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Lua Cheia em Gêmeos – Pare! Espere! Nem tudo é o que parece!

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O ciclo iniciado na Lua Nova de Escorpião no dia 18 de novembro atinge seu pináculo na Lua Cheia em Gêmeos, neste domingo, três de dezembro às 13h47min no horário de Brasília e às 15h47min no horário de Lisboa. Então, um ciclo que começa muito reservado e misterioso, atinge seu pico de forma desbragada, espalhado para tudo quanto é lado, numa Lua Cheia agitada e cheia de acontecimentos! Como assim? Vamos por partes!

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Primeiramente, o eixo Gêmeos-Sagitário é o eixo da informação e do conhecimento – Gêmeos coleta informações e Sagitário as distribui. Nesse sentido, é um eixo mental, sendo Gêmeos e a casa 3 correspondentes à mente inferior, funcional e prática e Sagitário e a casa 9 associadas à mente superior, mais abstrata, que busca a elevação. Assim, Gêmeos lida com os fatos e Sagitário busca entender o sentido mais elevado de tais fatos, emitindo um julgamento moral, buscando a verdade e o significado dos fatos. Gêmeos é o conhecimento, Sagitário, a sabedoria. Em termos específicos, Gêmeos é um signo de Ar, da mente e Sagitário é um signo de Fogo, do espírito. São signos que buscam a leveza, com Sagitário sendo famoso pelo otimismo e entusiasmo e Gêmeos tendo como uma de suas características, a grande oscilação de humor. Uma Lua Cheia ocorrendo nesse eixo vem chamar a atenção para esses assuntos: informações, fatos, conhecimento, significado, verdade.

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A Lua Cheia ocorre a 11°40′ de Gêmeos, em quadratura quase exata – a apenas 10 minutos de distância – a Netuno, o Mestre das Ilusões. Num ciclo em que o confronto com a verdade, por mais sombria e aflitiva que seja, é um dos temas principais, junto com a necessidade de eliminar o que morreu, essa Lua Cheia vem nos desconcertar, confundir e iludir – olha, juro que até eu fiquei confusa sobre como interpretar isso! Além disso, no mapa levantado para Brasília temos o Ascendente em Peixes, o que enfatiza a qualidade da fantasia, e ainda Quíron conjunto ao Ascendente. Então, temos uma sensibilidade exacerbada, sonhos mirabolantes, visões incríveis, ideais muito elevados; mas os fatos e a realidade estão distorcidos, seja porque as informações que recebemos são enganosas ou porque nós mesmos as distorcemos; fazemos uma grande salada misturando realidade, fantasias, fatos sucedidos, acontecimentos imaginados e informações inverossímeis. Nesse contexto, como saber o que é verdade e o que é engano, engodo? Será que o que vemos é verdade ou uma miragem?

Pawel Kuczynski – Artista Polonês – Reprodução

Como se não bastasse essa quadratura a Netuno, Mercúrio, regente da Lua Cheia, está estacionário-retrógrado, no signo de seu detrimento – só volta ao movimento direto no dia 22 de dezembro! E também está na peculiar condição Fora dos Limites do Sol – extremista! Como já sabemos, períodos de Mercúrio retrógrado são períodos de revisão, de voltar atrás sobre nossos passos, no caminho já percorrido, para nos certificar de que estamos fazendo a coisa certa, para revisar as atitudes, pensamentos, convicções e decisões dos últimos meses. Portanto, tudo pára, tudo fica em standby, em espera, até que procedamos com essa REavaliação. Decisões e atitudes tomadas agora podem ser equivocadas e talvez, no futuro, tenhamos que voltar atrás e alterá-las – se é que isso será possível. Mercúrio implica não somente a Lua, sendo regente dela, mas vem questionar também os temas do Sol, já que este ciclo de retrogradação ocorre em Sagitário, signo pelo qual trafega o Sol atualmente. Mercúrio retrógrado em Sagitário sinaliza um tempo de revisar nossas crenças, nossas verdades, nossa relação com o divino, nossa espiritualidade, nossa ideia de justiça, nossos códigos morais, nossa expansão recente e nossos planos de crescimento futuro – e como os fatos influenciam em tudo isso? Mercúrio entra em retrogradação conjunto a Saturno, o Grande Capataz, o Auditor da Realidade, e em trígono a Urano, o Despertador, o que indica maior peso e severidade nas revisões que precisam ser feitas. Não, não é brincadeira, não! Pelo contrário, é a hora de o palhaço sair do picadeiro, ir para o vestiário e tirar sua pesada maquiagem, suas roupas espalhafatosas e encarar o espelho de cara limpa. Mas será que conseguimos mesmo tirar TODA a maquiagem e nos enxergar como realmente somos? E enxergar as armadilhas que nossa mente ilusória e o ego criam?

Lua Cheia em Gêmeos – Brasília, 03 de dezembro de 2017, 13h47min

A Lua Cheia também faz quincôncio ao regente do Sol Sagitariano, Júpiter, que por sinal também está em trígono – exato no dia da Lua Cheia – a Netuno. Marte, além de ainda estar em oposição a Urano, faz sesqui-quadratura a Netuno, aspecto também exato no mesmo dia. Como a Lua também está em sesqui-quadratura a Marte e em quadratura a Netuno, temos formado um Martelo, do qual Marte é o foco. Então, considerando que Netuno está ativado por todos os lados, Mercúrio está estacionário retrógrado e Marte está nessa situação periclitante, temos um cenário muito confuso, de informações contraditórias e talvez inverossímeis, excessos de “achismos”, carência de pareceres fidedignos que podem levar a julgamentos errôneos, que por sua vez, podem motivar ou propiciar ações precipitadas, impulsivas e inconsequentes, portanto, PARE! ESPERE! Não faça nada agora! Antes de qualquer coisa, pare, recue um pouco e respire fundo, uma, duas, três vezes pelo menos. Quando estamos caminhando no meio da neblina densa, num terreno desconhecido, o próximo passo pode nos fazer despencar no precipício, portanto, é necessário proceder com cuidado. Perceba as incertezas e aceite-as, não tente negá-las. De preferência dê tempo para as ideias se assentarem e serem assimiladas e aguarde as cenas dos próximos capítulos – você pode se surpreender com o desdobramento das situações!

Antonio Mora – Reprodução

Não é a melhor hora para a ação, é hora de análises cuidadosas e pacientes! Por que? Porque esta é uma Lua Cheia propensa a ações tresloucadas, confusas, caóticas, impulsivas, das quais podemos nos arrepender muito depois, simplesmente porque não estamos vendo o quadro completo, não temos acesso a todas as informações necessárias para tomar decisões com clareza e lucidez e se agirmos no calor do momento, ou com leviandade ou ainda motivados por informações recebidas de última hora, descobriremos mais tarde que a história tem muitas versões e camadas, e que os fatos são muito diferentes do que pareciam a princípio. Ou, podemos estar tão identificados com certas “verdades”, que nos recusamos a ver que não passam de miragens e fanatismos.

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Em termos mundanos, há propensão a muitas notícias sensacionalistas, a reputações manchadas por “fatos” plantados ou mal investigados, a informações distorcidas de propósito para atender a interesses escusos, como também informações errôneas que são passadas adiante por preguiça de se checar a veracidade e as fontes. Vale ter muita cautela nos próximos dias nas redes sociais, porque nem tudo é o que parece à primeira vista e um mesmo escândalo pode ter muitos altos e baixos e reviravoltas antes que se conclua o que realmente aconteceu e, mesmo assim, não há segurança de que a verdade chegue a ser conhecida algum dia.

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O Símbolo Sabiano para o grau 12° (11°40’) de Gêmeos traz uma imagem, que a princípio pode parecer contraditória com o que foi dito acima: “Uma garota negra luta pela sua independência na cidade”. Dane Rudhyar (1) nos diz, analisando este símbolo, que seu tom principal é a necessidade de nos liberarmos dos fantasmas do passado. Não importa as mudanças que fazemos na vida, ainda precisamos lidar com as memórias, os “fantasmas” da vida que vivemos antes e até mesmo os fantasmas culturais, as memórias do coletivo, nossa ancestralidade, no que ela tem de melhor e de pior. Linda Hill, outra estudiosa dos Símbolos Sabianos, coloca o símbolo de forma mais específica: “Uma garota negra e escrava exige seus diretos à sua senhora” (2).

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Rudhyar lembra que no símbolo anterior de Gêmeos, para o grau 11, a imagem é: “a abertura de novas terras oferece aos pioneiros novas oportunidades de experiências”. E ele segue analisando o símbolo do grau 12 como sequência do anterior, que é o correto: “Todo novo começo está rodeado de fantasmas (ou carma pessoal e social). A luta racial pela igualdade de oportunidades deve prosseguir, mesmo que essa igualdade seja oficialmente garantida pela Lei. A luta é interna e assume muitas formas. Os puritanos trouxeram ao teoricamente ‘Novo Mundo’ os medos, o fanatismo e a agressividade de sua existência europeia, e estes geralmente se tornaram mais virulentos sob as condições encontradas no Novo Mundo. Mas nenhum campo de atividade é sempre ‘virgem’. Tem seus habitantes, e eles se apegam às suas posses ou privilégios. Quem quer ser verdadeiramente um indivíduo deve ser libertado do passado. Aqui, nesta segunda etapa, temos o tipo de símbolo de contraste usual. As novas terras são abertas, mas estão cheias de vidas, e a mente do pioneiro está cheia de fantasmas, preconcepções e preconceitos ou expectativas. O que é necessário é uma LIQUIDAÇÃO total do passado; mentes virgens para campos virgens”.

Johnson Tsang – Reprodução

O símbolo nos sugere, portanto, que nos conscientizemos das prisões mentais, preconceitos, visões e ilusões que ainda nos limitam e das quais é necessário nos libertarmos. Não é possível um recomeço, um novo início, enquanto não deixamos para trás os ranços, os preconceitos, os fantasmas. E aqui encontramos, finalmente, a ligação com a Lua Nova ocorrida em Escorpião e que falava da necessidade de eliminações: a eliminação mais importante que precisa ser feita neste ciclo atual é a dos preconceitos, dos fanatismos, da mentalidade medíocre, tacanha e intolerante. Mas, às vezes, estamos tão identificados com nossas “nobres opiniões”, que não nos damos conta de quão mortas, obsoletas e cruéis elas podem ser.

É interessante termos uma Lua Cheia ocorrendo no grau que traz este símbolo, precedida por período em que pipocaram notícias sobre negros vendidos como escravos na Líbia, como se não bastasse a chaga que continua sendo o racismo, tanto no Brasil, como mundo afora! Lembrando como o símbolo é colocado por Linda Hill, sobre uma menina negra escrava, o fato de esta garota ter “uma senhora” – que dá a ideia de ela ser posse de alguém – já seria absurdo o bastante, mas mais absurdo ainda é pensar que tal coisa continue a acontecer nos dias de hoje. Primeiro, de forma “escondida”, como nos incontáveis casos de pessoas trabalhando em regime de escravidão no Brasil e no mundo, seja em fazendas, seja nas indústrias têxteis ou outras indústrias e também no caso do tráfico de pessoas para exploração sexual. Isso, infelizmente, não é novidade, mas era feito às escondidas, o que sugere que ainda havia  um temor da lei e da justiça. Mas nos últimos anos, além disso, temos de volta essa prática do aprisionamento e venda de negros, de forma escancarada, como algo “comum”, à vista do mundo, sem disfarces e pior, sem medo de punição! Embora a prática já aconteça há anos, agora chega aos meios de comunicação de forma mais massiva.

