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Lua Cheia em Áries – Transforma-te ou te destruo!

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Transforma-te ou te destruo é o recado de Plutão nesta Lua cheia de hoje, cinco de outubro, exata às 15h40min no horário de Brasília e às 18h40min no horário de Lisboa. Essa Lua Cheia é a culminação do ciclo iniciado na Lua Nova em Virgem, no dia 20 de setembro. Naquela Lua Nova, tivemos Lua e Sol conjuntos a 27° de Virgem, em quincôncio quase exato a Urano, oposição próxima a Quíron e quadratura ampla a Saturno, já sinalizando um ciclo em que teríamos que trabalhar dores antigas, para depurá-las, purifica-las e saná-las; necessidade também de conciliar nosso desejo e necessidade de sermos úteis e prestativos com nossa independência individual. Vênus tinha acabado de entrar em Virgem e fazia sesqui-quadratura a Plutão (desejo de transformação), enquanto se afastava do trígono a Urano (desejo de liberdade). Mercúrio, regente de Virgem, tinha acabado de completar a oposição a Netuno, sinalizando um ciclo nebuloso, de notícias falsas ou de motivações escusas, disseminadas irresponsavelmente; um ciclo em que a mente se digladia entre real e imaginário.

Lua Cheia em Áries – Brasília, 5 de outubro de 2017 – 15h40min

Agora tudo isso culmina na Lua ficando Cheia em Áries, em oposição ao Sol em Libra, o que traz esses temas para o âmbito das relações pessoais. A lunação ocorre em oposição a Mercúrio e os três, Lua, Sol e Mercúrio fazem quadratura aplicativa a Plutão em Capricórnio, tornando este foco de uma T-Square Cardinal, que exige ação resolutiva, atitude. Libra, onde está o Sol, é o signo da parceria, do “nós”. A Lua em Áries vem fazer o contraponto de que só é possível existir um “nós” se houver dois indivíduos inteiros, donos de suas escolhas, senhores de sua autonomia e individualidade, o que contradiz a ideia do amor romântico, que coloca no outro a responsabilidade pela minha felicidade.

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Isso me lembra um texto de Flávio Gikovate, no qual ele fala sobre a importância de se ficar sozinho. “A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino” (1). Essa ideia do amalgamar-se a outro para ser inteiro é destruída nessa configuração de Lua Cheia de hoje, em que a Lua em Áries se opõe ao Sol em Libra e esse impasse é resolvido em Plutão: transforma-te ou te destruo, um mote que vale não só para o indivíduo, mas, principalmente hoje, para as relações, portanto, relações resistentes às transformações cíclicas serão destruídas, eliminadas.

Um fato notável é que os dois regentes de Libra e Áries estão em conjunção plena exatamente hoje. Marte, regente da Lua Cheia, recebe a conjunção de sua amante arquetípica, Vênus, em Virgem, um signo que também nos fala de autossuficiência e inteireza, da integridade do ser. Como se a Lua Ariana já não fosse suficiente, Vênus conjunta a Marte é uma mistura explosiva. Com essa conjunção, somos capazes de matar ou morrer por aqueles que amamos e os defendemos até o inferno, se necessário for, mas, por outro lado, as coisas entre o casal não costumam ser muito pacíficas, porque exigimos muito e também temos um gosto peculiar por uma boa briga a dois. Além disso, há muita ambivalência, pois ao mesmo tempo que buscamos construir relações harmoniosas e estáveis, nos ressentimos dos laços que talvez comprometam nossa individualidade e independência. Positivamente, há muita sensualidade, atração e paixão, tornando as relações passionais e intensas. Assim, a conjunção Marte-Vênus realça o tema do relacionamento desta lunação e ainda agrega uma qualidade “guerra dos sexos”, em que o masculino e o feminino estão belicosos e predispostos a uma boa briga, seja lá em que arena for, publicamente, nas relações profissionais, pessoais ou íntimas.

Outra coisa importante é que Vênus e Marte são os regentes da atual oposição entre Júpiter em Libra e Urano em Áries, configuração que já se manifestou de várias formas nos últimos meses, tanto em desastres diversos, quanto em atentados e em modificações estapafúrdias nas leis em vários países. Essa configuração certamente adiciona tensão e estímulo, que tanto podem significar crises que geram rupturas, quanto levar a relação a um novo nível ainda não experimentado – o resultado vai depender da qualidade da relação, da honestidade que os parceiros têm tido consigo mesmos e um com o outro e até mesmo da química e cumplicidade do casal.

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Não podemos esquecer também que tanto Marte quanto Vênus estão em quadratura a Saturno e oposição a Quíron, aspectos que ficarão exatos em poucos dias e, por serem aplicativos (ainda vão acontecer), tornam-se mais potentes. Essa quadratura a Saturno, por um lado, traz alguma contenção às explosões de fúria, mas isso é uma faca de dois gumes, pois tal contenção pode gerar muita frustração e mais irritação, aumentando a fricção, tornando o resultado final, talvez mais desastroso. A oposição a Quíron aciona feridas antigas, que podem contaminar e comprometer a relação presente. Então, além de muita volatilidade, irritação e destempero, também temos inseguranças sendo desencadeadas por eventos talvez bobos, mas que nos fazem sentir inadequados, criticados, julgados, rejeitados – é uma receita desastrosa!

Como se lida com essa bomba-relógio? Com muita honestidade, consigo mesmo e com o outro – e honestidade não é sinônimo de grosseria, nem precisa ser “sincericídio” – e principalmente, muita compreensão e tolerância, porque todos estamos melindrosos e de pavio ultra-curto. É preciso estar disposto a ouvir realmente o outro, e não ficar contando os segundos até chegar sua vez de falar; a desapegar-se de si e das próprias opiniões; é preciso abrir mão de ter razão, de estar certo, em nome da verdade. E, mesmo se concluímos que a relação já não nos satisfaz, há maneiras e maneiras de terminar as coisas – terminar a relação não significa ter que “aniquilar” o outro.

