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Lua Cheia em Peixes – Não afunde, flua!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

Um derramamento profuso de emoções e sentimentos, é o que simboliza a Lua Cheia em Peixes nesta quarta-feira, dia seis de setembro, às 04h03min no horário de Brasília – 08h03min para Lisboa. Por que todo esse aguaceiro? Porque, além de a Lua estar em Peixes, signo das Grandes Águas, que simbolizam o retorno à Unidade, a lunação se dá em conjunção muito próxima a Netuno, de cerca de um grau.

Virgem – Iconografia antiga – Reprodução

O Sol trafega atualmente o signo de Virgem, signo de ordem, controle, seleção, separação, apuro técnico, acuidade, análise. Virgem é regido por Mercúrio e é o mais racional dos signos de Terra. Já Peixes, é o signo do caos, e a Lua Cheia vem equilibrar a energia da ordem com um pouco de desordem. Em Peixes somos convidados a abraçar outras percepções além daqueles pertencentes ao mundo palpável, sólido, real. Em Peixes a imaginação alça voos mais altos e mais profundos, para dimensões que a mente racional não alcança e tem que ser deixada “desligada”, como mera expectadora, se for para aproveitarmos a experiência. Além da grande criatividade e imaginação – que premia as pessoas fortemente Piscianas com os dons artísticos, seja nas belas artes como na música – Peixes também traz presente os valores da compaixão, altruísmo, empatia, serviço, cura. É o último signo do Zodíaco, o ponto em que o ego se dissolve e volta para a Unidade, para o Todo, para que tudo volte ao estado do vir a ser. Assim, as lunações ocorrendo nesse par de signos, representam um período de ordenar e sintetizar nossa criatividade; de esmerar nossa técnica, burilar nossas habilidades, para que com elas, possamos explorar com eficiência a esfera da imaginação e para que possamos produzir algo de valor a partir desse caos aparente. É também o período de manifestar os valores da empatia e da compaixão, através de atitudes práticas diárias, do serviço ao próximo, do sermos úteis e desprendidos – claro, não é que devamos ter tais atitudes somente neste período, mas é quando nos conscientizamos mais claramente destes valores.

Elena Kalis – alice Under Water – Reprodução

E nesta Lua cheia tais valores e sentimentos estão mais extravasados, porque os diques se romperam, as comportas se abriram e as águas irrompem das profundezas da alma e do inconsciente. O principal aspecto que a Lua faz nesta lunação é a conjunção a Netuno, regente moderno de Peixes, o que aumenta e potencializa tudo o que já dissemos sobre este signo. Além disso, o único ponto em Ar é Júpiter, regente tradicional de Peixes. A sensibilidade está exacerbada e nos sentimos muito expostos, como se não tivéssemos pele psíquica, porque as fronteiras estão dissolvidas e guarda, baixa. E a objetividade está embotada, afogada.

Kindra Nicole – Reprodução

Sendo a Lua Cheia um tempo de iluminação das questões mais inconscientes, a conjunção a Netuno e a própria energia Pisciana vêm iluminar nossos anseios e desejos de fusão e redenção, o desejo de nos render e parar de lutar contra o ímpeto de consciência, contra o ímpeto de separação e individuação. Esta ênfase em Netuno – que também acabou de receber a oposição do Sol – e o fato de estar ser a primeira lunação pós eclipse, o apogeu do ciclo iniciado com o eclipse do dia 21, sugerem uma desistência, uma rendição: exaustos que estamos de todas as lutas recentes, desmoronamos e desistimos de “segurar a onda” e simplesmente nos permitimos sucumbir, mesmo que temporariamente, relaxando o controle e então, toda a tensão acumulada deságua, seja na forma de choro, de sono, de exaustão, de ingestão de álcool – esta não é a melhor das opções! E sim, por um lado, é um momento adequado para deixar a tensão desaguar, é um momento apropriado para limpar e purificar o coração e a alma de todos os ranços, cansaços; é um bom momento para abrir mão do controle e confiar no fluxo, mesmo que o rumo pareça completamente incerto e obscuro. Apenas fluir e confiar na correnteza, respirando, respirando e flutuando – como quando se cai num rio, se entrarmos na ansiedade e começarmos a nos debater nessas águas, afundamos feito pedra e nos afogamos! Do contrário, se respirarmos e mantivermos a calma, flutuamos e fluímos com a correnteza.

Lua Cheia em Peixes – Brasília, 6 de setembro, 04h03min

Além da conjunção a Netuno, a Lua Cheia se afasta de um quincôncio a Vênus em Leão – e claro, Vênus está em quincôncio a Netuno também – e se aproxima de sextil a Plutão em Capricórnio. Estando os dois “planetas” femininos envolvidos com Netuno, esse feminino se confunde com a imagem da Grande Mãe, aquela que dá a vida e ao mesmo tempo a devora; a mãe que é, ao mesmo tempo, mãe e amante do filho redentor e o desmembrará para que a redenção aconteça e ele possa ressuscitar – um tema básico de Peixes. Trazendo o mito para o presente, é necessário ficarmos atentos às identificações momentâneas com esse mito e a necessidade de atuar essa Grande Mãe Todo-Poderosa que asfixia o outro no seu abraço de amor mortífero; atenção também para as idealizações excessivas do outro, das relações e até de nós mesmos como parceiros dentro dessas relações. O sextil a Plutão talvez nos ajude a enxergar a verdade, mas é preciso estar de olhos abertos e talvez isso seja muito difícil nas próximas duas semanas, tempo em que essa lunação tem efeito.

Dreamstime – Reprodução

A ajuda pode vir mesmo é de Saturno em Sagitário, a quem a Lua faz uma quadratura aplicativa – ainda vai acontecer. Saturno é foco de uma T-Square Mutável, pois recebe as quadraturas (amplas) da Lua e do Sol. O Sol torna essa quadratura exata no dia 13 e a Lua, algumas horas depois de ser cheia. Saturno é o ponto de alerta e de realidade que pode nos segurar no meio do caos, que pode nos ajudar a manter os pés no chão, a árvore firme e de raízes profundas à qual se amarrar quando o tsunami vem. Podemos sim, abrir mão do controle momentaneamente, como sugerido por Lua-Sol-Netuno; podemos deixar a tensão desaguar, mas apenas para um descanso provisório, apenas para uma trégua, porque logo à frente, precisamos voltar ao nosso posto de observação e ação na realidade. Precisamos nos render e absorver as imagens oníricas e mágicas que surgem do inconsciente, mas depois precisamos fazer algo manifesto com elas; precisamos voltar a nos responsabilizar por nós mesmos e o que acontece à nossa volta. Não dá para ficar navegando a esmo indefinidamente! Por outro lado, esse aspecto a Saturno sugere que se nos deixarmos iludir pelas promessas vazias e fantasiosas de hoje, ali à frente podemos ter que lidar com uma realidade meio amarga e dura, portanto, mais uma vez, melhor ficar atentos às auto ilusões e auto enganos.

Magritte – Reprodução

Mercúrio, regente do Sol, está no grau 28° de Leão – grau do Eclipse total do Sol – e está estacionário-direto, voltando a se movimentar para a frente poucas horas depois da Lua Cheia. Mercúrio ganha ênfase pelo fato de estar estacionário-direto e pode ser de grande ajuda para trazer lucidez e clareza no meio da enxurrada, simbolizando ideias e presença de espírito, a melhor atitude no meio do caos. É mandatório estar centrados para termos essa “presença” de espírito, para sabermos quando falar e quando calar, quando agir e quando esperar.

Brooke Shaden Photography – reprodução

Júpiter, regente tradicional da Lua Cheia, como já dito, é o único ponto em Ar e isso também ressalta sua importância: achar o equilíbrio e a exata medida das coisas, algo que pode ser difícil a princípio, visto que Júpiter está em oposição a Urano, adicionando imprevisibilidade, atitudes erráticas e meio tresloucadas, oscilações no entusiasmo, que ora vai, ora vem. Para lidar com tais oscilações, precisamos nos conectar com a nossa alegria, aquela alegria serena, que não é euforia, mas o contentamento interior que nos ajuda a enfrentar as tempestades. Mais: Júpiter está no Ponto Médio entre Saturno e o Nodo Norte – Cabeça do Dragão – e, segundo Ebertin, isso sugere “apreço à solitude, alegria no isolamento, a experiência de alegria interior através do auto sacrifício pelos outros” – portanto, para que Júpiter possa nos ajudar, precisamos dar uma forcinha a ele, encontrando ilhas de calmaria, momentos de solitude, onde possamos nos conectar com essa alegria interior. De Netuno, regente moderno de Peixes, já falamos acima: está conjunto à Lua, potencializando as manifestações dessa lunação.

Reprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 14 de Peixes (13°53’) traz a imagem de “Uma mulher enrolada numa grande estola de pele de raposa”. Dane Rudhyar nos diz que o tom básico deste símbolo é “o uso da inteligência e da sutileza mental como proteção contra as tempestades e provações”. Rudhyar nos lembra que a raposa é um animal inteligente e sutil no simbolismo e na mitologia, representando a “astúcia” e a capacidade de se adaptar a toda e qualquer situação de vida. “A vontade espiritual e a capacidade de enfrentar os testes são necessárias em qualquer situação crucial ou desafiadora que um indivíduo pode encontrar num grupo orientado para o poder. Mas a vontade, tipo espada, muitas vezes, tem que ser protegida, e a inteligência ou perspicácia podem ser a ajuda mais preciosa quando estamos em perigo. É um escudo pessoal (ou seja, “animal” ou instintivo), talvez até uma camuflagem. Ele esconde a vontade central, mas mantém o indivíduo protegido de dificuldades desnecessárias. O que vemos simbolizado aqui é um modo auto-protetor de encontrar as inclemências do clima, real ou psíquico, que abundam quando se leva uma vida consagrada a um Todo mais vasto; pois essa consagração suscita fortes inimizades. Riscos desnecessários são proibidos ao iniciado, pois a segurança da Irmandade pode estar em perigo. A necessidade de PROTEÇÃO é imperativa, e o glamour pode ser um escudo eficaz”. Este símbolo vem se realçar a importância de Mercúrio e Júpiter e, consequentemente, a necessidade de usarmos nossa inteligência e sutileza em tempos difíceis, quando seria mais fácil entrar em pânico e desespero. A vontade precisa ser firme e forte e a vontade vem de Marte, que está em Virgem, ou seja, precisamos nos ater ao que podemos fazer, efetivamente, em termos práticos, sem nos perder nos detalhes irrisórios. E, assim como Virgem, precisamos ser prudentes e nos esquivar de riscos desnecessários e a auto-contenção é fundamental – o que pode ser um risco desnecessário no seu contexto pessoal? Só você pode saber! Mas de modo geral, riscos desnecessários têm a ver com envolver-se em situações duvidosas, deixar-se levar por medos irreais, deixar-se levar por euforias igualmente enganosas, fragilizar-se em demasia em situações/lugares que lhe deixem exposto, ingestão de substâncias alteradoras da consciência – peixes e Netuno exacerbam seus efeitos!

Christian Schloe Digital Art – Reprodução

Em resumo, esta Lua Cheia traz um momento de alívio nas tensões, que nos permite entrar em contato com nossa vulnerabilidade, mas isso se dá com um aumento da sensibilidade e fragilidade psíquicas, portanto, é necessário achar o lugar e a situação seguros que ofereçam a adequada contenção para o desaguar das emoções. É momento de render-se, purificar-se e lavar-se nestas Grandes Águas, mas permanecendo atentos à realidade e ao que ela requer de nós, recorrendo à nossa inteligência, perspicácia e sutileza para navegar esse maremoto!

