Lua Nova em Escorpião – Da morte, o renascimento!

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Um novo ciclo começou neste sábado, às 09h42min, a 26°19’ de Escorpião. Se o ciclo anterior, de Libra, já foi intenso, devido à forte e impactante presença de Urano – tanto na Lua Nova quanto na Lua Cheia – o de Escorpião promete transformações tão viscerais quanto e Urano continua a dar o “ar da sua graça” caótica!

Alexandra Manukian – Reprodução

Este é o momento do ano de olhar mais de perto para a nossa sombra, de confrontar nossa destrutividade, de olhar para a morte, como potencial e como realidade, como parte do ciclo natural da vida. É também o período de mergulharmos fundo nas nossas motivações, sem medo, de ousarmos nos conhecer mais e melhor; de lidarmos com o que é tóxico, em nós e no outro e de buscarmos a purificação e a depuração dos lixos emocionais. E, entre muitas outras coisas, é também a hora de encarar o que morreu em nós e na nossa vida, dar um enterro decente para isso e preparar-nos para renascer, mais fortes e resilientes!

Lua Nova em Escorpião 2017 – 18 de novembro de 2017, 09h42min, horário de Brasília.

A Lua e o Sol estão a 26°19’ de Escorpião e fazem apenas dois únicos aspectos: trígono a Quíron em Peixes e quincôncio a Urano em Áries, ambos os aspectos separativos, ou seja, já aconteceram. O aspecto a Urano sugere incongruências internas, a respeito de nossos propósitos; uma inflexibilidade acerca de conseguir os objetivos “do nosso próprio jeito”, de forma independente e livre, sem amarras, algo que contraria um pouco a busca de Escorpião pela vinculação profunda, pelo desejo de posse e controle. O trígono a Quíron traz empatia e compaixão e indica o potencial de suavizarmos essas brigas internas, pela auto aceitação e pela empatia, um potencial de cura das feridas e mágoas emocionais antigas, arraigadas, atávicas.

Edward Munch – Reprodução

Mas o que chama mesmo a atenção neste mapa é o fato de Marte e Plutão, os dois regentes de Escorpião estarem em conflito, disputando território – quem sabe até, disputando para ver “quem manda mais aqui” neste signo! Escorpião, por si só, já sugere batalhas mortais, embates virulentos conosco mesmos e com o mundo. E nesta lunação as batalhas são potencializadas por este aspecto entre os dois regentes, que na verdade é uma configuração, já que Marte se opõe a Urano, que também faz quadratura a Plutão. Então temos uma T-Square Cardinal, simbolizando a batalha do indivíduo, do ego – Marte – contra as forças coletivas e inconscientes, a morte, a sombra, o “destino”, as intempéries na natureza humana e na própria vida, na sua versão mais turbulenta, selvagem e implacável – Urano e Plutão.

Imutável Destino – Capucine Picarolli – Reprodução

Marte é a nossa vontade pessoal, nossa capacidade de nos afirmarmos e brigarmos pelo que queremos. Já Plutão tem a ver com um poder maior, muito acima do nosso, a vontade implacável da vida, que não alisa, um poder inconsciente, que pode ser muito destrutivo, que nos empurra para lidar com aquilo que mais queremos evitar e é muito associado com o destino. Ambos têm a ver com o instinto de sobrevivência: Marte o instinto de sobrevivência pessoal, Plutão, o instinto de sobrevivência da espécie. Nessa briga, nossa vontade pessoal entra em conflito com a vontade maior, da vida, do “destino” e podemos nos sentir completamente impotentes diante dessa força, mas também podemos nos alinhar com ela e fazer o que tem que ser feito, o que é mandatório e que fica claro a partir destes contatos – com Saturno, Urano, Netuno e Plutão, a pior coisa que podemos fazer, é resistir e o melhor é ceder e voluntariamente fazer o que é necessário. Então, aqui nossa vontade pessoal precisa perceber e reconhecer onde precisa se dobrar, onde precisa se ajustar, onde precisamos entender que nossos objetivos meramente pessoais e egoístas precisam ceder passagem a forças e motivações mais importantes. A nosso favor tem o fato de Plutão estar na casa 1, conjunto ao ASC do mapa, ou seja, está em nossas mãos nos abrir às transformações, para que elas ocorram a nosso favor. Quando colaboramos, a energia que seria usada para resistir, fica à nossa disposição para transformarmos a nós mesmos e ao nosso mundo. E então, de impotentes, nos tornamos fortes; de um movimento que poderia ser destrutivo e desolador, passamos para um movimento de vida e de renovação, de renascimento. Portanto, essa Lua Nova vem falar de um ciclo em que precisamos transformar nossa vontade, nossa atitude, nossa ação no mundo. De deixar morrer os objetivos e vontades que já não fazem sentido, permitir-nos um período de luto, de despedida, para então renascer, renovados, com novo ímpeto e disposição, mais inteiros, mais resilientes.