Steven Kenny – Reprodução

Eu não tenho a pretensão de me aprofundar sobre as motivações e causas psicológicas, filosóficas, morais, sociológicas, econômicas, políticas ou quaisquer outras para a escravidão, seja de negros, mulheres, brancos – não vamos esquecer que na Grécia, o berço da civilização ocidental, a prática da escravidão era comum e considerada natural e necessária, assim como na maioria das civilizações do mundo antigo e se aplicava não somente a negros, mas a outros indivíduos que se tornasses prisioneiros de guerra, ou que não conseguissem pagar suas dívidas, entre outras causas. Contudo, essas notícias brutais sobre um retorno da pratica do escravismo na África, no Brasil ou em qualquer parte do mundo nos alerta para não nos iludirmos e não sermos tolos a respeito do aparente “progresso” da humanidade. Ao mesmo tempo em que evoluímos muito em termos tecnológicos e científicos, e que temos acesso ao conhecimento como nunca antes na história, por outro lado, não estamos livres de repetir erros do passado, especialmente se formos arrogantes e julgarmos as gerações anteriores como “primitivas”.

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A Terra e a humanidade vivenciam muitos ciclos e nós vivemos num ciclo em que nunca se teve tanto conhecimento sobre as atrocidades cometidas por humanos contra humanos e contra a natureza e aqui há duas contradições: pode-se pensar que no ponto de “civilidade” e entendimento intelectual a que chegamos estaríamos livres de tais comportamentos vis e cruéis – o idealismo Sagitariano esquece da sombra humana. Contudo, sabemos que muitas das injustiças atuais são consequência direta das políticas econômicas das sociedades ditas mais “desenvolvidas” e, como acontece neste caso específico, como consequência direta das guerras que se desenrolam há anos, décadas, no Oriente Médio e na própria África, fomentadas pelos mesmos países “civilizados” e de “primeiro mundo”, que só buscam enriquecer cada vez mais e que hipocritamente se dizem chocados com as notícias sobre a venda e leilões de negros na Líbia. Por outro lado, argumenta-se que não é que haja um aumento de tais atrocidades. O que há é um aumento de sua divulgação, exatamente devido ao acesso à informação em tempo real que temos hoje. Então, não é que estejamos “piores”. É que hoje temos mais consciência do nosso “pior” e isso, certamente, é bom, porque embora ainda haja um número imenso de indivíduos que se beneficiam de tais práticas, há um número igualmente grande de pessoas que as refutam e se indignam contra elas – não, já não é tão “natural”.

Lynne Hope – Reprodução

Portanto, este símbolo, em sua interpretação metafórica nos alerta para ficarmos atentos quanto às identificações com o passado, com opiniões, preconceitos, ou mesmo convicções que podem ter sido válidas antes, mas que hoje já não fazem sentido e podem até comprometer a “nova vida” que queremos criar. Entretanto, infelizmente, este símbolo também ainda tem uma interpretação literal, especialmente diante de tais notícias como as mencionadas acima. Quando toda a experiência que a humanidade acumulou ao longo dos séculos deveria nos levar a aprender com nossos erros, estamos, na verdade, repetindo-os – embora haja também indivíduos mais conscientes. Então, mais do que nunca é preciso nos conscientizarmos das ilusões que criamos acerca de nós mesmos, do quanto nos percebemos como “moralmente corretos e justos”, quando, na verdade, talvez ainda carreguemos e cultivemos muitos preconceitos, intolerâncias, fanatismos, discriminação, mesmo inadvertidamente, e esse tipo de crença, de que há pessoas, raças/credos/nacionalidades/sexo/gênero/classes melhores ou piores do que outros contribuem, de forma direta, prática, abstrata e energética para que atrocidades como essas continuem a acontecer no mundo. O resultado? A violência que continua a grassar contra negros, mulheres, índios, LGBTs,pobres, estrangeiros, migrantes e imigrantes e minorias em geral. Então, vale nos questionarmos sobre as cortinas de fumaça que criamos para nós mesmos e para os outros da nossa convivência, o manto de “civilidade e sofisticação” que disfarça e encobre o ser ainda primitivo, que ainda se crê superior, melhor, mais evoluído e que ajuda a perpetuar a exploração cruel, direta ou indireta de outros seres.

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Netuno está aí e sugere que podemos escolher continuar na feliz ilusão da nossa grande “evolução espiritual”, ou podemos escolher tirar a máscara ou a pesada maquiagem do palhaço feliz e histriônico e enfrentarmos nossa realidade humana, buscando nos redimir a partir, não só da conscientização social, não só pela luta coletiva para que tais injustiças e atrocidades sejam combatidas energicamente – e aqui falo de todo tipo de discriminação e violência contra negros, mulheres e todas as minorias – mas também a partir da consciência e mudança individual, através do trabalho espiritual interior, individual e solitário, porque o monstro maior, coletivo, é formado e alimentado pela soma das sombras individuais que não foram reconhecidas e integradas. Assim, o trabalho é social e coletivo, mas é também individual. Do contrário, continuamos na hipocrisia de esbravejar indignadamente contra as injustiças nos palanques do mundo, enquanto nossa prática pessoal continua espúria, desonesta, injusta e imoral.

Em termos práticos: 1 – como dito acima, recomenda-se cautela nos próximos dias acerca da emissão, recepção e processamento de informações e dados, da coleta e julgamento de fatos e das decisões que se precisar tomar, devido à qualidade nebulosa, enganosa, confusa, ambígua, indefinida, atarantada e caótica dessa Lua Cheia. Em caso de dúvida, o melhor é esperar até que haja mais clareza. 2 – Considerando-se que Sagitário está relacionado às grandes viagens e às longas distâncias, e Mercúrio aos deslocamentos em geral, há maior propensão a atrasos e imprevistos nas viagens durante este período. 3 – Como Netuno dissolve as barreiras e limites, também é aconselhável evitar o consumo de álcool e outras substâncias alteradoras da consciência. 4 – Num tom mais positivo, se a imaginação está rica e fértil, a fantasia super estimulada, pode não ser bom para se lidar com a realidade, mas pode ser ótimo para expressar a criatividade através dos vários veículos artísticos que estiverem à disposição, particularmente, a escrita e a música! 5 – De modo geral, é um bom período para revisão das nossas ideias, opiniões e conceitos, especialmente antes de partirmos para qualquer tipo de discussão ou conversa com o outro. Há excesso de ideias e elas também estão confusas, portanto, pode ser uma boa pedida silenciar e meditar bastante antes de recorrer às palavras.

Indivíduos que tenham planetas ou ângulos entre os graus 6 e 17 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) podem sentir mais fortemente essa lunação e precisam ser mais prudentes nos próximos dias.

Uma ótima Lua Cheia para você!

Sobre as notícias da venda de escravos na Líbia:

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/22/internacional/1511352092_226137.html

https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/11/25/africanos-sao-torturados-e-vendidos-na-libia-o.htm

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2017/11/1936679-em-video-na-cnn-leilao-vende-jovens-negros-na-libia-por-r-1300.shtml

https://g1.globo.com/mundo/noticia/onu-deve-discutir-medidas-mais-duras-leiloes-de-escravos-na-libia.ghtml

E no Brasil também tem, a céu aberto:

https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/12/02/nao-e-so-na-libia-brasil-tambem-vende-escravos-a-ceu-aberto/

 

(1) Dane Rudhyar – an Astrological Mandala

(2) Linda Hill – 360 degrees of Wisdom

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A Semana Astrológica – As mentiras que nos contam ou que contamos a nós mesmos?

Reprodução - Desconheço o autor
Reprodução – Desconheço o autor

Semana de 14 a 20 de novembro – Dias de culminação, frutificação e expansão! De preencher os vazios deixados pelas recentes eliminações. De solidificar propósitos e buscar estabilidade!

A semana começa com a Lua Cheia em Touro, que representa a culminação do ciclo, acontecendo já na segunda-feira e colorindo a semana de uma energia de realização, frutificação e sensação de completude. Mas a Lua Cheia também marca o começo do fim do ciclo e gradualmente vamos reorganizando a energia para já nos prepararmos para o desdobramento dos próximos ciclos. O Sol segue pelo terceiro decanato de Escorpião, completando a jornada de confrontar as sombras, mas sem se comunicar com outros planetas, apenas recebendo os aspectos da Lua. São dias de nos assentar em nós mesmos, voltar-nos para dentro e nos realinhar com nossos propósitos mais profundos.

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Quantas pernas tem o elefante? – Reprodução

Mercúrio é quem fica muito ativo nestes dias. Nas amplas estradas Sagitarianas ele encontra em Marte um parceiro de explorações e aventuras e ambos dialogam animados sobre as novas experiências, isso ainda no início da semana. Mas depois ele se defronta com as miragens de Netuno, um oásis que ora tá aqui, ora ali, ora acolá… Ilusão de ótica, miragem, chame do que quiser, o fato é que são dias de se ter cautela nos processos mentais e nas comunicações porque está tudo meio fora de compasso, meio borrado e desconexo, nada é como parece, portanto, vale esperar, ver para crer e ainda pedir provas da existência da coisa em questão… Mas o pior não são as mentiras que contam para nós e sim, aquelas que contamos a nós mesmos e escolhemos acreditar de olhos fechados. Por que fazemos isso? Porque às vezes é difícil encarar o vazio do nosso discurso, carente de lastro real; é difícil encarar verdades dolorosas a respeito de nossa vida e da nossa própria falta de substância… Assim, é mais fácil nos enganar, acreditar nas mentiras que contamos por aí, até porque, se nós acreditamos, fica mais fácil convencer a outros, não é mesmo? Juntando com um aspecto menor que Mercúrio faz a Urano, concluímos que a mente não está muito confiável durante este período e é bom analisar tudo com cautela e manter o pé atrás antes de se jogar de cara e assumir riscos que podem se revelar bastante perigosos ali na frente – podemos pular no abismo e o paraquedas não abrir!

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Vênus também está sensibilizada por Netuno, o que nos ajuda a trazer uma certa doçura para as relações, que andam sérias demais com a influência de Capricórnio. Vênus em Capricórnio, de quem se pode dizer, às vezes, que tem coração de pedra, amolece um pouco o coração e se permite cogitar em outras possibilidades para além do realismo frio daquilo que é palpável. Vênus se prepara para moldar-se a Plutão na semana que vem, quando virará foco de uma T-Square cardinal, já que também fará quadratura a Júpiter e a Urano, ambos em oposição – sim, a semana que vem está desafiadora no campo das relações, parcerias e investimentos.

