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Lua Nova em Leão – Fogo Solar, Fogo da Consciência

Desconheço o autor – reprodução

Você anda se sentindo meio para baixo, desanimado? Anda duvidoso da vida e de si mesmo? Sente que só trabalha e lida com problemas sem ter tempo para brincar? Seus problemas acabaram! Vem aí a Lua Nova de Leão, que vem incendiar sua vida de entusiasmo, coragem, confiança, otimismo e paixão! E de quebra, ainda a/o convida a abraçar sua natureza única, seja ela aceita pelas tribos “in” ou totalmente outsider! Brincadeiras à parte, a Lua Nova que acontece em Leão neste domingo realmente vem dar uma sacudida no pessimismo e na falta de ânimo que tem nos acometido nos últimos tempos. A Lua se renova no grau 00°44’ (tecnicamente, grau 1) de Leão, conjunta a Marte, separando-se da quadratura a Urano e do trígono a Quíron, ambos os aspectos fora de signo. A lunação ocorre às 06h46min no horário de Brasília e às 09h46min no horário de Lisboa.

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Marte esteve muitas semanas em Câncer, signo que é muito desconfortável para ele e agora, em Leão, Marte se sente à vontade, na casa de um amigo, da mesma forma que o Sol, dono da casa Leonina, se sente à vontade na casa de Marte, Áries. E onde Marte chega ele aviva, atiça, anima, põe fogo e sendo Leão um signo de fogo, já vimos que os ânimos se incendeiam e, neste caso, positivamente! Portanto, uma vez que a Lua Nova ocorre em conjunção a Marte, este é um ciclo em que nossa vontade está mais firme, em que temos mais ânimo e gosto de lutar.

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Leão é o signo de Fogo Fixo, o fogo constante, da fogueira que aquece a noite toda. Ao falar sobre o Símbolo Sabiano para o grau 1 de Leão, Dane Rudhyar, um dos mais importantes astrólogos do século XX, diz que a nota-chave deste símbolo é “uma irrupção de energia bio-psíquica no campo da consciência controlada pelo ego”. Bom, vamos olhar isso com calma. O Símbolo Sabiano traz a seguinte imagem: “O sangue se precipita à cabeça de um homem enquanto energias são imobilizadas sob o estímulo da ambição”. Rudhyar nos lembra que na tradição oculta três tipos de fogo são mencionados: o elétrico, o fogo solar e o fogo por fricção e cada um deles corresponde a um dos signos de fogo do Zodíaco.  Áries corresponderia à eletricidade, o fogo que desce do espírito, pela Palavra Criativa, o Verbo. Sagitário representa o fogo por fricção porque representa processos sociais, que são baseados em relações interpessoais, em polarização, em conflito. Já Leão representa o Fogo Solar – até porque é regido pelo Sol – e Rudhyar diz que isso representa a energia de uma pessoa integrada, “seja através de radiações espontâneas de formas de energias aparentemente nucleares, ou, no nível verdadeiramente humano e consciente (e também sobre-humano em domínios transcendentes), através de emanações  conscientes (e-manações, de manas, que significa ‘mente’ em sânscrito).

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Rudhyar prossegue dizendo que o símbolo de Leão mostra uma elevação de energia do coração para a cabeça, uma mentalização, um processo que pode ser perigoso, dependendo de como é conduzido e ele se refere ao clarividente que “viu” todas as cenas simbólicas dos Símbolos Sabianos, dizendo que ele teria visto uma cena de ‘apoplexia’, ou insolação, excesso de sol na cabeça e na pele. O Sol dá a vida ou pode destruí-la, depende da relação que estabelecemos com ele. Da mesma maneira é o fogo. Rudhyar vai adiante e diz que a realização do eu espiritual depende de o ego se tornar um cristal puro, capaz de focalizar a luz cósmica, sem ser maculado pelo orgulho, vaidade e possessividade. “A transmutação da vida na mente é um processo difícil”, diz Rudhyar. Podemos ser iluminados ou incinerados – depende do quanto estamos preparados e do equilíbrio entre a confiança e a humildade. O fogo que aquece e dá vida pode facilmente se tornar destrutivo e virar um incêndio descontrolado. Uma combustão. Os processos de combustão geralmente têm subprodutos, que dependem dos elementos geradores da combustão original. Mas a combustão é geradora de energia e de onde vem essa energia e como a utilizamos, define se somos transformados ou destruídos por ela.

Um vídeo que mostra um homem fazendo experimentos com uma “lente” gigante (uma tela de TV descartada) sobre a qual é projetada a luz do Sol.

Essa imagem do fogo solar nos lembra o processo em que o fogo é gerado quando a luz do sol é projetada sobre algum tipo de lente. Esse é literalmente o Fogo Solar – pode salvar ou destruir vidas, dependendo de como é utilizado. Essa lente, como diz Rudhyar, é o ego. Se o ego é forte e saudável, ciente de suas limitações e de que está a serviço do espírito e da alma, ele será um transmissor, um transmutador da luz solar num fogo criativo que transforma e liberta; ao contrário, se o ego é fraco, logo se infla e se enche de auto importância, levando a situações desastrosas, porque é frágil, inseguro e vai usar símbolos exteriores de poder para camuflar essa insegurança. Essa é uma diferença básica entre o Leão positivo e o negativo e esse é um tema básico do Leão – um tema que está bastante realçado na Lua Nova e, por conseguinte, no ciclo todo. É essencial, pois sabermos, qual é o fogo que nos move, se é o fogo que cria ou o fogo que destrói; se é o fogo da criatividade e da alegria ou o fogo do orgulho e da vaidade vazios. Se este fogo está a serviço do espírito e da vida ou apenas a serviço de um ego oco e inflado.

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Vigiar o ego e suas escorregadelas é essencial neste ciclo, iniciado por Lua e Sol conjuntos a Marte, planeta do “eu primeiro, segundo eu, terceiro, eu de novo!”. Sim, é importante darmos prioridade a nós mesmos, porque, afinal, somos a pessoa mais importante de nossas vidas, como diz a canção popular, “sem mim, eu não sou ninguém”. Mas quando isso sai de proporção, perdemos a noção da convivência e da civilidade, porque esquecemos que há outros ao nosso redor e o fogo que deveria trazer um calro agradável torna-se asfixiante e destrutivo.

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Rudhyar diz que essa é a nona cena da primeira etapa da vigésima-quinta sequencia de símbolos, cujo tema e discurso é a ‘combustão’ e cujo nível é o da ação. Combustão dispensa interpretações, mas tomando-a por base, a palavra-chave para este grau de Leão é CONFLAGRAÇÃO. Ou seja, fala das “energias dos impulsos biológicos à medida que irrompem, de forma mais ou menos agressiva, no campo da consciência”. Então, a combustão pode levar a uma conflagração, que é uma tomada de consciência, a posição e consequente ação do eu (fogo) sobre a matéria para transformá-la positivamente. Ou pode, simplesmente, destruir, no seu ímpeto desvairado, como quando o conflito-conflagração desconhece os limites e o sujeito fica possuído, tomado pelo ego, identificado demais com os poderes do espírito, acreditando que são seus, sem perceber que ele é apenas um vaso, um receptáculo de tais forças. O fogo pode, ainda, simplesmente extinguir-se, ser desperdiçado, sem criar ou transformar nada. O que nos leva à pergunta: que tipo de lente nós somos sob este Fogo Solar? Como estamos utilizando o fogo sagrado em nós? Ele é faísca criadora de vida? É labareda da pira sagrada que calcina e purifica nossa matéria mais bruta e inferior? É chama transmutadora de processos e de consciência? Ou é apenas fogo de oba-oba de quem solta fogos de artifícios para “se mostrar” e fazer ruído? Pois então, o fogo ganha vigor e força neste ciclo e depende de nós utilizá-lo criativa e positivamente. E não é qualquer fogo, é o Fogo Solar, trazedor de consciência, para aqueles que estiverem atentos e disponíveis.

