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Lua Nova em Leão – Fogo Solar, Fogo da Consciência

Desconheço o autor – reprodução

Você anda se sentindo meio para baixo, desanimado? Anda duvidoso da vida e de si mesmo? Sente que só trabalha e lida com problemas sem ter tempo para brincar? Seus problemas acabaram! Vem aí a Lua Nova de Leão, que vem incendiar sua vida de entusiasmo, coragem, confiança, otimismo e paixão! E de quebra, ainda a/o convida a abraçar sua natureza única, seja ela aceita pelas tribos “in” ou totalmente outsider! Brincadeiras à parte, a Lua Nova que acontece em Leão neste domingo realmente vem dar uma sacudida no pessimismo e na falta de ânimo que tem nos acometido nos últimos tempos. A Lua se renova no grau 00°44’ (tecnicamente, grau 1) de Leão, conjunta a Marte, separando-se da quadratura a Urano e do trígono a Quíron, ambos os aspectos fora de signo. A lunação ocorre às 05h46min no horário de Brasília e às 09h46min no horário de Lisboa.

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Marte esteve muitas semanas em Câncer, signo que é muito desconfortável para ele e agora, em Leão, Marte se sente à vontade, na casa de um amigo, da mesma forma que o Sol, dono da casa Leonina, se sente à vontade na casa de Marte, Áries. E onde Marte chega ele aviva, atiça, anima, põe fogo e sendo Leão um signo de fogo, já vimos que os ânimos se incendeiam e, neste caso, positivamente! Portanto, uma vez que a Lua Nova ocorre em conjunção a Marte, este é um ciclo em que nossa vontade está mais firme, em que temos mais ânimo e gosto de lutar.

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Leão é o signo de Fogo Fixo, o fogo constante, da fogueira que aquece a noite toda. Ao falar sobre o Símbolo Sabiano para o grau 1 de Leão, Dane Rudhyar, um dos mais importantes astrólogos do século XX, diz que a nota-chave deste símbolo é “uma irrupção de energia bio-psíquica no campo da consciência controlada pelo ego”. Bom, vamos olhar isso com calma. O Símbolo Sabiano traz a seguinte imagem: “O sangue se precipita à cabeça de um homem enquanto energias são imobilizadas sob o estímulo da ambição”. Rudhyar nos lembra que na tradição oculta três tipos de fogo são mencionados: o elétrico, o fogo solar e o fogo por fricção e cada um deles corresponde a um dos signos de fogo do Zodíaco.  Áries corresponderia à eletricidade, o fogo que desce do espírito, pela Palavra Criativa, o Verbo. Sagitário representa o fogo por fricção porque representa processos sociais, que são baseados em relações interpessoais, em polarização, em conflito. Já Leão representa o Fogo Solar – até porque é regido pelo Sol – e Rudhyar diz que isso representa a energia de uma pessoa integrada, “seja através de radiações espontâneas de formas de energias aparentemente nucleares, ou, no nível verdadeiramente humano e consciente (e também sobre-humano em domínios transcendentes), através de emanações  conscientes (e-manações, de manas, que significa ‘mente’ em sânscrito).

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Rudhyar prossegue dizendo que o símbolo de Leão mostra uma elevação de energia do coração para a cabeça, uma mentalização, um processo que pode ser perigoso, dependendo de como é conduzido e ele se refere ao clarividente que “viu” todas as cenas simbólicas dos Símbolos Sabianos, dizendo que ele teria visto uma cena de ‘apoplexia’, ou insolação, excesso de sol na cabeça e na pele. O Sol dá a vida ou pode destruí-la, depende da relação que estabelecemos com ele. Da mesma maneira é o fogo. Rudhyar vai adiante e diz que a realização do eu espiritual depende de o ego se tornar um cristal puro, capaz de focalizar a luz cósmica, sem ser maculado pelo orgulho, vaidade e possessividade. “A transmutação da vida na mente é um processo difícil”, diz Rudhyar. Podemos ser iluminados ou incinerados – depende do quanto estamos preparados e do equilíbrio entre a confiança e a humildade. O fogo que aquece e dá vida pode facilmente se tornar destrutivo e virar um incêndio descontrolado. Uma combustão. Os processos de combustão geralmente têm subprodutos, que dependem dos elementos geradores da combustão original. Mas a combustão é geradora de energia e de onde vem essa energia e como a utilizamos, define se somos transformados ou destruídos por ela.

Um vídeo que mostra um homem fazendo experimentos com uma “lente” gigante (uma tela de TV descartada) sobre a qual é projetada a luz do Sol.

Essa imagem do fogo solar nos lembra o processo em que o fogo é gerado quando a luz do sol é projetada sobre algum tipo de lente. Esse é literalmente o Fogo Solar – pode salvar ou destruir vidas, dependendo de como é utilizado. Essa lente, como diz Rudhyar, é o ego. Se o ego é forte e saudável, ciente de suas limitações e de que está a serviço do espírito e da alma, ele será um transmissor, um transmutador da luz solar num fogo criativo que transforma e liberta; ao contrário, se o ego é fraco, logo se infla e se enche de auto importância, levando a situações desastrosas, porque é frágil, inseguro e vai usar símbolos exteriores de poder para camuflar essa insegurança. Essa é uma diferença básica entre o Leão positivo e o negativo e esse é um tema básico do Leão – um tema que está bastante realçado na Lua Nova e, por conseguinte, no ciclo todo. É essencial, pois sabermos, qual é o fogo que nos move, se é o fogo que cria ou o fogo que destrói; se é o fogo da criatividade e da alegria ou o fogo do orgulho e da vaidade vazios. Se este fogo está a serviço do espírito e da vida ou apenas a serviço de um ego oco e inflado.

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Vigiar o ego e suas escorregadelas é essencial neste ciclo, iniciado por Lua e Sol conjuntos a Marte, planeta do “eu primeiro, segundo eu, terceiro, eu de novo!”. Sim, é importante darmos prioridade a nós mesmos, porque, afinal, somos a pessoa mais importante de nossas vidas, como diz a canção popular, “sem mim, eu não sou ninguém”. Mas quando isso sai de proporção, perdemos a noção da convivência e da civilidade, porque esquecemos que há outros ao nosso redor e o fogo que deveria trazer um calro agradável torna-se asfixiante e destrutivo.

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Rudhyar diz que essa é a nona cena da primeira etapa da vigésima-quinta sequencia de símbolos, cujo tema e discurso é a ‘combustão’ e cujo nível é o da ação. Combustão dispensa interpretações, mas tomando-a por base, a palavra-chave para este grau de Leão é CONFLAGRAÇÃO. Ou seja, fala das “energias dos impulsos biológicos à medida que irrompem, de forma mais ou menos agressiva, no campo da consciência”. Então, a combustão pode levar a uma conflagração, que é uma tomada de consciência, a posição e consequente ação do eu (fogo) sobre a matéria para transformá-la positivamente. Ou pode, simplesmente, destruir, no seu ímpeto desvairado, como quando o conflito-conflagração desconhece os limites e o sujeito fica possuído, tomado pelo ego, identificado demais com os poderes do espírito, acreditando que são seus, sem perceber que ele é apenas um vaso, um receptáculo de tais forças. O fogo pode, ainda, simplesmente extinguir-se, ser desperdiçado, sem criar ou transformar nada. O que nos leva à pergunta: que tipo de lente nós somos sob este Fogo Solar? Como estamos utilizando o fogo sagrado em nós? Ele é faísca criadora de vida? É labareda da pira sagrada que calcina e purifica nossa matéria mais bruta e inferior? É chama transmutadora de processos e de consciência? Ou é apenas fogo de oba-oba de quem solta fogos de artifícios para “se mostrar” e fazer ruído? Pois então, o fogo ganha vigor e força neste ciclo e depende de nós utilizá-lo criativa e positivamente. E não é qualquer fogo, é o Fogo Solar, trazedor de consciência, para aqueles que estiverem atentos e disponíveis.

Voltando ao mapa da Lua Nova, lembramos que a conjunção a Marte vem ressaltar esse fogo da paixão, do entusiasmo, do fervor. O que nos leva a outras perguntas: pelo quê ou por quem estamos apaixonados? Essa paixão nos transforma positivamente? Marte também traz ímpeto, dinamismo, coragem, garra e vigor, tudo isso temperado com nobreza, portanto, podemos esperar um ciclo mais dramático, mais vivo, mas possivelmente, também mais justo.

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Leão, como já disse em outros artigos, é o signo da criança – assim como é um dos signos do Pai – da espontaneidade, da alegria de viver, de viver pelas verdades do coração. E o que isso diz do ciclo? Que é hora, justamente, de recuperar ou reviver esses valores. De viver com mais autenticidade, com mais honra e também mais alegria. Como? Dando-se conta do que nos alegra no dia a dia, desde as coisas mais simples, às coisas mais significativas e, percebendo isso, dar um jeito de trazer isso para nossa vida. Leão também é signo generoso e leal e vem nos conclamar a viver esses valores também.

Outro ponto digno de nota é que Mercúrio faz um Grande Trígono de Fogo, ao fazer trígono a Saturno em Sagitário e a Urano em Áries, ou seja, constrói uma ponte de imaginação e inspiração entre duas forças opostas, atualmente dispostas a dialogar: o velho e o novo, a tradição e a inovação, a estabilidade e o progresso. E a mente (Mercúrio) é a ponte para tal diálogo. Temos, pois, oportunidade de costurar e conciliar esses conceitos e princípios que parecem tão díspares e a partir de tal conciliação, alterar a vida sem grandes e terríveis turbulências. As oportunidades estão aí, depende de nós agarrá-las ou não.