Kendra Nicolle - Reprodução
Kendra Nicolle – Reprodução

E por falar em Netuno, ele é o ponto alto desta semana, o que nos aponta que estes são dias meio surreais, em que os acontecimentos têm um tom de realismo fantástico – espere só para ver! Sim, além de estar ativado por Vênus e Mercúrio, o Senhor das Ilusões volta ao movimento direto, especificamente no domingo, dia 20, às 02h39min. Voltando ao movimento direto, depois de cinco meses retrógrado, Netuno sinaliza que as revisões que tenhamos feito com relação à espiritualidade, nossos sonhos e anseios e também na maneira como nos expressamos criativamente – isso vale especialmente para artistas de todas as áreas – comecem a ser efetivadas. É hora de retomar e aplicar as revisões, criando novas linguagens. Por outro lado, Netuno recebe conjunção do Nodo Sul nesta semana, requerendo cautela nas nossas posturas, pois há maior tendência a escapismos, vitimismos, ilusões, a querer permanecer na neblina densa do não-entendimento, do não querer saber das questões duras da realidade, do postergar o enfrentamento de questões dolorosas e desafiadoras… O escapismo pode se dar principalmente através de álcool e outras substâncias que alteram a consciência – por isso, auto-vigilância e auto-controle caem bem! Devaneios vazios e viagens fantasiosas da mente – a verdadeira viagem na maionese – também ficam mais propensas, já que Mercúrio estará em quadratura aos dois, a Netuno e ao Eixo Nodal. Portanto, sempre que algo parecer muito surreal, fantástico demais, vale checar as fontes e até checar a si mesmo para não cair em armadilhas e engodos.

Jarek Kubicki - Reprodução
Jarek Kubicki – Reprodução

Marte em Aquário segue sossegado, descansa dos embates recentes e se atira nas causas sociais, procedendo com experimentações, inovando e quebrando tabus na forma de agir e de executar os desejos do Sol. A vontade pessoal está mais alinhada aos desejos e necessidades do grupo. E assim seguimos. Júpiter fará quadratura a Plutão na semana que vem e nós já sentimos e intuímos o clima desde já: uma força que nos empurra em direção às nossas ambições maiores, embora talvez fiquemos inconscientes quanto à resistência que iremos encontrar pelo caminho. É um excelente trânsito para atividades de reconstrução, reparos, melhoramentos em geral, especialmente, para o auto-melhoramento e a transformação de crenças empedernidas. Mais sobre isso na semana que vem.

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Ewung – do flick – Reprodução

A Lua abriu a semana ficando Cheia em Touro. Viaja lenta e depois dispersa-se em Gêmeos, Emociona-se em Câncer, para fechar o domingo já em Leão. Formaliza o Minguante apenas na segunda, dia 21. Trava contatos e interações com todos os demais corpos celestes, pontuando nossas mudanças de humores e interesses ao longo dos dias!

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Desconheço o autor dessa imagem adorável – Reprodução

SEGUNDA-FEIRA, 14 de novembro – A Lua abre a madrugada em Touro, faz trígono a Plutão, quincunce a Júpiter e a Saturno ainda na madrugada, virando foco de um Yod-Dedo de Deus. Depois ela se indispõe com Vênus, sua dispositora, que tem estado bastante isolada no início de Capricórnio. Durante a manhã a Lua se harmoniza com Quíron e finalmente se opõe ao Sol, às 11h52min, culminado o ciclo na Lua Cheia de Touro – sobre a qual já escrevi. A Lua fica vazia depois da oposição ao Sol, fazendo apenas uma sesqui-quadratura a Júpiter, no início da noite. A Lua ingressa em Gêmeos somente às 23h23min. A Lua Nova de Touro vem culminar o ciclo de Escorpião e falar da necessidade de alimentarmos nossa autoestima e de buscarmos mais estabilidade e segurança, inclusive no plano material. A Lua Cheia se dá em harmonia com Quíron, sendo este o aspecto mais próximo, e também com Plutão, mas este aaspecto é amplo e separativo. De qualquer forma, fala da oportunidade de crua, regeneração, de voltarmos à nossa essência básica. Veja texto sobre a Lua Cheia para entender melhor os temas desta lunação. A Lua fica vazia pelo resto do dia, logo depois de ser cheia, sugerindo que peguemos leve, que reflitamos bem sobre como vamos nos reestruturar e reconstruir, depois de termos nos desmontado e purgado em Escorpião. A tarde pede atividades tranquilas, rotineiras, básicas e práticas. Paz e sossego, para quem está no feriado prolongado, vem bem a calahar a energia do ócio, de “não fazer nada”, sem culpas ou desculpas. Quem puder que descanse e indulja no “nadismo”!

Lola Dupré - Reprodução
Lola Dupré – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 15 de novembro – Mercúrio está em harmonia plena a Marte hoje. A Lua ingressou em Gêmeos ontem à noite e logo se indispôs com Plutão, irritando-se mais ainda com Vênus, ambos em Capricórnio. Brigou com Mercúrio na madrugada, harmonizou-se com Marte e agora durante o dia caça confusão com Netuno em Peixes, formando uma T-Square ampla, pois se oporá a Saturno em Sagitário no fim da noite. À noite a Lua conversa muito com Júpiter em Libra, mas tem problemas com Plutão. A madrugada pode ter sido povoada de muitos sonhos conflitantes. O dia chega abarrotado de ideias, sentimentos confusos, contradições… Queremos ir, mas também queremos ficar. Será que fui? Será que não vou? Porque não me dividir em dois ou três? É, de fato o que gostaríamos, ter clones, para poder estar em vários lugares ao mesmo tempo e curtir a vida adoidado, não perder nenhuma oportunidade. Feliz ou infelizmente, nessa nossa dimensão isso ainda não é possível, de modo que precisamos nos ater à realidade, a despeito de todas as fantasias que povoam nosso coração, que hoje está caótico e cheio de racionalizações. A noite traz outros dilemas e tensões. Queremos continuar na brincadeira, como um Peter Pan que se recusa a sair da Terra do Nunca, mas a realidade nos chama de volta e precisamos encará-la no olho, nem que seja para dormir mais cedo e voltar ao batente amanhã. A noite traz uma solidão difícil de administrar, sentimo-nos isolados, meio abandonados, incapazes de nos comunicar, de expressar o que realmente queremos, porque talvez não nos sentimos autorizados ou tenhamos receio de parecer infantis e carentes. Assim, ao invés de ser sinceros sobre o que precisamos, fingimos que não queremos nada mesmo e acabamos por criar o cenário que antes temíamos. O melhor remédio é não se levar muito a sério porque assim como os ventos, isso também é temporário o mau humor de hoje pode ser a alegria de amanhã.

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Reprodução – Desconheço o autor

QUARTA-FEIRA, 16 de novembro – A Lua abre o dia em Gêmeos, ainda em oposição a Saturno, trígono a Júpiter e sextil a Urano, formando um Retângulo Místico, já que Júpiter também já está em oposição a Urano. A Lua fica vazia às 08h57min, depois de se harmonizar com Urano. Mas durante o dia, mesmo vazia, ela se indispõe com Marte, se irrita muito com o Sol e desconta o mau humor em Quíron. Ingressa em Câncer às 22h57min. Mercúrio faz uma sesqui-quadratura partil a Urano. Ansiedade, frenesi e muita inquietude dão o tom do dia. Difícil voltar ao batente depois de um feriado prolongado em que nos acostumamos mal com a vida boa de não ter hora para nada, flanando de cá para lá! E o pior é voltar com muitas tarefas acumuladas e cobranças internas e externas que são difíceis de administrar, já que também precisamos atualizar as fofocas do fim de semana – ops! Precisamos mesmo atualizar fofocas? O fato é que há propensão a dispersão, a se dividir em muitas atividades, tendo dificuldade de levar a cabo efetivamente as coisas. O que precisamos mesmo é de uma boa dose de cafeína, de muita concentração e esforço para manter o foco. A Lua está vazia e o dia favorece o andamento de coisas já iniciadas, de aviar com escritos, leituras, etc. As fofocas? Não são úteis nem necessárias, portanto, podemos prescindir delas. Jogar conversa fora pode até ajudar a dispersar o tédio e fazer pipocar algumas ideias inovadoras, naqueles momentos em que estamos meio distraídos e desatentos das coisas ditas “sérias”, mas jogar conversa fora indefinidamente também é perda de tempo e só vai adiar o enfrentamento do cotidiano que precisa ser devidamente retomado.  Há muita propensão à verborragia e isso requer contenção, do contrário, a energia dispersada na fala faltará em outras áreas, ainda mais que com Mercúrio em contato com Netuno não sabemos muito bem do que falamos, menos ainda temos certeza da veracidade das coisas…

J. Kirk Richards - Reprodução
J. Kirk Richards – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 17 de novembro – De Câncer a Lua faz oposição a Vênus em Capricórnio e depois também arruma uma “treta” com Marte em Aquário e Mercúrio em Sagitário, virando foco de um Yod-Dedo de Deus. Para compensar a Lua vai chorar as mágoas e dissabores junto a Netuno, mas no fim, ainda exagera nas reclamações com Júpiter. A Lua faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Disseminadora, às 16h43min. O dia traz uma tensão e uma belicosidade que causam muita irritação, explosões de mau humor, sensação de estarmos pressionados e instabilidade emocional bastante acentuada. Há forte incongruência entre emoções e pensamentos, entre o que queremos e o que precisamos e isso nos deixa muito divididos e espinhosos. Como resultado há descontrole emocional, dramas e tempestades um pouco difíceis de contornar. Ocorre que estamos muito conscientes de nossas carências, das faltas e buracos não preenchidos e o mundo lá fora está a nos dizer que choramos de barriga cheia, ou, no mínimo, é indiferente às nossas queixas, o que nos faz ficar ainda mais sensíveis e melindrosos com a sensação de que a vida é, de fato, muito injusta – o que parece um problema sério para mim para outros não passa de mimimi! Em lugar de ficar emburrados e e azedos ou de revidar com táticas manipuladoras para conseguir o que queremos, talvez seja o caso de nos recolhermos e darmos colo, nós mesmos, a esse bebê carente que há dentro de nós, afinal, ele é responsabilidade nossa e de mais ninguém. Aceitar esse nosso lado infantil, aceitar o próprio mau humor e a própria carência sem imputá-los a outros, pode nos ajudar a crescer e a nos desidentificar dos buracos sem fundo que carregamos na alma e quem sabe, apenas quem sabe, a aceitação que nós mesmos provemos possa fornecer também o preenchimento do vazio que nos corrói – se nós mesmos não damos conta de aturar esse bebê chorão interno, como esperamos que outros o façam??? Uma vez que tenhamos liberado os outros de resolver nossos problemas e dissabores, quem sabe eles, espontaneamente, nos brindem com algo com o que não se barganha: calor, carinho e amor genuino. Em termos práticos o dia está sujeito a crises e situações do tipo sem saída, em que temos que escolher um mau menor ou fazer escolhas meio ingratas. Em compensação, as crises que estouram tem maiores chances de serem resolvidades de forma definitiva, se formos maduros e contarmos com nossos próprios recursos, sem esperar que outros façam por nós o que é atribuição nossa. A noite e a madrugada estão particularmente turbulentas.

