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Lua Cheia em Escorpião – A maldição – ou a bênção – do Eterno Retorno

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O ciclo de Touro chega ao seu ápice na Lua Cheia de amanhã, dia 10 de maio, que ocorre às 18h42min – 22h42min para Lisboa – , a 20°24’ de Escorpião. Esta é uma Lua Cheia de términos, visto que Escorpião fala de encerramentos de ciclos, para começarmos outros, o que nos dá um vislumbre da eternidade se descortinando diante de nós. É o tempo de trocar de pele, de eliminar energias antigas, limpar o coração de todas as toxinas, abrir-se à compaixão. Enquanto Touro constrói estabilidade, Escorpião a destrói, para que não caia na estagnação. Escorpião destrói tudo aquilo que ameaça impedi-lo de se desenvolver, de avançar para a próxima fase, mesmo que isso não seja necessariamente, um avanço positivo, mesmo que não seja um movimento de crescimento. Entre ficar estagnado ou piorar um pouco, é provável que opte pela segunda opção, se isso implicar movimento, liberação de alguma forma. Mas Escorpião, apesar de não se apegar a coisas e não se deixar possuir por elas, relaciona-se com a posse emocional e aqui há grande dificuldade de abrir mão, de soltar e liberar, mas uma vez que isso ocorra, é definitivo, para sempre. Pode demorar muito tempo até se atingir esse ponto, mas uma vez cruzado esse limiar, não há retorno!

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Como sabemos, a Lua Cheia é um momento crítico, em que a energia atinge seu apogeu e todas as coisas que estavam se avolumando e se arrastando, atingem um ápice e são finalmente liberadas, boas ou ruins. Tensões que foram se acumulando atingem um ponto crítico e explodem e as coisas se resolvem, por bem ou por mal. Como Escorpião é o signo das emoções e sentimentos intenso e profundos, quando a Lua Cheia ocorre neste signo, esse ponto crítico fica intensificado.

Kali, a deusa que cria e destrói a vida – reprodução

A Lua Cheia de Escorpião anuncia um período de destruir tudo aquilo que nos prende e nos impede de dar o próximo passo: apegos a coisas, pessoas, regras; expectativas, medos, inseguranças; situações e coisas que representam segurança e estabilidade, mas das quais reclamamos e nos ressentimos, porque sabemos que tal segurança é fajuta, que usamos isso como desculpa para não fazer o que precisamos fazer, para não agir de acordo com nossa consciência – em resumo, aquilo com que o ego se identifica, mas que não é sua verdadeira essência. Há momentos e situações em que ir contra a maré e destruir algo torna-se muito positivo e pode ser o ato mais criativo e libertador que podemos cometer. Então destruição nem sempre é algo negativo – depende do quê, como e quando. O que é que você precisa destruir hoje?

Lua Cheia em Escorpião, Brasília, 10 de maio de 2017, 18h42min

No mapa desta lunação, a Lua está em sextil muito próximo a Plutão em Capricórnio e, claro, o Sol faz trígono a ele. Plutão é o deus da transformação, da morte, do renascimento, do Mundo Inferior e é o regente moderno de Escorpião. Ao receber aspectos harmoniosos dos dois luminares, sinaliza que estamos abertos, neste ciclo, a enfrentar algumas verdades, a lidar com elas, a nos desapegar e proceder com as mudanças necessárias. Conseguimos olhar para a nossa sombra sem nos chocar tanto com ela e conseguimos perceber o que precisa ser destruído, demolido, pulverizado. E mesmo que doa, destruímos, porque percebemos que de tal destruição, algo novo surgirá, possivelmente, quiçá, mais verdadeiro. A Lua também faz trígonos amplos a Netuno e a Quíron em Peixes – sete graus de orbe – e este trígono, na verdade, cai exatamente no Ponto Médio entre Netuno e Quíron. Além de potencializar a grande sensibilidade dos sentimentos Escorpiônicos, faz aflorar uma grande compaixão por nós mesmos e por aqueles todos com quem estamos envolvidos e, ao invés de raiva, ódio e vingança, queremos apenas nos livrar e liberar dos conteúdos densos, permitindo que sejam purgados e curados. O trígono ao Ponto Médio entre Netuno e Quíron possibilita a mediação, a integração das nossas aspirações e sonhos mais elevados e até os mais fantasiosos, com a percepção do que podemos e não podemos. Uma conciliação torna-se possível, talvez sem amargor e sem ranger de dentes – uma aceitação, quem sabe até resignação, mas ainda assim, algo que vem com sabedoria e serenidade e não precisa ficar apodrecendo dentro de nós e nos intoxicando de amargura. Vemos, reconhecemos e soltamos. E assim, liberamo-nos.

