Arquivo da tag: Dinheiro

Lua Cheia em Touro – O Essencial Permanece

Desconheço o autor – reprodução

O ciclo iniciado em Libra no dia 19 de outubro atinge seu ápice na Lua Cheia de Touro, neste sábado, às 03h23min no horário de Brasília (Horário Brasileiro de Verão) e às 05h23min no horário de Lisboa. O ciclo de Libra trata, basicamente, de relacionamentos, a Lua Cheia, também e, embora o eixo Touro-Escorpião não tenha a ver com isso de forma direta (Touro-Escorpião trata de relacionamentos no que tange à intimidade e sexualidade), o tema está implicado devido ao ciclo e à posição da regente de Touro, Vênus.

Em Touro queremos e buscamos estabilidade, segurança, firmeza, substância. A Lua Cheia em Touro sinaliza um momento em que a intensidade, a destruição e eliminação simbolizadas por Escorpião precisam ser contrabalançadas pelo vagar, ponderação, solidez e preservação de Touro. É aquele momento em que você desmontou tudo para jogar fora, porque se sente bloqueado, “preso” por tudo o que “possui”, como se tudo fosse um peso morto a lhe arrastar para trás, mas se dá conta que não pode, afinal, jogar tudo fora, porque tem coisas que ainda são necessárias, úteis, coisas que são essenciais para a sua sustentação e sobrevivência. Então precisa proceder com o ritual difícil de separar o que traz segurança real, daquilo que é peso morto, estagnação.

Portanto, além de ser um momento crítico de ponderar sobre o que precisa e deve ser preservado de modo geral na vida – e na área de vida simbolizada pela casa do mapa onde a Lua Cheia ocorre – essa Lua Cheia vem propiciar que a mesma ponderação seja utilizada nas nossas relações.

O ciclo se iniciou com um grande estrondo, com Lua e Sol ficando conjuntos em Libra em oposição próxima a Urano em Áries, indicando um momento crucial de despertar para a qualidade das relações, de deixar de ser tão conciliador, de buscar maior independência, transparência e verdade dentro das relações “certinhas” simbolizadas por Libra. Agora esse estrondo ecoa mais longe, repercutindo na intimidade, na sexualidade, naquilo que nos sustenta e nutre.

A Lua fica Cheia em oposição à conjunção Sol-Júpiter em Escorpião, sextil próximo a Netuno em Peixes e trígono a Plutão em Capricórnio. A oposição a Júpiter sugere a possibilidade de nos conectarmos com a abundância da vida e de nos sentirmos merecedores dela, repercutindo beneficamente na nossa vida. Por outro lado, esse aspecto tenso a Júpiter também indica a amplificação dos temas da lunação, assim como excessos nos desejos e um exagero ainda maior na busca da satisfação de tais desejos e impulsos sensoriais e sensuais. Comida, bebida, sono, sexo… Nunca é o bastante! Sempre queremos mais, e melhor! Satisfação dos instintos e dos sentidos que, dependendo da orientação individual pode se manifestar como satisfação do estômago, da libido ou da segurança material – o impulso é o mesmo e é voraz! A propósito, qual é a nossa fome/necessidade primordial neste momento da nossa vida? Aquilo de que mais se carece pode ser a fonte da voracidade manifestada em outras áreas… Temos fome de sexo/afeto/contato? Podemos nos pegar comendo em demasia para compensar esta carência; temos necessidade de amor/atenção? Podemos nos tornar possessivos em relação a pessoas importantes em nossa vida; temos anseio por segurança? Podemos nos tornar avaros, acumulando dinheiro e posses para nos sentir mais tranquilos… E assim vai!

Touro é o signo das coisas essenciais e o que é essencial para nós? Se nos percebemos compulsivos em relação a alguma coisa, é válido nos perguntar que carências essenciais estamos tentando sanar com tais compulsões. Talvez nem nos demos conta de tais carências e, neste caso, a compulsão/compensação vem funcionar como mascaramento da carência. O ponto chave nos próximos dias é a moderação na satisfação desses prazeres e impulsos sensoriais, para que não tenhamos que lidar com consequências desagradáveis mais à frente.