Voltando ao mapa da Lua Nova, lembramos que a conjunção a Marte vem ressaltar esse fogo da paixão, do entusiasmo, do fervor. O que nos leva a outras perguntas: pelo quê ou por quem estamos apaixonados? Essa paixão nos transforma positivamente? Marte também traz ímpeto, dinamismo, coragem, garra e vigor, tudo isso temperado com nobreza, portanto, podemos esperar um ciclo mais dramático, mais vivo, mas possivelmente, também mais justo.

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Leão, como já disse em outros artigos, é o signo da criança – assim como é um dos signos do Pai – da espontaneidade, da alegria de viver, de viver pelas verdades do coração. E o que isso diz do ciclo? Que é hora, justamente, de recuperar ou reviver esses valores. De viver com mais autenticidade, com mais honra e também mais alegria. Como? Dando-se conta do que nos alegra no dia a dia, desde as coisas mais simples, às coisas mais significativas e, percebendo isso, dar um jeito de trazer isso para nossa vida. Leão também é signo generoso e leal e vem nos conclamar a viver esses valores também.

Outro ponto digno de nota é que Mercúrio faz um Grande Trígono de Fogo, ao fazer trígono a Saturno em Sagitário e a Urano em Áries, ou seja, constrói uma ponte de imaginação e inspiração entre duas forças opostas, atualmente dispostas a dialogar: o velho e o novo, a tradição e a inovação, a estabilidade e o progresso. E a mente (Mercúrio) é a ponte para tal diálogo. Temos, pois, oportunidade de costurar e conciliar esses conceitos e princípios que parecem tão díspares e a partir de tal conciliação, alterar a vida sem grandes e terríveis turbulências. As oportunidades estão aí, depende de nós agarrá-las ou não.

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Vemos também que a Lua se afasta da quadratura a Urano e do trígono a Quíron. Ambos, Urano e Quíron, de formas diferentes, representam o “outsider”, o forasteiro, o esquisito, o estranho. Urano faz questão e se compraz em ser estranho, porque adora chocar; já Quíron, resigna-se nesse papel, afinal, ele não o escolheu. De qualquer forma, ambos representam a originalidade, os caminhos diferentes, muitas vezes dolorosos, porque podem ser ou parecer “inaceitáveis” para as correntes convencionais. Para Leão, que precisa tanto da admiração de seus pares, é necessário algum trabalho para aceitar as peculiaridades que o coloquem como muito diferente do seu meio, especialmente quando essa diferença o faz vítima de algum preconceito ou segregação. Por fora ele pode esbanjar confiança, mas internamente pode ser afligido pela insegurança. Assim, a Lua Nova sinaliza um tempo de grande potencial de integração das nossas diferenças e inseguranças; um tempo, de abraçar nossas esquisitices, reconhecê-las e integrá-las à nossa identidade, aceitá-las e, consequentemente, aceitar-nos mais integralmente. E quando estamos inteiros, temos mais chances de realizar nossos potenciais e ao realiza-los, transformar e iluminar o mundo à nossa volta. Portanto, a Lua vem sinalizar um tempo de nos darmos conta e tomarmos posse do nosso Fogo Interior, do Fogo Solar que nos sustenta e sustenta nosso espírito, dando ignição para a consciência realizar-se no mundo. É tempo de ficar atentos ao que move nosso coração, figurativa e literalmente: o que faz seu coração bater mais rápido? Isso pode nos dar muitas pistas sobre aquilo que nos incendeia e motiva e também sobre os potenciais latentes e ainda não expressos, esperando a “lente” certa, através da qual serão despertos ou acesos. Aproveite o ciclo de Leão e se observe, observe o que traz alegria o que faz o coração parar ou acelerar! É tempo, pois, de viver a alegria e a espontaneidade da nossa criança, segura, confiante, alegre e feliz!

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É importante lembrar que vamos viver dois ciclos seguidos de Leão. Sim! Temos esta Lua Nova ocorrendo domingo, a zero de Leão, culminando no eclipse e Lua Cheia de Aquário no dia sete de agosto; depois teremos outras Lua Nova em Leão, a 28°52’ deste signo, lunação que é um Eclipse Total do Sol – que aliás, cai em conjunção exata ao ASC e marte do presidente americano Donald Trump e que passa sobre os EUA, dividindo-o ao meio, de Leste a Oeste, prometendo muitas reviravoltas na política americana! Este segundo ciclo Leonino culmina na Lua Cheia de Peixes, no dia seis de setembro. Quer dizer, é uma baita ênfase na energia de Leão, certo? Quer recado mais potente do que esse? Portanto, é hora de nos apossarmos desse Fogo e permitir que ele queime o que precisa ser queimado e que gere nova vida, que incendeie nosso espírito de vigor, coragem e confiança. Além de alegria!

Dreamstime – Reprodução

Leão é o signo que rege o coração, figurativa e literalmente. Tendo dois ciclos seguidos regidos por esse signo, e ainda, considerando-se que teremos um eclipse bastante tenso ocorrendo aqui, as pessoas que têm qualquer problema ou propensão a problemas de coração precisam ficar muito atentas e ter cuidados dobrados com a saúde – é um tempo de emoções intensas e o coração fica mais “excitado” e pode ser exigido demais, portanto, vamos cuidar do nosso coração, também no plano físico!

Para este ciclo, vale se perguntar: com qual fogo você está alinhado? Quais “esquisitices” você carrega que ainda precisam ser integradas? Que paixões positivas podem trazer mais vigor e gozo ao seu dia a dia? Que tipo de lente o seu ego propicia ao fogo sagrado do espírito? Esse fogo que você carrega, vai aquecer ou vai destruir?

Crystal Hazelton – Reprodução

Eu desejo a você um maravilhoso ciclo de Leão! Que possamos ter coragem para expressar o fogo dos nossos potenciais criativos e a audácia de viver a alegria, pelos valores do nosso coração!

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Feliz Lua Nova para você!

Desconheço o autor – reprodução

As 12 Noites Sagradas – LEÃO e a Busca pelo Pai Espiritual

leo (1)Hoje é o Dia de Leão na Jornada das 12 Noites Sagradas (Se você não sabe o que são As 12 Noites Sagradas, clique aqui)

Edna Andrade fala sobre a noite dedicada a Leão: “As forças de Leão configuraram o coração humano e os dirigentes da Antiguidade e os reis da Idade Média associavam sua realeza com este signo, que era relacionado com a coragem e a prontidão de realizar no exterior o que é determinado a partir de dentro: da voz do coração.

Na oitava Noite Santa, a partir do portal do Leão, recebemos os impulsos de entusiasmo e coragem para enfrentar as provas que o destino nos traz. Nesta noite, abandone o medo dos desafios que você tem pela frente. Da região de Leão, os Tronos, Espíritos da Vontade, lhe trazem poderosas forças para vencer as provas que as suas escolhas lhe trazem.”  (1)

Como todo signo de FOGO, Leão é CONFIANTE, Carismático, DRAMÁTICO, Vivaz, Entusiasmado, INTUITIVO e cheio de fé na vida. Ele é Fogo FIXO. Masculino, Positivo, Ativo, Yang.

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De um livro medieval de Astrologia – Wikimedia Commons

LEALDADE, MAGNANIMIDADE, GENEROSIDADE e calor são algumas das principais qualidades do Leonino. Romântico e idealista chega mesmo a ser inocente. Às vezes. Outra de suas principais habilidades é perceber e valorizar o potencial que há no outro, além de INSPIRAR CONFIANÇA, sendo ele mesmo muito CONFIANTE. Quando fora de equilíbrio essa confiança pode tornar-se ARROGÂNCIA e ao invés de confiante ele torna-se INSEGURO e busca compulsivamente ser o centro das atenções – mas só quando em desequilíbrio! Às vezes ele pode mesmo ser vítima do “complexo do impostor”, tamanha a insegurança e segue temendo “ser descoberto” a qualquer momento.