Lua Nova e Eclipse Solar em Leão – Brasília, 21 de agosto de 2017, 15h30min

A Lua Nova ativa o ponto do Eclipse Total do Sol do dia 21 de agosto, ocorrido a 28° de Leão – ativa por quadratura. Eclipses em geral sinalizam encerramento de um ciclo e o início de outro e aquele eclise, em especial, falava de rupturas com o passado, de mudanças bruscas, de ativar nossa vontade pessoal e alinhá-la com valores e princípios mais nobres. Talvez, lá atrás, por ocasião do eclipse nos demos conta de algo que definhava em nós, algo que começou a morrer, mas que hesitávamos em reconhecer, em assimilar ou admitir. Agora esta Lua Nova vem clarificar essa morte, mas vem também representar uma afirmação de vida, uma abertura para o novo ciclo, se tivermos confiança e coragem de dizer adeus, de permitir que morra aquilo que tem que morrer.

O rapto de Perséfone –
Desconheço o autor – Reprodução

Como no mito de Perséfone – a filha de Demeter, Deusa do Cereal – que é raptada por Hades e estuprada no Mundo Inferior, onde se torna sua esposa e Rainha dos Infernos. Este é um mito de Escorpião e também de Plutão. Resumidamente, Perséfone era uma mocinha linda e cheia de vida, em idade de namorar, casar, emancipar-se da mãe e viver a própria vida, mas a mãe insiste em mantê-la presa à barra de sua saia e refuta as propostas de vários pretendentes da filha, com toda a sorte de desculpas, que diziam que nenhum era bom o bastante para ela. E Perséfone segue naquela união urobórica com a mãe, emocionalmente infantil e dependente dela, sem ter vida própria.

O Rapto de Perséfone, Gian Lorenzo Benini – Reprodução (desconheço o autor da foto).

O sequestro e subsequente estupro perpetrados por Hades simbolizam esses momentos em que a vida impõe sua vontade sobre nós violentamente, porque nos recusamos a perceber a mudança de ciclo, a necessidade de vivenciar a passagem para o próximo nível ou fase da vida. Depois desse ritual de passagem brutal, Perséfone amadurece em todos os sentidos: já não é mais uma menina, nem a filhinha da mamãe, agora é uma mulher poderosa, adulta, dona de seu corpo e vontade, Rainha dos Infernos, senhora de si e do seu próprio espaço e poder. E, embora ela talvez sinta saudades do abraço maternal, no fundo reconhece que gostou da mudança inexorável e esta ambivalência é evidenciada na escolha que faz quando está prestes a deixar o reino de Hades. Requisitado a liberar Perséfone, Hades diz que ela é livre para ir a qualquer momento, desde que não tenha comido nada ali embaixo. De fato, ela não havia comido nada ainda, estava livre para voltar para o mundo superior e para sua mãe, mas já na saída, ela come as sementes de romã, um fruto que simboliza conhecimento e sabedoria. Por ter comido a romã, Perséfone é obrigada a se dividir entre a vida na Terra, junto à sua mãe, e a vida no Mundo Inferior, como esposa e rainha de Hades; metade do ano ela está sobre a Terra, o período correspondente à primavera e verão, quando tudo viceja, floresce e frutifica; na outra metade, correspondente ao outono e ao inverno, ela está no Mundo Inferior, simbolizando o descanso da terra e uma parada na ação consciente e objetiva – veja bem: ela é “obrigada” a se dividir, mas isso foi, em primeira instância uma escolha dela, ao comer, voluntariamente, a romã! No fundo, ao comer a romã, ela reconhece que não queria simplesmente voltar para a mesma “vidinha de sempre”. ela tinha mudado, já não era a mesma – por que iria querer levar a mesma vida? E assim é na nossa vida. Esse mito fala dos fins e dos recomeços, das mudanças de ciclos, dos ritos de passagens, algumas vezes brutais, quando hesitamos e os postergamos por tempo excessivo. Se resistimos, estagnamos a vida e invocamos a fúria dos deuses sobre nós e, se não queremos ser “penetrados” pela vida dessa forma brutal e implacável, precisamos reconhecer o momento do fim e render-nos a ele. Esperando, pacientemente, e às vezes na completa escuridão da insegurança e da incerteza, o momento da ressurreição, do renascimento.