Reprodução

Como no Símbolo Sabiano do grau 12 de Touro (11°59’) que coloca a imagem de “um casal jovem andando na rua principal olhando vitrines”. Por que um casal jovem estaria olhando vitrines? O que procuram? Será que pensam já em casar-se e olham o futuro através das vitrines? Será que um pensa em dar um presente ao outro? Será que pensam em presentear uma terceira pessoa? Qualquer que seja o motivo, o fato é que, ao invés de olharem um para o outro, ao invés de conversarem entre si, olham para fora, para uma vitrine de uma loja qualquer. Pode significar que têm objetivos em comum, como naquela frase de Michel Quoist: “Amar não é olhar um para o outro, mas olharem ambos na mesma direção”... Apenas me incomoda o fato de essa direção ser uma vitrine de loja – é, pode ser um preconceito meu, mas talvez isso aponte para o consumismo, a posse material de algo; ou pode apontar a busca por coisas de que se precisa realmente… O que nos leva a outras questões: será que olham para vitrines para evitarem olharem-se nos olhos, olharem um para o outro? Será que olham vitrines para evitar o momento de tensão entre eles mesmos? Será que evitam o vazio que se tornou o relacionamento? Será que cumprem o ritual social do passeio do casal pseudo-apaixonado, para quem até uma vitrine banal é mais interessante do que o parceiro que está ao lado?

Banksy – Reprodução

É interessante tratar-se de um casal jovem… O que me lembra também os casais – e relações de todo tipo – que submergem nos próprios telefones celulares e geringonças eletrônicas ignorando o outro de carne e osso que se encontra à frente ou ao lado, uma versão moderna do “solidão a dois” de que falava Cazuza… Qualquer que seja a interpretação que demos a este Símbolo, é patente que o casal não olha para si, mas para fora, para o mundo exterior. O olhar para fora pode ser salutar, uma forma de sair da identificação excessiva da imagem de casal, um renovar-se ao absorver informações novas e exteriores à realidade relacional. Mas pode também ser um movimento negativo, como dito acima, um evitar enfrentar o outro e os problemas da união, da convivência. Essa imagem dá margem a inúmeras conjecturas, sendo muitas delas possíveis e plausíveis, e talvez mais de uma se aplique ao nosso caso em particular…

Contudo, considerando-se as configurações desta Lua Cheia, talvez este casal esteja evitando olhar para os próprios problemas e se distrai de tais problemas olhando vitrines, um falso otimismo que tentar consertar o que está errado, por exemplo, comprando uma TV nova, um carro novo, tendo um filho, etc… Por que isso? Porque a Lua Taurina se opõe a Júpiter – vamos focar no prazer, no positivo – e Vênus, regente da Lua Cheia está em oposição exata a Urano – que recebia a oposição, também exata, da Lua Nova lá no dia 19 de outubro – sugerindo que os problemas continuam a pipocar, estrondar, mas talvez tentemos fazer ouvidos moucos a eles, focando no aspecto reluzente do mundo exterior.

O quanto este casal está realmente satisfeito com a relação? O quanto confiam um no outro, o quanto confiam no modelo relacional que escolheram – consciente ou inconsciente? E aqui ouso colocar até o tema fidelidade/monogamia, inspirada pelo post de uma amiga/cliente no Facebook e que também tem tudo a ver com esta lunação: fidelidade, monogamia são temas bem Taurinos, porque nascem exatamente do desejo/necessidade da estabilidade e da previsibilidade que dá tanto a sensação de segurança, quanto leva à armadilha do tédio massacrante do cotidiano banal acachapante e fechado a pequenas ousadias que desafiem nosso conceito de “correto”, “seguro”, “confiável”.