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Pintura Liūtas – Leão

Regente do CORAÇÃO, de modo geral tudo a que o Leonino se aplica é de CORAÇÃO, não faz nada pela metade. HONRA, INTEGRIDADE e HONESTIDADE são também importantes aqui, porém é preciso vigiar para combater o vício do ORGULHO e da Vaidade. DRAMA é outra característica forte e é comum encontrar os leoninos balançando suas jubas no mundo da atuação, seja no teatro, no cinema ou na TV. Ele precisa do palco, dos holofotes, da atenção e dos aplausos do público. Ele é ESPECIAL e único. Precisa de brilho e glamour. Teatral, adora também o Romance.

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Leão é o regente da Casa Cinco da Mandala Astrológica, a casa das crianças, dos filhos, da criatividade, dos talentos artísticos, da diversão, do prazer, dos hobbies, do flerte, do namoro e do sexo sem compromisso, do relaxamento e também dos jogos e especulações. Assim, Leão está muito associado à idéia da diversão e da alegria, àquilo que a gente faz por prazer e não por obrigação. Especialmente, Leão nos fala da criança que há em nós, aquela parte de nós que nunca cresce, que é espontânea, inocente, feliz e confiante na vida.

 

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A principal criação de Leão é tornar-se ele mesmo. Clare Martin diz que “Leão vive uma jornada mítica, cujo objetivo é “crescer em direção à realização e expressão da autenticidade pessoal, integridade e autoridade, que não seja dependente da opinião dos outros” (2). Liz Greene afirma algo parecido: “Leão parece descrever o desenvolvimento da essência única individual e sua busca pela fonte”. (os parágrafos seguintes configuram um resumo da mitologia do signo de Leão, como aparece em seu livro A Astrologia do Destino, que coloco em itálico para enfatizar a fonte e o crédito de Liz Greene). Ela discorda da ideia generalizada de que Leão seja um signo fortemente criativo, e nos lembra que há muito mais geminianos, cancerianos e piscianos nas artes em geral. “Eu sinto que a grande criação do Leão é ser ele mesmo”, diz Greene.

Leo by Richard Kuöhl at school building Bogenstraße 34, 36 in Hamburg.
Leo by Richard Kuöhl, no prédio da Escola Bogenstraße em Hamburgo – Wikimedia Commons

Assim como Capricórnio, Áries e Sagitário, o tema principal do Leão gira em torno da figura do Pai. Em cada um desses signos encontramos uma faceta diferente do pai: em Áries ele é o Pai Terrível e usurpador do poder do filho; em Sagitário ele é o Pai celestial; em Capricórnio ele é o Pai Ogro travestido de realidade e sacrifício. E em Leão ele é o pai doente, impotente, comandando um reino devastado e à espera de que o filho venha redimi-lo.

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Hércules lutando com o Leão de Nemeia – Reprodução

A figura do Leão como rei dos animais e das selvas é um tema universal. Nas mitologias babilônica e egípcia ele já era bastante conhecido, sendo cultuado como Sekhmet, uma deusa solar. Na mitologia grega ele aparece numa das tarefas de Hércules, a que ele tem matar o Leão de Nemeia. Ele teria que matar o animal sem nenhuma arma, somente com as próprias mãos, um animal que era praticamente invulnerável. Mesmo assim, Hércules conseguiu matá-lo pegando-o pela garganta e estrangulando-o. Depois disso ele transformou sua pele e cabeça num traje que usaria para sempre, simbolizando que tinha assumido os poderes e qualidades associados ao leão. Liz Greene lembra que a batalha entre homem e animal é um motivo arquetípico universal dos mais antigos e simboliza a luta do ego em desenvolvimento com os instintos, que devem ser domados para que ele se torne de fato, um indivíduo, e não um número na massa inconsciente.

O leão aparece em várias estórias e mitos, acompanhando deuses e deusas diversos. Ele aparece também na mitologia, em diversas fases da Opus alquímica, como a Calcinatio, por exemplo, em que é necessário cortar-se as patas do leão para se domar os desejos.

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O Leão alquímico com as Patas Cortadas – Reprdoução

Existe também a figura do leão verde devorando o Sol, simbolizando a experiência da consciência que é esmagada e engolida pelos desejos violentos e frustrados. Porque o leão deseja, deseja muito! Sobre o Leão alquímico Jung diz: “na alquimia, o leão, a besta real, é um sinônimo pra Mercúrio, ou, para ser mais acurado, para um estágio de transformação. Ele é a forma de sangue quente do monstro predador e devorador que aparece primeiro como o dragão… Isso é precisamente o que leão destina-se a expressar – a emotividade apaixonada que precede o reconhecimento dos conteúdos inconscientes”.

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O Leão Verde Alquímico – Reprodução
Belarus and the global community. Commemorative coins Leў
Moeda Comemorativa de Leão cunhada em Belarus – Reprodução

Liz Greene lembra que as criaturas de água são criaturas de sangue frio: o caranguejo, o escorpião, o peixe. Já o leão tem sangue quente e está associado a um erotismo inequívoco, a concupiscência e orgulho, assim como a impulsos agressivos, sejam eles saudáveis ou destrutivos. Porém, se não é possível domar um caranguejo ou escorpião, certamente o leão é domável e desde a antiguidade eram mantidos em palácios como companhias e bestas reais. O simbolismo disso é que o rei deveria ser capaz de lutar com suas paixões, pois “o homem que não consegue conter seus impulsos fogosos, não pode governar a outros, nem servir como exemplo para eles”. Assim, o leão representa um estágio do processo de individuação, pois há um trabalho alquímico a ser feito. O leão tem que se transformar da forma bestial original em algo mais, tem que aprender a domar seus instintos. Este processo pode ser bastante doloroso para o leão “cujo coração de criança é profundamente ferido pela reação dos companheiros a seus excessos. Ele teve ‘a melhor das intenções’, mas parece que os outros não apreciam. Mais freqüentemente eles ficam mesmo zangados”. Assim, ele está destinado a seguir numa busca pelo auto-entendimento. E esse é o tema principal da estória mais fortemente associada a leão, que é a Lenda de Parsival e o Graal.

parsifal

Parsival era um jovem meio tolo, mas muito entusiasmado. Ele não conheceu seu pai. Foi criado somente pela mãe numa floresta longe de qualquer cidade ou comunidade – esse inicio de vida sem a figura do pai é algo comum no padrão de Leão. Um dia aparecem cinco cavaleiros na floresta onde ele mora e parsival fica tão fascinado e encantado que decide se tornar cavaleiro também. Sua mãe não gostou nada da idéia, mas ele não quis saber, foi grosseiro com ela e foi embora sem nem dizer adeus. Ela morreu em seguida de tanta dor e pesar – o Leão é mesmo meio grosseiro e tolo no início da vida. No caminho apareceu um cavaleiro vermelho, com quem ele lutou sem motivo e a quem matou, usando depois sua rmadura – o vermelho, diz Liz, é uma associação imediata à passionalidade do Leão. Ele andou, andou e por fim chegou ao fim da estrada, que acabava num rio. Ele viu um pescador que o ensinou o caminho para o castelo do Graal. De repente, o castelo apareceu, do nada, materializando-se diante de seus olhos e deixando-o estupefato. O portão estava aberto, porque, misteriosamente, ele era esperado pelo Rei-Pescador doente. O rei estava doente, na coxa ou na virilha, simbolizando a impotência e incapacidade de procriar porque é sua masculinidade que está ferida. Uma visão então apareceu para Parsival, uma espada, uma lança que pingava sangue, uma donzela que trazia o Graal de ouro e incrustrado de pedras preciosas, e uma outra donzela carregando um prato de prata. Esses quatro objetos sagrados estão relacionados aos naipes do Tarô: Espadas, Paus, Copas e Ouros. Lembram ainda também a quaternidade, que simboliza a inteireza do Self.

