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Lua Cheia em Leão: a revolução que salva o mundo é uma questão pessoal!

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Paul Souders – Reprodução

A Lua cheia é um momento de crise, uma eclosão das tensões e sementes que foram germinadas e desenvolvidas durante o ciclo. O dia foi, adequadamente, cheio, como Cheia está a Lua. E do que trata essa Lua Cheia? Está cheia de quê? Cheia de peso, mas também de esperança, de alegria, de impulsos selvagens que urgem por não ser domesticados. Está cheia do potencial da ação individual como catalisadora da reforma que tanto ansiamos por ver concretizada.

A Lua Cheia de hoje vem repetir e reiterar os temas do ciclo iniciado com a Lua Nova de Aquário. O indivíduo é a chave e a solução pra os imbróglios em que a humanidade se meteu e continua a se meter. A Lua Cheia ocorre a 14°47′ de Leão, às 21h08min53seg no horário de Brasília e às 23h08min53seg no horário de Lisboa, Portugal.

Além da oposição ao Sol, a Lua se opõe ainda a Mercúrio retrógrado e faz um trígono próximo a Urano em Áries. Mas os aspectos mais sensíveis são quincunces que a Lua faz a Plutão em Capricórnio e a Quíron e Marte em Peixes, o que a torna foco de um Yod bem difícil e imprevisível, colocando-a numa situação periclitante. É como dizer a uma criança que ela tem a responsabilidade de resolver todos os problemas do mundo. Há uma sensação de peso, de perda da espontaneidade frente a tantas forças coletivas carregadas dos pecados e feridas da humanidade; quase como se não nos fosse permitido ser felizes no plano individual, já que a humanidade caminha para um abismo sem fundo; chegamos a nos sentir culpados por almejar uma alegria descompromissada e solta; por almejar a despreocupação da criança que se sabe amada e bem cuidada por pais amorosos responsáveis. E essa criança fica sem entender o que fez de errado, porque é tão inadequado ser feliz, ser alegre, ser especial, ser ela mesma. Embora haja um pai a segurar sua mão (Júpiter) este pai também está sobrecarregado com o peso das pressões coletivas.

Darrin James
Darrin James – Reprodução

Os quatro grandes significadores de mudanças e de limpeza estão em desacordo entre si: Saturno em quadratura a Netuno; Urano em quadratura a Plutão, sugerindo que não há mais como escapar das contas contraídas nas ultimas décadas, quiçá, nos últimos séculos. E o individuo fica espremido, encurralado e acuado pelos pecados próprios, os pecados de seus pais e de muitas gerações antes dele. Ao individuo cabe, pois, pagar essa fatura e tentar reverter o quadro sombrio e pesado.

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Lua Cheia em Leão 3 de fevereiro de 2015, 21:08, hora de Brasília

Este mapa, a exemplo do mapa da Lua Nova de Aquário, traz novamente uma configuração de Ventilador ou Funda, só que dessa vez, ao invés de somente Júpiter isolado de um lado do mapa, temos também a Lua, ou seja, juntamos a legislação e o povo. Todos os demais planetas e o Sol concentram-se no espaço de um trígono: Urano abre o Feixe de planetas a 13 de Áries e Saturno o fecha a 03 de Sagitário – interessante que Urano inicie e Saturno finalize esse “paredão” de planetas, indicando que as idéias Uranianas mais geniais precisam passar pelo crivo da factibilidade Saturnina. Mas o mais importante dessa configuração “Funda” ou baladeira, estilingue, é o fato de estes dois planetas, Júpiter e Lua, estarem no signo de Leão, com o Sol em Aquário, fechando a polaridade Indivíduo-Coletivo. Leão é o signo da criança, da alegria genuína e juvenil, da espontaneidade; é também o signo da confiança em si mesmo e na vida. É hora de resgatarmos nossa alegria, nossa criança interior, em sua mais genuína inocência e confiança para tentarmos salvar o que ainda resta dessa utopia coletiva. Lua e Júpiter como propulsores da Funda ou base do Ventilador nos dizem que cabe ao indivíduo a transformação pessoal, que em ultima instância, reverberará na transformação coletiva. Como diz Marianne Williamson, numa frase que vi na página da colega querida Sheba Remy, “transformação pessoal pode ter e tem efeitos globais; à medida que avançamos, assim também avança o mundo, pois o mundo somos nós. A revolução que vai salvar o mundo é, em ultima instância, uma questão pessoal”. Isso é algo que venho dizendo desde que iniciei este blog, lá nos idos de 2013. É o indivíduo que vai “alimentar” e retro-alimentar essa transformação, vai ser o catalisador, o propulsor da mudança. De novo repito: ele é a peça chave! Se não mudamos nossa visão, nosso comportamento e atitudes individuais, não adiante reclamar dos desmandos e atrocidades que vemos por aí. O mundo sou eu. Eu sou o mundo!

