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Lua Nova em Áries – Semeando Independência e Autonomia

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A Lua se renova a 07°37’ de Áries nesta segunda, dia 27 de março, às 23h57min no horário de Brasilia – 04h57min do dia 28 de março para Lisboa. Áries é o primeiro signo do Zodíaco, é o Fogo Cardinal, da iniciativa impetuosa e pioneira, assim, a primeira Lua Nova do Ano Astrológico sinaliza um tempo de novos começos e darmos o pontapé inicial em projetos frescos, inéditos e pioneiros. Sinaliza uma forte energia de lançar sementes e intenções pioneiras, de nos sintonizarmos com a audácia e a coragem mais puras dentro de nós. Áries traz presente a energia do parto, a luta de vida ou morte, da mãe para dar à luz, e da criança para nascer. Por mais confortável que seja o útero, ela tem que sair de lá e abrir um novo caminho, e ousar avançar para a nova etapa do seu processo de desenvolvimento, senão, morrerá. Então, Áries nos convida a nascer de novo, a recomeçar, a sacudir a poeira, as teias de aranha que foram se acumulando durante a hibernação Pisciana e dar o grito estridente do bebê que respira sozinho pela primeira vez. Podemos nos alinhar com a experiência arquetípica dessa primeira vez, dessa primeira respiração e começar. De novo.

“Seres humanos não nascem de uma vez por todas no dia em que suas mães lhes dão à luz… A vida os obriga de novo e de novo a parirem novamente a si mesmos”                                                                  Gabriel García Márquez 

Lua Nova em Áries – Brasília, 27 de março de 2017, 23h57min.

Essa lunação acontece em conjunção a Vênus retrógrada e este é o único aspecto próximo. Há uma quadratura de quase dez graus a Saturno, mas como é separativa (já aconteceu), já não a consideramos. Isso joga uma ênfase grande sobre os temas da retrogradação de Vênus por Áries, particularmente porque Vênus está em recepção mútua com Marte, regente da Lua Nova – a recepção mútua acontece quando dois planetas ocupam signos regidos um pelo outro, exemplo, Vênus trafega Áries que é regido por Marte, que está em Touro que é regido por Vênus. Na recepção mútua os dois planetas estão numa dança cooperativa e neste caso, isso diminui um pouco os efeitos “negativos” do detrimento/queda dos posicionamentos – no caso, Vênus está em detrimento em Áries.

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O ciclo de retrogradação de Vênus é o mais especial e raro de todos e tem uma simbologia e psicologia peculiares, como já falei em outros artigos. Em Áries Vênus está em detrimento exatamente porque a natureza deste planeta é gregária, é diplomática, é de construir relações e de negociar, mas em Áries, Vênus prima pela independência, pela autonomia e não irá comprometer estes valores facilmente em função de ser parte de um casal, de estar num relacionamento. Quando retrógrada neste signo, sinaliza exatamente a necessidade de nos voltarmos para nós mesmos, de sermos mais independentes, corajosos e pioneiros nas nossas buscas pessoais; de cuidarmos primeiro de nós, antes de nos voltarmos para outros.

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A Lua Nova vem enfatizar isso mais um pouco, como se não tivéssemos escapatória, como se tivéssemos que lidar com isso, queiramos ou não. Essa Lua Nova nos convida a ousar ser nós mesmos, ser exatamente o que nós somos, sem desculpas e sem receios; a brigar pelos nossos valores, a nos colocar em primeiro lugar, antes de ir atrás de outros. Para amar a um outro completa e genuinamente, precisamos amar visceral e integralmente a nós mesmos, com todas as nossas dificuldades, como nosso lado mais nobre e também com as facetas mais sombrias de nós mesmos. Enquanto não tivermos esse auto amor forte e maduro, ainda não estaremos aptos a amar a um outro verdadeiramente, porque estaremos incompletos e buscando no outro preenchimento para os buracos emocionais, que só nós mesmos podemos preencher… Então, é tempo de dizer, verdadeiramente: EU ME AMO!

