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A Semana Astrológica – Coração Sangrando

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Semana de 03 a 09 de abril

Semana de crescer e investir no que foi semeado na Lua Nova, nos projetos do ciclo e do ano – essa plantação não vai crescer sozinha, sem cuidados! Mas começa também um período de revisões importantes.

Esta é outra semana que começa “fervente”, mas que vai ficando melindrosa e delicada conforme os dias vão se desdobrando. A fervura se dá devido aos contatos feitos pelo Sol Ariano, primeiro na oposição a Júpiter, depois quadratura a Plutão e ainda fecha a semana conjunto a Urano, conjunção exata na semana que vem, já a suscetibilidade vem da quadratura que Vênus retrógrada fará a Saturno e da conjunção a Quíron.

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O Sol faz esses aspectos tensos a esses planetas quatro vezes ao ano, de ângulos diferentes. Às vezes se alia a Urano, como agora, em janeiro se aliou a Plutão, em outubro se uniu a Júpiter… tudo isso simbolizando a necessidade constante de nos reinventarmos, de mantermos em cheque nossa insatisfação com nossa vida em geral, mas principalmente conosco mesmos. Também questiona a quantas anda nossa integridade e nosso comprometimento com a verdade. Se não estamos cientes dessas questões, experimentamos tais movimentos/aspectos como tensões provenientes do mundo exterior, que desestruturam e desestabilizam nossas vidas arrumadinhas. Mundanamente, representa as ebulições sociais e coletivas, que repercutem na vida de cada um, individualmente. Portanto, esta é uma semana que traz algumas convulsões e ebulições, individuais e sociais. Como se não bastasse, Marte, regente do Sol, também faz contatos com dois desses planetas: faz quincúncio a Júpiter indicando uma oscilação no nosso entusiasmo, no otimismo e a tendência de nos alternarmos entre um ceticismo inflexível e arroubos pouco práticos. O que nos cabe é achar o caminho do meio e tentar conciliar esses dois extremos: temperar nossa ação e afirmação com uma motivação que nos eleve e que equilibre toda essa busca pela estabilidade. Nem só de bom senso é feita a ação correta. Excesso de bom senso mata a criatividade. Já o aspecto a Plutão sugere um aumento de força, determinação e adiciona longevidade à nossa energia, de modo que o esforço fica mais concentrado e efetivo. O que precisamos mesmo é dosar e equilibrar entusiasmo com bom senso.

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O bom senso, aliás, entra em revisão, junto com o que entendemos por estabilidade e segurança. Mercúrio estaciona no sábado para entrar em retrogradação no domingo, a 04°50’ de Touro e só volta ao movimento direto no dia três de maio. Se, com Mercúrio retrógrado, as coisas tendem a ficar mais lentas, sendo essa retrogradação em Touro, tudo paralisa e estaciona… tudo se delibera e pode haver maior hesitação na tomada de decisões. Pode haver também tendência a extremos: rasgos de extrema inflexibilidade alternados com momentos de caos completo – a resistência à mudança fica acentuada, mas pode piorar tudo – o ideal é soltarmos, porque afinal, não controlamos nada mesmo, por mais que queiramos acreditar que sim. Ao ficar retrógrado em Touro Mercúrio propõe uma revisão na forma como pensamos a estabilidade e a segurança material; como nossos conceitos acerca de habilidades, talentos, afetam nosso senso de valor; sugere uma reavaliação na forma como a mente se relaciona com o corpo e todos os seus sentidos. É hora também de revisar aquelas ideias rígidas, inflexíveis sobre como o mundo deve funcionar ou sobre o que é ou não verdade, sobre o que é ou não real… Ver para crer? Convenhamos, é uma forma limitada de pensar a vida, afinal, você não vê seus próprios pensamentos e eles existem, certo? Mercúrio retrogradará até Áries e aqui a conversa é outra: rever e revisar a forma egocêntrica de nos comunicarmos, a grosseria disfarçada de honestidade e atitude, os planejamentos relapsos – ou mesmo falta completa de planejamento – mascarados de agilidade ou criatividade. Em termos práticos, quando Mercúrio está retrógrado há tendência a mudanças de planos sem aviso prévio, a atrasos e imprevistos nas locomoções e sugere-se evitar assinaturas de contratos e acordos, compra/venda de valor expressivo, cirurgias. Por outro lado, é um ótimo período para se revisar escritos, estudos, projetos, planejamentos, e tudo que o que se tenha executado/realizado nos últimos três meses.

Retrogradação – quero incluir uma nota geral sobre o movimento retrógrado. A despeito das previsões tenebrosas acerca da retrogradação, este período representa uma pausa necessária para todos, planetas, pessoas e assuntos envolvidos. Imagine, por exemplo, que você está escrevendo um artigo ou uma tese/monografia ou mesmo um simples e-mail. Antes de dar a tarefa por terminada e enviar/entregar ao destino final, você vai parar e fazer uma revisão das ideias apresentadas no documento, da ortografia, das regras ABNT, e às vezes, até da necessidade em si de estar fazendo tal coisa, certo? Ninguém é maluco de enviar sem fazer essa revisão – ou se é, já deve ter se metido em várias enrascadas como consequência. Outro exemplo simples: todos nós precisamos de férias periódicas e anualmente tiramos um tempo – ou pelo menos deveríamos – para descansar mais efetivamente, para relaxar e mudar de ares. Entramos em standby. Outro exemplo tão simples quanto: o carro, veículos e máquinas em geral precisam de revisões periódicas para fazer regulagens, trocas de peças, ajustes, etc. Então, podemos ver a retrogradação dessa forma: um período em que os assuntos regidos por aquele planeta entram em standby porque precisam ser revisados, checados, reavaliados, regulados. Portanto, não vamos ver a retrogradação como uma catástrofe ou um desastre terrível do qual não podemos fugir. Não. Podemos até experimentar dificuldades, quando insistimos em manter tudo como estava, como se tudo seguisse o curso normal, quando na verdade, estamos em marcha à ré, mas se formos flexíveis e estivermos abertos ao que a vida nos traz, podemos nos deparar com boas oportunidades e entender melhor como nós mesmos funcionamos. Portanto, retrogradação é oportunidade e não desastre. Vamos nos alinhar com a energia e fazer o que a retrogradação daquele planeta propõe. Certo?

The Heartache – Christian Schloe – Reprodução

Vênus continua retrógrada ainda por duas semanas e regressou a Peixes neste domingo, dia dois, de onde fará quadratura a Saturno e conjunção a Quíron – a conjunção a Quíron não ficará exata, mas ainda assim será potente, visto que Vênus estaciona nessa conjunção, de menos de um grau, no dia 14. Portanto, pelas próximas quatro semanas as relações ficam na berlinda triplamente: pelo fato de Vênus continuar retrógrada – e mesmo depois do dia 15 ainda estará na zona de retrogradação – pela quadratura a Saturno e pela conjunção a Quíron, o que significa um mês bem doído em que rancores e rejeições do passado podem voltar para nos assombrar e podem mesmo atrapalhar relações atuais, caso não saibamos separar as “estações” e as feridas e cicatrizes. Vênus-Saturno traz à tona questões de confiança ou quebra de, incertezas e dúvidas sobre se podemos nos abrir e nos entregar realmente nas relações, se seremos desapontados ou rejeitados – e aqui precisamos reconhecer quando nossas expectativas são altas demais. Como diz Adriana Vasconcelos, “felicidade é quando a gente sente que pode se ‘desarmar’ e confiar nas pessoas sem medo de ser ferida” – essa felicidade, nesse momento, parece fora do nosso alcance, porque simplesmente não conseguimos nos desarmar. Positivamente, podemos ter vislumbres das repetições de padrões na vida afetiva e podemos, para variar, nos responsabilizar pelos altos e baixos e estragos que acontecem conosco, ao invés de simplesmente reclamar de “dedo-podre” atribuindo à/ao fulana/o a culpa por dores, coração partido, rejeições, mágoas e o que quer que seja que nos impede de ser/estar felizes conosco mesmos e com nossos pares. Bancar a vítima é muito démodé e não nos levará a nenhum progresso. É mais salubre olhar para si mesmo e para as próprias inseguranças e se perguntar por quê continuamos a nos envolver com o mesmo tipo de pessoa, travestida em corpos/cores/roupagens diferentes. O que há em comum nessa repetição do padrão? O que é que sempre se repete: nossa presença no enredo, o que significa que o problema somos nós, até porque, como já sabemos só conseguimos mudar a nós e não ao outro. Por que insistimos em nos enganchar nos desvalidos da vida? Por que essa vocação para “salvar” alguém, ainda mais quem não quer e não pediu para ser salvo? Por que nos colocamos na situação exata que temíamos, ou seja, de rejeição e abandono? Porque talvez tenhamos aprendido, lá na infância um modelo deturpado de amor, mas esse modelo pode ser desconstruído e em seu lugar podemos elaborar um modelo mais saudável de amor, mas antes é preciso sermos honestos quanto à nossa responsabilidade em tudo isso e não bancar os coitadinhos ingênuos.