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Parsival em busca do Graal – Reprodução

Parsival viu esses objetos passarem diante dele, numa cerimônia solene, mas não disse nada, Ele se recolheu para dormir e viu que o castelo estava deserto. Ao sair, uma outra mulher lhe disse que ele tinha acabado de falhar terrivelmente. Ele deveria ter perguntado: “A quem serve o Graal?” para que o rei fosse curado e o reino restaurado. Ele foi apresentado ao seu destino pela primeira vez, e falhou. Assim, vagou e vagou muitos anos e só encontrou o castelo novamente depois de ter conseguido a necessária maturidade e compaixão. Ele não era capaz de sentir ou de sofrer e isso fica claro pela forma como abandonou sua mãe sem pensar duas vezes e por ter matado o cavaleiro vermelho sem motivo.

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Parsival – Chrétien de Troyes – Wikimedia Commons

Jung diz que “sua real ofensa está na primitiva falta de ambiguidade do seu comportamento, que surge da inconsciência do problema interior dos opostos. Não foi o que ele fez, mas o fato de ele ser incapaz de avaliar o que fez”. Essa inocência desajeitada é parte do Leão jovem, como o fato de não ter pai. E parece que o Destino, diz Liz, apresenta a visão do Graal antes que ele esteja pronto para entendê-lo. O que quer que o Graal seja, sucesso pessoal, o destino espiritual, parece aparecer para Leão sem esforço, através da intuição, que é um dos atributos do Fogo.

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Guido Bonatti – Liber Astronomiae

Muito tempo se passa e Parsival segue seu caminho. Depois de muito andar pela vida, já mais maduro, ele novamente encontra o castelo e toda a experiência se repete. Então ele é capaz de fazer o seu papel e fazer a pergunta, que quer dizer, na verdade uma pergunta básica que se faz diante das coisas importantes; “o que significa tudo isso?” Tão logo ele pergunta, o rei é curado e ele descobre que ele é na verdade seu avô, ou, em outras versões, seu próprio pai. O reino é restaurado e Parsival se torna então o rei.

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Leão no Zodíaco Islâmico

O mito do Graal fala da busca pelo pai. A principio, na vida do Leão, parece a busca pelo pai biológico, mas depois fica evidente que é algo mais, que a busca é pelo Pai Espiritual, em ultima análise, uma busca pelo Si Mesmo, o mais profundo valor da vida. Obviamente Leão não é o único signo que busca individuação, já que parte do desenvolvimento do ser humano, mas esse mito parece mostrar um padrão misterioso da vida de Leão. Leão, como Capricórnio e Áries geralmente vivencia uma decepção com o pai, que é impotente de alguma forma. Mas ele precisa descobrir e buscar o castelo do Graal, para redimir não só ao pai pessoal, mas a si mesmo.

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Leão – Salvador Dali – Reprodução

Leão é regido pelo Sol, e não podemos deixar de falar do deus Apolo, o deus  solar por excelência. Apolo era um deus das profecias e o Oráculo de Delfos, dedicado a ele e centrado em seu templo, era procurado por todos que queriam colocar questões aos deuses. No pórtico do templo se lia “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Apolo na verdade conseguiu seus poderes proféticos e curadores ao vencer a serpente Pyton e submetê-la à consciência solar e ao Ego. Os poderes ctônicos e primitivos da Grande Mãe utilizados pela consciência solar.

Engraving depicting the Greek god Apollo as personification of good government. In the top right corner the zodiac sign Leo. From the series The seven planets.
Gravação mostrando o Deus Apolo como personificação do bom governo – No canto superior esquerdo há o símbolo do signo de Leão, regido pelo Sol. Da série Os Sete Planetas
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O Sol – Regente de Leão – Maria Eunice Sousa

A vida é polaridade, e o oposto complementar de LEÃO é AQUÁRIO. Enquanto Leão é o Rei, Aquário é o Reino. Leão nos mostra onde somos especiais e únicos, Aquário nos diz que somos comuns e iguais a todo mundo. É necessário integrar essa polaridade e perceber que “todos somos especiais E iguais” diz Frank Clifford (4).

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Leão nos vitrais da Catedral de Chartes – França

Também fazem parte da SOMBRA de Leão a síndrome de “Eu, o Rei”, quando ele torna-se insensível e egoísta e acha que os outros são extensões dele mesmo; a síndrome do “Eu sei o que é melhor para você”, quando ele, com a melhor das intenções, se torna intrometido dizendo-lhe o que fazer com sua vida, mesmo que você não tenha perguntado, nem pedido seus conselhos; e ainda a síndrome do “Sabe-Tudo”: ele é um rei, como um rei pode não saber alguma coisa? É difícil para Leão admitir que não sabe ou não consegue fazer alguma coisa. Isso o torna pedante, um chato, às vezes.

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Leão – Painel de mármore adornando um lado da Linha Solar Meridiana da Basílica de Santa Maria dos Anjos e do martírio, em Roma – Francesco Bianchini

O que fazer com esta sombra? Primeiro, “estar consciente de si mesmo e de suas possíveis falhas; segundo, estar consciente da existência e das necessidades dos outros, dando-se conta do impacto do seu comportamento nas outras pessoas, permitindo que elas sejam independentes e dando-lhes seu devido crédito” (Liz Greene) ( E não menos importante, Leão precisa investir tempo e esforço em sua própria expressão criativa, para que não fique com inveja e tente roubar o brilho dos outros.

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Leão – Deutsche Fotothek Astrologie & Sternzeichen & Kalender – wikimedia Commons

Arquétipos e Mitos

O Rei; O Pai impotente; A Jornada do Herói em Busca de Si Mesmo; Parsival e o Graal;  O Rei Artur e a Távola Redonda; O Rei Doente e a Terra Devastada; A Criança Divina; O Banqueiro; O Líder

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Leão – Johfra Bosschart – Reprodução

Meditação de Leão

Deite-se ou sente-se de forma confortável. Respire profundamente várias vezes até relaxar completamente. Visualize agora que está num jardim bonito e bem cuidado. É um dia de verão e o Sol é cálido na sua pele. No centro do jardim há uma árvore, enorme e frondosa. De um de seus galhos pendem dois balanços. Num dos balanços há uma criança, se balançando feliz. Aproxime-se. Chegue mais perto. Observe a criança. Perceba que ela é você, é você quando criança. Converse com ela. Como ela está? Qual sua aparência? Está triste? Feliz? Zangada? Carente? Qual seu sentimento? Escute-a, ouça o que ela tem a lhe dizer, com calma e atentamente. Se ela precisar de colo, dê-lhe colo. Embale-a nos seus braços. Pergunte o que ela gostaria de lhe dizer a esta altura da vida. Pergunte que sonhos ela tem. Pergunte se ela precisa de alguma coisa ou o que você pode fazer por ela. Então, quando perceber que está tudo bem e que tudo foi dito, sente-se no outro balanço e comece a se balançar, você em um e a sua criança no outro. Sinta o vento, a euforia, a alegria. Divirta-se junto com a sua criança. Ria, ria muito! Esqueça todas as suas preocupações e apenas seja, apenas divirta-se no balanço vigoroso, dando impulsos cada vez mais altos. Sinta-se inebriar com essa sensação e quando estiver pronto, volte para seu quarto e para o momento presente. Abra os olhos e pinte, dance, escreva… Faça o que tiver vontade. E nunca esqueça da sua criança!

Beham, (Hans) Sebald 1500-1550 - Sol, from The Seven Planets with the Signs of the Zodiac, 1539 Bartsch 117 - Pauli, Holl. 119, second state of five.
Hans Sebald Beham (1500-1550): o Sol, de Os Sete Planetas com os Signos do Zodíaco, 1539 (Bartsch 117; Pauli, Holl. 119). wikimedia Commons

Música para Leão:

 

 

Fontes:

(1) Edna Andrade – FEstas Cristãs

(2) Mapping the Psyche – Clare Martin

(3) A Astrologia do Destino – Liz Greene

(4) Getting to the Heart of your Chart – Frank Clifford

(5) Astrology for Lovers – Liz Greene

The Astrologer’s handbook – sue Tompkins

 

LEÃO: a busca por si mesmo e pelo Pai Espiritual

leo (1)O Fogo e a a Triplicidade do Espírito: LEÃO

Como todo signo de FOGO, Leão é CONFIANTE, Carismático, DRAMÁTICO, Vivaz, Entusiasmado, INTUITIVO e cheio de fé na vida. Ele é Fogo FIXO. Masculino, Positivo, Ativo. O símbolo remete à cauda do Leão, ou mesmo à sua grande juba, característica do Rei das Selvas e dos animais.