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Vemos também que a Lua se afasta da quadratura a Urano e do trígono a Quíron. Ambos, Urano e Quíron, de formas diferentes, representam o “outsider”, o forasteiro, o esquisito, o estranho. Urano faz questão e se compraz em ser estranho, porque adora chocar; já Quíron, resigna-se nesse papel, afinal, ele não o escolheu. De qualquer forma, ambos representam a originalidade, os caminhos diferentes, muitas vezes dolorosos, porque podem ser ou parecer “inaceitáveis” para as correntes convencionais. Para Leão, que precisa tanto da admiração de seus pares, é necessário algum trabalho para aceitar as peculiaridades que o coloquem como muito diferente do seu meio, especialmente quando essa diferença o faz vítima de algum preconceito ou segregação. Por fora ele pode esbanjar confiança, mas internamente pode ser afligido pela insegurança. Assim, a Lua Nova sinaliza um tempo de grande potencial de integração das nossas diferenças e inseguranças; um tempo, de abraçar nossas esquisitices, reconhecê-las e integrá-las à nossa identidade, aceitá-las e, consequentemente, aceitar-nos mais integralmente. E quando estamos inteiros, temos mais chances de realizar nossos potenciais e ao realiza-los, transformar e iluminar o mundo à nossa volta. Portanto, a Lua vem sinalizar um tempo de nos darmos conta e tomarmos posse do nosso Fogo Interior, do Fogo Solar que nos sustenta e sustenta nosso espírito, dando ignição para a consciência realizar-se no mundo. É tempo de ficar atentos ao que move nosso coração, figurativa e literalmente: o que faz seu coração bater mais rápido? Isso pode nos dar muitas pistas sobre aquilo que nos incendeia e motiva e também sobre os potenciais latentes e ainda não expressos, esperando a “lente” certa, através da qual serão despertos ou acesos. Aproveite o ciclo de Leão e se observe, observe o que traz alegria o que faz o coração parar ou acelerar! É tempo, pois, de viver a alegria e a espontaneidade da nossa criança, segura, confiante, alegre e feliz!

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É importante lembrar que vamos viver dois ciclos seguidos de Leão. Sim! Temos esta Lua Nova ocorrendo domingo, a zero de Leão, culminando no eclipse e Lua Cheia de Aquário no dia sete de agosto; depois teremos outras Lua Nova em Leão, a 28°52’ deste signo, lunação que é um Eclipse Total do Sol – que aliás, cai em conjunção exata ao ASC e marte do presidente americano Donald Trump e que passa sobre os EUA, dividindo-o ao meio, de Leste a Oeste, prometendo muitas reviravoltas na política americana! Este segundo ciclo Leonino culmina na Lua Cheia de Peixes, no dia seis de setembro. Quer dizer, é uma baita ênfase na energia de Leão, certo? Quer recado mais potente do que esse? Portanto, é hora de nos apossarmos desse Fogo e permitir que ele queime o que precisa ser queimado e que gere nova vida, que incendeie nosso espírito de vigor, coragem e confiança. Além de alegria!

Dreamstime – Reprodução

Leão é o signo que rege o coração, figurativa e literalmente. Tendo dois ciclos seguidos regidos por esse signo, e ainda, considerando-se que teremos um eclipse bastante tenso ocorrendo aqui, as pessoas que têm qualquer problema ou propensão a problemas de coração precisam ficar muito atentas e ter cuidados dobrados com a saúde – é um tempo de emoções intensas e o coração fica mais “excitado” e pode ser exigido demais, portanto, vamos cuidar do nosso coração, também no plano físico!

Para este ciclo, vale se perguntar: com qual fogo você está alinhado? Quais “esquisitices” você carrega que ainda precisam ser integradas? Que paixões positivas podem trazer mais vigor e gozo ao seu dia a dia? Que tipo de lente o seu ego propicia ao fogo sagrado do espírito? Esse fogo que você carrega, vai aquecer ou vai destruir?

Crystal Hazelton – Reprodução

Eu desejo a você um maravilhoso ciclo de Leão! Que possamos ter coragem para expressar o fogo dos nossos potenciais criativos e a audácia de viver a alegria, pelos valores do nosso coração!

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Feliz Lua Nova para você!

Desconheço o autor – reprodução

Lua Cheia em Capricórnio – Cresça e Apareça!

Estamos no ápice do ciclo de Câncer, e este ápice se dá na Lua Cheia de Capricórnio, ocorrendo neste domingo, dia nove de julho, à 00h06min no horário de Brasília e às 04h06min no horário de Lisboa.

Câncer-Capricórnio é o eixo parental, o eixo dos arquétipos da mãe e do pai, da família e da sociedade. Fala de dependência e autossuficiência, das nossas origens e passado e das nossas metas de futuro; da necessidade de criarmos vínculos que nos sustentam, sem deixar que eles impeçam nosso crescimento.

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E crescimento é a palavra-chave dessa Lua Cheia! A Lua está em Capricórnio, fazendo contraponto ao Sol Canceriano e sinalizando que, apesar de ser vital valorizar nossa família, origens e nossos vínculos afetivos, isso não pode ser desculpa para não realizarmos nossas ambições e projetos pessoais e não darmos nossa contribuição à sociedade na qual estamos inseridos – afinal de contas, Capricórnio é regido por Saturno! Cresça e apareça – é o mote dessa Lua! Cresça e se emancipe das dependências e apareça usando adequada e criativamente seu próprio poder! Aliás, crescer nem é uma escolha aqui, é mandatório! Ou fluímos ou vamos na marra mesmo. A vantagem é que quando crescemos, ninguém pode tirar isso de nós!

Lua Cheia em Capricórnio: Brasília, 9 de julho de 2017, 00h06min.

Além de Capricórnio ser o signo que nos obriga a crescer e amadurecer – nem que seja na marra, como já disse –  a Lua Cheia de hoje eleva isso à máxima potência, porque ocorre em conjunção a Plutão e oposição a Marte – além, é claro, da oposição ao Sol. Quer dizer, ou crescemos, ou somos estraçalhados no processo. É um momento em que a matéria de que somos feitos é posta à prova – o quanto conseguimos aguentar na luta insana da sobrevivência? Por que essa luta precisa ser insana? Porque estamos apegados demais às nossas expectativas pueris. apegados, o que é muito diferente de apaixonados ou de amar! Ter uma postura mais adulta e menos dependente – seja de pessoas, coisas ou posses – ajuda muito nesse processo.

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A Lua está conjunta a Plutão e oposta à conjunção Sol-Marte em Câncer e os quatro fazem quadraturas a Júpiter em Libra – no caso de Lua, Sol e Marte, são quadraturas separativas. Quer dizer nossos ideais civilizados de crescimento e evolução (Júpiter em Libra, que estes planetas encontraram antes), precisam enfrentar muitos desafios e nós precisamos confrontar nossa sombra e nossos medos, se for para atingirmos nossas metas mais caras! Também precisamos encarar nossas infantilidades, dependências, birras e desejos regressivos de permanecer protegidos e submersos no útero sustentador (Câncer), se for para sermos “alguém”, se for para sermos donos de nós mesmos e do nosso destino e futuro (Capricórnio). Somos da turma da reclamação? Da vitimação? Do mimimi? Então seremos esmagados pela realidade dura e crua!

Steve de la Mare – reprodução

Vivemos tempos de transformação aguda, que acontece no dia a dia, seja numa iluminação e transformação individuais, seja numa medida sócio-econômico-política que nos afeta, queiramos ou não, direta ou indiretamente. E já estamos cansados de saber: quanto mais dispostos estamos a mudar e transformar em nós, aquilo que é necessário, tanto mais fácil será navegar os tempos turbulentos que vivemos. A Lua Cheia vem descascar mais uma camadinha dessa cebola ardida de lacrimar os olhos!

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Esta é uma lunação muito potente, porque Sol e Marte estão sob a égide da Lua. Contudo, a Lua, por sua vez, está desprotegida, pois está em detrimento, num signo que não lhe é favorável e ainda em conjunção a Plutão. Aqui nós fazemos da fraqueza a força, como é típico de Capricórnio! Por mais frágeis que nos sintamos, colocamos nossa máscara mais fria e dura, arreganhamos os dentes e vamos à luta, com um sorriso glacial e sofisticado nos lábios! E provamos competência, talento, habilidade, disciplina, perseverança, maestria! À custa, muitas vezes, do nosso próprio coração – mas Capricórnio aprendeu a lição: ou endurece ou morre. Como se diz no ditado: a vida é dura para quem é mole! Nesse caso, Capricórnio escolhe desenvolver a casca dura, para proteger suas vulnerabilidades, que em Câncer, estão mais à vista. Portanto, ou encaramos nosso próprio poder e o assumimos e junto encaramos nosso desejo de controlar o ambiente e de transformar a vida; ou nos tornamos impotentes e ficamos à mercê do poder de outros, que não hesitarão em nos esmagar feitos pequenos insetos insignificantes. Mas não, não precisamos esmagar nem petrificar nosso coração no processo. Depois que aprendemos as lições – que já sabemos de cor, como diz na canção – compreendemos que autopreservação não significa isolar-se de tudo e negar-se tudo. É apenas aprender a medida exata das coisas.

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A Lua está em conjunção a Plutão nesta lunação e isso nos traz presente os mitos associados a Plutão: Perséfone, Medusa, Inanna e Erishkigal. Todos são mitos que, entre outros temas, falam de assumir nosso próprio poder, nosso próprio desejo de poder, mas Plutão nunca dá colher de chá. Erishkigal, ao receber a irmã Inanna no Mundo Inferior – que não tinha sido convidada e que se apresenta completamente nua e desprovida de qualquer adereço mundano que a identifica como Rainha dos Céus, Deusa do amor e da Fertilidade – sapeca-lhe na cara, direta e cortante: “você acha que irei lhe poupar, só por ser minha irmã? Enganou-se! Aqui no Mundo Inferior, só entra quem já morreu”. E assim, Erishkigal mata a irmã e a pendura num gancho de açougue para apodrecer. E Inanna é obrigada a confrontar seus piores medos: desvestir-se de tudo o que a identificava como rainha poderosa, o anonimato e esquecimento e, em última instância a morte e a total impotência, ficar à mercê da vontade de outrem. Mas ela tinha um plano B, pois não era tão ingênua. E quando a ajuda chega e ela finalmente é trazida de volta à vida e liberada, já não é a mesma. Foi completamente transformada no confronto consigo mesma – Erishkigal é parte dela mesma, sua Sombra – e agora se conhece mais profundamente e já não teme a escuridão, nem a própria fraqueza, menos ainda, o próprio poder!

Catrin Welz-Stein – reprodução

O poder de que falamos aqui pode ser mundano, mas ele é, essencialmente, o poder espiritual do conhecimento de si mesmo e aquele, não se sustentará sem este! Este poder é exercido e executado de forma prática por Marte, o guerreiro que está a serviço da consciência solar. Ocorre que, nesta lunação ambos, Sol e Marte, como já pontuado, respondem à Lua, pois estão em Câncer, assim, Marte está a serviço da Lua, dos instintos, da emotividade. Negativamente, ficamos à mercê de nossas reações infantis belicosas, dos caprichos e criancices de quem não teve sua vontade forjada no fogo das frustrações e limitações da vida – aqueles que foram excessivamente protegidos, já entram perdendo! Contudo, positivamente, temos a chance de imbuir nossa ação de imaginação, criatividade, espírito, alma, amor! É quando a ação é movida pela própria alma, pelos sentimentos mais puros, lapidados na navalha das frustrações, das negações e limitações que enfrentamos vida afora e que, a despeito de tudo o que nos fizeram sofrer, brindaram-nos com a maturidade precoce, com resiliência e a capacidade de dar o próximo passo, de andar a próxima milha, com amor e perseverança. Porque é necessário!