Andrey Brandis - Reprodução
Andrey Brandis – Reprodução

SEXTA-FEIRA, 18 de novembro – Mercúrio está em quadratura exata a Netuno. Na madrugada, a Lua em Câncer troca farpas afiadas com Saturno, enquanto confronta Plutão, tendo que ainda defender-se no embate com Urano – como ela ainda está em quadratura a Júpiter, temos uma ampla Grande Cruz Cardinal. Dona Lua também se indispõe com Mercúrio e Netuno, aumentando a irritação e as reações inconscientes. À noite a Lua se afina com Quíron e mais tarde com o Sol, formando um Grande Trígono de Água. A Lua fica vazia às 20h03min, depois do trígono ao Sol em Escorpião. A madrugada está cheia de desencontros e as tensões podem interferir no descanso e no sono, de modo que o dia começa novamente tenso e azedo feito leite talhado. Para completar, a mente está nublada, enevoada e clareza é algo que não temos, até porque estamos submersos em nossos próprios sentimentos desencontrados. Sim, a instabilidade emocional continua e precisamos escolher entre abrir o berreiro – o que seria patético, dependendo do contexto – ou tomar providências maduras e eficazes a respeito do que quer que esteja acontecendo conosco ou ao nosso redor. Por mais que nos sintamos pressionados, por antagonismos externos e conflitos internos, temos uma grande oportunidade de crescer e dar nosso melhor, ganhando não só o respeito alheio, mas principalmente, o respeito próprio. Desapegar-se um pouco dos próprios melindres e reclamações pode nos mostrar saídas antes não cogitadas, portanto, distanciamento emocional é uma ótima pedida em algumas situações. Com Mercúrio embotado desse jeito e com os sentimentos tão suscetíveis, seria bom adiar certas conversas para outro dia porque a probabilidade de nos enrolarmos ainda mais é grande. A noite traz um pouco de calmaria nas crises, mas a sensibilidade aumenta – quem sabe agora possamos achar o lugar certo de abrir as comportas? Dar vazão aos sentimentos represados pode ser também curativo – claro, num momento e ambiente que ofereçam a contenção adequada aos desmandos do coração, assim não nos expomos ao julgamento alheio nem perdemos a dignidade. O desabafo na hora e local apropriados pode ser também curador.

Tracie Taylor - Reprodução
Tracie Taylor – Reprodução

SÁBADO, 19 de novembro – Vênus está em conversa sensível com Netuno, aspecto exato hoje, Netuno que aliás, estaciona às 02h37min para voltar ao movimento direto amanhã. A Lua abre o dia fora de curso, em Câncer. Ingressa em Leão à 01h15min e logo tem uma fricção com Saturno. Com Marte o embate é aberto e frontal, mas com Vênus e Netuno, a interação é obtusa e mais irritante, já que ela é foco de um Yod. Netuno recebe a conjunção do Nodo Sul. O dia traz novos rasgos de irritação, mas pelo menos hoje estamos mais diretos, menos sentimentais e vamos para o confronto aberto, falando o que pensamos na lata. Claro, isso pode levantar muitos conflitos, mas também a chance de eles serem resolvidos de pronto, sem ficarem se arrastando indefinidamente, feito correntes arrastadas por fantasma-assombração. Para evitar tais conflitos, podemos investir em atividades que requeiram grande gasto energético, vigor e estamina – é necessário ir para essas atividades com muita presença de espírito, com a atenção focado no momento presente para que as distrações não representem problemas  – especialmente para não nos tornarmos vítimas de ações precipitadas. A noite traz um clima mais amigável e ameno, de modo que podemos encontrar pessoas e nos permitir alguma diversão, depois dos dias carregados que tivemos recentemente. Se o dia era uma criança zangada e pronta para a briga, a noite é uma criança pronta para se divertir! Ponto de atenção: recomenda-se pegar leve com álcool e afins porque o dia e a noite estão propensos a bagaceira geral e aenfiar o pé na jaca, do tipo de perder o tamanco para sempre e no dia seguinte não saber o que rolou… Escapismo e vitimismos estão esperando ali na esquina. Cautela!

Claudia Trembley - Reprodução
Claudia Trembley – Reprodução

DOMINGO, 20 de novembro – De Leão a Lua se harmoniza com Júpiter, enquanto olha, belicosa, para Plutão. A Lua entra em harmonia com Saturno e Urano e forma um Grande Trígono de fogo, que, por causa do sextil a Júpiter, vira uma Pipa ampla por algumas horas no começo da manhã. Dona Lua ainda encrenca com Quíron e fecha a noite indisposta com Vênus. A despeito de algumas incoerências, o domingo está divertido e bastante energético e dinâmico – basta saber aproveitar. Como por milagre, conseguimos conciliar coisas e pessoas aparentemente muito divergentes de forma que acomodamos muitas diferenças e fazemo-las fluir e conversarem entre si civilizadamente. O clima favorece reuniões familiares, encontros com amigos, passeios diversos, especialmente aqueles que estimulem o gosto pela aventura e pelo convívio com os afins. Ufa! Depois de tantas tempestades, nós bem que merecemos um descanso e uma trégua! Favorecidas também estão as atividades criativas, artísticas e as brincadeiras em geral. É dia de botar nossa criança interior para se divertir e brincar sem culpas, sem medos, sem dilemas maiores que não sejam descobrir qual brincadeira, afinal, é mais divertida. Assim, podemos aproveitar e entrar em contato com esse nosso lado confiante e entusiasmado, guiados pela intuição e pelo nosso próprio brilho e generosidade naturais.

Uma ótima semana para você!!

tirado de Mustanggina.tumblr - Reprodução
tirado de Mustanggina.tumblr – Reprodução
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Lua Nova em Gêmeos – Nas encruzilhadas da vida…

gemini sakliresim
Sakliresim – Reprodução

A Lua é Nova no limiar deste domingo, à 00h00min no horário de Brasília (04h00min para Lisboa), o que parece muito adequado para uma Lua Nova Geminiana ocorrendo no meio de uma Grande Cruz Mutável, que por sua vez nos remete diretamente à imagem de uma encruzilhada. Gêmeos é regido por Hermes-Mercúrio, o próprio Deus das Encruzilhadas, portais e limiares do tempo-espaço. No caso do Brasil, é como se estivéssemos mesmo no limiar, num portal, entre mundos e situações… Resta saber se saímos de uma realidade sombria para uma mais luminosa ou se é exatamente o contrário, o que seria uma infelicidade para todos nós… Da panela para o fogo? É o que está parecendo, desafortunadamente…

Belu Bern, "Disperso" - Reprodução
Belu Bern, “Disperso” – Reprodução

O ciclo de Gêmeos é o ciclo que vem nos convidar a uma renovação das ideias e conexões; a nos comunicar mais efetivamente, a reaver o contato com nossos irmãos e com nosso ambiente imediato, a explorar nossa vizinhança e a perceber o que nosso ambiente tem a nos fornecer em termos de informações necessárias para a nossa jornada. É um ciclo para estudar e aprender ou talvez ensinar e informar. É também momento de socializar e fazer os outros saberem das coisas, ou seja, a boa e velha divulgação e conversação, que pode se traduzir na construção de pontes. Sendo o primeiro signo de Ar, um signo mental, em Gêmeos começamos a elaborar conceitos e a dar nome às coisas, a explorar os potenciais da nossa mente e a verbalizar nossas ideias…

Sandra Yagi - Reprodução
Sandra Yagi – Reprodução

Entretanto, devido às configurações ativadas pela Lua Nova, podemos multiplicar tudo isso por dez ou mesmo cem ou mil… A curiosidade e a inquietude Geminianas ficam super potencializadas neste ciclo.  Isso porque essa Lua Nova, de certa maneira, vem prolongar o clima que tivemos durante a semana que passou, que foi colorida pela Grande Cruz Mutável formada por Sol e Vênus em Gêmeos, em oposição a Saturno em Sagitário, estando os quatro em quadratura a Júpiter em Virgem e a Netuno em Peixes, configuração à qual a Lua se junta e na qual se renova  – ou seja, teremos todo o próximo ciclo influenciado por essa dinâmica caótica, desconexa, incoerente e frenética, e no meio de tudo é-nos cobrado coerência e coesão… Como entregar isso, se nem nós estamos nos entendendo nessa ventania descontrolada? O que nos atrapalha também pode nos ajudar: movimento, fluidez, versatilidade, flexibilidade, adaptação e presença de espírito… Preparemos os punhos, é tempo de malabarismos!

Grande Cruz 1
Grande Cruz Mutável

Além desses aspectos da Grande Cruz, que aliás, ocorre em conjunção aos ângulos, o que potencializa seus efeitos, Sol e Lua também estão numa conjunção muito próxima a Vênus – Vênus, aliás, fará a Conjunção Superior ao Sol, que marca a metade do seu ciclo, na segunda-feira. Essa conjunção tripla em Gêmeos aponta para um ciclo mais leve, talvez leve demais, precário, superficial, frívolo, inconsequente… E Vênus, Sol e Lua também estão em quincunce a Plutão em Capricórnio. Tudo nos fala de um ciclo em que precisaremos vigiar nossos pensamentos e palavras, porque tudo acontece num ritmo vertiginoso, delirante, mas nem sempre conseguimos manter o registro ou a referência do que ocorre. Há muita atividade mental, porém não necessariamente essa atividade é produtiva ou leva a algum lugar, podendo, ao contrário, ser fonte de estresse e dispersão, agitação vazia e inquietação e ansiedade.

Lynn Skordal - Reprodução
Lynn Skordal – Reprodução

Gêmeos está associado diretamente a comunicações, que estarão na berlinda neste ciclo. Contudo, apesar de estarem sob grande escrutínio, a influência de Netuno nessa Grande Cruz sugere que desconfiemos de tudo o que vemos e ouvimos reportado pela mídia e meios de comunicação em geral, que desconfiemos, até mesmo daquilo que ouvimos em tete-a-tetes no dia a dia… Notícias bombásticas podem não passar de boatos ou puro sensacionalismo fomentado pela pressa, preguiça, descuido ou irresponsabilidade dos envolvidos; podem ser maldosas ou plantadas ou podem ser fruto apenas da inconsequência e irresponsabilidade de alguns, portanto, é bom ficarmos de olho – aliás, isso já está valendo desde que o Sol ingressou em Gêmeos e começou a fazer quadratura a Netuno, lá pelo dia 24 de maio. Isso também se aplica às relações pessoais… Os mal entendidos e falatórios estão favorecidos e fazemos bem se não ajudarmos a proliferar ou propagar inverdades ou informações de fonte e veracidade duvidosas… Lembra os três filtros de Sócrates? Já falei dele aqui, mas vale repetir: estamos seguros de que a informação é verdadeira? O que ouvimos ou dizemos, é uma coisa boa? E por último, é útil? Se não passar por qualquer um desses três filtros, melhor calar a boca ou os ouvidos… Se não passar pelos três, bom, isso nem deveria estar sendo cogitado!

Lua Nova em Gêmeos - Brasília, 05 de junho de 2016, 00h00min
Lua Nova em Gêmeos – Brasília, 05 de junho de 2016, 00h00min

Quando observamos que Netuno está conjunto ao Ascendente no mapa levantado para Brasília, ficamos ainda mais desalentados, porque Netuno tomará o palco central, então a possibilidade de fraudes e esquemas obscuros fica aumentada, especialmente no cenário político em Brasília… Mas Saturno está lá no Meio do Céu, apresentando a conta e trazendo tudo a público… Parece que essa nossa via crucis não acaba nunca… Netuno no ASC sugere um ciclo muito confuso, propenso a equívocos e malogros diversos, desânimo, desilusão que, paradoxalmente, nos deixam predispostos a novos enganos. Escândalos envolvendo figuras públicas, escândalos envolvendo drogas e entorpecentes, possível aumento da propagação do vírus da Zika e outras doenças… Se conseguirmos driblar nosso desânimo, hesitação e vontade de desistir, talvez consigamos nos alinhar com a infinita criatividade também simbolizadas por Netuno. Vênus, Sol e Lua estão no Fundo do Céu – será que vamos continuar como os bobos da corte, rindo para não chorar, com nossos erros esfregados na nossa cara por todo o sempre? Júpiter em Virgem está no Descendente: viramos mesmo chacota internacional! Por outro lado, talvez isso possa significar alguma ajuda externa no meio desse caos insolúvel e sem saída que nos encontramos… Mas dado o presente cenário, mesmo essa ajuda pode ser duvidosa. É, este é o ciclo da lambança federal (federal, de federação, não é no sentido de gíria!), seguida de de rebordosa e ressaca, seguida de mais lambança… Círculo vicioso. E o povo, assistindo a tudo isso impotente, cai na tentação de voltar a se embriagar e anestesiar, seja com álcool, drogas, crenças, opiniões cheias de certezas ou ilusões… Bem fará quem se mantiver sóbrio!