John Holcroft – Reprodução

Essa quadratura que Saturno recebe de Vênus é ainda mais melindrosa porque ambos os planetas estarão retrógrados, visto que Saturno também entra em retrogradação nesta semana, na quinta-feira, o que sugere que a revisão dos assuntos implicados é ainda mais necessária. Também é importante o fato de que tal quadratura ficará ativa por praticamente todo o mês de abril, porque Vênus vai estacionar em conjunção a Quíron e em quadratura a Saturno e depois empreenderá o longo caminho de volta, fazendo o mesmo aspecto três vezes – ou seja, o mês de abril está deveras melindroso para os relacionamentos e também para a autoestima e para os investimentos financeiros. Mas é um bom momento para desmanchar, desfazer padrões, romper com modelos antigos de viver as relações, mesmo os mais destrutivos – porque não conseguimos superar nossas carências, os padrões aprendidos na infância ou juventude, a tendência a equalizar relacionamento com sofrimento. O período pode ser bastante doloroso, mas também rico em insights, entendimento sobre nossos processos íntimos, sobre como construímos nossa autoestima – ou falta de – e o impacto que isso tem nas nossas parcerias. Sendo Vênus um planeta feminino, este movimento sugere repensar como o feminino se define e é definido na nossa sociedade e sugere a fragilidade desse feminino, a dureza com que ele se depara no mundo.

Catrin Welz-Stein – Reprodução

A Lua inaugura a semana entrando na fase do Quarto Crescente, já na segunda-feira, empoderada em Câncer. Assume brilho fulgurante em Leão e entra na fase Corcunda em Virgem, na sexta-feira. Fecha a semana já em Libra, acentuando a parada de Mercúrio ao fazer aspecto a ele no domingo. Na sua caminhada celeste ela faz vários aspectos, harmoniosos ou tensos a todos os demais corpos celestes, simbolizando as alterações diárias dos humores, das emoções, dos interesses no mundo. A Lua será Cheia na terça-feira, dia 11, às 03h07min, a 21°32’ de Libra, em conjunção a Júpiter, oposição ao Sol, Urano e Eris e quadratura a Plutão – uma Lua Cheia realmente crítica e explosiva!

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SEGUNDA-FEIRA, 03 de abril

A Lua está em Câncer e faz trígono a Netuno em Peixes e mais tarde faz quadratura ao Sol Ariano, entrando na fase do Quarto Crescente. A Lua ainda faz quadratura a Júpiter e se opõe a Plutão (aspecto exato amanhã) e, devido à quadratura ao Sol, forma uma Grande Cruz Cardinal. A única ajuda vem do sextil a Marte em Touro. A segunda-feira começa com a corda toda, trazendo oportunidades disfarçadas de desafios e obstáculos. Queremos cuidar e nutrir nossos projetos, mas receamos fazê-lo de forma direta, porque não queremos despertar curiosidade ou mesmo competição quanto àquilo que estamos planejando e construindo. Mas, a despeito de nossa independência e autonomia, diretividade e honestidade, precisamos também agregar sensibilidade e colocar nossos sentimentos a serviço de tais projetos. Mesmo com toda a nossa coragem e vigor, ainda precisamos nos lembrar de nossas origens, precisamos levar em conta tudo o que nos nutriu até aqui, sejam pessoas ou recursos – sim, precisamos honrar nossos sentimentos e nosso passado, se for para ver nossos projetos prosperarem e frutificaram lá na frente e lembrar de agradecer, sempre. Assim, o dia ganha um tom apaixonado e arrebatado, que nos impele de forma entusiasmada ao trabalho, a fazer os ajustes necessários no que quer que estejamos envolvidos e que requeira regulagem. Como uma máquina impulsionada a todo vapor, ganhamos ímpeto e ânimo, porque já conseguimos vislumbrar os resultados que queremos alcançar. Sabemos que para conseguir tais resultados, teremos que nos empenhar muito agora, mas não nos fazemos de rogados e nos atiramos ás tarefas com gosto e paixão – o único problema é que talvez toda essa paixão e vigor batam de frente com a paixão do outro, que parece estar estar indo na direção contrária, o que pode significar atritos e faíscas. À noite esse clima fica mais fumegante e talvez precisemos lidar com conflitos também dentro de casa, com familiares ou pessoas próximas, que nos cobram uma atenção que talvez tenhamos suprimido porque estávamos ocupados com outras coisas com nossos objetivos individuais. Em lugar de dar desculpas fáceis ou sair pela tangente, é melhor encarar o conflito de vez e ser honestos sobre as próprias prioridades e tudo o que está em jogo. Recorrer a chantagens e à clássica “faço isso por vocês” pode ser um escape fácil, mas traiçoeiro, porque talvez não seja completamente honesto e assim, é possível que nos “entreguemos” num momento de descuido, o que fará o outro se sentir traído e manipulado. Visto que os dias estão melindrosos e as sensibilidades afloradas, o ideal é acalmarmos as emoções tempestuosas e tentarmos chegar a um consenso, ao invés de simplesmente revidar de forma rasteira. Colocar-se no lugar do outro ajuda a sair da nossa perspectiva afunilada, a enxergar o conflito de outro ângulo, facilitando uma conciliação. O ideal é ter clareza da diferença entre o que queremos e o que precisamos – isso faz toda a diferença!

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TERÇA-FEIRA, 04 de abril – Marte está em quincúncio exato a Júpiter na virada para quarta-feira. De Câncer a Lua completa a oposição a Plutão em Capricórnio, quadratura a Urano em Áries, trígono a Quíron, quincúncio a Saturno e trígono também a Vênus retrógrada, aspecto depois do qual fica fora de curso, às 17h47min. Ingressa em Leão às 19h14min e fecha a noite em quadratura Mercúrio em Touro. A madrugada está tempestuosa e finda numa manhã tensa e elétrica, em que acordamos cheios de gás, mas também irritadiços, dando choques a torto e a direito, de modo que o dia fica carregado de instabilidade, nervosismo e oscilações de humor, inconstância na liberação da energia e flutuação no entusiasmo. Sentimos uma grande pressão, interna e externa, para “dar conta” de todas as tarefas e, embora tenhamos nosso próprio investimento na dinâmica do dia, também nos ressentimos com tantas cobranças e pressões, o que pode nos deixar meio azedos ou amargos. À tarde o mau humor pode virar melancolia e abatimento, porque nos sentimos mais vulneráveis, sensíveis, como se fôssemos nos desmanchar a qualquer momento. Além de nossas próprias inseguranças, captamos as vibrações de infortúnios alheios, e talvez isso nos faça sentir impotentes. Contudo, também podemos nos sintonizar com vibrações mais elevadas, porque elas também estão disponíveis: ternura, gentileza, bondade, compaixão e mesmo as percepções de dor podem ser utilizadas para colocar as coisas em perspectiva: primeiro, sabemos que nossos problemas, embora importantes para nós, não são os únicos nem os piores do mundo; segundo, ao nos voltarmos para os outros, de bom coração, podemos melhorar a atmosfera para todos, inclusive para nós mesmos. Como diz Jung, “do mesmo modo que aquele que fere o outro fere a si próprio, aquele que cura o outro, cura a si mesmo” e, por que não dizer, aquele que cuida, protege, nutre, afaga, se compadece… Quando estamos afundados e afogados nos nossos próprios problemas, sejam eles pequenos ou grandes, sempre pode ajudar olhar para o outro e ver que estamos todos no mesmo barco, com dores diferentes, mas ainda assim, todos têm suas dores e o melhor que fazemos é nos apoiar mutuamente, ao invés de nos desgastarmos nos dramas excessivos ou crises desnecessárias. E, se for para reagir, reaja com amor!

