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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

A Semana Astrológica – Tempo de regeneração

Semana de 06 a 12 de março – Semana de Quarto Crescente, que convida a refinar nossa ação e nossos esforços, para que a colheita seja tão favorável quanto a promessa. É tempo de regeneração e de avanço!

Vênus ficou retrógrada em Áries implicando uma mudança grande e necessidade de revisão das relações e parcerias e na forma como vivenciamos nossa autoestima, nossos valores, como gerenciamos nossos recursos e como expressamos nossos afetos. Os próximos 41 dias trarão vivências, sentimentos e percepções acerca de como vivemos todas essas áreas de vida, permitindo que façamos as mudanças necessárias. Muitos atritos podem começar pela percepção de que há grande divergência de valores entre as pessoas, o que afeta o relacionamento e o sentimento de confiança e de respeito. Outra coisa que pode acontecer é nos deparar com o passado batendo à nossa porta, particularmente situações ocorridas há cerca de oito anos, de 06/03 a 1717/04 de 2009 ou mesmo mais distante, março/abril de 2001! Outras situações podem estar relacionadas a acontecimentos que ocorreram entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014, quando Vênus ficou retrógrada em Capricórnio, retrogradando até o grau 13 do signo da Cabra, e agora Vênus entrou em retrogradação no grau 13° de Áries, quadratura exata àquele ponto estacionário de 31 de janeiro de 2014. É possível ressurgirem pessoas do passado, amores antigos ou apenas “crushes” não vividos, mas que nos obrigam a repensar muitas coisas, talvez até rever alguns valores, questionar algumas posturas… A sessão flashback pode nos fazer desencanar de vez das experiências não vividas, ou pode criar imbróglios na situação atual, levando a reflexões profundas. Mas é necessário ter muita prudência antes de se jogar de cabeça no passado – talvez não seja mesmo para reviver nada, apenas para nos fazer questionar nossos valores, fazer contrapontos entre o que foi e o que é… É possível que estejamos mais sensíveis e suscetíveis, portanto, é bom não levarmos tudo tão para o pessoal e nem ficarmos tão melindrados. Ser gentis conosco mesmos e com os outros pode aliviar a sensação de fardo e de incompreensão – vale lembrar que todo mundo tem suas feridas, suas carências e dúvidas acerca de si mesmo. Arianos em geral e particularmente quem tem Vênus em Áries, são mais afetados por esta retrogradação de Vênus.

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O Sol recebe a conjunção Superior de Mercúrio já na segunda-feira, sinalizando o ponto alto de mais um ciclo das ideias e conceitos, da comunicação e dos pensamentos. Das 13h50min da segunda-feira às 05h08min da terça Mercúrio e sol estão em conjunção Cazimi, horas de insights novos e ideias ainda não aventadas. É como o porta-voz que chega para a autoridade para receber as instruções e objetivos para os próximos meses. Essa conjunção acontece entre os graus 16 e 17 de Peixes e pode ser muito positiva para quem tem planetas nesses gaus.

Alisha Lee Jeffers – Reprodução

Depois dessa conjunção Mercúrio dispara à frente do Sol, cumprindo a segunda metade do seu ciclo, até a próxima retrogradação que vai de nove de abril a três de maio. Mercúrio e Sol farão nesta semana sextil a Plutão e quincôncio a Júpiter, primeiro Mercúrio, depois o Sol. Ganhamos mais força e potência para correr atrás de nossos sonhos, propósitos e planos e podemos nos comprometer com eles de forma mais determinada. Contudo, mais para o fim da semana é preciso se acautelar com as as inseguranças que porventura nos aflijam e que nos fazem ir na direção oposta: tentar provar algo a todo custo, à revelia de nós mesmos e daquilo que vale a pena. Ter uma noção clara dos nossos limites pode ser bastante útil na hora que nos faltar o senso apropriado de proporção e de esforço que algo requer.

Almagnus – reprodução

Mercúrio ainda faz conjunção a Kíron e quadratura a Saturno, aspectos que o Sol fará somente na semana que vem. Mercúrio emaranhado com esses dois caras “da pesada” sugere que do meio da semana em diante há propensão a pensamentos sombrios, inseguranças, ansiedades, preocupações e pensamentos de menos-valia, que podem ficar ressaltados devido á retrogradação de Vênus, que já salienta esse tema. Mercúrio-Kíron pode nos ajudar a nos sintonizar mais com o sofrimento alheio, porque estamos muito cientes de nossas próprias dificuldades… a mente precisa lidar com as limitações do corpo e aceita-las. Já as inseguranças representadas por Saturno podem, na verdade, funcionar como um providencial choque de realidade para os sonhos maravilhosos e planos mágicos desse Mercúrio caleidoscópico. No sentido mais negativo, podemos ser presas de pessimismo, duvidar de nossas ideias, nos comunicar de forma vacilante, o que compremente o conteúdo da nossa mensagem… Mas, podemos também conter a nuvem de pessimismo e usar o choque de realidade para passar nossos sonhos pelo crivo da utilidade e da factibilidade. As utopias e teorias fantásticas são vistas com mais seriedade e prudência e de repente podemos ordenar melhor nossos pensamentos e discurso e a partir daí, estruturar melhor também os nossos planos.