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O regente tradicional da Lua, Marte, está em Gêmeos, em quadratura de menos de um grau a Netuno e em trígono a Júpiter, também bastante próximo. Por um lado, isso nos fala do risco de sonharmos alto demais, de sermos ingênuos e embarcarmos na nau das ilusões criadas por nós mesmos e depois nos desapontarmos tristemente – a mente e os nossos desejos podem nos enganar e iludir. Por outro, assinala uma imaginação poderosa, uma qualidade mágica e ainda a enorme capacidade para a abnegação, além do entusiasmo quase inocente das crianças. Felizmente, tal atitude pueril é compensada pela sagacidade da Lua em Escorpião e pela conjunção Mercúrio-Urano, de modo que talvez se consiga sintonizar mais fortemente com os aspectos mais positivos dessa quadratura Marte-Netuno. Se formos mais longe e considerarmos essa conjunção Mercúrio-Urano em Áries – já que Mercúrio rege Marte – veremos que essa lunação também traz uma energia de rebeldia, de subversão, de ser capaz de desagradar para ser fiel e leal a si mesmo e aos ditames da própria consciência. Mercúrio estando conjunto a Urano no dia da Lua cheia, é outro intensificador da energia, trazendo iluminações, mas também transtornos, imprevistos, desordem, caos. Então há um aumento da instabilidade, uma intensificação da “crise” representada pela Lua Cheia e isso pode se manifestar de várias maneiras, tanto em nível pessoal, quanto em termos coletivos. Na verdade, a Lua Cheia potencializa a conjunção Mercúrio-Urano e vice-versa.

Ouroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, representando a eternidade e os ciclos de morte e renascimento – Ficheiros do Google –
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Mas a Lua Cheia de Escorpião também traz presente a ideia do eterno retorno, um conceito filosófico que nasce com o estoicismo e que propõe que a vida é uma constante repetição de si mesma e que o mundo se extingue para voltar a criar-se, um conceito que é bem ilustrado pela figura da Uroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, se extingue e voltar a renascer. É um símbolo da eternidade. Nietzsche discute o mesmo conceito em sua obra e nos provoca se rangeríamos os dentes e amaldiçoaríamos o demônio que sussurrasse tal ideia da recorrência no nosso ouvido, ou se ficaríamos felizes e o bendiríamos, diante da ideia da eterna repetição? O eterno retorno nos fala dos ciclos repetitivos da vida, algo que Escorpião entende bem. Mas será que a repetição é sempre igual? Será que seguimos em movimento circular, repetitivo, quase instintivo? Não seria esse movimento espiral, alterando algo sutilmente, a cada novo girar da moenda? E estamos sujeitos a tal repetição, feito cordeiros sem vontade, ou na verdade, contribuímos e ansiamos por ela? Será a repetição uma maldição ou uma bênção? Não pretendo esgotar esse assunto aqui, até porque não o domino, a ideia é apenas provocar, porque são temas pertinentes a Escorpião e a essa Lua Cheia e porque sempre vale nos perguntar por que somos tão repetitivos, mesmo quando buscamos ser originais. A Lua Cheia, pois, convida a quebrar – ou pelo menos tentar – a repetição, a destruir a roda que nos prende a essa moenda, a esse moinho, que sempre nos joga na cara aquilo que achamos que já havíamos superado.