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Antes de terminarmos, chamo a atenção para mais dois fatores interessantes neste mapa: primeiro é que Urano é regido por Marte, co-regente da Lua Nova e está em oposição ampla a ele, sugerindo que é preciso ter coragem para se posicionar, para desagradar a alguns, se for para preservarmos nossa sanidade; mesmo que escolhamos ser elegantes e diplomáticos, é necessário ser firmes, diretos, honestos com as questões que precisam ser enfrentadas. O segundo ponto é o fato de Marte também estar em recepção mútua com Vênus, regente do ciclo lunar anterior. Marte atualmente trafega o signo de Libra, que é regido por Vênus e Vênus trafega Escorpião, que é regido por Marte e assim, diz-se que estão em “recepção mútua”, porque um recebe o outro em sua própria casa. Mesmo que não estejam em aspecto, essa recepção aponta para uma cooperação, uma certa cordialidade, porque a ação de um depende da concordância do outro. Ambos estão nos signos de detrimento, uma posição desconfortável, porque são signos alienígenas à natureza desses planetas e isso nos diz que é necessária uma negociação delicada, um estado de espírito de disposição ao diálogo, de se estar abertos àquilo que é difícil e desconfortável, mas que é chave para a saída dos nossos dilemas. É como um casal que já foi muito apaixonado, depois se desapaixonou, ambos brigaram feio e se magoaram mutuamente, mas por algum motivo precisam um do outro, então, precisam sentar e dialogar, e cooperar. E talvez essa colaboração possa diminuir o desconforto. A posição de Marte nessa configuração tensa com Plutão e Urano nos aponta para a inexorabilidade e implacabilidade das mudanças, de nos rendermos ao que é maior que nós, aos ciclos que independem da nossa vontade pessoal, mas a recepção mútua Vênus-Marte talvez simbolize que os deuses podem se dispor a nos olhar com mais brandura, se nós também nos abrirmos e, com humildade, nos dispusermos a ser transformados, abandonando a velha carcaça e tudo o que ela representa, para permitirmos que a nova pele surja, nova e brilhante!

Brooke Shaden Photography – Reprodução

Para aplicar melhor tudo isso na sua vida, veja em que casa do seu mapa você tem o grau 26 de Escorpião (veja abaixo uma lista dos significados das casas) e analise o que pode estar morrendo, se deteriorando ou sendo finalizado nessa área da sua vida. Reflita sobre o que você pode fazer para facilitar o processo; agradeça ao que foi, do jeito que foi; concorde com o jeito que tudo aconteceu; se for o caso, permita-se ficar triste, o luto é parte importante do processo; e deixe que isso morra e se desintegre; finalmente, veja quais novas intenções ou sementes podem ser lançadas nessa área de vida, se for necessário, escreva – não precisa ter necessariamente a ver com aquilo que está indo embora/morrendo, é importante que tenha relação com a mesma área de vida. E confie, no momento certo, você renascerá!

Um ótimo novo ciclo para você!

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A lunação através das casas:

Casa 1 – Casa angular e muito importante. Período de grande ênfase e destaque pessoal. Pode ser um bom período para fazer mudanças na aparência física, verificar atitudes pessoais que não fazem mais sentido. É um ciclo para a transformação pessoal, incluindo aparência física.

Casa 2 – A ênfase  sobre os valores, sejam eles materiais ou imateriais. Pode ser um bom período para reavaliar investimentos e a gestão dos recursos;  especialmente para refletir sobre nossos valores mais essenciais, quais ainda são validos e quais estão datados; como eles influenciam nossas decisões e escolhas.

Casa 3 – O foco sobre estudos e aprendizados, – algo pode estar sendo concluído e finalizado. Comunicação, veículos, viagens curtas, viagens diárias para o trabalho e deslocamentos em geral também são influenciadas por estas energias. Mudanças importantes na relação com irmãos e parentes próximos.

Casa 4 – Outra casa angular de grande ênfase. Assuntos ligados à família de origem, assim como à família formada pelo indivíduo. Mudanças na relação com a figura paterna e com a família em geral. Reformas e mudanças na residência são possíveis de acontecer.

Casa 5 – Transformação na criatividade e expressão pessoal, assim como nos romances e atividades de lazer e relaxamento. Filhos, como expressão mais óbvia de nossa criatividade também se tornam o centro das atenções, especialmente o filho mais velho; novas atividades criativas ficam favorecidas, como artes, danças, música, etc.

Casa 6 – Transformação no trabalho diário, emprego, relação com colegas de trabalho, relação com empregados e servidores, saúde, corpo, cotidiano, bichos de estimação… Todos estes assuntos podem ser impactados por uma lunação nesta casa. É um momento de avaliar com seriedade a forma como cuidamos da saúde e especialmente avaliar o impacto de maus hábitos sobre ela, como fumar, por exemplo. Reorganização do local de trabalho assim como programas de reeducação alimentar ficam beneficiados.

Casa 7 – Outra casa angular. Todas as relações próximas ficam sob os holofotes, sejam parcerias afetivas ou de negócios, assim como amigos mais chegados e também os tais “inimigos declarados”.  Possível término de relacionamentos, assim como possibilidade de início de outros.

Casa 8 – Casa dos valores dos outros, da morte (não necessariamente literal) e renascimento, de crises, de impostos, seguros e heranças. E também do sexo como expressão da parceria íntima.  O período pode ser particularmente “quente” sob os lençóis e novos amantes podem surgir. Favorável à liberação de tabus e inibições sexuais.

Casa 9 – As viagens de longa distancia, assim como as buscas espirituais e a mudança de crenças ocupam nossa atenção quando um eclipse cai nesta casa. Cursos superiores e vida acadêmica, assim como publicações também estão enfatizados e pode ser que ocorra a  conclusão de uma fase importante. Novos conhecimentos que expandem a consciência podem ser iniciados a partir de novos contatos ou até mesmo por um livro que começamos a ler.

Casa 10 – A ultima casa angular, de suma importância. A casa da nossa imagem pública, da carreira, da vocação e também da mãe ou da figura materna arquetípica. Pode haver o arrefecimento do entusiasmo por algum projeto profissional, algo se conclui e termina, para outra fase começar. Eventos ligados à mãe também podem nos afetar.

Casa 11 –  Mudanças importantes nas amizades, pode haver rupturas ou simplesmente o afastamento por mudanças circunstanciais, como mudança de cidade, por exemplo. Podemos decidir não mais participar de algum  grupo ou associação, ou entrar para outro, que sempre quisemos mas nunca tomamos a atitude. Pode haver mudanças significativas nos sonhos e esperanças de futuro.

Casa 12 – A casa da introspecção e do inconsciente. Esqueletos tendem a sair do armário e demandar que lidemos com eles; tabus familiares ou raciais tendem a cair no nosso colo de graça, e não podemos mais fingir que não os vimos; é uma casa de serviço, então somos convidados a prestar serviços que implicam sacrifício ou oferenda de nosso tempo e energia em favor de outros. Podemos nos sentir particularmente introspectivos e sentir o desejo de isolamento e reclusão.

Lua Cheia em Touro – O Essencial Permanece

Desconheço o autor – reprodução

O ciclo iniciado em Libra no dia 19 de outubro atinge seu ápice na Lua Cheia de Touro, neste sábado, às 03h23min no horário de Brasília (Horário Brasileiro de Verão) e às 05h23min no horário de Lisboa. O ciclo de Libra trata, basicamente, de relacionamentos, a Lua Cheia, também e, embora o eixo Touro-Escorpião não tenha a ver com isso de forma direta (Touro-Escorpião trata de relacionamentos no que tange à intimidade e sexualidade), o tema está implicado devido ao ciclo e à posição da regente de Touro, Vênus.

Em Touro queremos e buscamos estabilidade, segurança, firmeza, substância. A Lua Cheia em Touro sinaliza um momento em que a intensidade, a destruição e eliminação simbolizadas por Escorpião precisam ser contrabalançadas pelo vagar, ponderação, solidez e preservação de Touro. É aquele momento em que você desmontou tudo para jogar fora, porque se sente bloqueado, “preso” por tudo o que “possui”, como se tudo fosse um peso morto a lhe arrastar para trás, mas se dá conta que não pode, afinal, jogar tudo fora, porque tem coisas que ainda são necessárias, úteis, coisas que são essenciais para a sua sustentação e sobrevivência. Então precisa proceder com o ritual difícil de separar o que traz segurança real, daquilo que é peso morto, estagnação.

Portanto, além de ser um momento crítico de ponderar sobre o que precisa e deve ser preservado de modo geral na vida – e na área de vida simbolizada pela casa do mapa onde a Lua Cheia ocorre – essa Lua Cheia vem propiciar que a mesma ponderação seja utilizada nas nossas relações.

O ciclo se iniciou com um grande estrondo, com Lua e Sol ficando conjuntos em Libra em oposição próxima a Urano em Áries, indicando um momento crucial de despertar para a qualidade das relações, de deixar de ser tão conciliador, de buscar maior independência, transparência e verdade dentro das relações “certinhas” simbolizadas por Libra. Agora esse estrondo ecoa mais longe, repercutindo na intimidade, na sexualidade, naquilo que nos sustenta e nutre.

A Lua fica Cheia em oposição à conjunção Sol-Júpiter em Escorpião, sextil próximo a Netuno em Peixes e trígono a Plutão em Capricórnio. A oposição a Júpiter sugere a possibilidade de nos conectarmos com a abundância da vida e de nos sentirmos merecedores dela, repercutindo beneficamente na nossa vida. Por outro lado, esse aspecto tenso a Júpiter também indica a amplificação dos temas da lunação, assim como excessos nos desejos e um exagero ainda maior na busca da satisfação de tais desejos e impulsos sensoriais e sensuais. Comida, bebida, sono, sexo… Nunca é o bastante! Sempre queremos mais, e melhor! Satisfação dos instintos e dos sentidos que, dependendo da orientação individual pode se manifestar como satisfação do estômago, da libido ou da segurança material – o impulso é o mesmo e é voraz! A propósito, qual é a nossa fome/necessidade primordial neste momento da nossa vida? Aquilo de que mais se carece pode ser a fonte da voracidade manifestada em outras áreas… Temos fome de sexo/afeto/contato? Podemos nos pegar comendo em demasia para compensar esta carência; temos necessidade de amor/atenção? Podemos nos tornar possessivos em relação a pessoas importantes em nossa vida; temos anseio por segurança? Podemos nos tornar avaros, acumulando dinheiro e posses para nos sentir mais tranquilos… E assim vai!

Touro é o signo das coisas essenciais e o que é essencial para nós? Se nos percebemos compulsivos em relação a alguma coisa, é válido nos perguntar que carências essenciais estamos tentando sanar com tais compulsões. Talvez nem nos demos conta de tais carências e, neste caso, a compulsão/compensação vem funcionar como mascaramento da carência. O ponto chave nos próximos dias é a moderação na satisfação desses prazeres e impulsos sensoriais, para que não tenhamos que lidar com consequências desagradáveis mais à frente.