Emma Dajska - Reprodução
Emma Dajska – Reprodução

De fato, é um ciclo que exigirá de nós muito centramento para que possa ser minimamente produtivo, do contrário, o tempo passará num piscar de olhos e quando nos dermos conta estaremos apenas com a sensação de ter atravessado um furacão, ou melhor, de ter sido levados por ele. Contamos com alguma ajuda nesse quesito “centramento” vinda de Mercúrio, regente da Lua Nova, que está em Touro, um signo bastante pé no chão, pragmático, ponderado, deliberativo e lento na ação, o que, neste caso, equilibra grandemente a pressa e a afobação de Gêmeos e garante que tenhamos alguma substância e não sejamos apenas um balão vazio levado pelos ventos. De qualquer forma, Mercúrio já está em orbe de oposição a Marte em Escorpião, o que exige cuidado dobrado com a língua, que estará letal e com precisão cirúrgica, mas com forte potencial destrutivo!

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Contudo, para além do óbvio, Essa Grande Cruz Mutável me lembra, mesmo, uma encruzilhada e nela precisamos decidir que direção tomar: vamos para a direita, pelo lado do otimismo, talvez até um pouco ingênuo ou exagerado? Vamos pela esquerda – e isso também me lembra a via sinistra – a via da fantasia e do sonho, mas também das ilusões tolas e ocas, a via da busca por um salvador/cuidador e das meia-verdades ou mentiras deslavadas? (Em tempo, os termos esquerda e direita aqui referem-se exclusivamente aos posicionamentos de Júpiter e Netuno no mapa da Lua Nova, não têm, absolutamente, nenhuma conotação política). Vamos para a frente, para o confronto com a realidade e com nossos medos e limitações, que nos colocará em contato com inseguranças, mas também com nossa verdade mais firme? Ou vamos ainda voltar por onde viemos, crianças irrequietas, alheias ao que ocorre à nossa volta  e receosas dos comprometimentos que os caminhos e escolhas possam representar?

Puerto Natales, Chile - Reprodução
Puerto Natales, Chile – Reprodução

A encruzilhada demanda reflexão e escolha, que nos elevemos acima do burburinho mental para termos maior clareza, pois se ficarmos paralisados no meio dela poderemos ser atropelados por outros mais apressados e decididos do que nós… Mas serão só estas as nossas opções? Talvez não. Ainda podemos ir para cima ou para baixo – não esqueçamos que Plutão está ali, a nos dizer que pode nos levar numa jornada ao Mundo Inferior também num piscar de olhos! E mais: Hermes-Mercúrio, como Deus dos portais, nos lembra que há outras dimensões além daquelas três às quais estamos acostumados… Talvez possamos pairar acima dessa encruzilhada e nos projetar no futuro, intuindo os vários possíveis resultados das diversas alternativas diante de nós… Poderíamos percorrer todas essas alternativas e voltar ao começo depois? Bem que Gêmeos adoraria, não é, deixar tudo em aberto, experimentar um pouco de cada opção e depois ainda sair solto e descolado feito sabonete escorregadio… Falamos de Gêmeos apenas arquetipicamente, porque essa é uma atmosfera que se aplica a todos por estes dias.

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Então, qual é a melhor escolha? Na verdade, não existe tal coisa… Idealmente, deveríamos ser capazes de absorver toda a irreverência e curiosidade de Sol-Lua em Gêmeos, temperá-la com a sobriedade e a contenção de Saturno, equilibrar essa sobriedade com a alegria juvenil de Júpiter e ainda sonhar um pouco e abrir mão do controle com Netuno… Mas estes planetas não representam apenas qualidades positivas e nós precisamos considerar seus paradoxos… E, novamente, no melhor dos mundos, tal como um sábio meditando,  conscientizarmo-nos de tudo o que tais deuses representam, para o bem ou para o mal, por assim dizer, misturar tudo isso dentro de nós, peneirar e finalmente fazer nossa escolha, no cerne da nossa certeza interna simples, tendo a grande humildade de considerar que ainda poderemos estar errados, mas que fizemos a escolha que nos pareceu mais apropriada naquele momento.

É como naquela cena do filme O Último Samurai em que o protagonista, Nathan Algren vem por uma rua tarde da noite, desarmado e é encurralado por cinco guerreiros. Como já ficou muitos meses treinando na arte dos samurais, Algren sabe que se espatifar em todas as direções não é a melhor estratégia. Então, ele fica completamente alerta, em máxima concentração e fixa sua total atenção no momento presente, num estado pleno de atenção consciente. Assim, consegue antecipar os movimentos de seus oponentes e ter perfeito controle de suas próprias ações e reações, conseguindo vencer, sozinho, a cinco guerreiros valentes, puramente pela força mental concentrada… Sim, claro, estamos falando de um filme Hollywoodiano que tenta vender a supremacia americana e blá blá blá… Mas não é disso que estou falando. Quando pensamos nos samurais e todo o corpo de práticas e filosofia que viviam, sabemos que isso não só era possível para eles, mas dependendo do grau de aperfeiçoamento do guerreiro, poderia ser até enfadonho de realizar. Aliás, podemos ver isso nas artes marciais ainda hoje. O que eu quero dizer é que, diante deste cenário de inúmeras possibilidades, de situações se alterando constantemente e das mil e uma tarefas, obrigações, e imprevistos ocorrendo simultaneamente, o melhor que podemos fazer é adotar a prática do guerreiro zen, ou seja, atenção consciente permanente no aqui e agora. Só assim estaremos aptos a responder aos desafios que o ciclo nos traz.

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O guerreiro zen sabe que tudo está na mente e que a mente prega muitas armadilhas. Ela pode ser nossa salvação ou danação, depende de nós e de como a usamos. Nas várias horas de treino a que se submeteu, Algren aprendeu que o segredo é manter a mente limpa e vazia: nada na mente. Esvaziar a mente de nossos medos, desejos, expectativas, pressões, opiniões, conceitos, identificações, paixões, inflações. Quando nos desapegamos de tudo isso, nós ficamos livres e leves e assim podemos tomar decisões mais coerentes e tranquilas que, mesmo que se provem equivocadas posteriormente, o que é muito improvável, ainda permaneceremos serenos, porque sabemos que tal decisão não foi fruto de precipitação, inconsequência ou leviandade, mas de uma escolha consciente.

Getty Images - Reprodução
Getty Images – Reprodução

O Símbolo Sabiano do grau 15 de Gêmeos (14° – 14°59’) traz a seguinte imagem: “Duas crianças holandesas conversando e estudando suas lições juntas”. O símbolo é claro: pessoas que se juntam a partir de objetivos similares ou afins. Uma situação de estudo e aprendizado, comunicação e socialização que tem tudo a ver com Gêmeos. O fato de ser apontado que são crianças “holandesas”, implica que talvez sejam estrangeiras em alguma terra alheia, mas nem por isso precisam se sentir isoladas, pelo contrário, podem se aproximar de seus semelhantes e afins e de origens ou metas parecidas. O fato de precisarem executar uma tarefa não necessariamente quer dizer que isso tenha que ser feito de maneira soturna e tediosa, mas pode sim, ser encarado com leveza e alegria, o que nos remete também, como diz Lynda Hill (1), às lições da vida que precisamos aprender e apreender e que podem iluminar e enriquecer a todos os envolvidos na situação. É fundamental manter o espírito de leveza e serenidade, para que não criemos complicações e problemas desnecessários – já teremos o bastante de desafios e problemas reais e também imaginários ou exagerados, logo, não precisamos ficar procurando cabelo em ovo, portanto, quanto mais simples e objetiva for nossa abordagem, melhor. Este é um símbolo que fala de estudos e aprendizados, de comunicação e amizade, de companheirismo e de simplicidade. entretanto, ele também traz riscos e fala de fofocas, de superficialidades, de pontos de vistas grosseiros, de preconceitos, ostracismo e, acrescenta Hill, da possibilidade de ouvir vozes que não fazem sentido algum… Portanto, o Símbolo Sabiano reverbera um pouco da dinâmica da configuração ativada pela Lua Nova e sugere mais cautela.

Maria Eunice Sousa
Maria Eunice Sousa

E nós, como ficamos nessa encruzilhada, afinal? Ficamos no centro. Não no centro do cruzamento, correndo o risco de ser atropelados pela hesitação, indecisão , inconstância e incoerência, mas no centro de nós mesmos e da nossa alma. Só assim poderemos perceber o sentido das coisas e das escolhas que precisamos fazer e das atitudes que precisamos adotar. Como diz Bert Hellinger, “no centro sentimos leveza” e leveza (Gêmeos) com substância (Mercúrio em Touro) é o objetivo final deste ciclo. Será que conseguimos? Havemos de consegui-lo!

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Lightworkersworld – Reprodução

Praticalidades: Indivíduos com planetas ou ângulos entre os graus 09 e 20 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) são mais impactados por esta Lua Nova e esta Cruz Mutável, nas áreas de vida representadas pela casa que têm Gêmeos no mapa natal.

Para se manter centrados e ancorados neste ciclo tumultuado, podemos recorrer a várias práticas: exercícios de respiração profunda, Yoga, Tai-Chi-Chuan, exercícios de enraizamento, meditação, florais que acalmem a mente e a ansiedade, dança, escrever para dialogar com os próprios receios, andar descalço na terra, contato com a natureza…

Um ótimo ciclo para você!

Con-centre-se! Con-centro-me (com centro em mim). Enraize-se!

Jiwa Lee Robinson - the Huffington Post - Reprodução
Jiwa Lee Robinson – the Huffington Post – Reprodução

Saturno-Netuno – O Mundo em Desintegração

Saturnus_fig274 - Copia (2)Saturno ingressou em Sagitário definitivamente no dia 17 de setembro de 2015, onde permanecerá até 20 de dezembro de 2017, quando ingressa em Capricórnio. Ele já tinha feito uma incursão rápida no signo do Arqueiro de dezembro de 2014 a junho de 2015, mas então regressou a Escorpião para o último round de cobranças naquele signo, de junho a setembro.

Enquanto estiver empreendendo sua jornada por Sagitário, Saturno terá que lidar com dois velhos arqui-inimigos: Netuno, que trafega o último signo de Água e da qualidade Mutável, o último do Zodíaco, Peixes, e também Júpiter, o filho que o tirou do poder, que trafega Virgem até setembro de 2016– aliás, Saturno é o arqui-inimigo e o consequente oposto psicológico de todos os demais planetas, por ser o contra-ponto, aquele que limita o impulso natural do planeta em questão. Neste texto vamos nos concentrar apenas no ciclo Saturno-Netuno. Falaremos de Júpiter-Saturno em outro momento, não sei quando.