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Portanto, essa é uma lunação que pode simbolizar muitos términos, muitas rupturas – não porque a Lua Cheia vá causar nada, mas porque aquilo que andava nebuloso, a sensação de confusão, de não se saber direito onde se está indo, que estava muito forte na Lua Nova, agora se clarifica… Aquilo que ficava martelando na nossa cabeça nos últimos dias agora se estampa na cara e… bingo! Como não tínhamos percebido antes? Os insights pipocam e as fichas caem, trazendo conclusões que talvez só agora estejamos realmente preparados para encarar. Tais insights e conclusões podem levar as relações a impasses. Impasses do tipo “ou vai ou racha”, do tipo já mencionado acima: transforme ou destrua. Então, voltando ao texto do Gikovate, é tempo de olharmos para nossas relações com olhar mais crítico e observarmos com muita honestidade se ainda ansiamos pela “metade da laranja”, se ainda estamos esperando que o outro nos complete, se ainda depositamos nos ombros do outro a responsabilidade – ultra-pesada – pela nossa felicidade. Porque, se ainda acalentamos tais expectativas, precisamos rever nossos conceitos relacionais e aprender a ficar sozinhos por um tempo, aprender a ser nós mesmos e a nos responsabilizar por aquilo que queremos viver e pelo nosso próprio bem-estar e felicidade – o outro não é responsável por isso!

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O Símbolo Sabiano do grau 13 de Áries (12°42’), aliás, um grau considerado crítico, traz a imagem de “uma bomba que não explodiu está agora escondida em segurança”, uma imagem que fala da necessidade de muita cautela, afinal, quem vai agir feito louco perto de uma bomba? É necessário desarmar a bomba, porque, apesar de ela não ter explodido, não se sabe porque isso não aconteceu. Então, é preciso se perguntar se realmente lidamos com o problema, se as coisas estão, de fato, seguras ou se ainda há probabilidade de explosões. Será que apenas escondemos o problema? Será que está resolvido realmente? Uma bomba logo nos traz a imagem das reações emocionais intensas “ele explodiu feito uma bomba”, o que nos sugere necessidade de contenção do gênio “explosivo”. Lynda Hill, estudiosa dos Símbolos Sabianos, nos diz que essa bomba também pode significar “a supressão de alguma verdade importante, que tem efeitos colaterais; talvez haja tempo para impedir a explosão antes que seja descoberta, trazendo alívio e liberação” (2).

Já Dane Rudhyar, grande astrólogo do século XX, nos fala mais do contexto social deste símbolo e afirma que o tom principal é “uma avaliação imatura da possibilidade de transformar de repente o status quo”. A resolução por violência, diz ele, sempre falha porque o poder do ego nesta fase é forte demais. “’O Estado’ frustra as tentativas de revolução popular, porque estas são expressões prematuras de uma consciência que não é livre, mas só podem reagir ‘de forma selvagem’ à restrição e ao poder dominante central. É, portanto, um símbolo de recusa imatura de se conformar, em nome de um desejo excessivamente idealista de harmonia e paz”. Ele finaliza dizendo que o símbolo sugere “frustração adolescente”.

Isso traz presente, além do contexto das relações pessoais, também o nosso contexto social atual, em que os indivíduos se sentem lesados e frustrados frente aos desmandos políticos e econômicos do Estado, dos governos… Mas somente idealismo cego não resolve nada; revoltas populares pobremente coordenadas, também não – Júpiter em oposição a Urano também pode simbolizar essas revoltas descoordenadas e caóticas. O que se precisa, seja no contexto das relações pessoais, seja no contexto social é de muita cautela; é olhar para as questões com frieza, sem entrar na “frustração adolescente” e verificar quais das nossas demandas são válidas – e pelas quais devemos brigar – e quais são birra ou frustração infantil. É importante também não entrar no jogo das polarizações em que parece só há dois lados, os bons e os maus – essa visão preto ou branco é sempre extremamente perigosa, porque cria os dualismos ilusórios e causa cisões, quando, na verdade, sabemos que existem muitas, centenas, milhares de nuances diferentes permeando as questões. Assim, em cenários explosivos, ao andar em campos minados, faz-se necessário, mais do que nunca, muita cautela ou a bomba vai explodir, quando se achava que tudo estava sob controle.

Concluindo, a Lua Cheia de Áries é um convite a transformar nossas relações, se queremos preservá-las. Aquelas que não se transformarem, serão destruídas, para que nossa evolução continue. É um momento de conscientização de que uma relação pode ser mais saudável quando há dois inteiros, ao invés de duas metades, então, é preciso cuidar de si e da própria individualidade, é preciso ser capaz de ser e estar só, de desenvolver competência emocional e afetiva, antes de ser casal, do contrário a relação será de dependência e não de afeto. É uma fase que também traz muitas frustrações e necessidade de muita honestidade emocional, temperada com muita tolerância e gentileza, afinal, querer terminar uma relação é uma coisa, querer destruir o outro, é outra bem diferente! Os tempos são explosivos, mas nós podemos desarmar as bombas com essa honestidade firme, mas gentil; com o enfrentamento da realidade presente, mesmo que ela não corresponda aos nossos ideais. Lidar com nossas frustrações de forma adulta, mesmo quando queremos espernear e gritar a plenos pulmões.

Feliz Lua Cheia para você! Que os insights sejam proveitosos e tragam avanços! 

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(1) Flávio Gikovate – http://flaviogikovate.com.br/sobre-estar-sozinho/

(2) Lynda Hill – Sabian Symbols – 360 degrees of Wisdom

(3) Dane Rudhyar – An Astrological Mandala

Lua Cheia em Leão: a revolução que salva o mundo é uma questão pessoal!

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Paul Souders – Reprodução

A Lua cheia é um momento de crise, uma eclosão das tensões e sementes que foram germinadas e desenvolvidas durante o ciclo. O dia foi, adequadamente, cheio, como Cheia está a Lua. E do que trata essa Lua Cheia? Está cheia de quê? Cheia de peso, mas também de esperança, de alegria, de impulsos selvagens que urgem por não ser domesticados. Está cheia do potencial da ação individual como catalisadora da reforma que tanto ansiamos por ver concretizada.