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Saturno, regente da Lua Cheia, está em retrógrado em Sagitário, fazendo trígono a Urano e quadratura a Quíron. Talvez nos sintamos incapazes de fazer as coisas que precisamos fazer para melhorar a vida, para dar alento aos que estão à nossa volta, mas ainda assim, precisamos insistir, acreditar que é possível transformar o enredo e o cenário, mesmo que vagarosamente. Saturno está retrógrado sugerindo que as mudanças e metas nas quais trabalhamos talvez demorem a ser concretizadas. Entretanto, precisamos continuar firmes. A espera também é parte do processo de aprendizado e talvez faça o sucesso ser mais saboroso.

No mapa levantado para Brasília, além de Lua-Plutão e Sol-Marte estarem no eixo das casas 3 e 9, implicando mudanças na comunicação, pensamento, sistemas de crenças e leis e justiça, Urano está “sentado” no Ascendente do mapa, sugerindo que muitas mudanças são bruscas, radicais e irreversíveis. Temos pela frente algumas semanas de ansiedade, inquietude e eventos inusitados – o que mais pode acontecer nesse Brasil?

Mia Araujo – reprodução

Algo que não podemos esquecer é que essa lunação precede a próxima a temporada de eclipses, que começa no dia 07 de agosto, com a Lua Cheia e Eclipse Lunar em Aquário. Então, temos pela frente algumas semanas de transformações intensas, de forjarmos nossa vontade e determinação no fogo das dificuldades e frustrações, para estarmos aptos e enfrentar quaisquer demônios que porventura cruzem nosso caminho.  Assim, é preciso deixar os cueiros, fraldas, chupetas e mamadeiras para trás, para sermos adultos em nosso próprio direito, capazes de assumir nossas responsabilidades, no que elas têm de mais terrível e de mais belo. Junto, deixar as imagens e identificações que não correspondem àquilo que somos verdadeiramente.  Enxugar o rosto, recuperar a compostura, preservar a dignidade; proteger nossos limites, conquistados a duras penas. Indivíduos que porventura insistam em se manter na inconsciência e na imaturidade, sendo irresponsáveis e inconsequentes com sentimentos alheios ou com sua alma mais profunda, para privilegiar apenas seu próprio ego narcisista infantil, poderão se deparar com tempos muito difíceis, em que seu egoísmo imaturo, disfarçado de indecisão será desmascarado duramente.

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Outro ponto importante, é que Capricórnio é um signo relacionado com o poder social e governamental, com o status quo. A Lua Cheia se dá em conjunção a Plutão e indica que tudo aquilo que não é autêntico deverá ser destruído. Cada vez que a Lua passa por Capricórnio, todo mês, e faz conjunção a Plutão, somos lembrados disso de novo. A mesma coisa ocorre com os trânsitos dos outros planetas. De 2008 a fevereiro de 2024 (quando Plutão sai de Capricórnio definitivamente) vivenciamos isso todos os meses, de forma mais ou menos intensa, e o fazemos individual e coletivamente. Então, além de nos desafiar a crescer individualmente, a Lua Cheia nos desafia a crescer como cidadãos, a ser mais realistas, abandonar as esperanças tolas e vãs e fazer o checklist objetivo do que podemos mudar na nossa atitude social – afinal, não estamos numa bolha e não podemos fingir que não é conosco (veja o vídeo ao final do texto).

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Alguém já disse que nossa mãe nos pariu uma vez, quando nascemos e que, ao longo da vida, somos obrigados, muitas e muitas vezes, a parir a nós mesmos, no eterno processo de crescimento e aprendizagem que viemos empreender aqui. A Lua Cheia de Capricórnio de hoje sinaliza mais um parto. Que não seja a fórceps, porque se a trilha e o caminho são abertos por nós mesmos, a jornada será sempre mais prazerosa! que tenhamos a coragem de demolir o que precisa ser demolido e arregaçar as mangas para construir o novo edifício da nossa vida!

Em termos práticos, essa lunação deixa os ânimos bastante alterados e explosivos, portanto, é bom pegar leve, consigo e com os outros. Pessoas com planetas ou ângulos entre os graus 12 e 22 dos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) sentem de forma mais intensa essa lunação.

Feliz Lua Cheia para você!

O vídeo a que me refiro acima (desculpem, estava na correria ontem e acabei não postando o link do vídeo!) é este de um discurso de  J. K. Rowling na abertura de uma formatura em Harvard, em 2008. Vale muito a pena ver, porque traz reflexões profundas pertinentes a essa Lua Cheia e à nossa vida em geral!

 

 

Lua Nova em Câncer – Fazendo as pazes com o passado

A Lua se renova em Câncer hoje, às 23h31min no horário de Brasília e às 02h31min no horário de Liboa. A lunação se dá no grau 02°47′ de Câncer, em conjunção a Mercúrio e a Marte, que estão, ambos, “Forasteiros” ou “Fora dos Limites do Sol”.

Câncer é o signo dos cuidados, dos sentimentos profundos, da nutrição, do passado, das raízes e origens; o signo que nos lembra que nascemos numa família, de uma mãe que nos nutriu, literal e figurativamente, e de um pai que nos empurra para o mundo e para o futuro. Assim, o ciclo de Câncer sinaliza um tempo de honrar tudo isso em nossa vida: nossa família, origens, passado e história; a sentir e viver nossos sentimentos, a estreitar os laços que nos sustentam e a deixar a família de origem para trás, para ser capazes de criar nosso próprio núcleo, nosso próprio ninho e dar continuidade à semente que herdamos daqueles que vieram antes.

A Lua Nova de hoje nos chama, com amor e devoção, a voltar a essas origens, a honrar essa história que é nossa, no que  ela tem de bom e de ruim, porque, afinal, tudo contribuiu para sermos o que somos hoje, o bom e o ruim. Tudo foi adubo e fermento, tudo o que vivemos. Tudo, absolutamente tudo, fortifica nossas raízes, para que galhos, folhas, flores e frutos sejam fortes, vigorosos e belos (Capricórnio, o signo oposto).

Em Câncer, entramos em contato com o viço que gera a vida, a seiva nutritiva que alimenta o corpo, a alma, a própria vida. É onde nos nutrimos e abastecemos e, abastecidos, nutrimos também a outros, cuidando, protegendo, amando.

O mapa da Lua Nova traz uma enormidade de Água ativada e apenas Júpiter como singleton em Ar, ou seja, as comportas de tudo quanto foi represado são abertas, os conteúdos liberados e não temos alternativa, senão sentir, profunda e visceralmente. Portanto, estamos mais sensíveis, emotivos e carentes e isso nos leva a uma pergunta: como temos feito nossa própria maternagem?  Câncer nos lembra da interdependência, de que precisamos uns dos outros, de que a família é nossa base, é o marco zero da nossa vida. Como estão nossas relações familiares? São saudáveis? Pestilentas e rancorosas? Cheias de mágoas e ressentimentos? Cheias de histórias e recordações bonitas ou segredos espúrios obscuros, dos quais não queremos lembrar? Não seria hora de curar tudo isso? Deixar esse passado pesado para trás?

A Lua Nova acontece em conjunção a Mercúrio e a Marte e Marte, opondo-se a Plutão, é a base de uma T-Square que tem Júpiter em Libra como foco. Isso pede que mantenhamos em cheque a criança birrenta e zangada dentro de nós, que diluamos raivas, mágoas e rancores, nas grandes águas Cancerianas. Júpiter, como foco dessa T-Square, sugere que devemos equilibrar as influências parentais dentro de nós, o Pai e a Mãe, para que possamos ter relações felizes e autênticas e não meras repetições dos erros dos nossos pais – os quais tanto criticamos e dos quais tanto fugimos. Para que possamos ter relações felizes, justas e equilibradas, que nos impulsionem e contribuam para sermos pessoas melhores, precisamos confrontar esses medos e expectativas infantis, a raiva primal da criança insatisfeita, que ainda espera que mamãe vá resolver todos os nossos problemas mesquinhos – ou graves – com seu olhar e palavras doces.

É hora de plantar novas sementes, novos sentimentos e relações. Mas tais sementes só prosperarão se tivermos coragem de purificar o solo, livrando-o das nossas mágoas, do nosso passado tóxico, das nossas expectativas infantis, tanto em relação às figuras parentais, quanto em relação aos nossos parceiros. Do contrário, estamos condenando nossa vida afetiva e o futuro em geral a ser uma repetição de tudo aquilo que desaprovamos na nossa família.

Em lugar de nos sentir vitimizados pelo que quer que tenha acontencido na nossa família e no nosso passado, precisamos soltar e deixar isso para trás; confrontar nossos medos, nossos demônios e assim amadurecer e nos fortalecer, para encontrarmos nosso equilíbrio interno, o fiel da balança da nossa alma. Se queremos nos livrar de um passado triste e doloroso, precisamos abrir mão dele, realmente, não apenas no discurso, mas principalmente na atitude. Parar de bancar as vítimas do sistema familiar e perceber que todos temos nossa parcela de responsabilidade por estar onde estamos e que, mais do que nunca, precisamos nos responsabilizar pelas escolhas e decisões que nos levarão a ser a pessoa que queremos nos tornar. Para isso, é preciso abrir mão também do anseio por ser cuidado, indefinidamente; o anseio por não ter que escolher, não ter que se responsabilizar…

E sobre o passado, as mágoas e dores? Podemos purificar tudo isso! Para cada mágoa ou memória negativa, medite na prece do Hoponopono: “Eu sinto muito, me perdoe, eu te amo, sou grata/o”. Podemos fazer essa prece para todas as situações dolorosas da nossa vida, inclusive para perdoar a nós mesmos, até que nos sintamos mais leves, purificados, amparados pela nossa Mãe Arquetípica – interna – que cuidará para que não precisemos despejar nossas carências infinitas sobre outros, nem nossas mágoas e amargor. Assim, poderemos voltar a apreciar o doce da vida, literal e figurativamente.

Faça as pazes com seu passado, sua família, com você mesmo. Não precisamos repetir enredos! Se estivermos conscientes e despertos, não estaremos fadados a isso, E assim, poderemos plantar novas sementes de amor genuino, de sentimentos verdadeiros, de vínculos fortes, baseados no respeito e na honestidade e não nas dependências e jogos emocionais.

