A Água como Tema Onírico

Temas Universais nos Sonhos: a Água

Representação da água em seus três estados físicos na natureza. O oceano líquido, o gelo sobre as montanhas e o vapor invisível no céu.
Representação da água em seus três estados físicos na natureza. O oceano líquido, o gelo sobre as montanhas e o vapor invisível no céu – Serg!o – Fotomontaje combinación de: Hielo en Antártida, por cloudzilla Nubes en Tenessee por Andy Melton de Lancing, TN, USA Belugas en un acuario, por Leon Mitchell de San Diego, EEUU – Wikimedia Commons

Existem classificações diversas para os tipos de sonhos que temos – vamos falar disso em outro momento –, assim como existem temas universais. Esses temas são chamados de universais exatamente porque eles são sonhados em todos os lugares do mundo e representam assuntos importantes na vida humana e no desenvolvimento individual e coletivo, tanto no seu aspecto psíquico e simbólico quanto na sua dimensão real e concreta. Entre os vários temas universais encontramos a Água, A Serpente, A Casa, A Queda, A Morte, O Pai, A Mãe, A Criança, O Parto, A sombra, A Ânima, O Ânimus, O Predador, A Viagem, O Anel… entre muitos outros. Estes são temas arquetípicos e podem se tornar recorrentes na vida do sonhador, de acordo com suas dinâmicas psicológicas e de vida. Neste artigo vamos explorar um pouco mais a Água como tema universal nos sonhos – não pretendo aqui esgotar todos os significados que a água pode ter ao aparecer nos nossos sonhos, pois isso seria simplesmente impossível! –, mas apenas traçar a simbologia e os significados gerais que podem valer para todos.

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Ronnie Robertson – Creative Commons/Wikimedia Commons

A água é a fonte da vida. Essa é a premissa básica de onde partimos para analisar a água como tema onírico. Ela “é o berço e a origem de todas as formas vivas, está onde estiver a vida. Também tem uma natureza dual como o Fogo, e é seu complementar, sendo o Fogo Yang e a Água, Yin. É útero e sepultura, conservação e destruição, purificação e contaminação. Ao fluir por oceanos e rios, corporifica o movimento e a mudança constantes, mas revela permanência. Embora se iguale ao fogo, enquanto a essência da vida, a água oferece algo mais denso, vagaroso e confortante. Purifica sem destruir, servindo aos rituais de várias religiões” (1).

A água tem como tema básico o inconsciente, a origem da vida; estarmos imersos nessa vida como os peixes estão imersos nos lagos e oceanos. O seu simbolismo é profundo e vasto e um que não se pode definir completamente. Nos sonhos, oceanos, mares, rios, lagos e corpos de água em geral representam o nosso próprio inconsciente, as experiências psíquicas e a própria alma. Na psicologia junguiana, a água representa a função da sensibilidade. Similarmente, na astrologia, simboliza os sentimentos, a dimensão do sentir e a percepção emocional da vida. Como símbolo universal, compreende uma vastidão infinita de significados. É o tipo de tema que não podemos classificar de forma simplista como bom ou mau, positivo ou negativo – isso seria muito raso e reducionista na análise dos sonhos – porque os significados vão muito além de colocar rótulos de bom ou mau.

Quando sonhamos com o tema da água, é essencial observar o contexto geral do sonho e as características dessa água que ali aparece. A seguir, listo uma série de perguntas que podemos nos fazer para começar a elucidar os possíveis significados:

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Jim Coombes – Creative Commons/Wikimedia Commons
  • O corpo de água que vemos nos sonhos é oceano, mar, rio, lago, ou uma mera poça de água na rua? É água correndo da torneira da pia ou estamos debaixo de uma cachoeira? É chuva caindo lá fora (a chuva também tem significados próprios)? É água rasa ou profunda? Quente ou fria? É viva ou estagnada? Essa água é plácida e serena ou se avoluma em ondas ferozes, ameaçando nos engolir? Olhamos a água da margem ou estamos dentro dela? Nadamos tranquilamente ou estamos nos afogando? A água é clara, límpida e fresca ou é turva e suja? É turbulenta ou caudalosa e misteriosa? A água representa a própria energia psíquica, portanto, o estado em que aparece no sonho traz revelações profundas e significativas sobre a vida psíquica do sonhador.