É, de fato, uma lunação de contradições: queremos estabilidade, segurança, mas encontramos questionamentos, dúvidas, rebeldia aos modelos tidos como certos, aceitáveis, constantes, estáveis, seja na gestão da vida concreta, seja na vivência dos afetos. Positivamente pode ser um período de empolgação, de novidades, de dinamismo nas relações, mas isso só vale para aquelas relações que são muitos transparentes, cheias de frescor e vitalidade, onde os parceiros são honestos e não têm medo de encarar suas fraquezas e inseguranças, onde não há apegos, nem ao outro, nem aos modelos “certos” de relacionamento – mas, convenhamos, tais relações são a exceção da regra! Para a maioria das relações, pautadas nos modelos ditos “aceitáveis” e seguros, essa lunação traz muitos desafios à estabilidade, à durabilidade e manutenção do status quo.

Vênus em Libra, dona da casa, está em oposição exata a Urano em Áries – depois de ter feito quadratura a Plutão na terça-feira – um aspecto que inclina a rupturas, a eventos inesperados nas parcerias, a situações erráticas influenciando a forma como vemos a nós mesmos e como gerimos nossos valores, etc. Sugere ainda a necessidade de reinventar completamente as relações. Como se não bastasse, Plutão faz quadratura ao Ponto Médio (17’ de distância) entre Vênus e Marte, ou seja, há muita destrutividade ou, no mínimo, desafios, associados ao impulso de amar, à paixão, ao desejo, ao enamoramento, à vida sexual e à união sexual/afetiva. Pode-se dizer, com certeza, que há forças poderosas em movimento e que, embora turbulento e descontrolado, o desejo é intenso e visceral.

Marte, regente tradicional de Escorpião, começa a fazer quadratura a Plutão, o regente moderno deste signo. Marte-Plutão intensificam a questão do desejo, mas também acentuam a agressividade, a necessidade de controle e a possessividade, além de simbolizar uma vontade de ferro e determinação inquebrantável.

Reprodução

Por isso e por tudo o mais que já foi dito é que podemos afirmar que, por mais que queiramos sombra e água fresca, paz e sossego, ainda não é agora que vamos conseguir, pelo menos não enquanto não enfrentarmos estes questionamentos e incertezas. Positivamente, temos a nosso favor a oportunidade de aplicar nossa imaginação e sensibilidade de forma concreta, de modo a perceber outras necessidades mais sutis, para além daquelas sensoriais, como indicado pelo sextil a Netuno – podemos sim, encontrar soluções criativas para nossos dilemas. O aspecto a Plutão traz resistência à já robusta e obstinada Lua Taurina, sugerindo potencial e capacidade de transformação na gestão dos sentimentos e carências físicas ou emocionais e força e coragem para lidar com os desafios.

Urano destacado, tanto na Lua Nova de Libra quanto agora nesta Lua Cheia sugere um ciclo deveras errático e turbulento, mas também traz possibilidades de despertar, de iluminações fundamentais acerca do nosso valor e do que tem valor para nós. Se vamos agir ou não a partir de tais insights e iluminações, é outra história!

A Lua Cheia assinala períodos em que questões maturam e se tornam conscientes, de nós nos tornarmos aptos a lidar com tais questões… Se lá na Lua Nova Urano simbolizava revelações e iluminações desconfortáveis, que precipitaram caos e turbulência, agora, talvez, com a firmeza de Touro, possamos assentar a cabeça e o coração para, a partir de tais insights, tomar as atitudes essenciais ao nosso desenvolvimento e sustentação, incluindo nas questões relacionais.

No que tange às questões concretas e materiais, é um período que requer cautela nas decisões, nos investimentos e no gerenciamento de bens e dinheiro – há propensão a se gastar por impulso, impensadamente e a se arrepender depois. É hora de avaliar o que é essencial, o que tem valor real e deve ser preservado e o que só dá uma sensação ilusória de segurança, sem nos sustentar realmente, sem nos agregar nada efetivamente. O essencial, aquilo que é realmente sólido, permanece, as muletas devem ser descartadas.