Vênus e Marte, de Boticelli – Reprodução

Marte sai do campo de guerra Ariano e adentra os prados verdejantes e plácidos de Touro, permitindo-se talvez descansar e usufruir de alguns prazeres, depois das duras e grandes batalhas travadas recentemente. Contudo, nem tudo são flores, porque Vênus, regente de Touro está retrógrada em Áries, como já sabemos. Por um lado, o fato de estarem um no signo do outro ajuda, porque esta relação chamada Recepção Mútua diminui um pouco as debilidades inerentes ao fato de estarem em signos que não são favoráveis a eles, porque é como você ser obrigado a ocupar a casa do seu inimigo meio contra a vontade, mas se o outro também tem que morar numa casa que é sua, a situação fica mais equilibrada e igual, então, ao invés de brigar, talvez façamos alguma aliança, porque um depende do outro para funcionar adequadamente. Mas ainda precisamos lembrar que Vênus retrógrada está com sua ação de conciliadora e agregadora alterada. E lembrando da descrição clássica desse posicionamento, se por um lado, Marte em touro é mais ponderado, mais deliberado e calmo, por outro, às vezes podemos perder o timing das coisas, podemos nos apegar em demasia e podemos até ser preguiçosos, dependendo de outros fatores… Além disso, na hora de expressar nossos desejos e o instinto agressivo, podemos nos sentir bloqueados e passar a “engarrafar” a agressividade, algo que no longo prazo pode nos fazer implodir. Com Marte em Touro há maior cautela na ação; analisamos mais antes de tomar as atitudes; estamos mais conectados com o corpo e com nossos sentidos e estamos empenhados em construir algo durável. É um posicionamento de grande estamina e força. Mas o fato de Vênus estar retrógrada nos alerta que este marte continua explosivo, só não está mais tão direto quanto estava em Áries, o que de certa forma, torna o cenário mais perigoso em certas situações.

The Ultra Linx – Reprodução

A Lua entrou na fase do quarto Crescente no domingo, dia cinco, em Gêmeos. Começa a semana ainda em Gêmeos. Empodera-se m Câncer e entra na fase Corcunda já em Leão, na quarta-feira. Será Cheia no domingo, dia 12, a 22°13’ de Virgem, às 11h54min, culminando o ciclo Pisciano. Na sua caminhada pelo zodíaco ela faz aspectos diversos com todos os demais corpos celestes.

Reprodução – Desconheço o autor

SEGUNDA-FEIRA, 06 de março – A Lua Geminiana está em quadratura a Kíron na virada da segunda e também se opõe a Saturno em Sagitário ao raiar do dia, harmonizando-se com Marte logo depois – Marte, que acabou de fazer sextil a Saturno, horas antes. A Lua fica fora de curso depois da conversa com Marte, às 05h23min e ingressa em Câncer às 09h55min, onde fica muitas horas a portas fechadas digerindo seus conteúdos. A noite pode trazer um sono conturbado e pesado e a manhã começa meio arrastada, cheia de ideias e falatórios, mas com uma ação desprovida de prop´sotio, portanto, é bom maneirar no entusiasmo logo cedo e começar contendo as falas desnecessárias e focando nos planos, pondo agendas em ordem e alinhando processos. Pelo meio da manhã o ímpeto muda e nos sintonizamos com os propósitos que antes eram difíceis de acessar. Sentimentos refinados, colocamos o coração nas nossas ações e nos empenhamos em dar nosso melhor, cuidando, protegendo e nutrindo nossos objetivos e também as pessoas envolvidas neles. O dia está, pois, favorável a nos dedicarmos a coisas caras ao nosso coração, a nos devotar a algo que venha a nutrir nossa alma e nos alimentar de novo entusiasmo. As sensibilidades estão afloradas, mas isso pode ser usado em nosso favor, de modo que podemos ficar mais observadores, mais perspicazes emocionalmente, algo que pode nos ajudar a nos aproximar dos outros com mais verdade e naturalidade, solidarizando-nos e oferecendo apoio e ajuda, se isso se fizer necessário, ou também buscando o suporte de que tanto precisamos – aluns podem preferir se enfiar em suas tocas e se concentrarem nas suas tarefas… contato que não sejam motivados por alguma birra inexplicável, também está tudo bem!