True African Art.com!
True African Art – Reprodução

A essa Lua Cheia, ajudada pela confiança de Júpiter, cabe pois, a percepção do papel do indivíduo. E esse desafio do Yod pode aparecer tanto negativa quanto positivamente. Temos duas situações opostas: uma em que o indivíduo continua com seu comportamento egoísta e auto-centrado, pouco se lixando para os problemas coletivos, a continuar lavando calçadas e tomando banhos de meia hora quando há escassez de água; a continuar a se sentir no direito de ser tratado com regalias quando muitos nem têm o que comer; a perseverar no comportamento irresponsável do uso dos recursos diversos, feito criança que “não está nem aí”. Por outro lado, podemos começar a nos responsabilizar individualmente por tudo isso, e perceber que não é o “estado”, não é “o país”, “a cidade”… Sou eu, minha família, minha vida que somos afetados, a família humana, que é feita de pessoas únicas e singulares. Também não podemos esquecer que o sistema deve existir para servir à pessoa humana, e não o contrário, como vemos hoje. E essa Lua Cheia vem nos lembrar disso com muita crueza: o papel do individuo dentro do sistema; não como mera engrenagem, mas como parte do organismo vivo da vida; se somos esmagados pelo “sistema”, é porque a idéia em si da comunidade humana foi desvirtuada e precisa ser revista.

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Reprodução

Hoje também vi uma notícia triste e que deveria ser chocante, mas que nas manchetes atuais, já se tornou banal: uma leoa morreu em decorrência de maus tratos diversos, mas principalmente porque lhe foram arrancados os dentes e as unhas, pra que se tornasse um “animal doméstico”. Isso aconteceu no México, acredito que esta semana – a notícia é do dia 02/02 – veja a notícia aqui. Que coisa mais pavorosa! Que horrenda é esta nossa humanidade! Para mim essa noticia é bastante sintomática e simbólica dos desafios dessa Lua Cheia em Leão. Leão é uma besta selvagem, assim como a criança, quando está crescendo ainda é meio selvagem em sua inocência e simplicidade na visão de mundo. Mas hoje não nos é permitido ser “selvagens”, expressar nossa alma mais autêntica e cheia dos potenciais não domesticados, não domados. Temos que caber “nos padrões” socialmente aceitáveis; temos que corresponder à norma social, e mesmo em Aquário, o signo da rebeldia, podemos nos deparar com esse sonho tornado pesadelo: já que todos são iguais, ninguém pode se destacar em sua singularidade, ninguém pode ser especial, todos precisam ser domesticados, “para o bem comum”, para a “melhoria do todo”. Domesticar o espírito selvagem, será esta a saída? Duvido. Precisamos de civilidade, sim. leoa e humanoMas seria extremamente salutar, a essa altura, voltarmos a algumas práticas e vivencias de nossos ancestrais, de mais comunhão com o planeta em que vivemos, com a natureza; de autorizarmos nossa natureza selvagem a “dar as caras” de vez em quando e abraçá-la, ao invés de temê-la, nem que seja para nos defender do excesso de  domesticação; de percebermos que todos somos parte do mesmo organismo e que se uma pata está ferida e não é tratada, o organismo inteiro pode sucumbir e perecer. “Olha ela, que papo mais romântico, mais idealista!” E qual o problema em sermos minimamente românticos? Afinal, o Fogo é o mais romântico dos elementos, é idealista até a medula. Precisamos de uma saudável dose de romantismo, que se mescle à realidade dura à nossa frente.Se não pudermos visionar um futuro possível e apreciável, para que viver? Excesso de domesticidade pode ser letal para o espírito e Urano e Júpiter vêm nos lembrar disso hoje: não deixem que nos arraquem nossas unhas e dentes, pois que seremos incapazes de nos defender. É isso o simbolismo mais triste da morte dessa leoa: o homem tentando domesticar  a natureza selvagem, arrancando-lhes dentes e unhas, para nem mesmo possa se defender. Mas como é tolo este homo sapiens!