Onde você estiver, Feliz Lua Cheia para você!

OBS: Indivíduos com ângulos e planetas entre os graus 07 e 17 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) sentem mais intensamente essa lunação. A Lua Cheia em Touro pode ainda trazer presentes assuntos que eram importantes no final de abril deste ano (Lua Nova a 06° de Touro – 26 de abril) e ainda reverberar na próxima Lua Nova em Touro, em maio de 2018. É uma lunação para se dar atenção às questões relacionadas a dinheiro, seguranças e ao aspecto material da vida, incluindo a relação com o corpo. Rituais de prosperidade estão favorecidos, assim como a conexão com a abundância da vida e com a própria sensualidade.

Desconheço o autor – reprodução

As 12 Noites Sagradas – TOURO e o mundo dos sentidos

tourooBom. Hoje é o dia de Touro. Certo.

Vamos devagar, porque não precisamos ter pressa.

Edna Andrade (1), na sua programação das 12 Noites, inspirada por Steiner diz sobre esta noite: “Foram as forças do Touro que configuraram a laringe, o órgão da fala que, segundo o Steiner, está em transformação e que nos estágios evolutivos futuros do ser humano a palavra terá de novo a força plasmadora referida nas Gênesis de todas as religiões. No princípio era o verbo e o verbo estava em Deus.

A palavra será como uma lança sagrada de expressão do amor divino.

Nesta Noite Santa através do portal do Touro o Espírito Santo emana a plenitude do amor divino inspirada como persistência em relação ao que se pretende alcançar.”

 

mae e bebe
Reprodução

Nascemos em Áries e em Touro descobrimos que temos um corpo, descobrimos a textura das coisas. Touro é o bebê brincando com a comida, descobrindo novos sabores, novas texturas. É o bebê brincando com os pés, chupando as mãozinhas, perdido nesse mundo de prazeres sensoriais. Descobrindo que o seio da mamãe não alimenta somente sua barriguinha, mas também lhe dá sensação de conforto, segurança, prazer.

Sidney_Hall_-_Urania's_Mirror_-_Taurus
A constelação de Touro – Do Espelho de Urania, um conjunto de cartões celestiais by Jehoshaphat Aspin – Wikimedia Commons

 

Touro é o primeiro signo de TERRA. É Terra Fixa, Feminina, Passiva, Negativa. Ao contrário de Áries que age de forma rápida, impaciente e decidida, TOURO age de modo totalmente deliberado. Leva muito tempo analisando uma situação antes de tomar decisões. Ele nunca se precipita.  E nem adianta tentar apressá-lo, isso só vai fazer com que ele demore mais ainda. De propósito. Touro é prático, cauteloso, paciente. Aliás, ele não está interessado em “fazer” nada, a ele interessa apenas SER. E TER, claro! Quase nada o tira do sério. Quase nada. Mas quando algo de fato o tira do sério, saia da frente porque é o próprio estouro da boiada. Lembra de Ferdinando, o Touro? Pois é.

touro_feat-672x372
Reprodução

Regido por Vênus-Afrodite, a deusa do Amor, da Beleza e do Sexo,  ele é extremamente charmoso e envolvente. Sensual, sensorial e táctil, vive e interpreta o mundo através dos sentidos, aliás, os sete Pecados Capitais são um problema. Amante da BOA VIDA, dos prazeres e da segurança material, um Taurino de bolso vazio, sem mesa farta e sem SEXO torna-se frustrado e terrivelmente mal humorado. Mas não se preocupe, ambicioso como ele é, esse estado de coisas não dura para sempre e ele logo dá um jeito de reverter a situação. Conservador, não é muito afeito a mudanças bruscas. Gosta da TRADIÇÃO e daquilo que já foi exaustivamente testado. Ser original não é uma de suas preocupações – isso é para Aquário, signo com o qual está em desarmonia. Tudo com ele tem que ser mastigado e digerido lentamente, e principalmente, absorvido, tranquilamente. Seu lema é “devagar e sempre”.