A Lua Cheia de hoje vem repetir e reiterar os temas do ciclo iniciado com a Lua Nova de Aquário. O indivíduo é a chave e a solução pra os imbróglios em que a humanidade se meteu e continua a se meter. A Lua Cheia ocorre a 14°47′ de Leão, às 21h08min53seg no horário de Brasília e às 23h08min53seg no horário de Lisboa, Portugal.

Além da oposição ao Sol, a Lua se opõe ainda a Mercúrio retrógrado e faz um trígono próximo a Urano em Áries. Mas os aspectos mais sensíveis são quincunces que a Lua faz a Plutão em Capricórnio e a Quíron e Marte em Peixes, o que a torna foco de um Yod bem difícil e imprevisível, colocando-a numa situação periclitante. É como dizer a uma criança que ela tem a responsabilidade de resolver todos os problemas do mundo. Há uma sensação de peso, de perda da espontaneidade frente a tantas forças coletivas carregadas dos pecados e feridas da humanidade; quase como se não nos fosse permitido ser felizes no plano individual, já que a humanidade caminha para um abismo sem fundo; chegamos a nos sentir culpados por almejar uma alegria descompromissada e solta; por almejar a despreocupação da criança que se sabe amada e bem cuidada por pais amorosos responsáveis. E essa criança fica sem entender o que fez de errado, porque é tão inadequado ser feliz, ser alegre, ser especial, ser ela mesma. Embora haja um pai a segurar sua mão (Júpiter) este pai também está sobrecarregado com o peso das pressões coletivas.

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Darrin James – Reprodução

Os quatro grandes significadores de mudanças e de limpeza estão em desacordo entre si: Saturno em quadratura a Netuno; Urano em quadratura a Plutão, sugerindo que não há mais como escapar das contas contraídas nas ultimas décadas, quiçá, nos últimos séculos. E o individuo fica espremido, encurralado e acuado pelos pecados próprios, os pecados de seus pais e de muitas gerações antes dele. Ao individuo cabe, pois, pagar essa fatura e tentar reverter o quadro sombrio e pesado.

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Lua Cheia em Leão 3 de fevereiro de 2015, 21:08, hora de Brasília

Este mapa, a exemplo do mapa da Lua Nova de Aquário, traz novamente uma configuração de Ventilador ou Funda, só que dessa vez, ao invés de somente Júpiter isolado de um lado do mapa, temos também a Lua, ou seja, juntamos a legislação e o povo. Todos os demais planetas e o Sol concentram-se no espaço de um trígono: Urano abre o Feixe de planetas a 13 de Áries e Saturno o fecha a 03 de Sagitário – interessante que Urano inicie e Saturno finalize esse “paredão” de planetas, indicando que as idéias Uranianas mais geniais precisam passar pelo crivo da factibilidade Saturnina. Mas o mais importante dessa configuração “Funda” ou baladeira, estilingue, é o fato de estes dois planetas, Júpiter e Lua, estarem no signo de Leão, com o Sol em Aquário, fechando a polaridade Indivíduo-Coletivo. Leão é o signo da criança, da alegria genuína e juvenil, da espontaneidade; é também o signo da confiança em si mesmo e na vida. É hora de resgatarmos nossa alegria, nossa criança interior, em sua mais genuína inocência e confiança para tentarmos salvar o que ainda resta dessa utopia coletiva. Lua e Júpiter como propulsores da Funda ou base do Ventilador nos dizem que cabe ao indivíduo a transformação pessoal, que em ultima instância, reverberará na transformação coletiva. Como diz Marianne Williamson, numa frase que vi na página da colega querida Sheba Remy, “transformação pessoal pode ter e tem efeitos globais; à medida que avançamos, assim também avança o mundo, pois o mundo somos nós. A revolução que vai salvar o mundo é, em ultima instância, uma questão pessoal”. Isso é algo que venho dizendo desde que iniciei este blog, lá nos idos de 2013. É o indivíduo que vai “alimentar” e retro-alimentar essa transformação, vai ser o catalisador, o propulsor da mudança. De novo repito: ele é a peça chave! Se não mudamos nossa visão, nosso comportamento e atitudes individuais, não adiante reclamar dos desmandos e atrocidades que vemos por aí. O mundo sou eu. Eu sou o mundo!

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True African Art – Reprodução

A essa Lua Cheia, ajudada pela confiança de Júpiter, cabe pois, a percepção do papel do indivíduo. E esse desafio do Yod pode aparecer tanto negativa quanto positivamente. Temos duas situações opostas: uma em que o indivíduo continua com seu comportamento egoísta e auto-centrado, pouco se lixando para os problemas coletivos, a continuar lavando calçadas e tomando banhos de meia hora quando há escassez de água; a continuar a se sentir no direito de ser tratado com regalias quando muitos nem têm o que comer; a perseverar no comportamento irresponsável do uso dos recursos diversos, feito criança que “não está nem aí”. Por outro lado, podemos começar a nos responsabilizar individualmente por tudo isso, e perceber que não é o “estado”, não é “o país”, “a cidade”… Sou eu, minha família, minha vida que somos afetados, a família humana, que é feita de pessoas únicas e singulares. Também não podemos esquecer que o sistema deve existir para servir à pessoa humana, e não o contrário, como vemos hoje. E essa Lua Cheia vem nos lembrar disso com muita crueza: o papel do individuo dentro do sistema; não como mera engrenagem, mas como parte do organismo vivo da vida; se somos esmagados pelo “sistema”, é porque a idéia em si da comunidade humana foi desvirtuada e precisa ser revista.