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Pawel Kuczynski – Reprodução

Mas por que eles são inimigos? Porque representam princípios opostos. Enquanto Saturno constrói estruturas, Netuno as fragmenta e dissolve; Saturno quer segurança, Netuno traz incerteza; Saturno busca o que é sólido, Netuno deixa fluido, inconsistente, frágil; Saturno é o princípio da realidade, Netuno o da ilusão, fantasia e imaginação; Netuno sonha, Saturno realiza; Saturno define, Netuno é indefinível; Saturno é a forma, Netuno torna tudo disforme; Saturno encara tudo de cara limpa, é sóbrio, resistente, responsável, austero, gosta da ordem  e da hierarquia, já Netuno é inconsequente, indulgente, permissivo, condescendente, caótico, dissoluto, irresponsável, anarquista, ama o caos e busca escapar da realidade através de álcool, drogas, arte, misticismo, fanatismo; Saturno representa o controle, Netuno o descontrole, a subversão, a loucura, a insanidade; Saturno é a matéria concreta, Netuno é a imaginação abstrata; Saturno enrijece, Netuno amolece; Saturno é severo e duro, Netuno é compassivo e sensível; Saturno separa o indivíduo, corta o cordão umbilical e o obriga a amadurecer, Netuno é o desejo de voltar ao útero e à unidade urobórica onde ninguém é separado e todos somos um; Saturno é a estruturação do ego, Netuno é a sua dissolução; Saturno cria fronteiras e limites para nos separar do mundo exterior – não é à toa que rege a pele, a “fronteira” que delimita e separa nosso corpo do resto do mundo – Netuno dissolve todas as fronteiras e separações; Saturno busca poder e status econômico e social e Netuno não se importa com isso, representando, entretanto o poder da arte, da criatividade, do cinema, glamorizando e criando verdadeiros mitos dentro dessas indústrias; Netuno é o ideal de perfeição etérea, de outro mundo, Saturno é a imperfeição da vida encarnada… Poderíamos ficar horas enumerando porque estes dois se contradizem, mas creio que já é suficiente.

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John Roddam Spencer Stanhope Artista Prerrafaelita Reprodução

Contudo, os dois têm alguns pontos em comum: ambos representam sacrifícios, no caso de Saturno por causa da renúncia que fazemos de um prazer imediato em nome de algo mais duradouro, sacrificamos algo no agora visando ter uma recompensa melhor no futuro. Já Netuno representa nossos anseios, anseios pelo belo e inefável  e em última instância, por redenção e os sacrifícios representados por Netuno, ao contrário de Saturno, não envolvem renúncias ditadas pela disciplina, mas são, antes, o abrir mão de si mesmo e da vontade pessoal em nome de algo maior, em favor de outra pessoa ou do coletivo ou simplesmente porque o indivíduo sente-se esmagado pelas correntes da vida. Ambos também representam a crucificação, Saturno é a crucificação na matéria, na realidade, Netuno é a crucificação-sacrifício que redime a humanidade. Netuno é o Paraíso, o Jardim do Éden onde tudo é perfeito, Saturno é a Queda e a expulsão deste mesmo paraíso, com a consequente condenação de se ter que ganhar a vida “com o suor do rosto”, enfrentando o medo, “as dores do parto”, os  limites, as doenças, a velhice e no fim, a própria morte.

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Quando, pois, colocamos os dois juntos, na quadratura mutável Sagitário-Peixes, temos sonhos transformados em realidade ou a desilusão amarga diante de fantasias irrealistas; erosão de fronteiras e limites; fragmentação e dissolvição de estruturas religiosas, políticas e econômicas; endurecimento ou desintegração de sistemas religiosos; idealização da figura do pai; regimes autoritários sendo dissolvidos ou sendo glamourizados; estruturas seguras e inquestionáveis dissolvendo-se da noite para o dia; controle no uso de drogas e álcool; medo do desconhecido; medos indefiníveis; desilusão e desencanto com a realidade;  – e assim por diante. Junte os dois princípios e podemos formular outras possibilidades. Uma imagem que ilustra de maneira muito clara a forma como estes dois planetas operam juntos é a imagem das ondas do mar batendo nos rochedos na praia. A rocha é a rocha: dura, inflexível, difícil de mover e de destruir. A princípio você olha e a paisagem é a mesma.  Mas fotografe esta paisagem e olhe para ela décadas mais tarde e perceberá que, com o tempo, o mar erodiu a rocha e mudou a paisagem. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura – é um adágio que retrata a interação de Saturno e Netuno.

"Imaginação é a única arma na guerra contra a realidade" - Alice no País das Maravilhas - tirado do Etsy, via Pinterest - Reprodução
“Imaginação é a única arma na guerra contra a realidade” – Alice no País das Maravilhas – tirado do Etsy, via Pinterest – Reprodução

Se consideramos todas as contradições que estes dois planetas representam, logo entendemos porque seus ciclos são tão desconfortáveis de se lidar, tanto no plano individual quanto em termos coletivos. E, se por um lado Netuno derruba e fragmenta tudo o que Saturno levou anos para construir, por outro, os dois são essenciais à psique e quando em aspecto no mapa natal ou quando em trânsito como agora, representam o potencial formidável de transformar sonhos em realidade, porque Netuno imagina , fantasia e sonha, mas sem Saturno jamais realiza nada, porque carece da capacidade de planejar e de lidar com a matéria concreta, com a realidade e seus prazos e custos. Por sua vez, Saturno tem grande poder de realização e concretização, mas sem Netuno torna-se estéril, excessivamente seco e funcional, sem imaginação, de modo que as coisas que cria podem mesmo ser feias, grosseiras e carecerem de alma e de vida. Não é por acaso que geralmente encontramos estes dois planetas em aspecto nos mapas de artistas e de grandes sonhadores que conseguem colocar em prática seus sonhos e ideais. Porque aqui temos a imaginação aliada à forma.

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Heather Nevay – Reprodução

Mas o que significa e quais as implicações da atual quadratura que Saturno faz a Netuno? Antes de falarmos especificamente sobre a configuração atual entre eles, vamos entender melhor a natureza deste ciclo. Isso porque, quando falamos de aspectos, sempre precisamos nos reportar à fase do aspecto  em termos do ciclo que está em vigor entre os dois planetas em questão, quer dizer, precisamo recuperar quando o ciclo foi iniciado, quando estes planetas estiveram em conjunção pela última vez. Isso é ainda mais importante e crucial quando se trata de planetas lentos, cujos ciclos têm grande impacto no coletivo, no curto e no longo, longuíssimo, prazo. Em se falando de ciclos, o mais rápido de todos eles é o da Lua, cujo ciclo em relação ao Sol é chamado de lunação e cujos ápices são a Lua Nova e a Lua Cheia e que simboliza as mudanças diárias na nossa vida.  Embora os ciclos planetários possam ser estudados em relação a todos os planetas e luminares entre si, os ciclos de maior impacto social e coletivo são os ciclos que começam a partir de Júpiter: Júpiter-Saturno, Júpiter-Urano, Júpiter-Netuno, Saturno-Urano, Saturno-Plutão, Urano-Plutão… E assim por diante. Como cada planeta tem seu próprio ritmo e velocidade, cada ciclo de um par de planetas tem um tempo muito próprio, assim como tem também significados muito específicos, que têm a ver, por sua vez, com a interação dos planetas em questão.

Saturno-Netuno
O ciclo de Saturno e Netuno – Ilustração tirada do livro de Astrid Fallon, Planetary Cycles Reprodução (1)

O ciclo Saturno-Netuno é de 35,9 anos, ou seja, a cada 35,9 anos eles fazem uma nova conjunção, a uma órbita de cerca de 80 graus à frente do ponto em que a conjunção anterior ocorreu. Por exemplo, a última vez que Saturno e Netuno ficaram conjuntos foi entre 1989 e 1990, nos graus 10/11 de Capricórnio. A próxima conjunção ocorrerá em 2026, a 0° (grau zero) de Áries, isto é, 80 graus à frente do grau 10 de Capricórnio. Cada ciclo menor como este pertence a um Grande Ciclo de 323 anos e este Grande Ciclo consiste no tempo que os dois planetas levam para se encontrem de novo no mesmo signo referencial – outro exemplo: a conjunção Saturno-Netuno em Capricórnio anterior a 1989 aconteceu em 1666. Cada conjunção dura cerca de dois anos, dependendo da orbe que se usa – se usamos orbes amplas, de 8 a 10 graus, por exemplo, de fato estamos falando de um período de dois anos.

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Reprodução

Conforme dissemos, a última vez que Saturno e Netuno estiveram em conjunção foi entre os anos de 1989 e 1990, com as conjunções exatas acontecendo em 03/03/1989, 24/06/1989 e 13/11/1989. Ao longo dos últimos 26 anos, esta conjunção se desdobrou depois em outros aspectos,  sextil, quadratura,  e trígono crescentes, seguidos de oposição, simbolizando a fase cheia do ciclo e novamente trígono, quadratura e sextil, neste caso, minguantes.  Portanto, esta é a quadratura minguante do ciclo, que representa uma espécie de teste/prova final para as coisas iniciadas quando da conjunção. E o que estava acontecendo entre 1989 e 1990? Alguém lembra? Como não lembrar!?

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Pawel Kuczynski – Reprodução

Depois da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu-se a chamada Guerra Fria, que, resumindo muito, era basicamente uma disputa econômica, tecnológica e política entre Estados unidos e União Soviética e seus respectivos aliados, sendo que um bloco, o ocidental, tinha regime democrático-capitalista e o outro, liderado pela União Soviética, era de regime  socialista/comunista. No fim dos anos 1980, o Socialismo amarga uma grave crise e devido à conjuntura econômica, política e social, a União Soviética e outros governos comunistas e socialistas do Leste Europeu entram em colapso e a Guerra Fria finalmente chega ao fim. O símbolo maior do fim da Guerra Fria foi a queda do Muro de Berlim, que foi a culminação de um processo que envolveu muitos conflitos nos países do Leste Europeu e que durou todo o ano de 1989, seguido da dissolvição da União Soviética, que fragmentou-se em vários estados independentes. Outros acontecimentos dessa época também muito marcantes foram: a retirada do exército soviético de Cabul, depois de nove anos lutando contra rebeldes afegãos; Reagan deixa a Casa Branca após oito anos de mandato e começa a Era Bush; no Brasil, ocorre a primeira eleição direta para presidente, que elege Fernando Collor de Mello, que decreta o confisco da poupança dos brasileiros logo após sua posse em 1990; Edir Macedo começa a ganhar poder e compra a TV Record; na China a juventude se manifesta e há um banho de sangue nos conflitos da Praça da Paz Celestial – que ironia o nome dessa praça! – evento do qual todos lembram por causa da imagem de um estudante franzino enfrentando, sozinho, tanques de guerra; no Irã, o Aiatolá Khomeini coloca a prêmio a cabeça do escritor Salman Rushdie, por entender que seu livro Os Versos Satânicos ofende o Islã; Tim Berners-Lee inventa a World Wide Web – bendito seja! Já em 1990 ocorre a reunificação das duas Alemanhas, a Guerra do Kweit e a abertura econômica no Brasil, para citar só alguns dos eventos mais importantes (quem tiver curiosidade sobre outros eventos internacionais, dê uma olhada na Linha do Tempo da BBC, cujo link está ao final deste artigo).

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Durante todo este período temos a conjunção tripla de Saturno, Urano e Netuno em Capricórnio, todos eles em sextil a Plutão, que trafega Escorpião. Saturno, por ser o mais rápido, distancia-se no fim de 1990 e ingressa em Aquário em 1991, enquanto Urano e Netuno permanecem em conjunção até meados de 1997.