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O destaque para esse tema da independência é amplificado e repetido diversas vezes. Primeiro pela supremacia do elemento Fogo nesta lunação; ao todo temos quatro planetas em fogo, além dos luminares, Sol e Lua, totalizando seis corpos celestes neste elemento – o destaque é o grande stelium em Áries: Vênus, Sol, Lua, Urano e Mercúrio. Isso também sugere a possibilidade de estarmos muito afoitos, impulsivos e, portanto, precisamos ter ponderação antes de correr certos riscos. Para isso, a posição de Marte em Touro, longe de ser problema, vem ser algo positivo, porque traz exatamente essa ponderação, essa deliberação que a afoiteza de Áries precisa ter para não dar cabeçadas à toa. Mais, Marte está em aspecto positivo com Netuno em Peixes, aspecto exato hoje, o que traz grande empatia e sensibilidade e também ajuda a moderar o famoso “egoísmo” Ariano. Marte também faz trígono amplo a Plutão, que ajuda a equilibrar a placidez de Touro, porque adiciona estamina e vigor, fortalecendo a vontade e a determinação. Marte ainda faz uma sesqui-quadratura a Saturno que, ao mesmo tempo que pode significar inseguranças inconscientes, também pode trazer disciplina e a capacidade de usarmos nossa força e talentos de maneira sábia. O aspecto a Saturno alerta que nosso pior inimigo pode ser nós mesmos e que precisamos ficar atentos ao sabotador interno.

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Mas um dado que salienta muito o tema da independência, liberdade e autonomia, é o destaque que Urano tem neste mapa. Vênus está em paralelo a ele, com distância de quatro minutos, por declinação. O aspecto paralelo funciona de forma semelhante a uma conjunção, o que torna a Vênus retrógrada Ariana mais destemida, audaz, autônoma, insubmissa e livre. Urano também está destacado de outras formas, porque está no Ponto Médio entre o Sol e a Lua Nova e Marte, seu regente, Marte, sugerindo novamente a necessidade de sermos independentes e livres, mas também sermos inovadores, criativos e progressistas em nossos objetivos e novos propósitos. Negativamente, esse aspecto indica irritação, raivas que irrompem abruptamente, tendência à precipitação e atitudes impulsivas e imaturas, requerendo de nós muito pé no chão e centramento para não deixarmos que tais influências nos tirem do nosso eixo. Especialmente para as mulheres, indica experiências abruptas que podem significar mudanças radicais no comportamento e na vida emocional. E, claro, Se Sol e Lua estão conjuntos a Vênus, Urano também está no Ponto Médio entre Vênus e Marte, só que num orbe bem mais apertado, de apenas 22 minutos. Para Ebertin, Urano = Vênus/Marte (Urano no Ponto Médio de Vênus e Marte), indica “desejo apaixonado expressão excessiva de amor. Um despertar repentino de paixão física, uma força irresistível de desejo e talvez até agressão sexual”. (1). A meu ver, essa posição de Urano, além de sugerir essa paixão intensa, como diz Ebertin, também sugere a necessidade de preservarmos nossa individualidade e autonomia, se for para tal paixão prosperar, do contrário, aquilo que nos unia pode nos separar depois, como é típico das paixões significadas por Urano. Mas em termos mais gerais, como disse antes, creio que enfatiza duas necessidades: primeiro a de independência emocional e segundo, a de arrojo e originalidade.

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Mercúrio, por sua vez, também está conjunto a Urano e ainda na configuração de T-Square entre Júpiter-Urano-Plutão, movimentando e mudando pensamentos, opiniões e crenças. Se está conjunto a Urano, obviamente, também está no Ponto Médio entre A Lua Nova/Sol e seu regente Marte, só que muito mais próximo, simbolizando a necessidade de pensar muito antes de lançarmos nossas iniciativas, mas também sugerindo disposição para a ação, a capacidade de planejar, o lutador estratégico e a possibilidade de alinharmos propósitos, necessidades e a nossa ação executiva através do planejamento lúcido e estratégico. Mercúrio nesta posição ajuda, de certa forma, contrabalançar o fato de termos pouco Ar ativado nessa lunação, sendo Júpiter singleton neste elemento. Isso, aliás, dá grande destaque a Júpiter, que também puxa a Locomotiva que é esse mapa. Assim, Júpiter nos diz que precisamos ser otimistas, a despeito dos cenários difíceis. Otimistas cautelosos e ponderados, é claro, uma vez que Júpiter está retrógrado e que a Lua está também em quadratura ao Ponto Médio entre Júpiter e Quíron, ou seja, precisa ser um otimismo que leva em conta as limitações e as impossibilidades, mas não se deixa abater por elas. Marte, aliás, também faz quadratura ao Ponto Médio entre Saturno e Quíron e aqui há o risco de sucumbirmos diante dessas limitações e do peso de fracassos anteriores, de nos paralisarmos pelo medo de vermos reabertas antigas feridas, de modo que Júpiter ganha ainda mais importância. E Vênus, que está tão destacada, também está no Ponto Médio entre Urano e Netuno, sugerindo alta sensibilidade e um tipo muito peculiar e específico de amor, de acordo com Ebertin (1). Visto que Vênus está retrógrada em Áries, eu diria que esse tipo peculiar de amor é o amor a si mesmo, não o narcisismo – que aliás, nem é amor realmente – mas o amor genuíno de quem se entende e se aceita como é, e se defende e respeita, se gosta, se admira, a despeito de todas as imperfeições. Vamos repetir, como mantra: EU ME AMO!