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Hoje também vi uma notícia triste e que deveria ser chocante, mas que nas manchetes atuais, já se tornou banal: uma leoa morreu em decorrência de maus tratos diversos, mas principalmente porque lhe foram arrancados os dentes e as unhas, pra que se tornasse um “animal doméstico”. Isso aconteceu no México, acredito que esta semana – a notícia é do dia 02/02 – veja a notícia aqui. Que coisa mais pavorosa! Que horrenda é esta nossa humanidade! Para mim essa noticia é bastante sintomática e simbólica dos desafios dessa Lua Cheia em Leão. Leão é uma besta selvagem, assim como a criança, quando está crescendo ainda é meio selvagem em sua inocência e simplicidade na visão de mundo. Mas hoje não nos é permitido ser “selvagens”, expressar nossa alma mais autêntica e cheia dos potenciais não domesticados, não domados. Temos que caber “nos padrões” socialmente aceitáveis; temos que corresponder à norma social, e mesmo em Aquário, o signo da rebeldia, podemos nos deparar com esse sonho tornado pesadelo: já que todos são iguais, ninguém pode se destacar em sua singularidade, ninguém pode ser especial, todos precisam ser domesticados, “para o bem comum”, para a “melhoria do todo”. Domesticar o espírito selvagem, será esta a saída? Duvido. Precisamos de civilidade, sim. leoa e humanoMas seria extremamente salutar, a essa altura, voltarmos a algumas práticas e vivencias de nossos ancestrais, de mais comunhão com o planeta em que vivemos, com a natureza; de autorizarmos nossa natureza selvagem a “dar as caras” de vez em quando e abraçá-la, ao invés de temê-la, nem que seja para nos defender do excesso de  domesticação; de percebermos que todos somos parte do mesmo organismo e que se uma pata está ferida e não é tratada, o organismo inteiro pode sucumbir e perecer. “Olha ela, que papo mais romântico, mais idealista!” E qual o problema em sermos minimamente românticos? Afinal, o Fogo é o mais romântico dos elementos, é idealista até a medula. Precisamos de uma saudável dose de romantismo, que se mescle à realidade dura à nossa frente.Se não pudermos visionar um futuro possível e apreciável, para que viver? Excesso de domesticidade pode ser letal para o espírito e Urano e Júpiter vêm nos lembrar disso hoje: não deixem que nos arraquem nossas unhas e dentes, pois que seremos incapazes de nos defender. É isso o simbolismo mais triste da morte dessa leoa: o homem tentando domesticar  a natureza selvagem, arrancando-lhes dentes e unhas, para nem mesmo possa se defender. Mas como é tolo este homo sapiens!

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@AfricanPics – Reprodução

O símbolo Sabiano do grau 14 de Leão traz uma imagem de alegria e celebração: “um desfile se move por uma rua cheia de gente”. Uma imagem que vem, de fato, recuperar a alegria do Grande Felino do Zodíaco. A imagética é clara: pessoas se juntam para celebrar alguma conquista, algum feito especial, mesmo que seja algo pertencente ao calendário anual que celebra feitos históricos e passados. De qualquer forma, há uma atmosfera de diversão de alegria, de pessoas estarem unidas por afinidades várias, que envolvem o senso de comunidade, mas também de alegria. É hora de relaxar e celebrar, a despeito das preocupações, das demandas e desafios que a vida nos traz. Essa é nossa mensagem de hoje: a despeito de tanta dificuldade e de tantos desafios, não podemos perder o senso da alegria, do sentido de estarmos vivos; não podemos perder nosso espírito selvagem, que ainda crê que atrocidades são exceção e não a regra. Que há, pululando mais e mais, atitudes individuais positivas que contaminam beneficamente a outros, e que, se tivermos sorte, poderá se tornar algo coletivo; que uma hora dessas um desses “indivíduos” seja um chefe de estado, alguém que detém o poder de alterar muitos destinos com suas decisões. Podemos aqui invocar a teoria da ressonância mórfica de Rupert Sheldrake e acreditar que em algum momento, chegaremos ao centésimo macaco, quando a transformação individual se tornará coletiva, e não será só mais uma utopia, mas uma realidade… Mas para isso, é preciso não duvidar da força individual; é preciso acreditar também que a alegria transforma, que tem um poder desestruturador dos sistemas engessados, que perderam o costume de rir, de ser leves, tornando-se excessivamente solenes e sérios; deixaram de ser inovadores, deixaram de ser crianças e se tornaram Senex.

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Saturno – Wikigallery.org – Reprodução

Sob risco de me repetir, digo novamente: a transformação coletiva depende do indivíduo. A pessoa, na sua psique individual, é a Grande Opus que vai pôr a transformação coletiva em movimento. Aqui é preciso ser muito Leonino: olhemos para nosso próprio umbigo e cuidemos de nossa responsabilidade individual.

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fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net – Reprodução

Leão também é o signo que rege o coração, tanto no plano físico-orgânico, quanto no plano anímico. É preciso ter “Coração de Leão”, um coração corajoso, mas também gentil e magnânimo, pois só os genuinamente fortes conseguem ser gentis. Um coração que confie até o ultimo minuto, que a alegria, a fé e a benevolência podem vencer a mais sombria das perspectivas. Abramos, pois nosso coração e sejamos mais generosos e magnânimos uns com os outros e com a própria vida, em suas mais diversas faces, seja animal, vegetal, mineral ou humana. E viva o Leão e a Criança selvagens!

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Marilyn Simandle – Reprodução http://marilynsimandle.com/prophetic-art/

Feliz Lua cheia para você!

A Semana Astrológica: o indivíduo e o sistema

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Lucía Pozzí – Reprodução

Semana de 2 a 8 de fevereiro

 Começamos uma semana em que os pontos altos são a Lua Cheia em Leão, o sextil Sol-Urano e a oposição Sol-Júpiter, indicando talvez uma semana um pouco mais animada, que nos dá mais entusiasmo para lidar com os muitos desafios que ela também traz, desafios estes que têm muito a ver com a comunicação confusa e talvez maledicente, com a possível falta de foco e com a propagação de verdades absolutas.

Mercúrio segue retrógrado por Aquário, distanciando-se cada vez mais do Sol. Nesta semana ele volta a conversar com Saturno em Sagitário, talvez para reiterar os planos que haviam feito lá pelos primeiros dias de janeiro, quando se encontraram pela primeira vez. Júpiter em Leão entra em orbe de trígono a Urano em Áries, mas também começa a se desentender com Quíron e Marte em Peixes pelos caminhos tortuosos de quincunces. Outra fonte de preocupação pode ser a conjunção Vênus-Quíron em Peixes, que só fica exata na madrugada da segunda, 09, mas cujo efeito é sentido mais fortemente no domingo, 08.

