Arquivo da tag: Sentimentos

Lua Nova em Câncer – Fazendo as pazes com o passado

A Lua se renova em Câncer hoje, às 23h31min no horário de Brasília e às 02h31min no horário de Liboa. A lunação se dá no grau 02°47′ de Câncer, em conjunção a Mercúrio e a Marte, que estão, ambos, “Forasteiros” ou “Fora dos Limites do Sol”.

Câncer é o signo dos cuidados, dos sentimentos profundos, da nutrição, do passado, das raízes e origens; o signo que nos lembra que nascemos numa família, de uma mãe que nos nutriu, literal e figurativamente, e de um pai que nos empurra para o mundo e para o futuro. Assim, o ciclo de Câncer sinaliza um tempo de honrar tudo isso em nossa vida: nossa família, origens, passado e história; a sentir e viver nossos sentimentos, a estreitar os laços que nos sustentam e a deixar a família de origem para trás, para ser capazes de criar nosso próprio núcleo, nosso próprio ninho e dar continuidade à semente que herdamos daqueles que vieram antes.

A Lua Nova de hoje nos chama, com amor e devoção, a voltar a essas origens, a honrar essa história que é nossa, no que  ela tem de bom e de ruim, porque, afinal, tudo contribuiu para sermos o que somos hoje, o bom e o ruim. Tudo foi adubo e fermento, tudo o que vivemos. Tudo, absolutamente tudo, fortifica nossas raízes, para que galhos, folhas, flores e frutos sejam fortes, vigorosos e belos (Capricórnio, o signo oposto).

Em Câncer, entramos em contato com o viço que gera a vida, a seiva nutritiva que alimenta o corpo, a alma, a própria vida. É onde nos nutrimos e abastecemos e, abastecidos, nutrimos também a outros, cuidando, protegendo, amando.

O mapa da Lua Nova traz uma enormidade de Água ativada e apenas Júpiter como singleton em Ar, ou seja, as comportas de tudo quanto foi represado são abertas, os conteúdos liberados e não temos alternativa, senão sentir, profunda e visceralmente. Portanto, estamos mais sensíveis, emotivos e carentes e isso nos leva a uma pergunta: como temos feito nossa própria maternagem?  Câncer nos lembra da interdependência, de que precisamos uns dos outros, de que a família é nossa base, é o marco zero da nossa vida. Como estão nossas relações familiares? São saudáveis? Pestilentas e rancorosas? Cheias de mágoas e ressentimentos? Cheias de histórias e recordações bonitas ou segredos espúrios obscuros, dos quais não queremos lembrar? Não seria hora de curar tudo isso? Deixar esse passado pesado para trás?

A Lua Nova acontece em conjunção a Mercúrio e a Marte e Marte, opondo-se a Plutão, é a base de uma T-Square que tem Júpiter em Libra como foco. Isso pede que mantenhamos em cheque a criança birrenta e zangada dentro de nós, que diluamos raivas, mágoas e rancores, nas grandes águas Cancerianas. Júpiter, como foco dessa T-Square, sugere que devemos equilibrar as influências parentais dentro de nós, o Pai e a Mãe, para que possamos ter relações felizes e autênticas e não meras repetições dos erros dos nossos pais – os quais tanto criticamos e dos quais tanto fugimos. Para que possamos ter relações felizes, justas e equilibradas, que nos impulsionem e contribuam para sermos pessoas melhores, precisamos confrontar esses medos e expectativas infantis, a raiva primal da criança insatisfeita, que ainda espera que mamãe vá resolver todos os nossos problemas mesquinhos – ou graves – com seu olhar e palavras doces.

É hora de plantar novas sementes, novos sentimentos e relações. Mas tais sementes só prosperarão se tivermos coragem de purificar o solo, livrando-o das nossas mágoas, do nosso passado tóxico, das nossas expectativas infantis, tanto em relação às figuras parentais, quanto em relação aos nossos parceiros. Do contrário, estamos condenando nossa vida afetiva e o futuro em geral a ser uma repetição de tudo aquilo que desaprovamos na nossa família.

Em lugar de nos sentir vitimizados pelo que quer que tenha acontencido na nossa família e no nosso passado, precisamos soltar e deixar isso para trás; confrontar nossos medos, nossos demônios e assim amadurecer e nos fortalecer, para encontrarmos nosso equilíbrio interno, o fiel da balança da nossa alma. Se queremos nos livrar de um passado triste e doloroso, precisamos abrir mão dele, realmente, não apenas no discurso, mas principalmente na atitude. Parar de bancar as vítimas do sistema familiar e perceber que todos temos nossa parcela de responsabilidade por estar onde estamos e que, mais do que nunca, precisamos nos responsabilizar pelas escolhas e decisões que nos levarão a ser a pessoa que queremos nos tornar. Para isso, é preciso abrir mão também do anseio por ser cuidado, indefinidamente; o anseio por não ter que escolher, não ter que se responsabilizar…