DailyMail – reprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 8 de Áries (07°37’) traz uma imagem interessante e feminina: “Um grande chapéu de mulher, com flâmulas, soprado pelo vento leste”. Este símbolo também nos reporta à atual posição de Vênus: é um símbolo que traz uma imagem feminina, mas usando um chapéu, um adereço tipicamente Ariano, visto que é usado para proteger a cabeça, contra o Sol, chuva ou frio, cabeça que é regida por Áries, signo masculino. Este símbolo pertence ao primeiro hemiciclo, que trata do processo de individualização, e também pertence ao que Dane Rudhyar (2) chama de Ato de Diferenciação, no nível da ação. Ele, ao analisar este símbolo nos lembra que “neste nível cultural-emocional, os processos mentais ainda estão subdesenvolvidos” – alô Mercúrio, olha a importância do pequeno aqui! – “assim, eles precisam de proteção contra as forças elementais da vida”. Rudhyar continua: “uma abertura grande demais a essas energias oferece o risco de alguma obsessão. A imagem simbólica sugere um vento muito forte, sobrenatural e, especialmente, forças psíquicas. Tal vento é originário no Leste tradicionalmente visto como o local das influências criativo-transformadoras de espiritualização. As flâmulas do chapéu indicam tanto a reação ao vento como também sua origem. Em outras palavras, o símbolo sugere um estágio de desenvolvimento da consciência no qual os poderes nascentes da mente são protegidos, ao mesmo tempo em que são influenciados pelas energias de origem espiritual. Isso também indica um estágio probatório no processo de individualização. Sob uma orientação protetora uma pessoa ainda muito receptiva (uma mulher) é influenciada por uma força espiritual. Esse símbolo propõe ainda resultados sequenciais que requerem proteção e sensibilidade”. O tom do símbolo é a “proteção e orientação espiritual no desenvolvimento da consciência”. Assim, a Lua Nova ocorrendo neste grau, que tem este símbolo, nos sugere um ciclo e um momento de grandes potenciais de desenvolvimento do processo de individuação e de termos acesso a informações privilegiadas, que podem tanto vir do alto, quando de dentro de nós mesmos, se nos sintonizarmos com nossos mentores e guias espirituais, informações que podem iluminar e propiciar nosso crescimento e maturação.

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Concluindo, a Lua Nova inaugura um tempo de lançarmos novas sementes e intenções, não somente para o ciclo lunar, mas para todo o ano e até mesmo para a vida; de desbravarmos novos territórios, de nos colocarmos na vanguarda da nossa própria vida, ao invés de esperarmos passivamente que as coisas se resolvam para nós e, para isso, precisamos ter clareza de propósitos e determinação constante, porque, como diz Sêneca, “nossos planos são abortados porque não temos uma intenção clara. Quando você não sabe para que porto está indo, nenhum vento será o vento certo”. É um convite a nos tornarmos mais independentes e autônomos, a fortalecermos nossa autoestima e o amor próprio, a confiarmos na nossa própria luz e orientação interna, porque só assim teremos segurança e confiança para buscarmos relações mais saudáveis, porque estaremos inteiros em nós mesmos, buscando um outro também inteiro. Inteiro não significa perfeito, mas completo, característica da pessoa que se conhece profundamente e se aceita no que tem de melhor e de pior, porque o inteiro supõe a integração do negativo e positivo, da sombra e da luz. Semeemos pois, essas novas intenções e projetos, com autonomia, independência, audácia, arrojo e inovação! Devemos isso a nós mesmos, a ninguém mais!