Desconheço o autor – reprodução

Nota: pessoas com planetas e ângulos entre os graus 8 e 18 dos signos Mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentem mais intensamente os efeitos desta lunação. De modo geral o dia traz propensão a tristeza, nostalgia, sensibilidade, anseios inexplicáveis, vontade de escapar, compaixão, desânimo e atmosfera de sonhos e irrealidade… Sensações que nublam a mente e a lucidez, portanto convém ter cautela nas ações.

Uma ótima Lua Cheia para você!

Birth Chart Painting – Lua Cheia em Peixes – Reprodução

Lua Nova e Eclipse Total do Sol em Leão – A soma de todos os medos?

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O eclipse que acontece neste dia 21 de agosto está causando muito frisson e rebuliço nas comunidades astrológica e astronômica, por vários motivos. O frisson na comunidade astronômica é devido ao fato de o eclipse ser totalmente visível nos Estados Unidos, sendo o primeiro eclipse total visível em 99 anos naquele país (tanto que já se diz que vai ser o pedido de férias e folga mais popular na história). Já para os astrólogos, o alvoroço se dá, principalmente, porque o eclipse cai em conjunção ao Marte e ao ASC do presidente americano, Donald Trump, um presidente que, todos sabem, é bastante controverso, para dizer pouco. Os sensacionalistas de plantão já prenunciam o fim do mundo (de novo)!

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Sabemos que estamos vivendo tempos nervosos e tensos na política e economia mundiais e, desde que o presidente Trump assumiu, o conflito com a Coreia do Norte tem escalado a níveis realmente perigosos, a ponto de a Coreia ameaçar dizendo que uma guerra termonuclear poderia começar a qualquer momento – e ali, sabemos, os dois presidentes são duas crianças grandes competindo para ver quem tem o carrinho maior – “só Jesus na causa!”. E para perceber este clima, nem precisamos de eclipses para que se instale o medo e o pânico. A ocorrência de um eclipse apenas adiciona mais tensão. Ninguém é ingênuo e todos sabemos que os riscos são altos, mas o que podemos fazer? O que o eclipse prenuncia? Embora eclipses muitas vezes tragam augúrios de desastres e cataclismos, além de prenúncios de conflitos, não vale a pena entrarmos em pânico e o pior que podemos fazer é nos permitir ser tomados pelo medo. Vamos ver, então, do que trata este eclipse? (Para entender a dinâmica e significados gerais de eclipses, leia este artigo).

Galeria do Meteorito – http://www.galeriadometeorito.com/2017/08/horarios-do-eclipse-solar-21-agosto-2017-no-brasil.html – Reprodução

Primeiro vamos à visibilidade e aos dados técnicos. O eclipse será visível em todos os Estados Unidos, numa linha que corta o país de Oeste a Leste, na região central do país, na América Central e Norte da América do Sul. O eclipse também será visível parcialmente no Brasil e ao lado você tem uma tabela com as cidades e horários em que será visível (tirado do site Galeria do Meteorito) (1). A Lua Nova ocorre às 15h30 min no horário de Brasília e às 18h30min no horário de Lisboa. Já o eclipse tem seu pico às 15h26min (18h26min para Lisboa).

Fonte: Nasa

Segundo, vamos falar da Série Saros 145, à qual pertence o eclipse do dia 21. Este eclipse é o membro 22, de uma família de 77 eclipses. A série nasceu em 04 de janeiro de 1639, às 04h56min, no Polo Norte e se desloca em direção ao Sul. Todos os eclipses ocorrem no Nodo Norte, sugerindo que esta família trabalha a tomada de consciência, a sintonização com nossos propósitos maiores e com o dharma. O último eclipse da série ocorre no Polo Sul, em 18 de abril do ano 3009, portanto, a série dura 1.370 anos (2).

Série Saros 145 – 04/01/1639 – Polo Norte – Aqui o mapa está levantado para Brasília.

No mapa natal da série 145 vemos Lua e Sol estão a 13 de Capricórnio; Vênus está totalmente sem aspectos e Urano está também virtualmente sem aspectos, fazendo apenas um quincôncio a Plutão; há uma conjunção Júpiter-Netuno em Escorpião oposição a Plutão em Touro e Júpiter está no Ponto Médio exato entre Urano e o Nodo Norte – e Plutão oposto a este ponto; Vênus está no Ponto Médio entre Júpiter e Saturno; Marte quadra o Ponto Médio entre a Lua Nova e Netuno. Além disso, Saturno está em quadratura a Quíron, tal como o trânsito atual entre os dois, com a diferença de que essa quadratura na Série 145 é fixa. Bernadette Brady (3), astróloga pesquisadora de eclipses, fala o seguinte sobre esta série: “Eventos inesperados envolvendo amigos ou grupos coloca uma grande pressão nas relações pessoais. Essas questões relacionais podem avultar-se se o eclipse afetar o mapa individual. O indivíduo será sábio se não tomar decisões precipitadas, uma vez que as informações podem ser distorcidas ou possivelmente falsas. O eclipse também tem uma qualidade de cansaço ou problemas de saúde atrelados a ele”.

Adam Martinakis – reprodução

Então, vemos que Urano tem papel de destaque nessa série, o que faz com que ela seja carregada de imprevisibilidade e uma qualidade bastante caótica, adicionando à sensação de descontrole normalmente associada aos eclipses em geral . As relações também são fortemente impactadas, já que Vênus está sem aspectos e ainda é Ponto Médio entre Júpiter e Saturno, um aspecto que sugere falta de estabilidade e durabilidade nas relações e mudança de sorte no amor. E somando tudo isso ao que Brady diz, vemos que em termos individuais, esta família de eclipses tem grande impacto sobre as relações pessoais, um impacto geralmente negativo, devido à pressão que gera.

Lua Nova e Eclipse Solar em Leão – Brasília, 21 de agosto de 2017, 15h30min

Já o mapa do eclipse atual traz a conjunção Sol-Lua a 28°52’ de Leão, em ampla conjunção a Marte, que está no grau 20. O Sol, que é o regente de Leão, está sendo eclipsado. Isso sugere um momento em que a consciência fica turvada e encoberta pelos sentimentos e emoções (Lua), levando a alguns descontroles e situações caóticas. Como o Sol também representa lideranças, reis e presidentes, esse é também um período delicado para lideranças e autoridades em geral, especialmente se tais indivíduos têm planetas ou ângulos aspectados pelo eclipse – pessoas com ângulos e planetas nos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) são mais afetadas. Mas esse momento de escuridão também propicia entrarmos em contato mais íntimo e profundo com a alma, exatamente porque o ego e a consciência estão eclipsados. E, na escuridão profunda da alma, podemos encontrar a luz interior, a luz pulsante e fulgurante do coração (Leão), que poderá iluminar as sombras que nos amedrontam, que poderá iluminar nossos conteúdos misteriosos e obscuros, para integrarmos mais um pouco desse lado inconsciente. Claro, para isso, precisamos estar centrados e inteiros em nós mesmos, para não espiralarmos no caos vibratório coletivo – lembre-se que a consciência está em apagão!

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Leão é um signo de liderança, realeza, de coragem e de realização dos nossos potenciais criativos; é um signo de viver os valores do coração, de forma íntegra, honrada, nobre! É também o signo de viver a alegria plena. A Lua Nova sinaliza um tempo de semeaduras, de plantar novos projetos e ações e quando se trata de um eclipse, essa Lua Nova fica mais potente. Kelly Surtees (4), astróloga australiana, aponta que Marte conjunto a essa Lua Nova sinaliza um momento de entrar em ação e começar novos projetos naquela área de vida representada pela casa em que o eclipse cai no mapa natal, começar e avançar, derrubando barreiras antigas, que antes nos bloqueavam. A conjunção a Marte, ela lembra, indica um momento de sermos corajosos, ousados, destemidos. Marte em Leão é nobre e honrado, corajoso e vigoroso e nos incita e enche de uma nova energia para ir atrás de concretizar nossos propósitos mais nobres.

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Como já mencionado acima, um dado muito importante é que os eclipses desta série ocorrem em conjunção ao Nodo Norte (o eclipse lunar do dia 07/08 aconteceu conjunto ao Nodo Sul), e com este não é diferente e isso grita alto para deixarmos o passado para trás, para rompermos com o comodismo, com aquilo que nos segura e avançarmos na direção dos nossos propósitos maiores. Outra coisa, o Nodo Norte está no Ponto Médio exato entre a Lua Nova e Marte e, somado ao fato de a Lua estar conjunta a Marte, vemos que é mesmo um momento de avanço. Ebertin (5) fala sobre esse Ponto Médio “cooperação vigorosa e energética com outras pessoas; uma associação de mulheres, uma organização que consiste apenas de membros femininos” – considerando-se que eclipses solares favorecem muito ao feminino, este dado acima potencializa esses auspícios.

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Outro dado notável é o Grande Trígono em Fogo (na verdade, três) formado por Marte-Lua-Sol em Leão, em trígono a Urano em Áries e a Saturno em Sagitário. Grande Trígono que vira uma Pipa, já que os planetas em Leão e Saturno estão também em sextil a Júpiter. Essa configuração traz a promessa de um diálogo, de uma colaboração entre o velho e o novo, entre a estabilidade e o progresso; e tais possibilidades são trazidas para o âmbito pessoal, porque temos não só Sol e Lua, mas também Marte, o planeta da ação envolvidos. Esse Grande Trígono traz esperança e acena com a construção de uma ponte que liga o passado ao futuro de forma harmoniosa. Agora, Grandes Trígonos são preguiçosos. Representam potenciais latentes, que precisam de atitude para serem manifestados e como é Júpiter o foco da Pipa, isso requer mais atenção, porque Júpiter é um planeta benéfico, mas um tanto bonachão e também indolente – se bem que a oposição a Urano faz ele se mexer, e muito! O fato é que há muitas possibilidades e oportunidades em aberto, mas elas não serão dadas assim, de graça – será necessário algum esforço para conseguirmos aproveitá-las. em tempo: Grandes Trígonos têm uma energia ambivalente em tempos de tensão. Eles permitem que a energia flua livremente, sem empecilhos e isso é crítico em cenários de conflitos ou desastres – mais um motivo para elevarmos nossa vibração!

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E não se engane! Há tensões também! Começando pela T-Square Cardinal formada pela oposição Vênus-Plutão, que desemboca em Júpiter. Em termos mundiais, essa T-Square fala de ameaças à diplomacia, já que Vênus é o planeta da conciliação e dos acordos e aqui está bastante belicosa, atrás do Sol, oposta ao Deus dos Infernos, Plutão e quadrando Júpiter, que aumenta e exagera tudo, seja o bom ou o ruim. No plano individual, essa posição de Vênus ratifica o tema da Série Saros 145, que coloca pressão nas relações pessoais! Vênus também é foco de outra T-Square, que nasce da oposição entre Júpiter e Urano, dois planetas simbolizadores da liberdade e do progresso – Vênus em Câncer é apegada ao passado e aqui ela está encurralada e vai ter que deixar o passado para trás, preservar as boas memórias, mas mover-se para a frente!

O eclipse também ocorre em quadratura exata ao Plutão do mapa natal da Série 145, e Plutão em trânsito atual está em conjunção ampla à Lua Nova da SS 145. Com isso, temos acionado o o tema das transformações profundas na sombra coletiva, especificamente, na esfera da matéria, do dinheiro, dos bancos, assuntos relacionados a Touro e a Leão. Portanto, pode haver impactos importantes na economia mundial, no sistemas bancários e nas plutocracias.