dalizodiac_taurus
Touro – Salvador Dali – Reprodução

O mundo de Touro é o mundo tangível, PALPÁVEL, a realidade do aqui e agora. Por isso é o grande CONSTRUTOR. Seu objetivo é construir algo sólido, de preferência que dure pra sempre e que resista aos mais terríveis terremotos. É PERSEVERANTE, determinado e REALISTA, às vezes vendo o mundo com um excesso de literalismo, exigindo “ver para crer”, o que o faz parecer de pouca poesia e, às vezes, de visão estreita. Ele diria que não é visão estreita, apenas questão de BOM SENSO, afinal, quem é louco de querer correr riscos desnecessários? Sim, ele é TEIMOSO e INFLEXÍVEL, Mas tudo bem, isso é adequado para o Touro, que é completamente orientado para a SEGURANÇA e a ESTABILIDADE. Mas o problema é que tanta estabilidade muitas vezes leva à ESTAGNAÇÃO e ao APEGO, um dos grandes problemas do boi, especialmente o apego a coisas materiais, e às vezes também a pessoas – sim, ele acha que você já é parte do PATRIMÔNIO dele. Essa ROCHA que tanto oferece segurança e que é símbolo de CONFIABILIDADE pode, quando negativo, na verdade bloquear mudanças e avanços necessários. Tem uma pedra no meio do caminho…

67904_506987696004621_1700760124_n
Reprodução

Como ele lida com o mundo dos sentidos, também adora uma MASSAGEM, porque, como já disse, ele é extremamente TÁCTIL e  sensual – dizem que tem o beijo mais quente e mais inesquecível de todo o Zodíaco!!! Adora ser tocado – pelas mãos certas, é claro – assim como sentir sob as mãos texturas diferentes, como a textura da seda, do cetim ou de um simples algodão puro, só não lhe traga essas coisas sintéticas, muito menos imitações baratas, por favor! Perfume é outro de seus prazeres, assim como a boa música, tendo talento para apreciação da beleza na sua expressão mais simples e NATURAL.

SONY DSC
Touro – Vitrais da Catedral de Chartres – Chartre, França

No corpo rege a garganta, a laringe, o pescoço. Geralmente o pescoço se destaca por ser forte e transmitir a impressão de estabilidade e força. Taurinos também costumam ter olhos inconfundíveis, são hipnotizantes, com longos e belos cílios, seja homem ou mulher. Quando você vir um par de olhos fascinantes, dos quais não consegue desviar, está diante de um Taurino/a! Isso, claro, é influência de Vênus-Afrodite, que era chamado “a de olhos de vaca”. Você já olhou dentro dos olhos de um boi ou vaca? São estranhamente belos e tristes, profundos e hipnotizantes… Assim são os olhos do Taurino! Não olhe demais! Você pode ficar enfeitiçado/a!

photobox2 (1)
Photobox – Reprodução

Tudo para ele é descomplicado e gosta da VIDA SIMPLES, especialmente da vida no CAMPO, por isso também é associado à imagem do FAZENDEIRO e do JARDINEIRO. Não que Taurinos não saibam apreciar o luxo. É que eles gostam de qualidade mas não gostam de ostentar. Também não quer dizer que não gostem das cidades, mas é que seu amor pela natureza e seus ciclos é tão grande que ele prefere a placidez das paisagens mais bucólicas – idealmente ele vai manter uma mansão na cidade e uma casa de campo. Touro não  gosta de drama. Como já disse, tudo para ele é muito SIMPLES e CLARO, como as águas do riacho daquela fazenda maravilhosa (ou sítio) que ele trabalhou tanto para conseguir. Sim, seu reino é o MATERIAL, o reino dos sentidos, que também pode ser sua principal armadilha quando se deixa levar somente pelo lado instintivo e indulge excessivamente nos PRAZERES da CARNE, seja a da mesa ou a da cama, quando torna-se indolente e preguiçoso, ou ainda quando tudo é medido apenas pelo valor material e sua preocupação primeira é apenas adquirir mais e mais.