Uma ótima Lua Nova de Áries e um ótimo ciclo para você!

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(1) Reinhold Ebertin – The Combination of Stellar Influences – AFA

(2) An Astrological Mandala – Dane Rudhyar

Lua Cheia em Peixes – Seja fiel a você mesmo!

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Wallpaper – Reprodução

A Lua é cheia hoje, 29 de Agosto, às 15h35min no horário de Brasília e às 18h35min no horário de Lisboa. Uma Super Lua, porque ocorre durante o perigeu da Lua, período em que ela está mais próxima da Terra. Quando isso acontece, a Lua pode parecer até 14% maior e até 30% mais brilhante no céu – o que, obviamente, aumenta sua magia e fascínio.

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A Lua Cheia se dá no grau 06°06’ de Peixes, em conjunção a Netuno, oposição a Júpiter – e claro, ao Sol – e todos eles numa ampla quadratura fora de signo a Saturno em Escorpião, formando uma T-Square ou Cruz T, que funciona como um prelúdio que antecipa os temas da Cruz T Mutável que se forma entre Júpiter, Saturno e Netuno e que permanecerá ativa por muitos meses em 2016. Além destes aspectos lunares, Marte em Leão está hoje em quincunce exato a Plutão em Capricórnio e já muito próximo da conjunção plena a Vênus retrógrada, que também faz quincunce a Plutão, embora não chegue mais a ficar perfeito, pois Vênus voltará ao movimento direto no dia seis de setembro, antes que isso aconteça. Outra coisa que chama atenção neste mapa é Quíron, que está bastante isolado em Peixes, apenas recebendo um trígono separativo muito amplo, de mais de nove graus, de Saturno – ou seja, virtualmente inaspectado.

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Lua Cheia em Peixes – Brasília, 29 de agosto de 2015, 15h35min

A Lua Cheia é um momento de culminação, de emoções e sentimentos intensos, em que os assuntos e tensões que vinham se acumulando num crescendo, finalmente chegam a um desfecho, a uma crise e uma confrontação, com decisões conscientes sendo requeridas. Então ficamos naturalmente mais sensíveis e suscetíveis às descargas emocionais. Quando essa Lua se dá em Peixes, isso é potencializado, porque Peixes é um signo cujos limites e barreiras são muito tênues, às vezes, quase inexistentes. Todas essa sensibilidade fica mais aumentada porque a Lua está em conjunção a Netuno, que dissolve os poucos limites que restavam, e em oposição a Júpiter em Virgem – de cuja conjunção o Sol se separa – que amplifica, multiplica e exagera tudo o que toca.

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500px – Reprodução

Temos então um dia – e as semanas à frente – de sensibilidades exacerbadas, desmesuradas, em que nos derramamos em muitas direções, como rio caudaloso que de repente vira torrente banhando tudo ao redor. E ainda precisamos lembrar que Mercúrio é o único ponto em Ar, ou seja, é uma Lua Cheia realmente embebida de muita sentimentalidade, sentimentos fortes e ancestrais que acionam nossa mais profunda compaixão e generosidade e também traz à linha de frente o arquétipo do excluído. Felizmente também temos Saturno em Escorpião envolvido nesta dança. Saturno, embora traga tensão e pressão extras, também ajuda a conter e a colocar um pouco de limites em todo esse derramamento, ao mesmo tempo em que convida para mergulharmos realmente fundo em todos os seus temas, mas com foco e inteireza.

Our Ends Are Beginnings Showcasing 50 Creative Photo-Manipulations on CrispMe

Nossos fins são começos  Showcasing 50 Ceative Photos-Manipulations  Reprodução

O eixo Virgem-Peixes vem nos falar de serviço, de colocar-se a serviço; do desejo de transcendência da dimensão mundana, em contrapartida à vida em seu lado mais prosaico e mundano, o dos rituais diários; vem falar da criatividade que masterizou a técnica e agora está livre para criar a partir da imaginação pura; e fala ainda de controle, delimitação e limites entre o eu e o não-eu (Virgem) e a dissolvição desses mesmos limites entre o eu e a Unidade, de abrir mão do controle e deixar ir (Peixes). A Lua Cheia nos fala então de uma fé muito pé no chão, mas cujos rituais não podem e não devem impedir o exercício da verdadeira espiritualidade nem devem nos distanciar dos excluídos e dos necessitados da nossa compaixão; que regras e detalhes ortodoxos não engessem a prática do altruísmo genuíno e do amor pela humanidade; que nossa necessidade de ordem e controle não enrijeçam a ajuda ao outro; que precisamos lembrar que as regras e rituais estão a serviço do Divino e não o contrário – como queriam os fariseus; e também, que não permitamos que nossas obrigações mundanas e diárias nos afastem da busca da unidade e da transcendência.