Mercúrio estacionário em 05 de setembro de 2017, a 28°25′ de Leão

Algo que não podemos esquecer é que Mercúrio está retrógrado, assim como Saturno, Urano, Quíron, Netuno e Plutão. Carol Rushman, astróloga americana (6), afirma que quando um eclipse ocorre em períodos de Mercúrio retrógrado,  seus efeitos podem ser “retardados”, atrasados. O fato de os demais planetas estarem retrógrados também salientam a necessidade de tecermos reflexões profundos antes de fazermos as mudanças e alterações que precisamos fazer. É preciso revisitar o passado e nos certificarmos de tudo o que deve ficar lá, para não haver arrependimentos posteriores – a Lua Balsâmica em Câncer nos dias anteriores favorece bastante essa revisita! Mas daí, Mercúrio volta ao movimento direto no dia cinco de setembro! Em que grau? A 28° de Leão, o mesmo grau do eclipse! Ou seja, quando Mercúrio estacionar no dia cinco, ainda veremos muito rebuliço mundo afora e muitas das “promessas” do eclipse que tinham ficado retardadas, podem então se manifestar!

Mapa de dentro: EUA – mapa de fora: coreia do Norte

O eclipse, como já dito, faz conjunção ao Marte e ao ASC natais do presidente dos EUA; mas não somente! Cai também em oposição (felizmente ampla) a Marte no mapa de Kim Jong Un, presidente da Coreia do Norte; em conjunção ao Saturno natal da Coreia do Norte e em oposição à Lua dos EUA – quer dizer, a tensão é considerável – interessante notar que a Lua natal dos EUA está oposta ao Saturno natal da Coreia, e o Sol da Coreia em quadratura ao Marte dos EUA – não poderiam mesmo ser relações fáceis! Mas isso quer dizer guerra? Não dá para afirmar. O risco existe – e você nem precisa da Astrologia para lhe dizer isso! – mas com Urano presente, qualquer coisa pode acontecer! Eclipses também são famosos por simbolizarem fenômenos naturais, nem todos necessariamente desastrosos e, de toda forma, cataclismos fazem parte dos ciclos de criação e destruição da natureza, sempre existiram e provavelmente sempre vão existir! A vibração individual de cada um torna-se importante, perceber nossa responsabilidade pela atmosfera que criamos e ajudamos a proliferar! De que ajuda pode ser alguém que está em pânico? Nenhuma! Novamente: não vamos entrar no medo!

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Primeiro, uma coisa que você precisa saber é que um eclipse não afeta a todos da mesma maneira. Ele simboliza mudanças e impacto maior na vida de indivíduos cujos mapas são aspectados por ele, leia-se, quando o eclipse faz aspectos a planetas pessoais, Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte e os ângulos, Ascendente, Meio do Céu, Descendente e Fundo do Céu. Essas pessoas são mais afetadas. Como? Depende do tipo de aspecto e da natureza do planeta, além da casa em que o eclipse cai (ao final veja uma descrição breve sobre o significado das casas e planetas) e as casas regidas pelo planeta aspectado. Alguns eclipses podem representar, na verdade, coisas bastante positivas. As outras pessoas cujos mapas não recebem aspectos do eclipse podem ser afetadas de modo mais indireto, dentro dos assuntos da casa em que o eclipse ocorre. E como lidar com o medo e esse estado nefasto de apreensão? Eu conversava sobre isso com uma colega e amiga, com quem costumo trocar ideias astrológicas, Sheba Remy e ela me lembrava de algo crucial: a melhor maneira de lidar com o medo é fitá-lo na cara, olhá-lo no fundo do olho, ou seja, encarar o medo, visualizar o pior dos cenários que o seu medo cria. Como você reagiria se o seu pior medo se realizasse? O que você poderia fazer? Há realmente algo que você poderia fazer? Como seria dali em diante? Olhe para isso, não fuja, não finja que não tem medo; olhe para ele, enfrente-o! O que poderia evitar que isso se realizasse? Está a seu alcance, sob seu controle? Então faça! Não está sob seu controle? Então, relaxe! Se não há nada que você possa fazer, por que ficar em desespero? O que tiver que acontecer, vai acontecer, independentemente da nossa vontade ou do que fizermos; o que fará diferença é nosso centramento interior – ou a falta dele. Olhe o medo no olho e prometa a si mesmo que não vai deixar que ele lhe consuma! Remy me dizia: “é parte da nossa conjuntura social e cultural fazer barganhas, se tivermos medo o bastante, se conspirarmos o suficiente com os pensamentos e vibrações mais baixas, então, talvez consigamos evitar o que está por vir”. O que é um ledo engano, porque o que tiver que ser, será, mas “se estivermos comprometidos energeticamente ou de outras maneiras por termos nos entregado demais ao medo, estaremos limitados na nossa resposta ao inevitável”, complementa ela. Portanto, encare o medo, mas NÃO deixe que lhe consuma, respire fundo e confie na vida! Tudo tem um propósito!

E para confrontar esse medo, comece por rememorar as datas abaixo. Revisite o passado. Primeiro, olhe o que estava acontecendo na sua vida por volta de 22 de agosto de 1998, a última vez que houve um eclipse total do Sol neste grau de Leão… Lembrou? Não é só isso! Relembre também o que se passava na data de 11 de agosto de 1999, que foi a última vez que tivemos um eclipse da Série Saros 145. Os acontecimentos desses períodos dão pistas sobre o que você pode esperar nos próximos dias, sobre os temas e os assuntos que este eclipse movimenta e que serão trabalhados nos próximos meses na sua vida. Você acha mesmo que precisa ter medo?

Veja em que área do seu mapa natal ocorre este eclipse e o do dia 07/08 e veja quais aspectos ele faz e o que isso significa para VOCÊ! Agende uma consulta comigo: psicologica.astrologia@gmail.com 

Os efeitos deste eclipse terão duração de cinco anos e aproximadamente quatro meses. Isso porque o eclipse vai ter uma duração total de 5 horas e 18 minutos, cada hora corresponde a um ano e cada cinco minutos corresponde a um mês. Essa equivalência é dada pela estudiosa de eclipses Christine Arens, astróloga americana (7). Claro, os efeitos mais intensos são percebidos nas semanas próximas ao eclipse e nos seis meses seguintes, até que a próxima temporada de eclipses ocorra. Conforme o tempo passa, esses efeitos vão se desvanecendo.

Victor Nizovtsev – Reprodução

E o que diz o Símbolo Sabiano do grau 29 de Leão (28°52’)? “Uma sereia emerge das ondas do oceano, pronta para renascer na forma humana”. Dane Rudhyar (8), estudioso dos Símbolos Sabianos, nos diz que a nota-chave deste símbolo é “o estágio em que um sentimento intenso – a intuição que se eleva do inconsciente está prestes a assumir a forma como um pensamento consciente”. Ele nos lembra que a sereia simboliza um estágio de consciência ainda não completamente perceptível, parcialmente envolvido pelo oceano, evasivo do inconsciente coletivo, mas já meio formulado pela mente consciente, um estágio familiar a artistas, criativos e pensadores em geral – o que faremos com esta intuição? Rudhyar diz que este símbolo “sugere que o fogo do desejo, pela forma concreta e estável, queima na raiz de todas as técnicas de auto expressão. Uma energia arquetípica inconsciente está chegando à consciência através do criador, como o amor cósmico busca uma manifestação tangível através dos amantes humanos. Todo o universo pré-humano chega ansiosamente ao estágio humano de clara e estável consciência. É este grande impulso evolutivo, este elan vital, que está implícito neste símbolo da encarnação humana que procura a sereia: o anseio pela forma consciente e por solidez”.

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O que isso vem nos dizer? Vem salientar esse foco de luz interior que pode advir da total escuridão parcial do ego; vem nos dizer de um momento mágico, em que uma nova consciência está por nascer; um novo impulso criativo e evolutivo que se manifesta, mas, para que tal impulso se manifeste concretamente, precisa deixar a forma antiga da sereia (o passado ingênuo) para trás. Assim, este símbolo vem ressaltar a qualidade do novo que o eclipse traz, a qualidade de uma nova consciência, que também é simbolizada pelo Grande Trígono Sol-Lua-Marte com Saturno e Urano.

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Resumindo: eclipses são eventos que simbolizam e que podem trazer no seu bojo eventos grandiosos, entre eles, cataclismos e conflitos, mas principalmente, representam o fim de um ciclo e o início de outro; eclipses solares representam um momento de lançar novas sementes e novos projetos, naquela área de vida representada pela casa em que ocorre no mapa natal. Esta família de eclipses sugere a ocorrência de eventos inesperados que afetam grandemente as relações pessoais, particularmente as afetivas, tema repetido no mapa do eclipse atual. Portanto, este eclipse sugere um momento importante de ruptura com o passado, especialmente na esfera das relações, e de se abrir para novas possibilidades e novas maneiras de agir e de se afirmar no mundo! Contudo, é preciso cautela para termos ciência de que estamos tomando as decisões e atitudes certas – nada de agir com precipitação, no calor do momento! Outra coisa a ser evitada é resvalar no medo, no pânico e no sensacionalismo! Enfrentar os medos e permanecer centrado é uma forma de não espiralar no caos.

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Assim, aproveitemos a energia deste eclipse para romper com o passado e seus padrões repetitivos definitivamente, depois de termos refletido e avaliado o que precisa ser deixado para trás – não se preocupe, isso vai ser esfregado na sua cara! Tomemos posse da forte vibração de mudança e novos começos e dessa consciência e intuição incipientes, que começam a se mostrar para nós, mas que só serão manifestadas se as agarrarmos de forma decidida. Lancemos nossas intenções de mudança e transformação de vida! E, respondendo à pergunta do título, podemos até ter uma somatória de medos, que poderá crescer e virar pânico generalizado, mas não precisa ser assim! Não, não tenhamos medo! Antes, vigiemos e oremos e nos sintonizemos com vibrações elevadas, para estarmos prontos para o que quer que seja exigido de nós! Confiemos! O eclipse ocorre conjunto a Marte, o guerreiro, então, acionemos o guerreiro, nobre, corajoso e leal que há em nós. E vamos em frente!

Abaixo segue algumas dicas práticas e simples que podem ajudar a navegar as emoções dos próximos dias. Logo depois tem os significados do eclipse em aspecto aos planetas pessoais (não vou responder sobre os demais planetas) e por fim, sobre as casas.

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O que você pode fazer:

  • Meditação, Yoga, exercícios de ancoragem e enraizamento ou quaisquer outras práticas que lhe tragam serenidade e centramento;
  • Permanecer centrado, com atenção plena no aqui e agora;
  • Exercícios de respiração profunda que propiciem centramento
  • Andar descalça/o na terra também ajuda a descarregar a tensão e aterrar as energias;
  • Florais, como o Rescue, que nem precisa de prescrição;
  • Evitar álcool e substâncias entorpecentes durante estes dias – já estamos meio fora do eixo, essas substância tiram a consciência e o centramento quando mais precisamos deles;
  • Diminuir/evitar a cafeína (presente no café, chá preto, refrigerantes cola e energéticos); a cafeína é um estimulante potente e dependendo da quantidade, pode gerar ou aumentar a ansiedade;
  • Usar cristais de aterramento e proteção: turmalina negra, quartzo fumê, pedra boji, olho de gato, galena, magnetita. E contra o medo: calcita laranja, amazonita, ágata musgo, caraíta, quiastolita (pedra da cruz).
  • E por último, como diz Bernadette Brady, essa família de eclipses também tem efeitos sobre a saúde. O grau 29 (28°52’) de Leão rege o Septo atrioventricular, a parede muscular que divide o coração, portanto, pessoas que têm problemas cardíacos ou histórico de doenças cardíacas na família, são aconselhadas a se cuidarem mais e a ficarem atentas.