E sobre o passado, as mágoas e dores? Podemos purificar tudo isso! Para cada mágoa ou memória negativa, medite na prece do Hoponopono: “Eu sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grata/o”. Podemos fazer essa prece para todas as situações dolorosas da nossa vida, inclusive para perdoar a nós mesmos, até que nos sintamos mais leves, purificados, amparados pela nossa Mãe Arquetípica – interna – que cuidará para que não precisemos despejar nossas carências infinitas sobre outros, nem nossas mágoas e amargor. Assim, poderemos voltar a apreciar o doce da vida, literal e figurativamente.

Faça as pazes com seu passado, sua família, com você mesmo. Não precisamos repetir enredos! Se estivermos conscientes e despertos, não estaremos fadados a isso, E assim, poderemos plantar novas sementes de amor genuino, de sentimentos verdadeiros, de vínculos fortes, baseados no respeito e na honestidade e não nas dependências e jogos emocionais.

Uma linda Lua Nova Nova para você! E um ótimo ciclo, de nutrição, perdão e amor. Sempre é tempo de recomeçar nossa história!

Reprodução

 

Lua Cheia em Câncer – Apaixone-se por seus objetivos!

Lua-Cheia
Reprodução de Google Imagens

A Lua Nova super terrosa em Capricórnio do dia 1° de Janeiro prometia um terreno firme e sólido para fazermos nossos planejamentos e plantarmos as sementes dos projetos que farão diferença em nossa vida em 2014. A Lua Cheia de amanhã (16 de janeiro, 2:53, Horário Brasileiro de Verão, Brasília), vem nos perguntar se de fato aproveitamos essa oportunidade e exigir uma conclusão. A esta altura, já deveríamos ter um delineamento bem claro da “viagem” que será 2014 e que caminhos iremos trilhar para chegar aos nossos objetivos. Que estratégias serão necessárias para termos um período de crescimento continuado em direção à nossa própria inteireza.

familia
Reprodução de Google Imagens

Na Lua Nova em Capricórnio dizíamos que era hora de estar plenamente no presente, observando nossas condições e circunstancias para podermos traçar com praticidade nosso planejamento estratégico para o futuro. Agora na Lua Cheia em Câncer, a Lua polariza-se com o Sol em Capricórnio, e vem checar a sobriedade desses planos, mas também exigir ou propiciar um burilamento nos detalhes, um refinamento, o acabamento final. A polaridade Câncer-Capricórnio pede que não esqueçamos de achar um perfeito equilíbrio entre a vida privada e a vida social, lembrando que não adianta focar unicamente no sucesso profissional e material, se a vida familiar e emocional for árida e estéril. É preciso deixar as águas de Câncer fertilizar a aridez de Capricórnio. Outro lembrete importante que as águas Cancerianas nos trazem é que qualquer planejamento pode ser inócuo se não levarmos em conta nossas origens, de onde estamos vindo. Como dizia o espanhol Jorge Santayana, “quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo”(1). É preciso honrar e reconhecer a validade das experiências passadas (Câncer), se quisermos dar um salto de crescimento em direção aos objetivos futuros (Capricórnio), ou nos limitaremos a repetir padrões negativos de relacionamentos e permanecer na mesmice do que já foi excessivamente testado. A Lua Canceriana lembra ainda ao Sol Capricorniano que, por mais práticos e objetivos que queiramos ser, estaremos cometendo um grande equívoco se não colocarmos nossos sentimentos nesta equação, pois mais à frente podemos desistir de nossas metas simplesmente porque não nos sentimos de fato afetados por elas, não há afeto envolvido, elas não refletem de fato os desejos de nossa alma, não nos alimentam de forma significativa, mas antes, são apenas vontades do ego calculista, faminto por reconhecimento social  per se,  sem nenhum estofo ou substância internos que os legitimem. É preciso, pois, honrar nossos afetos, deixar-nos afetar pela vida e pela força poderosa dos sentimentos. É preciso honrar os sentimentos, sem cair na afetação vazia, nem na pieguice ou dependência doentios(Câncer), mas tendo-os como combustíveis que nos motivam a agir no mundo real de forma concreta (Capricórnio), verdadeira e apaixonada(Câncer).