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Peixes – Ficheiros do Google – Reprodução

 

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Desconheço o autor – Reprodução

Mas ao envolver Júpiter e Netuno também estamos falando de crenças, credos, fé, idolatria, fanatismo, justiça, leis, códigos morais, ética ou falta de, escândalos, corrupção, infâmia. E não apenas isso. Ao envolver Júpiter, Netuno e Saturno, esses temas são expandidos para além da esfera pessoal, com implicações sociais e coletivas. Precisamos sair da nossa “zona de conforto” individual – termo que está tão na moda que já ficou banal – e atentar para o efeito que nossas crenças têm sobre o mundo, um mundo que criamos a partir delas; qual o impacto das nossas escolhas diárias sobre a sociedade e o coletivo em que estamos inseridos; qual o peso da nossa descrença e desesperança para os sistemas que aí estão; como nossa ética pessoal reverbera no todo e volta para nós amplificada, negativa ou positivamente.

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E claro, todos estes temas e questões estão hiper agudos hoje, por conta dessa sensibilidade. E o que fazer com toda essa sensibilidade? É o que Saturno vem nos perguntar. Sentir de forma desmesurada e não agir de alguma forma só nos leva ao sofrimento inútil. Perceber a esparrela em que nos encontramos, social e coletivamente, tanto em nível de país como na esfera mundial e apenas lamentar, também é desperdício de energia. Saturno vem então nos convocar a ser, sim, agudamente sensíveis, a sentir de forma desmesurada e exacerbada, a sentir profundamente essa vulnerabilidade latente que está permeando tudo, até o momento de usar isso como mola propulsora de limpeza e transformação. Saturno e Quíron nos apontam ainda a necessidade de olharmos para os excluídos e dar-lhes um lugar no nosso coração, além de trabalharmos de forma concreta e ética por um mundo mais justo para todos.

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Kristen Duke Photography – Reprodução

Saturno também nos obriga a nos manter sobre nossos próprios pés e mantê-los firmes no chão, a não perder a cabeça e enlouquecer de fanatismo ou a não ir para o extremo oposto do ceticismo (um mecanismo de defesa contra a sensibilidade e a fé). Saturno em Escorpião nos convoca a ser leais à nossa própria verdade e valores e a filtrar os valores e influências do mundo. Uma Lua em Peixes conjunta a Netuno, pode ser muito confusa e suscetível, carece de critérios e seus limites são frouxos, assim, fica sujeita a perder-se no outro e ser levada na enxurrada das emoções coletivas. Saturno ajuda a conter um pouco da enxurrada e a achar um prumo e uma direção. Isso está em sintonia com o Símbolo Sabiano para o grau 7 de Peixes (06°06’), que diz: “Iluminada por um raio de luz, uma grande cruz descansa sobre rochas cercadas pela neblina marítima”. Dane Rudhyar, ao interpretar este símbolo diz que trata-se de “uma bênção espiritual que fortalece indivíduos, que, aconteça o que acontecer, defendem sua verdade de forma inflexível”. Ele lembra que pessoas que não seguem os valores coletivos e seguem seu destino individual a qualquer custo, estão sujeitos a algum tipo de crucificação. Elas são sustentados apenas pelo próprio poder interior, ao qual responde uma luz superior. Rudhyar afirma sobre este símbolo: “Seja fiel a você mesmo e no meio da confusão exterior demonstrada por aqueles que lhe cercam, você perceberá o que você realmente é como indivíduo – um filho de Deus (…) Esta segunda fase indica o poder supremo de uma vida guiada pela voz interior que manifesta um alto grau de auto-afirmação”, finaliza ele.