Qual é o sentimento principal que o sonho transmite? Ao olhar para esse corpo de água estamos pacíficos e felizes ou estamos amedrontados e tristes? O que a água significa para nós no sonho, qual é o sentimento principal que ela nos desperta? Qual é a relação que temos com o elemento água na vigília? Temos uma boa relação com esse elemento, ele é desagradável ou mal pensamos sobre isso? Gostamos de banhos demorados, gostamos de nadar em rios ou no mar, ou temos medo das profundezas da água? Todos esses questionamentos são de suma importância para analisarmos o nosso sonho, só para começar!

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Monge em frente ao mar – Caspar David Friedrich, 1809 – Wikimedia Commons

Essa pergunta sobre o sentimento principal que o sonho transmite é a observação básica que se deve fazer ao analisar qualquer sonho, seguida da observação do que esse elemento principal do sonho – neste caso, a água – representa para nós na vigília. Essas são questões elementais.

A seguir, trago diversos autores e suas interpretações para o tema da água nos sonhos:

Günter Harnisch diz que a água simboliza “a energia psíquica inconsciente. Corresponde mais ou menos ao que se diz por popularmente como água da vida. Segundo resultados da ciência moderna, assim como em todos os relatos mitológicos da criação, a água é considerada como o material de onde se origina a vida” (2). Ele também traz o significado do Mar, mas creio que será melhor trazer o mar como tema específico no futuro.

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Estátua de uma pessoa se afogando em Église Notre-Dame-de-la-Chapelle – Parte da Base de Dados de Ruído e Imagem Natural – Wikimedia Commons

No livro Mistérios do Desconhecido encontramos a seguinte descrição: “nos sonhos, a água parada sugere útero, segurança pré-natal, beatitude. Ondas que arrebentam representariam forças externas que escapam ao controle do sonhador ou seus instintos sexuais. Uma piscina significaria lazer ou competição. Quando aparece como uma vastidão de mistérios ocultos, a água simboliza o inconsciente. A natureza dual da água permite uma comparação adequada: caótico e potencialmente violento, o inconsciente é a fonte de sustentação da vida consciente. Mergulhar na água pode simbolizar a busca do significado da vida, e atravessá-la significaria transformação” (1).

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Ofélia – John Everett Millais, 1851 – Wikimedia Commons

Para Belanger e Dalley, “quando uma pessoa sonha que está emergindo de um rio de um lago, de um oceano ou até de uma piscina, isso pode simbolizar nascimento. Pode ser o nascimento de uma criança ou o nascimento metafórico de uma ideia ou de um projeto que o sonhador vem desenvolvendo. Banhar-se num sonho pode ter alguns significados diversos, dependendo do estado da água na qual a pessoa se banha: limpa pode indicar boa saúde, enquanto suja pode predizer doença. Um sonho com água que inunda a casa é por vezes interpretado como profético da morte do próprio sonhador (não entenda isso de forma literal!). Sonhos com uma grande quantidade de água são comumente vistos como representativos do inconsciente do sonhador. Embora possam ser agradáveis, eles também podem ser pesadelos bastante amedrontadores, normalmente indicativos de algum tipo de conflito no inconsciente. Como sempre um dos aspectos mais importantes da análise pessoal de um sonho é a observação das emoções evocadas por este. Neste caso, se o sonhador está relaxado e calmo na água, é improvável que o inconsciente esteja lhe tentando lhe enviar mensagens de uma comoção interna. No entanto, se está brigando, em pânico ou mesmo afundando na água, isso pode indicar que ele precisa refletir sobre aspectos de sua vida em relação aos quais ele se sente desamparado ou fora de controle” (3).

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Por do Sol sobre o Rio Amazonas – Joshjrowe – Creative Commons/Wikimedia Commons

Edgar Cayce, o famoso clarividente e paranormal americano, que também se ocupava bastante dos sonhos, analisava a água nos sonhos como “a mãe de todos os organismos vivos; a mãe da vida; a fonte da criação física, a Mãe Oceano; a força purificadora em nossa passagem de uma experiência a outra; a fonte de vida e compreensão; o início ou a fonte de todas as forças; a vida ou estilo de vida; água cristalina: compreensão clara, pureza de propósito; água turva: compreensão e conhecimento imperfeito; água da Vida, tal como encontrada em Cristo; o primeiro elemento da vida; sentimentos, estados emocionais, desejos; necessidade de maior ingestão de água; a alma; o inconsciente; o domínio da polaridade feminina; nascimento e ou morte”. Estes significados são tirados do Dicionário de Símbolos Oníricos de Edgar Cayce, capítulo IV do livro Sonhos, Respostas desta noite para as dúvidas de amanhã, de Mark Thurston. Após cada significado ele geralmente relata um sonho de um sonhador específico para ilustrar (4).