LEALDADE, MAGNÂNIMIDADE, GENEROSIDADE e calor são algumas das principais qualidades de Leão. Romântico e idealista chega mesmo a ser inocente. Às vezes. Outra de suas principais habilidades é perceber e valorizar o potencial que há no outro, além de INSPIRAR CONFIANÇA, sendo ele mesmo muito CONFIANTE. Quando fora de equilíbrio essa confiança pode tornar-se ARROGÂNCIA e ao invés de confiante ele torna-se INSEGURO e busca compulsivamente ser o centro das atenções – mas só quando em desequilíbrio! Às vezes ele pode mesmo ser vítima do “complexo do impostor”, tamanha a insegurança e segue temendo “ser descoberto” a qualquer momento.

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Iconografia Medieval – Reprodução

Regente do CORAÇÃO, de modo geral tudo a que o Leonino se aplica é de CORAÇÃO, não faz nada pela metade. HONRA, INTEGRIDADE e HONESTIDADE são também importantes aqui, porém é preciso vigiar para combater o vício do ORGULHO e da Vaidade. DRAMA é outra característica forte e é comum encontrar os leoninos balançando suas jubas no mundo da atuação, seja no teatro, no cinema ou na TV. Ele precisa do palco, dos holofotes, da atenção e dos aplausos do público. Ele é ESPECIAL e único. Precisa de brilho e glamour. Teatral, adora também o Romance.

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Reprodução

Leão é o regente da Casa Cinco da Mandala Astrológica, a casa das crianças, dos filhos, da criatividade, dos talentos artísticos, da diversão, do prazer, dos hobbies, do flerte, do namoro e do sexo sem compromisso, do relaxamento e também dos jogos e especulações. Assim, Leão está muito associado à idéia da diversão e da alegria, àquilo que a gente faz por prazer e não por obrigação. Especialmente, Leão nos fala da criança que há em nós, aquela parte de nós que nunca cresce, que é espontânea, inocente, feliz e confiante na vida.

A principal criação de Leão é tornar-se ele mesmo. Leão vive uma jornada mítica, cujo objetivo é “crescer em direção à realização e expressão da autenticidade pessoal, integridade e autoridade, que não seja dependente da opinião dos outros” (Clare Martin) (1).

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Reprdoução

Liz Greene diz algo parecido: “Leão parece descrever o desenvolvimento da essência única individual e sua busca pela fonte”. (os parágrafos seguintes, em itálico, configuram um resumo da mitologia do signo de Leão, como aparece em seu livro A Astrologia do Destino). Ela discorda da idéia generalizada de Leão seja um signo fortemente criativo, e nos lembra que há muito mais geminianos, cancerianos e piscianos nas artes em geral. “Eu sinto que a grande criação do Leão é ser ele mesmo”, diz Greene.

Assim como Capricórnio, como Áries e Sagitário, o tema principal do Leão gira em torno da figura do Pai. Em cada um desses signos encontramos uma faceta diferente do pai e em Leão ele é o pai doente, impotente, comandando um reino devastado e à espera que o filho venha redimi-lo.

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Sekhmet – Deusa Solar do Egito – Wikimedia Commons

A figura do Leão como rei dos animais e das selvas é um tema universal. Nas mitologias babilônica e egípcia ele já era bastante conhecido, sendo cultuado como Sekhmet, uma deusa solar. Na mitologia grega ele aparece numa das tarefas de Hércules, a que ele tem matar o Leão de Nemeia. Ele teria que matar o animal sem nenhuma arma, somente com as próprias mãos, um animal que era praticamente invulnerável. Mesmo assim, Hércules conseguiu matá-lo pegando-o pela garganta e estrangulando-o. Depois disso ele transformou sua pele e cabeça num traje que usaria para sempre, simbolizando que tinha assumido os poderes e qualidades associados ao leão. Liz Greene lembra que a batalha entre homem e animal é um motivo arquetípico universal dos mais antigos e simboliza a luta do ego em desenvolvimento com os instintos, que devem ser domados para que ele se torne de fato, um indivíduo, e não um número na massa inconsciente.

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Hércules lutando com o Leão de Nemeia – Reprodução

O leão aparece em várias estórias e mitos, acompanhando deuses e deusas diversos. Ele aparece também na mitologia, em diversas fases da Opus alquímica, como a Calcinatio, por exemplo, em que é necessário cortar-se as patas do leão para se domar os desejos.

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O Leão alquímico com as Patas Cortadas – Reprdoução

Existe também a figura do leão verde devorando o Sol, simbolizando a experiência da consciência que é esmagada e engolida pelos desejos violentos e frustrados. Porque o leão deseja, deseja muito! Sobre o Leão alquímico Jung diz: “na alquimia, o leão, a besta real, é um sinônimo pra Mercúrio, ou, para ser mais acurado, para um estágio de transformação. Ele é a forma de sangue quente do monstro predador e devorador que aparece primeiro como o dragão… Isso é precisamente o que leão destina-se a expressar – a emotividade apaixonada que precede o reconhecimento dos conteúdos inconscientes”.

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O Leão Verde Alquímico – Reprodução

Liz Greene lembra que as criaturas de água são criaturas de sangue frio: o caranguejo, o escorpião, o peixe. Já o leão tem sangue quente e está associado a um erotismo inequívoco, a concupiscência e orgulho, assim como a impulsos agressivos, sejam eles saudáveis ou destrutivos. Porém, se não é possível domar um caranguejo ou escorpião, certamente o leão é domável e desde a antiguidade eram mantidos em palácios como companhias e bestas reais. O simbolismo disso é que o rei deveria ser capaz de lutar com suas paixões, pois “o homem que não consegue conter seus impulsos fogosos, não pode governar a outros, nem servir como exemplo para eles”. Assim, o leão representa um estágio do processo de individuação, pois há um trabalho alquímico a ser feito. O leão tem que se transformar da forma bestial original em algo mais, tem que aprender a domar seus instintos. Este processo pode ser bastante doloroso para o leão “cujo coração de criança é profundamente ferido pela reação dos companheiros a seus excessos. Ele teve ‘a melhor das intenções’, mas parece que os outros não apreciam. Mais freqüentemente eles ficam mesmo zangados”. Assim, ele está destinado a seguir numa busca pelo auto-entendimento. E esse é o tema principal da estória mais fortemente associada a leão, que é a Lenda de Parsival e o Graal.

parsifal

Parsival era um jovem meio tolo, mas muito entusiasmado. Ele não conheceu seu pai. Foi criado somente pela mãe numa floresta longe de qualquer cidade ou comunidade – esse inicio de vida sem a figura do pai é algo comum no padrão de Leão. Um dia aparecem cinco cavaleiros na floresta onde ele mora e parsival fica tão fascinado e encantado que decide se tornar cavaleiro também. Sua mãe não gostou nada da idéia, mas ele não quis saber, foi grosseiro com ela e foi embora sem nem dizer adeus. Ela morreu em seguida de tanta dor e pesar – o Leão é mesmo meio grosseiro e tolo no início da vida. No caminho apareceu um cavaleiro vermelho, com quem ele lutou sem motivo e a quem matou, usando depois sua rmadura – o vermelho, diz Liz, é uma associação imediata à passionalidade do Leão. Ele andou, andou e por fim chegou ao fim da estrada, que acabava num rio. Ele viu um pescador que o ensinou o caminho para o castelo do Graal. De repente, o castelo apareceu, do nada, materializando-se diante de seus olhos e deixando-o estupefato. O portão estava aberto, porque, misteriosamente, ele era esperado pelo Rei-Pescador doente. O rei estava doente, na coxa ou na virilha, simbolizando a impotência e incapacidade de procriar porque é sua masculinidade que está ferida. Uma visão então apareceu para Parsival, uma espada, uma lança que pingava sangue, uma donzela que trazia o Graal de ouro e incrustrado de pedras preciosas, e uma outra donzela carregando um prato de prata. Esses quatro objetos sagrados estão relacionados aos naipes do Tarô: Espadas, Paus, Copas e Ouros. Lembram ainda também a quaternidade, que simboliza a inteireza do Self.