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Reprodução – Desconheço o Autor

Em concordância com este símbolo – como nada é por acaso – Saturno em Escorpião vem afirmar algo parecido, pra sermos leais à nossa própria verdade e nos mantermos fiéis a nós mesmos, mesmo quando tudo parecer muito confuso e vago, mesmo quando nossa sensibilidade estiver super aflorada. Tal sensibilidade precisa ter uma desembocadura estruturada e correta, ou nos perderemos de nós mesmos. Especialmente porque, com Quíron sem aspectos, nossa suscetibilidade pode vir à tona de forma bastante compulsiva e incontrolável e podemos nos tornar vítimas de nós mesmos, de nossas próprias mazelas e feridas, ou ainda cobrar de outros qualquer ajuda que tenhamos dado anteriormente. Aliás, essa Lua Cheia  pede que reavaliemos o equilíbrio entre o dar e o receber nas nossas relações em geral, que avaliemos a ajuda e suporte que damos e que recebemos dos outros.

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Digital Camera World – Reprodução

Por último, A Lua Cheia ainda fala do grande manancial de criatividade e imaginação que está ao nosso dispor. Além da conjunção a Netuno, o eixo Virgem-Peixes já é extremamente criativo por si só. Mas mais do que isso, temos também Vênus retrógrada e como se não bastasse, o asteroide Vulcano está também em Virgem, conjunto ao Sol e recebendo oposição da Lua. Percebi isso por acaso, já que normalmente não trabalho com asteroides. Vulcano na Astrologia Esotérica é ligado ao Primeiro Raio, o da Força de Vontade e mostra onde há grande poder e força controlada – olha só, novamente esse tema! Mas Vulcano também era um ourives, um grande e habilidoso artesão que fabricava jóias belíssimas para todos os deuses. Era tido como muito feio e tinha uma deficiência originada de sua expulsão do Olimpo – Júpiter-Zeus o teria atirado montanha abaixo, sem dó nem piedade e a queda o deformou terrivelmente. Era um excluído e na sua exclusão e solidão desenvolveu a rara habilidade do design de jóias. A mitologia de Vulcano (ou Hefesto, para os gregos) é muito rica em si mesma e vale a pena ser pesquisada, mas aqui quero trazer apenas esse gancho da grande criatividade e capacidade de criar beleza, mesmo em situações difíceis e de exclusão. A Lua Cheia de Peixes, nos convida, pois, a também canalizar a sensibilidade potencializada na expressão criativa, seja nas artes, artesanato, música, ou num jeito todo nosso de ser criativo. Também nos pergunta como nossa criatividade e inspiração podem enriquecer ou melhorar nossa espiritualidade, nossa relação com o divino. Mais, nossa vida é nossa obra prima, que vamos criando dia a dia, baseados no profundo entendimento que nossa alma tem da nossa jornada e tarefas nesta vida. Será que esta obra realmente está refletindo os ditames de nossa alma?

Feliz Lua Cheia, Feliz Super Lua para Você! Que seja carregada de sensibilidade e grande inspiração para nos transformar e transformar nossa obra individual no que ela realmente deve ser: uma obra-prima que nos ajude a enriquecer também o grande tecido, a grande teia que é a Unidade, da qual todos somos parte!

Nota: Pessoas com planetas entre os graus 0 e 12 de Peixes, Virgem, Gêmeos e Sagitário sentem mais intensamente esta lunação.

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Tulipnight.Tumblr – Reprodução

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Lua Cheia em Virgem – Como sua Espiritualidade se Manifesta no Cotidiano?

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Lua Cheia – Reprodução

A Lua cheia de hoje acontece a 26°01’ de Virgem com o Sol a 26°01’ de Peixes (16 de março, 14:08, horário de Brasília). Temos um olhar pouco mais desapegado em relação aos temas realçados nas últimas semanas, visto que Mercúrio, o regente da auto-suficiente Lua em Virgem, está no super cerebral e desapegado signo de Aquário. Esta Lua Cheia ocorre com poucos aspectos para outros planetas, o que enfatiza a polaridade Virgem-Peixes. A Lua faz apenas um sextil amplo com Saturno em Escorpião e um outro aspecto menor com Vênus em Aquário. Já o Sol também contacta Saturno num trígono separativo. O aspecto mais próximo de Sol e Lua é feito por Marte Rx* em Libra, que está inconjunto (quincôncio) ao Sol e em semi-sextil com a Lua, em orbe de apenas 5 minutos.