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V. Kazanevisky – Reprodução

Saturno segue seu caminho e o ciclo vai se desdobrando em sextil (1995), quadratura  (1998/99), trígono (2001/02), oposição (2006/07), trígono novamente (2011) e agora, a última quadratura entre 2015 e 2016, finalizando a série de aspectos maiores em 2019 com o último sextil. Sugiro que o/a leitor/a pesquise o que acontecia durante estes anos, tanto na sua vida pessoal quanto em termos sociais e coletivos, para ter uma noção mais clara do tom do aspecto atual, porque os temas estão interligados. Quem tiver tempo e curiosidade, pode também pesquisar o ciclo anterior a este: 1669, 1675, 1684, e, especialmente, os anos de 1692/93, quando ocorreu, pela última vez, essa mesma quadratura minguante atual, com Saturno em Sagitário e Netuno em Peixes. Vale a pena olharmos o passado e a História, para podermos vislumbrar o que o futuro nos reserva, porque a história se repete, porque o ser humano se repete, enfadonhamente. Só para dar um aperitivo: 1692 foi o ano do processo e julgamento das Bruxas de Salém.

Agende uma consulta e veja como este ciclo se desdobra no seu mapa natal, que planetas e casas eles trafegam e quais as implicações disso na sua vida!

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Coorlartlog – Reprodução

O que percebemos analisando este ciclo em particular, iniciado em Capricórnio, é que houve uma fragmentação de estruturas de poder que antes eram vistas como sólidas e imutáveis. Mas, especialmente, depois de décadas de Guerra Fria e do terror de uma guerra nuclear rondando o mundo, a derrubada e dissolução (Netuno) do Muro de Berlim (Saturno) – olha só que manifestação literal destes dois princípios arquetípicos! –  criou expectativas e infundiu um novo idealismo coletivo no mundo ocidental. Começou-se a sonhar que a paz era possível, que a democracia era realmente a solução para todos; idealizou-se figuras de poder, projetando-se a imagem do “salvador” em determinados governantes ou sistemas; por outro lado, sistemas tradicionais outrora descartados, ressurgiram e ganharam novo status e valor. Tendo ficado estabelecido o fracasso do comunismo e socialismo, o mundo ocidental abraçou de vez o modelo capitalista-industrial, glamorizando a livre iniciativa e neoliberalismo, que ganhou força a partir deste período.

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Johnson Tsang – Reprodução

Agora, com a quadratura minguante, como é comum à fase minguante de todo ciclo, precisamos rever tudo o que foi iniciado lá entre 1989 e 1990, especialmente o que não deu certo. Agora somos confrontados com o excesso de idealismo que projetamos sobre as transformações de então, a cegueira que escolheu não ver as consequências da industrialização sem freios; precisamos encarar a falência e dissolução de muitas estruturas que pareciam ser indissolúveis e dentro disto está esse modelo econômico de super exploração da natureza, que não se sustenta e que nos trouxe ao ponto de caos em que estamos hoje. Lá em 2006, quando ocorria a oposição de Saturno a Netuno, a ONU já declarava aquele o Ano Internacional dos Desertos e Desertificação, mas parece que não chamou suficiente atenção, porque de lá para cá a coisa só degringolou! O que vemos são regimes ditatoriais e fascistas chegando ao poder novamente, ameaçando empreender uma nova “caça às bruxas” em termos políticos e religiosos; blocos ultra-conservadores ganhando ascensão e destaque na política de vários países e também nas religiões mais tradicionais; e o jogo do empurra de autoridades no que tange às responsabilidades ambientais, sociais e morais como nunca se viu – o Ocidente reclama da tirania e fundamentalismo do Estado islâmico, mas quem foi que vendeu as armas que eles utilizam em seus ataques terroristas? Acaso EUA, França, Inglaterra e todos os outros podem se isentar desta culpa? Criaram e alimentaram uma serpente de veneno letal que está à solta e fora de controle, pronta a picar seus próprios criadores. E agora, para onde vamos a partir daqui? Continuaremos a ver muros cair, literal ou metaforicamente

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Saturno faz três quadraturas a Netuno, nas seguintes datas: 26/11/2015, 18/06/2016 e 10/09/2016. Esta primeira fica exata apenas algumas horas depois do pico da Lua Cheia de Gêmeos e por isso mesmo, é super potencializada por essa lunação e já se manifestou de forma bem nefasta, nos atentados orquestrados por grupos religiosos fundamentalistas em várias partes do mundo e, particularmente no Brasil, pela ruptura da barragem da Vale/Samarco no Rio Doce, causando um desastre ambiental sem proporções, indelével para o ambiente e para as populações afetadas. A desintegração (Netuno) dessa barragem (Saturno), cheia de resíduos tóxicos (Netuno-Plutão), é também uma manifestação bastante literal dos princípios deste ciclo. No dia em que a barragem se rompeu, dia 05/11/15, à tarde, a Lua estava em Virgem, em oposição exata – ou muito próxima, dependendo do horário, não consegui descobrir a hora exata do desastre – a Netuno em Peixes e em quadratura a Saturno em Sagitário, formando uma T-Square Mutável, com Saturno de foco. A Lua é o corpo celeste mais rápido do nosso sistema e seus trânsitos não são vistos como particularmente impactantes no longo prazo, mas ela pode ser o gatilho que detona uma situação previamente montada, especialmente no caso de “desastres esperando para acontecer”, como era o caso. Ela vem e estimula, é a faísca que dá início à explosão num ambiente que já era altamente combustível. Os outros planetas rápidos, como Vênus, Marte, Mercúrio e ainda o Sol também podem funcionar como gatilhos ao acionarem e estimularem as configurações lentas, assim como as lunações e eclipses – e aqui temos muita sorte já que não teremos nenhum eclipse estimulando essa quadratura, porque apesar de o eixo nodal estar atualmente trafegando a polaridade Virgem-Peixes, ele está no fim da polaridade, enquanto Saturno e Netuno estão ainda no primeiro decanato de Sagitário-Peixes, signos da Cruz Mutável.

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Estes desastres, que são, na verdade, tragédias anunciadas, materializam o medo e a angústia que já vínhamos sentindo há meses e explicitam nossa profunda desesperança e desencanto diante de uma realidade sombria. Esse “mar de lama e de sangue” escancara nossa desilusão com políticas e políticos nos quais projetamos tantos anseios; cristaliza nosso desapontamento diante da promessa de felicidade fácil e infinita, porém fraudulenta, do modelo consumista que nos é vendido; desnuda o profundo medo do futuro do planeta em termos de recursos naturais, devido aos desmandos e inconsequências cometidos ao longo  de décadas ou séculos; anuncia tempos sombrios de retrocesso e de redenção duvidosa para a humanidade; reflete a decepção com lideranças religiosas de instituições diversas, especialmente das mais tradicionais… E nós sentimos isso na alma, de forma muito crua e visceral. Em nível individual, estamos inseguros, receosos, incertos; sentimos a atmosfera pesada e uma desesperança que anuvia a visão e nubla nossos horizontes de nuvens cinza-chumbo; duvidamos de projetos pessoais, duvidamos de nós mesmos, duvidamos do futuro e não acreditamos mais em nada nem em ninguém. Sentimo-nos como que atolados na lama, nós mesmos, sem conseguir nos mover, porque há momentos em que pareçamos estar numa areia movediça e qualquer movimento só nos fará afundar mais. Sentimo-nos péssimos por não poder dar esperança aos mais jovens de que “tudo vai ficar bem”, porque nós mesmos não o sabemos, ou nos sentimos pior ainda, por mentir deslavadamente insistindo na falácia do tal do protagonismo, palavra da moda que instila fervor proporcional à dificuldade de sua realização em larga escala. Indivíduos com planetas ou ângulos em signos mutáveis – Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes – sentem esse peso de forma mais aguda e intensa, especialmente quando o Sol, Lua ou ASC estão envolvidos. Indivíduos nascidos na década de 70 são encurralados por essa quadratura, porque vivenciam, ao mesmo tempo, a quadratura Netuno-Netuno, um dos movimentos simbólicos da crise de meia idade – ou seja, são pegos no meio do fogo cruzado, ou melhor dizendo, no meio desse lamaçal!

Agende uma consulta e veja os significados e transformações da quadratura Saturno-Netuno no seu mapa natal e na sua vida!

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O futuro imediato traz sim, muita incerteza: Saturno permanece em quadratura a Netuno por todo o ano de 2016 e em boa parte deste período temos o “caldo engrossado” por Júpiter em Virgem, que se opõe a Netuno e quadra Saturno, significando maior retração econômica, recessão e uma possível proliferação de estados depressivos e de desencanto. Saturno trafega Sagitário, signo de expansão econômica, cultural, religiosa e espiritual, signo regido por Júpiter. Saturno em Sagitário vem cobrar a conta da expansão irresponsável e inconsequente que tomou lugar nos últimos anos e décadas. A crise de 1929, marcada pela quebra de Wall Street e que deflagrou um período longo de recessão econômica no mundo todo, ocorreu num trânsito de Saturno por Sagitário, combinado com uma quadratura de Urano em Áries a Plutão, que trafegava na época o signo de Câncer, não por acaso, oposto a Capricórnio, signo que Plutão trafega atualmente, ou seja, temos a mesma quadratura Urano-Plutão nos céus atuais, que, embora não fique mais exata, ainda permanece em orbe de 3/4 graus por quase todo o anos de 2016. Portanto, os próximos dois anos e os ciclos em questão dão seguimento às transformações e despertamentos iniciados em 2008 e nos convidam a uma reflexão e revisão profundas e viscerais dos nossos sistemas de crenças, das estruturas religiosas, dos sistemas e estruturas de poder, do paradigma cientificista e ultra-racional que explora e subjuga a Natureza indiscriminadamente e dos modelos políticos e econômicos que nos levarão à falência do planeta se não forem modificados – aliás, já atingimos um ponto em que não há retorno, o que precisamos é tentar diminuir o impacto daqui para a frente. Contudo, é melhor este estado de espírito atual, em que finalmente “caiu a ficha” do que o oba-oba consumista em que vínhamos. Como diz Sri Sri Ravi Shankar, “É bom estar desiludido. Significa que você está fora da ilusão e veio para a realidade.” E isso é, essencialmente, trabalho de Saturno-Netuno.

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Neste cenário lúgubre, líderes religiosos que se auto-intitulam redentores e salvadores da pátria, novos messias, líderes fanáticos e fundamentalistas, falsos profetas e ilusionistas, como simbolizados por Netuno em Peixes, junto com seus grupos, seitas e facções ultra-conservadores e intolerantes quanto à fé alheia, tendem a proliferar feito erva daninha, angariando legiões de fiéis que se voltam para eles sedentos por um fio de esperança que seja, por alguma certeza e segurança, num mundo em que as certezas simplesmente deixam de existir.