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O Símbolo Sabiano para o grau 21 de Escorpião diz o seguinte: “obedecendo à sua consciência, um soldado resiste às ordens que recebe”. Aqui há um conflito claro entre obedecer e atender às expectativas sociais, às regras e leis e seguir a própria consciência, arcando com as consequências por tal desobediência. Quando o meio social e suas regras tornam-se poderosos por demais, diz Rudhyar, “o indivíduo não precisa se sentir atado espiritualmente, nem mesmo aprisionado. Ele ainda pode demonstrar sua liberdade interior e provar-se um ‘indivíduo’” e não apenas um seguidor cego de ordens absurdas e alheias ao seu coração. Essa é uma verdade de Escorpião, que geralmente está disposto a pagar o preço por suas escolhas impopulares, por não seguir a manada, nem fazer questão de ser aceito e aprovado. Aqui há o conflito entre os códigos morais exteriores e os nossos valores pessoais – às vezes é preciso transgredir, quebrar as regras, mesmo que arquemos com consequências duras. Linda Hill, outra estudiosa dos Símbolos Sabianos, nos lembra que “há uma escolha difícil entre nossa lealdade a um relacionamento, a um trabalho, um país, etc. e nossas crenças internas, nossa verdade interior e nossas ambições pessoais. Liberdade verdadeira só pode ser encontrada dentro, quando se confronta essas situações com um senso de integridade e um completo entendimento das consequências possíveis”. Nem tudo o que é legal, é necessariamente correto e temos visto bastante disso recentemente. E por mais que muitas vezes nossas escolhas nos coloquem em colisão com forças maiores do que nós, sejam essas forças mundanas ou de outra esfera, ainda precisamos ser capazes de ser leais a nós mesmos, o que quer que isso signifique. E longe de nos sentir desajustados, talvez isso reflita um desvio salutar da norma, porque, como diz Krishnamurti “não é um sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente”. Então, a Lua Cheia sugere destruir o que nos prende e nos ata, quebrar as regras distorcidas, as normas que não promovem a vida, mas apenas fazem cumprir ordens sem sentido e que vão contra aquilo que acreditamos, aquilo que nossa consciência diz. E há um preço a pagar. Sempre há. Mas, como diz um outro pensador, Kipling, “nunca é alto demais o preço a pagar pelo privilégio de se pertencer a si mesmo”, e de escolher a própria integridade interior, mesmo que isso também seja parte do eterno retorno e da ilusão da novidade. E é por isso que Escorpião briga e paga o preço!

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Para além de tudo isso, essa Lua Cheia também nos faz sentir profundamente conectados com a rede da vida, em toda a sua poderosa manifestação e percebemos que, mesmo em situações de conflito e de morte aparente, a vida segue seu ciclo, ela é mudança constante, ela pulsa, viceja, modifica-se, muda de corpo, de invólucro, mas continua a pulsar, em nós, no outro, no mundo à nossa volta. Talvez sejamos apenas efêmeros demais para perceber as mudanças reais, porque, o que é uma vida humana diante da eternidade? Essa percepção pode nos revigorar e nos dar uma nova perspectiva sobre as coisas, os erros, as “perdas”, aquilo de que precisamos abrir mão, nos desfazer, para viajarmos mais leves, menos enferrujados, menos pesarosos e defensivos, menos apegados ao controle dos resultados. E aquilo que deixamos para trás, as cascas e peles antigas, vão virar adubo, irão se transformar, no eterno ciclo do vir a ser.

Numa nota mais pontual, o Ascendente do mapa levantado para Brasília é Sagitário, que é regido por Júpiter, que está retrógrado em Libra, na casa 11, em quadratura a Plutão e quincúncio quase exato a Netuno. Júpiter segue como carro chefe da locomotiva, como tem estado há vários meses. Isso tudo repete um pouco o tema do entusiasmo pueril, visto que Júpiter está retrógrado e em tensão a Netuno. Parte de nós simplesmente não quer ver, não quer enxergar a verdade, os dissabores, as tristezas e desalentos e prefere continuar a se enganar. Olhando para a situação do Brasil, Júpiter faz quadratura a Plutão retrógrado e talvez alguns movimentos na esfera social e das instituições públicas levem a mais perdas, concretas, materiais e também no senso de autoestima do povo. Netuno está na 4 – somos feitos de bobo dentro de casa, pelos nossos, como tem ocorrido há séculos! Mais do mesmo! Se se considera o mapa do Brasil que tem Aquário Ascendente, a Lua Cheia ativa o MC; se se considera o mapa que tem Peixes como Ascendente, o Ascendente desta lunação para Brasília, também vai ativar o MC do mapa natal. De um jeito ou de outro, essa lunação mexe bastante com figuras de autoridade e com a imagem do Brasil, com o rumo do país.

OBS: A Lua fica Cheia numa condição chamada “Wobble”. Nunca estudei isso a fundo, mas como já me perguntaram, isso é um termo astronômico, que representa uma oscilação, uma instabilidade, quando parece que a Lua “dança” da esquerda para a direita, parecendo “bambolear”. Esses períodos de Lua Wobble, de acordo com alguns estudiosos,estão relacionados com catástrofes, começos e fins de guerras, conflitos e situações fora de controle. Mas antes de se desesperar, saiba que a Lua entra nessa condição cerca de três ou quatro vezes por ano, então, não é nada tão raro assim!