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Heavy Sea – David James – Wikimedia Commons

Na psicologia junguiana, a água é uma imagem arquetípica, símbolo do inconsciente coletivo. De forma mais individual, “se o sonhador estiver nadando, isso mostra que está pronto para mergulhar nessa parte da sua psique”, a parte mais inconsciente (5). Para Jung, o mar é o símbolo das águas maternais, fecundas e criadoras, símbolo do inconsciente. Nos sonhos ou nas fantasias, o mar ou toda extensão vasta de água designa o inconsciente. O aspecto maternal da água coincide com a natureza do inconsciente no sentido em que este último (sobretudo no homem) pode ser visto como a mãe, a matriz do inconsciente (6). Vale ressaltar que os sonhos eram parte essencial do processo analítico de Jung e certamente se poderia escrever muitos artigos apenas sobre a simbologia da água para Jung, mas ele é um dos teóricos principais a associar a água ao inconsciente.

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Batismo de Cristo – Piero della Francesca – Wikimedia Commons

No Dicionário de Símbolos de Nádia Julian encontramos que a água representa as origens e o inconsciente, a fonte e o símbolo da vida. Ela lembra que “o culto das águas se encontra em todas as mitologias: os sumérios já ensinavam que do mar original nasceu o Céu-Terra, que em seguida deu origem aos outros deuses. Na cosmogonia egípcia, no Gênesis, para os hebreus e hindus, a água é a essência do poder passivo ou feminino; a umidade é o mais fecundo dos elementos, base da criação”. Especificamente nos sonhos, ela diz que “a água é símbolo do inconsciente. Os banhos indicam a necessidade de se regenerar, de esquecer o passado. Fonte da vida apaziguada ou movimentada, mas contida em seus limites ela dá um sentido favorável ao sonho, mas as inundações denunciam um perigo apresentado por um sentimento que invade em demasia” (7).

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Cachoeira Amida – Katsushika Hokusai – Wikimedia Commons

Julian acrescenta, citando P. Diel: “a água simboliza a purificação do desejo até sua forma mais sublime, a bondade. A água é símbolo da purificação do caráter”. E citando Gaston Bachelard, que fez muitos estudos sobre as sutis variações das águas: “ele considera a água morta, silenciosa, sombria, dormente, insondável, como o suporte material da morte e vê nas águas dormentes o símbolo do sono total, do qual não se quer despertar, deste sono guardado pelo amor dos vivos. É esta a lição de uma morte imóvel, de uma morte profunda, de uma morte que permanece conosco, junto a nós, em nós” (7). Neste sentido, a água como esquecimento ou sono do qual não se quer despertar, pode ser associada a Peixes, último signo do Zodíaco e do elemento água na astrologia. Já a água morta, sombria e silenciosa se associa a Escorpião e seus conteúdos misteriosos e insondáveis.

Para Chevalier e Gheerbrant, no Dicionário de Símbolos, “as significações simbólicas da água podem reduzir-se a três temas dominantes: fonte de vida, meio de purificação, centro de regenera essência. Esses três temas se encontram nas mais antigas tradições e formam as mais variadas combinações imaginárias e as mais coerentes também” (8).

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Ritual de purificação Karasuzumo, depois de um evento de sumô no Japão, 2013 – Wikimedia Commons

Sendo a água um dos elementos essenciais da vida, como sabemos, ela tem valor fundamental e ritualístico em várias religiões. No Judaísmo, entre outras coisas, ela dá origem à criação, como relata o Gênesis, já mencionado acima; no cristianismo, em diversas denominações, ela é instrumento de limpeza e purificação; o batismo, por exemplo, simboliza a purificação do pecado original, o nascer de novo em Cristo – o próprio Cristo foi batizado por João Batista nas águas do Rio Jordão. Jesus se refere a si mesmo como A Água da Vida no Novo Testamento. Diversas denominações religiosas também utilizam o recurso da água benta, que tem várias funções, entre elas, a da proteção. Os Fu-chuel taoístas, chamados senhores da água benta, tinham ritos centrados nela (8). Cultos africanos diversos tem banhos ritualísticos, com ou sem ervas. Em resumo, a água é instrumento de purificação ritual e de libertação de conteúdos julgados sujos, indignos ou pecaminosos, praticamente em todas as partes do mundo, em religiões diversas.