Indiana Jones-Graal
Parsival em busca do Graal – Reprodução

Parsival viu esses objetos passarem diante dele, numa cerimônia solene, mas não disse nada, Ele se recolheu para dormir e viu que o castelo estava deserto. Ao sair, uma outra mulher lhe disse que ele tinha acabado de falhar terrivelmente. Ele deveria ter perguntado: “A quem serve o Graal?” para que o rei fosse curado e o reino restaurado. Ele foi apresentado ao seu destino pela primeira vez, e falhou. Assim, vagou e vagou muitos anos e só encontrou o castelo novamente depois de ter conseguido a necessária maturidade e compaixão. Ele não era capaz de sentir ou de sofrer e isso fica claro pela forma como abandonou sua mãe sem pensar duas vezes e por ter matado o cavaleiro vermelho sem motivo. Jung diz que “sua real ofensa está na primitiva falta de ambigüidade do seu comportamento, que surge da inconsciência do problema interior dos opostos. Não foi o que ele fez, mas o fato de ele ser incapaz de avaliar o que fez”. Essa inocência desajeitada é parte do Leão jovem, como o fato de não ter pai. E parece que o Destino, diz Liz, apresenta a visão do Graal antes que ele esteja pronto para entendê-lo. O que quer que o Graal seja, sucesso pessoal, o destino espiritual, parece aparecer para Leão sem esforço, através da intuição, que é um dos atributos do Fogo.

Perceval-Chretien
Parsival – Chrétien de Troyes – Wikimedia Commons

Depois de muito andar, ele novamente encontra o castelo e toda a experiência se repete. Então ele é capaz de fazer o seu papel e fazer a pergunta, que quer dizer, na verdade uma pergunta básica que se faz diante das coisas importantes; “o que significa tudo isso?” Tão logo ele pergunta, o rei é curado e ele descobre que ele é na verdade seu avô, ou, em outras versões, seu próprio pai. O reino é restaurado e Parsival se torna então o rei.

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Leão no Zodíaco Islâmico

O mito do Graal fala da busca pelo pai. A principio, na vida do Leão, parece a busca pelo pai biológico, mas depois fica evidente que é algo mais, que a busca é pelo Pai Espiritual, em ultima análise, uma busca pelo Si Mesmo, o mais profundo valor da vida. Obviamente Leão não é o único signo que busca individuação, já que parte do desenvolvimento do ser humano, mas esse mito parece mostrar um padrão misterioso da vida de Leão. Leão, como Capricórnio e Áries geralmente vivencia uma decepção com o pai, que é impotente de alguma forma. Mas ele precisa descobrir e buscar o castelo do Graal, para redimir não só ao pai pessoal, mas a si mesmo.

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Leão – Salvador Dali – Reprodução

Leão é regido pelo Sol, e não podemos deixar de falar do deus Apolo, o deus  solar por excelência. Apolo era um deus das profecias e o Oráculo de Delfos, dedicado a ele e centrado em seu templo, era procurado por todos que queriam colocar questões aos deuses. No pórtico do templo se lia “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Apolo na verdade conseguiu seus poderes proféticos e curadores ao vencer a serpente Pyton e submetê-la à consciência solar e ao Ego. Os poderes ctônicos e primitivos da Grande Mãe utilizados pela consciência solar.

O Sol 2
O Sol – Regente de Leão – Maria Eunice Sousa

A vida é polaridade, e o oposto complementar de LEÃO é AQUÁRIO. Enquanto Leão é o Rei, Aquário é o Reino. Leão nos mostra onde somos especiais e únicos, Aquário nos diz que somos comuns e iguais a todo mundo. É necessário integrar essa polaridade e perceber que “todos somos especiais E iguais” (Frank Clifford).

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Leão nos vitrais da Catedral de Chartes – França

Também fazem parte da SOMBRA de Leão a síndrome de “Eu, o Rei”, quando ele torna-se insensível e egoísta e acha que os outros são extensões dele mesmo; a síndrome do “Eu sei o que é melhor para você”, quando ele, com a melhor das intenções, se torna intrometido dizendo-lhe o que fazer com sua vida, mesmo que você não tenha perguntado, nem pedido seus conselhos; e ainda a síndrome do “Sabe-Tudo”: ele é um rei, como um rei pode não saber alguma coisa? É difícil para Leão admitir que não sabe ou não consegue fazer alguma coisa. Isso o torna pedante, um chato, às vezes.

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A constelação de Leão – Guido Bonetti – Wikimedia Commons

O que fazer com esta sombra? Primeiro, “estar consciente de si mesmo e de suas possíveis falhas; segundo, estar consciente da existência e das necessidades dos outros, dando-se conta do impacto do seu comportamento nas outras pessoas, permitindo que elas sejam independentes e dando-lhes seu devido crédito” (Liz Greene) E não menos importante, Leão precisa investir tempo e esforço em sua própria expressão criativa, para que não fique com inveja e tente roubar o brilho dos outros.

Arquétipos e Mitos

O Rei; O Pai impotente; A Jornada do Herói em Busca de Si Mesmo; Parsival e o Graal;  O Rei Artur e a Távola Redonda; O Rei Doente e a Terra Devastada; A Criança Divina;

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Leão – Johfra Bosschart – Reprodução

Meditação de Leão

Deite-se ou sente-se de forma confortável. Respire profundamente várias vezes até relaxar completamente. Visualizae agora que está num jardim bonito e bem cuidado. É um dia de verão e o Sol é cálido na sua pele. No centro do jardim há uma árvore, enorme e frondosa. De um de seus galhos pendem dois balanços. Num dos balanços há uma criança, se balançando feliz. Aproxime-se. Chegue mais perto. Observe a criança. Perceba que ela é você, é você quando criança. Converse com ela. Como ela está? Qual sua aparência? Está triste? Feliz? Zangada? Carente? Qual seu sentimento? Escute-a, ouça o que ela tem a lhe dizer, com calma e atentamente. Se ela precisar de colo, dê-lhe colo. Embale-a nos seus braços. Pergunte o que ela gostaria de lhe dizer a esta altura da vida. Pergunte que sonhos ela tem. Pergunte se ela precisa de alguma coisa ou o que você pode fazer por ela. Então, quando perceber que está tudo bem e que tudo foi dito, sente-se no outro balanço e comece a se balançar, você em um e a sua criança no outro. Sinta o vento, a euforia, a alegria. Divirta-se junto com a sua criança. Ria, ria muito! Esqueça todas as suas preocupações e apenas seja, apenas divirta-se no balanço vigoroso, dando impulsos cada vez mais altos. Sinta-se inebriar com essa sensação e quando estiver pronto, volte para seu quarto e para o momento presente. Abra os olhos e pinte, dance, escreva… Faça o que tiver vontade. E nunca esqueça da sua criança!

Música para Leão:

Fontes:

A Astrologia do Destino – Liz Greene

Mapping the Psyche – Clare Martin

The Astrologer’s Handbook – Sue Tompkins

Getting to the Heart of your Chart – Frank Clifford

As 12 Noites Sagradas – LEÃO

leo (1)Hoje é o dia de Leão. Passei boa parte desse dia envolvida com os felinos que atualmente se hospedam na minha casa: sete! Estão crescendo velozmente e hoje brincaram muito na minha sala. E o seu dia, algum felino apareceu? Algum ato criativo? (Se você não sabe o que são As 12 Noites Sagradas, clique aqui)

Edna Andrade fala sobre a noite dedicada a Leão: “As forças de Leão configuraram o coração humano e os dirigentes da Antiguidade e os reis da Idade Média associavam sua realeza com este signo, que era relacionado com a coragem e a prontidão de realizar no exterior o que é determinado a partir de dentro: da voz do coração.