Abaixo os significados do eclipse em aspecto com planetas pessoais. Para saber em qual casa e quais planetas recebem aspectos do eclipse, levante seu mapa em www.astro.com; observe em que casa cai o final do signo de Leão, o grau 28; observe se existem planetas entre os graus 23 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) e 03 dos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes). Quanto mais próximo o grau, mais forte a influência do eclipse

Sol – Afeta a vitalidade física, os propósitos pessoais, os homens como o pai, o marido, filhos homens, superiores; afeta o senso de eu e de identidade; auto expressão pessoal. Pode representar problemas de saúde, mudanças expressivas na identidade ou na relação com homens importantes na vida da pessoa.

Lua – Afeta a natureza e a realidade interior, os sentimentos e emoções, as respostas emocionais, as questões orgânicas do corpo (e ginecológicas para as mulheres); o inconsciente; as mulheres na sua vida, mãe, esposa, filhas, amigas. Instintos, hábitos, comportamentos, o lar e a residência. Pode representar mudanças importantes na relação com as mulheres ou na residência.

Mercúrio – Comunicação, estudos, conhecimentos, aprendizados, ideias e conceitos, processos intelectuais; irmãos, parentes próximos, vizinhanças, viagens curtas, trânsito, carros e veículos em geral. Pode significar o início de novos projetos de estudo ou ligados à comunicação/viagens.

Vênus – Relações afetivas, afetos, prazeres, senso de auto-estima e valor, dinheiro, ganhos, beleza, estilo, artes, expressão cultural. Pode significar um novo amor/romance.

Marte – Desejo, vontade, ação, realização, energia, sexualidade; também representa homens na sua vida, principalmente de envolvimento afetivo-sexual; pode significar aumento/diminuição significativo da energia e vitalidade; pode representar nova aventura sexual ou novas empreitadas de realização pessoal; requer muito cuidado, porque sendo planeta de ação, a energia pode se tornar bastante errática e perigosa.

Atentar para as casas regidas pelos planetas aspectados no mapa natal.

A tabelinha vai ajudar a relembrar os eclipses do ano e a influência na área de vida – veja o signo do Ascendente!

Veja os significados por casa no mapa natal:

Casa 1 – Casa angular e super importante onde o eclipse se faz notar de forma inquestionável, especialmente se conjunto ao Ascendente. Período de grande ênfase e destaque pessoal. A energia e o entusiasmo ficam acentuados e você se sente fazendo maior impacto no ambiente e no mundo em geral. Pode ser um bom período para fazer mudanças na aparência física. É um ciclo para se destacar e aparecer – se esse destaque é positivo ou negativo vai depender das ações e atividades desenvolvidas até aqui, assim como dos aspectos que o eclipse possa fazer a planetas natais.

Casa 2 – A ênfase aqui recai sobre os valores, sejam eles materiais ou imateriais. Finanças, posses, patrimônio material vêm para a linha de frente e “eventos” podem se precipitar ligados a ações passadas. Pode ser um bom período para reavaliar investimentos e a gestão dos recursos; para aprender uma nova habilidade que se transforme também em recurso e valor; especialmente para refletir sobre nossos valores mais essenciais e como eles influenciam nossas decisões e escolhas.

Casa 3 – O foco recai sobre estudos e aprendizados, que serão, ou não, estimulados e favorecidos, dependendo dos aspectos do eclipse. Comunicação, veículos, viagens curtas, viagens diárias para o trabalho e deslocamentos em geral também são influenciadas por estas energias. Irmãos e parentes próximos podem também se tornar foco da nossa atenção por diferentes motivos.

Casa 4 – Outra casa angular onde o eclipse tem maior ênfase. Assuntos ligados à família de origem, assim como à família formada pelo indivíduo. Mudança na relação com a figura paterna, que pode ter seu poder e autoridade ofuscados de alguma forma. A atenção é para os assuntos domésticos, do lar e da casa física em que se mora, assim como para a faceta mais íntima da vida privada. Reformas e mudanças na residência são possíveis.

Casa 5 – A criatividade e expressão pessoal recebem grande injeção de ânimo, assim como os romances e atividades de lazer e relaxamento. Filhos, como expressão mais óbvia de nossa criatividade também se tornam o centro das atenções, especialmente o filho mais velho; novas atividades criativas ficam favorecidas, como artes, danças, música, etc. Aconselhável ter cuidado com especulações e jogos de azar. E claro, se as manifestações são benéficas ou estressantes, depende das variáveis do eclipse.

Casa 6 – Trabalho diário, emprego, colegas de trabalho, relação com empregados e servidores, saúde, corpo, cotidiano, bichos de estimação… Todos estes assuntos ficam realçados com um eclipse solar nesta casa. É um momento de avaliar com seriedade a forma como cuidamos da saúde e especialmente avaliar o impacto de maus hábitos sobre ela, como fumar, por exemplo. Reorganização do local de trabalho assim como programas de reeducação alimentar ficam beneficiados.

Casa 7 – Outra casa angular. Todas as relações próximas ficam sob os holofotes, sejam parcerias afetivas ou de negócios, assim como amigos mais chegados e também os tais “inimigos declarados”. Propostas de casamento ou de sociedades são possíveis, assim como rupturas, dependendo de como o eclipse “conversa” com o resto do mapa e dos demais movimentos que estejam acontecendo neste mapa.

Casa 8 – Casa dos valores dos outros, da morte (não necessariamente literal) e renascimento, de crises, de impostos, seguros e heranças. E também do sexo como expressão da parceria íntima. Então todos estes assuntos podem demandar nossos cuidados e nosso tempo, trazendo benefícios ou preocupações. O período pode ser particularmente “quente” sob os lençóis e novos amantes podem aparecer à nossa porta.

Casa 9 – As viagens de longa distancia, assim como as buscas espirituais e a mudança de crenças ocupam nossa atenção quando um eclipse cai nesta casa. Cursos superiores e vida acadêmica, assim como publicações também estão enfatizados. Os parentes do cônjuge também são vistos aqui e podem representar problemas ou alegrias. Novos conhecimentos que expandem a consciência podem ser iniciados a partir de novos contatos ou até mesmo por um livro que começamos a ler.

Casa 10 – A última casa angular, de suma importância. A casa da nossa imagem pública, da carreira, da vocação e também da mãe ou da figura materna arquetípica. Podemos ser promovidos ou demitidos sumariamente; podemos ficar literalmente sob os holofotes em situações públicas e que agregam valor à nossa persona pública e status profissional. Publicidade gratuita pode nos favorecer. Eventos ligados à mãe também podem nos afetar.

Casa 11 –  Um eclipse nesta casa pode indicar um período bom para se iniciar novas amizades, participar de grupos e associações que sempre quisemos mas nunca tomamos a atitude. Aqui vemos os amigos e as relações sociais, que obviamente ganham ênfase especial. As esperanças de futuro e projetos de longo prazo também ficam favorecidos, ou sua realização, reavaliação ou desilusão.

Casa 12 – Possivelmente a casa mais difícil de expressão de um eclipse. A casa da introspecção e do inconsciente. Esqueletos tendem a sair do armário e demandar que lidemos com eles; tabus familiares ou raciais tendem a cair no nosso colo de graça, e não podemos mais fingir que não os vimos; é uma casa de serviço, então somos convidados a prestar serviços que implicam sacrifício ou oferenda de nosso tempo e energia em favor de outros. Podemos nos sentir particularmente introspectivos e sentir o desejo de isolamento e reclusão.

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Fontes:

(1) Galeria do Meteorito: http://www.galeriadometeorito.com/2017/08/horarios-do-eclipse-solar-21-agosto-2017-no-brasil.html

(2) Série Saros 145, site da Nasa: https://eclipse.gsfc.nasa.gov/SEsaros/SEsaros145.htmlBernadette

(3) Bernadette Brady – The Eagle and the Lark – Predictive Astrology – Weiser books

(4) Kelly Surtees – https://kellysastrology.com/

(5) Reinhold Ebertin – The Combination of Stellar Influences

(6) Carol Rushman – The Art of Predictive Astrology

(7) Christine Arens – Eclipses – Webinar promovido por Kepler College em 05/04/2013

(8) Dane Rudhyar – An Astrological Mandala

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Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário – Liberte-se do Passado e Olhe para o Futuro!

Birth Chart Painting – Reprodução

A Lua Cheia que ocorre a 15°25’ de Aquário nesta segunda, dia sete de agosto, é também um Eclipse Parcial da Lua, eclipse que precede o Eclipse Total do Sol acontecendo no dia 21 de agosto. O eclipse se dá às 15h11min no horário de Brasília e às 18h11min no horário de Lisboa. A duração total do eclipse é de cinco horas (o penumbral dura cinco horas e o umbral, mais denso, dura 01h55min), e seus efeitos perduram por cinco meses. Este eclipse é o indivíduo 61 – de um total de 82 – da Série Saros 119, iniciada em 14 de outubro do ano de 935 e que termina em 25 de março de 2396. Esta série é antiga, dura um total de 1460 anos e está se encaminhando para o fim, tendo percorrido já três quartos da sua “vida”. Todos os eclipses desta série acontecem no Nodo Sul (1), apontando para precisão de nos conscientizarmos dos padrões emocionais do passado que ainda nos atrapalham na vida presente.

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Eclipses são lunações super-potentes, porque ocorrem sempre na Lua Nova ou Lua cheia e intensificam, e muito, as energias e temas da lunação. Sinalizam o fim de um ciclo e o início de outro, trazendo muitos assuntos a um estado crítico que demanda resolução imediata, especialmente no caso dos eclipses lunares, que ocorrem na Lua Cheia, e que trazem a sensação de um momento crítico nas relações e assuntos que andavam se arrastando anteriormente. Para entender melhor o que são eclipses, leia este artigo.

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Para “sentirmos” como será este eclipse de amanhã, analisemos primeiro o mapa natal da Série Saros 119, levantado para Brasília – a SS 119 nasceu, na verdade, no Polo Sul, mas levanta-se o mapa para a cidade em que se deseja perceber seu ‘impacto’. A série começa com o eclipse ocorrendo no eixo Áries-Libra, um eixo que fala de relacionamentos, com o Sol estando em queda em Libra e a Lua estando no briguento signo de Áries – aqui fala-se, de imediato, da necessidade de mediar as necessidades pessoais, a individualidade, com as necessidades e os quereres dos outros; busca de equilíbrio e necessidade de ser independente e ter autonomia, mesmo dentro das relações afetivas.

Série Saros Lunar 119 – 14 de outubro de 935, 15h25min (horário de Brasília).

O mapa traz muitas  configurações interessantes, algumas delas similares às que vemos “dançando” nos céus atuais: Saturno está em conjunção a Quíron no signo de Peixes (atualmente temos uma quadratura entre Saturno em Sagitário e Quíron em Peixes, que traz temas semelhantes); Júpiter está em Leão em quadratura a Urano em Touro e estes dois planetas ficam em oposição no eixo Áries-Libra até outubro – também é digno de nota que o eclipse desta segunda cai em oposição ao Júpiter e em trígono ao Mercúrio do mapa natal da série; Marte se afasta de conjunção a Plutão, mas está prestes a ficar retrógrado em Câncer, sua queda, além de estar Fora de Limites; e também há um Grande Trígono em Água, envolvendo Vênus em Escorpião – signo de seu detrimento – Saturno e Quíron em Peixes e Marte/Plutão em Câncer. Por tudo isso, podemos dizer que esta série tem como tema básico os relacionamentos, enfatizando o tema primordial de toda Lua Cheia.