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O Dilúvio – J. M. W. Turner – Wikimedia Commons

Ainda do ponto de vista religioso, a água pode ser vista também como símbolo de punição divina, seja por sua falta, nas grandes secas, seja pelo seu excesso, nos dilúvios e inundações. O dilúvio, aliás, é considerado por alguns como o mais universal dos mitos, pois aparece em todo o canto, em todas as mitologias: a civilização sendo destruída e punida pela ira de um deus ou dos deuses. O mais conhecido desses dilúvios é do Antigo Testamento, em que o Deus Javé aniquila a humanidade pecadora com a inundação resultante de 40 dias e 40 noites de chuvas implacáveis, da qual se salvam apenas Noé e sua família, numa arca onde guarda também casais de todas as espécies de animais existentes. Esse tema do dilúvio e da arca é anterior à narrativa judaica e já aparece na Epopeia de Gilgamesh, um relato sumério contado no que também é considerada a obra literária mais antiga do mundo: uma placa de argila escrita em caracteres cuneiformes, descoberta em ruínas da região mesopotâmica, traduzida por volta de 1890 d.C.

O tema do dilúvio/inundação, tem significados próprios, simbolizando, no plano individual, o ego consciente sendo inundado e assolado pelo inconsciente, indicando o risco da perda de contato do ego com a realidade – obviamente, não se pode generalizar e dizer isso de forma absoluta, cada sonhador e seu contexto são únicos e um sonho assim não pode ser interpretado de forma aleatória e determinista. Mas o dilúvio é, principalmente, um mito universal e como tal, tem outros significados que não caberia analisarmos aqui, por ser um tema mais coletivo, enquanto aqui estamos nos ocupando das significações mais individuais. Como diz Joseph Campbell, o mito é o sonho coletivo.

O que vale ressaltar como síntese dos três últimos parágrafos é a simbologia religiosa que a água carrega e que isso deve ser levado em consideração, pois o contexto religioso ou espiritual de quem sonha pode ter um peso importante ao analisar o significado da água, dependendo do sonho em si.

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Símbolo do elemento Água na astrologia – Wikimedia Commons

Astrologicamente, o elemento água está relacionado com os signos de Câncer, Escorpião e Peixes, assim como com a Lua (regente de Câncer), os planetas Netuno (regente moderno de Peixes), Marte e Plutão, regentes de Escorpião. No mapa astrológico também há três casas associadas a este elemento, chamadas Casas da Alma: as casas 4, 8 e 12. Pessoas que têm mapas muito aquáticos podem ter a água como tema recorrente nos seus sonhos e esta água pode aparecer de diversas maneiras ao longo da vida. Dependendo das configurações astrológicas que envolvem a água no mapa, esse tema aquático pode ser cheio de tensão ou pode ser tranquilo e sereno. Também é comum sonharmos com grandes águas quando Netuno está transitando pontos importante na carta natal, especialmente o ASC e os planetas pessoais – ou se o Netuno natal está sendo ativado por progressões, direções ou outros movimentos importantes. Para termos mais informação sobre essas correlações astrológicas, é necessário fazer uma análise do mapa natal e das movimentações que acontecem no momento presente neste mapa.

Sonhos com grandes águas também estão associados com o estágio alquímico da Solutio, que por sua vez se associa ao elemento Água. Na solutio, a água dissolve as estruturas calcificadas e enrijecidas do ego. “Na Solutio o Rei (Saturno) precisa morrer e é uma morte por afogamento (Netuno). O velho ego, enrijecido e podre, precisa ser dissolvido. Assim, o Rei se afoga, sob o olhar atento do alquimista, que assiste a tudo da margem, sem interferir. O alquimista é a consciência, que sabe que o ego e suas couraças precisam morrer, se dissolver, se desintegrar. Como o alquimista, precisamos deixar este Velho Rei morrer e abrir mão de tudo o que ele representa, para que possa ocorrer uma renovação verdadeira, para que se possa renascer mais limpo e purificado” (9). Este é o tema básico da Solutio como estágio alquímico. Sonhos repetitivos com grandes águas podem indicar que o indivíduo está atravessando esse estágio alquímico no seu desenvolvimento psíquico.