Ferdinand_the_Bull_5
Reprodução

Mencionamos a bucólica estória de Ferdinando acima, mas o mito mais conhecido e associado a Touro é o mito do Minotauro. A estória começa quando o Rei Minos, de Creta, numa contenda com seus irmãos pelo trono de Creta, argumentava que o trono era seu por direito divino. Para comprovar isso, orou ao deus Poseidon que fizesse sair do mar um belo touro branco, que seria prontamente sacrificado como agradecimento e oferenda ao deus, após sua conquista do trono. Poseidon concordou e logo fez aparecer o touro mais belo que já se tinha visto e toda a população aquiesceu, assim como os irmãos de Minos, a que ele tomasse posse do trono. Acontece que ao ver tão belo animal, o rei Minos mudou de ideia e resolveu juntá-lo ao seu rebanho ao invés de sacrificá-lo ao deus conforme havia prometido. Ele achou que seria um desperdício sacrificar uma tão admirável e majestosa besta e que beleza que seria conservá-la para si. Assim, ele a substituiu pelo melhor touro de seu rebanho, achando que Poseidon não se importaria e nem mesmo notaria a troca. Porém Poseidon não só não gostou da troca como resolveu retaliar. Convocou Afrodite, a Vênus grega, deusa do amor e da luxúria, (não por acaso, regente de Touro) a infligir em Parsifae, a mulher do rei Minos, uma paixão compulsiva e ingovernável pelo touro saído do mar. Em sua paixão tresloucada, Parsifae recorreu a Dédalus, o melhor artesão do reino, para que construísse uma vaca de madeira, oca, que permitisse que ela se escondesse em seu interior recebesse o tão desejado touro em intercurso sexual. E assim se deu. Dessa união nasceu então o Minotauro, uma besta horrenda que tinha corpo de homem e cabeça de touro e que se alimentava de carne humana. A população de Creta obviamente condenou a rainha, mas o rei Minos sabia que não podia julgá-la pois tinha sido ele quem havia causado todo aquele imbróglio. Em seu medo e vergonha profunda Minos convocou Dédalos, o mesmo artesão, para que construísse um labirinto no qual a odiosa criatura pudesse ser escondida. Nesse labirinto eram deixados grupos de jovens, rapazes e moças, que tornavam-se alimento para o monstro. A culminação do mito se dá quando Theseu, herói ateniense, se oferece para entrar no labirinto e matar o minotauro. Theseu efetivamente mata a besta e consegue sair do labirinto com ajuda de Ariadne, também filha do rei Minos, que tinha lhe dado um novelo, cuja ponta do fio ele amarrou na entrada do labirinto, para que não se perdesse dentro dele.

800px-Theseus_victor_of_the_Minotaur_mg_0114
Teseus vence o Minotauro – Charles-Édouard Chaise, óleo sobre tela, cerca de 1791 – Wikimedia Commons

De quem é a falta principal dessa estória tão fabulosa? Da rainha Parsifae que atua seu desejo bestial de forma tão crua? Claro que não. Parsifae apenas sofre as consequências da ambição cega de seu marido Minos. Liz Greene (2), ao analisar esse mito, cita o mitólogo Joseph Campbell para explicar porque o pecado de Minos foi tão grave: “a falha primária não foi a da rainha Parsifae, mas a do rei; e ele realmente não a poderia condenar, pois sabia o que ele próprio havia feito: convertera um evento público em proveito próprio quando todo o sentido de sua investidura como rei implicava que ele deixasse de ser pessoa privada. O retorno do touro deveria ter simbolizado sua submissão absoluta e impessoal às funções do cargo. O fato de ele ter mantido o touro em seu poder representava então um impulso de auto engrandecimento egocêntrico. E assim o rei, ‘pela graça de Deus’ tornou-se o perigoso tirano Gancho, aquele que reivindica tudo para si. Assim como os rituais de passagem tradicionais costumavam ensinar ao indivíduo que morresse para o passado e renascesse para o futuro, as grandes cerimônias de posse o privavam de seu caráter de pessoa comum e o vestiam com o manto da sua vocação. Esse era o ideal, fosse o homem um artesão ou um rei. Cometendo o sacrilégio de recusar o ritual, todavia, o indivíduo deixava de fazer parte, como unidade, da unidade mais amplas formada pela comunidade como um todo; e, assim, o Uno tornou-se muitos, passando esses últimos a lutar entre si – cada um por si – tornando-se governáveis, tão somente, pela força.” (2)