Medusa – Reprodução

O feminino está bem zangado neste mapa, com ambos os seus significadores, Lua e Vênus, sendo regidos por Marte e o próprio Marte estando em Câncer – Lua e Marte estão em recepção mútua. Há uma sensação de raiva reprimida e de dor e sofrimento herdados dos ancestrais. O feminino foi violado, mutilado e está intoxicado de raiva e dor, como Medusa, precisando ser resgatado e liberado. Vênus, em Grande Trígono de Água com Saturno e Quíron em Peixes e ainda com Marte e Plutão, sugere a necessidade de se purgar, depurar essa fúria, esse ódio, além de purgar e curar toda a dor e sensação de limitações e fracassos nas relações; há muito pus a ser extraído e vai doer, mas é necessário fazer esse expurgo, do contrário a ferida só irá piorar e apodrecer; é necessário assumir nossas dores e queixas, reconhecê-las e deixa-las ir, abrir mão delas, em nome de um futuro mais leve; é necessário se transformar a forma de viver as relações, de sair das respostas e soluções fáceis do “preto ou branco”, para se perceber que no espectro das relações humanas cabem milhares e milhares, milhões, de nuances e tonalidades diferentes. Mercúrio está conjunto ao Nodo Norte, em Libra e sugere que tenhamos um mínimo de distanciamento racional de todo o drama aquático, se for para conseguirmos tirar proveito e aprendizados de todas as experiências dolorosas. Todos estes são temas que ficam salientados nas próximas duas semanas, particularmente para indivíduos com ângulos ou planetas entre os graus 10 e 20 dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário).

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Nos Pontos Médios Plutão faz quadratura ao PM entre a Lua e Saturno e oposição ao PM entre Sol e Saturno – é preciso quebrar as amarras, as limitações e inibições e também abrir mão do controle rígido, seja emocional ou racional; Ebertin (2) diz da “necessidade de depender apenas de si mesmo, de crescer e amadurecer usando a força e fazendo-se sozinho… Sofrimento orgânico e sentimentos de depressão… Separação da mãe ou da esposa”. O Nodo Norte faz quincôncio ao PM entre Marte e Saturno e Marte e Quíron – para crescermos e amadurecermos, teremos que enfrentar nossos medos e pavores, fraquezas e fracassos, vitimismos e desejos de salvação. E ainda: Lilith está conjunta ao PM entre Vênus e Júpiter, os dois benéficos – eu diria que, para podermos aproveitar o melhor da vida, suas alegrias e benesses maiores, precisamos lidar com nossa sombra e infernos pessoais, nossas dubiedades e selvageria. Como diz Jung, “qualquer árvore que queira tocar os céus, precisa ter raízes tão profundas a ponto de alcançar os infernos”. Esse é o recado de Lilith na SS 119.

Em resumo, esta série fala de um Ponto de Mutação muito importante nas relações afetivas, uma transformação que vem do enfrentamento das obscuridades, de conseguir erguer-se do lodo, depois de muito tempo chapinhando nele. Aprendizados!

Dados técnicos e caminho do eclipse de 07 de agosto -fonte: site da Nasa

Agora olhemos para o mapa da lunação de amanhã: a Lua Cheia/Eclipse ocorrem no eixo Leão-Aquário, um eixo que trata da polaridade indivíduo versus grupo, de se sentir especial em contraponto a sentir-se comum e anônimo na multidão; de fazer de si mesmo uma Obra Prima Individual que sirva ao coletivo, sem permitir que esse coletivo nos diga o que devemos ser ou fazer. Aquário é o signo da experimentação, de ousar ser diferente, excêntrico, signo de inovação; é o signo da fraternidade e de se sentir inserido na grande comunidade humana, buscando fazer a diferença. Também é um signo de rebeldia, de surpresas e coisas inesperadas.

A Lua é eclipsada pela Terra, isso significa que recebe a sombra da Terra sobre si. Como a Lua representa as emoções instintivas, sentimentos, necessidades emocionais, compulsões e instintos mais básicos, ao ser eclipsada, temos conteúdos básicos e sombrios emergindo à consciência e ficando mais claros e nítidos à nossa percepção, portanto, o eclipse possibilita muitas “iluminações” sobre nossos impulsos, nossas pulsões e compulsões inconscientes e conseguimos nos enxergar a nós mesmos com mais maturidade, talvez a ponto de nos assombrarmos com aquilo que descobrimos, que estava bem à nossa frente, mas não víamos, por estamos por demais envolvidos e identificados com tais assuntos. Este estado de “assombramento”, entretanto, não deve nos paralisar, mas sim propiciar consciência e mais sabedoria emocional e relacional.

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Além de se opor ao Sol, a Lua também se opõe a Marte, que estão conjuntos em Leão e, em Aquário, a Lua nos pede desapego das identificações egoicas, de nos desprendermos das expectativas individuais para focarmos nas necessidades do grupo e no todo; pede-nos uma visão racional, objetiva e lúcida das situações em que estamos envolvidos, lucidez nas crises que porventura nos atingirem – o pior que podemos fazer é entrar em pânico e nos desesperar. Sugere que as brigas sejam travadas de maneira justa e ética e que a honra individual também esteja a serviço do grupo.

Lua Cheia e Eclipse Lunar Parcial em Aquário – Brasília, 07 de agosto de 2017, 15h11min.

Vênus também se destaca neste mapa, sendo parte de um amplo Retângulo Místico, fazendo uma oposição dilatada a Plutão, sextil a Mercúrio e trígono a Netuno, que também estão em oposição e isso sugere que ainda é preciso cautela com as ilusões que criamos nas nossas relações, que precisamos, mais uma vez, transformar nossos apegos, soltar as dores que carregamos por aí como se fossem bichinho de estimação e que nos impedem de ver as novas possibilidades; é necessário viver as relações de maneira libertária e inovadora, sem apegos, sem seguir os modelos falidos das relações emboloradas.

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A Lua está no Ponto Médio entre Netuno e Plutão e Plutão está no Ponto Médio entre a Lua e Saturno – uma das repetições de temas da Série Saros 119. Além disso, o Sol faz quincôncios a Netuno (separativo) e a Plutão (aplicativo), virando foco de um amplo Yod. O coração e a consciência (Sol em Leão) precisam lidar com o peso da Sombra, da necessidade de transformar (Plutão) os conteúdos inconscientes (Lua) de maneira compassiva, com sensibilidade, com imaginação (Netuno). A Lua, representando nossa realidade emocional, nos diz que precisamos ser o elo entre a imaginação, a magia, tudo o que é elusivo e incompreensível para nós, e aqueles nossos conteúdos mais densos, a força de transformação e transmutação alquímica, de modo que tal realidade emocional seja purificada e reciclada e se torne mais leve de ser vivenciada. Como PM entre Lua e Saturno, Plutão sugere, mais uma vez, que se observe e quebre a necessidade de controle, que se transforme a usura emocional em generosa partilha que toca profundamente a alma do outro e que nos permite viver mais plenamente.

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Saturno, co-regente da Lua Cheia, que no mapa natal da SS 119 está conjunto a Quíron, atualmente faz quadratura a este, além de também se afastar de uma ampla quadratura a Netuno, e traz presente o tema do medo do fracasso, das feridas antigas e ancestrais, difíceis de sanar, que doem e incomodam, mas que também nos ensinam muito sobre nós mesmos e a natureza do humano. Essa ferida tem a ver também com uma crise de fé na compaixão e conectividade humanas, uma crise de fé na nossa capacidade de nos redimirmos de todas essas mazelas. Mas essa crise de fé aponta para a imprescindibilidade de tentarmos e insistirmos, de darmos um voto de confiança à centelha divina em nós e de insistirmos em tornar o sonho visível, concretizável.

Ivan quaroni – Reprodução

O outro co-regente do eclipse, Urano, trafega Áries e tem como único aspecto um trígono que recebe de Saturno, possibilitando o diálogo entre o velho e o novo, diálogo, que é mediado por Quíron, que é “a ponte entre o passado (Saturno) e o futuro (Urano)” (Jude Cowell) (3). Mas Urano também tem estado numa dança louca e caótica com Júpiter e, apesar de o aspecto não estar em orbe neste mapa, logo Júpiter fará oposição a Urano novamente, sinalizando rupturas nos sistemas judiciários, nas instituições religiosas, acadêmicas e na própria instituição “sagrada” do “santo matrimônio”, já que Júpiter está em Libra, signo das relações instituídas e reconhecidas – sim, mudanças de paradigmas no que tange a esses sistemas e às relações. Urano sugere que nos liberemos do passado pesado, dos ranços, das expectativas, do desejo ou tendência de viver relações “certinhas” e controladas, por medo da entrega real e verdadeira; Urano convida a nos desatrelarmos das lembranças de sofrimento, que soltemos recordações e deixemos no passado (Saturno) as histórias passadas e amargosas, usando as dores e sentimentos pesados (Quíron) para pavimentar o chão do caminho que nos levará a esse futuro mais promissor (Urano + Lua Aquário).

Sheppardarts – On Deviantart – Reprodução

Aquário, sendo um signo de Ar, racional e objetivo, me lembra a outra ponta do mito de Medusa, mencionado acima em referência a Vênus em Escorpião: a deusa Atena, a Deusa da Estratégia e do Pensamento Racional. No mito, Medusa, que era uma mulher jovem e belíssima, foi estuprada pelo deus Poseidon dentro do templo de Atena, que ficou profundamente ultrajada com tal ocorrido; outras versões do mito dizem que não houve estupro e que Medusa manteve relações consensuais com Poseidon. Como Atena era a Filha do Pai, tendo nascido já adulta da cabeça de Zeus, ela se vinga apenas de Medusa – e ela também não iria incorrer na ira de Poseidon! – pela profanação de seu tempo. Como punição, ela transforma Medusa num monstro serpentino, cujos cabelos eram serpentes; os dentes eram protuberantes e a língua bifurcada; mas o pior era o olhar petrificante, que tornava em pedra qualquer vivente que tivesse a má sorte de olhar para ela. Liz Greene (4) diz que o olhar que petrifica é o ultraje do feminino violado, seja o ultraje de Medusa, seja o ultraje de Atena. Medusa representa a paixão incontida e descontrolada, que se entrega em qualquer lugar, sem observar as regras conscientes da razão; as paixões viscerais e instintivas; já Atena representa a racionalidade, a capacidade de conter tais pulsões, porque talvez sejam destrutivas e porque precisam ser vividas com um mínimo de regra; e Atena também representa a capacidade de sermos objetivos e lúcidos nas nossas relações, algo que está bastante enfatizado nesta Lua Cheia e Eclipse em Aquário. Medusa e o feminino zangado e violado precisam ser redimidos e ser integrados, junto com Atena, afinal, as duas, Medusa e Atena, são dois extremos da mesma polaridade: a razão (Atena) e a paixão irracional (Medusa), duas figuras que estão presentes em todos nós e que são arquétipos importantes do feminino, sombrio ou luminoso. Na Lua Cheia de Aquário precisamos nos alinhar com Atena para podermos viver nossas relações de modo mais lúcido e inteligente e menos doentio.

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Por fim, ainda precisamos olhar a última vez que um eclipse da SS 119 aconteceu, porque isso nos dá pistas dos temas que são ativados no nosso mapa – no eixo de casas em que você tem o grau 15° de Aquário/Leão (veja o artigo geral sobre eclipses, cujo link está no segundo parágrafo deste artigo, para saber os significados dos eclipses por casa). O último eclipse da SS 119 ocorreu em 28 de julho de 1999, a 04°57’ de Aquário – você lembra como estava sua vida nesta época?