Na oitava Noite Santa, a partir do portal do Leão, recebemos os impulsos de entusiasmo e coragem para enfrentar as provas que o destino nos traz. Nesta noite, abandone o medo dos desafios que você tem pela frente. Da região de Leão, os Tronos, Espíritos da Vontade, lhe trazem poderosas forças para vencer as provas que as suas escolhas lhe trazem.” Veja o original aqui no site de Antroposofia.

Como todo signo de FOGO, Leão é CONFIANTE, Carismático, DRAMÁTICO, Vivaz, Entusiasmado, INTUITIVO e cheio de fé na vida. Ele é Fogo FIXO. Masculino, Positivo, Ativo.

LEALDADE, MAGNÂNIMIDADE, GENEROSIDADE e calor são algumas das principais qualidades do Leonino. Romântico e idealista chega mesmo a ser inocente. Às vezes. Outra de suas principais habilidades é perceber e valorizar o potencial que há no outro, além de INSPIRAR CONFIANÇA, sendo ele mesmo muito CONFIANTE. Quando fora de equilíbrio essa confiança pode tornar-se ARROGÂNCIA e ao invés de confiante ele torna-se INSEGURO e busca compulsivamente ser o centro das atenções – mas só quando em desequilíbrio! Às vezes ele pode mesmo ser vítima do “complexo do impostor”, tamanha a insegurança e segue temendo “ser descoberto” a qualquer momento.

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Regente do CORAÇÃO, de modo geral tudo a que o Leonino se aplica é de CORAÇÃO, não faz nada pela metade. HONRA, INTEGRIDADE e HONESTIDADE são também importantes aqui, porém é preciso vigiar para combater o vício do ORGULHO e da Vaidade. DRAMA é outra característica forte e é comum encontrar os leoninos balançando suas jubas no mundo da atuação, seja no teatro, no cinema ou na TV. Ele precisa do palco, dos holofotes, da atenção e dos aplausos do público. Ele é ESPECIAL e único. Precisa de brilho e glamour. Teatral, adora também o Romance.

leo playing
Reprodução

Leão é o regente da Casa Cinco da Mandala Astrológica, a casa das crianças, dos filhos, da criatividade, dos talentos artísticos, da diversão, do prazer, dos hobbies, do flerte, do namoro e do sexo sem compromisso, do relaxamento e também dos jogos e especulações. Assim, Leão está muito associado à idéia da diversão e da alegria, àquilo que a gente faz por prazer e não por obrigação. Especialmente, Leão nos fala da criança que há em nós, aquela parte de nós que nunca cresce, que é espontânea, inocente, feliz e confiante na vida.

A principal criação de Leão é tornar-se ele mesmo. Leão vive uma jornada mítica, cujo objetivo é “crescer em direção à realização e expressão da autenticidade pessoal, integridade e autoridade, que não seja dependente da opinião dos outros” (Clare Martin) (1).

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Reprdoução

Liz Greene diz algo parecido: “Leão parece descrever o desenvolvimento da essência única individual e sua busca pela fonte”. (os parágrafos seguintes configuram um resumo da mitologia do signo de Leão, como aparece em seu livro A Astrologia do Destino). Ela discorda da idéia generalizada de Leão seja um signo fortemente criativo, e nos lembra que há muito mais geminianos, cancerianos e piscianos nas artes em geral. “Eu sinto que a grande criação do Leão é ser ele mesmo”, diz Greene.

Assim como Capricórnio, como Áries e Sagitário, o tema principal do Leão gira em torno da figura do Pai. Em cada um desses signos encontramos uma faceta diferente do pai e em Leão ele é o pai doente, impotente, comandando um reino devastado e à espera que o filho venha redimi-lo.

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Sekhmet – Deusa Solar do Egito – Wikimedia Commons

A figura do Leão como rei dos animais e das selvas é um tema universal. Nas mitologias babilônica e egípcia ele já era bastante conhecido, sendo cultuado como Sekhmet, uma deusa solar. Na mitologia grega ele aparece numa das tarefas de Hércules, a que ele tem matar o Leão de Nemeia. Ele teria que matar o animal sem nenhuma arma, somente com as próprias mãos, um animal que era praticamente invulnerável. Mesmo assim, Hércules conseguiu matá-lo pegando-o pela garganta e estrangulando-o. Depois disso ele transformou sua pele e cabeça num traje que usaria para sempre, simbolizando que tinha assumido os poderes e qualidades associados ao leão. Liz Greene lembra que a batalha entre homem e animal é um motivo arquetípico universal dos mais antigos e simboliza a luta do ego em desenvolvimento com os instintos, que devem ser domados para que ele se torne de fato, um indivíduo, e não um número na massa inconsciente.

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Hércules lutando com o Leão de Nemeia – Reprodução

O leão aparece em várias estórias e mitos, acompanhando deuses e deusas diversos. Ele aparece também na mitologia, em diversas fases da Opus alquímica, como a Calcinatio, por exemplo, em que é necessário cortar-se as patas do leão para se domar os desejos.

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O Leão alquímico com as Patas Cortadas – Reprdoução

Existe também a figura do leão verde devorando o Sol, simbolizando a experiência da consciência que é esmagada e engolida pelos desejos violentos e frustrados. Porque o leão deseja, deseja muito! Sobre o Leão alquímico Jung diz: “na alquimia, o leão, a besta real, é um sinônimo pra Mercúrio, ou, para ser mais acurado, para um estágio de transformação. Ele é a forma de sangue quente do monstro predador e devorador que aparece primeiro como o dragão… Isso é precisamente o que leão destina-se a expressar – a emotividade apaixonada que precede o reconhecimento dos conteúdos inconscientes”.

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O Leão Verde Alquímico – Reprodução

Liz Greene lembra que as criaturas de água são criaturas de sangue frio: o caranguejo, o escorpião, o peixe. Já o leão tem sangue quente e está associado a um erotismo inequívoco, a concupiscência e orgulho, assim como a impulsos agressivos, sejam eles saudáveis ou destrutivos. Porém, se não é possível domar um caranguejo ou escorpião, certamente o leão é domável e desde a antiguidade eram mantidos em palácios como companhias e bestas reais. O simbolismo disso é que o rei deveria ser capaz de lutar com suas paixões, pois “o homem que não consegue conter seus impulsos fogosos, não pode governar a outros, nem servir como exemplo para eles”. Assim, o leão representa um estágio do processo de individuação, pois há um trabalho alquímico a ser feito. O leão tem que se transformar da forma bestial original em algo mais, tem que aprender a domar seus instintos. Este processo pode ser bastante doloroso para o leão “cujo coração de criança é profundamente ferido pela reação dos companheiros a seus excessos. Ele teve ‘a melhor das intenções’, mas parece que os outros não apreciam. Mais freqüentemente eles ficam mesmo zangados”. Assim, ele está destinado a seguir numa busca pelo auto-entendimento. E esse é o tema principal da estória mais fortemente associada a leão, que é a Lenda de Parsival e o Graal.

parsifal

Parsival era um jovem meio tolo, mas muito entusiasmado. Ele não conheceu seu pai. Foi criado somente pela mãe numa floresta longe de qualquer cidade ou comunidade – esse inicio de vida sem a figura do pai é algo comum no padrão de Leão. Um dia aparecem cinco cavaleiros na floresta onde ele mora e parsival fica tão fascinado e encantado que decide se tornar cavaleiro também. Sua mãe não gostou nada da idéia, mas ele não quis saber, foi grosseiro com ela e foi embora sem nem dizer adeus. Ela morreu em seguida de tanta dor e pesar – o Leão é mesmo meio grosseiro e tolo no início da vida. No caminho apareceu um cavaleiro vermelho, com quem ele lutou sem motivo e a quem matou, usando depois sua rmadura – o vermelho, diz Liz, é uma associação imediata à passionalidade do Leão. Ele andou, andou e por fim chegou ao fim da estrada, que acabava num rio. Ele viu um pescador que o ensinou o caminho para o castelo do Graal. De repente, o castelo apareceu, do nada, materializando-se diante de seus olhos e deixando-o estupefato. O portão estava aberto, porque, misteriosamente, ele era esperado pelo Rei-Pescador doente. O rei estava doente, na coxa ou na virilha, simbolizando a impotência e incapacidade de procriar porque é sua masculinidade que está ferida. Uma visão então apareceu para Parsival, uma espada, uma lança que pingava sangue, uma donzela que trazia o Graal de ouro e incrustrado de pedras preciosas, e uma outra donzela carregando um prato de prata. Esses quatro objetos sagrados estão relacionados aos naipes do Tarô: Espadas, Paus, Copas e Ouros. Lembram ainda também a quaternidade, que simboliza a inteireza do Self.

