivo que fica chato – mas isso é para não termos dúvidas e nem chances de fugir da questão. Paixão, desejo, triângulos amorosos, alianças, casamentos, relações duradouras, escolhas, decisões, equilíbrio… Tudo cozinhando na grande caldeira ariana e perguntado qual é a nossa necessidade e nosso desejo mais pessoal e mais urgente. Do que nossa alma realmente precisa? Qual é nossa motivação primordial?

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Reprodução

Conciliação Necessária

Entretanto, não podemos esquecer: a Lua Cheia fala sempre da necessidade de se achar um meio termo entre a vontade consciente e as necessidades emocionais. Neste caso, além de ser super impulsiva, calcinante e passional, esta Lua oferece ainda o risco de regressão a um egoísmo primitivo que nos puxam a comportamentos viciantes do passado, visto que está conjunta ao Nodo Sul, que representa o passado e o caminho de menor resistência. Assim, o caminho da evolução e do futuro está em Libra. Após ter me diferenciado como individuo, preciso respeitar as parcerias e a presença do outro na vida. Achar um caminho do meio entre o meu desejo e o desejo do outro; entre minha necessidade, legítima, de independência e meu desejo, também legítimo, de ter relacionamentos na vida. Buscar o equilíbrio.

Afinados com a Intuição

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Imagick – Reprodução

Como sempre, gosto de deixar o Símbolo Sabiano para ser a cereja do bolo. E este símbolo de hoje, do grau 15°05 (ou seja, grau 16) de Áries, traz a seguinte imagem: “Espíritos da natureza são vistos em ação à luz do pôr do Sol”. Este símbolo pertence ao Primeiro Hemiciclo, e ao Ato da Diferenciação, no grau que separa o Ato do Desejo do Ato de Potência. É um símbolo que fala de situações em que é necessário alinhar nosso lado primitivo e os ritmos orgânicos da vida com a intuição, a visão e os propósitos mais elevados representados pela luz do Sol. Novamente a idéia de se diferenciar como individuo para poder buscar a conciliação. Então percebemos que por mais chato que pareça, esse tema dos relacionamentos e da conciliação fica se repetindo e em Astrologia, quando algo se repete assim, é porque é, de fato, de suma importância. Tanto é que sentimos isso na nossa própria pele, na nossa vida diária e na polarização atual que percebemos para todo lado que olhamos.

Concluindo…

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Lua e Flor – Reprodução

Essa é uma Lua em que temos os deuses de novo batendo à nossa porta, como a nos perguntar o que fizemos ou temos feito com toda a energia e tensão a que temos sido submetidos ao longo deste ano. Aproveitamo-las para mudar e transformar nossas vidas? Ou continuamos na lamúria e na reclamação chorosa e vazia? Tomamos atitudes? Efetivamos nossas decisões? Fizemos algo de concreto? Se ainda não tomamos as medidas cabais, este eclipse vem prover a motivação necessária para tanto.

É hora de aproveitar a energia e a chance de revisar o papel do outro e dos relacionamentos em nossas vidas, revisão que é proposta também por Mercúrio retrógrado retornando a Libra na sexta-feira. De forma prática, podemos nos ver enredados em conflitos familiares, com o marido/esposa, com o chefe, com amigos… E se por um lado precisamos sim, ouvir o outro e tentar buscar a harmonia, por outro lado precisamos identificar quando é mais inteligente dizer adeus ao outro e optar por nós mesmos. Então, ao invés de desfolhar a pobre margarida perguntando “bem-me-quer, mal-me-quer”, perguntemo-nos antes: “O que EU quero?”. Definido isso, delimitamos nossos parâmetros de negociação e podemos então buscar o entendimento ou a ruptura de uma relação que talvez já não corresponda aos desejos de nossa alma. Tudo isso de forma honesta, direta e clara, mas também civilizada. As relações que sobreviverem a este período tendem, certamente, a se tornar cada vez mais sólidas, pois terão sobrevivido à queima das ilusões, dos egoísmos e dos desejos pueris, ficando no fim, a relação entre individuos mais maduros e mais conscientes.

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Christian Schloe – Lovers’s Farewell – Reprodução

Nota 1: Pessoas com planetas ou ângulos entre os graus 10 e 20 dos signos Áries, Câncer, Libra e Capricórnio sentem de forma mais intensa e contundente este eclipse.

Nota 2: Este eclipse está relacionado com outros eclipses que ocorreram em 27 de setembro e 12 de outubro de 1996. Vale a pena tentar lembrar o que se passava na sua vida na época, pois os temas e as possíveis crises estão relacionados e atingem a mesma esfera de vida. Vale a pena também verificar se algo especial aconteceu por volta das datas que mencionei acima, no segundo parágrafo, que fala dos eclipses recentes no eixo Áries-Libra.

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Nota 3: Para lidar melhor com a tensão gerada por eclipses ou configurações muito carregadas, podemos recorrer à meditação e a exercícios de enraizamento (enraizamentos são especialmente indicados no caso deste eclipse em específico, porque há somente um planeta em Terra); se possível, podemos ainda buscar ajuda profissional em momentos mais críticos, que nos ajudem a ter maior clareza da situação que vivenciamos. A Lua em Áries também pede movimento e ação, assim, atividades físicas vigorosas, mas supervisionadas, também são recomendadas.

(1) Bernadette Brady – The Eagle and The Lark – predictive Astrology

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