Almagnus – Reprodução

TERÇA-FEIRA, 07 de março – De Câncer a Lua se afina com Netuno em Peixes, mas faz quadratura a Vênus retrógrada em Áries, oposição a Plutão em Capricórnio, quadratura a Júpiter em Libra e a Urano em Áries, formando, é claro, uma Grande Cruz Cardinal incendiária, que dinamiza e põe fogo no dia e na noite, embora o aspecto a Urano só fique exato no dia seguinte. Como ajuda, a Lua faz trígonos ao Sol, a Mercúrio e a Kíron. Mercúrio está em sextil a Plutão. Um dia para lá de dinâmico e movimentado, cheio de atividades febris que não nos dão trégua e que, a despeito das muitas pressões, também trazem à tona o nosso melhor: nossa capacidade de enfrentar nossos medos junto com a necessidade de lidar com os problemas de forma direta. Por mais que nos sintamos frágeis e quebradiços, há coisas demais acontecendo ao redor, de modo que precisamos ser resilientes e, a despeito das nuvens sombrias lá fora, ainda precisamos regar o que é preciosos aqui dentro. Necessidades pessoais e emocionais precisam ser equilibradas com demandas mundanas; afetos precisam ser equilibrados com a necessidade de independência e autonomia; vinculação, balanceada com a liberdade; carências emocionais resolvidas por nós mesmos, porque talvez outros não estejam disponíveis para nos dar colo – ou talvez não queiram. O fato é que o dia demanda muita maturidade, equilíbrio, compostura e sobriedade para não afundarmos nos dramas emocionais ou nas crises eventuais que possam ocorrer. É o caso de ninar o bebezão dentro de nós enquanto respiramos e sorrimos serenamente para o interlocutor à frente, enquanto gostaríamos, talvez de mandá-lo às favas. Mas o dia traz também a capacidade de vermos além dos nossos próprios problemas – mesquinhos ou não – e perceber, de novo e mais uma vez, que todos têm seus dilemas e crises e jogar nossas frustrações no outro não só não vai resolver, obviamente vai piorar tudo. E pode ser que haja situações em que podemos oferecer esse olhar compreensivo e amoroso, que acolhe e ampara. Em outras, talvez tenhamos que ser duros e enfáticos, para não permitir abusos, manipulação ou mesmo intimidação contra nós. O pulo do gato é saber distinguir entre uma situação e outra: o que precisa de cuidado e nutrição e o que demanda atitude drástica, o que merece adubo e o que precisa de poda – e quando entendemos isso, embora as tarefas continuem inúmeras e muito absorventes, elas já não precisam nos oprimir, antes poderão nos dar prazer! Ah! E claro, pode ser que nós é que incorramos nessas atitudes abusivas e precisemos ser colocados no nosso “devido lugar”.

Tae Lee – Reprodução

QUARTA-FEIRA, 08 de março – A Lua Canceriana formaliza a quadratura a Urano na primeira hora do dia, depois também faz trígono a Kíron, quincúncio a Saturno, sesqui-quadratura a Netuno e quadratura a Marte, ficando vazia depois desse contato, às 10h08min. Ingressa em Leão às 13h46min, de onde faz sesqui-quadratura ao Sol, entrando na fase Corcunda. Mercúrio está em sextil exato a Plutão. É Dia Internacional da Mulher e a Lua, super feminina e empoderada em Câncer, trava uma briga feia contra os grilhões de imposições e cerceamentos. A Cruz Cardinal formada ontem permanece armada por várias horas no início do dia de hoje e ainda reverbera, de forma que o dia começa bastante tenso, em ponto de bala ou de caldeira. Masculino e Feminino digladiam em vários níveis, que não precisam chegar às vias de fato, mas podem suscitar conscientização em várias frentes. A Lua está espremida nessa Grande Cruz, além de ainda fazer outros contatos com outros planetas tensos, bastante simbólico para a situação da mulher ao longo das eras, mas principalmente agora, quando ela ainda se sente oprimida pelas diversas cobranças sociais – e dela mesma – de ser a mulher perfeita: mãe maravilhosa, profissional excelente, amante fantástica, amiga presente, ativista consciente, descolada, malhada, jovem, bem-sucedida, transbordando felicidade e realização suprema pelos poros. #SóqueNão. As cobranças podem vir de fora, mas são autorizadas dentro de nós, porque no fundo ainda precisamos resolver muito das culpas, inseguranças e medos ancestrais que carregamos, herdados das nossas mães e avós e toda as outras que vieram antes. A emancipação começa dentro, ao lidarmos com nossas inseguranças e carências, ao lembrarmos que somos humanas, antes mesmo de sermos mulheres. Ao nos recusarmos a atender a todas essas exigências, quando elas não fazem sentido para nós, realmente. Uma coisa é querermos melhorar sempre, é buscarmos crescer e ser melhores pessoas. Outra coisa é essa corrida desenfreada, essa exaustão na busca de padrões que não nos dizem nada e só nos deixam infelizes. Repensar padrões e rebentar com aquilo que não faz dançar o nosso coração. Em termos mais práticos, o dia pede sobriedade porque a maré está cheia, transbordante e podemos nos afogar se não soubermos fluir – dito de outra forma, as caldeiras estão ferventes e podemos sair queimados. Há muita pressão e situações que demandem atitudes imediatas e talvez um tanto drásticas para serem realmente resolvidas. Ser honesto com os próprios sentimentos e expectativas criadas em relação a outros é essencial para lidarmos com as possíveis frustrações do dia, porque não conseguimos tudo o que queremos e precisamos lidar com isso – mas não, o mundo não vai acabar por causa disso também. Podemos nos deparar com situações diversas de dramas, crises, tantruns e infantilidades – nossos ou de outros. Respirar fundo, tentar manter a calma e buscar se distanciar um pouco da situação pode ajudar a distinguir o que é uma crise verdadeira e o que é apenas mimimi, a ver as coisas com mais clareza para saber qual a melhor atitude no momento.

Shiori Matsumoto – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 09 de março – o Sol Pisciano está em sextil pleno a Plutão em Capricórnio e Mercúrio em quincúncio exato a Júpiter. O Sol também se aproxima de conjunção a Kíron, enquanto ainda se afasta da conjunção a Netuno. Enquanto isso, a Lua Leonina faz sesqui-quadraturas a Saturno e a Kíron, que estão em quadratura entre si e a Lua vira foco de um Martelo. A soberana Lua ainda faz quincúncio a Netuno e trígono a Vênus Rx em Áries, quincúncio a Plutão e ao Sol, que estão harmonizados e assim ela vira foco de um Yod-Dedo de Deus. Marte ingressa em Touro às 21h34min. O dia traz a oportunidade de renovarmos nosso poder e a maneira como o expressamos, entrando em contato com partes profundas de nós que nos abastecem de nova vitalidade e nova confiança em nossas capacidades. A despeito disso, as emoções e sentimentos estão sob pressão, de maneiras diversas ao longo do dia. Percepções conscientes e influências inconscientes nos deixam desconfortáveis e talvez tirem a espontaneidade e a desenvoltura da criança dentro de nós, de modo que trabalhamos e nos movemos pelo mundo com a sensação de algo desencaixado e fora de lugar, embora não saibamos direito o que pode ser ou como encaixar esse “algo”. Se conseguimos aceitar que o desencaixe também pode ser criativo e que não precisamos estar sempre alinhados para funcionar, talvez possamos transformar o desconforto em estímulo que nos impulsiona a criar, a modificar atitudes, a ficar abertos às mensagens subliminares e.. voilá, quando menos esperamos, identificamos a origem do incômodo: o medo da nossa própria força, o medo de exercê-la em demasia ou de suprimi-la, o medo de não sermos plenamente aceitos e apreciados se nos mostrarmos com nossas idiossincrasias. E podemos aprender que a força e o poder não precisam ser brutos e nem contraditórios. E que há mesmo um poder que nasce da gentileza, uma gentileza que nasce da força e da solidariedade, uma força que nos regenera e nos anima a seguir em frente, a despeito de todos os desafios e dificuldades.

Reprodução – Desconheço o autor

SEXTA-FEIRA, 10 de março – O quincúncio Lua-Sol fica exato na madrugada. A Lua segue adiante e faz sextil a Júpiter, quincúncio a Mercúrio e Kíron, que estão hoje em conjunção partil. Temos um Grande Trígono de Fogo formado por Lua em Leão, Saturno em Sagitário e Urano em Áries por toda a manhã e começo da tarde. A Lua fica vazia às 14h06min depois do trígono a Saturno e ingressa em Virgem somente às 19h08min, fazendo logo um trígono a Marte, conjunção ao Nodo Norte e quadratura a Lilith. Temos alguns desafios interessantes hoje, dentre eles, a integração de partes obscuras de nós mesmos, assim como de sentimentos viscerais e desgovernados… Como essas influências ficam ativas na madrugada, é possível que as vivenciemos através dos sonhos. De manhã, o resultado é que talvez nos sintamos mais confiantes e serenos e aptos a enfrentar as eventuais agulhadas de insegurança que apareçam com menos ansiedade e mais tranquilidade. O resto do dia traz possibilidades de fazer brilhar nossa originalidade e criatividade de forma também segura, unindo ideias e mundos que antes pareciam difíceis de conciliar. Isso pode nos trazer também uma alegria genuína de quem consegue expressar os dons do coração com maestria, aceitando eventuais imperfeições, porque são inerentes à humanidade. E assim o dia pode ficar alegre, criativo e bastante produtivo, se soubermos tirar proveito! A Lua fica vazia depois de Saturno e a criança dentro de nós pode tirar algumas horas para refletir e fazer as pazes com o Pai, o Velho, que não precisa ser carrasco e talvez até nos surpreenda com algumas histórias de outros tempos, outras eras… À noite nos alinhamos e centramos com nossos rituais e nos conectamos mais profundamente com os desejos e com a forma de ir atrás deles, organizadamente.

SÁBADO, 11 de março – O Sol Pisciano faz quincúncio exato a Júpiter em Libra. Vênus retrógrada em Áries recebe quincúncio da Lua Virginiana, que também se opõe a Netuno em Peixes. A sensação de desencaixe do outro dia talvez volte hoje, por motivos diferentes. Há muito entusiasmo consciente, embora haja também dificuldade de controlar esse entusiasmo, em ter moderação ou em expressá-lo de forma regular, de modo que ele vai e vem e nos deixa um tanto ansiosos, talvez confusos, ponderando sobre estratégias de controle dos nossos humores, do júbilo pelos nossos objetivos e das nossas emoções e sentimentos vacilantes e incompreensíveis. Se falhamos em manter nossa motivação em alta, somos presas de auto-criticismo, que talvez piore um pouco as coisas e entramo num círculo vicioso difícil de parar. E o corpo sofre com tudo isso. Antes de mais nada precisamos parar e verificar o que nos escapa, porque estamos nos esforçando tanto para servir ou agradar a outros, quando nós mesmos estamos fora de sincronia… aliás quem causa o quê? Estamos fora de sincronia porque nos esforçamos demais ou nos esforçamos demais porque estamos fora de sincronia? Não importa, mas é preciso fazer algo diferente para sair do círculo vicioso e para isso precisamos parar e observar a nós mesmos e a nossos processos, de forma justa, porém sem julgamentos.

Shiori Matsumoto – Reprodução

DOMINGO, 12 de março – De virgem a Lua faz trígono a Plutão em Capricórnio e oposição ao Sol, culminando o ciclo na Lua Cheia de Virgem, a 22°13 deste signo. A Lua Cheia ocorre em oposição a Kíron e quadratura a Mercúrio e a Saturno, que é foco de uma T-Square Mutável. Mercúrio está em quadratura exata a Saturno. A Lua fica vazia às 21h26, depois da quadratura a Saturno. Uma Lua Cheia de cura e regeneração celebra a culminação do ciclo Pisciano. Mas para alcançarmos as dádivas da cura, precisamos primeira enfrentar nossa fragilidade, nossas inadequações e inseguranças mais profundas, nossos conceitos evasivos e nossa falta de comprometimento conosco mesmos, além da destrutividade em potencial que espreita a mente e o coração, minando a autoconfiança, a segurança em si mesmo, a aposta no próprio poder e capacidade. Essa lunação nos deixa, então, em carne viva e é preciso cautela porque a via de escape para muitos será a ajuda indiscriminada ao outro, para fugir da própria dor e do próprio desespero. Para outros, esse escape pode se dar pelas tentativas de controle do entorno, qualquer coisa que faça passar a ansiedade e o desconforto com o corpo e os sentimentos… mas nada disso funciona por muito tempo e só conseguimos superar quando acalmamos a ansiedade e aninhamos em nosso coração as dores não admitidas, os medos não expressos do caos, do amanhã, da nossa própria irracionalidade. Um mergulho nas motivações inconscientes se faz necessário. Esse é o caminho e ele não se faz num dia só, mas começar e manter o ritmo, eis o que é importante. Mais sobre a Lua Cheia durante a semana.

Uma ótima semana, de luz e esperança para todos!

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Alisha Lee Jeffers – Reprodução

Lua Nova em Sagitário – Qual é o seu Plano B?

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Catrin Welz-Stein – Reprodução

Qual é o código para decifrar seus sonhos?

A Lua é nova nesta terça-feira, dia 29 de novembro, às 10h18min no horário de Brasília e às 12h18min no horário de Lisboa, inaugurando o ciclo de Sagitário, a fase do ano em que procuramos maior significado para nossas vidas, buscamos mais aventura e renovamos nosso otimismo. Nossos interesses se expandem e abrimos a mente para abraçar novas ideias e perspectivas. Neste período, também somos convidados a observar nossas crenças e nossa espiritualidade mais de perto; verificar se vivemos o que proclamamos, se cremos no que pregamos, se falamos o que cremos e se somos o que dizemos que somos – essa é uma paráfrase de uma citação de D. Pedro Casaldáliga, que no original diz o seguinte: “Ser o que se é, falar o que se crê, crer o que se prega, viver o que se proclama, até as últimas consequências” – será que podemos dizer isso de nós mesmos? O ciclo de Sagitário vem nos questionar isso… E caso identifiquemos que estamos fora dos trilhos, sempre podemos retomar o rumo certo. Certo? Hummm… Talvez.

Lua Nova em Sagitário - Brasília, 29 de novembro de 2016, 10h18min
Lua Nova em Sagitário – Brasília, 29 de novembro de 2016, 10h18min

O problema é que o rumo está deveras incerto neste ciclo. Ocorre que a Lua Nova se dá em quadratura bem próxima a Netuno em Peixes, o Mestre da Neblina, das Ilusões, das Incertezas… A Lua se renova a 07°42’ de Sagitário, a menos de dois graus da quadratura a Netuno, e a menos de meio grau da quadratura ao eixo nodal, o que nos sinaliza um ciclo um tanto confuso, de nevoeiros densos que atrapalham a visão de longo alcance do Arqueiro. Justamente num período em que precisamos de clareza para olhar para o futuro, depois de todas as tensões e dúvidas que vivenciamos ao longo dos últimos meses, sentimo-nos sem rumo, perdidos, sem saber direito para onde ir a partir daqui, sem saber se nossos sonhos são válidos ou se são apenas quimeras e ilusões douradas… A não ser pela conjunção hiper-ampla a Saturno (quase dez graus) que muitos nem considerariam, a quadratura a Netuno é o único aspecto que a Lua Nova faz, o que o torna muito importante e enfatizado. Então, sim, ainda temos muitas dúvidas à frente… A quadratura aos Nodos Lunares nos sugere que podemos tanto encontrar esse rumo alvissareiro, como podemos nos perder de vez, portanto, precisaremos sair com as lanternas acesas mesmo ao meio-dia…

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Como se não bastasse, este mapa traz uma assinatura de Fogo Mutável: há muito ímpeto, muitos projetos, entusiasmo exacerbado, mas pouco se realiza se não se puser os pés no chão; vamos de um projeto a outro, achando que o sentido está sempre ali, logo adiante. Temos muita energia mutável ativada nos céus (Sol, Lua, Saturno, Mercúrio, Netuno, Quíron) e somente temos Marte em signo fixo, em Aquário, então, há pouca consistência naquilo que buscamos realizar, dispersamo-nos em muitas direções, aumentando a sensação de estarmos perdidos; há dificuldade em ser constante e por vezes, vamos ao extremos oposto e nos fixamos numa ideia qualquer, só para provar que estamos certos, mesmo que aquilo seja uma tolice. É preciso cautela com as paixões e com os entusiasmos do tipo “fogo de palha” ou, pior ainda, com entusiasmos do tipo fogo-fátuo, que é mais fugidio ainda e se origina da decomposição daquilo que um dia foi vivo e válido, mas que hoje se decompõe!

Catrin Welz-Stein - Reprodução
Catrin Welz-Stein – Reprodução

Mais: no mapa levantado para Brasília Lua e Sol estão interceptados, ou seja, o signo de Sagitário está “preso” dentro da casa 11, estando Escorpião na cúspide da própria casa 11 e Capricórnio na cúspide da 12. Dessa maneira, Lua e Sol ficam presos e meio “sem saída” ou sem canal direto de expressão. Planetas interceptados ou signos interceptados são um tanto controversos e pouco se fala sobre o assunto. Normalmente não presto tanta atenção a signos interceptados numa interpretação de mapa, a não ser que haja planetas ali, mas no meu entender, quando um signo ou planeta está interceptado, a sensação é de que algo está guardado dentro de um quarto que foi construído sem portas ou janelas, sem aparentemente nenhuma via de acesso àquilo que está lá dentro; ou, dito de outra forma, talvez haja uma porta blindada que só se abre com uma chave especial ou um código de acesso, mas esse código não é fácil de decifrar. Ainda, como diz Rainer Maria Rilke num de seus poemas, “é como se fossem salas fechadas ou livros escritos numa língua muito diferente daquelas que conhecemos”. Então, sabemos que há algo ali, mas não acessamos tão facilmente nem diretamente, é um tanto inconsciente, permanece em estado de latência, meio indefinido, carecendo de clareza, até que seja ativado por trânsito ou progressão (no caso de mapas natais); é um quarto que pertence à casa, mas cuja comunicação com o resto dessa casa está comprometida. Dessa forma, o uso dos recursos e talentos representados pelos signos e planetas interceptados são “retardados”, por assim dizer, demoram a se expressar, porque levamos tempo até descobrir a via de acesso, ou até aprender a decifrar o código que nos permita acionar tais energias dentro de nós, o código que decifre os nossos sonhos relativos àquela área de vida! Mas é possível!

Brooke Shaden Photography - Reprodução
Brooke Shaden Photography – Reprodução

Assim, em se tratando do início de um ciclo em que deveríamos renovar nossa fé e esperança, essa interceptação, somada à quadratura a Netuno, sinaliza que talvez tenhamos dificuldade em tal renovação… Como ser otimista diante dos cenários sociais, políticos e econômicos atuais? Como ter esperança quando parece que tudo desanda e vai de mal a pior? Estamos tão desiludidos, sentimo-nos lesados, tantas vezes, repetidamente… Daí a grande dificuldade em acessar o otimismo que está lá, latente, dentro de nós, mas que é tão elusivo, como elusivo é Netuno, como elusivo é um signo interceptado… Saturno e Mercúrio também estão interceptados em Sagitário neste mapa e eu diria que simbolizam nossa grande desconfiança quanto às ideias de justiça, quanto ao cumprimento de tal justiça… Como fazer cumprir leis tão bonitas, se os infratores parecem escapar por entre os dedos, tal o número de artimanhas, engenhosamente elaboradas? Parecem estar além do nosso alcance, num quarto lacrado, em outra dimensão, divertindo-se às nossas custas – sim, você entendeu, estou falando dos nosso problemas políticos! Ou talvez se dê da forma contrária: nós nos sentimos presos num quarto, incomunicáveis, sem conseguir decifrar o código da porta eletrônica, ou talvez não haja portas, nem janelas, nem telhado, apenas escuridão… Como ganhamos acesso a esses recursos, dos quais precisamos tanto? Como encontrar a saída? Como nos reorientar e achar o rumo perdido? Como encontrar nosso Norte?

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A primeira pista é olhar para os aspectos que tais planetas fazem, porque eles são a primeira saída e canal primevo de expressão de tais energias, então, Netuno aqui não pode representar só problemas, precisa representar também soluções. E já que Netuno é subversivo e elusivo, enganoso e liso feito quiabo, precisamos usar isso a nosso favor; ao invés de ir pelas vias diretas, devemos buscar as alternativas não óbvias, usar a imaginação, recorrer à linguagem mágica para tentar entender os tais códigos e, ainda assim, permanecer atentos aos cantos das sereias enquanto estivermos navegando, estejam os mares bravios ou plácidos. Também precisamos acessar nossos sonhos! O que nos faz sonhar? Realmente? Com o que sonhamos atualmente? Ou nem nos permitimos mais? Se deixarmos que roubem nossos sonhos, eles terão vencido a guerra sem disparar nem uma bala, nem umazinha sequer! Mas é claro que precisamos discernir entre sonhos factíveis e meras quimeras… Será que conseguimos perceber a diferença no atual estado de coisas? A outra questão importante quando se trata de Netuno é ser humilde e saber que estamos à deriva e quando se está à deriva, o melhor, muitas vezes, é esperar, ser paciente, soltar-se e abrir mão de saber o que fazer, de saber a direção… Deixar-se conduzir, para variar. Aprender a flutuar, até que as ondas nos levem à praia. Usar como bússola o coração e a intuição, ao invés da cabeça e das vias lógicas.

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A outra pista é olhar para o planeta dispositor do signo/planetas interceptados, que no caso, é Júpiter! Júpiter está em Libra, na casa 9, sua casa natural (no mapa para Brasília), avançando para a oposição a Urano e afastando-se da quadratura a Plutão e ainda recebendo a quadratura separativa de sua regente, Vênus, que aliás, está em quadratura exata a Urano, quer dizer, mais idealismo, mais extremismo, mais rebeldia! Júpiter recebe, também um trígono de Marte, que ficará exato três dias depois da Lua Nova. Definitivamente, este não é um Júpiter preguiçoso, pelo contrário, é um Júpiter, mais que idealista, corajoso e bom de briga, iconoclasta, ambicioso na sua expansão, implacável nos seus métodos. Ele quer sua expansão a qualquer custo e vai correr os riscos! E os resultados se manifestarão de forma bem concreta e palpável, concreta como pedra, para o bem ou para o mal! Assim, para ter acesso ao Sol e à Lua – e também a Saturno e Mercúrio – precisamos ter uma atitude dinâmica e questionadora com relação àquilo que pregamos, com relação às nossas crenças; precisamos ser ambiciosos em nossos sonhos, mas ao mesmo tempo ser vigilantes quanto à nossa ética e integridade, para não fazermos vistas grossas ao nossos próprios “pequenos” deslizes, cometidos em nome de “um bem maior”, como costumamos dizer para nós mesmos à guisa de justificativa; a justiça é cega e assim deve ser, não pode ser caolha para favorecer a mim ou aos meus, ou a quem quer que seja, mas nessa configuração, um dos riscos é pensarmos que estamos acima do Bem e do Mal, que somos o próprio Deus onipotente, onipresente  onisciente e que podemos arbitrar conforme nos aprouver e não conforme a justiça de fato requer– soa familiar com aqueles congressistas que só legislam em causa própria? (Com Netuno tão influente neste ciclo, realmente precisamos ficar de olho nas votações desses projetos estapafúrdios que tramitam atualmente no congresso e casas legislativas… Se a gente piscar, o atestado da idiotia nacional será promulgado! Sim, brasileiro, o povo mais idiota do mundo, que elege legisladores e administradores que saqueiam os cofres da nação e só trabalham para se perpetuarem no poder, criando e aprovando leis que os protejam ad infinitum).

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E uma terceira pista, na verdade são duas – para quem tem planetas e signos interceptados no mapa natal, principalmente: a auto-observação nos momentos de distração, quando estamos a realizar atividades ligadas àquela casa e planeta/s em questão, porque quando estamos mais distraídos é quando revelamos nossa face mais genuína e espontânea. Não deixa de ser um paradoxo porque no momento em que nos damos conta do que fazemos, a atividade talvez deixe de ser espontânea, mas ainda podemos observar em retrocesso e anotar mentalmente qual era a nossa atitude de então. E, por último, fazer o oposto do sugerido acima, ou seja, buscar executar as atividades relacionadas ao signo/planetas/casas de forma bastante consciente, sendo ao mesmo tempo, observador e observado durante todo o processo e, ao final, fazer mais anotações, para então cruzar e comparar ambos os momentos, a atitude distraída e a atitude consciente, chegando aos pontos em comum. Daí então poderemos ter mais clareza de como o processo se dá para nós.

Mihai82000.Deviantart - Reprodução
Mihai82000.Deviantart – Reprodução

No caso do ciclo em questão, talvez precisemos fazer tudo ao contrário, já que não teremos tempo para observar o que está por vir, visto que já precisaremos estar prontos para o que der e vier: precisamos olhar em retrospecto e nos lembrar do que é que aciona nosso otimismo e nossa esperança; o que, no passado, nos levou a reencontrar nosso Norte quando estávamos perdidos; o que trouxe sentido quando tudo parecia vazio; o que deu um sentido de ordem, quanto tudo resvalava no caos; o que nos tornou humildes quando nos inflamos de arrogância e, ao contrário, o que nos deu confiança quando nos sentíamos por baixo. Em resumo, precisamos ter um “Plano B”, porque o “Plano A”, a princípio, está lacrado e inacessível num quarto sem portas ou janelas e sim, teremos acesso a isso mais à frente, mas enquanto esperamos a clareza, precisamos já ir trabalhando, mesmo que os rumos pareçam incertos e temerários… Qual é o seu Plano B? Se não tem, desenhe um! Alguma vez você já ousou por um Plano B em ação? Isso não deveria ser problema, visto que Sagitário sempre vê muitas possibilidades diante de si.

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O Símbolo Sabiano do grau 8 de Sagitário (07°42’) traz a seguinte imagem: “Nas profundezas da Terra novos elementos são formados”. Dane Rudhyar nos lembra que o tom central desse símbolo é “o fogo alquímico que tanto purifica quanto transforma a própria substância da vida interior do homem”. Ele nos lembra que, mesmo quando nada parece estar acontecendo na superfície, processos importantes ocorrem nas profundezas da Terra ou do Mar, da mesma forma, o ego consciente geralmente desconhece os processos alquímicos do inconsciente e só se dá conta deles quando uma mudança importante acontece, a ponto de não ser mais ignorada e então um novo nível de consciência e de resposta à vida é alcançado. Ele completa dizendo que o símbolo chama a nossa atenção para as mudanças internas, que se dão à revelia do ego e da vontade dita “pessoal”, como uma “gestação psíquica”, como um feto sendo gerado no ventre, independentemente da vontade ou do esforço consciente da mãe. Ele cresce e se desenvolve, e assim é, também com nossos processos e transmutações internos. Essa alquimia ocorre à nossa revelia mas, se estamos alinhados com ela, podemos facilitar o processo, ao invés de resistir a ele. Confiar e deixar fluir, mesmo quando nosso impulso seria tentar controlar, ansiosa-mente! Esperar. Agir pela in-ação. Calar na falação. Repousar no excesso de atividade. Amar as próprias dúvidas, mesmo com toda a ansiedade que elas nos trazem.

Arcano II do Tarô - A Sacerdotisa - Tarô de Nei Naiff
Arcano II do Tarô – A Sacerdotisa – Tarô de Nei Naiff

Uma imagem que representa bem este símbolo e a Lua Nova interceptada em quadratura a Netuno é a imagem da Sacerdotisa, o Arcano II do Tarô. Ela é enigmática e não vai revelar seus segredos a qualquer um, muito menos àqueles que não souberem fazer a pergunta certa – sim, aqui a pergunta é mais importante do que a resposta –  ou que forem levianos demais para não aguardarem o tempo certo da resposta. É preciso amar as perguntas, para ter acesso às respostas! É preciso ter timing, estar afinado com o tempo certo das coisas e não se afobar, não se precipitar… Sabe aquela frase, “quando não se sabe para onde ir, qualquer lugar serve”? Pois então, quando chegarmos lá nem poderemos reclamar porque entramos em ação antes de saber o que realmente queríamos ou para onde estávamos indo… Assim, o nosso Plano B precisa incluir uma certa espera, um ouvir da intuição, um decifrar as linguagens mágicas e não óbvias, aquelas linguagens que o ego e a mente consciente ignoram… Ler nas entrelinhas, naquilo que não é dito verbal ou diretamente, encontrar a chave, decifrar os códigos para ganhar acesso aos tesouros, às visões e venturas, no momento certo! Porque se precipitarmos o momento, a criança e mãe podem morrer, assim como nossas ideias e projetos fabulosos que, ao invés de prosperar e frutificar, se desintegrarão feito poeira no ar, diante dos nossos olhos, que se encherão de lágrimas de consternação.

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Em resumo, este é um ciclo delicado, em que precisamos ser pacientes conosco mesmos se porventura não soubermos para onde ir ou quando ir; em que precisamos aprender a esperar o momento certo de agir, em lugar de sair às cegas, arriscando-nos a cair no precipício; que precisamos descobrir a chave, decifrar os códigos sutis que nos darão acesso ao nosso otimismo e esperança latentes; que precisamos buscar alternativas – éticas – quando as vias diretas estiverem inacessíveis, ou seja, o “Plano B”; e em que precisamos trabalhar para que a justiça seja, de fato, aplicada, implacável e certeira; e claro, ficarmos vigilantes quanto a essa “justiça”, ou ela naufragará, será afogada por aqueles mesmos que prometeram defende-la e resgatá-la dos mares tempestuosos da corrupção.

E para meditar nessa Lua Nova, cheia de incertezas, dexo-vos com este poema de Rainer Maria Rilke, que já mencionei acima:

Tenha paciência com o não-resolvido, ame as perguntas!

“Se procurar amparo na Natureza,

no que é nela tão simples e pequeno que quase não se vê,

mas que inesperadamente pode tornar-se grande e incomensurável;

se alimentar esse amor pelo mais ínfimo e, se tentar,

humilde como um criado,

ganhar a confiança do que parece pobre,

tudo será para si mais fácil,

mais coeso e de algum modo mais conciliador,

talvez não no intelecto,

que recua atônito,

mas no mais íntimo da sua consciência,

do seu conhecimento e atenção.

Você é tão jovem ainda,

está diante de todos os inícios,

e por isso gostaria de lhe pedir, caro Senhor,

que tenha paciência quanto a tudo o que está ainda por resolver no seu coração

e que tente amar as próprias perguntas

como se fossem salas fechadas

ou livros escritos numa língua muito diferente das que conhecemos.

Não procure agora respostas que não lhe podem ser dadas porque ainda não as pode viver.

E tudo tem de ser vivido. Viva agora as perguntas.

Aos poucos, sem o notar,

talvez dê por si um dia,

num futuro distante,

a viver dentro da resposta.

Talvez traga em si a possibilidade de criar e de dar forma

e talvez venha a senti-la como uma forma de vida particularmente pura e bem-aventurada;

é esse o rumo que deverá tomar a sua educação;

mas aceite o que está por vir com grande confiança,

e se ele surgir apenas da sua vontade,

de uma qualquer necessidade interior,

deixe-o entrar dentro de si e não odeie nada.”

Rainer Maria Rilke, “Cartas a um Jovem Poeta”

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Um ótimo ciclo para você! Que nosso fogo seja consistente o bastante para fazer borbulhar nosso anseio de justiça! E que possamos viver nossas dúvidas e perguntas, sem ansiedade e sem deixar de viver, verdadeiramente!

Mihai Christie - Reprodução
Mihai Christie – Reprodução