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Uma ótima Lua cheia para você! quebre as regras distorcidas, destrua aquilo que não gera mais vida, que perdeu o viço e apodreceu e já não alimenta, nem entusiasma! Ou se renova, ou será destruído!

Ouroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, representando a eternidade e os ciclos de morte e renascimento – Ficheiros do Google –
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Lua Nova e Eclipse Anular do Sol: É o que é e não o que você gostaria que fosse

Eclipse Solar em Virgem: o sol, a Lua Nova e o Nodo Norte em Virgem - Birth Chart Painting - Reprodução
Eclipse Solar em Virgem: o sol, a Lua Nova e o Nodo Norte em Virgem – Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua é nova nesta quinta-feira, dia 1° de setembro às 06h03min no horário de Brasília e às 11h03min no horário de Lisboa. Esta lunação é também um Eclipse Anular ou Anelar do Sol, um eclipse que é total, mas devido ao fato de a Lua estar no seu apogeu, ou seja, no ponto mais distante da Terra, não cobre totalmente o círculo do Sol, ficando uma espécie de anel de fogo, magnífico, fascinante e ao mesmo tempo, assustador, ao redor da Lua daí o nome anelar ou anular.

Este é um eclipse bastante tenso, porque ocorre no mesmo dia em que o Sol faz quadratura exata, ou seja, ocorre em quadratura a Saturno em Sagitário e também em oposição a Netuno em Peixes, acionando mais uma vez essa configuração que tem estado ativa nos céus desde 2014. Saturno faz uma quadratura minguante a Netuno, uma quadratura que vai fechando o ciclo iniciado entre os anos de 1989 e 1990. Essa configuração simboliza um momento de grande depressão coletiva, de desalento e desânimo coletivos em relação à economia, à política às questões religiosas e espirituais; há uma sensação de grande desapontamento e desilusão no que tange a esses assuntos e esse aspecto está relacionado à depressão econômica. Também é associado a mortes nos cenários artísticos, musicais e de entretenimento em geral. Para entender melhor os significados dessa configuração, leia este texto.

Lua Nova e Eclipse Solar em Virgem - 1° de setembro de 2016, Brasília, 06h03min
Lua Nova e Eclipse Solar em Virgem – 1° de setembro de 2016, Brasília, 06h03min

Então, Lua e Sol fazem oposição a Netuno, um aspecto também bastante próximo, de pouco mais de um grau e fazem quadratura a Saturno, aspecto de menos de um grau. Como se não bastasse, Marte está envolvido na equação, tendo iniciado um novo ciclo Marte-Saturno na semana passada e ambos, Marte e Saturno são o ponto focal da configuração de Cruz T ou T-Square que nasce da oposição Lua-Sol-Netuno. Esse eclipse vem acionar grandemente os temas da configuração, como eu já disse várias vezes, uma semana antes de a última quadratura exata entre Saturno e Netuno ocorrer. A partir de outubro essa configuração vai se desfazendo e as coisas começam a ficar um pouco mais leves. No mapa do eclipse levantado para Brasília, essa grande configuração cai exatamente nos ângulos: Sol e Lua no Ascendente, Netuno no Descendente e casa 7 e Marte-Saturno caindo no IC, Saturno vindo da casa 3 e Marte já na casa 4. Há um tom básico muito claro a respeito dessa configuração: Caia na real! Os véus caem e agora finalmente podemos ver o que de fato está em jogo, agora enfrentamos nossas ilusões e fantasias tolas e vãs e não há para onde correr, ou enfrentamos e crescemos ou crescemos e enfrentamos. Há uma sensação de dor e lamentação diante de uma realidade que é muito fria e muito dura, mais do que podemos suportar, mas não tem jeito.