A Lua abre a semana super grávida e redonda na fase Corcunda; é cheia na terça dia três e torna-se Disseminadora no domingo, dia 08. Nestas fases ela viaja pelos signos de Câncer, Leão, Virgem e Libra, fazendo aspectos diversos com os demais planetas e com o Sol.

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Lucía Pozzi – Reprodução

A SEGUNDA-FEIRA começa sob os auspícios de um sextil do Sol a Urano. A Lua está Vazia em Câncer. Ficou vazia depois de conversa emocionada e sentimental com Marte em Peixes, ainda no domingo. Entra em Leão somente às 15h41min, de onde logo se afina com Saturno em Sagitário, enquanto se arma contra Mercúrio retro em Aquário. Júpiter começa hoje a cutucar Quíron de forma insistente e irritante, aspecto que durará muitas semanas. Estamos com o humor instável e inquietos, bem ao gosto Canceriano. Hiper sensíveis, mas também compassivos, de modo que podemos ajudar a outros se conseguirmos deixar os dramas de lado. O aspecto Sol-Urano de fato nos dá um necessário distanciamento e um olhar diferente sobre o dia. Uma oportunidade nos é dada de ousar ser diferentes e sair do âmbito das nossas dores, amuos e aborrecimentos pessoais, olhando pra fora e além, buscando ser menos emocionais e mais racionais. Ou talvez encontremos oportunidades de equilibrar razão e sentimento e possamos  exercer essa sensibilidade de forma positiva, ao perceber no trabalho quais são as necessidades dos demais colaboradores e colegas e a partir daí, propor mudanças efetivas que venham a favorecer a todos. Há um entendimento tácito do que se faz necessário e conseguimos caminhar para um consenso que favoreça a todos. Ademais é seguir com a agenda e conter as sensibilidades e os dramas desnecessários. Ao entrar em Leão a Lua favorece um clima mais alegre, mas não necessariamente irresponsável. Bem ao contrário, o aspecto a Saturno favorece que façamos nossas tarefas e obrigações com alegria e empenho.

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Pryorfineart – Reprodução

De Leão a Lua se desentende com Mercúrio retrógrado na TERÇA-FEIRA. Ela ainda se irrita com Vênus e Netuno em Peixes e se alegra com Urano em Áries. É cheia às 21h08min no horário de Brasília e às 23h08min no horário de Lisboa, Portugal. O mapa da Lua Cheia mostra Dona Lua numa situação bem espinhosa, como foco de um Yod envolvendo Plutão em Capricórnio e Marte e Quíron em Peixes; para ajudar ela tem o apoio de Júpiter, com quem fica conjunta, os dois formando uma unidade que é base e canal para as energias ativadas dos signos de Sagitário a Áries. Uma Lunação que vem repetir os temas da Lua Nova de Aquário: a chave para a transformação é o indivíduo e sua alegria, sua fé, sua força e confiança. Mas essa alegria é desafiada terrivelmente porque o peso sobre os ombros desta criança é enorme, é o peso do mundo todo e seus sofrimentos… O indivíduo é desafiado a não se deixar engolir nem esmagar pelo sistema, ao mesmo tempo em que é peça fundamental na sua transformação.

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True African Art – Reprodução

A Lua Cheia está conjunta a Júpiter na QUARTA-FEIRA, aspecto depois do qual ela fica vazia por todo o dia, já que só entra em Virgem às 03h46min da madrugada de quinta. Vazia, ela ainda faz quincunce a Marte e uma sesqui-quadratura a Plutão em Capricórnio. O Sol segue na oposição a Júpiter, que recebe o quincunce exato de Marte em Peixes. Quarta também é o dia de Mercúrio, que segue retrógrado em Aquário. Dia de refletir sobre o que nos faz alegres, o que nos faz felizes, o que nos dá abundância e plenitude de vida. O que alegra nossa criança interior? Nesse mundo-cão e louco, onde ainda podemos encontrar ilhas de espontaneidade e genuinidade de expressão? E como podemos cultivar isso e ainda propagar a boa nova ao mundo, tão carecido de alegria espontânea e gratuita? Como não perder esse senso de alegria interior, mesmo quando estamos inseguros e incertos de nós mesmos, mesmo quando sentimos a desaprovação alheia? Como nos expandir pessoalmente e individualmente sem que isso seja uma expansão egoística e insensível ao mundo que nos rodeia? No sentido pratico é um dia para pegar leve e ser flexível, porque com a Lua Vazia, muitas coisas podem sair diferentes do esperado e é melhor encarar os imprevistos com bom humor e um sorriso no rosto…

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A Lua entra em Virgem às 03h46min da QUINTA-FEIRA, já se engalfinhando numa confusa briga que envolve Netuno em Peixes e que tem Saturno em Sagitário como foco de uma T-Square Mutável. A Lua ainda faz um quincunce chatinho a Mercúrio retrógrado em Aquário. Todo cuidado é pouco hoje para se evitar o criticismo destrutivo e mesquinho que ao invés de ajudar, visa mesmo minar a segurança do outro, já que nós também estamos nos sentindo muito incertos, inseguros e duvidando não só de nossa capacidade de concluir as tarefas e demandas, mas até do nosso próprio valor. Como não me sinto bem, fico ressentido de ver que outros parecem “viver na flauta” então tento espezinhá-los com mesquinharias várias, azedando o ambiente de forma horrorosa. Sem perceber também podemos dar vazão à nossa inveja inconsciente, irreconhecida e usar uma metralhadora de maledicências para tentar tornar marrom aquela grama que parece mais verde que a nossa. Espinafrar a outros não nos fará parecer mais inteligentes, descolados ou espertos; apenas provará o tamanho de nossa mediocridade e nossa falta de generosidade e gentileza. Antes de abrir a boca hoje, vale lembrar a história das três peneiras, atribuída a Sócrates: da verdade, da bondade e da utilidade ou necessidade. É o caso de se perguntar: “você tem certeza que o que vai falar é absolutamente verdadeiro? Gostaria que dissessem o mesmo sobre você? É mesmo necessário contar isso; vai ajudar a alguém ou vai melhorar o mundo?” Se passar pelas três peneiras, sua fala merece ser proferida, do contrário, privilegie o silêncio!