Uma linda Lua Nova Nova para você! E um ótimo ciclo, de nutrição, perdão e amor. Sempre é tempo de recomeçar nossa história!

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Lua Cheia em Sagitário – Além do Arco-íris

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O ciclo de Gêmeos culmina na Lua Cheia de Sagitário, que acontece nesta sexta-feira, dia 09 de junho, às 09h10min no horário de Brasília e às 13h10min no horário de Lisboa. A Lua atinge seu apogeu de reflexão da luz do Sol no grau 18°53’ de Sagitário – tecnicamente, grau 19. Essa lunação se dá em quadratura separativa a Netuno em Peixes – que é foco de uma T-Square Mutável, já que recebe as quadraturas de Sol e Lua – conjunção ampla a Saturno e trígono mais amplo ainda – quase dez graus – a Urano em Áries.

É uma Lua que traz um tom agridoce. Explico: uma Lua Cheia em Sagitário sinaliza um tempo de celebração, de revigorar nossa fé, alegria, entusiasmo e confiança na vida e no futuro! O espírito está elevado e a inspiração, mais elevada ainda! É uma lunação marcada pelo bom humor e tem nuances de festa, diversão, aventura! Sagitário é também um signo d expansão seja em termos materiais, quanto intelectuais ou espirituais. Gêmeos-Sagitário formam o eixo do conhecimento, em que um é o conhecimento prático e funcional – a mente – e o outro é o conhecimento do espírito – a intuição.

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Além disso, temos Vênus em Touro – majestosa em sua casa luxuosamente simples e confortável – em harmonia com Marte em Câncer, nem tão majestoso assim, já que está num signo desconfortável para ele, mas mesmo assim, muito romântico e protetor! Esse aspecto entre os dois traz, além da possibilidade de harmonia entre os sexos e nos relacionamentos, a capacidade de desfrutarmos dos prazeres e deleites da vida e algum enraizamento, já que Vênus está em Touro. aumenta a capacidade para o prazer, o gozo e alegria!

Arcano XX do Tarô – O Julgamento

Outro ponto que realça a qualidade otimista e exagerada dessa Lua Cheia, é o fato de Júpiter estar estacionário, preparando-se para voltar ao movimento direto em Libra. Isso faz com que os assuntos e temas da lunação de Sagitário sejam catapultados a outras alturas! Os temas da justiça, das leis e dos juízes se tornam muito salientados e sensíveis – tudo parece ocorrer em câmera lenta e todo acontecimento ganha proporções gigantescas – para o melhor ou para o pior! Pessoalmente precisamos cuidar com os exageros. Já em termos coletivos, o Julgamento está em curso e nada escapa aos olhos da justiça – quem se safar da justiça humana, confrontará a divina – em dobro!

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Entretanto, além dos aspectos que a Lua faz a Netuno e a Saturno, o Sol Geminiano está em quincôncio pleno a Plutão em Capricórnio – e a Lua faz um semi-sextil a ele. Portanto, essa é uma Lua que precisa conciliar sonhos, ideais, fantasias com a realidade; harmonizar sombra e luz, consciente e inconsciente. Como se exaltar e se regozijar, sem perder a noção, sem nos deixarmos levar pelo exagero, por delírios ou devaneios sem fundamento?

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O desafio é como que nos motivamos e nos animamos a buscar nossos sonhos, como miramos no alvo, certificando-nos que estes sonhos são mais do que ilusões ou quimeras; como vivemos a realidade, com toda a sua dureza, sem nos endurecer, sem perder nossa capacidade de esperançar, de acreditar, tanto em nós mesmos como na boa fé do outro ser humano; como, a despeito de todas as decepções e fracassos passados, não perdemos a fé no elemento humano e na sua evolução. Como mantemos a inocência das crianças, depois de termos visto tantas atrocidades e vilanias; como insistimos em nos melhorar, quando ao nosso redor tudo parece se deteriorar; como insistimos em ser bons, em viver na bondade e na generosidade de espírito, se tantas vezes sofremos os efeitos do mal e da mesquinharia – dentro e fora de nós. É a vitória da fé, da confiança, da esperança de que tudo tem um sentido maior, mesmo que nossa pequena compreensão humana não consiga abarcar ou alcançar. Nós geralmente medimos a vida e o mundo dentro da nossa própria perspectiva limitada e esquecemos que a vida, o mundo, o universo, vão muito além de uma mera vida humana e, dentro dessa perspectiva, tudo está certo, tudo está como deveria estar. Nisso precisamos confiar.

Charles Paul Landon – Icarus and Dedalus – reprodução

Essa Lua Cheia me lembra o mito de Ícaro, para que não conhece ou não lembra, vou contar resumidamente esse mito (1). Ícaro era filho de Dédalos, que construiu o labirinto do Minotauro, com a ajuda de seu filho, a pedido do Rei Minos – você pode ler um pouco dessa história o texto sobre o signo de Touro. Quando Minos soube que Teseu matou o Minotauro e conseguiu sair do labirinto, prendeu Dédalos e Ícaro no labirinto, em Creta. Sabendo que Minos controlava tanto o mar quanto a terra, Dédalos, que era um grande e habilidoso artesão, fez para si e para Ícaro asas que juntavam penas de várias aves, fixadas com cera, para que assim, pudessem fugir do labirinto e de Creta. Antes de alçar voo, Dédalus alertou a Ícaro que não voasse alto demais, pois o calor do sol poderia derreter a cera e descolar as asas; também não deveriam voar muito baixo, pois a umidade do mar poderia também desmanchar o artefato. Assim, alçaram voo em direção à liberdade. Porem, Ícaro ficou encantando com o fulgor do Sol e seguiu em sua direção, sentindo-se como um deus. Esqueceu-se dos conselhos de seu pai e voou alto, alto demais, deslumbrado que estava com o Sol. Logo a cera de suas asas começou a derreter e ele caiu e morreu no mar que posteriormente foi nomeado em sua homenagem: Mar Icário. Dédalos, ao não ver mais o filho, preocupou-se e chamou-o muitas vezes, mas já era tarde. Viu apenas as penas flutuando sobre as ondas. Mesmo assim, Dédalos conseguiu chegar à Sicília e lá enterrou o corpo do filho.

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Como sabemos, Sagitário é um signo das alturas, das infinitas possibilidades. É o signo do Puer Aeternus, o arquétipo da Criança Divina, modernamente conhecida como Peter Pan. Ícaro é mais uma faceta desse arquétipo. As asas simbolizam a criatividade, a liberdade e a capacidade de voar acima dos nossos limites terrenos, representado pelo labirinto e pela ilha – lembra da expressão asas da liberdade, asas da imaginação? Mas os problemas começam quando nos empolgamos demais e esquecemos que tais limites continuam valendo, que não podemos ser arrogantes e achar que somos deuses, voar alto demais. Esse é um tema básico para quem tem Sagitário forte no mapa: as grandes aspirações, o alçar grandes alturas e depois se ver em queda livre, vertiginosamente, porque esquece-se os limites básicos, as regras do voo – mesmo os pássaros obedecem regras de voo, porque sem elas, o voo é sempre desastroso! E esse é o desafio de Sagitário e de todos nós nas próximas semanas: alçar o voo sem esquecer das regras básicas, sem incorrer na arrogância de achar que viramos deuses e agora podemos tudo, inclusive chegar ao sol, chegar a ser Deus, em carne e osso.

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O outro desafio é celebrar, apesar das decepções e desapontamentos. Celebrar – não como no ditado “como se não houvesse amanhã”, ao contrário, exatamente pensando no amanhã, que pode ser melhor, porque vamos nos esforçar para crescer e melhorar; perceber as pequenas vitórias ao longo da caminhada e se regozijar por elas; encarar a realidade, crescer com ela, sem perder o espírito-criança, genuíno e inocente, mas nunca ingênuo!

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Como Saturno está forte neste mapa, a Lua Cheia joga luz e realça, mais uma vez seu trânsito por Sagitário. E aqui precisamos ter um cuidado: o de não incorrermos nas cobranças excessivamente duras conosco mesmos ou com outros – Saturno -e o Senex, o outro lado do Puer, o Velho. Também precisamos cuidar para não nos prostrarmos diante de algumas decepções, perdas, dificuldades… Já falei em outros textos que signos Mutáveis – especialmente Gêmeos e Sagitário andam enfrentando a maior barra nos últimos dois anos, devido aos desafios de Saturno e isso representa um momento de crescimento e não de derrota. E vai passar – lembre-se disso!

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Por outro lado, como a Lua está aplicando a Saturno, precisamos nos preparar para lidar com cobranças de promessas que andamos fazendo sem pensar e agora precisamos entregar o prometido – nos próximos dias ou meses! Quem quer que tenha se comprometido demais, sem planejar adequadamente, seja em termos financeiros, energéticos, de tarefas ou de tempo, agora terá que fazer malabarismos para cumprir o que prometeu, ou simplesmente deixar de cumprir e arcar com as consequências – mesmo assim, isso ainda é parte do aprendizado e não convém autoflagelar-se.

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Pelicanos, perturbados pelo comportamento e resíduos dos humanos, procuram áreas mais seguras para criar seus filhotes”. Este é o Símbolo Sabiano para o grau 19 de Sagitário, que nos remete a questões muito maiores que os pessoais ou locais – remete-nos aos problemas universais que o humano contemporâneo enfrenta, problemas criados por ele mesmo. Não precisamos elucubrar muito a respeito dessa imagem, porque ela fala por si só: questões ambientais e como estamos cavando nossa própria cova, além de enterrarmos junto centenas, talvez milhares de espécies que sofrem as consequências da atuação danosa do ser humano sobre o planeta.

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Além de apontar para a questão real do excesso de lixo e descartes produzidos pelos indivíduos e sociedades modernas, consequências do consumo exagerado e vazio, também alude ao lixo cultural, aos excessos produzidos na indústria do entretenimento que, ao invés de alimentar nossa alma e fomentar nossos sonhos, apenas os pulveriza e os barateia, pois tudo se torna comercializável, rentável, mesmo o mais íntimo e precioso dos sonhos. Pelicanos são conhecidos pelo extremo cuidado que têm com suas crias e famílias. Diz-se que em situações radicais eles chegam a alimentar os filhotes com a própria carne e sangue. Não se sabe se isso é lenda ou verdade, mesmo assim, de acordo com Dane Rudhyar (2), remonta à ideia de urgência: “nossa sociedade tecnológica polui não apenas o ambiente global, mas também a mente e as respostas emocionais das novas gerações. A busca por novos modos de vida é vista por muitas pessoas como um imperativo”, diz ele.