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Claudia Lúcia McKinney – Reprodução

Netuno representa o estágio da Solutio na Opus Alquímica. Na Solutio o Rei (Saturno) precisa morrer e é uma morte por afogamento (Netuno). O velho ego, enrijecido e podre, precisa ser dissolvido. Assim, o Rei se afoga, sob o olhar atento do alquimista, que assiste a tudo da margem, sem interferir. O alquimista é a consciência, que sabe que o ego e suas couraças precisam morrer, se dissolver, se desintegrar. Como o alquimista, precisamos deixar este Velho Rei morrer e abrir mão de tudo o que ele representa, para que possa ocorrer uma renovação verdadeira, para que se possa renascer mais limpo e purificado. E se por ocasião da conjunção, lá em 1989, Saturno estava mais forte, porque estava em seu próprio signo, Capricórnio, agora acontece o oposto, é Netuno quem está mais poderoso em Peixes e Saturno está mais enfraquecido, visto que trafega um signo alienígena à sua natureza de constrição, o expansivo Sagitário.

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O Rei deve se afogar – Imagem Alquímica – Atalanta Fugiens – Michael Maier – século XVI – Reprodução

A quadratura Saturno-Netuno se dissipa no fim de 2016, porém Saturno faz também quadratura a Quíron e esses dois em conflito não representam muito alento também não. Além disso, em 2017 Saturno ingressa em Capricórnio. E o que tem Capricórnio? Ora, é o Retorno de Saturno de todos os eventos que ocorreram em 1989/1990, assim como para as pessoas nascidas naqueles anos, ou seja, Saturno fará conjunção à conjunção Saturno-Urano-Netuno que acontecia naquele período, enquanto Netuno faz quadratura ao mesmo ponto – quer dizer, a cobrança e o acerto de contas acerca destes modelos falidos e excessivamente idealizados continua.

yuumei deviantartO meu intuito aqui não é deixar o/a leitor/a deprimido/a ou assustado/a. É, antes, provocar uma reflexão. Eu também não tenho pretensão nenhuma de ter respostas prontas e de dizer o que vai ou não acontecer. Obviamente que estes ciclos se desdobram desde que o mundo é mundo e sobrevivemos até aqui, estamos vivos e contando a História – a diferença é que antes, o homem não tinha alcançado o poder bélico e industrial de que dispõe hoje. Voltando ao que eu dizia, não quero deixar ninguém ainda mais sem esperança, muito pelo contrário! Repito: quero provocar uma reflexão a respeito dos nossos modelos e paradigmas enrijecidos e falidos – eles precisam mesmo se desintegrar, se dissolver e ser purificados nas Águas Grandes de Netuno.  Precisamos deixar ir, porque com Netuno, é o melhor que podemos fazer, abrir mão, soltar o que não presta/serve mais para liberar-nos para o novo. Isso tudo não deve nos desanimar e fazer jogar a toalha, mas sim lavar-nos da indecência e dos pecados políticos, econômicos, sociais e ambientais que temos cometido, conscientizarmo-nos de nosso papel individual. Também quero lembrar que neste cenário soturno e nebuloso que temos diante de nós, temos a grande responsabilidade de vigiar e orar, de cuidar de nós mesmos e tentar minimizar ao máximo – perdão pelo trocadilho absurdo – nosso impacto negativo pessoal nesta conjuntura, ou, melhor dizendo, tentar contribuir qualitativamente com atitudes conscientes, de sobriedade no consumo de tudo, desde a água, a todos os recursos naturais, energia, produtos industrializados, etc; tentar melhorar nosso entorno primando pela integridade individual, para que consigamos causar, em algum momento, uma transformação na identidade cultural e coletiva neste planeta; viver de forma íntegra, correta, buscando melhorias não só para si, mas para o todo, para o mundo. Até porque, um dos motivos de chegarmos ao ponto em que chegamos é termos aberto mão de nossa responsabilidade pessoal, esperando que governos e estados tomassem conta de nós, numa fantasia de redenção absurda digna de infantes incapazes – aliás, talvez ainda sejamos infantes dependentes de um salvador que nos salve de nós mesmos! Se estamos revoltados e desalentados por Mariana, devemos nos mexer em nossas comunidades para que o mesmo não aconteça em outras barragens. Quantas centenas de barragens existem pelo Brasil afora? Nem todas são de resíduos tóxicos, mas ainda assim, estarão seguras? Porque não se começa um movimento, por exemplo, de averiguação técnica de todas as barragens no país? Vamos esperar acontecer de novo? Quantas mais são da Vale, que já se provou criminosa? São medidas práticas que precisam ser pensadas e acionadas, só para começar por um problema!

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Lairie Lipton – O quarto Cavaleiro do Apocalipse Reprodução

Em resumo, só iremos sair desse grande enrosco, dessa encrenca sem precedentes, quando nos conscientizarmos da nossa responsabilidade pessoal, quando nos dermos conta de que não há separação entre realidade e corpo físico, alma, mente e espírito – esse é o modelo da Era da Razão, que está sendo desmontado e desmantelado. Da mesma maneira, não há separação entre eu o outro, somos feitos da mesma matéria e substancia, viemos da mesma origem e para lá voltaremos. Quando nos dermos conta disso, de que eu e o universo somos um só, então teremos uma chance de transcender essa realidade bruta e limitada, teremos, finalmente, aprendido a lição!

Em termos práticos, essa configuração também sugere proliferacao descontrolada de vírus e bactérias, o que leva a epidemias e, às vezes, até mesmo pandemias.

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PARA REFLETIR – Jung, em Psicologia do Inconsciente – Foto tirada da Fanpage Despertar Coletivo – Reprodução

 

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Reprodução

Quem tiver curiosidade sobre os principais eventos do ano de 1989 na esfera mundial, dê uma olhada nessa Linha do Tempo da BBC: Linha do Tempo 1989

(1) Astrid Fallon – Planetary Cycles at a Glance – Booklet – Fallon AStro Graphics

Sol em Quadratura com Netuno – Que miragens o impedem de alinhar-se com os verdadeiros desejos de sua alma?

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Oasis – Google Imagens – Reprodução

O Sol em Sagitário faz hoje quadratura exata com Netuno em Peixes. Há uma sensação enorme de frustração no ar. Por que?

Porque primeiro vimos as miragens mais formidáveis dançando à nossa frente. Mundos perfeitos pareceram possíveis, como imaginados pelo Sol Sagitariano. Por um momento tudo pareceu sublime, magistral e os sonhos mais preciosos, as possibilidades mais venturosas pareciam materializar-se diante dos nossos olhos, fazendo-nos sentir transportados para um cenário em que todas as coisas se concatenam como teia perfeita, interligando os mais díspares elos da corrente da vida, e tudo de repente parece fazer sentido, finalmente.

Perfeito.

Até a miragem se desfazer como neblina, bem diante dos nossos olhos!

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Netuno – Desconheço o Autor – Reprodução

Este é o efeito elusivo, enganoso, ilusório de Netuno, o mestre dos sonhos, o mestre dos engodos e fantasias. Primeiro ele nos seduz, nos incita a sonhar desvairadamente e a seguir a miragem, para logo depois dissipá-la com uma risada irônica e sardônica.

Ironia, a sensação é de estupefação diante da ironia.

Como lidar com tal influência enganadora? Com cuidado, com respeito. Sobretudo com criatividade. No dia de hoje, fique atento a tudo que parecer perfeito demais, sedutor demais… Provavelmente é uma miragem.

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Victor Nizovtsev – Reprodução

Mas será isso pura maldade de Netuno? Não.

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Victor Nizovtsev – Reprodução

Ele nos seduz pra nos alertar para as ilusões que criamos para nós mesmos. Porque no fim, não é ele quem cria as ilusões, ele apenas as traz diante de nossos olhos, para que confrontemos nosso auto-engano. Ele vem nos lembrar de que  nossos desejos talvez não sejam suficientemente robustos para materializar-se no real, ou de que o ego está mesmo muito desalinhado e desincronizado com a alma e a psique, de modo que achamos que queremos muito alguma coisa, só para vê-la ser tirada de nossas mãos. Se temos perspicácia, concluímos mais à frente de que aquilo não seria de fato adequado à nossa alma e ao nosso desenvolvimento e a miragem é vista como de fato é: uma falsa imagem que escondia a imagem real de nós mesmos. Mas se nos fechamos no nosso desapontamento, culpando e bradando aos céus por nosso aparente infortúnio, recusamo-nos a crescer e apegamos-nos a desejos pueris e infantis, desejos narcisistas e regressistas, que só aumentam o afastamento entre nós mesmos e a nossa essência, e pior, afasta-nos da totalidade que podemos vir a alcançar.

Netuno vem nos questionar quais miragens nos impedem de ver-nos como realmente somos, e o que de fato queremos. Não os quereres do ego, esse bebê faminto cheio de desejos imediatistas, mas os desejos da alma.

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Victor Nizovtsev – Reprodução

Esse Netuno que parece nos iludir e brincar com nossos sonhos, exatamente por estimular tanto nossas fantasias, também coloca-nos em contato com um universo etéreo, longínquo, inexistente, não palpável, riquíssimo de imagens, cores e sons difíceis de traduzir para as limitadas linguagens humanas. Aqueles que tentaram materializar e manifestar tal visão elusiva tornaram-se artistas que parecem ter chegado muito perto de Deus, tal a beleza e perfeição de suas obras. Outros, que não conseguiram canalizar pelos canais criativos, tornaram-se presas das visões e idílios enganadores através do álcool, drogas e outras substâncias, buscados como meios de se chegar mais perto da visão ou de refutá-la e fugir dela completamente… Outros ainda embrenharam-se tão profundamente nos seus labirintos, os labirintos do inconsciente, e  por lá se perderam, e por lá ficaram, sem jamais saber se alguma Ariadne, algum dia, aparecerá para lançar-lhes o fio salvador que os conduzirá para fora do labirinto, de volta ao mundo “real”. São os ditos “loucos varridos”, que populam as instituições dos insanos. Muitos talvez nem queiram voltar. Sabem eles que o mundo dito “real” às vezes pode ser mais enganoso e ilusório que o labirinto em que se encontram.

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William Turner – The Grand Canal Venice – Reprodução

Então, num dia como hoje, dê vazão às suas fantasias, seu desapontamento, sua decepção, sua raiva e frustração, seu desespero, sua dor, suas lágrimas…

Seduzido por Netuno de forma tão definitiva, seduza-o de volta. É o único jeito de lidar com ele. Seduza-o de volta!

Como?

Crie espaço e contenção para que suas miragens se manifestem e observe-as sem julgá-las. Não lute com ele, você não tem a menor chance! Ao contrário, renda-se!

Crie. Pinte, escreva, dance, toque um instrumento. Faça música. Faça poesia. Crie. Manifeste suas miragens pelo veículo da arte.

MUSICA
Desconheço o Autor – Reprodução

Reze, ore, medite, silencie, contemple. Fique a sós consigo mesmo e com seu Deus.

Chore. Permita que o universo inteiro verta suas lágrimas de decepção diante do caos humano através de você. Permita-se ficar nostálgico, melancólico e, se possível, ache também um meio seguro para expressar a melancolia.

Só não caia na indulgência do álcool e das substâncias escapistas – essa seria a forma mais mesquinha e mais óbvia de dar vazão à energia. Para não mencionar os riscos que isso traz. Quando Netuno está tão ativo, as substâncias nos sobem à cabeça mais rápido e mais poderosamente, seus riscos são potencializados sobremaneira. Além disso, o Sol em Sagitário ligado a Netuno desta maneira, aponta para uma grande falta de limites, para o exagero e o querer mais e mais. Por isso, cuidado com a “cervejinha” de hoje. A ressaca amanhã pode ser mais amarga que o normal!

Há formas mais ricas, mais belas, mais criativas de lidarmos com as frustrações de hoje… Encontre a sua!

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Reprodução