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Sol e Lua – Imagem Hermética – Reprodução

Nunca é demais lembrar, a Lua Cheia marca o ápice do ciclo da lunação iniciada com a Lua Nova. A polaridade dos signos em questão é enfatizada, sugerindo a necessidade de equilíbrio nas qualidades representadas por estes signos, assim como a sensação de divisão e separação. A Lua hoje reflete a luz do Sol sobre as qualidades Virginianas. É como um chamamento para não esquecermos que o labor, a discriminação e a contenção de Virgem são essenciais para a manifestação do sonho e da imaginação piscianos.

Na Lua Cheia em Peixes de setembro de 2013 eu falava do que chamo de “síndrome de Marta e Maria” e lembrava da necessidade de, assim como Maria na passagem dos evangelhos, darmos mais atenção à dimensão sagrada e espiritual da vida. Hoje é o contrário. A Lua em Virgem vem lembrar que não há espiritualidade verdadeira que não tenha efeitos na vida diária e no serviço ao outro. Um dos dilemas que confunde muitas pessoas hoje em dia é exatamente a separação que parece haver entre discurso e prática na vida de pessoas aparentemente muito religiosas. Qualquer que seja sua religião, elas parecem ser muito devotadas ao seu Deus enquanto estão no templo, oram orações inflamadas e até mesmo pregam nas ruas para transeuntes “infiéis”. Mas sua vida diária parece algo totalmente distinto daquilo que oram, agindo de forma discriminatória em sua comunidade, carecendo de compaixão em relação a outros que não sejam irmãos de credo, e às vezes, até burlando a ética na vida civil e social. É claro que estou fazendo aqui uma generalização grosseira e nem toda pessoa religiosa é um fariseu hipócrita. O que quero dizer é que faz-se cada vez mais necessário ter essa noção clara de que uma prática religiosa que não nos inspira a nos tornarmos pessoas melhores na nossa vida diária e ordinária carece muito de sentido. A espiritualidade verdadeira exige o compromisso de sermos mais honestos e íntegros nos nossos negócios mundanos assim como na nossa intimidade pessoal; a termos mais compaixão pelo próximo, ao contrário do ethos capitalista imperante que nos dita que é cada um por si e Deus por todos; a nos colocarmos a serviço do outro e do bem comum, se não de forma permanente, mas pelo menos na forma de voluntariado, seja semanal ou mensal – às vezes é mais fácil aliviar nossa consciência dando trocados a um pedinte na rua do que nos comprometermos de alguma forma para que não haja pedintes de forma alguma (sim, estou falando da utopia que move os muito idealistas).

meditação montanha

Reprodução

Embora eu nunca tenha tentado, imagino que seja mais fácil tornar-se um monge eremita que isola-se na montanha e por lá se santifica do que viver a santidade na labuta do dia-a-dia mundano. Lá na montanha não há o inferno que são os outros; lá não há as tentações das facilidades “seculares”; lá talvez eu esteja protegido de lidar e refletir sobre a crueldade humana… As pessoas que já participaram de retiros espirituais ou terapêuticos de vários dias ou semanas sabem como é difícil voltar para a realidade da vida comum. Especialmente quando tivemos algum tipo de insight luminoso ou experiência numinosa. Assim como Pedro na passagem da transfiguração de Jesus, gostaríamos de poder dizer: “Mestre, é tão bom estarmos aqui! Vamos levantar três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias” (1). Sim, que bom seria se pudéssemos armar tendas e permanecer lá na iluminação indefinidamente. Mas enquanto somos mortais em busca de melhoramento espiritual ainda não podemos. O desafio maior é exatamente vivenciar o insight e a experiência numinosa na luz clara da realidade diária e cotidiana. Colocarmo-nos a serviço do outro, da comunidade e da vida em geral, no nosso trabalho e no estresse e correria do dia a dia. Verificar se nossa compaixão pelos outros resiste à competitividade brutal da selva de pedras, ao empurra-empurra da fila do ônibus, às ofensas mútuas das discussões políticas… Buscar ser cada vez mais gentil com aqueles com quem convivemos, com o filho que não se compreende, com os pais que impõem limites, com os velhos que se tornaram dependentes de nós, com o amigo que parece indiferente… E lembrar que por dentro, todos estamos buscando o mesmo, ser mais felizes e melhores, embora nem sempre isso seja evidente à primeira vista. Howard Sasportas, falando da sexta casa, a casa natural de Virgem, cita uma estória zen que ilustra isso de forma bem clara:

Disse um monge a Joshu: “Acabo de chegar ao mosteiro. Por favor ensine-me.” Joshu perguntou: ” você comeu seu mingau de arroz?” O monge respondeu: “Sim, comi.” Joshu disse então: “É melhor lavar sua vasilha.” (2)

Em resumo, religiosidade que ignora as obrigações da realidade e não se manifesta de forma concreta na vida diária é oca e sem sentido, só alimenta o ego inflado do crente que se imagina melhor dos que os demais “infiéis” pecadores. 