E ainda olhamos a última vez em que houve um eclipse no grau 16 (15°00’ a 15°59’) de Aquário, porque ele tocou os mesmos planetas e ângulos e certamente os mesmos temas serão acionados, possivelmente em roupagens diferentes, mas ainda assim, serão os mesmos. Quando foi isso? Isso se deu em sete de agosto de 1998 (08/08/1998). Vale a pena olhar para esse período também, para nos prepararmos para novos aprendizados e liberações nesta área de vida. Tanto os assuntos de 1998 quanto os de 199 podem voltar para serem revistos de alguma forma, portanto, fique atento!

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Luas Cheias também sinalizam tempo de colheita e a qualidade da colheita depende daquilo que plantamos e de como cuidamos da plantação ao longo do tempo. Como Aquário é um signo associado a amizades e relações sociais, é possível que tenhamos algumas ‘crises’ ou mudanças e liberações importantes nesta esfera também. Como estão nossas amizades? São fortes, verdadeiras, são equilibradas? Ou são relações de uso e abuso? São relações que mantemos por comodidade, mesmo percebendo que as afinidades já não se mantêm? Se houver questões mal resolvidas e “penduradas” com amigos, tais questões podem vir à tona para serem endereçadas e clareadas de vez!

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Em resumo, a Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário desta segunda nos convida a nos liberar do passado, a deixar para trás as histórias de dor e fracassos; a celebrar essa liberação e nos abrir a amores novos, sejam os de carne e osso, sejam os amores mais abstratos – inclusive um amor renovado por nós mesmos! Convida a abrir mão dos dramas e a apostar na objetividade, celebrando o tiquinho de lucidez que ainda tenhamos neste mundo louco e também, é claro, a celebrar nossas amizades, que, além da família, são os laços que nos sustentam!

E ainda, períodos de eclipses costumam trazer tensões, incertezas, instabilidades. Convém fazer exercícios de aterramento, meditação, yoga, ou o que funcionar para você. É aconselhável evitar decisões drásticas ou agir por impulso, porque as emoções estão mais afloradas e há propensão a maior imprevisibilidade e caos nas situações em geral – nada para nos deixar em pânico! Lembre-se, todo ano temos pelo menos quatro eclipses e temos sobrevivido até aqui, portanto, centramento e serenidade fazem toda a diferença!

Feliz Lua Cheia para você! Aproveite e termine o que tem que terminar, finalize os ciclos, deixe o passado no passado e olhe para o futuro!

 

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Birth Chart Painting – Reprodução

 

 

 

 

 

 

(1) Site da Nasa: https://eclipse.gsfc.nasa.gov/LEsaros/LEsaros119.html

(2) Reinhol Ebertin – The combination of Stellar Influences

(3) Jude cowell -https://judecowellastrology.blogspot.com.br/

(4) Liz Greene – the Astrology of Fate

Lua Nova em Leão – Fogo Solar, Fogo da Consciência

Desconheço o autor – reprodução

Você anda se sentindo meio para baixo, desanimado? Anda duvidoso da vida e de si mesmo? Sente que só trabalha e lida com problemas sem ter tempo para brincar? Seus problemas acabaram! Vem aí a Lua Nova de Leão, que vem incendiar sua vida de entusiasmo, coragem, confiança, otimismo e paixão! E de quebra, ainda a/o convida a abraçar sua natureza única, seja ela aceita pelas tribos “in” ou totalmente outsider! Brincadeiras à parte, a Lua Nova que acontece em Leão neste domingo realmente vem dar uma sacudida no pessimismo e na falta de ânimo que tem nos acometido nos últimos tempos. A Lua se renova no grau 00°44’ (tecnicamente, grau 1) de Leão, conjunta a Marte, separando-se da quadratura a Urano e do trígono a Quíron, ambos os aspectos fora de signo. A lunação ocorre às 06h46min no horário de Brasília e às 09h46min no horário de Lisboa.

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Marte esteve muitas semanas em Câncer, signo que é muito desconfortável para ele e agora, em Leão, Marte se sente à vontade, na casa de um amigo, da mesma forma que o Sol, dono da casa Leonina, se sente à vontade na casa de Marte, Áries. E onde Marte chega ele aviva, atiça, anima, põe fogo e sendo Leão um signo de fogo, já vimos que os ânimos se incendeiam e, neste caso, positivamente! Portanto, uma vez que a Lua Nova ocorre em conjunção a Marte, este é um ciclo em que nossa vontade está mais firme, em que temos mais ânimo e gosto de lutar.

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Leão é o signo de Fogo Fixo, o fogo constante, da fogueira que aquece a noite toda. Ao falar sobre o Símbolo Sabiano para o grau 1 de Leão, Dane Rudhyar, um dos mais importantes astrólogos do século XX, diz que a nota-chave deste símbolo é “uma irrupção de energia bio-psíquica no campo da consciência controlada pelo ego”. Bom, vamos olhar isso com calma. O Símbolo Sabiano traz a seguinte imagem: “O sangue se precipita à cabeça de um homem enquanto energias são imobilizadas sob o estímulo da ambição”. Rudhyar nos lembra que na tradição oculta três tipos de fogo são mencionados: o elétrico, o fogo solar e o fogo por fricção e cada um deles corresponde a um dos signos de fogo do Zodíaco.  Áries corresponderia à eletricidade, o fogo que desce do espírito, pela Palavra Criativa, o Verbo. Sagitário representa o fogo por fricção porque representa processos sociais, que são baseados em relações interpessoais, em polarização, em conflito. Já Leão representa o Fogo Solar – até porque é regido pelo Sol – e Rudhyar diz que isso representa a energia de uma pessoa integrada, “seja através de radiações espontâneas de formas de energias aparentemente nucleares, ou, no nível verdadeiramente humano e consciente (e também sobre-humano em domínios transcendentes), através de emanações  conscientes (e-manações, de manas, que significa ‘mente’ em sânscrito).

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Rudhyar prossegue dizendo que o símbolo de Leão mostra uma elevação de energia do coração para a cabeça, uma mentalização, um processo que pode ser perigoso, dependendo de como é conduzido e ele se refere ao clarividente que “viu” todas as cenas simbólicas dos Símbolos Sabianos, dizendo que ele teria visto uma cena de ‘apoplexia’, ou insolação, excesso de sol na cabeça e na pele. O Sol dá a vida ou pode destruí-la, depende da relação que estabelecemos com ele. Da mesma maneira é o fogo. Rudhyar vai adiante e diz que a realização do eu espiritual depende de o ego se tornar um cristal puro, capaz de focalizar a luz cósmica, sem ser maculado pelo orgulho, vaidade e possessividade. “A transmutação da vida na mente é um processo difícil”, diz Rudhyar. Podemos ser iluminados ou incinerados – depende do quanto estamos preparados e do equilíbrio entre a confiança e a humildade. O fogo que aquece e dá vida pode facilmente se tornar destrutivo e virar um incêndio descontrolado. Uma combustão. Os processos de combustão geralmente têm subprodutos, que dependem dos elementos geradores da combustão original. Mas a combustão é geradora de energia e de onde vem essa energia e como a utilizamos, define se somos transformados ou destruídos por ela.

Um vídeo que mostra um homem fazendo experimentos com uma “lente” gigante (uma tela de TV descartada) sobre a qual é projetada a luz do Sol.

Essa imagem do fogo solar nos lembra o processo em que o fogo é gerado quando a luz do sol é projetada sobre algum tipo de lente. Esse é literalmente o Fogo Solar – pode salvar ou destruir vidas, dependendo de como é utilizado. Essa lente, como diz Rudhyar, é o ego. Se o ego é forte e saudável, ciente de suas limitações e de que está a serviço do espírito e da alma, ele será um transmissor, um transmutador da luz solar num fogo criativo que transforma e liberta; ao contrário, se o ego é fraco, logo se infla e se enche de auto importância, levando a situações desastrosas, porque é frágil, inseguro e vai usar símbolos exteriores de poder para camuflar essa insegurança. Essa é uma diferença básica entre o Leão positivo e o negativo e esse é um tema básico do Leão – um tema que está bastante realçado na Lua Nova e, por conseguinte, no ciclo todo. É essencial, pois sabermos, qual é o fogo que nos move, se é o fogo que cria ou o fogo que destrói; se é o fogo da criatividade e da alegria ou o fogo do orgulho e da vaidade vazios. Se este fogo está a serviço do espírito e da vida ou apenas a serviço de um ego oco e inflado.

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Vigiar o ego e suas escorregadelas é essencial neste ciclo, iniciado por Lua e Sol conjuntos a Marte, planeta do “eu primeiro, segundo eu, terceiro, eu de novo!”. Sim, é importante darmos prioridade a nós mesmos, porque, afinal, somos a pessoa mais importante de nossas vidas, como diz a canção popular, “sem mim, eu não sou ninguém”. Mas quando isso sai de proporção, perdemos a noção da convivência e da civilidade, porque esquecemos que há outros ao nosso redor e o fogo que deveria trazer um calro agradável torna-se asfixiante e destrutivo.

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Rudhyar diz que essa é a nona cena da primeira etapa da vigésima-quinta sequencia de símbolos, cujo tema e discurso é a ‘combustão’ e cujo nível é o da ação. Combustão dispensa interpretações, mas tomando-a por base, a palavra-chave para este grau de Leão é CONFLAGRAÇÃO. Ou seja, fala das “energias dos impulsos biológicos à medida que irrompem, de forma mais ou menos agressiva, no campo da consciência”. Então, a combustão pode levar a uma conflagração, que é uma tomada de consciência, a posição e consequente ação do eu (fogo) sobre a matéria para transformá-la positivamente. Ou pode, simplesmente, destruir, no seu ímpeto desvairado, como quando o conflito-conflagração desconhece os limites e o sujeito fica possuído, tomado pelo ego, identificado demais com os poderes do espírito, acreditando que são seus, sem perceber que ele é apenas um vaso, um receptáculo de tais forças. O fogo pode, ainda, simplesmente extinguir-se, ser desperdiçado, sem criar ou transformar nada. O que nos leva à pergunta: que tipo de lente nós somos sob este Fogo Solar? Como estamos utilizando o fogo sagrado em nós? Ele é faísca criadora de vida? É labareda da pira sagrada que calcina e purifica nossa matéria mais bruta e inferior? É chama transmutadora de processos e de consciência? Ou é apenas fogo de oba-oba de quem solta fogos de artifícios para “se mostrar” e fazer ruído? Pois então, o fogo ganha vigor e força neste ciclo e depende de nós utilizá-lo criativa e positivamente. E não é qualquer fogo, é o Fogo Solar, trazedor de consciência, para aqueles que estiverem atentos e disponíveis.

Voltando ao mapa da Lua Nova, lembramos que a conjunção a Marte vem ressaltar esse fogo da paixão, do entusiasmo, do fervor. O que nos leva a outras perguntas: pelo quê ou por quem estamos apaixonados? Essa paixão nos transforma positivamente? Marte também traz ímpeto, dinamismo, coragem, garra e vigor, tudo isso temperado com nobreza, portanto, podemos esperar um ciclo mais dramático, mais vivo, mas possivelmente, também mais justo.