mino
Theseu lutando com o Minotauro – Escultura em mármore de Étienne-Jules Ramey (1796–1852). 1826. Nos Jardins Tuileries Paris. Wikimedia Commons

A figura desse monstro-tirano aparece em muitas fábulas, mitos e contos de fadas, simbolizando aquele que se apossa de algo que deveria ser usado para o bem comum. O monstro que só consegue pensar em “meu e para mim”. Esse geralmente é o grande dilema do Touro, a posse, seja de riqueza material, de propriedades, de poder, ou mesmo de pessoas. O esquecer que o Poder e a riqueza, em última instância, têm que estar a serviço de um Bem Maior, e não apenas de seu usufruto pessoal.

O_Minotauro_no_labirinto_Conimbriga
O labirinto do Minotauro – Conimbriga, Portugal 3° Século – Mosaico Romano – Reprodução

Liz Greene analisa que o dilema mais pertinente colocado por essa estória, e com o qual os Taurinos têm que lidar, vida afora, é A QUE DEUS VOCÊ SERVE, aos seus instintos ou a um Bem Maior? Você é um escravo dos seus instintos ou coloca-os a serviço de uma vida íntegra e abundante?
E ela conclui dizendo que o touro, como símbolo dos instintos primitivos humanos, em si mesmo não é mau, mas se nos permitirmos ser regidos por ele, seremos levados à destruição, pois estaremos à mercê unicamente de nossos desejos. O ego, como parte consciente da psique, deve então aprender a dançar com esse touro, cada um respeitando o outro, pois simplesmente reprimir esses instintos, como fez o rei Minos ao trancafiar o Minotauro no labirinto também não é uma boa solução, pois ele se alimentará de nossa energia vital, tornando-se cada vez mais poderoso e ameaçador, até o ponto em que poderá irromper de forma descontrolada e destrutiva.

Edward_Burne-Jones_-_Tile_Design_-_Theseus_and_the_Minotaur_in_the_Labyrinth_-_Google_Art_Project
Edward Burne-Jones – Design em Cerâmica- Teseus e o Minotauro no Labirinto – Wikimedia Commons

Nesse mito, cada uma das personagens é uma faceta diferente do signo de Touro: o deus Poseidon, em sua face magnânima e também vingativa; o ganancioso Rei Minos; a Rainha Parsifae cheia de luxúria; o brilhante artesão Dédalus; o próprio Minotauro como face mais sombria do nosso lado instintivo; o herói Theseu, que vem redimir o reino; e até mesmo Ariadne, que nos dá o fio providencial para sairmos do labirinto.

E você, quem é você nessa estória? O Rei Minos? a Rainha Parsifae? O Herói Theseu? E como você vem lidando com o seu Minotauro interior?