Catrin Welz-Stein – reprodução

QUARTA-FEIRA, 05 de abril – Saturno estaciona às 02h06min em Sagitário. Marte segue em quincúncio exato a Júpiter ainda na primeira hora do dia. A Lua plenifica a quadratura a Mercúrio e faz quincúncio a Netuno. Mais tarde faz sesqui-quadraturas a Quíron e Vênus em Peixes e a Saturno em Sagitário, virando foco de um Martelo. Fecha a noite em trígono ao Sol. Marte está em trígono quase exato a Plutão, que também recebe a quadratura próxima do Sol. A madrugada traz incongruências entre corpo e mente, que podem se traduzir em inquietude ou pensamentos obsessivos, atrapalhando o sono. Como resultado, a manhã começa um pouco atrapalhada, com imprevistos perturbando o andamento natural das coisas, incertezas inconscientes pinçando nervos expostos das nossas inadequações, que hoje parecem dar pistas de suas origens. Ao mesmo tempo que pode haver momentos desconcertantes conosco mesmos, podemos também ter aqueles momentos mágicos de “A-há! – então é isso!”, que nos clarificam muitas questões inconscientes, levando talvez a uma maior integração desses traços sombrios de nós mesmos. Contudo, ainda há grande reatividade no ar, especialmente à noite, quando o humor volta a ficar carregado e as reações, cortantes. Por isso, precisamos manter em cheque as emoções desencontradas e conflitantes, para que gerem energia de iluminação e não de conflito no mundo exterior, porque ainda que precisemos nos posicionar firmemente sobre algo, ainda podemos fazê-lo de forma amistosa e, de novo, se for para reagir, reaja com amor!

Katie Grinnan – Reprodução

QUINTA-FEIRA, 06 de abril – Marte está em trígono partil a Plutão. A Lua faz trígono ao Sol, sextil a Júpiter, quincúncio a Plutão, quadratura a Marte e trígono a Urano e a Saturno, formando um Grande Trígono de Fogo. Fica vazia depois do trígono a Saturno, às 21h17min. Saturno entra em movimento retrógrado às 02h06min. O Sol está muito próximo da oposição a Júpiter. Estamos um tanto irritados pela manhã e, embora ao longo do dia o humor melhore, estamos cientes de que há questões importantes a serem endereçadas e tratadas, questões que estão aflorando à superfície da consciência e que certamente nos obrigarão a novas mudanças em nossas posturas, códigos morais e atitudes concretas. A despeito de nos darmos conta do desconforto, porém, também estamos dispostos a fazer o que for necessário para confrontar tais questões e a ir fundo nessa auto-investigação. Isso porque, embora haja o desconforto, também há a percepção da possibilidade de melhorias, de conseguirmos superar bloqueios e entraves, se formos honestos o bastante conosco mesmos e se estivermos dispostos a abrir mão da rigidez e dos nossos pré-conceitos. Saturno entra em retrogradação e nos convida a fazer uma revisão do trabalho que empreendemos nos últimos meses – desde agosto/16 – no sentido de nos definirmos como indivíduos e de nos realizarmos concretamente no mundo tangível.

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SEXTA-FEIRA, 07 de abril – O Sol está em oposição exata a Júpiter e muito próximo da quadratura a Plutão. A Lua abre o dia vazia em Leão, mas ingressa em Virgem à 01h20min, de onde se harmoniza com Mercúrio em Touro. A Lua também faz sesqui-quadraturas ao Sol (entra na fase Corcunda) e a Plutão, virando foco de um Martelo e ainda segue a fazer outra sesqui-quadratura a Urano e fecha a noite em oposição a Netuno. Vênus está em quadratura a Saturno, aspecto quase exato. Na superfície, estamos hoje entusiasmados e animados, com a confiança e otimismo de que nada pode dar errado, exceto que, sim, muita coisa pode sair errado, especialmente se ignorarmos detalhes importantes e nos inflarmos de nossa própria importância, achando que somente nossos desejos – extremamente imediatistas – são justos e apropriados. Temos, de fato, muita força e recursos em nossas mãos, com os quais podemos transformar muitas coisas, mas se não começarmos por dentro, por nós mesmos, pouco adianta e nada conseguiremos mudar no entorno, muito menos nos outros, especialmente se tentarmos impor nossas visões e nossa vontade a quem quer que seja. É preciso vigiar a tendência aos exageros, à inflação do ego, às bravatas. Também há uma sensação de cisão interna, em que conscientemente temos essa autoconfiança, até desmesurada, mas, subjacente à superfície, há dúvidas e ansiedades que podem se manifestar de duas formas: ou colocam um freio e equilibram os excessos; ou os alimentam porque a insegurança pode nos tornar ainda mais afoitos e aflitos por auto-compensação e por provar que tudo está bem, quando talvez não esteja – mecanismo de camuflagem. De uma forma ou de outra, ficamos tensos e nos expressamos de forma desajeitada, como a esperar o momento que nossa máscara bonachona cairá e revelará nosso lado desgracioso, desastrado e inepto.

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SÁBADO, 08 de abril – O Sol está em quadratura plena a Plutão e Vênus em quadratura a Saturno, aspecto também pleno. Por seu turno, a Lua se opõe a Netuno, faz quincúncio ao Sol e trígono a Plutão e a Marte, formando um Grande Trígono de Terra. Fecha a noite em oposição a Quíron. Mercúrio estaciona às 20h15min, para entrar em retrogradação amanhã. Nossa individualidade e objetivos conscientes hoje se deparam com forças potentes que, a princípio, parecem se opor a nós e a nossos quereres. Na verdade, passamos por mais uma prova, que vem testar o quanto conhecemos a nós mesmos e às nossas facetas secretas e sombrias, que hoje podem se revelar um pouco mais através dos conflitos com os poderes que parecem contrários àquilo que somos e buscamos, assim como através de inseguranças que afloram à superfície da consciência. Se nos identificamos apenas o lado mais luminoso e grandiloquente, o entusiasmo e a generosidade dos grandes espíritos, podemos nos enganchar em dificuldades com figuras “tenebrosas” que se interpõem em nosso caminho e nos obrigam a lidar com nossa própria escuridão, desejos de poder e controle, emoções virulentas e abissais, que talvez mascarem o medo profundo de rejeição e abandono. Contudo, para que já está mais acostumado aos confrontos com essas forças, o dia se apresenta como mais uma oportunidade de integrarmos esses traços ditos menos nobres e enriquecermos nossa experiência e maturidade – o regente do sol, que quadra Plutão, é Marte, que faz um aspecto harmonioso ao mesmo Plutão, possibilitando um diálogo promissor e uma ponte entre o Sol e Plutão, de modo que o confronto talvez não precise ser negativo. De qualquer forma, por mais oportunidades que possa trazer, é fato que o dia está pesado, carregado de conteúdos tóxicos, inseguranças, vulnerabilidade, desconfiança, dúvidas e medos. É necessário uma parada básica para olharmos os nossos melindres, as dúvidas e incertezas que são nossos, a despeito de acharmos que nascem das interações com outros – não, as interações com outros apenas trazem à tona algo que já existe em nós. Recomenda-se cautela em todas as interações, especialmente aquelas com pessoas mais próximas e nas relações afetivas, visto que estamos todos muito defensivos, vulneráveis e quebradiços, podendo tanto ofender quanto nos sentir ofendidos inadvertidamente. Por outro lado, a Lua oferece uma boa contenção e sustentação emocional e se conseguimos conter nossos ímpetos mais selvagens e as reações mais primitivas e defensivas, também revigoramos nossa força interior, que nos capacita a olhar para tudo sem medrar, aceitando e transmutando tais poderes sombrios em recursos de conscientização e crescimento. De qualquer forma, tirar um tempo para si, para refletir sobre os afetos – ou desafetos – pode ser uma boa pedida. Talvez seja bastante inteligente refletir bastante nesses dias mais carregados, antes de tomar decisões difíceis ou mesmo antes de enfrentar situações  mais delicadas.