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Então, este é mais um desafio: como continuamos a crescer e a nos desenvolver como indivíduos, sociedades e, em última instância, como espécie, sem ser uma ameaça às outras espécies e ao próprio planeta e ainda sem comprometer o conhecimento, a formação e o futuro cultural das novas gerações, por causa do lixo imediatista produzido aos borbotões pela indústria da “felicidade fácil e comprável” no shopping center – ou em qualquer outro lugar que acreditemos que podemos comprar satisfação verdadeira.

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Diante de tudo isso, eu insisto: temos muito a celebrar e a aspirar! É incontestável que temos dificuldades, mas elas estão aí para nos testar. Elas nos testam a amadurecer e continuar a crescer; elas nos desafiam a dar nosso melhor e não perder a confiança em nós mesmos, no elemento humano, na vida; elas nos desafiam a aspirar às grandes alturas, a sair dos labirintos criados pelo medo, pelos abusos de poder, pela estreiteza de pensamento e de espírito; e, ainda assim, lembrar de nossa mortalidade, para não queimarmos feito mariposas na chama da luz fulgurante e nem derretermos a cera que nos permite voar. Sim, muito temos a celebrar! E a confiar! Fincamos os pés na terra para alçar nosso voo, lembrando que precisamos ter clareza que em algum momento precisaremos pousar.

Para terminar, essa Lua Cheia me lembra aquela canção tradicional, imortalizada na voz de Judy Garland – e que me foi lembrada hoje por uma amiga: “Over the Rainbow” – Além do Arco-íris. A canção é trilha do filme o Mágico de Oz, de 1939. Foi escrita por Harold Arlen and Yip Harburg e aparece no momento em que Dorothy sonha e anseia por escapar da melancolia e das dificuldades que vive em sua realidade, no Kansas. Além do sentido que tem no filme, a canção tinha o intuito de elevar o espírito dos americanos, que ainda lutavam para se recuperar da Grande Depressão de 1929. De fato, Dorothy, conversando com seu cão, Toto, fala que “não se pode chegar a este lugar por trem ou barco, é um lugar muito, muito além… Atrás da Lua, além da chuva… Um lugar onde não há nenhum problema”. Eu diria que este lugar só existe no nosso refúgio particular, na nossa própria alma, quando estamos em paz. E, embora sejam raros tais momentos de paz, eles são possíveis e muitas vezes independem de circunstâncias exteriores. Trago esta canção aqui para elevar nosso espírito e lembrar que além do arco-íris existe um lugar mágico e este lugar não está lá fora. O arco-íris está dentro de nós e o que encontramos além dele, é peculiar e singular para cada um, porque é a nossa Terra do Nunca particular, nosso paraíso pessoal, para onde podemos ir sempre, para nos refazer, para celebrar. Não necessariamente para fugir, mas para buscar uma trégua, um momento de refazimento da luz e da esperança, o revigorar do entusiasmo e da fé!

Abaixo, a letra da canção, em tradução livre:

Além do arco-íris

Em algum lugar, além do arco-íris, bem no alto
Há uma terra sobre a qual eu ouvi uma vez em uma canção de ninar.
Em algum lugar, além do arco-íris, os céus são azuis
E os sonhos que você se atreve a sonhar,
realmente tornam-se realidade

Algum dia eu pedirei a uma estrela
E acordarei onde as nuvens estarão muito atrás de mim
Onde os problemas derretem-se como balas de limão
Muito acima dos topos das chaminés
É onde você me encontrará

Em algum lugar além do arco-íris, pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porque então, por que não posso eu?
Se pequenos pássaros felizes voam
Além do arco-íris
Porque, oh porque não posso eu?

Feliz Lua cheia para você! Que haja motivos para celebrar – e sempre há! Brindemos a isso!

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(1) APOLLODORUS – The Library of Greek Mythology

(2) RUDHYAR, Dane – An Astrological Mandala

Lua Nova em Gêmeos – O mosaico da verdade

A Lua se renovou nesta quinta-feira, a 04°46 de Gêmeos, às 16h44min no horário de Brasília e às 20h44min no horário de Lisboa. É uma Lua Nova que ocorre em meio a muita tensão e perigos, devido à oposição Marte-Saturno que fica exata na semana que vem, mas que já incendeia os ânimos e, no caso do Brasil, literalmente.

Lynn Skordal – Reprodução

Em Gêmeos nos deparamos com a necessidade de criar conexões, de fazer associações de ideias; buscamos o movimento e as interações. Sendo signo de Ar, Gêmeos também é um signo relacional – não no sentido afetivo, claro, mas no sentido da necessidade de conexões, de contato. É um signo de comunicação e conhecimento e seu ciclo nos convida a olhar mais de perto como estamos agindo nessa área da nossa vida. É o momento, então, de renovarmos nossa comunicação, nossos contatos, a relação com o nosso ambiente imediato. É hora de lançarmos intenções relativas à busca do conhecimento e da superação das dualidades.

Lua Nova em Gêmeos – Brasília, 25 de maio de 2017, 16h44min

O mapa da Lua Nova, traz Lua e Sol em sesqui-quadratura – um aspecto considerado menor, de 135 graus – a Plutão, sendo este o aspecto mais próximo. Além deste, Sol e Lua ainda vão fazer trígono a Júpiter em Libra e quadratura a Netuno em Peixes, ambos os aspectos de quase dez graus, muito amplos. De modo que a Lua Nova ocorre de forma relativamente isolada, o que aumenta o potencial de dualidade e ambivalência do signo, além da extrema atividade mental e verborrágica. O diálogo mais intenso dos luminares é mesmo com Plutão, o Deus dos Infernos e dos processos de transformação, mas esse é um diálogo bastante indireto, pois a mente racional e consciente parece não querer ter muito a ver com a sombra, com a obscuridade densa representada por Plutão – tenta ignorar, mas mesmo assim não se vê capaz. A busca pelo controle e pelo poder é feita pela via sinuosa, oblíqua, através, principalmente, do medo e das medidas ditatoriais, disfarçadas de zelo pela ordem e pelo bem estar do outro – é o típico “faço isso pelo seu próprio bem”, enquanto cerceamos a liberdade do outro, quando na verdade estamos com medo dele. Mais do que nunca, a direita não sabe o que a esquerda faz e acusam-se mutuamente dos mesmos crimes – estou falando do ditado popular associado a Gêmeos, mas bem que isso pode se aplicar à polarização extrema que se dá no país atualmente!

Lola Dupré – Reprodução

Somos pressionados por Plutão, inconscientemente, a transformar nossos contatos, nossas conexões, nossa comunicação, nossa relação com o conhecimento e com os fatos. Mercúrio, regente da Lua Nova, também faz contatos distantes a alguns planetas: sextil a Netuno, trígono a Plutão, quincôncio a Júpiter. Mas está em sesqui-quadratura exata a Saturno em Sagitário. Aliás, é interessante notar que esse mapa – e a semana – está cheio de sesqui-quadraturas, um aspecto dito inconsciente, mas precipitador de acidentes e eventos. O aspecto Mercúrio-Saturno exige que confrontemos a verdade dos fatos e, se não o fizermos, as inseguranças continuarão a nos afligir. Mas o complicado é que estamos num momento difícil de identificar o que seja a verdade, porque parece que ela se multiplica e se desmembra, se fragmenta em muitos pedaços, formando mosaicos, ao invés de uma única imagem incorruptível.

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Às vezes, tudo o que temos são os mosaicos, que demandam distanciamento, para que a imagem inteira possa fazer sentido: se ficamos próximos demais, perdemos a perspectiva e não conseguimos divisar nada claramente; se olhamos de muito perto, só acessamos uma parte do todo, que por mais que seja correta, não conta a história toda e essa é uma das dificuldades de Gêmeos: perder-se nos detalhes, nos fragmentos, falhando em captar a visão inteira, o quadro maior. Portanto, para analisarmos os fatos e termos um vislumbre que seja da verdade, é preciso distanciamento e nenhum envolvimento. Do contrário, talvez sejamos parciais. E nosso julgamento não será útil nem fidedigno para tomar as decisões que precisamos tomar. É como montar um quebra-cabeças: demanda tempo e paciência, especialmente quando não temos a referência da imagem que está sendo montada. E por vezes, perdemos a referência da imagem por concentrar-nos no exterior e esquecer do que está dentro, da nossa sabedoria interna.

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Gêmeos também é um signo de dualidade, de ambivalência e com a Lua Nova sem muitos aspectos próximos essa qualidade fica acentuada. Sobram polarizações e dualismos, em que dividimos o mundo em preto ou branco, bom ou mau, quem está comigo e quem está contra mim – essa característica não é muito alentadora, quando lembramos que este cenário de dualismos já está instalado no Brasil há algum tempo. Enquanto isso, muita gente se beneficia e lucra com as polarizações, que no fundo desviam a atenção dos temas mais cruciais e, enquanto pessoas se atacam mutuamente, os responsáveis pelo caos vão se safando da confusão que criaram e criam.

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Mas além das questões sociais, políticas e coletivas, internamente, há também essa sensação forte de fragmentação, de estarmos estilhaçados e termos dificuldade em fazer sentido do todo que somos nós e este é um sentimento que pode permear todo o ciclo Geminiano, prejudicando o foco nos objetivos e aumentando a busca incessante por coisas fora de nós, quando deveríamos nos concentrar na imagem interior central. As racionalizações são favorecidas, em detrimento da integração dos sentimentos e emoções – temos apenas Netuno e Quíron em Água e não são planetas pessoais, Quíron, aliás, é asteroide – muito Fogo (Vênus, Urano, Saturno) muito Ar (Lua, sol, Marte, Júpiter) e uma quantidade razoável de Terra (Plutão e Mercúrio, sendo Mercúrio planeta pessoal, tem peso maior). Então é muito Ar e Fogo junto, o que alimenta o espírito e a mente racional, mas ignora os instintos e os sentimentos, que podem irromper abruptamente e minar o controle rígido da mente.

Simona Bramati – Reprodução

Por outro lado, Vênus está em quadratura exata a Plutão, que nos obriga a confrontar nosso lado mais passional e visceral e isso cria mais um dilema, vivido principalmente nas relações, mas com grandes chances de imputarmos esses conteúdos densos e instintivos no outro, já que estamos muito identificados com a racionalização objetiva e limpa. O outro se torna então o controlador e o possessivo, talvez até tirano, e não percebemos que são nossas atitudes que precipitam esse controle do outro e, na verdade, ao incorrer no nosso caos pessoal, nós invocamos tal controle, como o extremo da polaridade.

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Contudo, o movimento que rouba o show e carrega essa Lua Nova de tensão é a oposição Marte-Saturno, o pico de um ciclo iniciado em agosto de 2016 – ensaiado já em 17 de abril/2016, quando Marte estacionou para entrar em retrogradação, a 08°54’ de Sagitário, a cerca de sete graus de Saturno, que estava no grau 15. Como eu falava no texto da Semana, na conjunção de 24 de agosto de 2016 ambos os planetas haviam acabado de voltar do movimento retrógrado. Essa conjunção ocorreu em conjunção também a Antares, uma estrela considerada maléfica e precursora de catástrofes. De lá para cá, de fato, muitas catástrofes aconteceram, literal e figurativamente – especialmente nos meios políticos e sociais. A conjunção também aconteceu como foco de uma T-Square mutável, que tinha como base a oposição Mercúrio-Netuno – muita confusão e julgamentos errôneos, levando a ações precipitadas, alimentadas também por medos e inseguranças. Agora a oposição ocorre também numa T-Square, só que dessa vez, Marte-Saturno formam a base da T-Square, da qual Quíron é o foco. Outra coisa importante é que Marte está atualmente Fora de Limites, tornando-se mais primitivo e reativo. Esse cenário é bastante perigoso, tanto nas relações e situações pessoais, quanto nas questões sociais e coletivas que estamos vivenciando, porque mais uma vez dá margem a polarizações e extremismos, em que um se vê cerceado pelo outro, que é visto então como o próprio demônio encarnado. Além disso, classicamente, Marte em tensão a Saturno, aponta para a ofensividade, agressividade, repressão violenta da ação individual, que por sua vez, gera uma contrarreação mais violenta ainda, tudo isso temperado e catapultado por muita irritação, frustração e sensação de impotência e impedimento – dá para se ter uma ideia do resultado, certo?

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Essa oposição fica ativa por cerca de dez dias, mas terá repercussões por todo o ciclo, já que estava ativa na Lua Nova. Portanto, há que se ter muita paciência e tolerância para que divergências não enveredem por bate-bocas e não descambem para agressões literais e físicas. A frustração é maior porque Gêmeos, signo trafegado por Marte, tem a ver com movimento e deslocamentos e isso requer de nós muita prudência, especialmente no trânsito e nas comunicações – Marte-Saturno é um aspecto famoso por acidentes causados por frustrações.

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Por outro lado, a sensação de impotência pode trazer a chance de exercitarmos a humildade e rever nossos desejos – sempre que Marte é bloqueado por Saturno, somos questionados novamente sobre a validade dos nossos desejos e quereres: realmente queremos aquilo pelo que lutamos? Ou será que estamos numa luta mental egoica, por coisas que nem alimentam nossa alma e nosso coração? O “inimigo” geralmente é o nosso melhor mestre e cabe a nós nos questionar, dentro de nossa própria vida, o que os entraves e bloqueios e o “inimigo” estão tentando nos ensinar. Por que continuar na polarização? Por que não perceber que o “inimigo” é parte de mim? Que os adversários ou opositores são pedaços importantes do grande mosaico que compõe aquilo que sou?

Diagrama de Descartes sobre o dualismo – Reprodução

O Símbolo Sabiano para o grau 5 de Gêmeos (04°46’) traz uma imagem que corrobora essa análise: “Uma revista revolucionária pedindo ação, exibe uma capa sensacional”. Dane Rudhyar, que analisou extensivamente os Símbolos Sabianos, diz que a nota básica deste símbolo é “a tendência explosiva dos sentimentos reprimidos e emoções viscerais”. Ele nos lembra do perigo das polarizações, em que sempre que privilegiamos um lado, em detrimento de outro, mais cedo ou mais tarde invocamos um movimento contrário no extremo oposto, queiramos ou não. E isso enfatiza a qualidade dual da mente, simbolizada por Gêmeos. “Aquilo que está atado rigidamente à forma e à convenção, pode explodir na ausência completa de formas, seja através da revolução ou, psicologicamente, nas psicoses”, diz ele. “Se a ação revolucionária é violenta ou pacífica, amargamente ressentida ou amorosa, o único desejo é ir além das formas estabelecidas”, completa ele – alguma semelhança com o atual estado de coisas?

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Linda Hill, astróloga australiana, também especialista em Símbolos Sabianos, ao analisar o mesmo símbolo diz o seguinte: “Às vezes, a fim de ser levadas a sério ou serem notadas, as pessoas precisam fazer ou dizer algo estimulante, radical ou fora do comum, especialmente quando há uma necessidade, ou um desejo, de mudar as coisas. Há provavelmente um forte sentimento de que a ‘ação’ deve ser tomada – lembre-se, no entanto, de que o status quo pode ser muito difícil de despertar, mudar ou alterar. Como esta é uma “Revista Radical” pode levar a movimentos que são perturbadores ou mesmo ameaçando a estabilidade e segurança em alguma medida. Além disso, a ‘ação’ que está sendo solicitada pode levar a resultados aquém dos desejáveis. Os eventos que se desenrolam podem ser muito carregados emocionalmente” – novamente: qualquer semelhança NÃO é mera coincidência! Ela ainda acrescenta que há propensão a reações exageradas e dramáticas, notícias e mensagens chocantes, revolução, necessidade de reforma, teorias de conspiração, comportamentos ultra-egoístas.

Il segno dei Gemelli nella Rotonda dello Zodiaco – Orodé Deoro – Reprodução

Concluindo, este é um ciclo de muita racionalização e dualidades, que vai requerer de nós um distanciamento desapaixonado para conseguirmos ver a imagem maior do quebra-cabeças que precisamos montar e do mosaico que é a nossa alma, no momento bastante perturbada e conturbado pelas convulsões individuais e sociais. Num sentido mais prático, é hora de lançar as intenções referentes aos assuntos da casa onde você tem Gêmeos no seu mapa natal, além de buscar melhorar a comunicação e renovar as ideias e conceitos nessa área! E já que Gêmeos é o signo da palavra, vale escrever e verbalizar – apenas para você mesmo – o que você deseja realizar neste ciclo, quais são seus objetivos e incluir os detalhes práticos que serão necessários para a realização de tais objetivos! As metas serão muito importantes para mantermos o foco e juntar as diversas partes do grande mosaico que somos nós!

Um ótimo e feliz ciclo para você!

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Lua Cheia em Escorpião – A maldição – ou a bênção – do Eterno Retorno

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O ciclo de Touro chega ao seu ápice na Lua Cheia de amanhã, dia 10 de maio, que ocorre às 18h42min – 22h42min para Lisboa – , a 20°24’ de Escorpião. Esta é uma Lua Cheia de términos, visto que Escorpião fala de encerramentos de ciclos, para começarmos outros, o que nos dá um vislumbre da eternidade se descortinando diante de nós. É o tempo de trocar de pele, de eliminar energias antigas, limpar o coração de todas as toxinas, abrir-se à compaixão. Enquanto Touro constrói estabilidade, Escorpião a destrói, para que não caia na estagnação. Escorpião destrói tudo aquilo que ameaça impedi-lo de se desenvolver, de avançar para a próxima fase, mesmo que isso não seja necessariamente, um avanço positivo, mesmo que não seja um movimento de crescimento. Entre ficar estagnado ou piorar um pouco, é provável que opte pela segunda opção, se isso implicar movimento, liberação de alguma forma. Mas Escorpião, apesar de não se apegar a coisas e não se deixar possuir por elas, relaciona-se com a posse emocional e aqui há grande dificuldade de abrir mão, de soltar e liberar, mas uma vez que isso ocorra, é definitivo, para sempre. Pode demorar muito tempo até se atingir esse ponto, mas uma vez cruzado esse limiar, não há retorno!

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Como sabemos, a Lua Cheia é um momento crítico, em que a energia atinge seu apogeu e todas as coisas que estavam se avolumando e se arrastando, atingem um ápice e são finalmente liberadas, boas ou ruins. Tensões que foram se acumulando atingem um ponto crítico e explodem e as coisas se resolvem, por bem ou por mal. Como Escorpião é o signo das emoções e sentimentos intenso e profundos, quando a Lua Cheia ocorre neste signo, esse ponto crítico fica intensificado.

Kali, a deusa que cria e destrói a vida – reprodução

A Lua Cheia de Escorpião anuncia um período de destruir tudo aquilo que nos prende e nos impede de dar o próximo passo: apegos a coisas, pessoas, regras; expectativas, medos, inseguranças; situações e coisas que representam segurança e estabilidade, mas das quais reclamamos e nos ressentimos, porque sabemos que tal segurança é fajuta, que usamos isso como desculpa para não fazer o que precisamos fazer, para não agir de acordo com nossa consciência – em resumo, aquilo com que o ego se identifica, mas que não é sua verdadeira essência. Há momentos e situações em que ir contra a maré e destruir algo torna-se muito positivo e pode ser o ato mais criativo e libertador que podemos cometer. Então destruição nem sempre é algo negativo – depende do quê, como e quando. O que é que você precisa destruir hoje?

Lua Cheia em Escorpião, Brasília, 10 de maio de 2017, 18h42min

No mapa desta lunação, a Lua está em sextil muito próximo a Plutão em Capricórnio e, claro, o Sol faz trígono a ele. Plutão é o deus da transformação, da morte, do renascimento, do Mundo Inferior e é o regente moderno de Escorpião. Ao receber aspectos harmoniosos dos dois luminares, sinaliza que estamos abertos, neste ciclo, a enfrentar algumas verdades, a lidar com elas, a nos desapegar e proceder com as mudanças necessárias. Conseguimos olhar para a nossa sombra sem nos chocar tanto com ela e conseguimos perceber o que precisa ser destruído, demolido, pulverizado. E mesmo que doa, destruímos, porque percebemos que de tal destruição, algo novo surgirá, possivelmente, quiçá, mais verdadeiro. A Lua também faz trígonos amplos a Netuno e a Quíron em Peixes – sete graus de orbe – e este trígono, na verdade, cai exatamente no Ponto Médio entre Netuno e Quíron. Além de potencializar a grande sensibilidade dos sentimentos Escorpiônicos, faz aflorar uma grande compaixão por nós mesmos e por aqueles todos com quem estamos envolvidos e, ao invés de raiva, ódio e vingança, queremos apenas nos livrar e liberar dos conteúdos densos, permitindo que sejam purgados e curados. O trígono ao Ponto Médio entre Netuno e Quíron possibilita a mediação, a integração das nossas aspirações e sonhos mais elevados e até os mais fantasiosos, com a percepção do que podemos e não podemos. Uma conciliação torna-se possível, talvez sem amargor e sem ranger de dentes – uma aceitação, quem sabe até resignação, mas ainda assim, algo que vem com sabedoria e serenidade e não precisa ficar apodrecendo dentro de nós e nos intoxicando de amargura. Vemos, reconhecemos e soltamos. E assim, liberamo-nos.