As figuras arquetípicas de Touro são:

O Construtor; O Fazendeiro; O jardineiro; O Banqueiro; O Massagista; O Cozinheiro

240px-Taurus2
Touro – De um livro Medieval de Astrologia – Wikimedia Commons

A Sombra de Touro está ligada ao signo oposto, Escorpião. Enquanto Touro quer construir, quer estabilidade, Escorpião destrói e busca uma crise após a outra, até ter se transformando completamente. Touro precisa aprender com Escorpião a se desapegar e a eliminar aquilo que não serve mais. Mas ambos têm em comum a possessividade, enquanto Touro se dedica a possuir e se apega a coisas, Escorpião possui de forma emocional. Outra parte da Sombra tem a ver com o elemento Terra e o seu oposto, Fogo: o excessivo realismo e pragmatismo do Touro pode jogar a questão espiritual e a imaginação no ponto cego, e, sem perceber, ele pode se tornar um verdadeiro fanático e se dedicar com fervor religioso a causas não religiosas, como por exemplo, o próprio ateísmo. Irônico, não? É A gente faz dessas coisas quando nosso consciente não está olhando… Karl Marx é um caso exemplar. Richard Dawkins é outro – ele não tem o Sol em Touro, mas tem uma conjunção Saturno-Urano em Touro e vejam só o fervor com que o cara ataca a religiosidade dos outros… Outra característica que frequentemente cai no ponto cego do Boi é a intolerância. Em seu grande bom senso, ele tem grande dificuldade de se colocar no lugar dos outros e perceber a validade de pontos de vista diferentes dos seus. E  da intolerância para o preconceito é só um pulinho o o preconceito, nós sabemos, nasce do medo de que a tão amada segurança esteja sendo ameaçada pelo “diferente”, pelo “novo”.  E ainda um outro problema desta sombra também é compartilhado com os outros signos de Terra: a tendência a usar as pessoas. Liz Greene (3) diz ainda que o oportunismo e o fanatismo são distorções do Fogo reprimido em Touro. Como sempre, características relacionadas à sombra são inconscientes e certamente o Touro não se dá conta de que tem esses, hum, “predicados”. mas eles estão lá. E ajuda, se ele apenas se der ao trabalho de se observar um pouco mais…

Damon Hellandbrand Touro
Damon Hellandbrand – Touro

Touro é o signo da simplicidade, como disse acima. Tem a missão de descobrir como ser feliz com pouco e de descobrir o que é essencial, o que é de valor vital. Assim, tirada do oráculo do Osho, nossa meditação de hoje vai buscar exatamente isso. Para esta meditação você deverá estar sentado/a, pés firmemente apoiados no chão, mãos sobre as pernas com as palmas viradas para dentro e com os olhos fechados.Respire calmamente três vezes, lembrando-se que a intenção deste exercício é devolver a agradável sensação da Simplicidade.

E veja, sinta, perceba-se sentado num banco que está sobre uma relva macia e verdejante. Respire profundamente e quando soltar o ar imagine que sai pelo topo de sua cabeça uma camada fina de toda a sua pele. Ela se esvai e desaparece no ar. É a sua pele do orgulho que se foi. Respire mais uma vez e ao expirar sinta que uma outra pele fininha sai pelo topo da sua cabeça e se dilui no Universo: é a sua pele da vaidade. Respire mais uma vez e ao expirar imagine saindo pelo topo de sua cabeça uma outra pele fininha de todo o seu corpo. É a pele da prepotência que se desmancha ao vento.

Agora que está livre daquilo que embaça seu verdadeiro ser, entre em contato com o que há de mais verdadeiro e simples dentro de você. E sentindo que ao fazer este exercício lava sua alma e traz de volta sua verdadeira essência, respire e abra os olhos.

Johfra-Bosschart-Taurus-3x4.1
Johfra Bosschart – Touro – Reprodução

Música para Touro

 

 

E Amanhã é o dia de Gêmeos!

Programação das 12 Noites Sagradas:

26/12 – Capricórnio

27/12 – Aquário

28/12 – Peixes

29/12 – Áries

30/12 – Touro

31/12 – Gêmeos

01/01 – Câncer

02/01 – Leão

03/01 – Virgem

04/01 – Libra

05/01 – Escorpião

06/01 – Sagitário

(1) Edna Andrade – Festas Cristãs

(2) Liz Greene – A Astrologia do Destino
(3) Joseph Campbell – O Heróri de Mil Faces

(4) Liz Greende – Astrology for Lovers