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DOMINGO, 09 de abril – A Lua Virginiana se opõe a Quíron e a Vênus em Peixes e também quadra Saturno, ficando fora de curso logo depois, às 05h23min. Ingressa em Libra às 09h35min e logo se desentende com Mercúrio e, de forma diferente, também com Marte. Mercúrio entra em retrogradação às 20h15min. Vênus fecha a semana em conjunção a Quíron e o Sol segue se separando da quadratura a Plutão, enquanto ruma para a conjunção a Urano. O domingo está deveras penoso e complicado. Feridas expostas, exigindo limpeza e purgação, doem excruciantemente e parecem não dar trégua para nosso coração combalido. Mas, embora estejamos ultra suscetíveis e espinhosos, defensivos e sorumbáticos, há grande oportunidade de cura, de perdão, de serenar e sanar tais feridas pela percepção de que não precisamos ser vítimas de nada nem de ninguém, muito menos de nós mesmos. A questão principal aqui tem a ver com confiança, tanto a confiança em nós mesmos e no nosso valor, quanto a confiança na integridade e no amor do outro. E se estamos muito inseguros, a tendência é nos precavermos por mecanismos de controle, tentando controlar o outro ou às circunstâncias, algo que pode tornar tudo mais difícil e até precipitar a crise que estava ameaçando eclodir. É fundamental não resvalar em pensamentos sombrios de menos-valia, nem se colocar para baixo, vigiando pensamentos negativos que só piorarão o humor e tudo o mais. Fazer um balanço maduro da situação, tendo serenidade e empatia para consigo mesmo, assim como para com o outro, que provavelmente está tão sensível e vulnerável quanto nós. Encarar a realidade da situação e por mais difícil e dolorosa que ela seja, não sucumbir diante dela – se há despedidas para acontecer, se há lutos para se sofrer, se algo morreu realmente e não tem recuperação, o luto é necessário, mas ainda pode ser vivenciado com dignidade e não precisamos depauperar nosso amor próprio ainda mais. Com o tempo e a compaixão, tanto nossa quanto de amigos e aqueles que nos querem bem, sempre podemos nos lembrar de quem somos, sempre podemos nos lembrar da nossa luz a brilhar fulgurante, apesar dos momentos difíceis pelos quais estejamos passando. E o amor, o amor sempre estará lá, dentro de nós, só precisamos nos lembra de onde o guardamos.

Uma ótima e serena semana para você! Que traga paz e luz!

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The Heartache – Christian Schloe – Reprodução

Vênus Retrógrado – A Síndrome do Patinho Feio

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O Nascimento de Vênus – Boticelli – Reprodução

Qual o significado dos planetas retrógrados em trânsito e no mapa natal? Neste artigo vamos falar da retrogradação de Vênus e o que isso simboliza na psicologia do indivíduo, além das mitologias associadas a este período e seus efeitos quando em trânsito.

Princípios Básicos da Retrogradação

Antes de falarmos do ciclo de Vênus, alguns princípios básicos precisam ser levados em conta quando se fala de planetas retrógrados:

a)      os Luminares Sol e Lua nunca ficam retrógrados;

b)      o movimento de retrogradação é uma ilusão de ótica que nos faz perceber o planeta deslocando-se para trás e isso acontece devido ao relacionamento do planeta em questão com o Sol, e devido às diferentes velocidades de rotação da Terra e dos demais planetas, assim, para os planetas interiores, Mercúrio e Vênus, a retrogradação ocorre em períodos próximos à conjunção inferior com o Sol, enquanto que no caso dos planetas exteriores (posicionados depois da Terra no sistema solar), a partir de Marte, o ciclo retrógrado está diretamente relacionado à oposição ao Sol;

c)       os planetas exteriores Urano, Netuno e Plutão, devido à lentidão de seu movimento e à distância do Sol, passam boa parte do tempo em movimento retrógrado e seu impacto no mapa natal é menos perceptível, a não ser que estejam próximos do ponto estacionário, quando adquirem ênfase especial, pois além de ter sua ação e significado realçados, provavelmente mudarão de direção nas progressões secundárias. Com Júpiter e Saturno não é muito diferente – aliás, de Júpiter em diante a retrogradação tem impacto mais definido em Astrologia Mundial e em Astrologia Horária e Eletiva;

d)      assim, os planetas cujo ciclo de retrogradação é mais perceptível em Astrologia Natal são Marte, Vênus e Mercúrio e considerando-se que Mercúrio fica 20% do tempo retrógrado (três vezes ao ano, em períodos de aproximadamente três semanas), isso não chega a ser tão traumático, com exceção de situações específicas em áreas regidas pelo planeta – o impacto também é menor porque certamente Mercúrio mudará de direção nas Progressões Secundárias. De forma que, em Astrologia Natal, os planetas cuja ação é alterada de forma significativa quando retrógrados são Vênus e Marte, dois planetas relacionados ao simbolismo do masculino e feminino. Vênus fica retrógrado cerca de 40 a 45 dias a cada 18 meses e Marte parece mover-se para trás de 60 a 80 dias, a cada 2,13 anos – Leia sobre Marte Retrógrado.

Vênus Retrógrado

Vários impactos são possíveis quando Vênus está retrógrada mas antes vamos entender o ciclo de retrogradação de Vênus e sua mitologia. RETROGRADAÇÃO é um movimento em que, do ponto de vista da Terra, o planeta parece se mover para trás. Na verdade, o planeta em questão não se move para trás, isso é uma ilusão de ótica causada pela posição do planeta em relação ao Sol. Cada planeta tem um ciclo de retrogradação diferente, que depende de sua distância do Sol. Como é um fenômeno que se dá diretamente por causa da relação dos planetas com o Sol, seus efeitos implicam questões que o ego precisa trabalhar no longo caminho em direção à inteireza e completude. No caso de Vênus essas questões têm a ver com amor, relacionamentos, sexualidade, valores, auto-estima, prazer,  beleza, arte, senso estético, gostos, dinheiro, gerenciamento dos recursos etc…

Gostaria de ressaltar que este texto é baseado principalmente no livro Retrograde Planets, de Erin Sullivan(1), um dos melhores e mais completos textos já publicados sobre o assunto, e também nas minhas observações com clientes.

Mitologia

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Urânia e Calíope – Simon Vouet – Reprodução

Sullivan começa o capítulo relacionado a Vênus chamando a atenção para a dualidade de Vênus e lembra o mito em que Afrodite nasce de Zeus e Dione, como duas deusas: Afrodite Urania, celestial, inteligente, espiritual, filha do pai e Afrodite Pandemos, das pessoas comuns, preocupada com a sensualidade e com a sexualidade, a filha da mãe. Poderíamos relacionar Afrodite Pandemos com o terroso signo de Touro, pelas suas características instintuais, alinhadas com o corpo, a fisicalidade e os cinco sentidos; já Afrodite Urania rege Libra e seus ideais estéticos, civilidade e racionalidade. Ela menciona esse mito porque ele é extremamente relevante para os períodos de retrogradação deste planeta, especialmente para a Conjunção Inferior.

A Proporção Áurea

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O Pentagrama formado pelo ciclo de retrogradação de Vênus

Vênus tem grandes ciclos de 8 e 243/251 anos. O seu ciclo menor é de cerca de 18/19 meses, ou seja, a cada 18/19 meses ele desaparece no céu para aparecer somente por volta de 45 dias depois. O seu ciclo de retrogradação é um dos mais raros, tanto que apenas cerca de cinco por cento de mapas natais apresentam Vênus retrógrado. Durante oito anos o planeta fica retrógrado apenas cinco vezes, cada vez num signo diferente, até voltar ao signo inicial. Quando traçamos e unimos as linhas através destes signos, um desenho se forma: uma estrela de cinco pontas, um pentagrama. O número cinco e o pentagrama têm uma simbologia que é, em si mesma, extremamente rica e tão antiga quanto o surgimento dos primeiros números. O número cinco é relacionado com a Proporção de Ouro, o Número Áureo ou Número de Ouro, uma proporção muito usada na arte e arquitetura e que é relacionada à letra grega PHI. Este número é extraído da Seqüência de Fibonacci, uma sequência de números naturais, na qual os primeiros dois termos são 1 e 1, e cada termo subsequente corresponde à soma dos dois precedentes: 0,1,2,3,5,8,13,21… Representa crescimento constante, estando envolvida com a natureza do crescimento em espiral geométrica perfeita, uma espiral encontrada exaustivamente na Natureza, como por exemplo no padrão de crescimento das conchas marinhas.