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Leão, como já disse em outros artigos, é o signo da criança – assim como é um dos signos do Pai – da espontaneidade, da alegria de viver, de viver pelas verdades do coração. E o que isso diz do ciclo? Que é hora, justamente, de recuperar ou reviver esses valores. De viver com mais autenticidade, com mais honra e também mais alegria. Como? Dando-se conta do que nos alegra no dia a dia, desde as coisas mais simples, às coisas mais significativas e, percebendo isso, dar um jeito de trazer isso para nossa vida. Leão também é signo generoso e leal e vem nos conclamar a viver esses valores também.

Outro ponto digno de nota é que Mercúrio faz um Grande Trígono de Fogo, ao fazer trígono a Saturno em Sagitário e a Urano em Áries, ou seja, constrói uma ponte de imaginação e inspiração entre duas forças opostas, atualmente dispostas a dialogar: o velho e o novo, a tradição e a inovação, a estabilidade e o progresso. E a mente (Mercúrio) é a ponte para tal diálogo. Temos, pois, oportunidade de costurar e conciliar esses conceitos e princípios que parecem tão díspares e a partir de tal conciliação, alterar a vida sem grandes e terríveis turbulências. As oportunidades estão aí, depende de nós agarrá-las ou não.

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Vemos também que a Lua se afasta da quadratura a Urano e do trígono a Quíron. Ambos, Urano e Quíron, de formas diferentes, representam o “outsider”, o forasteiro, o esquisito, o estranho. Urano faz questão e se compraz em ser estranho, porque adora chocar; já Quíron, resigna-se nesse papel, afinal, ele não o escolheu. De qualquer forma, ambos representam a originalidade, os caminhos diferentes, muitas vezes dolorosos, porque podem ser ou parecer “inaceitáveis” para as correntes convencionais. Para Leão, que precisa tanto da admiração de seus pares, é necessário algum trabalho para aceitar as peculiaridades que o coloquem como muito diferente do seu meio, especialmente quando essa diferença o faz vítima de algum preconceito ou segregação. Por fora ele pode esbanjar confiança, mas internamente pode ser afligido pela insegurança. Assim, a Lua Nova sinaliza um tempo de grande potencial de integração das nossas diferenças e inseguranças; um tempo, de abraçar nossas esquisitices, reconhecê-las e integrá-las à nossa identidade, aceitá-las e, consequentemente, aceitar-nos mais integralmente. E quando estamos inteiros, temos mais chances de realizar nossos potenciais e ao realiza-los, transformar e iluminar o mundo à nossa volta. Portanto, a Lua vem sinalizar um tempo de nos darmos conta e tomarmos posse do nosso Fogo Interior, do Fogo Solar que nos sustenta e sustenta nosso espírito, dando ignição para a consciência realizar-se no mundo. É tempo de ficar atentos ao que move nosso coração, figurativa e literalmente: o que faz seu coração bater mais rápido? Isso pode nos dar muitas pistas sobre aquilo que nos incendeia e motiva e também sobre os potenciais latentes e ainda não expressos, esperando a “lente” certa, através da qual serão despertos ou acesos. Aproveite o ciclo de Leão e se observe, observe o que traz alegria o que faz o coração parar ou acelerar! É tempo, pois, de viver a alegria e a espontaneidade da nossa criança, segura, confiante, alegre e feliz!

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É importante lembrar que vamos viver dois ciclos seguidos de Leão. Sim! Temos esta Lua Nova ocorrendo domingo, a zero de Leão, culminando no eclipse e Lua Cheia de Aquário no dia sete de agosto; depois teremos outras Lua Nova em Leão, a 28°52’ deste signo, lunação que é um Eclipse Total do Sol – que aliás, cai em conjunção exata ao ASC e marte do presidente americano Donald Trump e que passa sobre os EUA, dividindo-o ao meio, de Leste a Oeste, prometendo muitas reviravoltas na política americana! Este segundo ciclo Leonino culmina na Lua Cheia de Peixes, no dia seis de setembro. Quer dizer, é uma baita ênfase na energia de Leão, certo? Quer recado mais potente do que esse? Portanto, é hora de nos apossarmos desse Fogo e permitir que ele queime o que precisa ser queimado e que gere nova vida, que incendeie nosso espírito de vigor, coragem e confiança. Além de alegria!

Dreamstime – Reprodução

Leão é o signo que rege o coração, figurativa e literalmente. Tendo dois ciclos seguidos regidos por esse signo, e ainda, considerando-se que teremos um eclipse bastante tenso ocorrendo aqui, as pessoas que têm qualquer problema ou propensão a problemas de coração precisam ficar muito atentas e ter cuidados dobrados com a saúde – é um tempo de emoções intensas e o coração fica mais “excitado” e pode ser exigido demais, portanto, vamos cuidar do nosso coração, também no plano físico!

Para este ciclo, vale se perguntar: com qual fogo você está alinhado? Quais “esquisitices” você carrega que ainda precisam ser integradas? Que paixões positivas podem trazer mais vigor e gozo ao seu dia a dia? Que tipo de lente o seu ego propicia ao fogo sagrado do espírito? Esse fogo que você carrega, vai aquecer ou vai destruir?

Crystal Hazelton – Reprodução

Eu desejo a você um maravilhoso ciclo de Leão! Que possamos ter coragem para expressar o fogo dos nossos potenciais criativos e a audácia de viver a alegria, pelos valores do nosso coração!

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Feliz Lua Nova para você!

Desconheço o autor – reprodução

Lua Cheia em Capricórnio – Cresça e Apareça!

Estamos no ápice do ciclo de Câncer, e este ápice se dá na Lua Cheia de Capricórnio, ocorrendo neste domingo, dia nove de julho, à 00h06min no horário de Brasília e às 04h06min no horário de Lisboa.

Câncer-Capricórnio é o eixo parental, o eixo dos arquétipos da mãe e do pai, da família e da sociedade. Fala de dependência e autossuficiência, das nossas origens e passado e das nossas metas de futuro; da necessidade de criarmos vínculos que nos sustentam, sem deixar que eles impeçam nosso crescimento.

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E crescimento é a palavra-chave dessa Lua Cheia! A Lua está em Capricórnio, fazendo contraponto ao Sol Canceriano e sinalizando que, apesar de ser vital valorizar nossa família, origens e nossos vínculos afetivos, isso não pode ser desculpa para não realizarmos nossas ambições e projetos pessoais e não darmos nossa contribuição à sociedade na qual estamos inseridos – afinal de contas, Capricórnio é regido por Saturno! Cresça e apareça – é o mote dessa Lua! Cresça e se emancipe das dependências e apareça usando adequada e criativamente seu próprio poder! Aliás, crescer nem é uma escolha aqui, é mandatório! Ou fluímos ou vamos na marra mesmo. A vantagem é que quando crescemos, ninguém pode tirar isso de nós!

Lua Cheia em Capricórnio: Brasília, 9 de julho de 2017, 00h06min.

Além de Capricórnio ser o signo que nos obriga a crescer e amadurecer – nem que seja na marra, como já disse –  a Lua Cheia de hoje eleva isso à máxima potência, porque ocorre em conjunção a Plutão e oposição a Marte – além, é claro, da oposição ao Sol. Quer dizer, ou crescemos, ou somos estraçalhados no processo. É um momento em que a matéria de que somos feitos é posta à prova – o quanto conseguimos aguentar na luta insana da sobrevivência? Por que essa luta precisa ser insana? Porque estamos apegados demais às nossas expectativas pueris. apegados, o que é muito diferente de apaixonados ou de amar! Ter uma postura mais adulta e menos dependente – seja de pessoas, coisas ou posses – ajuda muito nesse processo.

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A Lua está conjunta a Plutão e oposta à conjunção Sol-Marte em Câncer e os quatro fazem quadraturas a Júpiter em Libra – no caso de Lua, Sol e Marte, são quadraturas separativas. Quer dizer nossos ideais civilizados de crescimento e evolução (Júpiter em Libra, que estes planetas encontraram antes), precisam enfrentar muitos desafios e nós precisamos confrontar nossa sombra e nossos medos, se for para atingirmos nossas metas mais caras! Também precisamos encarar nossas infantilidades, dependências, birras e desejos regressivos de permanecer protegidos e submersos no útero sustentador (Câncer), se for para sermos “alguém”, se for para sermos donos de nós mesmos e do nosso destino e futuro (Capricórnio). Somos da turma da reclamação? Da vitimação? Do mimimi? Então seremos esmagados pela realidade dura e crua!

Steve de la Mare – reprodução

Vivemos tempos de transformação aguda, que acontece no dia a dia, seja numa iluminação e transformação individuais, seja numa medida sócio-econômico-política que nos afeta, queiramos ou não, direta ou indiretamente. E já estamos cansados de saber: quanto mais dispostos estamos a mudar e transformar em nós, aquilo que é necessário, tanto mais fácil será navegar os tempos turbulentos que vivemos. A Lua Cheia vem descascar mais uma camadinha dessa cebola ardida de lacrimar os olhos!

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Esta é uma lunação muito potente, porque Sol e Marte estão sob a égide da Lua. Contudo, a Lua, por sua vez, está desprotegida, pois está em detrimento, num signo que não lhe é favorável e ainda em conjunção a Plutão. Aqui nós fazemos da fraqueza a força, como é típico de Capricórnio! Por mais frágeis que nos sintamos, colocamos nossa máscara mais fria e dura, arreganhamos os dentes e vamos à luta, com um sorriso glacial e sofisticado nos lábios! E provamos competência, talento, habilidade, disciplina, perseverança, maestria! À custa, muitas vezes, do nosso próprio coração – mas Capricórnio aprendeu a lição: ou endurece ou morre. Como se diz no ditado: a vida é dura para quem é mole! Nesse caso, Capricórnio escolhe desenvolver a casca dura, para proteger suas vulnerabilidades, que em Câncer, estão mais à vista. Portanto, ou encaramos nosso próprio poder e o assumimos e junto encaramos nosso desejo de controlar o ambiente e de transformar a vida; ou nos tornamos impotentes e ficamos à mercê do poder de outros, que não hesitarão em nos esmagar feitos pequenos insetos insignificantes. Mas não, não precisamos esmagar nem petrificar nosso coração no processo. Depois que aprendemos as lições – que já sabemos de cor, como diz na canção – compreendemos que autopreservação não significa isolar-se de tudo e negar-se tudo. É apenas aprender a medida exata das coisas.

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A Lua está em conjunção a Plutão nesta lunação e isso nos traz presente os mitos associados a Plutão: Perséfone, Medusa, Inanna e Erishkigal. Todos são mitos que, entre outros temas, falam de assumir nosso próprio poder, nosso próprio desejo de poder, mas Plutão nunca dá colher de chá. Erishkigal, ao receber a irmã Inanna no Mundo Inferior – que não tinha sido convidada e que se apresenta completamente nua e desprovida de qualquer adereço mundano que a identifica como Rainha dos Céus, Deusa do amor e da Fertilidade – sapeca-lhe na cara, direta e cortante: “você acha que irei lhe poupar, só por ser minha irmã? Enganou-se! Aqui no Mundo Inferior, só entra quem já morreu”. E assim, Erishkigal mata a irmã e a pendura num gancho de açougue para apodrecer. E Inanna é obrigada a confrontar seus piores medos: desvestir-se de tudo o que a identificava como rainha poderosa, o anonimato e esquecimento e, em última instância a morte e a total impotência, ficar à mercê da vontade de outrem. Mas ela tinha um plano B, pois não era tão ingênua. E quando a ajuda chega e ela finalmente é trazida de volta à vida e liberada, já não é a mesma. Foi completamente transformada no confronto consigo mesma – Erishkigal é parte dela mesma, sua Sombra – e agora se conhece mais profundamente e já não teme a escuridão, nem a própria fraqueza, menos ainda, o próprio poder!