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@AfricanPics – Reprodução

O símbolo Sabiano do grau 14 de Leão traz uma imagem de alegria e celebração: “um desfile se move por uma rua cheia de gente”. Uma imagem que vem, de fato, recuperar a alegria do Grande Felino do Zodíaco. A imagética é clara: pessoas se juntam para celebrar alguma conquista, algum feito especial, mesmo que seja algo pertencente ao calendário anual que celebra feitos históricos e passados. De qualquer forma, há uma atmosfera de diversão de alegria, de pessoas estarem unidas por afinidades várias, que envolvem o senso de comunidade, mas também de alegria. É hora de relaxar e celebrar, a despeito das preocupações, das demandas e desafios que a vida nos traz. Essa é nossa mensagem de hoje: a despeito de tanta dificuldade e de tantos desafios, não podemos perder o senso da alegria, do sentido de estarmos vivos; não podemos perder nosso espírito selvagem, que ainda crê que atrocidades são exceção e não a regra. Que há, pululando mais e mais, atitudes individuais positivas que contaminam beneficamente a outros, e que, se tivermos sorte, poderá se tornar algo coletivo; que uma hora dessas um desses “indivíduos” seja um chefe de estado, alguém que detém o poder de alterar muitos destinos com suas decisões. Podemos aqui invocar a teoria da ressonância mórfica de Rupert Sheldrake e acreditar que em algum momento, chegaremos ao centésimo macaco, quando a transformação individual se tornará coletiva, e não será só mais uma utopia, mas uma realidade… Mas para isso, é preciso não duvidar da força individual; é preciso acreditar também que a alegria transforma, que tem um poder desestruturador dos sistemas engessados, que perderam o costume de rir, de ser leves, tornando-se excessivamente solenes e sérios; deixaram de ser inovadores, deixaram de ser crianças e se tornaram Senex.

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Saturno – Wikigallery.org – Reprodução

Sob risco de me repetir, digo novamente: a transformação coletiva depende do indivíduo. A pessoa, na sua psique individual, é a Grande Opus que vai pôr a transformação coletiva em movimento. Aqui é preciso ser muito Leonino: olhemos para nosso próprio umbigo e cuidemos de nossa responsabilidade individual.

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fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net – Reprodução

Leão também é o signo que rege o coração, tanto no plano físico-orgânico, quanto no plano anímico. É preciso ter “Coração de Leão”, um coração corajoso, mas também gentil e magnânimo, pois só os genuinamente fortes conseguem ser gentis. Um coração que confie até o ultimo minuto, que a alegria, a fé e a benevolência podem vencer a mais sombria das perspectivas. Abramos, pois nosso coração e sejamos mais generosos e magnânimos uns com os outros e com a própria vida, em suas mais diversas faces, seja animal, vegetal, mineral ou humana. E viva o Leão e a Criança selvagens!

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Marilyn Simandle – Reprodução http://marilynsimandle.com/prophetic-art/

Feliz Lua cheia para você!

Lua Nova em Aquário: o indivíduo é a peça crucial

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O Casamento Sagrado da Lua e do Sol Desconheço o Autor – Reprodução

A Lua foi nova esta manhã às 11h13min, hora de Brasília e às 13h13min hora de Lisboa, Portugal. O Sol ingressou em Aquário ás 07h44min, deixando para trás as preocupações com o mundo concreto da realidade e adentrando o reino das visões futurísticas e dos interesses humanitários. Sai de cena o indivíduo e entra o grupo. Será?

Coisas interessantes acontecem hoje, quando as configurações estelares se modificam com a ingressão de Sol e Lua no Ar de Aquário. Temos, pois, Sol, Lua, Vênus e Mercúrio em Aquário. E Marte ainda em conjunção quase exata com Netuno em Peixes e dirigindo-se para a união com Quíron. A dicotomia Ar e Água enfatiza bem a polarização das funções Pensamento e Sentimento na psique. Um conflito básico para o ciclo é se avaliamos e julgamos informações e acontecimentos a partir de critérios lógicos e da mente racional ou se o julgamento é feito a partir da Função Sentimento, considerando o que é importante para mim e para você, considerando os vínculos e os envolvimentos estritamente pessoais.

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Detalhe da obra “Aquário”, de Johfra Bosschart – Reprodução

A Lua Nova mais uma vez ocorre no grau Zero do signo. Esta ocorre com Sol e Lua a 00°08’ e como já disse em vários outros artigos, o grau zero é um grau crítico que traz a potência máxima e crua daquele signo. Outra coisa interessante de se notar é que no mapa levantado para Brasília e válido para todo o Brasil, a Lua Nova cai na Casa 11, a casa natural de Aquário, o que repete, de certa forma, todos os seus temas.

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Prometeu traz o Fogo à Humanidade – Heinrich Friedrich Füger – Wikimedia Commons

Aquário é um signo voltado para as causas sociais, como diz Liz Greene, ele é o grande “assistente social” do Zodíaco. É profundamente idealista, um visionário que se volta para a melhor versão das coisas, das pessoas e das sociedades. Mas o ponto mais importante que quero destacar aqui é que Aquário fala das utopias, ou melhor da Utopia Humana de um mundo perfeito em que todos são iguais, livres e vivem como irmãos, respeitando-se e ajudando-se mutuamente. A Grande utopia Humana começa exatamente com Prometeu, o patrono de Aquário, aquele que roubou o Fogo dos Deuses para dar à humanidade a visão, a fé e a perspectiva de um futuro melhor – para ler mais sobre este mito e sobre o signo de Aquário, clique aqui.  Mas Prometeu, idealista que era, estava cego pela visão de futuro que projetava diante de si, alheio aos riscos implicados; alheio, principalmente, à falível natureza humana e à sua própria hubris, à sua própria arrogância de se achar acima dos deuses, acima do deus maior, Zeus. Assim, os ideais progressistas e humanitários são a benção e a maldição de Aquário. Porque ele foca tanto nesta visão que esquece o aqui e o agora, ignorando que a humanidade é feita de humanos, indivíduos, passiveis de corromperem e de serem corrompidos, sedentos de poder e de reconhecimento pessoal (Leão), coisa que se for ignorada, somente piorará os resultados.

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Lucas Cranach, o Velho – A Era de Ouro – Wikimedia Commons

Na Astrologia Clássica, Aquário é regido por Saturno, que era o regente da Era de Ouro, em si mesma uma descrição de uma sociedade utópica. Liz Greene fala em um de seus muitos seminários (1) que os humanos normalmente não entram nos mitos relacionados a Saturno, mas neste caso específico, a Era Dourada era toda sobre os humanos. A Era Dourada, diz ela, é a descrição de uma sociedade ideal, a imagem de um modelo, uma visão de algo que funcionava de forma perfeita e onde cada um sabia seu lugar; onde as pessoas e comunidades estavam em sintonia com as leis da agricultura, das estações, com os ciclos da natureza; onde havia uma afinidade natural com as leis que sustentavam a vida, como manifestação das qualidades do deus. Aquário e a Casa 11, regidos por Saturno, falam pois, de uma forte moralidade, de códigos éticos severos que não devem ser violados. É um sistema social como um ideal – mas não era uma democracia, já que era presidida por Saturno. Viver nesta sociedade demandava estar afinado com essas leis naturais que regiam o sistema; exigia um reconhecimento tácito dos limites dos outros, dos limites sociais e dos limites da própria natureza; exigia um respeito pelo papel que cada um tinha, sem violá-lo. Essa utopia Aquariana já foi sonhada muitas vezes, por sistemas sociais e econômicos diversos e em algum momento, o sonho desanda e vira pesadelo, basicamente porque o indivíduo, como tal, é esquecido, tanto nos seus talentos quanto nos seus pecados.

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Reprodução de Google Imagens

E o que vemos hoje? Uma sociedade doente, prestes a sucumbir ao caos de uma nova guerra “santa” e se não nos destruirmos através das guerras, certamente o faremos pelo “estilo de vida” que levamos atualmente e que não se sustenta. Ao contrário dos humanos da Era Dourada regida por Saturno, não estamos em sintonia com as leis da natureza, não respeitamos seus ciclos e seus limites; não respeitamos os limites do outro, menos ainda muitos dos limites sociais; e também não reconhecemos nem respeitamos o papel que cada um deveria realizar e executar, já que é “cada um por si e Deus por todos”, quero tanto para mim, que avanço no limite do que deveria ser do outro. Não preciso elencar aqui descrições de porque somos uma sociedade doente e falida, as evidencias falam por si. Porém, como dizia Jung se há algo errado com a sociedade, há algo errado com o indivíduo; se a psique coletiva está mal, é apenas reflexo do ocorre com a psique individual. Então, se a sociedade precisa de reforma, reformemos o indivíduo… Como? Cada um reformando a si mesmo, mas com a sociedade provendo o suporte para tanto.

For One Day, Alice Madness Returns Comes To Life kokatu
Por Um dia, Alice: o Retorno da Loucura ganha Vida – Encontrado em Kotaku – Reprodução

A Lua Nova ocorre de mãos dadas aos dois regentes de Aquários: por um lado faz um sextil a Saturno em Sagitário; por outro faz um quintil a Urano, um aspecto menor, de 72 graus, considerado extremamente criativo. Interessantemente, são os dois únicos aspectos feitos pela Lua e pelo Sol. Para mim, isso implica uma necessidade de, no melhor espírito Aquariano, fundir as mais altas qualidades de ambos os regentes: a tradição e observação das leis simbolizadas por Saturno sem se deixar enrijecer por elas, mas ao contrário, trazendo junto a inovação e espírito livre de Urano. Todavia, são aspectos que demandam trabalho e comprometimento. Implicam uma oportunidade que podemos agarrar ou não. Não nos é dado de graça, precisamos nos mover e ir atrás. Estamos dispostos?

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Banksy – Insane – Reprodução

O Símbolo Sabiano do grau Zero de Aquário traz uma imagem sobre a qual vale a pena refletir: “Uma velha missão de adobe na Califórnia”. Ora, o que são missionários? Pessoas que se movem por um ideal, que sacrificam interesses pessoais em nome do grupo, em nome de uma idéia e de sua propagação, em nome, em ultima instância, do melhoramento da raça humana. O que eram as missões? Lugares erigidos com grande sacrifício e esforço, símbolo de comprometimento e que davam um “senso de comunidade com um olho no caminho e outro nas necessidades básicas e diárias das pessoas que por ela eram servidas”, diz Lynda Hill. Novamente temos o símbolo de uma sociedade ideal, uma vida em comunidade onde há uma observância de certas regras e ciclos e onde há um uso adequado dos recursos naturais. Uma missão é também um lugar de refúgio, de retiro e suporte espiritual, onde podemos também encontrar pessoas afins, a comunidade. Este símbolo nos conclama a voltarmos para o básico, para os ideias puros, mesmo que não saibamos o impacto de nossa ação no futuro distante e na vida daqueles a quem tocamos e com quem entramos em contato, direta ou indiretamente. É preciso tentar, ter fé, criar o espírito de comunidade, sem esquecer das necessidades básicas individuais de cada um. E sem esquecer também de vigiar nossa hubris, nossa arrogância sempre presente.

New_Harmony_by_F._Bate_(View_of_a_Community,_as_proposed_by_Robert_Owen)_printed_1838
Nova harmonia – F. Bate, 1838 – visão de uma comunidade, como proposta por Robert Owen Wikimedia Commons

Outra coisa fundamental de se observar é que Mercúrio estaciona hoje em Aquário, ficando retrógrado amanhã, exatamente quando estiver recebendo a conjunção da Lua e um grau próximo à oposição com a Lua Cheia no dia três de fevereiro – a Lua será Cheia a 14° de Leão e Mercúrio fica retrógrado a 17° de Aquário. Por tudo isso, mais a influência da retrogradação de Mercúrio, acredito que essa Lua Nova vem nos convidar a, além de plantar novas sementes de novos pensamentos e novas visões, a REver nossos ideais e utopias mais caros e recuperar a habilidade de pensar de forma abstrata e de maneira ordenada, que é a síntese da dupla regência do signo, de Saturno e Urano. Precisamos também REvisar nossos padrões de pensamentos, nossos processos mentais e suas influências vibracionais no todo, porque sim, a massa é feita de indivíduos e quando vigio a mim e a meu comportamento, atitudes, e atuação no mundo, responsabilizando-me pelo que emito de bom e de ruim, certamente influencio o mundo de alguma maneira. Marte continua em conjunção próxima a Netuno e podemos até pensar que a tarefa é grande demais para ser empreendida, mas novamente, se cada um faz sua parte… E o que é fazer a “sua parte”? Coisas simples e pequenas que podem, sim, mudar a engrenagem das coisas: consumir menos, por exemplo; plantar árvores no seu jardim, na frente da sua casa; não jogar lixo na rua… Tantas atividades corriqueiras que não nos damos conta do impacto que têm no coletivo… Se a sociedade vai mal, antes de me atirar a ajudar uma comunidade lá na África – nada de errado com isso, por favor! – por que não começar no meu próprio núcleo, na minha própria casa? O erro básico de Aquário é esse: ver o todo, a massa e ignorar aquele que está perto e é neste erro que não podemos incorrer.

chirico meia noite sob o sol
Meia Noite Sob o Sol – Giorgio di Chirico – Reprodução

Para terminar, algo que me chama muito a atenção neste mapa de Lua Nova é que temos dez “planetas” contidos num espaço pouco maior que um trígono, com Júpiter permanecendo como um planeta solitário do lado oposto do mapa e recebendo a oposição de Mercúrio e Vênus em Aquário. A essa configuração dá-se o nome de “Balde” ou “Ventilador” – depende das orbes que o astrólogo utiliza. De qualquer forma, seja Balde ou Ventilador, Júpiter detém o papel crucial nesta configuração, que pode tanto funcionar como canal de saída e expressão para todas as energias dos demais planetas (padrão Balde) ou como o grande alimentador dos demais corpos celestes (padrão Ventilador).

Lua Nova Aquario
Lua Nova em Aquário para Brasília: 20 de janeiro de 2015, às 11h13min.

Ora, Júpiter está em Leão, o signo do INDIVÍDUO. Ou seja, depende do indivíduo, mais do que nunca, ser a peça chave de transformação social, de transformação do padrão de pensamentos, de crenças e de atitudes. Sem indivíduo não há comunidade, não há sociedade, não há humanidade. Assim, somos convidados a assumir nosso papel e responsabilidade individual pela falência da utopia, pelo caos generalizado que está diante de nós, seja financeiro, social, político, ambiental ou humano. E, para além disso, somos convidados e exigidos a assumir nossa responsabilidade individual pela recuperação do sistema – se é que isso é possível! Talvez a utopia não seja possível, mas talvez seja possível resgatar a fé no elemento humano, no indivíduo como gerador e catalisador de transformação coletiva. É preciso vigiar nossas crenças, nossos ideais, nossos padrões de pensamentos; revê-los, revisá-los. E é preciso, sobretudo, assumir o poder pessoal de mudança que cada um contém em si mesmo; poder de mudança que começa desde a minha vibração energética, ao padrão de pensamentos que alimento, até a minha atitude concreta no mundo e nas minhas relações, com os outros seres humanos e com o ambiente onde estou inserido. Júpiter é muito importante também porque ele foi fundamental no mito de Prometeu, já que foi contra ele, principalmente, que Prometeu pecou desobendo às suas ordens explícitas. Foi Júpiter que puniu a Prometeu e quem no final o liberou do sofrimento eterno. Não podemos então, nos esquecer que há uma ordem universal e que hálimites para nossa visão, mesmo a mais luminosa delas. Queremos uma utopia? Queremos uma Era de Ouro? Trabalhemos por ela! Mas sem nos tornar arrogantes achando que não limites para nosso poder e que o fato de termos um projeto de melhoramento das coisas estamos isentos de cumprir os deveres básicos. Sobretudo, com este Júpiter tão destacado é preciso lembrar que os fins NÃO justificam os meios. A meu ver, sendo meio pessimista, acho que esta utopia está cada vez mais distante de nós, mas, por outro lado, sendo otimista ao extremo, acho que ainda é possível – se o indivíduo acordar para seu papel crucial!

Feliz Lua Nova pra você!

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Lua Nova – encontrado no wishflowers.com – Reprodução

OBS: No plano mais pático a Lua Nova em Aquário nos pede uma renovação das intenções e propósitos no âmbito das relações sociais e das amizades; das nossas grandes esperanças e dos projetos de futuro; dos nossos padrões de pensamentos e abstrações. Em que área isso se dá depende da casa em que a Lunação ocorre no Mapa Natal.

(1) Liz Greene em O ciclo de Lunação Progredido – Seminário dado como parte do Programa da Primavera de 2011 do Centro de Astrologia Psicológica de Londres – em Londres, 8 de maio de 2011.