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Reprodução de Google Imagens

Na SEXTA-FEIRA a Lua Virginiana abre o dia em oposição a Vênus e ao passar das horas também se opõe a Marte e a Quíron, todos em Peixes – fica vazia depois da oposição a Marte, às 20h11min. Ela ainda se indispõe, de forma muito inconsciente com Mercúrio retrógrado e vira foco de um Yod ao fazer quincunces ao Sol e Urano. A única ajuda vem de Plutão em Capricórnio. O Sol tem sua oposição a Júpiter exata hoje. Outro dia em que precisamos medir palavras e atitudes para não criarmos confusões e imbróglios dispensáveis. Falta de senso comum, de senso de proporção e até arrogância dão o tom dia. Imbuímo-nos de arautos da verdade e achamos que temos solução para os problemas de todos, apontando soluções e oferecendo conselhos que não foram pedidos, impingindo nosso modus operandi e modus vivendi como fôssemos um monarca dispensando sua grande sabedoria aos súditos. Ao invés de ser recebidos com benevolência e gratitude somos vistos como ditadores que a tudo querem controlar para esconder o caos generalizado da própria rotina, da própria vida, da própria alma. Urge lembrar que a ajuda para ser efetiva e eficaz precisa ser, antes de mais nada, respeitosa e suave. É preciso deixar que os outros se pronunciem antes de decidirmos que sabemos o que lhes convém. De novo o dia pede cautela na fala e nas interações  porque a mente está caótica e errática e as palavras podem ser armas que afastam ao invés de unir e edificar.

O fim de semana começa com a Lua ainda vazia em Virgem. Ela ingressa em Libra somente às 16h44min do SÁBADO, já conversando amistosamente tanto com Mercúrio em Aquário quanto com Saturno em Sagitário. O sábado fica, pois propício aos serviços usuais deste dia da semana: tarefas domésticas e serviços diversos, mas nada que demande grandes movimentações ou inícios portentosos. A noite fica favorável para reuniões sociais e mais leves, onde os papos sejam sobre amenidades ou mais filosóficos e inspirados. Visitas a galerias de arte e concertos musicais clássicos ficam também indicados.

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Reprodução de Google Imagens

A Lua faz uma sesqui-quadratura ao Sol em Aquário, o que sinaliza a fase Disseminadora no DOMINGO. Cardinal, ela também confronta Urano em Áries e os dois encurralam Plutão em Capricórnio numa T-Square que vara o dia, tornando o domingo sujeito a trocas intensas e passionais que podem desestabilizar o usual equilíbrio de Libra. A Lua ainda faz quincunce a Vênus e Quíron, que também estão em quincunces a Júpiter, que torna-se foco de um Yod ao que envolve a Quíron e a Plutão. Vênus passa o dia espetada em Quíron. Diazinho espinhozinho em que, não bastassem os problemas e conflitos abertos à nossa frente ainda temos que lidar com outras influências insidiosas que nos atacam lateralmente, de forma meio covarde e inesperada. Agulhadas de incerteza deixam a Lua Libriana ainda mais indecisa o que nos fazer tomar atitudes precipitadas e sem retorno. Vacilamos, hesitamos e paralisamos, incapazes de perceber que rumo tomar, cindidos na mente, na alma e no coração. Quando não sabemos para onde ir, é sempre melhor voltar para o centro. Antes de acusar os outros pelos nossos dissabores, é melhor olhar para dentro que a grande causa de tudo é a insegurança e talvez a falta de honestidade sobre o que realmente queremos e desejamos e nosso medo de desagradar e parecer menos que agradáveis diante do olhar implacável do outro.

A Lua disseminadora nos diz que é  hora de propagar nosso aprendizado do ciclo: o que vivenciamos é uma experiência válida o bastante para ser contada ao mundo? De que maneira? Vale lembrar que exemplo sempre fala mais alto que discurso, então é bom alinhar conceitos, idéias e ações antes de abrir a boca. Às vezes, saber a hora adequada de se  pronunciar é tão importante quanto a mensagem em si. E sempre é pertinente lembrar as palavras do Cristo: “a boca fala do que o coração está cheio”. O que preenche o seu coração?

Linda semana, cheia de luz, amor e alegria para você!

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Da página Hierophant – Reprodução

Lua Nova em Aquário: o indivíduo é a peça crucial

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O Casamento Sagrado da Lua e do Sol Desconheço o Autor – Reprodução

A Lua foi nova esta manhã às 11h13min, hora de Brasília e às 13h13min hora de Lisboa, Portugal. O Sol ingressou em Aquário ás 07h44min, deixando para trás as preocupações com o mundo concreto da realidade e adentrando o reino das visões futurísticas e dos interesses humanitários. Sai de cena o indivíduo e entra o grupo. Será?

Coisas interessantes acontecem hoje, quando as configurações estelares se modificam com a ingressão de Sol e Lua no Ar de Aquário. Temos, pois, Sol, Lua, Vênus e Mercúrio em Aquário. E Marte ainda em conjunção quase exata com Netuno em Peixes e dirigindo-se para a união com Quíron. A dicotomia Ar e Água enfatiza bem a polarização das funções Pensamento e Sentimento na psique. Um conflito básico para o ciclo é se avaliamos e julgamos informações e acontecimentos a partir de critérios lógicos e da mente racional ou se o julgamento é feito a partir da Função Sentimento, considerando o que é importante para mim e para você, considerando os vínculos e os envolvimentos estritamente pessoais.

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Detalhe da obra “Aquário”, de Johfra Bosschart – Reprodução

A Lua Nova mais uma vez ocorre no grau Zero do signo. Esta ocorre com Sol e Lua a 00°08’ e como já disse em vários outros artigos, o grau zero é um grau crítico que traz a potência máxima e crua daquele signo. Outra coisa interessante de se notar é que no mapa levantado para Brasília e válido para todo o Brasil, a Lua Nova cai na Casa 11, a casa natural de Aquário, o que repete, de certa forma, todos os seus temas.