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Como no Símbolo Sabiano do grau 12 de Touro (11°59’) que coloca a imagem de “um casal jovem andando na rua principal olhando vitrines”. Por que um casal jovem estaria olhando vitrines? O que procuram? Será que pensam já em casar-se e olham o futuro através das vitrines? Será que um pensa em dar um presente ao outro? Será que pensam em presentear uma terceira pessoa? Qualquer que seja o motivo, o fato é que, ao invés de olharem um para o outro, ao invés de conversarem entre si, olham para fora, para uma vitrine de uma loja qualquer. Pode significar que têm objetivos em comum, como naquela frase de Michel Quoist: “Amar não é olhar um para o outro, mas olharem ambos na mesma direção”... Apenas me incomoda o fato de essa direção ser uma vitrine de loja – é, pode ser um preconceito meu, mas talvez isso aponte para o consumismo, a posse material de algo; ou pode apontar a busca por coisas de que se precisa realmente… O que nos leva a outras questões: será que olham para vitrines para evitarem olharem-se nos olhos, olharem um para o outro? Será que olham vitrines para evitar o momento de tensão entre eles mesmos? Será que evitam o vazio que se tornou o relacionamento? Será que cumprem o ritual social do passeio do casal pseudo-apaixonado, para quem até uma vitrine banal é mais interessante do que o parceiro que está ao lado?

Banksy – Reprodução

É interessante tratar-se de um casal jovem… O que me lembra também os casais – e relações de todo tipo – que submergem nos próprios telefones celulares e geringonças eletrônicas ignorando o outro de carne e osso que se encontra à frente ou ao lado, uma versão moderna do “solidão a dois” de que falava Cazuza… Qualquer que seja a interpretação que demos a este Símbolo, é patente que o casal não olha para si, mas para fora, para o mundo exterior. O olhar para fora pode ser salutar, uma forma de sair da identificação excessiva da imagem de casal, um renovar-se ao absorver informações novas e exteriores à realidade relacional. Mas pode também ser um movimento negativo, como dito acima, um evitar enfrentar o outro e os problemas da união, da convivência. Essa imagem dá margem a inúmeras conjecturas, sendo muitas delas possíveis e plausíveis, e talvez mais de uma se aplique ao nosso caso em particular…

Contudo, considerando-se as configurações desta Lua Cheia, talvez este casal esteja evitando olhar para os próprios problemas e se distrai de tais problemas olhando vitrines, um falso otimismo que tentar consertar o que está errado, por exemplo, comprando uma TV nova, um carro novo, tendo um filho, etc… Por que isso? Porque a Lua Taurina se opõe a Júpiter – vamos focar no prazer, no positivo – e Vênus, regente da Lua Cheia está em oposição exata a Urano – que recebia a oposição, também exata, da Lua Nova lá no dia 19 de outubro – sugerindo que os problemas continuam a pipocar, estrondar, mas talvez tentemos fazer ouvidos moucos a eles, focando no aspecto reluzente do mundo exterior.

O quanto este casal está realmente satisfeito com a relação? O quanto confiam um no outro, o quanto confiam no modelo relacional que escolheram – consciente ou inconsciente? E aqui ouso colocar até o tema fidelidade/monogamia, inspirada pelo post de uma amiga/cliente no Facebook e que também tem tudo a ver com esta lunação: fidelidade, monogamia são temas bem Taurinos, porque nascem exatamente do desejo/necessidade da estabilidade e da previsibilidade que dá tanto a sensação de segurança, quanto leva à armadilha do tédio massacrante do cotidiano banal acachapante e fechado a pequenas ousadias que desafiem nosso conceito de “correto”, “seguro”, “confiável”.

É, de fato, uma lunação de contradições: queremos estabilidade, segurança, mas encontramos questionamentos, dúvidas, rebeldia aos modelos tidos como certos, aceitáveis, constantes, estáveis, seja na gestão da vida concreta, seja na vivência dos afetos. Positivamente pode ser um período de empolgação, de novidades, de dinamismo nas relações, mas isso só vale para aquelas relações que são muitos transparentes, cheias de frescor e vitalidade, onde os parceiros são honestos e não têm medo de encarar suas fraquezas e inseguranças, onde não há apegos, nem ao outro, nem aos modelos “certos” de relacionamento – mas, convenhamos, tais relações são a exceção da regra! Para a maioria das relações, pautadas nos modelos ditos “aceitáveis” e seguros, essa lunação traz muitos desafios à estabilidade, à durabilidade e manutenção do status quo.