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Foz do Rio Amazonas no Oceano Atlântico – Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE – Wikimedia Commons

Outros temas que a água pode representar ao aparecer num sonho: vida, renascimento, limpeza, purificação, criação, iniciação, cura, regeneração, fluidez, fertilidade, fecundidade, voluptuosidade, nascimento, águas uterinas, unidade, rituais purificadores, feminino, mãe, matriz, alimento, nutrição, transcendência, conexão com o sagrado, bênção, vida espiritual, eternidade, o homem renovado, mistérios submersos, saciar a sede, renovação da terra; “todas as promessas de desenvolvimento, mas também ameaças de reabsorção” (8); dissolvição, regressão, estado embrionário, desintegração, destruição, desencantamento,  indistinção/indiferenciação egóica, medo, insegurança, desordem, caos, monstros aquáticos; “flutuações dos desejos; curso da existência humana, virtudes informes da alma” (8).

Mais uma vez, o que é importante de guardar sobre a água como tema onírico, é a impressão geral que ela nos traz no sonho. Como olhamos para ela? Como a sentimos? Qual sentimento geral que esse sonho nos traz? Isso é o que vai nos dar a pista principal sobre as informações e a mensagem que o sonho pode estar trazendo do nosso inconsciente.

Como este é um dos temas mais vastos e profundos do mundo dos sonhos, é muito provável que eu volte a ele no futuro, seja editando este artigo, seja ampliando-o em outros artigos posteriores. Volte e verifique!

Você costuma sonhar com água? Já parou para pensar no que esses sonhos podem estar revelando sobre seu inconsciente?

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Impressão do Mar do Caribe – Martin Falbisoner – Wikimedia Commons

Para terminar, do Rigueveda, um hino de exaltação às Águas que “trazem vida, força e pureza, tanto no plano espiritual quanto no corporal” (8):

Vós, as Águas, que reconfortais

trazei-nos a força,

a grandeza, a alegria, a visão!

…Soberanas das maravilhas,

 regentes dos povos, as Águas.

…Vós, as Águas, dai sua plenitude ao remédio,

a fim de que ele seja uma couraça para o meu corpo,

e que assim eu vejo por muito tempo o Sol!

Vós, as Águas, levai daqui esta coisa,

este pecado, qualquer que ele seja, que cometi,

esse malfeito que fiz, a quem quer que seja, essa jura mentirosa que jurei.

(1) – Mistérios do Desconhecido – No Mundo dos Sonhos, pg. 35 – Rio de Janeiro: Abril Livros, 1992.

(2) – HARNISCH, Günter – Léxico dos Sonhos – Petrópolis: Ed. Vozes, 1999.

(3) – BELANGER, Jeff e DALLEY, Kirsten – Enciclopédia dos Pesadelos – A interpretação dos seus sonhos mais sombrios – Rio de Janeiro: Prestígio Editorial, 2007.

(4) THURSTON, Mark – Sonhos – Resposta desta noite para as dúvidas de amanhã – São Paulo: Editora Pensamento, 1997.

(5) ENNIS, Mauve + PARKER, Jennifer – Fique por dentro dos seus sonhos – São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

(6) https://institutoinclusaobrasil.com.br/os-simbolos-do-inconsciente-e-a-imagem-maritima/

(7) JULIEN, Nadia – Dicionário dos Símbolos – São Paulo: Editora Rideel, 1993

(8) CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain – Dicionário de Símbolos – Rio de Janeiro: José Olympio, 1993 – 7ª Edição.

(9) SOUSA, Maria Eunice – Saturno-Netuno, o mundo em desintegração – neste site: https://mariaeunicesousa.com/2015/11/24/saturno-netuno-o-mundo-em-desintegracao/

mariaeunicesousa

Maria Eunice Sousa é astróloga de orientação psicológica, formada pelo Centro de Astrologia Psicológica de Londres, fundado e dirigido por Liz Greene. Mora em Cuiabá, onde atende com Astrologia, trabalhando também como tradutora e intérprete (Inglês-Português). Além de Mapa Natal e Revolução Solar, também atende com Astrocartografia e Espaço Local (formada pelo Kepler College), Mapa Infantil, Mapa de Relacionamento e Mapa Vocacional.

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