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Prometeu traz o Fogo à Humanidade – Heinrich Friedrich Füger – Wikimedia Commons

Aquário é um signo voltado para as causas sociais, como diz Liz Greene, ele é o grande “assistente social” do Zodíaco. É profundamente idealista, um visionário que se volta para a melhor versão das coisas, das pessoas e das sociedades. Mas o ponto mais importante que quero destacar aqui é que Aquário fala das utopias, ou melhor da Utopia Humana de um mundo perfeito em que todos são iguais, livres e vivem como irmãos, respeitando-se e ajudando-se mutuamente. A Grande utopia Humana começa exatamente com Prometeu, o patrono de Aquário, aquele que roubou o Fogo dos Deuses para dar à humanidade a visão, a fé e a perspectiva de um futuro melhor – para ler mais sobre este mito e sobre o signo de Aquário, clique aqui.  Mas Prometeu, idealista que era, estava cego pela visão de futuro que projetava diante de si, alheio aos riscos implicados; alheio, principalmente, à falível natureza humana e à sua própria hubris, à sua própria arrogância de se achar acima dos deuses, acima do deus maior, Zeus. Assim, os ideais progressistas e humanitários são a benção e a maldição de Aquário. Porque ele foca tanto nesta visão que esquece o aqui e o agora, ignorando que a humanidade é feita de humanos, indivíduos, passiveis de corromperem e de serem corrompidos, sedentos de poder e de reconhecimento pessoal (Leão), coisa que se for ignorada, somente piorará os resultados.

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Lucas Cranach, o Velho – A Era de Ouro – Wikimedia Commons

Na Astrologia Clássica, Aquário é regido por Saturno, que era o regente da Era de Ouro, em si mesma uma descrição de uma sociedade utópica. Liz Greene fala em um de seus muitos seminários (1) que os humanos normalmente não entram nos mitos relacionados a Saturno, mas neste caso específico, a Era Dourada era toda sobre os humanos. A Era Dourada, diz ela, é a descrição de uma sociedade ideal, a imagem de um modelo, uma visão de algo que funcionava de forma perfeita e onde cada um sabia seu lugar; onde as pessoas e comunidades estavam em sintonia com as leis da agricultura, das estações, com os ciclos da natureza; onde havia uma afinidade natural com as leis que sustentavam a vida, como manifestação das qualidades do deus. Aquário e a Casa 11, regidos por Saturno, falam pois, de uma forte moralidade, de códigos éticos severos que não devem ser violados. É um sistema social como um ideal – mas não era uma democracia, já que era presidida por Saturno. Viver nesta sociedade demandava estar afinado com essas leis naturais que regiam o sistema; exigia um reconhecimento tácito dos limites dos outros, dos limites sociais e dos limites da própria natureza; exigia um respeito pelo papel que cada um tinha, sem violá-lo. Essa utopia Aquariana já foi sonhada muitas vezes, por sistemas sociais e econômicos diversos e em algum momento, o sonho desanda e vira pesadelo, basicamente porque o indivíduo, como tal, é esquecido, tanto nos seus talentos quanto nos seus pecados.

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Reprodução de Google Imagens

E o que vemos hoje? Uma sociedade doente, prestes a sucumbir ao caos de uma nova guerra “santa” e se não nos destruirmos através das guerras, certamente o faremos pelo “estilo de vida” que levamos atualmente e que não se sustenta. Ao contrário dos humanos da Era Dourada regida por Saturno, não estamos em sintonia com as leis da natureza, não respeitamos seus ciclos e seus limites; não respeitamos os limites do outro, menos ainda muitos dos limites sociais; e também não reconhecemos nem respeitamos o papel que cada um deveria realizar e executar, já que é “cada um por si e Deus por todos”, quero tanto para mim, que avanço no limite do que deveria ser do outro. Não preciso elencar aqui descrições de porque somos uma sociedade doente e falida, as evidencias falam por si. Porém, como dizia Jung se há algo errado com a sociedade, há algo errado com o indivíduo; se a psique coletiva está mal, é apenas reflexo do ocorre com a psique individual. Então, se a sociedade precisa de reforma, reformemos o indivíduo… Como? Cada um reformando a si mesmo, mas com a sociedade provendo o suporte para tanto.

For One Day, Alice Madness Returns Comes To Life kokatu
Por Um dia, Alice: o Retorno da Loucura ganha Vida – Encontrado em Kotaku – Reprodução

A Lua Nova ocorre de mãos dadas aos dois regentes de Aquários: por um lado faz um sextil a Saturno em Sagitário; por outro faz um quintil a Urano, um aspecto menor, de 72 graus, considerado extremamente criativo. Interessantemente, são os dois únicos aspectos feitos pela Lua e pelo Sol. Para mim, isso implica uma necessidade de, no melhor espírito Aquariano, fundir as mais altas qualidades de ambos os regentes: a tradição e observação das leis simbolizadas por Saturno sem se deixar enrijecer por elas, mas ao contrário, trazendo junto a inovação e espírito livre de Urano. Todavia, são aspectos que demandam trabalho e comprometimento. Implicam uma oportunidade que podemos agarrar ou não. Não nos é dado de graça, precisamos nos mover e ir atrás. Estamos dispostos?

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Banksy – Insane – Reprodução

O Símbolo Sabiano do grau Zero de Aquário traz uma imagem sobre a qual vale a pena refletir: “Uma velha missão de adobe na Califórnia”. Ora, o que são missionários? Pessoas que se movem por um ideal, que sacrificam interesses pessoais em nome do grupo, em nome de uma idéia e de sua propagação, em nome, em ultima instância, do melhoramento da raça humana. O que eram as missões? Lugares erigidos com grande sacrifício e esforço, símbolo de comprometimento e que davam um “senso de comunidade com um olho no caminho e outro nas necessidades básicas e diárias das pessoas que por ela eram servidas”, diz Lynda Hill. Novamente temos o símbolo de uma sociedade ideal, uma vida em comunidade onde há uma observância de certas regras e ciclos e onde há um uso adequado dos recursos naturais. Uma missão é também um lugar de refúgio, de retiro e suporte espiritual, onde podemos também encontrar pessoas afins, a comunidade. Este símbolo nos conclama a voltarmos para o básico, para os ideias puros, mesmo que não saibamos o impacto de nossa ação no futuro distante e na vida daqueles a quem tocamos e com quem entramos em contato, direta ou indiretamente. É preciso tentar, ter fé, criar o espírito de comunidade, sem esquecer das necessidades básicas individuais de cada um. E sem esquecer também de vigiar nossa hubris, nossa arrogância sempre presente.