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Reprodução de Google Imagens

O número cinco relaciona-se também com o número de dedos das mãos e pés humanos, simbolizando a capacidade de entendimento e a  subseqüente capacidade de criação e realização a partir desta compreensão. Os estudos esotéricos associam o número cinco com a inteireza do mundo material. Sullivan diz que o padrão criado pelo ciclo de retrogradação de Vênus forma a base da Proporção de Ouro e esse número de ouro é ativado durante os períodos em que o planeta estaciona, direto ou retrógrado, a intervalos de 72 graus, que é a divisão exata de 360 graus do círculo perfeito. Quando se traça esse ciclo em detalhes minuciosos, ele forma uma imagem ainda mais bela: uma mandala que é a imagem de uma flor de lótus. Só isso já nos deixa extasiados com a simbologia e numinosidade deste ciclo. Mas tem mais.

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Cinco Conjunções Inferiores repetidas formam um pentagrama
Domínio Público – Ficheiros do Google

O ciclo mágico de Vênus retrata sua dança cósmica com o Sol e a Terra. Vênus nunca fica mais do que 48 graus distante do Sol. Quando atinge 45-48 graus à frente do Sol está no ponto máximo de elongação Leste e aparece linda e fulgurante no Céu noturno, como Hésperos, a estrela Vespertina, filho de Eos, deusa da alvorada. Então ele diminui velocidade e o Sol parece chegar mais próximo, até que estaciona a não de mais que 30° à frente do Sol. Este é o ponto estacionário-retrógrado SRx e lentamente ele começa a mover-se para trás, ou assim nos parece, até que se encontra com o Sol, quando se dá a Conjunção Inferior ou Conjunção Baixa. Essa conjunção é chamada de “inferior” exatamente porque está na mesma longitude do Sol, entre este e a Terra.

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O ciclo de Vênus – Domínio Público – Ficheiros do Google

Diz-se então que toma lugar um Casamento Sagrado, uma conjunção alquímica, entre o Sol, Vênus e a Terra, completamente oculto de nossas vistas, pois, estando tão próximo do sol, o brilho de Vênus desaparece e ele torna-se invisível para nós. Erin Sullivan olha para as culturas Asteca e Maia para explicar o que ocorre aqui, porque segundo ela, de acordo com todas as evidências, essas culturas Mesoamericanas entendiam verdadeiramente a retrogradação de Vênus, tanto em movimento quanto em simbolismo.  Ela menciona os estudos de Bruce Scofield sobre os painéis de El Tajin (México) que começam com Vênus como a Estrela da Noite. Ele diz que na fase retrógrada Vênus “toma a forma de um homem e anda pela Terra”(2). Então ele (Vênus) encontra a deusa do amor Xochiquetzal e a faz quebrar suas promessas de pureza… A partir daí as noites de Vênus são regadas a música, dança, bebida e amor e ele se casa com a deusa. Dessa união surge um monstro e o jogo passa a ser no mundo inferior, jogo que Vênus perde e por causa disso ela/ele deve ser morta pelo Sol. Ele/Ela é de fato sacrificada pelo Sol, mas renasce depois como Estrela da Manhã, na forma feminina.

XOCHIQUETZAL

Xochiquetzal – Repodução de Google Imagens

Depois dessa união cósmica, certamente ela, Vênus, não será mais a mesma. Depois da Conjunção Inferior, o planeta vai ficando para trás do Sol, até que quando chega a aproximadamente 10 graus atrás do sol, alguns dias depois da conjunção, ele finalmente começa a aparecer no céu novamente, como a Estrela Dalva, a Estrela da manhã. Ao atingir cerca de 30 graus atrás do Sol, estaciona novamente e retorna ao movimento direto. Apesar do movimento direto, Vênus ainda está lento e após um mês ele atinge o ponto máximo de elongação ocidental ou Oeste, atrás do Sol cerca de 45 a 48 graus, neste ponto ele é associado a Eósforo (Fósforo), também filho da deusa da Alvorada e irmão de Héspero. Pouco mais de nove meses depois, metade do ciclo de 18-19 meses, ocorre a Conjunção Superior, chamada assim porque desta vez, é o Sol que fica no meio entre a Terra e Vênus.

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O “Dresden Codex” maia, que calcula as aparições de Vénus. Domínio Público – Ficheiros do Google

Vênus Retrógrado no Mapa Natal

A simbologia de todo este ciclo é muito rica e profunda. Vênus representa nossa capacidade e necessidade de socialização, de dar e receber afeto, nossos valores, auto-estima…  Assim, uma das características mais recorrentes quando o indivíduo tem Vênus retrógrado no mapa natal é a androginia psicológica. Isso é simbolizado pela a Conjunção Inferior, quando Vênus funde-se tanto com o Sol quanto com a Terra, incorporando as qualidades celestiais de Urania (Sol) e as qualidades terrosas e instintuais de Pandemos (Terra), qualidades femininas e masculinas; é simbolizado ainda no mito Mesoamericano, quando Vênus se torna masculino enquanto dança com a deusa Xochiquetzal.

Conjunção Inferior

Conjunção Inferior de 11 de janeiro de 2014, em Capricórnio

venus

Vênus – Reprodução de Google Imagens

Isso quer dizer que a pessoa tem um senso de completude e inteireza, sendo emocionalmente independente e livre, com um corpo de valores morais e estéticos muito próprios e completamente independentes dos valores sociais vigentes. Mas isso é algo que só vem com o tempo, porque até que a pessoa aceite e viva a partir desse código próprio e aceite a si mesma como diferente, ela passa por muita confusão e senso de inadequação e estranheza. Obviamente, sua relação com o corpo também é muito particular e Sullivan ressalta que essas pessoas “freqüentemente têm dificuldade de separar suas próprias necessidades daquilo que é esperado delas, então elas se retraem, seja numa negação ascética das necessidades corporais e demandas viscerais, seja nos aspectos sensuais da vida (…) As manifestações possíveis são inúmeras mas variam de relacionamentos múltiplos a praticamente celibato. A forma de expressar afeto é diferente dos modelos vigentes, e a pessoa tende a ser emocionalmente mais reservada”.

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A Flor de Lótus, padrão formado por sucessivos ciclos de retrogradação de Vênus – Reprodução de Google Imagens

Outro dom de Vênus retrógrada é a criatividade infinita, relacionada desta vez com a simbologia do número cinco e do Número Áureo. Nascer com Vênus retrógrada ou estacionário, diz Sullivan, “significa uma conexão poderosa com este Número de Ouro. A natureza introvertida e contemplativa desses indivíduos é altamente imaginativa e deve achar maneiras de externar o metafísico através do físico”.  Essas pessoas vivem normalmente à frente do seu tempo, ou num tempo diferente de sua época e seu senso estético pode ser totalmente avant-garde, lançando moda e ditando tendências, ou completamente incompreendido. De um  jeito ou de outro, eles precisam achar canais de expressão para toda essa imaginação e criatividade e assim, o mundo das artes está cheio deles.

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Reprodução de Google Imagens

Particularmente, relaciono Vênus retrógrado no mapa natal com o que chamo de a “Síndrome do Patinho Feio”. A pessoa normalmente se acha e se percebe muito diferente da família de origem, tendo dificuldade de abraçar seus valores e tradições. Sua relação com o corpo também pode ser complicada e a pessoa pode se achar feia ou sem atrativos, pode ser vítima de bulling na família e na escola por ser tão diferente e “estranha”. A pessoa pode também se sentir não amada, ou sentir que por algum motivo não é digna de amor. Assim como o patinho feio, ela pode sentir-se uma estranha no ninho e clientes já confirmaram em consulta que chegavam a suspeitar terem sido adotados, tal o nível de diferenciação dentro de suas famílias.

A sexualidade é outra questão que pode ser tabu no início da vida, quando o indivíduo ainda não consegue pensar por si mesmo e não consegue compreender a si próprio e às suas emoções e formas de sentir, tão diferentes do que é considerado “aceitável” no meio em que vive. E há ainda relatos de abusos sexuais, embora isso não seja regra. Contudo, como todos sabemos, a estória do patinho feio termina bem. O patinho não é um patinho, é um cisne, cujo ovo foi perdido pela mãe-cisne e adotado pela mãe-pata. Ao crescer torna-se um cisne belíssimo e vai em busca de sua própria “turma”. Gradativamente o indivíduo vai percebendo que apesar de se sentir “diferente” isso não necessariamente quer dizer “errado” e, se estiver no ambiente adequado, pode aprender a se aceitar como é, manifestando seus melhores potenciais. Se este ambiente não é tão favorável, mesmo assim, funciona como motivador e catalizador para que a pessoa parta numa busca ou saga de auto-entendimento fora dali. O caminho dessas pessoas nunca é fácil, mas certamente é muito rico e profundo, assim como a simbologia do ciclo Venusiano.