Indiana Jones-Graal
Parsival em busca do Graal – Reprodução

Parsival viu esses objetos passarem diante dele, numa cerimônia solene, mas não disse nada, Ele se recolheu para dormir e viu que o castelo estava deserto. Ao sair, uma outra mulher lhe disse que ele tinha acabado de falhar terrivelmente. Ele deveria ter perguntado: “A quem serve o Graal?” para que o rei fosse curado e o reino restaurado. Ele foi apresentado ao seu destino pela primeira vez, e falhou. Assim, vagou e vagou muitos anos e só encontrou o castelo novamente depois de ter conseguido a necessária maturidade e compaixão. Ele não era capaz de sentir ou de sofrer e isso fica claro pela forma como abandonou sua mãe sem pensar duas vezes e por ter matado o cavaleiro vermelho sem motivo. Jung diz que “sua real ofensa está na primitiva falta de ambigüidade do seu comportamento, que surge da inconsciência do problema interior dos opostos. Não foi o que ele fez, mas o fato de ele ser incapaz de avaliar o que fez”. Essa inocência desajeitada é parte do Leão jovem, como o fato de não ter pai. E parece que o Destino, diz Liz, apresenta a visão do Graal antes que ele esteja pronto para entendê-lo. O que quer que o Graal seja, sucesso pessoal, o destino espiritual, parece aparecer para Leão sem esforço, através da intuição, que é um dos atributos do Fogo.

Perceval-Chretien
Parsival – Chrétien de Troyes – Wikimedia Commons

Depois de muito andar, ele novamente encontra o castelo e toda a experiência se repete. Então ele é capaz de fazer o seu papel e fazer a pergunta, que quer dizer, na verdade uma pergunta básica que se faz diante das coisas importantes; “o que significa tudo isso?” Tão logo ele pergunta, o rei é curado e ele descobre que ele é na verdade seu avô, ou, em outras versões, seu próprio pai. O reino é restaurado e Parsival se torna então o rei.

Sign_of_Leo,_Islamic_Zodiac
Leão no Zodíaco Islâmico

O mito do Graal fala da busca pelo pai. A principio, na vida do Leão, parece a busca pelo pai biológico, mas depois fica evidente que é algo mais, que a busca é pelo Pai Espiritual, em ultima análise, uma busca pelo Si Mesmo, o mais profundo valor da vida. Obviamente Leão não é o único signo que busca individuação, já que parte do desenvolvimento do ser humano, mas esse mito parece mostrar um padrão misterioso da vida de Leão. Leão, como Capricórnio e Áries geralmente vivencia uma decepção com o pai, que é impotente de alguma forma. Mas ele precisa descobrir e buscar o castelo do Graal, para redimir não só ao pai pessoal, mas a si mesmo.

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Leão – Salvador Dali – Reprodução

Leão é regido pelo Sol, e não podemos deixar de falar do deus Apolo, o deus  solar por excelência. Apolo era um deus das profecias e o Oráculo de Delfos, dedicado a ele e centrado em seu templo, era procurado por todos que queriam colocar questões aos deuses. No pórtico do templo se lia “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Apolo na verdade conseguiu seus poderes proféticos e curadores ao vencer a serpente Pyton e submetê-la à consciência solar e ao Ego. Os poderes ctônicos e primitivos da Grande Mãe utilizados pela consciência solar.

O Sol 2
O Sol – Regente de Leão – Maria Eunice Sousa

A vida é polaridade, e o oposto complementar de LEÃO é AQUÁRIO. Enquanto Leão é o Rei, Aquário é o Reino. Leão nos mostra onde somos especiais e únicos, Aquário nos diz que somos comuns e iguais a todo mundo. É necessário integrar essa polaridade e perceber que “todos somos especiais E iguais” (Frank Clifford).

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Leão nos vitrais da Catedral de Chartes – França

Também fazem parte da SOMBRA de Leão a síndrome de “Eu, o Rei”, quando ele torna-se insensível e egoísta e acha que os outros são extensões dele mesmo; a síndrome do “Eu sei o que é melhor para você”, quando ele, com a melhor das intenções, se torna intrometido dizendo-lhe o que fazer com sua vida, mesmo que você não tenha perguntado, nem pedido seus conselhos; e ainda a síndrome do “Sabe-Tudo”: ele é um rei, como um rei pode não saber alguma coisa? É difícil para Leão admitir que não sabe ou não consegue fazer alguma coisa. Isso o torna pedante, um chato, às vezes.

Leo-bonatti
A constelação de Leão – Guido Bonetti – Wikimedia Commons

O que fazer com esta sombra? Primeiro, “estar consciente de si mesmo e de suas possíveis falhas; segundo, estar consciente da existência e das necessidades dos outros, dando-se conta do impacto do seu comportamento nas outras pessoas, permitindo que elas sejam independentes e dando-lhes seu devido crédito” (Liz Greene) E não menos importante, Leão precisa investir tempo e esforço em sua própria expressão criativa, para que não fique com inveja e tente roubar o brilho dos outros.

Arquétipos e Mitos

O Rei; O Pai impotente; A Jornada do Herói em Busca de Si Mesmo; Parsival e o Graal;  O Rei Artur e a Távola Redonda; O Rei Doente e a Terra Devastada; A Criança Divina;

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Leão – Johfra Bosschart – Reprodução

Meditação de Leão

Deite-se ou sente-se de forma confortável. Respire profundamente várias vezes até relaxar completamente. Visualizae agora que está num jardim bonito e bem cuidado. É um dia de verão e o Sol é cálido na sua pele. No centro do jardim há uma árvore, enorme e frondosa. De um de seus galhos pendem dois balanços. Num dos balanços há uma criança, se balançando feliz. Aproxime-se. Chegue mais perto. Observe a criança. Perceba que ela é você, é você quando criança. Converse com ela. Como ela está? Qual sua aparência? Está triste? Feliz? Zangada? Carente? Qual seu sentimento? Escute-a, ouça o que ela tem a lhe dizer, com calma e atentamente. Se ela precisar de colo, dê-lhe colo. Embale-a nos seus braços. Pergunte o que ela gostaria de lhe dizer a esta altura da vida. Pergunte que sonhos ela tem. Pergunte se ela precisa de alguma coisa ou o que você pode fazer por ela. Então, quando perceber que está tudo bem e que tudo foi dito, sente-se no outro balanço e comece a se balançar, você em um e a sua criança no outro. Sinta o vento, a euforia, a alegria. Divirta-se junto com a sua criança. Ria, ria muito! Esqueça todas as suas preocupações e apenas seja, apenas divirta-se no balanço vigoroso, dando impulsos cada vez mais altos. Sinta-se inebriar com essa sensação e quando estiver pronto, volte para seu quarto e para o momento presente. Abra os olhos e pinte, dance, escreva… Faça o que tiver vontade. E nunca esqueça da sua criança!

Música para Leão:

Fontes:

A Astrologia do Destino – Liz Greene

Mapping the Psyche – Clare Martin

The Astrologer’s handbook – sue Tompkins

Getting to the Heart of your Chart – Frank Clifford