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O regente tradicional da Lua, Marte, está em Gêmeos, em quadratura de menos de um grau a Netuno e em trígono a Júpiter, também bastante próximo. Por um lado, isso nos fala do risco de sonharmos alto demais, de sermos ingênuos e embarcarmos na nau das ilusões criadas por nós mesmos e depois nos desapontarmos tristemente – a mente e os nossos desejos podem nos enganar e iludir. Por outro, assinala uma imaginação poderosa, uma qualidade mágica e ainda a enorme capacidade para a abnegação, além do entusiasmo quase inocente das crianças. Felizmente, tal atitude pueril é compensada pela sagacidade da Lua em Escorpião e pela conjunção Mercúrio-Urano, de modo que talvez se consiga sintonizar mais fortemente com os aspectos mais positivos dessa quadratura Marte-Netuno. Se formos mais longe e considerarmos essa conjunção Mercúrio-Urano em Áries – já que Mercúrio rege Marte – veremos que essa lunação também traz uma energia de rebeldia, de subversão, de ser capaz de desagradar para ser fiel e leal a si mesmo e aos ditames da própria consciência. Mercúrio estando conjunto a Urano no dia da Lua cheia, é outro intensificador da energia, trazendo iluminações, mas também transtornos, imprevistos, desordem, caos. Então há um aumento da instabilidade, uma intensificação da “crise” representada pela Lua Cheia e isso pode se manifestar de várias maneiras, tanto em nível pessoal, quanto em termos coletivos. Na verdade, a Lua Cheia potencializa a conjunção Mercúrio-Urano e vice-versa.

Ouroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, representando a eternidade e os ciclos de morte e renascimento – Ficheiros do Google –
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Mas a Lua Cheia de Escorpião também traz presente a ideia do eterno retorno, um conceito filosófico que nasce com o estoicismo e que propõe que a vida é uma constante repetição de si mesma e que o mundo se extingue para voltar a criar-se, um conceito que é bem ilustrado pela figura da Uroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, se extingue e voltar a renascer. É um símbolo da eternidade. Nietzsche discute o mesmo conceito em sua obra e nos provoca se rangeríamos os dentes e amaldiçoaríamos o demônio que sussurrasse tal ideia da recorrência no nosso ouvido, ou se ficaríamos felizes e o bendiríamos, diante da ideia da eterna repetição? O eterno retorno nos fala dos ciclos repetitivos da vida, algo que Escorpião entende bem. Mas será que a repetição é sempre igual? Será que seguimos em movimento circular, repetitivo, quase instintivo? Não seria esse movimento espiral, alterando algo sutilmente, a cada novo girar da moenda? E estamos sujeitos a tal repetição, feito cordeiros sem vontade, ou na verdade, contribuímos e ansiamos por ela? Será a repetição uma maldição ou uma bênção? Não pretendo esgotar esse assunto aqui, até porque não o domino, a ideia é apenas provocar, porque são temas pertinentes a Escorpião e a essa Lua Cheia e porque sempre vale nos perguntar por que somos tão repetitivos, mesmo quando buscamos ser originais. A Lua Cheia, pois, convida a quebrar – ou pelo menos tentar – a repetição, a destruir a roda que nos prende a essa moenda, a esse moinho, que sempre nos joga na cara aquilo que achamos que já havíamos superado.

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O Símbolo Sabiano para o grau 21 de Escorpião diz o seguinte: “obedecendo à sua consciência, um soldado resiste às ordens que recebe”. Aqui há um conflito claro entre obedecer e atender às expectativas sociais, às regras e leis e seguir a própria consciência, arcando com as consequências por tal desobediência. Quando o meio social e suas regras tornam-se poderosos por demais, diz Rudhyar, “o indivíduo não precisa se sentir atado espiritualmente, nem mesmo aprisionado. Ele ainda pode demonstrar sua liberdade interior e provar-se um ‘indivíduo’” e não apenas um seguidor cego de ordens absurdas e alheias ao seu coração. Essa é uma verdade de Escorpião, que geralmente está disposto a pagar o preço por suas escolhas impopulares, por não seguir a manada, nem fazer questão de ser aceito e aprovado. Aqui há o conflito entre os códigos morais exteriores e os nossos valores pessoais – às vezes é preciso transgredir, quebrar as regras, mesmo que arquemos com consequências duras. Linda Hill, outra estudiosa dos Símbolos Sabianos, nos lembra que “há uma escolha difícil entre nossa lealdade a um relacionamento, a um trabalho, um país, etc. e nossas crenças internas, nossa verdade interior e nossas ambições pessoais. Liberdade verdadeira só pode ser encontrada dentro, quando se confronta essas situações com um senso de integridade e um completo entendimento das consequências possíveis”. Nem tudo o que é legal, é necessariamente correto e temos visto bastante disso recentemente. E por mais que muitas vezes nossas escolhas nos coloquem em colisão com forças maiores do que nós, sejam essas forças mundanas ou de outra esfera, ainda precisamos ser capazes de ser leais a nós mesmos, o que quer que isso signifique. E longe de nos sentir desajustados, talvez isso reflita um desvio salutar da norma, porque, como diz Krishnamurti “não é um sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente”. Então, a Lua Cheia sugere destruir o que nos prende e nos ata, quebrar as regras distorcidas, as normas que não promovem a vida, mas apenas fazem cumprir ordens sem sentido e que vão contra aquilo que acreditamos, aquilo que nossa consciência diz. E há um preço a pagar. Sempre há. Mas, como diz um outro pensador, Kipling, “nunca é alto demais o preço a pagar pelo privilégio de se pertencer a si mesmo”, e de escolher a própria integridade interior, mesmo que isso também seja parte do eterno retorno e da ilusão da novidade. E é por isso que Escorpião briga e paga o preço!

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Para além de tudo isso, essa Lua Cheia também nos faz sentir profundamente conectados com a rede da vida, em toda a sua poderosa manifestação e percebemos que, mesmo em situações de conflito e de morte aparente, a vida segue seu ciclo, ela é mudança constante, ela pulsa, viceja, modifica-se, muda de corpo, de invólucro, mas continua a pulsar, em nós, no outro, no mundo à nossa volta. Talvez sejamos apenas efêmeros demais para perceber as mudanças reais, porque, o que é uma vida humana diante da eternidade? Essa percepção pode nos revigorar e nos dar uma nova perspectiva sobre as coisas, os erros, as “perdas”, aquilo de que precisamos abrir mão, nos desfazer, para viajarmos mais leves, menos enferrujados, menos pesarosos e defensivos, menos apegados ao controle dos resultados. E aquilo que deixamos para trás, as cascas e peles antigas, vão virar adubo, irão se transformar, no eterno ciclo do vir a ser.

Numa nota mais pontual, o Ascendente do mapa levantado para Brasília é Sagitário, que é regido por Júpiter, que está retrógrado em Libra, na casa 11, em quadratura a Plutão e quincúncio quase exato a Netuno. Júpiter segue como carro chefe da locomotiva, como tem estado há vários meses. Isso tudo repete um pouco o tema do entusiasmo pueril, visto que Júpiter está retrógrado e em tensão a Netuno. Parte de nós simplesmente não quer ver, não quer enxergar a verdade, os dissabores, as tristezas e desalentos e prefere continuar a se enganar. Olhando para a situação do Brasil, Júpiter faz quadratura a Plutão retrógrado e talvez alguns movimentos na esfera social e das instituições públicas levem a mais perdas, concretas, materiais e também no senso de autoestima do povo. Netuno está na 4 – somos feitos de bobo dentro de casa, pelos nossos, como tem ocorrido há séculos! Mais do mesmo! Se se considera o mapa do Brasil que tem Aquário Ascendente, a Lua Cheia ativa o MC; se se considera o mapa que tem Peixes como Ascendente, o Ascendente desta lunação para Brasília, também vai ativar o MC do mapa natal. De um jeito ou de outro, essa lunação mexe bastante com figuras de autoridade e com a imagem do Brasil, com o rumo do país.

OBS: A Lua fica Cheia numa condição chamada “Wobble”. Nunca estudei isso a fundo, mas como já me perguntaram, isso é um termo astronômico, que representa uma oscilação, uma instabilidade, quando parece que a Lua “dança” da esquerda para a direita, parecendo “bambolear”. Esses períodos de Lua Wobble, de acordo com alguns estudiosos,estão relacionados com catástrofes, começos e fins de guerras, conflitos e situações fora de controle. Mas antes de se desesperar, saiba que a Lua entra nessa condição cerca de três ou quatro vezes por ano, então, não é nada tão raro assim!

Travis Bedel – Reprodução

Uma ótima Lua cheia para você! quebre as regras distorcidas, destrua aquilo que não gera mais vida, que perdeu o viço e apodreceu e já não alimenta, nem entusiasma! Ou se renova, ou será destruído!

Ouroboros, a serpente mítica que engole a própria cauda, representando a eternidade e os ciclos de morte e renascimento – Ficheiros do Google –
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Lua Nova em Touro – Vibrando prosperidade

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Chegamos à época do ano de nos sintonizarmos com a vibração da prosperidade e de focarmos na busca por realizar nossos objetivos materiais – não que isso não possa ser feito em outras épocas, ou até mesmo o ano inteiro, mas a energia de Touro faz com que nos demos conta do mundo material de maneira mais direta, potente, palpável. Sim, aqui estamos lidando com o mundo tangível, no mais tangível que se consegue ser, porque envolve todos os sentidos do corpo: ver, ouvir, cheirar, degustar e, claro, tocar!

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O Zodíaco representa uma jornada arquetípica: primeiro temos o bebê, que da luta de vida ou morte representada pelo canal do parto, nasce em Áries, se esgoelando e berrando alto, para se fazer ouvir, para se fazer notar, como dizendo: eu cheguei! Quando esse bebê chega em Touro ele começa a perceber as sensações físicas mais nitidamente: ele descobre que além de matar sua fome, o leite da mamãe é saboroso, que ele gosta do seu cheiro, do toque da sua mão, gosta de ser tocado por ela; gosta do que vê na profundidade do seu olhar enquanto ela o amamenta; descobre o próprio corpo e começa a chupar os dedinhos e tudo o que pega vai para a boca – é a famosa fase oral. Nós nos descobrimos encarnados nesta vida através do corpo, que pode ser fonte de prazer, dor, vergonha, raiva… É no corpo que nos cristalizamos, esse corpo perecível, preenchido pela alma imortal, mas que sem ele, a alma não poderia estar vivendo essa experiência. Aqui estamos na esfera sagrada de Touro: a materialidade, sentida através das sensações.