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Dimitar Voinov – Reprodução de Open Art Group

Vênus Retrógrado em Trânsito

Quando Vênus fica retrógrada em trânsito, “algo misterioso toma lugar, uma reformulação da ordem natural, um retorno a um lugar ideal onde tudo o que é manifesto pode parecer com uma replicação simplificada da perfeição cósmica”(3). Assim como o planeta desaparece de nossas vistas, recolhendo-se para um lugar desconhecido e misterioso, que nossa limitada percepção não consegue alcançar, assim também, de certa forma nos recolhemos. Nesse tempo de introspecção sutil – sim, porque precisamos continuar funcionando no mundo – ocorre uma reavaliação interna dos nossos valores; dos nossos relacionamentos e da reciprocidade existente ou não neles; de nossa auto-estima. Porém, como a retrogradação de Vênus é uma das mais inconscientes, é possível que nem percebamos o que ocorre, e então, nos pegamos rompendo relacionamentos amorosos ou de amizade, sentimo-nos isolados, diferentes. Como em tudo o que é cíclico, não há começo ou fim, apenas uma espiral evolucionária, em que a cada vez em que o ciclo é ativado, ele ressoa a partir de todos os outros, pois são inseparáveis e falam dos mesmos temas, seja no passado ou no futuro. É útil então olhar para os ciclos anteriores e recordar o que ocorria no período. Vale a pena refletir sobre o que era importante para você naquela época, quais eram seus valores, a quantas andava sua auto-estima, como estavam seus relacionamentos, como estavam suas finanças… Essas perguntas adquirem mais significado se você souber em que área do seu mapa natal esse trânsito ocorre e se a conjunção Inferior faz aspecto com algum planeta no mapa.

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Kairos – Francesco Salviati – Wikimedia – Reprodução

Em termos práticos, de modo geral, quando Vênus está retrógrada, é aconselhável um retiro estratégico, uma desaceleração da vida social para que as condições para as mudanças sutis que precisam ocorrer sejam favoráveis e para que nos sintonizemos com nosso mundo interior. Assim, ao invés de reclamar de solidão, dê-lhe boas vindas e faça aquelas atividades para as quais nunca tem tempo por causa do frenesi da vida diária; procure a Natureza e contemple-a em meditação passiva (parado) ou ativa (com movimento). Medite sobre a qualidade dos seus relacionamentos; reveja seus valores – eles continuam a refletir quem você é ou quem está se tornando? Reveja sua relação com o mundo e com seus recursos materiais; reveja sua relação com os assuntos da casa em que Vênus trafega atualmente (* veja relação básica abaixo). E reveja o que acontece com o signo em questão no seu mapa individual, se há planetas ou pontos importantes e como você se relaciona com estes arquétipos e princípios.

(*)Vênus retrógrada em trânsito leva a questionamentos nos assuntos da casa em que trafega. Veja os significados básicos das casas do mapa natal:

Casa 1 – O Eu, a forma como você vê a vida em geral, como é visto  pelas outras pessoas, sua identidade

Casa 2 – Valores, recursos materiais e imateriais, talentos, dinheiro, como você ganha e como gasta dinheiro

Casa 3 – Comunicação, educação, irmãos, ambiente imediato, viagens curtas

Casa 4 – Família, o clã, o Pai, o lar, a casa, o passado familiar, as origens

Casa 5 – Criatividade, auto-expressão, artes, recreação, lazer, romances, jogos, como você relaxa

Casa 6 – Trabalho cotidiano, emprego, serviço, corpo, saúde, rituais diários, animais de estimação

Casa 7 – O outro, relacionamentos, casamento, parcerias afetivas ou profissionais, litígios,

Casa 8 – Transformação, renascimento, sexualidade, o que se partilha na intimidade, os valores e o dinheiro dos outros

Casa 9 – Educação Superior, filosofia de vida, fé, religião, viagens longas, outras culturas

Casa 10 – Imagem Social, seu papel no mundo, vocação, carreira, a mãe.

Casa 11 – Amigos, networking, projetos de longo prazo, associações diversas.

Casa 12 – O inconsciente pessoal e coletivo, Carma, motivações escondidas, redenção

(Leia sobre Marte Retrógrado)

Referências bibliográficas

(1), (2), (3) – Retrograde Planets – Traversing the Inner Landscape – Erin sullivan – Samuel Weiser, 2000.

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Vênus Retrógrado – Síndrome do Patinho Feio

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O Nascimento de Vênus – Boticelli – Reprodução

O planeta Vênus está retrógrado em Capricórnio desde o dia 21 de dezembro de 2013. Estacionou a 28°57’ de Capricórnio no dia 20 e no dia 21 iniciou sua longa descida ao mundo inferior, onde ficará até o dia 31 de janeiro, alcançando o grau 13 do mesmo signo. (Para entender o que é retrogradação, veja os princípios básicos ao final do artigo)

E o que significa isso? Qual o impacto em nossa vida diária?

Vários impactos são possíveis quando Vênus está retrógrada mas antes vamos entender o ciclo de retrogradação de Vênus e sua mitologia. RETROGRADAÇÃO é um movimento em que, do ponto de vista da Terra, o planeta parece se mover para trás. Na verdade, o planeta em questão não se move para trás, isso é uma ilusão de ótica causada pela posição do planeta em relação ao Sol. Cada planeta tem um ciclo de retrogradação diferente, que depende de sua distância do Sol. Como é um fenômeno que se dá diretamente por causa da relação dos planetas com o Sol, seus efeitos implicam questões que o ego precisa trabalhar no longo caminho em direção à inteireza e completude. No caso de Vênus essas questões têm a ver com amor, relacionamentos, sexualidade, valores, auto-estima, prazer,  beleza, arte, senso estético, gostos…

Gostaria de ressaltar que este texto é baseado principalmente no livro Retrograde Planets, de Erin Sullivan(1), um dos melhores e mais completos textos já publicados sobre o assunto, e também nas minhas observações com clientes.

Mitologia

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Urânia e Calíope – Simon Vouet – Reprodução

Sullivan começa o capítulo relacionado a Vênus chamando a atenção para a dualidade de Vênus, e lembra o mito em que Afrodite nasce de Zeus e Dione, como duas deusas: Afrodite Urania, celestial, inteligente, espiritual, filha do pai e Afrodite Pandemos, das pessoas comuns, preocupada com a sensualidade e com a sexualidade, a filha da mãe. Poderíamos relacionar Afrodite Pandemos com o terroso signo de Touro, pelas suas características instintuais, alinhadas com o corpo, a fisicalidade, e os cinco sentidos; já Afrodite Urania rege Libra e seus ideais estéticos, civilidade e racionalidade. Ela menciona esse mito porque ele é extremamente relevante para os períodos de retrogradação deste planeta, especialmente para a Conjunção Inferior.

A Proporção Áurea

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O Pentagrama formado pelo ciclo de retrogradação de Vênus

Vênus tem grandes ciclos de 8 e 243/251 anos. O seu ciclo menor é de cerca de 18/19 meses, ou seja, a cada 18/19 meses ele desaparece no céu para aparecer somente por volta de 45 dias depois. O seu ciclo de retrogradação é um dos mais raros, tanto que apenas cerca de cinco por cento de mapas natais apresentam Vênus retrógrado. Durante oito anos o planeta fica retrógrado apenas cinco vezes, cada vez num signo diferente, até voltar ao signo inicial. Quando traçamos e unimos as linhas através destes signos, um desenho se forma: uma estrela de cinco pontas, um pentagrama. O número cinco e o pentagrama têm uma simbologia que é, em si mesma, extremamente rica e tão antiga quanto o surgimento dos primeiros números. O número cinco é relacionado com a Proporção de Ouro, Número Áureo ou Número de Ouro, uma proporção muito usada na arte e arquitetura e que é relacionada à letra grega PHI. Este número é extraído da Seqüência de Fibonacci, uma sequência de números naturais, na qual os primeiros dois termos são 1 e 1, e cada termo subsequente corresponde à soma dos dois precedentes: 0,1,2,3,5,8,13,21… Representa crescimento constante, estando envolvido com a natureza do crescimento em espiral geométrica perfeita, uma espiral encontrada exaustivamente na Natureza, como por exemplo no padrão de crescimento das conchas marinhas.