Por outro lado, Sol e Lua estão conjuntos ao Nodo Norte, que representa o futuro e a direção que devemos tomar. O Nodo Norte em Virgem nos diz que devemos empreender um esforço consciente para discriminar as informações, para trazer um senso de ordem ao nosso cotidiano, para darmos adeus às ilusões infantis de esperar que um salvador ou uma mãe boazinha venham tomar conta de nós e resolver nossos problemas. Sol e Lua junto ao NN nos apontam a necessidade de desenvolvermos autossuficiência, realismo, discriminação e seleção criteriosa dos fatos. Netuno está conjunto ao Nodo Sul, sugerindo esse desejo, esse anseio de salvação e de continuar vivendo no engodo, porque é mais fácil: prefiro continuar vivendo essa mentira dourada a ter que lidar com essa realidade cinzenta… prefiro não saber, prefiro continuar na névoa… Mas, sinto muito, não vai dar! Não vai dar, não! The game is over! Se insistimos em não ver, seremos patrolados pela vida, por essa realidade que está aí e a cada round a coisa se tornará mais e mais difícil, portanto, a hora de crescer é essa! Nos últimos dois anos viemos lidando com isso: com uma aterrissagem forçada na terra das duras realidades; caindo do mais alto dos céus, no mais duro dos chãos, expulsos do paraíso, sem chances de retorno, sem apelação.

Pawel Kuczynski - Reprodução
Pawel Kuczynski – Reprodução

Mercúrio, regente da Lua Nova e do eclipse, está no fim de Virgem, retrógrado, começando sua descida trimestral ao Mundo Inferior; começando sua recapitulação do processamento de informações dos últimos três meses. Mercúrio retrógrado em Virgem sugere um período em que precisamos rever nossos métodos e nossa técnica, a forma como trabalhamos e como nos comunicamos na esfera do trabalho; a maneira como organizamos nosso cotidiano e como cuidamos do corpo e da saúde; como selecionamos o que é útil e o que não é na nossa vida… Tudo isso passa por uma grande revisão e reavaliação e essa retrogradação dá ênfase ao eclipse – ou seria o eclipse que dá ênfase à retrogradação? É um caso de retroalimentação, na verdade. Porque eclipses sinalizam conclusões e encerramentos na área de vida em que ocorrem, um momento em que podemos tomar atitudes e nos liberar de atavismos e comportamentos ocos e sem sentido e se Mercúrio já está fazendo uma revisão geral sobre tudo isso, então, aproveitamos a chance! É unir a fome com a vontade de comer! Felizmente para nós Mercúrio está enquadrado neste mapa por Júpiter e Vênus, os dois queridinhos chamados de Grande Benéfico (Júpiter) e Pequena Benéfica (Vênus). Essa configuração de enquadramento em que se encontra Mercúrio talvez queira nos dizer que no fim, isso é para um Bem Maior, por mais doloroso e amargo que o remédio seja agora – Mercúrio também faz oposição a Quíron em Peixes – o resultado final é positivo, ou seja, lá na frente talvez percebamos o porquê de tudo isso, e talvez as coisas façam sentido, mesmo que isso não ocorra agora.

Visibilidade do eclipse - não será visível no Brasil, a não ser, parcialmente, em João Pessoa, segundo algumas fontes.
Visibilidade do eclipse – não será visível no Brasil, a não ser, parcialmente, em João Pessoa, segundo algumas fontes. Esta imagem é captada do site da Nasa.

Como já sabemos, eclipses não acontecem de maneira fortuita, saídos do nada. Eles pertencem a famílias, as chamadas Séries Saros e analisar a família à qual o eclipse pertence adiciona mais pistas sobre seus temas e possíveis manifestações. Este eclipse pertence à Série Saros 135 na nomenclatura da Nasa (Série Saros 19 Norte, na nomenclatura da Dra. Bernadette Brady, astróloga estudiosa de eclipses da Inglaterra). O primeiro eclipse desta série ocorreu em 5 de julho de 1331, no Polo Norte. E olha só – é por isso que eu adoro astrologia! – como as coisas se repetem: neste mapa do primeiro eclipse, Netuno está também conjunto ao Nodo Sul, só que desta vez, em Capricórnio! Há também uma T-Square Mutável que tem por base Vênus e Júpiter em oposição, desembocando em Saturno em Virgem (o eclipse desta quinta faz conjunção a este Saturno!). Saturno e Netuno estão em trígono bastante próximo e poucas semanas antes houve também uma conjunção Marte-Saturno, uma vez que Marte está em conjunção ampla, de 9 graus, e separativa a Saturno. Se consideramos Quíron em Peixes, temos formada, na verdade, uma Grande Cruz Mutável, pois Quíron está em oposição a Saturno – lembra que no mapa do eclipse atual Quíron também está proeminente recebendo a oposição de Mercúrio? – quer dizer, os temas são muito parecidos! Embora haja alguma diferença nos cenários e nos figurinos, os atores são os mesmos! A Dra. Bernadette Brady, em seu livro The Eagle and the Lark, diz que esta série de eclipses fala de “realismo, uma volta à realidade. O indivíduo se torna consciente de uma situação antiga e a percebe como ela é, ao invés de como ele/ela achava que era. Esse pode ser um momento construtivo de enfrentar a verdade”. Então, o tema principal desta família de eclipses é o enfrentamento da realidade; o fim de ilusões seguido de novos começos baseados na verdade. Situações antigas têm grande potencial de serem esclarecidas e finalizadas. E o resultado é a liberação e a leveza.