Ondina Sonhando. Gonzalo Juliani.
Ondina Sonhando, Gonzalo Juliani – Reprodução

Outro aspecto muito importante na configuração dessa Lua Cheia é que ela ocorre em oposição ampla a Vênus retrógrada, que além de estar em quadratura com Marte em Libra, é também o ponto médio de conjunção de Sol e Plutão. Embora Sol-Lua não façam aspectos a Plutão neste mapa, esse fator é muito importante porque a Lua Nova do dia 1° ocorreu em conjunção exata a Plutão, regida por Saturno em Escorpião. Ou seja, essa Lua cheia, apesar de reservada e tímida, é com certeza movida por paixões profundas, viscerais e intensas e nos lembra que toda vez que ativamos um querer, uma paixão, ativamos junto a possibilidade da frustração desse querer, dessa paixão. Como me lembrava uma colega acerca da posição de Plutão na Lua Nova, Plutão tende a negar os desejos, a frustrar a vontade, mesmo a mais férrea delas. Com Plutão a pessoa é desafiada sucessivamente no seu instinto de sobrevivência e na sua determinação.  Voltando a Vênus como ponto médio, a vontade e destino de transformação profunda como representados por Sol e Lua conjuntos a Plutão no mapa do dia 1° encontram agora uma “mediadora”, ou melhor, um canal de expressão e frutificação em Vênus. Segundo Ebertin (2), Vênus como ponto médio entre Sol e Plutão representa “Força e Poder Criativos, chateações emocionais, amor trágico”. Considerando o posicionamento de Vênus em Capricórnio, que já fica naturalmente tímida e reservada, e mais o fato de ela estar retrógrada, diríamos que a possibilidade de termos que lidar com “frustrações” em nossas metas criativas é mais que real e demandará muita paciência e sobriedade na forma de lidarmos com elas. Exigirá cautela e desapego para não nos deixarmos derrubar pelas “chateações emocionais”, para que nossas intenções “apaixonadas” não se tornem “trágicas”. Demandará ainda um senso perfeito de timing, de quando avançar e de quando recuar. Acho pertinente lembrar de novo de Raduan Nassar, em Lavoura Arcaica: “e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas”(3) (Mais sobre Vênus retrógrada em Capricórnio aqui)

Chasseriau_Theodore_Venus_Marine_Venus_Navy
Vênus Marinha – Theodore Chasseriau – Reprodução

A posição de Vênus torna-se importante também porque ela rege Marte em Libra, que vai ser um elemento crucial na Grande Cruz Cardinal que estará ativa nos próximos meses, e que adiciona peso à questão das frustrações com que nossa vontade certamente se deparará e que testará os limites de nossa determinação e paciência em várias frentes. Até julho, Marte estará a serviço de Vênus, Vênus desejando e aspirando e Marte executando – o problema é que quando ele estiver retrógrado, essa “execução” poderá encontrar obstáculos diversos, daí a frustração. Por fim, Vênus retrógada aqui aponta para a necessidade de equilibrar ação e inação, vontade e amor, busca de poder (Sol-Plutão) e ascensão social (Capricórnio), sem comprometer os ideais de justiça e equidade e sem deixar que a paixão atrapalhe, mas antes seja um motor por trás da ação (quadratura com Marte em Libra).

navegar
Reprodução de Google Imagens

Saturno rege o Sol e Vênus e está em recepção mútua com Plutão (*), reforçando , no aspecto negativo a possibilidade de negação no campo do desejo, ou no mínimo uma contenção, e no aspecto mais positivo, enfatizando a necessidade de honestidade emocional e paciência, além da resistência e capacidade de reconstrução, qualidades muito necessárias para navegarmos 2014 com desenvoltura.

Concluindo, se fez seus planejamentos como sugerido pela Lua Nova de Capricórnio, burile-os agora, embeba-os em seus sentimentos, inclua seus afetos e adicione “planos B”, pois provavelmente você terá que fazer ajustes ao longo do caminho; se não fez ainda, você ainda tem chance, portanto não perca mais tempo! Foque nas metas objetivas e mundanas (Capricórnio), mas não esqueça, que como humano, tem necessidades de afeto e de estabelecer vínculos que dêem sentido ao tempo de existir e de realizar no mundo lá fora (Câncer). E se havia alguma questão inacabada, que não fechava, permita que as águas da Lua Cheia resolvam o dilema para você, abra-se às possibilidades que as marés oferecem e fique atento aos próprios sentimentos e às mensagens nutritivas da Grande Mãe.

E, sobretudo, apaixone-se por suas metas!

Dima Dmitriev Open Art
Dima Dmitriev – Repodução de Open Art Group
Lua cheia em Cancer 2014
Lua cheia em Cãncer, 16 de Janeiro de 2014, 1:53, Cuiabá

(*) Diz-se que dois planetas estão em recepção mútua quando um está no signo do outro, por exemplo, Saturno atualmente trafega Escorpião, que é regido por Plutão e Plutão está trafegando Capricórnio, que é regido por Saturno.

(1) Jorge Santayna – filósofo espanhol

(2) The Combination of Stellar Influences – Reinhold Ebertin

(3) Lavoura Arcaica – Raduan Nassar