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Reprodução de Google Imagens

O número cinco relaciona-se também com o número de dedos das mãos e pés humanos, simbolizando a capacidade de entendimento e a  subseqüente capacidade de criação e realização a partir desta compreensão. Os estudos esotéricos associam o número cinco com a inteireza do mundo material. Sullivan diz que o padrão criado pelo ciclo de retrogradação de Vênus forma a base da Proporção de Ouro e esse número de ouro é ativado durante os períodos em que o planeta estaciona, direto ou retrógrado, a intervalos de 72 graus, que é a divisão exata de 360 graus do círculo perfeito. Quando se traça esse ciclo em detalhes minuciosos, ele forma uma imagem ainda mais bela: uma mandala que é a imagem de uma flor de lótus. Só isso já nos deixa extasiados com a simbologia e numinosidade deste ciclo. Mas ainda tem mais.

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Cinco Conjunções Inferiores repetidas formam um pentagrama
Domínio Público – Ficheiros do Google

O ciclo mágico de Vênus retrata sua dança cósmica com Sol e Terra. Vênus nunca fica mais do que 48 graus distante do Sol. Quando atinge 45-48 graus à frente do Sol está no ponto máximo de elongação Leste, e aparece linda e fulgurante no Céu noturno, como Hésperos, a estrela Vespertina, filho de Eos, deusa da alvorada. Então ele diminui velocidade e o Sol parece chegar mais próximo, até que estaciona a não de mais que 30° à frente do Sol. Este é o ponto estacionário-retrógrado SRx, e lentamente ele começa a mover-se para trás, ou assim nos parece, até que se encontra com o Sol, quando se dá a Conjunção Inferior ou Conjunção Baixa. Essa conjunção é chamada de “inferior” exatamente porque está na mesma longitude do Sol, entre este e a Terra.

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O ciclo de Vênus – Domínio Público – Ficheiros do Google

Diz-se então que toma lugar um Casamento Sagrado, uma conjunção alquímica, entre o Sol, Vênus e a Terra, completamente oculto de nossas vistas, pois, estando tão próximo do sol, o brilho de Vênus desaparece e ele torna-se invisível para nós. Erin Sullivan olha para as culturas Asteca e Maia para explicar o que ocorre aqui, porque segundo ela, de acordo com todas as evidências, essas culturas Mesoamericanas entendiam verdadeiramente a retrogradação de Vênus, tanto em movimento quanto em simbolismo.  Ela menciona os estudos de Bruce Scofield sobre os painéis de El Tajin (México) que começam com Vênus como a Estrela da Noite. Ele diz que na fase retrógrada Vênus “toma a forma de um homem e anda pela Terra”(2). Então ele (Vênus) encontra a deusa do amor Xochiquetzal e a faz quebrar suas promessas de pureza… A partir daí as noites de Vênus são regadas a música, dança, bebida e amor e ele se casa com a deusa. Dessa união surge um monstro e o jogo passa a ser no mundo inferior, jogo que Vênus perde e por causa disso ela/ele deve ser morta pelo Sol. Ele/Ela é de fato sacrificada pelo Sol, mas renasce depois como Estrela da Manhã, na forma feminina.

XOCHIQUETZAL

Xochiquetzal – Repodução de Google Imagens

Depois dessa união cósmica, certamente ela, Vênus, não será mais a mesma. Depois da Conjunção Inferior, o planeta vai ficando para trás do Sol, até que quando chega a aproximadamente 10 graus atrás do sol, alguns dias depois da conjunção, ele finalmente começa a aparecer no céu novamente, como a Estrela Dalva, a Estrela da manhã. Ao atingir cerca de 30 graus atrás do Sol, estaciona novamente e retorna ao movimento direto. Apesar do movimento direto, Vênus ainda está lento e após um mês ele atinge o ponto máximo de elongação oriental ou oeste, atrás do Sol cerca de 45 a 48 graus, neste ponto ele é associado a Eósforo (Fósforo), também filho da deusa da Alvorada e irmão de Héspero. Pouco mais de nove meses depois, metade do ciclo de 18-19 meses, ocorre a Conjunção Superior, chamada assim porque desta vez, é o Sol que fica no meio entre a Terra e Vênus.

Venus Dresden_Codex_p09

O “Dresden Codex” maia, que calcula as aparições de Vénus. Domínio Público – Ficheiros do Google

Vênus Retrógrado no Mapa Natal

A simbologia de todo este ciclo é muito rica e profunda. Vênus representa nossa capacidade e necessidade de socialização e de dar e receber afeto, nossos valores, auto-estima…  Assim, uma das características mais recorrentes quando o indivíduo tem Vênus retrógrado no mapa natal é a androginia psicológica. Isso é simbolizado pela a Conjunção Inferior, quando Vênus funde-se tanto com o Sol quanto com a Terra, incorporando as qualidades celestiais de Urania (Sol) e as qualidades terrosas e instintuais de Pandemos (Terra), qualidades femininas e masculinas; é simbolizado ainda no mito Mesoamericano, quando Vênus se torna masculino enquanto dança com a deusa Xochiquetzal.

Conjunção Inferior

Conjunção Inferior de 11 de janeiro de 2014, em Capricórnio

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Vênus – Reprodução de Google Imagens

Isso quer dizer que a pessoa tem um senso de completude e inteireza, sendo emocionalmente independente e livre, com um corpo de valores morais e estéticos muito próprios e completamente independente dos valores sociais vigentes. Mas isso é algo que só vem com o tempo, porque até que a pessoa aceite e viva a partir desse código próprio e aceite a si mesma como diferente, ela passa por muita confusão e senso de inadequação e estranheza. Obviamente, sua relação com o corpo também é muito particular e Sullivan ressalta que essas pessoas “freqüentemente têm dificuldade de separar suas próprias necessidades daquilo que é esperado delas, então elas se retraem, seja numa negação ascética das necessidades corporais e demandas viscerais, seja nos aspectos sensuais da vida (…) As manifestações possíveis são inúmeras mas variam de relacionamentos múltiplos a praticamente celibato. A forma de expressar afeto é diferente dos modelos vigentes, e a pessoa tende a ser emocionalmente mais reservada.

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A Flor de Lótus, padrão formado por sucessivos ciclos de retrogradação de Vênus – Reprodução de Google Imagens

Outro dom de Vênus retrógrada é a criatividade infinita, relacionada desta vez com a simbologia do número cinco e do Número Áureo. Nascer com Vênus retrógrada ou estacionário, diz Sullivan, “significa uma conexão poderosa com este Número de Ouro. A natureza introvertida e contemplativa desses indivíduos é altamente imaginativa e deve achar maneiras de externar o metafísico através do físico”.  Essas pessoas vivem normalmente à frente do seu tempo, ou num tempo diferente de sua época, e seu senso estético pode ser totalmente avant-garde, lançando moda e ditando tendências, ou completamente incompreendido. De um  jeito ou de outro, eles precisam achar canais de expressão para toda essa imaginação e criatividade e assim, o mundo das artes está cheio deles.

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Reprodução de Google Imagens

Particularmente, relaciono Vênus retrógrado no mapa natal com o que chamo de a “Síndrome do Patinho Feio”. A pessoa normalmente se acha e se percebe muito diferente da família de origem, tendo dificuldade de abraçar seus valores e tradições. Sua relação com o corpo também pode ser complicada e a pessoa pode se achar feia ou sem atrativos, pode ser vítima de bulling na família e na escola por ser tão diferente e “estranha”. A pessoa pode também se sentir não amada, ou sentir que por algum motivo não é digna de amor. Assim como o patinho feio, ela pode sentir-se uma estranha no ninho, e clientes já confirmaram em consulta que chegavam a suspeitar terem sido adotados, tal o nível de diferenciação. A sexualidade  também é outra questão que pode ser tabu no início da vida, quando o indivíduo ainda não consegue pensar por si mesmo e não consegue compreender a si próprio e às suas emoções e formas de sentir, tão diferentes do que é considerado “aceitável” no meio em que vive. E há ainda relatos de abusos sexuais, embora isso não seja regra. Mas como todos sabemos, a estória do patinho feio termina bem. O patinho não é um patinho, é um cisne, cujo ovo foi perdido pela mãe-cisne e adotado pela mãe-pata. Ao crescer torna-se um cisne belíssimo e vai em busca de sua própria “turma”. Gradativamente o indivíduo vai percebendo que apesar de se sentir “diferente” isso não necessariamente quer dizer “errado” e se estiver no ambiente adequado, pode aprender a se aceitar como é, manifestando seus melhores potenciais. Se este ambiente não é tão favorável, mesmo assim, funciona como motivador e catalizador para que a pessoa parta numa busca ou saga de auto-entendimento fora dali. O caminho dessas pessoas nunca é fácil, mas certamente é muito rico e profundo, assim como a simbologia do ciclo Venusiano.