Série Saros 135 - 5 de julho de 1331, 19h45min, horário de Brasília
Série Saros 135 – 5 de julho de 1331, 19h45min, horário de Brasília

Pessoas que têm planetas ou ângulos entre os graus 4 e 14 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentem mais fortemente as energias deste eclipse. Vale a pena desacelerar, fazer exercícios de ancoragem e aterramento, porque em períodos de eclipses tendemos a ficar mais irritadiços, tensos e há propensão às coisas saírem do nosso controle, porque é uma energia que não se controla. No final texto geral sobre eclipses há uma parte sobre os efeitos dos eclipses nas casas do mapa natal – dê uma olhada. Além disso, você pode também verificar o que estava acontecendo na sua vida em 1° de setembro de 1997, que foi a última vez que ocorreu um eclipse no grau 9° de Virgem. Outra data que vale a pena checar é 22 de agosto de 1998, a última vez que ocorreu um eclipse da Série Saros 135, que traz esses mesmos temas de agora. Não necessariamente você precisa lembrar do que ocorreu no dia exato, mas sim no período, semanas antes e depois. Os temas certamente estão interligados.

Martin Stranka - Reprodução
Martin Stranka – Reprodução

A temporada de eclipses é aberta com este Eclipse Solar na quinta-feira e é encerrada com o Eclipse Penumbral da Lua no dia 16 de setembro, a 24° de Peixes. Durante este período de duas semanas, precisamos ser mais cautelosos porque estamos mais suscetíveis. É um tempo estranho, em que parece que transitamos entre mundos, o tempo adquire uma qualidade diferente e o ar fica mais denso. O eclipse solar nos predispõe a agir de forma mais inconsciente e instintiva, visto que é o Sol que é eclipsado e o Sol representa a consciência, enquanto a Lua é a reatividade e a instintividade. Portanto, se pudermos nos poupar de estresses e pressões desnecessários, fazemos muito bem. Precisamos fazer o que nos é requerido: encerrar o que precisa ser encerrado, enfrentar o que deve ser enfrentado. Lidar com as coisas como elas são, sem tentar encobri-las ou dourar a pílula, porque por mais tensos que estes eclipses sejam, eles trazem um momento de crescimento e maturidade no nosso processo evolutivo. “Aceita, que dói menos”, diz aquela frase e é assim que precisamos encarar este momento porque há coisas que são maiores do que nós e resistir e lutar contra elas só irá nos desgastar e convenhamos, é insanidade. Precisamos também ser humildes e lembrar que somos apenas uma gotinha no oceano que logo irá se evaporar e nem rastros deixaremos para trás… Então, percebamos tudo como um grande processo de evolução e aprendizado para nós como seres humanos, mas principalmente, percebamos que o universos é muito maior do que nós e não podemos ter a pretensão de entender o que acontece na faixa de tempo  de uma mera vida humana, quando a vida em si mesma é infinita e trata de ciclos milenares. Encarar nossa pequenez e insignificância nessa escala de coisas também é parte desse enfrentamento. E, por incrível que pareça, torna tudo mais leve. Como deve ser. Basta de adicionarmos peso extra desnecessário. Cuidemos do que os cabe, do que é da nossa alçada. Se nos responsabilizamos por nós e nossas escolhas, por sermos mais íntegros, já estamos a meio caminho andado. O resto, vamos aprendendo no que sobra do caminho! Busquemos a leveza, simplifiquemos a vida. Aceitemos essa realidade, porque só assim seremos capazes de mudá-la!

Veja o significado dos próximos eclipses por casa no Mapa Natal
Veja o significado dos próximos eclipses por casa no Mapa Natal – Clique na imagem para ampliá-la

Feliz Novo Ciclo para você! Que seja leve e que traga as liberações e amadurecimentos necessários!

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Jialu-d374z6i – Reprodução