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Nova harmonia – F. Bate, 1838 – visão de uma comunidade, como proposta por Robert Owen Wikimedia Commons

Outra coisa fundamental de se observar é que Mercúrio estaciona hoje em Aquário, ficando retrógrado amanhã, exatamente quando estiver recebendo a conjunção da Lua e um grau próximo à oposição com a Lua Cheia no dia três de fevereiro – a Lua será Cheia a 14° de Leão e Mercúrio fica retrógrado a 17° de Aquário. Por tudo isso, mais a influência da retrogradação de Mercúrio, acredito que essa Lua Nova vem nos convidar a, além de plantar novas sementes de novos pensamentos e novas visões, a REver nossos ideais e utopias mais caros e recuperar a habilidade de pensar de forma abstrata e de maneira ordenada, que é a síntese da dupla regência do signo, de Saturno e Urano. Precisamos também REvisar nossos padrões de pensamentos, nossos processos mentais e suas influências vibracionais no todo, porque sim, a massa é feita de indivíduos e quando vigio a mim e a meu comportamento, atitudes, e atuação no mundo, responsabilizando-me pelo que emito de bom e de ruim, certamente influencio o mundo de alguma maneira. Marte continua em conjunção próxima a Netuno e podemos até pensar que a tarefa é grande demais para ser empreendida, mas novamente, se cada um faz sua parte… E o que é fazer a “sua parte”? Coisas simples e pequenas que podem, sim, mudar a engrenagem das coisas: consumir menos, por exemplo; plantar árvores no seu jardim, na frente da sua casa; não jogar lixo na rua… Tantas atividades corriqueiras que não nos damos conta do impacto que têm no coletivo… Se a sociedade vai mal, antes de me atirar a ajudar uma comunidade lá na África – nada de errado com isso, por favor! – por que não começar no meu próprio núcleo, na minha própria casa? O erro básico de Aquário é esse: ver o todo, a massa e ignorar aquele que está perto e é neste erro que não podemos incorrer.

chirico meia noite sob o sol
Meia Noite Sob o Sol – Giorgio di Chirico – Reprodução

Para terminar, algo que me chama muito a atenção neste mapa de Lua Nova é que temos dez “planetas” contidos num espaço pouco maior que um trígono, com Júpiter permanecendo como um planeta solitário do lado oposto do mapa e recebendo a oposição de Mercúrio e Vênus em Aquário. A essa configuração dá-se o nome de “Balde” ou “Ventilador” – depende das orbes que o astrólogo utiliza. De qualquer forma, seja Balde ou Ventilador, Júpiter detém o papel crucial nesta configuração, que pode tanto funcionar como canal de saída e expressão para todas as energias dos demais planetas (padrão Balde) ou como o grande alimentador dos demais corpos celestes (padrão Ventilador).

Lua Nova Aquario
Lua Nova em Aquário para Brasília: 20 de janeiro de 2015, às 11h13min.

Ora, Júpiter está em Leão, o signo do INDIVÍDUO. Ou seja, depende do indivíduo, mais do que nunca, ser a peça chave de transformação social, de transformação do padrão de pensamentos, de crenças e de atitudes. Sem indivíduo não há comunidade, não há sociedade, não há humanidade. Assim, somos convidados a assumir nosso papel e responsabilidade individual pela falência da utopia, pelo caos generalizado que está diante de nós, seja financeiro, social, político, ambiental ou humano. E, para além disso, somos convidados e exigidos a assumir nossa responsabilidade individual pela recuperação do sistema – se é que isso é possível! Talvez a utopia não seja possível, mas talvez seja possível resgatar a fé no elemento humano, no indivíduo como gerador e catalisador de transformação coletiva. É preciso vigiar nossas crenças, nossos ideais, nossos padrões de pensamentos; revê-los, revisá-los. E é preciso, sobretudo, assumir o poder pessoal de mudança que cada um contém em si mesmo; poder de mudança que começa desde a minha vibração energética, ao padrão de pensamentos que alimento, até a minha atitude concreta no mundo e nas minhas relações, com os outros seres humanos e com o ambiente onde estou inserido. Júpiter é muito importante também porque ele foi fundamental no mito de Prometeu, já que foi contra ele, principalmente, que Prometeu pecou desobendo às suas ordens explícitas. Foi Júpiter que puniu a Prometeu e quem no final o liberou do sofrimento eterno. Não podemos então, nos esquecer que há uma ordem universal e que hálimites para nossa visão, mesmo a mais luminosa delas. Queremos uma utopia? Queremos uma Era de Ouro? Trabalhemos por ela! Mas sem nos tornar arrogantes achando que não limites para nosso poder e que o fato de termos um projeto de melhoramento das coisas estamos isentos de cumprir os deveres básicos. Sobretudo, com este Júpiter tão destacado é preciso lembrar que os fins NÃO justificam os meios. A meu ver, sendo meio pessimista, acho que esta utopia está cada vez mais distante de nós, mas, por outro lado, sendo otimista ao extremo, acho que ainda é possível – se o indivíduo acordar para seu papel crucial!

Feliz Lua Nova pra você!

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Lua Nova – encontrado no wishflowers.com – Reprodução

OBS: No plano mais pático a Lua Nova em Aquário nos pede uma renovação das intenções e propósitos no âmbito das relações sociais e das amizades; das nossas grandes esperanças e dos projetos de futuro; dos nossos padrões de pensamentos e abstrações. Em que área isso se dá depende da casa em que a Lunação ocorre no Mapa Natal.

(1) Liz Greene em O ciclo de Lunação Progredido – Seminário dado como parte do Programa da Primavera de 2011 do Centro de Astrologia Psicológica de Londres – em Londres, 8 de maio de 2011.