Sabio eremita

Eremita na Montanha – Reprodução

No mundo polarizado em que vivemos hoje, onde o inimigo é a pessoa do outro partido político, da outra etnia ou raça, da outra classe social, da outra nacionalidade, da outra religião, etc, é essencial lembrar que primariamente somos todos humanos e embora não saibamos direito porque fomos mandados para esta Terra, precisamos aprender a conviver uns com os outros, e, para além das diferenças de credo, raça, religião ou quaisquer outras, precisamos ver que somos todos feitos da mesma matéria: carne que pode ser ferida, sangue que pode ser derramado, coração que pode ser machucado. Viemos da mesma origem e para lá vamos voltar. E quando temos maturidade emocional suficiente para nos percebermos como entidades separadas e autônomas (Virgem) é quando, paradoxalmente, percebemos que a despeito do que nos diferencia e nos faz únicos, somos todos um (Peixes), em que cada partícula é essencial para a tessitura do Todo, e por isso mesmo deve ser valorizada pelos detalhes que a fazem ser diferenciada nesse Todo e ao mesmo tempo inextricavelmente unida a ele. 

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Saturno em Escorpião vem nos lembrar que é preciso haver honestidade e comprometimento na devoção. Mas é Marte Rx em Libra que vem dar o recado mais contundente: é preciso haver humildade e submissão ao Divino. É preciso ficar atento à sua voz e presença em nós e em tudo à nossa volta (Peixes), assim como submeter-se a ele quando pedir-nos que nos coloquemos a serviço de forma prática no cotidiano (Virgem).   Por isso, sugeriria que cada um de nós pensasse numa maneira de se colocar a serviço do bem comum na sua vida cotidiana; como poderíamos fazer diferença com uma ação pequena, simples e anônima, mas que refletisse nossa devoção e comprometimento em viver uma espiritualidade mais verdadeira , que fosse mais atuante e transformadora no mundo à nossa volta. Nem precisa pensar em largar tudo e virar voluntário na África – há formas mais simples e práticas de transformar o mundo começando dentro da própria casa ou da própria comunidade, como já disseram muitos sábios pelos séculos afora.

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Doutores da Alegria – Voluntariado
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Especialmente, essa Lua Cheia em Virgem, humilde, nos lembra da necessidade de humildade e inteireza nos próximos meses. De termos sempre em perspectiva o todo ao invés de somente nossos interesses individuais; de que talvez tenhamos que sacrificar nossa vontade pessoal e nos submeter a uma vontade maior. Vem trazer um senso de ordem no meio do caos e propiciar um retiro necessário para repensar a validade e o valor de nossos rituais diários, religiosos ou não. Ela nos lembra também que espiritualidade genuína e atuante é primordial para nos dar norte e chão nas horas mais difíceis. Por isso, convido você a pensar maneiras de manifestar sua espiritualidade de forma prática no dia-a-dia, a traduzir a religiosidade e a devoção na forma de serviço ao bem comum, mesmo que sejam ações pequenas e sutis.

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Lua cheia em Virgem 2014

Lua Cheia em Virgem, 16 de março de 2014, 13:08, horário de Cuiabá-MT, Brasil.

* Rx – abreviação de Retrógrado

(1) Evangelho de Mateus, 17, 1-8

(2) Howard Sasportas, As Doze Casas

Veja post da Lua Cheia em Virgem de 2013

“No budismo, Hare krishna e na Kabbalah, a noite de hoje também é considerada especial, em geral tida como uma janela de fácil acesso para nos conectar com os desejos mais sinceros da alma. E por isso ótima para meditações. A lua nasce hoje a partir das 18h16. E você tem até às 05h55 para se conectar com a sua possível verdade interior com a ajuda dessa noite, que apregoa também o desapego e a renovação. Não custa olhar para cima, nem que seja apenas para reconhecer a beleza do luar.” (Harley Alvez)

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