Pois a Lua Nova desta quarta-feira, ocorreu exatamente em Touro, no grau 06°27’, às 09h16min no horário de Brasília – 13h16min no horário de Lisboa – e vem nos convidar a refletir sobre esses temas, mas não apenas refletir, porque com Touro nada é meramente intelectual, nada é só um conceito abstrato. Não. Refletir de forma ativa, concretizando, vivenciando, colocando a mão na massa – quaisquer que sejam nossos objetivos materiais no momento, de curto ou longo prazo! Lançar intenções com o firme propósito de concretizá-las.

Arcano III do Tarô Mitológico

Touro é o signo de exaltação da Lua, exatamente porque oferece a ela, o conforto, a segurança, a nutrição que ela tanto busca, seja essa nutrição e conforto físicos ou emocionais. A Lua aqui é a própria Imperatriz, Arcano 3 do Tarô: fértil, poderosa, empoderada. Ela tem e manifesta o poder da Mãe Terra, na sua mais extensa fecundidade. A Imperatriz, além de nos lembrar da fecundidade da Terra e da sua abundância, também nos lembra do prazer, da sensualidade e do mundo sensorial, da sexualidade que integra belamente as diferentes motivações do sexo, como poder de criação e como fonte de prazer. É uma mulher forte, poderosa, no seu próprio direito, ciente desse poder, de si mesma, de sua feminilidade e fecundidade. E seus dons estão disponíveis – mas, e nós, estamos abertos a recebê-los? A prosperidade é dada, mas nem sempre nos sentimentos merecedores, nem sempre nos sintonizamos com ela, por motivos vários: culpas, crenças, heranças e maldições familiares, ideologias… Assim, abundante é a vida, mas como usufruímos dessa abundância? A Lua Nova de Touro nos faz pensar sobre isso: no conforto e na abundância que merecemos e que construímos para nossa vida – ou que invejamos na vida dos outros! Abaixo analisamos as configurações ativas na Lua Nova, mas já adianto que Vênus está em quadratura a Saturno e conjunção a Quíron, simbolizando que a autoestima está um tanto combalida e que talvez tenhamos dificuldade em nos sentir merecedores das benesses do Universo, ou que teremos que nos esforçar mais para conquistar tais benesses.

No mapa desta lunação, Lua e sol estão isolados, evidenciando mais os temas de Touro. Temos para o ciclo que começa uma energia forte de obstinação, de pragmatismo, de bom senso, que vez por outra pode virar teimosia: focamos tanto no que queremos e buscamos, que vemos em túnel, alheios a tudo o mais que possa nos distrair. Se por um lado isso é ótimo porque favorece a determinação, por outro, leva a extremismos, teimosia, unilateralismos, em que nos recusamos a levar em conta outras opiniões e visões, mesmo quando nosso equivoco é evidente. Nesses casos, nos recusamos a dar o braço a torcer e a sensatez dá lugar ao capricho infantil e ao endurecimento da mente e do coração. Contudo, há muitos planetas em signos mutáveis, e isso talvez se equilibre razoavelmente. Os elementos também estão relativamente balanceados. Mas, uma vez que Lua e Sol não fazem aspectos a outros astros, precisamos olhar com atenção dobrada para Vênus, regente da Lua Nova. E Vênus, já sabemos, apesar de exaltada em Peixes, está se recuperando da sua recente retrogradação e dos aspectos a Saturno e a Quíron, também frescos na memória. Vênus está no último grau, do último signo do zodíaco, fora de curso, prestes a pular para Áries, mas ainda se demorando na incorporeidade de Peixes. Essa posição de Vênus sugere que a determinação, por mais obstinada que seja, possivelmente oscile, vem e vai, ora estamos totalmente empenhados, até de forma cega e ora não temos mais certeza do que realmente queremos, então, em lugar de suaves, ficamos “frouxos”, relapsos e inseguros.

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O último grau de Peixes também nos diz que essa é uma Vênus desapegada, que está mais focada nas coisas “do outro mundo” e a materialidade talvez não lhe interesse tanto. Esse posicionamento de Vênus vem nos dizer que embora seja adequado focar nos projetos de estabilidade e segurança material, precisamos ter clareza de que eles não são um fim em si mesmo, de que não podemos nos definir a partir das aquisições e conquistas materiais – elas são consequências do trabalho interior que viemos empreendendo, mas não servem para nos definir. O conforto, o prazer, o dinheiro, a riqueza, tudo isso são meios que nos propiciam conforto e a possibilidade de focar na evolução espiritual de forma mais tranquila – é bem complicado você pensar em evolução espiritual de barriga vazia, morrendo de frio ou de sede, sem necessidades básicas atendidas ou com a vida ameaçada – aqui a questão premente é a sobrevivência e com isso não se discute. Quando já temos resolvidas essas questões básicas, podemos olhar para mais longe, para além. Portanto, Touro precisa lembrar de não se identificar com aquilo que possui, ou como diz a frase: “não há problema em possuir coisas, o problema é deixar que as coisas possuam você” (desconheço o autor). Vênus vem nos lembrar, mais do que nunca, que por mais empenhados que estejamos na realização material, isso não é o fim, o objetivo final e se assim o for, ou não conseguiremos realizar tais objetivos, ou, ainda que os realizemos, eles não nos trarão a satisfação e o gozo almejados. Positivamente, a Vênus Pisciana indica que a rusticidade simples de Touro é refinada muitas vezes pela doçura, suavidade e gentileza de Peixes. E ainda, algo está se modificando, algo está se transmutando e não sabemos como a próxima etapa se dará!

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Júpiter está destacado, porque carrega o mapa como cabeça da locomotiva, a despeito de estar retrógrado, podemos ter otimismo, desde que não seja exagerado, que seja razoável e bem fundamentado, como requer Libra. Outra coisa importante é que Netuno está no Ponto Médio entre a Lua Nova e Plutão que, segundo Ebertin traz “hipersensibilidade, talentos psicométricos, sentimentalidade, depressão, falta de vontade”. O Sol e a Lua também estão no Ponto Médio entre Quíron e o Ascendente, o que traz uma consciência aguda do nosso lado manco, um desejo de perfeição malogrado, um sofrimento pelas limitações físicas e até a possibilidade de doença. Então, esses pontos médios aumentam a sensibilidade e a ênfase a Peixes e a Quíron e requerem coragem e serenidade para aceitarmos as imperfeições da corporeidade. Especialmente porque nesta semana, exatamente no domingo, Saturno faz sua segunda quadratura exata a Quíron, tornando mais potente essa consciência de nossas imperfeições – o fato de esse aspecto ficar exato durante o ciclo de Touro pode nos ajuda a ser práticos a respeito de tudo isso; touro é sensato e lida com as coisas de forma simples: elas são o que são, e pronto! E há certo momentos que isso ajuda, e muito!

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Eu não costumo, salvo algumas exceções, trazer presente as questões políticas, primeiro porque não domino Mundial, segundo porque eu já faço textão, se for para falar de Mundial/política/sociedade, teria que fazer um texto à parte. Mas me chamou a atenção, considerando-se o momento político/social que estamos vivendo, o fato de esse mapa ter no Ascendente o signo de Gêmeos, o signo da conjunção Lua-Júpiter do Brasil, e o Asc cair em conjunção ampla a esses dois astros natais do Brasil. Outra coisa, Gêmeos é o signo do Fundo do céu no mapa do Brasil e isso vem ativar questões antigas, relativas ao nacionalismo e coisas do passado, ao senso de pertencimento a pátria. Marte também está isolado na casa 12 deste mapa, faz apenas uma sesqui-quadratura a Plutão na casa 8 e isso inspira cuidados, porque Marte na 12 geralmente fala da agressividade inconsciente, dos movimentos subversivos que crescem ocultamente e explodem violentamente – o aspecto a Plutão na 8 não ajuda muito. Mas Marte também ativa a conjunção Lua-Júpiter – precisamos cuidar para tudo não acabar em pizza de novo ou num ridículo festival de memes! Talvez isso não aconteça porque a Lua Nova cai em conjunção ao Saturno natal, na casa 3, e em oposição ao Marte natal em Escorpião na 9 – então, talvez tire esse Saturno do mutismo, vem acionar a frustração inerente à oposição Marte-Saturno, que depois de acordada, pode virar trampolim, mola de impulso para questionamentos das nossas convicções, crenças e leis. O eixo 3 – 9 tem a ver com conhecimento, comunicações e também com a formulação das leis – e olha só o que está acontecendo atualmente, as leis que estão tramitando e sendo votadas… E a Lua Nova ainda forma um Grande Trígono com Urano-Netuno em Capricórnio e com o Sol em Virgem – talvez consigamos superar nossa preguiça, nossa acomodação e tentar fazer algo efetivo para impedir que essas leis espúrias passem e sejam aprovadas – afinal de contas, masi do que nunca estão mexendo no nosso bolso, no nosso senso de valore e valores e isso é intolerável para Touro.  É interessante notar que temos nesse cenário, os indígenas também se mobilizando pela demarcação de suas terras – que coisa mais Taurina, não? A posse da terra, que lhes foi roubada desde que aqui o branco pisou! De qualquer maneira, a posição de Vênus, dispositora da Lua Nova, nos diz que muitas coisas estão prestes a mudar, radicalmente, como radical é a diferença entre Peixes e Áries. E Touro, sendo muito focado na estabilidade e na segurança, pode não gostar dessa incerteza, o que nos sugere um ciclo em que lidamos sim, com muitas incertezas e instabilidades

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Concluindo, A Lua Nova de Touro indica o período do ano de lidarmos de forma mais direta com o mundo material, com nossos objetivos e metas financeiras e de nos afinarmos com a vibração da prosperidade e da fertilidade da vida! É um tempo propício para lançar novas sementes – inclusive literalmente – e intenções de construir algo concreto, algo que venha a repercutir positivamente no nosso senso de valor, de autoestima e que também nos coloque em contato mais profundo com o nosso corpo, com o conforto e o prazer que a vida pode proporcionar! E você, já sabe que sementes vai plantar? Que obra vai construir? Quais metas quer conquistar?

Um ótimo ciclo para você! Que seja produtivo e realmente próspero!

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