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Dimitar Voinov – Reprodução de Open Art Group

Vênus Retrógrado em Trânsito

Quando Vênus fica retrógrada em trânsito, como está agora até dia 31 de janeiro, “algo misterioso toma lugar, uma reformulação da ordem natural, um retorno a um lugar ideal onde tudo o que é manifesto pode parecer com uma replicação simplificada da perfeição cósmica”(3). Assim como o planeta desaparece de nossas vistas, recolhendo-se para um lugar desconhecido e misterioso, que nossa limitada percepção não consegue alcançar, assim também, de certa forma nos recolhemos. Nesse tempo de introspecção sutil – sim, porque precisamos continuar funcionando no mundo – ocorre uma reavaliação interna dos nossos valores; dos nossos relacionamentos e da reciprocidade existente ou não neles; de nossa auto-estima. Porém, como a retrogradação de Vênus é uma das mais inconscientes, é possível que nem percebamos o que ocorre, e então, nos pegamos rompendo relacionamentos amorosos ou de amizade, sentimo-nos isolados, diferentes. Como em tudo o que é cíclico, não há começo ou fim, apenas uma espiral evolucionária, em que a cada vez em que o ciclo é ativado, ele ressoa a partir de todos os outros, pois são inseparáveis e falam dos mesmos temas, seja no passado ou no futuro. É útil então olhar para os ciclos anteriores e recordar o que ocorria no período. Neste caso específico, a última vez que Vênus ficou retrógrada em Capricórnio foi no fim de 2005 início de 2006 (24 de dezembro 2005 a 02 de fevereiro de 2006). Vale a pena refletir sobre o que era importante para você naquela época, quais eram seus valores, a quantas andava sua auto-estima, como estavam seus relacionamentos, como estavam suas finanças… Essas perguntas adquirem mais significado se você souber em que área do seu mapa natal esse trânsito ocorre e se a conjunção Inferior (dia 11 de janeiro, a 21 de Capricórnio) faz aspecto com algum planeta no mapa (para ver um desenho do seu mapa natal e descobrir onde você tem Capricórnio, clique aqui).

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Kairos – Francesco Salviati – Wikimedia – Reprodução

Gary Caton, astrólogo americano, relaciona este ciclo específico de retrogradação em Capricórnio com a utilização do Tempo. Ele lembra que Chronos é a palavra grega para tempo no sentido de quantidade, de quanto tempo temos e que Kairos é tempo em termos de qualidade, ou de tempo sagrado, especial e de como empregamos este tempo (4). Então é pertinente refletir sobre o uso do nosso tempo, se a forma como “investimos” o tempo reflete nossos valores internos e aquilo que é importante para nós ou se apenas fazemos o que é esperado de nós. Ou ainda se o tempo é um algoz contra o qual corremos freneticamente, ou se precisa ser morto, como quando precisamos “matar o tempo” porque nada é suficientemente interessante ou significativo na vida.

Em termos práticos, de modo geral, quando Vênus está retrógrada, é aconselhável um retiro estratégico, uma desaceleração da vida social para que as condições para as mudanças sutis que precisam ocorrer sejam favoráveis e para que nos sintonizemos com nosso mundo interior. Assim, ao invés de reclamar de solidão, dê-lhe boas vindas e faça aquelas atividades para as quais nunca tem tempo por causa do frenesi da vida diária; procure a Natureza e contemple-a em meditação passiva (parado) ou ativa (com movimento). Medite sobre a qualidade dos seus relacionamentos; reveja seus valores – eles continuam a refletir quem você é ou quem está se tornando? Reveja sua relação com o mundo e com seus recursos materiais; reveja sua relação com os assuntos da casa em que Vênus trafega atualmente (* veja relação básica abaixo). E particularmente em Capricórnio, reveja sua relação com o Tempo.

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Reprodução de Google Imagens

Finalmente, em honra a Capricórnio, termino com um texto extraído do livro Lavoura Arcaica, de Raduam Nassar. Parte deste texto é declamado belíssimamente por Raul Cortez no filme do mesmo nome:

“O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; o tempo está em tudo.
Rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é;  pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas. (5)

(*)Vênus retrógrada em trânsito leva a questionamentos nos assuntos da casa em que trafega. Veja os significados básicos das casas do mapa natal:

Casa 1 – O Eu, a forma como você vê a vida em geral, como é visto  pelas outras pessoas, sua identidade

Casa 2 – Valores, recursos materiais e imateriais, talentos, dinheiro, como você ganha e como gasta dinheiro

Casa 3 – Comunicação, educação, irmãos, ambiente imediato, viagens curtas

Casa 4 – Família, o clã, o Pai, o lar, a casa, o passado familiar, as origens

Casa 5 – Criatividade, auto-expressão, artes, recreação, lazer, romances, jogos, como você relaxa

Casa 6 – Trabalho cotidiano, emprego, serviço, corpo, saúde, rituais diários, animais de estimação

Casa 7 – O outro, relacionamentos, casamento, parcerias afetivas ou profissionais, litígios,

Casa 8 – Transformação, renascimento, sexualidade, o que se partilha na intimidade, os valores e o dinheiro dos outros

Casa 9 – Educação Superior, filosofia de vida, fé, religião, viagens longas, outras culturas

Casa 10 – Imagem Social, seu papel no mundo, vocação, carreira, a mãe.

Casa 11 – Amigos, networking, projetos de longo prazo, associações diversas.

Casa 12 – O inconsciente pessoal e coletivo, Carma, motivações escondidas, redenção

Princípios Básicos do Funcionamento da Retrogradação

a)      Sol e Lua nunca ficam retrógrados;

b)      o movimento de retrogradação é uma ilusão de ótica que nos faz perceber o planeta deslocando-se para trás e isso acontece devido ao relacionamento do planeta em questão com o Sol, e devido às diferentes velocidades de rotação da Terra e dos demais planetas, assim, para os planetas interiores, Mercúrio e Vênus, a retrogradação ocorre em períodos próximos à conjunção inferior com o Sol, enquanto que no caso dos planetas exteriores (posicionados depois da Terra no sistema solar), a partir de Marte, o ciclo retrógrado está diretamente relacionado àoposição com o Sol;

c)       os planetas exteriores Urano, Netuno e Plutão, devido à lentidão de seu movimento e à distância do Sol, passam boa parte do tempo em movimento retrógrado e seu impacto no mapa natal é menos perceptível, a não ser que estejam próximos do ponto estacionário, quando adquirem ênfase especial, pois além de ter sua ação e significado realçados, provavelmente mudarão de direção nas progressões secundárias. Com Júpiter e Saturno não é muito diferente – aliás, de Júpiter em diante a retrogradação tem impacto mais definido em Astrologia Mundial e em Astrologia Horária e Eletiva;

d)      assim, os planetas cujo ciclo de retrogradação é mais perceptível em Astrologia Natal são Marte, Vênus e Mercúrio e considerando que Mercúrio fica 20% do tempo retrógrado (três vezes ao ano, em períodos de aproximadamente três semanas), isso não chega a ser tão traumático, com exceção de situações específicas em áreas regidas pelo planeta – o impacto também é menor porque certamente Mercúrio mudará de direção nas Progressões Secundárias. De forma que em Astrologia Natal os planetas cuja ação é alterada de forma significativa quando retrógrados são Vênus e Marte, dois planetas relacionados ao simbolismo do masculino e feminino. Vênus fica retrógrado cerca de 40 a 45 dias a cada 18 meses e Marte parece mover-se para trás de 60 a 80 dias, a cada 2,13 anos (Leia sobre Marte Retrógrado)

Referências bibliográficas

(1), (2), (3) – Retrograde Planets – Traversing the Inner Landscape – Erin sullivan – Samuel Weiser, 2000.

(4) – The 2014 Conjunction of  the Sun and Venus in Capricorn – Gary P. Caton -em artigo para a revista The Mountain Astrologer

(5) – Lavoura Arcaica – Raduan Nassar

erinlavoura.arcaica.livro

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