Vênus em Libra, dona da casa, está em oposição exata a Urano em Áries – depois de ter feito quadratura a Plutão na terça-feira – um aspecto que inclina a rupturas, a eventos inesperados nas parcerias, a situações erráticas influenciando a forma como vemos a nós mesmos e como gerimos nossos valores, etc. Sugere ainda a necessidade de reinventar completamente as relações. Como se não bastasse, Plutão faz quadratura ao Ponto Médio (17’ de distância) entre Vênus e Marte, ou seja, há muita destrutividade ou, no mínimo, desafios, associados ao impulso de amar, à paixão, ao desejo, ao enamoramento, à vida sexual e à união sexual/afetiva. Pode-se dizer, com certeza, que há forças poderosas em movimento e que, embora turbulento e descontrolado, o desejo é intenso e visceral.

Marte, regente tradicional de Escorpião, começa a fazer quadratura a Plutão, o regente moderno deste signo. Marte-Plutão intensificam a questão do desejo, mas também acentuam a agressividade, a necessidade de controle e a possessividade, além de simbolizar uma vontade de ferro e determinação inquebrantável.

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Por isso e por tudo o mais que já foi dito é que podemos afirmar que, por mais que queiramos sombra e água fresca, paz e sossego, ainda não é agora que vamos conseguir, pelo menos não enquanto não enfrentarmos estes questionamentos e incertezas. Positivamente, temos a nosso favor a oportunidade de aplicar nossa imaginação e sensibilidade de forma concreta, de modo a perceber outras necessidades mais sutis, para além daquelas sensoriais, como indicado pelo sextil a Netuno – podemos sim, encontrar soluções criativas para nossos dilemas. O aspecto a Plutão traz resistência à já robusta e obstinada Lua Taurina, sugerindo potencial e capacidade de transformação na gestão dos sentimentos e carências físicas ou emocionais e força e coragem para lidar com os desafios.

Urano destacado, tanto na Lua Nova de Libra quanto agora nesta Lua Cheia sugere um ciclo deveras errático e turbulento, mas também traz possibilidades de despertar, de iluminações fundamentais acerca do nosso valor e do que tem valor para nós. Se vamos agir ou não a partir de tais insights e iluminações, é outra história!

A Lua Cheia assinala períodos em que questões maturam e se tornam conscientes, de nós nos tornarmos aptos a lidar com tais questões… Se lá na Lua Nova Urano simbolizava revelações e iluminações desconfortáveis, que precipitaram caos e turbulência, agora, talvez, com a firmeza de Touro, possamos assentar a cabeça e o coração para, a partir de tais insights, tomar as atitudes essenciais ao nosso desenvolvimento e sustentação, incluindo nas questões relacionais.

No que tange às questões concretas e materiais, é um período que requer cautela nas decisões, nos investimentos e no gerenciamento de bens e dinheiro – há propensão a se gastar por impulso, impensadamente e a se arrepender depois. É hora de avaliar o que é essencial, o que tem valor real e deve ser preservado e o que só dá uma sensação ilusória de segurança, sem nos sustentar realmente, sem nos agregar nada efetivamente. O essencial, aquilo que é realmente sólido, permanece, as muletas devem ser descartadas.

Onde você estiver, Feliz Lua Cheia para você!

OBS: Indivíduos com ângulos e planetas entre os graus 07 e 17 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) sentem mais intensamente essa lunação. A Lua Cheia em Touro pode ainda trazer presentes assuntos que eram importantes no final de abril deste ano (Lua Nova a 06° de Touro – 26 de abril) e ainda reverberar na próxima Lua Nova em Touro, em maio de 2018. É uma lunação para se dar atenção às questões relacionadas a dinheiro, seguranças e ao aspecto material da vida, incluindo a relação com o corpo. Rituais de prosperidade estão favorecidos, assim como a conexão com a abundância da vida e com a própria sensualidade.

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