Catrin Welz-Stein – reprodução

O poder de que falamos aqui pode ser mundano, mas ele é, essencialmente, o poder espiritual do conhecimento de si mesmo e aquele, não se sustentará sem este! Este poder é exercido e executado de forma prática por Marte, o guerreiro que está a serviço da consciência solar. Ocorre que, nesta lunação ambos, Sol e Marte, como já pontuado, respondem à Lua, pois estão em Câncer, assim, Marte está a serviço da Lua, dos instintos, da emotividade. Negativamente, ficamos à mercê de nossas reações infantis belicosas, dos caprichos e criancices de quem não teve sua vontade forjada no fogo das frustrações e limitações da vida – aqueles que foram excessivamente protegidos, já entram perdendo! Contudo, positivamente, temos a chance de imbuir nossa ação de imaginação, criatividade, espírito, alma, amor! É quando a ação é movida pela própria alma, pelos sentimentos mais puros, lapidados na navalha das frustrações, das negações e limitações que enfrentamos vida afora e que, a despeito de tudo o que nos fizeram sofrer, brindaram-nos com a maturidade precoce, com resiliência e a capacidade de dar o próximo passo, de andar a próxima milha, com amor e perseverança. Porque é necessário!

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Saturno, regente da Lua Cheia, está em retrógrado em Sagitário, fazendo trígono a Urano e quadratura a Quíron. Talvez nos sintamos incapazes de fazer as coisas que precisamos fazer para melhorar a vida, para dar alento aos que estão à nossa volta, mas ainda assim, precisamos insistir, acreditar que é possível transformar o enredo e o cenário, mesmo que vagarosamente. Saturno está retrógrado sugerindo que as mudanças e metas nas quais trabalhamos talvez demorem a ser concretizadas. Entretanto, precisamos continuar firmes. A espera também é parte do processo de aprendizado e talvez faça o sucesso ser mais saboroso.

No mapa levantado para Brasília, além de Lua-Plutão e Sol-Marte estarem no eixo das casas 3 e 9, implicando mudanças na comunicação, pensamento, sistemas de crenças e leis e justiça, Urano está “sentado” no Ascendente do mapa, sugerindo que muitas mudanças são bruscas, radicais e irreversíveis. Temos pela frente algumas semanas de ansiedade, inquietude e eventos inusitados – o que mais pode acontecer nesse Brasil?

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Algo que não podemos esquecer é que essa lunação precede a próxima a temporada de eclipses, que começa no dia 07 de agosto, com a Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário. Então, temos pela frente algumas semanas de transformações intensas, de forjarmos nossa vontade e determinação no fogo das dificuldades e frustrações, para estarmos aptos e enfrentar quaisquer demônios que porventura cruzem nosso caminho.  Assim, é preciso deixar os cueiros, fraldas, chupetas e mamadeiras para trás, para sermos adultos em nosso próprio direito, capazes de assumir nossas responsabilidades, no que elas têm de mais terrível e de mais belo. Junto, deixar as imagens e identificações que não correspondem àquilo que somos verdadeiramente.  Enxugar o rosto, recuperar a compostura, preservar a dignidade; proteger nossos limites, conquistados a duras penas. Indivíduos que porventura insistam em se manter na inconsciência e na imaturidade, sendo irresponsáveis e inconsequentes com sentimentos alheios ou com sua alma mais profunda, para privilegiar apenas seu próprio ego narcisista infantil, poderão se deparar com tempos muito difíceis, em que seu egoísmo imaturo, disfarçado de indecisão será desmascarado duramente.

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Outro ponto importante, é que Capricórnio é um signo relacionado com o poder social e governamental, com o status quo. A Lua Cheia se dá em conjunção a Plutão e indica que tudo aquilo que não é autêntico deverá ser destruído. Cada vez que a Lua passa por Capricórnio, todo mês, e faz conjunção a Plutão, somos lembrados disso de novo. A mesma coisa ocorre com os trânsitos dos outros planetas. De 2008 a fevereiro de 2024 (quando Plutão sai de Capricórnio definitivamente) vivenciamos isso todos os meses, de forma mais ou menos intensa, e o fazemos individual e coletivamente. Então, além de nos desafiar a crescer individualmente, a Lua Cheia nos desafia a crescer como cidadãos, a ser mais realistas, abandonar as esperanças tolas e vãs e fazer o checklist objetivo do que podemos mudar na nossa atitude social – afinal, não estamos numa bolha e não podemos fingir que não é conosco (veja o vídeo ao final do texto).

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Alguém já disse que nossa mãe nos pariu uma vez, quando nascemos e que, ao longo da vida, somos obrigados, muitas e muitas vezes, a parir a nós mesmos, no eterno processo de crescimento e aprendizagem que viemos empreender aqui. A Lua Cheia de Capricórnio de hoje sinaliza mais um parto. Que não seja a fórceps, porque se a trilha e o caminho são abertos por nós mesmos, a jornada será sempre mais prazerosa! que tenhamos a coragem de demolir o que precisa ser demolido e arregaçar as mangas para construir o novo edifício da nossa vida!

Em termos práticos, essa lunação deixa os ânimos bastante alterados e explosivos, portanto, é bom pegar leve, consigo e com os outros. Pessoas com planetas ou ângulos entre os graus 12 e 22 dos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) sentem de forma mais intensa essa lunação.

Feliz Lua Cheia para você!

O vídeo a que me refiro acima (desculpem, estava na correria ontem e acabei não postando o link do vídeo!) é este de um discurso de  J. K. Rowling na abertura de uma formatura em Harvard, em 2008. Vale muito a pena ver, porque traz reflexões profundas pertinentes a essa Lua Cheia e à nossa vida em geral!

 

 

Lua Nova em Câncer – Fazendo as pazes com o passado

A Lua se renova em Câncer hoje, às 23h31min no horário de Brasília e às 02h31min no horário de Liboa. A lunação se dá no grau 02°47′ de Câncer, em conjunção a Mercúrio e a Marte, que estão, ambos, “Forasteiros” ou “Fora dos Limites do Sol”.

Câncer é o signo dos cuidados, dos sentimentos profundos, da nutrição, do passado, das raízes e origens; o signo que nos lembra que nascemos numa família, de uma mãe que nos nutriu, literal e figurativamente, e de um pai que nos empurra para o mundo e para o futuro. Assim, o ciclo de Câncer sinaliza um tempo de honrar tudo isso em nossa vida: nossa família, origens, passado e história; a sentir e viver nossos sentimentos, a estreitar os laços que nos sustentam e a deixar a família de origem para trás, para ser capazes de criar nosso próprio núcleo, nosso próprio ninho e dar continuidade à semente que herdamos daqueles que vieram antes.

A Lua Nova de hoje nos chama, com amor e devoção, a voltar a essas origens, a honrar essa história que é nossa, no que  ela tem de bom e de ruim, porque, afinal, tudo contribuiu para sermos o que somos hoje, o bom e o ruim. Tudo foi adubo e fermento, tudo o que vivemos. Tudo, absolutamente tudo, fortifica nossas raízes, para que galhos, folhas, flores e frutos sejam fortes, vigorosos e belos (Capricórnio, o signo oposto).

Em Câncer, entramos em contato com o viço que gera a vida, a seiva nutritiva que alimenta o corpo, a alma, a própria vida. É onde nos nutrimos e abastecemos e, abastecidos, nutrimos também a outros, cuidando, protegendo, amando.

O mapa da Lua Nova traz uma enormidade de Água ativada e apenas Júpiter como singleton em Ar, ou seja, as comportas de tudo quanto foi represado são abertas, os conteúdos liberados e não temos alternativa, senão sentir, profunda e visceralmente. Portanto, estamos mais sensíveis, emotivos e carentes e isso nos leva a uma pergunta: como temos feito nossa própria maternagem?  Câncer nos lembra da interdependência, de que precisamos uns dos outros, de que a família é nossa base, é o marco zero da nossa vida. Como estão nossas relações familiares? São saudáveis? Pestilentas e rancorosas? Cheias de mágoas e ressentimentos? Cheias de histórias e recordações bonitas ou segredos espúrios obscuros, dos quais não queremos lembrar? Não seria hora de curar tudo isso? Deixar esse passado pesado para trás?

A Lua Nova acontece em conjunção a Mercúrio e a Marte e Marte, opondo-se a Plutão, é a base de uma T-Square que tem Júpiter em Libra como foco. Isso pede que mantenhamos em cheque a criança birrenta e zangada dentro de nós, que diluamos raivas, mágoas e rancores, nas grandes águas Cancerianas. Júpiter, como foco dessa T-Square, sugere que devemos equilibrar as influências parentais dentro de nós, o Pai e a Mãe, para que possamos ter relações felizes e autênticas e não meras repetições dos erros dos nossos pais – os quais tanto criticamos e dos quais tanto fugimos. Para que possamos ter relações felizes, justas e equilibradas, que nos impulsionem e contribuam para sermos pessoas melhores, precisamos confrontar esses medos e expectativas infantis, a raiva primal da criança insatisfeita, que ainda espera que mamãe vá resolver todos os nossos problemas mesquinhos – ou graves – com seu olhar e palavras doces.

É hora de plantar novas sementes, novos sentimentos e relações. Mas tais sementes só prosperarão se tivermos coragem de purificar o solo, livrando-o das nossas mágoas, do nosso passado tóxico, das nossas expectativas infantis, tanto em relação às figuras parentais, quanto em relação aos nossos parceiros. Do contrário, estamos condenando nossa vida afetiva e o futuro em geral a ser uma repetição de tudo aquilo que desaprovamos na nossa família.

Em lugar de nos sentir vitimizados pelo que quer que tenha acontencido na nossa família e no nosso passado, precisamos soltar e deixar isso para trás; confrontar nossos medos, nossos demônios e assim amadurecer e nos fortalecer, para encontrarmos nosso equilíbrio interno, o fiel da balança da nossa alma. Se queremos nos livrar de um passado triste e doloroso, precisamos abrir mão dele, realmente, não apenas no discurso, mas principalmente na atitude. Parar de bancar as vítimas do sistema familiar e perceber que todos temos nossa parcela de responsabilidade por estar onde estamos e que, mais do que nunca, precisamos nos responsabilizar pelas escolhas e decisões que nos levarão a ser a pessoa que queremos nos tornar. Para isso, é preciso abrir mão também do anseio por ser cuidado, indefinidamente; o anseio por não ter que escolher, não ter que se responsabilizar…

E sobre o passado, as mágoas e dores? Podemos purificar tudo isso! Para cada mágoa ou memória negativa, medite na prece do Hoponopono: “Eu sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grata/o”. Podemos fazer essa prece para todas as situações dolorosas da nossa vida, inclusive para perdoar a nós mesmos, até que nos sintamos mais leves, purificados, amparados pela nossa Mãe Arquetípica – interna – que cuidará para que não precisemos despejar nossas carências infinitas sobre outros, nem nossas mágoas e amargor. Assim, poderemos voltar a apreciar o doce da vida, literal e figurativamente.

Faça as pazes com seu passado, sua família, com você mesmo. Não precisamos repetir enredos! Se estivermos conscientes e despertos, não estaremos fadados a isso, E assim, poderemos plantar novas sementes de amor genuino, de sentimentos verdadeiros, de vínculos fortes, baseados no respeito e na honestidade e não nas dependências e jogos emocionais.

Uma linda Lua Nova Nova para você! E um ótimo ciclo, de nutrição, perdão e amor. Sempre é tempo de recomeçar nossa história!

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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala